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L N Souza

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Questões resolvidas

Identifique a opção que apresenta a explicação adequada para o efeito de sentido resultante do uso linguístico especificado. a) Nos versos “um pedaço negro de rocha / voa/ em nossa direção” (versos 4-6), o uso do pronome possessivo “nossa” rompe o vínculo entre o eu lírico e os leitores. b) Em “dizem que” (verso 1), a expressão do sujeito gramatical, na terceira pessoa do plural, sem antecedente textual claro, evidencia que o eu lírico se vale de uma outra voz para expressar o fato. c) Nos versos “e quaisquer que sejam os desvios/ e extravios/ de seu curso” (versos 14-16), o pronome possessivo “seu” se reporta ao verso “em algum ponto do cosmos” (verso 2). d) O apagamento do objeto direto oracional em “não se sabe se” (verso 20) inviabiliza a referência a “inimigo oculto” (título). e) A combinação da preposição “de” com o pronome “eles”, empregado como pronome possessivo em “deles resultará” (verso 17), encaminha textualmente as consequências das “curvaturas do espaço-tempo” (versos 8-9).
a) Nos versos “um pedaço negro de rocha / voa/ em nossa direção” (versos 4-6), o uso do pronome possessivo “nossa” rompe o vínculo entre o eu lírico e os leitores.
b) Em “dizem que” (verso 1), a expressão do sujeito gramatical, na terceira pessoa do plural, sem antecedente textual claro, evidencia que o eu lírico se vale de uma outra voz para expressar o fato.
c) Nos versos “e quaisquer que sejam os desvios/ e extravios/ de seu curso” (versos 14-16), o pronome possessivo “seu” se reporta ao verso “em algum ponto do cosmos” (verso 2).
d) O apagamento do objeto direto oracional em “não se sabe se” (verso 20) inviabiliza a referência a “inimigo oculto” (título).
e) A combinação da preposição “de” com o pronome “eles”, empregado como pronome possessivo em “deles resultará” (verso 17), encaminha textualmente as consequências das “curvaturas do espaço-tempo” (versos 8-9).

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Questões resolvidas

Identifique a opção que apresenta a explicação adequada para o efeito de sentido resultante do uso linguístico especificado. a) Nos versos “um pedaço negro de rocha / voa/ em nossa direção” (versos 4-6), o uso do pronome possessivo “nossa” rompe o vínculo entre o eu lírico e os leitores. b) Em “dizem que” (verso 1), a expressão do sujeito gramatical, na terceira pessoa do plural, sem antecedente textual claro, evidencia que o eu lírico se vale de uma outra voz para expressar o fato. c) Nos versos “e quaisquer que sejam os desvios/ e extravios/ de seu curso” (versos 14-16), o pronome possessivo “seu” se reporta ao verso “em algum ponto do cosmos” (verso 2). d) O apagamento do objeto direto oracional em “não se sabe se” (verso 20) inviabiliza a referência a “inimigo oculto” (título). e) A combinação da preposição “de” com o pronome “eles”, empregado como pronome possessivo em “deles resultará” (verso 17), encaminha textualmente as consequências das “curvaturas do espaço-tempo” (versos 8-9).
a) Nos versos “um pedaço negro de rocha / voa/ em nossa direção” (versos 4-6), o uso do pronome possessivo “nossa” rompe o vínculo entre o eu lírico e os leitores.
b) Em “dizem que” (verso 1), a expressão do sujeito gramatical, na terceira pessoa do plural, sem antecedente textual claro, evidencia que o eu lírico se vale de uma outra voz para expressar o fato.
c) Nos versos “e quaisquer que sejam os desvios/ e extravios/ de seu curso” (versos 14-16), o pronome possessivo “seu” se reporta ao verso “em algum ponto do cosmos” (verso 2).
d) O apagamento do objeto direto oracional em “não se sabe se” (verso 20) inviabiliza a referência a “inimigo oculto” (título).
e) A combinação da preposição “de” com o pronome “eles”, empregado como pronome possessivo em “deles resultará” (verso 17), encaminha textualmente as consequências das “curvaturas do espaço-tempo” (versos 8-9).

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17
Questão 1
Leia a estrofe a seguir para responder à questão.
Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito
(Se de humano é matar uma donzela
Fraca e sem força, só por ter sujeito
O coração a quem soube vencê-la),
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o não tens à morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois te não move a culpa que não tinha.
(Canto III, Episódio Inês de Castro, Os Lusíadas, de Camões - fragmento)
Sem perder de vista as relações de sentido e sintáticas com toda a estrofe do poema, a respeito da
passagem “Mova-te a piedade sua e minha”, avalie as quatro afirmativas a seguir:
 
I. Há uma oração optativa (que exprime desejo).
II. A “piedade” faz parte do sujeito da oração. 
III. Há um sujeito oculto. 
IV. O pronome possessivo “sua” refere-se a “criancinhas”, citada em verso anterior.
 
O correto está em:
 
a) II, III e IV, apenas.
b) I, II e IV, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, apenas
Gabarito:
B
Resolução:
Na oração citada, não há sujeito oculto ou elíptico, e sim um sujeito explícito posposto ao verbo (a
piedade sua e minha). Na ordem direta, teríamos: "A piedade sua e minha mova-te".
Questão 2
INIMIGO OCULTO
 dizem que
em algum ponto do cosmos
(Le silence éter nel de ces espaces infinis m’effraie)*
um pedaço negro de rocha
05 do tamanho de uma cidade
— voa em nossa direção —
perdido em meio a muitos milhares de asteroides
impelido pelas curvaturas do
espaço-tempo
10 extraviado entre órbitas
e campos magnéticos
voa
em nossa direção
e quaisquer que sejam os desvios
15 e extravios
de seu curso
deles resultará
matematicamente
a inevitável colisão
20 não se sabe se quarta-feira próxima
ou no ano quatro bilhões e cinquenta e dois
da era cristã
 
Ferreira Gullar
*(O silêncio eterno desses espaços infinitos me assusta)
Identifique a opção que apresenta a explicação adequada para o efeito de sentido resultante do uso
linguístico especificado.
a) Nos versos “um pedaço negro de rocha / voa/ em nossa direção” (versos 4-6), o uso do pronome
possessivo “nossa” rompe o vínculo entre o eu lírico e os leitores.
b) Em “dizem que” (verso 1), a expressão do sujeito gramatical, na terceira pessoa do plural, sem
antecedente textual claro, evidencia que o eu lírico se vale de uma outra voz para expressar o fato.
c) Nos versos “e quaisquer que sejam os desvios/ e extravios/ de seu curso” (versos 14-16), o
pronome possessivo “seu” se reporta ao verso “em algum ponto do cosmos” (verso 2).
d) O apagamento do objeto direto oracional em “não se sabe se” (verso 20) inviabiliza a referência a
“inimigo oculto” (título).
e) A combinação da preposição “de” com o pronome “eles”, empregado como pronome possessivo
em “deles resultará” (verso 17), encaminha textualmente as consequências das “curvaturas do
espaço-tempo” (versos 8-9).
Gabarito:
B
Resolução:
Nos versos "um pedaço negro de rocha/ voa/ em nossa direção", o uso do pronome "nossa"
estabelece um vínculo entre o eu lírico e os leitores. Nos versos “e quaisquer que sejam os desvios/ e
extravios/ de seu curso” (versos 14-16), o pronome possessivo “seu” se reporta a "um pedaço negro
de rocha/ do tamanho de uma cidade" (versos 4 e 5). O objeto oracional de "não se sabe se" refere-se
a "resultará matematicamente/ a inevitável colisão" (versos 16-18). O pronome possessivo "deles"
(verso 17) encaminha textualmente as consequências dos "desvios e extravios do seu curso" (versos
14-16).
Questão 3
Estudantes contam como é morar em república
 
01
 
 
 
Instalada no centro histórico de Ouro Preto
(MG) há 61 anos, a república PIF-PAF abriga 13
moradores: todos estudantes de Engenharia na
Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Para
05
 
 
 
 
acomodar tanta gente confortavelmente, são 11
quartos (distribuídos em três andares), dois
banheiros, sala de computador, biblioteca, sala de
TV, sala de som, área de serviço, cozinha, área
para churrasco e campinho de futebol.
10
 
 
 
 
A casa é tombada e considerada patrimônio
histórico de Ouro Preto, por isso, requer muitos
cuidados e dedicação dos moradores. “Antes de
virar uma república, essa casa era habitada por
padres da paróquia Nossa Senhora do Pilar”,
15
 
 
 
 
contou Artur Valadares Veras Siqueira Cruvinel,
26, o Custelinha.
De acordo com Custelinha, os moradores
entraram num acordo e resolveram pagar uma
mensalista, que trabalha de segunda a sábado. “A
20
 
 
 
 
Girlene está conosco há cinco anos. Ela limpa a
casa, arruma as camas, lava os banheiros, além de
fazer uns bolinhos, sucos e lanchinhos. Ela não é
paga para lavar e passar”, disse. Para lavar as
roupas, os 13 moradores compraram uma máquina
25
 
 
 
 
de lavar e cada um faz o seu serviço.
Na PIF-PAF há apenas uma televisão, que
fica na sala. “A gente prega a união entre os
moradores. Se um deles instala uma televisão no
quarto, ele se isola e não se reúne com os demais e
30
 
 
 
 
não se integra. Por isso, a regra da república é
proibir TV nos quartos”, avisou Custelinha.
Os gastos mensais gerais, que incluem luz,
água, internet, salário da mensalista e material de
limpeza, giram em torno de R$ 130,00 por
35
 
 
 
 
morador. As despesas extras são pagas com
recursos arrecadados em festas organizadas pela
república. São dois os pré-requisitos para um
calouro ser mais um morador da PIF-PAF: é
preciso ser do sexo masculino e cursar Engenharia
40
 
 
 
 
na Ufop.
“O que a gente mais preza aqui é a iniciativa
do morador e o zelo pelo patrimônio. Aqui a
organização está sempre em primeiro lugar”,
afirmou Custelinha.
45
 
 
 
 
 
Kurva D-Rio
Em Piracicaba, no interior de São Paulo, dez
alunos da Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz (Esalq/USP) dividem o mesmo espaço na
50
 
 
 
 
república Kurva D-Rio. Segundo o morador Fábio
Cherubin de Barros, 21, o “Kuazimudo”, a
república tem esse nome por causa do primeiro
morador e um dos fundadores da casa. “Ele
morava em Rio Claro. Além disso, na curva de rio
55
 
 
 
 
só param tranqueiras”, brincou.
A casa tem três quartos, uma suíte e um
quarto nos fundos. Não tem TV a cabo, mas tem
internet. E assim como na PIF-PAF, a TV é
comunitária e fica somente na sala para “não
60
 
 
 
 
dispersar o pessoal da casa”.
Para manter a ordem, eles pagam uma
mensalista que trabalha de segunda à sexta-feira.
Além disso, dois moradores são responsáveis
pelas refeições da semana. O gestor financeiro é
65
 
 
 
 
eleito para ficar no cargo por seis meses. Não há
uma poupança para gastos extras. “Se acontece
alguma despesa emergencial, é preciso ratear o
dinheiro na hora”, disse Kuazimudo.
“Quando você mora em república, você
70
 
 
 
amadurece porque aprende a respeitar as pessoas e
a aceitar outras ideias. Esses moradores, com
certeza, serão meus amigos para o resto da vida”,
disse.
75
 
 
 
 
Não conseguia estudar
Recém-formado em Medicina Veterinária,
Fábio Ouchana, 25, não conseguiu viver em
república em Descalvado, no interior de São
Paulo. Ele chegou a dividir a casa por quatro
80
 
 
 
 
meses, mas não aguentou e preferiu dar um jeito
de morar sozinho. “Não deu certo. É muita farra,
muita festa, eu não conseguia estudar”, disse.
Segundo Fábio, a gota-d’água para ele decidir
morar sozinho foi quando o companheiro da casa
85
 
 
 
 
ficou só de cuecas quando seus pais visitavam a
república. “Achei uma falta de respeito. Não
estava no ‘Big Brother’. Resolvi alugar uma casa
com ajuda dos meus pais e minhas despesas
triplicaram, mas valeu a pena”, avalia.
90
 
 
 
 
Fábio disse que aprendeu a cozinhar, lavar
roupa, além de limpar a casa. “Só não aprendi a
passar roupa, por isso pago uma pessoa para fazer
isso aos sábados. Mas posso dizer que amadureci
muito com essa experiência”, disse.
Fernanda Bassette
Do G1, em São Paulo
26 fev. 2007
(Adaptação do texto disponível em: . Acesso em: 23 ago. 2011)
 
A grafia dos nomes das repúblicas e dos apelidos de seus moradores apresentados no texto nem
sempre segue as convenções ortográficas adotadas como padrão da escrita do português.A respeito
disso, assinale o que for correto.
01) Em “Custelinha” (linha 16), o uso de “u” no lugar de “o” é influenciado pelo fato de estar em
sílaba anterior à sílaba tônica, posição na qual vogais mais baixas podem ser substituídas por vogais
mais altas na fala coloquial, como acontece em escola>iscola comida>cumida.
 
02) Em “Kuazimudo” (linha 51), o uso do “k” em vez de “c” é motivado pelo fato de a república Kurva
D-Rio disponibilizar internet e, consequentemente, seus moradores utilizarem-se de convenções do
"internetês" para escreverem seus apelidos.
 
04) Em “Kurva D-Rio” (linha 46), a letra “D” em caixa alta representa a pronúncia da preposição que
foi omitida na escrita.
 
08) O nome “PIF-PAF” tem motivação fonética por assimilação com o nome da universidade onde
estudam seus moradores, a Ufop.
 
16) Os nomes de repúblicas e os apelidos de seus moradores são intencionalmente grafados em
desacordo com as convenções ortográficas vigentes e revelam informalidade.
Gabarito:
01 + 04 + 16 = 21
Resolução:
As afirmações 02 e 08 estão erradas quanto aos nomes “Kuasimudo” e “PIF-PAF”. Em nenhum
momento do texto, existe a preocupação de se explicar a grafia desses dois nomes, apenas se
comenta a origem e o sentido do nome “Kurva D-Rio”.
Questão 4
Leia o Texto V a seguir e faça o que se pede.
Texto V
“Para ter ideia do que é um mundo sem água, imagine você sem 70% do seu corpo.”
A) Qual o sujeito da forma verbal “imagine” no texto acima?
B) Qual a função sintática do pronome “você” no texto?
C) A maioria dos gramáticos apontaria um erro de emprego do pronome no trecho destacado no
texto. Como as gramáticas orientariam o emprego do pronome nesse caso?
D) Analise o efeito de sentido produzido pelo uso do pronome “você” no texto de propaganda
Gabarito:
A) O sujeito da forma verbal imperativa “imagine”, 3ª pessoa do singular, é o pronome “você”
(oculto). 
B) O pronome “você” exerce a função sintática de núcleo do objeto direto do verbo “imaginar”, que é
um verbo transitivo direto. 
C) As gramáticas orientam, nesse caso, o emprego do pronome pessoal do caso oblíquo, “se”.
Pronomes pessoais do caso reto, como o “você” do Texto V, somente poderiam vir nessa posição, de
objeto, em situações específicas e preposicionados. 
D) O uso do “você”, neste texto, é intencional tendo em vista o papel argumentativo desse tipo de
pronome, principalmente se comparado ao “se”, na orientação tradicional. O uso de “você”, além de
apontar diretamente para o leitor/interlocutor do texto, o aproxima da ideia e da linguagem do
enunciado. 
Questão 5
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
 
Sob a ótica do senso comum, conhecimento tem a ver com familiaridade. O conhecido, diz a
linguagem comum, é o familiar. Se você está acostumado com alguma coisa, se você lida e se
relaciona habitualmente com ela, então você pode dizer que a conhece. O desconhecido, por
oposição, é o estranho. O grau de conhecimento, nessa perspectiva, é função do grau de
familiaridade: quanto mais familiar, mais conhecido. Daí a fórmula: “eu sei = estou familiarizado com
isso como algo certo”. Mas se o objeto revela alguma anormalidade, se ele ganha um aspecto distinto
ou se comporta de modo diferente daquele a que estou habituado, perco a segurança que tinha e
percebo que não o conhecia tão bem quanto imaginava. Urge domá-lo, reapaziguar a imaginação. Ao
reajustar minha expectativa e ao familiarizar-me com o novo aspecto ou o novo comportamento,
recupero a sensação de conhecê-lo.
Sob a ótica da abordagem científica, contudo, a familiaridade é não só falha como critério de
conhecimento como ela é inimiga do esforço de conhecer. A sensação subjetiva de conhecimento
associada à familiaridade é ilusória e inibidora da curiosidade interrogante de onde brota o saber. O
familiar não tem o dom de se tornar conhecido só porque estamos habituados a ele. Aquilo a que
estamos acostumados, ao contrário, revela-se com frequência o mais difícil de conhecer
verdadeiramente.
(Eduardo Giannetti, Autoengano, p. 72.)
 
Segundo Giannetti, o senso comum
(A) deve ser levado em conta em situações familiares.
(B) é o inverso daquilo que é familiar e não científico.
(C) define que algo é certo, em termos de ciência.
(D) é prejudicial à ótica da abordagem científica.
(E) tem a função de domar e inverter a realidade.
Gabarito:
D
Resolução:
O senso comum crê que o conhecimento está diretamente vinculado à familiaridade. Como na visão
científica devemos desconfiar daquilo que é familiar, podemos concluir que o senso comum é
prejudicial a ela.
Questão 6
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
 
Sob a ótica do senso comum, conhecimento tem a ver com familiaridade. O conhecido, diz a
linguagem comum, é o familiar. Se você está acostumado com alguma coisa, se você lida e se
relaciona habitualmente com ela, então você pode dizer que a conhece. O desconhecido, por
oposição, é o estranho. O grau de conhecimento, nessa perspectiva, é função do grau de
familiaridade: quanto mais familiar, mais conhecido. Daí a fórmula: “eu sei = estou familiarizado com
isso como algo certo”. Mas se o objeto revela alguma anormalidade, se ele ganha um aspecto distinto
ou se comporta de modo diferente daquele a que estou habituado, perco a segurança que tinha e
percebo que não o conhecia tão bem quanto imaginava. Urge domá-lo, reapaziguar a imaginação. Ao
reajustar minha expectativa e ao familiarizar-me com o novo aspecto ou o novo comportamento,
recupero a sensação de conhecê-lo.
Sob a ótica da abordagem científica, contudo, a familiaridade é não só falha como critério de
conhecimento como ela é inimiga do esforço de conhecer. A sensação subjetiva de conhecimento
associada à familiaridade é ilusória e inibidora da curiosidade interrogante de onde brota o saber. O
familiar não tem o dom de se tornar conhecido só porque estamos habituados a ele. Aquilo a que
estamos acostumados, ao contrário, revela-se com frequência o mais difícil de conhecer
verdadeiramente.
(Eduardo Giannetti, Autoengano, p. 72.)
 
Assinale a alternativa em que há palavras que apresentam o mesmo processo de derivação das
palavras destacadas no trecho a seguir: . . . conhecimento tem a ver com familiaridade.
(A) É fatal ficarmos tristes diante daquilo que é efêmero.
(B) Uma bela face humana vai um dia ficar velha e menos bela.
(C) Mas a transitoriedade lhe empresta renovado encantamento.
(D) Uma flor que dura apenas uma noite não parece menos bela.
(E) Uma bela obra de arte não tem limitação de tempo ou espaço.
Gabarito:
C
Resolução:
Tanto o termo “conhecimento” como “familiaridade” são formados por derivação sufixal. Assim,
assinalamos como correta a alternativa C, pois os termos “transitoriedade” e “encantamento” são
formados pelo mesmo processo de derivação.
Questão 7
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão
 
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um
grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos,
quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança,
achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco
carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala,
diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam
sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente
feliz. [. . .]
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que
essas coisas não existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.
(Cecília Meireles, A arte de ser feliz. Em Escolha seu sonho, p. 24.)
 
Na expressão um grande ovo de louça azul, o adjetivo azul tanto pode estar modificando louça
quanto ovo delouça. Nesse caso, não há prejuízo para o entendimento do texto. Nem sempre,
contudo, isso acontece. Assinale a alternativa em que o sentido se modifica conforme o adjetivo afete
palavras diferentes.
(A) Procuram-se vendedores de motos recondicionadas.
(B) Vendem-se meias para crianças brancas.
(C) Apoiamos as medidas da comissão nova.
(D) Vivemos uma época de mudanças bruscas.
(E) Fundou-se uma ONG de intenções nobres.
Gabarito:
B
Resolução:
Em “vendem-se meias para crianças brancas” há ambiguidade, pois o adjetivo brancas pode tanto
referir-se ao termo “meias” como ao termo “crianças”, já que todas as palavras em questão estão
flexionadas no feminino plural.
Questão 8
INSTRUÇÃO: Leia os dois textos a seguir para responder à questão.
Texto 1
O material do poeta é a vida, e só a vida, com tudo o que ela tem de sórdido e sublime. Seu
instrumento é a palavra. Sua função é a de ser expressão verbal rítmica ao mundo informe de
sensações, sentimentos e pressentimentos dos outros com relação a tudo o que existe ou é passível
de existência no mundo mágico da imaginação. Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela,
simples e comunicativa possível, do contrário ele não será nunca um bom poeta, mas um mero
lucubrador* de versos.
(Vinícius de Moraes, Para Viver um Grande Amor, p. 101-102.)
* aquele que compõe com esforço à custa de muita meditação.
 
Texto 2
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
 
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
 
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
 
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
 
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
(Carlos Drummond de Andrade, Procura da poesia.)
 
 
Leia novamente o poema de Drummond e responda:
a) Que modo verbal caracteriza e domina a construção desse poema? Por quê?
b) Qual é o significado da pergunta “Trouxeste a chave?”, no último verso do trecho apresentado?
Gabarito:
a) O modo verbal predominante no poema de Drummond é o imperativo, pois o eu lírico busca
advertir o leitor (e possível poeta) do que se deve ou não fazer para se construir um poema.
b) É uma pergunta que as palavras fazem ao poeta, já que elas, polissêmicas, estariam ansiosas para
entender que significado ganharão em um determinado contexto. “Trouxeste a chave?” teria o
mesmo sentido do que perguntar: “Sabes o que fazer conosco, palavras?”
Questão 9
INSTRUÇÃO: Leia os dois textos a seguir para responder à questão.
 
Texto 1
O material do poeta é a vida, e só a vida, com tudo o que ela tem de sórdido e sublime. Seu
instrumento é a palavra. Sua função é a de ser expressão verbal rítmica ao mundo informe de
sensações, sentimentos e pressentimentos dos outros com relação a tudo o que existe ou é passível
de existência no mundo mágico da imaginação. Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela,
simples e comunicativa possível, do contrário ele não será nunca um bom poeta, mas um mero
lucubrador* de versos.
(Vinícius de Moraes, Para Viver um Grande Amor, p. 101-102.)
* aquele que compõe com esforço à custa de muita meditação.
 
Texto 2
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
 
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
 
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
 
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
 
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
(Carlos Drummond de Andrade, Procura da poesia.)
 
 
Voltando ao texto em prosa de Vinícius de Moraes e pondo foco no trecho “Seu único dever é fazê-lo
da maneira mais bela,”
a) a que se refere no texto o pronome “seu”?
b) A que se refere no texto o pronome “lo”?
Gabarito:
a) O pronome “seu” refere-se a “poeta”.
b) O pronome “lo”, catafórico, retoma toda a ideia exposta na frase anterior, como se tivesse a
mesma função do pronome demonstrativo “isso”.
Questão 10
INSTRUÇÃO: As questões de números 08 a 10 tomam por base uma passagem de um romance do
escritor naturalista brasileiro Aluísio Azevedo (1857-1913).
 Afinal conseguiram chegar. Mas, ah! quando a pobre Magdá, toda trêmula e exausta de forças já
no tope da pedreira, defrontou com o pavoroso abismo que se precipitava debaixo de seus pés, soltou
um grito rápido, fechou os olhos, e teria caído para trás, se o Conselheiro não lhe acode tão a tempo.
– Magdá, minha filha! Então! então!
Ela não respondeu.
– Está aí! está aí o que eu receava! Lembrar-se de subir a estas alturas!... E agora a volta...?
– Pode vossência ficar tranquilo por esse lado, arriscou um dos cavouqueiros, que se havia
aproximado, a coçar a cabeça. – Se vossência quiser, eu cá estou para pôr esta senhora lá embaixo,
sem que lhe aconteça a ela a menor lástima.
– Ainda bem! respondeu S. Exa. com um suspiro de desabafo.
 O trabalhador que se ofereceu para conduzir Magdá era um moço de vinte e tantos anos, vigoroso
e belo de força. Estava nu da cintura para cima e a riqueza dos seus músculos, bronzeados pelo sol,
patenteava-se livremente com uma independência de estátua. Os cabelos, empastados de suor e pó
de pedra, caíam-lhe em desordem sobre a testa e sobre o pescoço, dando-lhe à cabeça uma satírica
feição de sensualidade ingênua.
– Vamos! Vamos! apressou o Conselheiro, entregando-lhe a filha.
 O rapaz passou um dos braços na cintura de Magdá e com o outro a suspendeu de mansinho pelas
curvas dos joelhos, chamando- a toda contra o seu largo peito nu. Ela soltou um longo suspiro e, na
inconsciência da síncope, deixou pender molemente a cabeça sobre o ombro do cavouqueiro. E,
seguidos de perto pelo velho, lá se foram os dois, abraçados, descendo, pé ante pé, a íngreme
irregularidade do caminho.
 Era preciso toda atenção e muito cuidado para não rolarem juntos; o moço fazia prodígios de
agilidade e de força para se equilibrar com Magdá nos braços. De vez em quando, nos solavancos
mais fortes, o pálido e frio rosto da filha do Conselheiro roçava na cara esfogueada do trabalhador e
tingia-se logo em cor-de-rosa, como se lhe houvera roubado das faces uma gota daquele sangue
vermelho e quente. Ela afinal teve um dobrado respirar de quem acorda, e entreabriu com volúpia os
olhos. Não perguntou onde estava, nem indagou quem a conduzia; apenas esticou nervosamente os
músculos num espreguiçamento de gozo e estreitou-se em seguida ao peito do rapaz, unindo-se bem
contra ele, cingindo-lhe os braços em volta do pescoço com a avidez de quem se apega nos
travesseiros aquecidos para continuar um sono gostoso e reparador. E caiu depois num fundo
entorpecimento, bambeando as pálpebras; os olhos em branco, as narinas e os seios ofegantes; os
lábios secos e despregados, mostrando a brancura dos dentes. Achava-se muito bem no tépido
aconchego daquele corpo de homem; toda ela se penetrava do calor vivificante que vinha dele; toda
ela aspirava, até pelos poros,a vida forte daquela vigorosa e boa carnadura, criada ao ar livre e
quotidianamente enriquecida pelo trabalho braçal e pelo pródigo sol americano. Aquele calor de
carne sã era uma esmola atirada à fome do seu miserável sangue.
E Magdá, sentindo no rosto o resfolegar ardente e acelerado do cavouqueiro, e nas carnes macias da
garganta o roçagar das barbas dele, ásperas e maltratadas, gemia e suspirava baixinho como se
estivessem a acarinhá-la depois de longa e assanhada pugna de amor.
 Quando o moço, já embaixo, a depôs num banco de pedra que ali havia, a enferma abriu de todo
os olhos, deixou escapar um grito e cobriu logo o rosto com as mãos. Agora não podia encarar com
aquele homem de corpo nu que ali estava defronte dela, a tirar com os punhos o suor que lhe
escorria em bagas pela testa.
 Chorou de pejo.
 O seu pudor e o seu orgulho revoltaram-se, sem que ela soubesse determinar a razão por quê.
Uma cólera repentina, um sôfrego desejo de vingança, enchiam-lhe a garganta com um novelo de
soluços. O pranto parecia sufocá-la quando rebentou.
– Eu magoei-a, ó patroazinha?... perguntou o trabalhador com humildade, quase sem poder vencer
ainda o cansaço. E o imprudente tocou com a mão no ombro de Magdá, procurando, coitado, dar-lhe
a perceber o quanto estava consumido por vê-la chorar daquele modo. Ela estremeceu toda e fugiu
com o corpo, nem que se houvessem chegado um ferro em brasa; e abraçou-se ao pai, escondendo
no peito deste os soluços que agora borbotavam sem intermitência.
(Aluísio Azevedo. O homem. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1970. p. 94-97.)
 
No final do primeiro parágrafo, o narrador empregou “acode”, presente do indicativo, quando a
correlação usual com as demais formas verbais exigiria o pretérito imperfeito do subjuntivo,
“acudisse”. Essa quebra da correlação, todavia, é feita intencionalmente pelo narrador, com o
objetivo de produzir um efeito expressivo. Releia o parágrafo e explique esse efeito expressivo
causado pelo emprego do presente do indicativo.
Gabarito:
Com a utilização pouco habitual do presente do indicativo com relação ao tempo de referência
pretérito, o enunciador atribui atualidade à narrativa, presentificando a ação do passado de maneira a
revivê-la dinâmica pela aparente concomitância ao instante da enunciação.
Questão 11
Leia com atenção um fragmento do artigo intitulado A alma da fome é política, do sociólogo
Herbert de Souza, o Betinho, publicado no Jornal do Brasil, em setembro de 1993, para responder à
questão.
 
“A fome é exclusão. Da terra, da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e
da cidadania. Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi
negado. É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio. A morte em vida. O exílio da Terra.
Mas a alma da fome é política.
A fome é a realidade, o efeito e o sintoma. O ponto de partida e de chegada. A síntese, a ponta do
novelo a partir da qual tudo se explica e se resolve. Porque não é episódica, nem superficial, revela
fundo o quanto uma pessoa está sendo excluída de tudo e com que frieza seu drama é ignorado pelos
outros. [...] Mas a fome é também o atestado de miséria absoluta e o grito de alarme que sinaliza o
desastre social de um país, que mostra a cara do Brasil.
[...]
É assustador perceber com que naturalidade fomos virando um país de miseráveis, com que
tranquilidade fomos produzindo milhões de indigentes. Acabar com essa naturalidade, recuperar o
sentido da indignação diante da degradação humana, reabsolutizar a pessoa como centro e eixo da
vida e da ação política é essencial para transformar a luta contra a fome e a miséria num imenso
processo de reconstrução do Brasil e de nossa própria dignidade. Por isso é que acabar com a fome
não é só dar comida, e acabar com a miséria não é só gerar emprego, mas é reconstruir radicalmente
toda a sociedade.”
 
A respeito do texto de Betinho, é POSSÍVEL afirmar que ele:
 
a. apresenta um panorama quantitativo da situação da fome no Brasil e os impactos causados pela
miséria.
b. vai além das avaliações técnicas sobre a miséria e sobre a exclusão para defender a necessidade
da reconstrução social.
c. caracteriza a fome como um fenômeno natural em um país de desigualdade econômica.
d. constrói uma imagem poética dos excluídos, prejudicando, assim, o propósito comunicativo do
texto.
e. discute as principais estratégias para, dentro dos limites da realidade, terminar com a fome no
Brasil.
Gabarito:
B
Resolução:
O texto é muito mais que um relato ou uma exposição de dados estatísticos; é um chamado a uma
mudança de postura e a uma tomada de decisão no que se refere às desigualdades sociais.
Questão 12
Leia com atenção um fragmento do artigo intitulado A alma da fome é política, do sociólogo
Herbert de Souza, o Betinho, publicado no Jornal do Brasil, em setembro de 1993, para responder à
questão.
 
“A fome é exclusão. Da terra, da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e
da cidadania. Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi
negado. É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio. A morte em vida. O exílio da Terra.
Mas a alma da fome é política.
A fome é a realidade, o efeito e o sintoma. O ponto de partida e de chegada. A síntese, a ponta do
novelo a partir da qual tudo se explica e se resolve. Porque não é episódica, nem superficial, revela
fundo o quanto uma pessoa está sendo excluída de tudo e com que frieza seu drama é ignorado pelos
outros. [...] Mas a fome é também o atestado de miséria absoluta e o grito de alarme que sinaliza o
desastre social de um país, que mostra a cara do Brasil.
[...]
É assustador perceber com que naturalidade fomos virando um país de miseráveis, com que
tranquilidade fomos produzindo milhões de indigentes. Acabar com essa naturalidade, recuperar o
sentido da indignação diante da degradação humana, reabsolutizar a pessoa como centro e eixo da
vida e da ação política é essencial para transformar a luta contra a fome e a miséria num imenso
processo de reconstrução do Brasil e de nossa própria dignidade. Por isso é que acabar com a fome
não é só dar comida, e acabar com a miséria não é só gerar emprego, mas é reconstruir radicalmente
toda a sociedade.”
 
De acordo com o texto, todos os elementos abaixo podem ser relacionados com a fome, EXCETO:
 
a. exclusão de direitos.
b. falta de solidariedade.
c. indicação de caos social.
d. indiferença dos outros.
e. preconceito racial.
Gabarito:
E
Resolução:
A questão da fome está relacionada, no texto, a uma postura da sociedade frente às desigualdades
existentes, ou seja, a como os seres humanos se relacionam. Não houve menção ao aspecto racial.
Questão 13
Leia com atenção um fragmento do artigo intitulado A alma da fome é política, do sociólogo
Herbert de Souza, o Betinho, publicado no Jornal do Brasil, em setembro de 1993, para responder à
questão.
 
“A fome é exclusão. Da terra, da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e
da cidadania. Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi
negado. É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio. A morte em vida. O exílio da Terra.
Mas a alma da fome é política.
A fome é a realidade, o efeito e o sintoma. O ponto de partida e de chegada. A síntese, a ponta do
novelo a partir da qual tudo se explica e se resolve. Porque não é episódica, nem superficial, revela
fundo o quanto uma pessoa está sendo excluída de tudo e com que frieza seu drama é ignorado pelos
outros. [...] Mas a fome é também o atestado de miséria absoluta e o grito de alarme que sinaliza o
desastre social de um país, que mostra a cara do Brasil.
[...]
É assustador perceber com que naturalidade fomos virando um país de miseráveis, com que
tranquilidade fomos produzindo milhões de indigentes. Acabar com essa naturalidade, recuperar o
sentido da indignação diante da degradação humana, reabsolutizar a pessoa como centro e eixo da
vida e da ação política é essencial para transformara luta contra a fome e a miséria num imenso
processo de reconstrução do Brasil e de nossa própria dignidade. Por isso é que acabar com a fome
não é só dar comida, e acabar com a miséria não é só gerar emprego, mas é reconstruir radicalmente
toda a sociedade.”
 
As principais razões que justificam a indignação do sociólogo, em seu texto, são:
 
a. a política brasileira e a falta de emprego.
b. a desigualdade social e o preconceito racial.
c. a degradação humana e o cerceamento político.
d. o número de indigentes e a precariedade do sistema de saúde.
e. a fome e a indiferença do outro à fome.
Gabarito:
E
Resolução:
O que mais deixa o sociólogo indignado é a fome e a indiferença com que é recebida pela sociedade.
Questão 14
Leia com atenção os quadros publicados na matéria intitulada Pobres da Noruega ganham mais
que ricos em 57 países, e responda à questão.
Desigualdade no mundo
Renda anual dos 10% mais ricos (em média)
Estados Unidos - US$ 117.931
Hong Kong - US$ 105.747
Irlanda - US$ 104.820
Cingapura - US$ 90.848
Brasil - US$ 37.534
Fonte: ONU
----------------------------
Renda anual dos 10% mais pobres (em média)
Serra Leoa - US$ 28
Níger - US$ 62
Rep. Centro-Africana - US$ 77
Bolívia - US$ 82
Brasil - US$ 656
Fonte: ONU
(Disponível em: . Acesso em: 7 jan. 2007)
 
A presença do Brasil, nos dois quadros, evidencia:
 
a. o forte nível de desenvolvimento do país.
b. a oscilação, em períodos de tempo, da situação econômica do país.
c. a desigualdade econômico-social do país.
d. a má distribuição de renda nos países da América do Sul.
e. o status do Brasil em relação aos outros países das Américas.
Gabarito:
C
Resolução:
Os dados estatísticos apenas confirmam uma realidade com a qual os brasileiros se deparam todos os
dias: a extrema desigualdade na distribuição de renda.
Questão 15
Leia com atenção os quadros publicados na matéria intitulada Pobres da Noruega ganham mais
que ricos em 57 países, e responda à questão.
Desigualdade no mundo
Renda anual dos 10% mais ricos (em média)
Estados Unidos - US$ 117.931
Hong Kong - US$ 105.747
Irlanda - US$ 104.820
Cingapura - US$ 90.848
Brasil - US$ 37.534
Fonte: ONU
----------------------------
Renda anual dos 10% mais pobres (em média)
Serra Leoa - US$ 28
Níger - US$ 62
Rep. Centro-Africana - US$ 77
Bolívia - US$ 82
Brasil - US$ 656
Fonte: ONU
(Disponível em: . Acesso em: 7 jan. 2007)
 
Em relação à renda anual dos brasileiros nos dois quadros, é POSSÍVEL afirmar que:
 
a. o brasileiro rico ganha, aproximadamente, 5 vezes menos que o americano rico.
b. o brasileiro pobre ganha, aproximadamente, 10 vezes mais que o nigerino pobre.
c. o brasileiro rico ganha, aproximadamente, 2 vezes menos que o irlandês rico.
d. o brasileiro pobre ganha, aproximadamente, 12 vezes mais que o boliviano pobre.
e. o brasileiro pobre ganha, aproximadamente, 20 vezes menos que o brasileiro rico.
Gabarito:
B
Resolução:
Para a resolução dessa questão, o elemento essencial é a leitura de informações com dados
matemáticos. Seria necessário avaliar cada uma das opções para se chegar àquela que retrata, pela
linguagem verbal, os números do quadro.
Questão 16
Leia com atenção o texto a seguir, intitulado “Favela”, de Joel Silveira.
 
Favela
O primeiro barracão não tem mais de um ano de vida. Nasceu do dia para a noite – milagre escuro de
algumas tábuas enegrecidas, de um pouco de zinco e mais um pedaço de lona grossa. Mas hoje já
são vinte ou trinta. Da janela do apartamento vejo o jeito que vai tomando o aglomerado miserável. É
um jeito desarrumado: os barracos nascem como as plantas, sem simetria nem cuidados estéticos,
uns quase atropelando os outros, e outros se afastando dos demais numa aparente atitude de repulsa
e nojo.
A cidade já forneceu alguns progressos. Primeiro foi aquela bica de água, subsidiária de um cano
geral descoberto debaixo da terra e posto a serviço de um outro encanamento clandestino que hoje
serve à “favela” em formação. Há questão de um mês alguém tomou a iniciativa de favorecer o
mocambo com a luz elétrica. Puxaram um fio do poste mais próximo, levantaram postes novos, e
agora, quando a noite chega, cinco ou seis lâmpadas brilham fortes no conjunto encardido e
desarrumado. Também já há um ou dois rádios, que aos domingos enchem o largo terreno baldio com
gritos e cantos.
Talvez fosse fácil às autoridades cortar o crescimento daquela planta ruim quando ela deu o seu
primeiro broto. Não mais agora, que a planta cresceu, deitou raízes e estendeu seus galhos sujos por
quase todo o chão livre. Imagino o que será a pequena “favela” de hoje daqui a um ano, daqui a dois:
se o crescimento continua assim, é certo que os barracos se multiplicarão até a fronteira do asfalto
que separa o terreno baldio da cidade propriamente dita. Ainda no último domingo vi quando alguns
homens descarregaram de um caminhão o sórdido material de que são feitas essas celas miseráveis:
tábuas, zinco, pano grosso e encardido.
A matéria-prima escura e velha lá ficou acumulada num canto do chão. E qualquer dia destes verei
aquele amontoado informe transformado num outro barracão, pequeno, sujo e miserável como os
demais.
(SILVEIRA, Joel. Favela. In: SALES, Herberto (Org.). Antologia de crônicas. São Paulo: Ediouro, 2005, p. 58-59)
 
Releia o trecho abaixo.
 
“Talvez fosse fácil às autoridades cortar o crescimento daquela planta ruim quando ela deu o seu
primeiro broto. Não mais agora, que a planta cresceu, deitou raízes e estendeu seus galhos sujos por
quase todo o chão livre.” (3º parágrafo)
 
No trecho selecionado, o autor denuncia:
 
a. o crescimento desenfreado das favelas nas grandes cidades do Brasil.
b. a falta de tratamento adequado à vegetação das cidades brasileiras.
c. o abuso de poder das autoridades contra o povo.
d. o aumento do lixo e da sujeira urbana nas metrópoles.
e. a falta de espaços livres nas cidades para o lazer.
Gabarito:
A
Resolução:
O texto relata a desorganização e a rapidez com a qual as favelas crescem.
Questão 17
INSTRUÇÃO: A questão toma por base um fragmento do livro Vidas secas, escrito por Graciliano
Ramos (1892-1953).
 
A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as
costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de
moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.
Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe no
pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas
estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas
murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a uma
cauda de cascavel.
Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o saca-
trapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.
Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam desgraça
e não se cansavam de repetir a mesma pergunta: – Vão bulir com a Baleia?
Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a suspeita
de que Baleia corria perigo.
Ela era como uma pessoa da família: brincavam juntos os três, para bem dizer não se diferenciavam,
rebolavam na areia do rio e no estrume fofo que ia subindo, ameaçava cobrir o chiqueiro das cabras.
[…]
Fabiano percorreu o alpendre, olhando a baraúna e as porteiras, açulando um cão invisível contra
animais invisíveis: – Eco! Eco!
Em seguida entrou na sala, travessou o corredor e chegou à janela baixa da cozinha. Examinou o
terreiro, viu Baleia coçando-se a esfregar as peladuras no pé de turco, levou a espingarda ao rosto. A
cachorra espiou o dono desconfiada, enroscou-se no tronco e foi-se desviando, até ficar no outro lado
da árvore, agachada e arisca, mostrando apenas as pupilas negras. Aborrecido comesta manobra,
Fabiano saltou a janela, esgueirou-se ao longo da cerca do curral, deteve-se no mourão do canto e
levou de novo a arma ao rosto. Como o animal estivesse de frente e não apresentasse bom alvo,
adiantou-se mais alguns passos. Ao chegar às catingueiras, modificou a pontaria e puxou o gatilho. A
carga alcançou os quartos traseiros e inutilizou uma perna de Baleia, que se pôs a latir
desesperadamente.
 
Comparando o segundo e o terceiro parágrafos do fragmento de Vidas Secas, explique a diferença no
emprego dos tempos, quando o enunciador opõe formas verbais no pretérito mais-que-perfeito (como
imaginara e amarrara-lhe) e no pretérito perfeito (como resolveu, lixou-a e limpou-a).
Gabarito:
No segundo parágrafo, as formas de pretérito mais-que-perfeito referem-se a ações passadas
anteriores às ações relatadas com o pretérito imperfeito.
As formas de pretérito perfeito referem-se a ações concluídas.
Questão 18
João do Rio, em um dos capítulos de A alma encantadora das ruas, narra episódios relacionados às
tabuletas do comércio que se espalhavam pelas ruas do Rio de Janeiro do início do século XX.
Em uma dessas passagens, ele narra:
 
E outro, encarregado de fazer as letras de uma casa de móveis, vendem-se móveis, quando o
negociante veio a ele:
– Você está maluco ou a mangar comigo!
– Por quê?
– Que plural é esse? Vendem-se, vendem-se... Quem vende sou eu e sem sócios, ouviu?
Corte o m, ande!
As letras custam dinheiro, custam aos pobres pintores... O rapaz ficou sem o m que fizera com tanta
perícia. Mas também, por que estragar?
RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Belo Horizonte: Crisálida, 2007. p. 80.
 
O argumento de que o negociante lança mão para ordenar o corte da letra m está de acordo com as
exigências da norma culta do português? Justifique sua resposta.
Gabarito:
Não. De acordo com a norma culta da língua portuguesa, verbos que na voz ativa são comumente
empregados como transitivos diretos, ao se unirem ao pronome SE, passam a ter sentido passivo (voz
passiva sintética). Dessa forma, o termo que o acompanha é seu sujeito, determinando a
concordância verbal. No caso “vendem-se móveis”, a forma plural segue a norma culta.
Questão 19
Leia atentamente o trecho destacado e assinale a alternativa correta.
Levantei-me, encostei-me à balaustrada* e comecei a encher o cachimbo, voltando-me para fora, que
no interior da minha casa tudo era desagradável. [S. Bernardo, p. 142].
* balaustrada: parapeito, grade de proteção ou apoio.
No trecho destacado, a palavra “que” não transmite a ideia de
A ( ) causa.
B ( ) consequência.
C ( ) razão.
D ( ) fundamento.
E ( ) motivo.
Gabarito:
B
Resolução:
 No segmento em foco, a única circunstância que a conjunção "que" não introduz é a de
consequência. Afinal, tal conjunção introduz oração adverbial ("no interior da minha casa tudo era
desagradável”) que indica a causa, a razão, o fundamento, o motivo de o protagonista Paulo Honório
voltar-se para fora de sua casa.
Questão 20
Leia o soneto de Luís de Camões para responder.
 
A fermosura desta fresca serra
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;
 
o rouco som do mar, a estranha1 terra,
o esconder do sol pelos outeiros2,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;
 
enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos of’rece,
me está, se não te vejo, magoando.
 
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando,
nas mores alegrias, mor tristeza.
(Luís de Camões. Sonetos, 2001.)
 
1 estranha: rara, que não é comum, que não é vulgar.
2 outeiros: montes.
Um vocábulo também pode ser formado quando passa de uma classe gramatical a outra, sem
qualquer modificação de sua forma. Tal processo de formação de palavras é denominado derivação
imprópria. Observa-se um exemplo de derivação imprópria no verso:
 
(A) “donde toda a tristeza se desterra;” (1ª estrofe)
(B) “o manso caminhar destes ribeiros,” (1ª estrofe)
(C) “o rouco som do mar, a estranha terra,” (2ª estrofe)
(D) “das nuvens pelo ar a branda guerra;” (2ª estrofe)
(E) “sem ti, perpetuamente estou passando,” (4ª estrofe)
Gabarito:
B
Resolução:
O processo de formação de uma nova palavra por meio de derivação imprópria se dá no uso do termo
"caminhar". No contexto, o verbo foi transformado em substantivo, a partir da justaposição do artigo
"o" e do adjetivo "manso".

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