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53 Questão 1 PowerPoint com carteirinha 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 PowerPoint era o invento que faltava. Permite projetar na parede o que antes era colocado em garranchos escritos no quadro-negro. Fim do pó de giz. Fim da perda de tempo esperando o professor escrever. Viva o império das cores, dos desenhos elegantes, dos sons, dos hipertextos (com YouTube e animações). Fim das falhas de memória, pois, uma vez bem feito, dura para sempre. Mas, se necessário, corrigimos em segundos. Para a sucata o retroprojetor, que precisava de ajudante para passar seus acetatos caros, que não aceitavam correções, que caíam no chão e se misturavam. Só que, na prática, costuma ser um desastre. Cruzes! Lá vem um PowerPoint chatíssimo! Mas no escurinho, indecisa entre ouvir e ler, a plateia cochila. Aliás, está proibido em cada vez mais empresas e no Exército americano falar-se de "morte por PowerPoint". Os erros se repetem, começando com o congestionamento visual. Cores demais, borboletas, plim-plins, acordes dramáticos, desenhos de mau gosto, pletora de caracteres tipográficos conflitantes, informações periféricas à aula, logotipos e outros balangandãs. Depois vem o excesso de informações e de slides, sobrecarregados com textos intermináveis. Culmina com o erro fatal: o texto lido! Como lemos cinco vezes mais rápido do que o professor fala, passamos à sua frente. Ou seja, o pobre professor levou para a aula um concorrente que tomou a sua cena, pois já lemos o texto e não escutamos mais o que ele diz. Há uma regra clássica: se alguém que não assistiu à aula recebe o PowerPoint e o entende, está errado por excesso. Os slides terão arruinado a aula, arrancando-a do professor e deixando desgovernada a atenção da plateia. Aliás, se é para ler, o que faz lá o conferencista? O texto dos slides deve ser apenas um recurso mnemônico, para fixar os conceitos mencionados e para criar a arquitetura mental das principais ideias. Que fique claro: o PowerPoint não substitui nem o professor nem as leituras. O que ele substitui é o quadro-negro! Ele é um resumo e, bem sabemos, não se aprende em resumos. Serve para fixar na memória as grandes ideias. Para aprender, precisamos dos exemplos e dos detalhes. O PowerPoint é maravilhoso, se for bem usado. Visualmente, precisa ser de extrema simplicidade. Se a figura não vale mil palavras, lixo com ela. Já se disse, quem vê Steve Jobs e Bill Gates usá-lo aprende tudo de que precisa. Imitemos o supremo despojamento de Jobs e seremos bem-sucedidos. Imitemos Gates e afundaremos na barafunda visual. Se Jesus usasse PowerPoint, não teria discípulos, pois histórias, parábolas, contos e narrativas são enredos na contramão das listas mostradas nos slides. Não se contam histórias emocionantes com ele. É impossível narrar uma aventura com PowerPoint (vá lá projetar o mapa). A sua lógica é a enumeração, e nem tudo pode ser transformado em uma lista. Para deduzir um teorema, mostrar uma lei da física ou fazer conexões lógicas, precisamos recorrer a gráficos ou a outra lógica de apresentação, fugindo dos "marcadores" (bullets) enfiados goela abaixo dos usuários. Para quem quer encontrar o bom caminho do PowerPoint, o livro Presentation Zen é a redenção. O autor nos lembra que nosso cérebro tem um hemisfério esquerdo, que cuida da razão, e um direito, encarregado das emoções, das evocações. Uma boa aula ativa na plateia os dois hemisférios: inspira o direito e explica ao esquerdo. E com qual hemisfério o PowerPoint vai se comunicar? Se falar ao esquerdo, da razão, vai competir com as palavras do professor. É o desastre anunciado. Nele, as poucas palavras são para reter na memória as ideias ouvidas, não para lançá-las. Portanto, sua missão deve ser evocar, inspirar, infiltrar sentimentos. Daí a importância da escolha judiciosa das imagens. Melhor que sejam fotografias (abundantes no Google Images), e que se fuja, como o diabo da cruz, da Clip-art e dos desenhos humorísticos. Diante disso tudo, só resta uma solução: exigir carteira de habilitação para usar PowerPoint. Vamos à autoescola e tiramos carteira, para reduzir o risco de atropelar uma velhinha na primeira esquina. Então, carteira para usar PowerPoint, para evitar que barbeiragens ponham a perder o potencial educativo de um recurso tão extraordinário, mas que pode ser usado também para confundir a plateia e mentir. (CASTRO, Cláudio de Moura. PowerPoint com carteirinha. Veja. São Paulo, ano 43, n. 32, p. 26, 11 ago. 2010.) “Portanto, sua missão deve ser evocar, inspirar, infiltrar sentimentos.” (linha 31) Nessa sentença, o termo “portanto” pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por: a) depois. b) contudo. c) porque. d) logo Gabarito: D Resolução: "Portanto" tem sentido conclusivo, assim como "logo". As demais conjunções alterariam o sentido do texto: "depois" tem sentido temporal; "contudo", adversativo; e "porque", explicativo. Questão 2 Português no topo das línguas mais importantes (1) A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna. Quem o diz é Ofer Shoshan, um colaborador da revista norte-americana Entrepeneur, num artigo divulgado esta semana. (2) Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do artigo, as línguas que “todos os diretores executivos de empresas globais devem aprender”. A lista refere um total de 6 línguas, incluindo o russo, o árabe e o alemão. (3) “A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nossa empresa, o que reflete o seu crescimento nos últimos anos”, diz Ofer, que é o diretor executivo da empresa de traduções One Hour Translations. (4) O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil e não a Portugal, já que “a economia brasileira está a deixar de ser emergente para passar a ser uma das mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos recursos naturais e uma forte comunidade tecnológica”. (5) Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores arrependimentos: não falar uma segunda língua para além do inglês. (6) Por outro lado, o autor refere o momento em que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, “mostrou um impressionante domínio da língua chinesa, durante uma visita, em outubro passado, a uma universidade de Pequim”. (7) “Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a língua local é fundamental para aprofundar relações de negócio e conquistar a alma e o coração dos mercados”, diz Ofer Shoshan. Disponível em: https://iilp.wordpress.com/2015/05/06/portugues-no-topo-das-linguas- mais-importantes Acesso em:23/05/2015. Adaptado. Podemos afirmar que, no texto, o título representa a síntese de sua informação principal. Ao longo do texto, o autor esclarece ao leitor que a importância da língua portuguesa, apontada no título, justifica-se pelo: I. crescente destaque que Portugal tem experimentado no contexto da comunidade europeia. II. forte incremento das condições socioeconômicas que se tem verificado no cenário brasileiro. III. estreitamento das relações comerciais entre o Brasil e a China, especialmente na área tecnológica. IV. aumento da demanda pelo aprendizado dessa língua, provocado por interesses comerciais. Estão CORRETAS: a) I e IV, apenas. b) I, II e III, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. Gabarito: D Resolução: A alternativa a ser assinalada é a (D), pois apenas II e IV são verdadeiras. (II) é verdadeira, pois, ao longo do texto, o autor esclarece ao leitor que a importância da língua portuguesa, apontada no título, justifica-se pelo forte incremento das condições socioeconômicas que se tem verificado no cenário brasileiro, como confirma o trecho "O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil e não a Portugal, já que “a economia brasileira está a deixar de ser emergente para passar a ser uma dasdos beneficiários do Bolsa Família. Os 83 dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs, 84 vendidos em cantos escondidos da Santa Efigênia, em 85 São Paulo. 86 O aumento da digitalização, dos negócios a partir 87 de dados pessoais e das nuvens web, combinado com a 88 ausência de proteção, formam o cenário do terror. Sem 89 qualquer regulação, as chances de uso tenebroso das 90 novas tecnologias aumentam vertiginosamente. A 91 balança pesa para o lado errado. 92 [...] CARDOSO, Marina. Publicado em: 25/02/2015. Adaptado. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2016. A respeito dos elementos linguísticos empregados no texto, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). (01) O termo “silenciosamente” (l. 5) reforça a ideia de que o ato de instalar câmeras corresponde a um ato executado com intenções não declaradamente explícitas. (02) O uso da forma verbal “Considerando” (l. 54) expressa uma proposição de natureza condicional, podendo ser desdobrada na sequência “Se considerarmos...”. (04) Em “Ainda não temos proteção suficiente” (l. 79), a substituição de “temos” por “há” mantém a referência indeterminada do sujeito gramatical da sentença. (08) No nono parágrafo, o verbo “dever” expressa um sentido de necessidade na forma “devem” (l. 72), o que não ocorre em “deve” (l. 76). (16) O uso da forma verbal “pesa” (l. 91) significa que o ato de a balança pesar para o lado errado é algo restrito ao momento de produção do texto, não se aplicando a momento anterior nem posterior ao da escrita. Gabarito: 01 + 02 + 08 = 11 Resolução: (04) Incorreta. Em “Ainda não temos proteção suficiente” (l. 79), a substituição de “temos” por “há”, torna indeterminada uma referência que era determinada, pois ao empregar "temos", o sujeito gramatical da sentença, em 1 pessoal do plural, compreende a autora e seus leitor, aos quais ela se aproxima para tratar de um problema que vivem em comum. (16) Incorreta. O uso da forma verbal “pesa” (l. 91), considerado no contexto do parágrafo completo, significa que o ato de a balança pesar para o lado errado é algo que vem ocorrendo até o momento de produção do texto e mostra tendência de agravamento, não se aplicando apenas ao momento da escrita. Questão 17 Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus 01 A Prefeitura de São Paulo implementou o bilhete 02 único mensal. Para usá-lo, o cidadão deve fazer um 03 cadastro com seus dados pessoais e foto no site da 04 empresa de transporte e então receber um cartão pessoal 05 e intransferível. Ao mesmo tempo, e silenciosamente, 06 são instaladas câmeras nas catracas dos ônibus da 07 cidade, de forma a garantir a identificação e o controle dos 08 passageiros. À primeira vista, este é um projeto de 09 transporte público, mas suas implicações adentram outro 10 campo: o do direito à privacidade. 11 Por ser um cartão pessoal, usado em trens, metrô e 12 ônibus, o bilhete único pode mapear os hábitos dos 13 cidadãos – o que pode ser um excelente instrumento 14 para o planejamento do transporte público, desde que 15 estruturados os sistemas adequados. Mas, ao mesmo 16 tempo, pode se tornar o instrumento perfeito para a 17 vigilância massiva. Com ele, é possível, por exemplo, 18 desenhar quem encontra quem na cidade, onde e em 19 quais horas do dia. E, no entanto, apesar desse potencial 20 todo, após o cadastro para utilização do bilhete único 21 mensal, não há no site da SPTrans qualquer menção à 22 política de privacidade ou explicação e pedido de 23 concordância do cidadão para uso de seus dados. 24 Não cabe aqui o debate sobre modelo de 25 transporte. Mas este é um excelente exemplo de como, e 26 rapidamente, as informações sobre os(as) cidadãos/ãs e 27 consumidores/as estarão estruturadas, em bancos de 28 dados, de forma a permitir seu cruzamento por sistemas 29 chamados de “big data” ou “business inteligence” (BI) 30 com finalidades as mais diversas, sem que estejamos no 31 controle desse processo. 32 No entanto, precisamos ter em conta que as 33 tecnologias não são necessariamente boas ou ruins 34 quanto aos seus fins. O seu uso será definido pelos 35 interesses predominantes na sociedade. Foi isso que 36 aconteceu com qualquer tecnologia já desenvolvida pelo 37 ser humano – seja o avião, que serve para transporte ou 38 bombardeio, seja a explosão atômica, que gera energia ou 39 destrói cidades. 40 Assim, neste momento, grandes companhias de 41 tecnologia da informação (TI) contratam e pagam, muito 42 bem, “evangelizadores” do “big data” para apregoar os 43 benefícios de implantação dessa tecnologia. Cabe 44 apontar que há, de fato, grande potencial para o uso de 45 informações estruturadas para o bem, seja para 46 identificar padrões de adoecimento, seja para o 47 planejamento de políticas de transporte ou para a oferta 48 de melhores serviços. 49 Por outro lado, entidades da sociedade civil 50 começam a questionar se tal capacidade técnica servirá 51 para reforçar a segregação e exclusão econômica e 52 social nas quais é calcada nossa sociedade. Perderão os 53 pobres e as minorias oprimidas? 54 Considerando a tendência de dados de saúde 55 digitalizados e em rede (há diversos projetos públicos e 56 privados nesse sentido), o que acontece se um 57 empregador consegue ter acesso à ficha médica dos 58 candidatos? Aqueles que têm doença crônica serão 59 tratados de forma igual em um processo de seleção? 60 Malkia Cyrill, do Center for Media Justice, 61 importante figura no debate de comunicação e parte do 62 movimento negro dos Estados Unidos – 63 tradicionalmente alvo de vigilância e controle por parte 64 das forças de Estado –, é categórica ao afirmar: 65 “qualquer sistema deve ser avaliado não pela intenção 66 do proponente, mas pelos resultados reais que 67 proporciona”. Assim, não importa que a vigilância 68 massiva, via acesso a dados pessoais, seja perpetrada em 69 nome da segurança nacional. O fato é que ela viola o 70 direito à privacidade de toda uma comunidade, e os 71 resultados do ponto de vista da segurança são pífios. 72 Todas essas problematizações devem ser feitas 73 neste momento pelos brasileiros. Aqui, no país do 74 homem cordial, como definiu Sergio Buarque de 75 Hollanda, nunca se aprovou uma lei de proteção de 76 dados pessoais. Estamos vulneráveis tal como deve se 77 sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas de uma 78 grande cidade. 79 Ainda não temos proteção suficiente, por exemplo, 80 se uma empresa ou a Receita Federal compartilhar 81 nossos dados ou se o governo deixar vazar o perfil 82 socioeconômico dos beneficiários do Bolsa Família. Os 83 dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs, 84 vendidos em cantos escondidos da Santa Efigênia, em 85 São Paulo. 86 O aumento da digitalização, dos negócios a partir 87 de dados pessoais e das nuvens web, combinado com a 88 ausência de proteção, formam o cenário do terror. Sem 89 qualquer regulação, as chances de uso tenebroso das 90 novas tecnologias aumentam vertiginosamente. A 91 balança pesa para o lado errado. 92 [...] CARDOSO, Marina. Publicado em: 25/02/2015. Adaptado. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2016. Assinale o que for correto quanto ao emprego dos elementos linguísticos no texto. (01) Em “Os dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs” (l. 82 e 83), a sequência “de alguma forma bizarra” equivale semanticamente a “de forma alguma bizarra”. (02) O advérbio “Aqui” (l. 73) funciona como um marcador temporal, podendo ser substituído pela expressão “neste momento”. (04) O vocábulo “então” (l. 4) estabelece uma sequência temporal entre “o cidadão deve fazer um cadastro com seus dados pessoais e foto no site da empresa de transporte” (l. 2-4) e “receber um cartão pessoal e intransferível” (l. 4 e 5). (08) No último parágrafo, o uso do advérbio “vertiginosamente” (l. 90) atenua semanticamente a ideia de expansão contidano verbo “aumentam” (l. 90). (16) Em “O fato é que ela viola o direito à privacidade de toda uma comunidade” (l. 69 e 70), o pronome “ela” retoma sintaticamente uma expressão com traço gramatical de não pessoa, a saber: “vigilância massiva” (l. 67 e 68). Gabarito: 04 + 16 = 20 Resolução: (01) Incorreta. Em “Os dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs” (l. 82 e 83), a sequência “de alguma forma bizarra” não equivale semanticamente a “de forma alguma bizarra”, pois a primeira refere-se a uma forma bizarra indefinida, e a segunda é negativa, "de forma alguma" correspondendo a "de nenhuma forma". (02) Incorreta. O advérbio “Aqui” (l. 73) funciona como um marcador espacial, e não temporal, não podendo ser substituído pela expressão “neste momento”, mas sim "neste lugar". Comprova-se este sentido com base no segmento que vem logo em seguida ao advérbio: " Aqui, no país do homem cordial". (08) Incorreta. No último parágrafo, o uso do advérbio “vertiginosamente” (l. 90) não atenua, mas acentua semanticamente a ideia de expansão contida no verbo “aumentam” (l. 90), pois o advérbio tem o sentido de "de modo muito intenso", "muito rápido". Questão 18 Professores de Inglês (1) Hoje qualquer pessoa pode aprender inglês com a maior facilidade: há institutos e cursos especializados, livros que dispensam professor, aulas pelo rádio e pela televisão, métodos tão modernos que nem me atrevo a descrever, com medo de me sentir inatual. Mas houve um tempo em que não era assim: os professores de inglês eram difíceis de encontrar, os alunos também não pareciam muito numerosos, a literatura francesa dominava com uma encantadora prepotência, e parece que todo brasileiro educado devia saber, em matéria de idiomas, apenas português e francês. (2) Mas, por ter descoberto Keats e Shelley, nem sei bem como, eu andava à procura de quem me ensinasse inglês, fosse por que método fosse, contanto que eu pudesse chegar à poesia inglesa com a maior rapidez possível. (3) Comecei a frequentar um instituto onde havia muitos cursos de arte e literatura. Parecia-me que aquele era o caminho. E dispunha-me a uma dedicação total aos meus exercícios. Mas a boa professora, embora sem ser inglesa, mas com cursos no estrangeiro e grande prática em aulas particulares, iniciou suas aulas com um pequeno discurso sobre a absoluta necessidade de se conjugar perfeitamente os verbos "to be" e "to have", antes de se conhecer sequer uma palavra do vocabulário. (4) Ora, nem todos os estudantes haviam descoberto Keats ou Shelley, e frequentavam as aulas por simples obrigação. Ninguém estava pensando em versos ingleses: nem mesmo a professora. E foi um tal de recitar indicativos, condicionais e subjuntivos, presentes, futuros e passados, ora perfeitos, ora imperfeitos, ora mais que perfeitos, afirmativa, negativa e interrogativamente, que aqueles solos e coros me conduziam a uma inevitável sonolência. (5) Mas havia salas próximas em que se estudavam piano e violino. De modo que eu podia descansar na música, sempre que os verbos chegavam àquele ponto de monotonia em que só me restava ou enlouquecer ou dormir. (6) A minha segunda professora de inglês era inglesa mesmo. Também acreditava na eficácia dos verbos "to be" e "to have", acrescentava-lhes ainda o "to get", ao qual se referia com um sorriso tão carinhoso que até dava vontade de se começar por aí. Mas essa professora tinha um método encantador: oferecia-me uma xícara de chá, para acompanhar as aulas. Sua sala era absolutamente igual às que se veem nos livros ilustrados para o ensino do inglês. Exceto a lareira, tudo estava lá. E como eu já sabia um pouco de verbos, passamos àquelas frases em que o chapéu ora é nosso, ora é da nossa prima, e o gato ora está embaixo da mesa ora em cima da cadeira. Mas era tão difícil chegar a Keats e Shelley! (7) A terceira professora gostava de histórias de fantasmas e de sinos que batem à meia noite. Mas, no meio das suas histórias, levantavam-se às vezes o "to be" e o "to have", e ela me pedia para recitar todos os seus modos e tempos, acompanhando os meus esforços com um sorriso que talvez não fosse completamente macabro, mas era bastante assustador. (8) Feitas essas primeiras experiências, pareceu-me melhor ir diretamente aos autores, e, de vez em quando, aperfeiçoar-me por meio de quantos livros de "inglês sem mestre" fossem aparecendo. (9) Encerrando o ciclo das professoras, começou o dos professores. Um era persa e dava-me a traduzir sentenças filosóficas sem se ocupar dos modos e tempos do "to be" e do "to have". O outro vinha da Austrália: contava histórias de feitiçaria, mas no meio das histórias ficava com tanto medo do que estava contando que era preciso tranquilizá-lo. (10) Por isso, no dia em que visitei a casa de Keats, em Roma, não pude deixar de pensar com ironia e tristeza: como são longos, às vezes, os caminhos da vida! E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta! MEIRELES, Cecília. Inéditos. Rio de Janeiro: Editora Bloch, 1967. p. 151. Adaptado. Com relação a aspectos da coesão e da coerência do texto, merece destacar: 0-0) a contiguidade semântica entre palavras como: professores, estudantes, aulas, método, livros, frases, verbos, poeta, versos. 1-1) a repetição de certas palavras ligadas ao tema central do texto, repetição, assim, que funciona como marcador da manutenção desse tema. 2-2) a sequência bem definida das referências: "a minha segunda professora", "essa professora" (...), "começou o [ciclo] dos professores", "Um era persa", "O outro". 3-3) a opção por um vocabulário mais formal, e por uma gramática alinhada às normas da língua padrão, conforme exigia o contexto de circulação do texto. 4-4) o uso do conectivo concessivo em: "andava à procura de quem me ensinasse inglês, (...), contanto que eu pudesse chegar à poesia inglesa". Gabarito: VVVVF Resolução: (Resolução oficial) 0-0) Verdadeira. É evidente a contiguidade semântica entre as palavras citadas, o que constitui, sem dúvida, um recurso da coesão do texto. 1-1) Verdadeira. Também é comprovado que a repetição de palavras ligadas ao tema central do texto constitui um elemento de coesão e coerência textual. 2-2) Verdadeira. É bem explícita no texto a sequência das referências aos vários professores que passaram pela experiência da autora. 3-3) Verdadeira. A coerência ao contexto de circulação do texto pedia um vocabulário mais formal e uma gramática conforme as normas da língua padrão. 4-4) Falsa. O conectivo "contanto que" não tem um valor semântico de "concessão". Questão 19 Professores de Inglês (1) Hoje qualquer pessoa pode aprender inglês com a maior facilidade: há institutos e cursos especializados, livros que dispensam professor, aulas pelo rádio e pela televisão, métodos tão modernos que nem me atrevo a descrever, com medo de me sentir inatual. Mas houve um tempo em que não era assim: os professores de inglês eram difíceis de encontrar, os alunos também não pareciam muito numerosos, a literatura francesa dominava com uma encantadora prepotência, e parece que todo brasileiro educado devia saber, em matéria de idiomas, apenas português e francês. (2) Mas, por ter descoberto Keats e Shelley, nem sei bem como, eu andava à procura de quem me ensinasse inglês, fosse por que método fosse, contanto que eu pudesse chegar à poesia inglesa com a maior rapidez possível. (3) Comecei a frequentar um instituto onde havia muitos cursos de arte e literatura. Parecia-me que aquele era o caminho. E dispunha-me a uma dedicação total aos meus exercícios. Mas a boa professora, embora sem ser inglesa, mas com cursos no estrangeiro e grande prática em aulas particulares, iniciou suas aulas com um pequeno discurso sobre a absoluta necessidade de se conjugar perfeitamente os verbos "to be" e "to have", antes de se conhecer sequer uma palavra do vocabulário. (4) Ora, nem todos os estudantes haviam descoberto Keats ou Shelley, e frequentavam as aulas por simples obrigação. Ninguém estava pensando em versos ingleses: nem mesmo a professora. E foium tal de recitar indicativos, condicionais e subjuntivos, presentes, futuros e passados, ora perfeitos, ora imperfeitos, ora mais que perfeitos, afirmativa, negativa e interrogativamente, que aqueles solos e coros me conduziam a uma inevitável sonolência. (5) Mas havia salas próximas em que se estudavam piano e violino. De modo que eu podia descansar na música, sempre que os verbos chegavam àquele ponto de monotonia em que só me restava ou enlouquecer ou dormir. (6) A minha segunda professora de inglês era inglesa mesmo. Também acreditava na eficácia dos verbos "to be" e "to have", acrescentava-lhes ainda o "to get", ao qual se referia com um sorriso tão carinhoso que até dava vontade de se começar por aí. Mas essa professora tinha um método encantador: oferecia-me uma xícara de chá, para acompanhar as aulas. Sua sala era absolutamente igual às que se veem nos livros ilustrados para o ensino do inglês. Exceto a lareira, tudo estava lá. E como eu já sabia um pouco de verbos, passamos àquelas frases em que o chapéu ora é nosso, ora é da nossa prima, e o gato ora está embaixo da mesa ora em cima da cadeira. Mas era tão difícil chegar a Keats e Shelley! (7) A terceira professora gostava de histórias de fantasmas e de sinos que batem à meia noite. Mas, no meio das suas histórias, levantavam-se às vezes o "to be" e o "to have", e ela me pedia para recitar todos os seus modos e tempos, acompanhando os meus esforços com um sorriso que talvez não fosse completamente macabro, mas era bastante assustador. (8) Feitas essas primeiras experiências, pareceu-me melhor ir diretamente aos autores, e, de vez em quando, aperfeiçoar-me por meio de quantos livros de "inglês sem mestre" fossem aparecendo. (9) Encerrando o ciclo das professoras, começou o dos professores. Um era persa e dava-me a traduzir sentenças filosóficas sem se ocupar dos modos e tempos do "to be" e do "to have". O outro vinha da Austrália: contava histórias de feitiçaria, mas no meio das histórias ficava com tanto medo do que estava contando que era preciso tranquilizá-lo. (10) Por isso, no dia em que visitei a casa de Keats, em Roma, não pude deixar de pensar com ironia e tristeza: como são longos, às vezes, os caminhos da vida! E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta! MEIRELES, Cecília. Inéditos. Rio de Janeiro: Editora Bloch, 1967. p. 151. Adaptado. Em um texto, geralmente, os vários segmentos têm uma relevância diferenciada. Ou seja, há trechos mais relevantes que outros. No texto em análise, em relação à mensagem fundamental do texto, merecem destaque os trechos: 0-0) "parece que todo brasileiro educado devia saber, em matéria de idiomas, apenas português e francês". 1-1) "Mas essa professora tinha um método encantador: oferecia-me uma xícara de chá, para acompanhar as aulas". 2-2) "Mas era tão difícil chegar a Keats e Shelley!" 3-3) "A terceira professora gostava de histórias de fantasmas e de sinos que batem à meia noite". 4-4) "E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta!" Gabarito: FFVFV Resolução: (Resolução oficial) 0-0) Falsa. Em relação à mensagem fundamental do texto, o trecho citado não constitui uma informação relevante. 1-1) Falsa. Igualmente, não é relevante, em relação à mensagem fundamental do texto, a informação de que determinada professora oferecia uma xícara de chá durante as aulas. 2-2)Verdadeira. De fato, o trecho citado é inteiramente relevante em relação ao conteúdo central do texto. 3-3) Falsa. Como na proposição 1-1), não há relevância em referir o gosto de determinada professora. 4-4) Verdadeira. "E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta!" Esse trecho resume bem a crítica e a queixa principal pretendida pela autora. Questão 20 Prefácio São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor. É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço. Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou, – como isso dou a lume essas harmonias. São as páginas despedaçadas de um livro não lido... E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito, e amai-a como o consolo que foi de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor – esses dois raios luminosos do coração de Deus. AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. Em: BUENO, Alexei (Org.). Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 120. Se ao invés de usar períodos compostos como em "É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.", o autor tivesse escolhido períodos simples: "É uma lira sem cordas. É uma primavera sem flores. É uma coroa de folhas sem viço.", a imagem construída a respeito de sua obra não seria a mesma, porque a) o pressuposto produzido pelo uso do termo sem indica a impossibilidade de os poemas retratarem a completude das coisas do mundo. b) a oposição entre os objetos naturais e os produzidos pelo homem autoriza a interpretação de que a natureza seja a musa inspiradora dos poemas. c) o subentendido produzido pelo uso do mas leva o leitor ao entendimento de que a obra é comparada a produções rudimentares. d) a contradição marcada pelo uso do mas permite a compreensão de que a essência das coisas se mantém mesmo quando lhes falta o atributo principal. e) a antítese instaurada na comparação entre realidade e ficção produz a ideia de que a poesia deva realçar a aparência das coisas. Gabarito: D Resolução: A imagem construída a respeito da obra não seria a mesma porque o uso do mas marca uma contradição: "é típico de uma lira ter cordas, mas o livro, mesmo sem cordas, é uma lira"; "a primavera costuma ter flores, mas, mesmo sem flores, o livro é uma primavera". Em suma, tal contradição permite ao leitor compreender que a essência das coisas se mantém mesmo quando lhes faltam seus atributos (a coroa de folhas continua sendo uma cora de folhas, mesmo sem o viço, que é um dos seus atributos). A obra em questão não é comparada a produções rudimentares, nem se afirma nesse prefácio a impossibilidade de os poemas retratarem a completude do mundo.mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos recursos naturais e uma forte comunidade tecnológica”. (IV) também é verdadeira. Como lemos no artigo, tal qual o brasileiro, o chinês é a língua cujo aprendizado é incentivado a executivos de empresas globais. Após mencionar que a importância da língua portuguesa tem relação com o crescimento socioeconômico brasileiro,o autor traz o exemplo de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, que, ao aprender chinês, "demonstrou que dominar a língua local é fundamental para aprofundar relações de negócio e conquistar a alma e o coração dos mercados [...]”. Questão 3 Português no topo das línguas mais importantes (1) A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna. Quem o diz é Ofer Shoshan, um colaborador da revista norte-americana Entrepeneur, num artigo divulgado esta semana. (2) Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do artigo, as línguas que “todos os diretores executivos de empresas globais devem aprender”. A lista refere um total de 6 línguas, incluindo o russo, o árabe e o alemão. (3) “A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nossa empresa, o que reflete o seu crescimento nos últimos anos”, diz Ofer, que é o diretor executivo da empresa de traduções One Hour Translations. (4) O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil e não a Portugal, já que “a economia brasileira está a deixar de ser emergente para passar a ser uma das mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos recursos naturais e uma forte comunidade tecnológica”. (5) Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores arrependimentos: não falar uma segunda língua para além do inglês. (6) Por outro lado, o autor refere o momento em que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, “mostrou um impressionante domínio da língua chinesa, durante uma visita, em outubro passado, a uma universidade de Pequim”. (7) “Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a língua local é fundamental para aprofundar relações de negócio e conquistar a alma e o coração dos mercados”, diz Ofer Shoshan. Disponível em: https://iilp.wordpress.com/2015/05/06/portugues-no-topo-das-linguas- mais-importantes Acesso em:23/05/2015. Adaptado. A análise de aspectos semânticos do texto nos permite afirmar que a) o trecho: “para quem tem o inglês como língua materna” equivale semanticamente a “para quem é fluente na língua inglesa”. b) com a forma verbal utilizada no trecho: “Espanhol, português e chinês são as línguas que ‘todos os diretores executivos de empresas globais devem aprender’”, o leitor deve compreender que se faz uma recomendação. c) no trecho: “A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, o que reflete o seu crescimento nos últimos anos”, o segmento destacado corresponde a “o que atenua”. d) a ideia presente em: “vastos recursos naturais” se opõe àquela presente em: “recursos naturais abundantes”. e) ao afirmar que “dominar a língua local é fundamental”, o autor pretendeu dizer que “é irrelevante saber a língua do lugar onde se está”. Gabarito: B Resolução: A alternativa correta é a (B). A análise de aspectos semânticos do Texto 1 nos permite afirmar que no trecho “Espanhol, português e chinês são as línguas que ‘todos os diretores executivos de empresas globais devem aprender’” o leitor deve compreender que a conjugação perifrástica "devem aprender" é empregada para exprimir sentido de aconselhamento, para fazer uma recomendação aos empresários relativamente a importância do aprendizado das línguas locais para realizar bons negócios, cumprindo semanticamente, a função conativa da linguagem (organizada para influenciar e persuadir o destinatário). Questão 4 Português no topo das línguas mais importantes (1) A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna. Quem o diz é Ofer Shoshan, um colaborador da revista norte-americana Entrepeneur, num artigo divulgado esta semana. (2) Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do artigo, as línguas que “todos os diretores executivos de empresas globais devem aprender”. A lista refere um total de 6 línguas, incluindo o russo, o árabe e o alemão. (3) “A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nossa empresa, o que reflete o seu crescimento nos últimos anos”, diz Ofer, que é o diretor executivo da empresa de traduções One Hour Translations. (4) O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil e não a Portugal, já que “a economia brasileira está a deixar de ser emergente para passar a ser uma das mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos recursos naturais e uma forte comunidade tecnológica”. (5) Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores arrependimentos: não falar uma segunda língua para além do inglês. (6) Por outro lado, o autor refere o momento em que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, “mostrou um impressionante domínio da língua chinesa, durante uma visita, em outubro passado, a uma universidade de Pequim”. (7) “Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a língua local é fundamental para aprofundar relações de negócio e conquistar a alma e o coração dos mercados”, diz Ofer Shoshan. Disponível em: https://iilp.wordpress.com/2015/05/06/portugues-no-topo-das-linguas- mais-importantes Acesso em:23/05/2015. Adaptado. No que se refere a algumas relações semânticas que se apresentam no texto, analise as afirmações abaixo. I. No trecho: “A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna.”, o segmento sublinhado expressa uma ressalva. II. No trecho: “O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil”, o termo destacado indica que o autor pretendeu mudar a direção argumentativa do texto. III. Ao iniciar o sexto parágrafo com a expressão “Por outro lado”, o autor sinaliza ao leitor que vai inserir no texto um novo ponto de vista. IV. No trecho: “Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a língua local é fundamental para aprofundar relações de negócio”, o segmento destacado expressa condicionalidade. Estão CORRETAS: a) I, II e III, apenas. b) I, II e IV, apenas. c) I, III e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. Gabarito: A Resolução: A alternativa a ser assinalada é a (A), pois apenas I, II e III são verdadeiras. (I) é verdadeira porque, de fato, no trecho: “A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna.”, o segmento sublinhado expressa, semanticamente, uma ressalva, uma observação escrita para tornar válida a verdade do trecho. (II) é verdadeira porque no trecho: “O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil”, o termo destacado, uma conjunção adversativa, indica que o autor pretendeu mudar a direção argumentativa do texto. (III) é verdadeira porque ao iniciar o sexto parágrafo com o conectivo aditivo “Por outro lado”, o autor sinaliza ao leitor que vai inserir no texto um novo ponto de vista. A expressão é equivalente a "De outro ponto de vista", e deve, por paralelismo, ser antecedida de "Por um lado", expressão que apresentaria o ponto de vista anterior. Questão 5 Português no topo das línguas mais importantes (1) A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios, pelo menos para quem tem o inglês como língua materna. Quem o diz é Ofer Shoshan, um colaborador da revista norte-americana Entrepeneur, num artigo divulgado esta semana. (2) Espanhol, português e chinês são, na opinião do autor do artigo, as línguas que “todos os diretores executivos de empresasglobais devem aprender”. A lista refere um total de 6 línguas, incluindo o russo, o árabe e o alemão. (3) “A língua portuguesa já é a quarta língua mais traduzida, na nossa empresa, o que reflete o seu crescimento nos últimos anos”, diz Ofer, que é o diretor executivo da empresa de traduções One Hour Translations. (4) O autor admite, contudo, que este aumento da ‘procura’ da língua portuguesa está ligado ao Brasil e não a Portugal, já que “a economia brasileira está a deixar de ser emergente para passar a ser uma das mais ricas do mundo, com uma população gigantesca, vastos recursos naturais e uma forte comunidade tecnológica”. (5) Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores arrependimentos: não falar uma segunda língua para além do inglês. (6) Por outro lado, o autor refere o momento em que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, “mostrou um impressionante domínio da língua chinesa, durante uma visita, em outubro passado, a uma universidade de Pequim”. (7) “Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que dominar a língua local é fundamental para aprofundar relações de negócio e conquistar a alma e o coração dos mercados”, diz Ofer Shoshan. Disponível em: https://iilp.wordpress.com/2015/05/06/portugues-no-topo-das-linguas- mais-importantes Acesso em:23/05/2015. Adaptado. Considerando algumas formas verbais empregadas no texto, assinale a alternativa CORRETA. a) O tempo e o modo da forma verbal empregada no trecho: “A língua portuguesa é a segunda língua mais importante no mundo dos negócios” expressam a incerteza do autor em relação à afirmação que ele faz. b) Na variante brasileira do português, o fato de os verbos “ter” e “haver” serem, às vezes, empregados como equivalentes, pode ser exemplificado no trecho “para quem tem o inglês como língua materna”. c) No trecho: “Ofer Shoshan recorda que o próprio Bill Gates assumiu, recentemente, um dos seus maiores arrependimentos”, a variação presente/passado das formas verbais destacadas resulta em incorreção no texto. d) Com a forma verbal selecionada no trecho: “Mark Zuckerberg mostrou um impressionante domínio da língua chinesa”, o autor pretendeu indicar uma ação iniciada no passado e ainda não concluída. e) No trecho: “‘Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que [...]’, diz Ofer Shoshan”, a forma verbal destacada, embora esteja no presente, indica uma ação do passado. Gabarito: E Resolução: A alternativa correta é a (E). No trecho: “‘Ao aprender chinês, Zuckerberg demonstrou que [...]’, diz Ofer Shoshan”, a forma verbal destacada, embora esteja no presente, indica uma ação do passado. O verbo dicendi "diz" aparece no trecho para formular o discurso direto, que , por sua vez, é indicação do autor do artigo de que ele estpa utilizando outra "voz", no caso, a de Ofer Shoshan, um colaborador da revista norte-americana Entrepeneur, como apresenta o autor do artigo que lemos. Neste sentido, o emprego presente do indicativo é, justamente, o de conferir atualidade a esta afirmação de Ofer Shoshan, escrita no passado em sua coluna na revista, mas que transmite um conteúdo atual para o leitor que entra em contato com essa fala através do artigo "Português no topo das línguas mais importantes". Questão 6 Prática cotidiana da intimidação 5 Não faz muito tempo, vi dois meninos sendo interpelados abruptamente pela polícia, não nas avenidas movimentadas que trazem e levam a população trabalhadora que mora nas periferias. Ao contrário, estava sentada numa praça situada num elegante bairro dos Jardins, e a cena, a despeito de ir se tornando corriqueira, causou enorme incômodo. Gritos, pequenos empurrões, o uso ostensivo de lanternas (em plena luz do dia) em busca de um suposto objeto atirado na 10 grama, a obrigatoriedade de baixar os olhos… enfim, toda uma engenharia da humilhação foi montada e bem ao lado de gangorras e balanças. Para concluir o espetáculo, três viaturas da polícia apareceram, com suas sirenes a toda, e trataram de “liberar o local”. Diante dessas situações-limite é difícil reagir frente à precariedade da cidadania de certos grupos ou da segregação internalizada que nossos bairros mais centrais carregam, silenciosamente. É nesses 15 momentos, quando a regra democrática é suspensa, que nos sentimos, de alguma maneira, inconfortáveis diante do que mais parece uma aberta demonstração de cumplicidade. Sim, pois por mais que o ritual fosse claramente violento, a saída de todos nós que ali estávamos foi de um profundo e constrangedor silêncio, inclusive desta que aqui escreve. A violência do outro dói, mas dói também o reconhecimento da impotência e da aceitação desse 20 tipo de ato, que já se transformou em “natural”. O sentimento de culpa e de impotência nos assola e levaria a uma reação caso não fôssemos pessoas acostumadas, a longa data, a esse tipo de socialização. Construir sociedades plurais no lugar de defender a homogeneidade; valorizar os espaços públicos em vez de gradeá-los; ampliar espaços de encontro das diferenças, em vez de inibi-los, 25 são motivações que fazem parte de uma agenda cidadã e republicana. Não se constrói cidadania entre muros, com a disseminação de políticas de medo e abrindo mão de responsabilidades públicas. Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor. Os desafios estão no presente, o que implica propor alternativas, pressionar o Estado e agir coletivamente. SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. Prática cotidiana da intimidação. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2014. Para a articulista, a prática da intimidação cotidiana a) restringe-se a espaços marcados pela exclusão social e pela falta de políticas públicas voltadas para a construção da cidadania. b) é incorporada pela população brasileira a partir de um inconsciente coletivo e se justifica pelo processo histórico de segregação racial. c) exemplifica contextos de desconstrução democrática, potencializada pela carência de consolidação da cidadania e por comportamentos de não comprometimento social. d) gera a indignação principalmente naqueles que a experimentam, resultando em práticas não cidadãs por parte dos indivíduos que não sofrem as opressões e perseguições cotidianas. e) é resultante de conceitos segregadores que inculcam no cidadão mais consciente a certeza de que o outro, geralmente de uma classe social diferente, é merecedor de um tratamento ostensivo. Gabarito: C Resolução: A alternativa correta é a C. Para a articulista, a prática da intimidação cotidiana faz parte de um tipo de socialização à qual estamos acostumados por falta de uma “agenda cidadã e republicana” que prevesse “construir sociedades plurais no lugar de defender a homogeneidade; valorizar os espaços públicos em vez de gradeá-los; ampliar espaços de encontro das diferenças, em vez de inibi-los”, Ainda segundo a autora, “não se constrói cidadania entre muros, com a disseminação de políticas de medo e abrindo mão de responsabilidades públicas”, carentes de democracia, de cidadania, e de comprometimento social. Questão 7 Prática cotidiana da intimidação 5 Não faz muito tempo, vi dois meninos sendo interpelados abruptamente pela polícia, não nas avenidas movimentadas que trazem e levam a população trabalhadora que mora nas periferias. Ao contrário, estava sentada numa praça situada num elegante bairro dos Jardins, e a cena, a despeito de ir se tornando corriqueira, causou enorme incômodo. Gritos, pequenos empurrões, o uso ostensivo de lanternas (em plena luz do dia) em busca de um suposto objeto atirado na 10 grama, a obrigatoriedade de baixar os olhos… enfim, toda uma engenharia da humilhação foi montada e bem ao lado de gangorras e balanças. Para concluir o espetáculo, três viaturas da polícia apareceram, com suas sirenes a toda, e trataram de “liberar o local”. Diante dessas situações-limite é difícil reagir frente à precariedadeda cidadania de certos grupos ou da segregação internalizada que nossos bairros mais centrais carregam, silenciosamente. É nesses 15 momentos, quando a regra democrática é suspensa, que nos sentimos, de alguma maneira, inconfortáveis diante do que mais parece uma aberta demonstração de cumplicidade. Sim, pois por mais que o ritual fosse claramente violento, a saída de todos nós que ali estávamos foi de um profundo e constrangedor silêncio, inclusive desta que aqui escreve. A violência do outro dói, mas dói também o reconhecimento da impotência e da aceitação desse 20 tipo de ato, que já se transformou em “natural”. O sentimento de culpa e de impotência nos assola e levaria a uma reação caso não fôssemos pessoas acostumadas, a longa data, a esse tipo de socialização. Construir sociedades plurais no lugar de defender a homogeneidade; valorizar os espaços públicos em vez de gradeá-los; ampliar espaços de encontro das diferenças, em vez de inibi-los, 25 são motivações que fazem parte de uma agenda cidadã e republicana. Não se constrói cidadania entre muros, com a disseminação de políticas de medo e abrindo mão de responsabilidades públicas. Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor. Os desafios estão no presente, o que implica propor alternativas, pressionar o Estado e agir coletivamente. SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. Prática cotidiana da intimidação. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2014. A principal tese do texto está explicitada na alternativa a) “Ao contrário, estava sentada numa praça situada num elegante bairro dos Jardins, e a cena, a despeito de ir se tornando corriqueira, causou enorme incômodo.” (l. 3-4) b) “Para concluir o espetáculo, três viaturas da polícia apareceram, com suas sirenes a toda, e trataram de ‘liberar o local’.” (l. 7-8) c) “Diante dessas situações-limite é difícil reagir frente à precariedade da cidadania de certos grupos ou da segregação internalizada que nossos bairros mais centrais carregam, silenciosamente.” (l. 8- 10) d) “O sentimento de culpa e de impotência nos assola e levaria a uma reação caso não fôssemos pessoas acostumadas, a longa data, a esse tipo de socialização.” (l. 16-18) e) “Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor.” (l. 24-25) Gabarito: E Resolução: A alternativa correta é a E, pois contém a tese principal do texto, ou seja, a ideia central defendida pela articulista, desenvolvida ao longo do texto, a partir da ilustração no primeiro parágrafo e posterior análise argumentativa, e colocada de forma propositiva apenas na conclusão: “Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor.” (l. 24-25). Questão 8 Prática cotidiana da intimidação 5 Não faz muito tempo, vi dois meninos sendo interpelados abruptamente pela polícia, não nas avenidas movimentadas que trazem e levam a população trabalhadora que mora nas periferias. Ao contrário, estava sentada numa praça situada num elegante bairro dos Jardins, e a cena, a despeito de ir se tornando corriqueira, causou enorme incômodo. Gritos, pequenos empurrões, o uso ostensivo de lanternas (em plena luz do dia) em busca de um suposto objeto atirado na 10 grama, a obrigatoriedade de baixar os olhos… enfim, toda uma engenharia da humilhação foi montada e bem ao lado de gangorras e balanças. Para concluir o espetáculo, três viaturas da polícia apareceram, com suas sirenes a toda, e trataram de “liberar o local”. Diante dessas situações-limite é difícil reagir frente à precariedade da cidadania de certos grupos ou da segregação internalizada que nossos bairros mais centrais carregam, silenciosamente. É nesses 15 momentos, quando a regra democrática é suspensa, que nos sentimos, de alguma maneira, inconfortáveis diante do que mais parece uma aberta demonstração de cumplicidade. Sim, pois por mais que o ritual fosse claramente violento, a saída de todos nós que ali estávamos foi de um profundo e constrangedor silêncio, inclusive desta que aqui escreve. A violência do outro dói, mas dói também o reconhecimento da impotência e da aceitação desse 20 tipo de ato, que já se transformou em “natural”. O sentimento de culpa e de impotência nos assola e levaria a uma reação caso não fôssemos pessoas acostumadas, a longa data, a esse tipo de socialização. Construir sociedades plurais no lugar de defender a homogeneidade; valorizar os espaços públicos em vez de gradeá-los; ampliar espaços de encontro das diferenças, em vez de inibi-los, 25 são motivações que fazem parte de uma agenda cidadã e republicana. Não se constrói cidadania entre muros, com a disseminação de políticas de medo e abrindo mão de responsabilidades públicas. Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor. Os desafios estão no presente, o que implica propor alternativas, pressionar o Estado e agir coletivamente. SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. Prática cotidiana da intimidação. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2014. A análise semântica do léxico que compõe o texto está correta em a) O termo derivado do particípio de interpelar, “interpelados” (l. 1), evidencia uma atitude de intimidação que, no caso, está relacionada com pessoas jovens. b) O vocábulo “engenharia” (l. 6), no contexto em que foi utilizado, sugere um processo cultural implantado de forma inconsciente. c) A palavra “precariedade” (l. 11) denota, no contexto, uma ideia voltada para a carência reinante na camada social de baixo poder aquisitivo e toda a ausência de ação gerada na consolidação da consciência cidadã. d) A marca linguística “teleológicas” (l. 24) faz referência a atitudes que referendam a valorização da subjetividade e de emotividade. e) O adjetivo “redentor” (l. 25) é antônimo da palavra redimível, sugerindo algo que ainda tem solução. Gabarito: A Resolução: A alternativa correta é a A. O termo derivado do particípio de interpelar, “interpelados” (l. 1), evidencia uma atitude de intimidação que, no caso, está relacionada com pessoas jovens, “dois meninos” (l.1) que a articulista vê em uma cena de abordagem policial violenta. Questão 9 Prática cotidiana da intimidação 5 Não faz muito tempo, vi dois meninos sendo interpelados abruptamente pela polícia, não nas avenidas movimentadas que trazem e levam a população trabalhadora que mora nas periferias. Ao contrário, estava sentada numa praça situada num elegante bairro dos Jardins, e a cena, a despeito de ir se tornando corriqueira, causou enorme incômodo. Gritos, pequenos empurrões, o uso ostensivo de lanternas (em plena luz do dia) em busca de um suposto objeto atirado na 10 grama, a obrigatoriedade de baixar os olhos… enfim, toda uma engenharia da humilhação foi montada e bem ao lado de gangorras e balanças. Para concluir o espetáculo, três viaturas da polícia apareceram, com suas sirenes a toda, e trataram de “liberar o local”. Diante dessas situações-limite é difícil reagir frente à precariedade da cidadania de certos grupos ou da segregação internalizada que nossos bairros mais centrais carregam, silenciosamente. É nesses 15 momentos, quando a regra democrática é suspensa, que nos sentimos, de alguma maneira, inconfortáveis diante do que mais parece uma aberta demonstração de cumplicidade. Sim, pois por mais que o ritual fosse claramente violento, a saída de todos nós que ali estávamos foi de um profundo e constrangedor silêncio, inclusive desta que aqui escreve. A violência do outro dói, mas dói também o reconhecimento da impotência e da aceitação desse 20 tipo de ato, que já se transformou em “natural”. O sentimento de culpa e de impotêncianos assola e levaria a uma reação caso não fôssemos pessoas acostumadas, a longa data, a esse tipo de socialização. Construir sociedades plurais no lugar de defender a homogeneidade; valorizar os espaços públicos em vez de gradeá-los; ampliar espaços de encontro das diferenças, em vez de inibi-los, 25 são motivações que fazem parte de uma agenda cidadã e republicana. Não se constrói cidadania entre muros, com a disseminação de políticas de medo e abrindo mão de responsabilidades públicas. Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor. Os desafios estão no presente, o que implica propor alternativas, pressionar o Estado e agir coletivamente. SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. Prática cotidiana da intimidação. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2014. Sobre a coesão referencial e sequencial do texto, é correto afirmar: a) O pronome relativo “que”, em “que trazem e levam a população trabalhadora” (l. 2) retoma o termo “movimentadas” (l. 2), através de uma explicação considerada inerente ao termo a que se refere. b) O termo coesivo “Ao contrário” (l. 3) mantém a progressão temática por meio de um paralelo entre ideias consideradas complementares e alternativas. c) O pronome demonstrativo presente na contração “desta”, em “desta que aqui escreve” (l. 14), faz uma referência exofórica, na medida em que retoma o elemento externo ao texto, que é a própria articulista. d) A conjunção “caso” , em “caso não fôssemos pessoas acostumadas” (l. 17), introduz uma concessão no discurso da locutora, podendo ser substituída pela expressão visto que, sem prejuízo de sentido. e) A expressão “o que”, em “o que implica propor alternativas” (l. 25-26), resgata, por meio de uma restrição, a ideia expressa pela palavra “presente” (l. 25). Gabarito: C Resolução: A alternativa correta é a C. O pronome demonstrativo “esta”, presente na contração “desta”, em “desta que aqui escreve” (l. 14), faz uma referência exofórica, também chamada de “dêitica”, na medida em que aponta para fora do artigo, retoma o elemento externo ao texto, que é a própria articulista, referindo-se, neste segmento, a ela mesma como parte da sociedade analisada por ela. Questão 10 Prática cotidiana da intimidação 5 Não faz muito tempo, vi dois meninos sendo interpelados abruptamente pela polícia, não nas avenidas movimentadas que trazem e levam a população trabalhadora que mora nas periferias. Ao contrário, estava sentada numa praça situada num elegante bairro dos Jardins, e a cena, a despeito de ir se tornando corriqueira, causou enorme incômodo. Gritos, pequenos empurrões, o uso ostensivo de lanternas (em plena luz do dia) em busca de um suposto objeto atirado na 10 grama, a obrigatoriedade de baixar os olhos… enfim, toda uma engenharia da humilhação foi montada e bem ao lado de gangorras e balanças. Para concluir o espetáculo, três viaturas da polícia apareceram, com suas sirenes a toda, e trataram de “liberar o local”. Diante dessas situações-limite é difícil reagir frente à precariedade da cidadania de certos grupos ou da segregação internalizada que nossos bairros mais centrais carregam, silenciosamente. É nesses 15 momentos, quando a regra democrática é suspensa, que nos sentimos, de alguma maneira, inconfortáveis diante do que mais parece uma aberta demonstração de cumplicidade. Sim, pois por mais que o ritual fosse claramente violento, a saída de todos nós que ali estávamos foi de um profundo e constrangedor silêncio, inclusive desta que aqui escreve. A violência do outro dói, mas dói também o reconhecimento da impotência e da aceitação desse 20 tipo de ato, que já se transformou em “natural”. O sentimento de culpa e de impotência nos assola e levaria a uma reação caso não fôssemos pessoas acostumadas, a longa data, a esse tipo de socialização. Construir sociedades plurais no lugar de defender a homogeneidade; valorizar os espaços públicos em vez de gradeá-los; ampliar espaços de encontro das diferenças, em vez de inibi-los, 25 são motivações que fazem parte de uma agenda cidadã e republicana. Não se constrói cidadania entre muros, com a disseminação de políticas de medo e abrindo mão de responsabilidades públicas. Assumir o lugar de atores sociais é, de alguma maneira, opor-se a saídas teleológicas, que definem o futuro como um lugar sempre redentor. Os desafios estão no presente, o que implica propor alternativas, pressionar o Estado e agir coletivamente. SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. Prática cotidiana da intimidação. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2014. Quanto à análise linguística dos elementos presentes na tessitura do texto, é correto afirmar: a) O termo “pela polícia” (l. 1) caracteriza-se como uma circunstância de meio, modificando a forma verbal “vi” (l. 1), diante de um contexto vivenciado por que conta o ocorrido. b) A forma verbal “estava” (l. 3) apresenta, como termo subjetivo, a expressão “população trabalhadora” (l. 2), pondo em tela uma situação considerada constrangedora pela articulista. c) Os substantivos abstratos “uso” (l. 5) e “busca” (l. 5), que contextualizam ocorrências de intimidação, são derivados regressivos, que exigem termos integrantes com valor passivo, completando os seus sentidos. d) O modificador nominal “certos” (l. 9) qualifica o substantivo “grupos” (l. 9), podendo ser substituído pelo adjetivo indubitável, sem mudança de sentido. e) A forma verbal “implica” (l. 25), se for substituída por resulta, mantém a mesma regência verbal, visto que faz referência a uma ideia de consequência. Gabarito: C Resolução: A alternativa correta é a C. Os substantivos abstratos “uso” (l. 5) e “busca” (l. 5), que contextualizam ocorrências de intimidação, são derivados regressivos, cujas palavras primitivas são “usar” e “buscar”, que exigem termos integrantes com valor passivo, isto é complementos nominais, completando os seus sentidos, que, no caso, são, respectivamente “(uso) de lanternas” e “(busca) de um suposto objeto atirado na grama”. Questão 11 Pratique o apego. Não seja descartável Nunca se falou e escreveu tanto sobre ser feliz sozinho. Eu mesma já abordei este assunto algumas vezes e continuo acreditando que é bem melhor estar só do que mal acompanhada. Entretanto, vivemos atualmente uma “cultura do desapego” que tem colocado a pessoa na defensiva antes mesmo de ela iniciar uma paquera ou uma nova amizade. Estão confundindo independência emocional com desapego. Ser independente emocionalmente é estar bem consigo mesmo, sozinho, como unidade, pois não é preciso outra pessoa para se sentir completo. Em outras palavras, é não ser dependente da aprovação alheia para a própria felicidade nem sentir ciúmes do amigo ou do parceiro o tempo todo. Entretanto, ter independência emocional não significa abdicar da união sentimental com alguém. É possível estar com o outro – com mimos, declarações de carinho e até mesmo contato diário – sem ser dependente dele. Desapego é o não apego, ou seja, é desligar-se de algo ou alguém. Abrir mão de objetos e bens materiais é um desprendimento sadio e demonstra evolução espiritual. Mas ao se cultuar o desapego sentimental (“não vou demonstrar a minha afeição para não parecer fraco”, “se ele não me procura, também não irei procurá-lo”, “não preciso de ninguém” e “vou demorar para responder a mensagem para deixá-lo esperando”), criam-se, desde o início de qualquer relação afetiva, laços sentimentais frágeis. Parece que a onda agora é se esforçar cada vez menos para estar ao lado de alguém na esfera sentimental. Talvez por insegurança, talvez para evitar qualquer tipo de sofrimento. Acontece que amar não é sofrer. A gente sofre depois que o amor acaba. Mas enquanto ele existe, é um sentimento tão honesto que somos capazes de respeitar a independência emocional do outro semromper os vínculos afetivos com ele. Após o término de uma relação que não deu certo, é normal o distanciamento, ou seja, o encerramento daquela etapa da vida. Mas quem inicia um relacionamento pensando “vou ficar na minha para não me apegar muito” já está terminando antes mesmo de começar. Os relacionamentos superficiais são fruto dessa nova “cultura do desapego”: falta contato físico e sobra frieza emocional. A qualquer contratempo na relação, desiste-se da pessoa e parte-se para outra. Troca-se de namorado como se troca de roupa. Evita-se a amizade. Criam-se relacionamentos descartáveis. Pessoas descartáveis. Sorrisos descartáveis. Gente descrente. Zack Magiezi resume, em outras palavras, essa falta de ligação com o outro: “No século 21, só os corajosos sabem dizer: preciso de você”. Está sobrando gente desapegada e está faltando abraço apertado, beijo molhado e carinho no peito. Tem muito grito de individualismo (ou seja, de independência egoísta) para pouco silêncio compartilhado. As pessoas se comunicam via cosmos com suas parafernálias tecnológicas e se esquecem da simplicidade do olho no olho. É natural desapegar-se do que não te faz bem ou daquilo que te traz infelicidade, mas não é saudável levar uma vida desapegada das pessoas. Os desapegados renunciam aos seus sentimentos. Eles até podem ser felizes sozinhos, mas nunca aprenderão como é bom estar junto de outra pessoa. BEDONE, Rebeca. Disponível em: . Acesso em: 31 out. 2016. No trecho: “Criam-se relacionamentos descartáveis. Pessoas descartáveis. Sorrisos descartáveis.”, a repetição da palavra “descartáveis” tem como efeito principal a) provocar o riso. b) enfatizar uma ideia. c) indicar uma progressão. d) ironizar os apaixonados. e) criticar os relacionamentos. Gabarito: B Resolução: No trecho: “Criam-se relacionamentos descartáveis. Pessoas descartáveis. Sorrisos descartáveis.”, a repetição da palavra “descartáveis” tem como efeito principal enfatizar a ideia topicalizada no parágrafo de que "Os relacionamentos superficiais", descartáveis, são fruto da cultura do desapego”. Questão 12 Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus 01 A Prefeitura de São Paulo implementou o bilhete 02 único mensal. Para usá-lo, o cidadão deve fazer um 03 cadastro com seus dados pessoais e foto no site da 04 empresa de transporte e então receber um cartão pessoal 05 e intransferível. Ao mesmo tempo, e silenciosamente, 06 são instaladas câmeras nas catracas dos ônibus da 07 cidade, de forma a garantir a identificação e o controle dos 08 passageiros. À primeira vista, este é um projeto de 09 transporte público, mas suas implicações adentram outro 10 campo: o do direito à privacidade. 11 Por ser um cartão pessoal, usado em trens, metrô e 12 ônibus, o bilhete único pode mapear os hábitos dos 13 cidadãos – o que pode ser um excelente instrumento 14 para o planejamento do transporte público, desde que 15 estruturados os sistemas adequados. Mas, ao mesmo 16 tempo, pode se tornar o instrumento perfeito para a 17 vigilância massiva. Com ele, é possível, por exemplo, 18 desenhar quem encontra quem na cidade, onde e em 19 quais horas do dia. E, no entanto, apesar desse potencial 20 todo, após o cadastro para utilização do bilhete único 21 mensal, não há no site da SPTrans qualquer menção à 22 política de privacidade ou explicação e pedido de 23 concordância do cidadão para uso de seus dados. 24 Não cabe aqui o debate sobre modelo de 25 transporte. Mas este é um excelente exemplo de como, e 26 rapidamente, as informações sobre os(as) cidadãos/ãs e 27 consumidores/as estarão estruturadas, em bancos de 28 dados, de forma a permitir seu cruzamento por sistemas 29 chamados de “big data” ou “business inteligence” (BI) 30 com finalidades as mais diversas, sem que estejamos no 31 controle desse processo. 32 No entanto, precisamos ter em conta que as 33 tecnologias não são necessariamente boas ou ruins 34 quanto aos seus fins. O seu uso será definido pelos 35 interesses predominantes na sociedade. Foi isso que 36 aconteceu com qualquer tecnologia já desenvolvida pelo 37 ser humano – seja o avião, que serve para transporte ou 38 bombardeio, seja a explosão atômica, que gera energia ou 39 destrói cidades. 40 Assim, neste momento, grandes companhias de 41 tecnologia da informação (TI) contratam e pagam, muito 42 bem, “evangelizadores” do “big data” para apregoar os 43 benefícios de implantação dessa tecnologia. Cabe 44 apontar que há, de fato, grande potencial para o uso de 45 informações estruturadas para o bem, seja para 46 identificar padrões de adoecimento, seja para o 47 planejamento de políticas de transporte ou para a oferta 48 de melhores serviços. 49 Por outro lado, entidades da sociedade civil 50 começam a questionar se tal capacidade técnica servirá 51 para reforçar a segregação e exclusão econômica e 52 social nas quais é calcada nossa sociedade. Perderão os 53 pobres e as minorias oprimidas? 54 Considerando a tendência de dados de saúde 55 digitalizados e em rede (há diversos projetos públicos e 56 privados nesse sentido), o que acontece se um 57 empregador consegue ter acesso à ficha médica dos 58 candidatos? Aqueles que têm doença crônica serão 59 tratados de forma igual em um processo de seleção? 60 Malkia Cyrill, do Center for Media Justice, 61 importante figura no debate de comunicação e parte do 62 movimento negro dos Estados Unidos – 63 tradicionalmente alvo de vigilância e controle por parte 64 das forças de Estado –, é categórica ao afirmar: 65 “qualquer sistema deve ser avaliado não pela intenção 66 do proponente, mas pelos resultados reais que 67 proporciona”. Assim, não importa que a vigilância 68 massiva, via acesso a dados pessoais, seja perpetrada em 69 nome da segurança nacional. O fato é que ela viola o 70 direito à privacidade de toda uma comunidade, e os 71 resultados do ponto de vista da segurança são pífios. 72 Todas essas problematizações devem ser feitas 73 neste momento pelos brasileiros. Aqui, no país do 74 homem cordial, como definiu Sergio Buarque de 75 Hollanda, nunca se aprovou uma lei de proteção de 76 dados pessoais. Estamos vulneráveis tal como deve se 77 sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas de uma 78 grande cidade. 79 Ainda não temos proteção suficiente, por exemplo, 80 se uma empresa ou a Receita Federal compartilhar 81 nossos dados ou se o governo deixar vazar o perfil 82 socioeconômico dos beneficiários do Bolsa Família. Os 83 dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs, 84 vendidos em cantos escondidos da Santa Efigênia, em 85 São Paulo. 86 O aumento da digitalização, dos negócios a partir 87 de dados pessoais e das nuvens web, combinado com a 88 ausência de proteção, formam o cenário do terror. Sem 89 qualquer regulação, as chances de uso tenebroso das 90 novas tecnologias aumentam vertiginosamente. A 91 balança pesa para o lado errado. 92 [...] CARDOSO, Marina. Publicado em: 25/02/2015. Adaptado. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2016. Assinale o que for correto quanto ao que se afirma a seguir em relação ao título do texto. (01) O título “Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus” permite ao leitor inferir que a autora é contra a utilização do bilhete único no transporte público. (02) O uso do modo imperativo na forma verbal “chega” produz um sentido de incerteza em relação ao uso de dados pessoais dos cidadãos na internet. (04) O valor semântico expresso pela forma verbal “chega” equivale ao sentido empregado na seguinte sentença: “O maratonista chega ao final da prova exausto.” (08) A expressão “andarmos todos nus” é empregada no sentido denotativo com a finalidade de ironizar a questão temática do texto. (16) A ideia de vulnerabilidade presente no título do texto é reafirmada de maneira explícita em: “Estamos vulneráveis tal como deve se sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas deuma grande cidade.” (l.76-78). Gabarito: 16 Resolução: (16) Correta. A ideia de vulnerabilidade no ambiente da rede, sintetizada no título do texto, "Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus", é reafirmada de maneira explícita, por meio da mesma comparação, em: “Estamos vulneráveis tal como deve se sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas de uma grande cidade.” (l. 76-78). Questão 13 Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus 01 A Prefeitura de São Paulo implementou o bilhete 02 único mensal. Para usá-lo, o cidadão deve fazer um 03 cadastro com seus dados pessoais e foto no site da 04 empresa de transporte e então receber um cartão pessoal 05 e intransferível. Ao mesmo tempo, e silenciosamente, 06 são instaladas câmeras nas catracas dos ônibus da 07 cidade, de forma a garantir a identificação e o controle dos 08 passageiros. À primeira vista, este é um projeto de 09 transporte público, mas suas implicações adentram outro 10 campo: o do direito à privacidade. 11 Por ser um cartão pessoal, usado em trens, metrô e 12 ônibus, o bilhete único pode mapear os hábitos dos 13 cidadãos – o que pode ser um excelente instrumento 14 para o planejamento do transporte público, desde que 15 estruturados os sistemas adequados. Mas, ao mesmo 16 tempo, pode se tornar o instrumento perfeito para a 17 vigilância massiva. Com ele, é possível, por exemplo, 18 desenhar quem encontra quem na cidade, onde e em 19 quais horas do dia. E, no entanto, apesar desse potencial 20 todo, após o cadastro para utilização do bilhete único 21 mensal, não há no site da SPTrans qualquer menção à 22 política de privacidade ou explicação e pedido de 23 concordância do cidadão para uso de seus dados. 24 Não cabe aqui o debate sobre modelo de 25 transporte. Mas este é um excelente exemplo de como, e 26 rapidamente, as informações sobre os(as) cidadãos/ãs e 27 consumidores/as estarão estruturadas, em bancos de 28 dados, de forma a permitir seu cruzamento por sistemas 29 chamados de “big data” ou “business inteligence” (BI) 30 com finalidades as mais diversas, sem que estejamos no 31 controle desse processo. 32 No entanto, precisamos ter em conta que as 33 tecnologias não são necessariamente boas ou ruins 34 quanto aos seus fins. O seu uso será definido pelos 35 interesses predominantes na sociedade. Foi isso que 36 aconteceu com qualquer tecnologia já desenvolvida pelo 37 ser humano – seja o avião, que serve para transporte ou 38 bombardeio, seja a explosão atômica, que gera energia ou 39 destrói cidades. 40 Assim, neste momento, grandes companhias de 41 tecnologia da informação (TI) contratam e pagam, muito 42 bem, “evangelizadores” do “big data” para apregoar os 43 benefícios de implantação dessa tecnologia. Cabe 44 apontar que há, de fato, grande potencial para o uso de 45 informações estruturadas para o bem, seja para 46 identificar padrões de adoecimento, seja para o 47 planejamento de políticas de transporte ou para a oferta 48 de melhores serviços. 49 Por outro lado, entidades da sociedade civil 50 começam a questionar se tal capacidade técnica servirá 51 para reforçar a segregação e exclusão econômica e 52 social nas quais é calcada nossa sociedade. Perderão os 53 pobres e as minorias oprimidas? 54 Considerando a tendência de dados de saúde 55 digitalizados e em rede (há diversos projetos públicos e 56 privados nesse sentido), o que acontece se um 57 empregador consegue ter acesso à ficha médica dos 58 candidatos? Aqueles que têm doença crônica serão 59 tratados de forma igual em um processo de seleção? 60 Malkia Cyrill, do Center for Media Justice, 61 importante figura no debate de comunicação e parte do 62 movimento negro dos Estados Unidos – 63 tradicionalmente alvo de vigilância e controle por parte 64 das forças de Estado –, é categórica ao afirmar: 65 “qualquer sistema deve ser avaliado não pela intenção 66 do proponente, mas pelos resultados reais que 67 proporciona”. Assim, não importa que a vigilância 68 massiva, via acesso a dados pessoais, seja perpetrada em 69 nome da segurança nacional. O fato é que ela viola o 70 direito à privacidade de toda uma comunidade, e os 71 resultados do ponto de vista da segurança são pífios. 72 Todas essas problematizações devem ser feitas 73 neste momento pelos brasileiros. Aqui, no país do 74 homem cordial, como definiu Sergio Buarque de 75 Hollanda, nunca se aprovou uma lei de proteção de 76 dados pessoais. Estamos vulneráveis tal como deve se 77 sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas de uma 78 grande cidade. 79 Ainda não temos proteção suficiente, por exemplo, 80 se uma empresa ou a Receita Federal compartilhar 81 nossos dados ou se o governo deixar vazar o perfil 82 socioeconômico dos beneficiários do Bolsa Família. Os 83 dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs, 84 vendidos em cantos escondidos da Santa Efigênia, em 85 São Paulo. 86 O aumento da digitalização, dos negócios a partir 87 de dados pessoais e das nuvens web, combinado com a 88 ausência de proteção, formam o cenário do terror. Sem 89 qualquer regulação, as chances de uso tenebroso das 90 novas tecnologias aumentam vertiginosamente. A 91 balança pesa para o lado errado. 92 [...] CARDOSO, Marina. Publicado em: 25/02/2015. Adaptado. Disponível em: . Acesso em; 6 set. 2016. Assinale o que for correto quanto ao emprego dos elementos linguísticos no texto. (01) O pronome “Aqueles” (l. 58) remete a um grupo social específico que pode sofrer segregação, no caso de haver um vazamento de dados pessoais na internet. (02) Em “... via acesso a dados pessoais” (l. 68), a expressão em negrito completa o sentido da forma verbal “via”, funcionando, sintaticamente, como seu objeto indireto. (04) No trecho “os resultados do ponto de vista da segurança são pífios” (l. 70 e 71), a expressão em negrito denota efeitos positivos, funcionando como complemento nominal de “resultados” (l. 71). (08) A expressão “categórica” (l. 64) caracteriza a maneira de Malkia Cyrill fazer uma afirmação a respeito do tema em questão, podendo ser substituída, sem prejuízo de sentido, por “contundente”. (16) Em “... devem ser feitas neste momento pelos brasileiros” (l. 72 e 73), a expressão em negrito estabelece relação semântica de causa. Gabarito: 01 + 08 = 09 Resolução: (01) Correta. O pronome “Aqueles” (l. 58) remete a um grupo social específico, candidatos que têm doenças crônicas e que podem sofrer segregação, discriminação, por parte dos empregadores, no caso de haver um vazamento de dados pessoais na internet. (08) Correta. A expressão “categórica” (l. 64) caracteriza a maneira de Malkia Cyrill fazer uma afirmação a respeito do tema em questão, podendo ser substituída, sem prejuízo de sentido, por “contundente”, por veicular o sentido de que afirma algo "indiscutível". Questão 14 Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus 01 A Prefeitura de São Paulo implementou o bilhete 02 único mensal. Para usá-lo, o cidadão deve fazer um 03 cadastro com seus dados pessoais e foto no site da 04 empresa de transporte e então receber um cartão pessoal 05 e intransferível. Ao mesmo tempo, e silenciosamente, 06 são instaladas câmeras nas catracas dos ônibus da 07 cidade, de forma a garantir a identificação e o controle dos 08 passageiros. À primeira vista, este é um projeto de 09 transporte público, mas suas implicações adentram outro 10 campo: o do direito à privacidade. 11 Por ser um cartão pessoal, usado em trens, metrô e 12 ônibus, o bilhete único pode mapear os hábitos dos 13 cidadãos – o que pode ser um excelente instrumento 14 para o planejamento do transporte público, desde que 15 estruturados os sistemas adequados. Mas, ao mesmo 16 tempo, pode se tornar o instrumento perfeito para a 17 vigilância massiva. Com ele, é possível, por exemplo, 18 desenhar quem encontra quem na cidade, onde e em 19 quais horas do dia. E, no entanto, apesar desse potencial 20 todo, após o cadastro para utilizaçãodo bilhete único 21 mensal, não há no site da SPTrans qualquer menção à 22 política de privacidade ou explicação e pedido de 23 concordância do cidadão para uso de seus dados. 24 Não cabe aqui o debate sobre modelo de 25 transporte. Mas este é um excelente exemplo de como, e 26 rapidamente, as informações sobre os(as) cidadãos/ãs e 27 consumidores/as estarão estruturadas, em bancos de 28 dados, de forma a permitir seu cruzamento por sistemas 29 chamados de “big data” ou “business inteligence” (BI) 30 com finalidades as mais diversas, sem que estejamos no 31 controle desse processo. 32 No entanto, precisamos ter em conta que as 33 tecnologias não são necessariamente boas ou ruins 34 quanto aos seus fins. O seu uso será definido pelos 35 interesses predominantes na sociedade. Foi isso que 36 aconteceu com qualquer tecnologia já desenvolvida pelo 37 ser humano – seja o avião, que serve para transporte ou 38 bombardeio, seja a explosão atômica, que gera energia ou 39 destrói cidades. 40 Assim, neste momento, grandes companhias de 41 tecnologia da informação (TI) contratam e pagam, muito 42 bem, “evangelizadores” do “big data” para apregoar os 43 benefícios de implantação dessa tecnologia. Cabe 44 apontar que há, de fato, grande potencial para o uso de 45 informações estruturadas para o bem, seja para 46 identificar padrões de adoecimento, seja para o 47 planejamento de políticas de transporte ou para a oferta 48 de melhores serviços. 49 Por outro lado, entidades da sociedade civil 50 começam a questionar se tal capacidade técnica servirá 51 para reforçar a segregação e exclusão econômica e 52 social nas quais é calcada nossa sociedade. Perderão os 53 pobres e as minorias oprimidas? 54 Considerando a tendência de dados de saúde 55 digitalizados e em rede (há diversos projetos públicos e 56 privados nesse sentido), o que acontece se um 57 empregador consegue ter acesso à ficha médica dos 58 candidatos? Aqueles que têm doença crônica serão 59 tratados de forma igual em um processo de seleção? 60 Malkia Cyrill, do Center for Media Justice, 61 importante figura no debate de comunicação e parte do 62 movimento negro dos Estados Unidos – 63 tradicionalmente alvo de vigilância e controle por parte 64 das forças de Estado –, é categórica ao afirmar: 65 “qualquer sistema deve ser avaliado não pela intenção 66 do proponente, mas pelos resultados reais que 67 proporciona”. Assim, não importa que a vigilância 68 massiva, via acesso a dados pessoais, seja perpetrada em 69 nome da segurança nacional. O fato é que ela viola o 70 direito à privacidade de toda uma comunidade, e os 71 resultados do ponto de vista da segurança são pífios. 72 Todas essas problematizações devem ser feitas 73 neste momento pelos brasileiros. Aqui, no país do 74 homem cordial, como definiu Sergio Buarque de 75 Hollanda, nunca se aprovou uma lei de proteção de 76 dados pessoais. Estamos vulneráveis tal como deve se 77 sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas de uma 78 grande cidade. 79 Ainda não temos proteção suficiente, por exemplo, 80 se uma empresa ou a Receita Federal compartilhar 81 nossos dados ou se o governo deixar vazar o perfil 82 socioeconômico dos beneficiários do Bolsa Família. Os 83 dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs, 84 vendidos em cantos escondidos da Santa Efigênia, em 85 São Paulo. 86 O aumento da digitalização, dos negócios a partir 87 de dados pessoais e das nuvens web, combinado com a 88 ausência de proteção, formam o cenário do terror. Sem 89 qualquer regulação, as chances de uso tenebroso das 90 novas tecnologias aumentam vertiginosamente. A 91 balança pesa para o lado errado. 92 [...] CARDOSO, Marina. Publicado em: 25/02/2015. Adaptado. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2016. Assinale o que for correto quanto ao emprego dos elementos linguísticos no texto. (01) No trecho “... o do direito à privacidade” (l. 10), a autora omite a palavra “projeto” (l. 8), compreendida pelo leitor com o uso da preposição “do”. (02) Na linha 79, o advérbio “Ainda” indica um valor temporal equivalente a “até o presente momento”, cujo valor semântico é reforçado pela forma verbal no presente do indicativo “temos” (l. 79). (04) Para realizar a manutenção e a progressão temáticas do texto, entre outros mecanismos de coesão utilizados, o referente “o bilhete único mensal” (l. 1 e 2) é retomado em “cartão pessoal” (l. 11), “o bilhete único” (l. 12) e em “ele” (l. 17). (08) Em “Todas essas problematizações” (l. 72), a autora, ao fazer uso da expressão em negrito, remete o leitor às discussões apresentadas anteriormente ao longo do texto sobre os perigos de não se ter uma política de privacidade na internet. (16) Na pergunta “Perderão os pobres e as minorias oprimidas?” (l. 52 e 53), a inversão da ordem de posicionamento do sujeito em relação ao predicado produz uma quebra sintática que reforça o valor semântico do verbo “perder”. Gabarito: 02 + 04 + 08 + 16 = 30 Resolução: (01) Incorreta. No trecho “... o do direito à privacidade” (l. 10), a autora omite a palavra "campo" (l. 10, "mas suas implicações adentram outro campo: o do direito à privacidade".), compreendida pelo leitor com o uso da preposição “do”, e não a palavra “projeto” (l. 8). Questão 15 Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus 01 A Prefeitura de São Paulo implementou o bilhete 02 único mensal. Para usá-lo, o cidadão deve fazer um 03 cadastro com seus dados pessoais e foto no site da 04 empresa de transporte e então receber um cartão pessoal 05 e intransferível. Ao mesmo tempo, e silenciosamente, 06 são instaladas câmeras nas catracas dos ônibus da 07 cidade, de forma a garantir a identificação e o controle dos 08 passageiros. À primeira vista, este é um projeto de 09 transporte público, mas suas implicações adentram outro 10 campo: o do direito à privacidade. 11 Por ser um cartão pessoal, usado em trens, metrô e 12 ônibus, o bilhete único pode mapear os hábitos dos 13 cidadãos – o que pode ser um excelente instrumento 14 para o planejamento do transporte público, desde que 15 estruturados os sistemas adequados. Mas, ao mesmo 16 tempo, pode se tornar o instrumento perfeito para a 17 vigilância massiva. Com ele, é possível, por exemplo, 18 desenhar quem encontra quem na cidade, onde e em 19 quais horas do dia. E, no entanto, apesar desse potencial 20 todo, após o cadastro para utilização do bilhete único 21 mensal, não há no site da SPTrans qualquer menção à 22 política de privacidade ou explicação e pedido de 23 concordância do cidadão para uso de seus dados. 24 Não cabe aqui o debate sobre modelo de 25 transporte. Mas este é um excelente exemplo de como, e 26 rapidamente, as informações sobre os(as) cidadãos/ãs e 27 consumidores/as estarão estruturadas, em bancos de 28 dados, de forma a permitir seu cruzamento por sistemas 29 chamados de “big data” ou “business inteligence” (BI) 30 com finalidades as mais diversas, sem que estejamos no 31 controle desse processo. 32 No entanto, precisamos ter em conta que as 33 tecnologias não são necessariamente boas ou ruins 34 quanto aos seus fins. O seu uso será definido pelos 35 interesses predominantes na sociedade. Foi isso que 36 aconteceu com qualquer tecnologia já desenvolvida pelo 37 ser humano – seja o avião, que serve para transporte ou 38 bombardeio, seja a explosão atômica, que gera energia ou 39 destrói cidades. 40 Assim, neste momento, grandes companhias de 41 tecnologia da informação (TI) contratam e pagam, muito 42 bem, “evangelizadores” do “big data” para apregoar os 43 benefícios de implantação dessa tecnologia. Cabe 44 apontar que há, de fato, grande potencial para o uso de 45 informações estruturadas para o bem, seja para 46 identificar padrões de adoecimento, seja para o 47 planejamento de políticas de transporte ou para a oferta 48 de melhores serviços. 49 Por outro lado, entidades da sociedade civil 50 começam a questionar se tal capacidade técnica servirá 51 parareforçar a segregação e exclusão econômica e 52 social nas quais é calcada nossa sociedade. Perderão os 53 pobres e as minorias oprimidas? 54 Considerando a tendência de dados de saúde 55 digitalizados e em rede (há diversos projetos públicos e 56 privados nesse sentido), o que acontece se um 57 empregador consegue ter acesso à ficha médica dos 58 candidatos? Aqueles que têm doença crônica serão 59 tratados de forma igual em um processo de seleção? 60 Malkia Cyrill, do Center for Media Justice, 61 importante figura no debate de comunicação e parte do 62 movimento negro dos Estados Unidos – 63 tradicionalmente alvo de vigilância e controle por parte 64 das forças de Estado –, é categórica ao afirmar: 65 “qualquer sistema deve ser avaliado não pela intenção 66 do proponente, mas pelos resultados reais que 67 proporciona”. Assim, não importa que a vigilância 68 massiva, via acesso a dados pessoais, seja perpetrada em 69 nome da segurança nacional. O fato é que ela viola o 70 direito à privacidade de toda uma comunidade, e os 71 resultados do ponto de vista da segurança são pífios. 72 Todas essas problematizações devem ser feitas 73 neste momento pelos brasileiros. Aqui, no país do 74 homem cordial, como definiu Sergio Buarque de 75 Hollanda, nunca se aprovou uma lei de proteção de 76 dados pessoais. Estamos vulneráveis tal como deve se 77 sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas de uma 78 grande cidade. 79 Ainda não temos proteção suficiente, por exemplo, 80 se uma empresa ou a Receita Federal compartilhar 81 nossos dados ou se o governo deixar vazar o perfil 82 socioeconômico dos beneficiários do Bolsa Família. Os 83 dados, de alguma forma bizarra, poderão parar em CDs, 84 vendidos em cantos escondidos da Santa Efigênia, em 85 São Paulo. 86 O aumento da digitalização, dos negócios a partir 87 de dados pessoais e das nuvens web, combinado com a 88 ausência de proteção, formam o cenário do terror. Sem 89 qualquer regulação, as chances de uso tenebroso das 90 novas tecnologias aumentam vertiginosamente. A 91 balança pesa para o lado errado. 92 [...] CARDOSO, Marina. Publicado em: 25/02/2015. Adaptado. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2016. Assinale o que for correto quanto ao emprego dos elementos linguísticos no texto. (01) Em “... o que pode ser um excelente instrumento para o planejamento do transporte público, desde que estruturados os sistemas adequados” (l. 13-15), a expressão “desde que” apresenta, em termos semânticos, um valor condicional. (02) No trecho “entidades da sociedade civil começam a questionar se tal capacidade técnica servirá para reforçar a segregação e exclusão econômica” (l. 49-51), o elemento “se” NÃO funciona como um marcador de valor condicional. (04) Na linha 9, a conjunção “mas” pode ser substituída, sem prejuízo semântico ao texto, pela locução “no entanto”. (08) Na linha 19, a locução “no entanto” pode ser substituída, sem prejuízo sintático ao texto, pela conjunção “mas”. (16) Em “Para usá-lo, o cidadão deve fazer um cadastro com seus dados pessoais” (l. 2 e 3), o vocábulo “Para” não apresenta conteúdo semântico, sendo simplesmente um conectivo sintático. Gabarito: 01 + 02 + 04 = 07 Resolução: (08) Incorreta. Na linha 19, a locução “no entanto” não pode ser substituída, sem prejuízo sintático ao texto, pela conjunção “mas”, a qual só se pode posicionar no início da oração. Deve-se, assim, substituir-se "no entanto" por "contudo" ou "mesmo assim". (16) Incorreta: “Para usá-lo, o cidadão deve fazer um cadastro com seus dados pessoais” (linhas 2 e 3), o vocábulo “Para” apresenta, sim, conteúdo semântico, de finalidade. Questão 16 Privacidade na internet: chega de andarmos todos nus 01 A Prefeitura de São Paulo implementou o bilhete 02 único mensal. Para usá-lo, o cidadão deve fazer um 03 cadastro com seus dados pessoais e foto no site da 04 empresa de transporte e então receber um cartão pessoal 05 e intransferível. Ao mesmo tempo, e silenciosamente, 06 são instaladas câmeras nas catracas dos ônibus da 07 cidade, de forma a garantir a identificação e o controle dos 08 passageiros. À primeira vista, este é um projeto de 09 transporte público, mas suas implicações adentram outro 10 campo: o do direito à privacidade. 11 Por ser um cartão pessoal, usado em trens, metrô e 12 ônibus, o bilhete único pode mapear os hábitos dos 13 cidadãos – o que pode ser um excelente instrumento 14 para o planejamento do transporte público, desde que 15 estruturados os sistemas adequados. Mas, ao mesmo 16 tempo, pode se tornar o instrumento perfeito para a 17 vigilância massiva. Com ele, é possível, por exemplo, 18 desenhar quem encontra quem na cidade, onde e em 19 quais horas do dia. E, no entanto, apesar desse potencial 20 todo, após o cadastro para utilização do bilhete único 21 mensal, não há no site da SPTrans qualquer menção à 22 política de privacidade ou explicação e pedido de 23 concordância do cidadão para uso de seus dados. 24 Não cabe aqui o debate sobre modelo de 25 transporte. Mas este é um excelente exemplo de como, e 26 rapidamente, as informações sobre os(as) cidadãos/ãs e 27 consumidores/as estarão estruturadas, em bancos de 28 dados, de forma a permitir seu cruzamento por sistemas 29 chamados de “big data” ou “business inteligence” (BI) 30 com finalidades as mais diversas, sem que estejamos no 31 controle desse processo. 32 No entanto, precisamos ter em conta que as 33 tecnologias não são necessariamente boas ou ruins 34 quanto aos seus fins. O seu uso será definido pelos 35 interesses predominantes na sociedade. Foi isso que 36 aconteceu com qualquer tecnologia já desenvolvida pelo 37 ser humano – seja o avião, que serve para transporte ou 38 bombardeio, seja a explosão atômica, que gera energia ou 39 destrói cidades. 40 Assim, neste momento, grandes companhias de 41 tecnologia da informação (TI) contratam e pagam, muito 42 bem, “evangelizadores” do “big data” para apregoar os 43 benefícios de implantação dessa tecnologia. Cabe 44 apontar que há, de fato, grande potencial para o uso de 45 informações estruturadas para o bem, seja para 46 identificar padrões de adoecimento, seja para o 47 planejamento de políticas de transporte ou para a oferta 48 de melhores serviços. 49 Por outro lado, entidades da sociedade civil 50 começam a questionar se tal capacidade técnica servirá 51 para reforçar a segregação e exclusão econômica e 52 social nas quais é calcada nossa sociedade. Perderão os 53 pobres e as minorias oprimidas? 54 Considerando a tendência de dados de saúde 55 digitalizados e em rede (há diversos projetos públicos e 56 privados nesse sentido), o que acontece se um 57 empregador consegue ter acesso à ficha médica dos 58 candidatos? Aqueles que têm doença crônica serão 59 tratados de forma igual em um processo de seleção? 60 Malkia Cyrill, do Center for Media Justice, 61 importante figura no debate de comunicação e parte do 62 movimento negro dos Estados Unidos – 63 tradicionalmente alvo de vigilância e controle por parte 64 das forças de Estado –, é categórica ao afirmar: 65 “qualquer sistema deve ser avaliado não pela intenção 66 do proponente, mas pelos resultados reais que 67 proporciona”. Assim, não importa que a vigilância 68 massiva, via acesso a dados pessoais, seja perpetrada em 69 nome da segurança nacional. O fato é que ela viola o 70 direito à privacidade de toda uma comunidade, e os 71 resultados do ponto de vista da segurança são pífios. 72 Todas essas problematizações devem ser feitas 73 neste momento pelos brasileiros. Aqui, no país do 74 homem cordial, como definiu Sergio Buarque de 75 Hollanda, nunca se aprovou uma lei de proteção de 76 dados pessoais. Estamos vulneráveis tal como deve se 77 sentir uma pessoa nua, a caminhar pelas ruas de uma 78 grande cidade. 79 Ainda não temos proteção suficiente, por exemplo, 80 se uma empresa ou a Receita Federal compartilhar 81 nossos dados ou se o governo deixar vazar o perfil 82 socioeconômico