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REVISÃO Características Reprodutivas Tambaqui: • O tambaqui é uma espécie que atinge a maturidade sexual entre 2 a 3 anos de idade. • Em cativeiro, o tambaqui atinge a idade reprodutiva entre 4 a 5 anos, com tamanho médio de 55 cm. • As fêmeas podem desovar até duas vezes por ano; Manejo de Reprodução: • A identificação individual dos reprodutores por microchips permite um melhor controle reprodutivo. • Selecionar os animais com um número de pessoas e equipamentos adequados é fundamental. Isto implica ter condutores experientes no manejo da rede de arrasto, especialmente os da extremidade da rede, que irão determinar o ritmo de condução. A rede a ser utilizada para a captura deve fundamentalmente ter o tamanho da malha adequado, para evitar malhar os animais selecionados. • Na seleção de reprodutores para a indução hormonal, é necessário certificar-se de que os animais estejam em condições ideais, ou seja, aptos para a reprodução. Na prática, se as gônadas não estiverem desenvolvidas até o estágio de maturação adequado, não responderão positivamente à indução. • Como identificar? Nas fêmeas, por exemplo, o ventre fica mais abaulado e macio, a abertura urogenital intumescida, saliente e avermelhada. No entanto, deve-se tomar cuidado para não confundir o ventre abaulado de fêmeas aptas para a desova com peixes recém-alimentados ou gordos. Os machos liberam algumas gotas de sêmen, quando pressionados levemente no abdômen, no sentido do opérculo para o poro urogenital. • Transporte: O transporte dos animais do tanque até o laboratório para aplicação hormonal deve ser o mais rápido e cuidadoso possível. A caixa de transporte deve conter água limpa com oxigênio, na mesma temperatura da água do viveiro • Indução hormonal e hipofisação são comumente empregadas para estimular a reprodução. Os peixes reofílicos, quando em cativeiro, necessitam de um estímulo hormonal exógeno, uma vez que, em confinamento, não ocorrem a maturação final do ovócito e a desova espontânea das fêmeas nos tanques, ou a liberação de uma boa quantidade de sêmen. A utilização do hormônio permite que o peixe continue o desenvolvimento ovocitário até a liberação. Caso não ocorra a indução hormonal em peixes maduros, estes ovócitos serão reabsorvidos em um processo conhecido como regressão gonadal. • A hipofisação ocorre com o extrato de hipófise, principalmente de carpas. Para obtenção dos gametas, inicialmente, calcula-se a quantidade de extrato de hipófise a ser injetado com base no peso do animal. Para a fêmea, adotamos a utilização de 5,5 mg de extrato de hipófise/kg do peso vivo e, para os machos, 2,5 mg de extrato de hipófise/kg de peixe vivo. A solução hormonal é injetada sob a nadadeira peitoral do animal, intramuscular ou intraperitoneal. Salienta-se que a agulha deve ser conduzida da cabeça em direção à cauda, para desviar do coração. Para a fêmea, 10% da dose total é aplicada inicialmente e, após 12 horas, o restante. Nos machos, a dose total deve ser aplicada no momento da segunda aplicação das fêmeas. • O reprodutor é retirado do aquário cuidadosamente para evitar estresse e perda de ovócitos. Se possível, é interessante anestesiar o animal. Em seguida, o animal deve ser colocado em uma superfície macia, enrolado em pano seco. É realizada a massagem abdominal, no sentido da cabeça para cauda, observando fácil liberação de óvulos nas fêmeas ou de uma boa quantidade de esperma nos machos. O sêmen deve ser colocado sobre os ovócitos recolhidos. Depois é feita a hidratação e ativação do sêmen com agua. O volume de água deve ser em torno de 10 vezes o volume do ovócito. • O sistema de desova semi-natural é utilizado, onde os ovos são coletados e incubados artificialmente para aumentar a taxa de sobrevivência. O procedimento para a reprodução seminatural é semelhante ao descrito anteriormente, até a segunda indução hormonal. Após este passo, os animais devem ser conduzidos para um tanque redondo, com um sistema de água que produza um fluxo corrente, simulando uma correnteza. Este tanque redondo deve possuir uma cavidade inferior côncava, com um ralo no meio para o escoamento dos ovos à medida que machos e fêmeas, nadando juntos, liberem os gametas e propiciem a fertilização. Os ovos de tambaqui, depois de fecundados, vão para o fundo do tanque, daí a importância do fundo cônico com um ralo no centro. Outro fator importante é a velocidade da água que entra para permitir a formação da correnteza. Esta velocidade deve ser tal que produza uma corrente contra a qual os animais nadem, sendo estimulados a liberar os gametas, mas não deve ser muito forte para ocorrer choque mecânico entre os ovos. Deve-se ressaltar que, independentemente do número de animais estocados no tanque de reprodução seminatural, a proporção entre machos e fêmeas deve ser de 1:1. Os ovos que são captados no ralo, localizado no fundo cônico do tanque redondo, são conduzidos pela tubulação por gravidade para uma incubadora abaixo da linha do tanque. Assim, ficam retidos e em seguida são levados para as incubadoras definitivas, onde os embriões continuarão a se desenvolver. Incubação dos ovos de tambaqui: • Este é o processo final de toda a etapa que começa com a preparação dos reprodutores. A incubação vai depender essencialmente de uma boa qualidade da água (temperatura, oxigênio, pH, dureza, alcalinidade, etc.) e da velocidade de seu fluxo. Parâmetros como oxigênio, dureza e alcalinidade são bem semelhantes para todas as espécies. O ideal é a utilização de água com cerca de 5 mg a 7 mg de oxigênio dissolvido/litro, dureza e alcalinidade acima de 30 mg/L, pH entre 7 e 8 e temperatura entre 26 ºC e 29 ºC. • Os ovos fertilizados são incubados em ambientes controlados para garantir condições ideais. • As larvas eclodem e são transferidas para sistemas de alevinagem, onde recebem uma dieta específica para crescimento Reprodução do Pirarucu (Arapaima gigas) 1. Ciclo Reprodutivo na Natureza: • O pirarucu desova em ninho escavado no substrato, com os pais cuidando da prole. • Na época de reprodução eles passam a ter uma coloração avermelhada viva; • O macho assume a proteção das larvas, enquanto a fêmea vigia o ninho Reprodução em Cativeiro: • Os casais são formados em viveiros adequados, com baixa densidade de estocagem para reduzir o estresse. • Ninhos artificiais ou substratos adequados são providos para simular condições naturais • A qualidade da água é fundamental nessa fase do período reprodutivo, a fi m de garantir a sobrevivência dos ovos e das larvas. A água deve ser limpa e o oxigênio dissolvido deve estar perto do ponto de saturação (7mg/l). Uma população de dois ou três peixes adultos é a quantidade ideal para procriação em um viveiro, que tem que ter ao menos uma parte de solo fi rme, para que os peixes possam escavar seus ninhos. • Na produção em cativeiro, o produtor, deve intervir em algum estágio de desenvolvimento dos ovos, das larvas ou dos alevinos, de modo a proporcionar- -lhes um ambiente adequado que resulte em elevada sobrevivência. Os produtores mais especializados podem capturar ovos ou larvas e levá-las ao laboratório. • Os mecanismos específicos que provocam a reprodução do pirarucu ainda não foram comprovados, mas observou-se que a época da chuva tem grande infl uência sobre o processo. • Ovos e larvas são frequentemente capturados do ambiente para serem incubados artificialmente. • A larvicultura inclui alimentação inicial com zooplâncton e, posteriormente, rações específicas para crescimento; • Apesar de ser uma espécie promissora, a disponibilidade de alevinos de alta qualidade ainda é um desafio. Reprodução em geral: • A reprodução pode ser natural, semi-natural ou artificial, dependendo da espécie e dos objetivos produtivos. • Espécies migradoras, como o tambaqui, frequentemente requerem estímulosespecíficos, como a hipofisação, para induzir a desova em cativeiro • Qualidade da água, temperatura e fotoperíodo são fatores críticos para o sucesso reprodutivo. • Em cativeiro, ajustes nesses parâmetros são essenciais para replicar as condições naturais • A seleção de reprodutores saudáveis e geneticamente diversos é fundamental para evitar a consanguinidade. • Dietas de alta qualidade durante o período de maturação sexual promovem a produção de gametas viáveis SUSTENTABILIDADE 1. Sustentabilidade: Refere-se à capacidade de atender às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem as suas próprias necessidades. Tentando minimizar os impactos ambientais, econômicos e sociais, promovendo um equilíbrio entre o uso de recursos e sua preservação a longo prazo. A sustentabilidade na aquicultura envolve práticas que minimizam impactos ambientais, promovem eficiência econômica e atendem às necessidades sociais. Para ser sustentável, a aquicultura deve: • Proteger a biodiversidade e os ecossistemas locais. • Utilizar recursos naturais, como água e ração, de forma eficiente. • Garantir condições de trabalho justas e saúde animal. • Promover a segurança alimentar global. 2. Pegada Hídrica: Mede o volume total de água consumida direta e indiretamente para produzir bens e serviços, incluindo água utilizada na agricultura, indústria e consumo doméstico. Esse indicador ajuda a avaliar os impactos do uso da água em diferentes processos. 3. Pegada de Carbono: É a medida das emissões de gases de efeito estufa associadas a uma atividade, produto ou serviço. É expressa em toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e) e auxilia na avaliação dos impactos ambientais causados pela emissão de carbono. 4. Pegada Ecológica: Avalia a quantidade de recursos naturais necessários para sustentar um estilo de vida, incluindo o uso de terra, água, florestas e outros recursos. Comparando essa pegada com a capacidade de regeneração da Terra, é possível medir a sustentabilidade de uma população ou atividade. Sistemas Intensivos Sustentáveis Os sistemas intensivos são frequentemente criticados por seus impactos ambientais, mas, com práticas adequadas, podem se tornar sustentáveis. 4.1. Sistemas de Recirculação de Água (RAS) • Reutilizam até 90% da água, reduzindo a necessidade de renovação constante. • Efluentes são tratados antes de serem descartados ou reutilizados, minimizando impactos ambientais. • Possibilitam a criação em áreas onde a água é escassa. • O RAS (Recirculating Aquaculture System) é uma tecnologia de produção aquícola que recircula e filtra a água utilizada, reduzindo drasticamente o consumo hídrico e os impactos ambientais. Ele funciona com sistemas fechados ou semifechados, onde a água é tratada, filtrada e reaproveitada, minimizando a descarga de resíduos no meio ambiente. Esse modelo apresenta alta eficiência no uso dos recursos, promovendo a sustentabilidade em várias dimensões: • Ambiental: Reduz a pegada hídrica e a contaminação de ecossistemas aquáticos, evitando a sobreexploração de recursos hídricos e impactos nos habitats naturais. • Econômica: Apesar do custo inicial elevado, a redução no uso de insumos e água pode gerar economia a longo prazo. • Social: Contribui para a produção de alimentos seguros e com menor impacto ambiental, atendendo à demanda crescente por práticas responsáveis. 4.2. Aquaponia • Integra a produção de peixes com o cultivo de vegetais, utilizando os resíduos dos peixes como fertilizantes para plantas. • Promove a economia circular e reduz o consumo de insumos químicos. 4.3. Policultivo • Criação conjunta de espécies com diferentes funções no ecossistema, como peixes, camarões e moluscos. • Reduz o impacto ambiental, pois os resíduos de uma espécie podem ser aproveitados por outra. 4.4. Bioflocos • Utiliza microrganismos que transformam resíduos orgânicos em proteína alimentar para os peixes. • Diminui a necessidade de renovação de água e de ração industrial. 4.5. Uso de Energia Renovável • Painéis solares e turbinas eólicas para reduzir a pegada de carbono das operações intensivas. Povoamento: Fundamentos e Cálculos 1.1 Definição de Densidade de Estocagem A densidade de estocagem refere-se à biomassa de peixes em uma unidade de área ou volume, expressa em kg/ha para viveiros ou kg/m³ para tanques-rede. Esta densidade deve considerar a espécie cultivada, suas características fisiológicas e os limites do sistema de produção. • Espécies que utilizam oxigênio atmosférico, como o pirarucu, toleram densidades mais elevadas sem impacto significativo no crescimento. • Outras espécies, como o tambaqui, necessitam de níveis adequados de oxigênio dissolvido para evitar estresse, doenças e mortalidade.