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1 Bioeletricidade Parte 3 2 BIOELETRICIDADE 1. INTRODUÇÃO AO CONTEÚDO 1.11. Corrente elétrica Nas aulas anteriores nos dedicamos a entender o que é carga elétrica e o seu efeito em situações do cotidiano. Entendemos que ao redor de uma carga elétrica existe uma região de influência chamada de campo elétrico e se a carga estiver sob a ação deste campo uma força elétrica se fará presente. Além disso vimos que essa força gera uma certa energia potencial e que, caso haja duas regiões com valores de potenciais diferentes as cargas se moverão de um ponto a outro. 3 Até agora falamos sobre estas cargas elétricas como se elas fossem isoladas e como se esse movimento ocorresse só com uma carga. Na realidade as cargas elétricas estão localizadas em todos os corpos e o movimento não se dá somente com uma carga, mas sim em todas as cargas do corpo. E sempre que tivermos cargas elétricas em movimento na realidade estamos falando sobre CORRENTE ELÉTRICA. Exemplos de correntes elétricas são inúmeros e envolvem várias profissões. Os meteorologistas estudam os relâmpagos e movimentos de cargas menos espetaculares na atmosfera. Biólogos, fisiologistas e engenheiros que trabalham na área de bioengenharia se interessam pelas correntes nervosas que controlam os músculos e especialmente no modo como essas correntes podem ser restabelecidas em caso de danos à coluna vertebral. Os engenheiros elétricos trabalham com sistemas elétricos de todos os tipos, como redes de energia elétrica, equipamentos de proteção contra relâmpagos, dispositivos de armazenamento de informações e instrumentos de reprodução sonora. Os engenheiros espaciais observam e estudam as partículas carregadas provenientes do Sol porque essas partículas podem interferir com os sistemas de telecomunicações via satélite e até mesmo com linhas de transmissão terrestres 1. Neste capítulo, vamos discutir a física básica das correntes elétricas e a razão pela qual alguns materiais conduzem corrente elétrica melhor que outros. Começaremos pela definição de corrente elétrica. Corrente elétrica é definida como o movimento ordenado de elétrons em um fio condutor. 4 De acordo com a definição a corrente elétrica é definida como o movimento ordenado dos elétrons. Isso significa que não são todos os elétrons que apresentarão corrente elétrica. Por exemplo, pensem em um fio de cobre (os fios usados em todos os eletrodomésticos utilizados em nossas casas). Os fios de cobre são condutores (por isso são revestidos com borracha). Isso significa que apresentam elétrons livres em seu interior. O número de elétrons livres é enorme (bilhões de elétrons movem-se de modo aleatório por segundo). No entanto o movimento destes elétrons é aleatório. Então, se o fio não estiver ligado na tomada, nada acontecerá. Se ligarmos este fio a uma bateria, porém, o número de elétrons que atravessam o plano em um sentido se tornará ligeiramente maior que o número de elétrons que atravessam o plano no sentido oposto. Em consequência, haverá um fluxo ordenado de cargas e, portanto, haverá corrente elétrica no fio1. Uma representação do que acontece na situação acima pode ser mostrada na Fig. 1 abaixo. Figura 1. Representação do movimento dos elétrons livre em um fio condutor. a) chave aberta – movimento aleatório: não há corrente elétrica. b) chave fechada – movimento ordenado de elétrons: há corrente elétrica. 1.12. Cálculo da Corrente elétrica A corrente elétrica está relacionada a quantidade de elétrons que passam por uma determinada parte do fio condutor em um determinado tempo (Fig. 2). Figura 2. Representação do número de elétrons que passam por uma secção transversal (em amarelo) em um determinado intervalo de tempo. - - - - - - - - - - Movimento aleatório Movimento ordenado Chave aberta Chave fechada - - - - - 5 Ou seja: 𝒊 = 𝑸 𝒕 Onde: 𝒊: corrente elétrica (coloumb por segundo ( 𝑪 𝒔 ) ou ampère → 𝑨); 𝑸: carga elétrica (coulomb → 𝑪); 𝒕: tempo (segundos → 𝒔). 1.13. Resistência elétrica Como vimos, se aplicarmos uma diferença de potencial a um sistema elétrico haverá um movimento ordenado dos elétrons dentro do material condutor o que chamamos de corrente elétrica. Eu lhes pergunto: Na realidade o movimento dos elétrons se dará de diferentes maneiras dependendo do material condutor. Isso acontece, pois, cada material tem uma grandeza conhecida como RESISTÊNCIA ELÉTRICA, cuja definição pode ser fornecida abaixo: Será que os elétrons movem-se da mesma forma dentro de diferentes tipos de materiais condutores? 6 Ou seja, o movimento ordenado dos elétrons em um fio condutor é retardado (desacelerado) pelos átomos que contém elétrons “não livres” (Fig. 3). Figura 3. Representação do movimento ordenado dos elétrons em um fio condutor e a resistência elétrica provocada pelos átomos contidos no material condutor (ranhuras em verde). Fisicamente, a resistência elétrica depende de vários fatores, tais como comprimento, largura e natureza do material condutor, além da temperatura a que ele é submetido. Para calcular a resistência elétrica há duas maneiras, uma leva em conta as caraterísticas do condutor: 𝑹 = 𝝆. 𝑳 𝑨 (maneira 1) Onde: 𝑹: resistência elétrica (𝛀); 𝝆: resistividade do material condutor ( 𝛀.𝒎𝟐 𝒎 ; Resistência elétrica É uma grandeza que se opõem ao movimento dos elétrons limitando a corrente dentro de um condutor. - - - - - 7 𝒍: comprimento do material condutor (𝒎); 𝑨: Área do material condutor (𝒎𝟐). 𝑹 = 𝑽 𝒊 (maneira 2) Onde: 𝑹: resistência elétrica (𝑽/𝑨 ou ohm (𝛀); 𝑽: potencial elétrico (𝑽); 𝒊: corrente elétrica (𝑨). Referências bibliográficas 1. HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Fısica Vol. 2. Rio de Janeiro: LTC-Livros Técnicos e Científicos Editora SA, 2009. 2. http://maisunifra.com.br/conteudo/bioeletricidade/ 3. DURÁN, J. E. R. Biofísica: fundamentos e aplicações. São Paulo: Prentice, 2003. 318p. 4. http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/eletric.htm 5. OKUNO, Emico; CALDAS, Iberê Luiz; CHOW, Cecil. Física para ciências biológicas e biomédicas. In: Física para ciências biológicas e biomédicas. 1986. p. 490-490. 6. http://maisunifra.com.br/conteudo/bioeletricidade/ 7. https://brasilescola.uol.com.br/fisica/gerador-van-graaff.htm + + -