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W BA 08 11 _V 1. 0 AUDITORIA DE QUALIDADE 2 Jéssica Naihara Nunes Bueno São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2021 AUDITORIA DE QUALIDADE 1ª edição 3 2021 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Diretor Presidente Platos Soluções Educacionais S.A Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Mariana Gerardi Mello Revisor Laissa Silva Ribeiro Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_________________________________________________________________________________________ Bueno, Jéssica Naihara Nunes B928a Auditoria de qualidade / Jéssica Naihara Nunes Bueno. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2021. 41 p. ISBN 978-65-5356-036-9 1. Introdução à auditoria. 2. Tipos de auditoria. 3. Auditorias de sistemas integrados e normas. I. Título. CDD 657 ____________________________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 8 010289 © 2021 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. https://www.platosedu.com.br/ 4 SUMÁRIO Introdução à auditoria, o profissional e a ética _______________ 05 Tipos de auditoria, auditorias de sistemas integrados e normas ______________________________________________________ 23 Processos de auditoria: do planejamento às visitas de supervisão ___________________________________________________ 38 A NBR ISO 19011:2018 e as diretrizes para auditoria de sistemas de gestão ____________________________________________________ 53 AUDITORIA DE QUALIDADE 5 Introdução à auditoria, o profissional e a ética Autoria: Jéssica Naihara Nunes Bueno Leitura crítica: Laissa Silva Ribeiro Objetivos • Descrever o que é normalização e seus elementos. • Apresentar o que é uma auditoria da qualidade. • Caracterizar o profissional de auditoria da qualidade e a ética necessária. 6 1. Normalização A função básica da normalização é gerar um critério único para entendimento e aceitação. As normas unificadas geram um padrão comum de produtos e serviços, facilitando a disputa comercial internacional e provocando a adequação ao momento da globalização, sendo este o objetivo mais visível da normalização. Porém, uma empresa que busca normalização não deve focar apenas neste objetivo, pois, assim, não usufruirá dos benefícios inerentes a uma boa implantação de uma norma. Além de beneficiar a empresa, conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2015), gera-se economia, melhor comunicação, segurança, proteção do consumidor e eliminação de barreiras técnicas e comerciais. Para que haja sucesso e sustentação da normalização, há sete elementos importantes que a organização deve trabalhar e desenvolver em sua organização, conforme veremos nos itens 1.1 a 1.7. 1.1 Gestão de líderes O primeiro elemento de sustentação da normalização em uma organização é a gestão de líderes, pois o comprometimento da alta administração ditará o sucesso ou o fracasso da normalização. Embora o fenômeno da liderança seja tradicionalmente pesquisado e publicado, sua complexidade e multidimensionalidade dificultam a possibilidade de um consenso. Conforme a Tabela 1, observa-se um aumento de abrangência, interdependência e a possibilidade de seu desenvolvimento. 7 Tabela 1 - Níveis de liderança Nível de complexidade e abrangência do conceito de liderança Definição de Liderança Básico O papel da liderança é baseado em autoridade. Intermediário Liderança é um processo de influência entre indivíduos. Os papéis desempenhados por esses indivíduos são importantes no exercício da influência. Avançado Liderança é uma propriedade compartilhada de um sistema social que inclui interdependências entre indivíduos. Pode envolver também papéis e processos de influência, dependendo da situação. Fonte: adaptada de Day e Harrison (2007). Liderança diz respeito ao comprometimento que existe em relação à normalização realizada na organização. Desta forma, a alta direção deve ser a primeira a vestir a camisa para garantir os resultados pretendidos com os produtos, serviços e processos da organização. 1.2 Gestão de pessoas Ulrich (1997) trabalhou em detalhe os papéis na gestão de pessoas: gestão dos recursos estratégicos, gestão da transformação e mudança, gestão da contribuição das pessoas e gestão da infraestrutura. Este último papel é atribuído prioritariamente a profissionais de recursos humanos, mas os demais devem ser compartilhados com os gestores/ líderes e os profissionais das organizações. Processos são feitos de pessoas, e estas são o meio pelo qual ocorrem os processos. Desta forma, para uma eficaz implementação da normalização, as organizações devem determinar e prover pessoas qualificadas para implementação da normalização, determinar as 8 competências de cada colaborador e prover a conscientização entre os colaboradores sobre a importância da normalização. 1.3 Gestão de fornecedores A gestão de fornecedores consiste em diversos processos de gerenciamento e integração de todos os elementos necessários para se ter uma cadeia produtiva, como matéria-prima, suprimentos e produtos intermediários (MOTA, 2017). A cadeia de fornecedores é uma parte estratégica dos negócios de qualquer organização, pois ela impacta diretamente a produção, a qualidade, a quantidade e o preço do produto de uma empresa. Por isso, é indispensável um bom gerenciamento da cadeia de fornecedores, além de um bom relacionamento, para manter vantagem competitiva no mercado. Para Martins e Alt (2000), parcerias são cada vez mais numerosas, e as empresas precisam acordar para o fato de que as alianças terão importância primordial no futuro. Os autores entendem que é preciso desenvolver um clima de confiança mútua, em que ambos saem ganhando. É o que convencionou chamar de parcerias. Nestas situações, o fornecedor ajuda no desenvolvimento do projeto do produto, na análise e nas melhorias do processo produtivo de seu cliente, garante a qualidade, abre a sua planilha de formação de preços e, em contrapartida, recebe um contrato de fornecimento por um período longo, variando de três a cinco anos. 1.4 Gestão de clientes O que move o cliente é a satisfação, um bom atendimento e a valorização. Desta forma, conhecer o que é valorizado para ele é um ponto estratégico, pois o consumidor é a peça-chave de todo o sistema 9 de uma organização. Com isso, a alta direção deve se comprometer com seu cliente, para garantir não só o atendimento ao que foi prometido a ele mas também a possibilidade de conseguir superar as suas expectativas. Neste contexto, Cobra (1992) afirma que, para satisfazer às necessidades dos consumidores, é preciso que os produtos ou serviços, ao serem ofertados, tenham boa qualidade, que as características atendam aos gostos dos consumidores, com boas opções de modelos e estilos, com nome atraente de marca, acondicionados em embalagens sedutoras, em variados tamanhos, com serviços e quantias ao usuário que proporcionem adequados retornos financeiros à organização. Ainda sob esta análise, Kotler (1996)que elas trazem muitos benefícios para os seus negócios, por exemplo: • Redução de falhas na produção. • Melhor aceitação de produtos e serviços no mercado. • Fabricação de produtos e elaboração de serviços mais seguros. • Capacitação da equipe. 55 Muitos estranham que as NBRs são comercializadas, e isso ocorre porque a ABNT não recebe subsídios dos órgãos governamentais para produzir as normas, então precisa que as NBRs gerem receitas para continuação dos trabalhos. Além da elaboração de normas, a ABNT atua como certificadora, oferecendo esse serviço para pequenas e grandes empresas. Exemplo de norma voluntária muito utilizada em treinamentos e na elaboração de programas de auditorias em organizações é as NBR através da Organização Internacional de Normalização, a NBR ISO 19011 (ABNT, 2018). A NBR ISO 19011 (ABNT, 2018) faz parte das normas da família ISO 9000. Isso significa que é uma norma integrante do grupo de normas de sistemas de gestão, a International Organization for Standardization (ISO), criada em Genebra, na Suíça, em 1947, com o objetivo de apoiar organizações, de todos os tipos e tamanhos, na implementação e operação de sistemas de gestão da qualidade. A ISO é uma instituição sem vínculos governamentais, que atua na área de qualificação de empresas, processos e serviços. Sua sigla é uma referência à palavra grega iso, que significa igualdade. A série é composta das seguintes normas: • ISO 9000–Sistemas de gestão da qualidade – Fundamentos e vocabulário. • ISO 9001–Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. • ISO 9004–Gestão da qualidade – Qualidade de uma organização – Orientação para alcançar o sucesso sustentado. • ISO 19011–Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão. 56 Sobre a NBR ISO 19011 (ABNT, 2018), ela oferece uma direção às organizações sobre como realizar o processo de auditoria no sistema gestão implantado, atuando como um guia de princípios de auditoria, da gestão do programa de auditoria e de como conduzir uma auditoria, como também orienta sobre a avaliação de competência de pessoas envolvidas no processo de auditoria. Na última atualização, a NBR ISO 19011 (ABNT, 2018) demonstrou que NBRs estão sempre em busca da melhoria contínua e atualizada com as mudanças do mercado, visto que as principais mudanças tiveram um impacto positivo e uma boa aceitação no mercado, sendo elas (REIS, 2019): • Inclusão da abordagem baseada em risco aos princípios de auditoria. • Ampliação da orientação sobre a gestão de um programa de auditoria, incluindo riscos do programa de auditoria. • Ampliação da orientação para conduzir uma auditoria, particularmente na seção sobre planejamento de auditoria. • Ampliação dos requisitos genéricos de competência para auditores. • Ajuste da terminologia para refletir o processo, e não o objeto (“coisa”). • Remoção do anexo contendo requisitos de competência para auditar disciplinas específicas do sistema de gestão (devido ao grande número de normas particulares de sistemas de gestão, não seria prático incluir requisitos de competência para todas as disciplinas). • Ampliação do anexo A para fornecer orientação sobre (novos) conceitos de auditoria, como contexto organizacional, liderança e comprometimento, auditorias virtuais, compliance e cadeia de suprimento. 57 Conforme a NBR ISO 19011 (ABNT, 2018), a estrutura está dividida em sete seções: 1. Escopo: descreve o objetivo do documento. 2. Referência normativa: não contém nenhuma referência normativa, porém há uma seção para essa verificação. 3. Termos e definições: contêm as definições dos termos contidos em todo o documento. 4. Princípios de auditoria: descreve os princípios da auditoria. A partir desses princípios, a organização entenderá a natureza essencial da auditoria, sendo uma introdução necessária para as seções 5, 6 e 7. 5. Gerenciando um programa de auditoria: traz uma orientação sobre a gestão dos programas de auditoria, informando a responsabilidade na gestão de programas, o estabelecimento dos objetivos do programa, a coordenação de atividades e a disponibilização de recursos suficientes para a equipe de auditoria. 6. Conduzindo uma auditoria: nesta seção, traz orientações sobre a realização das auditorias de sistemas de gestão. 7. Competência e avaliação de uma auditoria: orienta as competências necessárias de um auditor e descreve o processo para a avaliação dos auditores. As seções de 5 a 7 são de extrema importância, pois trazem as diretrizes para realização de uma auditoria a todas as organizações que necessitam planejar e conduzir auditorias de sistemas de gestão ou gerenciar programas de auditoria. 2. Diretrizes para auditoria conforme a ISO 19011:2018 A NBR ISO 19011 (ABNT, 2018) pode ser utilizada para auditorias de sistema de gestão da qualidade e para outros tipos de auditorias, pois 58 é uma referência para os processos de auditoria interna e externa de diversos sistemas de gestão, por exemplo: • ISO 9001- Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. • ISO 14001–Sistemas de gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso. • ISO/IEC 27001–Tecnologia da informação – Técnicas de segurança – Sistemas de gestão da segurança da informação – Requisitos. • ISO 45001- Sistemas de gestão de saúde e segurança ocupacional – Requisitos com orientação para uso. • ISO 50001–Sistemas de gestão da energia – Requisitos com orientações para uso. • ISO 37001–Sistemas de gestão antissuborno – Requisitos com orientações para uso. Para ajudar a entender o fluxo de informações e recursos necessários no processo de gerenciamento de um programa de auditoria, a NBR ISO 19011 (ABNT, 2018) apresenta um fluxo que contém as orientações baseadas na ferramenta PDCA, como mostrado na Figura 1. Segundo Lima (2004), o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action) é uma ferramenta utilizada para o estabelecimento da “diretriz de controle”, o planejamento da qualidade, a manutenção de padrões e a alteração da diretriz de controle, ou seja, através da realização de mudanças e melhorias. Esse ciclo é composto por quatro fases básicas de controle: planejar, executar, verificar e atuar corretivamente. Os significados dos termos são (CAMPOS, 2004): • Planejamento (P): consiste em estabelecer metas sobre os itens de controle e estabelecer a maneira para atingir as metas propostas. • Execução (D): esta fase consiste em executar as tarefas como previsto no plano. 59 • Verificação (C): a partir dos dados coletados na execução, compara- se o resultado alcançado com a meta planejada. • Atuação corretiva (A): nesta etapa, o usuário atuará no sentido de fazer definitivas. O ciclo PDCA é projetado para ser usado como um modelo dinâmico. A conclusão de uma volta dele desencadeará o começo de um novo ciclo, e assim sucessivamente (NASCIMENTO, 2011). Importante que a organização não volte ao estágio inicial, conhecida como empresa “serrote”, e sim tenha uma evolução dos seus processos, sendo uma empresa “escada”, conforme mostra a Figura 1. Figura 1 - Empresa serrote versus Empresa escada Fonte: adaptada de Gartner (2019). 60 Para ajudar a entender o fluxo de informações e recursos necessários no processo de gerenciamento de um programa de auditoria, a NBR ISO 19011 (ABNT, 2018) apresenta um fluxo que contém as orientações baseadas na ferramenta PDCA, como mostrado na Figura 2. Figura 2 - Fluxo do processo para gerenciamento de um programa de auditoria Fonte: adaptada de ISO 19011 (ABNT, 2018, p. 9)., 61 Para que o processo do programa de auditoria seja eficazmente implementado, a norma orienta que é importante direcionar o planejamento e a condução de auditorias para o objetivo da organização. Assim, na Fase 1 do fluxo do processo para gerenciamento de um programa de auditoria, a etapa Plan (Planejamento) traça um plano com os objetivos do programa de auditoria, e é observado se o plano é coerente com a estratégia da organização, apoia a política e os objetivosdo sistema de gestão. Desta forma, pode-se incluir: • Características e requisitos de processos, produtos, serviços e projetos. • Requisito do sistema de gestão. • Necessidade para avaliação de fornecedores externos. • Nível de desempenho ou de maturidade do sistema de gestão da organização. • Indicadores de desempenho. • Ocorrência de não conformidades, incidentes ou reclamações de partes interessadas. • Riscos e oportunidades identificados. • Resultado de auditorias anteriores. Ainda nesta fase, são identificados os riscos e as oportunidades que podem afetar diretamente o alcance dos objetivos do proposto no programa. Os riscos ocorrem devido a: 62 • Falhas ao determinar a extensão, o número, a duração, os locais e a agenda das auditorias. • Recursos insuficientes para o desenvolvimento do programa de auditoria ou condução de uma auditoria. • Equipe de auditoria não possuir competência para conduzir uma auditoria eficazmente. • Comunicação ineficaz. • Confidencialidade das informações. • Falta de controle da informação documentada e requerida por auditores e partes interessadas pertinentes para demonstrar a eficácia do programa de auditoria. • Deficiência no monitoramento da eficácia dos resultados do programa de auditoria. • Ausência de disponibilidade e evidência para ser amostrada pela organização. Já as oportunidades de melhoria incluem, por exemplo: • Permitir múltiplas auditorias. • Minimizar tempo. • Alinhar datas de auditoria com a disponibilidade das pessoas importantes que serão auditadas. Os responsáveis pelo programa de auditoria devem estabelecer a extensão do programa de acordo com os objetivos e as restrições, bem como instituir o programa de auditoria baseando-se nas exigências impostas pela ISO 19011 (ABNT, 2018). 63 Após o planejamento, inicia-se o processo de implementação da segunda etapa, conhecida como Do (Execução). Nesta etapa, são implantadas as ações necessárias para que o programa de auditoria ocorra conforme previsto na fase anterior. Todo o processo de auditoria deve ser executado no local da organização, remotamente ou através da combinação dos dois métodos. Assim, é interessante que os métodos sejam adequadamente equilibrados, sempre levando em consideração os riscos e as oportunidades. Os registros devem ser realizados nesta fase, para que sejam mantidos e utilizados como uma evidência da implementação do programa de auditoria na organização. Os registros incluem, por exemplo: • Agenda. • Análise crítica da eficácia do programa. • Relatórios. • Registro de evidências objetivas e constatações. • Relatórios de não conformidades encontradas. • Registro de avaliação de competências dos membros da equipe de auditoria. Já a terceira etapa é o Check (Verificação), a qual compara as evidências coletadas no processo de auditoria, checando se as ações do programa estão corretas e seguindo na direção correta para atingir o objetivo da auditoria. Conforme a NBR ISO 19011 (ABNT, 2018), é verificado, por exemplo: • Se a agenda está sendo cumprida. 64 • O desempenho dos membros da equipe de auditoria. • O feedback para clientes de auditoria, auditados e auditores. • A suficiência e adequação das informações documentadas em todo o processo de auditoria. Se constatado que o objetivo não será atingido conforme o programa de auditoria proposto, as mudanças devem ser feitas neste momento. Por fim, é realizada a análise crítica de todo o programa, certificando- se de que os objetivos foram alcançados e absorvendo as lições aprendidas, que serão usadas como melhorias na etapa Action (Ação). É importante adotar o programa que foi concluído com sucesso como uma nova forma de fazer as auditorias na organização, ou seja, padronizar as ações executadas, cuja eficácia foi verificada na etapa anterior, objetivando a melhoria contínua. Desta forma, há um ciclo contínuo, trazendo melhores programas e seguindo o objetivo da ferramenta PDCA. Já na Fase 2, o processo de PDCA é utilizado novamente, porém implementado no processo de auditoria. Inicialmente, no Plan (Planejamento), o processo ocorre com a preparação das atividades a serem executadas. Esta etapa inicia com o líder da equipe entrando em contato com o auditado para confirmar, por exemplo: • Os canais de comunicação. • As autoridades para conduzir a auditoria. • O fornecimento de informações sobre o programa. • Os requisitos estatutários e regulamentares. • Os agendamentos. 65 Também é determinada a viabilidade, levando em consideração, por exemplo, a disponibilidade de informações apropriadas e recursos adequados. Ainda no planejamento executam-se: • A análise crítica de informações documentadas pertinentes ao sistema de gestão do auditado. • A análise dos riscos a partir das informações do programa de auditoria. • O detalhamento do planejamento. • A atribuição das equipes. • A preparação de informações documentadas, por exemplo, uma lista de verificação. Partindo para a segunda etapa, Do (Execução), temos o processo de condução das atividades e a preparação e distribuição do relatório da auditoria. Logo, a reunião de abertura da auditoria é feita, confirmando os acordos de todas os participantes, apresentando os membros da equipe e suas respectivas funções, assegurando que as atividades planejadas possam ser realizadas. Durante o processo, a comunicação eficaz entre os membros da equipe de auditoria é de extrema importância, devido à troca de informações e à avaliação do progresso da auditoria, assim como à redistribuição de trabalhos entre os membros da equipe, caso necessário. Já a comunicação com o auditado também é essencial e deve ser feita periodicamente, conforme o progresso da auditoria ou quando houver quaisquer constatações significativas ou preocupações. 66 A informação recebida pelo auditor é crucial nesta etapa, assim, é importante que a organização disponibilize e que o auditor tenha acesso à informação, independentemente de onde ela é criada, usada e ou armazenada. O processo de coleta de informação pode ser realizada por meio de amostragem, e toda informação pertinente ao processo de auditoria nesta etapa é analisada criticamente, determinando a conformidade ou não conformidade do requisito que apoiará as atividades de auditoria. A reunião de encerramento da auditoria também é preparada e realizada na etapa Do (Execução), com as devidas conclusões, recomendações (se no plano de auditoria foi informado sua necessidade) e evidências de possíveis não conformidades, verificando a necessidade de acompanhamento de auditoria. Após o encerramento, o relatório de auditoria é preparado e distribuído. Após todas as atividades planejadas tiverem sido finalizadas, a auditoria é concluída através da etapa Check (Verificação). Observa-se que há uma etapa com linhas tracejada na Figura 1. Essa etapa é a Action (Ação) do PDCA da Fase 2, a qual conduz o acompanhamento da auditoria. O tracejamento simboliza um processo que pode ocorrer apenas quando for observada uma necessidade de correção ou oportunidade de melhoria na organização auditada, sendo necessário o acompanhamento da auditoria, as ações e o implemento de melhorias em um período acordado. A conclusão e a eficácia destas ações devem ser verificadas. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 19011/2018. Diretrizes para Auditoria de Sistemas de Gestão. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2018. 67 CAMPOS, V. F. TQC – Controle da Qualidade Total no estilo japonês. 8. ed. Belo Horizonte, MG: INDG, 2004. GARTNER, R. Pense Lean. Empresa “serrote”: será que a sua tem essa característica? LinkedIn, 2019. Disponível em: https://br.linkedin.com/in/penselean?trk=pulse- article_main-author-card. Acesso em: 9 set. 2021. LIMA, L. S. Modelo de sistema de gestão da qualidade para propriedades rurais leiteiras. 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade de São Carlos, São Carlos, 2004 Disponívelem: https://repositorio.ufscar.br/ bitstream/handle/ufscar/3724/DissLSL.pdf?sequence=1. Acesso em: 18 ago. 2021. NASCIMENTO, A. F. G. A utilização da metodologia do Ciclo PDCA no gerenciamento da melhoria contínua. 2011, 38 f. Monografia (MBA em Gestão Estratégica da Manutenção, Produção e Negócios) – Faculdade Pitágoras, São João del Rei, 2011. Disponível em: http://www.icap.com.br/biblioteca/175655010212_ Monografia_Adriano_Fagner.pdf. Acesso em: 18 ago. 2021. REIS, F. I. V. Principais mudanças da ISO 19011: 2018. Verde Ghaia, 2019. Disponível em: https://www.verdeghaia.com.br/principais-mudancas-da-iso-19011-2018/. Acesso em: 9 set. 2021. https://br.linkedin.com/in/penselean?trk=pulse-article_main-author-card https://br.linkedin.com/in/penselean?trk=pulse-article_main-author-card https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/3724/DissLSL.pdf?sequence=1 https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/3724/DissLSL.pdf?sequence=1 http://www.icap.com.br/biblioteca/175655010212_Monografia_Adriano_Fagner.pdf http://www.icap.com.br/biblioteca/175655010212_Monografia_Adriano_Fagner.pdf https://www.verdeghaia.com.br/principais-mudancas-da-iso-19011-2018/ 68 BONS ESTUDOS! Sumário Introdução à auditoria, o profissional e a ética Objetivos 1. Normalização 2. Auditoria 3. Profissionais da auditoria de qualidade Referências Tipos de auditoria, auditorias de sistemas integrados e normas Objetivos 1. Tipos de auditorias 2. Sistemas Integrado de Gestão (SIG) 3. Auditoria de sistema integrado Referências Processos de auditoria: do planejamento às visitas de supervisão Objetivos 1. O programa de auditoria 2. As atividades de auditoria Referências A NBR ISO 19011:2018 e as diretrizes para auditoria de sistemas de gestão Objetivos 1. NBR ISO 19011:2018 2. Diretrizes para auditoria conforme a ISO 19011:2018 Referênciasafirma que uma empresa que satisfaz a maioria das necessidades de seus consumidores na maior parte do tempo é chamada de empresa de qualidade. Cada empresa precisa da certa importância para a qualidade dos produtos e serviços. Além disso, ao atender com qualidade, acrescentam-se benefícios a esses produtos e serviços, os quais suprirão as necessidades dos clientes. Portanto, os objetivos mais importantes de um sistema de gestão da qualidade são a satisfação do cliente e a melhoria contínua desta relação. 1.5 Gestão de informações A constante atualização das informações é de vital importância para o suporte às inúmeras decisões a serem tomadas diariamente em uma organização. A gestão da informação tem a principal função de prover um conjunto de dados organizados que fazem sentido e referência a um acontecimento, um fato ou um fenômeno, que no seu contexto tem um determinado significado, a fim de reduzir incertezas ou mesmo incrementar conhecimento da organização. 10 Na Tabela 2, pode-se verificar, de forma resumida, outras contribuições da gestão da informação encontradas no levantamento bibliográfico realizado por Charles e Blattmann (2014). Tabela 2 - Conceitos de gestão da informação Referências Questões Principais Davenport, Marchand e Dickson (2004) Gestão da informação deve tratar fundamentalmente de como coletar, armazenar, consultar, distribuir e explorar a informação no interior das organizações e nas redes de fornecedores, clientes e outros parceiros. Monteiro e Falsarella (2007) Ciclo da gestão da informação. Modelo de gestão da informação em projetos para aprendizagem organizacional. Lopes e Valentim (2010) Governança corporativa. Processos de tomada de decisão. Fluxos formais e informais nas organizações. Souza e Duarte (2011) Gestão da informação como parâmetros de qualidade. Dimensões de modelos teóricos de gestão da informação no ENANCIB. Alvarenga Neto (2008) Criação e uso de conhecimento. Perspectiva integradora da gestão da informação e do conhecimento. Fluxos de informação como base intelectual. Fonte: adaptado de Charles e Blattmann (2014). 1.6 Gestão de melhoria contínua A gestão de melhoria contínua é uma prática de busca ininterrupta de aperfeiçoamento de produtos, processos e serviços, que visa tornar os resultados das organizações cada vez melhores, mais eficiente e eficazes, sendo um processo cíclico sem fim, pois sempre há oportunidades de melhoria. A melhoria de processos é uma necessidade presente na rotina de todas as organizações, ocorrendo de forma estruturada ou não. O ciclo PDCA, do inglês Plan, Do, Check e Act, é considerado a principal orientação para os programas de melhoria. Quando um problema é identificado num processo, ele é claramente definido, suas causas 11 fundamentais são investigadas e, posteriormente, define-se um plano de ação ainda na fase de planejamento. Durante a fase de execução, as causas fundamentais são bloqueadas, e a efetividade dessa ação é confirmada na etapa de verificação. Finalmente, as modificações são padronizadas, e o processo de solução de problema é recapitulado, visando à solução de problemas futuros. Para o cumprimento desta fase, são utilizadas ferramentas de qualidade. 1.7 Gestão de processos Segundo Ballestro-Alvarez, o processo é: Uma determinada sequência estruturada e predefinida de ações que transforma os insumos captados em saídas e as oferece ao ambiente, agregando valor a partir do momento e que manipula adequadamente esses insumos. (BALLESTRO-ALVAREZ, 2012, p. 9) Deste modo, podemos definir processo como uma atividade ou um conjunto de atividades que utilize recursos para converter elementos de entrada em elementos de saída de resultados esperados ou não. A gestão de processos consiste, primeiro, na identificação das atividades necessárias para organização. Essas atividades são interdependentes e transformam um ou mais elementos da entrada em produto que tem valor para o cliente na saída. Além da identificação dos processos, a gestão de processos busca desenvolver, monitorar e controlar os processos da organização. Quando uma organização trabalha com normalização, muitos pontos são diretamente afetados e, para que haja a verificação quanto à conformidade do sistema, temos as auditorias. 12 2. Auditoria O termo auditoria vem do latim audire (ouvir), o que já denota, em sua origem, os profissionais que buscavam chegar a conclusões investigando e reunindo informações. Assim, uma auditoria é uma avaliação planejada, programada e documentada, executada por pessoal independente da área auditada, a fim de verificar a eficácia do sistema implantado em uma organização, através da constatação de evidências objetivas e identificação de não conformidades (PRAZERES, 1996). Figura 1 - Auditoria Fonte: aurielaki/iStock.com. A Organização Internacional para a Normalização (ISO, do inglês International Organization for Standardization), em sua norma 19011, define auditoria como: Processo sistemático, documentado e independente para obter evidência de auditoria e avaliá-las, objetivamente, para determinar a extensão na qual os critérios de auditoria são atendidos. (ABNT, 2018, p. 1) 13 Logo, uma empresa portadora do certificado ISO 9000 evidencia aos seus clientes e ao mercado que está qualificada, conforme requisitos de reconhecimento internacional, com as auditorias de qualidade evidenciando a prática e os critérios da qualidade adequados ao seu negócio, com foco na satisfação de seus clientes e na melhoria contínua de seus processos. Pode-se dizer que a auditoria de qualidade é realizada para comprovar a conformidade com normas ISO. Ela pode ser conceituada como uma atividade formal e documentada, executada por pessoal habilitado, que não tenha responsabilidade direta na execução do serviço em avaliação e que, utilizando o método de coleta de informações baseadas em evidências objetivas e imparciais, fornece subsídios para verificação da eficácia do sistema da qualidade da organização. São verificações planejadas que incluem inspeções e apreciação completa do Sistema de Gestão da Qualidade (BOMBANA, 2010). Para falar de auditoria de qualidade, devemos, primeiro, definir o que é qualidade. Se perguntarmos a diferentes pessoas em diferentes épocas o significado desse termo, dificilmente chegaremos a um acordo. O termo qualidade vem do latim qualitate e é aquilo que caracteriza uma pessoa ou coisa e que a distingue das outras; modo ser; atributo; predicado; aptidão; disposição; moral; casta; espécie; título; cargo; posição social. Banas mostra a qualidade conceituada no ponto vista da empresa e do cliente: Do ponto de vista da empresa, o conceito não pode ser deixado ao acaso, devendo apurar quais são as necessidades dos clientes e, em função destas definir os requisitos de qualidade do produto. Já no ponto de vista do cliente, a qualidade está associada ao valor e à utilidade reconhecidas do produto, estando em muitos casos ligado ao preço. (BANAS, 2007, p. 73-74) 14 Há cinco abordagens distintas da qualidade, conforme Garvin (1984, p. 52), sendo elas: 1. Transcendental: a qualidade é o sinônimo de excelência inata. É absoluta e universalmente reconhecível. 2. Baseada em produto: a qualidade é uma variável precisa e mensurável, oriunda dos atributos do produto. 3. Baseado no usuário: a qualidade é uma variável subjetiva. Produtos de melhor qualidade atendem melhor os desejos do consumidor. 4. Baseada na produção: a qualidade é uma variável precisa e mensurável, oriunda do grau de conformidade do planejamento com o executado. 5. Baseado no valor: Mistura dois conceitos distintos: excelência e valor, destacando os trade-off qualidade x preço. Deste modo, o conceito qualidade pode ser definido de várias maneiras, dependendo dos propósitos da análise. A atividade da auditoria, sendo formal, deve estar baseada em regras preestabelecidas, as quais devem guiar o programa de auditoria daqualidade. A definição dessas regras é de responsabilidade da alta administração de uma empresa, pelo menos, os objetivos do programa e o órgão responsável pelo seu gerenciamento. A atividade da auditoria deve ser documentada, assim, é de boa prática a criação de procedimentos para o estabelecimento de pontos a serem verificados, como a forma de verificação, a amostragem, os critérios de aceitação e a apresentação, o encaminhamento das propostas de disposição e ações corretivas. Para que haja imparcialidade, independência e credibilidade, a execução da auditoria deve ser feita por pessoal que não tenha responsabilidade direta na realização do serviço em verificação, sendo auditado. 15 Podemos listar alguns objetivos da auditoria de qualidade, de acordo com Ramos (1991, p. 10), sendo: • Avaliar a conformidade dos procedimentos da qualidade com as normas estabelecidas por clientes ou pela própria empresa; • Avaliar a aderência dos métodos empregados com os procedimentos estabelecidos; • Avaliar o processo de tomada de decisão da empresa, com relação à qualidade; • Avaliar a conformidade das características da qualidade dos produtos/serviços com as especificações; • Detectar problemas potenciais da qualidade de produtos/serviços; • Verificar e melhorar a eficácia do sistema de qualidade; • Permitir à administração uma visão mais profunda da empresa, gerando uma consciência para a qualidade. Organizações que trabalham com auditorias de qualidade fornecem à alta administração a confiança de que as coisas seguem conforme o planejamento, os clientes confiam mais na organização, a empresa está preparada para detectar e observar problemas ocasionais e as informações são repassadas como as ações tomadas em ações corretivas e de melhorias. Auditorias são difíceis e, portanto, requerem auditores experientes e treinados para exercerem as devidas funções e cumprirem todos os requisitos. 3. Profissionais da auditoria de qualidade O auditor de qualidade, de acordo com o SGS (2019), dá à organização a segurança de que seus processos internos estão de acordo com a 16 qualidade pretendida, além de garantir que suas ações estão sendo aplicadas com eficácia. Suas principais funções são: • Checagem de procedimentos relacionados à qualidade. • Identificação de incompatibilidades e não conformidades. • Apresentação de ações alternativas para os problemas encontrados. • Acompanhamento das áreas auditadas para atestar a aplicação das mudanças recomendadas. • Avaliação de resultados após a implementação de novas ações de abordagem. • Seleção e supervisão de novos auditores de qualidade. • Avaliação de processos de auditoria realizados por outros auditores. Figura 2 - Profissionais da auditoria de qualidade Fonte: aurielaki/iStock.com. 17 Logo, um auditor de qualidade deve dominar cinco habilidades básicas para desempenhar tais funções, sendo elas: fazer perguntas; escutar as respostas; avaliar as respostas; tomar decisões; administrar o tempo. Devido à complexidade da ação de auditoria, muitos atributos são desejáveis a um auditor de qualidade, dos quais podemos citar alguns: objetivo, capacidade de fazer perguntas, articulado, autodisciplinado, honesto, diplomático, analítico e destemido em relação à impopularidade. Os auditores são profissionais, cuja atitude ética sempre será cobrada com rigor pela própria natureza da atuação. Sem dúvida, a fibra e o caráter moral de um auditor devem ser inquestionáveis. A auditoria é caracterizada pela confiança em princípios, conforme a ISO 19011 (2018): • Conduta ética: o fundamento do profissionalismo; deve possuir confiança, integridade, descrição e confidencialidade, que são essenciais para auditar. • Apresentação justa: a obrigação de reportar com veracidade e exatidão. A conclusão de uma auditoria reflete verdadeiramente e com precisão as atividades da auditoria. • Devido cuidado profissional: cuidado necessário, considerando a importância da atividade e a confiança depositada. • Independência: auditores devem ser independentes da atividade a ser auditada e livres de conflito de interesse e tendência. • Abordagem baseada em evidência: evidência de auditoria é verificável. O código de ética é essencial e contribui diretamente para as formas de ação, seja nos níveis executivos ou operacionais. Com a utilização 18 do código de ética, a organização aumenta sua vantagem competitiva de maneira saudável, assegura a segurança institucional ao prevenir riscos de exposição negativa da marca, fortalece a imagem, consolida a marca no mercado, aumenta a transparência nas negociações com fornecedores, padroniza os relacionamentos internos ou com stakeholders e auxilia no diagnóstico de desvio de conduta. No processo de auditoria, aqueles que são auditados podem ter a sensação de que serão punidos, caso seja encontrado algum erro no processo. Desta forma, durante a auditoria, os auditados sentem uma pressão muito grande, e o auditor da qualidade deve estar preparado para remover essa barreira, visto que pode atrapalhar o andamento do processo. Bombana (2010) descreve alguns problemas comuns encontrados em uma auditoria e uma proposta de solução para os auditores. Tabela 3 - Solução para auditores Problema Detecção Solução Associação da auditoria a sindicância Auditados, tendo em vista o desconhecimento dos objetivos, passam a procurar responsáveis pelas não conformidades, visando a uma eventual punição. Esclarecer amplamente os objetivos da auditoria na reunião preliminar, reunião de abertura e em todas as outras oportunidades possíveis. Amnésia Auditados propositadamente se esquecem de prover documentos e informações solicitadas anteriormente. Verificar, em outros momentos, a disponibilidade dos documentos e informações solicitadas. Lembrar o auditado de que existem informações e documentos ainda por serem vistos. Pânico Auditados, tendo em vista o desconhecimento dos objetivos, ficam descontrolados emocionalmente, temendo consequências e deixando de conhecer informações confiáveis. Informar previamente o real objetivo da auditoria. Evitar a presença de grupos numerosos durante as entrevistas com o pessoal executante em face da possibilidade de intimação do entrevistado. 19 Reversão da auditoria Auditados, por motivos diversos, passam a questionar os auditores. Repassar os objetivos da auditoria, informar que eventuais dúvidas poderão ser analisadas posteriormente e redirecionar os trabalhos, visando ao prosseguimento da auditoria. Apatia Auditados apresentam- se indiferentes às constatações observadas. Procurar conscientizar os auditores da importância do trabalho a ser realizado e da dependência de todos para o sucesso global. Antagonismo interno Auditados, aproveitando a oportunidade da auditoria, passam a questionar a sua própria organização, atacando posições quanto à prioridade de metas e de métodos assumidos por órgãos ou pessoas da organização. Separar criteriosamente dos reais objetivos da mensagem as aspirações pessoais, visando a uma análise imparcial, ponderando as informações colidas e evitando assim a polarização da discussão. Em alguns casos, este tipo de discussão pode propiciar benefícios para a organização, porém deve der preservado o cumprimento dos objetivos da auditoria, deixando a polêmica para o âmbito interno da organização. Busca de justificativa Auditados passam a ter uma atitude excessivamente explicativa, para as não conformidades detectadas, procurando desculpas para cada uma delas. Enfatizar para que o cumprimento total do programa da auditoria é necessário ater-se somente às perguntas que estão sendo formuladas e que posteriormente as causas das não conformidades deverão ser discutidas pelos auditados. Salientar que não se está procurando culpados nem justificativas. Busca de responsáveis Auditados passam a buscar outros responsáveis para as falhasdetectadas que estão sob sua responsabilidade. Apontar claramente a falha do sistema através da análise detalhada do problema e não definir responsáveis. 20 Falta de motivação Auditados, por não apresentarem o perfil compatível com a função que exercem ou por não se engajarem na abordagem sistêmica, passam a boicotar, ridicularizar ou questionar os objetivos da avaliação. Procurar, em primeira instância, conscientizar os auditados através de exemplos de fatos incontestáveis que demonstrem sua colocação imprópria. Permanecendo a situação, prosseguir a auditoria desconsiderando a atitude do auditado, mantendo-se calmo e tratando o assunto profissionalmente, sem entrar em polêmicas. Refratariedade Auditados, por apresentarem uma postura provocativa e agressiva em relação aos métodos da auditoria, dificultam a coleta de informações. Manter-se calmo, tratando o assunto profissionalmente e procurando, em primeira instância, esclarecer que se trata de um trabalho conjunto entre auditor e auditado, com interesse e concordância da própria organização, e que os fatos a serem levantados são inerentes ao sistema da qualidade. Caso haja persistência no comportamento do auditado, a interrupção da auditoria pode até ser considerada. Tentativa de suborno Auditados oferecem, disfarçadamente ou até mesmo claramente, recompensas, a fim de que o conteúdo do relatório seja modificado com relação às não conformidades detectadas e ao parecer final da auditoria. Recusar qualquer tentativa de suborno. Reportá-la e notificar a organização auditora sobre o ocorrido. 21 Contra auditoria (ocorre com mais frequência em auditorias externas) Auditados estão preparados para responder e demonstrar atividades que não executam total ou parcialmente. Algumas evidências de contra auditoria podem ser: a) Receber e manter os auditores em uma sala de reunião. b) Exemplos ou evidências objetivas rapidamente à mão destacadas de outras (amostras pré-determinadas). c) Interrupções de elementos externos à auditoria. d) Auditados, intencionalmente ou não, procuram neutralizar a sequência da avaliação através de um posicionamento prolixo ou conversar sobre assuntos não relacionados à auditoria. e) Ausência de acompanhante. O auditor deve controlar-se de forma a não alterar sua atuação pelo desconforto da situação. Enfatizar que o programa deve ser cumprido totalmente e ater-se somente às perguntas formuladas. Caso haja persistência no comportamento, assumir posições mais firmes: a) Enfatizar a necessidade de ser feita uma avaliação na área. b) Solicitar outras evidências objetivas e escolher ao acaso a amostra desejada. c) Ponderar que a auditoria foi marcada com antecedência e que todos já deveriam estar cientes. d) Informar ao auditado que, se o tempo não for suficiente, será necessário ampliá-lo. e) Solicitar a presença de um outro acompanhante. Fonte: adaptado de Bombana (2010). Não devemos esquecer que a auditoria da qualidade é um processo construtivo e de auxílio à prevenção de problemas. Desta forma, conforme levantado ao longo do texto, uma boa implementação na gestão da qualidade contribui para futuras auditorias na organização. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001/2015. Sistema de Gestão da Qualidade. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 19011/2018. Diretrizes para Auditoria de Sistemas de Gestão. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2018. BALLESTRO-ALVAREZ, M. E. Gestão da Qualidade: produção e operações. v. 2. São Paulo, SP: Atlas, 2012. BANAS, F. O que é Qualidade. Revista Banas Qualidade, n. 184, p. 73-74, 2007. 22 BOMBANA, C. Auditoria de Sistemas. Erechim, RS: Faculdade Anglicana de Erechim, 2010. Disponível em: https://cheila10.files.wordpress.com/2010/02/ auditoria-da-qualidade1.pdf. Acesso em: 5 jun. 2021. CHARLES, R.; BLATTMANN, U. Gestão da informação e a importância do uso de fontes de informação para geração de conhecimento. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 19, n. 3, p. 4-29, jul./set. 2014. COBRA, M. Administração de Marketing. v. 2. São Paulo, SP: Atlas, 1992. DAY, D. V.; HARRISON, M. M. A multilevel, identity-based approach to leadership development. Human Resource Management Review, v. 4, n. 17, 2007. DEMING, W. E. A Nova Economia: para a indústria, o governo e a educação. Rio de Janeiro, RJ: Qualitimark, 1997. GARVIN, D. A. What does product quality really mean? Sloan Management Review, v. 26 p. 25-43, 1984. KOTLER, P. Princípios de Marketing. São Paulo, SP: Atlas, 1996. MARTINS, P. G.; ALT, P. R. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo, SP: Saraiva, 2000. MOTA, K. Gestão de Fornecedores. São Paulo, SP: FNQ, 2017. PRAZERES, P. Dicionário de termos da qualidade. São Paulo, SP: Atlas, 1996. PETRÓLEO, I. B. Guias para a implantação de sistemas de garantia da qualidade. Rio Grande do Sul, 1987. RAMOS, A. W. Auditorias da Qualidade. Prod., v. 1, n. 2, dez. 1991. ROTONDARO, R. Gerenciamento por processos. In: CONTADOR, J. C. (Coord.). Gestão de operações: a engenharia de produção a serviço da modernização da empresa. São Paulo, SP: Fundação Vanzolini, 2010. SGS. Auditor da qualidade: o que faz e qual o perfil necessário. SGS GROUP, 2019. Disponível em: https://www.sgsgroup.com.br/pt-br/news/2019/11/auditor-da- qualidade. Acesso em: 14 ago. 2021. ULRICH, D. Human resource champions. 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Há diversos tipos de auditoria: auditoria contábil, ambiental, de fornecedores, de qualidade, etc., cada uma com seus objetivos e requisitos específicos. Ao se tratar de auditoria de sistema da qualidade, o seu principal objetivo é averiguar a conformidade de um sistema em relação aos requisitos, seja em normas, procedimentos internos da organização, legislações, entre outros. Apesar de a literatura focar nas auditorias da qualidade no setor privado, elas podem ser realizadas no setor público também. Nesse caso, o objetivo da auditoria não é uma visão de bens da organização, mas, sim, uma verificação se as normas e os contratos estão sendo realizados em conformidade. Para as organizações, o processo de auditoria tem um investimento inicial elevado, porém justifica-se o seu retorno para médias e grandes organizações, pois, com a auditoria, poderemos responder às seguintes questões: • Como podemos ter a certeza de que determinado produto apresenta qualidade se não controlarmos? • Quais são as diferenças para os produtos dos nossos concorrentes? 25 • O que poderíamos melhorar? Em organizações menores, a auditoria da qualidade traria um diferencial perante os concorrentes com um estudo de mercado, implementação de melhorias em produtos, serviços e procedimentos internos. Desta forma, vale analisar sua implementação, sendo que há diferentes tipos de auditorias. As auditorias de sistema da qualidade podem ser divididas em três tipos, conforme a ISO 19011 (ABNT, 2018), com propósitos diferentes, porém todasbuscam comparar critérios à realidade vivida nas organizações. Na Figura 1, temos uma representação dos tipos de auditoria, divididos em dois eixos básicos: quem audita e o que é auditado. Figura 1 - Tipos de auditorias Fonte: adaptado de Silva e Costa (2003). Portanto, as auditorias são classificadas em 1ª, 2ª e 3ª parte. 1.1 Auditoria de 1ª parte As auditorias de 1ª parte são conhecidas como auditorias internas. Elas fornecem um diagnóstico mais preciso da empresa, pois são executadas, geralmente, por profissionais que conhecem o processo e o contexto https://blogdaqualidade.com.br/iso-9001-2015-entendendo-o-contexto-da-organizacao/ 26 da organização, visto que, muitas vezes, são colaboradores da própria organização. A empresa seleciona colaboradores, e eles são devidamente treinados/ qualificados para a função de auditor. Para que não haja conflito de interesse ou fatores pessoais que atrapalhem o processo de auditoria, diversas empresas terceirizam as auditorias internas. Para realizar uma auditoria interna, é necessário que os auditores sejam treinados de acordo com a padronização da ISO 19011. Esta norma foi criada para fornecer orientações necessárias às auditorias de sistemas de gestão implementadas em uma organização, incluindo os princípios, a gestão de um programa, as formas de condução e as orientações sobre a avaliação de competências das auditorias (ABNT, 2018). A auditoria interna pode ser realizada para a manutenção da certificação ou apenas para avaliar o desempenho da qualidade. Desta forma, a tarefa do auditor interno é averiguar se tudo está nos conformes e o que precisa ser adequado antes de receber a próxima auditoria e, assim, reduzir as possibilidades de reprovação em uma auditoria de certificação. A própria norma ISO 9001 (ABNT, 2015), no item 9.2.1, fala sobre auditoria interna: A organização deve conduzir auditorias internas a intervalos planejados para prover informação sobre se o sistema de gestão da qualidade: a. está conforme com: • os requisitos da própria organização para o seu sistema de gestão da qualidade; • os requisitos desta Norma; b. está implementado e mantido eficazmente. (ABNT, 2015, p. 32) https://blogdaqualidade.com.br/iso-9001-2015-entendendo-o-contexto-da-organizacao/ 27 As auditorias de 1ª parte são essenciais para identificar e corrigir falhas que passam despercebidas e, assim, verificar os pontos fracos da organização e erros que precisam ser analisados e corrigidos. Alguns itens são importantes no processo de auditoria interna para nortear as organizações, por exemplo, a ISO 9001 (ABNT, 2015). Especificamente no item 9.2.2 dessa norma, é referido o que a organização deve fazer durante o processo de auditoria. Desta forma: A organização deve: a. planejar, estabelecer, implementar e manter um programa de auditoria, incluindo a frequência, métodos, responsabilidades, requisitos para planejar e para relatar, o que deve levar em consideração a importância dos processos concernentes, mudanças que afetam a organização e os resultados de auditorias anteriores; b. definir os critérios de auditoria e o escopo para cada auditoria; c. selecionar auditores e conduzir auditorias para assegurar a objetividade e a imparcialidade do processo de auditoria; d. assegurar que os resultados das auditorias sejam relatados para a gerência pertinente; e. executar correção e ações corretivas apropriadas sem demora indevida; f. reter informação documentada como evidência da implementação do programa de auditoria e dos resultados de auditoria. (ABNT, 2015, p. 32) Uma rotina de avaliações ou períodos de intervalos planejados ajudarão as auditorias internas a terem resultados que ofereçam melhorias contínuas dos processos. Assim, a organização pode adotar como uma boa prática a utilização de um cronograma organizado contendo informações que poderão deixar o processo mais fácil, por exemplo, as informações sobre qual o primeiro processo que será auditado, as ferramentas que serão utilizadas, quantidades de pessoas necessárias, os requisitos internos que serão avaliados e o responsável por auditar cada processo. 28 Outra forma de contribuição para o processo de auditoria é com o uso da ferramenta checklist, a qual consiste em perguntas adequadas e atua como um processo vivo. Assim, cada auditoria deve sofrer alterações, para que seja eficaz e auxilie o auditor a fazer perguntas com mais clareza e assertividade no momento da entrevista com o auditado. O checklist será uma base de apoio para o auditor, o que deixa a avaliação mais ágil eficaz. O auditor interno deve focar exclusivamente no processo que está sendo auditado e elaborar um relatório completo sobre o que foi observado com todas as informações. Portanto, a auditoria interna identifica quais itens não são atendidos e cria planos de ação para ajustar os processos, atendendo, assim, à norma em que se busca certificação. 1.2 Auditoria de 2ª parte As auditorias de 2ª parte são realizadas por todas as partes interessadas na organização, bem como seus clientes ou representantes, por meio de um auditor contratado. O objetivo é avaliar e atestar se a organização possui capacidade de atender às demandas solicitadas pelos clientes, apontando suas principais fraquezas e oportunidades de melhorias e, assim, desenvolver os planos de melhorias e manter todas as partes alinhadas. Esse processo de auditoria é mais específico, pois: • Averigua as conformidades dos requisitos contratuais e legais do cliente junto ao fornecedor. • Comprova a segurança dos serviços oferecidos. 29 • Reduz os riscos de falhas nos processos, que podem resultar em não conformidades. • Potencializa a qualidade dos produtos e serviços. • Desenvolve uma relação de maior confiança entre as empresas. • Viabiliza as práticas, melhora as atividades desenvolvidas, entre outros. A auditoria de 2ª parte promove uma integração entre a cultura das organizações, com foco no atendimento efetivo do contrato estabelecido, aumento da qualidade e melhoria contínua, e estabelece o benchmarking (busca de melhores práticas), aumento da eficiência, captação e fidelização dos clientes, diferenciação da marca, minimização dos erros, aprimoramento na execução das operações, cumprimento das normas e regulamentações previstas, melhoria da percepção da visão do cliente e mercado, redução dos custos, entre outros benefícios. A auditoria de 2ª parte é uma ferramenta essencial para a qualificação de fornecedores. O interessante desse modelo de auditoria é que os pontos auditados possuem uma ligação muito forte com os requisitos do cliente, sendo muito mais específica. O processo de auditoria de segunda parte consiste na utilização da norma ou do procedimento específico daquele cliente, com um auditor com experiência e conhecimentos específicos daquele tipo de processo. Assim, no processo de auditoria, são focados os pontos de preocupação e as melhorias que são julgadas necessárias e ajudam a organização durante o processo de auditoria evoluir ou até a padronizar seus processos conforme a cultura daquele cliente. As auditorias de 2ª parte aumentam a força de sua cadeia de suprimentos. Dessa forma, o processo de auditoria ajuda a organização a encontrar e corrigir problemas antes que afetem o cliente ou 30 usuário final, evitando o risco de recall de produtos, falhas de serviço ou problemas de conformidade regulatória e diretivas nacionais e internacionais. Apesar de a auditoria de 2ª parte fortalecer a cadeia de suprimentos, sua implementação nem sempre é realizada nas organizações, pois as limitações em termos de recursos internos, por exemplo, possuir em seu quadro de colaboradores auditores específicos para auditar sua cadeia de suprimentos e supervisionar fornecedores e fábricas, tornam-se uma tarefa difícil e demorada quando se trata de locais localizados em todo o mundo. Devido a estas limitações, muitas organizações optam por terceirizareste serviço para empresas com auditores especialistas, assim, a organização se dedica a outras tarefas e não perde a transparência em seus processos, a qualidade e a confiabilidade de seu produto ou serviço. Ainda, vale ressaltar que o processo de auditoria de 2ª pode acontecer mesmo que a empresa já tenha sido certificada. 1.3 Auditoria de 3ª parte As auditorias de 3ª parte também são conhecidas como auditorias de certificação e são conduzidas por organizações de auditorias externas independentes, fornecendo certificação de conformidade, de acordo com os requisitos da ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade). Conforme a ISO/IEC 17021-1 (Avaliação da conformidade–Requisitos para organismos que fornecem auditoria e certificação de sistemas de gestão), a definição de auditoria certificação é “realizada por uma organização de auditoria independente do cliente e das partes interessadas na certificação, para fins de certificação do sistema de gestão do cliente” (ABNT, 2016, p. 12). 31 Desta forma, a auditoria de 3ª parte é um processo para que a organização obtenha sua certificação ou a recertificação do sistema de gestão da organização, assim, ela determinará se o sistema de gestão foi estabelecido, documentado, implementado e mantido de acordo com uma norma estabelecida. De acordo com a ISO/IEC 17021-1 (ABNT, 2016), a certificação de um sistema de gestão fornece demonstração independente e informa se o sistema de gestão da organização: • Está em conformidade com os requisitos específicos. • É capaz de atingir de forma consistente a sua política e os objetivos declarados. • Está efetivamente implementado. Essa norma ainda mostra que: A auditoria de terceira parte tem como objetivo proporcionar confiança a todas as partes que um sistema de gestão atende a requisitos específicos. O valor da certificação é o grau de confiança pública estabelecido por meio de uma avaliação competente e imparcial. (ABNT, 2016, p. 14-15) Então, para a organização participar desse processo de auditoria, ela deve contratar um organismo de certificação credenciado independente. E é importante lembrar que este processo deve ser realizado por pessoas que não pertencem à organização, e sim aos organismos de certificação credenciados independentes. Desta forma, os auditores que participam desse processo de auditoria possuem uma certificação, demostrando que eles são aptos para esse processo. Os auditores que possuem essa certificação são capacitados para realizar o planejamento e a programação da auditoria, como também a condução e o relato de auditorias em sistemas de gestão da qualidade 32 baseados nos requisitos da norma ABNT NBR ISO 9001 em vigor; avaliar a eficácia de sistemas de gestão da qualidade; coordenar as atividades de uma equipe auditora; entender e acompanhar ações decorrentes de auditorias em sistemas de gestão da qualidade. Para receber essa certificação, os auditores passam por diversas avaliações durante sua formação, além de um exame escrito. Isso traz uma maior confiabilidade no processo de auditoria de 3ª parte. 2. Sistemas Integrado de Gestão (SIG) O Sistema Integrado de Gestão (SIG) pode ser definido como: A combinação de processos, procedimentos e práticas utilizados em uma organização para implementar suas políticas de gestão e que pode ser mais eficiente na consecução dos objetivos oriundos delas do que quando há diversos sistemas individuais se sobrepondo. (DE CICCO, 2010, p. 1) O SIG é um meio para aperfeiçoar a eficiência de uma organização, visto que os sistemas de gestão possuem muitas partes análogas e, através desse sistema, a empresa reduzirá a manutenção de diferentes estruturas de controle de documentos, auditorias e registros. Desta forma, há grandes vantagens para as organizações que realizam a integração dos seus sistemas de gestão, pois reduzem a duplicação de procedimentos e, consequentemente, os custos; reduzem os riscos e aumentam a lucratividade; trabalham no balanceamento dos objetivos conflitantes de cada sistema de gestão; eliminam responsabilidades e relações conflitantes, tirando as barreiras entre setores; descentralizam o sistema de poder; colocam o foco nos objetivos da organização, e não nos setores; formalizam sistemas informais; harmonizam e aperfeiçoam as práticas utilizadas na organização; melhoram a comunicação e há uma maior facilidade no processo de treinamento e desenvolvimento dos colaboradores. 33 As empresas que buscam aplicar esse sistema integrado devem prover melhorias e redirecionar estratégias e metas, estimulando todos os membros envolvidos na integração, como também melhorar a relação com as partes interessadas e acompanhar os resultados da implementação. Corrêa mostra que: Um Sistema Integrado de Gestão (SIG) é um sistema que organiza, compatibiliza, correlaciona, equilibra e unifica judiciosamente todos os meios, critérios e recursos, tangíveis e intangíveis, para que a organização materialize suas políticas, atinja seus objetivos de melhoria e aprenda continuamente, de forma sistêmica, nas dimensões que perfazem esse Sistema Integrado. (CORRÊA, 2004, p. 92) Existem diversas formas de implantação de SIG, conforme Bonato e Caten (2015, p. 1): Sistemas Paralelos: Os sistemas são separados e, para suas diferentes especificidades, apenas os formatos quanto à numeração, terminologia e organização são semelhantes. Nessa proposta, a organização terá dois ou três representantes da administração, programas de treinamento, conjuntos de documentos, programas de controle de documentos e dados, instruções de trabalho, sistemas de gestão de registros e de calibração, programas de auditoria interna, controles de procedimentos para não conformidades e de ações corretiva e preventiva e reuniões para análise crítica pela administração, todos executados separadamente. Sistemas Fundidos: Neste caso há o compartilhamento de algumas partes dos sistemas de gestão relacionadas com procedimentos e processos, porém continuam sendo sistemas separados em várias outras áreas. O grau de integração, em geral, dependerá da própria organização. Alguns processos podem ser comuns aos sistemas, como sistema de registros de programas de treinamento, programa de controle de documentos e dados, sistemas de calibração e de gestão de registros. Dentre outros itens, a organização continuará tendo dois 34 ou três representantes da administração, programas de treinamento, conjuntos de documentos, programas de auditoria interna, controles de procedimentos para não conformidades, de ações corretiva e preventiva, bem como reuniões para análise crítica pela administração. Nesse nível de integração, a organização já se encontra caminhando em direção a uma proposta mais eficiente e menos redundante. Sistemas Totalmente Integrados: A proposta do SIG envolve um sistema de gestão homogêneo. Todos os elementos dos sistemas de gestão são comuns, ou seja, há apenas um conjunto de documentos, política abrangendo os diferentes requisitos, representante da administração, sistema de gestão de registros e de treinamentos, sistema de controle de documentos e dados, conjunto de instruções de trabalho, sistema de calibração de equipamentos, programa de auditoria interna (incluindo uma única equipe de auditores qualificados), plano de reação às não conformidades específicas, programa de ações corretivas e preventivas, sistema de gestão de registros e reunião para análise crítica pela administração. Os elementos relativos aos requisitos de cada uma das normas que não forem comuns tornam-se procedimentos independentes. (BONATO; CATEN, 2015, p. 1) Uma organização que trabalha com integração dos sistemas da qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, responsabilidade social consegue diversos benefícios, devido aos seguintes pontos: • Semelhanças entre os sistemas: embora o objetivo seja diferente de cada sistema, suas abordagens para conformidade são alinhadas. • Simplificaçãode sistemas: apenas um procedimento para ser seguido e para a realização de treinamento, ao invés de múltiplos documentos, às vezes conflitantes, de diferentes sistemas de gestão. 35 • Otimização de recursos: um sistema que atenda aos requisitos dos sistemas minimizam os recursos necessários para desenvolver, implementar e manter sistemas separados. • Melhoria do desempenho organizacional: um único sistema que identifica possíveis oportunidades, problemas, riscos ou perigos e pode reduzir ou eliminar reclamações de clientes, não conformidades de produtos, acidentes e doenças ocupacionais ou incidentes ambientais. • Integração dos objetivos dos sistemas: essa integração elimina a ideia de que os sistemas são partes separadas ou pouco importantes da empresa. • Estabelecimento de uma estrutura para melhoria contínua dos sistemas. • A alta direção estabelece metas e objetivos para os sistemas e faz uma análise crítica em intervalos regulares, para garantir que esteja havendo progresso. Também são vistas as oportunidades de melhoria. Há também limitações no processo de integração nas organizações, por exemplo, quando trabalhamos em organizações que possuem: • Processos burocráticos: procedimentos longos e complexos. • Briga de interesse: profissionais de sistemas diferentes que relutam em anexar requisitos diferentes dos seus. Portanto, conforme visto neste tópico, o SIG é essencial para integrar diversas informações, organizar as operações e proporcionar melhores tomadas de decisões e gerenciamento da organização. Assim, apesar de ser possível integrar os sistemas, é necessário consultar um especialista para garantir que os requisitos regulamentares sejam identificados, atendidos e continuamente melhorados. 36 3. Auditoria de sistema integrado Uma organização com a cultura do sistema de gestão integrado mostra comprometimento na melhoria do desempenho, trazendo rentabilidade e aumentando a satisfação dos funcionários e clientes. Embora não exista uma certificação específica para um SIG, é possível aplicar a auditoria integrada nos sistemas de gestão da organização, para que as avaliações integralizadas destes sistemas sejam realizadas. Boa parte das organizações que trabalham com o SIG une os seguintes sistemas de gestão: Gestão da Qualidade, Meio Ambiente, Segurança e Saúde Ocupacional, Responsabilidade Social, baseados, respectivamente, nas normas ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001 e ISO 16001. Esse processo acontece porque a estrutura da norma ISO 9001 é exatamente a mesma estrutura da ISO 14001 e absolutamente compatível com a norma ISO 45001 e a ISO 16001. O SIG trabalha com todos os elementos das normas, mas respeita e assegura o cumprimento dos requisitos específicos e particulares de cada sistema independente. Desta forma, o processo dele é interessante para a organização, pois cumpre com o que foi estabelecido nas normas e promove melhores resultados. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001/2015. Sistema de Gestão da Qualidade. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 19011/2018. Diretrizes para Auditoria de Sistemas de Gestão. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2018. 37 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉNICAS. NBR ISO/IEC 17021-1. Avaliação da conformidade–Requisitos para organismos que fornecem auditoria e certificação de sistemas de gestão. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2016. BONATO, S. V.; CATEN, C. S. T. Diagnóstico da integração dos sistemas de gestão ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001. Prod., v. 25, n. 3, jul.-set. 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/prod/a/6sp3c6NZJmCk3MVbwckb6SF/?lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2021. CORRÊA, A. A. Avaliação de um sistema integrado de gestão: um estudo na indústria automotiva. 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia) -Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004. DE CICCO, F. Sistemas integrados de gestão: agregando valor aos sistemas ISO 9000. São Paulo, SP: QSP, 2010. JEFFRIES, D. R.; EVANS, B.; REYNOLDS, P. Formar para a Gestão da Qualidade Total TQM. Lisboa: Edição MONITOR, 1992. MILLS, C. A auditoria da qualidade: uma ferramenta para avaliação constante e sistemática da manutenção da qualidade. 5. ed. São Paulo, SP: Makron Books, 1994. SILVA, A. C. da; COSTA, S. R. R. da. Efetividade das auditorias da qualidade realizadas por montadoras em indústrias de autopeças. Revista Gestão Industrial, v. 9, p. 254-285, 2013. https://www.scielo.br/j/prod/a/6sp3c6NZJmCk3MVbwckb6SF/?lang=pt 38 Processos de auditoria: do planejamento às visitas de supervisão Autoria: Jéssica Naihara Nunes Bueno Leitura crítica: Laissa Silva Ribeiro Objetivos • Entender o programa de auditoria. • Apresentar as atividades típicas de auditoria. • Orientar o planejamento e a gerência das atividades de auditoria. 39 1. O programa de auditoria As organizações certificadas pela ISO 9001 passam, normalmente, por dois estágios de auditorias que podem ser realizados no mesmo dia. O primeiro estágio é conhecido como auditoria de “documentação”, e o segundo estágio, como auditoria de “conformidade”. O estágio de auditoria de “documentação” consiste em uma avaliação sobre a disponibilidade completa do sistema organizacional, com o objetivo de analisar os seguintes pontos: • A validação dos documentos da organização e o escopo do sistema de gestão da qualidade, ou seja, verifica se a documentação está em conformidade com os requisitos solicitados e se os objetivos do sistema estão sendo cumpridos. • A identificação dos requisitos legais estatutários e regulamentares referentes à organização, visto que é importante analisar além do que foi exigido em normas. • A política e os objetivos da organização, pois isso faz com que a auditoria conheça os objetivos e planejamentos de curto e longo prazo. • Os procedimentos obrigatórios e outros processos realizados conforme as necessidades de cada organização. • As auditorias internas que já foram realizadas, analisando os pontos considerados como ameaças e as oportunidades de melhorias. • Os procedimentos de análise crítica da direção, em que se verifica o comprometimento da alta direção e sua visão no processo de auditoria. 40 Já o segundo estágio avalia a adequação à política da organização, verifica a conformidade com a norma e os procedimentos internos e analisa a eficácia para alcançar os objetivos, com o propósito de manter os controles operacionais e implementar os compromissos com a política da qualidade, demonstrando a conformidade de atender aos requisitos do cliente, como a busca da melhoria contínua. Logo, esse estágio representa uma auditoria completa do sistema, pois analisa todas as cláusulas da ISO 9001 para o objetivo, a implementação e a eficácia de todos os elementos do sistema de gestão da qualidade. De modo que, neste momento, duas questões-chave devem ser respondidas: • O sistema de gestão da qualidade está completo? • O sistema de gestão da qualidade está funcionando? Para que uma organização possa atingir a Certificação ISO, ambas as respostas devem ser positivas, caso contrário, a empresa não cumpre os requisitos mínimos. Uma forma de auxiliar este processo é através de pré-auditorias, pois trazem valor para as organizações, mesmo não sendo obrigatórias. Elas atuam na preparação da empresa para receber as auditorias de documentação e conformidade, além de familiarizar a organização com os processos auditados e verificar todos os requisitos da ISO 9001. Além das auditorias de primeiro e segundo estágio, após a certificação, a organização receberá auditorias de manutenção, que monitoram a implementação contínua do sistema de gestão da qualidade. As auditorias de manutenção são realizadas, pelo menos, uma vez por ano e, muitas vezes, a cada seis meses. Esse processo de auditoria cobre todas as áreas/processos ao longo de um período de três anos, quando é realizada a auditoria de recertificação. 41O plano de auditoria deve ser baseado nos resultados de auditorias anteriores e na importância dos processos, considerando as auditorias internas. Algumas questões são essenciais para esse processo, como: • A política está sendo alcançada? • A conformidade está sendo bem gerenciada? • Há progresso das atividades planejadas e melhoria contínua? • A auditoria interna e as ações corretivas são eficazes? • Há um compromisso contínuo de contínuo de gestão? Após conhecer as etapas do processo, é importante que a organização saiba sobre as atividades estabelecidas pelas auditorias e os benefícios gerados, para obter melhores resultados e agregar valores a ela. Esses benefícios foram bem aceitos no contexto brasileiro, como pode ser observado pela descrição de Santos (2007) sobre o início do progresso da certificação no Brasil, conforme as normas ISO série 9000: Pode-se dizer que a década de 1990 foi decisiva para as normas ISO no Brasil. Até meados de 1992, não eram sequer muito conhecidas no meio organizacional brasileiro, muito menos aplicadas. Já em 1994 em torno de 30% das indústrias já as tinham implantado ou tinham essa intenção. A série de normas ISO 9000 surgiu em 1987, baseadas em normas Revista Gestão Industrial 256 militares estadunidenses e britânicas, passando por uma revisão em 1997 cujo destaque era os requisitos mais abrangentes para a Garantia da Qualidade. (SANTOS, 2007, p. 36) As normas ISO série 9000 tornaram-se referência básica para sistemas de gerenciamento da qualidade em todo o mundo, e todo esse processo depende, principalmente, de um resultado positivo em uma auditoria. 42 2. As atividades de auditoria As auditorias são constituídas de atividades que abrangem quatro fases: a preparação inicial, o planejamento detalhado, o relatório de não conformidades e as visitas de acompanhamento e supervisão, as quais serão abordadas posteriormente. O líder da equipe de auditoria designado deve assegurar que a organização a ser auditada seja contatada, como também deve conhecer os objetivos, o escopo e os critérios para determinar a viabilidade e selecionar a equipe que realizará a auditoria. Nesse processo, será realizada a análise crítica dos documentos pertinentes do sistema de gestão da organização, a fim de obter informações para preparar as atividades da auditoria e os documentos de trabalho aplicáveis. Esse processo é importante para estabelecer uma visão da abrangência da documentação do sistema, detectando possíveis lacunas. É importante que estes documentos incluam os registros e os arquivos do sistema de gestão, bem como os relatórios de auditorias anteriores. Na análise crítica documental, o líder da auditoria deve levar em conta o tamanho, a natureza e a complexidade da organização e do sistema de gestão do auditado, assim como o escopo e os objetivos da auditoria. O líder auditor, na preparação do plano da auditoria, deve estar consciente dos seguintes pontos: • As técnicas apropriadas de amostragem. • A composição da equipe de auditoria e as competências coletivas. • Os riscos durante a auditoria. 43 Durante a auditoria, pode haver guias e observadores para acompanhar a equipe, contanto que não causem influências ou interferências. Suas responsabilidades incluem os seguintes pontos: • Apoiar os auditores na identificação de pessoas para participar das entrevistas e confirmar os horários. • Providenciar os acessos aos locais específicos do auditado. • Assegurar que regras relativas à segurança no local e aos procedimentos de segurança sejam conhecidas e respeitadas pelos membros da equipe auditora e pelos observadores. O guia também pode testemunhar a auditoria em nome do auditado e fornecer esclarecimento ou ajuda na coleta de informações. O plano de auditoria deve ser analisado criticamente e aceito por ambas as partes. Quaisquer objeções pelo auditado sobre este plano serão solucionadas entre o líder da equipe da auditoria, o auditado e o cliente da auditoria. Para iniciar um processo de auditoria, é realizada uma reunião de abertura para confirmar o acordo de todas as partes (auditado e equipe auditora) em relação ao plano de auditoria e realizar a apresentação da equipe auditora, com o objetivo de assegurar que todas as atividades planejadas sejam concretizadas. Assim, essa reunião é realizada com a direção do auditado e, se possível, com os responsáveis pelas funções ou pelos processos a serem auditados. Conforme a ISO 19011 (ABNT, 2018), veja, na Figura 1, uma visão geral das atividades executadas em uma auditoria típica e os passos a serem considerados. Porém, a sequência pode variar, dependendo do auditado, dos processos e das circunstâncias especificas da auditoria. 44 Figura 1 - Visão geral das atividades de auditoria Fonte: ISO 19011 (ABNT, 2018, p. 29). Assim, temos as seguintes atividades: • Fonte de informação: as informações devem fornecer ao auditor uma evidência objetiva para demonstrar o atendimento ao requisito auditado. Para isso, a informação deve chegar ao auditor 45 completa, correta, coerente e atual. Importante salientar que o auditor deve tomar cuidado com a segurança das informações da organização auditada, devido às regulamentações aplicáveis à proteção de dados. • Coletando por meio de amostragem apropriada: o processo de amostragem é bem difundido nas organizações que praticam inspeções de qualidade por se tratar de um procedimento menos oneroso à organização em relação a examinar, por exemplo, todas as informações da organização, que chamamos de população. Dessa maneira, o objetivo da amostragem é que a quantidade de amostra coletada seja representativa da população, ou seja, a amostra deve fornecer informação para que o auditor tenha confiança de que os objetivos da auditoria serão alcançados. A escolha do método de amostragem é um passo importante neste processo, podendo ser com base em julgamento ou estatística. • Amostragem com base de julgamento: pode considerar as experiências em auditores anteriores, complexidade do requisito e interação dos processos, grau de mudança em tecnologia, fator humano ou sistema de gestão, riscos e oportunidades identificados previamente e saída de monitoramento de sistemas de gestão. • Amostragem estatística: a seleção da amostra é baseada na teoria da probabilidade, podendo ser por atributos ou por variáveis: • Atributos: utilizada, por exemplo, quando a classificação é aprovada ou reprovada. Quando se trata de uma amostragem por atributos, o auditor pode utilizar a ABNT NBR 5427 para estabelecer o seu plano de amostragem. • Variáveis: utilizada, por exemplo, quando a característica é uma unidade, tais como peso e metros. Para esse tipo 46 de amostragem, a norma correta de referência é a ABNT NBR 5429, para estabelecer o seu plano de amostragem. O plano de amostragem pode sofrer alteração devido ao contexto, ao tamanho, à natureza e à complexidade da organização, como também ao número de auditores competentes, à frequência de auditorias, ao tempo de auditoria, ao nível de confiança requerido e à ocorrência de eventos indesejáveis e/ou inesperados. Quando utilizado um processo de amostragem, convém ao auditor informar e documentar o modelo adotado. • Evidência de auditoria: as informações coletadas nos processos de auditoria que serão utilizadas pelo auditor para chegar às conclusões que fundamentam a sua opinião são as evidências de auditoria. É importante a qualidade dessas evidências, pois elas suportarão as conclusões em que se fundamenta a opinião do auditor. Os membros da equipe de auditoria devem coletar e analisar criticamente as informações pertinentes às suas tarefas e confeccionar os documentos necessários, incluindo os registros adquiridos na auditoria. Normalmente, são utilizadas listas de verificações, planos de amostragem de auditoria e formulários para registro de informação, tais como evidências de suporte, constatações da auditoriae registros de reuniões. • Avaliando em relação aos critérios de auditoria: as evidências da auditoria serão comparadas com os requisitos da organização, sendo as normas, os procedimentos, as regras estatutárias e os regulamentos. • Constatações de auditoria: as evidências da auditoria serão avaliadas de acordo com os critérios adotados, a fim de determinar as constatações que podem indicar tanto as conformidades quanto as não conformidades. Ressalta-se que todas as análises das evidências devem ser apresentadas ao auditado, para deixá-lo ciente dos requisitos que não foram atendidos durante a auditoria. 47 • Analisando criticamente: ocorre antes da reunião de encerramento com o auditado. A equipe auditora deve: • Analisar criticamente as constatações da auditoria e quaisquer outras informações coletadas, de acordo com os seus objetivos. • Acordar quanto às conclusões da auditoria, levando em conta as incertezas inerentes ao processo de auditoria. • Preparar as recomendações, especificando-se pelo plano de auditoria. • Discutir sobre a auditoria de acompanhamento, se aplicável. • Conclusões de auditoria: acontece durante a reunião de encerramento, quando o líder da equipe de auditoria apresenta as constatações e conclusões e alerta o auditado sobre situações organizacionais encontradas. Qualquer opinião divergente relativa às conclusões ou constatações da auditoria entre a equipe da auditoria e o auditado deve ser discutida e, se possível, resolvida. O líder da auditoria especificar os objetivos da auditoria e apresentar recomendações para melhorias, mesmo não sendo obrigatórias. A equipe de auditoria deve se comunicar periodicamente durante o processo, para trocar informações e avaliar o progresso da auditoria, redistribuindo o trabalho entre os membros da equipe, conforme necessário. O progresso da auditoria também deve ser informado ao auditado e ao cliente da auditoria, além de quaisquer outras questões pertinentes. 48 O líder de equipe da auditoria é responsável pela produção do relatório de auditoria dentro de um período acordado. Este relatório fornecerá um registro completo, preciso, conciso e claro, incluindo os seguintes pontos: • Os objetivos da auditoria. • O escopo da auditoria, particularmente, a identificação das unidades organizacionais e funcionais ou os processos auditados. • Identificação do cliente da auditoria. • Identificação da equipe da auditoria e dos participantes do auditado na auditoria. • As datas e os locais onde as atividades da auditoria foram realizadas. • Os critérios da auditoria. • As constatações da auditoria e as evidências relacionadas. • As conclusões da auditoria. • Uma declaração sobre o grau no qual os critérios de auditoria foram atendidos. O relatório da auditoria deve ser distribuído às pessoas conforme definido nos procedimentos de auditoria ou no plano de auditoria. E quando todas as atividades que foram planejadas forem finalizadas, a auditoria estará concluída. A Figura 2 apresenta um resumo dos principais termos relativos ao tema auditoria, elaborado por Karapetrovic e Willborn (2002). 49 Figura 2 - Diagrama conceitual sobre auditoria Fonte: Karapetrovic e Willborn (2002, p. 286). 50 Como podemos ver na Figura 2, dependendo dos objetivos da auditoria, a conclusão pode indicar as necessidades ações corretivas/preventivas. A organização auditada tem a responsabilidade de estabelecer quais são as ações a serem implantadas com relação às não conformidades detectadas na auditoria, e implementá-las. Assim, é necessário um acompanhamento das ações corretivas ou preventivas, cujo objetivo é eliminar as causas das não conformidades encontradas na auditoria. Russell (2007) apresenta um modelo, conforme Figura 3, destacando a necessidade de um follow-up, ou seja, acompanhamento. Figura 3 | Necessidade de follow-up no processo de auditoria Fonte: Russell (2007, p. 3). Para cada ação planejada pela organização, deve ser analisada a forma de implementação e a sua eficácia após finalização. Sendo assim, o processo de acompanhamento pode ser feito nas auditorias de acompanhamento e é importante para que as ações tragam melhorias contínuas na organização. Dependendo das circunstâncias e da natureza das ações, estas auditorias são efetuadas por meio de visitas ou através de evidências 51 enviadas via correio eletrônico. Após a constatação de que a ação foi implementada, o auditor deve emitir um relatório de acompanhamento (final) da auditoria. E é importante salientar que para toda ação deve ser estipulado um tempo de finalização, que será acordado entre o auditado e o auditor responsável pela auditoria. Para que o processo de auditoria seja considerado efetivo, são necessários cinco fatores: • Adequação: que alcance os objetivos pré-estabelecidos dentro de um escopo definido, que seja adequado à situação e à resposta necessárias no momento de sua realização. • Confiabilidade: que não falhe no cumprimento de sua função e produza resultados e achados confiáveis e relevantes para a melhoria contínua. • Disponibilidade: que a auditoria possa ocorrer quando necessária, conforme planejamento prévio ou atendimento de uma prioridade não planejada. • Manutenabilidade: que se pode manter, capaz de voltar imediatamente à operação após detecção de uma falha grave na condução da auditoria ou do processo auditado. • Validade: que traga satisfação e adicione valor às partes interessadas. Observa-se que cada etapa traz para o processo da organização um processo de melhoria contínua e, com sua finalização, consideramos que o processo de auditoria obteve sucesso. 52 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 19011/2018. Diretrizes para Auditoria de Sistemas de Gestão. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2018. KARAPETROVIC, S.; WILLBORN, W. Self-audit of process performance. International Journal of Quality and Reliability Management, v. 19, n. 1, p. 24-45, 2002. SANTOS, S. B. Certificação ISO 9001/2000: uma avaliação sobre o processo de implementação no IV Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. 2007. Dissertação (Mestrado em Gestão e Estratégia) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2007. RUSSELL, J. P. The Internal Auditing Pocket Guide: preparing, performing, reporting and follow-up. 2. ed. Milwaukee: ASQ Quality Press, 2007. 53 A NBR ISO 19011:2018 e as diretrizes para auditoria de sistemas de gestão Autoria: Jéssica Naihara Nunes Bueno Leitura crítica: Laissa Silva Ribeiro Objetivos • Apresentar a NBR ISO 19011:2018. • Entender as diretrizes para auditoria conforme a NBR ISO 19011:2018. 54 1. NBR ISO 19011:2018 NBR é a abreviação de Norma Brasileira, sendo um conjunto de normas e diretrizes técnicas, com o objetivo de padronizar processos de produção de produtos e serviços no Brasil. Desta forma, a NBR traz para as organizações brasileiras um aumento de rentabilidade, qualidade e competitividade no mercado. Por este motivo, as normas devem ser sempre atualizadas, revisadas e republicadas para acompanhar as mudanças de mercado. As NBRs são desenvolvidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), fundada em 28 de setembro de 1940, reconhecida pelo Governo Federal e que não tem fins lucrativos. Elas são elaboradas de maneira neutra, objetiva e tecnológica, desde as fases de projeto e pesquisa até a entrega para o consumidor. A maior parte das NBRs publicadas não é obrigatória quanto à sua utilização nas organizações, visto que não foram elaboradas pelo governo ou por algum poder público. Porém, devido ao seu impacto positivo no mercado, há leis brasileiras e regulamentadoras que obrigam que as empresas cumpram determinadas normas. Então, nesse caso, parte delas tem cumprimento obrigatório. As normas não obrigatórias são chamadas de normas voluntárias e, mesmo não sendo obrigatórias, são utilizadas, pois as organizações entendem