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@medvet.ab Introdução ------------------—------- 3 Colheita de amostras-------—---- 4 Eritograma ------------------—----- 14 Leucograma------------------—---- 27 Plaquetas ---------------------—---- 32 Hemostasia ------------------—---- 34 Interpretação de hemograma 41 Urinalise —————————- 56 Bioquimica———————— 65 O laboratório de análises clínicas é responsável por auxiliar o médico veterinário na detecção de patologias e condições fisiológicas atráves de exames com material biológicos (sangue, urina, fezes. bioquímico, fluido orgânicos). O laboratório clínico se divide em diversas áreas. Entre elas: - Hematologia: responsável pela análise clínica minuciosa dos componentes do sangue - Bioquímica: responsável pela análise dos componentes do sangue, urina, e fluidos orgânicos. - Imunologia: responsável pela análise de todos os corpos estranhos através das reações antígeno- anticorpo - Microbiologia: responsável pela detecção de bactérias, fungos e vírus. - Parasitologia: responsável pela decteção de parasitas nas fezes e no sangue - Urinálise: responsável pelos exames de urina e alguns fluidos orgânicos - Citologia: responsável pela estrutura, composição, fisiologia das células. O sangue é composto de uma parte líquida e outra celular. A parte líquida, denominada de plasma, é obtida após a centrifugação quando colhemos o sangue com anticoagulante, que contém o fibrinogênio. restam no soro as mais variedades solutos orgânicos, como minerais, enzimas, hormônios, etc. A parte líquida, denominada soro, é obtida após a centrifugação quando colhemos o sangue sem anticoagulante, o fibrinogênio coagula e Fase pré analítica: umas das fases mais importantes, a forma de coletar, forma de armazenar, e o momento da coleta dependendo de como o paciente esteja. Plasma vai ser visualizado no coletor que tem os anticoagulantes Soro vai ser visualizado no coletor que não tem os anticoagulantes No plasma encontramos fibrinogênio (tubo roxo) No soro não tem fibrinogênio, e o soro é a mesma coisa que o plasma, com a exceção que não tem fibrinogênio Para fixar: Plasma: tubo roxo têm o anti-coagulante - EDTA sua função é não permitir que a amostra coagule. A função do ativador de coágulos nos tubos vermelhos é acelerar a coagulação, já que precisa- se dessa amostra coagulada. Tubos vermelhos, que vem com a diferença na tampa, podendo ser amarelo e vermelho: tubo vermelho com a cor amarelo dentro significa dizer que vem o gel, e o mesmo já ajuda a separar o coágulo do soro. que irá processar o material . Algumas regras básicas são comuns em todas as amostras colhidas: identificação da amostra. O ideal para a medicna veterinária é que a amostra laboratorial seja colhida no mesmo local do seu processamento. Função do sangue: A principal função do sangue é o transporte de substâncias essenciais para a vida das células do corpo, como o oxigênio dióxido de carbono, nutrientes e hormônios, produtos oriundos do metabolismo, produtos indesejáveis ao organismo, os quais são levados aos órgãos de excreção. Uma colheita adequada devem seguir rigidamente os métodos preconizados pela técnica, bem como estarem condizentes com o procedimento do laboratório Outras análises laboratoriais: - Parasitologia: estuda o aparelho digestivo, e detecta a presença ou ausência de parasitasitismo, através das fezes. A urinálise deve ser solicitada no seguintes casos: Presença de sinais de doença renal, dor local, dificuldade de urinar, ou irregularidade na frequência de micções e/ou na quantidade de urina eliminada. Como exame de triagem nos internamentos, principalmente cirúrgico. Quando houver interesse em complementar o diagnóstico. - Citologia: estuda as análises da morfologia celular - Microbiologia: estuda bactérias e fungos - Sorologia: estuda o soro samguíneo, detectando seus componentes - Raspado cutâneo: estuda a presença de ectoparasitas - Pesquisa de hemoparasita: estuda a presença dos hemoparasitas através do sangue Urinálise: Estuda o sistema excretor através da análise de urina e seus componentes. O hemograma pode ser solicitado em vários casos: Procedimento de triagem Na busca de diagnóstico ou prodiagnóstico Para verificar a habilidade corporal as infecções Para monitoramento de progresso de certas doenças Executa a qualificação de substâncias presentes em fluídos, como o sangue (soro, plasma) urina, líquor, suor, saliva, através das anállises bioquímicas. A bioquímica é constituída por enzimas, que são proteínas. O estudo das enzimas tem imensa importância clínica. Em algumas doenças as atividades de certas enzimas são medidas, para acompanhar o quadro clínico e estabelecer um prognóstico. Bioquímica: Hemograma: As amostras não devem ficar em contato direto com o gelo, para evitar hemólise. Se houver indicação de manter a amostra congelada, deve ser utilizado seco no transporte. Uma vez que essa amostra é coletada e identificada, a amostra deverá ser enviada dentro de um pequeno intervalo de tempo para o laboratório. Lembrar de evitar o vazamento da amostra. As amostram devem ter sua composição e integridade mantidas durante as fases da coleta, manuseio, transporte, e armazenamento. A estabilidade depende de vários fatores, que incluem temperatura, carga mecânica e tempo. Na prática a amostra poderá ser a deslocada para o laboratório em caixas de isopor, com gelo reciclável para manter a temperatura entre 2°C a 8°C calçada por flocos de isopor, ou papel jornal. Estabilidade da amostra: HEPARINA - usado para bioquímico Importante etapa para a manuntenção de qualidade. Para a maioria dos exames laboratorias, o acondicionamento sobre refrigeração entre 2 a 8°C é o ideal. E outros exigem o refrigeramento da amostra até o momento da execução. Acondicionamento: Finalidade dos tubos coletores: EDTA - usado para hematologia COM CITRATO - usado para coagulação COM FLUORETO - dosagem de glicose e lactato Colher o sangue lentamente, correspondente a quantidade de anticoagulante contida no frasco de acondicionamento. Após completar o volume desejado, retirar a seringa; depois desfaz o garrote antes de remover a agulha e comprimir manualmente o local de punção com o algodão. Retirar a agulha e transferir o sangue colhido da seringa, com suave compressão do êmbolo para evitar hemólise, dentro do coletor Antes de iniciar a punção, deixar o álcool utilizado secar; evitar usar agulhas de menor calibre; não colher sangue de área com hematoma; conter o animal adequadamente proporcionando o mínimo de estresse, para obter-se um resultado hematológico representativo. Após a antissepsia introduzir através da veia por meio de um garrote manual com o bisel voltado para cima em um ângulo de 30°C; Colheita com a seringa e agulha : O soro poderá ser congelado a -20°C, podendo ficar armazenado até um mês, lembrando que deve separar o soro do coagulado; não deixar o sangue em contato direto com o gelo; só centrifugar a amostra após a retração do coágulo, não se usa freio nas centrífugas. Punção venosa da veia cefáfila: estéril contendo anticoagulante EDTA (2,0mh/ml de sangue) e/ou sem anticoagulante; Para previnir hemólise pós colheita: O sangue colhido não deve ficar exposto a temperatura elevada ou exposto a luminosidade, homogenizar a amostra de sangue com anticoagulante suavamente por inversão; o sangue total nunca deve ser congelado, se necessário estocar, deve manter o refrigerador em 2 a 8°C durante 24h. Punção venosa veia safena lateral: Punção venosa veia julgular: Introdução: O sangue é a porção líquida que circula rapidamente dentro de um sistema fechado de vasos denominados sistema circulatório. É constituído por um fluído no qual existe células em suspensão, moléculas e íons dissolvidos em água, apresentando propriedades das soluções coloidais. Componentes do sangue: O plasma é constituído de águas, sais minerais, compostos orgânicos Os elementos figurados são constituídos por hemácias, leucócitose plaquetas. Alterações: Funções dos eritrócitos: Os eritrócitos, hemácias ou glóbulos vermelhos são uma das células constituintes do sangue, tal como as plaquetas e glóbulos brancos. Respiração - os glóbulos vermelho do sangue transportam o O2 dos pulmões para os tecidos e CO2 dos diferentes tecidos aos pulmões. O O2 é transportado ligado a molécula de hemoglobina. Hematopoise: Significa formação das células do sangue. Abrange o estudo de todos os fenômenos relacionados com a origem, multiplicação e a maturação das células sanguíneas, a nível da medula óssea. A hematopoise se divide em dois períodos: - Período embrionário e fetal: Se inicia no primeiro mês de vida pré-natal, surgem as primeiras células, que são os eritoblastos primitivos. Na vida embrionária a hematopoise inicia-se no saco vitelino, estágio que há formação vascular. Na sexta semana têm início a hematopoise no fígado (o principal órgão hematopoiético nas etapas iniciais e intermediária da vida fetal). Na segunda metade de vida fetal a medula óssea torna- se cada vez mais importantes para a produção de células sanguíneas. - Período pós-natal: Logo após o nascimento, cessa a hematopoise no fígado e a medula óssea passa a ser o único local de produção de eritrócitos, granulócitos e plaquetas. As células-tronco e células progenitoras são mantidas na medula óssea. Os linfócitos B constituem a ser produzidas na medula e órgãos linfoides secundárias e os linfócitos T são produzidos no timo e órgãos linfoides secundários. Ao nascer o espaço medular total é ocupado pela medula vermelha, apenas parte desse espaço será necessário para a hematopoise, o espaço restante é ocupado pelas células da gordura. No animal adulto, os principais ossos envolvidos no processo são o esterno, o crânio, o ílio e as costelas e as extremidades de fêmur e do úmero. Para fixar: Feto: 0-2 meses: Saco vitelino 2-7 meses: fígado e baço 5-9 meses: medula óssea Lactantes: Praticamente em todos os ossos Adultos: Nas vértebras, costelas, crânio, esterno, sacro, pelve, extremidade proximal do fêmur. Medula óssea vermelha: É encontrado no interior dos ossos das costelas, nas vértebras, no esterno, nos ossos do crânio, e nas extremidades do fêmur e do úmero. As células do sangue são produzidas inicialmente pela medula. A medida que o animal cresce, a maior parte da medula vermelha passa a acumular gordura, parando de trabalhar e se transformando em medula amarela. Funcionalmente inativa. pode ser ativada novamente, no entanto na fase senil a medula óssea amarela é fibrosada e de difícil e vagarosa expansão. Em casos de necessidade ocorre a regeneração e a medula amarela passa a ser vermelha. Nestes casos, a hematopoise pode voltar a ser realizada pelo fígado, baço e linfonodos. Medula óssea amarela: Medula óssea vermelha e amarela: A atividade hematopoiética continua através da vida nos ossos chatos. A medula amarela, quando há demanda eritrocitária Eritropoise: A eritropoiese é o processo de produção e maturação de hemácias que ocorre na medula óssea em adultos normais e no baço ou fígado em fetos ou pacientes com anemias graves. É formada na medula óssea a partir de uma célula pluripotencial de origem mesenquimal chamada célula tronco ou célula mãe. Em seguida surge o rubriblasto a primeira célula morfologicamente reconhecível das células eritróides. A seguir seguem as divisões/maturações em que serão formado: - Pró-rubrícito - Rubrícito - Metarubrítico - Reticulócito - ERITRÓCITO Até a fase metarubrícito as células estarão na medula óssea, já na fase de reticulócito pode ser encontrado no sangue periférico em até 2%. Nas espécies equinas, bovinas, suínas e caprina, na fase dos reticulócitos não são encontrados no sangue em condições de normalidade. Morfologia dos eritrócitos: Macrocitose: predominância de hemácias grandes, geralmente jovens, recém- produzidas, presente em animais jovens. Microcitose: predominância de hemácias pequenas. Ocorre em anemias crônicas, principalmente ferropriva. 2. Forma: Normal - bicôncava 1. Tamanho: Normal - são células grandes em caninos, sendo que em caprinos apresentam a menor hemácia das espécies domésticas. Anisocitose: é a diferença de tamanho entre as hemácias. Quanto mais grave a anemia, maior a ocorrência. Esferócitos - Acantócitos - projeções irregulares e variadas. Ocorrem em cães com hiperbilirrubina. Esquisócitos - fragmentos irregulares das hemácias, ocorrem em falha renal, deficiência crônica de ferro. Leptócitos - aumento do diâmetro e redução na espessura. Anemia ferropriva. O mais comum é a aparência em alvo. Poiquilócitos: são alterações na forma das hemácias. Podem ser removidas prematuramente da circulação, levando a uma anemia hemolítica. Existem vários tipos de poiquilócitos. Formas da pioquilócitos: Equinócitos - são hemácias espiculadas com várias projeções regulares, ocorrem em amostras velhas, excesso de EDTA. 3. Coloração: Normal - vermelho claro ao microscópio Dacriócitos - hemácias em formas de gota, aparecem em mielafibrose. Crenação - hemácias em formas de engrenagem, comum em bovinos, artefato de técnica ou desidratação em outras espécies. Policromasia - algumas hemácias apresentam-se mais coradas que outras. A ocorrência em algumas células policromáticas é comum no cão e no gato. Corpúsculos de Heinz: estruturas redondas na membrana interna do eritrócito, devido a desnaturação exidativa da hemoglobina. Metarrubrícitos: eritrócitos imaturos nucleados, indicam anemia regenerativa Normal em felinos em até 50% e incomum em cães. Em uso de glicocorticoides. Corpúsculos de Howell- Jolly: inclusões esféricas de restos celulares. Consiste em uma resposta da medula óssea ao estado anêmico, uso de glicocorticoides em cães. Ponteado basofílico: hemácias que apresentam pequenos pontos basofílicos no citoplasma. Intoxicação, como por chumbo, nas animais em bovinos e ovinos. Parasitas: Reticulócitos: hemácias jovens, indicando resposta medular a anemia Rouleaux: hemácias empilhadas, ocorrência normal em equinos sadios. Desidratação ou inflamação nas demais espécies Parasitas podem ocorrer dentro dos eritrócitos ou na superfície da célula. Os mais comumente encontrados são Haemobartonella Felis, H. canis, Anaplasma Marginalis, Babesia equi, Babesia caballi, babesia canis, Eperythrozoon suis e cytauxzoon feliz. Haemobartonella - Cytauzxoon felis - Eperythrozoon suis - Microfilaria - Anaplasma marginalis - Babesia - Os leucócitos ou glóbulos brancos, são células produzidas na medula óssea que fazem parte do sangue juntamente com os eritrócitos e as plaquetas. Os leucócitos são produzidos na medula óssea a partir de uma célula pluripotencial, também chamada de célula tronco. Estão envolvidos no sistema de defesa do organismo contra doenças e infecções. Por meio da fagocitose, elas defendem os tecidos contra invasão de organismos ou substâncias estranhas, removendo também os restos resultantes da morte ou de ferimentos celulares. Classificação: São classificados como: Polimorfonucleares (granulócitos) Mononucleares (agranulócitos) Polimorfonucleares - granulócitos: São células comumentemente referidas como granulócitos porque contém grande número de grânulos citoplasmáticos. Três tipos de granulócitos: - Neutrófilos - Eosinófilos - Basófilos Monunucleares - agranulócitos: São classificados como linfócitos ou monócitos. Estas células não são destituídas de grânulos, mas certamente têm menor número de grânulos citoplasmáticos que os granulócitos. corpo e fagocitam bactérias e substâncias estranhas. Existe uma célula precursora do neutrófilo segementado, é o bastão. São chamados assim porque o seu núcleo não amadureceu completamente, embora seu citoplasma tenha características de células maduras. Em infecções bacterianas agudar pode-se encontrar um desvio a esquerda, ou seja, uma elevação do número de bastões. Neutrófilos: São conhecidos como polimorfonuclearese correspondem cerca de 50 a 70% das células circulantes. Possuem grânulos citoplasmático pequenos corados em púrpura - avermelhado; são capazes de deixar os vasos sanguíneos e entrar em tecidos, onde protegem o Compreendem menos de 1% do total de leucócitos. São distinguidos pelos grânulos azul escuro específico proeminentes que contém histaminas, heparina e outros componentes. O núcleo está usualmente obscurecido pela densidade dos grânulos, estão associados a processos alérgicos. Eosinófilos: Correspondem a 2-5% do total de leucócitos, são comuns na mucosa intestinal, são distinguíveis pelos seus grânulos acidofilicos (vermelho/laranja) contendo um componente conhecido como a proteína básica de parasitas, o núcleo tem usualmente apenas 2 a 3 lobos. A função desse tipo de granulócitos e estão associadas com a resposta alérgica e defesa contra parasitas. Basófilos: tornam macrófagos tissulares, os quais são responsáveis pela remoção de "debris" assim como pela defesa contra certos tipos de invasores. Monócitos: São as maiores células vistas no esfregaço sanguíneo, constituem 5 a 8% dos leucócitos, seu núcleo não é multilobular como os granulócitos, mas podem ter forma de U com cromatina reticular. O citoplasma dos monócitos contém numerosos grânulos lisossomais os quais dão a ele uma aparência acinzentada de vidro fosco. São as formas imaturas que circulam no sangue, chegando nos tecidos sofrem diferenciação tecidual originando os macrófagos. Saem eventualmente da corrente sanguínea e se Linfócitos: é uma célula arredondada ou ovulada com um núcleo oval ou que ocupa a maior parte da célula. O nucléolo pode estar presente mas a cromatina densa impede a distinção. Possui um diâmetro de 6 a 16 micrômetros, normalmente são menores que os monócitos, os linfócitos desempenham inúmeros papéis na resposta imune adequada Plaquetas sanguíneas ou trombócitos é um fragmento citoplasmático de células conhecidas como megacariócitos anucleadas, presente no sangue que é formado na medula óssea. A sua principal função é a formação de coágulos, participando portanto do processo de coagulação sanguínea. São células bem menores que as demais células. Características: As plaquetas são formadas na medula óssea a partir da célula pluripotencial que vai dar origem a linha de megacariocítica. A primeira célula da linha dos megacariócitos é o megacarioblastos que vai formar o pró-megacariócito e megacariótico. As plaquetas são simplesmente pequenos fragmentos do citoplasma do megacariócito liberados na corrente sanguínea. O citoplasma do megacariócito é formado por longos pseudopodes que liberam as plaquetas que são observadas como pequenos discos com grânulos vermelhos com 2 a 5 um de diâmetro na circulação sanguínea. Cada megacariótico pode formar de 2 a 3 mil plaquetas, após a estimulação as plaquetas aparecem entre 3 e 5 dias, e são controladas pela trombopoetina e também pela eritropoetina, possuem uma vida média em torno de 8 dias. Função das plaquetas ou trombócitos: - Coagulação sanguínea: é promovida pelas plaquetas. Todas as células sanguíneas são produzidas medula óssea ao mesmo tempo e o tempo todo ! A hemostasia é o mecanismo que mantém a fluidez do sangue pelos vasos. Inclui o controle da hemorragia e a dissolução do coágulo, ou seja, é o processo no qual o organismo mantém o sangue fluído, solidificando-o quando existe lesão. Fatores envolvidos: - Vasos sanguíneos - Plaquetas - Fatores pró-coagulantes plasmáticos - Agentes fibrinolíticos Didaticamente pode-se dividir a hemostasia em: primária, secundária e terciária, embora os três processos estejam inter- relacionados. Hemostasia primária: A hemostasia primária, tem-se vasoconstrição local, adesão de um tempão plaquetário inicial. Por agregação inicial. Por agregação plaquetária entende-se a fixação de uma plaqueta em outra e por adesão entende-se a fixação de uma plaqueta no vaso sanguíneo. Hemostasia secundária: A hemostasia secundária compreende uma série de reações em cascata de coagulação, cujo resultado final é a formação de fibrina a partir do fibrinogênio que confere estabilidade ao coágulo. Existe um conjunto de proteínas que atuam na coagulação, chamadas de (fatores de coagulação) Cascata de coagulaçõa: Ela é formada pelos fatores de coagulação. Basicamente um fator de coagulação é uma proteína que ativa um outro fator que estava inativo, e este novo fator ativado irá ativar um próximo e assim sucessivamente. Formando uma cascata onde um fator ativa o próximo até o resultado final que é a formação de fibrina. Os fatores de coagulação são ativados por exposição a tromboplastina tecidual, expressada na superfície das células endoteliais ou fibroblastos extravasculares. Logo após a ativação inicial, os fatores vão se ativando sequencialmente e amplificando o estímulo inicial por feedback. A cascata de coagulação tradicionalmente se divide em sistema intrínseco, extrínseco e comum. Hemostasia terciária: A hemostasia terciária ou fibrinólise é ativada na mesma ocasião da coagulação, existindo um equilíbrio fisiológico entre as mesmas. Onde a plasmina atua localmente no interior do coágulo degradando a fibrina e desfazendo o coágulo formado, que é imediatamente removida da circulação por líquidos orgânicos sistêmicos. Os produtos de degradação da fibrina, formados pela ação da plasmina sobre a fibrina são normalmente removidas pelos macrófagos. Importante: Hemostasia - coagulação, processo inflamatório, e fibrinólise são processos sequenciais. Inicia-se desde o momento de uma lesão vascular. Finalizando com uma regenaração (reparação) tecidual. Testes laboratoriais mais usados para desordens hemostáticas: A avaliação para desordens hemostáticas depende de uma história clínica detalhada e bom exame físico. Na história clínica deve-se destacar história de sangramento, trauma e cirurgia e levar em consideração a idade, sexo terapia com drogas. No exame físico deve-se observar a natureza do sangramento (tipo de hemorragia). Contagem de plaquetas: É a avaliação quantitativa das plaquetas. Valor acima da referência da espécie confere uma trombocitose e valores abaixo, uma trombocitopenia. A amostra deve ser coletada de forma não traumática, pois o trauma pode causar a ativação plaquetária, com formação de agregadas que podem falsamente diminuir o número de plaquetas. Requer amostra EDTA, a avaliação da morfologia das plaquetas também deve ser feita, a presença de macroplaquetas ou agregados plaquetários exerce influência sobre a contagem e função plaquetária e por isso devem ser descritos no laudo. Teste de função plaquetária (tempo de sangramento na mucosa oral TMSO: É uma prova de função plaquetária e só tem valor de diagnóstico quando o número de plaquetas estiver acima de 75000 plaquetas. O procedimento consiste em um corte de 0,5 cm na mucosa oral onde se observa o tempo decorrido até a formação do primeiro coágulo. O tempo normal varia de 1,7 a 4,2 minutos. Se o número de plaquetas estiver diminuído o TMSO, estará prolongado. Existem outras técnicas para verificar o tempo de sangramento, como o corte da parte viva de uma unha (no cão o sangramento deve cessar em 5 minutos e no gato em 3 minutos), plano nasal e gengiva. Fibrinogênio: É uma proteína de coagulação (fator I da coagulação) produzida pelo fígado. Também é chamado de proteínas de fase aguda porque sua concentração no sangue aumenta rapidamente em resposta a processos inflamatórios. A amostra de sangue deve ser coletada em EDTA. Teste laboratoriais mais usados para desordens hemostásicas: O método consiste no aquecimento do plasma a 56-58% por 3 minutos e posterior centrifugação. O aquecimento do plasma precipita o fibrinogênio e a centrifugação o separa dos demais constituintes plasmáticos. Faz-se então a leitura das proteínas plasmáticas, totais por refratometria e posteriormente a leitura do plasma com o fibrinogênio precipitado. A diferença dos valores obtidos refere- se a concentraçãode fibrinogênio. Desordens plaquetárias: A avaliação das plaquetas é realizada em dois níveis - quantitativos e qualitativos. Quantitativas: Trombocitose - é o aumento do número de plaquetas acima do valor de referência. A trombocitose pode ser reativa ou primária (doença crônica, deficiência de ferro, neoplasias, desordens no trato digestivo...) 1. Produção diminuída de plaquetas: os megacariócitos se encontram reduzidos (erlichiose canina, execesso de algumas drogas, células neoplásicas) 2. Desnutrição de plaquetas: os megacariócitos se encontram aumentados (infecções, tumores) 3. Consumo de plaquetas: os megacariócitos se encontram aumentados (coagulações intravascular disseminada CID 4. Sequestro ou distrobuição anormal de plaquetas: megacarióticos aumentados (esplenomegalia, hepatomegalia, hipotermia, endotexemia e neoplasia) 5. Perda de plaquetas: megacariócitos aumentados (perda de sangue e transfusão incompatível) Distúrbios da coagulação: Desordens plaquetárias qualitativas - trombocitopatia - é a falha no mecanismo de aderência (plaqueta ou vaso) ou/na agregação (plaqueta/plaqueta) 1. Introdução: O hemograma é uma das análises de sangue mais úteis e mais solicitadas nas práticas médica. É solicitado quando o objetivo é ter informações sobre as células do sangue. No sangue circulam três tipos básicos de células, todas produzidas na medula óssea. São estas células que estudamos através do hemograma: Hemácias (glóbulos vermelhos) Leucócitos (glóbulos brancos) Plaquetas Eritrograma: O eritrograma é a primeira parte hemograma, é o estudo dos glóbulos vermelhos. Os três primeiros dados, contagem de hemácias, hemoglobinas, e hematócritos. São analisados em conjunto. Quando estão reduzidos, indicam anemia (redução de hemácias circulantes) e elevados indicam policitemia (que é excesso de hemácias circulantes), Hematócrito: O hematócrito (VG) é o percentual do sangue que é ocupado pelas hemácias. Um hematócrito de 45%, significa que 45% do sangue é basicamente água e todas as outras substâncias diluídas. Se por um lado a falta de hemácia prejudica o transporte de oxigênio, por outro, células vermelhas em excesso deixam o sangue muito espesso, atrapalhando seu fluxo e favorecendo a formação de coágulos. Hemogobina: Hemoglobina é uma molécula que fica dentro da hemácia. É responsável pelo transporte de oxigênio, na prática, a dosagem acaba sendo a mais precisa na avaliação de uma anemia. Anemias: A anemia é definida como a presença de eritrócitos, concentração de hemoglobinas e/ou hematócrito, abaixo dos valores normais de referência. Classificação morfológica das anemias: Os índices eritrocitários são: Volume globular (VG) Volume corpuscular médio (VCM) Concentração de hemoglobinas corpuscular média (CHCM) Hemoglobina Globular média (HGM); exprime o conteúdo hemoglobínico existente em cada hemácia. Está classificação pode ser confirmada pelo exame microscópico da população eritrocitária. Porém, não é específica para a causa da anemia, mas é útil quanto ao mecanismo patofisiológico o que ajuda na seleção do protocolo no tratamento animal. As anemias podem ser classificadas com base nos índices eritrocitários, levando-se em consideração o tamanho e a morfologia das hemácias. Os termos usados para o tamanho são (VCM): Normocítica (normal) Macrocítica (maior) Microcítica (pequena) Os termos para as propriedades tintoriais da hemoglobina são (CHCM): Normocrôica (normal) Hipocrômica (diminuída) Fórmulas para calcular os valores de VCM e CHCM: VCM (fL) = Volume globular x 10 dividido pelo número de hemácias em milhões/mm'3 Em fentolitros: representa o volume médio ocupado por cada hemácia HCM = Hemoglobinas (g%) x 10 dividido pelo número de hemácias em milhões /mm'3 Em picogramas: exprime o conteúdo hemoglobínico existente em cada hemácia CHGM = Hemoglobinas (g%) x 100 dividido pelo volume globular Significa a saturação média da hemoglobina em cada hemácia Policitemia: é o aumento do número de eritrócitos circulantes acima dos valores normais. Está classificada em: Policitemia absoluta (primária ou secundária) Policitemia relativa - Policitemia Absoluta: Ocorre uma elevação do número de eritrócitos circulantes, causado pelo aumento de massa total de eritrócitos, mas a concentração de proteína plasmática está normal Estas anormalidades levam um fluxo sanguíneo reduzido oxigenação tecidual reduzida, distúrbios neurológicos e aumento de risco de trombose. A viscosidade sanguínea e o grau de transporte de oxigênio alteram-se desproporcionalmente com aumento do hematócrito acima de 50% A policitemia absoluta está classificada em primária e secundária. Primária - consiste em uma desordem mieloproliferativa, caracterizada por uma proliferação anormal das células eritróides, dos granulócitos e dos megacariócitos, levando a um aumento dos eritrócitos, contagem de leucócitos e de plaquetas. Secundária - ocorre pelo aumento da produção de eritrócitos, porém não é acompanhada de aumentos dos leucócitos e plaquetas. Policitemia Relativa: É encontrada nos animais como resultado da redução do volume plasmático. (parte líquida de um organismo), causado pela desidratação. O consumo hídrico, por animais enfermos, geralmente é inadequado, para manter o conteúdo de água corporal normal. Doenças acompanhadas por excessiva perda de água: Diarreia, vômito, podem rapidamente produzir desidratação. A hemoconcentração aumenta o hematócrito e a proteína plasmática, devido a diminuição do volume de plasma. Leucograma: O leucograma é a parte do hemograma que pesquisa alterações quantitativas e/ou morfológicas das séries leucocitárias. Ele é composto da contagem global de leucócitos e suas contagens diferenciais, consideradas em seu número relativo e absoluto. Devem ser registradas as observações sobre as alterações morfológica encontradas no esfregaço sanguíneo. A interpretação dos parâmetros leucocitárias requer um conhecimento dos fatores que podem influenciar os valores hematológicos. Informações sobre a coleta da amostra morfológica normal das células, características específicas e variações fisiológicas são necessárias para o reconhecimento de anormalidades hematológicas. A história e o exame clínico do paciente para o diagnóstico das doenças. A contagem diferencial e total dos leucócitos, o qual compreendem o leucograma, ajuda na avaliação hematológica da resposta do hospedeiro a infecção bacteriana e outras doenças Na interpretação do leucograma é necessário conhecer não somente a contagem total e diferencial dos leucócitos, mas obter informações outros componentes sanguíneos, como a proteína plasmática total e fibrinogênio (presente nos processos inflamatórios de várias causas) Leucocitose e Leucopenia: A contagem total de leucócitos varia com a espécie animal; a contagem total de leucócitos definida pelo aumento acima dos valores de referência, como leucocitose ou pela diminuição - leucopenia Causas da leucocitose: Infecção bacteriana, efeito de esteroides, desordens linfoproliferativas, peritonite infecciosa felina, necrose tecidual, severa inflamação, prenhez e parição em cadelas, desordens mieloproliferativas, hipertiroidismo em gatos. Causas da leucopenia: Doenças virais, severa infecção bacteriana, anafilaxia, drogas e químicos tóxicos, neoplasias de medula óssea, toxemias endógenas, ehrlichiose, leishmaniose. Diferencial de leucócitos: O diferencial leucocitário é realizado no exame do esfregaço sanguíneo, em contagem percentual de 100 leucócitos. Há uma técnica padrão para a confecção do esfregaço sanguíneo e leitura diferencial leucocitária, para que se tenha uma ótima qualidade dos resultados. Um esfregaço com sangue mal homogeneizado, poderá trazer diferenças diagnosticadas pela desuniformidade na distribuição dos leucócitos na lâmina. Desvio à esquerda: Normalmente o sangue periférico contém pequeno número de neutrófilos imaturos. A presença de neutrófilos imaturos no sangue,acima do número normal para a espécie, constitui um desvio à esquerda. A extensão do desvio à esquerda indica a severidade da doença e a medula óssea para suprir a demanda, libera os neutrófilos imaturos (bastonetes). Desvio à esquerda regenerativa: A contagem total de leucócitos é marcadamente elevada por causa da neutrofilia e o número de neutrófilos imaturos (bastonetes) encontra-se abaixo do número de neutrófilos maturo (segmentados). Isso indica uma boa resposta do hospedeiro e ocorre quando a medula óssea tem tempo suficiente (usualmente 3-5 dias) para responder a demanda tecidual aumentada de neutrófilos. Desvio à esquerda degenerativo: A contagem total de leucócitos varia podendo ser normal, abaixo do normal ou moderadamente elevada. A resposta principal é a presença de neutrófilos imaturos acima dos neutrófilos maturos. O desvio degenerativo à esquerda indica que a medula óssea, para o momento, tem um esgotamento no compartimento de reserva de neutrófilos segmentados e consequentemente ocorre a liberação de células imaturas, ultrapassando os neutrófilos maturos. Em muitas espécies isso é um sinal de prognóstico desfavorável que requer um rigoroso protocolo terapêutico. No entanto, o desvio à esquerda degenerativo é comum durante o estágio inicial de doenças infecciosas ou inflamatórias hiperagudas a agudas. Isso ocorre devido ao compartimento de reserva da medula óssea de bovinos ter um suprimento limitado de neutrófilos maturos. Sendo assim, o desvio à esquerda degenerativo em bovinos não deve ser considerado como um sinal sério no prognóstico, a não ser que este tenha persistido por vários dias. É a presença no sangue circulante de vários neutrófilos hipersegmentados, isto é, neutrófilos com mais de 5 lóbulos. A hipersegmentação nuclear ocorre devido a presença circulante de corticosteróides. A deficiência da vitamina B12 também pode levar a hipersegmentação, mas é uma condição muito rara. As alterações quantitativas dos leucócitos são a leucocitose e a leucopenia. Para avaliar estas alterações é fundamental ter em mente os valores normais da espécie considerada, visto que normalmente a leucocitose no cão é devido à neutrofilia, já nos bovinos pode ser pela linfocitose. Neutrófilos segmentados: Os segmentados é definido pelo aumento, acima dos valores de referência, como neutrofilia ou pela diminuição neutropenia Leucocitose associada a neutrofilia: Infecções locais ou generalizadas, intoxicações, reabsorções tecidual, leucemias, corticoides Leucopenia associada neutropenia: Degeneração, depressão, exaustão, destruição. A leucopenia por neutropenia pode ser causada por: Degeneração - o agente ou toxina compromete o compartimento de maturação, causando, portanto predominância de células jovens. Depressão - principalmente doenças crônicas, comprometendo o compartimento de multiplicação causando predominância de células adultas. Exaustão - causada geralmente por consumo agudo, pelo grande afluxo de neutrófilos para o local de inflamação (mastite bovina e cólica equina) Destruição - caracterizada por pancitopnia, isso é, diminuição de todas as células sanguíneas (drogas, infecção bacteriana grave) Eosinófilos: Os eosinófilos são definidos pelo aumento, acima dos valores de referência, como eosinofilia ou pela diminuição, como eosinopenia. Eosinofilia: Doenças que levam a eosinofilia: Perda tecidual crônica (especialmente reações alérgicas), parasitismo, hipersensibilidade cutânea, terapia por drogas, estro em cadelas Causas para eosinopenia: Stress agudo (adrenalina), stress crônico, hiperadrenocorticismo, administração de esteroides, inflamação, infecções agudas. Eosinopenia: Basófilos: Os basófilos são definidos pelo aumento, acima dos valores de referência (raro), como basofilia. Causas da basofilia: Dermatites alérgicas Eczemas Reações de hipersensibilidade Monócitos: Os monócitos são definidos pelo o aumento, acima dos valores de referência, como monocitose ou pela diminuição como monocitopenia. Linfócitos: Os linfócitos são definidos pelo aumento acima dos valores de referência como linfocitose e pela diminuição como linfocitopenia ou linfopenia Plaquetas: As plaquetas são definidas pelo aumento, como trombocitose, e pela diminuição, como trombocitopenia. Resumo: Leucocitose - aumentos dos leucócitos Leucopenia - redução dos números dos leucócitos Neutrofilia - aumento de número dos neutrófilos Neutropenia - diminuição do número dos neutrófilos Trombocitose - aumento das plaquetas Trombocitopenia - diminuição das plaquetas Monocitose - aumento do número de monócitos Monocitopenia - diminuição do número de monócitos Linfocitose - aumento do número de linfócitos Linfocitopenia/linfopenia - diminuição do número de linfócitos Coleta de urina: A coleta da urina é de fundamental importância e varia de acordo com a espécie. A urina pode ser obtida das seguintes formas: Micção natural Cateterismo Cistocentese Micção natural: É a técnica que causa menos agressão ao animal. Deve-se tomar cuidado com a contaminação ambiental neste tipo de coleta. A amostra de urina pode ser obtida no momento da micção natural, por meio do coletor universal. Deve-se desprezar o primeiro jato da amostra de urina. Cateterismo: A amostra de urina pode ser obtida por cateterismo vesical, utilizando-se sondas apropriadas para a espécie, sexo e tamanho do animal. Cistocentese: Indicada para obtenção de amostras destinadas a cultura bacteriana e antibiograma. Consiste na coleta de urina através da punção vesical com agulha acoplada a seringa. Para a realização dessa coleta, a bexiga deve estar repleta e ser palpável, permitindo a punção sem riscos de injúrias aos órgãos abdominais. Acondicionamento da amostra: Quando não for possível a realização imediata da urinálise, pode-se utilizar substâncias conservantes que atuam como o tulueno o timol e a formalina. Exemplo: indica-se o uso de uma gota de formalina a 40% para cada 30 ml de urina. Este modo de conservação torna indiáveis as provas químicas da urina. O frasco contendo urina deve ser identificado e enviado junto com a requisição devidamente preenchida. A urinálise está dividida em três partes: Físico Químico Sedimento Exame físico da urina: Consiste na observação visual e macroscópica das características da urina. O volume mínimo para a realização adequada do exame é de 10ml. Em condições de saúde, o volume urinário é inversamente proporcional a densidade urinária específica. Portanto, o aumento da quantidade de urina excretada, está associada a densidade específica baixa. A diminuição do volume urinário excretado (oligúria), está associado a densidade específica elevada. Cor: A coloração normal da urina pode variar do amarelo-palha ao âmbar claro, e em equinos até a tonalidade amarronzada. Entre as cores mais importantes: Pálida ou amarelo-clara - geralmente é uma urina diluída com densidade baica e associada a poliúria. Amarelo-escura ao âmbar - urina concentrada com densidade elevada e associada a oligúria. Alaranjado-âmbar a amarelo-esverdeada - se relaciona com a presença de bilirrubina Avervemelhada - pode indicar presença de hemoglobinas ou hemácias. Marrom - pode indicar presença de hemoglobinas ou uma urina normal de equinos após certo tempo. Azul-esverdeada - pode ser devido ao azul de metileno, que é encontrada na composição de antissépticos urinários. Odor: O odor fisiológico da urina é caracterizada como Sui generis, o qual varia entre as espécies. Entre os odores mais importantes: Pútrido - indica necrose tecidual de vias urinárias Adocicado - presença de corpos cetônicos Amoniacal - observado na urina de animais com infecção bacteriana Aspecto: A maioria das espécies domésticas apresenta normalmente urina transparente ou límpida. Apresenta-se turva quando alterada e pode representar uma grande quantidade de leucócitos, eritrócitos, células epiteliais de descamação, cílindros, cristais, muco e bactéria do tratourinário. Densidade: Representa a concentração dos sólidos em solução urinária. Preferencialmente é obtida por refratometria. Para a determinação, prefere-se o uso do sobrenadante após a centrifugação. O exame químico da urina é realizado com o auxílio de fitas reagentes de química seca, obtidas comercialmente disponíveis. pH: Animais mantidos com dieta vegetal apresentam urina alcalina. Os animais cuja alimentação é rica em proteínas e cereais apresentam urina ácida. O pH urinário é portanto ácido nos carnívoros (5,5 a 7,0) e alcalino (7,5 a 8,5) nos herbívoros. Animais novos, em fase de amamentação, apresentam pH urinário ácido, independente da espécie. Proteínas: Em condições fisiológicas, as proteínas são 100% mantidas no sangue durante a filtração glomerular e reabsorção tubular, não estando presentes na urina. Porém, pode-se encontrar proteinúria relacionada ao trato urinário baixo (bexiga e uretra). Acetona: A cetonúria ocorre quando estes compostos aumentam no plasma em decorrência de distúrbios no metabolismo de carboidratos e ácidos graxos. Bilirrubina: Está relacionada a hepatopatias, (hepatite infecciosa canina, leptospirose e neoplasias). Urobilinogênio: É um cromógeno formado no intestino por ação bacteriana redutora de bilirrubina. A ausência ou diminuição do urobilinogênio está relacionado a distúrbios intestinais de reabsorção (diarréia). O aumento pode ser associado a hepatite por incapicidade funcional de remoção do urobilinogênio da circulação. Sangue oculto: A urina fisiológica não deve conter sangue oculto, que consiste em eritrócitos, hemoglobina livre ou mioglobina (ocorre em distúrbios musculares graves). Deve ser identificada a origem do sangue presente na urina. O exame do sedimento deve ser utilizado 5 a 10ml da urina fresca e centrifugá-la a 1500rpm por 5 a 10 minutos. O sedimento é obitido desprezando-se o sobrenadante. Agita-se o tubo várias vezes e uma gota do sedimento é colocada sobre uma lâmina e coberta por uma lamínula e leva-se a microscopia. Bactérias: São encontradas em amostras de urina devido a abundante flora microbiana. Uma grande quantidade de bactérias em amostra de urina fresca sugere infecção bacterina. Fungos: A presença de leveduras podem ser contaminantes ou representar uma infecção fúngica verdadeira. Eritrócitos: As hemácias são menores que os leucócitos e seu achado é normal quando na quantidade de 1 a 2 campo de observação no microscópio. Quando superior a 5 campos pode ser considerado hematúria. Leucócitos: Normal quando 1 a 2 campo e quando maior que 5 campo é considerado leucocitúria ou piúra. Exame de sedimento: Células epiteliais de descamação Células epiteliais tubulares renais As células epiteliais de transição da pelve renal, ureter ou bexiga. Cilindros: São constituídos de mucoproteína e proteína que aderem-se ou não a outras estruturas, sendo normal quando ausentes. Os fatores que favorecem a formação dos cilindros são baixo fluxo urinário, alta concentração de sais e baixo pH, todos os quais favorecem a desnaturação e precipitação proteíca. Cilindros hialinos podem ser encontrados, em pequeno número, em animais saudáveis. Os eritrócitos podem se agrupar e formar cilindros eritrocitários. São indicadores de glomerulonefrites. Cilindros leucocitários indica presença de inflamação renal. Cristais: São produtos finais da alimentação do animal e dependem para sua formação do pH urinário. Grande quantidade de cristais pode indicar urolitíase. Outros achados: Espermatozóides - normal ser encontrado em um cão. Em outras espécies como bovinos pode indicar distúrbio reprodutivo. Muco - são filamentos mucóides, normal, quando em quantidade discreta. Aumentam em processos inflamatórios. Ovos e parasitas - dioctophyme renale (cães), capillaria spp (cães e gatos), e dirofilaria immitis (cães). A bioquímica como o próprio nome já diz, é a ciência que estuda a química dos processos biológicos que ocorrem em todos os seres vivos. Glicose: A glicose é essencial para as funções do cérebro, dos eritrócitos e das demais células. A dosagem de glicose no sangue tem por finalidade diagnosticar e acompanhar o tratamento de portadores de algum distúrbio no metabolismo de carboidratos que levam a situação de hipoglicemia ou hiperglicemia. Proteínas totais e frações: As proteínas do sangue são compostas pela albumina e um grupo de proteínas denominadas globulinas, além de uma pequena fração de fibrinogênio e outras proteínas. A dosagem da proteína total é utilizada na avaliação do estado nutricional e na investigação de edemas. Creatinina: A constância na formação e excreção da creatinina faz dela um marcador muito útil da função renal, sendo o teste mais utilizado para esta finalidade. Ureia: Apesar de ser um marcador da função renal é considerada menos eficiente do que a creatinina, pelos diferentes fatores não renais que podem afetar sua concentração. No entanto sua elevação é mais precoce. A avaliação conjunta com a creatinina é útil no diagnóstico diferencial das causas de lesão renal. Aspartato aminotransferase (AST/TGO): A enzima aspartato aminotransferase (AST) é encontrada em diversos órgãos e tecidos como o fígado, coração, músculos esquelético e eritrócitos. Alanina aminotransferase (ALT/TPG): A enzima alanina aminotransferase (ALT) era antigamente denominada de transaminase pirúvica (TPG). Sua origem é citoplasmática, fazendo com que se eleve rapidamente após a lesão hepática, tornando-a um marcador sensível da função do fígado. Fosfatase alcalina: É uma enzima presente em todos os tecidos do organismo. A fosfatase, encontrada no soro é resultado da presença de diferentes isoenzimas. Hematologia e Bioquímica Clínica Veterinária / Mary Anna Thrall ... [ et. al.]; tradução Alexandre Barros Sobrinho ...[ et. al.]. – [2. ed.] – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015 -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- @medvet.ab