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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA 
 
 
 
CAMILA KAREN MOURA LOPES 
ISABELA DE OLIVEIRA VIDAL 
MYLENA VEIGA DA SILVA 
 
 
 
 
 
 
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DO ENFERMEIRO NO PERÍODO DE 
PARTO 
Diagnósticos e intervenções nas fases do parto e no puerpério 
 
 
Orientadora: Patrícia Teixeira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cabo Frio 
2020 
 
INTRODUÇÃO 
 
 A gravidez é caracterizada pelas modificações e adaptações 
psicossociais e biológicas. Essas mudanças são necessárias para a gravidez 
evoluir de forma saudável. Contudo, existem fatores que contribuem para 
intercorrências no período gravídico, podendo até mesmo gerar alto risco para a 
mãe e para o filho. O enfermeiro surge com a necessidade de realizar os devidos 
cuidados para melhorar tanto a qualidade no período gravídico tanto para os 
períodos de parto e puerpério (MEDEIROS et al., 2016). 
 Ainda segundo os autores nas situações que há complicações é 
imprescindível uma assistência que envolva ações efetivas de uma equipe 
multiprofissional para garantir uma assistência de qualidade. O enfermeiro 
atualmente tem exercido um importante papel formulando estratégias que 
melhorem a assistência materna e obstétrica, através do acompanhamento em 
todos os períodos de gestação da mulher, até mesmo no trabalho de parto, parto 
e pós-parto. 
 Embora existam resoluções que reconheçam a atuação do enfermeiro na 
assistência durante o parto e puerpério, é dado pouca evidência para essa 
atuação (SILVA, NÓBREGA e MACEDO, 2012). Devido a esses fatores buscou-
se a identificação dos problemas e diagnósticos de enfermagem para melhorar 
o planejamento e ações de cuidados e de intervenções para as situações nesses 
períodos, destacando o período expulsivo do trabalho de parto. Além disso, 
buscou-se a resolução que permite o enfermeiro realizar o parto e a assistência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resolução COFEN nº 516 de 23 de junho de 2016 
 
A partir da resolução COFEN Nº 516 de 23/06/2016 foi normatizado a 
atuação do enfermeiro, enfermeiro obstetra e obstetriz na assistência as 
gestantes parturientes, puérperas e recém-nascidos nos serviços de obstetrícia, 
centros de partos normal e dá outras providências. 
 Na resolução são dispostos o que compete ao enfermeiro, enfermeiro 
obstetra e obstetriz, atuando nas casas de parto e nos serviços de obstetrícia. 
No Artigo 3º a resolução pontua 18 competências da assistências que são: 
acolher a mulher e seus familiares ou acompanhantes; avaliar todas as 
condições de saúde materna, clínicas e obstétricas, assim como as do feto; 
avaliar a evolução do trabalho de parto e as condições maternas e fetais, 
adotando tecnologias apropriadas na assistência e tomada de decisão, garantir 
a integralidade do cuidado à mulher e ao recém-nascido por meio da articulação 
entre os pontos de atenção; encaminhar a mulher e/ou recém-nascido a um 
nível de assistência mais complexo caso sejam detectados fatores de risco ou 
complicações; e entre outras. 
 A resolução também confere o enfermeiro como responsável técnico do 
centro de parto normal ou casa de parto, zelando pelas atividades privativas do 
enfermeiro obstetra e da equipe de enfermagem segundo os preceitos éticos e 
legais da enfermagem. 
 
Fases do período de trabalho de parto 
 O preparo da gestante iniciado durante o pré-natal é um fator importante 
para a humanização do parto. Esse preparo exige dos profissionais da saúde 
uma abordagem acolhedora não somente a mulher, mas também de seu 
companheiro no serviço de saúde. Durante o pré-natal é necessário que o 
enfermeiro responsável pelo acompanhamento dessa gestante proporcione 
informações adequadas, e prepare o psíquico e o físico da mulher, fazendo-a 
sentir como protagonista do processo (BRASIL, 2001). 
 Dessa maneira, o respeito a mulher e a seus familiares, informa-la sobre 
os procedimentos que será submetida e proporcionar um ambiente acolhedor, 
silencioso, além de permitir uma maior participação da mulher, permite uma 
assistência mais humanizada que apenas exige atitudes simples e a boa vontade 
do profissional (BRASIL, 2001). 
 A assistência ao trabalho de parto requer medidas apropriadas para cada 
período cronológico dos eventos do trabalho de parto, e os procedimentos 
adequados para o acompanhamento desses períodos e eventos. A identificação 
dos diagnósticos de enfermagem e as devidas intervenções são fundamentais 
para uma assistência humanizada, qualquer conduta deve ser avaliada para 
evitar e minimizar os riscos à gestante. 
 O trabalho de parto é definido quando há presença de contrações uterinas 
dolorosas, rítmicas, dilatação do colo uterina, apagamento, formação de bolsa 
das águas e perda do tampão mucoso. Na literatura clássica o parto compreende 
a dilatação do colo e a formação completa do segmento inferior, dividida em três 
períodos: dilatação, expulsão, dequitação. Há autores que consideram um 4º 
período, chamado de Greenberg (CEARÁ, 2014). 
No primeiro período de dilatação é iniciado as contrações uterinas 
dolorosas, causando modificações no colo uterino (colo totalmente apagado e a 
dilatação é de 3 cm). O período termina quando a dilatação está completa (10 
cm) e dura aproximadamente de 6 a 12 horas. Ademais, o período de dilatação 
é dividido em fase latente e fase ativa. Na fase latente há um aumento gradual 
da atividade uterina com ritmo irregular. Pode ter modificação cervical, aumento 
das secreções cervicais e eliminação de muco. É orientado a gestante a retornar 
ao serviço de saúde em caso de presença de sinais de trabalho de parto ativo 
ou sinais de alerta como perda de líquido, sangramento uterino e diminuição dos 
movimentos fetais. A segunda é a fase ativa, na qual ocorrem contrações 
uterinas rítmicas, podendo ser dolorosas, e que se estendem por todo o útero e 
dilatação maior ou igual 4 cm (contrações com o mínimo de 10 minutos). É 
necessário promover participação da gestante e acompanhante e utilizar 
métodos para alívio da dor (BRASIL, 2017). 
No período de expulsão caracterizado pelo período da dilatação cervical 
completa podendo ou coincidir com a fase de expulsão fetal (período identificado 
pela dilatação cervical total, pelos puxos maternos e pela ruptura espontânea 
das membranas amnióticas). Pode durar até 50 minutos nas primíparas e 20 
minutos nas multíparas (CEARÁ, 2014). 
A fase de dequitação começa após a retirada do bebê e termina com a 
retirada da placenta Sua duração é curta, podendo durar até 30 minutos (se for 
maior que 30 minutos é considerado prolongado). Complicações nesse período 
são importantes causas de mortalidade materna e a perda sanguínea pode 
decorrer conforme a rapidez da separação da placenta da parede uterina e da 
contração da musculatura uterina (AMORIM; PORTO; SOUZA, 2010). 
No quarto período, que considera as primeiras horas após a saída da 
placenta, é o período que se encontra o maior risco de hemorragias. Este período 
é dividido em fases de miotamponagem; trombotamponagem e contração uterina 
fixa. Deve-se ficar atento aos sinais vitais e na presença de sangramento 
abundante ou sinais de instabilidade hemodinâmica (BRASIL, 2014). Portanto, 
nesse período considera-se a verificação constante das contrações uterinas, 
revisão do canal de parto e reparação das lesões porventura existentes e se 
necessário transferir a puérpera para a sala de recuperação (BRASIL, 2001). 
 
Puerpério 
 O puerpério é o período que as mudanças locais e sistêmicas provocadas 
pela gravidez e parto no organismo da mulher começam a retornar ao período 
pré-gravídico. Ele inicia-se uma a duas horas após a saída da placenta e tem um 
período de termino imprevisto. Pode-se dividir em puerpério: imediato (1º ao 10º 
dia), tardio (11º ao 42ºdia) e remoto (a partir do 43º dia) (BRASIL, 2001). 
As mudanças que começam no puerpério restabelecem o organismo da 
mulher a situação não gravídica. Nesse momentoa mulher deve ser vista com 
um olhar holístico, incluindo também o seu componente psicossocial. Uma 
avaliação do estado psíquico e o relacionamento entre a puérpera e o enfermeiro 
proporcionará uma melhor compreensão sobre os sintomas e sinais 
apresentados. 
 
 
Diagnóstico de enfermagem e intervenções segundo as fases do parto 
normal e o período puerperal 
Tabela de Diagnóstico e intervenções 
 
 
 
DIAGNÓSTICO DE 
ENFERMAGEM 
 
INTERVENÇÕES 
F
A
S
E
 L
A
T
E
N
T
E
 
 
Dor no trabalho de parto 
relacionado as contrações 
uterinas evidenciado por 
dilatação cervical. 
Auxiliar e encorajar a deambulação durante o 
trabalho de parto; oferecer apoio e controle 
efetivo da dor; observar sinais fitais da mulher e 
do feto; ensinar técnicas de respiração e 
relaxamento; registrar evolução do trabalho de 
parto; oferecer banhos quentes. 
 
Fadiga relacionada ao 
processo de trabalho de 
parto evidenciado por 
dispneia 
Orientar a fazer o relaxamento muscular para 
descansar entre as contrações; explicar a causa 
da fadiga; manter ambiente calmo, tranquilo e 
acolhedor. 
F
A
S
E
 A
T
IV
A
 
 
Conforto prejudicado 
relacionado a contrações 
uterinas evidenciada pela 
inquietação, irritabilidade e 
choro. 
orientar quanto a forma de fazer relaxamento 
muscular para que ela descanse entre uma 
contração e outra; ensinar técnicas de 
respiração e relaxamento. 
Risco de sangramento 
relacionado a 
complicações no trabalho 
de parto 
Minimizar as complicações para sangramento; 
observar os sinais vitais e o monitor cardíaco. 
F
A
S
E
 E
X
P
U
L
S
IV
A
 
 
Risco de infecção 
relacionado por 
procedimentos invasivos. 
Observar sinais vitais; realizar lavagem das 
mãos corretas antes e após procedimento; 
realizar técnicas de forma asséptica; observar 
sinais flogísticos. 
Dor relacionada ao 
desconforto perineal em 
virtude do trauma do 
nascimento, hemorroidas 
e alterações fisiológicas 
Incentivar a ingesta de líquidos e alimentos 
conforme tolerados; manter acesso venoso 
quando indicado; aplicar bolsa de gelo na área 
perineal, não ultrapassando 20 minutos; 
administrar a medicação analgésica, caso 
prescrito; incentivar o vínculo da tríade (mãe, 
pai e RN). 
P
U
E
R
P
É
R
IO
 
 
Baixa autoestima 
situacional relacionada a 
alteração da imagem 
corporal evidenciado por 
verbalização 
autonegativas. 
Prestar apoio; esclarecer as distorções 
corporais e fisiológicas; avaliar e redefinir as 
expressões negativas; encorajar bons hábitos 
físicos; indicar terapia de grupo de apoio. 
 
Amamentação ineficaz 
relacionada a 
conhecimento insuficiente 
dos pais sobre a 
importância da 
amamentação 
evidenciada por perda de 
peso do lactente 
Observar e registrar a amamentação; ensinar a 
forma correta da amamentação e a importância 
da amamentação; promover ambiente tranquilo 
para a amamentação; encorajar a puérpera 
para a amamentação exclusiva, através de 
diálogo. 
Distúrbio no padrão de 
sono relacionado ao 
despertar não intencional 
 
 
 
Auxiliar nas situações estressantes; discutir com 
a família e a puérpera medidas de conforto; 
ensinar técnicas de relaxamento; proporcionar 
ambiente calmo e seguro; observar 
circunstancias de desconforto e dor; registrar e 
monitorar o padrão de sono e quantidade de 
horas dormidas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
AMORIM, Melania Maria Ramos; PORTO, Ana Maria Feitosa; SOUZA, Alex 
Sandro Rolland. Assistência ao segundo e terceiro períodos do trabalho de 
parto baseada em evidências. Recife (PE), 2010. Disponível em: 
http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n11/a583-591.pdf. Acesso em: 
29 de março de 2020. 
BRASIL, Ministério da saúde. Secretaria de Políticas de saúde. Área técnica de 
saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à 
mulher. Brasília – DF. 2001. Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf. Acesso em 29 de 
março de 2020. 
BRASIL. Ministério de saúde. Secretaria de ciência, tecnologia e insumos 
estratégicos. Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal. Brasília, 
DF, 2017. Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_pa
rto_normal.pdf . Acesso em 21 de março de 2020. 
 
CEARÁ (Estado). Secretaria da Saúde do Estado do Ceará. Protocolos de 
obstetrícia da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará. Ceará, 2014. 
Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/wp-
content/uploads/sites/9/2018/06/protocolos_obstetricia_sesa_ce_2014_.pdf. 
Acesso em: 29 de março de 2020. 
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN n. 
516, de 23 de junho de 2016. Normatiza a atuação e a responsabilidade do 
Enfermeiro, Enfermeiro Obstetra e Obstetriz na assistência às gestantes, 
parturientes, puérperas e recém-nascidos. Disponível em: 
http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-05162016_41989.html. Acesso em 
21 de março de 2020. 
MEDEIROS, Ana Lúcia de; SANTOS, Sérgio Ribeiro dos; CABRAL, Rômulo 
Wanderley de Lima; SILVA, Juliana Paiva Góes; NASCIMENTO, Neyce de 
Matos. Avaliando diagnósticos e intervenções de enfermagem no trabalho 
de parto e na gestação de risco. Paraíba, 2016. Disponível em: 
http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v37n3/0102-6933-rgenf-1983-
144720160355316.pdf. Acesso em: 21 de março de 2020. 
http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n11/a583-591.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_parto_normal.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_parto_normal.pdf
https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/protocolos_obstetricia_sesa_ce_2014_.pdf
https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/protocolos_obstetricia_sesa_ce_2014_.pdf
http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-05162016_41989.html
http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v37n3/0102-6933-rgenf-1983-144720160355316.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v37n3/0102-6933-rgenf-1983-144720160355316.pdf
 
North American Nursing Diagnosis Association International. Diagnósticos de 
enfermagem da NANDA: definições e classificação 2018- 2020. 11. Ed. Porto 
Alegre (RS): Artmed; 2018. 
SILVA, Aline Franco da; NÓBREGA, Maria Miriam Lima da; MACEDO, Wânia 
Cristina Morais de. Diagnósticos/resultados de enfermagem para 
parturientes e puérperas utilizando a Classificação Internacional para 
Prática de Enfermagem. Paraíba, 2012. Disponível em: 
https://www.revistas.ufg.br/fen/article/view/11211/11622. Acesso em 21 de 
março de 2020. 
https://www.revistas.ufg.br/fen/article/view/11211/11622

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