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DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 RESOLUÇÃO DE CONFLITOS 
 - Pressuposto de necessidade de regramentos para viver em grupo de forma pacífica. 
 - Interesse enquanto a relação do homem com o bem da vida. 
 - Havendo disputa ou ferimento sobre determinado bem, surge a necessidade 
 de proteção ao interesse lesionado ou posto em perigo (conflito de interesse). 
 - Exemplo: bem da vida disputado entre dois ou mais ser humanos, ou quando o bem 
 de um é lesionado por outro. 
 - Conflito de interesses > litígio. 
 Formas de resolução: 
 Autodefesa: 
 Sujeito que se vê ameaçado ou agredido por uma ou mais pessoas, de modo a 
 necessitar de uma postura defensiva. 
 - Imposição/sacrifício do interesse alheio por meio da justiça com as próprias 
 mãos. 
 - Forma mais primitiva de resolução. 
 - Menos complexa. 
 - Reativa, reação natural do sujeito lesado. 
 - Processo posterior para ratificação da conduta. Exige, ainda hoje, que haja 
 um processo judicial sendo utilizado como ratificador da conduta, ou seja, 
 deve haver a intervenção judicial para reconhecer que a conduta praticada 
 em autodefesa seja válida. 
 - Problemas: 
 - É instintiva, não há uma racionalização sobre como atuar. 
 - Há o risco do desequilíbrio de forças, como, por exemplo, o ofendido 
 ser mais fraco que o ofensor. Excesso na legítima defesa. 
 - Não reação do ofendido. Prisão preventiva. 
 - Conversão do sujeito ativo da reação em sujeito passivo na 
 persecução penal. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Instauração de processo para convalidação para forma de 
 autodefesa. A reação, se não ficar plenamente configurada na 
 fase de investigação, pode motivar o MP a ajuizar ação 
 condenatória pedindo a condenação do sujeito ativo dessa 
 reação (vítima) contra o ofendido (agressor), se houver 
 excesso. 
 - Índoles: 
 - Bilateral: lógica antiga dos duelos. Os dois sujeitos que vão se 
 enfrentar se colocam em situação de provável agressor e provável 
 agredido. 
 - Unilateral: exemplificada pelo Estado de necessidade, onde a vítima 
 de uma agressão se coloca como o atacante, ou seja, ela que 
 provoca a lesão em algum bem de terceiro para poder se defender 
 (ofendido - coisa). 
 - Difere da legítima defesa, em que o sujeito ativo seria o 
 atacado, postura de resposta a uma agressão pessoal feita 
 contra ele (ofendido - alguém). 
 - Âmbito civil: desforço pessoal, art. 1210, §1º, e art. 1283 (árvores e 
 raízes). 
 Autocomposição: 
 Solução parcial alcançada pelos envolvidos. Há um consentimento no sacrifício do 
 próprio bem de um dos interessados pelo mínimo. Quem tem o interesse em conflito com 
 um terceiro, acaba consentindo em perder algo nesse conflito, mas de modo que essa 
 perda seja encarada como um benefício para ela. 
 - Vários tipos de benefício. 
 - Ajuste de vontades entre os envolvidos, de modo a que esse acordo firmado 
 entre eles seja destinado a reparar os danos provocados pelo conflito de 
 interesses/evitar que mais danos venham a ocorrer. 
 - Processo posterior para ratificação da conduta. Intervenção judicial é 
 necessária. 
 - Ius puniendis ou ius libertatis . 
 - Pontos positivos: 
 - Reflexiva. Não mais intuitiva ou instintiva. 
 - Celeridade na reparação do dano. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Economia de custos. Pode não ser necessário o ajuizamento de um 
 processo penal condenatório. 
 - Pode ocorrer antes (colaboração premiada) ou depois do processo 
 finalizado (último caso só nos processos civis). 
 - Pontos negativos: 
 - Pode envolver litigante de menor resistência. Tratar com alguém, 
 oferecendo uma negociação para aquela pessoa, de forma que ela 
 não tenha condições de aceitar. 
 - Excesso no exercício do direito de autocomposição. 
 - Parte hipossuficiente (não consegue arcar com os custos dos danos 
 provocados); 
 - Parte não interessada na composição. 
 - Índoles: 
 - Unilateral: Quando a autocomposição parte de um lado só. 
 - Desistência do pedido (pessoa que foi a vítima do infortúnio 
 não ajuiza ação e deixa dessa forma). Não quis procurar seu 
 direito à reparação. 
 - Também quando já havendo o processo, quem figura como 
 réu simplesmente reconhece o pedido. Confissão/revelia, em 
 que a pessoa deixa claro que concorda com a pretensão do 
 seu opositor. Consenso tácito. 
 - Bilateral: Formas de resolução de conflitos aplicáveis no processo 
 penal, como a composição de danos (JECrim), transação penal, 
 suspensão condicionais do processo, perdão do ofendido aceito 
 (ação penal privada), colaboração premiada e o acordo de não 
 persecução penal. 
 - Acordos formulados e caracterizados dessa índole bilateral da 
 autocomposição. 
 - Juizado Especial Criminal: depende do tipo de crime envolvido. 
 Em um crime de menor potencial ofensivo é processado junto 
 ao Jecrim, o primeiro ato que se terá será uma audiência de 
 tentativa de conciliação entre o agressor e o agredido. Nessa 
 audiência, verá se a vítima faz algum acordo com seu 
 agressor. Se esse acordo foi alcançado e homologado 
 judicialmente, em tese, termina ali e não se tem seguimento o 
 processo. 
 - Não sendo realizado acordo, é possível passar uma 
 segunda etapa. A vítima não é mais alguem atuante, e 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 a palavra vai para o MP, que propõe a transação penal 
 para o autor do fato (agressor), como realização de 
 serviços comunitários, etc. Se a transação for acolhida 
 pelo ofendido e, após, cumprido os termos do acordo, 
 termina ali o processo. Não sendo aceito/cumprido pelo 
 agressor, o agredido poderá propor a denuncia e 
 ajuizar ação (Lei 9.099/95). 
 - Acordo não persecução penal (Resolução 181 CNMP, art. 
 18-A). 
 - Todas as formas por meio da autocomposição também necessitam 
 de intervenção judicial em nível processual. 
 Processo: 
 Solução parcial alcançada por um terceiro. 
 - Grande pergunta: O que é processo penal? 
 - Obra: Conceito do Processo Penal (Evandro Munis Netto). Do 
 Contrato Social (Rousseau). 
 - Ius puniendi : direito de punição ao quebrar regras básicas. 
 - Nas mãos da vítima: vítima podendo punir o agressor (diferente de 
 autodefesa). 
 - Nas mãos da sociedade: possibilidade de punição saindo da vítima para a 
 sociedade. 
 - Deslocado para o Poder Judiciário : deveria se tirar o direito de punição das 
 mãos de particulares, e passar para uma Instituição que pudesse efetuar 
 essa punição de uma forma mais distante do envolvimento emocional relativo 
 ao fato praticado. A instituição será o Judiciário. 
 - Princípio da imparcialidade judicial. 
 - Viabilidade ou inviabilidade do direito de punir. 
 - Existem limitações ao poder punitivo do Estado: 
 - Reserva legal (CF, art. 5º, XXXIX); 
 - Devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). 
 - Juiz natural. 
 - Previsão de qual será o juiz encarregado do julgamento do fato 
 praticado por alguém e que ninguém possa tirar esse juiz para 
 colocar outro (mais benéfico ou mais rigoroso). 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Processo enquanto exercício da jurisdição. 
 - Resolução de conflitos na esfera processual penal. 
 - Ponto comum: 
 - Necessidade de intervenção judicial. 
 - Processo. 
 - Finalidades do Direito Processual Penal:eram os representantes do 
 MP. 
 - Mas, ainda assim, a investigação criminal mais 
 utilizada a época era a investigação dos juízes de 
 instrução (juízes investigadores). Hoje, no brasil, 
 seriam os delegados de polícia. 
 - Principal problema do Sistema Misto: 
 - Perda da imparcialidade do juiz , pois o juiz que investigava também 
 poderia julgar. 
 - Incidência do princípio contraditório na fase de investigação . 
 - Repetição desnecessária da instrução feita na fase de investigação. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Quando o juiz já havia firmado sua convicção na fase de 
 investigação, uma vez que era quem julgava. 
 - A fase tida como mais importante era a fase de investigação, uma vez 
 que a segunda fase se mostrava mais como uma uma repetição da 
 primeira. Porém, entende-se que isso seria uma inversão de valores, 
 visto que a fase mais importante deve ser sempre aquela posterior à 
 acusação , uma vez que é a acusação que delimita o conteúdo do que 
 será julgado. 
 - Só que a acusação aparecia, portanto, após o término da 
 investigação. A investigação serve para embasar o 
 oferecimento da ação penal condenatória. Logo, o principal 
 problema, aliado a perda de parcialidade do juiz, era o efeito 
 que o princípio do contraditório trazia para a ação penal, que 
 ficava inchada e, na fase probatória, teria que ficar sendo 
 repetida. 
 - Ainda hoje existe a Instauração de investigação criminal judicial pelo 
 STF. 
 - Exemplo: inquérito das Fake News (2019). 
 - Solução encontrada: 
 - Afastamento do juiz da presidência da investigação. 
 - Se o juiz que investiga já forma sua convicção na fase de investigação 
 e, portanto, na fase de julgamento, já não muda de percepção, o mais 
 lógico é removê-lo da fase investigativa. 
 - O juiz fica somente a cargo do julgamento, enquanto a investigação 
 fica a cargo do MP. 
 - Concessão da presidência da investigação ao Ministério Público. 
 - Reformas na Alemanha (1974); Portugal (1988); Itália (1989). 
 Linhas teóricas de Sistema Misto: 
 - Qualquer Mistura: qualquer mistura entre sistema acusatório e sistema inquisitivo 
 já é suficiente para justificar a existência do sistema misto. 
 - O que não é verdade, pois não pode ser qualquer mistura. O que precisa 
 haver é a mistura de certos elementos específicos. 
 - Exemplo: se pegar o princípio inquisitivo (do sistema inquisitivo), que é 
 a desnecessidade de um acusador diferente do juiz, e colocar o 
 elemento “igualdade de armas” do sistema acusatório, não justificaria 
 a criação do sistema misto. Isto pois o princípio inquisitivo nunca 
 esteve presente do sistema misto e nem no acusatório. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Tipos Ideais: definições pessoais de cada autor, que não necessariamente 
 possuem raízes históricas e, também, não se encaixam na forma como o código 
 estruturou o sistema misto. 
 - Cada autor acha que existe um tipo de atribuição de determinada 
 configuração ao sistema misto, o que não leva a um critério seguro de 
 identificação do sistema misto. 
 - Teoria da Gestão da Prova: para essa linha teórica, não existe sistema misto, uma 
 vez que define o sistema inquisitivo como sendo aquele em que há um juiz ativo na 
 produção de provas e o acusatório enquanto sistema em que o juiz permanecesse 
 inerte na produção probatória. 
 - Inexistência de meio termo. 
 - Teoria dos Elementos Fixos: propõe que é preciso ter dois elementos que nunca 
 mudam no sistema misto: 
 - Princípio acusatório: tem que ter um acusador diferente do juiz (buscado do 
 sistema acusatório). 
 - A forma como o processo começa aproveita duas situações próprias do 
 sistema inquisitivo: 
 - O processo começa de ofício (pelo juiz); 
 - O processo começa com uma notitia criminis (B.O.). 
 - A acusação fica no meio, na divisão, das duas fases do 
 processo: a fase de investigação (processo) começa por um 
 boletim de ocorrência ou porque o juiz quer, depois é feita toda 
 a investigação e, após a conclusão, faz-se a acusação. 
 - A acusação abre a segunda fase do processo que é a fase de 
 instrução e julgamento. 
 - Processo começa, portanto, já na fase de investigação. 
 - Forma mais simples de assegurar que a persecução penal terá início, 
 ou seja, que quem praticou um crime não ficará impune. 
 - Mesmo que o acusador não queira oferecer a denúncia depois, a 
 investigação criminal será realizada, podendo inclusive a pessoa ser 
 presa em flagrante ou preventivamente. Logo, a primeira etapa do 
 processo irá existir. 
 Sistema Processual Penal Prevalente: 
 Qual dos sistemas se ajusta as necessidades nos dias atuais? 
 - Sistema Acusatório Clássico: apresenta, como problema, a imperfeição da 
 impunidade pela existência da figura dos acusadores populares ou particulares. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Sistema Inquisitivo Clássico: tinha, como problema básico, o rigor na busca de 
 informações, pela necessidade de se ter um ‘condenado’ e o modelo de participação 
 do juiz do processo, com imparcialidade e erros judiciais. 
 - Sistema Misto: o problema é a forma como o processo tem início, ou seja, mesmo 
 antes da abertura da acusação. 
 - A abertura do processo sem provocação do Poder Judiciário (= oferecimento 
 da acusação). 
 - Perda de imparcialidade do juiz que investiga (= juizado de instrução). Juiz 
 agindo como delegado de polícia. 
 Assim, todos os sistemas possuem seus problemas. Entretanto, o sistema 
 acusatório é visto como sendo o melhor dentre os três que existiram ao longo da 
 história, estando em ascenção no ocidente. 
 No Brasil, o sistema misto é situação isolada, somente ocorrendo com a 
 possibilidade de abertura de investigação pelo STF. 
 Sistema Processual Penal Brasileiro: 
 Qual dos sistemas nós temos? 
 - Sistema acusatório: 
 - O argumento utilizado para justificar que seria esse o nosso sistema é o de 
 que o MP é o titular da ação penal (art. 129, I, CFB) . Assim, haveria 
 separação obrigatória entre quem acusa e quem julga. 
 - O problema é que deixa de fora as ações penais privadas que, 
 embora não sejam muitas, existem no processo penal nacional. 
 - Se a definição não abrange a totalidade das ações que temos, ela não 
 responde a questão. 
 - Outro argumento seria o das garantias processuais contidas na CFB. 
 - O problema é que há países que adotam o sistema misto e possuem 
 as mesmas garantias adotadas pela nossa (ou até mais). Logo, as 
 garantias constitucionais não definem o sistema processual penal 
 como sendo acusatório. 
 - Ainda, tem-se o argumento de que o sistema é acusatório porque se adota o 
 regime democrático de direito . 
 - Mesma lógica dos países que tem o sistema misto mas também são 
 países que adotam um estado democrático de direito (Espanha, por 
 exemplo). 
 - Não é suficiente, também, para delimitar um sistema processual 
 penal como acusatório. Na Espanha, por exemplo, tem-se a lógica do 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 juizado de instrução do sistema misto, ou seja, quem investiga é o 
 juiz, ainda que seja um estado democrático. 
 - Sistema Inquisitivo: 
 - Tem-se o argumento de que seria o sistema inquisitivo o adotado noBrasil 
 por conta da Teoria da Gestão da Prova , já que a legislação brasileira 
 autoriza que o juiz atue de ofício na fase probatória, ainda que com 
 limitações. 
 - Teoria sem credibilidade e vazia de importância. 
 - Sistema Misto: 
 - A linha teórica que defende a existência do sistema misto no brasil pela 
 existência do inquérito policial . Logo, para o autor que defende, a primeira 
 fase do sistema misto seria o inquérito, que possui a lógica do sistema 
 inquisitivo. E a segunda parte, com o oferecimento da denúncia, que possui 
 uma lógica mais acusatória. 
 - O problema é que o sistema misto, por ser de processo penal, exige 
 que a primeira fase seja processual. Deveria ter natureza processual 
 e o inquérito processual no brasil, todavia, é de natureza 
 administrativa, portanto não tem o condão de iniciar um processo 
 penal. 
 - Via de regra, o processo começa por meio da acusação/pelo juiz. 
 - Ainda, há uma indefinição sistêmica: ausência de previsão constitucional ou 
 legal de um sistema processual penal misto. 
 No brasil, temos, no mínimo, duas lógicas de sistema processual penal: 
 - A lógica do Sistema Acusatório (teve ter um acusador diferente do juiz e 
 processo iniciando com a acusação); 
 - A lógica de que se deve ter um acusador diferente do juiz, mas com o 
 processo iniciando através da investigação criminal judicial (caso dos 
 processos/investigações liderados pelo STF). (exceção). 
 A existência dessas duas lógicas exclui o conceito de sistema . 
 Não sendo o processo penal de um país tratado de forma uníssona, tendo mais de 
 um sistema aplicado no país (ou mais de uma lógica), não se tem, então, nenhum sistema 
 aplicado . Portanto, é necessária uma definição legislativa. 
 - Proposição: art. 5º (...). LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação 
 pública, se esta não for intentada no prazo legal. 
 - Nesse caso, poderia ser alterado para constar “ o processo será de 
 natureza acusatória , sendo admitida ação privada…(...)”. 
 - Anteprojeto de Reforma do Código de Processo Penal: 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Definição sistêmica (PLS 156/2009 - continua tramitando): 
 - Art. 4º. O processo penal terá estrutura acusatória, nos limites 
 definidos neste Código , vedada a iniciativa do juiz na fase de 
 investigação e a substituição da atuação probatória do órgão 
 de acusação. 
 - PL 8045/2010: abriu novo número de processo, 
 mantendo a preocupação com a definição do sistema, 
 mantendo aquela redação. 
 - CPP (Lei 13.964/2019 - Pacote Anti Crime) 
 - Art. 3-Aº. O processo penal terá estrutura acusatória , (...). 
 INVESTIGAÇÃO POLICIAL: 
 Trata-se da investigação pela Polícia Judiciária, composta pela Polícia Federal e pela 
 Polícia Civil. 
 - Instrumento: 
 - Inquérito policial. 
 Teoria Geral do Inquérito Policial: 
 - Definição: 
 - Decreto nº 4.824, de 28/11/1871. Art. 42. O inquérito policial consiste em 
 todas as diligências necessárias para o descobrimento dos fatos criminosos, 
 de suas circunstâncias e de seus autores e cúmplices , devendo ser reduzido 
 a instrumento inscrito. 
 - Atualmente, não possui uma definição legal (prevista em lei). 
 - Ao longo do tempo, essa lógica definitória foi se verificando com outras 
 palavras em nossa legislação. O próprio CPP, em seu art. 4º, não fala do 
 inquérito, mas fala do exercício da atividade da polícia judiciária. 
 - Art. 4º CPP. A polícia judiciária será exercida pelas autoridades 
 policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim 
 a apuração das infrações penais e da sua autoria . 
 - Lei nº 12.830/2013. Art. 2º, §1º. Ao delegado de polícia, na qualidade de 
 autoridade policial, cabe a condução da investigação criminal por meio de 
 inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como 
 objetivo a apuração das circunstâncias, da materialidade e da autoria das 
 infrações penais . 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Não há uma definição específica do inquérito policial, mas fala da 
 autoridade do delegado ser exercida por meio de inquérito ou outro 
 procedimento previsto em lei, devendo estarem voltados à apuração 
 das circuntâncias, materialidade e autoria . 
 - Finalidade: 
 - Apuratória, investigatória. 
 - Não tem finalidade punitiva. 
 - Não é por meio do inquérito que irá se chegar à condenação de 
 alguém ou somente a apuração de informações destinadas a reforçar 
 a atividade do acusador, seja ele público ou não-público. 
 - Natureza jurídica: 
 - Administrativa : 
 - Ele não se configura como processo aberto. 
 - Na nossa história, anteriormente à Constituição de 88, houveram 
 situações em que o inquérito policial se configurava como processo 
 aberto, tendo natureza processual, mas eram casos muito pontuais. 
 - Com a Constituição de 88, que deu a titularidade exclusiva da ação 
 penal ao MP e, por consequência, com a ação penal, a abertura do 
 processo, somente ali é que o inquérito policial ficou restrito à esfera 
 administrativa. 
 - Para que algo seja considerado processo, portanto, somente a 
 partir do ajuizamento da ação penal. 
 - Presidência do Inquérito Policial: 
 - Cabe, de forma exclusiva , à Autoridade Policial. 
 - Art. 4º, caput, CPP. A polícia judiciária será exercida pelas autoridades 
 policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim 
 a apuração das infrações penais e sua autoria. 
 - Art. 144, §4º, CF. Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia 
 de carreira , incumbem, ressalvada a competência da União, as 
 funções de polícia judiciária e apuração de infrações penais , exceto as 
 militares. 
 - Não é correto dizer que o MP, pelo controle externo que exerce sobre a 
 investigação criminal da polícia, possui algum tipo de ascendência sobre à 
 autoridade policial. 
 - Da mesma forma, não se pode dizer que o fato de o juiz (Poder 
 Judiciário) controlar a legalidade dos atos do inquérito policial e dos 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 pedidos feitos na esfera de investigação, tem algum tipo de comando 
 sobre o inquérito. 
 - Somente a autoridade policial tem o comando sobre o inquérito . 
 - Presidência x Condução: 
 - Art. 47, CPP. Se o Ministério Público julgar necessários maiores 
 esclarecimentos e documentos complementares ou novos elementos de 
 convicção, deverá requisitá-los, diretamente, de quaisuqer autoridades ou 
 funcionários que devam ou possam fornecê-los . 
 - Significa que, de posse do inquérito policial, o MP pode complementá-lo. 
 - Como que esse inquérito chega até o Ministério Público? 
 - Quando ele já foi finalizado , momento em que o delegado de 
 polícia encerrou a sua atividade investigatória e remeteu o 
 inquérito ao Poder Judiciário, chegando às mãos do MP. 
 - Em lugar do MP requisitar diligências para o delegado 
 de polícia, ele pode já, de imediato, requisitar 
 diligências diretamente para quem deve prestá-las, 
 evitando a demora na tramitação do inquérito policial, 
 em razão da sobrecarga de trabalho que atinge a 
 Polícia Judiciária. 
 - Quando a autoridade policial faz algum tipo de pedido de 
 prorrogação do prazo do inquérito policial . Ele remete o 
 inquérito àautoridade judicial, solicitando que o prazo da 
 investigação seja ampliado. 
 - De posse desse inquérito, pode o MP dar sequência a 
 investigação dentro daquilo que ele entenda que seja 
 necessário, com a finalidade de encerrar o quanto 
 antes a investigação para que ele possa ajuizar, de 
 logo, a ação penal condenatória que lhe cabe. 
 - Verificação Preliminar de Informação: 
 - Referido como “ outro tipo de instrumento investigatório .” 
 - Art. 5º. (...)§ 3º, CPP. Qualquer pessoa do povo que tiver 
 conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação 
 pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade 
 policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará 
 instaurar inquérito . 
 - Sempre que a autoridade policial tiver dúvidas sobre a instauração ou não de 
 inquérito policial, ele poderá dar margem a abertura de um expediente para 
 obter informações que deem mais segurança para a instauração do inquérito 
 policial. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Esse tipo de expediente não precisa ocorrer sempre, mas somente quando 
 houver alguma dúvida sobre a veracidade das informações que foram dadas 
 à autoridade policial quando da solicitação de abertura de algum inquérito 
 policial. 
 - Características da investigação criminal (inquérito) : 
 - Prescindibilidade: 
 - Art. 4º, § único. A competência definida neste artigo não excluirá a de 
 autoridade administrativas , a quem por lei seja cometida a mesma 
 função. 
 - O inquérito policial não é imprescindível para o ajuizamento da 
 ação penal condenatória, seja por parte do MP ou de outra 
 pessoa com legitimidade para tanto. 
 - Desde a década de 40, quando da entrada em vigor do CPP, 
 era possível a existência de outras investigações diversas 
 daquelas que é a policial. 
 - Após a entrada em virgor do CPP, nunca a polícia judiciária teve a 
 exclusividade da investigação criminal. 
 - Importante ponto nas discussões que já ocorreram em torno 
 da legalidade/constitucionalidade ou não da investigação do 
 MP. 
 - Indisponibilidade: 
 - A autoridade policial não pode dispor de uma investigação criminal já 
 instaurada , ou seja, não pode determinar o arquivamento de um 
 inquérito policial. 
 - Isto pois a investigação não tem por destino ele próprio. Uma 
 vez instaurada a investigação criminal, ela deve ser levada até 
 o final. 
 - Boletins de Ocorrência - situação diferente. 
 - Os B.O.s podem permitir o delegado utilizá-los para instaurar 
 inquérito policial ou não instaurar. De um B.O. em que apareça 
 um fato atípico, o delegado de polícia possui plena liberdade 
 para determinar o seu arquivamento, justamente porque o fato 
 não se configura em um ilícito que precise ser apurado na 
 sequência. 
 - Fatos em que há atipicidade material. Exemplo: crimes 
 de bagatela (crimes de um valor insignificante). 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Ruído na doutrina: delegado deve ou não instaurar inquéritos 
 policiais quanto o crime apurado disser respeito a um fato que atinge 
 ao princípio da insignificância? 
 - Consolidado na jurisprudência e doutrina: não cabe ao 
 delegado de polícia fazer essa avaliação, até porque ele não 
 tem muitos elementos que estão junto ao MP ou junto ao 
 Poder Judiciário que pode corroroborar ou afastar esse 
 entendimento da autoridade policial quanto à atipicidade 
 material. 
 - Logo, o entendimento predominante é que mesmo 
 diante de um fato que aparentemente tenha uma 
 atipicidade material, a autoridade policial deve instaurar 
 a investigação criminal e levá-la até o final. 
 - Inquérito Escrito: 
 - Art. 9º CPP. Todas as peças do inquérito policial serão, num só 
 processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, 
 rubricadas pela autoridade. 
 - “Datilografadas” por ser substituído, hoje, por digitado ou 
 filmado, importando que as informações estejam 
 materializadas em algum local a fim de que tudo aquilo que foi 
 produzido ao longo do inquérito policial seja possível de ser 
 acompanhado/conhecido por outras pessoas que não tiveram 
 contato com o inquérito. 
 - Ex.: O MP a hora de analisar a investigação para ver se 
 oferece ou não a acusação; o Poder Judiciário, na hora 
 de ver se concorda ou não com o recebimento da 
 acusação apresentada pelo MP. 
 - Escrito se refere à manuscrito. Os inquéritos policiais antigos eram 
 redigidos à mão. 
 - Sigiloso: 
 - Art. 20, CPP. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário 
 à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. 
 - Art. 5º, inc. LX, CF: a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
 processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o 
 exigirem. 
 - Esse sigiliso não é uma peculiaridade do direito brasileiro, sendo 
 encontrado em toda e qualquer legislação. 
 - Motivos históricos: 
 - Legislação espanhola. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Exposição de motivos do CPP espanhol (1882). 
 - Francesco Carnelutti (doutrina clássica italiana). 
 - Justificativa: 
 - O investigado teve a possibilidade de planejar, executar, 
 consumar a infração penal e se evadir. Caso desse a ele, 
 também, a possibilidade de ter contato com a investigação 
 criminal de forma completa, o que se daria ele seria a 
 possibilidade de atrapalhar a investigação criminal. 
 - Obs.: não se trata de juízo de valor em relação a se 
 defesa fica prejudicada ou não, aqui só se está 
 reproduzindo a lógica que levou a todo e qualquer país 
 a possibilidade de haver o sigilo em sua investigação 
 criminal. 
 - Poderá ter um momento em que o investigado venha a ter 
 contato com a investigação criminal, mas ela nunca se dará 
 de forma completa, sob pena de atrapalhar a busca de 
 informações para seu prosseguimento. 
 - Súmula Vinculante n. 14, STF: “É direito do defensor, no interesse 
 do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já 
 documentados, em procedimento investigatório realizado por órgão 
 com competência de polícia judiciária , digam respeito ao exercício do 
 direito de defesa.” 
 - O investigado, por meio de seu defensor, pode ter acesso a 
 investigação criminal, mas somente aquilo que já estiver 
 documentado. Essa exigência de documentação se refere 
 àquelas medidas que ainda podem estar em andamento, 
 como buscas e apreensões, cujos mandados estão na rua e 
 ainda não foram cumpridos. Se a defesa souber desses 
 mandados ainda não cumpridos, poderá ter-se uma 
 dificuldade da autoridade policial em cumprí-los. 
 - Também se aplica às situações de interceptações telefônicas 
 em andamento, pois, caso o investigado saiba, será 
 prejudicada a sua realização. 
 - Quem decreta o sigilo? 
 - Delegado de Polícia (autoridade policial). 
 - Art. 20, CPP. A autoridade assegurará no inquérito o 
 sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo 
 interesse da sociedade. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - É a autoridade policial a responsável pelo cuidado com 
 o sigilo neste instrumento investigatório. 
 - Poder Judiciário . 
 - Lei nº 12.850/2013 - Lei das Organizações Criminosas. 
 Art.23. O sigilo da investigação poderá ser decretado 
 pela autoridade judicial competente , (...). 
 - Não faz referência à autoridade policial, mas sim ao 
 juiz. A lógica que atinge esse dispositivo, diz respeito a 
 discussão acerca da natureza do sigilo e da 
 publicidade. 
 - O sigilo é uma exceção à publicidade dos atos 
 processuais, no sentido mais amplo (não só do 
 processo em si, mas também da investigação). 
 - Por se encontrar no art. 5º da CF, a ideia é de que todo 
 o direito fundamental deve ser restringido somente por 
 ato da autoridade judicial, ou seja, neste ponto, haveria 
 a reserva de jurisdição. (Questão defendida pelo 
 professor desde 2006). 
 - Porém, no direito brasileiro, é resguardada 
 somente nesse dispositivo de Lei. 
 - Há projetos de lei tramitando, de modo que 
 cada vez mais se tem avançado para que a 
 autoridade policial não seja a responsável pelo 
 decreto de sigilo, e sim somente a autoridade 
 judicial. 
 - Inquérito Inquisitivo: 
 - Motivos: 
 - Ausência de publicidade da investigação criminal; 
 - O fato de não haver uma ampla defesa, de forma tal como 
 ocorre no processo; 
 - Não poder incidir o princípio do contraditório. 
 - Todos esses apontamentos não se justificam, todavia, para invocar o 
 caráter inquisitivo do inquérito policial. 
 - Isto pois, por ‘inquisitivo’, nós temos, tecnicamente, princípio 
 inquisitivo ou sistema inquisitivo. Quando se fala em princípio 
 inquisitivo , temos uma confusão entre quem acusa e quem 
 julga - no inquérito policial, não tem nenhum acusador e 
 nenhum julgador. Dessa forma, sob o ponto de vista 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 principiologico, não cabe afirmar que o inquérito tem essa 
 característica de ser inquisitivo. 
 - Já sobre o aspecto sistêmico , vinculando-o ao sistema 
 inquisitivo, o inquérito policial tampouco pode apresentar essa 
 característica, vez que o sistema inquisitivo é um sistema de 
 processo penal, e não um sistema de investigação criminal ou 
 de persecução penal. 
 - Quando se fala em sistema de persecução penal, aí 
 sim tem-se a primária (fase de investigação), 
 secundária (fase de processo de conhecimento), 
 terceária (após a condenação, com a execução penal. 
 O sistema inquisitivo só poderia existir na segunda 
 fase. 
 - Logo, a investigação/inquérito policial não poderia ter como 
 característica ser inquisitva, por ser de natureza administrativa e 
 não processual. 
 - Ele é um procedimento de natureza administrativa veinculado 
 ao princípio da legalidade. (Importante). 
 - Sendo o inquérito policial um instrumento que não admite 
 ilegalidades , sob pena de invalidade, ele não pode também, sob 
 esse ponto de vista, ser considerado inquisitivo. Todo servidor público, 
 de acordo com o art. 37 da CF, está veinculado ao princípio da 
 legalidade, sendo o caso da autoridade policial. 
 - O fundamento invocado para atribuir ter característica 
 inquisitiva do inquérito policial cai por terra com o simples 
 exame do que significa ser inquisitivo. 
 - Ausência de exclusividade investigatória policial. 
 - Art. 4º, §único, CPP. 
 - PLS 135/2018. 
 - Caso Favela Nova Brasília vs. Brasil. 
 - Nos fatos envolvendo crimes praticados por policiais no 
 exercício da função, e sendo esses fatos ligados a crimes de 
 homicídios, tortura e estupro, esses crimes deveriam ser 
 investigados não pode pela polícia judiciária, mas sim pelo MP 
 ou pelo Poder Judiciário. 
 - O parlamento brasileiro entendeu, em especial o Senado 
 Federal, que essa investigação deveria ser realizada pelo MP, 
 ao se propor o PLS 135/2018. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - O importante é que se tenha noção dessa restrição que foi proposta - 
 exclusão da polícia judiciária com a assunção da investigação criminal 
 somente pelo MP ou pelo Poder Judiciário, tal qual foi a condenação 
 que se teve no caso Favela Nova Brasília. 
 - Início do Inquérito Policial: 
 - Como que o fato/delito chega ao conhecimento da autoridade policial? Em 
 três situações diferentes , conforme a doutrina: 
 - Cognição imediata; 
 - Meios de comunicação, informação pessoal. 
 - Quando a autoridade policial toma contato diretamente com a 
 existência de um fato seja por uma informação pessoal 
 transmitida à ela, ou pelos meios de comunicação, em que o 
 delegado de polícia tem condições de ter acesso. 
 - Cognição mediata; 
 - Notitia criminis por escrito. 
 - É levado ao conhecimento do delegado pelos B.O.s. Não toma 
 contato com pessoas, mas por meio de reclamações e 
 pedidos de providências por escrito. 
 - Cognição coercitiva. 
 - APF. 
 - Na lavratura dos autos de prisão em flagrante, onde o 
 conhecimento sobre a infração penal é levado 
 obrigatoriamente levado ao delegado de polícia, em razão de 
 uma prisão em flagrante que veio a ocorrer. 
 - Para que essa prisão seja formalizada, é preciso tomar uma 
 série de procedimentos, sendo o primeiro deles levar essa 
 pessoa à autoridade policial. 
 - Formas de Instauração do Inquérito Policial: 
 - De ofício; 
 - Só nos crimes de ação penal pública incondicionada. 
 - Caso em que o Estado tem a obrigação de atuar indepentemente da 
 vontade da pessoa ofendida. 
 - Por requerimento do ofendido; 
 - Representação ; 
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 - Nas hipóteses em que o crime é de ação penal pública 
 condicionada á vontade do ofendido. 
 - Requerimento . 
 - Provocação que uma pessoa faz à autoridade policial, pelo 
 meio que entender adequada (geralmente por meio de registro 
 de ocorrência (B.O.) ou por petição (chamada de 
 requerimento) que, via de regra, é encaminhada pelo ofendido 
 nos crimes de ação penal pública incondicionada ou nos 
 crimes de ação penal privada. 
 - Eventualmente, o requerimento também pode ser 
 enviado por qualquer pessoa do povo, desde que o 
 crime seja de ação pública incondicionada, dando 
 informação ao delegado para que ele possa tomar 
 providência. 
 - Possibilidade de negativa do requerimento por parte da autoridade 
 policial: o delegado de polícia não está vinculado à obrigação de 
 atendê-lo. 
 - No momento em que o delegado recebe o requerimento do 
 ofendido, ele pode atender correto se negar a instaurar o 
 inquérito policial. Isso se dá, dentre alguns motivos : 
 - Fato manifestamente atípico (o que se está noticiando 
 ao delegado não é crime); 
 - Já extinta a punibilidade do agente; 
 - Ser a autoridade incompetente para investigaão 
 criminal. 
 - Ocorre nos fatos em que aquele que deve ser 
 investigado é alguém com prerrogativa de 
 investigação (membro do MP ou integrante do 
 Poder Judiciário). As investigações criminais, 
 de acordo com legislação própria dessas 
 instituições, devem ser realizadas interna 
 corporis, ou seja, somente pelo próprio MP ou 
 PJ. 
 - Quando a autoridade policial se recusa a fazer essa 
 investigação policial ou indefere o requerimento, deste 
 indeferimento cabe recurso . 
 - Recurso de natureza administrativa encaminhado ao 
 Chefe de Polícia e, portanto, não é um recurso 
 encaminhado ao Poder Judiciário. 
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 - Art. 5º, §2º, CPP. Do despacho que indeferiro 
 requerimento de abertura de inquérito caberá 
 recurso para o chefe de Polícia. 
 - Não há um prazo específico para esse recurso, porém 
 a lógica aponta para que, quanto antes esse recurso 
 for interposto, mais rápida pode ser a definição desse 
 tema, com a manutenção da negativa por parte do 
 Chefe de Polícia ou pela reforma dessa decisão. 
 - Em havendo a reforma dessa decisão, o delegado de 
 polícia deverá instaurar a investigação criminal que 
 anteriormente foi requerida. 
 - Requisição. 
 - É uma ordem endereçada à autoridade policial, encaminhada pelo: 
 - Ministério Público. 
 - A possibilidade de requisição pelo Ministério Público 
 possui acento constitucional. 
 - Poder Judiciário. 
 - Problemática: possível parcialidade do juiz em 
 requisitar a abertura de uma investigação criminal que 
 ele mesmo irá julgar. 
 - Ministro da Justiça. 
 - Em relação ao Ministro da Justiça, essa requisição 
 somente se dará em caso de crime de ação penal 
 pública condicionada (a condição é justamente essa 
 requisição). 
 - Ocorre em situações que ocorrem o Chefe do Poder 
 Executivo Nacional ou autoridades extrangeiras que 
 estejam no Brasil (mandatários). 
 - Crimes contra a honra de Chefes de Governo 
 estrangeiro (art. 141, inc. I, c/c § único do art. 
 145, CP); 
 - Crime de injúria cometido contra o Presidente 
 da República (art. 141, inc. I, c/c § único do art. 
 145, CP e art. 26 da Lei de Segurança 
 Nacional). 
 - Crimes cometidos por estrangeiros contra 
 brasileiros fora do Brasi l (art. 7, §3º, letra “b”, 
 CP). 
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 - A abertura de inquérito policial por requisição também possui 
 possibilidade de negativa por parte da autoridade policial . 
 Logo, embora ela seja uma ordem, tem possibilidade de ser 
 rechaçada ou negada, nos casos de: 
 - Fato manifestamente atípico; 
 - Exigência de representação do ofendido ou requisição 
 do Ministro da Justiça no crime; 
 - Nesses casos as requisições do Ministério 
 Público e do Poder Judiciário não são possíveis. 
 - Já extinta a punibilidade do agente/fato que seria 
 investigado; 
 - Ser a autoridade incompetente. 
 - Ex.: Ministério Público requisitar a abertura de 
 investigação criminal contra um juiz e 
 vice-versa. Possibilidade de negativa pelo 
 delegado judicial pois não seria a autoridade 
 competente para investigar de acordo com a 
 legislação brasileira. 
 - Instrumento de Instauração do Inquérito Policial: 
 - Por portaria. 
 - Ato formal expedido pelo delegado de polícia que irá indicar a pessoa 
 investigada, o fato e as providências iniciais que esse inquérito policial 
 deverá seguir, a determinação da autoridade policial para que essas 
 providências sejam cumpridas e a assinatura do inquérito policial. 
 - Por auto de prisão em flagrante. 
 - Controvérsia: não é o auto de prisão em flagrante que instaura o 
 inquérito policial, mas sim a portaria. Porém, autores apontam a APF 
 como fator determinante para instauração do inquérito. 
 - o APF na verdade é uma forma de comunicação do crime/cognisção 
 obrigatória. 
 - O fato é que um fato somente será objeto de inquérito policial quando o 
 delegado de polícia expedir a portaria. 
 Teoria Geral do Inquérito Geral: 
 - Quem não pode ser investigado por meio de Inquérito Policial: 
 - Membros do MP. 
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 - Art. 41 da Lei nº 8.625/93. 
 - Integrantes do Poder Judiciário . 
 - Art. 33 da Lei Complementar nº 35/1979. 
 - Se tratam de investigações criminais corporativas, que são aquelas 
 realizadas pelas próprias instituições ou poderes quando o envolvido ou 
 investigado é membro/integrante desta. 
 Inquérito Policial nos crimes de Ação Penal Privada e Ação Penal 
 Pública Condicionada: 
 - Proibição de instauração de inquérito policial de ofício. 
 - Nos crimes de ação penal pública incondicionada , entretanto, o Estado tem o 
 dever de agir de ofício. 
 - Necessidade de provocação da autoridade policial. 
 - Quem pode provocar a instauração: 
 - Ofendido; 
 - Representante; 
 - Menor de idade ou ofendido com doença mental. 
 - CADI; 
 - Cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
 - Exceto quando o ofendido já morreu ou está ausente (morte 
 presumida). 
 - Curador. 
 - Quando há conflito de interesses entre ofendido e seu 
 representante, caso em que o próprio representante pode ser 
 o ofensor. 
 - Também nos casos quando o ofendido necessita e ainda não 
 possui representante. 
 - Citação em sede de Inquérito Policial: 
 - Art. 14-A. Nos casos em que servidores vinculados às instituições dispostas 
 no art. 144 da Constituição Federal figurarem como investigados em 
 inquéritos policiais, inquéritos policiais militares e demais procedimentos 
 extrajudiciais, cujo objeto for investigação de fatos relacionados ao uso da 
 força letal praticados no exercício profissional, de forma consumada ou 
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 tentada, incluindo as situações dispostas no art. 23 do Decreto-Lei nº 2.848, 
 de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), o indiciado poderá constituir 
 defendor. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019). 
 §1º Para os casos previstos no caput deste artigo, o investigado 
 deverá ser citado da instauração do procedimento investigatório , 
 podendo constituir defensor no prazo de até 48h a contar do 
 recebimento da citação. 
 - A citação é uma expressão que somente se aplica em processos 
 instaurados , após a ajuização de uma acusação contra essa pessoa. No 
 inquérito policial, de outra banda, não há processo instaurado e, também, não 
 há acusação formalizada contra a pessoa investigada, justamente por ter 
 natureza administrativa. 
 - Logo, a expressão “citação” deve ser interpretada como sendo 
 “notificação” . 
 - Professor entende que o correto é dizer que o investigado seria 
 “notificado” (e não citado) da investigação policial. 
 - Prazo para Instauração: 
 - 6 meses , a partir do conhecimento da autoria. 
 - CPP, art. 38. Salvo disposição em contrário , o ofendido, ou o seu 
 representante legal, decairá do direito de queixa ou de representação, 
 se não o exercer dentro do prazo de 6 meses, contato do dia em que 
 vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia 
 em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. 
 - Prazo aqui é decadencial . 
 - Somente se conta o prazo da data do fato para verificar o prazo 
 prescricional, que não é o caso aqui. 
 - Prazo para conclusão: 
 - Regra: 
 - 10 dias para pessoa investigada presa . 
 - 30 dias para pessoa investigada solta . 
 - Não se falará em prazos especiais nessa cadeira, mas sim dos prazos 
 gerais que o CPP apresenta. Os prazos especiais, que podem ser menores 
 do que os expostos em aula, serão de conhecimento dos alunos em outro 
 momento. 
 - Formas de participação do Ministério Público: 
 - Regra geral: 
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 - O MP pode requisitar a abertura do inquérito policial , sendo ele a 
 pessoa responsável pela abertura do inquérito. 
 - O MP também pode, ao longo da investigação criminal, determinar 
 que o delegado de polícia realize certas diligências que a Instituição 
 entende pertinentes. 
 - Ex.:MP pode requisitar que certa pessoa, que diz saber de 
 algum detalhe relevante, seja ouvida no inquérito por meio de 
 depoimento 
 - Outra forma de atuação é quando o Ministério Público recebe o 
 inquérito de alguma forma, após a sua finalização e encaminhamento 
 ao Poder Judiciário, que abriu vista ao Ministério Público. (situação 
 mais frequente) 
 - Exceção: acompanhamento. 
 - Lei nº 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas). Art. 2º, §7º. 
 Se houver indícios de participação de policial nos crimes de que trata 
 esta Lei, a Corregedoria de Polícia instaurará inquérito policial e 
 comunicará ao Ministério Público, que designará membro para 
 acompanhar o feito até sua conclusão. 
 - MP irá acompanhar este inquérito policial. 
 - Este acompanhamento não significa que o membro do MP terá 
 alguma ingerência no inquérito policial, dividindo a sua presidência 
 com o delegado que está à frente do inquérito. 
 - Somente poderá acompanhar depoimentos e diligências que 
 podem ser feitas fora da delegacia de polícia e requisitar 
 diligências ao delegado de polícia, porém sempre respeitanto a 
 hierarquia do delegado de polícia naquele inquérito. O inquérito, 
 por ser policial, deve ter a presidência do delegado que, por 
 conseguinte, será quem o comandará. MP somente 
 acompanha, não preside. 
 - Investigação Não Concluída: 
 - Término do prazo da investigação criminal, quando ainda não 
 concluída. 
 - Ex.: o término do prazo do inquérito, que era de 30 dias para 
 ser concluído, decorreu, porém a investigação ainda não 
 terminou. 
 - Art. 10, §3º, CPP. Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado 
 estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos 
 autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo 
 marcado pelo juiz. 
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 - Provocação judicial para que o Poder Judiciário autorize a 
 sequência do inquérito policial dando mais prazo à polícia. 
 - Ex.: indiciado solto - pedido de prorrogação de prazo. 
 Juiz se manifesta sobre o pedido e, em caso de 
 concordância, a investigação segue. 
 - Em caso de Indiciado preso, quais as posturas do Ministério Público 
 frente ao pedido de prorrogação de prazo pela autoridade policial? 
 - Diligências imprescindíveis. 
 - Aquelas em que o MP, frente ao conteúdo do inquérito, não tem 
 condições de acusar ainda. 
 - Nesses casos, a investigação deve continuar e o MP concorda 
 com a dilatação do prazo. 
 - Uma das consequências, todavia, poderá ser a soltura da 
 pessoa presa, mas, atualmente, é avaliado caso a caso (vem 
 sendo consolidada na jurisprudência). 
 - O próprio MP complementar o inquérito (Art. 47, CPP). 
 - Em lugar de concordar com a prorrogação do prazo do 
 inquérito, ele mesmo complementa aquele inquérito com o que 
 for considerado faltante. 
 - Ex.: tomada de depoimentos de pessoas que ainda que 
 haviam sido ouvidas. 
 - Requisitar diretamente de uma entidade, empresa ou setor 
 público documentos que o delegado gostaria que fizessem 
 parte da investigação. 
 - Antecipa aquilo que o delegado queria fazer, mas o próprio MP 
 faz. Colaboração com a autoridade policial - celeridade. 
 - Ainda, o próprio MP obtendo esses documentos, terá prazo 
 mais enxuto para oferecer a denúncia, sem que tenha que 
 esperar que a autoridade policial cumpra tudo que estava 
 pretendendo fazer para dar curso à investigação e, depois, 
 ainda tenha que remeter ao Poder Judiciário para que, só 
 então, chegue ao MP. 
 - Abrevia o caminho. 
 - Diligências prescindíveis. 
 - Aquelas que não são necessárias para que o MP possa 
 acusar. Quando as diligências consideradas faltantes no 
 inquérito são tidas como prescindíveis, e o delegado requer a 
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 prorrogação do prazo do inquérito, o MP pode oferecer a 
 denúncia com o inquérito naquela forma e, depois, ficar 
 esperando que essas diligências sejam apresentadas pelo 
 delegado de polícia. 
 - Ex.: falta ouvir uma ou duas testemunhas, que não são tão 
 importantes assim que justifiquem a prorrogação do prazo 
 para que possam ser ouvidas pelo delegado de polícia. Não 
 são fundamentais para aquele fato. 
 - Nesse caso, o MP pode oferecer a denúncia e já arrolar 
 essas testemunhas na acusação - falem direto no 
 processo. Ou então, sejam ouvidas posteriormente 
 pelo delegado, que encaminha ao MP. 
 - Relatório: 
 - Peça final que o delegado de polícia realizada. Pode ser comparado à 
 sentença que o juiz profere, pois possui a mesma estrutura de uma 
 sentença. 
 - No relatório, o delegado de polícia irá dizer: 
 - Porque aquela investigação criminal foi instaurada. (relatório) 
 - Quais as diligências realizadas. (fundamentação) 
 - Qual foi sua convicção quanto ao fato praticado. (convicção) 
 - Ao final, se há indícios ou não da prática daquele crime por parte da 
 pessoa investigada (autoria). (dispositivo) . 
 - Autenticação (data e assinatura) . 
 - O relatório é formato pelas mesmas partes de uma sentença (conforme em 
 parênteses). 
 - A ausência de relatório não torna o inquérito nulo (prescindível). 
 - Mas, ele é importante enquanto fechamento do inquérito policial. 
 - Análise de mérito. 
 - Questão: saber se o relatório é o momento em que o delegado deve 
 se aprofundar no mérito da questão investigada (citar doutrina, 
 jurisprudência, etc., para justificar sua convicção). 
 - Lei nº 11.343/2006. Art. 52. Findos os prazos a que se refere o 
 art. 51 desta Lei, a autoridade de polícia judiciária, rementendo 
 os autos do inquérito ao juízo: I - relatará sumariamente as 
 circunstâncias do fato, justificando as razões que a levaram à 
 classificação do delito , indicando a quantidade e natureza da 
 substância ou do produto apreendido, o local e as condições 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 em que se desenvolveu a ação criminosa, as circuntâncias da 
 prisão, a conduta, a qualificação e os antecedentes do agente. 
 - Essa exigência somente existe na Lei de Drogas, e existe para que o 
 delegado de polícia possa fundamentar a sua convicção sobre, por 
 exemplo, se o fato praticado foi o art. 33 (tráfico de drogas) ou art. 28 
 (posse para uso próprio). 
 - Pedido de Prisão Preventiva: 
 - Pode ser requerida pelo delegado de polícia, seja: 
 - Durante a investigação. 
 - Ao final da investigação. 
 - Pode ser requerida até mesmo no relatório, fazendo a 
 justificativa do porque entende que a pessoa investigada 
 deveria ser presa preventivamente. 
 - Problema dos requerimentos ao final das investigações : 
 - Deixam claro que não há uma necessidade de prisão preventiva 
 dessa pessoa pois, se houvesse de fato essa necessidade, ela teria 
 se dado ao longo da investigação e de forma apartada pelo delegado 
 (ou seja, fora do inquérito policial), e não somente ao final dela. 
 - Logo, quando os pedidos são feitos no final da investigação, dentro dos 
 relatórios, possuem grande probabilidade de não serem acatados, 
 justamente pela manifesta ausência de necessidade dessa prisão preventiva. 
 - Indiciamento: 
 - Trata-se do reconhecimento, por parte da autoridade investigante, de que há 
 indícios de autoria contraa pessoa que está sendo investigada. 
 - No RS, tem a tradição de ser realizado somente no relatório final autoridade 
 policial. 
 - No entanto, ele pode ocorrer ao longo de todo o inquérito policial. 
 - É um ato exclusivo da autoridade policial . 
 - Não é possível ao MP e ao Poder Judiciário requisitar à autoridade 
 policial que indiciem tal e qual pessoa. 
 - Antes de 2013, essa lógica de requisição de indiciamento para a autoridade 
 policial ocorria eventualmente. 
 - Situações em que membros do MP ou integrantes do Poder Judiciário 
 requisitavam ao delegado de polícia que indiciassem tal e qual 
 pessoa. 
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 - Divergência à época, que foi colocada a baixo com a Lei nº 12.830/2013: 
 Art. 2º, §6º. O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á 
 por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato, que 
 deverá indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias. 
 - Remessa do Inquérito: 
 - Feito o indiciamento, concluído a investigação criminal com o relatório final, o 
 inquérito é remetido para o Poder Judiciário ou imediatamente ao Ministério 
 Público. 
 - Ao Ministério Público (posturas): 
 - Ajuizamento da ação penal . 
 - Inquérito possui elementos suficientes. 
 - Arquivamento do Inquérito Policial . 
 - Em não havendo, o MP pode se manifestar pelo arquivamento 
 do inquérito. 
 - Hoje em dia, é encaminhado ao juiz, que fará a análise. 
 Observação:o CPP foi alterado nesse sentido(em 2019, mas a 
 alteração está suspensa por liminar do Supremo. 
 - Requisição de diligências. 
 - Em não havendo elementos suficientes, pode requisitar 
 complementação (diligências) ao delegado de polícia. 
 - Complementaão da investigação (conforme art. 47 do CPP). 
 - Feita pelo próprio MP. 
 - Incompetência do juízo. 
 - Exceção de inconpetência é quando o MP entende que aquele 
 juízo não é o competente para análise daquele fato. 
 - Ex.: veio a uma determinada Vara Criminal comum e o 
 membro do MP entende que não é o caso, devendo ser uma 
 outra Vara criminal que tenha competência para analisar 
 crimes dolosos contra a vida. 
 - Ex.: em Porto Alegre, acontece muito de um homicídio culposo 
 em uma Vara Criminal e o membro do MP mandar para o 
 Tribunal do Júri, ou requisitar ao juiz. 
 - Negativa de atribuição . 
 - Atinge somente o MP, sendo uma expressão própria para tal. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Juiz tem “competência” e MP tem “atribuição”. 
 - Quando o membro do MP entende que não é ele quem 
 deva analisar aquele inquérito, mas sim algum colega 
 dele, na mesma Vara Criminal. 
 - Ex.: A 17ª Vara Criminal possui várias promotorias 
 atuando. 
 - MP diz que não irá atuar naquele caso em específico porque 
 não é da atribuição dele. 
 - Formalizar negócio jurídico processual. 
 - Acordo de não persecução penal. 
 - Inserido no CPP em 2019, com vigência apra 2020. 
 Ainda não se tem uma dimensão de seu impacto. 
 - Se aplica para crimes com penas de até 4 anos. Incide na 
 quantidade de processos criminais tramitanto tramitando nas 
 varas criminais, mas quando o membro do MP se depara com 
 essa situação, terá que se manifestar se é caso de ANPP ou 
 não. 
 - Arquivamento do Inquérito Policial: 
 - Quem não pode arquivar: 
 - Art. 17, CPP. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autor 
 de inquérito. 
 - O posicionamento sobre o inquérito policial é do MP e o juiz decide 
 (CPP antigo). 
 - Quem vai determinar esse arquivamento? 
 - Pendência: julgamento da ADI que levou a suspensão do art. 28 do 
 CPP (artigo que determinava que quem ordenada o ordenamento de 
 inquérito policial era o juiz). 
 - Com a reforma de 2019, quem deveria ser o responsável pelo 
 arquivamento seria o MP. 
 - Cuidado : hoje, o art. 28 do CPP ainda tem aplicabilidade, mas a sua redação 
 foi modificada, porém está suspensa. 
 - Hipóteses de arquivamento: 
 - Atipicidade penal; 
 - Ausência de prova da materialidade. 
 - Ausência de indícios de autoria; 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Extinção da punibilidade; 
 - Excludente de ilicitude; 
 - Cumprimento de acordo de não persecução penal. 
 - Lembrar: também extingue a punibilidade, mas é preciso se 
 atentar aos casos em que cabe ANPP. 
 - Não acatamento do pedido de arquivamento: 
 - Art. 28, CPP (?). 
 - Hoje, se o juiz não deferir o pedido de arquivamento 
 feito pelo MP, o correto é seguir a redação antiga do 
 dispositivo. 
 - Assim, o próximo passo será encaminhar o inquérito 
 ao chefe do MP. Se o chefe do MP concordar com o 
 membro do MP no sentido de que deve ser arquivado, 
 a investigação termina ali. Do contrário, ou ele mesmo 
 acusa ou ele nomear outro membro do MP para 
 oferecer acusação (mais comum). 
 - Possibilidade de retratação do pedido: 
 - Membro do MP que requereu o arquivamento “volta atrás” e quer 
 oferecer denúncia. Pode? 
 - Vai depender de fato/informação nova ou provas novas obtidas 
 posteriormente ao pedido de arquivamento. 
 - Retratação do pedido significa que esse pedido ainda não foi avaliado 
 judicial. No MP, significa que houve um pedido mas o juízo não 
 analisou ainda. 
 - .É possível mas, para fazer isso, precisa apresentar os 
 elementos novos de cognição que teve, 
 - Arquivamento implícito: 
 - Hipóteses em que duas ou mais pessoas foram investigadas 
 criminalmente, ou dois os mais fatos foram investigados, dentro de 
 um mesmo inquérito. 
 - Ocorre quando há o ajuizamento da acusação, mas se deixou de 
 lado, nessa acusação, uma pessoa ou um fato . 
 - Sem haver esclarecimento do porque essa pessoa ou fato 
 ficou de fora do inquérito, chamamos de ‘arquivamento 
 implícito’. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Quando ocorre, o juiz devolve o processo ao MP (já existe uma 
 acusação, então é processo), para que ele informa o que ele pretende 
 fazer com essa pessoa ou fato que ficou de fora. 
 - Caso o MP não esclareça, o processo é remetido ao Chefe do 
 MP, para que tome uma daquelas providências faladas há 
 pouco (art. 28, CPP). 
 - O ajuizamento de uma ação, por parte do Ministério Público, 
 verificando-se a falta de informação em relação a outras pessoas ou 
 fatos que não foram acusados e estavam presentes no inquérito. 
 - Arquivamento parcial: 
 - Quando o MP requer o arquivamento, mas deixa de se manifestar 
 sobre outras pessoas ou outros fatos . 
 - Ex.: requereu o arquivamento em relação a ‘a’ e ‘b’, mas não 
 disse nada sobre ‘c’. 
 - Vai precisar se explicar. 
 - Diante dessa omissão, o resultado é o mesmo: juiz devolve ao MP. Se 
 o MP insistir, deverá ser remetido ao Chefe do MP, que irá esclarecer 
 ele mesmo ou nomeará alguém para esclarecer. 
 - Arquivamento indireto: 
 - Não é um arquivamento propriamente dito, significa o término de 
 tramitação de um determinado inquérito junto a uma Justiça . 
 - Ex.: Um inquérito sobre o tráfico de drogas internacional é 
 distribuído à polícia federal. No entanto, lá se vê que esse 
 tráfico, na verdade, é nacional, não sendo mais da 
 competência da JF. E vice-versa. 
 - Ele deverá sair da JF e ir para a Justiça Estadual, e o 
 número de protocolo deste inquérito na PF tem que ser 
 dado baixa.- Não é o arquivamento daquela investigação, mas sim a baixa da 
 numeração relativa a um determinado inquérito pois ele deixou de 
 tramitar perante àquela justiça. 
 - Recurso quanto a decisão de arquivamento: 
 - Lei nº 1.521/1951 (Crimes contra a Economia Popular ou contra a 
 saúde pública), art. 7º. Os juízes recorrerão de ofício sempre que 
 absolverem os acusados em processo por crime contra a economia 
 popular ou contra a saúde pública, ou quando determinarem o 
 arquivamento dos autos do respectivo inquérito policial. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - O juiz que determinou o arquivamento fará o que hoje se 
 chama de reexame necessário , remento esse inquérito para 
 análise ao Tribunal que está acima desse juiz. 
 - Lei nº 1.508/1951 (Procedimento nas contravenções de jogo do bicho 
 e outros jogos não autorizados), art. 6º. Quando qualquer povo do 
 povo provocar a iniciativa do Ministério Público, nos termos do art. 27 
 do CPP, para o processo tratado nesta Lei, a representação, depois 
 do registro pelo distribuidor do juízo, será por este enviada, 
 incontinente, ao Promotor Público, para os fins legais., § único: se a 
 representação for arquivada, poderá o seu autor interpor recurso no 
 sentido estrito. 
 - Interposição por qualquer pessoa do povo, mas restrito a essa 
 situação. 
 - Duas únicas hipóteses de recurso aplicáveis ao arquivamento 
 de inquérito policial. 
 - Desarquivamento de Inquérito Policial: 
 - Inquérito que foi arquivado e que precisa ser retomado. 
 - Após a avaliação pelo juiz e determinado o desarquivamento. 
 - Possibilidade: 
 - Art. 18, CPP. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela 
 autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade 
 policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver 
 notícia. 
 - Delegado de polícia obtem informações novas para dar 
 sequência ao inquérito. 
 - Não há o ajuizamento da ação aqui, mas o prosseguimento da 
 investigação criminal. 
 - Súmula 524 STF. Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, 
 a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser 
 iniciada sem novas provas. 
 - MP obtém provas novas e, no lugar de reabrir o inquérito, 
 utiliza aquele mesmo inquérito arquivado com a provas provas 
 para oferecer a sua acusação. 
 - Impossibilidade: 
 - Arquivamento por atipicidade do fato. 
 - Extinção da punibilidade. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Em ambas, não cabem, de acordo com doutrina e jurisprudência, o 
 desarquivamento do inquérito. 
 - Valor probatório do Inquérito Policial: 
 - Via de regra, o inquérito, como um todo, não tem valor probatório . O 
 que é considerado prova, é tudo aquilo que foi produzido sobre o crivo do 
 contraditório (provas orais). 
 - Art. 155, caput, CPP. O juiz formará a sua convicção pela livre 
 apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo 
 fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informaticos 
 colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não 
 repetíveis e antecipadas. 
 - Outras provas que não foram submetidas ao contraditório podem e têm 
 valor como se prova judicial fosse , como, por exemplo, as provas 
 cautelares, as não repetíceis e as antecipadas. 
 - Provas cautelares: busca e apreensão. 
 - Provas não repetíveis: certas provas periciais (que não podem ser 
 realizadas novamente - ex.: local do crime). 
 - Provas antecipadas: aquelas que devem ser tomadas antes da fase 
 probatória, na fase de investigação, pelo risco de perder essa prova. 
 Ex.: pessoa doente que pode morrer ou para preservar a qualidade da 
 prova. 
 - A hipótese do 155 somente se aplica aos juízes. 
 - No Tribunal do Júri , é autorizado julgar com base em qualquer informação 
 que esteja nos autos do processo: 
 - “Autos do processo” significa de capa a capa. 
 - Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 dias: 
 III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: 
 d) for decisão dos jurados manifestamente contrária à prova 
 dos autos. 
 - Vícios do Inquérito Policial: 
 - Grau do Vício: será determinante para apontar qual o seu destino. 
 - Alguns graus de irregularidades não levam a maiores consequências. 
 - Porém, certos graus de irregularidade ou de ilegalidade podem 
 macular todo o inquérito. 
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 - Ex.: Operação Satiagraha. Agentes da ABIN atuaram na 
 investigação criminal juntamente com a PF. O STJ entendeu 
 que os agentes da ABIN não poderiam ter feito esse tipo de 
 atuação, de modo que tudo aquilo que foi produzido com a 
 colaboração deles foi considerado ilícito e tudo desde o 
 inquérito foi anulado. Isso tudo mesmo após a pessoa ter sido 
 condenada em segundo grau. 
 - Um vício no inquérito anulou tudo que ocorreu a partir 
 do inquérito, inclusive a condenação. 
 - É preciso cuidar o grau do vício para ver a consequência que será extraída de 
 uma possível irregularidade ou ilegalidade verificada no inquérito policial. 
 - Afastamento do Delegado Polícia: 
 - Se o delegado pode ser afastado por suspeição ou por impedimento 
 (instrumentos para preservar a imparcialidade judicial). 
 - Art. 252-254, CPP. 
 - O CPP diz de maneira expressa que não cabe , ou seja, não 
 deve atingir o delegado situações de suspeição e, por 
 extensão, impedimento. Caso ele entenda que deva sair, ele 
 pode invocar a suspeição, mas não pode ser apontado como 
 suspeito. 
 - Art. 107, CPP. Não se poderá opor suspeição às autoridades 
 policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se 
 suspeitas, quando ocorrer motivo legal. 
 - Problema: ele não se coaduna com a Constituição. A interpretação 
 está sendo feita de cima pra baixo, pois considera-se que do art. 107 
 é Constitucional, quase que por que “ele estava lá” quando a CF 
 entrou em vigor, então ela que se ‘coadune’ a ele. 
 - Art. 37 CF. Diz que os agentes públicos estão sujeitos ao 
 princípio da impessoalidade. Esse é o princípio que dá motivo 
 ao afastamento das pessoas que tem algum tipo de 
 comprometimento em sua atuação. 
 - O princípio da impessoalidade, sob o aspecto constitucional, 
 torna esse dispositivo do CPP inconstitucional. 
 - Poderes do Delegado de Polícia: 
 - Arbitramento de fiança. 
 - Art. 322, CPP. A autoridade policial somente poderá conceder fiança 
 nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxiam não 
 seja superior a 4 anos. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - O delegado, pelo CPP, pode impor uma medida cautelar pessoal. 
 - Problema: ela é uma cautelar e, por tal, há reserva de 
 jurisdição, de modo que não deveria ser o delegado de polícia 
 a arbitrar uma fiança (ou a impor uma medida cautelar 
 pessoal), justamente porque isso está reservado, de acordo 
 com o texto constitucional, somente para atuação judicial. 
 - Medida Protetiva de Urgência (Lei Maria da Penha) . 
 - Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à 
 integridade física da mulher em situação de violência doméstica e 
 familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente 
 afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida: 
 - I -pela autoridade judicial; 
 - II - pelo delegado de polícia , quando o Município não for sede 
 de comarca; ou 
 - III - pelo policial , quando o Município não for sede de comarca e 
 não houver delegado disponível no momento da denúncia. 
 - Possibilita que o delegado possa, também, caso não haja juiz na 
 cidade, determinar o afastamento do agressor do lar . 
 - Contra esse dispositivo, houve ajuizamento de ADI, justamente 
 por apontar o delegado de polícia como exercendo uma 
 medida cautelar que é atingida pela reserva de jurisdição. 
 - Celebrar Acordo de Colaboração Premiada. 
 - Art. 4º, §2º. Considerando a relevância da colaboração prestada, o MP, 
 a qualquer tempo, e o delegado de polícia, nos autos do inquérito 
 policial , com a manifestação do MP, poderão requerer ou representar 
 ao juiz pela concessão de perdão judicial ao colaborador, ainda que 
 esse benefício não tenha sido previsto na proposta inicial, 
 aplicando-se, no que couber, o art. 28 do CPP. 
 - Diz respeito somente ao apenamento, e não ao ajuizamento 
 ou não de ação penal. 
 - Somente o delegado de polícia pode fazer isso . 
 - Mesmo sem concordância do MP, é possível tratar o delegado 
 de polícia deste tema, desde que não tenha reflexos no 
 ajuizamento da ação, pois a questão que envolve o 
 ajuizamento da ação é exclusiva do MP. 
 - ADI 5503. Reconheceu que o delegado pode celebrar acordo de não 
 persecução penal que não diga respeito ao ajuizamento ou não da 
 ação, mas só com questões relativas à punição/pena. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 INVESTIGAÇÕES CRIMINAIS EXTRAPOLICIAIS 
 Trata-se daquelas outras investigações criminais além daquelas procedidas pela 
 polícia judiciária. Decorre do CPP: 
 - Art. 4º, § único. A competência definida neste artigo não excluirá a de 
 autoridades administrativas , a quem por lei seja cometida a mesma função. 
 - Ausência de exclusividade investigatória policial. 
 A Constituição Federal também prevendo quem pode investigar ou, a partir de seu 
 texto, interpretando quem pode investigar criminalmente no Brasil. 
 - Modalidades de Investigação Criminal (não é taxativo): 
 - Investigação policial. 
 - Inquérito Policial. 
 - Aquela realizada em regra no Brasil. 
 - Investigação do Ministério Público. 
 - Procedimento investigatório criminal. 
 - Investigação Judicial . 
 - Inquérito judicial. 
 - Investigação parlamentar . 
 - Polícia parlamentar. 
 - Não se trata de CPI, mas sim do trabalho realizado pela polícia 
 parlamentar, nos crimes cuja competência cabe a ela realizar. 
 Investigação Criminal do Ministério Público: 
 Panorâma Histórico: 
 - Origem da investigação criminal do acusador: 
 - É uma realidade que remonta à Idade Antiga, tanto no Direito Ateniense, 
 quanto no Direito Romano. 
 - Era o costume de quem fosse oferecer a sua acusação, que ele mesmo se 
 encarregasse de fazer a acusação criminal que sustentasse aquela 
 investigação criminal. 
 - A regra era, a época, que a acusação e, por consequência, a 
 investigação fossem realizadas por um acusador particular (ofendido) 
 ou por um acusador popular (qualquer pessoa do povo). 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Raramente havia um acusador público (que acusasse em nome do 
 Poder Público). 
 - Com a criação do MP e a regulamentação de sua atividade, isso foi alterado. 
 - Investigação criminal do Ministério Público: 
 - O documento histórico que apresenta a primeira menção à investigação 
 criminal do Ministério Público é o Code d’Instruccion Criminelle , de 
 Napoleão Bonaparte (Decreto de 17/11/1808, entrou em vigor em 
 01/01/1811). 
 - Esse foi o Código que substituiu a legislação pós-revolucionária na 
 França e, por conseguinte, é o código que instituiu o sistema misto no 
 Direito Francês e, após, por toda a Europa e suas Colônias 
 (principalmente espanholas e portuguesas). 
 - Principais Características desse Código: 
 - Multiplicidade de legitimados a investigar (arts. 8 e 9, sendo neste 
 último que aparece o MP). 
 - Investigação criminal do Procurador Imperial: 
 - Investigação oficial: primeiro tipo de investigação criminal. 
 Prevista expressamente no texto daquela codificação. 
 - Natureza Processual. A investigação criminal feita pelo MP, à 
 época, era considerada processo instaurado. 
 - Hipóteses: 
 - Flagrante delito. 
 - Mp tinha legitimidade para investigar. 
 - Provocação do dono da casa. 
 - Casa onde tinha sido cometido o delito. 
 - Sem essa solicitação, não estava autorizado a 
 investigar. 
 - Investigação oficiosa do Procurador Imperial: 
 - Natureza administrativa. 
 - Feita fora dos casos admitidos pelo Código de instrução 
 criminal francês. 
 - Surgiu a partir do reconhecimento da sociedade 
 francesa no que diz respeito a respeitabilidade da 
 investigação criminal que era feita pelo MP. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Com o tempo, em razão daquelas duas 
 possibilidades de investigação criminal 
 previstas, como o MP atuava bem, a população 
 começou a procurar à Instituição para que ela 
 pudesse solucionar outros tipos de delitos fora 
 aquelas duas possibilidades. 
 - Em razão disso, o MP passou a se aventurar na investigação 
 criminal de outros casos além daqueles dois. 
 - Essas investigações oficiosas tiveram o reconhecimento de 
 sua legalidade pelos Tribunais franceses do século XIX. 
 - Foi reconhecida como tendo natureza administrativa 
 por não possuir previsão legal. 
 - Reflexos do reconhecimento da Investigação Criminal do MP na Europa: 
 - Admissão da investigação criminal pelo MP na Alemanha (1974), Portugal 
 (1988), Itália (1989). 
 - Todos esses países fizeram alterações em seus CPPs para substituir a 
 figura de um juiz investigador criminal, pela figura de um MP investigador 
 criminal. 
 - Reflexos no Brasil: 
 - A investigação criminal pelo Ministério Público surgiu, pela primeira vez, na 
 Lei Complementar nº 41/1980 (lei orgânica do MP). 
 Art. 20, § único. Quando, no curso de investigação, houver indício de 
 prática de infração penal por parte de membro do Ministério Público, a 
 autoridade policial estadual remeterá imediatamente os respectivos 
 autos ao Procurador-Geral de Justiça. 
 - Ministério Público como um todo. 
 - A investigação criminal ficou restrita às situações em que um membro 
 do Ministério Público tivesse praticado algum tipo de infração penal. 
 Neste caso, quem deveria investigar o membro seria o próprio MP, por 
 meio do seu Procurador Geral em específico, ou mediante 
 designação. 
 - Essa Lei não permitia, portanto, que essa investigação criminal fosse 
 conduzida pela polícia. Foi uma legislação que se constituiu enquanto 
 marco da primeira vez em que uma legislação brasileira outorgava ao 
 MP a legitimidade para investigar criminal, ainda que em uma situação 
 particular . 
 - Com a entrada em vigor da CF/88, o legislador entendeu por rever a Lei 
 Orgânica do MP e fracionála entre Lei Orgânica do MPE e Lei Orgânica do 
 MPU. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Lei Orgânica do Ministério Público Estadual: Lei Complementar nº 
 8.625/1993. 
 - Art. 41, § único. Quando no curso de investigação, houver 
 indício da prática de infração penal por parte de membro do 
 Ministério Público,a autoridade policial, civil ou militar 
 remeterá, imediatamente, os respectivos autos ao 
 Procurador-Geral de Justiça, a quem competirá dar 
 prosseguimento à apuração. 
 - Reproduziu a ideia anterior: os crimes praticados por 
 membros do MP só poderiam ser investigados pelo 
 próprio MP. 
 - Lei Orgânica do Ministério Público da União: Lei Complementar nº 
 75/1993. 
 - Art. 18, § único. Quando, no curso de investigação, houver 
 indício da prática de infração penal por membro do MPU, civil 
 ou militar, remeterá imediatamente os autos ao 
 Procurador-Geral da República, que designará membro do 
 Ministério Público para prosseguimento da apuração do fato. 
 - Também segue a mesma linha, consolidando a ideia de 
 membros do MP investigados pelo próprio MP. 
 - Com o tempo, essa lógica de investigação do MP passou a seguir a 
 mesma trajetória da investigação criminal do MP francês: 
 - Foi criada pelo legislador uma investigação presidida pelo MP para 
 uma situação em particular, mas este passou a atuar além daquela 
 autorização legal infraconstitucional. 
 - O fato dele aprender como investigar acabou incentivando a própria 
 Instituição a dar saltos maiores, fazendo com que essa investigação 
 criminal do MP também ocorresse fora daqueles casos previstos nas 
 Leis Orgânicas, ou seja, que ele também investigasse outras 
 situações delitivas. 
 - Tema controvérsio. 
 - Posição do STF: Constitucionalidade com repercussão geral. 
 - Um caso em específico recebeu a condição de repercussão geral, e 
 nele houve o reconhecimento da constitucionalidade da investigação 
 criminal do Ministério Público. 
 - O argumento específico que vingou para justificar a 
 constitucionalidade da investigação criminal do MP foi o da 
 Teoria dos Poderes Implícitos, único entendido como correto 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 dentre todos os argumentos favoráveis possíveis (na obra do 
 professor). 
 - Reconhecimento que ocorreu em 2015. 
 - Em 2017, a Corte Interamericana dos DH proferiu um julgamento histórico 
 para efeitos do direito brasileiro (Caso Favela Nova Brasília Vs. Brasil): 
 - Brasil condenado em razão de mortes, estupros e torturas por 
 policiais no exercício da função ocorridos em duas oportunidades no 
 RJ, a que a investigação criminal nesses casos deveria se dar pelo 
 MP ou pelo Poder Judiciário . 
 - Como o Poder Judiciário não tem a tradição de conduzir 
 investigações criminais envolvendo tais temas e nem possui estrutura 
 para tanto, o governo brasileiro optou, por meio do Senado Federal, 
 pela proposição de uma PLS para fins de que o MP fique responsável 
 por esse tipo de investigação criminal (crimes de homicídio, tortura e 
 estupros praticados por policiais). 
 - O Senado ampliou esse leque de infrações penais que o MP 
 devesse investigar: casos de crimes praticados por policiais 
 no exercício das funções (no geral). Ainda em tramitação. 
 - Resultado prático desse tipo de julgamento: 
 - A investigação criminal do MP passou a ser vista enquanto 
 instrumento de proteção dos direitos humanos. 
 - Os críticos apontavam esse tipo de investigação como 
 sendo veinculado a um sistema inquisitivo, ou uma 
 usurpação de função pública pelo MP. 
 - Entretanto, tal julgamento demonstrou que a investigação 
 presidida pelo MP, ao menos nesses casos, era necessária. 
 Investigação do Ministério Público: 
 - Divisão das Investigações do Ministério Público: 
 - Investigação Facultativa: 
 - Crimes Comuns. 
 - Investigação Obrigatória: 
 - Crimes praticados por membros do MP. 
 - Prevista nas leis complementares. 
 - Caso Favela Nova Brasília vs. Brasil. 
 - STF, ADPF 635. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - O MP foi obrigado, por liminar concedida, a investigar criminalmente 
 aquelas hipóteses delitivas que o Caso Favela Nova Brasília falava. 
 - Não é possibilidade, mas sim uma obrigação. Hoje, há uma liminar 
 que impõe ao MP a investigação criminal dos casos de violência 
 policial. 
 “11. Deferir os pedidos cautelares veiculados nas alíneas “l”, 
 “m”, “n” e “o”, a fim de reconhecer que sempre que houver 
 suspeita de envolvimento de agentes dos órgãos de 
 segurança pública na prática de infração penal, a investigação 
 será atribuição do órgão do MP competente. ” 
 - Regulamentação: 
 - Resolução 181/2017, CNMP. 
 - Nomenclatura: 
 - Art. 1º. O procedimento investigatório criminal é (...). 
 - Mais conhecido como PIC. 
 - Definição na redação original (2017) . 
 - Art. 1º. O PIC é instrumento sumário e desburocratizado de natureza 
 administrativa e inquisitorial , (...). 
 - Administrativa = MP não exerce jurisdição. 
 - Ser de natureza inquisitorial (?) - discussão. 
 - Crítica: essa vinculação à natureza inquisitorial era desarrazoada, 
 pois ‘inquisitorial’ só pode ser princípio (confusão de função entre 
 quem acusa e quem julga) ou sistema (refere a processo). 
 - Como o MP não julga, não poderia haver essa confusão entre 
 MP e julgador para justificar essa natureza sob a modalidade 
 de princípio. 
 - Como tem natureza administrativa, não é processo, então não 
 tem como ser sistema inquisitivo. 
 - Pelo conflito dessas duas colocações, o art. 1º foi alterado, em 2018, 
 pelo CNMP. 
 - Art. 1º. (...) instrumento sumário e desburocratizado de 
 natureza administrativa e investigatória , (...). 
 - Finalidades: 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Art. 1º. (...), e terá como finalidade apurar a ocorrência de infrações penais de 
 iniciativa pública, servindo como preparação e embasamento para o juízo da 
 propositura, ou não, da respectiva ação penal. 
 - Lógica de que a atuação do MP na investigação criminal diz respeito 
 às investigações de ações penais públicas, sejam condicionadas ou 
 incondicionadas. 
 - Falha: ausência de apontamento, como finalidade de investigação criminal do 
 MP, a investigação nos crimes de ações penais privadas. 
 - Mas por que o MP investigaria crimes de ações penais privadas, já 
 que ele deveria “se meter” em assuntos de natureza particular? 
 - Em razão do MP ser o competente por investigar crimes 
 praticados por membros do Ministério Público, é importante 
 lembrar que esses membros podem cometer crimes de ação 
 penal privada e, cabendo ao MP, deveria essa resolução fazer 
 referência aos crimes de ação penal privada quando 
 cometidos pelos seus próprios membros (única exceção). 
 - Entretanto, o CNMP não alterou sua posição até o presente momento, 
 seguindo essa resolução como sendo somente dedicada a regulamentar os 
 crimes de ação penal pública. 
 - Com isso, o próprio MP dá margem à investigação defensiva , que 
 consiste em uma investigação feita pelos integrantes inscritos na 
 OAB e que serve, entre outras finalidades, para angariar elementos 
 para a propositura de queixas crime. 
 - Questões processuais: 
 - Inexistência de impedimento: 
 - Súmula 234 do STJ. A participação de membro do MP na fase 
 investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição 
 para o oferecimento da denúncia. 
 - Não se vê essa discussão na esfera cível, onde o MP tem 
 legitimidade investigatória cível no inquérito civil, para ajuizar, 
 posteriormente, ação civil pública. 
 - Mesma lógica está presente no- Mediata: paz social. 
 - Assegurar que a forma como pode vir a aplicação da lei penal só vai 
 ocorrer mediante a observância de certas regras que permitam o 
 equilíbrio de atuação entre quem irá atuar no polo ativo e quem irá 
 atuar no polo passivo deste mesmo processo. 
 - Imediata : aplicação do Direito Penal. 
 - Aplicação se for o caso. Ambiente em que o poder judiciário, mediante 
 provocação, poderá impor a pena adequada a prática a determinado 
 delito caso assim necessário. 
 - Pontos do que se ocupa o DPP: 
 - Início da persecução penal: é o continente. Pode ter seu início com um 
 policial na rua fazendo a vigilância. 
 - Ex.: obrigação de prender em flagrante quem quer que seja que venha 
 a cometer uma infração penal. 
 - Início do processo: é um ponto que faz parte do conteúdo do continente. 
 - Desenvolvimento do procedimento e das relações entre o ius persequendi 
 e o ius libertatis. 
 - Alcance da decisão final: regular os efeitos civis dessa decisão final. 
 Questão da indenização do ofendido em relação ao ofensor. 
 - Preponderância do processo penal frente ao civil. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL: 
 A fonte seria a origem do Direito. O modo como a fonte é expressada é o seu modo 
 de revelação; a manifestação do direito em si. 
 Classificação das Fontes do DPP: 
 Fontes Materiais 
 Aquelas de produção ou substanciais. 
 - União. 
 - Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - (...) direito 
 penal, processual (...). 
 - Discussão: as resoluções do CNJ nº 213/2015 e a do CNMP nº 181/2017 
 afrontariamo artigo 22, I, da CF? 
 - A resolução do CNJ nº 213 regula a aplicabilidade da audiência 
 de custódia no brasil, enquanto a resolução do CNMP nº 181 
 disciplina a investigação criminal do MP, tendo criado o acordo 
 de não persecução penal (inserido no CP em 2019). 
 - STF: 
 - Ação direta de Inconstitucionalidade nº 2970. Normas de direito 
 processual são aquelas que dizem respeito ao contraditório, 
 devido processo legal, poderes, direitos e ônus da relação 
 processual, assim como aquelas que dizem a regulamentação 
 de atos destinados a efetivar a causa finalis da jurisdição. 
 - Legitimidade normativa dos Conselhos Nacionais: 
 - Têm competência normativa para expedir atos normativos 
 primários, ou seja, aqueles atos marcados pela abstratividade, 
 generalidade e impessoalidade, tratando dos temas em tese. 
 - Reserva de lei vs. reserva de norma: o que for reserva 
 de lei não pode ser abordado pelo CNJ. 
 - Logo, podem disciplinar reserva de norma. 
 - ADC 12. 
 - Ao tratar da audiência de custódia, a Resolução nº 213 não foi 
 considerada inconstitucional, pois o instituto não foi criado, já 
 existia . Só não havia sido regulamentado, ainda, aos atos do 
 Poder Judiciário. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - A resolução somente tratou de questões de âmbito 
 interno, não criando nada de diferente. 
 - Já a resolução nº 181, do CNMP, desde que entrou em vigor, 
 ficou 2 anos parada (2017 - 2019), só tendo sido julgada a 
 liminar. Essa resolução, por criar um instituto novo , foi 
 atacada. 
 - Entretanto, a ADIN contra esse ato acabou perdendo 
 seu sentido, pois no Pacote Anticrime (2019), foi 
 colocado o acordo de persecução penal dentro do 
 CPP, aderindo ou suprindo a exigência de 
 disciplina/legislação só por ato legislativo. 
 - Não se há, hoje, uma resposta mais definitiva da forma de 
 atuar dos Conselhos Nacionais. 
 Fontes Formais 
 Aquelas relativas à cognição ou revelação. 
 - Diretas ou imediatas: 
 - Constituição Federal. 
 - Normas de natureza processual. Ex.: normas de fixação de 
 competência. 
 - Normas supralegais. 
 - Tratados de Direitos Humanos, supralegais e constitucionais. 
 - Que não foram submetidos a votação pelo Congresso 
 para atingirem quórum mínimo para serem 
 considerados enquanto normas constitucionais, ainda 
 que fora da constituição. 
 - Ex.: Pacto de San José da Costa Rica, Pacto de Direitos Civis 
 e Políticos, etc. 
 - Código de Processo Penal. 
 - Leis extravagantes. 
 - Aquelas que diizem respeito a algum tema sobre direito 
 processual penal. 
 - Ex.: Lei Maria da Penha, Lei sobre Porte de Armas, Lei de 
 Drogas, etc.. 
 - Indiretas ou mediatas: 
 - Costumes. 
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 - Uso constante e notório de determinada prática aceita como 
 válida no meio jurídico. 
 - Princípios gerais de direito . 
 - Art. 3º CPP. A lei processual penal admitirá interpretação 
 extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos 
 princípios gerais de direito . 
 - Premissas éticas, valores que conferem unidade e validade a 
 todo o sistema jurídico, mesmo que não haja previsão 
 expressa no CPP. 
 - Doutrina. 
 - “A processualística universitária: o ensino do direito 
 processual no Brasil e seu atual estágio.” 
 - Jurisprudência . 
 - Acórdãos pontuais; 
 - Súmulas vinculantes e súmulas; 
 - Repercussão Geral. 
 - Ex.: decisão que reconheceu a legitimidade 
 constitucional do MP para fazer sua investigação 
 criminal. 
 - Direito histórico. 
 - Textos anteriores a entrada em vigor do CPP. 
 - Utilizados, atualmente, para poder entender certas lógicas e 
 delimitar sobre como tal instituto deve ser 
 encarado/interpretado. 
 - Direito estrangeiro. 
 - Jurisprudência de ribunais protetivos de direitos humanos 
 (Tribunal Europeu e Interamericana de Direitos Humanos). 
 - São utilizados como justificadores de práticas 
 processuais/judiciais no Brasil, e muitas vezes como 
 fundamento da necessidade de alteração da nossa 
 legislação ou da aplicação de algum tipo de 
 interpretação, de modo a atualizar nosso direito. 
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 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS: 
 Princípio da Igualdade: 
 - Previsto no art. 5º, caput , da CFB/88. 
 - Pode ser encontrado sob o nome de: 
 - Par conditio; 
 - Igualdade de partes; 
 - Paridade de armas; 
 - Igualdade intraprocessual. 
 - Âmbito de aplicação: 
 - Processual. 
 - Não se aplica em âmbito extraprocessual. 
 - Isto se deve a lógica de que a pessoa investigada teria a 
 possibilidade de planejar, executar, consumar e evadir (inter 
 criminis). Se fosse dado ao investigado, também, a 
 possibilidade de participar em igualdade de condições com o 
 Estado na fase de investigação (fase administrativa), seria 
 reconhecido que ele também tivesse o direito de atrapalhar a 
 investigação . 
 - Por isso, a igualdade não se daria por completo, 
 aparecendo esse princípio com mais força na fase 
 processual. 
 - Conceito de armas: 
 - Não há definição quanto ao que seriam essas armas na legislação, 
 sendo na doutrina internacional encontrado esse o conceito: 
 - São os meios, possibilidades, instrumentos ou possibilidades 
 que teriam as partes para que pudessem, a partir de suas 
 atuações, levar mais e melhores informações ao juízo a fim de 
 que pudessem obter o resultado que pretendem. 
 - O princípio da igualdade de armas está voltado a uma atuação 
 direcionada ao resultado judicial . Finalidade última é obter, junto ao 
 judiciário, o resultado que cada uma das partes tem em mente pelo 
 menos ao longo da fase processual. 
 - Espécies de igualdade:processo penal: quem investiga, pode 
 acusar. 
 Investigação Judicial: 
 - Nomemclatura: 
 - Nome do instituto: juizado de instrução . 
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 - Essa indicação de nome se dá porque esse instituto da investigação 
 criminal judicial é conhecida internacionalmente como juizado de 
 instrução. 
 - Nome do instrumento: inquérito judicial. 
 - Origem: 
 - Code d’Instruccion Criminelle (1808, entrada em vigor: 1811). 
 - Principais características : 
 - Aparece como sendo o último legitimado para investigar (art. 9º do 
 cpodigo). 
 - Natureza jurídica: 
 - É administrativa ou processual? 
 - Não se pode fazer uma equiparação entre a natureza jurídica do 
 inquérito policial e a da investigação criminal do MP com a natureza 
 jurídica do juizado de instrução, porque o inquérito judicial em si, por 
 ser presidido por um juiz, é considerado como tendo natureza 
 processual. 
 - Natureza processual. 
 - Onde um juiz tem poder decisório, aquilo é considerado processo. 
 - Ainda, é considerado processo justamente porque, no caso da 
 investigação criminal presidida por um magistrado, ele não tem que 
 fazer nenhum requerimento a um magistrado superior a ele. O próprio 
 magistrado condutor da investigação criminal é o responsável por 
 decretar, seja provocado ou de ofício, dentro de sua própria 
 investigação criminal, a quebra de direitos fundamentais que forem 
 pertinentes à apuração do fato criminal naquele caso. 
 - No juizado de instrução, dentro do inquérito judicial, o 
 magistrado investigador pode decretar quebra de um sigilo, 
 prisão preventiva de alguém, qualquer tipo de quebra de direito 
 fundamental que esteja ligado aos interesses da própria 
 investigação criminal. 
 - À vista disso, inclusive, este inquérito judicial foi chamado pelo Código 
 de Instrução de 1808 de “Processo Verbal”. 
 - Visão das Cortes Internacionais: 
 - Caso Favela Nova Brasília vs. Brasil (2017). 
 - Instrumento de proteção dos direitos humanos. 
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 - Alguns críticos da literatura brasileira demonizam esse juizado de instrução, 
 entendendo-o como um representante do sistema inquisitivo. 
 - Entretanto, alguns países ainda mantém esse ajuizado de instrução 
 desde a entrada em vigor do Código Processual Penal Espanhol 
 (1882), sendo que a Espanha é o maior exemplo, ainda mantendo 
 como responsável pela investigação criminal um juiz. 
 - Cortes Internacionais jamais apontaram o juizado de instrução ou a 
 investigação judicial como sendo representativos do sistema inquisitivo. 
 - Do contrário, cortes internacionais, principalmente as protetivas de 
 direitos humanos, de alguma maneira, chancelaram ou incentivaram a 
 adoção do juizado de instrução como um modelo de investigação 
 criminal. 
 - Criminal Europeu dos DH: 
 - Nunca foi apontada a inconvencionalidade da investigação criminal 
 presidida pelo juiz. 
 - Intento de Inserção no Brasil: 
 - Projeto Vicente Ráo (1933). 
 - Projeto de novo CPP. Projeto de lei que antecedeu ao projeto que 
 levou à criação do atual CPP. 
 - Mais marcante. 
 - Pretendia-se que as investigações criminais fossem presididas por 
 juízes, e não por delegados de polícia. 
 - Projetos de alteração pontual. 
 - Ainda hoje, pontualmente se vê projetos de lei sendo apresentados no 
 parlamento, tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado 
 Federal, propondo esta alteração (troca da condução da investigação 
 criminal do delegado de polícia pela figura do juiz). 
 - Hipóteses Nacionais: 
 - Art. 307, CPP. Quando o fato for praticado em presença da autoridade, ou 
 contra esta, no exercício de suas funções, constarão do auto a narração 
 deste fato, a voz de prisão, as declarações que fizer o preso e os 
 depoimentos das testemunhas, sendo tudo assinado pela autoridade, pelo 
 preso e pelas testemunhas e remetido imediatamente ao juiz a quem couber 
 tomar conhecimento do fato delituoso, se não o for a autoridade que houver 
 presidido o auto . 
 - Trata da lavratura do auto de prisão em flagrante. 
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 - Atribui ao juiz a possibilidade do juiz lavrar o auto de prisão em 
 flagrante naquela situação específica. 
 - Auto de prisão em flagrante é uma investigação criminal de 
 urgência, onde se toma o depoimento das testemunhas, da 
 pessoa eventualmente vítima e, se quiser falar, do preso em 
 flagrante. 
 - Com esses dados, o MP já está habilitado, se entender, de ajuizar a 
 sua ação penal condenatória. Logo, o auto de prisão é apontado uma 
 investigação criminal de urgência, devendo ser feito em até 24h, de 
 acordo com legislação brasileira. 
 - Sendo presidida por um juiz, aí está uma hipótese de juizado de 
 instrução. 
 - Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN, 1979). 
 - Art. 33. Sã prerrogativas do magistrado: (...). § único. Quando, no 
 curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do 
 magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os 
 respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o 
 julgamento, a fim de que prossiga na investigação. 
 - O magistrado só poderá ser investigado nos crimes que praticar 
 somente pelo próprio Poder Judiciário, independe se o crime foi 
 praticado no exercício da função ou não. A investigação criminal deve, 
 portanto, ser conduza pelo Poder Judiciario. 
 - Caso tenha sido iniciada junto a outra instituição (polícia 
 judiciária ou MP), no momento em que se identificar a 
 presença de um magistrato como pessoa que pode e deve ser 
 investigada, os autos deverão ser remetidos ao Poder 
 Judiciário para dar continuidade a essa investigação. 
 - COJE TJ/SP. 
 - Investigação de crimes praticados por integrantes da polícia judiciária. 
 - Determinou-se que as investigações criminais presididas por juízes 
 seriam somente, para os efeitos do COJE, relativas aos crimes 
 praticados pelos integrantes da polícia judiciária. 
 - Tradição de vinculação da polícia judiciária com o Poder 
 Judiciário. 
 - Pressuposto de que o fato da polícia se chamar “polícia judiciária” 
 levaria ao PJ exercer, portanto, o controle dos atos praticados por ela 
 e, dentre esses controles, estaria a investigação criminal por 
 eventuais infrações penais praticadas por integrantes dessa polícia 
 judiciária. 
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 - Regimento Interno STF. 
 - Art. 43. Ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do 
 Tribunal, o presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou 
 pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro 
 Ministro. 
 - §1º. Nos demais casos, o Presidente poderá proceder na 
 forma deste artigo ou requisitar a instauração de inquérito à 
 autoridade competente. 
 - §2º. O Ministro incumbido do inquérito designará escrivão 
 dentre os servidores do Tribunal. 
 - Discussão atual: instauração do inquérito judicial das Fake News 
 (2019). 
 - Instauração de investigação criminal judicial pelo STF. 
 - Questão processual: 
 - Ausência de regulamentação no Brasil. 
 - Não há uma linha sequer que venha a regular, em âmbito nacional, esse 
 modelo de investigação criminal. 
 - O CNJ não procurouregulamentar a investigação criminal do próprio 
 poder a que está inserido, trazendo dúvidas e confusões quanto ao 
 procedimento relativo a essa investigação, principalmente quanto ao 
 acesso do MP a esta investigação criminal (tema mais discutido 
 durante ao inquérito das Fake News). 
 - Há causa de impedimento que venha a impedir o juiz que está 
 investigando? 
 - Na época em que o Brasil adotava a investigação criminal judicial 
 como regra, haviam causas de impedimento. 
 - Brasil colonial: 
 - Decisão de Governo 81, 02.04.1824. Juiz que investigou não 
 poderia participar do julgamento. 
 - Brasil republicano . 
 - CPP: ausência de menção expressa. 
 - Como o Brasil não quis seguir a lógica do juiz investigador, não 
 haveria a necessidade de menção, no CPP, de uma causa de 
 impedimento ligada a um tipo de investigação que o CPP não 
 adotaria. 
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 - Discussão atual sobre o fato de juiz que investigou 
 poder atuar como julgador também. 
 - Direito Europeu: 
 - Quem investiga não julga . 
 - Pacificada desde 1984. 
 - TEDH, Caso de Cubber vs. Bélgica (1984) . 
 - Aquele magistrado que conduziu a investigação 
 criminal estará autoricamente impedido de atuar na 
 fase de julgamento. 
 Investigação Defensiva: 
 Modalidade de investigação criminal que surgiu no ano de 2009. 
 - PLS 156/2009 - Projeto de Novo CPP. 
 - Art. 13. É facultado à vítima, ou seu representante legal, e ao investigado 
 identificar fontes de prova em favor de sua defesa, podendo inclusive indicar 
 pessoas a serem entrevistadas, nos termos do art. 26 deste Código. 
 (Redação original). 
 - No primeiro momento, surge com o interesse de defender os interesses do 
 investigado e, também, da vítima . 
 - Quanto a nomenclatura inicial, portanto, não se poderia dizer que a 
 investigação defensiva serviria somente para poder tratar dos interesses do 
 sujeito passivo da investigação criminal. 
 - Lei nº 13.432/2017 (Dispõe sobre o exercício da profissão de detetive 
 particular). 
 - Art. 2º. Para os fins desta Lei, considera-se detetive particular o profissional 
 que, habitualmente, por contra própria ou na forma de sociedade civil ou 
 empresarial, planeje e execute coleta de dados e informações de natureza 
 não criminal , com conhecimento técnico e utilizando recursos e meios 
 tecnológicos permitidos, visando ao esclarecimento de assuntos de interesse 
 privado do contratante. 
 - Justamente para não chocar com a investigação criminal tradicional 
 feita pelo Estado. 
 - Retrocesso em relação à pretensão do Projeto de CPP. 
 - Avanço no sentido de regulamentar uma atividade/categoria 
 profissional que possui, tradicionalmente, um vínculo de atividade não 
 só voltada à esfera não criminal, mas também a criminal. 
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 - Art. 5º. O detetive particular pode colaborar com a investigação policial em 
 curso , desde que expressamente autorizado pelo contratante. 
 - Colide com o art. 2º. 
 - Possibilita ao detetive particular colaborar com a investigação 
 criminal, enquanto que o art. 2º trata de sua coleta de informações 
 voltadas a uma atividade não criminal. 
 - Avanço na cultura na busca de informações fora dos meios 
 oficiais do estado. 
 - Provimento nº 188, de 31 de dezembro de 2018, da OAB. 
 - Essa cultura fez com que, um ano depois, a OAB regulamentasse o que 
 vinha sendo chamado de “investigação criminal defensiva”. 
 - Art. 1º. Compreende-se por investigação defensiva o complexo de 
 atividades de natureza investigatória desenvolvido pelo advogado, 
 com ou sem assistência de consultor técnico ou outros profissionais 
 legalmente habilitados, em qualquer fase da persecução penal , 
 procedimento ou grau de jurisdição, visando à obtenção de elementos 
 de prova destinados à constituição de acervo probatório lícito, para a 
 tutela de direitos de seu constituinte. 
 - Direcionamento para que essa investigação defensiva esteja 
 voltada à persecução penal, e não para matérias que fogem 
 desta área de atuação. 
 - Art. 2º. A investigação defensiva pode ser desenvolvida na etapa da 
 investigação preliminar, no decorrer da instrução processual em juízo, 
 na fase recursal em qualquer grau, durante a execução penal e, ainda, 
 como medida preparatória para a propositura da revisão criminal ou 
 em seu decorrer. 
 - Aponta qual o destino que pode ter essa investigação 
 defensiva. 
 - Não é só para o processo de conhecimento de cunho 
 condenátório, mas também para as revisões criminais. 
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 AÇÃO PENAL 
 Quando se fala de ação penal no direito criminal, nem sempre está se referindo a 
 ação penal condenatória, ou seja, aquela ação ajuizada pelo MP ou pela parte ofendida 
 buscando a condenação de alguém. 
 Noções Gerais: 
 - Ação - actio - agere = ação judicial, pleitear. Requerer alguma coisa - direcionado 
 para o poder judiciário. 
 - Na esfera criminal, independentemente do tipo de ação que se venha a 
 propor, o conceito de ação penal é: “instrumento para provocação do Poder 
 Judiciário visando a aplicação do direito penal ( ius puniendi ) ou a preservação 
 do direito de liberdade ( status libertatis )”. 
 - O que se busca com a ação é algo relativo à punição de alguém ou relativo à 
 busca da preservação da liberdade de alguém. 
 - Conceito considerado como genérico dado pelo professor. No 
 processo penal, tem-se as mesmas lógicas do processo civil. 
 Classificação: 
 - Ação de conhecimento: 
 - Declaratória. 
 - Ex.: habeas corpus preventivo. 
 - Aquele que procura declarar uma situação em específico 
 dando uma limitação ou impedimento por parte do Estado em 
 relação à pessoa que é beneficiária daquele HC. 
 - Há uma declaração da inexistência ou existência de uma 
 determinada relação jurídica que é disciplinada pelo Direito 
 Penal. 
 - Constitutiva. 
 - Ação que tem como objetivo criar, extinguir ou modificar uma situação 
 jurídica relevante para o Direito Penal ou para o Processo Penal. 
 - Ex.: Revisão criminal (chama no Direito Civil de Ação Revisória). 
 - Ela desconstitui uma sentença transitada em julgado para 
 modificar uma situação que já era existente. 
 - Condenatória. 
 - Ação mais frequente. 
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 - Ações onde se busca a aplicação de uma norma legal que imponha 
 uma penalidade a alguém. 
 - São dois tipos de ações condenatórias: 
 - A denúncia (só pode ser ajuizada pelo MP). 
 - A queixa-crime (aquela que não pode ser ajuizada pelo MP). 
 - Quem poderá ou não ajuizar dependerá da legislação. 
 - Ação Cautelar: 
 - Tem como finalidade assegurar o alcance de um pedido realizado ao que 
 será realizado no processo de conhecimento, ou seja, quando se pede algo 
 para garantir o interesse processual lá presente naquele processo de 
 conhecimento anterior. 
 - Pessoais. 
 - Dizem respeito à liberdade de uma pessoa. 
 - Exemplos: prisão preventiva, prisão temporária, concessão de 
 liberdade provisória, medidas cautelares diversas da prisão. 
 - Reais. 
 - Cautelares que atingem o patrimônio da pessoa. 
 - Exemplo: sequestro, arresto, hipoteca legal. 
 - Probatórias. 
 - Exemplo: produção antecipada de prova. Situação presente noprocesso civil quanto no penal, embora no penal não seja tão 
 bem regulada. 
 - Ação Mandamental: 
 - Mandado de segurança dentro da esfera criminal. 
 - Ação de Execução: 
 - Via de regra, quem dá início ao processo de execução é o próprio judiciário, 
 de ofício. Mas as ações de execução com pena de multa geralmente se dão 
 através de provocação do MP. 
 Ação Penal Condenatória: 
 Trata-se de ação penal em que o pedido é a condenação, através da imposição de 
 uma pena criminal para quem praticou, em tese, uma infração penal. “Em tese” pois se está 
 falando de um processo, e não de uma sentença condenatória. 
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 - Pode ser ajuizada por meio de: 
 - Ação Penal Pública: 
 - O Estado por meio do Ministério Público. 
 - Ação Penal Privada: 
 - O ofendido ou quem a lei preveja. 
 - Ação Penal Popular: 
 - Qualquer pessoa do povo poderá ajuizá-la. 
 - Lógica dos sujeitos que a promovem: 
 - Quando se fala em ação penal privada ou particular , por exemplo, não 
 está se referindo somente à realidade brasileira, mas sim uma 
 realidade no geral. 
 - A ação penal pública, da mesma forma, somente pode ser ajuizada 
 por alguém que represente do Estado na persecução penal, sendo 
 este alguém somente o Ministério Público. 
 - Condições da Ação Penal Condenatória: 
 - Mesma lógica do processo civil. 
 - Processo: 
 - Objeto Material: 
 - Mérito. Aquilo que vou descrever como fato que é objeto de 
 atenção, descrição relativa à prática, em tese, de uma infração 
 penal. 
 - Objeto Formal: 
 - Condições da ação e pressupostos processuais . 
 - Conceito de Condições da Ação Penal Condenatória: 
 - Dizem respeito a certos requisitos que precisam ser preenchidos 
 para que o processo possa chegar tranquilamente à fase de 
 julgamento . 
 - A ação deve estar bem formalizada, requisitos preenchidos, 
 para que permita sua normal tramitação, dando sequência à 
 fase probatória e, após, a fase de julgamento pelo juiz. 
 - Análise das Condições da Ação Penal Condenatória: 
 - Quando que o juiz pode fazer essa análise. 
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 - Teoria da apresentação (ou prospettazione): essa linha teórica diz 
 que a análise das condições da ação penal deve ser feita quando do 
 ajuizamento da ação. É no momento em que o juiz diz o “Recebo a 
 ação penal” que ele deve fazer essa análise, com o posterior 
 comando para citar o réu e etc. 
 - Mais aderida pelos juízes em primeiro grau. 
 - No entanto, existe outro momento em que essa análise deve 
 ser feita? 
 - Análise em concreto: essa linha teórica defende que o juiz tem a 
 possibilidade de fazer novamente a análise das condições da ação 
 após a defesa do réu. 
 - No CPP, tem dois momentos de análise: 
 - No ajuizamento da ação (recebe ou não e após cita o 
 réu); 
 - Após a “defesa” do réu (chamada de resposta à 
 acusação/resposta escrita/defesa preliminar - 
 equivalente à contestação no civel). 
 - Questão: depois disso, é possível ou não fazer essa análise? 
 - Limitação doutrinária: no momento de abertura da fase 
 probatória, o professor entende que não deveria mais 
 ser feita essa análise. 
 - Questão de construção doutrinária: no Brasil, tem-se a 
 teoria da apresentação quando se ajuiza a ação e, 
 depois da defesa apresentada pelo réu, se faz uma 
 nova análise se invocada algo em sua defesa que 
 atinge às condições da ação. Nada sendo invocado, a 
 ação segue sem necessidade de novo revisamento 
 pelo juiz das condições da ação. 
 - No caso da análise do caso em concreto, não é dado 
 um prazo ou momento fixo para essa análise, podendo 
 o juiz fazer essa análise durante grande parte do 
 processo, mas tem essa limitação sugerida pela 
 doutrina que seria até a abertura da fase probatória. 
 - Art. 395 do CPP. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
 I- for manifestamente inepta; 
 II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da 
 ação penal; 
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 - É o que se chama de carência de ação (primeiro momento - 
 quando do ajuizamento). 
 - Quando não há satisfação de um ou de ambos requisitos para 
 o ajuizamento da ação, rejeita-se a ação. 
 - A expressão no direito criminal é Rejeição da ação 
 (corresponde à carência de ação no direito civil). 
 - Efeito da análise: a decisão de carência de ação faz coisa julgada? 
 - Via de regra, essa decisão ela não faz coisa julgada, isto pois 
 a ação pode ser ajuizada novamente caso quem ajuizou a 
 ação reveja/corrija os problemas, se possíveis de serem 
 corrigidos, que foram apontados pelo juiz. 
 - Se o problema diz respeito a ilegitimidade para propor a 
 ação, por exemplo, não teria como a mesma pessoa 
 tentar ajuizá-la novamente/corrigir. 
 - Sendo possível a correção, é possível um novo ajuizamento 
 com uma nova análise pelo juiz em relação a esse tipo de 
 seguimento da ação penal condenatória. 
 - Quais seriam as Condições da Ação? 
 - O CPP não indica, de modo que encontramos a resposta no CPC. 
 Art. 330 do NCPC. A petição inicial será indeferida quando: 
 I - for inepta; 
 II - a parte for manifestamente ilegítima; 
 III - o autor carecer de interesse processual; 
 IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. 
 - Existem três linhas teóricas, dentro do processo penal, que buscam 
 explicar quais/quantas seriam as condições da ação: 
 - Três condições (primeira linha teórica): a que defende que existe 
 três condições da ação, que eram aquelas previstas antes do NCPC, 
 ou seja, o CPC de 1973. 
 - Legitimidade da parte. 
 - Interesse processual. 
 - Possibilidade jurídica do pedido (foi deixada de lado no novo 
 CPC pois entendeu-se que ela foi incorporada pelo ‘interesse 
 processual’). 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Duas condições (segunda linha teórica): a que defende a 
 existência de duas condições, atualmente alinhada ao NCPC. 
 - Legitimidade de parte. 
 - Interesse processual. 
 - Condições próprias (terceira linha teórica): A que defende que, no 
 processo penal, há condições da ações que seriam próprias dele, 
 desvinculadas do processo civil. Quais sejam: 
 - Prática de fato aparentemente criminoso ( fumus comissi 
 delicti ). 
 - Conduta típica, ilícita e culpável. 
 - Punibilidade concreta. 
 - Não tem uma causa extintiva da punibilidade, como a 
 prescrição, por exemplo. 
 - Legitimidade da parte. 
 - Tanto para o ajuizamento, quanto para contra quem se 
 irá ajuizar. 
 - Justa causa. 
 - Autoria e materialidade. “Elementos mínimos” que 
 justifiquem, dos quais se buscaria uma comprovação 
 maior na fase probatória. 
 - Necessidade de intervenção judicial. 
 - Outras condições da ação. 
 - Professor acredita que a segunda linha teórica, ou seja, aquela 
 que vai de encontro as condições elencadas pelo NCPC é a 
 correta , pois já abarcam os casos/condições tanto da terceira, 
 quanto da primeira linha teórica. 
 - Condições da Ação Penal Condenatória, de acordo com à segunda linha 
 teórica: 
 - Duas condições: 
 - Legitimidade de parte. 
 - Interesse processual. 
 - Legitimidade de parte: 
 - Conceito: “parte” é quem pede ou contra quem se pede (quem 
 demanda ou contra quem se demanda). É preciso saber se a 
 DIREITO PROCESSUALPENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 legislação prevê a possibilidade de que aquela pessoa que ajuizou a 
 ação possa fazê-la, e se há a admissão de que a pessoa contra 
 quem se ajuizou a ação possa figurar também no processo como 
 parte demandada. 
 - Reconhecimento que a legislação dá para que quem ajuizou a 
 ação possa mesmo ajuizar, e contra quem se ajuizou, se é 
 possível ter uma ação ajuizada contra ela. 
 - Parte ativa: quem ajuiza a ação. 
 - O MP nas Ações Penais Públicas. 
 - Parte passiva: contra quem se ajuiza a ação. 
 - Pessoa maior de 18 anos completados (maior civilmente). 
 - Interesse de Agir: 
 - Conceito: interesse na atuação do Poder Judiciário (atuação do 
 Estado-Jurisdição). 
 - No lugar de permitir uma “vingança privada”, a intenção é que 
 se busque no poder Judiciário a resolução daquele conflito. 
 - Requisitos: 
 - Necessidade . A necessidade de recorrer às vias judiciais 
 para obter a satisfação daquele pedido (no caso, a incidência 
 do direito material - a pena). 
 - Deve se averigurar se é possível aguardar uma 
 solução voluntária, o que geralmente pouco ocorre no 
 processo penal, ou se não há outras alternativas se 
 não a provocação do Poder Judiciário. 
 - Aqui, sempre se precisa provocar o PJ, pois no 
 momento em que se quer a incidência de uma sanção 
 penal contra alguém, tem que buscá-lo para tal. 
 - Utilidade. 
 - Preciso saber se o provimento buscado é útil para a 
 satisfação do direito material violado. Ou seja, se a 
 forma da provocação traz algum tipo de utilidade 
 enquanto mecanismo para aplicação da pena. 
 - Não seria útil ajuizar uma determinada ação penal se, 
 no caso de uma aplicação de pena, já se teria a 
 incidência de uma prescrição (no caso da pena em 
 concreto). Isso porque o cálculo de prescrição in 
 abstrato tem que levar em conta a pena máxima. Se há 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 uma pena de 6 meses a 2 anos, o prazo de prescrição 
 que deve ser contato é de 2 anos - deve-se olhar a 
 tabelinha para ver a prescrição para o caso de 
 condenação de 2 anos. 
 - Se a pessoa, contudo, não tem nenhum tipo de 
 condenação anterior, nada que justifique ela ser 
 condenada a uma pena máxima de dois anos, ela 
 provavelmente receberá uma pena mínima, 
 devendo-se partir da pena de 6 meses o cálculo - deve 
 ser olhada na tabela a prescrição para 6 meses. 
 - Se a sentença só poderá, portanto, condenar a pessoa 
 a 6 meses, e a condenação já estaria prescrita, porque 
 se ajuizaria a ação, tendo que tramitar todo o processo 
 se o resultado já seria a prescrição. - Questão da 
 utilidade. Era chamada de Prescrição Antecipada 
 (processo que não daria em nada - não era útil - sem 
 interesse de agir). 
 - Adequação. 
 - Pedido adequado. 
 - Tem que ver o pedido é adequado para se obter a 
 satisfação do direito material que está sendo envocado. 
 - Ou seja, o pedido não pode ser de pena de 
 morte, pena perpétua, etc. Tem que pedir a 
 condenação com base naquilo que está 
 previsto na legislação para imposição da pena 
 que se pretende no final. 
 - Justa Causa (terceira linha teórica faz menção): 
 - Na redação do original do CPP: 
 - Art. 43. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
 I - o fato narrado evidentemente não constituir crime; 
 II - já estiver extinta a punibilidade pela prescrição ou outra 
 causa; 
 III - for manifesta a ilegitimidade da parte ou faltar condição 
 exigida pela lei para o exexício da ação penal. 
 - Era tida como uma quarta condição da ação. 
 - Na reforma de 2008 do CPP: 
 - Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
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 I - (...); 
 II - faltar pressuposto processual ou condição para o 
 exercício da ação penal; ou 
 III - faltar justa causa para o exercício da ação penal . 
 - A justa causa não é uma condição da ação . Ainda há autores que 
 insistem em ter a justa causa enquanto condição de uma ação penal, 
 embora o CPP deixe claro que são coisas diferentes. 
 - A justa causa tem como finalidade evitar que haja uma acusação 
 infundada e temerária, pois ela procura fazer uma dupla análise: 
 - A aparência do direito material violado, ou seja, a aparência do 
 crime - elementos que procuram demonstrar que aquele crime 
 realmente ocorreu. 
 - Análise da presença de fundamento de fato e de direito para 
 acusar, ou seja, uma mínima atividade probatória que mostre a 
 viabilidade mínima de se conseguir uma condenação. 
 - Gira em torno de elementos mínimos colhidos na fase de investigação 
 que podem/irão justificar o ajuizamento daquela ação penal. 
 - Controvérsia: se essa justa causa já faria parte da análise que se faz 
 em relação a legitimidade ativa (se quem ajuiza ação pode estar 
 ajuizando) e em relação ao interesse (se o interesse em si está 
 plenamente configurado). 
 - Entretanto, isso tudo é matéria probatória. Por isso, há quem 
 diga (e o professor concorda), que a justa causa já faz parte 
 de uma análise que deve ser feita nas condições da ação 
 (legitimidade e interesse de agir). 
 - Outras Condições da Ação Penal Acusatória: 
 - Designações: 
 - Condições específicas da ação penal. 
 - Condições de procedibilidade. 
 - Condições de Perseguibilidade. 
 - Ao passo que as condições da ação já vistas tem o condão de 
 proporcionar ao juiz que profira a sentença de mérita, essas outras 
 condições tem natureza procedimental, consequentemente acaba 
 acarretando o óbice da iniciativa válida do processo. 
 - Representação do ofendido ou seu representante legal: art. 24 
 do CPP. 
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 - Para os casos de ação penal pública condicionada. 
 - A ação penal pública condicionada é aquela que quem pode 
 acusar é o MP, mas que necessita da autorização de quem a 
 legislação prevê/indica. Via de regra, essa representação ou 
 autorização é dada pelo ofendido ou pelo seu representante 
 legal. 
 - Requisição do Ministro da Justiça: art. 24 CPP. 
 - Para certos crimes que atingem a honra de mandatários de 
 seus países (Presidente da República ou outros Chefes de 
 Estado que eventualmente estejam aqui). 
 - O Ministro da Justiça que deve fazer essa provocação, do 
 contrário, não ocorre o ajuizamento da ação e, caso ajuizada, 
 não terá seguimento - juiz tem plena autorização de rejeitar. 
 - Certidão do trânsito em julgado da sentença que, motivo de erro 
 ou impedimento, anule o casamento . 
 - Art. 236 CP. Contrair casamento, induzindo em erro essencial 
 o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja 
 casamento anterior. 
 - Para que se possa ajuizar uma ação penal contra essa 
 pessoa que enganou o cônjuge, antes disso, é preciso que se 
 busque, no processo civil, a anulação do casamento e, 
 somente com o trânsito em julgado dessa sentença que levou 
 à anulação do casamento, é que é possível ajuizar essa ação. 
 - Entrada do agente em território nacional, nos crimes cometidos 
 fora do território nacional: art. 7º CP. 
 - Autorização da Câmara dos Deputados para o processamento do 
 Presidente da República, do Vice-Presidente da República, e 
 Ministros de Estado . 
 - Sem essa autorização, não é possível processar.- Exame pericial quando houver materialidade (art. 525 CPP) . 
 - Quando determinado exame é fundamental para poder atestar 
 a prática de uma infração penal. 
 - Prova nova . 
 - É exigível quando, depois da investigação terminada, esta 
 investigação foi arquivada por falta de prova. O fato de se 
 arquivar uma investigação criminal por falta de prova, não quer 
 dizer que a autoridade policial não possa continuar 
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 investigando, ou que alguém possa levar uma nova 
 prova/informação à autoridade policial. 
 - Quando arquivada uma investigação policial, portanto, o MP ou 
 querelante não pode ajuizar a sua acusação com base em 
 investigação arquivada e sem informação nova/diferente. Pra 
 ajuizar essa ação penal condenatória, somente pode ajuizar 
 se utilizando daquela investigação policial se tiver uma prova a 
 mais que justifique o ajuizamento. 
 - Espécies de Ação Penal Condenatória: 
 - Ação penal pública (Denúncia). 
 - Ação penal privada (Queixa-crime). 
 - Para se ajuizar uma ou outra, é necessário alguns requisitos: 
 - Art. 41 CPP. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato 
 criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do 
 acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a 
 classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas. 
 - O rol de testemunhas não é obrigatório, mas o restante sim. 
 - Artigo não exige o pedido de condenação. 
 - Motivo: durante algum tempo, houve um tipo de ação penal 
 (denúncia ou queixa) em que não era exigido o pedido de 
 condenação no final delas - o pedido final era um pedido 
 declaratório. Isso só se aplicava nos processos do júri. 
 - Até 2008, as ações penais (denúncia ou queixa) que eram 
 ajuizadas para iniciar um processo no Tribunal do Júri, não 
 pediam condenação de alguém, mas sim que essa pessoa 
 fosse reconhecida como pronunciada - levada a julgamento 
 perante os jurados. Por isso que, à época, essa ação era 
 considerada declaratória porque requeria a declaração dessas 
 pessoas enquanto pronunciadas. 
 - O pedido de condenação somente dava depois, no meio do 
 processo. O juiz determinava, após toda a fase probatória, que 
 essas pessoas fossem a Júri, proferindo uma decisão de 
 pronúncia (declarando essas pessoas como pronunciadas) e 
 essas pessoas eram submetidas ao júri. Porém, antes do 
 julgamento perante aos jurados, cabia ao MP fazer uma peça 
 chamada (na época) de libelo crime-acusatório, que era a 
 descrição do fato, a indicação do sujeito e o pedido de 
 condenação. Ali, somente, se dava o pedido de condenação. A 
 defesa se chamava contra libelo. 
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 - O libelo foi extinto em 2008 , de modo que não há esse tipo de ação 
 declaratória nos processos de competência do Tribunal do Júri 
 terminaram. A partir de 2008, todas as denúncias e queixas crime 
 devem ter pedido de condenação, ainda que isso não tenha sido 
 alterado no CPP (redação ainda original). 
 - Por isso, há autores que defendem (de forma correta segundo 
 o professor) que, caso não haja o pedido de condenação por 
 parte de quem ajuizou a ação, essa ação seria inepta por falta 
 de preenchimento de requisito básico . 
 Ação Penal Pública: 
 É aquela ação que só pode promovida pelo Ministério Público , não podendo 
 ninguém mais ajuizá-la senão o MP. A regra geral é que todos os crimes sejam de ação 
 pública, de modo que não precisa constar, de maneira expressa no dispositivo, que tal crime 
 é de ação penal pública. 
 Assim, na omissão da lei, se sabe que esse tipo de crime só pode ser processado 
 mediante acusação exclusiva do Ministério Público. 
 Art. 100 CP. A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a 
 declara privativa do ofendido . 
 - Princípios: 
 - Oficialidade: só o Estado pode ajuizar esse tipo de ação, por meio do MP. 
 - Legalidade ou obrigatoriedade: necessidade do ajuizamento da ação 
 penal porque a lei obriga. 
 - Todavia, em nenhum lugar da nossa legislação aponta a 
 necessidade/obrigatoriedade de ajuizamento. 
 - Art. 28 CPP. Interpretação de que esse princípio decorre desse 
 artigo, que fala sobre o controle sobre o pedido de 
 arquivamento feito pelo órgão do MP que se depara com a 
 investigação. 
 - Hoje quem faz a análise do pedido de arquivamento é o Poder 
 Judiciário - mas se o judiciário não concordar, ele não pode obrigar o 
 MP a ajuizar ação (situação em que o juiz remete investigação para o 
 chefe do MP e lá se toma as providências para ver se mantém o 
 pedido de arquivamento feito pelo membro do MP na origem (quem 
 primeiro viu o inquérito) ou se concorda com o juiz). 
 - Indisponibilidade: 
 - Atinge três pontos: desistir da ação expressamente, pedido de 
 absolvição e o momento de interposição de recurso - é vedada a 
 desistência pelo MP . 
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 - Art. 42 CPP. O Ministério Público não poderá desistir da ação penal. 
 - Isso porque o MP não é o titular do direito que foi violado, uma 
 vez que o titular do direito violado, via de regra, é o próprio 
 Estado. É ele quem detém o ius puniendi. 
 - Art. 385 CPP. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir 
 sentença condenatória, ainda que o Ministério Público tenha opinado 
 pela absolvição, bem como reconhecer agravantes, embora nenhuma 
 tenha sido alegada. 
 - Tendo em vista o direito do juiz e o ius puniendi do Estado, 
 titular do direito violado, ainda que o MP peça a absolvição, o 
 juiz não está obrigado a absolver, podendo, inclusive, 
 condenar. Isso porque o pedido de absolvição não pode ser 
 entendido como uma desistência do ajuizamento da ação. 
 - Art. 576 CPP. O Ministério Público não poderá desistir de recurso que 
 haja interposto. 
 - Não atinge somente o ajuizamento da ação, mas também os 
 recursos. 
 - Indivisibilidade: 
 - Não posso escolher contra quem se vai ajuizar a ação, ou seja, no 
 momento em que se tem duas ou mais pessoas envolvidas em 
 crime, é preciso se ajuizar a ação contra todas elas. 
 - Intranscendência: 
 - A pena a ser aplicada não pode passar da pessoa de quem foi 
 processado. 
 - Art. 5º, inc. XLV, CF. Nenhuma pena passará da pessoa do 
 condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a 
 decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, 
 estendida aos sucessores e contra eles executada, até o limite 
 do valor do patrimônio transferido. 
 - Na visão do professor, esse princípio não teria “nada a ver” com ação 
 penal, mas sim com execução penal (aplicação da pena). 
 - Espécies de Ação Penal Pública: 
 - Incondicionada: aquela em que a legitimidade para ajuizar é do MP e ele não 
 precisa de nenhum tipo de autorização para ajuizar ação/oferecer acusação. 
 - Sendo o artigo que descreve o crime omisso, o MP não precisa ser 
 autorizado por ninguém para ajuizar ação caso o crime venha a ser 
 cometido, sem necessidade de qualquer manifestação de terceiros. 
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 - Condicionada: já a condicionada é aquela ação penal pública em que é 
 necessária uma autorização para que o MP ofereça a denúncia,que pode se 
 dar por meio de: 
 - Representação: o ofendido ou seu representante legal como regra (já 
 outras possibilidades). 
 - Requisição do Ministro da Justiça. 
 - Fórmula: encontra-se logo abaixo do artigo que prevê o crime (parágrafo 
 único, etc.). Sempre tem que ter esse esclarecimento, justamente pra deixar 
 claro que não é um crime de ação penal pública incondicionada. 
 - “somente se procede mediante representação.” 
 - “procede-se mediante representação.” 
 - “procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça.” 
 - Art. 24 CPP . Nos crimes de ação penal pública, esta será promovida por 
 denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de 
 requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de 
 quem tiver qualidade para representá-lo. 
 - Art. 100, §1º, CP. A ação pública é promovida pelo Ministério Público, 
 dependendo, quando a lei o exige, de representação do ofendido ou de 
 requisição do Ministro da Justiça. 
 - Representação: 
 - Conceito: é uma manifestação de vontade do ofendido/representante 
 legal ou de outra pessoa que a legislação preveja, para que o Estado 
 possa dar início à persecução penal contra o suposto ofensor, aquele 
 que, em tese, praticou a infração penal. 
 - Tem natureza jurídica processual . Condição de procedibilidade para 
 ajuizamento da ação penal (ou outras condições da ação). 
 - Legitimidade : 
 - Ofendido: pessoa de 18 anos ou mais e que é capaz. 
 - Representante legal: quando o ofendido não tem 18 anos ou 
 mais, ou já os tem mas não é capaz. 
 - CADI: cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. Incide 
 quando o ofendido já morreu ou está ausente (ausência do 
 código civil - morte presumida). 
 - Curador: tem a possibilidade de atuar quando o ofendido não 
 tiver representante legal ou quando houver um conflito de 
 interesses entre o ofendido e o seu representante. Ex.: caso 
 em que o próprio representante é o agressor do ofendido. 
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 - Prazo para oferecimento da representação : 
 - Art. 38 CPP. Salvo disposição em contrário , o ofendido, ou o 
 seu representante legal, decairá do direito de queixa ou de 
 representação, se não o exercer dentro do prazo de 6 meses , 
 contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime , 
 ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para 
 o oferecimento da denúncia. 
 - Importante ressaltar que o prazo de 6 meses não é da data do 
 fato/prática do fato. A data do fato é um marco para cálculo da 
 prescrição, para a representação é necessário saber a autoria 
 (ou seja, o dia em que se soube a autoriza - marco para 
 contagem do prazo de representação). 
 - Logo, após 6 meses do dia do conhecimento da autoria, 
 tem-se o instituto da decadência. 
 - Autoridade destinatária: manda-se para a autoridade policial (não é 
 obrigatória). 
 - Pode ser o Ministério Público ou o próprio Poder Judiciário. 
 Entretanto, no momento em que o MP ou o PJ recebe essa 
 representação, o que eles farão será o direcionamento para a 
 autoridade que irá investigar. 
 - O mais adequado é que a representação seja encaminhada, 
 portanto, para a autoridade policial (pode fazer no próprio BO). 
 - A forma da representação não exige grandes formalidades, bastando 
 que a pessoa faça a descrição do fato da melhor forma que 
 conseguir, diga o que ocorreu e deixe claro que está 
 representando.contra aquela pessoa que, em tese, praticou o crime 
 contra ela, ou que peça para o Estado fazer essa investigação/apure 
 contra quem praticou o crime em tese. 
 - Tem que ser claro que a pessoa está autorizado e pedindo ao 
 Estado para fazer isso. 
 - CPP não deixa a forma clara. 
 - Retratação: quem ofereceu a representação pode voltar atrás (se 
 retratar). 
 - Art. 25 CPP. A representação será irretratável, depois de 
 oferecida a denúncia. 
 - A retratação só pode ser apresentada até antes do 
 oferecimento da denúncia pois, sendo ação penal pública, só 
 pode ser pelo MP - e o MP não pode desistir da ação penal 
 ajuizada. 
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 - Crítica: preclusão consumativa. A legislação dá a 
 possibilidade de atuar e, em atuando, aquela faculdade 
 já foi satisfeita, não se pode mais refazer aquilo (lógica 
 do processo civil). Ou seja, se o ofendido “satisfez” 
 essa representação, essa condição que a legislação 
 impõe, ele não poderia mais se retratar. Entretanto, a 
 legislação faz previsão expressa de retratação, então 
 não caberia essa crítica. 
 - Retratação da retratação: 
 - O ofendido vai à delegacia de polícia e faz a sua 
 representação, ou seja, pede providências da polícia contra 
 alguém que, em tese, praticou um crime de sanção penal 
 pública condicionada contra ele e autoriza o ajuizamento de 
 ação pelo MP contra essa pessoa. Depois, dentro do prazo de 
 retratação, decide que não quer mais representar e informa a 
 autoridade policial e retira a ‘representação’ ou ‘se retrata’, 
 fazendo-o também por escrito. É possível ir novamente para 
 dizer que quer representar ‘de novo’? 
 - Sim, é possível. 
 - Condição: representação nova - deve ser apresentada 
 dentro do prazo decadencial de 6 meses. Sendo 
 apresentada depois do prazo, não cabe mais falar nela. 
 - Crítica: preclusão consumativa. 
 - Se a legislação dá a oportunidade de representar e depois 
 retratar, se a pessoa já se retratou, foi cumprido aquilo que a 
 legislação permitia, não cabendo procurar novamente a 
 autoridade policial manifestando que “agora ele quer 
 representar”. 
 - Requisição do Ministro da Justiça: 
 - Mesmos artigos (art. 24 CPP e art. 100, §1º, CP). 
 - Fundamento: conveniência política sobre o início ou não da 
 persecução penal contra alguém. 
 - Destinatário: Para quem que se pode oferecer essa requisição. 
 - Discussão (doutrinária e jurisprudencial): seria para o chefe do 
 MP o oferecimento ou aos outros membros? 
 - Lei não esclarece - não há exigência legal. 
 - Prazo: a legislação não fala em prazo para requisição do Ministro da 
 Justiça, quer dizer que o prazo de 6 meses não existe. 
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 - Somente o prazo de prescrição (pode oferecer a requisição a 
 qualquer momento, mas fica sujeito ao prazo prescricional - e 
 não ao decadencial). 
 - Retratação: as questões relativas à retratação também incidem aqui, 
 conforme boa parte da doutrina, pois, na ausência de previsão legal, 
 não há porque haver tratamento diferenciado. 
 - Prazo para ajuizamento da Ação Penal Pública: 
 - Vai depender do tipo de infração penal (tipo de crime). 
 - Regra básica geral, prevista pelo CPP, para ajuizar ação é o de 5 dias para o 
 sujeito que estiver preso (investigado preso) e 15 dias em caso de 
 investigado solto (sujeito que está solto) . 
 - Cuidado: Prazos especiais . 
 - Código Eleitoral: 10 dias para o ajuizamento das ações. 
 - A Lei de Drogas prevê 10 dias para sujeito tanto preso quanto solto. 
 - Crimes contra a econômia popular: 2 dias. 
 - JECRIM: tem que ser oferecida em audiência. 
 - Importante saber que o prazo para ajuizamento da ação penal 
 pública, via de regra, é de 5 dias quando o sujeito estiver 
 preso,e de 15 dias quando estiver solto!!!. 
 - Consequências da perda do prazo: 
 - Habeas Corpus para réu preso. 
 - É possível que se impetre habeas corpus para sua soltura, 
 pois ele não pode ficar esperando eternamente que o MP 
 ofereça essa acusação. 
 - É claro que pode ser que o MP se estenda e mesmo assim o 
 sujeito sija preso, pois dependerá mais da complexidade do 
 caso (é possível pedir autorização judicial para ampliação do 
 prazo da denúncia quando a investigação envolve fatos muito 
 complexos). 
 - Possibilidade de ajuizamento de Ação penal privada subsidiária da 
 pública. 
 - Art. 5º, inc. LIX do CP. 
 - Art. 100, §3º, CP; art. 29, CPP. 
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 - Aquela ação em que o ofendido/representante/CADI/curador, 
 etc.. ajuíza. Caso de ação condenatória ajuizada pelo ofendido 
 quando o MP não ajuiza no prazo estabelecido pela lei. 
 - Prazos e suas consequências entendidos enquanto mecanismo de controle 
 contra a inércia do MP em ajuizar ação penal pública no prazo estabelecido pela 
 legislação. 
 Ação Penal Privada: 
 Trata-se de todo aquele tipo de ação condenatória que não é ajuizada pelo Ministério 
 Público. Se faz uma leitura/conceituação inversa da ação penal pública (conceito genérico). 
 Quem poderá ajuizar? dependerá do regramento legal. 
 - Regra: é preciso que a lei preveja expressamente que determinado tipo de crime 
 somente será processado mediante queixa. 
 - Art. 100 CP. A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a 
 declara privativa do ofendido. 
 - Ex.: “somente se procede mediante queixa” - art. 145, § único, CP. 
 - Não havendo essa previsão, a regra é que o crime é de ação penal pública, 
 devendo prever expressamente que deve ser condicionada a representação. 
 - Tipos de Ação Penal Privada: 
 - Ação Penal Privada Propriamente Dita. 
 - Ação Penal Privada Personalíssima. 
 - Ação Penal Privada Subsidiária da Pública. 
 Ação Penal Privada Propriamente Dita: 
 Quando não for caso de ação penal privada personalíssima ou subsidiária da 
 pública, será ação privada propriamente dita (critério por exclusão). 
 - Parte geral da ação penal privada. 
 - Princípios: 
 - Oportunidade ou conveniência. 
 - É o oposto ao princípio da legalidade. O ajuizamento da ação fica a 
 critério de conveniência de quem tem legitimidade para ajuizá-lo. 
 - Aqui, a autoridade policial não pode fazer nada em termos de 
 investigação, inclusive se não houver a autorização por parte 
 de quem tem legitimidade para ajuizar essa ação. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Disponibilidade. 
 - Diz respeito a possibilidade de se dispor do conteúdo da relação 
 jurídico-processual, ou seja, a própria ação. 
 - Decorre do princípio da oportunidade. Logo, o sujeito pode 
 desistir do processo ou abandoná-lo. 
 - Exemplos.: perdão do ofendido, que pode ser concedido até o trânsito 
 em julgado da sentença condenatória; perempção, que consiste no 
 abandono do processo; desistência da ação/recurso; renúncia ao 
 ajuizamento da ação. 
 - Indivisibilidade. 
 - Não se pode escolher a quem acusar. Essa ação penal privada 
 deverá ser endereçada a todas as pessoas que, na visão de quem 
 ajuizou a ação, acabou por praticar aquele crime que cabe a ação 
 penal privada. 
 - Ex.: se três pessoas ofenderam a minha honra dentro de um 
 fato só, terei que ajuizar ação contra essas três (as três 
 devem ser acusadas e processadas). 
 - Art. 48, CPP. A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará 
 o processo de todos, e o Ministério Público velará pela sua 
 indivisibilidade. 
 - Instranscendência. 
 - A condenação não passa da figura do acusado. 
 - Art. 5º, inc. XLV, CF. 
 - Titularidade: 
 - Obs.: quem ajuiza a ação penal privada é chamado de querelante, enquanto 
 contra quem se ajuiza esse tipo de ação é chamado de querelado. 
 - Quem pode ser QUERELANTE: 
 - Ofendido ou representante (problema mental ou menor de idade). 
 - CADI (morte ou ausência civil). 
 - Curador (ofendido sem representante ou caso em que o ofensor é o 
 representante do ofendido/conflito de interesses). 
 - Prazo para oferecimento da Ação Penal Privada: 
 - Prazo comum: 
 - Art. 38, CPP. Prazo de 6 meses, contado a partir da data em que se 
 souber quem é o autor do crime (conhecimento da autoria). 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Não é contado do dia do crime (isso só serve pra prescrição). 
 - Crimes contra a propriedade imateria l: 
 - Art. 529. Nos crimes de ação privativa do ofendido, não será admitida 
 queixa com fundamento em apreensão e em perícia, se decorrido o 
 prazo de 30 dias, após a homologação do laudo. 
 - Nesses crimes, se faz a busca e a apreensão do material. Se 
 o material é apreendido, faz-se uma perícia sobre esse 
 material. Se essa perícia constatar que, de fato, aquele 
 material é adulterado, incidindo em algum dos crimes contra 
 propriedade imaterial, e sse laudo deve ser homologado pelo 
 juiz (ou seja, ele deve manifestar sua concordância com o 
 resultado daquela perícia). Havendo a homologação, é da 
 homologação que se parte o prazo de 30 DIAS para 
 ajuizamento. 
 - Prazo especial. Art. 530. Se ocorrer prisão em flagrante e o réu não 
 for posto em lliberdade , o prazo a que se refere o artigo anterior será 
 de 8 DIAS. 
 - Prazo ainda mais restrito. Caso da pessoa que praticou o 
 crime estiver presa. 
 - Postura do Ministério Público: 
 - O MP também vai atuar dentro do processo, ainda que não seja na função de 
 quem ajuizou a ação. Ou seja, não será parte. 
 - Atuação como custos legis . 
 - “Fiscal da lei (ordem jurídica)”. 
 - Ele irá sempre se manifestar depois das partes - geralmente 
 depois da manifestação do réu. 
 - O MP não pode recorrer contra os interesses do réu. 
 - Recursos pró-réu - limite quanto aos recursos. 
 - Pode pedir absolvição, diminuição da pena, etc., nunca em desfavor 
 do réu. 
 - Essa limitação da atividade do MP, porém, não tem previsão 
 em lei, mas decorre da doutrina e da jurisprudência 
 consolidada. 
 - Renúncia: 
 - Conceito: a abdicação do exercício da ação penal privada. Ou seja, se deixa 
 manifesto que não se tem a intenção de ajuizar essa ação. 
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 - Ela só ocorre antes do ajuizamento da ação , somente tendo essa 
 incidência em âmbito extraprocessual. 
 - Tem que ser exercida dentro do prazo decadencial , sob pena de não ser 
 esse o instituto que irá incidir no caso concreto. 
 - Independente da concordância do sujeito passivo que, em tese, praticou 
 aquele crime/delito contra quem se coloca na condição de querelante. 
 - Ato unilateral. 
 - Legitimidade para renunciar: somente aquele que pode ajuizar a ação. 
 - Aproveitamento a todos: se renunciar em relação a um, a todos os outros 
 será tida como aplicada essa renúncia. 
 - Art. 49, CPP. A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação 
 a um dos autores do crime, a todos se estenderá. 
 - Efeito: a renúncia leva à extinção da punibilidade . Não há como voltar atrás 
 (não há como se “retratar” ou retomar o direito de ajuizar). 
 - Perdão: 
 - Conceito: perdoar, desculpar o agressor. 
 - Decorrência dos princípios da oportunidade e disponibilidade. 
 - O perdão é possível depois deajuizada a ação penal privada . 
 - Legitimidade para perdoar: querelante, quem tem legitimidade para ajuizar 
 a ação. 
 - Ato bilateral: não basta uma pessoa perdoar o seu ofensor. Quem foi 
 perdoado também precisa concordar. 
 - Para que o processo possa terminar e o perdão possa ser 
 considerado como válido, que é a extinção da punibilidade, ele precisa 
 ser aceito, porque o querelado pode entender que quer provar a sua 
 inocência . 
 - Ou seja, o querelado tem direito de querer provar a sua inocência e de 
 buscar uma sentença absolutória, e mostrar que a queixa não era 
 verdadeira. 
 - Não cabe o perdão na fase de execução. 
 - Ele só é possível até o trânsito em julgado daquela sentença. 
 - Isto pois o perdão diz respeito à ação, e não à pena. E, também, o 
 direito de punir após o trânsito em julgado é do Estado, e não do 
 ofendido. 
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 - Aproveitamento a todos: igual como na renúncia - deve ser aplicado a 
 todos. 
 - O efeito é a extinção da punibilidade , tal qual a renúncia. 
 - Limite temporal: é até o trânsito em julgado da sentença condenatória. 
 - Perempção: 
 - Deriva do desinteresse do autor em seguir com a ação penal privada. 
 - Traz como efeito a extinção da punibilidade. 
 - Art. 60 do CPP. Nos casos em que somente proceda mediante queixa, 
 considerar-se-á perempta a ação penal: (...): 
 - Não se aplica às ações penais privadas como um todo, mas sim nos 
 crimes de ação penal privada. 
 - Essa causa de extinção de punibilidade, portanto, só tem incidência em 
 dois tipos de ação penal privada: a proprieamente dita e a 
 personalíssima . 
 - Isso porque a subsidiária da pública só tem incidência quando o MP 
 não ajuíza a ação penal pública dentro do prazo que a lei prevê. Ali, o 
 crime se procede mediante denúncia, mas como a denúncia não foi 
 oferecida, abriu-se margem para a ação privada subsidiária (aqui, os 
 crimes são de ação penal pública, e não específicos de ação penal 
 privada). 
 - Hipoteses: 
 - Art. 60 CPP. Nos casos em que somente proceda mediante queixa, 
 considerar-se-á perempta a ação penal: 
 I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o 
 andamento do processo durante 30 DIAS seguidos; 
 (não faz distinção se o processo está parado por conta de 
 quem ajuizou ou por conta do cartório - sempre requerer ao 
 juízo que de seguimento ao processo). 
 II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua 
 incapacidade, não comparecer em juízo para prosseguir no 
 processo, dentro do prazo de 60 DIAS, qualquer das pessoas 
 a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36. 
 - A intenção do legislador é desincentivar o ajuizamento de ações 
 penais privadas - ele quer uma celeridade que nem o próprio judiciário 
 tem. 
 III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo 
 justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar 
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 presente, ou deiar de formular o pedido de condenação 
 (expresso) nas alegações finais (alegações finais = alegações 
 verbais onde cada um pede o mais correto ou memoriais); 
 IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se 
 extinguir sem deixar sucessor, 
 - Desistência: 
 - Enquanto a perempção é vista como uma desistência tácita, um abandono 
 da ação penal privada, a desistência enquanto instituto próprio é uma 
 manifestação de vontade que não há, de maneira expressa, interesse 
 no seguimento naquele processo/ação . 
 - A existência leva à extinção da punibilidade. 
 - Efeito igual ao da perempção. 
 - Também tem sua incidência como causa extintiva da punibilidade na ação 
 penal privada personalíssima. 
 - Na privada subsidiária da pública ela não leva à extinção da 
 punibilidade. 
 Ação Penal Privada Personalíssima: 
 Nesse tipo de ação, o legitimado é somente uma pessoa, previsto somente em um 
 artigo do CP. 
 Art. 236, CP. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro 
 contraentre, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. 
 Pena: detenção de 6 meses a 2 anos. 
 - Só quem pode ajuizar essa ação é o contraente enganado . Não existe nem 
 representante, nem curador e nem CADI. 
 - Art. 236, § único, CP. A ação penal depende de queixa do contraente 
 enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a 
 sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento. 
 - Os princípios que regem esse tipo de ação são os mesmos da ação penal 
 privada propriamente dita. 
 - Prazo: 
 - 6 meses, contado do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o 
 erro/impedimento e anulando o casamento. 
 - Prazo de natureza decadencial, levando à extinção da punibilidade. 
 - Postura do MP: 
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 - Mesma da Ação Penal Privada Propriamente dita. 
 - Atua como custos legis . 
 - Recursos pró-réu. 
 Ação Penal Privada Subsidiária da Pública: 
 Essa ação pode ser definida como um mecanismo de controle sobre a inércia do MP 
 caso ele venha a não acusar no prazo que a lei dá. 
 - Previsão Constituicional: 
 - Art. 5ª, inc. LIX. será admitida ação privada nos crimes de ação penal pública 
 se esta não for intentada no prazo legal. 
 - Essa é a única hipótese de ação penal prevista no nosso 
 ordenamento constitucional. As ações penais privadas 
 personalíssimas e propriamente ditas não têm previsão constitucional. 
 - Previsão CP: 
 - Art. 100, §3º. A ação de iniciativa privada pode intertar-se nos crimes de ação 
 pública, se o MP não oferece denúncia no prazo legal. 
 - Previsão no CPP: 
 - Art. 38, CPP. 
 - Legitimidade Ativa: 
 - São as mesmas pessoas referidas: ofendido/representante legal, CADI ou 
 curador nas hipóteses de conflito de interesses. 
 - Situações especiais de legitimidade: 
 - CDC, Art. 80º. No processo penal atinente aos crimes previstos 
 nesse código, bem como a outros crimes e contravenções que 
 envolvam relações de consumo, poderão intervir, como assistentes 
 do MP, os legitimados no art. 82, inciso III e IV, aos quais também é 
 facultado propor ação penal subsidiária, se a denúncia não for 
 oferecida no prazo legal. 
 - Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados 
 concorrentemente: 
 III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta e 
 indireta, ainda que sem personalidade jurídica, 
 especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos 
 protegidos por este código; (ex.: PROCON). 
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 IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos 
 um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa 
 dos interesses e direitos protegidos por este código, 
 dispensada a autorização assemblear. 
 - Lei de Recuperação Judicial - Lei nº 11.101/2005. Art. 184. Os 
 crimes previstos nestaa Lei são de ação penal pública incondicionada. 
 Parágrafo único. Decorrido o prazo a que se refere o art. 187, 
 §1º, sem que o representante do MP ofereça denúncia, 
 qualquer credor habilitado ou administrador judicial poderá 
 oferecer ação penal privada subsidiária da pública, observado 
 o prazo decadencial de 6 (seis) meses. 
 - Prazo: 
 - 6 meses para ajuizamento daação, contados do dia seguinte ao término do 
 prazo que foi dado ao MP para acusar. 
 - Ou seja, não é contato do dia do conhecimento da autoria do crime. 
 - O prazo é improrrogável. 
 - Durante o período em que se pode a ação privada subsidiária da pública, o 
 MP não perde o direito de ajuizamento . 
 - Regras aplicáveis quanto à omissão do MP em ajuizar a ação no tempo 
 previsto em lei: procurar saber por que se deu essa omissão. 
 - Para requerimento de arquivamentos pelo MP, não se admite a ação 
 penal privada penal subsidiária da pública , uma vez que ela só é 
 possível na hipótese de omissão do MP. 
 - E não quando ele atua contra os interesses do próprio 
 ofendido - ou seja, “paciência”. 
 - Se ele requereu o arquivamento, significa que ele não se 
 omitiu, de modo que esvaziado o fundamento para o 
 ajuizamento da ação penal subsidiária. 
 - No caso de requisição de diligências por parte do MP , é diferente. 
 - O MP, quando recebe o inquérito, pode tomar algumas 
 providências, dentre elas, requisitar a realização de diligências 
 por parte da autoridade que estava investigando. 
 - Se o MP requisitou diligências para autoridades ou pessoas 
 fora do âmbito do Ministério Público, ou seja, pedidno à polícia, 
 a determinada instituição financeira, etc., ele não se omitiu. 
 - Mas se as diligências estão sendo feitas dentro do 
 âmbito do MP, de maneira interna, como, por exemplo, 
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 em setores internos de avaliação pericial de certos 
 documentos. Se as diligências são feitas por setores 
 como esse, não se pode dizer que o MP ainda está 
 dentro do seu prazo para o ajuizamento da ação. 
 - No momento em que se supera o prazo previsto em lei para 
 ajuizamento da ação, mas a investigação criminal continua 
 com o MP porque ele está internamente vendo as diligências 
 que lhe faltam para o ajuizamento, então considera-se que 
 esse tipo de atraso é imputado ao MP ,. 
 - Departamento internos do MP são responsáveis pelo 
 próprio atraso, o que é diferente do atraso por 
 instituições ou pessoas fora do âmbito do MP. 
 - Nesses casos, cabe a ação penal privada 
 subsidiária . 
 - Renúncia: 
 - Cabe renúncia nesse tipo de ação, no entanto, somente atingindo a pessoa 
 de quem está renunciando , ou seja, do possível querelante, mas atinge a 
 pessoa investigada. 
 - Isso porque a ação penal privada subsidiária da pública diz respeito a 
 crimes de ordem pública, e a sua renúncia, para provocar algum tipo 
 de efeito, mais especificamente o da extinção da punibilidade, 
 somente incide em crimes de ação penal privada. 
 - O renunciante não dispõe do ajuizamento de uma ação penal pública. 
 - Perdão e Perempção: mesma situação. 
 - Ambos não atingem o querelado (sujeito passivo) , pois ambos são 
 causas de extinção da punibilidade decorrentes da disponibilidade e da ação 
 penal privada, dos crimes que motivaram a ação penal privada. 
 - Sendo os crimes de ordem pública, não são cabíveis . 
 - A ação penal privada subsidiária da pública só incide sobre os crimes de 
 ação penal pública, então não cabe. 
 - A decadência também não atinge o investigado (perda do prazo para 
 ajuizamento da ação). 
 - Atinge somente o direito de quem tinha o direito de ajuizar ação penal privada 
 subsidiária da pública e acabou não o fazendo dentro do prazo. 
 - Postura do Ministério Público: 
 - Quando do ajuizamento da queixa crime: 
 - Não atua como custos legis , mas como parte secundária. 
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 - Que tipo de parte? parte autora secundária. 
 - Reversibilidade : 
 - O MP retoma condição de titularidade da ação penal . Aqui, o MP deixa 
 de ser parte secundária, para se tornar parte principal. Isso ocorre: 
 - No caso de repúdio , quando o MP repudia a queixa crime que 
 está muito mal redigida. 
 - Tem que se oferecer uma ação nova (“denúncia 
 substituiva” - MP como parte autora principal) 
 - No caso de perempção, desistência, e perdão , há um 
 afastamento do querelante daquele processo, e o MP retoma a 
 condição de titular daquela ação. 
 - MP não precisa ajuizar ação penal pública, pois será 
 considerado parte principal daquele já ajuizado, ainda 
 que tenha que dar seguimento a uma queixa crime. 
 - Justificativa: crime de ordem pública, querelante não 
 pode dispor dessa ação e muito menos da punibilidade 
 do querelado, ou seja, não pode abandonar o processo 
 na intenção de extinguir a punibilidade do querelado. 
 - Princípios: 
 - Nem todos os que estão presentes na ação penal privada propriamente 
 dita/personalíssima. 
 - O princípio da oportunidade, por exemplo, tem autores que entendem 
 que não se aplicaria nas subsidiárias. 
 - Os que entendem que se aplicaria, defendem que seria a 
 oportunidade pela possibilidade de ajuizar “se quiser”. 
 - O princípio da disponibilidade se entende que não cabe por alguns 
 autores, enquanto outros entendem que cabe. 
 - A desistência seria um princípio aplicável no momento em que é 
 possível desistir da ação subsidiária, ainda que o MP retome ela. 
 - Outros entendem que não não cabe a desistência na ação penal 
 subsidiária da pública, porque a desistência “real” não irá ocorrer, uma 
 vez que a ação irá se manter e ter seguimento pelo MP. 
 - O princípio da intranscendência se aplica nas ações penais privadas 
 subsidiárias da pública. 
 - O princípio da indivisibilidade também se aplicaria nesse tipo de ação 
 penal privada. 
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 Controvérsia: existe ação penal popular no país? 
 - Conceito: aquela ação que pode ser ajuizada por qualquer pessoa do povo. 
 - Na visão do professor, a nossa legislação não permite tal qual colocada nessa 
 maneira , mas há uma corrente doutrinária que defende que a ação penal privada 
 subsidiária da pública deve ser encarada como uma ação penal popular. 
 - Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
 garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
 inviolabilidade do direito à vida, à segurança e à propriedade, nos termos 
 seguintes: 
 LIX- será admitida ação privada nos crimes de ação penal pública se 
 esta não for intentada no prazo legal. 
 - Como o inciso termina ali, não tendo uma sequência dizendo “na forma da 
 lei”, ou seja, em lei infraconstitucional, o próprio art. 5º, caput, traria consigo 
 toda a regulamentação de uma ação penal popular (ação penal privada 
 subsidiária dapública). 
 - Pra essa linha teórica, porém, esse tipo de ação privada poderia ser ajuizada por 
 qualquer pessoa (não só aquelas 3 opções). Ainda, essa ação, de acordo com essa 
 linha teórica, poderia ser ajuizada por qualquer pessoa e a qualquer tempo, pois o 
 artigo e o caput não impõe prazo fixo. 
 - A limitação do prazo e da legitimidade vem do CPP somente. 
 - Questão: por que o CPP (legislação infraconstitucional) prevê uma 
 limitação que a própria constituição não prevê? 
 - Análise histórica: nenhuma das Constituições de 1946, 1967 e 1969 fizeram qualquer 
 menção à ação penal privada subsidiária da pública. Desde que o CPP entrou em 
 vigor, portanto, nenhuma CF fez menção à esse tipo de ação, de modo que essa 
 ação só poderiaser encontrada na legislação infraconstitucional, ou seja, no próprio 
 CPP. 
 - Com a entrada em vigor da CFB de 88, e lá fazendo menção pela primeira 
 vez a esse tipo de ação, não foram colocadas limitações à legitimidade ativa 
 e ao prazo. Se não há uma limitação ativa, segundo texto da CF, qualquer 
 pessoa poderia ajuizá-la. 
 - Por isso, esta é uma forma de entender a possibilidade de ação penal 
 pública, dentro do ordenamento brasileiro, através de uma interpretação 
 restrita do que nos diz a CFB. 
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 AÇÃO CIVIL EX DELICTO: 
 Trata-se de uma Ação Civil, relacionada à uma infração penal e infração civil. Ideia de 
 que toda infração penal tem potencialidade de causar prejuízo patrimonial ou moral à pessoa 
 que é ofendida. 
 A infração penal enquanto ato ilícito, que pode ser sujeito a autorizar a 
 reparação do dano a quem se viu prejudicado . 
 Art. 91 CP. São efeitos da condenação : 
 I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; 
 - Exclui os efeitos dos acordos (transação penal, ANPP), suspensão condicional do 
 processo). 
 - Esses acordos não implicam, portanto, na obrigação legal de indenizar (a 
 menos que previsto no acordo). 
 - Condenação transitada em julgado / imodificável. 
 - Se o ilícito é de ordem penal, também será um ilícito de ordem civil, o que 
 fundamenta que a sentença condenatória obrigue o réu a indenizar a pessoa 
 ofendida. 
 - Controvérsia: Condenações no Tribunal do Júri contra a prova dos autos. 
 - Nos processos do Tribunal do Juri, é possível que uma pessoa seja 
 condenada mesmo que não haja prova contra ela, ao contrário do que 
 funciona nos outros tribunais. 
 - As decisões proferidas pelos jurados podem não ter base em 
 qualquer prova nos autos - podem se basear pelo réu não ser 
 uma pessoa “bem vista” no meio social. 
 - Ex.: tráfico de drogas. 
 - Quando a decisão dos Jurados for contrária as provas que existem 
 nos autos, a legislação prevê o recurso de apelação. Numa hipótese 
 como essa, a apelação será analisada pelo Tribunal de Justiça e ela 
 não será, porém, reformada, mas sim anulada. 
 - Vedado que os Desembargadores reformem decisão proferida 
 pelo Júri. 
 - Em sendo anulada, ela irá implicar na remessa do processo ao 
 primeiro grau, para que se tenha uma nova sessão do Tribunal do Júri. 
 Isso ocorrendo, pode ser que os julgadores voltem a condenar aquela 
 pessoa que já havia sido condenada mesmo sem a existência de 
 prova nos autos (não há impeditivo). 
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 - Os jurados devem ser diferentes daqueles que já haviam 
 condenado. 
 - Logo, teriam-se duas condenações do Tribunal do Júri contra as 
 provas dos autos - essa segunda condenação, de acordo com o CPP, 
 não comporta mais apelação. 
 - O réu pode ser condenado sem que exista qualquer prova nos 
 autos que demonstre isso. 
 - Nesse ponto, o art. 91 do CP chama atenção - como alguém pode ser 
 condenado a indenizar alguém se não há nenhuma prova de que ele foi 
 o responsável pelo crime que lhe foi imputado? 
 - Não há unanimidade no âmbito doutrinário. 
 - Outra hipótese: condenações em que os jurados somente votam, não 
 fundamentam (somente respondem aos quesitos dos juízes). 
 - Alguns doutrinários acham que o fato de não haver fundamentação 
 em suas decisões faz com que as condenações, no Tribunal do Júri, 
 não possam comportar essa obrigação imediata de indenização. 
 Outros, acreditam que esse tipo de condenação possa comportar. 
 - Classificações de Ações Civis no Processo Penal: 
 - Actio Civilis Ex Delicto (Ação Civil decorrente de crime). 
 - Actio Judicati (Ação Julgada). 
 Actio Civilis Ex Delicto: 
 - Previsão legal: 
 - Art. 64 CPP. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para 
 ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível, (...). 
 - Características: 
 - Ação civil de conhecimento. 
 - Pedido condenatório. 
 - Objetivo: busca reparação do dano decorrente do crime. 
 - É preciso que haja pedido expresso de condenação civil. 
 - Ônus probatório do dano : do ofendido. 
 - Necessidade de contraditório. É nessário discutir a temática dessa ação civil 
 no bojo desse processo. 
 - Vantagens: 
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 - Pode tramitar junto ao processo penal . Não há necessidade de aguardar a 
 finalização do processo criminal. 
 - Juiz pode condenar alguém ao pagamento de uma indenização dentro 
 do processo criminal. 
 - Pode ser ajuizada, inclusive, dentro do processo penal. 
 - O valor a ser indenizado já constará na sentença civil (mesmo quando for 
 proferida dentro do processo penal!). 
 - Possibilidade de utilização das ações cautelares do CPC para proteger 
 seu direito. 
 - Pode se buscar a proteção do seu patrimônio, ou do seu direito de 
 indenização impedindo ou obstaculizando a disponibilidade dos bens 
 da pessoa que está sendo processada. 
 - Pode ser ajuizada contra quem for réu no processo criminal, bem como, 
 contra quem não for réu (não foi acusado ou é o responsável civil). 
 Actio Judicati: 
 - Previsão Legal: 
 - Art. 63 CPP. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão 
 promover-lhe a execução, no juízo cível , para o efeito da reparação do dano, 
 (...). 
 § único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá 
 ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 
 deste Código sem prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente 
 sofrido. 
 - Ação de execução que pressupõe o trânsito em julgado da sentença que 
 condenou alguém na área criminal. 
 - Para a actio iudicati, precisa o trânsito em julgado da sentença condenatória, 
 a ação deve ser ajuizada em juízo cível e pode já executar imediatamente o 
 valor que a sentença do processo criminal estipulou como sendo o valor de 
 indenização. 
 - O que superar esse valor ou que não estiver líquido: primeiro é feita a 
 liquidação da sentença e, após, se executa. Tudo no juízo cível. 
 - Art. 387 CPP. O juiz, ao proferir a sentença condenatória: 
 IV - fixará o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, 
 considerando os prejuídos sofridos pelo ofendido. 
 - Logo, o valor mínimo não significa que deva ser o único a ser buscado 
 pela pessoa que sofreu o dano. Ex.: furto de um veículo - até a data da 
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 sentença, o valor atribuído ao veículo diminuiu muito. Assim, a pessoa 
 que sofreu o dano pode requerer a atualização do valor daquele 
 automóvel. O valor mínimo = valor do corre. Valor a mais = 
 defasagem entre valor antigo x valor atual - o ofendido busca a 
 liquidação deste dano, postulando um aumento nesse valor e, depois, 
 se convertendo na execução da sentença (em juízo cível). 
 - Art. 20 da Lei 9.605/1988 (Lei dos Crimes Ambientais) . A sentença condenatória, 
 sempre que possível, fixará o valor mínimo para a reparação dos danos causados 
 pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio 
 ambiente. 
 - CPP trouxe para dentro de si, em 2008, essa possibilidade (previsão) de 
 reparação para toda e qualquer infração- Formal: 
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 - Aquela modalidade que a própria Constituição faz referência: 
 não admite qualquer tipo de diferenciação de tratamento . 
 - Lógica de igualdade matemática: a todo aquele que recebe 
 uma arma, a outra parte também deve receber. O que uma 
 parte tem de possibilidade, meios, etc., a outra parte também 
 deve ter de igual modo. 
 - “Nas mesmas circunstâncias, me assistem os 
 mesmos direitos que aos demais” - 
 Demóstenes. 
 - Base: art. 5º da CFB/88. 
 - Função: uniformizar diferenças. 
 - Problema: 
 - A igualdade formal despreza as diferenças naturais que 
 existem entre as pessoas, bem como as diferenças de 
 caráter econômico , que podem existir entre os 
 integrantes da relação processual. Além disso, 
 despreza as dificuldades de atuação, ou seja, fecha os 
 olhos para as naturais diferenças que podem existir 
 entre os atuantes. 
 - Material: 
 - Igualdade que procura compensar as dificuldades que uma 
 parte tem em relação a outra referente à atuação. Se procura 
 dar mais armas para uma parte em detrimento da outra , com 
 o propósito de igualar a balança (as possibilidades de atuação 
 que uma tem em relação a outra). 
 - Lógica de igualdade compensatória . 
 - Não se tira armas de quem tem para que possa ficar 
 igualada a quem não tem, mas sim partir do 
 pressuposto que há alguem com uma deficiência e dar 
 mais armas para essa que tem deficiência. 
 - Pressuposto de aceitar as diferenças. 
 - “Tratar os iguais de forma igual, e os desiguais de 
 forma desigual” - Aristóteles. 
 - Exemplos processuais: igualdade material de armas com a 
 concessão de prazo em dobro para a defensoria pública, 
 intimação pessoal (somente MP e DP) e prazos mais amplos 
 de manifestação em razão do volume de material a ser 
 avaliado pela defesa concedido pelo juiz. 
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 - Exemplo: resposta escrita tão logo o réu seja citado. 
 Assim que o MP ou o querelante oferece a acusação, a 
 lógica é que seja citado o réu e, com isso, ele tenha um 
 prazo para oferecer sua defesa escrita. Essa defesa 
 escrita o CPP prevê o prazo de 10 dias que, algumas 
 vezes, é muito pequeno frente à quantidade de matéria 
 que o MP/Polícia aportou à investigação. Por isso, 
 algumas vezes é concedido um prazo ampliado por 
 parte do juiz à defesa, a fim de melhor examinação do 
 conteúdo da investigação e, consequentemente, uma 
 defesa escrita mais elaborada, condizente com o 
 princípio da ampla defesa. 
 - Assim, também o julgador pode conceder mais armas para a 
 defesa, a fim de que ela possa melhor desempenhar suas 
 atividades, partindo do pressuposto de que há uma 
 diferenciação muito grave de tratamento com a atuação do MP 
 com a defesa. 
 Princípio do Favor Rei: 
 O réu deve ser tratado de forma diferente em relação ao acusador pois, aqui, 
 parte-se de um pressuposto de política criminal, em que é preferível ter um culpado solto do 
 que um inocente preso . 
 - Sustenta a necessidade de mais armas para o réu em detrimento das armas 
 concedidas ao acusador . O principio do favor Rei parte do pressuposto de 
 que o acusado precisa de mais armas em razão de já se reconhecer a 
 falibilidade do Estado na hora de produzir provas, bem como a do julgador em 
 si. 
 - Lógica de falha do Estado. 
 - Lógica assentada há mais de 5 mil anos. 
 - Garantias exclusivas do réu: 
 - In dubio pro reo : presunção de inocência e ônus da prova; 
 - Direito de falar por último: decorrência do contraditório; 
 - Direito ao silêncio: restrição ética; 
 - Proibição de reformatio in pejus : intuito de evitar surpresas ao réu em 
 segundo grau. 
 - Permissão da reformatio in mellius : aplicação do princípio da 
 legalidade. 
 - Armas exclusivas do réu: 
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 - Uso de provas ilícitas; 
 - Se admite que só o réu se utilize de provas ilícitas, mas não de 
 todas as provas ilícitas possíveis . Para que o réu possa utilizar 
 essas provas, elas não podem decorrer de situações que 
 tirem a vontade da pessoa que vai fornecer a informação que 
 seria favorável ao acusado. 
 - Três tipos que não podem ser utilizadas: 
 - tortura; 
 - derivadas de narcoanálise (soro da verdade); 
 - hipnose. 
 - Princípio do ne bis in idem : proibição de o réu voltar a ser acusado 
 pelo mesmo fato; 
 - Revisão criminal: somente o réu pode fazer uso da revisão criminal. 
 - Trata-se de ação autônoma ajuizada com a finalidade de 
 desconstituir a coisa julgada num processo criminal onde 
 houve a condenação do réu. 
 - Por ser arma esclusiva do réu, o acusador não possa buscar 
 a desconstituição de uma sentença absolutória transitada em 
 julgado, mas o réu pode fazer o contrário. 
 - Recursos exclusivos do réu: 
 - Embargos infringentes: só podem ser utilizados pelo acusado. 
 - Só ocorrem quando frutos de uma apelação, ou seja, é preciso 
 que primeiro haja apelação e, dependendo do resultado, em 
 caso de 2 votos a 1 contra o réu, este pode fazer uso desse 
 único voto em seu favor para continuar recorrendo. 
 Consequência de sua incidência no direito processual penal: 
 Como o princípio do Favor Rei trabalha com a diferenciação de tratamento do réu em 
 relação ao acusador, não importando se o réu tem algum tipo de deficiência de atuação , 
 este princípio provoca uma quebra no Princípio da Igualdade do processo penal em que ele 
 se faz presente. 
 - O Favor Rei procura tratar de forma diferente as pessoas - neste caso, o réu, 
 sem que seja levado em consideração qualquer situação de compensação, 
 posto que a intenção é tratar diferentemente, sem qualquer preocupação com 
 igualdade, mais ou menos armas, com intuito de promover essa 
 ‘desigualdade’. 
 - O réu sempre terá melhores possibilidades de atuação que seu opositor, 
 simplesmente por ser réu. 
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 Princípio do Contraditório: 
 - Previsto no art. 5º, LV, da CFB/88. Também chamado de princípio da 
 audiência bilateral. 
 - Possui duas linhas conceituais : 
 - Clássica: ligada à definição do Princípio do Contraditório, “ouça-se a 
 outra parte”. 
 - Parte-se do pressuposto de que, se uma afirmação foi feita 
 por uma parte, dá-se a oportunidade de que a outra parte 
 também conheça essa afirmação e possa rebatê-la, sendo o 
 caso. 
 - Problema: considera somente as duas partes no processo. 
 - Atual : coloca o juiz dentro dessa lógica, admitindo que o juiz decida 
 de ofício, inclusive podendo aportar informações de ofício no processo 
 como, por exemplo, determinar produção de prova pericial, vinda de 
 documento que não foi juntado, pedir para ouvir uma testemunha que 
 não foi chamada, etc (necessário ter um controle). 
 - Depois das perguntas que o juiz fizer, ele deve abrir a 
 possibilidade para as partes complementarem as suas 
 questões. As partes têm o direito, também, de ter 
 contato com as provas produzidas, a fim de se 
 manifestarem de seu conteúdo. 
 - Lógica: quem pode ser afetado pelas informações novas 
 contidas no processo deve ter contato prévio com essas 
 informações antes que o juiz venha a decidir.penal, e não somente os crimes 
 ambientais. 
 - Vantagem: 
 - Não há necessidade de produção sobre o mérito. 
 - Já foi feita no processo criminal - trânsito em julgado. 
 - É uma ação de cumprimento. 
 - Desvantagem: 
 - Precisa aguardar o encerramento do processo criminal. 
 - Se alguém quiser buscar a reparação do dano antes do término da 
 ação criminal, terá que ajuizar ação civil (no juízo civel). 
 - Não abranje, por também necessitar do trânsito em julgado da sentença, 
 aquelas pessoas absolvidas ou que não foram processadas. 
 - Essas pessoas não serão alcançadas pela actio judicati . 
 Sistemas de Ação Civil Ex Delicto : 
 - Da Solidariedade: 
 - Os pedidos de reparação civil e de imposição de pena criminal são 
 apresentados em ações separadas, mas apresentados juntos ao mesmo 
 juízo e no mesmo processo crimina l. 
 - Ações distintas, mas ajuizadas na mesma Vara Criminal, dando 
 motivo a instauração de um mesmo processo criminal. 
 - Ocorre em: 
 - Ex.: Ministério Público ajuiza a sua ação penal pública (denúncia). É 
 possível que a parte ofendida queira ingressar nesse processo para 
 buscar a condenação criminal do réu e, também, a condenação civil 
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 dele. Nessa situação, o ofendido ingressa no processo na condição 
 de assistente do Ministério Público (ou assistente de acusação) e, 
 nesse pedido de assistência, se admitido, o ofendido poderá propor 
 provas, juntar documentar, fazer perguntas e, dentre essas 
 possibilidades, poderá fazer o pedido de condenação do réu a 
 indenização que o próprio ofendido julga pertinente. 
 - Denúncia do MP, o pedido de habilitação do ofendido, onde há 
 um pedido de condenação (criminal e cível) por parte do 
 assistente - duas ações diferentes, dentro de um mesmo 
 Juízo e de um mesmo processo. 
 - Confusão: 
 - Se refere aos pedidos de reparação e imposição de pena criminal em uma 
 só ação, dando origem a um único processo . 
 - Ocorre em : 
 - Quando o MP ajuiza ação penal pública (denúncia) e, lá mesmo, faz 
 pedido de reparação de danos para a vítima. 
 - Ocorre frequentemente. 
 - Ações penais privadas. 
 - Ajuizada a ação pelo querelante, este pode fazer o pedido de 
 condenação criminal juntoamente com o pedido de 
 condenação civil por indenização. 
 - Livre Escolha: 
 - Aqui, basicamente diz respeito ao juízo onde tramitará a ação civil ex 
 delicto . 
 - O interessado pode escolher o juízo que irá apresentar o seu pedido de 
 indenização (no juízo criminal ou no juízo civil). 
 - Possível depois da reforma de 2008 (art. 387 CPP). 
 - Separação ou Independência: 
 - A pretensão de ressarcimento é obrigatoriamente ajuizado no cível . 
 - Hoje em dia não ocorre - não existe mais essa obrigação. 
 - Desde 2008, é possível que a reparação civil (pretensão indenização) 
 ocorra dentro do processo criminal. 
 Legitimidade Ativa: 
 - Regra: 
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 - Art. 63 CPP. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão 
 promover-lhe a execução , no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, 
 o ofendido, seu representante legal ou os herdeiros . 
 - Art. 943 CC. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la 
 transmitem-se com a herança . 
 - O ofendido, seu representante legal ou os seus herdeiros são as 
 pessoas que podem ajuizar esse tipo de ação. 
 - Não tem-se o CADI. 
 - Questão que envolve reparação - direito patrimonial. Sendo o 
 Código Civil claro que a transmição somente se dá aos 
 herdeiros, nesse sentido também vai o CPP. 
 - Exceção: MP. 
 - Art. 68 CPP. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, 
 §§1º e 2º), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 
 64) será promovida, a seu requerimento , pelo Ministério Píblico. 
 - Para que o MP possa atuar nesse caso como substituto processual, é 
 preciso, portanto, dois requisitos: 
 - Pessoa pobre. 
 - Pessoa deve provocar o MP. 
 - Logo, o MP não pode agir de ofício, somente mediante provocação. 
 - Discussão: quem deve tutelar os interesses da pessoa ‘pobre’? 
 - Quando a CF trata de pessoas a serem representadas por alguém, 
 em âmbito processual, e que possuem problemas econômicos, 
 sendo pobres (na linguagem do CPP) / hipossuficientes 
 financeiramente (linguagem da CF), endereça esse cuidado a uma 
 Instituição criada por ela: a Defensoria Pública. 
 - O art. 68 do CPP ainda estaria em vigor ou teria sido 
 derrogado pela CF/88, que endereçou à Defensoria Pública o 
 cuidado? 
 - O que se concluiu foi que o MP continua tendo legitimidade para o 
 ajuizamento deste tipo de ação (ação de conhecimento/ou de execução). 
 - Como se conciliaria, então, o art. 68 do CPP e a previsão 
 constitucional em favor da Defensoria Pública? 
 - A conciliação se fez a partir da manutenção da legitimidade do MP 
 para esse ajuizamento somente naquelas Comarcas onde NÃO 
 existir Defensoria Pública instalada. 
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 - DP ainda é deficitária em vários estados - inclusive é, por 
 conta disso, que ainda possui o prazo em dobro. 
 - Conclusão: Para que o MP possa ajuizar ação ex delicto/judicata, 
 necessário ser provocado pela parte mediante requerimento, que a 
 pessoa ofendida seja pobre e que não tenha Defensoria Pública 
 instalada na Comarca (requisito jurisprudencial). 
 Legitimidade Passiva: 
 - Actio Civilis Ex Delicto: 
 - Art. 64 CPP. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para 
 ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível, contra o autor do 
 crime e, se for o caso, contra o responsável civil . 
 - No caso da ação civil ex delicto, a legitimidade passiva será do autor 
 do crime, o responsável civil ou seus herdeiros. Não existe CADI. 
 - Art. 943 CC. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la 
 transmitem-se com a herança. 
 - Actio Judicati: 
 - Art. 943 CC. 
 - Será o autor do crime ou seus herdeiros. 
 - Não se atinge o responsável civil pois ele não foi parte no processo criminal. 
 - Ação que decorre da sentença condenatória criminal. 
 - O responsável civil não pode figurar como sujeito passivo de um 
 processo de execução do qual ele não foi parte. 
 - Quebra ou não do princípio da intranscendência? 
 - Quando se fala em ação penal, pública ou privada, tem-se a proibição 
 da pena ser transmitida ou alcançar a figura dos herdeiros do réu. 
 - Ou seja, isso não ocorre no caso de pena criminal no nosso 
 processo penal. 
 - Todavia, como conciliar o princípio da intranscendência com essas 
 disposições que falam que a herança será responsável pela 
 obrigação de reparar o dano, tanto na actio ex delictus quanto na actio 
 judicati? 
 - A manutenção do princípio da intranscendência se responde 
 pelo fato de a obrigação de indenizar ser efeito da sentença 
 condenatória, e não a pena em si. 
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 - Logo, não se tem a quebra desse princípio , que diz respeito 
 somente a pena, enquanto a indenização seria efeito 
 civil/consequência da condenação. 
 Ajuizamento: 
 - Processo de Conhecimento ( Actio Civilis Ex Delicto ): 
 - Antes, durante ou depois do processo criminal. 
 - Depois, porque pode envolver pessoas que não foram processadascriminal. 
 - Caso em que pessoas foram deixadas de fora do processo criminal à 
 época por, por exemplo, desconhecimento, e acabam sendo 
 processadas civilmente somente depois. 
 - Processo de Execução ( Actio Judicat i): 
 - Somente após o trânsito em julgado da sentença condenatória (art. 63 CPP). 
 - Segurança em relação à imutabilidade da sentença condenatória criminal. 
 In�luência da Jurisdição Penal sobre a Jurisdição Civil: 
 - Art. 91 CP. São efeitos da condenação: 
 I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime. 
 - Art. 935 CC. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo 
 questionar mais sobre a existência de fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando 
 estas questões se acharem decididas no juízo criminal. 
 - Em suma, não é possível rediscutir, no juízo cível, as decisões tomadas no 
 juízo criminal que digam respeito a existência do fato e sua autoria . 
 - Se o juízo criminal identificou como sim ou como não, não pode o juiz cível ir 
 em sentido contrário. 
 - Após haver decisão no juízo criminal sobre existência do fato e de sua autoria, 
 pode-se discutir no cível, somente, a busca pela reparação do dano ou, mais 
 especificamente, o quantum de reparação a ser discutido. 
 - O contrário, todavia, não ocorre: se a ação já foi resolvida no juízo cível e, 
 somente após, se ajuiza a ação criminal, não existe nenhuma subordinação 
 do juízo criminal sobre o que foi decidido no cível. 
 - O juízo criminal impõe ao cível suas decisões a respeito do reconhecimento do fato 
 e de sua autoria, mas o juízo cível não impõe ao criminal o reconhecimento dessas 
 duas situações idênticas. 
 - Há uma hierarquia entre os dois juízos: o crime sobre o cível. 
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 Suspensão da Ação Civil Ex Delicto : 
 - Art. 64. (...) 
 - §único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o curso 
 desta, até o julgamento definitivo daquela. 
 - Para garantir esse juízo de segurança possa ocorrer em relação a decisão do juízo 
 criminal. 
 - Juízo cível suspende seu processo até que termine o processo no juízo 
 criminal. 
 - Isso pois, não há sentido que o processo de conhecimento tenha seguimento 
 e chegue a um resultado mais rápido que o criminal e, com isso, tenha uma 
 decisão antagônica àquela proferida pelo processo criminal. 
 - Evita o choque de decisões. 
 - Motivos: 
 - Evitar decisões antegônicas nos juízos cível e crime, pois há prevalência 
 do juízo criminal sobre o juízo civil; 
 - Economia processual , evitando-se repetição de produção de prova e 
 discussões em ambos os juízos. 
 Causas que não Impedem o Ajuizamento: 
 Aquelas que não impedem o ajuizamento de ação cível quando se tem uma 
 decisão/processo já em andamento no crime. 
 - Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil: 
 I - despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação; 
 - Se o inquérito for arquivado, dependendo o conteúdo desse 
 arquivamento, não há um impedimento para que se discuta, no cível, 
 o que não foi discutido no crime. 
 II - a decisão que julgar extinta a punibilidade; 
 - Ex.: morte do agente. A pessoa que praticou o crime pode ter morrido, 
 não sendo processada no criminal, mas isso não impede que, no 
 cível, venha a se buscar a reparação do dano ajuizando-se ação 
 contra os seus herdeiros. 
 - III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não 
 constitui crime. 
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 - Cuidado: se a conduta não é considerada crime, não significa que ela 
 não é um ilícito civil. Esse tipo de reparação pode ser buscada no 
 cível. 
 - Ex.: o crime de dano. O crime de dano só ocorre de modo 
 doloso. Mas se a sentença for absolutória reconhecendo que o 
 dano foi culposo, pode ser buscada a reparação por esse 
 dano no cível. 
 - Consequência: se a sentença é absolutória, pelo fato de não ser 
 crime, o MP estará desautorizado de ajuizar esta ação. 
 - Pois não é infração penal. 
 Condições para a busca da reparação civil: 
 - Art. 935 CC. A responsabilidade civil é independente da criminal , não se podendo 
 questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando 
 estas questões se acharem decididas no juízo criminal. 
 - Ou seja, sendo questão de responsabilidade civil, não é porque no crime não 
 se determinou, que não possa ser buscado no cível, respeitando, por óbvio, 
 decisões criminais sobre existência do fato ou sobre sua autoria. 
 - Condições para a busca da reparação civil “ex delicto” : 
 - Sentença criminal absolutória não reconhecer a inexistência do fato. 
 - Art. 66 CPP. 
 - Não se pode buscar reparação sobre o que “não existiu”; 
 - A sentença criminal absolutória não reconhecer que o réu não praticou ou 
 não concorreu para a prática do fato. 
 - Se “não foi o réu” no criminal, não poderá ser responsabilizado no 
 cível. 
 - A sentença absolutória não conheça a que o fato foi praticado ao abrigo de 
 uma causa excludente de ilicitude . 
 - Art. 65 CPP. 
 - Cuidado: não é toda a situação de excludente de ilicitude que pode 
 levar ao impedimento da busca de ressarcimento. 
 - Sentença Absolutória por Excludente de Ilicitude: 
 - Art. 65 CPP. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer 
 ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em 
 estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito. 
 - Exceções: 
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 - Legítima defesa putativa ; 
 - Legítima defesa com erro na execução ; 
 - Estado de necessidade defensivo ; 
 - O ato foi praticado contra o bem jurídico do próprio agressor. 
 Nesse caso, cabe ação civil contra o então réu. 
 - Ex.: um bem do próprio réu é que está me colocando em 
 risco, então eu posso atacar esse bem pra me defender. 
 - Estado de necessidade ofensivo . 
 - Extinção da punibilidade: 
 - Como regra, não impedem a ação civil “ex delicto” . 
 - Situações particulares: 
 - Morte do agente. 
 - Antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. 
 - Se ocorreu essa extinção da punibilidade, por exemplo, 
 a morte do agente, só poderá ajuizar ação civil pelos 
 herdeiros. A ação penal é extinta. 
 - Depois do trânsito em julgado da sentença condenatória. 
 - Como o agente respondeu a todo o processo de forma 
 normal, pode-se ajuizar actio judicati, ou seja, também 
 contra os herdeiros, mas havendo uma sentença que 
 transitou em julgado contra o réu. 
 - Perdão Judicial: 
 - Divergência: 
 - STF: permanecerá a obrigação de indenizar, podendo a sentença 
 valer como título executivo no juízo cível. 
 - Mesmo que o juiz tenha perdoado o réu, ele continuará tendo 
 obrigação de indenizar, podendo a sentença valer como título 
 executivo no cível. 
 - Ex.: pais separados. O pai, no direito de visitação, acaba se 
 envolvendo em um acidente de carro, que leva à morte do filho 
 e é considerado como homicídio culposo. O juiz pode, nesse 
 caso, perdoar o pai, mas esse perdão não importa que a mãe 
 não possa buscar a indenização cível em relação a este 
 ocorrido. 
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 - Súmula 18 do STJ: A sentença concessiva doperdão judicial é 
 declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer 
 efeito condenatório. 
 - Efeito condenatório = efeitos da condenação (art. 91 CPP) . 
 - Não confundir com perdão do ofendido. 
 - Abolitio Criminis: 
 - A extinção do crime (reforma legislativa que acaba não mantendo uma certa 
 conduta como sendo crime). 
 - Divergência: 
 - Primeira posição: levaria à extinção dos efeitos extrapenais. 
 - Segunda posição: os efeitos extrapenais permaneceriam. 
 - Independentemente de haver efeitos extrapenais, como crime não é, o tema é 
 regulado pelo Direito Civil e, se o Direito Civil entender que é caso de 
 reparação do dano (indenização), nada mais tendo a ver o juízo criminal a 
 tratar sobre o tema . 
 - Se é caso de abolitio criminis, não se trata mais de Ação 
 Civil Ex Delicto . 
 - Impossibilidade do MP de ajuizar esse tipo de Ação de Conhecimento: incide 
 essa lógica pois não há mais crime, que era o pressuposto para ação do MP. 
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 DO PROCESSO 
 - Conceito: 
 - Apresentado como sendo um instrumento ou espaço onde alguns temas 
 serão debatidos, sempre dizendo respeito ao que é limitado pela ação 
 que é apresentada pelo autor (condenatória, declaratória, constitutiva, 
 mandamental, executória, etc.). 
 - O Direito Processual Penal não trata unicamente, portanto, do Processo 
 Penal Condenatório, também tendo a forma de regulamentação do processo 
 de conhecimento, seja pela forma declaratória ou constitutiva. 
 - Ex.: Habeas Corpus, como exemplo de processo penal constitutivo 
 negativo. Desconstituição de decisão, até daquelas transitadas em 
 julgado (não se fala, aqui, de sentença). 
 - Ex.: desconstituição de decisão que determinou a prisão 
 preventiva de alguém, algum ato que venha a restringir ou 
 privar a liberdade de uma pessoa. 
 - Ex.: Ação de reabilitação, como exemplo de ação penal declaratória. 
 Serve para comprovar que aquela pessoa que já teve envolvimento 
 com o crime, já teve uma condenação criminal, passados alguns 
 anos, essa pessoa não mais cometeu nenhum tipo de infração 
 criminal e, por isso, estaria reabilitada. 
 - Fundamento: 
 - ius puniendi: 
 - Previsão legal: 
 - Art. 5º, inc. XXXIX, CF - não há crime sem lei anterior que o 
 defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
 - Art. 1º, CP. Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há 
 pena sem prévia cominação legal. 
 - O Direito de punir somente pertence ao Poder Judiciário, sendo fruto de um 
 Contrato Social, no sentido de que aquelas pessoas que virem vitimadas ou 
 atingidas por uma conduta tida como criminosa, irão se opor a uma tomada 
 de providências por elas mesmas (vingança privada). 
 - Abrindo-se mão da vingança privada, isso terá que ser passado a 
 alguém e, especificamente, é necessário que se tenham dispositivos 
 que assegurem que o rechaço à vingança privada será respeitado. 
 - ius persequendi ou ius persecutionis: 
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 - Essa questão que envolve a abertura de mão por parte da vítima de 
 buscar, ela mesma, uma resposta ou uma reprimenda pela conduta 
 que foi atingida, faz com que, se o Poder Judiciário é quem tem que 
 tomar providências, alguém necessita provocar o PJ para que isso 
 ocorra. 
 - Lógica de busca de preservação de quem vai julgar. 
 - A pessoa com poder de julgar não pode acumular 
 funções. 
 - Quem irá provocar o Poder Judiciário será o Ministério Público 
 ou outras pessoas que não dizem respeito ao Ministério 
 Público (legitimadas). 
 - Nisso, tem-se o direito de perseguir conferido à pessoa 
 pública (MP) ou à pessoa não pública (caso das ações 
 penais privadas). 
 - Para que se possa chegar ao ajuizamento da ação, é necessária a obtenção 
 de alguns elementos que justifiquem o ajuizamento dessa ação . 
 - A ação penal (e o direito de perseguir) precisa estar embasada em 
 elementos prévios que justifiquem seu ajuizamento, de modo que, 
 sem tais elementos prévios, não há como se justificar/admitir o 
 ajuizamento e seguimento daquela ação. 
 - É para isso que existe a investigação criminal. 
 - Fases: 
 - Investigação criminal. 
 - Serve para proteger a sociedade contra todo o tipo de 
 tentativa de ajuizamento de ação sem bases mínimas. 
 - Protege quem pretende ingressar em cargos públicos, 
 quem já está, pessoas que não fazem parte da 
 administração pública - visão de que a lógica da justiça 
 criminal é muito dura. 
 - O gravame social e retorno contra a pessoa acusada é 
 muito mais forte no criminal no que no cível. 
 - O ius persequendi começa na investigação criminal, 
 para ver se é possível ajuizar a ação. 
 - Instrução criminal. 
 - É a segunda fase do ius persequendi: após o 
 ajuizamento da ação, baseada em elementos prévios 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 que justifiquem o seu ajuizamento, começa a fase de 
 instrução. 
 - ius libertatis: 
 - Direito de liberdade, direito que envolve a pessoa que está sendo 
 investigada ou já acusada de querer preservar aquilo que é o foco do 
 direito penal no final das contas. 
 - Se, no Direito Penal, busca-se a condenação de alguém e, 
 sendo os temas regulados por ele caracterizados como 
 crimes ou contravenções, que possuem como consequência 
 algum tipo de privação da liberdade, aí deve incidir a proteção 
 do direito de liberdade daquele que é 
 investigado/acusado . 
 - Contra o ataque ao ius libertatis na fase de investigação, cabe habeas 
 corpus, mandado de segurança. 
 - Ex.: mandado de segurança - quando se tenta ter acesso à 
 investigação e a autoridade que está investigando não dá esse 
 acesso a pessoa alvo da investigação. 
 - Início do Processo (três linhas teóricas): 
 - Primeira: processo inicia com a citação do acusado. 
 - Art. 363 CPP. O processo terá completada a sua formação quando 
 realizada a citação do acusado. 
 - Se fala em ter “completado”, significa que o processo já havia 
 iniciado. 
 - Afastada pelo próprop CPP. Entretanto, até hoje persiste o 
 vício em alguns Tribunais (inclusive superiores), de acordo 
 com o professor. 
 - Segunda: com o recebimento da acusação. 
 - Art. 117, CP. O curso da prescrição interrompe-se: 
 I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa. 
 - Problema: legalmente, o único efeito que o recebimento da acusação 
 tem é a interrupção da prescrição. 
 - A noção de jurisdição, para que possa ser exercida, deve ser 
 exercida dentro de um determinado “local”, que seria o 
 processo. Sendo ali o local onde o juiz tem poder para julgar, 
 há uma confluência entre o conceito de jurisdição e processo. 
 A jurisdição só existe dentro de processo, e o processo só 
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 existe quando há a possibilidade do exercício da jurisdição. 
 Logo, o processo precisa que a jurisdição seja executada. 
 - O caso dessa segunda teoria não sustenta essa lógica - pois 
 o juiz pode receber ou não. Não recebendo, é possível que se 
 vá em outros tribunais requerendo que seja reconhecido, e 
 nisso, mesmo nessa discussão sobre recebimento ou não, já 
 se tem o exercício da jurisdição. 
 - Nesse sentido, o mero recebimento ou não da 
 acusação não delimitase é processo ou não, pois a 
 jurisdição já está sendo exercida. 
 - Terceira: processo inicia com o ajuizamento da ação: 
 - Art. 2º CPC. O processo começa por iniciativa da parte e se 
 desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. 
 - A posição mais correta , na noção do professor. 
 - Primeiro, porque não teria diferença entre processo de 
 natureza criminal e de natureza não criminal. 
 - A diferença, seria que os processos de natureza não criminal 
 começariam com o ajuizamento da ação, enquanto os 
 criminais começariam só com recebimento da ação. 
 - Isso só reforça, na visão do professor, o quanto não faria sentido essa 
 lógica e evidenciaria o mau trato do processo penal no direito 
 brasileiro (doutrina e jurisprudência). 
 - O próprio CPC pode trazer um auxílio ao CPP , na ausência de 
 especificidades. 
 - Segue a lógica, portanto, da terceira linha teórica, que entende o início 
 do processo como sendo através do ajuizamento da ação, de 
 maneira igual aos processos de natureza não criminais, utilizando o 
 CPC como substituto nesse sentido. 
 - Pressupostos Processuais : 
 - Previsão Legal: 
 - Art. 395, CPP. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
 II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício 
 da ação penal (...). 
 - É justamento do CPC que vem essa lógica de satisfação de 
 certos pressupostos para que o processo tenha seguimento. 
 - Existência: 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Propositura ou incoação de ação. 
 - nullum iudicium sine accusatione ( nullum uidicium sine 
 actione ). 
 - Necessita de ajuizamento da ação. 
 - Órgão dotado de jurisdição: 
 - Sem juiz (e sem jurisdição) não há processo. 
 - O processo não inicia com o recebimento da ação, mas sim 
 com a provocação da jurisdição. 
 - Partes. 
 - Validade. 
 - Desenvolvimento válido do processo. 
 - Inexistência de nulidades. 
 - Pressupostos Inerentes ao Processo Penal: 
 - Alguns autores entendem pela existência de pressupostos que são inerentes 
 ao sistema penal, que seriam de caráter objetivo e subjetivo. 
 - Objetivos: 
 - Juiz Criminal (jurisdição). 
 - Causa penal (a própria ação). 
 - Partes (autor e ré). 
 - Professor entende que foi somente uma adaptação de 
 linguagem. 
 - Subjetivos extrínsecos : 
 - Inexistência de litispendência ou causa pendente. 
 - Alguns autores não chamam de litispendência, pois não se 
 trataria de “lide” (mas a lógica é a mesma). 
 - Inexistência de coisa julgada. 
 - O processo pode existir, mas será extinto. 
 - Subjetivos intrínsecos: 
 - Regularidade Procedimental. 
 - Não faz sentido pois, o processo iniciando, eventual 
 irregularidade processual poderá vir a maculá-lo, mas ele não 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 deixou de existir. Se não deixou de existir, não é pressuposto 
 para sua existência. 
 - Ausência de Pressupostos Processuais: 
 - Art. 395 CPP. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
 II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal. 
 - Detectando-se ausência de pressuposto processual, o resultado é que a acusação 
 (denúncia ou queixa) deverá ser rejeitada. 
 - Cuidado: rejeição/rejeitada é a expressão correta. 
 JURISDIÇÃO: 
 Panorâma Histórico: 
 - Aristóteles (384 - 322 a.C.). 
 - Política: “o Homem é um ser gregário, naturalmente um animal social, 
 político.” 
 - Marco Túlio Cícero (106 - 43 a.C.). 
 - Da República: “A primeira causa de agregação de uns homens a outros é 
 menos a sua debilidade do que um certo instinto de sociabilidade em todos 
 inato; a espécie humana não nasceu para o isolamento e para a vida errante, 
 mas com uma disposição que, mesmo na abundância de todos os bens, a 
 leva a procurar o apoio comum.” 
 - O homem se agrega aos outros não para se proteger, mas sim 
 porque é natural para ele viver em comunidade. 
 - A necessidade desse convívio acaba gerando a ocorrência de conflitos . 
 - Para a resolução de conflitos se dar da melhor maneira possível, entrou-se a 
 necessidade do estabelecimento de determinadas regras, a fim de evitar o 
 que se chama de “vingança privada” . 
 - Se tira a necessidade e a possibilidade de atuação de cada indivíduo na 
 resolução dos problemas que ele tem de forma direta, e é depositada, com 
 nível de confiança, nas mãos de um terceiro . 
 - No lugar de resolver o problema que eventualmente se possa ter por 
 outra pessoa por meio da força, cada indivíduo abre mão dessa 
 possibilidade, em nome de uma harmonia social. 
 - Esse terceiro, com o tempo, acabou se consolidando enquanto Poder 
 Judiciário. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - A partir desse acordo coletivo (Trato Social), surge a jurisdição. 
 Noções Gerais: 
 - Vida em sociedade > conflitos e convívio. 
 - Legislação > tutela imediata de interesses. 
 - Jurisdição : tutela imediata desses mesmos interesses. 
 Base Constitucional: 
 - Art. 5º, inc. XXXV, CF - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 
 ameaça de direito. 
 - Se é ao Poder Judiciário que cabe resolver as lesões ou ameaças ao direito 
 das pessoas, para evitar que estas atuem de mãos próprias, é preciso que 
 ele intervenha nesse sentido. 
 Características da Jurisdição: 
 - Atividade substitutiva à vontade dos membros da comunhão social. 
 - Caráter substitutivo. 
 - Pessoas abrem mão de resolverem seus problemas mediante a força e 
 passam para um terceiro , que se encarregará disso. 
 - Ésquilo (525 a.C. - 454 a.C). 
 - Oresteia. 
 - Tragédias: Agamemnon, Coéforas e Eumênides. 
 - Direito subjetivo do cidadão. 
 - Resultado da proibição da autotutela. 
 - No momento em que o indivíduo abre mão de, ele mesmo, resolver a 
 situação conflituosa, ele passa a ter o direito de provocar quem tem essa 
 possibilidade. 
 - Direito à provocação, que não pode ser cerceado. 
 - Se não é reconhecido o direito de provocar a jurisdição a cada pessoa 
 em específico, o resultado disso seria um retorno a auto tutela. 
 - Para evitar esse retorno à autotutela, se reconhece o direito de 
 provocação. 
 - Dever de préstimo pelo Estado. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Caso ele não preste atividade que lhe foi confiada, não haverá 
 confiança/credibilidade nessa instituição/terceiro pelas pessoas. 
 - O resultado seria, também, a volta da autotutela. 
 - Por isso, a lógica é que o Poder Judiciário não pode se recusar a prestar 
 jurisdição . 
 - Ainda, tem que ser de modo convincente - resposta minimamente 
 plausível (necessidade de fundamentação adequada). 
 - Decisão sobre o caso concreto. 
 - Jurisdição enquanto Poder. 
 - Poder não enquanto faculdade, mas como exercício de poder. 
 - No momento em que se concede a um terceiro a possibilidade de 
 decidir sobre uma questão envolvendo duas ou mais pessoas, o 
 resultado desse préstimo tem que ser a última palavra. 
 - Impondo essa palavra, as pessoas que não estiverem de acordo com 
 essa resolução final não podem buscar outra solução, o que justifica 
 que, além da palavra final, esse terceiro (Poder Judiciário) deve impor 
 aquele dever de decidir. 
 - Evitar o retorno do uso da força. 
 Conceito: 
 Jurisdição enquanto poder-dever de realização da justiça estatal, mediante aplicação 
 de normas disciplinares da conduta dacomunhão social, incidentes sobre determinada 
 relação jurídica, com a consequente finalidade de claração, satisfação ou assecuração de 
 direito subjetivo material de um de seus destinatários. 
 - Reunião de todas as características até agora faladas: poder e dever de decidir, 
 possibilidade de provocação e resolução de um problema levado até ele. 
 Características Formais: 
 - Existência de órgão adequado (o juiz); 
 - Pessoa “física” encarregada do exercício da jurisdição. 
 - Se colocando o juiz dessa forma, é nisso que se formaliza esse caractere. 
 - Presença do princípio do contraditório (para melhor aplicação da lei); 
 - Dúvida: é um caractere formal da jurisdição ou formal para o processo? 
 - A jurisdição pode ser compreendida como o exercício de se ouvir as 
 duas partes e emitir uma decisão (lógica). Todavia, quando o 
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 processo é apresentado para o juiz, antes mesmo de se ouvir as 
 duas partes, ele já faz jurisdição no momento em que avalia o seu 
 recebimento ou não recebimento. 
 - Isto se dá porque o poder já foi outorgado a ele (ao juiz). 
 - A jurisdição já é reconhecida no momento em que as pessoas abrem 
 mão de atuar por si próprias na resolução de seus conflitos (vingança 
 privada), independentemente do exercício ou não dessa jurisdição. 
 - Onde a jurisdição se exerce é diferente do conceito de 
 ‘jurisdição’ sozinho. A jurisdição nasce no momento em que se 
 abre mão dessa vingança privada com as próprias mãos, mas 
 é exercida no momento do contraditório. 
 - Procedimento estabelecido com formas predeterminadas . 
 - A maneira como será conduzido determinado processo. 
 - Jurisdição é precedente. No momento em que se reconhece alguém, 
 já se tem jurisdição. Como a jurisdição será exercida, todavia, é outra 
 questão. 
 - Outros Caracteres: 
 - Conflito de interesses : pretensão punitiva x pretensão de liberdade; 
 - ius persequendi x ius libertatis . 
 - A partir da provocação de quem tem o Direito de Punir, que decorre 
 justamente da jurisdição e da retirada da “vingança privada” da 
 sociedade como um todo, que retira seu direito de resolver seus 
 próprios problemas de maneira privada, passando para o Poder 
 Judiciário/um terceiro. 
 - Função substitutiva ou secundária; 
 - Professor não colocaria como ‘outros caracteres’, porque a jurisdição 
 é substitutiva da vontade das pessoas. É o motivo de sua criação, e 
 não algo secundário - é o caractere fundamental. 
 - E só substitui porque as pessoas autorizaram, ainda que 
 implicitamente. 
 - Função inicialmente inerte. 
 - ne procedat iudex ex officio = nemo iudex sine actore . 
 - O juiz não vai atuar de ofício = não vale ter nenhum julgamento sem 
 alguém que provoque a atuação judicial (autor). 
 - Aqui, diz respeito ao exercício da jurisdição em si, e não ao 
 seu surgimento (que diz respeito ao pacto social). 
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 - Temos processos/investigação criminal em que existe a possibilidade 
 de processos serem iniciados de ofício. É possível, então, a atuação 
 judicial mesmo sem provocação de terceiros. 
 Elementos: 
 - Notio ou Cognitio. 
 - Faculdade de conhecer a causa penal e ordenar os atos destinados ao seu 
 conhecimento (fase probatória). 
 - Depende da provocação externa. 
 - O simples conhecimento não exige a provocação externa. Há 
 situações em que é possível a instauração de processo de ofício. 
 - Juiz deixa de exercer sua atividade própria - julgamento. 
 - Isto pois a jurisdição nasceu para se colocar como equidistante, e não 
 como envolvido em uma determinada situação que trouxe 
 desequilíbrio social. 
 - Tem a ver com a questão de conhecer o que vai julgar. 
 - Judicium. 
 - Atividade julgadora. 
 - Ato jurisdicional por excelência. 
 - É a decisão daquilo que foi levado ao conhecimento do julgador. 
 - Vocatio. 
 - Faculdade de chamar todas as pessoas cuja presença seja necessária ao 
 regular o andamento do processo. 
 - Possibilidade de chamar aquelas pessoas que estão envolvidas 
 naquele problema a ser resolvido pelo julgador. 
 - Citação como sendo o primeiro ato. 
 - Definida doutrinariamente como chamamento ao processo. 
 - Forma clássica de vocatio. 
 - Coertio ou Coercitio. 
 - Poder de fazer comparecer essas pessoas ao processo. 
 - Fazer essas pessoas envolvidas comparecerem aos atos do 
 processo. 
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 - Também se aplica à imposição das decisões anteriores ao julgamento 
 definitivo do processo (prisão cautelar). 
 - Poder de impor as suas decisões - exercício da força por parte de 
 quem exerce a jurisdição. 
 - Executio. 
 - Poder de tornar obrigatória e fazer cumprir a decisão final proferida. 
 - Imposição de sua vontade justamente para que não se permita que a 
 pessoa/parte descontente possa abandonar a lógica da jurisdição, 
 que consiste no respeito ao pacto social, buscando, dessa maneira, 
 resolver de seu modo o problema que a jurisdição entender que 
 existe/existia. 
 - Imperium. 
 - Concretização do poder do Estado. 
 - Questão do exercício de poder propriamente dito, a configuração de quem vai 
 julgar (Poder Judiciário), como sendo alguém elegido exclusivamente para 
 essa situação de poder acima do caso concreto, para que assim, de modo 
 geral, possa impor sua vontade. 
 Princípios: 
 - Princípio da Investidura. 
 - Diz respeito ao fato de haver sido regularmente nomeado juiz , ou por 
 concurso público, ou por sorteio, no caso dos jurados (Tribunal do Júri). 
 - Para que se possa exercer a jurisdição ou ter jurisdição, é preciso que se 
 reconheça que essa pessoa tenha jurisdição. 
 - Ela deve ser reconhecida como possuidora dela, o que se dá, no 
 Brasil, através das formas desse artigo (concurso ou sorteio). 
 - Os jurados tem jurisdição, uma vez que sua função é decidir em certas 
 situações - crimes dolosos contra a vida. 
 - Princípio da Indeclinabilidade. 
 - Decorre do princípio da investidura. 
 - Não pode o juiz se negar a prestar jurisdição. 
 - Art. 5º, inc. XXXV, CF - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
 lesão ou ameaça de direito. 
 - É preciso ter a intervenção do Judiciário, ele não pode abrir mão. 
 - Necessidade da jurisdição penal . 
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 - Princípio “nulla poena sine judicio” . 
 - Essa jurisdição é necessária, pois não há pena sem julgamento. 
 - “Non liquet” no Tribunal do Júri . 
 - Exceção. Essa expressão significa não estar líquido/claro. Havendo 
 dúvida, quem vai decidir pode se recusar a isso. No Direito Brasileiro 
 essa situação ocorre somente no Tribunal do Júri, no artigo abaixo. 
 - Art. 481, CPP. Se a verificação de qualquer fato, reconhecida como 
 essencial para o julgamento da causa, não puder ser realizada 
 imediatamente, o juiz-presidente dissolverá o Conselho, ordenando a 
 realização das diligências entendidas necessárias. 
 - O juiz pergunta aos jurados “os senhores estão satisfeitos? 
 Tem condições de julgar?”. 
 - Em caso de dúvida, “tome cuidado para não exteriorizar o seu voto” - 
 se o jurado disser sua dúvida e ela puder ser respondida naquele 
 momento, e o jurado entender que está satisfeito, o julgamento segue. 
 Caso contrário, o juiz dissolve o conselho de sentença. 
 - Princípio da Demanda:- “ne procedat iudex ex officio” , “nemo iudex sine actore” . 
 - O juiz só se manifesta se provocado. 
 - Art. 2º CPC. O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por 
 impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. 
 - Aponta onde que o processo tem início, via de regra. 
 - Exceção: investigação criminal judicial. 
 - Natureza jurídica da investigação criminal judicial. 
 - Princípio da Indelegabilidade: 
 - Também decorre do princípio da investidura. 
 - O juiz deve exercer pessoalmente suas funções , não podendo 
 transferi-las ou delegá-las a terceiros. 
 - Exceção: cumprimento de cartas precatórias - depoimentos 
 prestados por pessoas que não residem na localidade (comarca) 
 onde o juiz exerce jurisdição. Hipótese abandonada por conta das 
 facilidades do processo eletrônico/audiências virtuais. 
 - Princípio.da Improrrogabilidade ou Aderência. 
 - O juiz só pode julgar o que for de sua competência . 
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 - Juiz natural. 
 - Princípio próprio da jurisdição, tendo a ver com a sua delimitação, 
 dizendo respeito aos critérios fixadores e de exclusão da 
 competência. 
 - Exceções: 
 - Conexão ou continência; 
 - Desaforamento no procedimento do júri; 
 - desclassificação no procedimento do júri (onde o juiz julga o fato sob 
 nova tipificação); 
 - Princípio do Impulso Oficial: 
 - Embora caiba ao autor dar início ao processo, o juiz, em determinadas 
 situações, deverá se encarregar de fazer o processo se movimentar 
 sem depender da iniciativa das partes. 
 - Art. 2º CPC. O processo começa por iniciativa da parte e se 
 desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. 
 - Processo inicia mediante provocação de terceiro, mas quem se encarrega de 
 dar impulso ao processo é o juiz. 
 - Se aplica, no processo penal, SOMENTE aos crimes de ação penal 
 pública. 
 - Nos crimes de ação penal privada, se a parte autora deixar o 
 processo parado por mais de 30 dias, esse processo poderá ter a 
 incidência da perempção - extinção da punibilidade. 
 - Princípio da Correlação entre Acusação e Sentença. 
 - Princípio que diz mais a respeito da sentença do que da jurisdição como um 
 instituto. 
 - O que está colocado na acusação é o que vai deliminar a sentença. 
 - Todavia, há situações específicas em que é preciso ter uma certa 
 adaptação. 
 - Emendatio Libelli. 
 - Divergência quanto à classificação do fato . A descrição do fato, mas a 
 tipificação (o artigo do crime que se dá para aquele fato é outra). 
 - Art. 383, caput, CPP. O juiz, sem modificar a descrição do fato 
 contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe definição 
 jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar 
 pena mais grave. 
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 - O juiz se atém ao fato descrito, e não ao tipo penal que foi apontado. 
 O juiz pode condenar alguém por esse fato mesmo que a pena 
 prevista para o artigo que foi colocado pelo acusador tenha pena mais 
 branda. 
 - Não pode o autor daquela ação escolher uma pena a ser aplicada - 
 ele vai ter que descrever o fato em si e esse fato é que vai motivar a 
 pena pelo juiz (que vai ver em qual melhor artigo se enquadra). 
 - Mesmo se o apenamento for mais grave! ! 
 - Acusação por 3 latrocínios e 1 roubo; condenação por 4 latrocínios 
 (STJ, HC 89.232/SP, 6ª Turma, rel. Mina. Maria Thereza de Assis 
 Moura). 
 - Mutatio Libelli: 
 - Divergência quanto à descrição do fato . Divergência entre o fato 
 descrito na acusação e as provas contidas nos autos. 
 - Ex.: Foi narrado um crime de furto, mas não foi verificado na 
 prática - se viu como não existente, pois além de subtrair a 
 bolsa de uma pessoa, eu também empurrei e agredi uma 
 pessoa enquanto praticada esse fato (roubo). Entretanto, o 
 acusador, ao redigir a acusação, não descreveu a violência, e 
 essa violência somente apareceu na fase probatória. 
 - O juiz não pode condenar com base na prova obtida, nesse 
 caso em que a prova aponta para o roubo, mas a descrição do 
 fato aponta para o furto. 
 - É preciso que haja uma adaptação do que está 
 descrito na acusação com a prova obtida - muda o 
 conteúdo da acusação, da descrição do fato, por conta 
 do apontamento obtido nas provas. 
 - Sem essa alteração, não é possível uma sentença acusatória. 
 - Art. 384, caput, do CPP. Encerrada a instrução probatória, se entender 
 cabível nova definição jurídica do fato, em consequência de prova 
 existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal 
 não contida na acusação, o Ministério Público deverá aditar a 
 denúncia ou queixa, no prazo de 5 dias, se em virtude desta houver 
 sido instaurado o processo por crime de ação penal pública, 
 reduzindo-se o aditamento a tempo, quando feito oralmente. 
 - Pedido de Absolvição pelo Ministério Público. 
 - Art. 385, CPP. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir 
 sentença condenatória, ainda que o MP tenha opinado pela 
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 absolvição, bem como reconhecer agravantes, embora nenhuma 
 tenha sido alegada. 
 - Cuidado: se refere somente a hipótese em que o MP pede 
 absolvição, porque se o querelante pede absolvição, este é um 
 caso de perempção - juiz extingue punibilidade (caso de ação 
 penal privada). 
 - Se for ação penal privada subsidiária da pública e o querelante 
 pedir absolvição do réu, tem-se o fenômeno da 
 reversabilidade. 
 - O juiz pode condenar. A legislação autoriza pois o convencimento do 
 juiz se deu antes do pedido do MP, por isso, inclusive, que se tem o 
 princípio da identidade física do juiz. 
 - O juiz que melhor deve julgar é aquele que obteve a prova, 
 pois seu conhecimento se deu na fase probatória. 
 - Quando o MP está pedindo a absolvição, ele não está desistindo 
 e nem retirando a acusação (!!!) . 
 - Porque a ação penal pública é indisponível, de modo que o MP 
 não pode dispor do seguimento ou do sucesso daquela ação. 
 - Ele tem a obrigatoriedade de levar até o final - o pedido de 
 absolvição não importa no encerramento daquela ação 
 simplesmente porque ele quer, somente se tratando de uma 
 manifestação sobre o que ele entendeu daquele caso concreto 
 (que pode ser diferente do entendimento do juiz). 
 - Também não há o que se falar em confusão de papéis do juiz , 
 pois ele não está atuando como julgador e como autor, mas somente 
 está proferindo a decisão baseada no seu convencimento, que 
 independe do pedido de absolvição pelo MP (que também é uma 
 opinião da instituição, não um pedido de desistência, até porque é 
 vedado). 
 - Princípio da Inevitabilidade ou Irrecusabilidade: 
 - Impossibilidade de a parte recusar o juiz que lhe é posto no processo . Do 
 contrário, poderia escolher o julgador. 
 - Não significa que o indivíduo tem que aceitar quem se colocou como 
 acusador - esse pode ser refutado/recusado. 
 - Exceções: 
 - Exceções de impedimento, suspeição e incompatibilidade. 
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 - Se procura demonstrar a falta de condições para que a aquele 
 juiz possa atuar, porque ele não tem aquela imparcialidade 
 necessária para isso. 
 - O juiz nãopossui, nesses casos, o pressuposto que 
 fez nascer a jurisdição (distanciamento). 
 - Lógica de perda de jurisdição, para além da imparcialidade. . 
 - Princípio da Unidade ou Identidade da Jurisdição: 
 - A jurisdição é uma , não se podendo confundir com suas especializações. 
 - Quem tem jurisdição é o Poder Judiciário, de modo que eventuais 
 especificações estão vinculadas à competências (jurisdição 
 trabalhista, jurisdição criminal, jurisdição civil). 
 - Fracionamento/delimitação no exercício da jurisdição. Mas a 
 jurisdição, em si, é dada para uma Instituição (Poder) maior, 
 para que a sociedade possa viver em harmonia. 
 Finalidade ou Escopo da Jurisdição: 
 - Social: 
 - Garantir a paz e harmonia sociais. 
 - Evita-se a volta da autotutela, que enfraquece o Estado. 
 - Político: 
 - Funcionar como espaço de participação política acessível a todos. 
 - O cidadão pode reinvidicar direitos e afirmar valores constitucionais, 
 participando da vida da polis e ajudando na administração da coisa pública. 
 - Pessoas venham a procurar de modo formal quem resolva os 
 conflitos (Poder Judiciário). 
 - Ex.: ação popular no cível. 
 - Resultado é fazer com que cada pessoa saiba seus direitos e que possa 
 procurar quem possa resolver seus conflitos, de modo a melhorar a própria 
 convivência social. 
 - Jurídico: 
 - Assegurar o princípio da legalidade, com a atuação do direito material. 
 - Manutenção da ordem por meio da preservação do princípio da 
 legalidade. 
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 - Se há normas de convivência para serem respeitadas, elas só serão 
 respeitadas se houver uma consciência coletiva e, em caso não se faça tão 
 presente, a consequência é que a jurisdição fará impor o respeito a essa 
 legalidade. 
 - Noção de obediência e não de respeito. 
 Espécies de Jurisdição: 
 - Jurisdição de equidade, “post factum” ou em concreto. 
 - O juiz formula a norma aplicável ao caso concreto , após examinar todas as 
 circunstâncias do caso. 
 - Não há regra legal preestabelecida. Lógica de referência no common law , 
 em que o juiz formula caso a caso a resposta ao caso concreto. 
 - Não existiria uma legislação estabelecendo forma de ação e 
 resultados dessa atuação contra o entendimento geral. 
 - Se confia ao prudente arbítrio do julgador para poder resolver tal ou 
 qual problema. 
 - Jurisdição legal ou jurisprudencial, “ante factum” ou em abstrato. 
 - Um órgão do Estado estabelece como o juiz deverá decidir, ou seja, aquilo 
 que deve ser julgado pelo juiz. 
 - Esse órgão pode ser: 
 - O legislador: impondo a lei a ser observada. O legislador prevê o que 
 irá conter como consequência naquela determinada situação (lógica 
 do direito continental). 
 - Norma geral e abstrata. A pessoa já tem um “norte” sobre 
 como proceder sobre aquele caso em concreto. 
 - O direito constitucional. 
 - Outro juiz, criando o ‘precedente’. 
 - Sistema do common law. 
 - Common law só segue essa lógica quando já se tem um 
 precedente. 
 Causas de Exclusão da Jurisdição: 
 - Autotutela : a jurisdição foi criada para evitar essa forma de resolução de conflito. 
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 - Autocomposição : só vai excluir a jurisdição no momento em que não houver a 
 necessidade da intervenção do Poder Judiciário para a convalidação dessa 
 autocomposição. 
 - Se é de natureza civil, via de regra, não precisa de homologação judicial. 
 - Se é de caráter judicial, necessita de intervenção judicial. 
 - Para outras materias, como na matéria criminal, não se configura 
 como causa excludente da jurisdição. 
 - Até o momento, nossa jurisdição exige a homologação judicial na 
 esfera criminal, exigindo a presença de jurisdição para que possa ser 
 convalidada. 
 TEORIA GERAL DA PROVA: 
 * Não cai na prova.- Problema: ativismo judicial. Se refere aos limites que devem 
 ser traçados para que o juiz possa ter essa atuação sem 
 comprometer sua imparcialidade. 
 - Fundamentos: 
 - Lógico: calcado na existência de uma informação que a parte 
 prejudicada deve poder rebater. Dentro de uma informação que 
 interessa a alguem e que vem contra os interesses de seu opositor, 
 esse opositor tem direito de conhecer e rebater tais argumentos. 
 - Ação e reação. 
 - Prático: desrespeito à figura do juiz. Direcionado à formação do 
 convencimento judicial. 
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 - Para o fundamento prático, quanto mais houver troca entre 
 acusação e defesa, em termos de argumentos e documentos, 
 melhor seria a formação do convencimento judicial, a fim de 
 que o juiz decida com uma possibilidade e qualidade de acerto 
 muito maior do que se fosse de modo diferente, com a 
 argumentação e documentação mais restrita. 
 - Âmbito de incidência: 
 - Processual: o juiz só exerce jurisdição dentro de processo. Somente 
 no processo haverá a figura do juiz e das partes, que tratam de 
 completar essa relação. 
 - Decisões surpresa: 
 - Art. 10, CPC. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, 
 com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às 
 partes oportunidade de me manifestar, ainda que se trate de matéria 
 sobre a qual deva decidir de ofício. 
 - Reformatio in mellius : reforma que existe de uma decisão já 
 submetida ao segundo grau, em que o MP é pego de surpresa 
 pela decisão proferida pelos julgadores de segundo grau. 
 - Caso em que um processo tramitou em primeiro grau 
 e o réu foi condenado. Chegando a intimação para a 
 defesa, a defesa não recorre , mas o MP recorre para 
 aumentar a pena. Esse processo vai ao Tribunal de 
 Justiça e, chegando no momento da decisão pela 
 Camara Criminal, os desembargadores identificam 
 uma situação que podem anular o processo ou 
 redimensionar, de ofício, a pena para reduzí-la, partindo 
 de argumento que nenhuma das partes havia 
 apresentado (reforma para melhor sob perspectiva do 
 réu). Entretanto, esse processo não chegou ao 
 segundo grau por recurso do réu, mas sim do MP, que 
 recorreu que houvesse o aumento da pena. Nessa 
 decisão, o MP é surpreendido, no meio do julgamento, 
 pela reforma da decisão de forma favorável ao réu. 
 - Situação de decisão surpresa no Processo 
 Penal brasileiro. 
 - Art. 497, IX, CPP. São atribuições do juiz presidente do Tribunal 
 do Júri: IX - decidir, de ofício, ouvidos o MP e a defesa, ou a 
 requerimento de qualquer destes, a arguição de extinção de 
 punibilidade. 
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 - Possibilidade de vedação a decisão surpresa que 
 antecede qualquer preocupação que tenha existido em 
 relação ao direito processual civil/penal. 
 - Esteve limitada ao procedimento do Tribunal do Júri. 
 - Limitações: 
 - É possível afastar o princípio do contraditório do processo 
 penal? SIM! 
 - Em 2011, o legislador inseriu o §3º do art. 282 do CPP , sendo texto 
 que trata das medidas cautelares pessoais (prisão, liberdade e 
 cautelares diferentes das prisões). Na oportunidade o legislador 
 entendeu que, para o deferimento de tais medidas, era preciso ouvir 
 as partes antes, desde que houvesse requerimento. 
 - No entanto, o legislador ressalvou duas hipóteses em que 
 poderia ocasionar no afastamento do princípio do contraditório 
 caso observadas: 
 - A identificação de urgência do provimento jurisdicional; 
 - Perigo de ineficácia da medida se fosse dada vista à 
 parte contrária antes da decisão. 
 - Em 2019, esse parágrafo foi redigido novamente, para melhor 
 especificar como se dariam essas situações de afastamento do 
 princípio do contraditório. 
 - A lógica foi a de que “ ressalvados os casos de urgência ou de 
 perigo de ineficácia da medida , o juiz, ao receber o pedido de 
 medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária, 
 para se manifestar no prazo de 5 dias, acompanhada de cópia 
 do requerimento e das peças necessárias, permanecendo os 
 autos em juízo, e os casos de urgência ou de perigo deverão 
 ser justificados e fundamentados em decisão que contenha 
 elementos do caso concreto que justifiquem essa medida 
 excepcional” . 
 - Problema: restrição às medidas cautelares pessoais. 
 - Até 2019, não havia exigência do processo ficar em cartório, 
 no prazo de 5 dias. Foi preciso que esse conteúdo fosse 
 inserido para obrigar os juízes a seguirem uma lógica de 
 respeito ao princípio do contraditório. 
 - Balanceamento de bens: o que é mais importante - conceder 
 uma medida cautelar sem oitiva da parte contrária interessada 
 ou se ouvir primeiro a parte interessada? 
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 - Se houver risco de prejuízo a medida cautelar, o 
 contraditório é afastado. 
 Princípio Acusatório: 
 - Fundamento: diferenciação entre quem acusa e quem julga. 
 - O julgador não pode somar forças à figura do acusador. Não pode se 
 confundir de fato/de modo psicológico com quem irá atuar no polo 
 ativo de uma ação condenatória. 
 - Linhas conceituais: 
 - Exige a presença de um acusador distinto do juiz. 
 - Imprescindibilidade da presença de um acusador distinto do juiz. 
 - De acordo com a primeira linha conceitual , um processo pode até 
 admitir a presença de um juiz que faça a função de acusador, mas 
 também autorizar a presença de um acusador diferente do juiz. O fato 
 de ter um acusador diferente do juiz já seria suficiente, então, para 
 preservar a imparcialidade do próprio julgados. Já a segunda linha 
 conceitual não admite de forma alguma que um acusador possa 
 dividir sua legitimidade com um juiz, somente um acusador diferente 
 do juiz pode atuar em um determinado processo, o que não ocorre de 
 acordo com a primeira linha. 
 - Origem: 
 - Relação entre juiz e acusado. 
 - Antigamente, o chefe político ou religioso resolvia o problema 
 que ocorreu com a vítima, chamando o agressor para prestar 
 contas e ser punido. 
 - A vítima quase não tinha atuação nessa forma de 
 resolução de conflito. 
 - O chefe daquela época, acumulava as funções de 
 quem julgava e quem acusada. 
 - A relação era entre juiz e acusado. 
 - Com o tempo, viu-se que essa função do chefe em acumular 
 essas atividades colocava em dúvida sua imparcialidade ou 
 distanciamento necessário para poder bem julgar. 
 - Necessidade de separar do juiz as funções de iniciar e julgar o 
 processo. 
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 - Se as vítimas tivessem interesse em reparar o seu dano, elas 
 que deveriam estar presentes e levar adiante suas 
 reclamações por elas mesmas. 
 - Se, vendo que o juiz tinha problemas quanto ao seu 
 distanciamento ao suposto crime praticado/figura da vítima, 
 tirou-se do juiz a parcialidade acusatória que ele detinha, 
 passando-a com a pessoa com melhores condições de 
 sustentar sua causa: a própria vítima, que passou a ter a 
 legitimidade acusatória. 
 - Figura do juiz, acusador e acusado. 
 - Previsão constitucional: 
 - Art. 129 da CFB/88. I - São funções institucionais do MP: promover,privativamente, a ação penal pública. 
 - Críticas: 
 - Não se aplica às ações penais privadas, em que também é 
 necessária a presença de um acusador diferente do juiz 
 (querelante). 
 - Princípio do acusatório formal. 
 - Forma de interpretação em que se admite a 
 subordinação do MP ao juiz. 
 - Espécies: 
 - Princípio Acusatório material: 
 - Art. 28 CPP. O princípio acusatório material não permite 
 qualquer influência ou ordene o MP a acusar ou seguir 
 investigando para futuramente acusar. 
 - Exige a perfeita separação entre quem acusa e quem julga. 
 Não só entre pessoas, mas entre funções. 
 - O juiz, sendo diferente do acusador, em nível de 
 profissão, não pode se imiscuir em nenhum tipo de 
 atividade de cunho acusatório. Não pode determinar ao 
 MP que acuse ou que siga investigando para poder 
 acusar, por exemplo. 
 - Princípio acusatório formal: 
 - Diz respeito a uma separação de funções meramente formais 
 entre quem julga e quem acusa, mas o juiz pode determinar o 
 conteúdo ou a existência dessa acusação. 
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 - Juiz não se confunde física e profissionalmente com a 
 figura do acusador, embora possa determinar questões 
 de fundo que dizem respeito a atividade desse 
 acusador. 
 Princípio Inquisitivo: 
 Fundamento na equivalência entre quem acusa e quem julga. Princípio melhor 
 definido como sendo a figura de um juiz enquanto acusador de plantão. Se tiver acusador no 
 processo, ótimo. Se não tiver, o juiz acusaria. 
 - Linhas conceituais: 
 - Identidade entre a pessoa que acusa e a pessoa que julga (uma só 
 pessoa). 
 - Prescindibilidade da presença de um acusador distinto do juiz. 
 - Poderia haver um acusador diferente do juiz, mas o juiz já 
 tinha sua imparcialidade afetada de antemão. 
 - A prescindibilidade significa que, mesmo que venha a ter um 
 acusador no processo, esse juiz já está previamente 
 endereçado a ter uma postura acusatória, para que exista uma 
 acusação no processo e o réu possa ser condenado. 
 - Lógica que esteve presente em todos os textos históricos vinculados ao 
 sistema inquisitivo. 
 Princípio da Publicidade: 
 Possibilidade de participação popular quando da realização dos julgamentos. É uma 
 forma de controle sobre o conteúdo e correção do julgamento que é proferido. 
 - Previsão constitucional: 
 - Art. 5º, LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
 processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o 
 exigirem. 
 - Art. 93, IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário 
 serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de 
 nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às 
 próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos 
 nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no 
 sigilo não prejudique o interesse público à informação. 
 - Previsão no CPP: 
 - Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à 
 elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. 
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 - Origem (Atenas e Roma): 
 - Presença do “público”. 
 - Teve origem pela própria forma como as resoluções de conflito se 
 davam na antiguidade. 
 - Num primeiro momento, a discussão em torno do objeto era 
 realizado somente entre quem julgava, acusava e quem era 
 acusado. As pessoas começaram a ter curiosidade sobre o 
 que as três pessoas discutiam, de modo que essa curiosidade 
 começou a tomar corpo e que aquele tipo de discussão teria 
 reflexo na própria convivência social. Até mesmo no próprio 
 destino da sociedade. 
 - O que era curiosidade virou direito da população a acompanhar esses 
 julgamentos. 
 - Coletivo de julgadores (lógica de Tribunal do Júri) . 
 - Situação de controle popular sobre o julgamento, que passou a fazer 
 o papel de fiscalizador do que hoje chamamos de Poder Judiciário, 
 controlando se o que foi discutido e as provas apresentadas poderiam 
 de fato embasar a decisão que chegaram os julgadores. 
 - Princípio da publicidade como forma de conferir legitimidade aos 
 julgamentos. 
 - O povo sendo juiz dos juízes (ver o discurso de Marco Túlio 
 Cícero). 
 - Restrições. 
 - O sigilo. 
 - Nas duas oportunidades em que a CF trata disso, ela não 
 indica de quem seria essa intimidade - se seria do investigado, 
 de testemunhas ou do autor. 
 - Deve-se ver a situação no caso concreto para que seja 
 decretado o sigilo. 
 - O interesse de uma determinada testemunha pode ser suficiente para 
 que seja decretado o sigilo somente de seu depoimento, ou do 
 processo como um todo. 
 - Fundamento das restrições: 
 - Defesa da intimidade ou interesse social (art. 5º, LX, CF). 
 - A CF não aponta a intimidade de quem, podendo ser do 
 próprio investigado/réu. 
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 - A intimidade é o único fundamento para restrição que 
 acaba sendo interpretado sem uma ampliação dentro 
 de legislações infraconstitucionais. 
 - Preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo 
 (Art. 93, IX, CF). 
 - Elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade (art. 
 20, CPP). 
 - Trata-se do interesse social previsto na CFB. 
 - Garantia da celeridade e da eficácia das diligências 
 investigatórias (art. 23, Lei n. 12.850/2012). 
 - Também dentro do interesse social. 
 - Quem decreta o sigilo? 
 - Delegado de Polícia . 
 - Art. 20, CPP. A autoridade policial assegurará no inquérito o 
 sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse 
 da sociedade. 
 - Juiz . 
 - Art. 23 da Lei n. 12.850/2021. Autoridade judicial competente. 
 - Interpretar dizendo que, nos casos dessa lei, o juiz é quem 
 decretaria o sigilo e, em todos os demais, seria o delegado de 
 polícia. 
 - No entanto, é necessário que se diga que, desde 2006, o 
 professor sustenta que a publicidade, por estar prevista no art. 
 5º da CF e se tratar de um direito fundamental, caracteriza-se 
 como um direito que exige a reserva de jurisdição para ser 
 deixada de lado ou excluída. 
 - O sigilo só poderia ser afastado, nessa linha de pensamento, por uma 
 ordem judicial. Também se aplicaria nas investigações presididas pelo 
 MP. 
 - Caráter prescindível da publicidade : 
 - Há situações em que a publicidade pode ser afastada de acordo com 
 a própria CF , quando se faz necessária a preservação de algum 
 interesse. 
 - Logo, o princípio da publicidade não é imprescindível para que o 
 processo seja considerado adequado. Deve-se, todavia, ser 
 devidamente fundamentada e justificada a ausência da publicidade. 
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 - Necessário, também, um decreto de sigilo para tal. 
 - Também se dá pelo argumento de que a linguagem dos processos 
 seria inacessível ao cidadão em geral, de modo que traria pouca 
 efetividade no controle do cidadão. 
 - A obrigatoriedade de fundamentação das decisões substitui o 
 controle popular. O controle popular foi substituído pelo 
 controle de necessidade de fundamentação. 
 - Também pelas formas simplificadas de resolução de conflitos, como 
 a negociação da pena. 
 - Os recursos substituíram a fiscalização popular . 
 Princípioda Oralidade: 
 Forma de convencimento do juiz, especificamente definido como a necessidade de o 
 juiz formar sua convicção predominantemente com base na prova oral produzida no 
 processo. 
 - A prova oral, representada pela prova testemunhal, interrogatório e 
 depoimento pessoal da vítima, via de regra, será aquela em que o juiz deverá 
 embasar sua decisão. 
 - Outras provas, como as documentais, podem colaborar no processo, 
 entretanto, as supracitadas são as principais. 
 - Previsão legal: art. 98, I. (...) mediante os procedimentos oral (...). 
 - Origem (Atenas e Roma): 
 - O princípio da publicidade tinha a ver com a presença do público, a 
 fim de permitir uma fiscalização popular sobre a qualidade do 
 julgamento proferido. A partir dessa congruência entre as afirmações 
 de modo verbal produzidas e a sentença, é que se dava o 
 reconhecimento popular quanto à qualidade da decisão da sentença 
 proferida pelos julgadores. 
 - O princípio da oralidade se colocou como mecanismo de 
 manifestação do princípio da publicidade. Para que o público pudesse 
 acompanhar e fiscalizar, era preciso que o público soubesse o que 
 estava sendo discutido e, por ser um público muito grande, não 
 tinham como ter acesso aos autos do processo. 
 - Para que elas pudessem saber se a decisão estava de 
 acordo, precisavam saber o que era produzido, então, de 
 modo verbal . 
 - Finalidade: 
 - Estar a serviço do principio da publicidade. 
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 - Fiscalização da atividade julgadora. 
 - Subprincípios: 
 - Identidade física do juiz. 
 - Art. 399, CPP, §2º. O juiz que presidiu a instrução deverá 
 proferir a sentença. Quem presidiu a fase probatória deverá 
 ser aquele que irá proferir a sentença. 
 - Não é, todavia, um princípio absoluto. Juízes podem estar em 
 férias, licença saúde, promoção, etc. 
 - Celeridade. 
 - Processo tem que ser rápido para atingir sua finalidade. 
 - Imediação. 
 - Contato do juiz deve ser imediato com quem está prestando 
 depoimento. 
 - Concentração de atos . 
 - Em lugar de se ter 10 pessoas que seriam ouvidas, uma a 
 cada semana, marca-se uma audiência para se ouvir o 
 máximo de pessoas possíveis. 
 Se o princípio da oralidade significa que o juiz deverá decidir de acordo, 
 predominantemente, com o material verbal transmitido a ele, e não com o que tiver contato 
 visual, este juiz tem que ser o juiz da audiência , que tem o contato imediato com alguém. 
 - A finalidade é que ele possa se lembrar daquelas impressões dadas a ele, de 
 modo a que o processo seja rápido. E para que a tramitação seja rápida, 
 deve-se ter essa concentração de atos. 
 - Princípio que trabalha com memória visual e auditiva do juiz . 
 - Para que seja utilizada por ele, é preciso que essa memória esteja 
 ‘’fresca’’ no momento da decisão para poder bem julgar. 
 Princípio da escritura: 
 Juiz deve julgar com base no material escrito que lhe é fornecido. Qualquer 
 informação marcada ou gravada de alguma forma (se aplica às imagens). 
 - Incidência: 
 - Ações penais originárias: aquelas ações ajuizadas diretamente nos 
 tribunais. 
 - Nesses tipos de ações, não são os desembargadores ou 
 ministros que tomam os depoimentos das testemunhas em 
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 uma audiência, como é feito no primeiro grau. Aqui, os 
 depoimentos são tomados por juízes instrutores designados, 
 encarregados de tomarem esses depoimentos, 
 materializarem-os de alguma forma por escrito ou por 
 gravação e, por fim, repassar o material aos julgadores finais. 
 - Obs.: recursos . Naquelas situações onde os julgadores de 
 revisão ( ad quem ) vão se encarregar de manter ou alterar a 
 decisão recorrida. Aqui, n ão realizam nova tomada de 
 depoimento das partes/testemunhas, baseando-se somente 
 nos depoimentos já presentes nos autos. 
 - Exceção: cartas rogatórias (emitidas para o entrangeiro), 
 precatórias (emitidas pra juízos diferentes) e de ordem 
 (emitidas por um tribunal para órgãos jurisdicionais abaixo 
 dele). 
 - Ainda temos cartas precatórias, mas vem sendo 
 deixadas de lado sob o argumento de que qualquer 
 pessoa pode entrar em contato com o juízo por meio 
 de telefone ou aplicativo de celular. Uma pessoa que 
 reside em Santa Maria não precisa mais comparecer 
 até o foro de Porto Alegre para prestar um depoimento, 
 podendo ser contatada diretamente pelo juízo de Porto 
 Alegre por telefone celular. 
 - Vantagens do Princípio da Oralidade sobre o Princípio da Escritura: 
 - Incremento quantitativo: diz respeito aos sentidos humanos 
 envolvidos em relação aos dois princípios. Na oralidade, teriamos 
 como mínimo os sentidos da audição e da visão (olfato e tato, talvez). 
 Já na escritura, a formação do convencimento está restrito ao sentido 
 da visão. 
 - Mais sentidos envolvidos no primeiro do que no segundo, o 
 que melhoraria a qualidade. 
 - Incremento qualitativo: vinculado a forma como o sentido comum 
 que há entre os dois princípios é tratado pela oralidade e escritura. A 
 oralidade trabalha com a visão, mas não sob um objeto inerte, mas 
 sim um objeto em movimento que emite posturas e sensações, 
 fazendo com que um olhar/comportamento humano seja decisivo 
 para a formação do convencimento do juiz. Já o sentido da visão na 
 escritura é exercido sob um objeto inerte, como um depoimento. Não 
 há interatividade para provocar algum sentimento/sensação no juiz, 
 mas somente na forma como a pessoa conduziu a tomada daquela 
 prova oral. 
 - Qualidade maior na oralidade. 
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 Princípio da Documentação de Atos: 
 Tem a ver com a documentação dos depoimentos prestados em nível de Princípio da 
 Oralidade. O princípio da documentação de atos está vinculado ao princípio da oralidade 
 como forma de manutenção da segurança e resguardo daquelas informações prestadas , 
 não tendo a ver com o princípio da escritura. 
 Em suma, esse princípio somente tem a ver com a documentação dos depoimentos 
 prestados sob o princípio da oralidade. Na escritura, o processo de julgamento do juiz se dá 
 com base na convicção a partir daquilo que leu, já a documentação de atos é a 
 documentação de tudo aquilo que o juiz já presenciou (já viu). 
 - Diferença em relação ao princípio da escritura: 
 - Como será a formação do convencimento do juiz. 
 - Na documentação de atos, será com base em tudo o que ele 
 recebeu com base verbal. 
 - Serve para caso haja recurso. 
 - Na escritura, o convencimento do juiz somente se dará com 
 base no que ele leu. 
 Princípio do Devido Processo Legal: 
 - Previsão constitucional: 
 - Art. 5º, LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem 
 o devido processo legal. 
 - Componentes: 
 - Habeas Corpus n. 100, 204 - STF. 
 - Espécies: 
 - Devido processo legal formal: 
 - Respeito ao procedimento. Necessidade de observância das 
 regras pré determinadas em lei para alguém ser condenado ou 
 absolvido. 
 - Devido processo formal legal: 
 - Necessidade de razoabilidade das regras estabelecidas, sem 
 que haja injustiça, nem discriminação no trato das partes. 
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 SISTEMAS PROCESSUAISPENAIS: 
 Panorama Histórico : 
 Grande parte das decisões, dentro da esfera do processo penal, que a doutrina e 
 jurisprudência assumem estão centradas, justamente, em qual é o sistema processual que 
 temos ou desejamos ter. 
 Até 1988, antes da CBF, o trato do tema em questão pelos autores e pela 
 jurisprudência era mínimo, de modo que pouco impacto tinham as posições que vinham a 
 assumir a respeito de, por exemplo, a ação penal, recursos, investigação, inquérito, dentre 
 outros. Ou seja, tais institutos não tinham relevância com o tema de sistemas processuais 
 penais. 
 Entretanto, com a entrada em vigor da CBF, houve mudança nesse sentido. Após 
 1988, o trato dos autores em relação ao tema mudou completamente. Os autores 
 continuaram tratando do tema no início de suas obras, no entanto, tudo o que era abordado 
 no começo das obras, tinha impacto direto na abordagem futura que esses autores fariam 
 (ou fazem) em relação aos demais institutos penais. 
 Assim, quando um autor tratava do conceito de um sistema processual penal como, 
 por exemplo, acusatório, inquisitivo ou misto, essa abordagem tinha um impacto muito forte 
 posteriormente. Logo, ao abordar, por exemplo, o inquérito, o autor ia tomar como base os 
 conceitos que havia definido em relação aos sistemas penais, seguindo uma linha lógica de 
 raciocínio. 
 Abordagem aos sistemas processuais penais: 
 - Autores que tratam somente de admitir dois tipos de sistemas (acusatório e 
 inquisitivo); 
 - Autores que tratam de três sistemas processuais (acusatório, inquisitivo e misto). 
 Na atualidade, cada autor propõe um conceito diferente de sistemas, fazendo com 
 que se tenha uma multiplicidade de conceitos. Há linhas doutrinárias e grupos conceituais, 
 porém não existe uma uniformidade. 
 Dessa maneira, uma mesma característica pode estar presente em dois ou três 
 sistemas distintos, porque não há trato uniforme em relação a este termo. 
 - Consequência: tem-se um país que não “sabe” o que tal sistema significa. 
 - Há uma busca de uma adoção do sistema acusatório, mas qual seria 
 a definição correta desse sistema? 
 - Adota-se a linha ou conceito de um sistema ‘b’ ou ‘c’ de preferência de 
 um grupo de autores, e não um conceito que tenha unanimidade de 
 aceitação na doutrina e jurisprudência brasileira. 
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 - Disto, decorrem legislações aprovadas que, quando 
 analisadas junto com a história do processo penal ou junto 
 com a história daquele sistema penal em específico, não se 
 ajustam ao que foi tal sistema de processo penal. 
 - Exemplo : muitos querem que o sistema penal brasileiro seja 
 reconhecido enquanto acusatório, mas não há uma definição correta 
 sobre o que foi o sistema acusatório de fato. Mas, se há uma 
 dificuldade de aceitação de um conceito unânime de sistema 
 acusatório, qual seria então a correção de uma legislação que busca 
 adaptar o processo penal brasileiro a essa lógica de 
 processo/sistema acusatório? 
 - O problema está no risco de se adotar no brasil um 
 instituto que nunca teve a ver com o sistema acusatório . 
 Um exemplo é a matéria recursal. Recurso nunca foi algo 
 vinculado intrinsecamente ao sistema acusatório, ainda que 
 apontado enquanto parte importante do exercício das funções 
 acusatórias, defensivas e do próprio controle do poder 
 judiciário. Mas, quando se fala em recursos como vinculados 
 obrigatoriamente ao sistema acusatório, se está cometendo 
 um equivoco. 
 É um tema, portanto, delicado e espinhoso. Para tratar do tema de forma técnica, é 
 preciso de uma análise bem detalhada e profunda da história do direito processual penal e 
 seus institutos que compõem os sistemas penais. 
 Conceito de Sistema Processual Penal: 
 - Conceito de sistema: 
 - Sistema é visto como algo amplo e complexo, formado por um agrupamento 
 de elementos onde um só elemento não é suficiente para poder determinar a 
 existência de um determinado sistema. Isso leva à organização dos sistemas 
 de acordo com as áreas especializadas do conhecimento humano (sistema 
 jurídico, matemático, etc.). 
 - Uma definição de sistema jurídico seria a reunião conscientemente ordenada 
 e organizada de entes, conceitos, enunciados jurídicos, princípios gerais, 
 normas, fazendo com que se estabeleça, entre os sistemas jurídicos e esses 
 elementos, uma relação de continente e conteúdo (sistema processual penal, 
 sistema penal, sistema tributário etc.). 
 - Conceito de Sistema Processual Penal: 
 - Subsistema jurídico, formado pela reunião ordenada e unificada de elementos 
 fixos e variáveis de natureza processual penal. 
 - “Elementos” que devem sempre estar presentes (fixos) e aqueles que 
 nem sempre precisam estar presentes (variáveis). Os elementos 
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 fixos são o núcleo duro do sistema, que permitem a criação desse 
 sistema e a sua diferenciação dos demais, enquanto os elementos 
 variáveis não tem presença obrigatória, mas tem o objetivo de permitir 
 a mobilidade ou funcionamento desse sistema. 
 - Exemplo: o princípio da publicidade, por exemplo, não precisa 
 estar necessariamente dentro de todos os processos penais, 
 pois a própria CF prevê a possibilidade de afastamento desse 
 princípio. 
 - Trata-se, portanto, de um elemento variável. 
 - “Unificado”: todo o sistema processual penal de um determinado país 
 tem que estar girando em torno em uma hipótese só, ou seja, ou ele é 
 só acusatório, ou só aquisitivo ou apenas misto. 
 - Dessa maneira, um país não pode ter dois sistemas 
 processuais penais ao mesmo tempo sob pena de o 
 próprio conceito de sistema ser afastado . Para que haja 
 sistema processual penal em um país, só um deve estar em 
 vigor. 
 Funções dos sistemas processuais penais: 
 - Duas funções (primeira linha teórica): 
 - Delimitar ou determinar o grau de imparcialidade do julgador (qual o 
 tipo de julgador que eu quero para um tipo de processo penal de 
 determinado país?); 
 - Regular o grau de repressão que se tem em um determinado país 
 (será uma repressão mais rígida ou liberal?). 
 - Exemplo: como determinar quando o processo penal de um 
 determinado país terá início? Será que terá início com a 
 acusação e o oferecimento da ação ou ele poderá iniciar antes 
 do oferecimento da ação. 
 - Terceira linha teórica: 
 - Estabelecer o grau de tecnicidade da persecução penal (além das 
 outras). 
 - Ou seja, o trato de determinado institutos será feito de forma 
 técnica ou mais simples? 
 - Exemplo: denúncia. Tecnicamente, para o direito, significa acusação, 
 mas já foi tratada também como notitia criminis . Para o processo 
 penal, a denúncia vai significar o ajuizamento da ação ou o mero 
 registro de ocorrência. 
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 - Dentro de um sistema mais técnico e rígido, a denúncia será 
 tratada como a ação penal pública. E para um sistema mais 
 liberal e simples, o grau de tecnicidade será mais baixa, de 
 modo que a denúncia será tratada como uma notitia criminis 
 (B.O.). 
 Sistema Inquisitivo: 
 O sistema inquisitivo foi o primeiro a se manifestar juntoa humanidade, pois exige 
 lógica de resolução de conflito mais simplificada 
 - Lógica de sua criação: concentração de poderes no líder político ou 
 religioso. 
 - Não havia triangularização para regularização do conflito: quem foi 
 vítima de uma determinada “violação” transmitia ao líder político e religioso, 
 que não só acolhia como resolvia ele mesmo a questão. 
 - Chamava a pessoa que “em tese” praticou a conduta errada contra a 
 vítima e exercia tanto o papel de julgador, quanto de acusador 
 (representante da pessoa que teve seu interesse violado). 
 Houve a retomada do sistema na Idade Média e na Idade Moderna, principalmente 
 com os textos da Inquisição Católica : 
 - Manual dos Inquisidores (Bernard Gui); Manual dos Inquisidores (Nicolau 
 Eymerich); Instruções (Tomás de Torquemada e Fernando Valdez); Martelo 
 das Feiticeiras (Heinrich Kramer e James Sprenger). 
 Também pelos textos da Monarquia : 
 - Espanha (Las Siete Partidas); França (Code Louis); Alemanha (Constitutio 
 Criminalis e Carolina); Portugal (Ordenações). 
 Linhas Teóricas: 
 Não há uma definição uníssona sobre como configurar o sistema inquisitivo. Há 4 
 linhas teóricas que buscam definir quando que o sistema processual de determinado país 
 está determinado a lógica do sistema inquisitivo: 
 - Elemento Único: procura definir o sistema inquisitivo a partir de um único 
 elemento: se o juiz pode acusar. 
 - Não importa se, nesse país, o processo é público ou sigiloso, se tem 
 contraditório ou não, mas somente se o juiz é quem acusa ou não. 
 - Problema: não tem nenhum correspondente ao longo da história. 
 Todos os documentos históricos que se tem desse sistema 
 processual previam a possibilidade de ter um acusador diferente do 
 juiz. Logo, desde a criação do sistema inquisitivo e o seu 
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 desenvolvimento, nunca se afastou a possibilidade de ter um 
 acusador diferente do juiz. 
 - Tipos Ideais (Weber) : busca definidir o sistema processual inquisitivo 
 através de tipos ideais. 
 - Problema: sem correspondência histórica, de modo a não passar de 
 opinião pessoal e sem garantia dos autores. 
 - Teoria da Gestão da Prova: procura definir o sistema inquisitivo como 
 sendo aquele em que o juiz tem a gestão da prova, ou seja, o juiz tem 
 liberdade para complementar a produção probatória, através de perguntas, 
 documentos, chamar testemunhas, perícia, etc., sem necessidade de 
 provocação das partes. 
 - Linha que mais é adotada no processo penal brasileiro. 
 - Entretanto, essa linha teórica foi construída baseada em pedaços da 
 obra de um autor francês Cordero, já falecido, que davam a entender 
 que o juiz deveria permanecer inerte no processo (sem pedir prova de 
 ofício), porque, se o fizesse estaria, sendo parcial. Mas esse autor, na 
 verdade, sempre sustentou o contrário, que este deveria sim produzir 
 prova de ofício se estiver com dúvida ou se necessário. 
 - No STJ, o Min. Rogério Schietti, no HC 367.156-MT), 
 demonstrou o equívoco dessa teoria: “Permito-me, a respeito 
 dessa questão, apenas mencionar, para registro, que o 
 principal referencial teórico, Franco Cordero, invocado pelos 
 que não admitem qualquer tipo de atividade oficiosa do juiz na 
 busca de esclarecimento sobre fato duvidoso surgido no 
 exercício da jurisdição, foi claro, ao contrário do que se 
 costuma ver sustentado em obras nacionais, ao defender tal 
 possibilidade.” 
 - Teoria dos Elementos Fixos : propõe que há elementos fixos e variados que 
 formam o sistema inquisitivo. 
 - Os elementos fixos seriam: 
 - O princípio inquisitivo: desnecessidade de acusador 
 diferente do juiz. 
 - Até pode ter, porém não é necessário. Juiz com perfil 
 acusatório. 
 - Forma como o processo tem início: se daria em razão de 3 
 modalidades: 
 - Acusação , apresentada por acusador diferente do juiz, 
 que não estava obrigado a aparecer. 
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 - Nesse caso, processo começava de ofício pelo juiz (2ª 
 modalidade). 
 - notitia criminis , que não é uma acusação, mas é como 
 se fosse um B.O. 
 - Pessoa leva ao conhecimento do juiz a notícia 
 de determinado crime, sendo ela suficiente para 
 abertura do processo. 
 - Decadência do sistema inquisitivo: 
 - Perda de imparcialidade judicial. Levou ao cometimento de erros judiciais 
 graves, principalmente pela busca de culpados que era a sua lógica. 
 - Tortura. 
 - Obs.: não era prática exclusivamente presente nesse sistema 
 processual. Na antiguidade, também se utilizava a tortura no sistema 
 acusatório, ainda que regulamentada. 
 Sistema Acusatório: 
 A lógica desse sistema é que haja uma perfeita separação das funções de quem 
 julga. Logo, quem acusa não julga e quem julga não acusa. Proíbe o juiz de ter perfil 
 acusatório, inclusive em agir de ofício ou em substituição. 
 Teve sua origem na idade Antiga, no Direito Ateniense e no Direito Romano 
 Republicano. Sua decadência se deu na Antiguidade, devido a persecução penal estarnas 
 mãos de particulares, em razão de não haver a figura de acusador público, enquanto 
 profissão paga pelo poder geral/público. Como as pessoas que acusavam não tinham 
 proteção do Poder Pentral, facilmente elas eram revitimizadas. 
 Se quisessem acusar seus ofensores, eram ameaçadas ou agredidas pelos 
 acusados, de modo a serem dissuadidas de oferecerem a acusação. Não havendo 
 acusação pelo particular, não havia punição e os agressores continuavam praticando 
 crimes. 
 A impunidade decorrente da ausência de acusação fez com que a lógica desse 
 sistema entrasse em declínio na idade antiga. 
 Tal sistema processual foi, todavia, retomado recentemente: Alemanha (1974); 
 Portugal (1988); Itália (1989). 
 Linhas teóricas: 
 - Elemento único: o sistema processual acusatório é aquele que possui um 
 acusador diferente do juiz. 
 - Problema: o sistema inquisitivo também previa essa possibilidade, a 
 diferença é que este só não era necessário. Logo, a simples presença de um 
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 acusador diferente de um juiz não significa que o sistema seja acusatório por 
 si só. 
 - Ressalta-se que essa linha não fala em obrigatoriedade de juiz 
 diferente de acusador. 
 - Tipos ideais: são conceitos genéricos e abstratos que nunca existiram de verdade, 
 não passando de mera opinião pessoal do autor. 
 - Para a configuração de um sistema acusatório a partir dessa linha teórica, 
 bastaria que somente houvessem elementos positivos no sistema 
 processual de determinado país, como, por exemplo, processo sem tortura, 
 juiz plenamente imparcial, somente uma pessoa para acusar, processo penal 
 seria pautado pelo princípio da igualdade (o que não é possível), processo 
 tendo contraditório, enfim, todos os elementos de ordem positiva. 
 - Todavia, na prática, o processo nunca existiu de verdade da forma que 
 definem os autores que procuram dar sua opinião pessoal. 
 - Linha teórica que não precisa de correspondência histórica, o que é 
 um grande problema. 
 - Teoria da gestão da prova: procura definir um sistema acusatório a partir da 
 inércia completa do juiz na fase probatória. Se o juiz não puder perguntar ou 
 complementarde ofício na fase probatória, o sistema será considerado acusatório. 
 - Problema: ela foi criada com base na palavra de um autor que nunca disse 
 isso, mas que disse, inclusive, o contrário. 
 - Considerada, pelo professor, como a teoria menos correta (tanto no 
 sistema acusatório, quanto para definir o sistema inquisitivo). 
 - Teoria dos elementos fixos: procura definir o sistema acusatório a partir da 
 existência de dois elementos fixos: 
 - Princípio acusatório: imprescindibilidade de um acusador diferente do juiz; 
 - Forma como o processo começa: somente com o ajuizamento da ação. 
 Sistema Misto: 
 Decorreu do fracasso do sistema inquisitivo. 
 Panorama Histórico: 
 - Luiz LIX, Code Louis - Ordonnance Criminelle (1670) . 
 - Muito rechaço do código inquisitivo. 
 - Montesquieu - Iluministas . 
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 - Objetivo de iluminar os governantes da época para que alterassem suas 
 legislações, a fim de terem uma lógica mais adequada às exigências 
 humanitárias de processo penal. 
 - Cartas Persas (1721); O Templo de Gnide (1728); Considerações 
 sobre as Causas da Grandeza dos Romanos e de sua Decadência 
 (1734); O Espírito das Leis (1748). 
 - Para Montesquieu, o sistema mais adequado seria o da acusação popular , 
 deixando de lado o juiz (sistema adotado pelos romanos no período 
 republicano - acusatório). 
 - Propõe retorno à lógica do sistema acusatório antigo. 
 - Rousseau. 
 - Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os 
 Homens (1755); Os Devaneios do Caminhante Solitário (1782). 
 - Voltaire. 
 - Cartas Filosóficas (1734); Tratado da Tolerância (1763); Dicionário Filosófico 
 (1764); O Preço da Justiça (1777); Comentários sobre o Espírito das Leis; 
 Comentários sobre o livro Dos Delitos e das Penas; Comentários ao Contrato 
 Social. 
 - Atuou como advogado na defesa de uma pessoa em específico para poder 
 buscar sua absolvição pos mortem , demonstrando o erro judiciário que o 
 sistema inquisitivo cometeu por precisar ter uma pessoa “condenada” para 
 manter sua lógica. 
 - Pensava na destituição do poder inquisitivo. 
 - Beccaria e Jocke . 
 - Também se encontram nesse nicho de autores. 
 - Revolução Francesa (14 de julho de 1789). 
 - Efeitos sobre o direito processual penal: 
 - Queda do sistema inquisitivo. 
 - Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (26/08/1789): 
 - Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos 
 casos determinados pela lei e de acordo com as formas por 
 esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou 
 mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas 
 qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve 
 obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de 
 resistência. 
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 - Art. 8º. A lei deve apenas estabelecer penas estrita e 
 evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão 
 por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito 
 e legalmente aplicada. 
 - Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser 
 declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o 
 rigor desnecessário à guarda de sua pessoa deverá ser 
 severamente reprimido pela lei. 
 - Assembleia Constituinte pós revolucionária: 
 - Legislação processual penal: 
 - Decreto de 16/08/1790; 
 - Decreto de 27/11/1790; 
 - Decreto de 16-29/09/1791. 
 - Resgate do sistema acusatório romano, criando uma lógica de 
 processo penal que tirou a acusação das mãos do MP, criou o 
 acusador popular e com publicidade, além de criar os 
 julgamentos populares (juízes eleitos). 
 - Juízes seriam eleitos para um mandato de seis anos, 
 sendo permitida a reeleição. 
 - O agente do Ministério Público passava a ser chamado 
 de comissário do rei, e sua função era basicamente 
 atuar como custos legis em âmbito processual penal. 
 - Essa lógica do processo acusatório pós revolucionário, porém, também não 
 deu certo . 
 - Repetiu o mesmo erro do sistema acusatório do poder romano. 
 - Acusador sem proteção estatal - quem era acusado iriam até esse 
 acusador ameaçá-lo ou agredi-lo. 
 - Desistência do processo ou da intenção de acusar. Muitas acusações 
 não eram, então, ajuizadas, não tendo, por conseguinte, condenação. 
 Sem a condenação, os crimes continuavam ocorrendo, 
 comprometendo a segurança pública da época. 
 - Impasse: sistema inquisitivo era ruim, mas o acusatório não deu certo. E 
 agora? 
 - Napoleão Bonaparte - Code d’Instruccion Criminelle . 
 - Decreto de 17/11/1808. Promulgado em 27/11/1808. Entrou em vigor em 
 01/01/1811. 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Juntou elementos do processo penal inquisitivo que eram 
 considerados positivos, além dos positivos do processo acusatório, 
 surgindo o código supracitado. 
 - Codes De L’Empire Français. 
 - Impacto sobre o Direito Europeu e Latino-Americano: 
 - Derrubada do sistema inquisitivo. 
 - Espanha, Bélgica, Holanda e Portugal, etc. 
 - Implantação do novo modelo de processo penal criado por Napoleão. 
 - Estrutura processual conhecida como Sistema Misto. 
 - Principais Características: 
 - O processo era divido em duas partes: 
 - Fase de investigação: processo verbal. 
 - Era a fase considerada ‘processo’, não sendo 
 considerada como fase administrativa, como é 
 no Brasil atualmente. 
 - Fase de julgamento: a fase probatória e decisória (ou 
 seja, de instrução) era englobada no processo. 
 - Legitimidade exclusiva do Ministério Público nos crimes de 
 interesse público. 
 - Substituição do princípio inquisitivo pelo princípio acusatório. 
 - Titularidade da acusação pública para o Ministério Público. 
 - Abandono da prova legal. 
 - Sistema em que dá pontuações/valores para certas 
 provas, ou seja, algumas provas valem mais do que 
 outras, ou umas valem e outras não. Houve o 
 abandono dessa lógica. 
 - Juiz não precisava ter a formação de sua convicção 
 com base em valorações pré-determinadas de 
 importância de provas. 
 - Abandono da tortura. 
 - Tortura extinta, até por ser considerada o meio de se 
 obter a prova considerada mais valorosa no sistema 
 insiquitivo (confissão). 
 DIREITO PROCESSUAL PENAL I - Prof. Mauro Andrade. 
 - Obs.: a tortura abandonada aqui mencionada era a 
 tortura legal, ou seja, aquela que era regulada/prevista 
 “por lei” . A tortura não era considerada como um ato 
 ilegal, poderia ser imoral, mas não era ilegal. 
 - Hoje, além de não ser legal, também é ilegal. 
 - Foi a primeira regulamentação, desde a antiguidade, a 
 eliminar a tortura de sua codificação/sistema. 
 - Multiplicidade de legitimados a investigar: 
 - Art. 8. La police judiciaire e recherche les crimes, les 
 délits et les contravention, en rassemble les preuve, et 
 en livre les auteurs aux tribunaux chargés de les punir. 
 - Art. 9. La police judiciaire sera exercée sous l’autorié 
 des cours impériales, et suivant les distinctions qui vont 
 être établies, 
 Par les commissaires de police, 
 Par les maires et les ajoints de maire, 
 Par les procureurs impériaux et leurs substituts, 
 Par les juges de paix, 
 Par les officiers de gendarmerie, 
 Par les commissaires géneraux de police, 
 Et par les juges d’instruction. 
 - Primeiro a prever a investigação criminal do Ministério Público. 
 - Os procuradores imperiais

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