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1 MD010 - DIREITOS FUNDAMENTAIS CONSTITUCIONAIS ATIVIDADE PRÁTICA CASO PRÁTICO 1. Aplique o que foi aprendido no primeiro capítulo com relação à classificação dos direitos fundamentais: a) Escolha uma Constituição para realizar este exercício. Pode ser a de seu país ou qualquer outra que você escolher. Constituição de Republica Federativa do Brasil 1988 b) Seguindo uma das duas propostas de classificação dos direitos de acordo com seu conteúdo material (a de Jellinek ou a mais frequentemente utilizada), dê dois exemplos de cada um dos quatro grupos de direitos que podem ser diferenciados nessas classificações, extraídos da Constituição que você escolheu. Indique o nome do direito fundamental, o artigo em que ele se encontra na Constituição escolhida e transcreva o referido artigo. Para responder à solicitação, abordaremos a classificação dos direitos fundamentais com base no conteúdo material. Adotaremos como referência a classificação de Georg Jellinek, que distingue os direitos fundamentais em quatro grupos: direitos negativos (liberdades negativas), direitos positivos (prestacionais), direitos de participação (ou políticos) e direitos de proteção. Em cada grupo, apresentaremos dois exemplos extraídos da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB/1988), indicando o artigo correspondente e transcrevendo o dispositivo normativo pertinente. Direitos Negativos (Liberdades Negativas) Os direitos negativos garantem aos indivíduos proteção contra intervenções indevidas do Estado, assegurando uma esfera de autonomia. Exemplo 1: Direito à Liberdade de Expressão Artigo: Art. 5º, inciso IV. Texto Constitucional: "É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato." Exemplo 2: Direito à Liberdade Religiosa Artigo: Art. 5º, inciso VI. Texto Constitucional: "É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias." 2. Direitos Positivos (Prestacionais) Os direitos positivos demandam ações ou prestações do Estado, relacionadas à promoção do bem-estar social, cultural e econômico. 2 Exemplo 1: Direito à Saúde Artigo: Art. 6º. Texto Constitucional: "São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição." Exemplo 2: Direito à Educação Artigo: Art. 205. Texto Constitucional: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho." 3. Direitos de Participação (Políticos) Os direitos de participação asseguram ao cidadão o poder de influenciar ativamente a formação da vontade política do Estado. Exemplo 1: Direito ao Voto Artigo: Art. 14, caput. Texto Constitucional: "A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular." Exemplo 2: Direito de Filiação a Partidos Políticos Artigo: Art. 17, caput. Texto Constitucional: "É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana, obedecidos os seguintes preceitos: (...)." 4. Direitos de Proteção Os direitos de proteção são voltados à salvaguarda de grupos vulneráveis ou interesses essenciais contra abusos de poder ou ameaças externas. Exemplo 1: Direito à Proteção contra Tortura Artigo: Art. 5º, inciso III. Texto Constitucional: "Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante." Exemplo 2: Direito à Proteção do Meio Ambiente Artigo: Art. 225, caput. Texto Constitucional: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações." A classificação dos direitos fundamentais segundo Jellinek permite uma organização sistemática e didática dos direitos consagrados pela CRFB/1988, refletindo a abrangência do catálogo constitucional brasileiro. Tal sistematização é essencial para a compreensão da proteção jurídica conferida aos indivíduos e grupos sociais em diferentes dimensões da vida em sociedade. 3 2. Aplique o que foi aprendido no segundo capítulo em relação à classificação das garantias de direitos em nível nacional ou interno: a) Escolha uma Constituição para realizar este exercício. Pode ser a de seu país ou qualquer outra que você escolher. Constituição de Republica Federativa do Brasil 1988 b) Revise todas as garantias internas ou nacionais estudadas no capítulo e tente encontrar o máximo possível nos artigos da constituição que você escolheu. Indique o nome da garantia do direito fundamental, o artigo em que ela está contida na Constituição que você escolheu, e transcreva esse artigo. Conforme solicitado, revisamos as garantias de direitos fundamentais em nível nacional estudadas no capítulo e identificamos os dispositivos correspondentes na Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB/1988). As garantias de direitos fundamentais têm a função de assegurar a efetividade, proteção e preservação dos direitos fundamentais, podendo ser classificadas em garantias normativas (ou formais), garantias institucionais e garantias remédios constitucionais. A seguir, apresentamos uma análise detalhada, com a transcrição dos artigos pertinentes. 1. Garantias Normativas (Formais) As garantias normativas são normas constitucionais que limitam o poder estatal e determinam os mecanismos que asseguram os direitos fundamentais. Exemplo 1: Princípio da Legalidade Artigo: Art. 5º, inciso II. Texto Constitucional: "Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei." Exemplo 2: Princípio do Devido Processo Legal Artigo: Art. 5º, inciso LIV. Texto Constitucional: "Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal." 2. Garantias Institucionais As garantias institucionais consistem na preservação de instituições ou estruturas necessárias à proteção dos direitos fundamentais. Exemplo 1: Independência do Poder Judiciário Artigo: Art. 2º. Texto Constitucional: "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário." Exemplo 2: Autonomia Universitária Artigo: Art. 207. 4 Texto Constitucional: "As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão." 3. Garantias como Remédios Constitucionais Os remédios constitucionais são instrumentos processuais destinados à proteção direta dos direitos fundamentais. Exemplo 1: Habeas Corpus Artigo: Art. 5º, inciso LXVIII. Texto Constitucional: "Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder." Exemplo 2: Mandado de Segurança Artigo: Art. 5º, inciso LXIX. Texto Constitucional: "Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público." Exemplo 3: Mandado de Injunção Artigo: Art. 5º, inciso LXXI. Texto Constitucional: "Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania." Exemplo 4: Ação Popular Artigo: Art. 5º, inciso LXXIII. Texto Constitucional: "Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência." Exemplo 5: Habeas Data Artigo: Art. 5º, inciso LXXII. Texto Constitucional: "Conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo." A CRFB/1988 apresenta um robusto sistema de garantias de direitos fundamentais, que inclui normas, instituições e remédios constitucionais. Esse conjunto normativo assegura a preservação, proteção e reparação dos direitos fundamentais, sendo uma peça essencial para o funcionamento do Estado Democrático de Direito. A análise acima demonstrou a aplicação concreta dessas garantias no texto constitucional brasileiro, reforçando a efetividade dos direitos fundamentais no plano interno. 3. Aplique o que foi aprendido no terceiro capítulo com relação aos regimes de exceção e às medidas que podem ser adotadas perante situações de emergência, bem como os regulamentos a seguir: Constituição espanhola de 1978 (CE). Link para consulta (em aberto) 5 https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1978-31229 Lei Orgânica 4/1981, de 1º de junho de 1981, sobre estados de alarme, exceção e sítio. Link para consulta (em aberto) https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1981-12774 Analisaremos os regimes de exceção e as medidas previstas para situações de emergência no ordenamento jurídico espanhol, com base na Constituição Espanhola de 1978 (CE) e na Lei Orgânica 4/1981, de 1º de junho, sobre estados de alarme, exceção e sítio. Ambos os diplomas regulamentam situações extraordinárias em que a normalidade constitucional pode ser temporariamente alterada para preservar a ordem pública, a segurança e os direitos fundamentais, dentro de limites e garantias previamente estabelecidos. 1. Regimes de Exceção na Constituição Espanhola de 1978 (CE) A Constituição Espanhola prevê três regimes de exceção: estado de alarme, estado de exceção e estado de sítio. Esses regimes estão previstos no artigo 116 da CE, que estabelece os fundamentos gerais para sua aplicação e regulamentação. Artigo 116 da CE:"Uma lei orgânica regulará os estados de alarme, de exceção e de sítio, assim como as competências e limitações correspondentes. Sua declaração será decidida pelo Governo, no caso do estado de alarme, e pelo Congresso dos Deputados, no caso dos estados de exceção e de sítio." 1.1. Estado de Alarme O estado de alarme é declarado pelo Governo quando ocorrem circunstâncias como calamidades públicas (terremotos, inundações, epidemias), crises de abastecimento ou outras situações que impeçam o funcionamento normal da sociedade. 1.2. Estado de Exceção O estado de exceção é uma medida mais grave, aplicada em situações que afetam gravemente a ordem pública e não podem ser resolvidas com medidas ordinárias. Sua declaração requer autorização prévia do Congresso dos Deputados. 1.3. Estado de Sítio O estado de sítio é a medida mais severa, utilizada em casos de insurreição ou ataque que comprometam gravemente a soberania ou a integridade territorial da Espanha. A decisão de sua aplicação é competência exclusiva do Congresso dos Deputados. 2. Regulamentação na Lei Orgânica 4/1981 A Lei Orgânica 4/1981 detalha os regimes de exceção previstos na CE, regulamentando os procedimentos e as medidas específicas aplicáveis em cada estado. 2.1. Estado de Alarme (Título II, Artigos 4º a 12º) O estado de alarme pode ser declarado pelo Governo mediante decreto, com duração inicial de até 15 dias, prorrogável mediante autorização do Congresso. As medidas incluem: Limitação da circulação de pessoas e veículos em horários ou locais específicos; Requisição temporária de bens e serviços; Intervenção temporária de indústrias ou centros de produção. https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1978-31229 https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1981-12774 6 Artigo 4º da Lei Orgânica 4/1981: "O estado de alarme será declarado quando se verifique, no todo ou em parte do território nacional, alguma das seguintes circunstâncias: graves crises sanitárias, como epidemias; paralisação de serviços públicos essenciais; ou calamidades naturais." 2.2. Estado de Exceção (Título III, Artigos 13º a 22º) O estado de exceção requer autorização prévia do Congresso e pode ser declarado por até 30 dias, prorrogável por mais 30 dias. As medidas podem incluir: Suspensão temporária de direitos fundamentais, como liberdade de reunião (Art. 21 da CE) e inviolabilidade do domicílio (Art. 18 da CE); Restrição de atividades que ameacem a ordem pública. Artigo 13º da Lei Orgânica 4/1981: "O estado de exceção será declarado quando o livre exercício dos direitos fundamentais estiver gravemente comprometido, de forma que o uso de poderes normais seja insuficiente para sua proteção." 2.3. Estado de Sítio (Título IV, Artigos 23º a 28º) O estado de sítio é declarado exclusivamente pelo Congresso em caso de grave ameaça à integridade territorial ou à soberania nacional. As medidas incluem: Controle militar das autoridades civis; Suspensão mais ampla de direitos fundamentais; Adoção de medidas militares contra insurreições ou ataques externos. Artigo 23º da Lei Orgânica 4/1981: "O estado de sítio será declarado em caso de insurreição ou ato de força contra a soberania ou independência da Espanha, sua integridade territorial ou a ordem constitucional." 3. Garantias e Limitações nos Regimes de Exceção Os regimes de exceção, embora ampliem os poderes do Estado, devem observar limites constitucionais e respeitar as seguintes garantias: Proporcionalidade e temporalidade das medidas adotadas; Não suspensão de direitos irrenunciáveis, como o direito à vida (Art. 15 da CE) e à dignidade humana (Art. 10 da CE); Fiscalização parlamentar sobre as ações do Executivo. Os regimes de exceção previstos na Constituição Espanhola de 1978 e regulamentados pela Lei Orgânica 4/1981 representam um equilíbrio entre a necessidade de proteger a ordem pública em situações extraordinárias e a preservação das liberdades fundamentais. A regulamentação detalhada desses estados reforça o compromisso do ordenamento jurídico espanhol com o Estado Democrático de Direito, evitando abusos e assegurando a transitoriedade das medidas adotadas. Responda às seguintes questões: a) Com relação aos modelos básicos da legislação de exceção discutidos neste capítulo, em qual deles o sistema espanhol de exceção se encaixaria? O sistema espanhol de exceção pode ser classificado como pertencente ao modelo normativo de legislação de exceção, conforme os conceitos discutidos no capítulo. Esse modelo é caracterizado pela previsão detalhada, tanto no texto constitucional quanto na legislação infraconstitucional, dos pressupostos, limites e mecanismos de controle aplicáveis em situações emergenciais, buscando 7 equilibrar a eficácia das medidas excepcionais com a preservação das garantias democráticas e dos direitos fundamentais. A Constituição Espanhola de 1978 (CE) dedica o artigo 116 à regulação dos regimes de exceção, estabelecendo como requisito uma lei orgânica quedetalhe as medidas permitidas e as condições para sua aplicação. Assim, os estados de alarme, exceção e sítio são delineados com clareza no texto constitucional, que também determina os limites temporais, materiais e institucionais para sua declaração. A Lei Orgânica 4/1981, por sua vez, desenvolve esses princípios de maneira sistemática, especificando as circunstâncias que justificam cada regime, as restrições possíveis a direitos fundamentais e o papel das autoridades públicas no gerenciamento da crise. Outro aspecto central que reforça a classificação do sistema espanhol como normativo é a exigência de controle parlamentar nos regimes mais severos, como os estados de exceção e sítio, que só podem ser declarados mediante autorização prévia do Congresso dos Deputados. Tal controle assegura a manutenção do equilíbrio entre os poderes, mesmo em situações de crise, reduzindo a possibilidade de arbitrariedades por parte do Executivo. Além disso, o sistema espanhol protege direitos fundamentais considerados intangíveis, como o direito à vida, a dignidade humana e a proibição da tortura, estabelecidos nos artigos 10 e 15 da Constituição, os quais permanecem resguardados mesmo em momentos de exceção. Quando comparado a outros modelos, o sistema normativo se diferencia por limitar amplamente a discricionariedade estatal. No modelo prerrogativo, exemplificado por sistemas como o britânico clássico ou o norte-americano em situações de crise, o Executivo possui maior liberdade de ação com base na confiança de que restaurará a ordem constitucional. Já no modelo misto, embora existam elementos de previsão normativa, o equilíbrio entre controle jurídico e político tende a ser mais flexível. No caso espanhol, entretanto, o alto grau de regulação legal, combinado com a supervisão parlamentar e o respeito a garantias essenciais, caracteriza-o inequivocamente como um sistema normativo de exceção. Portanto, o sistema de exceção espanhol reflete o compromisso com o Estado Democrático de Direito, garantindo que as medidas emergenciais permaneçam subordinadas à legalidade, à proporcionalidade e à proteção das liberdades fundamentais. Essa abordagem normativa demonstra a preocupação em assegurar que as medidas excepcionais sejam temporárias e voltadas exclusivamente à restauração da normalidade constitucional, sem comprometer os valores estruturantes do ordenamento jurídico. b) Quantos regimes de exceção a Constituição espanhola prevê? Indique a denominação de cada um deles. A Constituição Espanhola de 1978 prevê a existência de três regimes de exceção, cada um com características e finalidades distintas, regulados no artigo 116. Esses regimes são denominados estado de alarme, estado de exceção e estado de sítio, e visam permitir que o poder público adote medidas extraordinárias para lidar com situações de emergência ou grave ameaça à ordem constitucional. O estado de alarme é o menos restritivo dos regimes e pode ser declarado pelo Governo para enfrentar situações como crises sanitárias, calamidades naturais, paralisações de serviços públicos essenciais ou crises de abastecimento. Ele permite a imposição de medidas temporárias de controle, como a restrição da circulação de pessoas ou a requisição de bens e serviços. O estado de exceção é aplicado em casos de grave perturbação da ordem pública ou comprometimento do livre exercício dos direitos fundamentais, quando as medidas ordinárias se mostram insuficientes. Para sua declaração, é necessária a autorização prévia do Congresso dos Deputados, e podem ser adotadas 8 medidas que restrinjam temporariamente certos direitos fundamentais, como a liberdade de reunião ou a inviolabilidade do domicílio, sempre observando os limites constitucionais. Por fim, o estado de sítio é o regime mais severo e só pode ser declarado em caso de insurreição ou agressão externa que ameace a soberania ou a integridade territorial da Espanha. Sua aplicação exige a autorização do Congresso dos Deputados, que também estabelece as condições específicas de atuação. Durante o estado de sítio, as autoridades militares podem assumir funções extraordinárias para restaurar a ordem, respeitando sempre os direitos fundamentais intangíveis. Dessa forma, a Constituição Espanhola, em conjunto com a Lei Orgânica 4/1981, regula esses três regimes com clareza, delimitando suas hipóteses de aplicação e garantindo que as medidas excepcionais sejam compatíveis com os princípios do Estado Democrático de Direito. c) Indique os casos em que cada um deles pode ser declarado, de acordo com a Lei Orgânica 4/1981. De acordo com a Lei Orgânica 4/1981, de 1º de junho, os três regimes de exceção previstos na Constituição Espanhola de 1978 (estado de alarme, estado de exceção e estado de sítio) podem ser declarados em situações específicas que exigem medidas extraordinárias. Essa lei detalha os pressupostos, procedimentos e medidas permitidas para cada regime, conforme descrito a seguir: 1. Estado de Alarme O estado de alarme pode ser declarado pelo Governo mediante decreto, sem a necessidade de autorização prévia do Congresso dos Deputados. Ele é aplicável nas seguintes situações, previstas no artigo 4º da Lei Orgânica 4/1981: 1. Catástrofes, calamidades ou acidentes graves, como terremotos, inundações, incêndios ou outras situações de grande impacto. 2. Crises sanitárias, incluindo epidemias e situações de contaminação grave. 3. Paralisação de serviços públicos essenciais, quando isso comprometer gravemente a ordem, a segurança ou o bem-estar social. 4. Crises de abastecimento, quando bens de primeira necessidade não puderem ser fornecidos à população. O estado de alarme tem uma duração inicial de até 15 dias, podendo ser prorrogado com autorização do Congresso. 2. Estado de Exceção O estado de exceção é mais severo e pode ser declarado quando há uma grave perturbação da ordem pública ou o exercício dos direitos e liberdades fundamentais está comprometido de maneira que as medidas ordinárias sejam insuficientes. Sua declaração exige autorização prévia do Congresso dos Deputados e está prevista no artigo 13º da Lei Orgânica 4/1981. Os casos que justificam o estado de exceção incluem: 1. Grave alteração da ordem pública, com riscos significativos à segurança ou estabilidade institucional. 2. Comprometimento do livre exercício de direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, reunião ou circulação, em razão de crises políticas ou sociais. A duração máxima inicial é de 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30 dias, conforme decisão do Congresso. 9 3. Estado de Sítio O estado de sítio é o mais rigoroso dos regimes de exceção e destina-se a lidar com situações de extrema gravidade, como ataques à soberania nacional ou à integridade territorial. Conforme o artigo 23º da Lei Orgânica 4/1981, ele pode ser declarado em casos de: 1. Insurreição, caracterizada por levantes armados ou revoltas que coloquem em risco a ordem constitucional. 2. Agressão externa, como invasões militares ou outros atos que comprometam a soberania da Espanha. A declaração do estado de sítio exige aprovação prévia do Congresso dos Deputados, que também fixa a duração e o alcance das medidas extraordinárias. Durante sua vigência, as autoridades militares podem assumir competências excepcionais para restaurar a ordem, sob supervisão parlamentar. Referências Legislativas 1. Constituição Espanhola de 1978, artigo 116, que estabelece os fundamentos dos regimes de exceção. 2. Lei Orgânica 4/1981, de 1º de junho, que regulamenta os estados de alarme, exceção e sítio. A Lei Orgânica 4/1981 estabelece critérios claros para a declaração de cada regime de exceção, assegurando que as medidas adotadas sejam proporcionais às circunstâncias e respeitem o Estado Democrático de Direito. Essa estrutura normativa busca proteger a ordem pública e a segurança nacional, sem desrespeitar as garantias fundamentais doscidadãos. d) Em dois desses regimes de exceção, podem ser suspensos certos direitos fundamentais e garantias constitucionais. Quais são esses estados de exceção? Entre os regimes de exceção previstos na Constituição Espanhola de 1978 e regulamentados pela Lei Orgânica 4/1981, de 1º de junho, os estados de exceção e de sítio permitem a suspensão de certos direitos fundamentais e garantias constitucionais, com o objetivo de enfrentar situações de grave ameaça à ordem pública, à segurança nacional ou à soberania do Estado. Estado de Exceção No estado de exceção, podem ser suspensos direitos fundamentais relacionados à ordem pública, desde que expressamente previstos no decreto de declaração e dentro dos limites estabelecidos pela Constituição e pela Lei Orgânica 4/1981. Esses direitos incluem: 1. Liberdade de circulação (art. 19 da Constituição Espanhola): Pode ser restringida, estabelecendo-se limites para o deslocamento de pessoas em determinadas áreas ou horários. 2. Liberdade de reunião e manifestação (art. 21 da Constituição Espanhola): Podem ser suspensas reuniões e manifestações públicas que ameacem a ordem pública. 3. Inviolabilidade do domicílio (art. 18.2 da Constituição Espanhola): Pode ser limitada, permitindo buscas e apreensões sem o consentimento do titular ou mandado judicial, em situações justificadas. 4. Liberdade de expressão e comunicação (art. 20 da Constituição Espanhola): Podem ser adotadas restrições à divulgação de informações que possam gerar instabilidade ou perigo à segurança pública. A suspensão desses direitos deve ser proporcional e fundamentada, com autorização prévia do Congresso dos Deputados, conforme o artigo 13º da Lei Orgânica 4/1981. Estado de Sítio 1 0 O estado de sítio é o regime mais severo, aplicado em casos de insurreição ou agressão externa. Durante sua vigência, podem ser suspensos direitos fundamentais com maior amplitude, conforme disposto no artigo 55.1 da Constituição Espanhola e no artigo 23º da Lei Orgânica 4/1981. Entre os direitos que podem ser suspensos estão: 1. Liberdade de circulação (art. 19 da Constituição Espanhola): Pode ser completamente restringida em determinadas áreas ou para certas pessoas. 2. Liberdade de reunião e manifestação (art. 21 da Constituição Espanhola): Reuniões públicas podem ser proibidas para evitar riscos à segurança nacional. 3. Inviolabilidade do domicílio (art. 18.2 da Constituição Espanhola): Autoridades podem realizar buscas sem autorização judicial prévia. 4. Direito à liberdade pessoal (art. 17 da Constituição Espanhola): Detenções podem ser realizadas por períodos mais longos sem controle judicial imediato, em situações justificadas pela gravidade da crise. 5. Liberdade de expressão e comunicação (art. 20 da Constituição Espanhola): Pode haver censura ou controle sobre meios de comunicação para prevenir desinformação ou incitação à violência. O estado de sítio é declarado pelo Congresso dos Deputados, que também determina as condições e os limites das suspensões de direitos, sob supervisão parlamentar constante. É importante destacar que, mesmo nos estados de exceção e de sítio, certos direitos fundamentais não podem ser suspensos, como o direito à vida (art. 15 da Constituição Espanhola), a proibição de tortura ou de tratamentos desumanos (art. 15) e a dignidade humana (art. 10). Essas garantias são consideradas intocáveis, reafirmando os limites constitucionais das medidas excepcionais. e) Indique os direitos que podem ser objeto de suspensão em cada um dos dois estados de exceção identificados na resposta à questão anterior. Os estados de exceção e de sítio previstos na legislação espanhola permitem a suspensão temporária de determinados direitos fundamentais, sempre sob controle jurídico e parlamentar, para enfrentar crises graves. Esse equilíbrio busca preservar o Estado Democrático de Direito, assegurando que as medidas sejam limitadas e proporcionais à gravidade da situação. Referências Bibliográficas BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 18 jan. 2025. JELLINEK, Georg. Teoria Geral do Estado. Traduzido por Manuel A. Domingues de Andrade. São Paulo: Martins Fontes, 2003. MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2020. ESPANHA. Constitución Española de 1978. Disponível em: https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1978-31229. Acesso em: 18 jan. 2025. ESPANHA. Ley Orgánica 4/1981, de 1º de junio, de estados de alarma, excepción y sitio. Disponível em: https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1981-12774. Acesso em: 18 jan. 2025. https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1978-31229 https://www.boe.es/buscar/act.php?id=BOE-A-1981-12774