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Cristóvão R. M. Rincoski p. i FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos SUMÁRIO 3) MECÂNICA DOS FLUIDOS Propriedades dos Fluidos 3.1) Densidade e Massa Específica (Tipler) 3.2) Forças Volumétricas e Superficiais (Notas de Aula - Tipler) Forças Volumétricas Forças Superficiais 3.3) Pressão em Um Fluido (Notas de aula - Tipler) Pressão e Força Superficial Podemos Conectar Força Superficial com Volumétrica? Módulo Volumétrico Energia e Pressão Específicas 3.4) Hidrostática (Halliday) Variação da Pressão em um Fluido em Repouso – Lei de Stevin Lei de Stevin Princípio de Pascal 3.5) Vasos Comunicantes – Paradoxo Hidrostático (Tipler) Manômetro de Tubo Aberto Barômetro de Mercúrio Cristóvão R. M. Rincoski p. ii FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos 3.6) Empuxo e Princípio de Arquimedes (Tipler) Empuxo Princípio de Arquimedes 3.7) Noções de Hidrodinâmica (Tipler) Tipos de Escoamento (Serway) Equação da Continuidade (Tipler) Equação de Bernoulli Equação de Torricelli Tubo de Venturi Efeito Venturi Sustentação da Asa de um Avião Tubo de Pitot (Halliday) Escoamento Viscoso (Tipler) Coeficiente de Viscosidade Noções de Turbulência (Tipler) e Vórtices (Halliday) Número de Reynolds Cristóvão R. M. Rincoski p. 01 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos 3 MECÂNICA DOS FLUIDOS Podemos dizer que a matéria é normalmente classificada em um dos três estados: sólido, líquido ou gasoso (hoje existem outros estados da matéria, tais como aerossóis, plasma etc., mas ficaremos somente com estes). De nossa experiência diária, sabemos que sólido tem volume e forma definidos; líquido, tem volume, mas não tem forma definida; e gás não tem volume nem forma definidos. Considere 1) O ar que respiramos, 2) a água da chuva e a que bebemos. Todos são Fluidos Pode parecer estranho pensar no ar como um fluido, mas tanto líquidos quanto gases são fluidos. Cristóvão R. M. Rincoski p. 02 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Ex.: 1) engenheiros civis empregam seu conhecimento sobre fluidos para projetar represas, que são mais largas na base do que em cima. 2) Engenheiros automotivos e aeronáuticos usam túneis de vento para observar o escoamento do ar em volta de carros e aeronaves, o que os ajuda a avaliar aspectos aerodinâmicos dos veículos. 3) Medidores de pressão sanguínea são usados por profissionais de medicina para determinar nossa pressão arterial. 10) Líquidos escoam até ocuparem as regiões mais baixas do espaço: Ex.: depositam no fundo de uma garrafa pet, na região mais baixa de um canal, rios escoam da região mais alta para a mais baixa etc. 20) Os gases se expandem até preencherem o recipiente que os contém. Compreender o comportamento dos fluidos significa melhor compreender nossos próprios corpos e nossas interações com o mundo ao nosso redor. FLUIDO: é uma coleção de moléculas organizadas aleatoriamente e mantidas juntas por forças coesivas fracas e por forças exercidas pelas paredes do recipiente. Tanto líquidos quanto gases são fluidos. Cristóvão R. M. Rincoski p. 03 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Em um gás, a distância média entre duas moléculas é grande em comparação com o tamanho de uma molécula. As moléculas têm pouca influência uma sobre a outra, exceto durante suas breves colisões. Em um liquido ou em um sólido, as moléculas estão mais próximas entre si e exercem forças umas sobre as outras que são comparáveis às forças que ligam os átomos para formar moléculas. Moléculas em um liquido formam ligações de curto alcance temporárias, que são continuamente quebradas e refeitas graças à proximidade das moléculas enquanto elas vão se encontrando. Estas ligações mantêm o liquido coeso; se as ligações não estivessem presentes, o liquido iria imediatamente evaporar e as moléculas escapariam como vapor. Ex.: as ligações entre as moléculas de hélio são muito fracas e, por esta razão, o hélio não se liquefaz à pressão atmosférica a não ser que a temperatura seja 4,2 K ou menor. Propriedades dos Fluidos Cristóvão R. M. Rincoski p. 04 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos 3.1 Densidade e Massa Específica A razão entre a massa de um corpo e seu volume é sua massa específica média: Massa Específica Média Massa Específica (3.1) Ex.: massa específica da água → como o grama foi originalmente definido como a massa de um centímetro cúbico de água liquida, a massa específica da água liquida em unidades cgs (centímetro–grama–segundo) é 1 g/cm3. (3.2) Este é o maior valor da massa específica da água, que ocorre a 4°C. Cristóvão R. M. Rincoski p. 05 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Obs.: medidas precisas de massa específica devem levar a temperatura em conta, porque as massas específicas da maior parte dos sólidos e líquidos, incluindo a água, variam com a temperatura. Uma unidade conveniente de volume, para fluidos, é o litro (L): 1 L = 1 103 cm3 = 1 10–3 m3 Em termos dessa unidade podemos reescrever a massa específica da água a 4 C. 10) Quando a massa específica média de um corpo sólido é maior do que a da água, ele afunda na água, e quando a massa específica média de um corpo sólido é menor do que a massa específica da água, ele flutua. 20) A razão entre a massa específica de uma substância e a de uma substância tomada como referência, usualmente a água, é a sua densidade. Definição de Densidade (3.3) Cristóvão R. M. Rincoski p. 06 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Ex.: a densidade do alumínio é 2,7, o que significa que um volume de alumínio possui 2,7 vezes a massa de um volume igual de água. Exemplo 13.1 – Calculando Massa Específica Página 433 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Tipler) 3.2 Forças Volumétricas e Superficiais As forças que atuam em uma porção de qualquer meio contínuo, neste caso em questão, um fluido, podem ser classificadas em Forças Volumétricas ou Forças Superficiais. Cristóvão R. M. Rincoski p. 07 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Forças Volumétricas: atuam sobre todos os pontos do meio contínuo, ou seja, elas são forças proporcionais ao volume do corpo que sofre a ação da força (a força resultante sobre um elemento de volume é proporcional ao volume). São consideradas forças de longo alcance. Ex.: força gravitacional, força centrífuga (forças inerciais), força magnética etc. Forças Superficiais: forças proporcionais a área da superfície onde atua a força. São consideradas forças de curto alcance entre porções vizinhas do meio. As forças superficiais recebem este nome porque são transmitidas através das superfícies de contato entre diferentes regiões do meio e, por causa disso, elas também são chamadas de forças de contato. Ex.: tração, compressão e cisalhamento. Cristóvão R. M. Rincoski p. 08 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Forças Volumétricas As forças volumétricas são forças de longo alcance, como a força gravitacional, que atuam sobre todos os pontos do meio. Por causa disso, a força volumétrica total atuando sobre um elemento de volume ∆V do meio é proporcional a ∆V. Onde é a massa específica do meio, g é a aceleração da gravidade e aqui usamos o fato de que a força gravitacional está na direção –y. A expressão acima pode ser reescrita como Ex.: vamos supor que o elemento de volume, V, tem massa ∆m. A força gravitacional, Fg, atuando sobre o elemento é Onde fg é chamada de força gravitacional específica. (3.4) Cristóvão R. M. Rincoski p. 09 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos PArA quAlquEr outrA forçA volumétricA, AtuAndo sobrE um fluido, PodE sE dEfinir umA forçA EsPEcíficA f corrEsPondEntE. Forças Superficiais Para um elemento de área, ∆S, de um fluido ou do recipiente que o contém, o número de moléculas que está em contato direto com este elemento de área é tanto maior quanto maior for ∆S. Por causa disso, a força de superfície sobre um elemento de superfície de área ∆S é proporcionala ∆S. Como vimos anteriormente, a força de superfície por unidade de área, é chamada de tensão. Para que um fluido esteja em equilíbrio mecânico, ou equilíbrio hidrostático, é necessário que as resultantes das forças volumétricas e superficiais que atuam sobre todos os seus pontos se anulem. Cristóvão R. M. Rincoski p. 10 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos 3.3 Pressão em Um Fluido quando um fluido como a água está em contato com uma superfície sólida, o fluido exerce sobre a superfície uma força normal (perpendicular) em cada ponto da superfície. A força por unidade de área é a chamada pressão p do fluido: 20) A unidade SI de pressão é o newton por metro quadrado (N/m2), que é chamado de pascal (Pa). (3.5)Pressão 10) Força é uma grandeza vetorial, a área é uma grandeza vetorial mas pressão é uma quantidade escalar. Pressão é a magnitude da força pela magnitude da área. (3.5a) Cristóvão R. M. Rincoski p. 11 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos BLAISE PASCAL[1] (nasceu em 19 de junho de 1623, em Clermont-Ferrand, França − faleceu em 19 de agosto de 1662, na cidade de Paris, França) → foi físico, matemático, inventor, escritor e filósofo cristão de origem francesa. Ele foi uma criança prodígio, sendo educado pelo seu próprio pai. Seus primeiros trabalhos foram em ciência aplicada onde fez importantes contribuições ao estudo dos fluidos e clarificou os conceitos de pressão e vácuo generalizando o trabalho de Evangelista Torricelli. Enquanto era adolescente, desenvolveu importante trabalho sobre máquinas de calcular, construindo 20 protótipos que ficaram conhecidas como Calculadoras de Pascal ou Pascalinas. É considerado um dos dois primeiros inventores da calculadora mecânica. A unidade de pressão, no Sistema Internacional de Unidades, foi chamada de pascal (Pa) em sua homenagem. Deixou claro a sua insatisfação com o estritamente racional quando disse: “O coração tem razões que a própria razão desconhece” [1] Imagen de: https://en.wikipedia.org/wiki/Blaise_Pascal. 11/05/2016. (3.6) No sistema americano usual, a pressão é dada em libras por polegada quadrada (lb/in2). Outra unidade comum de pressão é a atmosfera (atm), que é aproximadamente igual à pressão do ar no nível do mar. Uma atmosfera é definida como exatamente 101,325 quilopascais (kPa), o que é cerca de 14,70 lb/in2. Cristóvão R. M. Rincoski p. 12 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Pressão e Força Superficial vamos discutir um pouco mais a relação entre pressão e força superficial. Já foi mencionado, que força superficial é proporcional à área na qual ela é aplicada. 1 bar = 105 Pa = 10 N/cm2 1 atm = 101,325 kPa 14,70 lb/in2 1 torr = 1 mmHg = 133,326 Pa = 1,33102 Pa Onde p é um coeficiente de proporcionalidade (“fazendo o papel” de uma constante física), que é uma quantidade positiva definida chamada pressão. Note que o sinal negativo garante que a pressão seja positiva, pois a força aplicada pela pressão é contrária a normal da área. A = A n Pressão Figura 3.1 Por outro lado, a resultante das forças superficiais nas bases superior e inferior do cilindro (usando a discussão do slide p.12). Cristóvão R. M. Rincoski p. 13 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Obs.: 1) esta abordagem se conecta com as equações definidoras de pressão (Equação 3.5 e 3.5a, slide p.10), pois lá, estão expressas em módulo ou magnitude. 2) É bastante comum fazer confusões entre pressão e força, mas deve ficar claro que, pressão é uma grandeza escalar e força é uma grandeza vetorial. Normalmente representamos pressão com uma seta, para indicar o sentido de aplicação da força sobre a área, ou superfície considerada. Podemos Conectar Força Superficial com Volumétrica? imagine um elemento de fluido cuja força volumétrica é do tipo gravitacional. m V x y z y Fsuperficial = FS Figura 3.2 Cristóvão R. M. Rincoski p. 14 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Energia e Pressão Específicas vemos da relação logo acima, que a variação da pressão com a profundidade y, está associada à força gravitacional específica. Usando o resultado da 2a Lei de Newton para sistemas de massa constante, juntamente com V = A y e fazendo y → 0. Então, simplificando V, (3.7) Cristóvão R. M. Rincoski p. 15 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Onde identificamos u como sendo , energia potencial específica. (3.8) 1) Onde C é uma constante de integração, ou simplesmente, uma constante. 2) Na Equação 3.8, relacionamos energia potencial específica com a pressão específica num ponto y do fluido. Por outro lado, a força da gravidade é uma força conservativa, isto é, a força pode ser escrita como menos a derivada com relação à altura da energia potencial. Cristóvão R. M. Rincoski p. 16 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos GENERALIZANDO uma força superficial (qualquer) atuando sobre um pequeno elemento de área, de um meio qualquer –o caso mais geral possível–, é um vetor que pode ter qualquer orientação em relação a normal à área, mas que sempre pode ser separado em uma componente normal e em uma componente tangencial à área. 10) A componente normal é o negativo da força associada à pressão e a componente tangencial é a de tensão de cisalhamento. 20) A tensão de cisalhamento ainda pode ser decomposta em duas componentes dadas por suas projeções ao longo de dois eixos ortogonais paralelos à superfície (x, y) → a tensão de cisalhamento, então, é um Tensor. F Pressão Tx Ty Figura 3.3 Cristóvão R. M. Rincoski p. 17 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos se a pressão de um corpo aumenta, a razão entre o aumento de pressão, P, e o decréscimo relativo de volume, (–V/V), é o chamado módulo volumétrico: Módulo Volumétrico Módulo Volumétrico (3.9) Como outros módulos elásticos (o módulo de Young e o módulo de cisalhamento foram definidos no Capítulo 01), o módulo volumétrico é uma razão entre tensão e deformação relativa, onde P é a tensão e –V/V é a deformação relativa. Todos os materiais estáveis diminuem de volume quando submetidos a um aumento da pressão externa. Assim, o sinal negativo na Equação 3.9 significa que B é sempre positivo. Ver (TIPLER, 2009, p. 434) Exemplo 14.1 – Cama de Água Página 399 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Serway) Cristóvão R. M. Rincoski p. 18 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Estática de fluidos ou hidrostática é uma parte da Mecânica dos Fluidos que estuda fluidos em equilíbrio hidrostático e a pressão em um fluido ou exercida por um fluido sobre um corpo imerso. 3.4 Hidrostática sE um fluido EstÁ Em Equilíbrio, cAdA umA dE suAs PArtEs EstArá tAmbém Em Equilíbrio. isto É, tAnto A forçA rEsultAntE quAnto o momEnto rEsultAntE, AtuAntEs sobrE cAdA ElEmEnto do fluido, dEvEm sEr nulos. Variação da Pressão em um Fluido em Repouso – Lei de Stevin considere um pequeno elemento de volume do fluido submerso no corpo do fluido. 30) A massa deste elemento é dm = dV = A dy, e seu peso é (dm) g = A dy g. Cristóvão R. M. Rincoski p. 19 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos 10) Suponha que este elemento tenha a forma de um disco fino e esteja a uma distância y acima de um certo nível de referência, conforme mostrado na Figura 3.4 (ao lado). y Nível de referência → y = 0 m Área A (p + dp) A p A dy (dm) g Figura 3.4 20) A espessura do disco é dy, e cada uma de suas faces possui área A. As forças que atuam neste elemento de fluido, são verticais e quanto às forças horizontais: São apenas devido à pressão do fluido, e, por simetria, a pressão deve ser idêntica em todos os pontos de um mesmo plano horizontal a uma cota y. 40) Considerando-se que p seja a pressão atuante na superfície inferior, e p + dp, a pressão atuante na superfície superior, a força orientada para cima e atuante na superfície inferior será pA, e as forças orientadas para baixo serão (p + dp) A e (dm) g.Cristóvão R. M. Rincoski p. 20 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Usando a condição de equilíbrio estático, para as forças: Este é o mesmo resultado obtido da Equação 3.7 (slide p.14). Esta equação mostra como a pressão varia com a elevação acima de algum nível de referência em um fluido em equilíbrio estático. Quando a elevação aumenta (dy positivo), a pressão diminui (dp negativo) → leva a Lei de Stevin. SIMON STEVIN[1] (nasceu em 1548, em Bruges, Flandres, hoje Bélgica − faleceu em 1620, na cidade de Haia ou Leiden, Países Baixos) → algumas vezes chamado de Stevinus foi matemático, físico e engenheiro militar flamengo. As datas e locais corretos do seu nascimento e morte não são muito claras. Foi ativo em várias áreas da ciência e engenharia, tanto na teoria quanto na prática. Traduziu vários testos matemáticos para o holandês (achava que o holandês seria a língua da ciência, engenharia, filosofia, etc. num futuro não muito distante, por conter palavras simples representando as várias ideias). Stevin também é conhecido por muitas descobertas e invenções. Foi o primeiro ocidental a utilizar números decimais ao invés de frações nos cálculos. Os livros publicados de Stevin incluem: matemática, mecânica, astronomia, navegação, ciência militar, engenharia, música, educação cívica, dialética, contabilidade, Geografia e construção. [1] Imagen de: https://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Stevin. 26/04/2016. Cristóvão R. M. Rincoski p. 21 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Lei de Stevin se p1 é a pressão a uma elevação y1, e p2, a pressão a uma elevação y2 acima de algum nível de referência, a integração da Equação 3.7 (slide p. 14) Hipóteses simplificadoras: 1a) Para os líquidos, que na maioria dos casos podem ser considerados incompressíveis, é praticamente constante, e 2a) a diferença entre níveis raramente é tão grande que a variação de g precise ser considerada. Então e g são considerado como constantes. (3.10) Resultado para um líquido homogêneo. Cristóvão R. M. Rincoski p. 22 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Agora, se o líquido apresenta uma superfície livre, voltada para a atmosfera, então esta deve ser a referência (h = 0 m), então teríamos: → p0 = pressão atmosférica (3.11)Lei de Stevin EstA EquAção mostrA clArAmEntE quE A PrEssão Em um liquido incomPrEssívEl, homogênEo, AumEntA com A ProfundidAdE, Porém Possui o mEsmo vAlor Em todos os Pontos A um mEsmo nívEl. y2 y1 h = y2– y1 p1 = p Figura 3.5 p2 = p0 → Ver Figura 3.5 Cristóvão R. M. Rincoski p. 23 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Exemplo 13.2 – Força Sobre uma Represa Página 434 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Tipler) Princípio de Pascal quando você aperta um tubo de dentifrício, seu conteúdo flui para fora pela abertura da parte superior do tubo. Esta situação demonstra a aplicação do Princípio de Pascal. Quando a pressão é aplicada em qualquer região do tubo, ela é sentida em todos os pontos do interior do tubo e força seu conteúdo a sair pela abertura. Este é o princípio de Pascal, que foi pela primeira vez estabelecido por Blaise Pascal em 1652: A PrEssão APlicAdA A um fluido EnclAusurAdo É trAnsmitidA sEm AtEnuAção A cAdA PArtE do fluido E PArA As PArEdEs do rEsErvAtório quE o contém. Cristóvão R. M. Rincoski p. 24 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Isto é, se você aumentar a pressão externa sobre uma determinada região de um fluido, de uma quantidade p, o mesmo aumento na pressão será sentido em todos os pontos do fluido Ex.: todos os mecanismos que se utilizam da transmissão de esforços hidráulicos, como, por exemplo, as máquinas utilizadas para movimentação de grandes quantidades de terra ou o sistema de freio de seu carro. 10) Este princípio permite que se amplifique uma força relativamente pequena aplicada com o objetivo de elevar-se um peso relativamente alto (tal qual em um elevador de automóveis ou uma cadeira de dentista). 20) Transmitir forças por longas distâncias para locais pouco acessíveis (como no caso do controle do mecanismo de acionamento das aletas –flaps– das asas de um avião). 1) Uma força externa é aplicada ao pistão. Ex.: através de pesos apoiados no pistão 3) Considerando que o líquido possua uma massa específica , a Equação 3.11 (slide p. 22), permite que se expresse a pressão em um ponto arbitrário P a uma distância h abaixo da superfície. 2) A força externa gera uma pressão externa pext aplicada ao líquido imediatamente abaixo do pistão. Cristóvão R. M. Rincoski p. 25 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos F Figura 3.6 pext h pP 4) Suponha que a pressão externa aumente de uma quantidade pext: Admitindo: fluido incompressível ( = Cte), g não varia significativamente com a profundidade e h conhecido → ( g h) = 0. (3.12) Cristóvão R. M. Rincoski p. 26 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos A variação na pressão em um ponto qualquer do fluido é, portanto, igual à variação da pressão aplicada externamente. Embora este resultado tenha sido obtido para líquidos incompressíveis, o princípio de Pascal é também aplicável para todos os fluidos reais (compressíveis), tanto para gases quanto para líquidos. A variação na pressão externa causa uma variação na massa específica que rapidamente se propaga para todo o fluido, e, uma vez cessada a perturbação e estabelecido o equilíbrio, o princípio de Pascal passa novamente a ser válido. Exemplo 13.3 – Um Elevador Hidráulico Página 436 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Tipler) Adotando um recipiente que possui várias seções com diferentes formas. Ver (TIPLER, 2009, p. 437) 3.5 Vasos Comunicantes – Paradoxo Hidrostático 1) A extremidade mais alta do tubo está em contato com a atmosfera, à pressão pat. 2) A outra extremidade do tubo está à pressão p, que deve ser medida. Cristóvão R. M. Rincoski p. 27 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos A pressão depende apenas da profundidade da água, e não da forma do recipiente, de modo que, à mesma profundidade, a pressão é a mesma em todas as partes do recipiente, um fato que pode ser mostrado experimentalmente. À primeira vista, pode parecer que a pressão no fundo da seção 3, a seção que contém mais água, deve ser maior, fazendo com que a água da seção 2, aquela com menos água, seja forçada até uma altura maior → Paradoxo Hidrostático Manômetro de Tubo Aberto Podemos usar o fato de que a pressão cresce linearmente com a profundidade de um líquido para medir pressões desconhecidas. p h pat Cristóvão R. M. Rincoski p. 28 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Barômetro de Mercúrio o barômetro de mercúrio foi usado para medir a pressão atmosférica. O mercúrio não deve ser utilizado pois é um agente cancerígeno, tanto na forma líquida quanto na forma de vapor de mercúrio. Ver (TIPLER, 2009, p. 438) 3) A diferença p – pat, é chamada de pressão manométrica, pman, é igual a g h, onde é a massa específica do líquido no tubo. A pressão que você mede em um pneu é a pressão manométrica. Quando o pneu esvazia, a pressão manométrica vai a zero, e a pressão absoluta do ar que permanece no pneu é a pressão atmosférica. (3.13b) O barômetro de mercúrio foi feito, inicialmente, por Torricelli. (3.13a) Cristóvão R. M. Rincoski p. 29 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos EVANGELISTA TORRICELLI[1] (nasceu em 15 de outubro de 1608, em Roma, Estado Papal, hoje Itália − faleceu em 25 de outubro de 1647, na cidade de Florença, Grão Ducado da Toscana, hoje Itália) → foi físico e matemático italiano. Mais conhecido pela invenção do barômetro, mas também trabalhou com ótica (ou como era escrito antigamente antes da reforma ortográfica, óptica) e seu trabalho em geometria auxiliou no desenvolvimento, posterior, do cálculo integral. Torricelli publicou dois livros: De Motu ( “Sobre o Movimento” − um tratado sobre mecânica) juntamente com OperaGeometrica (“Obras Geométricas” − incluiu as suas descobertas sobre o movimento de fluídos e movimento de projéteis) em 1644. A lista de trabalhos de Torricelli é curta pois viveu apenas 39 anos. [1] Imagen de: https://en.wikipedia.org/wiki/Evangelista_Torricelli. 10/05/2016. “Quase vácuo” Atmosfera 1 2 h p = 0 pat A pressão pat é g h, onde é a massa específica do mercúrio. Na prática, a pressão é com frequência medida em milímetros de mercúrio, uma unidade chamada torr, lembrando o físico italiano Evangelista Torricelli. Exemplo 13.4 – Pressão Sanguínea na Aorta Página 438 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Tipler) Cristóvão R. M. Rincoski p. 30 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Exemplo 13.5 – A Lei das Atmosferas Página 438 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Tipler) 3.6 Empuxo e Princípio de Arquimedes se um corpo denso, mergulhado em água, é pesado em uma balança de mola (Ver Figura 13-11a (TIPLER, 2009, p. 440)), o peso aparente do corpo quando mergulhado (a leitura na escala) é menor do que o peso do corpo. Esta diferença existe porque a água exerce uma força para cima que equilibra parcialmente a força da gravidade. Empuxo Esta força para cima é ainda mais evidente quando mergulhamos uma rolha. Quando completamente imersa, a rolha sofre uma força para cima, da pressão da água, que é maior do que a força da gravidade, de modo que, ao ser liberada, ela acelera para a superfície. Cristóvão R. M. Rincoski p. 31 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos A força exercida por um fluido sobre um corpo total ou parcialmente imerso nele é chamada de força de empuxo. Ela é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo. ARQUIMEDES DE SIRACUSA[1] (nasceu em 287 AEC, em Siracusa, Sicília, Magna Grécia, nos dias de hoje Itália − faleceu em 212 AEC, em Siracusa, Sicília, Magna Grécia) → foi matemático, físico, engenheiro, inventor e astrônomo grego. Apesar de que poucos detalhes de sua vida é conhecido, ele é tido como um dos grandes cientistas e matemático da antiguidade clássica. Determinou a área das superfícies esféricas, obteve o centro de gravidade de figuras planas, construiu engenhos bélicos, criou um parafuso capaz de elevar a água de poços e estudou o mecanismo das alavancas. Segundo Pappus de Alexandria, Arquimedes teria dito sobre as alavancas: Deem-me um ponto de apoio que moverei a Terra (em grego: δῶς μοι πᾶ στῶ καὶ τὰν γᾶν κινάσω). Os trabalhos de Arquimedes que sobreviveram ao tempo foram: Sobre o Equilíbrio dos Planos (dois livros), A Quadradura da Parábola, Sobre a Esfera e o Cilindro (dois livros), Sobre Espirais, Sobre Cônicas e Esferoides, Sobre Corpos Flutuantes (dois livros, onde estabelece os princípios da hidrostática), Medida de um Círculo, O Contador de Areia e o Método. [1] Imagen de: https://en.wikipedia.org/wiki/Archimedes. 23/05/2016. Muitas histórias, beirando a anedota (incluindo a que saiu nu da casa de banho...), envolvem Arquimedes de Siracusa, que nasceu em 287 Antes da Era Comum/Corrente (AEC) e faleceu em 212 AEC. Cristóvão R. M. Rincoski p. 32 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Princípio de Arquimedes um corPo totAl ou PArciAlmEntE mErgulhAdo Em um fluido sofrE um EmPuxo dE bAixo PArA cimA iguAl Ao PEso do fluido Por ElE dEslocAdo. Como a balança indica um peso menor que o peso real do objeto, então temos F2 > F1. Da Figura 13-11b (TIPLER, 2009, p. 440), as forças são: • a força da gravidade Fg, para baixo, • a força da balança de mola, Fm, para cima, • uma força F1 que atua para baixo devido à pressão do fluido na superfície superior do corpo, e • uma força F2 que atua para cima devido à pressão do fluido na superfície inferior do corpo. Cristóvão R. M. Rincoski p. 33 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Na Figura 13-12 (TIPLER, 2009, p. 440) a balança de mola foi eliminada e o objeto imerso foi substituído por um volume igual do fluido (delimitado pelas linhas tracejadas), a que nos referiremos como uma amostra do fluido. A força de empuxo E = F1 + F2, atuando sobre a amostra do fluido, é idêntica à força de empuxo que atuava antes sobre o corpo. (3.14) Como o fluido está em equilíbrio: O módulo ou magnitude do empuxo (E) é igual ao módulo ou magnitude peso do fluido que ocupa o espaço do corpo (Fgf). Note que este resultado não depende da forma do objeto imerso. Se consideramos qualquer porção de um fluido estático como nossa amostra, com um formato irregular, existirá uma força de empuxo exercida sobre ela pelo fluido do entorno que equilibrará exatamente o seu peso. Assim, deduzimos o principio de Arquimedes. Cristóvão R. M. Rincoski p. 34 FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluidos Veja a lendária história de Arquimedes de Siracusa, com apresentada pelo Tipler. Ver (TIPLER, 2009, p. 440-441) O peso aparente Fg ap de um corpo imerso em um fluido é a diferença entre seu peso Fg e a magnitude do empuxo E: (3.15) Exemplo 13.6 – É Ouro Mesmo? Página 441 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Tipler) Exemplo 13.9 – Um Iceberg Página 445 → Minha Biblioteca → (ver Referência no último slide, Tipler) Cristóvão R. M. Rincoski p. nn rEFERÊNCIAS HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; KRANE, K.S. Física - Vol. 2, 5ª edição. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2003. 978-85-216-1946-8. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-1946-8/. Acesso em: 16 Jun 2021. SERWAY, R.A.; JR., J.W.J. Física para Cientistas e Engenheiros – Vol. 1 - Mecânica - Tradução da 9ª edição norte-americana. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2013. 9788522127078. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522127078/. Acesso em: 10 Jul 2021. TIPLER, P. Física para Cientistas e Engenheiros - Vol. 1 - Mecânica, Oscilações e Ondas, Termodinâmica, 6ª edição. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2009. 978-85-216-2618-3. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2618-3/. Acesso em: 07 Jun 2021. FÍSICA II Capítulo 03 − Mecânica dos Fluídos