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I: descreve algumas medidas preventivas como uso de máscaras feitas de bexiga de animais ▪ Ramazzini, 1700 - Doença dos Oleiros (ceramistas) EXPOSIÇÕES OCUPACIONAIS • Mineração e refino de Pb • Fabricação de compostos de Pb • Fusão do Pb e de suas ligas metálicas • Fundição e laminação do bronze • Fabricação, reforma e desmanche de baterias • Operações de solda, corte e rebarbação • Fabricação de PVC • Aditivos na gasolina: chumbo tri e tetraetila (em desuso, em função de adição de álcool anidro na gasolina) • Esmaltação(vitrificação) em indústrias cerâmicas • Indústria automobilística: soldagem (radiadores) • Fabricação de pérolas artificiais • Explosivos: azida de chumbo Atividade de soldagem de circuito eletrônico Introdução e absorção Inalação e Ingestão Via cutânea: compostos lipossolúveis 39 a 47% do Pb inalado é retido nos pulmões Absorção: 10% do chumbo ingerido é absorvido; Fatores interferentes: características físico-químicas dos compostos Níveis de Ca, Fe, P e Vitamina D na dieta Distribuição e Eliminação DISTRIBUIÇÃO 90% é ligado às hemácias Compartimento de permuta: sangue e tecidos moles: fígado e rins Compartimento de armazenamento: ossos (90% sob a forma de trifosfato). O teor de Pb no organismo aumenta com a idade ELIMINAÇÃO : FEZES E URINA Intestino Rins Pele InalaçãoABSORÇÃO Ingestão Tecidos moles Ossos METABOLISMO NO HOMEM SANGUE Pulmões Ap. gastro- intestinal Fígado Sítios de Ação EFEITOS • Hematológicos • Neurológicos • Osteomusculares • Renais • Gastrointestinais • Cardiovasculares • Gênito-urinários • Endócrinos Efeitos hematológicos ANEMIA • Hemolítica (redução da vida média das hemácias) • Geralmente normocrômica • Ou levemente hipocrômica e microcítica com aniso e poiquilocitose evidentes dos glóbulos vermelhos. • Hb >10-12g: - Ação na síntese do Heme - Aumento da velocidade de destruição e regeneração das hemácias Efeitos no Sistema Nervoso Central Encefalopatia (exposições crônicas): - Irritabilidade, cefaleia, tremor muscular, alucinação, perda da memória e da capacidade de concentração, delírio, mania, convulsões, paralisia e coma • Compostos orgânicos: distúrbios psiquiátricos, alucinações, delírio, cefaleia e alterações do humor Efeitos no Sistema Nervoso Periférico Polineuropatia periférica • Fraqueza muscular • Anestesia • Parestesias Efeitos no Sistema Renal Dano irreversível no túbulo proximal e progressiva insuficiência renal, com redução da função glomerular (danos vasculares e fibrose) Efeitos no Sistema Gastrointestinal • Aumento da SGOT sem evidências de lesão hepática • Constipação intestinal • Cólica satúrnica • Linha gengival de Burton Outros Efeitos • No sistema reprodutor: infertilidade masculina • Em órgãos endócrinos: abortos espontâneos e partos prematuros • Impotência sexual • No sistema cardiovascular: Hipertensão arterial e alterações no eletrocardiograma • Diminuição da audição. • Exposição significativa a poeiras/fumos de Pb • Exposição atual ao chumbo – Indicador biológico de exposição: PbS – Indicador biológico de efeito (ALA-U, ZPP) • Exposição remota: PbS e ALA-U tendem ao normal – PbS pós EDTA acima de 1mg/24 horas • Quadro clínico característico presente ou não • Casos em colegas de trabalho: evidência epidemiológica. Critérios de diagnóstico Buschinelli 1994 Limites de Tolerância Ambiental • Chumbo Inorgânico: Poeiras e fumos – Anexo 11 da NR-15: 0,1 mg/m3 - – ACGIH (2024) - 0,05 mg/m3 Chumbo e compostos inorgânicos de Chumbo – Chumbo tetraetila como Pb: 0,1 mg/m3 ACGIH (2024) – Chumbo tetrametila como Pb: 0,15 mg/m3 ACGIH (2024) CHUMBO INORGÂNICO IBE/SC (sinal clínico) Chumbo no sangue 60 g/100 ml (M) (EPNE) Ácido delta-aminolevulínico na urina - ALA-U 10mg/g de creatinina (EPNE) (M) Mulheres em idade fértil, com valores de Chumbo no sangue (Pb-S) a partir de 30 µg/100ml, devem ser afastadas da exposição ao agente. EPEN: encontrado em populações não ocupacionalmente expostas Chumbo Organo- metálico (chumbo tetraetila) IBE/EE (Indicador de exposição excessiva) Chumbo na urina Até 50 g/L Como tratar? • Afastamento do trabalho • Pode ser necessário o uso de hipotensores, antiarrítmicos e analgésicos • Tratamento especifico: quelantes sendo os mais usados o sal cálcio dissódio do ácido etilenodiaminotetracético (CaNa2 EDTA), o dimercaprol (BAL) e a D-penicilamina. Caracterização • O cádmio é um metal branco azulado, muito resistente à corrosão • Possui grandes semelhanças físicas e químicas com o zinco, com o qual aparece ligado na natureza • É obtido como um subproduto da extração comercial de zinco • É um poluente atmosférico amplamente disperso e componente da chuva ácida • Em forma de pó é inflamável. Usos e Exposições ocupacionais (1) • Extração, tratamento, preparação e fundição de ligas metálicas • Fabricação de pigmentos • Sulfeto de cádmio – CdS (amarelo) • Selenito de cádmio – CdSe (vermelho) • Estearato de cádmio: estabilizante em plásticos de PVC • Baterias de níquel-cádmio • Lâmpadas de vapor de cádmio • Fabricação de eletrodos • Sulfeto de cádmio: fabricação de células fotoelétricas • Galvanoplastia de outros metais, principalmente aço e ferro Usos e exposições ocupacionais (2) • Tratamento anti-corrosivo de peças, como motores de carro e parafusos, roscas e fechaduras de aviões • Cloreto de cádmio : fungicida e inseticida • Corante na indústria de fogos de artifício • Processos de coloração e impressão na indústria têxtil • Indústria fotográfica para produção de filmes Usos e exposições ocupacionais (3) • Fabricação de espelhos especiais e revestimento de tubos eletrônicos a vácuo • Óxido de cádmio (CdO): agente galvanizador e componente de ligas de prata e fósforo • Empregado em semicondutores e na vitrificação da cerâmica • Fluoreto de cádmio (CdF2): várias aplicações na indústria ótica e de eletrônica, na fabricação de vidro e substâncias fosforescentes • Fungstato de cádmio (CdWO4): empregado em tintas fluorescentes Introdução e absorção 5% por via gastrointestinal: influenciada por fatores nutricionais Cálcio e proteínas da dieta diminuem muito a absorção gastrointestinal Distribuição, Deposição e Eliminação DISTRIBUIÇÃO 50 a 70%: depositado nos fígado e rins O Cádmio é altamente cumulativo Nas exposições crônicas 90% do cádmio circulante está ligado à hemoglobina A meia-vida biológica de 19 a 40 anos ELIMINAÇÃO: pequena excreção urinária O Cádmio presente nas fezes representa o metal contido nos alimentos que não foi absorvido EFEITOS TÓXICOS Irritação das vias aéreas superiores •Tosse persistente, dispneia e dores torácicas • Podem ocorrer danos pulmonares sob a forma de enfisema e fibrose peribronquial e perivascular Descalcificação óssea com pseudo-fraturas • Aumento do cálcio urinário Efeitos no Sistema Renal •Litíase renal •Proteinúria de baixo peso molecular: beta-2-microglobulina Limites de Tolerância Ambiental • Não há limite de tolerância ambiental para o Cádmio na legislação brasileira • ACGIH (2024): • Cádmio metálico: 0,01 mg/m3 • Compostos como Cádmio: 0,002 mg/m³Cádmio e seus compostos inorgânicos IBE/SC (Sinal clínico) Cádmio na Urina 5 g/g de creatinina Indicador Biológico de Exposição Ocupacional ao Cádmio ( Quadro 2 da NR-7) Caracterização ➢ O Manganês é um metal leve, vermelho acinzentado ou prateado e é um dos elementos mais abundantes da crosta terrestre. ➢ Encontrado em solos, sedimentos, rochas, água e materiais biológicos ➢ Mais de cem minerais contêm manganês, sendo os mais importantes os óxidos, os carbonatos e os silicatos ➢ Fonte comercial mais importante: dióxido de manganês (MnO2), que é encontrado em depósitos sedimentares naturais na forma de pirolusita (40 a 80% de MnO), braunita e manganita. ➢ Pode apresentar-se em 8 estados de oxidação, sendo mais importantes os +2, +3 e +7. ➢ O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de manganês. Usos e exposições ocupacionais ✓ Extração, tratamento e trituração da pirolusita, assim como fabricação de ligas e compostos do manganês ✓ A maior parte do manganês produzido é utilizada na indústria do ferro e do aço como reagente, para reduzir o conteúdo de oxigênio e enxofre do aço fundido e para compor ligas especiais, como o ferro-manganês e o silício- manganês ✓ O dióxido de manganês (MnO2) é um agente oxidante utilizado como despolarizante em baterias de células secas e acumuladores. Usos e exposições ocupacionais ✓ Utilizado em fogos de artifício, fósforos, como reagente na indústria química e como corante na indústria têxtil ✓ Sulfato de manganês (MnSO4): produção de fertilizantes, aditivos para alimentos, em medicamentos e na fabricação de tintas, vernizes, vidros especiais e cerâmica. ✓ Curtimento do couro ✓ Recobrimento de eletrodos de soldas. Absorção do Manganês ➢ Via respiratória: aerodispersóides (poeiras e fumos) com diâmetro menor de 1 micra atingem as porções mais inferiores do trato respiratório e podem ser absorvidas, levando a efeitos sistêmicos ➢ Absorção gastrintestinal: maior em indivíduos anêmicos, guardando relação com o teor de ferro na dieta => Dieta pobre em ferro aumenta a absorção de manganês Distribuição e Excreção • Armazenamento: fígado, pâncreas, rins. • A meia-vida plasmática é de no máximo 5 minutos e a meia vida biológica de 37 dias, sendo nos ossos e cérebro os locais de remoção mais lenta. • Excretado principalmente pela bile. Ação tóxica do Manganês Os estudos toxicodinâmicos são inconclusos quanto aos mecanismos da ação tóxica do manganês. Atravessa a barreira hemato-encefálica distribuindo-se com predominância no gânglio basal o que poderia justificar a semelhança do quadro clínico de intoxicação por manganês com o Parkinsonismo. Sinais e sintomas de intoxicação ➢ Fase pré-clínica: anorexia, cefaleia, insônia e fraqueza geral ➢ Fase clínica inicial: inicio de manifestações extrapiramidais, tendo como sinais precoces os distúrbios da fala. Menor habilidade para realizar movimentos finos, hiperreflexia de tendões dos membros inferiores e aumento do tônus dos músculos faciais ➢ Fase clínica estabelecida: alterações psicomotoras e neurológicas, hipertonia muscular da face (“riso sardônico”) e dos membros inferiores. Astenia, dores musculares, parestesias, alterações da fala e da libido, micrografia e escrita irregular Limite de tolerância para o Manganês Anexo 12 da NR-15 Poeiras Operações de extração, tratamento, moagem do minério ou a outras operações com exposição a poeiras de manganês e seus compostos 5,0 mg/m3 , para jornada de até 8 horas/dia. Fumos de manganês ou seus compostos: metalurgia de minerais de manganês, fabricação de compostos de manganês, baterias e pilhas secas, fabricação de vidros especiais e cerâmicas, fabricação de eletrodos de solda, de produtos químicos, fertilizantes 1,0 mg/m3 no ar, para jornada até 8/dia ACGIH (2024): Manganês elementar: 0,02 mg/m³ Compostos inorgânicos, como Mn: 0,1 mg/m³ Caracterização • O cromo é um metal duro de cor cinzenta. • Não é encontrado livre na natureza e sua única fonte mineral de importância é a cromita, ou cromato de ferro (FeOCr2O3), que é amplamente distribuído na superfície terrestre. • Apenas os minérios que contêm 40% ou mais de óxido de cromo (Cr2O3) são utilizados comercialmente. • O cromo pode formar inúmeros compostos em seus vários estados de oxidação. Os estados de oxidação II (cromoso), III (crômico) e VI (cromato) são os mais importantes, sendo que as aplicações comerciais envolvem principalmente os cromatos, devido às suas propriedades oxidativas e ácidas. Usos e Exposição ➢ Produção e a manipulação dos compostos de cromo (ácido crômico, cromatos e bicromatos) e das ligas de ferrocromo ➢ Principal uso: galvanoplastia de peças de automóveis, aparelhos elétricos e outros produtos => Névoas de ácido crômico ➢ Composição de ligas com ferro e níquel, formando o aço inoxidável, ou com titânio, nióbio, cobalto, cobre e outros metais. ➢ O dicromato de sódio (Na2Cr2O7) é a base para a preparação dos compostos de cromo. ➢ O ácido crômico e alguns sais de cromo (cromatos) podem contaminar cimento durante sua produção, sendo causa de dermatoses ocupacionais. Usos e Exposição ➢ O óxido crômico (Cr2O3) é utilizado na indústria metalúrgica, como componente de tijolos refratários e na composição de pigmentos, principalmente da cor verde. ➢ O sulfato de cromo [Cr2(SO4)3] é empregado no curtimento de peles e couro, na indústria têxtil e como base de pigmentos empregados na indústria de tintas, vernizes e cerâmica. ➢ O cromato de chumbo (PbCrO4) é empregado como pigmentos de tonalidades que variam do amarelo ao vermelho e verde, utilizados em tintas, produtos plásticos e borracha. Usos e Exposição • Os cromatos de cálcio (CaCrO4) e de zinco (ZnCrO4) são agentes inibidores de corrosão, empregados na despolarização de baterias de células secas. • O trióxido de cromo (CrO3) é um forte oxidante utilizado em vitrificação de cerâmica, na coloração de vidros, limpeza e polimento de metais e móveis e na indústria têxtil e corrosivo para plásticos. Usos e Exposição ➢ O dicromato de potássio (K2Cr2O7) é um agente oxidante utilizado em química analítica, na desoxidação ou decapagem de latão ou bronze ➢ Indústria de fogos de artifício ➢ Em explosivos, fósforos, colas e adesivos cromados ➢ Despolarizante em baterias de células secas Absorção e distribuição ➢ Vias de penetração: oral, dérmica ou pulmonar ➢ A absorção depende do estado de oxidação: ✓ O cromo hexavalente (Cromo VI) tem uma absorção gastrointestinal de 2 a 6% ✓ O cromo trivalente (Cromo III) tem uma absorção menor que 1%. O cromo tem uma alta ligação com as proteínas plasmáticas (86 a 90%) e é armazenado nos pulmões, pele, músculos e tecido adiposo Ação tóxica ➢ 0 cromo III tem baixa toxidade. ➢ 0 cromo VI é o de maior toxidade. ➢ A absorção por via oral produz vômitos e diarreia persistente. com hemorragia intestinal grave devido a ulcerações por ação cáustica do metal ➢ Casos letais: ➢ 1,5g de dicromato de potássio ➢ Para ácido crômico: de 3,0g ➢ Na pele: dermatites de contato, eczema alérgico, ulcerações típicas de pele (úlceras profundas, dolorosas e de difícil cicatrização). ➢ Conjuntivites e ceratites superficiais. Ação tóxica ➢ Perfuração do septo nasal, precedida de alterações no olfato e sangramento e ulcerações. ➢ No nível respiratório: rinite, laringite, pneumoconiose provocada pela poeira de cromita e asma (poeiras de cromato ou névoas de ácido) ➢ Anemia em exposições prolongadas e comprometimento renal e hepático. ➢ Carcinogênese: poeiras de cromita e cromatos insolúveis são consideradas cancerígenas: carcinoma broncogênico Limite de Tolerância • Não há LT para Cromo na Legislação Brasileira • Ácido crômico(névoas): 0,04 mg/m³ (anexo 11 da NR- 15) • ACGIH (2024) – Cromo Metálico: 0,5 mg/m3 – Compostos de Cr III, solúveis em água: 0,003 mg/m3 – Compostos de Cr VI, solúveis em água: 0,0002 mg/m³ Indicadorde Exposição Ocupacional (IBE) Cromo VI e seus compostos (Quadro 1 da NR-7) Material biológico: urina ➢ 25g/g de creatinina (FJFS: Final do último dia de jornada da semana) ➢ 10 µg/g de creatinina(AJ-FJ: AJ-FJ - Diferença pré e pós-jornada (Aumento durante a jornada) ➢ Indicador de Exposição Excessiva: A ultrapassagem do IBE indica exposição ambiental excessiva não possuindo isoladamente significado clinico ou toxicológico próprio ou seja não indica doença nem está associado a um efeito ou disfunção de qualquer sistema biológico. Caracterização ➢ O arsênio é uma substância de aparência metálica, quebradiça, de cor cinzenta e brilhante, com odor de alho ➢ Considerado um semi-metal ou metalóide ➢ Existem três grupos principais de compostos arsenicais: • compostos inorgânicos de arsênio • compostos orgânicos de arsênio • gás arsina e arsinas substitutas. ➢ Principais fontes: metais de cobre, chumbo e zinco, ferro, cobalto dos quais o arsênio é obtido como uma impureza durante a fundição. ➢ O arsênio é amplamente encontrado na natureza e com maior abundância em ligas de sulfeto. A arsenopirita (FeAsS) é a mais comum delas. Usos e Exposição • Ligas com o objetivo de aumentar a dureza e a resistência ao calor (produção de projéteis de arma de fogo e células de baterias). • Produção de alguns tipos de vidro • Componente de aparelhos elétricos (pilhas e baterias). • O tricloroarsênio (AsCl3) é empregado na vitrificação da cerâmica. • O trióxido de arsênio (As2O3) ou arsênico branco é utilizado no curtimento de couro e como preservante de madeira, • Na indústria têxtil e na produção de vidro como agente descorante e refinador. • O verde Scheele (AsO3HCu) e o verde Paris [(AsO2)2Cu (C2H3O2)2Cu] são inseticidas. Este último é empregado na pintura de navios e submarinos. • O arsenato de sódio (NaAsO2) é empregado como herbicida, agente inibidor de corrosão e na indústria têxtil como agente de lavagem a seco. Usos e Exposição • O trissulfeto de arsênio (AsS3) é utilizado em curtumes e na produção de fogos de artifício e semicondutores • O ácido cacodílico [(CH3)2AsO2H] é empregado como herbicida e desfolhante. • O gás arsina (AsH3) é utilizado em síntese orgânica e no processamento de componentes eletrônicos. É empregado na fabricação de tintas, vernizes e corantes. Esse gás pode ser gerado inadvertidamente em processos industriais quando é formado hidrogênio na presença de arsênio, como em ataques com ácido clorídrico ou muriático (HCl) a minérios ou metais com impurezas na superfície, com a finalidade de limpeza (decapagem). • Compostos arsenicais são liberados nos processos de mineração de ouro, fundição e refino de cobre e chumbo e em alguns processos de soldagem. Vias de penetração • Gastro-intestinal • Inalação Ação tóxica do Arsênio • O arsênio amarelo é um forte veneno para Homem • Dose letal: 1-2mg/kg de peso • Toxicidade variável conforme o o estado de oxidação do metal • O arsênio Lewisite é um forte vesicante, que pode penetrar na pele e causar lesões na área de exposição Ação tóxica do Arsênio • Os efeitos tóxicos são atribuídos às suas propriedades de ligação com o enxofre, formando complexos com coenzimas e inibindo a produção de ATP • O ARSÊNIO É CARCINOGÊNICO para seres humanos: tumores de pele, hepáticos e pulmões 60 Efeitos da exposição ao arsênio Hiperqueratose nas mãos Câncer de pele, mãos, braços e tórax Sinais e sintomas de intoxicação • Agudos: • Febre, distúrbios gastrointestinais, irritação do trato respiratório, úlcera do septo nasal e dermatite • Exposição crônica: • Pigmentação da pele, neuropatia periférica e lesões hepáticas e renais Limite de Tolerância • Não há LT para o Arsênio na Legislação Brasileira • ACGIH (2024): Arsênio e compostos inorgânicos como As: 0,01 mg/m3 • Arsina: 0,16 mg/m³ ou 0,04 ppm (anexo 11 da NR- 15) – ACGIH (2022): 0,005 ppm IBE Arsênico elementar e seus compostos inorgânicos solúveis, exceto arsina e arsenato de gálio (Quadro 1 da NR-7) IBE: Arsênico inorgânico mais metabólitos metilados na urina: 35g/L Obs. EPNE - Encontrado em populações não expostas ocupacionalmente Indicador de EE: Exposição excessiva: A ultrapassagem do IBE indica exposição ambiental excessiva não possuindo isoladamente significado clinico ou toxicológico próprio ou seja não indica doença nem está associado a um efeito ou disfunção de qualquer sistema biológico. Mercúrio - Hg Fonte: Museu Joán Miró, Barcelona Caracterização ➢ O mercúrio metálico é um líquido branco-prateado a temperatura ambiente. É encontrado na natureza na forma de sulfeto (HgS), no minério de cinábrio. ➢ Dois grupos: - Mercúrio inorgânico: mercúrio metálico e seu vapor e sais: íon mercúrico (Hg++) e seus sais e íon mercuroso (Hg2++) e seus sais - Mercúrio orgânico: metilmercúrio, acetato de etilmercúrio, cloreto de etilmercúrio, fosfato de etilmercúrio, diciandimida de metilmercúrio e vários outros compostos. ➢ Pode ser produzido em fontes naturais ou artificiais. As fontes naturais são o vulcanismo, a desgaseificação da crosta terrestre e a erosão e a dissolução de minerais das rochas devido à penetração da água, durante períodos muito prolongados. ➢ As fontes artificiais derivam da utilização do mercúrio pelo homem. Usos e Exposição • A extração do minério de mercúrio e a fabricação de seus compostos • No Brasil: atividades em garimpos de ouro, com amalgamação do minério, assim como preparação e aplicação de amálgamas para restaurações dentárias • Convenção de Minamata – Permitida a utilização na indústria de cloro-soda até 2025 Convenção de Minamata • Proíbe a manufatura, importação e exportação de produtos com mercúrio adicionado listado no Anexo A Parte I, com datas para “phase-out” definidas. • Estabelece medidas para minimizar o uso de amálgamas dentários (Anexo A Parte II). Vias de penetração • Via respiratória: principal do ponto de vista ocupacional • Via intestinal: sais solúveis Mecanismo de ação tóxica (Toxicodinâmica) • Os íons Hg+2 tem afinidade pelos grupos sulfidrila (-SH) de proteínas, enzimas, seroalbumina e hemoglobina, formando complexos que causam inibição enzimática Sinais e sintomas de Intoxicação • Intoxicação aguda: bronquite, pneumonite, tosse, dores torácicas, angústia respiratória, salivação, diarreia. • Ação sobre o SNC: tremor, insônia, depressão e irritabilidade • Exposição por 4 horas a uma concentração maior que 30mg/m3 causou lesões no fígado, rins, pulmões e cérebros de coelhos • O mercúrio se acumula nos rins: nefrotóxico Sinais e sintomas de Intoxicação Crônica • Inflamação da boca, salivação, amolecimento dos dentes, tremores musculares, passo claudicantes, depressão, irritabilidade e nervosismo • Antídotos: Cisteína, D-penicilamina,2- dimercapto-1-propanol • Os antídotos formam quelatos com o mercúrio, que são excretados na urina, possuindo um efeito protetor contras as lesões renais causadas pelo mercúrio Limite de tolerância • Todas as formas (exceto orgânicas): – 0,04 mg/m3 (Anexo 11 da NR-15) • ACGIH (2024): Mercúrio elementar e formas inorgânicas: 0,025 mg/m³ IBE de Mercúrio metálico (Quadro 1 da NR-7) Material biológico: urina • Indicador Biológico de Exposição(IBE): 20 g/g de creatinina NE: Não específico (pode ser encontrado por exposição a outras substâncias) EPNE - Encontrado em populações não expostas ocupacionalmente A ultrapassagem do IBE indica exposição ambiental excessiva (EE) não possuindo isoladamente significado clinico ou toxicológico próprio ou seja não indica doença nem está associado a um efeito ou disfunção de qualquer sistema biológico.