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Comunicação Oral e Escrita SENAI-SP, 2004 Trabalho elaborado pela Escola SENAI Roberto Simonsen do Departamento Regional de São Paulo. Coordenação Geral Dionisio Pretel Coordenação Laur Scalzaretto Valdir Peruzzi Elaboração Teresinha Tesser Niubó Editoração Adriana Ribeiro Nebuloni Écio Gomes Lemos da Silva Sílvio Audi Escola SENAI Roberto Simonsen Rua Monsenhor Andrade, 298 – Brás CEP 03008-000 - São Paulo, SP Tel. 11 3322-5000 Fax. 11 3322-5029 E-mail: senaibras@sp.senai.br Home page: http://www.sp.senai.br Sumário página Paragrafação 3 Descrição 9 Interpretação de texto 13 Dissertação 19 Relatório 29 Estrutura-padrão 51 Memorando 55 Bibliografia 65 3 Paragrafação Parágrafo padrão Frase, Oração, Período. Cuidado! A Mecânica está muito presente no nosso dia-a-dia. A comunicação é um valor social básico fundamental. Bom dia! Este é o local onde construiremos o prédio que o engenheiro projetou para atender os clientes mais exigentes. Estratégia de venda A colocação dos artigos nas prateleiras dos supermercados é matematicamente calculada. Os que têm saída certa ficam embaixo. Os de venda difícil são colocados à altura dos olhos e principalmente das mãos. Além disso, há também as embalagens feitas de forma a atrair o consumidor. Dessa forma, estamos cercados pelas estratégias de vendas. Um parágrafo modelo deve conter: 1. Título; 2. Distância da margem ao iniciá-lo; 3. Disposição visual (limpeza, capricho e margem direita); 4. Idéia principal. É a partir dela que o parágrafo se desenvolve; 5. Idéias secundárias– Elas explicam a idéia principal. Quando esta estiver devidamente explicada, encerre o parágrafo. 6. Conclusão – É o encerramento do parágrafo. Observação Entre as idéias secundárias use palavras relacionais como: além disso, primeiramente, é evidente que, como se isso não bastasse, é importante frisar que, por último, etc. Para fazer oposição use: mas, porém, por outro lado, em contrapartida, etc. Para iniciar 4 a conclusão: portanto, por isso, finalmente, dessa forma, sendo assim, conclui-se então que, etc. Exercícios Nos parágrafos abaixo, sublinhe a idéia principal com caneta e as idéias secundárias com lápis. 1. A madeira esteve sempre presente na construção civil. Inicialmente era usada para a construção de abrigos. Foi também o material utilizado na construção das primeiras pontes. Além disso, elas servem de base para a execução da alvenaria. Enfim, a madeira desempenha um importantíssimo papel na construção civil. 2. O construtor é peça chave. Fiscaliza o andamento dos trabalhos em seu conjunto. Fornece e conserva equipamento mecânico e ferramental necessário. Por fim, presta toda a assistência técnica e administrativa necessária ao andamento conveniente da obra. Dados os tópicos frasais abaixo, escolha dois e elabore um parágrafo para cada um e dê um título. • A segurança no trabalho deve estar sempre presente. • Aquele dia foi inesquecível. • A economia de água deve fazer parte de nossos hábitos. • As enchentes provocam muitos transtornos à população. Escolha um dos títulos abaixo e elabore um parágrafo. • Profissão • Estudo – Garantia de futuro • Vida agitada • Leitura – Caminho da sabedoria. 5 Seqüência lógica de idéias Reescreva o parágrafo abaixo, colocando-o numa seqüência lógica de idéias. Dê um título também. Saíram do que sobrou do carro. Os doidos não sofreram nada. Um carro de polícia ia para o hospício levando dois doidos. O motorista e o ajudante foram atirados longe, quase mortos. O outro foi chamar a ambulância. Um foi socorrer as vítimas. Corria numa tal velocidade que capotou e bateu contra um poste. Elabore um parágrafo para cada grupo de ações abaixo, fazendo as flexões verbais necessárias. Dê um título. • correr, tropeçar, cair, chorar, consolar. • sentar-se, pensar, escrever, entregar. • olhar, sorrir, aproximar-se, conversar, despedir. Concisão Todo texto deve ser conciso. Para isso é preciso ficar atento e não repetir palavras ou idéias desnecessariamente. Exemplos de parágrafo sem concisão: “Minha primeira paixão aconteceu numa festa. Numa festa de aniversário muito divertida. Tinha muita gente, bastantes colegas muito legais. Reencontrei um amigo antigo que fazia muito tempo que não o encontrava. Ficamos conversando muito e até demos bastantes risadas juntos. Nos divertimos muito...” “Há muitos perigos nas cidades grandes. O assalto é um perigo constante que ocorre em uma cidade grande. Em decorrência acontece outro problema: os assassinatos, onde no momento do roubo acontece uma reação e alguém acaba sendo morto...” 6 “Minha mãe é incrível. Eu acho minha mãe incrível porque cozinha bem, porque ela sabe cozinhar com dedicação pois ela sabe que a comida não é só para ela. Ela também me trata com muito respeito...” Coerência Um texto é coerente quando liga harmonicamente as idéias entre si; o conteúdo dispõe-se numa seqüência lógica. Exemplos de parágrafo sem coerência: “Num dia chuvoso de pouco movimento, Benedito estava viajando rumo ao litoral. Descendo a serra percebeu que o freio não estava mais funcionando. Reduziu a marcha e continuou sem muita preocupação pois a estrada estava livre. Percorreu mais dois quilômetros e, de repente, brecou porque deparou-se com um congestionamento.” “Era meia-noite, Marcos preparou o despertador para acordar às seis da manhã e encarar mais um dia de trabalho. Ouvindo o rádio, deu conta de que fizera sozinho a mega sena. Fora de si acordou toda a família e bebeu a noite inteira. Lá pelas cinco, caiu na cama. Quando o despertador tocou, Marcos pôs-se imediatamente de pé e ia preparar-se par ir ao trabalho. Mas o filho, rindo disso: ‘Pai, você não precisa trabalhar nunca mais na vida’.” Exercício Elabore um parágrafo, aplicando todos os conhecimentos de pargrafação. Um grande susto A importância do trabalho Família Tema livre Tipos de parágrafos Existem três formas de se redigir: contar uma história, descrever algo ou externar a opinião sobre um determinado assunto. Portanto, no primeiro caso, temos a narração, no segundo a descrição e no último, a dissertação. 7 Narração Ao narrar um fato objetivo e completo, é necessário que ele contenha: O que aconteceu? Onde? Quando? Por quê? Personagens, causa e conseqüência (fim da história). Descrição Pode-se, nesta modalidade de redação, descrever uma pessoa, um animal, um objeto, um ambiente ou paisagem. Nestes casos, são necessários que alguns elementos estejam presentes de acordo com o que será descrito. Por exemplo: Se for uma pessoa, características físicas e psicológicas deverão estar presentes. Se for um ambiente, estrutura física e objetos que ele contém, etc. Dissertação É um pouco mais complexa. Primeiro é necessário traçar um plano, uma idéia central, argumentos que justifiquem essa idéia e conclusão. Os argumentos devem ser suficientes e convincentes para que a idéia central possa ser defendida. Parágrafo narrativo “... O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um animalzinho...” (Fernando Sabino). Parágrafo descritivo: “Os cacaueiros em frente se balançavam ao sabor da brisa. Quem os visse assim, frondosos e verdes, pensaria que a falta de chuva daquele princípiode ano em nada poderia alterar o curso de sua produção. As árvores lindas e pujantes estavam abertas em flores, pareciam não sentir o sol, não tinham nem uma folha queimada. Só o capim no chão estava esturricado, com grandes claros de terra onde as galinhas ciscavam...” (Jorge Amado, “São Jorge dos Ilhéus”). Parágrafo dissertativo: “... Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente. São estes intervalos entre um trabalho cansativo e outro trabalho cansativo, estes momentos em que a gente pode conversar com um amigo, brincar com os filhos, ler um bom livro... O erro é pensar que o conforto permanente, bem- estar que nunca acaba e o gozo de todas as horas são a verdadeira felicidade...” (Érico Veríssimo. Olhai os Lírios do Campo). 8 9 Descrição De objeto Para se descrever um objeto é necessário seguir alguns passos. É importante ter em mente que será descrito apenas o objeto que está a sua frente. Uma estrutura também deve ser obedecida. Estrutura da descrição de objeto Introdução Um parágrafo. Observações de caráter geral do objeto, ou seja, material, formato, dimensões, peso, textura, cor e brilho. Desenvolvimento Usar o número de parágrafos necessários. Apontam-se os detalhes do objeto, as partes que o compõe e de que forma elas se juntam para formar o todo. Conclusão Um parágrafo. Apontar para que serve o objeto e quem o usa. Exemplo de descrição de objeto Caneta esferográfica Fabricada atualmente em larga escala, a caneta esferográfica é um objeto simples, mede 15cm de comprimento por 0,5cm de diâmetro. Constituída de materiais leves, seu peso é muito pequeno. É translúcida, assim pode-se ver a cor da tinta: azul. Em sua constituição verifica-se a presença de um tubo cilíndrico, fino e comprido, de plástico, dentro do qual é colocada a tinta azul. Esse tubo possui em uma das suas extremidades uma ponta de acrílico em forma de cone em cuja ponta há uma esfera minúscula através da qual a tinta sai, passando para o papel. Além das partes citadas acima, há também um tubo cilíndrico, maior, de acrílico que envolve o tubo de plástico. Convém ressaltar duas tampas: uma interna e outra maior e externa com formato de cone alongado e dela sai uma pequena haste. 10 Essas tampas se ligam às extremidades do tubo de acrílico e possuem a mesma cor da tinta desta caneta: azul. A caneta esferográfica encontra-se hoje em todos os lugares, entre os quais: escolas, escritórios, lojas, etc. Estará presente sempre que alguém quiser escrever algo sem sujar suas mãos de tinta. Descrição de processo A descrição de processo é um tipo de descrição técnica onde se aponta o processo de funcionamento ou fabricação de um equipamento. Estrutura da descrição de processo Introdução Consta de um parágrafo. Escreve-se o que é o processo ou o equipamento. É uma breve descrição. Desenvolvimento Usar o número de parágrafos necessários. Apontar as fases do processo em seqüência lógica. Observação Entre as fases do processo, use palavras relacionais como; primeiramente; em seguida; feito isso; logo após; posteriormente; por último; finalmente; etc. Conclusão Consta de um parágrafo. Aponta-se para que serve o processo ou o equipamento e/ou onde se aplica. Exemplo de descrição de processo Fresagem de ranhuras retas Esta operação consiste na abertura de uma ranhura em forma de “T” feita na fresadora por meio da remoção de cavacos, utilizando-se uma ferramenta presa no cabeçote vertical da máquina. 11 Para executar esta operação, primeiramente, faça a montagem e o alinhamento do material. Em seguida, selecione e monte a fresa para fresar a ranhura retangular inicial. Feito isso, selecione e regule a RPM e o avanço. A partir daí, inicie a operação propriamente dita, obedecendo aos seguintes passos: Frese a ranhura retangular, determinando a largura definitiva. Logo após, troque a fresa para a fresagem da ranhura em “T”. Em seguida, desbaste a ranhura perpendicular à anterior. O último passo consiste em terminar a ranhura em “T”. Para isso centre a fresa e coloque-a na altura definitiva. Observe os seguintes cuidados: dê o mínimo de avanço e, durante o desbaste, refrigere abundantemente a peça e retire os cavacos da ranhura. A fresagem de ranhuras retas é aplicada nas mesas, acessórios e dispositivos de máquinas-ferramentas. Permite o alojamento de parafusos e peças que devem deslocar-se guiadas. Descrição de Ambiente Estrutura da descrição de ambiente Introdução Consta de um parágrafo. Localização do ambiente, medidas e suas características gerais. Desenvolvimento Usar, no mínimo, dois parágrafos: - detalhes da estrutura global do local ( paredes, janelas, portas, chão, teto, luminosidade, odor, ruído, ventilação. - Detalhes técnicos dos objetos/equipamentos existentes no local. Conclusão Consta de um parágrafo. Observação sobre o aspecto geral do local OBS: A descrição é estática; portanto, o uso de verbos deve ser reduzido (oculto nas frases). Use palavras relacionais como: . No local propriamente dito - conclusão: . Pode-se observar ainda . Assim montado... 12 . Convém ainda ressaltar . Dessa forma... . Verifica-se a presença de Exemplo de Descrição de Ambiente Oficina de Tornearia A Oficina de Tornearia do Ensino Profissional Básico mede 180m2, dos quais 150 são utilizados para o desenvolvimento das aulas de Prática de Operações. Nos 30m2 restantes, há uma sala de aula para 16 alunos usada como preparação da tarefa de oficina. Este local está situado no terceiro andar do prédio, do lado direito. Esta oficina é de alvenaria: as paredes brancas possuem um barrado de cor creme com 1,5m de altura. As portas são envernizadas e as janelas de esquadria metálicas e vidro. O chão de piso de madeira e o teto forrado com placas de fibra de vidro, material antichamas e antitérmicos. Possui quinze luminárias com duas lâmpadas HO em cada uma o que permite obter-se nível de iluminação de acordo com as normas da ABNT. Pode-se observar ainda, que as condições de arejamento deste local possibilitam conforto térmico aos instrutores e aprendizes. Não há presença de odores provenientes de agentes químicos. O ruído existente não caracteriza uma situação de poluição sonora. No local propriamente dito, há dezesseis tornos mecânicos, uma afiadora de ferramentas, uma furadeira de bancada, uma bancada de manutenção e três armários de madeira pintados na cor creme. Um dos armários é utilizado para a guarda do material didático do instrutor, no outro guardados os materiais dos alunos e no terceiro, as ferramentas de uso comum. As máquinas estão alinhadas em ângulo de 35 graus e o modo como estão dispostas leva em consideração os aspectos relativos à segurança e à entrada de luz natural que deve ser sempre à direita do operador. Assim, pode-se observar faixas amarelas que delimitam o espaço tanto para o operador de cada máquina quanto para a área de circulação. Convém ainda ressaltar que as partes das máquinas estão pintadas de verde, creme, preto e azul. Assim montada, o Oficina de Tornearia atende adequadamente aos objetivos a que se propõe: o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. 13 Interpretação de texto Roteiro Análise textual Preparação para a compreensão do texto: • Visão global do texto – primeira leitura – sublinhar palavras desconhecidas • Levantamento dos termos fundamentais – significação das palavras • Identificação de idéias principais de cada parágrafo • Identificar o que foi escrito em cada parágrafo (inter-relação textual) • Identificar introdução, desenvolvimentoe conclusão Análise temática Compreensão da mensagem global • Depreender o tema – palavra que resume o texto • Depreender a mensagem – lição que o texto traz • Depreender o assunto – conteúdo usado para transmitir a mensagem • Resumo do texto – usar itens 1.3 – 1.4 e 1.5 14 A disciplina do amor Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria, acompanhando-o com seu passinho saltitante de volta a casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos. para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera. O jovem morreu num bombardeio mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção. Telles, Lygia Fagundes. A disciplina do Amor. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980. p. 99-100. 15 Brinquedos incendiados Uma noite houve um incêndio num bazar. E no fogo total desapareceram consumidos os seus brinquedos. Nós, crianças conhecíamos aqueles brinquedos um por um, de tanto mirá-los nos mostruários – uns, pendentes de longos barbantes; outros, apenas entrevistos em suas caixa. Ah! Maravilhosas bonecas, louras, de chapéus de seda! pianos cujos sons cheiravam a metal e verniz! carneirinhos lanudos, de guizo ao pescoço! piões zumbidores! – e uns bondes com algumas letras escritas ao contrário, coisa que muito nos seduzia – filhotes que éramos, então, de Mr. Jordain, fazendo a nossa poesia concreta antes do tempo. Às vezes, num aniversário, ou pelo Natal, conseguíamos receber de presente algum bonequinho de celulóide, modestos cavalinhos de lata, bolas de gude, barquinhos sem possibilidades de navegação... – pois aquelas admiráveis bonecas de seda e filó, aqueles batalhões completos de soldados de chumbo, aquelas casas de madeira com portas e janelas. Isso não chegávamos a imaginar sequer para onde iria. Amávamos os brinquedos sem esperança nem inveja, sabendo que jamais chegariam à nossas mãos, possuindo-os apenas em sonho, como se para isso, apenas, tivessem sido feitos. Assim, o bando que passava, de casa para a escola e da escola para casa, parava longo tempo a contemplar aqueles brinquedos e lia aqueles nítidos preços, com seus cifrões e zeros, sem muita noção do valor – porque nós crianças, como namorados antigos, éramos só renúncia e amor. Bastava-nos levar na memória aquelas imagens e deixar cravados nela, como setas, os nossos olhos. Ora, uma noite, correu a notícia de que o bazar incendiara. E foi uma espécie de festa fantástica. O fogo ia muito alto, o céu ficava todo rubro, voavam chispas e labaredas pelo bairro todo. As crianças queriam ver o incêndio de perto, não se contentavam com portas e janelas, fugiam para a rua, onde brilhavam bombeiros entre jorros d’água. A elas não interessavam nada: peças de pano, cetins, cretones, cobertores, que os adultos lamentavam. Sofriam pelos cavalinhos e bonecas, os trens e palhaços, fechados, sufocados em suas grandes caixas. Brinquedos que jamais teriam possuído, sonho apenas de infância, do amor platônico. 16 O incêndio, porém, levou tudo. O bazar ficou sendo um fumoso galpão de cinzas. Felizmente, ninguém tinha morrido – diziam em redor. Como não tinha morrido ninguém? pensavam as crianças. Tinha morrido um mundo e, dentro dele, os olhos amorosos das crianças, ali deixados. E começávamos a pressentir que viriam outros incêndios. Em outras idades. De outros brinquedos. Até que um dia também desaparecêssemos sem socorro, nós brinquedos que somo, talvez de anjos distantes. Cecília Meireles, Escolha o seu sonho. 17 Onipotência juvenil: A idade dos deuses A onipotência juvenil começa por volta dos 16 anos (meninos) e 14 anos (meninas) e dura até que o adolescente se torne adulto. Essa é a mais exuberante eclosão da energia juvenil, que surge como uma nova força de dentro para fora, muito intensa e tumultuada. A nova etapa envolve o seu equilíbrio interno e todo o seu ambiente familiar. Nos rapazes, a onipotência juvenil aparece como uma “mania de Deus”. O jovem dessa fase é ousado, arrogante, impetuoso e impulsivo. De toda a vida, essa é a etapa em que mais prevalece a certeza de que o potencial do ser humano não tem limites. O jovem já pode, por exemplo, começar a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. Os problemas começam quando ele conclui que pode tudo, que nada de ruim vai lhe acontecer. Se bebem, acham que jamais ficarão bêbados. Se dirigem sem carteira de motorista, têm certeza de que não serão apanhados. Se tomam drogas, não ficarão viciados. No sexo, o fantasma da Aids ou da gravidez indesejada não existe. A energia vital nesse período é uma explosão que eles não conseguem controlar, e o sistema desse descontrole é a negação dos riscos. O onipotente juvenil é irritável e agressivo e tem baixíssima tolerância a frustração. Nega o passado e o futuro para viver exclusivamente o presente na sua maior intensidade. Assim é capaz de abandonar, no último semestre, um curso de inglês que custou anos e anos de sua vida e desprezar o diploma só porque não tem utilidade no momento. A saúde tampouco o preocupa nessa fase porque seu vigor físico está no auge. O adolescente pode passar duas noites acordado e depois dormir 24 horas sem problema, pois sente que sua energia é inesgotável e pode ser reposta a qualquer momento. Mas essa sensação de invulnerabilidade pode ter conseqüências desastrosas. Ignoram relatos de jovens que morreram de overdose ou porque dirigiam bêbados. O onipotente pensa que jamais será vítima de algo semelhante. Esses candidatos a deuses procuram viver com outros onipotentes, formando um verdadeiro Olimpo de seres superiores e invencíveis, onde não cabem deuses de outra turma. Texto adaptado extraído do livro “Adolescência – O despertar do sexo” Içami Tiba. S. Paulo Ed. Gente 1994 p. 89, 91, 92 18 O futuro da comunicação O homem, com seus fantásticos engenhos de comunicação e, em especial com os satélites, chegou à dimensão do universo. Essa conquista, que dissolve as distâncias e volatiliza o tempo, não o alivia de suas responsabilidades. Ao contrário, agiganta-as. Os meios de comunicação, em si mesmos, não são nem bons, nem maus. São úteis, do mesmo modo que o são a roda, o avião ou a energia nuclear. Mas a roda faz andar a ambulância e o canhão, o avião servepara avizinhar cidades ou para atirar bombas sobre elas, a energia nuclear contém o poder quase mágico de redimir a humanidades e, ao mesmo tempo, o de destruí-la. Os meios de comunicação, por seu turno, serão aquilo que os homens fizeram deles. Essa é a grande, a imensa, a grave responsabilidade: saber utilizar as potencialidades dos novos engenhos para o bem. A responsabilidade é de cada homem e de todos. Façamos votos para que o caminho certo se entremostre em cada novo passo que seja dado. Antonio Costella 19 Dissertação Diferença entre tema e título Como já tivemos oportunidade de explicar, fazer uma dissertação consiste em defender uma idéia. Para organizá-la, convém seguir certas instruções que iremos fornecer-lhe agora. A primeira coisa, antes de começar, é reconhecer a diferença que existe entre um tema e um título. O tema é o assunto sobre o qual você irá escrever, ou seja, a idéia que será defendida ao longo de sua composição. Por outro lado, o título é a expressão geralmente curta, colocada no início do trabalho; ele é, na verdade, apenas uma vaga referência ao assunto que você abordará. Observe a diferença entre eles nos exemplos abaixo: Título: As usinas nucleares no Brasil Tema: A implantação das usinas nucleares no Brasil trará grande progresso a esta nação. Título: A cidade e seus problemas Tema: A cidade de São Paulo enfrenta atualmente grandes problemas. Título: As novas fontes energéticas Tema: Devemos, a todo custo, buscar novas fontes energéticas que impulsionem nosso desenvolvimento. Título: As contradições na era da comunicação Tema: Vivendo a era da comunicação, o homem contemporâneo está cada vez mais só. É evidente que para cada um destes títulos poderiam caber inúmeros outros temas diferentes dos que foram apresentados. Da mesma forma, para cada um dos temas também poderiam ser criados outros títulos. Por exemplo: para o título As usinas nucleares no Brasil poderíamos, caso preferíssemos, estabelecer um outro tema bastante divergente do anterior, como: “As usinas nucleares que estão sendo implantadas no Brasil constituem-se em uma grande ameaça para a população”. 20 Dos exemplos apresentados anteriormente, constatamos que existem as seguintes diferenças entre esses itens: Título Tema 1. É uma referência vaga a um assunto. 2. É uma expressão mais curta que o tema. 3. Na maioria das vezes, não contém um verbo. 1. É uma afirmação sobre determinado assunto, onde se percebe uma tomada de posição. 2. É uma oração que apresenta um começo, meio e final. 3. Por ser uma oração, deve apresentar ao menos um verbo. Esquema 01 Título 1o parágrafo Tema + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3 Introdução 2o parágrafo Desenvolvimento do argumento 1 3o parágrafo Desenvolvimento do argumento 2 Desenvolvimento 4o parágrafo Desenvolvimento do argumento 3 5o parágrafo Expressão inicial + reafirmação do Tema + observação final Conclusão O esquema acima pode ser utilizado para redigir qualquer dissertação. Ele lhe será útil para que você possa estruturar satisfatoriamente os argumentos; garantirá ainda organização e coerência à sua composição. Observando essas orientações, você usará o número de parágrafos adequados, certificando-se de que cada um deles corresponda a uma nova idéia e de que, sobretudo, os diferentes parágrafos evidenciem as partes componentes de sua dissertação. Não se esqueça do seguinte: este é apenas um dos modelos de dissertação que iremos apresentar. É, no entanto, o mais geral e pode ser usado para desenvolver qualquer tema dissertativo. 21 Tempos de hoje O mundo moderno caminha atualmente para a sua própria destruição. Tem havido inúmeros conflitos internacionais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico e, além disso, permanece o perigo de uma catástrofe nuclear. Não podemos esquecer que, nessas últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos inúmeros conflitos internacionais que se sucedem. É inegável que muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos na América Central que, envolvendo as grandes potências internacionais, poderiam conduzir-nos a um confronto de proporções incalculáveis. Pode-se afirmar que outra ameaça constante é o desequilíbrio ecológico, provocado pela ambição desmedida de alguns que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. É inegável que tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em um local inabitável. Além disso, enfrentamos sério perigo relativo à utilização da energia atômica. Quer pelos acidentes que já ocorreram e podem acontecer novamente nas usinas nucleares, quer por um eventual confronto em uma guerra mundial, dificilmente poderíamos sobreviver diante do poder avassalador desses sofisticados armamentos. Por todas essas idéias apresentadas, concluímos que somos levados a acreditar na possibilidade de estarmos a caminho do nosso próprio extermínio. É desejo de todos nós que algo possa ser feito para conter essas diversas forças destrutivas para podermos sobreviver às adversidades e construir um mundo que, por ser pacífico, será mais facilmente habitado pelas futuras gerações. Texto adaptado de: GRANATIC, Branca – Técnicas Básicas de Redação. São Paulo, Scipione, 1988. Exercícios: 1. Faça agora um exercício para que você possa perceber se compreendeu bem o modelo da dissertação. Agora você verá uma outra composição que foi escrita com base nesse esquema. Leia cuidadosamente e aponte o que for solicitado: 22 a) marque, nos cinco parágrafos, quais são os da introdução, desenvolvimento e conclusão; b) leia o primeiro parágrafo e sublinhe o tema; separe com parênteses os argumentos 1, 2 e 3; c) assinale em que parágrafo está o desenvolvimento do argumento 1; d) aponte o parágrafo em que está desenvolvido o argumento 2; e) localize o parágrafo no qual se encontra o desenvolvimento do argumento 3; f) no último parágrafo, sublinhe com um traço a expressão inicial; com dois traços, o trecho onde se encontra a reafirmação do tema; e, por fim, coloque entre parênteses a observação final. A qualidade de vida na cidade e no campo É de conhecimento geral que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em alguns aspectos, superior a da zona urbana, porque no campo inexiste a agitação das grandes metrópoles, há maiores possibilidades de se obter alimentos adequados para consumo e, além do mais, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer relações humanas mais profundas e duradouras. Ninguém desconhece que o ritmo de trabalho de uma metrópole é intenso. O espírito de concorrência, a busca para obter uma melhor colocação profissional, enfim, a conquista de novos espaços lança o habitante urbano em meio a um turbilhão de constantes solicitações. Esse ritmo excessivamente intenso torna a vida bastante agitada, ao contrário do que se poderia dizer sobre os moradores da zona rural. Nas áreas campestres há maior quantidade de alimentos saudáveis. Em contrapartida, o homem da cidade costuma receber gêneros alimentícios colhidos antes do tempo de maturação, para garantir maior durabilidade durante o período de transporte e comercialização. Ainda convém lembrar a maneira como as pessoas se relacionam nas zonas rurais. Ela difere da convivência habitual estabelecida pelos habitantes metropolitanos. Os moradores das grandes cidades, pelos fatores já expostos, de pouco tempo dispõem para alimentar relações humanas mais profundas. 23 Por isso tudo,entendemos que a zona rural propicia a seus habitantes maiores possibilidades de viver com tranqüilidade. Só nos resta esperar que as dificuldades que afligem os habitantes metropolitanos não venham a se agravar com o passar do tempo. 2. Vamos fazer um exercício de composição. Você irá construir, parágrafo por parágrafo, uma dissertação completa. Nesta primeira redação, nós lhe forneceremos não só o tema, como também os três argumentos. Depois, em uma próxima composição, daremos apenas o tema e você irá compor seus argumentos. O tema e os argumentos são os seguintes: Tema: “Os habitantes da cidade de São Paulo passam diariamente por algumas dificuldades.” 1. O trânsito está cada vez mais congestionado. 2. Assaltos ocorrem a todo instante. 3. Os índices de poluição estão chegando a níveis altíssimos. Temas polêmicos Tema polêmico é aquele que costuma dividir as opiniões de tal modo que dificilmente conseguimos chegar a um posicionamento capaz de satisfazer a grande maioria das pessoas. Veja alguns exemplos de temas polêmicos. Tema 1: “Cogita-se, com muita freqüência, sobre a implantação da pena de morte no Brasil.” Tema 2: “Muito se tem discutido, recentemente, acerca da legalização do aborto.” Tema 3: “Deveríamos permitir que jovens maiores de dezesseis anos pudessem conseguir a carteira de habilitação, mediante a permissão dos pais.” 24 Tema 4: “O controle da natalidade é de fundamental importância nos países subdesenvolvidos.” Tema 5: “Muito se debate sobre a modernização da agricultura pelo aumento dos processos de mecanização.” Tema 6: “Há opiniões divergentes quando as autoridades discutem a eliminação das favelas existentes em vários pontos das grandes metrópoles” Argumentos favoráveis e contrários Ao lermos qualquer um dos temas propostos acima, percebemos imediatamente que as opiniões se dividem no exame dessas proposições. No que se refere ao tema 1, muitos encontrariam argumentos favoráveis à implantação da pena de morte no Brasil, da mesma forma que inúmeros outros poderiam posicionar-se contrariamente à mesma idéia. A princípio, não é importante que você concorde ou não com a implantação da pena de morte. Deve, de modo imparcial, tentar observar quais os argumentos favoráveis a essa medida, apresentados por aqueles que compartilham dessa idéia. Você também poderá verificar as idéias das pessoas contrárias a ela. Dessa maneira, teria uma visão global do problema, analisando os aspectos favoráveis e os aspectos contrários da questão. Veja agora o esquema de dissertação no 2, que será em seguida utilizado para, através dele, elaborarmos uma dissertação sobre o tema 1. 25 Esquema de dissertação no 2 Título 1o parágrafo Apresentação do Tema Introdução 2o parágrafo Análise dos aspectos favoráveis 3o parágrafo Análise dos aspectos contrários Desenvolvimento 4o parágrafo Expressão inicial + posicionamento pessoal em relação ao tema + observação final Conclusão A pena de morte Cogita-se, com muita freqüência, sobre a implantação da pena de morte no Brasil. Muitos aspectos devem ser analisados na abordagem dessa questão. Os defensores da pena de morte argumentam que ela intimidaria os assassinos perigosos, impedindo-os de cometer crimes monstruosos, dos quais freqüentemente temos notícia. Além do mais aliviaria, em certa medida, a superlotação dos presídios. Isso sem contar que certos criminosos, considerados irrecuperáveis, deveriam pagar com a morte por seus crimes bárbaros. Outros, porém, não conseguem admitir a idéia de um ser humano tirar a vida de um semelhante, por mais terrível que tenha sido o delito cometido. Há registros históricos de pessoas executadas injustamente, pois as provas de sua inocência evidenciaram-se após o cumprimento da sentença. Por outro lado, a vigência da pena de morte não é capaz de, por si, desencorajar a prática de crimes: estes não deixaram de ocorrer nos países em que ela é ou foi implantada. Por todos esses aspectos, percebemos o quanto é difícil nos posicionarmos categoricamente contra ou a favor da implantação da pena de morte no Brasil. Enquanto esse problema é motivo de debates, só nos resta esperar que a lei consiga atingir os infratores com justiça e eficiência, independentemente de sua situação sócio- econômica. Isso se faz necessário para defender os direitos de cada cidadão brasileiro das mais diversas formas de agressão das quais é hoje vítima constante. 26 Palavras relacionais comumente usadas em dissertações Desenvolvimento Para analisar o problema: • É preciso lembrar que... • Observa-se também que... • Analisemos o fato de... • Pode-se afirmar que... Para exprimir o que é certo • É evidente que... • É inegável que... • É certo que... • É um fato que... Para insistir no problema • Não podemos esquecer que... • Lembramos também que... • Além do mais... Para fazer oposição • Por outro lado... • Em contrapartida... • Entretanto... • Porém... • Contudo... Essas palavras poderão ser usadas no início de cada parágrafo e no início das Idéias Secundárias. 27 Para fazer a conclusão • Em virtude do que foi mencionado, conclui-se que... • Por todas estas idéias apresentadas, conclui-se que... • Tendo em vista os aspectos observados, conclui-se que... • Em vista dos argumentos apresentados. Conclui-se que... • Pode-se concluir que... • Dessa forma... • Portanto... • Por isso... • Em síntese... • Nesse sentido... 28 29 Relatório Relatório é a exposição feita a partir de um fato, acontecimento ou fenômeno, devendo o autor apresentar soluções para um “problema”. Existem três tipos de relatório: 1. Relatório de estudo ou de pesquisa a. Relatório técnico b. Relatório de experiência c. Relatório de estágio 2. Relatório de ocorrências a. Relatório de manutenção b. Relatório de acidentes 3. Relatório de atividade a. Relatório de visitas b. Relatório de viagem c. Relatório de trabalho d. Relatório de produção O relatório deve ter as seguintes partes: 1. Capa Título do trabalho, nome do autor e data. 2. Sumário Contendo títulos e subtítulos das partes com o número da página. 3. Introdução Deve conter: a. Objetivo – Sobre o que se escreverá no relatório. b. Finalidade – Para que será feito o relatório. 30 4. Desenvolvimento Compõe-se de três partes: a. Método – Descrever como aconteceu o evento (o acidente, a experiência, a visita, etc.). É uma descrição de processo em ordem lógica e cronológica. Exemplo de início. “O método adotado consistiu em...” b. Resultado – O que se apurou, os resultados imediatos (do acidente, da experiência, da visita, etc.) Exemplo de início: “Apurou-se que...” c. Discussão – Analisar o porquê do resultado – argumentar. Exemplo de início: “Analisando o que foi observado, pode-se afirmar que...” ou “Analisando-se o resultado, pode-se chegar a...” 5. Conclusão Deve responder a finalidade. Exemplo de início: “Conclui-se, após a análise que...“ ou “Por todos os motivos citados, conclui-se que...” ou “Conclui-se assim que...” 6. Agradecimentos (Opcional) Quando houver colaboração de pessoas, patrocínio ou subvenção. 7. Bibliografia Se houver pesquisa em livros, revistas, enciclopédias, etc. é necessário mencionar. 8. Apêndices ou anexos Podem ser usados como forma de se apresentar gráficos, mapas, desenhos, etc. Devem aparecer no final do relatório, em folha separada e, se necessário, com paginação própria. Observações: Deve-se: 1. No final, depois da bibliografia,colocar o/s nome/s e assinatura/s do/s autor/es bem como a data do término. 2. Ser impessoal nas informações, isto é, usar verbo na terceira pessoa seguido do “se”. 3. Ser objetivo. 4. Usar vocabulário técnico e linguagem padrão. 5. Fornecer informações exatas. 6. Usar palavras relacionais com clareza. 7. Ilustrar, quando necessário, com gráficos, mapas, desenhos e tabela. A seguir, serão apresentados alguns exemplos de relatórios: relatório de acidente, relatório de experiência, relatório de visita e relatório de estágio. 31 RELATÓRIO DE ACIDENTE ACIDENTE NA OFICINA DE TORNEARIA Carlos dos Santos Cravecello 17/10/2003 32 Sumário Introdução 02 Desenvolvimento 02 • Método 02 • Resultado 02 • Discussão 03 Conclusão 03 33 Introdução O objetivo deste trabalho é relatar um acidente ocorrido na Oficina de Tornearia da Escola SENAI “Santos Dumont” e a sua finalidade é detectar possíveis falhas nas normas de prevenção de acidentes Desenvolvimento Método O acidente ocorreu em 16/10/2003, às 14 horas e 10 minutos com um aprendiz do Curso de Ensino Profissional Básico, ocupação Mecânico de Usinagem, durante trabalho realizado em um Torno Nardine C.N.R. Ao iniciar a operação de facear superfície, o material – aço ABNT 1010/1020 – foi preso na placa de três castanhas. A seguir, afixou-se o suporte e a ferramenta de vídea no castelo (suporte para ferramentas). Feito isso, apertaram-se os parafusos do castelo na ferramenta, utilizando-se uma chave própria. No entanto, esta chave deslocou-se, fazendo com que uma das mãos do aluno fosse de encontro à vídea, ocasionando ferimento na mão esquerda. Resultado Apurou-se que o aprendiz feriu-se gravemente com um corte profundo na mão esquerda entre os dedos polegar e indicador. Necessitou ser encaminhado a um Pronto Socorro onde foi imediatamente atendido para que se pudesse fazer a sutura no corte. 02 34 Discussão Analisando-se o resultado, pôde-se chegar a três possíveis causas para o Acidente: o aprendiz machucou-se por pura desatenção; por um desgaste na cabeça do parafuso ou por falta de melhor divulgação da normas de segurança. Conclusão Conclui-se, após a análise do ocorrido, que o acidente deu-se devido ao desgaste na cabeça do parafuso que se encontrava no castelo (suporte para ferramentas). O responsável pela segurança deveria ter detectado esse fato e, imediatamente, ter procedido a substituição do referido parafuso. Carlos dos Santos Cravecello São Paulo, 26 de outubro de 2003. 03 35 Sumário Introdução ..........................................................................................01 Desenvolvimento................................................................................01 A - Materiais utilizados .......................................................................01 B - Equipamentos...............................................................................01 C - Método de execução ....................................................................01 D - Resultado .....................................................................................02 E - Discussão .....................................................................................02 Conclusão ..........................................................................................03 Agradecimentos .................................................................................03 36 Em seguida despejou-se, 1l de cola de madeira branca e 5l de água dentro do balde. Misturou-se o conteúdo até o líquido tornar-se homogêneo. Feito isso, iniciou-se o preparo da argamassa, com a adição pouco a pouco, do conteúdo líquido do balde ao conteúdo sólido da masseira, que estava sendo mexido, de forma constante, com a colher de pedreiro. Observou- se que a adição do conteúdo líquido ao conteúdo sólido acontece até que este adquira a consistência pastosa desejada (ponto). A aplicação da argamassa pelo método do chapisco rolado: A aplicação da argamassa, pelo método do chapisco rolado, em alvenaria de vedação, com bloco cerâmico, iniciou-se com a imersão do rolo de pintura na masseira, misturando-se de forma uniforme e total à argamassa. Retirou-se o rolo de pintura da masseira e passou-se a rolá-lo na alvenaria de vedação de bloco cerâmico, até criar uma camada de recebimento, com 1mm médio de espessura. Repetiu-se o processo tantas vezes quantas foram necessárias até recobrir toda área que havia sido estipulada. É recomendável que aguarde-se, por um período de 48 horas, após ao término da aplicação do método, para o início da aplicação do emboço. D - Resultados: Verificou-se que, o método rolado de aplicação do chapisco, correspondeu ao esperado, aderindo de forma consistente à alvenaria, cumprindo de forma eficaz sua função como elo de ligação entre a alvenaria e o emboço. E - Discussão: Analisando-se os resultados obtidos, observou-se que a nova técnica comparada aos métodos convencionais de aplicação de chapisco é; - Mais limpa, pois elimina os excessos de massa arremessadas, que sempre caem ao solo, sendo reaproveitados muitas vezes de forma contaminada, 02 37 - Elimina o desperdício pois o material, quando arremessado em excesso, contamina-se em contato com o solo. - Tem um ganho considerável de produtividade, pois o funcionário consegue cobrir uma área muito maior em um mesmo espaço de tempo, - É mais fácil e confortável de se trabalhar, o funcionário não precisa abaixar e levantar, coloca-se um cabo ao rolo de pintura, facilitando-se o acesso à masseira. Elimina-se ainda o deslocamento de andaimes e outros serviços secundários, necessários com a aplicação convencional de chapisco, com colher de pedreiro CONCLUSÃO A partir do exposto, conclui-se que a utilização da nova técnica de aplicação de argamassa, pelo método do chapisco rolado, é eficaz. Cumpre plenamente sua função, que é ser um elo de ligação, entre a alvenaria e o emboço. Além disso, apurou-se a praticidade em sua aplicação, eliminou-se o desperdício de material que normalmente ocorre em métodos convencionais, sem nos esquecermos do ganho de produtividade e limpeza na aplicação da nova técnica. AGRADECIMENTO Agradecemos à Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, em especial ao seu professor, Sr. Goulart, que nos orientou, viabilizando assim a execução do teste aqui relatado. Francisco de Assis Conceição Sílvio Fernandes Duarte 28/05/2003 03 38 RELATÓRIO DE VISITA Visita à Concessionária de Veículos SINAL – Fiat S/A Unidade Mooca – SP José Carlos do Nascimento 25/11/2003 39 SUMÁRIO INTRODUÇÃO DESENVOLVIMENTO - Método - Descrição dos setores - Resultado - Discussão CONCLUSÃO AGRADECIMENTOS 40 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo relatar a visita realizada à SINAL – Concessionária de Veículos Fiat S/A A finalidade do mesmo é registrar informações sobre a qualidade do produto a respeito dos setores de Informática e de Revisão DESENVOLVIMENTOMétodo A visita ocorreu no dia 21/11/2003, das 10h e 30min às l5h. O Sr. Geraldo Emílio de Sousa, gerente de vendas, foi o responsável pela recepção e acompanhamento do visitante. Primeiramente, fez-se uma visita geral pelas dependências da concessionária. Em seguida, o setor de Informática. Neste setor, são efetuados programas para computador. Visam a melhorar o ambiente dos computadores existentes em todos os setores numa sala com ar condicionado. Ao ser detectado um computador com defeito, anota-se, em formulário próprio, o número de série do equipamento, todas as suas características, funções e defeitos, detalhadamente. Esses dados são arquivados em computador com segurança, mostrando assim organização. Efetuada a operação, preenche-se uma outra folha semelhante a um relatório onde constam todos os reparos feitos no computador. Feito isso, arquiva-se a folha. Portanto, o equipamento terá seus programas revalidados, constatando-se, assim, que nenhum detalhe foi perdido. Setor de Revisão Neste setor, efetua-se a revisão de carros. Após o conserto de um carro, o mesmo passa por um rigoroso processo de revisão. Este local é limpo, bem arejado e com boa iluminação. Quando detectado algum tipo de defeito, retorna-se o veículo para o setor anterior. Lá ele é novamente consertado e só passado adiante quando o defeito for totalmente sanado. 41 Cabe registrar ainda que todos os veículos que entram e saem são automaticamente registrados em computador. Isso ocorre porque é necessário saber a hora em que ele chega a fim de ser cumprida a data e o horário de entrega. Após a visita detalhada nestes dois setores, encerrou-se a mesma. Resultado Observou-se que ambos os setores apresentam as mesmas características e estão com um ótimo nível de qualidade. Além disso, dá-se muita importância ao cliente. Revisa-se e conserta-se o veículo com boa organização, experiência e pontualidade. Discussão Analisando-se os setores de informática e revisão, pôde-se afirmar que a preocupação com a qualidade é constante, uma vez que a empresa possui ISSO 9000, 9002 e 9009. Como se isso não bastasse, grandes projetos são desenvolvidos a fim de atender cada vez melhor o cliente. Não se corre o risco de um veículo sair da loja e retornar em seguida com problemas. CONCLUSÃO Em vista do que foi observado, conclui-se que a visita realizada mostrou que a Concessionária SINAL possui vários procedimentos, visando à qualidade do serviço e conseqüentemente, obtém altos índices de satisfação de clientes, principalmente nestes dois setores: Informática e Revisão. AGRADECIMENTOS Agradecemos à Concessionária SINAL pela oportunidade de agregar conhecimentos e um agradecimento especial ao Sr.Geraldo Emílio de Sousa que nos acompanhou todo o tempo da visita e, pacientemente, nos deu as explicações solicitadas. José Carlos do Nascimento 42 03 43 RELATÓRIO DE ESTÁGIO Empresa SEMCO Processos – Divisão de Equipamentos Industriais Ltda Calos Alberto de Araújo 02/09/2003 44 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .............................................................................02 2. DESENVOLVIMENTO .................................................................02 2.1 - Método .............................................................................02 2.2 - Resultado .........................................................................04 2.3 - Discussão.........................................................................05 3. CONCLUSÃO ..............................................................................06 4. AGRADECIMENTOS...................................................................06 45 1. INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho é descrever o estágio realizado na empresa SEMCO Processos – Divisão de Equipamentos Industriais Ltda. A finalidade do relatório é avaliar o período do estágio. OBS: Antes de iniciar o desenvolvimento, pode-se incluir um pequeno histórico da empresa (quando foi fundada, como foi iniciada, o que fabricava, o que fabrica, principais clientes, organograma, etc.). 2. DESENVOLVIMENTO 2.1 Método O estágio foi realizado no período de 23/02/2003 a 25/06/2003, na Empresa SEMCO Processos – Equipamentos Industrias Ltda., situada na Rua Dom Aguirre, 438 – Parque Industrial Taquaral em Santo Amaro – São Paulo. O funcionário responsável por este estágio foi o Sr. Nilton José de Morais. Nesta unidade da SEMCO ocorre a montagem dos equipamentos. Este estágio foi feito no setor de recebimento de materiais e controle de almoxarifado. Este trabalho consistiu em receber, conferir, identificar e organizar os materiais recebidos (motores, redutores, elementos de fixação, componentes pneumáticos e hidráulicos e várias peças fabricadas), separar os materiais contidos no estoque para a montagem dos equipamentos e solicitar os materiais que estejam acabando e que são de uso indispensável (materiais de consumo ou peças de uso contínuo). 46 Cada equipamento vendido recebe um código denominado CP (confirmação de pedido). Com isso, todas as peças e componentes comprados para determinado equipamento têm sua identificação definida. Ao dar entrada no setor de recebimento, cada peça e componente chega acompanhada de uma nota fiscal onde estão contidos o número do pedido de compra (emitido pelo departamento de compras e duas vias, uma delas fica com o pessoal de compras e a outra com o responsável pelo recebimento). Nesse pedido estão especificados para qual CP aquele material está destinado. Depois do recebimento e da conferência, identifica-se esse material com uma marcação à tinta (em embalagens de madeira) ou etiqueta (em peças), determinando para qual CP ele será enviado. Na fábrica existe um setor destinado para armazenar motores, redutores e outros, com 24 caixas para o armazenamento dos materiais. Após a montagem e liberação do equipamento, as caixas são limpas e destinadas para a armazenagem de outros equipamentos. Elas são identificadas com fichas que contêm o nome do cliente, número de CP, tipo do equipamento e data prevista para a sua entrega. Identificam-se as peças que por algum motivo não foram usadas na montagem do equipamento e armazenadas no estoque. Todo final de ano, a empresa realiza um inventário para analisar e fazer uma recontagem de todos os itens contidos no estoque. Todos os dados obtidos no inventário são lançados no sistema integrado que a empresa possui. Esse sistema integrado faz com que ocorra uma ligação entre o departamento contábil com as unidades. No caso da unidade DBMAQ, além de ter essa função, realiza um controle de estoque, pedidos de compras, códigos de produtos, relatórios e outras informações importantes. Quando um equipamento é vendido, a engenharia responsável pelo projeto elabora uma estrutura do equipamento (peças e componentes) que é inserida no sistema. Em seguida, o departamento de compras retira um relatório de estrutura de cada equipamento onde está indicado quais peças deverão ser compradas e quais estão no estoque. Feito isso, passa-se esta lista para o responsável pelo almoxarifado a fim de que ele possa separá-las, identificá-las e colocá-las na caixa determinada para o equipamento. Algumas peças também são separadas para o departamento de assistência técnica que, do mesmo modo, envia listaPg. 03 47 com as peças a serem separadas, identificadas e embaladas para que o cliente possa retirá-las. No ato do recebimento ou após, analisam-se e inspecionam-se as peças que não tenham sido inspecionadas pelo setor de controle de qualidade a fim de constatar alguma irregularidade. Em caso positivo, envia-se a peça novamente para o fornecedor para que ele tome as devidas providências. As notas fiscais junto com os pedidos de compras são lançados no sistema integrado da empresa pelo responsável pelo almoxarifado e, depois, passadas para o setor de contabilidade que controla todos os dados de custos das unidades. O despacho dos equipamentos é realizado pelo responsável pelo recebimento e almoxarifado. Estes são acondicionados em embalagens de madeira as quais são identificadas por uma ficha com o logotipo da empresa onde consta o nome do cliente, endereço completo, número de CP e número da nota fiscal. Quando os equipamentos são carregados, os responsáveis pela retirada assinam a minuta de despacho ou o canhoto da nota fiscal da SEMCO e, só depois, os equipamentos são liberados. Esses canhotos/minutas são passados para a pessoa responsável pelo contrato com a empresa que efetuou a retirada (contratos e serviços). Quando cada equipamento é embalado, tiram-se as dimensões de cada embalagem e anotam-se as condições em que o equipamento está sendo acondicionado e transportado. Logo após, elabora-se um relatório denominado “romaneio” onde estão contidos, de modo detalhado, como o equipamento está sendo despachado (quanto equipamento contém cada embalagem, quais peças e como estavam sendo transportadas, quais partes estão montadas ou desmontadas e o peso das embalagens). Tudo isso para obter-se o controle interno da empresa a fim de que se saiba como o equipamento foi embarcado e evitar problemas futuros entre o cliente e a empresa. Envia-se uma cópia desse relatório para o cliente para que ele possa conferir a embalagem no ato do recebimento. 2.2 Resultado Apurou-se que, algumas vezes, devido ao fato de haver poucos funcionários para muitas funções e prazos de faturamento/entrega dos equipamentos vencidos, ocorreram problemas quanto ao erro de projeto e falha na montagem dos equipamentos. Pág.04 48 Quanto ao erro de projeto – quando um desenho é mandado para o fornecedor fabricar a peça e, por algum motivo, esse desenho tem algum detalhe errado e não revisado pela engenharia - a peça será fabricada com falha, resultando num retrabalho, uma vez que será fabricada novamente. Esses erros ocorrem devido à desigualdade de distribuição do serviço aos projetistas, gerando um acúmulo de projetos para alguns, de forma que estes enviem, sem perceberem, alguns desenhos para o cliente e fornecedor com pequenas falhas. Quanto à montagem dos equipamentos – Muitas vezes, devido ao faturamento e pressão do cliente, são feitas muitas horas extras (em finais de semana e feriados) para se cumprir os prazos. Isso faz com que os funcionários, pelo cansaço físico e mental, deixem algum detalhe da montagem passar desapercebido, ocasionando, além do retrabalho, a presença de montadores nas empresas a fim de solucionarem o problema. Apurou-se também que, no decorrer do estágio, foi indispensável o conhecimento sobre desenho técnico, uma vez que a empresa executa projetos e montagens. Dessa forma, lida-se diretamente com eles (os desenhos), seja para conferir um material (analisando suas dimensões) ou para executar a montagem de um equipamento. O conhecimento sobre os tipos de instrumentos (aferição e medição) foi imprescindível já que, para inspecionar alguma peça, é indispensável o uso desses instrumentos de medição. 2.3 Discussão Analisando-se o resultado, verificou-se que é necessário que a engenharia reduza um pouco a pressão sobre os projetistas e faça uma distribuição uniforme do trabalho, fazendo com que a sobrecarga de serviço seja minimizada de forma que os erros se tornem cada vez mais raros. Quanto à montagem, a correria só pode atrapalhar, tornando os erros mais freqüentes. Portanto, a pressão sobre os montadores para que o equipamento saia o mais rápido possível é antiproducente. Seria mais coerente que os montadores tivessem um prazo maior para essa execução a fim de que a qualidade fosse preservada. De um modo geral, o tempo que se dispunha para a realização do serviço não era muito, uma vez que o setor de recebimento era bastante movimentado. As peças chegavam a todo instante. Além isso, cuidava-se dos materiais do estoque e despachavam-se os equipamentos e peças. Pág.05 49 Sempre que havia tempo, tentava-se ajudar na montagem e em outros setores onde a necessidade era maior. Apesar de alguma dificuldade, o serviço era executado. Todas as informações necessárias eram dadas pelo grupo com detalhes a fim de que pudesse ser feito um trabalho bem feito. 3. CONCLUSÃO Em vista do que foi apresentado, conclui-se que o estágio foi muito interessante e enriquecedor, pois como primeiro emprego, muito se aprendeu como, por exemplo: o que é trabalhar dentro de uma empresa; ter a responsabilidade de fazer o trabalho bem-feito, ser organizado e trabalhar sobre pressão. O interessante também na SEMCO é a maneira como a empresa trata seus funcionários, respeitando as opiniões de cada um, incentivando-os a serem pessoas criativas e independentes. Se ocorrer algum problema todos são convocados e a situação é exposta. Os funcionários devem analisá-la e podem dar seu parecer, ajudando nas decisões. Os funcionários gostaram tanto do trabalho executado pelo estagiário que darão oportunidade a ele de trabalhar no setor de controle da qualidade. Espera-se que, com os conhecimentos adquiridos, essa nova função seja desempenhada com competência. 4. AGRADECIMENTOS Agradecemos a todos que colaboraram para que este estágio se concretizasse, especialmente o Sr. Nilton José de Morais pelo apoio diário, pela sabedoria gentilmente dividida e pela interação do grupo verificada diariamente. São Paulo, 22 de setembro de 2003. Carlos Alberto de Araújo. Pág. 06 50 51 Estrutura-padrão Requerimento É uma solicitação, isto é, um pedido que se faz por escrito a uma autoridade. Certamente, você vai usá-lo muitas vezes para pedir documentos ou permissões nas escolas ou nas repartições pública. Por isso, é importante que aprenda a escrevê-lo. Para começar, leia com atenção o modelo que segue. 52 lmo. Sr. Diretor da Escola de 1º e 2º graus “Prof. Evanildo Machado” Eduardo Jonas Ferreira, RG 5.579.147, filho de Odenir Ferreira e de Margarida Maria Ferreira, residente à Rua Machado Pinhal, 42, nesta capital, tendo completado seus estudos de 1º grau, vem respeitosamente solicitar sua matrícula na 1ª série do 2º grau, neste estabelecimento, apresentando para isso os documentos necessários. Nestes termos, Pede deferimento. São Paulo, 25 de janeiro de 2003 Eduardo J. Ferreira 53 Veja um outro modelo de requerimento, no qual se faz um pedido a uma autoridade pública: Ilmo. Sr. Administrador da Regional de Santana Prefeitura Municipal de São Paulo Roberto de Sá Mesquita, RG 3.399.456, filho de Antônio de Sá Mesquita e de Joseli Magalhães Mesquita, munícipe residente e domiciliado em São Paulo, a Rua Pontins, 230, Alto de Santana, vem, mui respeitosamente, solicitar a poda de três árvores situadas em frente aos números 226, 230 e 238 da supracitada rua.A solicitação se deve ao fato de os galhos das referidas árvores terem alcançado a fiação elétrica. Nestes termos, pede deferimento. São Paulo, 10 de fevereiro de 2003 Roberto S. Mesquita 54 Agora vamos enumerar os aspectos que devem ser considerados na redação de um requerimento. Observe-os nos modelos. • O requerimento deve ser redigido em papel sulfite A4 ou almaço, folha dupla. • É preciso observar, além das margens (à esquerda e à direita) e dos parágrafos, um espaço de 7 a 10 linhas entre o vocativo do início e a parte principal do requerimento. • A expressão “nestes termos, pede deferimento” é sempre usada no fecho e deve ser seguida pela data e pela assinatura. • Para escrever o fecho (a conclusão) do requerimento, deve-se usar o lado direito da folha. • O requerimento é sempre escrito em 3ª pessoa. Observe nos modelos: vem solicitar, sua matrícula, pede deferimento. Portanto, nunca se deverá usar “venho, minha, ou peço”. • O requerente, isto é, a pessoa que faz o requerimento, deve colocar ao lado do seu nome todos os dados que possam interessar à autoridade a quem é feito o pedido. Exercícios: 1 - Para realizar este exercício, você deve imaginar que terminou o curso e quer matricular-se na 1ª série do 2º grau, em outro estabelecimento de ensino. Escreva um requerimento ao Diretor de sua Escola, pedindo-lhe que providencie a expedição dos documentos necessários a essa matrícula. 2- Escreva um requerimento ao Diretor, pedindo-lhe permissão para apresentar um espetáculo qualquer na Escola. 55 Memorando O memorando é uma modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão. Trata-se de comunicação eminentemente interna. Sua característica principal é a agilidade. O memorando deve ser claro, conciso e com precisão de linguagem. Não deve, também, tratar de mais de um assunto. É usado para comunicar transferências de colaboradores, Solicitar licenças, Mudança do período de férias, demissões, contratações, respostas a solicitações, etc. Exemplo de memorando Memorando número 214/2003 Em 27 de novembro de 2003. Ao Sr. Gerente do Departamento Financeiro. Assunto: Compra de equipamento Solicito que seja providenciada, com urgência, a compra de uma Plaina Limadora ZOCCA – 450 para o setor três. Esta solicitação deve-se ao fato de ter aumentado a demanda e para que os prazos de entrega dos serviços sejam cumpridos. Atenciosamente. 56 Nome e Cargo do signatário ORDEM DE SERVIÇO Ordem de serviço é um tipo de comunicação usada internamente nas empresas. Parte de um superior para o seu subordinado, ordenando ou autorizando a execução de um serviço. Seu objetivo é garantir a clareza da ordem e documentar as exigências e prazos. A seguir, veja um modelo de Ordem de Serviço. ORDEM DE SERVIÇO No. 325/2003 De: Engenheiro Para: mestre-de-obras Solicito que seja iniciado o serviço de assentamento de pisos e azulejos no pavimento cinco – Bloco A. O prazo para a realização desse serviço é de sete dias a contar desta data. São Paulo, 28 de novembro de 2003. ___________________________________ Engenheiro Sergio Gonçalves Ciente: 57 _____________________________________ Osmar de Oliveira ORÇAMENTO Orçamento é o cálculo do custo para a realização de um trabalho. Nele devem conter sempre que possível: 01. Diagnóstico de falas ou de defeitos: apresentar todos os defeitos encontrados. 02. Memorial Descritivo: O que será feito e como será feito o serviço. É importante especificar as fases detalhadas do trabalho. 03. Relação de materiais: anotar, claramente, todos os materiais necessários ao serviço. 04. Tempo de execução: Especificar as datas de início e término do serviço e respeitar esse prazo. 05. Custos: Levar em consideração: a. Materiais empregados; b. Equipamentos utilizados; c. Valor da hora de trabalho; d. Tempo de execução; e. Número de pessoas envolvidas; f. Porcentagem de lucro; g. Preço total. 06. Forma de pagamento: Especificar, claramente, se o pagamento será parcelado e em quantas vezes com as datas de vencimento ou se será à vista. 07. Garantia: Não obrigatória 08. Data e assinatura: do profissional e do cliente. OBS: O orçamento deverá ser feito, no mínimo, em duas vias (profissional e cliente). 58 EXEMPLO DE UM ORÇAMENTO Reforma de um motor elétrico de indução trifásico – 5cv 01. Diagnóstico de falhas ou de defeitos . Pintura velha e com falhas . Rolamentos danificados .Bobinado queimado 02. Memorial descritivo . Remoção da tinta velha, masseamento, lixamento e repintura com duas demãos de tinta; .Substituir os dois rolamentos danificados; . Rebobinar o motor 03. Relação de materiais Pintura . 1kg de massa para nivelamento da superfície; . 2 folhas de lixa para ferro, grão 80; . ¼ de galão de esmalte sintético, Coralit, azul céu; . ¼ de galão de tiner Rolamentos e Bobinados . 2 rolamentos de esfera número 6205Z; . 5 kg de fio magnético esmaltado número 18 AWG, Coral Super; . 0,5 kg de papelão isolante, 0,2mm de espessura com filme de poliéster; . 6m de cabinho flexível singelo, 2,5mm; . 10m de espaguetti tubular envernizado, 0,3mm 04. Tempo de execução . Início em 28/11/2003 – Término em 17/12/2003. 05. Custos . Materiais - R$ 120,00 . Mão de obra - R$ 180,00 . TOTAL: R$ 300,00 06. Forma de pagamento O pagamento será efetuado em duas vezes de R$ 150,00 (Cento e Cinqüenta Reais) com vencimento em 28/11/2003 e 28/12/2003. São Paulo, 25 de novembro de 2003. _________________________ _____________________________ Profissional – Nome e RG Cliente – nome e RG 59 CURRICULUM VITAE ... é a principal “arma” do candidato. Disputar uma vaga no mercado de trabalho é travar uma luta acirrada. As grandes empresas recebem diariamente mais de 100 curriculuns, em média. Para se sobressair entre tantos, é preciso impressionar. Um curriculum sintético e bem apresentado sempre ajuda. Sugestões para a elaboração de um curriculum . Colocar nome, endereço, telefone, e-mail, estado civil, idade e nacionalidade no alto da folha. . Formação escolar (anotar somente o último nível concluído) . Outros cursos de especialização; . Experiência profissional (colocar as datas de entrada e saída das empresas) . Não deve conter erros gramaticais, ortográficos ou de digitação. . Deve ser graficamente atraente. O que não deve conter no curriculum . Número de documentos . Motivos pelos quais deixou os empregos anteriores . Raça, religião, filiação, etc DIOGENES QUERUBIM MEDEIROS DADOS PESSOAIS 60 Rua Nova Orleans, 514 (011) 2345.6789 Santana – Zona Norte (011) 9999.0101 São Paulo – SP – CEP: 02409-002 querubim@bol.com.br (disponibilidade para mudar de residência) 25 anos (solteiro, sem filhos). OBJETIV: PSICÓLOGO/ EDUCADOR . FORMAÇÃO ACADÊMICA - Psicologia – CRP 99/99999-9 Universidade Mackenzie - Técnico em Magistério Colégio Mackenzie . CURSOS E PALESTRAS - Organizacional e Sistemas de RH – SENAI-SP (40 horas) - Filosofia (membro da Sociedade Paul Tillich do Brasil – UMESP) - Psicopedagogia PUC-SP – especialização EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL . ESCOLA SENAI “Roberto Simonsen” – nov/01 a jul/02 Cargo: Orientador EducacionalAcompanhei grupos em sistema de Telecurso, orientando sobre técnicas e métodos de aprendizagem e memorização. Elaborei simulados e realizei orientação vocacional. Ministrei palestras sobre Qualidade de Vida. . PREFEITURAS de Campinas e São Caetano do Sul – 2001 a 2003 Cargo: Selecionador de Pessoal Eventualmente, presto serviço a prefeituras, realizando seleção de pessoal, elaborando e aplicando entrevistas e dinâmicas de grupo. 61 . AMOSP (Consultoria em RH) – abr/99 a dez/00 Cargo: Psicólogo Treinee Seleção de pessoal, diagnóstico organizacional, avaliação de desempenho e treinamento de pessoal. . GRUPO PÃO DE AÇÚCAR Cargo: Orientador Educacional – Projeto “Educapão” No setor de Desenvolvimento de RH, coordenei a implantação de grupo de estudo autodidático, fazendo uso de técnicas de dinâmicas de grupo, exposições orais e outras atividades. Supervisionei e motivei funcionários da empresa no curso de ensino fundamental e médio. . INFORMAÇÕES ADICIONAIS - Voluntário na creche AMAS (Zona Norte de SP) – orientação a pais (96 a 97); - Orientação psicopedagógica a escolas públicas; - Membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Paulistas; - Esportista de treeking e off-road; - Músico (MPB) intérprete, compositor e professor 62 CARTA COMERCIAL As cartas comerciais são usadas para vários fins: fazer pedido (carta de solicitação) e informar (carta de informação) Componentes de uma carta comercial: - Timbre da empresa; - Iniciais do departamento, número da carta e dois algarismos finais do ano; - Local e data; - Destinatário; - Referência: resumo da carta; - Saudação; - Texto da carta; - Fechamento; - Assinatura; - Iniciais do redator e do digitador. 63 Exemplo DC/11-03 São Paulo, 28 de novembro de 2003. Ilmo. Sr. João Cachoeira Ref. Alteração de telefone e endereço Prezado senhor Comunicamos a V. Sa. Que, a partir do dia 15/12/2003, estaremos atendendo em nosso novo endereço e telefone: Avenida Jardim Paulista, 1003 – 4o. andar Centro – São Paulo – SP CEP: 08745-056 Telefone: (011) 8765.4356 Aproveitamos a oportunidade para nos desculparmos por eventuais transtornos que possam ocorrer nos dois ou três dias da mudança e colocamo-nos à inteira disposição no que se fizer necessário. Atenciosamente, CARLOS ROBERTO LIMA SANTIAGO Gerente de Relações Comerciais. AGR/MS 64 CARTA DE APRESENTAÇÃO 65 Bibliografia GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. 8 ed. São Paulo, Scipione. SENAI-SP-DMD. Verbo: Modo Subjuntivo. São Paulo, 1984. SARGENTIM, Hermínio. Redação no Ensino Médio. São Paulo IBEP