Logo Passei Direto
Buscar

Acórdão ceratocone Concurso Bombeiro

Acórdão (Agravo de Instrumento) do TJAL sobre impugnação de eliminação em concurso do Corpo de Bombeiros por ceratocone. Relator Des. Paulo Barros; relata pedido de tutela antecipada negado, discussão sobre laudos particulares, subitem 9.15, alínea k, e necessidade de perícia médica.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
1
A5
Agravo de Instrumento n.º 0803105-52.2022.8.02.0000
Anulação e Correção de Provas / Questões
1ª Câmara Cível
Relator:Des. Paulo Barros da Silva Lima
Agravante : Wilson Hernane Lima da Silva. 
Advogado : Flávio Andre Alves Britto (OAB: 21661/PB). 
Agravado : Estado de Alagoas. 
Procurador : Samya Suruagy do Amaral (OAB: 166303/SP). 
Agravado : Cebraspe - Centro Brasileiro de Pesquisa Em Avaliação e Seleç e de 
Promoçâo de Eventos. 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE TUTELA 
ANTECIPADA RECURSAL. DIREITO CONSTITUCIONAL E 
ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO REALIZADO 
PELO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE 
ALAGOAS, SOB O EDITAL N.º 1/2021. CARGO DE SOLDADO 
BOMBEIRO MILITAR. IMPUGNAÇÃO DA FASE DE AVA-
LIAÇÃO MÉDICA DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE FÍSICA E 
MENTAL. ELIMINAÇÃO POR INAPTIDÃO DE SAÚDE, EM 
VIRTUDE DA CONSTATADA CERATOCONE. DECISÃO 
RECORRIDA QUE INDEFERIU O PEDIDO DE TUTELA 
PROVISÓRIA. INCIDÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA LEGALI-
DADE, DA ISONOMIA E DA VINCULAÇÃO AO INSTRU-
MENTO CONVOCATÓRIO. PATOLOGIA EXPRESSAMENTE 
FIXADA NO SUBITEM 9.15, INCISO III, ALÍNEA "K", DO E-
DITAL DE ABERTURA. CANDIDATO PORTADOR DE DO-
ENÇA CONSIDERADA INCAPACITANTE PARA O IN-
GRESSO NO CARGO PÚBLICO. RELATÓRIO MÉDICO 
PARTICULAR E UNILATERAL QUE NÃO SE CONSTITUI 
COMO PROVA SUFICIENTE PARA ELIDIR A PRESUNÇÃO 
DE LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. NECES-
SIDADE DE SUBMISSÃO DA PRETENSÃO AO CRIVO DO 
CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA, PROPICIANDO A 
ESCORREITA DILAÇÃO PROBATÓRIA, COM A REALIZA-
ÇÃO DA PERÍCIA MÉDICA JUDICIAL JÁ REQUERIDA. 
AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 300 DO CPC/2015. 
DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PRO-
VIDO. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. UNANIMIDADE.
Vistos, relatados e discutidos estes autos do Agravo de Instrumento sob o n.º 
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
2
A5
0803105-52.2022.8.02.0000 à epígrafe, ACORDAM os Desembargadores integrantes da 1ª 
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, na conformidade da certidão da 
ata de julgamento, por unanimidade de votos, em CONHECER do recurso; e, no mérito, 
NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
Maceió/AL, 15 de dezembro de 2022.
Des. Paulo Barros da Silva Lima
Relator
Agravo de Instrumento n.º 0803105-52.2022.8.02.0000
Anulação e Correção de Provas / Questões
1ª Câmara Cível
Relator:Des. Paulo Barros da Silva Lima
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
3
A5
Agravante : Wilson Hernane Lima da Silva. 
Advogado : Flávio Andre Alves Britto (OAB: 21661/PB). 
Agravado : Estado de Alagoas. 
Procurador : Samya Suruagy do Amaral (OAB: 166303/SP). 
Agravado : Cebraspe - Centro Brasileiro de Pesquisa Em Avaliação e Seleç e de 
Promoçâo de Eventos. 
RELATÓRIO
Trata-se de Agravo de Instrumento, com pedido de tutela antecipada recursal, inter-
posto por Wilson Hernane Lima da Silva contra decisão de págs. 153/155, originária do Juízo 
de Direito da 17ª Vara Cível da Capital - Fazenda Pública Estadual -, proferida nos autos da 
Ação de procedimento comum, sob o n.º 0713041-90.2022.8.02.0001, que indeferiu o pedido 
de tutela provisória pretendida.
Ao interpor o recurso - págs. 1/22 - o Agravante alega, em síntese, que prestou con-
curso público para provimento do cargo de soldado bombeiro militar do Estado de Alagoas, 
tendo sido convocado para apresentar dos exames médicos na fase de avaliação médica das 
condições de saúde física e mental, foi considerado inapto, sendo eliminado.
Relata que "a causa de sua eliminação se deu com base no laudo oftalmológico da 
Topografia de Córnea, pois apresentou ceratocone, concluindo a banca que seria condição clí-
nica incapacitante descrita na alínea III, letra K, do subitem 9.15 do edital" (sic, pág. 3).
Sustenta que "a junta médica sequer requisitou exames complementares ou laudos de 
especialistas [...], mas a patologia não o impossibilita de exercer as funções do cargo público, 
visto que está em nível inicial/leve, conforme impressão diagnóstica indicada nos três laudos 
emitidos por médicos assistentes particulares e laudo fisioterapêutico" (sic, pág. 4).
Por fim, o Agravante requer a antecipação da tutela recursal; e, pari passu, o provi-
mento do recurso, a fim de que possa prosseguir nas demais etapas do concurso, ainda que da 
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
4
A5
forma sub judice. Alternativamente, requer que se proceda com a reserva da vaga.
Nas contrarrazões - págs. 178/188 - o Estado de Alagoas defende a legalidade da atu-
ação administrativa, porquanto constatada a condição incapacitante prevista objetivamente no 
edital, o que permite a reprovação do candidato por não preencher requisito básico para in-
gresso no cargo público. Entende que a continuidade do recorrente no concurso fere o princí-
pio constitucional da isonomia. Requer, ao fim, o improvimento da impugnação.
Adiante, embora devidamente intimado, o Cesbraspe deixou transcorrer in albis o 
prazo para apresentar contrarrazões, conforme certidões de pág. 189.
A Douta Procuradoria Geral de Justiça, ao intervir no feito - págs. 192/195 -, opi-
nou pelo conhecimento e não provimento do recurso.
É o relatório.
VOTO
De início, impende enfatizar que, sob a ótica do sistema recursal, o agravo de instru-
mento é a impugnação apta, legítima e capaz de enfrentar as decisões interlocutórias que 
versam sobre tutela provisória, a teor do preceituado no art. 1015, inciso I, do CPC/2015:
Art. 1015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias 
que versarem sobre:
I - tutelas provisórias;
Tratando-se de decisão interlocutória exarada nos autos da Ação de procedimento co-
mum, sob o n.º 0713041-90.2022.8.02.0001, que indeferiu o pedido de tutela provisória re-
questado pelo Autor, aqui Agravante, cabível e adequado é o agravo de instrumento.
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
5
A5
Com efeito, a presença desse e dos demais pressupostos de admissibilidade da via re-
cursal - no que diz com interesse, legitimidade, cabimento, inexistência de fato impeditivo ou 
extintivo do poder de recorrer, tempestividade, regularidade formal e preparo -, autoriza esta 
instância ad quem a conhecer do recurso.
O cerne da impugnação recursal tem a ver com a análise de legalidade da reprovação 
da parte Agravante na fase de avaliação médica das condições de saúde física e mental, no 
concurso público realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Alagoas 
(CBM/AL), para o provimento de vagas no cargo soldado bombeiro militar, sob o Edital n.º 1, 
de 7 de maio de 2021.
Na trilha desse desiderato, impõe-se examinar os requisitos que legitimam a concessão 
da tutela provisória requestada, na forma prevista no art. 300 do CPC/2015:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que 
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao re-
sultado útil do processo.
Oportunas às lições de Fredier Didier Jr. acerca do fumus boni iuris:
A probabilidade do direito a ser provisoriamente satisfeito/realizado ou a-
cautelado é a plausibilidade de existência desse mesmo direito. O bem co-
nhecido fumus boni iuris (ou fumaça do bom direito). [...]
Inicialmente, é necessária a verossimilhança fática, com a constatação de 
que há um considerável grau de plausibilidade em torno da narrativa dos 
fatos trazida pelo autor. É preciso que se visualize, nessa narrativa, uma 
verdade provável sobre os fatos, independentemente de produção de prova.1
Mais adiante, sobre o periculum in mora, esclarece:
A tutela provisória de urgência pressupõe, também, a existência de elemen-
tos que evidenciem o perigo que a demora no oferecimento da prestação ju-
risdicional (periculum in mora) representa para efetividade da jurisdição e a 
eficaz realizaçãodo direito. [...]
Importante registrar que o que justifica a tutela provisória de urgência é a-
quele perigo de dano: i) concreto (certo), e, não, hipotético ou eventual, de-
1 DIDIER JR. Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Vol. II. 11ª ed. Salvador: JusPodivm, 2016, p. 608.
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
6
A5
corrente de mero temor subjetivo da parte; ii) atual, que está na iminência de 
ocorrer, ou esteja acontecendo; e, enfim, iii) grave, que seja de grande ou 
média intensidade e tenha aptidão para prejudicar ou impedir a fruição do 
direito.2
Portanto, em sede de cognição sumária, o deferimento da tutela provisória pressupõe, 
necessariamente, a presença simultânea dos requisitos do fumus boni iuris e do periculum in 
mora; e, ainda, a reversibilidade da eficácia do provimento judicial - CPC/2015, art. 300, § 3º -
. Aliás, essa é a lição de Fredie Didier Jr.:
Já que a tutela é concedida com base em cognição sumária, em juízo de ve-
rossimilhança - sendo possível de revogação ou modificação -, é prudente 
que seus efeitos sejam reversíveis. Afinal, caso ela não seja confirmada ao 
final do processo, o ideal é que se retorne ao status quo ante, sem prejuízo 
para a parte adversária.3
 
No tocante a controvérsia, registra-se que o Agravante se submeteu a concurso público 
para o cargo de soldado bombeiro militar, instaurado pela CBM/AL, através do Edital n.º 1, 
de 7.5.2021, sendo aprovado na prova objetiva e no teste de aptidão física, porém considerado 
inapto na avaliação médica das condições de saúde física e mental, terceira etapa do certame.
Impende recordar que o edital é ato normativo editado pela Administração Pública 
para disciplinar o processamento do certame, assim, encontra-se subordinado à lei e vincula, 
em observância recíproca, Administração e candidatos, que dele não podem se afastar, a não 
ser nas previsões que conflitem com regras e os princípios constitucionais administrativos.
Na esteira dessa vertente, leciona José dos Santos Carvalho Filho:
A vinculação ao instrumento convocatório é garantia do administrador 
e dos administrados. Significa que as regras traçadas para o procedi-
mento devem ser fielmente observadas por todos. Se a regra fixada não é 
respeitada, o procedimento se torna inválido e suscetível de correção na via 
administrativa ou judicial. O princípio da vinculação tem extrema impor-
tância. Por ele, evita-se a alteração de critérios de julgamento, além de 
dar a certeza aos interessados do que pretende a Administração. E se e-
2 Idem. Ibidem, p. 609.
3 Idem. Ibidem, p. 613.
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
7
A5
vita, finalmente, qualquer brecha que provoque violação à moralidade ad-
ministrativa, à impessoalidade e à probidade administrativa.4 (grifos adita-
dos)
Na hipótese, o edital é nítido ao dispor acerca dos critérios da fase de avaliação médica 
das condições de saúde física e mental, além de incumbir a banca organizadora de designar 
junta médica para análise da aptidão ou inaptidão dos candidatos. Vejamos:
9 DA AVALIAÇÃO MÉDICA DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE FÍSICA 
E MENTAL
[...] 
9.2 A avaliação médica das condições de saúde física e mental terá caráter 
eliminatório e o candidato será considerado apto ou inapto. 
9.3 A avaliação médica das condições de saúde física e mental objetiva a-
ferir se o candidato goza de plenas condições de saúde física e mental 
para suportar os exercícios a que será submetido durante o Curso de 
Formação do Corpo de Bombeiros e para desempenhar as tarefas típi-
cas da categoria funcional.
9.4 A avaliação médica das condições de saúde física e mental estará sob a 
responsabilidade de junta médica designada pelo Cebraspe. 
9.5 A avaliação médica das condições de saúde física e mental compreen-
derá, além de avaliação clínica (consulta médica) realizada por junta 
médica designada pelo Cebraspe, a apresentação de exames laboratori-
ais e complementares e de laudos médicos decorrentes de avaliações 
médicas especializadas, cuja relação consta do subitem 9.14 deste edital, 
bem como a aferição de altura, a fim de constatar o disposto na alínea “d” 
do subitem 3.1 deste edital.
9.5.1 Serão aceitos exames laboratoriais e complementares e de laudos mé-
dicos decorrentes de avaliações médicas especializadas realizados, no má-
ximo, nos 180 dias anteriores à data de entrega dos exames.
[...]
9.11 A junta médica, após a análise da avaliação médica das condições de 
saúde física e mental, dos laudos médicos decorrentes de avaliações médi-
cas especializadas e dos exames laboratoriais e complementares dos candi-
datos, emitirá parecer conclusivo da aptidão ou inaptidão de cada um. 
9.12 A junta médica poderá solicitar a entrega de exames e avaliações espe-
cializadas faltantes, que tenham sido enviados com algum tipo de erro, de 
vício ou de forma incompleta.
9.12.1 A junta médica poderá solicitar para fins de elucidação diagnós-
tica, o envio de outros exames laboratoriais, complementares e de rela-
tórios de consultas médicas especializadas além dos previstos no subitem 
4 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 35ª ed. São Paulo: Atlas, 2021, p. 
246.
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
8
A5
9.14 deste edital.
9.12.2 Na fase de recurso, desde que solicitados pela junta médica, serão a-
ceitos laudos/relatórios de consultas médicas especializadas e exames labo-
ratoriais previstos no subitem 9.14 deste edital e exames laboratoriais com-
plementares aos previstos no referido subitem. 
9.13 Será eliminado do concurso público o candidato considerado inap-
to na avaliação médica das condições de saúde física e mental.
A eliminação do candidato, aqui Agravante, tem por fundamento a norma editalícia do 
subitem 9.15, inciso III, alínea "k", a saber, condição de saúde que incapacita o candidato 
no ingresso do cargo público, verbis:
9.15 São condições clínicas, sinais ou sintomas que incapacitam o candidato 
no concurso público, bem como para a posse no cargo:
[...]
III - olhos e visão:
[...]
k) ceratocone;
Registra-se que o instrumento convocatório, em seu subitem 9.14, inciso VII, exigia 
que o candidato apresentasse os seguintes exames para avaliação oftalmológica:
8.14 Deverão ser enviados pelos candidatos os seguintes exames médicos 
(todos com laudos conclusivos) e avaliações médicas especializadas:
[...]
VII - oftalmológicos: laudo descritivo e conclusivo de consulta médica rea-
lizada por especialista (oftalmologista) que deve adicionar e obrigatoria-
mente citar os seguintes aspectos (e resultados de exames médicos):
a) acuidade visual sem correção;
b) acuidade visual com correção;
c) tonometria; 
d) biomicroscopia; 
e) fundoscopia; 
f) motricidade ocular; 
g) senso cromático (teste completo de Ishihara – 24 pranchas);
h) campimetria computadorizada, com registros gráficos e com laudo des-
critivo e conclusivo;
i) retinografia, com imagens em alta resolução, e com laudo descritivo e 
conclusivo;
j) topografia de córnea, imagens em alta resolução, e com laudo descritivo e 
conclusivo;
Evidenciado que o candidato, ao tempo da avaliação médica das condições de saúde 
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
9
A5
física e mental, apresentava ectasia corneana em olho direito, compatível com ceratocone, a 
junta médica do concurso público concluiu pela sua inaptidão, nos termos que segue:
De acordo com o Edital nº 1 - CBMAL, de 7 de maio de 2021, a Junta Mé-
dica Revisora informa que o candidato foi considerado inapto, pois foi ve-
rificada a presença de ectasia corneana em olho direito, compatível com 
ceratocone. A Junta Médica informa que tal condição é considerada doença 
incapacitante prevista na alínea III, letra (K) do subitem 9.15 do Edital n.º 1 
- CBMAL, de 7 de maio de 2021: "III - olhos e visão: (...) k) ceratocone". A 
Junta Médica informaque essa condição é: a) incompatível com o cargo 
pretendido; b) potencializada com as atividades a serem desenvolvidas; 
c) capaz de gerar atos inseguros que venham a colocar em risco a segu-
rança do candidato ou de outras pessoas e d) potencialmente incapaci-
tante a curto prazo. (grifos aditados, pág. 136 da ação)
Convém elucidar que o candidato apresentou exames complementares, entretanto, 
restou mantida sua inaptidão e eliminação do concurso público.
Na demanda originária, o Agravante colacionou laudo e relatório oftalmológicos ela-
borados por médicos particulares, os quais concluíram, respectivamente, que: (i) "paciente 
apto a exercer atividades com correção óptica" (sic, pág. 134); e, (ii) "astigmatismo + cerato-
cone em ambos os olhos com visão corrigida em 100% com lentes" (sic, pág. 135). Em resu-
mo, atestaram que o grau leve da patologia, não gera prejuízo a saúde candidato, ou ao exer-
cício de atividades laborais.
Sem embargo, o instrumento convocatório é bastante claro, não deixando margens a 
interpretações diversas, ao estabelecer que a ceratocone constitui condição clínica que inca-
pacita e elimina o candidato no concurso público. 
Põe-se em relevo que é lídima a estipulação pela Administração Pública de situações 
que, a seu critério, possam obstar a plenitude do desempenho laboral, já que detém todas as 
condições administrativas e gerenciais para saber e definir como deve se dar o trabalho. E, 
também, parece lógico que a força de trabalho deva ser plena, isto é, suficiente para o desem-
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
10
A5
penho adequado e efetivo das funções do cargo de soldado bombeiro militar.
Oportuno sublinhar que o ato administrativo impugnado - eliminação do concurso pú-
blico - tem presunção juris tantum de legalidade, de legitimidade e de veracidade, tendo por 
certo que os pilares da Administração Pública estão alicerçados nos princípios da legalidade e 
da supremacia do interesse público. 
Sendo assim, não cabe à Administração Pública o ônus de provar a legalidade, a legi-
timidade e a efetividade de seus atos. Diferentemente, é do interesse e da alçada do adminis-
trado o encargo de trazer em Juízo a prova em contrário, ou seja, que os atos da Administra-
ção são ilegais, ilegítimos e desprovidos de eficácia. 
Dentro desses contornos, os mencionados relatórios médicos particulares, produzidos 
unilateralmente pelo Agravante, não possuem força probante suficiente para elidir a legitimi-
dade do ato administrativo, que concluiu por sua inaptidão, diante da verificada ceratocone, 
mesmo em grau leve.
Em verdade, observa-se que, a Junta Médica apenas deu cumprimento as regras do 
instrumento convocatório. De toda forma, entendo que, o conflito de interesses apresenta ma-
téria de natureza complexa, exigindo a escorreita dilação probatória, com a realização de perí-
cia judicial, a qual, inclusive, foi requerida pelo Autor/Agravante (pág. 20), com a anuência 
do Ministério Público de Primeiro Grau (pág. 237/238).
Por outras palavras, somente a prova robusta em contrário, consubstanciada em perícia 
médica judicial, tem força de identificar a possível ilegalidade/irrazoabilidade da cláusula e-
ditalícia, e, consequentemente, o erro da Junta Médica Administrativa.
Demais disso, inexistindo ilegalidade nas regras editalícias, insofismável se faz por em 
primazia o princípio da vinculação do edital. Além disso, a reprovação de um candidato em 
etapa exigida a todos os demais, com sua consequente exclusão do concurso público, consagra 
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
11
A5
o princípio constitucional da isonomia.
Em resumo, na ausência de prova documental/pericial suficiente, é necessário subme-
ter da pretensão aos crivos do contraditório e do devido processo legal, no intento de propiciar 
o pronunciamento da parte contrária e a dilação probatória, enquanto indispensáveis à inci-
dência do princípio da segurança jurídica, no âmbito do julgamento do pedido autoral.
A fim de eliminar quaisquer dúvidas, seguem precedentes desta Corte de Justiça A-
lagoana, que guardam identidade com a questão em julgamento, verbis:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO ADMINISTRATIVO E 
CONSTITUCIONAL. CONCURSO PÚBLICO MUNICIPAL. APRO-
VAÇÃO DO CANDIDATO DENTRO DO NÚMERO DE VAGAS. PA-
RECER MULTIPROFISSIONAL ATESTANDO IMPOSSIBILIDADE 
DO AUTOR ASSUMIR O CARGO. AUTOR QUE POSSUI PATO-
LOGIA. NECESSIDADE DE INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. AUSÊN-
CIA DE PROBABILIDADE DO DIREITO. RECURSO CONHECIDO E 
NÃO PROVIDO. (TJAL - Agravo de Instrumento n.º 
0805179-16.2021.8.02.0000; Relator: Des. Domingos de Araújo Lima Neto; 
Comarca: Foro de Santana do Ipanema; Órgão julgador: 3ª Câmara Cível; 
Data do julgamento: 02/06/2022; Data de registro: 08/06/2022)
APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO 
CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO 
REALIZADO PELA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE ALAGOAS, 
REGIDO PELO EDITAL SOB O N.º 1/2017. CARGO DE SOLDADO 
COMBATENTE. IMPUGNAÇÃO DA FASE DE AVALIAÇÃO MÉDICA 
DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE FÍSICA E MENTAL. ELIMINAÇÃO POR 
INAPTIDÃO DE SAÚDE, EM VIRTUDE DA CONSTATADA ESCOLI-
OSE COM ÂNGULO COBB MAIOR QUE 10º. SENTENÇA QUE CON-
CEDEU A SEGURANÇA. - PRELIMINARES DE (1) INTEMPESTIVI-
DADE DO RECURSO; E, (2) NECESSIDADE DE FORMAÇÃO DE LI-
TISCONSORTE PASSIVO NECESSÁRIO. REJEITADAS. - MÉRITO 
RECURSAL. INCIDÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, 
DA ISONOMIA E DA VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CON-
VOCATÓRIO. PATOLOGIA EXPRESSAMENTE FIXADA NO SU-
BITEM "7.15", INCISO X.2, ALÍNEA "E", DO EDITAL DE ABER-
TURA. CANDIDATO PORTADOR DE DOENÇA CONSIDERADA 
INCAPACITANTE PARA O INGRESSO NO CARGO PÚBLICO. 
RELATÓRIO MÉDICO PARTICULAR E UNILATERAL QUE NÃO 
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Gabinete do Des. Paulo Barros da Silva Lima
12
A5
SE CONSTITUI COMO PROVA, TAMPOUCO ATENDE O DIS-
POSTO NO EDITAL. PRECEDENTES DESTA CORTE DE JUSTIÇA. 
IMPOSSIBILIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA, EM RAZÃO DA 
NATUREZA DA AÇÃO. AUSÊNCIA DO ALEGADO DIREITO LÍ-
QUIDO E CERTO. SENTENÇA REFORMADA. DENEGAÇÃO DA 
SEGURANÇA. [...] RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJAL - A-
pelação Cível n.º 0704962-64.2018.8.02.0001; Relator: Des. Paulo Barros 
da Silva Lima; Comarca: Foro de Maceió; Órgão julgador: 1ª Câmara Cível; 
Data do julgamento: 11/07/2022; Data de registro: 22/07/2022)
De arremate, em análise perfunctória do caso, a luz do art. 300 do CPC/2015, entendo 
ausentes os requisitos que autorizam a concessão da tutela provisória de urgência, o que im-
põe a manutenção da decisão interlocutória hostilizada.
Pelas razões expostas, VOTO no sentido de CONHECER do recurso; e, no mérito, 
NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Maceió/AL, 15 de dezembro de 2022.
Des. Paulo Barros da Silva Lima
 Relator
		2022-12-16T18:26:53-0300
	Not specified

Mais conteúdos dessa disciplina