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RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA Prof.a Rafaela dos Santos Costa RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS Marília/SP 2023 “A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma ação integrada de suas atividades educacionais, visando à geração, sistematização e disseminação do conhecimento, para formar profissionais empreendedores que promovam a transformação e o desenvolvimento social, econômico e cultural da comunidade em que está inserida. Missão da Faculdade Católica Paulista Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo. www.uca.edu.br Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5 SUMÁRIO CAPÍTULO 01 CAPÍTULO 02 CAPÍTULO 03 CAPÍTULO 04 CAPÍTULO 05 CAPÍTULO 06 CAPÍTULO 07 CAPÍTULO 08 CAPÍTULO 09 CAPÍTULO 10 CAPÍTULO 11 CAPÍTULO 12 CAPÍTULO 13 8 18 29 39 49 59 70 81 92 102 113 123 134 CONCEITOS E E DEFINIÇÕES BIOMAS BRASILEIROS COMPARTIMENTOS AMBIENTAIS INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS E TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS UTILIZADAS NO BRASIL SOLOS DEGRADADOS MANEJO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS- FINALIZADO ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS EM RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS O MONITORAMENTO AMBIENTAL E A GESTÃO AMBIENTAL COMO ALIADOS NA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS E EIA/RIMA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6 SUMÁRIO CAPÍTULO 14 CAPÍTULO 15 143 153 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO CONTEXTO DA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS ESTUDOS DE CASO E DESAFIOS FUTUROS DA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADAS RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7 INTRODUÇÃO No contexto atual, marcado por mudanças climáticas, crescente poluição ambiental, expansão da urbanização e intensificação dos processos industriais, surge de maneira imperativa a necessidade de abordar a recuperação de áreas degradadas como uma abordagem multidisciplinar para enfrentar os desafios do binômio e sociedade. Ao longo desse livro, você será conduzido a explorar interseções com diversas disciplinas, descobrindo conceitos fundamentais relacionados à recuperação de áreas degradadas. O objetivo central desta obra é proporcionar uma compreensão abrangente dos pilares essenciais, métodos avançados e técnicas inovadoras utilizados na restauraçãoe/ou conservação de ambientes danificados, ao mesmo tempo estimulando um crescente interesse e engajamento nessa área tão essencial. Este livro não apenas busca elucidar conceitos teóricos, mas também se empenha em enriquecer a compreensão do leitor por meio de exemplos contemporâneos e materiais suplementares. Transcendendo diferentes áreas, desde o desenvolvimento de Planos de Recuperação de Áreas Degradadas até a vital importância da Educação Ambiental e do engajamento social, a obra almeja integrar esses elementos de maneira sinérgica. A expectativa é que, ao concluir a leitura, você tenha adquirido uma visão mais holística do ambiente e de suas diversas facetas, através de uma base sólida para abordagens abrangentes na preservação e restauração ambiental, visando a conservação da biodiversidade e a promoção da sustentabilidade. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8 CAPÍTULO 1 CONCEITOS E E DEFINIÇÕES 1.1 Meio ambiente Antes de adentramos nas técnicas e manejo de recuperação de áreas degradas e compreender ainda mais sobre essa área precisamos conhecer alguns conceitos para prosseguirmos na disciplina. Primeiramente, a definição de meio ambiente é essencial. Nesse sentido, o conceito de meio ambiente segundo a Política Nacional do Meio Ambiente, “é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981). Sabemos de toda a importância do meio ambiente para a manutenção de todas as formas de vida no planeta. No entanto, o crescimento populacional, atividades industriais, queimadas, geração de resíduos, desmatamento, uso contínuo e exacerbado de diferentes compostos químicos tem favorecido a poluição do meio ambiente, afetando a biodiversidade, a qualidade dos recursos naturais, bem como a saúde humana (UKAOGO et al. 2020) Os impactos no ambiente são inúmeros que alguns pesquisadores denominaram a atual época geológica de Antropoceno. O Antropoceno é marcado pelos impactos dos seres humanos sobre o planeta e alguns autores associam a Revolução Industrial como o início do Antropoceno (ARTAXO et al. 2014). Essa era geológica é marcada pelas causas e consequências de atividades antrópicas como crescimento populacional, liberação de poluentes tóxicos para a atmosfera, desmatamento, produção agrícola e industrial, entre outros (CRUTZEN, 2000). O Antropoceno pode trazer inúmeros efeitos no planeta, dentre eles, as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, alterações dos ciclos biogeoquímicos, impactos na saúde humana, dentre outros (ARTAXO et al. 2014; GIATTI; MAKSUD, 2023). Uma revisão desenvolvida por Quadra e colaboradores (2019), elencou os principais fatores que vem contruibindo para a poluição hídrica. Os autores citaram que a eutrofização, a poluição provenites de produtos químicos, como metais, produtos farmacêuticos RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9 e de higene pessoal, pesticidas, compostos orgânicos e os compostos orgânicas persistentes como os principais desafios para a garantir a qualidade da água. Também foi reportado no artigo científico os problemas dos efeitos combinados, ou seja, das misturas das substâncias supracitadas para a os organismos aquáticos. ANOTE ISSO Conforme descrito previamente, na natureza as substâncias químicas podem se misturas e apresentar implicações distintas sobre os organismos. Nas Ciências ambientais, o termo poluição por misturas, tem sido cada vez mais utilizado por pesquisadores que estudam os efeitos de diferentes compostos químicos sobre a biota. Cabe salientar que, três tipos de efeitos são evidenciados nessas misturas. O sinergismo, por exemplo, evidencia que duas ou substâncias juntas tem mais implicações do que os efeitos individuais de cada composto. O contrário também pode acontecer, o sinergismo, nesse caso demostra que a união de duas ou mais compostos causa menos impacto do que cada componente daquela mistura. E ainda pode ser observado o que chamamos de efeito aditivo, isso ocorre quando o efeito de cada substância é similar as implicações do seu efeito isolado (ALTENBURGER et al. 2009; HEYS et al. 2016). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo realizado por Shi et al. 2020 demonstraram que a mistura do fármaco sertralina e de miscroplásticos podem afetar a resposta imune do molusco denominado Tegillarca granosa. O que representa um risco para os organismos marinhos. 1.3. Conceitos ambientais Quando se trata de meio ambiente, alguns conceitos e definições são relevantes nas áreas ambientais e na ecologia, e esses conceitos serão descritos nesse tópico. O primeiro é o de biodiversidade, que será muito explorado ao longo desse livro. Biodiversidade ou diversidade biológia faz referência a variabilidade da fauna e da flora que são verificados em distintos ambientes (STEIN,metais, RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52 hidrocarbonetos, etc. E ainda é possível ter a poluição biológica das águas, através da ocorrência de bactérias, vírus e vermes (PIMENTEL, 2015). A avaliação da qualidade hídrica pode fornecer informações da qualidade da água, demonstrando como está as concentrações de parâmetros químicos, físicos e microbiológicos. Valores excessivos de diferentes poluentes podem server como indicadores de degradação ambiental. Vale reforçar que as mudanças da qualidade hídrica geram prejuízos não só para o meio natural, mas também influencia nas atividades socioeconômicos, pois, aumenta por exemplo, os custos relacionados a saúde e também para a aquisição de uma fonte hídrica livre de poluente, além de refletir em serviços ecossistêmicos de abastecimento (PIMENTEL, 2015). Segundo Pimentel (2015), para se ter um panorama básico da qualidade hídrica é importante a medicação das seguintes variáveis ambientais: temperatura (T); Oxigênio Dissolvido (OD); Potencial Hidrogeniônico (pH); Turbidez (Tu); Dureza (Du); Condutividade e Salinidade, que serão descritas de forma mais detalhada a seguir. As variações de temperatura fazem parte do padrão climático comum, e corpos de água naturais exibem flutuações sazonais e diárias, juntamente com a estratificação vertical. A temperatura na superfície é afetada por diversos fatores, incluindo latitude, altitude, estação do ano, hora do dia, fluxo da água e profundidade (CETESB, 2014). Destaca-se que os organismos aquáticos apresentam uma relação com essa variável física, eles têm uma certa tolerância associada ao crescimento, além de influenciar no período de desova e incubação de ovos (CETESB, 2014). O Oxigênio Dissolvido (OD) é um fator essencial para sustentar a vida aquática e os processos de autodepuração em ecossistemas aquáticos naturais, bem como em instalações de tratamento de águas residuais. Durante o processo de decomposição da matéria orgânica, as bactérias utilizam o oxigênio em seus processos respiratórios, o que pode levar a uma diminuição na concentração de oxigênio no ambiente (CETESB, 2023). A ausência de OD na água é relacionada a mortalidade de animais, já que são poucos os que sobrevivem com concentrações dessa variável química abaixo de 1mg/L. Destaca-se que a detecção de OD é usada como um indicativo da presença de efluentes nos sistemas e na capacidade de manutenção da vida aquática (CETESB, 2014; PIMENTEL, 2015). O pH é uma medida que varia numa escala de 0 a 14 (Figura 2), onde cada número representa uma alteração de dez vezes na escala. Ele é utilizado para quantificar o RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53 nível de acidez ou alcalinidade de uma solução aquosa. Valores baixos indicam uma solução ácida, como o ácido de bateria com pH entre 1 e 2, enquanto valores mais elevados sugerem uma solução alcalina, como o sangue humano com pH entre 7 e 8. Uma leitura neutra, com pH=7, indica que o número de íons de hidrogênio (H+) está equilibrado com o número de íons hidroxila (OH-), resultando em um ambiente neutro (PIMENTEL, 2015). Figura 2: Escala de pH Fonte: Elaborado por Rafaela Costa Essa variável química exerce uma influência direta sobre os ecossistemas aquáticos naturais devido aos seus impactos na fisiologia das diferentes espécies. Além disso, o seu efeito indireto é igualmente significativo, já que, em certas condições de pH, pode contribuir para a precipitação de substâncias químicas tóxicas, como metais pesados, enquanto em outras condições pode afetar a solubilidade de nutrientes (CETESB, 2014). A turbidez de uma amostra de água é a medida da diminuição da intensidade de luz à medida que ela passa através da amostra. Essa redução de intensidade ocorre devido à absorção e dispersão da luz, uma vez que as partículas que causam a turbidez nas águas são maiores do que o comprimento de onda da luz branca. Isso acontece devido à presença de sólidos em suspensão, que podem incluir partículas inorgânicas, como areia, silte e argila, além de detritos orgânicos, como algas, bactérias, plâncton e outros componentes (CETESB, 2014). Os efluentes domésticos (Figura 3) e industriais, bem como o desmatamento e os processos erosivos têm favorecido o aumento da turbidez em corpos hídricos (CETESB, 2014; PIMENTEL, 2015). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54 Figura 3: Lançamento de esgoto doméstico sem tratamento no ambiente, uma das fontes que contribuí para o aumento da turbidez da água Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/2545017248/4b69bb1d2c/ A dureza está relacionada às concentrações de sais minerais e outros elementos dissolvidos na água, como cálcio, magnésio e ferro. A dureza não é considerada uma substância contaminante, mas sim uma propriedade da água que pode variar consideravelmente em diferentes regiões ao redor do mundo.As águas subterrâneas, em grande parte devido ao processo de percolação da água no solo, costumam apresentar maior dureza do que as águas superficiais (PIMENTEL, 2015). A condutividade é uma representação numérica da habilidade de uma amostra de água para conduzir eletricidade. Ela é influenciada pelas concentrações iônicas na água e pela temperatura, sendo um indicativo da presença de sais dissolvidos na coluna d’água. Dessa forma, a condutividade oferece uma avaliação indireta da concentração de poluentes na água (CETESB, 2014). Já a salinidade, é a medida da concentração de sais presentes em corpos de água. Ela representa a proporção entre a quantidade total de sólidos dissolvidos em termos de massa e a massa da água que atua como o solvente. A salinidade acaba condicionando as demais propriedades físico-químicas da água, além disso influência no tipo de organismos presentes em um ambiente bem como na flora do local e em qual categoriza de uso a água será destinada para as atividades humanas. https://visualhunt.com/f7/photo/2545017248/4b69bb1d2c/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55 ANOTE ISSO A Resolução CONAMA 357/2005 dispõe sobre a classificação das águas e suas respectivas destinações referentes a atividades humanas e para a conservação ambiental. Vale salientar ainda que além dos parâmetros descritos previamente, Pimentel (2015) sugere que para uma análise mais completa da qualidade hídrica, sejam analisados compostos químicos orgânicos e inorgânicos, nutrientes, especialmente os que estão envolvidos em processos de eutrofização como o nitrogênio e o fósforo, além de microrganismos e os fármacos. No caso dos resíduos farmacêuticos em matrizes ambientais, vale frisar que não existem legislações brasileiras que estabeleçam valores máximos permitidos para essas substâncias. Os fármacos podem chegar no ambiente por diferentes formas, uma delas está associada a ausência de tecnologias de remoção em estações de tratamento de esgoto para a eliminação de produtos farmacêuticos (QUADRA et al. 2017). Como consequência, Pimentel (2015) reforça que essas substâncias estão chegando em diferentes matrizes ambientais e podem trazer danos ecológicos e para a saúde pública, como o aumento da resistência de microrganismos a antibióticos (Figura 4). Figura 4: Esquema para demonstrar a resistência microbiana a antibióticos Fonte: Elaborado por Rafaela Costa RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 56 Ainda no contexto de qualidade hídrica, destaca-se a importância da utilização de índices. O uso de índices ou indicadores de qualidade da água consistem em uma classificação numérica que demonstra o estado dos recursos hídricos (PIMENTEL, 2015). Além disso, facilitam a compreensão para o público leigo e na tomada de decisão (PIMENTEL, 2015). Um dos índices muitoutilizados para tal finalidade é o Índice de Qualidade da água (IQA). O IQA foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1970 pela “National Sanitation Foundation” e posteriormente, foi adptado no Brasil pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB). O IQA envolve a avalição de nove parâmetros, com diferentes pesos, sendo eles: Oxigênio Dissolvido, Coliformes Fecais, Potencial Hidrogeniônico, Demanda Bioquímica de Oxigênio, Nitrato Total, Fosfato Total, Turbidez, Sólidos Totais e Temperatura. Após a avaliação do IQA o resultado obtido é classificado da seguinte forma em relação a qualidade da água: Categoria Ponderação Ótima 79 67 Tabela 1- Classificação do IQA Além do IET e do IQA, existem outros índices aplicados a estudos de qualidade ambiental como IVA - Índices de Qualidade das Águas para Proteção da Vida Aquática e de Comunidades Aquáticas, ICF - Índice da Comunidade Fitoplanctônica, ICZRES - Índice da Comunidade Zooplanctônica para Reservatórios, dentre outros. De forma resumida, o conteúdo exposto nesse tópico indica que o uso de indicadores, índices e estudos hidrológicos tem um papel importante na identificação de áreas degradadas, já que possibilitam a identificação prévia dos impactos sobre a água favorecendo ações de mitigação e controle. Além do monitoramento contínuo, mostrando a evolução das concentrações dos parâmetros avaliados. 5.3 Análise da biota Uma outra forma de identificação de áreas degradadas é através da avaliação da biodiversidade. A redução da diversidade biológica pode ser um indicativo de áreas degradadas. Além disso, podemos utilizar o monitoramento de organismos indicadores de poluição, como plantas, animais e microrganismos. Os macroinvertebrados bentônicos (Figura 4), por exemplo, são considerados bioindicadores de poluição, já que devido ao seu ciclo de vida longo é possível detectar as alterações do ambiente sobre o orgarnismo, além de seres animais fáceis de coleta e manuseio (JUNG et al. 2022). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58 Figura 4: Caramujo aquático, um exemplo de macroinvertebrado bentônico. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/caracol-preto-e-marrom-em-textil-bege-134059/ Um estudo descrito por França e Callisto (2015), indicam que determinados macroinvertebrados bentônicos são mais sensíveis a poluição como os insetos aquáticos, já as larvas aquáticas, minhocas de ambientes aquáticos e caramujos d’água são resistentes a ambientes poluídos. Além dos organismos previamente mencionados, alguns microrganismos como Escherichia coli, Enterococcus, tem sido empregado como indicadores de poluição. A bactéria E. coli é encontrada em quantidades significativas nas fezes de seres humanos e animais de sangue quente, sendo raramente detectada na ausência de contaminação fecal. Portanto, é amplamente reconhecida como o indicador mais apropriado de poluição fecal em ambientes de água doce (CETESB, 2016). Enterococcus é um indicador microbiológico altamente valioso para avaliar a extensão da contaminação fecal em águas superficiais destinadas à recreação. Pesquisas realizadas em praias marinhas e águas de rios e lagos demonstraram uma relação direta entre a qualidade da água recreacional e a incidência de gastroenterites associadas ao banho. Entre os indicadores bacterianos de qualidade da água, os enterococos se destacam como os mais eficazes (CETESB, 2016). O uso de indicadores no geral, podem demonstrar a saúde, recuperação e funcionalidade dos ecossistemas, o nível de poluição de diferentes matrizes ambientais. Você recorda que existem outros organismos usados como indicadores além dos mencionados nesse tópico? Como o caso das minhocas, descrito no capítulo 4. Para finalizar é importante que você tenha em mente que de acordo com o ambiente será necessário escolher um tipo de indicador biológico, e o ideal é que sejam selecionados vários para uma visão holística da área de avaliação. https://www.pexels.com/pt-br/foto/caracol-preto-e-marrom-em-textil-bege-134059/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59 CAPÍTULO 6 PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS E TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS UTILIZADAS NO BRASIL A recuperação de áreas degradadas no Brasil envolve uma série de estratégias e técnicas, que variam de acordo com o tipo de degradação e as condições locais que serão descritas de formas mais detalhada nesse capítulo. 6.1 Recuperação florestal Existem algumas técnicas de recuperação florestal, que serão melhor descritas a seguir: • Condução da regeneração natural- A promoção da recuperação natural de áreas após um distúrbio envolve a facilitação do processo de regeneração por meio da utilização dos recursos disponíveis, como bancos de sementes, bancos de plântulas, chuva de sementes e brotos, e é particularmente eficaz em áreas recentemente desmatadas que mantêm essas fontes naturais de regeneração (ALMEIDA, 2016). O uso deste modelo de restauração pode ser complementado por medidas adicionais, como a necessidade de cercar a área para evitar a entrada de animais domésticos, o controle de espécies invasoras que podem prejudicar o sucesso do método, a limpeza ao redor das mudas arbóreas existentes (coroamento), a construção de aceiros para prevenir a propagação de incêndios, a instalação de poleiros artificiais para facilitar a dispersão de sementes por aves e o plantio de mudas de espécies pioneiras em áreas de clareiras para promover uma regeneração mais uniforme da área (ALMEIDA, 2016). • Plantio de mudas- A recuperação de áreas degradadas frequentemente envolve o plantio de mudas (Figura 1), um método amplamente utilizado com o propósito de acelerar a sucessão natural, mitigar a erosão do solo e garantir o sucesso RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60 da recuperação. Essa abordagem é relativamente simples de implementar e é economicamente viável em áreas de fácil acesso. O plantio de mudas pode incluir uma variedade de espécies, como plantas herbáceas, arbustos ou árvores, com o objetivo de estabelecer uma cobertura imediata e proporcionar uma maior proteção do solo (ALMEIDA, 2016). Figura 1: Plantio de mudas Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folhas-verdes-em-solo-marrom-08-AAUx-WtM • Recuperação com espécies pioneiras-A aplicação do plantio de recuperação ambiental com 100% de espécies pioneiras é uma estratégia adequada em determinadas circunstâncias específicas, especialmente em áreas contíguas ou em estreita proximidade a fragmentos florestais, onde os processos naturais provavelmente são suficientes para facilitar a regeneração natural da área. Isso pode resultar na redução dos custos associados aos plantios de enriquecimento adicionais (ALMEIDA, 2016). Uma vantagem significativa da utilização de espécies pioneiras reside em sua robustez, o que resulta em economias nos custos associados à implementação e manutenção, devido à rápida cobertura do solo (ALMEIDA, 2016). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61 ANOTE ISSO As espécies pioneiras são aquelas que têm uma alta dependência de luz e geralmente prosperam em clareiras ou nas bordas de florestas. Entre as espécies pioneiras comuns estão a aroeira, timbó, cambará, maria-mole e maricá (CARVALHO, 2000). • Formação de ilhas de diversidade- Também conhecida como nucleação, essa abordagem é definida por pequenos núcleos que incorporam as formas de vida das espécies vegetais e suas adaptações aos estágios sucessionais (STEIN et al. 2017). • Plantio em linhas alternadas- O plantio em linhas alternadas (Figura 2) é frequentemente preferido devido à sua conveniência operacional durante a implantação, sendo amplamente adotado em grandes áreas e, especialmente, em plantios mecanizados. A disposição alternada das linhas simplifica o processo de preparação e transporte de mudas a partir do viveiro florestal, bem como a execução do plantio em campo, tornando o procedimento mais compreensível para os trabalhadores. Figura 2: Esquema de modelo de recuperação florestal em linhas alternadas. Sendo X = espécies pioneiras e O = espécies secundárias (iniciais, tardias e clímax). Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Almeida (2016) • Indução de chuva de sementes- Este método de restauração é frequentemente preferido em situações onde existe uma abundante oferta de sementes na região de implementação do projeto e, geralmente, quando há obstáculos significativos para o plantio de mudas (ALMEIDA, 2016). • Semeio direito- Uma estratégia de semeadura comumente utilizada na recuperação de áreas degradadas é conhecida como “muvuca”. Essa técnica RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62 envolve a combinação de sementes de espécies arbóreas e arbustivas nativas, frequentemente misturadas com sementes agrícolas, para o plantio direto na área destinada à recuperação. A mistura de sementes de várias espécies tem como objetivo promover a diversidade florestal e estimular a sucessão ecológica natural, minimizando intervenções e enriquecendo e protegendo o solo para favorecer o desenvolvimento efetivo das espécies nativas (ALMEIDA, 2016). • Hidrossemeadura- Essa abordagem envolve o uso de uma técnica mecanizada em que as sementes são dispersas na área de recuperação por meio de jateamento, geralmente utilizando uma bomba. Essa dispersão é realizada em uma mistura que inclui água, sementes, fertilizantes e outros componentes, como agentes cimentantes, que auxiliam na aderência das sementes à superfície onde são aplicadas (ALMEIDA, 2016). • Plantio de leguminosas- O plantio de mudas de leguminosas arbóreas, conhecidas por sua capacidade de fixar nitrogênio atmosférico, pode ser uma opção eficaz em locais com maior degradação ambiental, especialmente em áreas onde as camadas superficiais do solo foram removidas ou substancialmente alteradas (ALMEIDA, 2016). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo conduzido por Santos e colaboradores (2001) avaliou a eficácia de duas leguminosas, o feijão guandu e sirato e as gramíneas capim-pangola e capim- elefante para a melhoria das propriedades químicas do solo. Os autores verificaram que a incorporação de leguminosas e gramíneas resultou em aumentos nos níveis de carbono orgânico total e na capacidade de troca de cátions, com acréscimos significativos de potássio, matéria orgânica e magnésio, particularmente na camada superficial do solo. • Recuperação com uso de espécies frutíferas- O estabelecimento de pomares com espécies frutíferas nativas é uma estratégia promissora para fornecer alimentos e atrair a fauna silvestre. A criação de pomares voltados para a fauna silvestre oferece uma fonte de alimento para a vida selvagem(ALMEIDA, 2016). 6.2 Recuperação de áreas mineradas A atividade de mineradoras (Figura 3) pode gerar diversos impactos para o ambiente, incluindo a degradação do solo, a poluição ambiental afetando os diferentes RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63 compartimentos ambientais, como água, solo e ar. Esse tipo de atividade também leva a um incremento da população do entorno, que acaba impactando no ambiente através da disposição inadequada dos resíduos, desmatamento, entre outros (SANTOS, 2017). Figura 3: Mineiração Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/fotografia-de-escavadeiras-na-area-de-mineracao-Mk2ls9UBO2E Conforme já mencionado previamente, as atividades de mineração comprometem a qualidade do solo, sedimento, da água nesse caso as superficiais e subterrâneas e tem implicações sobre a flora. Nesse contexto, destaca-se a Geoquímica ambiental, como uma importante abordagem para analisar e avaliar os efeitos da mineras e todos os seus desdobramentos sobre o ambiente (SANTOS, 2017). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64 ANOTE ISSO A Geoquímica ambiental é uma ciência que reflete a preocupação da geoquímica com as fontes de desequilíbrio ambiental, originado dos problemas sócio-políticos associados aos processos industriais, do aumento populacional e da urbanização. Assim com outras ciências tem como objetivo o entendimento do binômio homem e natureza (CARVALHO, 1989). Retomando as questões que se referem a mineiração , cabe salientar que os impactos desse tipo de atividade, podem ser identificados de diferentes formas e nos variados compartimentos ambientais. Nesse sentido, Santos (2017), destaca as possíveis formas de mensuração dos danos da mineração: • Realizar uma avaliação de solos com base na distribuição de metais na superfície e subsuperfície é um método útil para identificar informações nas várias camadas do solo. Essa análise permite a comparação entre a camada superficial e a subsuperfície, sendo que a camada superficial serve como um indicador de contaminação de origem geogênica, geralmente associada à presença de vanádio e níquel. Por outro lado, teores mais elevados de elementos como arsênio, cobalto e chumbo sugerem a contaminação de origem antrópica. Além disso, é importante fazer comparações com os valores de referência estabelecidos na Resolução CONAMA nº 420 de 28/12/2009, que define limites para diferentes substâncias químicas, impactando na qualidade do ambiente. • A avaliação de amostras de água de córrego e sedimentos é essencial para comparar os resultados com as normativas de referência que estabelecem valores para metais e outros poluentes. • As análises de águas subterrâneas podem incluir a avaliação de diversos parâmetros físico-químicos, como pH, temperatura, condutividade, oxigênio dissolvido e sólidos totais, para determinar a conformidade com as regulamentações ambientais em vigor. A Resolução CONAMA nº 396, de 3 de abril de 2008, apresenta os limites de inúmeros parâmetros que são analisados em águas subterrâneas, incluindo por exemplo, compostos orgânicos, inorgânicos, agrotóxicos, variáveis microbiológicas, etc. Retomando ao mencionado por Santos (2017) também é possível analisar elementos químicos em plantas, principalmente as utilizadas para alimentação, como alface, mandioca, ou também na forragem como no casodo capim. Santos (2017) reforça que para uma melhor avaliação do teor de compoentes químicos o ideial é utilizar amostras de diferentes plantas da mesma espécie, mas da mesma área que foi impactada. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65 Em relação a recuperação de áreas degradadas pelas atividades de mineiração, um das principais técnicas utilizadas é a regevetação, que consciente na revegetação. A revegetação de áreas degradadas é um método de recuperação ambiental que envolve o plantio de espécies com adaptações específicas para resistir às condições ambientais adversas da área degradada (FIGUEREDO et al. 2016). Destaca-se que as práticas de mineração de areia, são identificados dois tipos de áreas que requerem ações de revegetação: a primeira refere-se as áreas de mata ciliar, que, de acordo com as regulamentações do Código Florestal, são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP) e devem ser restauradas exclusivamente com espécies nativas; já as as áreas operacionais da mineração, abrangendo margens de cavas, áreas de disposição de rejeitos, locais de armazenamento de areia, instalações de processamento, edifícios administrativos e outras construções, cuja revegetação frequentemente permite o uso de diferentes espécies e depende do planejamento de reabilitação e dos objetivos de uso futuro da área após o encerramento da atividade de mineração (ALMEIDA; SÁNCHEZ, 2005). ANOTE ISSO As matas ciliares são caracterizadas como uma vegetação nativa que cresce nas margens de rios, córregos, lagos, represas, igarapés e nascentes. O termo “ciliar” é usado porque essas matas desempenham um papel semelhante ao dos cílios, protegendo os corpos d’água contra a erosão e o assoreamento (STEIN et al. 2017). O assoreamento de corpos d’água, como rios, ribeirões, córregos, lagos, lagoas e nascentes, é influenciado pelo desmatamento, que inclui não apenas a degradação das matas ciliares, mas também a remoção das demais coberturas vegetais que, por natureza, desempenham um papel de proteção dos solos. Como resultado, os sedimentos que se acumulam nas margens dos cursos d’água são transportados pelas águas fluviais e depositados em áreas de topografia mais suave, onde a velocidade do fluxo da água naturalmente diminui (STEIN, 2017). As figuras 4 e 5, apresentam de forma ilustrativa e resumida a importância das matas ciliares e o processo de assoreamento. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66 Figura 4: Esquema do assoreamento Fonte: Elaborado por Rafaela Costa Figura 5: Esquema da importância da Mata ciliar Fonte: Elaborado por Rafaela Costa A revegetação em áreas mineradas envolve alguns sistemas como: • Estrato herbáceo- A existência de uma camada de vegetação herbácea que se espalha sobre o substrato minerado é fundamental em locais como jazidas RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67 de exploração de areia, áreas com declives acentuados e bordas de chapadas, com o propósito de prevenir e conter a erosão. A rápida cobertura do solo e do substrato é uma das medidas mais cruciais para o controle eficaz da erosão (CORRÊA, 2007). • Estrato arbóreo- Há uma forte justificativa ecológica para o plantio de árvores em áreas de mineração. Normalmente, são escolhidas espécies arbóreas que sustentam a fauna nativa, facilitando a disseminação de sementes de outras espécies e contribuindo com a deposição de esterco no local. Além disso, esse modelo de revegetação é vantajoso devido ao impacto relativamente baixo que causa na área minerada (CORRÊA, 2007). • Estrato arbóreo com rastreio- O modelo tradicional de revegetação de áreas mineradas envolve a criação simultânea de um estrato arbóreo-arbustivo e um estrato herbáceo. Isso combina a estabilidade da paisagem proporcionada pela camada rasteira com os benefícios ecológicos de estabelecer um bosque ou floresta com espécies nativas (CORRÊA, 2007). 6.3 Sistemas agroflorestais Os sistemas agrolorestais (Figura 6) são formas de uso e manejo do solo que envolvem a combinação intencional e planejada de árvores ou arbustos com cultivos agrícolas e/ou animais em uma mesma área, seja de forma simultânea (associação simultânea) ou em uma sequência de tempo (associação temporal), têm como objetivos a diversificação da produção, a otimização da mão de obra, a geração de renda, a proteção do solo e da água, bem como o estímulo à participação da comunidade local (SENAR, 2017). Figura 6: Representação dos sistemas agroflorestais Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Didonet (2014). A implementação de práticas sustentáveis de manejo dos recursos naturais, combinada com a redução da dependência de insumos externos que são características desse sistema de produção, tem como consequência a promoção da segurança RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68 alimentar e o aumento da eficiência econômica, beneficiando tanto os produtores quanto os consumidores (IASB, 2009). Além disso, a adoção de sistemas agroflorestais visa à manutenção e incremento da biodiversidade, à preservação da fertilidade do solo e do ciclo de nutrientes, à conservação dos recursos hídricos, ao uso mais eficiente do solo, à diversificação de fontes de renda, à redução do risco econômico relacionado às flutuações climáticas e de preços, à melhoria da qualidade de vida dos produtores e ao fortalecimento de organizações sociais nas comunidades rurais (HARFUCH, 2021). Segundo Harfuch (2021), no Cerrado existem 2,5 milhões de hectares de pastagens degradadas em propriedades de pequeno porte que poderiam ser restaurados por meio da adoção de sistemas agroflorestais. Os estados com as maiores extensões de áreas degradadas são Minas Gerais e Goiás, embora Tocantins, Mato Grosso, Maranhão, Bahia e Mato Grosso do Sul também apresentem um potencial significativo para essa recuperação Mas, é importante salientar que o êxito na restauração dos processos ecológicos em sistemas agroflorestais é influenciado por uma série de fatores, incluindo a qualidade do solo, as práticas de manejo e condução do agroecossistema, as condições socioeconômicas, bem como a percepção e a importância atribuídas aos sistemas agroflorestais por parte dos agricultores envolvidos (CANUTO, 2017). Os sistemas agroflorestais apresentam classificações diferentes que abacar os os sistemas silviagrícolas (espécies florestais e agrícolas), silvipastoris (espécies florestais e atividades de pecuária) e agrossilvipastoris (espécies agrícolas, florestais e atividades de pecuária) (SENAR, 2017). Os sistemas silviagrícolas são compostos por uma mistura de espécies florestais e culturas agrícolas, incluindo árvores e palmeiras, tanto nativas quanto introduzidas (SENAR, 2017). Os sistemas silvipastoris são constituídos por elementos florestais e práticas de pecuária, ou seja, a associação de árvores, arbustos ou palmeiras com plantas forrageiras herbáceas (ervas e capins) e a criação de animais (SENAR, 2017). Esse tipo de sistema traz alguns benefícios como o bem estar-animal, enriquecimento do solo, melhoria do valor de nutrição dos animais criados e suplementação natural (IASB, 2009). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69 Os sistemas agrossilvipastoris são formados por componentes agrícolas, florestais e práticas pecuárias, comummente iniciando com o plantio de árvores na pastagem durante ou após o cultivo agrícola (SENAR, 2017). Além das classificações previamente mencionadas, os sistemas agroflorestais (SAFs) podem ser categorizados de acordo com a organização temporal de seus componentes: sistemas sequenciais (sem sobreposição temporal dos componentes), sistemas coincidentes (com sobreposição temporal completados componentes) e sistemas concomitantes (com sobreposição temporal parcial dos componentes). Além disso, existem sistemas específicos, como os “quintais agroflorestais domésticos”, que podem desempenhar um papel significativo em termos econômicos (TAVARES et al. 2003). A função econômica dos quintais agroflorestais está majoritariamente relacionada à produção de alimentos para consumo próprio e venda, com potencial de melhorar a qualidade da alimentação das comunidades rurais e urbanas de baixa renda (IASB, 2009). Para o sucesso dos sistemas agroflorestais, o monitoramento dos processos de restauração, empregando indicadores quantitativos e qualitativos, desempenha um papel fundamental na compreensão dos eventos ecológicos que ocorrem nas áreas de sistemas agroflorestais. Além disso, permite a análise dos impactos socioculturais e econômicos resultantes da implementação e gestão desses sistemas (CANUTO, 2017). Diante do exposto nesse capítulo fica evidente que as estratégias e técnicas de recuperação de áreas degradadas desempenham um papel fundamental na preservação do meio ambiente e no alcance de diversos objetivos e benefícios, como a conservação da biodiversidade, melhoria dos recursos naturais, beneficiamento dos aspectos socioeconômicos e cumprimento de leis e normativas, como por exemplo, a recuperação de áreas mineradas. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70 CAPÍTULO 7 SOLOS DEGRADADOS Neste capítulo você irá aprender as causas químicas, físicas e biológicas da degradação dos solos e as práticas de conservação e recuperção desse recurso ímpar. Todos os conceitos estão diretamente relacionados a disciplina recuperação de áreas degradadas. 7.1 Causas da degradação do solo Antes de adentreamos nesse caítulo, vamos recapitular o que vimos no capítulo 3 que trata de compartimentos ambientais. O solo envolve uma séries de composições, de rochas, nutrientes, matéria orgânica, água, ar e organismos, muitos deles decompositores (Figura 1) (MILLER; SPOOLMAN, 2016). Figura 1: Solo Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folha-verde-no-solo-marrom-iB1JuJyQob4 Inúmeras atividades tem favorecido a degradação desse compartimento ambiental. As degradações podem ser químicas, físicas ou biológicas e cada tipo será melhor descritor e exemplificado a seguir: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folha-verde-no-solo-marrom-iB1JuJyQob4 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71 • Degradação química: ocorrem alterações nas propriedades químicas do solo devido a processos naturais ou atividades humanas, resultando na redução de sua capacidade produtiva (CERETTA; AITA, 2010). Dentro desse tipo de degradação destacam-se os seguintes processos: • Perda de nutrientes: esse tipo de degradação é causado por diferentes fatores que provocam a exaustão desse recurso ou se torna um ambiente impróprio para a plantação (CERETTA; AITA, 2010). Um desses fatores é a remoção de culturas, isso ocorre em áreas agrícolas, onde os nutrientes são absorvidos pelas plantas e acumulados em suas partes, mas são exportados para áreas de fora do cultivo, logo não são mais disponíveis para o próximo cultivo. Outro aspecto que gera essa perda de nutrientes é a imobilização do solo. A imobilização é definida como a retenção de nutrientes no solo, com uma energia que impede sua liberação para uso pelas plantas e outros organismos vivos. Nutrientes com baixa energia de adsorção são mais prontamente liberados na solução do solo, onde as plantas e organismos vivos podem absorvê-los para atender às suas necessidades (CERETTA; AITA, 2010). Existe também a contribuição da imobilização pelos organismos do solo, quando se introduzem materiais orgânicos com uma alta relação carbono/nitrogênio (C/N) no solo, há a possibilidade de que os microrganismos responsáveis pela decomposição desses materiais imobilizem o nitrogênio do solo, reduzindo sua disponibilidade para as plantas. Posteriormente, após a morte dos microrganismos e o processo de reciclagem, parte do nitrogênio presente nos microrganismos mortos pode ser mineralizado pelos microrganismos sobreviventes (CERETTA; AITA, 2010). Outro fator que contribuiu para a ausência de nutrientes é o processo de erosão (Figura 2), por meio da ação da precipitação, os nutrientes são arrastados juntamente com as partículas do solo, tanto minerais como orgânicas, para fora da área de cultivo. Esse processo resulta na perda de nutrientes, reduzindo a fertilidade do solo e, ao mesmo tempo, apresenta riscos ambientais, pois esses nutrientes podem chegar aos corpos d’água e causar problemas significativos (CERETTA; AITA, 2010). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72 Figura 2: Erosão do solo Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folhas-secas-marrons-em-solo-marrom-zwy0l1XBIaE • Perda da matéria orgânica: A capacidade do solo de proporcionar um ambiente propício para o crescimento de plantas e outros organismos é essencialmente determinada pela quantidade e qualidade da matéria orgânica presente no solo (CERETTA; AITA, 2010). Segundo Ceretta e Aita (2010) diversos fatores podem contribuir para a redução da matéria orgânica no solo, incluindo um aumento na taxa de decomposição, perdas causadas pela erosão, remoção das camadas superficiais ricas em matéria orgânica e práticas como o uso do fogo. • Salinização e acidificação:A salinidade do solo ,refere-se à presença de concentrações elevadas de sais no solo, o que pode ter um impacto negativo considerável nas culturas agrícolas. O acúmulo excessivo de sais prejudica o sistema de raízes das plantas, afetando negativamente seu crescimento e a capacidade de absorção de água, devido ao alto potencial osmótico do ambiente e ao desequilíbrio nos nutrientes assimilados pelas plantas (CERETTA; AITA, 2010). Já a acidez do solo, está relacionada à existência de concentrações prejudiciais de alumínio e manganês, juntamente com níveis baixos de cátions básicos, como cálcio e magnésio (CERETTA; AITA, 2010). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo conduzido por Castro e Santos (2020) envolveu a coleta de amostras de solo na Mesoregião do São Francisco Pernambuco. Com base nos resultados do estudo, verificou-se que as maiores concentrações de sais presentes no solo eram provenientes de áreas agrícolas. Os autores reforçam que tais práticas irregulares contribuem de forma signigficativa para a salinização dos solos e alertam para os riscos de desertificação dessas áreas. • Degradação física- A degradação física do solo é caracterizada pela alteração ou perda das suas propriedades físicas, causada por processos naturais ou ação humana, resultando na diminuição da sua capacidade produtiva (CERETTA; AITA, 2010). Dentro desse tipo degradação temos algumas causas, como as exemplificadas a seguir: • Compactação- A compactação do solo envolve a redução da porosidade e do volume do solo devido à aplicação de pressão externa. Esse fenômeno pode resultar em problemas significativos nas áreas agrícolas, incluindo a redução da taxa de infiltração de água e o aumento da vulnerabilidade à erosão (CERETTA; AITA, 2010). • Danos à estrutura- Operações excessivas de mobilização do solo e condições desfavoráveis de preparação, como a aração em solo excessivamente seco ou úmido, podem prejudicar a estrutura do solo, o que pode ser observado tanto a curto prazo quanto, dependendo da intensidade, a longo prazo (CERETTA; AITA, 2010). • Indunções- A inundação interfere no equilíbrio natural do solo, resultando em uma série de modificações nas suas propriedades químicas, físicas, biológicas e eletroquímicas (CERETTA; AITA, 2010). • Drenagem de áreas úmidas- A drenagem do solo ocasionaa redução da biodiversidade no ambiente local e tem impactos diretos no ciclo hidrológico, além de influenciar nas propriedades do solo (CERETTA; AITA, 2010). • Degradação biológica- Os atributos biológicos do solo são os primeiros a sofrerem impactos com a degradação e, geralmente, são os últimos a se recuperarem. Práticas como adubação, colheita de nutrientes, métodos de plantio (direto ou convencional), queimadas e a falta de cobertura do solo durante períodos de inatividade nas lavouras afetam diretamente os organismos do solo (CERETTA; AITA, 2010). Com base no exposto, verifica-se que as atividades agrícolas tem uma contribuição significativa para a degração do solo. Nesse tipo de atividade, nota-se a práticas que impacto o solo, como a monocultura, o uso excessivo e indiscriminado de produtos RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74 químicos e fertilizantes, a exposição do solo devido ao desmatamento descontrolado (Figura 2), queimadas, além da alteração de sua estrutura original por meio de práticas como aração, sobrecarga de máquinas (CHAVES et al. 2012). Figura 2: Desmatamento, uma das formas de degração do solo. Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/desmatamento-desflorestamento-meio-ambiente-floresta-9173952/ Quando se trata de uso de agrotóxicos, é importante salientar que o Brasil em 2019 era o terceiro maior consumidor dessas substâncias, favorecido por alguns fatores como sua grande eficácia, de custo baixo e as normativas brasileiras flexíveis (BROVINI et al. 2021; BROVIN et al. 2023). 7.2 Recuperação de solos degradados A implementação de práticas conservacionistas desempenha um papel fundamental, uma vez que a degradação do solo pode atingir níveis que comprometem a viabilidade da produção agropecuária. Portanto, a adoção de estratégias de manejo que tenham como objetivo prevenir a degradação do solo é crucial para preservar a capacidade produtiva do solo, bem como a qualidade dos recursos naturais e, por extensão, a saúde do meio ambiente (MÜLLER et al. 2021). Dentre as inúmeras práticas de conservação e restauram do solo, destacam-se: • Cultivo em nível - O cultivo em nível ou em contorno (Figura 3) envolve a implementação de práticas agrícolas em que as linhas de semeadura ou plantio são dispostas perpendicularmente à inclinação do terreno, utilizando curvas de nível e linhas em contorno. Nesse método, as fileiras de plantas e os sulcos de semeadura ou preparo do solo atuam como barreiras que reduzem o escoamento da água da chuva, ajudando a mitigar os processos erosivos (CERETTA; AITA, 2010). https://www.pexels.com/pt-br/foto/desmatamento-desflorestamento-meio-ambiente-floresta-9173952/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75 Figura 3: Cultivo em nível Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/arvores-verdes-na-montanha-sob-o-ceu-azul-durante-o-dia-5ZmAyIG_OrI • Rotação de culturas- Embora possa ser uma prática conservacionista de solo a ser empregada isoladamente, a rotação de culturas é muito útil e importante quando empregada de forma conjunta com o sistema de plantio direto e auxilia na fertilidade dos solos. Na seleção das culturas a serem incluídas na rotação, é crucial levar em consideração fatores como o tipo de solo, topografia do terreno, clima local, demanda de mercado, disponibilidade de mão de obra, sistema radicular das culturas e particularidades de cada cultura (MÜLLER et al. 2021). • Culturas em faixa- Os objetivos dessa modalidade de conservação são: diminuição da velocidade da enxurrada; aumento na infiltração da água da chuva; diminuição das perdas de solo, matéria orgânica, fertilizantes e proteção das margens de rios, lagoas e barragens (CERETTA; AITA, 2010). • Terraceamento- O terraceamento é um dos métodos de conservação do solo mais antigos e amplamente adotados para diminuir a velocidade do escoamento das águas pluviais erosivas sobre o terreno. Trata-se de uma técnica mecânica que tem como objetivo criar barreiras físicas e dividir o comprimento da encosta, reduzindo a velocidade da água e fragmentando o volume do escoamento superficial, permitindo, assim, a sua infiltração no solo (TAVARES, 2008). https://unsplash.com/pt-br/fotografias/arvores-verdes-na-montanha-sob-o-ceu-azul-durante-o-dia-5ZmAyIG_OrI RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76 • Canais divergentes- Os canais divergentes são considerados como variantes dos terraços, por vezes, com dimensões ampliadas, cuja finalidade é redirecionar e interceptar o escoamento de água proveniente de áreas situadas acima deles(CERETTA; AITA, 2010). • Canais escoadouros- São estruturas destinadas à drenagem da água proveniente dos sistemas de terraços. A seleção de locais apropriados para sua implantação deve levar em consideração a minimização do risco de erosão. Os canais podem ser instalados em áreas com pastagens, vegetação florestal, canais escoadouros naturais ou artificiais (TAVARES, 2008). • Cordão vegetal- Trata-se de uma prática recomendada para pequenas e médias propriedades, particularmente em áreas impróprias para a construção de terraços devido à declividade ou onde a mecanização é conduzida por tração animal. Essa técnica envolve o cultivo de espécies de rápido crescimento (Figura 4) com sistemas radiculares e parte aérea que ajudam a estabilizar o solo, impedindo a erosão causada pela água da chuva que escoa ladeira abaixo (TAVARES, 2008). Figura 4- Cana-de-açúcar, um exemplo de planta utilizada como cordão vegetal Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/42796391101/dbc0a2df0b/ • Florestamento e reflorestamento- Para solos caracterizados por baixa fertilidade e alta suscetibilidade à erosão, a recomendação é a manutenção de uma cobertura vegetal densa, como é observado em ecossistemas florestais. Esta prática também é aconselhável em solos degradados e sujeitos à erosão. Além disso, a implantação de faixas de reflorestamento (Figura 5) nas margens dos corpos d’água contribui para a proteção dos recursos hídricos (MÜLLER et al. 2021). https://visualhunt.com/f7/photo/42796391101/dbc0a2df0b/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77 Figura 5: Reflorestamento Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/m%C3%A3os-planta-solo-crescer-crescendo-1838659/ • Pastagem- A utilização de pastagens se apresenta como uma alternativa significativa para a preservação de solos localizados em regiões de baixa fertilidade e com risco de erosão. Além disso, quando as pastagens são incorporadas em sistemas de integração entre agricultura e pecuária, os benefícios da proteção e conservação do solo se tornam ainda mais eficazes (MÜLLER et al. 2021). • Plantas de cobertura- A manutenção de uma cobertura vegetal no solo durante a temporada de chuvas é uma estratégia crucial para a conservação do solo. Essa abordagem pode ser implementada por meio da utilização de plantas de cobertura (Figura 6) em toda a área de cultivo ou nas entrelinhas das culturas de valor econômico (MÜLLER et al. 2021). Figura 6: Canola, um exemplo de planta de cobertura Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/52859014380/625542f872/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78 • Ceifa das plantas daninhas- A colheita pode ser conduzida com eficácia, particularmente em culturas de longa duração, nas quais a vegetação invasora (Figura 7) é frequentemente cortada mais regularmente do que é feito com capinas, e em plantas de porte baixo. Isso ajuda a manter uma cobertura de solo que protege contra a radiação solar e o impacto da precipitação (MÜLLER et al. 2021). Figura 7: Exemplo de planta daninha Fonte: https://farm8.static.flickr.com/7360/10516152673_ce1bdd38c8_c.jpg • Alternância de capinas- A técnica envolve a prática de capinarem faixas alternadas na área, garantindo que sempre permaneça uma ou duas faixas com vegetação mais alta, destinadas a funcionar como uma barreira viva contra a erosão (MÜLLER et al. 2021). • Adição de Matéria Orgânica- A incorporação de matéria orgânica no solo visa aprimorar suas características físicas, químicas e biológicas para criar condições ideais de crescimento para as culturas. Esse aporte de matéria orgânica pode ser realizado de diversas maneiras, incluindo práticas como adubação verde, RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79 utilização de esterco de animais, restos de colheitas, compostagem, húmus de minhocas e outras opções (TAVARES, 2008). • Quebra-Ventos ou Cortinas Vegetais- Uma das estratégias predominantes para mitigar os impactos adversos dos ventos sobre o solo e as culturas envolve a implementação de barreiras vegetais (Figura 8), que podem ser estabelecidas ao longo das cristas dos canteiros ou em fileiras que delimitam as áreas a serem protegidas. Uma consideração fundamental ao criar cortinas de proteção é a relação entre a altura da vegetação e a extensão da área que será resguardada (TAVARES, 2008). Figura 8- Eucalipto, um exemplo de cortina vegetal Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/eucalipto-folha-folhas-%C3%A1rvore-2711285/ • Cobertura morta- Essa abordagem envolve a utilização de resíduos orgânicos vegetais, como palha, maravalha, serragem, casca de arroz, bagaço de cana-de- açúcar, folhas, restos de poda, cascas e outros materiais semelhantes. Esses resíduos são aplicados na superfície do solo com o propósito de protegê-lo contra a erosão e outros processos erosivos (CERETTA; AITA, 2010). • Adubação verde- A adubação verde é definida como o cultivo de plantas com o objetivo de aprimorar ou preservar a capacidade produtiva do solo. Esse conceito engloba a prática convencional de incorporar leguminosas no solo, bem como https://pixabay.com/pt/photos/eucalipto-folha-folhas-%C3%A1rvore-2711285/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 80 o uso de outras espécies vegetais, seja em rotação de culturas ou não, para a cobertura do solo ou sua incorporação (TAVARES, 2008). Diante do exposto, é evidente que as práticas previamente mencionadas são fundamentais para a recuperação desse recurso, bem como na manutenção de atividades agrícolas mais sustentáveis, no controle de processos erosivos, na garantia da manutenção das propriedades químicas, físicas e biológicas dos solos e para a preservação da biodiversidade. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 81 CAPÍTULO 8 MANEJO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS Os ecossistemas aquáticos desempenham diversas funções essenciais para a sociedade, abrangendo uma ampla gama de serviços. Diversas pressões (Figura 1), como a expansão urbana, atividades industriais, o uso de substâncias químicas e a descarga de efluentes não tratados, entre outros fatores, têm levado à deterioração da qualidade dos habitats aquáticos, afetando a vida marinha e prejudicando também os usos humanos, como atividades recreativas e o setor de turismo (CAIRNS, 2006). Figura 1: Pressões antrópicas que impactam os ecossistemas aquáticos Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/um-grande-edificio-industrial-ao-lado-de-um-corpo-de-agua-uPdJA6or1v4;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/ vista-aerea-dos-edificios-da-cidade-durante-o-dia-2SrlqYNVd9M;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pato-branco-e-marrom-na-agua-betJpW6fuoY https://unsplash.com/pt-br/fotografias/um-grande-edificio-industrial-ao-lado-de-um-corpo-de-agua-uPdJA6or1v4 https://unsplash.com/pt-br/fotografias/vista-aerea-dos-edificios-da-cidade-durante-o-dia-2SrlqYNVd9M https://unsplash.com/pt-br/fotografias/vista-aerea-dos-edificios-da-cidade-durante-o-dia-2SrlqYNVd9M https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pato-branco-e-marrom-na-agua-betJpW6fuoY RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 82 Nesse capítulo, você vai aprender conceitos importantes quando se tratato de manejo de ecossistemas aquáticos, como a gestão de recursos hídricos, a gestão de bacias hidrográficas, a restauração de zonas úmidas e a governança das águas. 8.1 Gestão de recursos hídricos O termo gerenciamento associado à água pode ser caracterizado como um subconjunto da governança, conceito amplo que implica na criação de um conjunto de sistemas políticos, sociais, econômicos e administrativos que afetam de forma direta ou indireta a utilização, consumo, impacto e preservação que envolvem os recursos hídricos (PORTO, 2012). Segundo CASTRO (2012), o Brasil apresenta uma boa disponibilidade hídrica, mas algumas regiões do país enfrentam problemas de escassez hídrica. Diante desse cenário, o setor público vem reconhecendo a necessidade de gerenciar esse compartimento ambiental de forma racional para garantir o fornecimento no futuro e evitar riscos de crise (Figura 2). Figura 2 : Crise hídrica Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/51645638180/e61d4b985b/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 83 No Brasil, a gestão hídrica teve seu início com a criação da Lei n° 9.433, que estabelece a Política Nacional de Recursos Hídricos (Figura 3). Nessa normativa, quatro princípios merecem destaque, incluindo a gestão por bacia, a unicidade da outorga, a obrigatoriedade de um plano de gestão e o instrumento de cobrança (CASTRO, 2012). Figura 3: Instrumentos de implementação da Política Nacional de RecursosHídricos Fonte: Aptado de Pinto-coelho e Havens (2016). ANOTE ISSO A outorga é um mecanismo legal que confere ao usuário o direito de utilizar os recursos hídricos, garantindo o direito de uso, mas sem transferir a propriedade da água ao usuário (IGAM, 2023). Ressalta-se que a outorga de uso de recursos hídricos é uma autorização do poder público que visa controlar quantitativa e qualitativamente os usos da água, abrangendo derivações, captações, extrações, lançamentos de efluentes e aproveitamento hidroelétrico, excluindo usos insignificantes. Seu objetivo é equilibrar a disponibilidade de água e a demanda, garantindo o acesso à água de forma eficaz (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). As questões hídricas no Brasil são regulamentadas na Constituição brasileira, e posteriormente, em resposta às problemáticas ambientais, foi aprovada a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 84 Além disso, o Brasil conta com o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), que abrange diversos órgãos e colegiados com a finalidade de implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos (ANA, 2023). Castro (2012) propõe alguns pilares importantes quando se trata de gestão das águas: • Equidade: Essa temática tem sido amplamente discutida, especialmente devido às divergências em relação à utilização e à disponibilidade de água. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA As regiões norte e nordeste do Brasil apresentam os maiores percentuais de pessoas sem acesso a água (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2018). Isso reforça o proposto por Castro (2012) em relação as questões de equidade hídrica. • Gestão: Apesar das reformulações que ocorrem nesse aspecto após a aprovação da Lei das Águas, muitas técnicas de inovação são sugeridas por pesquisadores dessa área. De acordo com Castro (2012), a gestão de recursos hídricos deveria ser aprimorada, incluindo o procedimento de concessão e o monitoramento das outorgas emitidos pelo poder público. • Eficiência de uso: Para enfrentar cenários de escassez de água e prevenir riscos para as gerações futuras, é recomendada a adoção de medidas como uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos e práticas de uso mais eficientes,com o objetivo de minimizar o desperdício (CASTRO, 2012). • Aproveitamento de fontes alternativas de recursos hídricos: é essencial dadas as atuais preocupações hídricas. O reuso da água representa uma técnica para aproveitar volumes que, seriam descartados, e pode ser benéfico em regiões com disponibilidade hídrica limitada. Um exemplo prático de reuso da água inclui a utilização de cisternas (CASTRO, 2012). O Programa de Cisternas é uma iniciativa brasileira que tem como objetivo fornecer acesso à água potável para comunidades rurais que enfrentam escassez de água. O Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido (P1MC) foi estabelecido em 1999 junto ao governo federal por meio da Agência Nacional de Águas (ANA) e tem como meta assegurar o fornecimento regular de água de qualidade para cinco milhões de pessoas em áreas rurais do semiárido brasileiro. Iniciado em 2001 e conduzido pela ASA-Brasil, o programa resultou na construção de mais de 290 mil cisternas de placas, capazes de armazenar 16 mil litros de água coletada das chuvas pelos telhados das residências, beneficiando famílias em 1.076 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 85 municípios do semiárido (NEVES et al. 2010).Os resultados da mobilização social e dos processos educativos promovidos pelo P1MC transcendem o aspecto quantitativo representado pelo número de cisternas construídas. Eles incluem reflexões sobre dinâmicas comunitárias, o desenvolvimento de novas formas de participação e organização da comunidade, bem como o estímulo à criatividade na busca por políticas públicas (NEVES et al. 2010) 8.2 Gestão de bacias hidrográficas As bacias hidrográficas são áreas da superfície terrestre que são delimitadas com base no direcionamento do escoamento das águas das chuvas, que fluem a partir dos divisores de água em direção às áreas mais baixas do terreno, geralmente seguindo ravinas, canais, córregos e afluentes até atingir o rio principal (PIROLI, 2022). O território brasileiro é composto por oito bacias hidrográficas que são definidas pelas áreas geográficas que abrangem um rio principal e seus afluentes. Essas bacias incluem a Bacia do rio Amazonas, Bacia dos rios Tocantins e Araguaia, Bacia do Atlântico Norte e Nordeste, Bacia do São Francisco, Bacia do Atlântico Leste, Bacia dos rios Paraná (Figura 4) e Paraguai, Bacia do rio Uruguai e Bacia do Atlântico Sul e Sudeste (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019) Figura 4: rio Paraná Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/5655570951/10b151d04d/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 86 No âmbito da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), a bacia hidrográfica desempenha um papel significativo como a unidade regional de planejamento e gestão dos recursos hídricos, abrangendo tanto áreas rurais quanto urbanas e resultando na definição de unidades de gerenciamento de recursos hídricos. É importante reconhecer que esses espaços estão intrinsecamente interligados e, portanto, requerem abordagens distintas devido às pressões diferenciadas que incidem sobre os recursos naturais (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). Foi a Lei n.9.433, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu a bacia hidrográfica como a unidade de referência para a gestão dos recursos hídricos, conferindo-lhes um papel de destaque na administração dos recursos hídricos (PIROLI, 2022). A gestão de bacias está associada à administração e ao gerenciamento que ocorrem após a definição de planos, metas e estratégias na fase de planejamento. Seu propósito é implementar as ações necessárias para manter os processos naturais que ocorrem na bacia, restaurando o que for preciso e conservando o que já está em equilíbrio. Além disso, busca estabelecer e organizar as interações entre as atividades socioeconômicas e os recursos naturais da área (PIROLI, 2022). A gestão deve abranger a restauração de áreas e componentes naturais prejudicados, estabelecendo objetivos e cronogramas para sua recuperação. Além disso, é essencial levar em conta o contexto legal e as regulamentações institucionais existentes, monitorando sua evolução ao longo da execução das fases de um projeto específico (PIROLI, 2022). A gestão integrada de bacias hidrográficas representa uma mudança de paradigma, demandando a efetiva participação dos usuários e da sociedade civil organizada. Apesar das políticas institucionais bem definidas no Brasil, ainda prevalece a desarticulação entre as instituições responsáveis e a participação social no processo de tomada de decisões permanece frágil (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). 8.3 Restauração de zonas úmidas “Zonas úmidas são áreas de pântano, charco, turfa ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo áreas de água marítima com menos de seis metros de profundidade na maré baixa.” (BRASIL, 1996). As causas predominantes por trás das perdas significativas e da degradação das áreas úmidas incluem a perda de habitat, o assoreamento, a captação excessiva de RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 87 água doce, a introdução de espécies invasoras, a poluição, a exploração dos recursos e os efeitos das mudanças climáticas (WWF, 2010). No contexto de gestão de áreas úmidas, são consideradas as seguintes possibilidades (WWF, 2010): 1. Preservar a integridade de áreas úmidas não afetadas; 2. Identificar as espécies e ecossistemas mais suscetíveis; 3. Desenvolver planos de manejo para essas áreas; 4. Realizar a restauração de áreas úmidas degradadas; 5. Implementar ações de mitigação e/ou adaptação às mudanças climáticas Outro exemplo de gestão de áreas úmidas é a renaturalização de rios (Figura 5), caracterizada por intervenções que visam a regeneração do ecossistema, com o objetivo de restabelecer sua biodiversidade (SUCUPIRA et al., 2022). Figura 5: Alguns aspectos importantes que envolvem a renaturalização de um rio. Fonte: Elaborado por Rafaela Costa A renaturalização de rios amplia não apenas a capacidade de restauração ecológica, mas também torna as águas correntes mais convidativas para atividades recreativas e de lazer. Entretanto, sobretudo em rios de maior porte que passaram por renaturalização e que possuam boa qualidade da água, a recreação em larga escala pode resultar em RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 88 conflitos com objetivos de preservação ambiental, como a perturbação de áreas de nidificação da fauna (BINDER, 1998). A renaturalização desempenha um papel essencial na manutenção dos ecossistemas, na preservação da paisagem, no controle de inundações, na conservação da fauna e flora. É um processo multidisciplinar que envolve, por exemplo, a aplicação de técnicas de bioengenharia e geotecnologias (GUASSELLI, 2018). Em áreas rurais esse processo envolve a necessidade de conhecimento profundo sobre a dinâmica morfológica dos cursos d’água e também demanda a compreensão e o apoio da comunidade local que vive nas margens (BINDER, 1998). Um exemplo de renaturalização de rio realizada no Brasil, é o projeto de revitalização do Rio Tijuco Preto, financiado pela Prefeitura Municipal de São Carlos e conduzido por uma equipe multidisciplinar, priorizou a restauração dos aspectos funcionais do sistema, visando a integração de medidas de drenagem urbana, paisagismo e funcionalidade ecológica (ESPÍNDOLA et al. 2015). 8.4 Governança e governança das águas A governança das águas (Figura 4) é um sistema complexo que envolve aspectos políticos, sociais, econômicos e administrativos, com o propósito de influenciar, direta ou indiretamente, o uso, desenvolvimento e gestão integrada dos recursos hídricos, além de assegurar a oferta de serviços e produtos relacionados aos recursos paraa sociedade (PINTO-COELHO; HAVENS, 2016). Figura 4: Áreas que são debatidas quanto se trata de governança da água Fonte: Adaptado de Ribeiro e Johnsson (2018) RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 89 A administração dos recursos hídricos compreende uma série de elementos interligados, englobando a política hídrica, a elaboração de estratégias para o uso, controle e preservação da água, bem como o gerenciamento e a monitorização dos diferentes usos desse recurso (CAMPOS; FRACALANZA, 2010). A implementação de um sistema de governança eficaz das águas não apenas assegura a disponibilidade universal de recursos hídricos, mas também desempenha um papel fundamental na redução da pobreza e na prevenção de abusos do poder econômico (PINTO-COELHO; HAVENS, 2016). Além disso, a governança emerge como um meio de promover a democratização e aprimorar a gestão compartilhada, reduzindo conflitos entre diversos usuários. É crucial estabelecer a coordenação entre membros do legislativo, instituições governamentais responsáveis pela execução de políticas, pesquisadores e líderes da sociedade civil para desenvolver parcerias e soluções negociadas de forma colaborativa (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). ISTO ESTÁ NA REDE Existe uma plataforma chamada Observatório das águas que tem por finalidade gerar, sistematizar, analisar e disseminar informações relacionadas às práticas de governança das águas realizadas pelos diferentes atores e instituições que compõem o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), por meio do acompanhamento das ações desenvolvidas. Se ficou interessaso em conhecer mais sobre o trabalho desenvolvido pelo Observatório das águas, faça uma busca utilizando o nome da plataforma em seu buscador de internet! No Brasil, existe uma base legal sólida que incorpora princípios modernos de gerenciamento dos recursos hídricos, incluindo a descentralização da gestão, que possibilita a participação das autoridades públicas em seus vários níveis, dos usuários e da sociedade como um todo (PAGNOCCHESCHI, 2016). O arcabouço de governança no Brasil inclui o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e os Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos (CERHs), presentes em todos os estados do país, com a finalidade de regulamentar procedimentos e mediar situações de conflito. Adicionalmente, há aproximadamente 150 comitês de bacias estaduais e interestaduais em diversas regiões do território nacional, os quais tomam decisões dentro de suas respectivas bacias em relação aos planos de gestão de recursos hídricos e às prioridades de ação necessárias (PAGNOCCHESCHI, 2016). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 90 Brasil também conta com um pacto voltado para aprimorar o gerenciamento das águas, a regulamentação do saneamento básico e a segurança das barragens. Este acordo visa à colaboração entre a Agência Nacional de Águas e Saneamento e os governos estaduais em prol desses objetivos, atuando em três áreas principais: gestão dos recursos hídricos, saneamento e infraestrutura hídrica (ANA, 2023). Uma das carências mais significativas em relação aos recursos hídricos no Brasil refere-se à área do saneamento (Figura 5). É amplamente reconhecida a necessidade de atender a uma demanda histórica por investimentos mais substanciais nesse setor. As bases legais do saneamento básico no Brasil estão estabelecidas na Lei 11.44 (PINTO-COELHO, HAVENS, 2016). Figura 5: Alguns serviços que envolvem o saneamento básico no brasil. A- abastecimento de água; B- coleta e tratamento de esgoto, C- limpeza urbana, D- destinação adequada do lixo. Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/torneira-com-agua-caindo-vkgzPtlIgbU;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/vista-aerea-da-quadra-de-basquete- verde-e-marrom-_mZrKqrZaTc;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pessoas-coletando-lixo-em-caminhao-de-lixo-iR4mClggzEU;https://unsplash.com/pt-br/ fotografias/quatro-lixeiras-de-cores-variadas-ao-lado-da-parede-cinza-RkIsyD_AVvc Os sistema de gestão no Brasil desses serviços são de responsabilidade municipal e são muitas vezes concedidos a empresas estatais e privadas. Esse sistema enfrenta https://unsplash.com/pt-br/fotografias/torneira-com-agua-caindo-vkgzPtlIgbU https://unsplash.com/pt-br/fotografias/vista-aerea-da-quadra-de-basquete-verde-e-marrom-_mZrKqrZaTc https://unsplash.com/pt-br/fotografias/vista-aerea-da-quadra-de-basquete-verde-e-marrom-_mZrKqrZaTc https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pessoas-coletando-lixo-em-caminhao-de-lixo-iR4mClggzEU https://unsplash.com/pt-br/fotografias/quatro-lixeiras-de-cores-variadas-ao-lado-da-parede-cinza-RkIsyD_AVvc https://unsplash.com/pt-br/fotografias/quatro-lixeiras-de-cores-variadas-ao-lado-da-parede-cinza-RkIsyD_AVvc RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 91 inúmeros desafios significativos, como a pressão de grandes construtoras, bem como problemas relacionados a enchentes, escassez de água e deficiências crônicas na qualidade dos serviços de saneamento básico, incluindo distribuição de água, redes de esgoto, tratamento de esgoto, drenagem urbana e gestão de resíduos sólidos (PINTO-COELHO, HAVENS, 2016). Com base no exposto, salienta-se que para avançar em direção a uma governança eficaz de recursos hídricos, não é suficiente apenas aprovar novas leis ou reorganizar estruturas ministeriais e agências governamentais. O que se requer é uma melhor coordenação interinstitucional e a adoção de novas abordagens e conceitos, como a aplicação da Biologia da Conservação em conjunto com a utilização de ecotecnologias para o manejo e recuperação dos recursos hídricos e áreas degradadas (PINTO-COELHO, HAVENS, 2016). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 92 CAPÍTULO 9 TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS- FINALIZADO 9.1 Os desafios da remoção de espécies exóticas No Brasil, assim como em outros países, além da poluição aquática, temos outro desafio para a conservação da biodiversidade, a ocorrência de espécies invasoras. Conforme mencionado no segundo capítulo, tem registros de espécies invasora em diferentes ambientes brasileiros, trazendo prejuízos econômicos e ambientais. No ambiente marinho, temos alguns exemplos, sendo um deles a presença do peixe leão (Figura 1). O peixe-leão (Pterois spp.) é originário do Indo-Pacífico, e foi introduzido no Atlântico, em 1985, na Flórida, pela soltura desses animais no mar, por aquaristas (ICMBIO, 2023). O primeiro registro desse animal foi verificado em Arraial do Cabo, e os pesquisadores supõe que a sua ocorrência foi proveniente de dispersão larval oriundas do Caribe (FERREIRA et al. 2015). Após esse único registro na região sudeste brasileira, em 2020, o peixe-leão foi detectado em alguns locais da região nordeste e norte e no arquipelágo de Fernando de Noronha, provalvenemte também provenientes do Caribe (ICMBIO, 2023; SOARES et al. 2023). As principais preocupações para a biodiversidade é que esse organismo pode viver em diferentes profundidades, resistentes a diferentes parâmetros físico-químicos da água como turbidez e pH, além disso compentem por alimentos com espécies nativas, são capazes de colocar cerca de 30.000 mil ovos, aumentando de forma significativa a ocorrência desses animais (ICMBIO, 2023). Para a sociedade apresenta riscos para o turismo, atividades recreativas, mergulhadores (ICMBIO, 2023). Salienta-se ainda que esse peixe apresenta toxinas em seus espinhos que colocam em risco a saúde humana. Inclusive em 2022, foi registrado em o primeiro envenenamento em um pescador pelo peixe-leão no Ceára, que apresentou complicações de saúde, como convusões e parada cardiáca (HADDAD JUNIOR, 2022). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADECATÓLICA PAULISTA | 93 Como medidas de controle desse organismos o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) tem atuado de forma conjunta com voluntários, pesquisadores, mergulhadores, pescadores indicando as formas adequadas de manejo, atuando também com educação ambiental, comunicação, capacitação e monitoramento ambiental. Os profissionais do ICMBIO, reforçam a importância de não devolver esses animais para o mar. Além dessas medidas, Soares e colaboradores, destacam que ações como a criação de uma rede colaborativa para divulgação da sociedade e programas de educação ambiental, investimento em estudos ecológicos, detecção precoce, melhoria das legislações que regem o comércio aquarista e por fim, o gerencimanento de áreas marinhas protegidas, podem auxiliar no controle do peixe-leão (SOARES et al. 2023). Figura 1: Peixe-leão Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/le%C3%A3o-peixe-agua-oceano-mar-70500/ Um outro exemplo de espécie invasora de ambienta aquático, mas de áreas dulcícolas, é o mexilhão-dourado. Esse animal é originário da China, mas, foi se expandindo para outros países, como o Brasil. O mexilhão dourado, é cientificamente conhecido como Limnoperna fortunei, vive sobre em lagos, lagoas, represas e lagunas, margens e canais https://pixabay.com/pt/photos/le%C3%A3o-peixe-agua-oceano-mar-70500/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 94 de rios, fixo a algum tipo de substrato, que pode ser até mesmo outro organismo inscrustante (MMA, 2016; IBAMA, 2020). Sua ocorrência no Brasil, foi registrada a partir da década de 1990, através do que chamamos de água de lastro (IBAMA, 2020). A água de lastro auxilia na manutenção da estabilidade das embarcações (MARINHA DO BRASIL, 2022). No entanto, essa água de lastro é liberada em seu destino final, liberando os organismos do destino original para o ambiente, favorecendo dessa forma, a introdução de espécies invasoras (SANTOS; LAMONICA, 2008). É importante destacar que nem todo o organismo é capaz de sobreviver ao novo ambiente em que foi exposto, os que conseguem apresentam características de adaptação (SANTOS; LAMONICA, 2008). Voltando a questão do mexilhão-dourado, é válido ressaltar que a sua introdução no Brasil, tem impactado as espécies nativas, comprometendo a biodiversidade local (SANTOS; LAMONICA, 2008). Além disso, esses organismos causam prejuízos econômicos, pois, devido a seu potencial de reprodução e pela ausência de predadores naturais, sua inscruntação exacerbada entopem sistemas de bombeamento de águas de sistemas de refrigeração e de hidrelétricas, além de afetar a pesca de comunidades tradicionais (MMA, 2016; IBAMA, 2020). Figura 2: Mexilhão-dourado Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2f/Mexilh%C3%B5es_dourado.jpg RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 95 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Por conta da ocorrência desses organismos de forma acentuada a Usina de Itaiu, já precisou parar suas atividades para realizar a remoção desses animais (SANTOS; LAMONICA, 2008). No que se refere ao manejo de espécies oriundas de águas de lastro, o Brasil, faz parte de um projeto internacional chamado Programa Global de Gerenciamento de Água de Lastro” (GLOBALLAST) desenvolvido pela Organização Marítima Internacional (IMO), com foco no manejo da água de lastro como forma de minimizar a introdução de espécies invasoras (DE OLIVEIRA; PEREIRA, 2004). De forma mais específica para o controle do mexilhão-dourado são utilizadas no Brasil, algumas técnicas de manejo, como o controle mecânico, sendo o mais empregado no Brasil. Mas, também existem métodos de controles químicos, físicos e biológicos (MMA, 2016; IBAMA, 2020). A compreensão sobre as espécies invasoras no contexto de recuperação de áreas degradas, é fundamental, uma vez que são questões inter-relacionadas, que afetam diretamente a biodiversidade e a sociedade. Para projetos de recuperação em ambientes aquáticos, leve em consideração a identificação desses organismos e os impactos que causam, verifique junto aos órgãos ambientais competentes quais as técnicas de eliminação ou manejo devem ser utilizadas e a necessidade do monitoramento ambiental a curto e longo prazo. Salienta-se também como já foi mencionado previamente e ações de educação ambiental a fim de propriciar a sustentabilidade. 9.2 Recuperação de recifes de corais Antes de antrentrarmos sobre exemplos de recuperação de recifes de corais, é importante entender a importância dos mesmos. Os recifes de corais (Figura 3) são ecossistemas de grande relevância para a biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos (ZILBERBERG et al. 2016). Figura 3: Recifes de corais Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/TLxTFr9AoO0 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 96 Serviços ecossistêmicos (Figura 4), estão relacionados aos recursos que a natureza confere ao homem para sua sobrevivência, tendo papéis de suporte,provisão, regulamentação e culturais (MEA, 2005). Os serviços ecossistêmicos incluem por exemplo, ciclagem de nutrientes, recreação, alimentação, controle do clima, polinização, entre outros (MEA, 2005). Portanto, a perda da biodiversidade não significa somente uma perda ecológica, mas engloba todos os processos essenciais para a manutenção da vida humana na Terra (MEA, 2005). Figura 4: Serviços ecossistêmicos (A) A biodiversidade é um exemplo de serviço de suporte; (B) A pesca é uma exemplificação do serviço de provisão; (C) A recreação é uma forma de serviço cultural; (D) A purificação das águas é um exemplo de serviço de regulação. Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/praia-litoral-passaro-ave-17037868/; https://www.pexels.com/pt-br/foto/pescaria-2792153/;https://www.pexels.com/pt-br/foto/aventura-facanha-diversao-graca-18546030/;https://www.pexels.com/ pt-br/foto/foto-da-paisagem-das-quedas-464327/ No contexto dos recifes de corais, esses ambientes dispõe diversos serviços ecossistêmicos, como pesca, potencial farmâmeutico observado em diferentes animais que vivem nesse ambiente, extração de polissacarídeos de algas como ágar-ágar e carragenina, os recifes auxiliam na proteção costeira, são berçários de vários animais e áreas de reprodução favorecendo a manuntenção da biodiversidade, tem potencial de fixação de nitrogênio, por serem sensíveis são indicadores de poluição ambiental, contribuem para o turismo, recreação, entre outros (MOBERG; FOLKE, 1999). https://www.pexels.com/pt-br/foto/pescaria-2792153/ https://www.pexels.com/pt-br/foto/aventura-facanha-diversao-graca-18546030/ https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-da-paisagem-das-quedas-464327/ https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-da-paisagem-das-quedas-464327/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 97 Apesar de todos os benefícios desses ambientes, o aumento das atividades antrópicas vem degradando os recifes de corais, que estão sendo impactados pelos efeitos das mudanças climáticas e da poluição ambiental. Esse cenário tem chamado a atenção, já que esses ecossistemas estão em risco de desaparecimento a nível mundial (ZILBERBERG et al. 2016). Um dos exemplos, de impacto sobre os recifes de corais são os branqueamentos desses animais. Grande parte dos corais que são construtores de recifes têm uma relação de simbiose, com uma alga denominada zooxnatela. Por conta das mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, os pesquisadores verificaram que os corais expelem suas zooxantelas como uma resposta ao estresse das alterações da temperatura da água, formando mancham brancas nas colônias. A grande preocupção é que o coral, perde parte essencial para sua manutenção e isso pode levar a sua mortalidade (CASTRO; HUBER, 2012; ZILBERBERG et al. 2016). Outros fatores associados a mudanças climáticas,2017). Ainda nesse contexto, é importante salientar que as espécies compõem difrerentes ecossistemas, constituidos de fatores bióticos e abióticos. Os fatores bióticos, compreende todos os seres vivos que RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10 habitam um ecossistema, como animais, plantas, fungos, dentre outros. Já os fatores abióticos são as condicionantes que influenciam o ecossistema, como temperatura, umidade, água, solo, salinidade, pH, nutrientes, etc. (STEIN, 2018). Além dos conceitos mencionados previamente, duas definições relevantes dentro do contexto de recuperação de áreas degradas é o de poluição e de contaminação. Apesar de muitas vezes seres utilizadas como sinômino, esses termos apresentar conceitos distintos. A poluição é caracterizada pela presença de um composto no ambiente que pode ser prejudicial a saúde humana, bem como para outras espécies (MILLER; SPOOLMAN, 2016; SPELLMAN, 2017). Já a contaminação é definada pela presença de uma substância indesejada no ambiente, que não necessariamente é prejudicial, mas pode alterar a composição do meio (SPELLMAN, 2017). No que se refere a poluição, ressalta-se que os diferentes tipos de poluentes produzidos são provenientes de dois tipos de fontes. As fontes pontuais, são possíveis de identificação, e em alguns casos, até mesmo passíveis de medidas corretivas (SODRÉ, 2012; MILLER; SPOOLMAN, 2016). Um exemplo de fontes pontuais são o lançamento de efluentes doméstico ou industriais tratrados ou não, chaminés de usinas e fábricas. Na Figura 1, pode ser observado um exemplo de poluição por fontes pontuais. Figura 1: Exemplo de poluição por fonte pontual, o lançamento de gases de usinas que impactam a atmosfera. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/fotografia-de-paisagem-de-fabrica-459728/ Em contrapartida, as fontes difusas ou não pontuais de poluição, são mais complexas de serem identificadas, já que são verificas de forma dispersa. Alguns exemplos de fontes difusas são o uso de compostos químicos como os pesticidas que chegam https://www.pexels.com/pt-br/foto/fotografia-de-paisagem-de-fabrica-459728/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11 até diferentes compartimentos ambientais, plásticos e lixo observado nos oceanos e outros ambientes (BOTKIN; KELLER, 2000; MILLER; SPOOLMAN, 2016). Na Figura 2, pode ser observado uma exemplificação de poluição por fonte difusa. Figura 3: Exemplo de poluição por fonte difusa, ocorrência de lixo impactando a biodiversidade. Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/frWkCQZhe-I Além das diferentes dos tipos de fonte de poluoção, a literatura costuma trazer diferentes categorizações para a poluição com base no compartimento ambiental estudado, conforme descrito abaixo: • Poluição da água: é definada como as alterações da qualidade hídrica que impactam a biota e/ou tornam esse recurso impróprio para diversos usos como abastecimento, irrigação, recreação, entre outros (MILLER; SPOOLMAN, 2016). No contexto hídrico, várias atividades antrópicas como lançamento de efluentes sanitários, industriais sem tratamento nos sistemas, uso exacerbado de compostos químicos como metais, pesticidas, solventes, entre outros, tem favorecido a degradação dos corpos d’água (Figura 3). Os estudos envolvendo essa tipologia de poluição descrevem principalmente sobre eutofrização, acidificação dos oceanos, efluentes, doenças de veiculação hídrica, derramamento de óleo, qualidade desse recurso, entre outros (SPELLMAN, 2017). https://unsplash.com/pt-br/fotografias/frWkCQZhe-I RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12 Figura 3: Degradação do ambiente aquático. Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/garrafas-bebida-alcoolica-meio-ambiente-natureza-13171741/ • Poluição do solo: A poluição desse compartimento ambiental pode acontecer por meio de ações que liberam compostos químicos, físicos e/ou biológicos na natureza (SANTOS, 2017). Segundo a literatura (SANTOS, 2017; SPELLMAN, 2017) inúmeras atividades antrópicas podem ser danosas para o solo, como os lixões, uso de fertilizantes, pecuária intesiva, resíduos sólidos, mineração, atividades extrativistas, etc (Figura 4). Figura 4: Os lixões comprometem a qualidade dos solos Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavadeira-amarela-em-pilhas-de-lixo-3174350/ https://www.pexels.com/pt-br/foto/garrafas-bebida-alcoolica-meio-ambiente-natureza-13171741/ https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavadeira-amarela-em-pilhas-de-lixo-3174350/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13 • Poluição do ar: A poluiçaõ atmosférica pode ser oriunda de fontes naturais como vulcões, processos micorbiológicos, entre outros ou por influência humana como queimadas, combustão industrial, geração de energia, que dependendo das concentrações e do tempo de exposição podem causar efeitos prejudiciais (SANTOS, 2017; SPELLMAN, 2017). Nesse tipo de poluição, diferentes impactos sobre esse compartimento ambiental tem sido estudados como a chuva ácida, aquecimento global, destruição da camada de ozônio, materiais particulados, etc (Figura 5). Ressalta-se ainda que alguns dos exemplos mencioados acima ocorrem em escala local, mas seus efeitos impactam a nível global, o que chamamos de poluição transfronteiriça (FULLER et al. 2012; WALKER, 2014). Figura 5: Queima de combustíveis de um navio impactando a qualidade do ar. Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/ncgyJr5Emns • Poluição radioativa: Esse tipo de poluição é bastante prejudicial para o ambiente e para os seres humaos, e está associado aos riscos de acidentes de materiais radioativos como por exemplo, eventos de vazamento. Vale destacar que muitos produtos químicos radioativos são encontrados de forma natural, como em rochas, água e no solo. Os mais conhecidos são o radônio e o rádio que são https://unsplash.com/pt-br/fotografias/ncgyJr5Emns RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14 provenientes dessas fontes. Já as fontes antropogênicas são as consideradas mais periogosas, já que são os locais de armazenamento de resíduos radioativos (SANTOS, 2017; SPELLMAN, 2017). Na Figura 6, pode ser observado uma demarcação de área que amarzena materiais radioativos. Figura 6: Local com sinalizações de armazenamento de materiais radioativos Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/xXbQIrWH2_A ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um indicidente radiotivo aconteceu no Brasil no ano de 1987, em Goiás- Goiânia duas pessoas encontraram um aparelho de radioterapia que continha o elemento radioativo Césio-137 envolto por uma cápsula. Partes desse equipamento foi vendido e em pouco tempo o material que apresentava uma luz azul por conta da presença do Césio-137 foi sendo compartilhado alcançando vários moradores locais. Ao todo foram monitoradas cerca de 112 mil pessoas foram acompanhadas, por conta do contato direito ou indireto (FUINI et al. 2013; VIEIRA, 2013; SANTOS, 2017). • Outros tipos: Além da poluição do ar, da água, do solo e a radiotiava, podem ocorrem ainda a poluição luminosa, térmica, sonora, visual, por espécies invasoras, etc. O esquema abaixo (Figura 7) ilustra esses tipos de poluições. https://unsplash.com/pt-br/fotografias/xXbQIrWH2_A RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15 Figura 7: Exemplos de poluição. (A) Poluição luminosa, (B) Poluição visual, (C) Poluição sonora oriunda de buzinas e sirenes de veículos e (D) Poluição térmica, causando mudanças na temperatura das águas e por consequência a mortalidade de peixes. Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/oBLgQQjFGaU; https://unsplash.com/pt-br/fotografias/0_la3_Slfwk; https://br.freepik.com/fotos-gratis/ rua-da-cidade-grande-do-ponto-de-vista-de-passaro_7524126.htm#query=congestionamento&position=2&from_view=keyword&track=sph;https://www.são a redução das taxas de crescimento desses organismos (ZILBERBERG et al. 2016). Algumas técnicas são utilizadas para a reparação de recifes de corais. Uma delas são os recifes artificiais. Esses recifes artificiais são feitos com diversos materiais, como pneus, bambus, blocos de concreto, casco de embarcações depositados no fundo do mar que propiciam substrato para diversos organismos bêntonicos (SANTOS et al. 2010; OLIVEIRA et al. 2008). Os recifes artificiais auxiliam no aumento do pescado, trazendo benefícios socioecônomicos para as pessoas que dependem desse recurso, além das atividades do mergulho. No entanto, os recifes artificiais, costumam favorecer o aumento de peixes, o que pode facilitar a sua captura e ter como consequência seu esgotamento (CASTRO; HUBER, 2012; OLIVEIRA et al. 2008). Uma outra técnica utilizada é o transplante de coral, sugerido para aumentar a cobertura coralínea em uma área, que consiste na inserção de colônias de uma áreas “doadora” para outra que precisar ser recuperada. Geralmente, as colônias são fixadas com cimento epoxy no substrato, ou o processo de fixação pode ser natural. É importante levar em conta as questões físico-químicas do ambiente (OLIVEIRA et al. 2008). Importante ressaltar com base no tópico anterior, sobre espécies exóticas, que a escolha desses organismos precisam levar em conta as características das espécies locais, para não causar um problema ambiental de bioinvasão Já o tranplante de fragmentros, consiste na remoção dos mesmos no local para a restauração em um outros ambiente, como em laboratórios e transferidos novamente RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 98 para sei ambiente de origem. Outro método são os cultivos de corais, que consistem na remoção de fragmentos de colônias “doadoras” são transportados para um local de cultivo, e após o desenvolvimento da sua estrutura natural de fixação são inseridos em áreas de recifes que estão impactadas. (OLIVEIRA et al. 2008). 9.3 Biorremediação O termo biorremediação refere-se ao uso de organismos (ex: plantas, microrganismos ou enzimas) para a redução ou elimnação de poluentes ambientais em substância com baixos efeitos tóxicos (ROCHA, ROSA, CARDOSO, 2009). Essse método pode atuar sobre diferentes poluentes como: pesticidas, compostos clorados, corantes, gases do efeito estufa, águas residuais, plástico, hidrocarboneto, entre outros (AZUBUIKE et al. 2016). Esse tipo de tramento biológico pode ter aplicações na descontaminação do solo, água, lamas (BOOPATHY, 2000).A biorremediação, de forma geral, tem baixo custo e é bem aceita pela sociedade (KENSA, 2011). A biorremediação pode ser divididas em duas formas de tratamento, o que chamamos de biorremediação in situ, ou seja, o tratamento é feito na área que está contaminada. Já a biorremediação ex situ, necessita que o material que está poluído seja removido e levado para um local com tratamento adequado (KENSA, 2011). Dentro dos tratamentos in situ, podemos ter algumas técnicas, como (BOOPATHY, 2000; KENSA, 2011. ALENCAR, et al. 2009): • Biorremediação natural: método que consiste nos processos naturais para a eliminação e controle de diferentes poluentes; • Bioestimulação: Estímulo das comunidades microbianas através do fornecimento de nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo; • Bioaumentação: Consiste na adiação de culturas de bactérias com potencial de degradação de poluentes. Já nos tratamentos ex situ, outras técnicas são empregadas, como (BOOPATHY, 2000; KENSA, 2011. ALENCAR, et al. 2009): • Compostagem: Conversão da matéria orgânica para em compostos benefícios, como o adubo natural. • Biorreatores: Processo de biodegradação em reatores, usado geralmente para tratar líquidos ou lamas, com alto grau de poluição. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 99 • Landfarming: é um método onde os resíduos são dispersos do solo contaminado, passando por aração e distribuição até que os contaminantes sejam eliminados. Outros dois conceitos importantes dentro da biorremediação, são bastante utilizados. A fitorremediação que envolve a redução de poluentes no ambiente utilizando plantas nesse processo (ALENCAR, et al. 2009). Já a micorremediação tem a mesma finalidade, no entanto, os fungos que são utitlizados nesse tipo de biorremediação (KENSA, 2011). Para a biorremediação ser funcional, alguns fatores ambientais precisam ser levados em conta como a ausência de nutrientes, toxicidade e solubilidade do contaminante, condições inibitórias de crescimento bacteriano, entre outros (KENSA, 2011). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um exemplo marcante da aplicação da biorremediação, aconteceu em 1898, no Alasca, com o derramamento de petróleo pelo navio petroleiro Exxon Valdez (Figura 5). O processo de biorremediação empregado em mais de 100 km da costa que foi poluída. O método consistiu na adição de fertilizantes a base de nitrogêmio que favoreceram o crescimento de microrganismos locais, possibilitando a degradação de hidrocarbonetos ( BAIRD, CANN, 2011). Figura 5: Navio petroleiro Exxon Valdez Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/13266806523/bbeecc7dfd/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 100 As macroalgas são bastante utilizadas em processos de biorremediação (Figura 6). Elas podem ser utilizadas como biorremediadoras, reduzindo nutrientes de efluentes de cultivos de camarões (MARINHO-SOARIANO et al. 2002). Também são empregadas na adsorção de metais (ZERAATKAR et al. 2016), no tratamento de águas residuais (NEVEUX et al. 2016). Bactérias também são frequentemente usadas na biorremediação, um exemplo, muito utilizado é a espécie Pseudomonas aeruginosas. A bactéria P. aeruginosa tem sido estudada na degradação, por exemplo de óleo diesel, óleo bruto, corantes, cobre, cromo e pesticidas (ABATENH et al. 2017). Figura 6: Exemplo de uma macroalga Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/yNlKG8EBqrM Assim como outras técnicas, a biorremediação pode apresentar vantagens e desvantanges. As vantagens são o seu custo baixo quando comparada a outras tecnologias, tem apresentado casos de sucesso, onde é possível diminuir a poluição de ambientes em ambientes aquáticos. Além disso, alguns compostos prejudiciais tem se tornando biomassa (SHISHIr et al. 2019). https://unsplash.com/pt-br/fotografias/yNlKG8EBqrM RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 101 Estudos com microalgas, por exemplo, tem demonstrado a aplicação da biomassa de microalgas, após a degradação de poluentes, agregando valor aos novos produtos gerados ou na incoporação de outros processos (DIAS et al. 2019). As microalgas, são capazes de remover nutrientes, antibióticos e metais pesados (DIAS et al. 2019). Em contrapartida, as desvatanges do uso da biorremediação está associada a limitação da degradabilidade dos compostos. Além disso, alguns subprodutos, podem ser mais prejudiciais que a susbtância natural. Para esse processo ser exitoso, conta- se com alguns fatores ambientais que já foram previamente mencionados. Ademais, muitos projetos de biorremediação estão em fase inicial de pesquisa, tornando mais complexo a inserção em larga escala (SHISHIr et al. 2019). Por fim, gostaria de ressaltar que apesar das limitações expostas, a biorremediação se apresenta como uma importante ferramenta de recuperação de ambientes aquáticos, em muitos casos é eficaz na eliminação ou remoção de poluentes. A importância de empregar esse processo, pode servir de complemento a outras técnicas de recuperação de áreas degradadas e visa a manutenção da biodiversidade dos ecossistemas. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 102 CAPÍTULO 10 ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS EM RECUPERAÇÃO DE ÁREASDEGRADADAS Para começarmos, é importante que você saiba que o interesse pelo plantio de espécies nativas tem experimentado um aumento, acompanhado pela demanda crescente por informações acerca das espécies apropriadas destinadas à recuperação de áreas degradadas e à reposição de vegetação de reserva legal e matas ciliares (POTT; POTT, 2002). Relembrando que espécies nativas referem-se a organismos que ocorrem naturalmente em uma determinada região geográfica, sem intervenção humana direta na sua introdução ou migração. Essas espécies evoluíram e se adaptaram às condições ambientais específicas desse local ao longo de um longo período de tempo, formando parte integrante do ecossistema local. No Brasil, o Jacarandá é uma exemplificação de uma espécie nativa, que apresenta potencial para ser utilizada na recomposição de áreas degradadas, destacando-se por seu crescimento rápido, comportamento competitivo e capacidade de adaptação a solos com características arenosas e argilosas (ALMEIDA et al. 2005) Figura 1: Jacarandá Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/40013757113/9d30d90336/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 103 O exemplo acima foi apenas o início para se familiarizar com o que trataremos ao longo desse capítulo, mas, antes é importante que você conheca os diversos critérios essenciais que orientam a seleção desses organismos. 10.1 Critérios para seleção de espécies vegetais em projetos de restauração A seleção criteriosa de espécies vegetais é essencial para o sucesso de projetos de restauração ambiental. Diversos fatores devem ser considerados ao escolher as plantas mais apropriadas para uma determinada área. Abaixo estão alguns dos principais critérios para a seleção de espécies em projetos de restauração: • Adaptabilidade local: Há variações na adaptação de diferentes espécies a condições de solo, umidade e clima, tornando importante considerar as características do ambiente. Alguns tipos de solo, como argiloso, arenoso e médio, podem favorecer diferentes espécies, assim como a preferência por climas quentes ou frios. Portanto, ao tomar decisões sobre quais espécies plantar, é fundamental observar as árvores nativas presentes na propriedade e nas áreas circundantes para fazer escolhas adequadas (EMATER, 2019). • Conceito de Planta alvo: Ao introduzir espécies nativas em uma área específica como parte do processo de restauração, é essencial considerar diversos fatores para assegurar a eficácia da restauração e obter os resultados mais favoráveis para cada local. Esses fatores foram organizados e compreendidos no âmbito do Conceito de Planta Alvo (SAMPAIO et al. 2021). Esse conceito (Figura 2) considera os aspectos como variabilidade genética, avaliação do local, medidas de mitigação e desenvolvimento adequado das raízes e ausência de doenças, em vez de depender exclusivamente da aparência, como o tamanho (SAMPAIO et al. 2021)A primeira etapa para implementação desse conceito é entender para qual objetivo principal será inserida uma determinada planta alvo para reflorestamento ou restauração (LANDIS, 2011). Em áreas altamente degradadas, como aquelas presentes em escombros de minas ou em antigas pedreiras, a escolha inicial de material vegetal pode ser representada por sementes de gramíneas e ervas. Essas são utilizadas para estabilizar o local temporariamente até que a vegetação lenhosa possa ser estabelecida (DUMROESE et al. 2016). O passo seguinte é realizar uma avaliação do local. Para reflorestamento ou restauração, é imperativo descrever abrangentemente a área do projeto desde o início do processo. Ao empregar um mapa da área do projeto, a avaliação dos RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 104 solos torna-se fundamental, permitindo uma sobreposição dos diferentes tipos de solo (LANDIS, 2011). Após essa avaliação, serão verificadas os fatores limitantes. Fatores limitantes referem-se aos elementos que impedem ou diminuem a sobrevivência e o crescimento do material vegetal. Uma variedade de fatores atmosféricos e edáficos pode apresentar limitações, sendo que a umidade e a temperatura do solo são os fatores mais frequentemente considerados (LANDIS, 2011; DUMROESE et al. 2016). A etapa posterior, são as medidas de mitigação frente aos fatores limitantes encontrados. Após a identificação e classificação dos fatores limitantes, torna-se essencial determinar a maneira mais eficaz e economicamente viável de mitigar seus efeitos. As coberturas de matéria orgânica, são frequentemente empregadas para evitar a erosão superficial do solo e retardar a perda de umidade do solo (LANDIS, 2011). A próxima etapa, consiste na escolha das espécies, considerando diversos parâmetros. Uma vez que as espécies são identificadas, é imperativo levar em consideração os fatores genéticos durante a produção dos materiais vegetais, incluindo adaptação local, diversidade genética, mudanças climáticas e, no caso de espécies dióicas, diversidade sexual (DUMROESE et al. 2016). Quando se trata de variabilidade genética, por exemplo, a seleção de uma espécie específica ou de múltiplas espécies para um projeto dependerá da disponibilidade de material de propagação, dos objetivos do projeto, das condições do local e de fatores limitantes. Uma mistura diversificada de espécies nativas é normalmente melhor para projectos que visam restaurar a estrutura natural e apoiar a função ecológica dos habitats (DAVIS; PINTO, 2021). Cabe salientar que uma variedade de materiais vegetais podem ser utilizados, como de viveiros convencionais, como mudas em recipientes, mudas de raiz nua, estacas enraizadas, assim como estacas não enraizadas (também conhecidas como estacas) e sementes (DUMROESE et al. 2016). Ressalta-se que o sucesso da planta-alvo reside no desempenho em campo. Tanto as plantas quanto os projetos necessitam de monitoramento e avaliação contínuos após o plantio externo, a fim de verificar a sobrevivência e o crescimento, e para revisar o desempenho em relação aos objetivos iniciais e às práticas empregadas (DAVIS; PINTO, 2021). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 105 Figura 2: Aspectos que envolvem o Conceito de Planta Alvo. Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Landis (2017). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Na região sudeste dos Estados Unidos, Pinus palustris L. é uma espécie de reflorestamento amplamente desejada devido à sua madeira de alta qualidade e ao seu papel crucial como espécie-chave em um ecossistema altamente diversificado, porém ameaçado. Atualmente, um objetivo geral é aumentar o plantio de P. palustris para restaurar essa comunidade vegetal (DUMROESE et al. 2016) 10.2 Sucessão ecológica A sucessão ecológica é definida pela alteração na composição de espécies ao longo do tempo em resposta a fatores de mudança, sejam eles de natureza abiótica ou biótica.A sucessão progride por vários estágios, incluindo um estágio considerado como clímax, sendo concebido como um ponto estável que experimenta alterações mínimas até que algum distúrbio significativo leve a comunidade de volta a um estágio anterior (CAIN, 2017). Existem, três tipos de sucessão ecológica, que são classificadas da seguinte forma: Sucessão degradativa: é caracterizado por sua ocorrência em uma escala temporal relativamente curta, manifestando-se em qualquer matéria orgânica falecida, como animais ou plantas em estado de decomposição. Geralmente, observa-se a presença e desaparecimento de diversas espécies ao longo desse processo, à medida que a degradação da matéria orgânica consome alguns recursos e disponibiliza outros (STEIN, 2017). Sucessão alogênica: é caracterizada por um processo de substituição de espécies que decorre de mudanças externas, como incêndios, tempestades ou processos RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOSSANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 106 geológicos, além de forças geofísicoquímicas. Essa forma de sucessão é influenciada por fatores exógenos que desencadeiam alterações na composição das espécies em um ecossistema (STEIN, 2017). Sucessão autogênica: presente em ambientes recém-criados, é tipicamente resultado de processos biológicos que modificam condições e recursos. Essa forma de sucessão pode ser subdividida em duas categorias distintas, a saber, sucessão primária e secundária (STEIN, 2017). Sucessão primária- Envolve o progressivo estabelecimento de comunidades contendo diversas espécies em áreas desprovidas de vida, caracterizadas pela ausência de solo em comunidades terrestres ou pela falta de sedimento no leito em comunidades aquáticas.O processo de sucessão primária pode demandar de centenas a milhares de anos para sua conclusão, em virtude da necessidade de formar solo fértil ou acumular sedimentos aquáticos que proporcionem os nutrientes essenciais para o estabelecimento de uma comunidade de produtores (MILLER; SPOOLMAN, 2015). Em relação a sucessão ecológica vegetal, a sucessão primária ocorre quando as plantas colonizam uma superfície que não havia sido previamente vegetada. Isso é evidenciado por exemplos como o estabelecimento de comunidades vegetais sobre campos de lava, terrenos com sulcos expostos devido à retração de uma geleira, afloramentos rochosos, dunas de areia (Figura 3), praias recém-formadas e bancos de areia em rios. Em uma escala mais ampla, esse processo também abrange ilhas recém-emergidas do mar (GUREVITCH et al. 2009). Figura 3: Duna Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/dessert-field-pVr6wvUneMk RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 107 Sucessão secundária - refere-se ao processo de transformação na comunidade após a ocorrência de distúrbio ou degradação. Com o passar do tempo, observa-se um aumento na biomassa e diversidade, uma alteração na composição que vai da predominância de espécies pioneiras para uma maior participação de espécies tardias, e a recuperação do solo, microclima e fauna típicos de ecossistemas maduros (SAMPAIO et al. 2021). Entre as áreas propensas à sucessão secundária, incluem-se, florestas impactadas por queimadas ou desmatamento (Figura 4), riachos altamente poluídos e terrenos previamente inundados. Considerando a presença de solo ou sedimento, é viável que uma nova vegetação inicie o processo de germinação em algumas semanas (MILLER; SPOOLMAN, 2015). Figura 4: Floresta desmatada. Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/corpo-de-agua-perto-de-arvores-durante-o-dia-Y4pW7n5FnsQ A sucessão ecológica é reconhecida como um serviço ecossistêmico significativo, contribuindo para a ampliação da biodiversidade nas comunidades e ecossistemas. Esse processo favorece o aumento da diversidade de espécies e das interações entre elas, promovendo a sustentabilidade do ecossistema. Essas interações desempenham um papel crucial ao fortalecer o controle populacional e enriquecer a complexidade das redes alimentares, resultando em maior fluxo de energia e ciclagem de nutrientes. Tanto RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 108 as sucessões ecológicas primárias quanto as secundárias exemplificam a restauração ecológica natural (MILLER; SPOOLMAN, 2015). Segundo Stein (2017) diferentes espécies irão colonizar a área em momentos distintos, e essas espécies podem ser categorizadas em: • Espécies pioneiras- Um exemplo notável envolve árvores que dependem da abertura de clareiras para sua colonização, pois germinam apenas na presença de luz solar direta e necessitam dela para seu desenvolvimento — suas sementes podem permanecer inativas no solo por longos períodos. Essas espécies, denominadas pioneiras, à medida que crescem e fecham o dossel, são sucedidas por outras espécies capazes de germinar, estabelecer-se e prosperar em condições sombreadas, embora permaneçam no banco de sementes (SAMPAIO et al. 2021). ANOTE ISSO O dossel pode ser localizado a vários metros de altura, sendo o resultado da sobreposição dos galhos e folhas das árvores. Em florestas tropicais, a maior parte da vida é observada nas próprias árvores, tornando o dossel o habitat mais rico em termos de fauna e flora (STEIN, 2017). Um exemplo de espécies pioneiras utilizada para a recuperação de áreas degradadas é o pau pólvora, árvore neotropical de porte pequeno a médio, é encontrada em locais bem drenados, sem ser submetida a condições de seca extrema. Sua característica pioneira é mais evidente em ecossistemas não degradados, como florestas ou capoeiras. Em clareiras recentemente formadas, a germinação das sementes do banco de sementes ou provenientes da última chuva resulta na formação de povoamentos densos (CARPANEZZI et al. 1990). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo conduzido por Barbosa e colaboradores (2003) avaliou o crescimento de duas espécies florestais pioneiras, o pau-de-balsa (Ochroma lagopus Sw.) e caroba (Jacaranda copaia D. Don) para a recuperação de áreas degradadas pela agricultura. Os pesquisadores observaram que a sobrevivência da espécie pau-de- balsa (Figura 5) foi mais elevada em uma área gradeada (97,1%) em comparação com uma área não gradeada (92,5%) no primeiro ano após o plantio. No caso da caroba, a sobrevivência foi de aproximadamente 90%, sem diferenças significativas entre as áreas. O que sugere que as espécies selecionadas são capazes de serem utilizadas para a recuperação de ambientes impactos pelas atividades agrícolas. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 109 Figura 5: Pau-de-balsa Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/4884393198/579a713c6e/ • Espécies secundárias- Também conhecidas como oportunistas de clareira, essas espécies possuem sementes geralmente aladas e de curta longevidade natural, necessitando de períodos secos para sua dispersão anemocórica (disseminação de sementes de uma planta pela ação dos ventos); no entanto, também podem apresentar dispersão zoocórica (dispersão de sementes por animais). As sementes não exibem dormência e têm a capacidade de germinar à sombra da mata, frequentemente formando um banco de plântulas sob o dossel. As plântulas recém-germinadas possuem poucas reservas e seu desenvolvimento é estimulado com o surgimento de clareiras (STEIN, 2017). Ressalta-se que o grupo é subdividido em Secundárias Iniciais (crescimento rápido e ciclo relativamente curto) e Secundárias Tardias (crescimento médio e ciclo longo). Constituem o estágio intermediário da sucessão vegetal, desenvolvendo-se depois do estabelecimento das espécies pioneiras (EMBRAPA, 2023). Um exemplar de espécie secundária é o angico branco (Figura 6). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 110 Figura 6: Angico branco Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/6213751911/37a4c3b5e0/ • Espécies climácicas: Quando um ambiente alcança uma condição de estabilidade, com uma grande quantidade de nutrientes e todas as condições e recursos ideais, e uma fauna já associada ao local, outras espécies muito mais exigentes, com ciclo de vida longo e melhores competidoras, se estabelecem – as espécies clímax. Elas dependem da umidade no solo e também de uma ampla gama de nutrientes para que suas sementes germinem (STEIN, 2017). Um exemplo de espécie climática é o jatobá (Figura 7). Figura 7: Jatobá Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/4682147450/ae065fb77b/ https://visualhunt.com/f7/photo/6213751911/37a4c3b5e0/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 111 Para facilitar a compreensão das diferentes espécies que fazem parte da sucessão ecológica a Tabela 1, apresenta as característica de forma resumida das espécies pioneiras, secundárias e climácicas.Característica Espécie pioneira Espécie secundária Espécie secundária tardia Espécie climácica Crescimento Muito rápido Rápido Médio Lento Madeira Muito leve leve Mediamente dura Dura e pesada Tolerância à sombra Muito intolerante Intolerante Tolerante no estágio juvenil Tolerante Regeneração Banco de sementes Banco de plântulas* Banco de plântulas* Banco de plântulas* Dispersão das sementes Ampla com grandes distâncias Restrita Principalmente pelo vento Ampla Tamanho das sementes e frutos dispensados Pequeno Médio Pequeno a médio, mas sempre leve Grande e pesado Dormência das sementes Induzida Sem Sem Inata Idade da 1ª reprodução Prematura (1 a 5 anos) Intermediária (5 a 10 anos) Relativamente tardia (10 a 20 anos) Tardia (>20 anos) Dependência a polinizadores específicos Baixa Alta Alta Alta Tempo de vida Muito curto Curto (10 a 25 anos) Longo (25 a 100 anos) Muito longo (>100 anos) * Plântulas são plantas em estágio inicial de desenvolvimento, após a germinação da semente e antes de atingirem a fase adulta. Tabela 1: Característica das espécies pioneiras, secundárias e climácicas. Fonte: Ferretti et al. (1995) apud Carpanezzi (1998). Ressalta-se que é fundamental ter a habilidade de reconhecer as distintas etapas da sucessão ecológica, pois essas fases têm implicações diretas no desenvolvimento do Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) (STEIN, 2017). Ao longo deste capítulo, exploramos as espécies vegetais utilizadas na recuperação de áreas degradadas, compreendendo desde a seleção criteriosa dessas plantas até a importância de considerando todas as etapas que envolvem o conceito de planta alvo. Além disso, a compreensão das diferentes fases da sucessão ecológica é essencial RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 112 para orientar o processo de recuperação de forma eficiente. Ao encerrar este capítulo, reiteramos a complexidade e a relevância dessas decisões no contexto da recuperação de áreas degradadas, destacando a necessidade contínua de abordagens sustentáveis e ecologicamente conscientes para restaurar e preservar os ecossistemas. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 113 CAPÍTULO 11 O MONITORAMENTO AMBIENTAL E A GESTÃO AMBIENTAL COMO ALIADOS NA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS Neste capítulo, você irá aprender sobre a relevância do monitoramento ambiental e a gestão ambiental, destacando como esses componentes são correlacionados para promover a restauração e recuperação ambiental. 11.1 Monitoramento ambiental O monitoramento ambiental envolve a observação e o estudo do ambiente. A partir do monitoramento ambiental é possível recolher informações do ambiente e derivar conhecimento (ARTIOLA et al. 2004). Com base no panorama do ambiente podemos fornecer subsídios para a tomada de decisão de gestores ambientais que devem considerar não somente o ambiente, mas, as esferas sociais e econômicas para a deliberação das próximas ações que serão tomadas (ARTIOLA et al. 2004). Ressalta-se que o monitoramento ambiental pode servir como fornecer aporte para outras pesquisas. Por conta do aumento populacional e das atividades industriais o monitoramento ambiental tornou-se cada vez mais necessário e crítico. É atráves do monitoramento ambiental que os pesquisadores consequem detectar a ocorrência de produtos químicos como os pesticidas em diferentes compartimentos ambientais em todo o mundo (ARTIOLA et al. 2004). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo conduzido por Caldas e colaboradores (2019) avaliou as amostras de água potável e superficiais da região Sul do Brasil em um período de 4 anos. Através das análises foi possível detectar 30 compostos, sendo 22 pesticidas e 8 produtos farmacêuticos e de higiene pessoal. Uma das descobertas desses pesquisadores nesse estudo é que o pesticida atrazina estava presente em mais de 50% das amostras de água analisadas, incluindo a água potável. Os pesquisadores alertam para os resíduos dessas substâncias no ambiente e seus potenciais riscos para a saúde humana e ambiental. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 114 Cabe destacar que o monitoramento ambiental é uma abordagem ampla e multidisciplinar, que envolve profissionais de diferentes áreas como biólogos, físicos, químicos, ecológos, matemáticos, estatísticos, entre outros (ARTIOLA et al. 2004). Segundo Artiola e colaboradores (2004) o monitoramento ambiental, pode auxiliar, por exemplo, nos seguintes aspectos: Proteção e garantia da qualidade da água destinada ao abastecimento público- o monitoramento de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos da qualidade da água de fontes subterrâneas ou superficiais (Figura 1), detecção de fontes de poluição hídrica, tratamento de resíduos e disposição para o ambiente. Figura 1- Monitoramento ambiental da água potável Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/copo-de-bebida-transparente-cheio-de-agua-928854/ • Gerenciamento de resíduos perigosos ou não e radioativos: envolve o descarte e possíveis danos desses tipo de resíduo para a saúde pública e ambiental. • Qualidade do ar: detecção das fontes de poluição, transporte e os prejuízos para a saúde humana e ambiental. • Proteção dos recursos naturais: envolve o abastecimento públido da água, degradação da qualidade dos solos e terra, segurança alimentar, entre outros. • Mudanças climáticas: estratégias para o controle e mitigação da poluição ambiental que estão associados ao clima e a saúde pública. https://www.pexels.com/pt-br/foto/copo-de-bebida-transparente-cheio-de-agua-928854/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 115 • Previsão do tempo (Figura 2): medições que auxiliam na antecipação das condições climáticas, previsão das mudanças climáticas e suas implicações como inundações, secas, furacões, ciclones, entre outros. Figura 2: Ciclone, uma exemplificação do que é possível prever através do monitoramento ambiental. Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/tufao-i9w4Uy1pU-s • Ameaça a biodiversidade: descrição de novas espécies, levantamento de espécies, programas de conservação e proteção. O monitoramento ambiental, auxilia na detecção de espécies ameaças, alguns exemplos de espécies ameaçadas no Brasil estão descritos no captílo 2, que trata sobre os biomas brasileiros. Além disso, o monitoramento ambiental tem sido empregado no Brasil e em outros países para rastrear e atuar em formar de controle de espécies exóticas. Além dos organismos já mencionados em outros capítulos que são invasores da fauna brasileira, como o javali, o mexilhão dourado e o peixe leão, destaca- se também o coral sol. O coral sol é uma espécie nativa do Oceano Pacífico (CAIRNS, 2000). No entanto, esse coral azooxantelado passou a ser classificado como uma espécie de distribuição global devido à sua disseminação em todo https://unsplash.com/pt-br/fotografias/tufao-i9w4Uy1pU-s RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 116 o mundo por meio de bioincrustações em plataformas petrolíferas e cascos de navios (FENNER; BANKS, 2004). No Brasil, esse organismo é considerado de alta prioridade no alvo de ações de prevenção, controle e Monitoramento pelos órgão ambientais, já que apresentam um alto potencial de pretação e alteração do meio, competem com espécies nativas, além de reduzir os recursos para as espécies locais e como consequência colocam em risco a biodiversidade dos ecossistemas (IBAMA, 2018). O monitoramento, mapeamento e remoção mecânica desses organismos são realizadas em algumas Unidades de Conservação no Brasil, sendo elas: a Estação Ecológica de Tamoios, Baía da Ilha Grande (RJ); Estação Ecológica Tupinambás, localizada entre os municípios de SãoSebastião e Ubatuba (SP); e a Reserva Biológica do Arvoredo, localizada entre os municípios de Florianópolis e Bombinhas (SC) (IBAMA, 2018). Além da remoção manual, algumas pesquisas tem como objetivo a busca por métodos alteranativos de controle, incluindo o uso de compostos químicos como por exemplo a aplicação de de biocida a base de substâncias naturais em larvas desse organismo (COSTA et al. 2022). Figura 3: Coral Sol Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/28511732441/91b6b71027/ Um outro fator importante quando se trata de monitoramento ambiental e a fauna, é o uso de bioindicadores. Você se recorda que tratamos sobre isso no capítulo 4, que refere-se a indicadores da qualidade dos solos ? Mas, além da qualidade dos solos, RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 117 outros organismos podem ser utilizados para a indicar a qualidade hídrica e serem bons aliados no monitoramento ambiental. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA No Brasil, o mexihão Perna perna tem sido empregado em muitos estudos de monitoramento ambiental. Um exemplo, é o estudo conduzido por Avelar et al. 2000, que usou essa espécie de mexilhão para demonstrar a contaminação de diferentes metais como chumbo e cromo na Baía de Ubatuba em São Paulo. Diversas instituições governamentais, empresas e entidades privadas participam da coleta, armazenamento e avaliação de dados ambientais (ARTIOLA et al. 2004). No Brasil, algumas agências públicas e privadas realizam o monitoramento ambiental, como por exemplo: • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)- O IBAMA é uma autarquia federal que tem inúmeras atribuições, sendo uma delas o monitoramento ambiental, sobretudo no contexto da prevenção e controle de desmatamento, incêndios florestais e queimadas (IBAMA, 2018). No site do IBAMA é possível ter acesso a dados de monitoramento da Amazônia, dos estudos de levantamento de desmatamento dos diferentes biomas brasileiros, entre outros. • Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)- O INPE tem como enfoque a formação de pesquisas científicas e tecnológicas espaciais no Brasil. Uma das áreas de atuação é o monitoramento ambiental através de sensoriamento remoto e geoprocessamento (INPE, 2023). O INPE fornece dados importantes como a previsão do clima e do tempo, dados sobre desmatamento e queimadas em diferentes biomas, entre outros. • Agência Nacional de Águas e Saneamento básico (ANA)- A ANA tem como propósito atender o que está disposto nas diretrizes de legislação das águas do Brasil. Uma das frentres da ANA é o monitoramento ambiental, voltada para a situação dos recursos hídricos. Essa autarquia ferederal é responsável pela coordenadação da Rede Hidrometerológica Nacional que detem dados com o auxílio dos estados e outros informações importantes como vazão, sedimentos dos rios, precipitação, entre outros (ANA, 2023). • Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)- O ICMBio tem como enfoque, administrar, salvaguardar, supervisionar e acompanhar as unidades de conservação criadas pelo governo federal (ICMBIO, 2023). O ICMBio tem alguns projetos de monitoramento ambiental que engloba o ambiente terrestre, aquático RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 118 continental e marinho e costeiro. Destaca-se também o monitoramento ambiental de espécies ameaçadas e exótica nesses diferentes ambientes. • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)- A Embrapa é uma empresa pública associada a Ministério da Agricultura e Pecuária, que tem como enfoque pesquisas agropecuárias, produção sustentável, entre outros (EMBRAPA, 2023). A Embrapa disponibiliza dados de sensoriamento remoto usados no setor agrícola e ambiental. • ONGs e Institutos de Pesquisa: Além dos órgãos ambientais supracitados, instuições não governamentais, Universidades e Instuições de pesquisa realizam monitoramento ambiental nas cinco regiões do Brasil, envolvendo diferentes estudos de monitoramento ambiental como de conservação e preservação da biodiversidade, qualidade dos diferentes compartimentos ambientais, dentre outros. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA O projeto o Projeto Hippocampus, é uma exemplificação de uma instuição não governamental que é formado por uma parceria ente diferentes Universidades, órgãos ambiebtais de diferentes esferar em prol da conservação, monitoramento de cavalos-marinhos (Figura 4), bem como na atuação da educação ambiental para a promoção da preservação desse organismo (PROJETO HIPPOCAMPUS, 2023). Figura 4: Cavalo- marinho Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-natureza-embaixo-da-agua-8887695/ https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-natureza-embaixo-da-agua-8887695/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 119 Para fechar esse tópico é importante que compreenda que no contexto de recuperação de áreas degradadas, o monitoramento abiental pode ser uma importante ferramenta para a avaliação dos parâmetros ambientais como a qualidade da água e do solo, no controle de processos erosivos, no levantamento da fauna e da flora, nas formas de mitigação e controle da poluição e na participação social. No que se refere ao envolvimento social, é importante destacar os projetos de ciência cidadã que podem ser mais um facilitador no monitoramento ambiental. A ciência cidadã envolve uma colaboração entre o público leigo e cientistas na coleta de dados para o desenvolvimento de estudos científicos. Isso amplia o envolvimento do público na gestão ambiental, permitindo que qualquer pessoa, em qualquer lugar, compartilhe informações por meio da internet, usando aplicativos e dispositivos móveis. Esta abordagem oferece uma maneira eficaz de gerar uma grande quantidade de dados com um investimento relativamente baixo (SIBBr). ISTO ESTÁ NA REDE No site do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) tem diversos projetos que utilizam a ciência cidadã como uma forma de monitoramento ambiental e engajamento social. 11.2 Gestão ambiental A gestão ambiental é uma ciência que envolve a administração das atividades socioeconômicas de forma a usar de forma consciente e racional os recursos naturais sejam eles renováveis ou não para a garantia da sustentabilidade (BARSANO; BARBOSA, 2014). ANOTE ISSO O desenvolvimento sustentável é definido como: “ aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1988). Destaca-se que o desenvolvimento sustentável é pautado em mais dos pilares além da esfera ambiental, o aspecto social e o econôminco. Esses pilares são conhecidos como o “tripé da sustentabilidade” (Figura 5). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 120 Figura 5: Tripé da sustentabilidade Fonte: Elaborado por Rafaela Costa Retomando a gestão ambiental, é importante frisar que essa ciência tem tem como foco a preservação do ambiente, a reciclagem das matérias primas e minimização do impacto de atividades antrópicas no ambiente (BARSANO; BARBOSA, 2014). No capítulo 13, você terá informações mais detalhadas sobre impactos ambientais! A gestão ambiental é de suma importância já que faz parte dessa abordagem, por exemplo, o uso de técnicas de reflorestamento, utilização sustentável dos recursos naturais, métodos para recuperação de áreas degradadas, estudos de riscos e impactos de atividades ou serviços e reaproveitamento do que chamamos de resíduos inservivéis (Figura 6) (como pneus, pilhas, etc) (BARSANO; BARBOSA, 2014). Figura 6: Pilha, exemplo de resíduo inservivéis Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-close-up-de-baterias-698485/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADASPROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 121 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Você sabia que no Brasil existem legislações e programas de logística reversa? A logística reversa é um instrumento socioeconômico que viabiliza o recolhimento para que o resíduo seja reaproveitado nos processos produtivos ou que tenha uma destinação final adequada em termos ambientais. A logística reversa apresenta uma responsabilidade compartilhada desde o fabricante até o consumidor final (SINIR, 2023). Figura 7: Esquema que representa o ciclo da logística reversa Fonte: Elaborado por Rafaela Costa O Brasil conta com o sistema de logística reversa para pneus, pilhas e baterias, óleos, lubrificantes, eletrodomésticos, agrotóxicos (envolvendo os seus resíduos e embalagens), entre outros. ISTO ESTÁ NA REDE No site do O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir) é possível ter mais informações sobre os produtos que apresentam logística reversa e ter acesso a dados da eficiência da implementação desse instrumento. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 122 Destaca-se ainda que a gestão ambiental associada ao planejamento aplicada no meio empresarial raz o aspecto do que os autores chamam de “valoração ambiental”, o que pode conferir as empresas alguns certificados voltados para a garantia da qualidade ambiental, como a série ISO 14000, que refere-se a um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Quando as ações do planejamento são feitas de forma exitosa, é possível por exemplo, reduzir custos diretos como o desperdício de fontes de matéria-prima e os gastos indiretos que envolvem por exemplo, os impactos à saúde de profissionais do etorno de uma indústria (BARSANO; BARBOSA, 2014). No contexto da recuperação de áreas degradadas, a gestão ambiental está associada a outras abordagens como o planejamento de ações para a recuperação e restauração do ambiente, incluindo metas, prazos e gestão financeira dos projetos. Além disso, está alinhado com o cumprimento das legislações ambientais que você verá de forma mais detalhada no capítulo 12. Essa ciência também irá auxiliar na tomada de decisão das ações de mitigação com base na avaliação de danos e impactos ambientais, bem como no monitoramento ambiental que já foi previamente mencionado no tópico anterior! A gestão ambiental também está relacionada com ações de engajamento e participação social e a sensibilização pública atráves da educação ambiental. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 123 CAPÍTULO 12 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL Neste capítulo, você explorará normativas e princípios ambientais de grande relevância que estão relacionadas com a recuperação de áreas degradadas. As regulamentações ambientais são essenciais para a proteção ambiental e para a garantia do desenvolvimento susntentável. 12.1 Leis que regem o ambiente De acordo com especialistas em direito ambiental, a legislação ambiental brasileira é frequentemente reconhecida como uma das mais abrangentes e significativas em escala mundial (ALMEIDA, 2016). O direito ambiental envolve a análise dos dispositivos legais que visam à proteção do meio ambiente e à regulação da interação humana com a natureza. Ele estabelece princípios de conduta alinhados com as políticas ambientais nacionais, especialmente a Política Nacional do Meio Ambiente, e se baseia em diversas áreas do direito, incluindo o direito administrativo, o direito civil, o direito penal, o direito processual e o direito do trabalho (BARSANO et al. 2014). A compreensão da legislação ambiental relacionada à recuperação de áreas degradadas é amplamente reconhecida como um aspecto crucial para os profissionais que atuam nesse campo e que estão envolvidos na elaboração de projetos. Isso ocorre devido à existência de regulamentos legais que estabelecem as diretrizes para a apresentação de projetos, bem como os requisitos técnicos mínimos que devem ser atendidos em cada projeto específico (ALMEIDA, 2016). Cabe destacar que as leis e normativas ambientais tem apresentado uma evolução com o passar do tempo, um exemplo é a obrigatoriedade disposta nas leis de recuperação de áreas impactadas pela mineração (ALMEIDA, 2016). Antes de antertramos nessas legislações, é importante que você saiba que além das normativas é importante o processo de fiscalização e controle do cumprimento dessas leis. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 124 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo conduzido por Schmitt (2015) analisou a eficácia da fiscalização e controle do desmatamento irregular na Amazônia legal (Figura 1). O estudo aponta que mesmo com as estratégias adotadas pelo governo brasileiro para conter tais atividades, a eficácia da fiscalização é prejudicada por vários desafios, como a detecção tardia da maioria dos desmatamentos, resultando em punições insuficientes. Além disso, as sanções administrativas têm um impacto limitado devido à discrepância com os lucros da pecuária, que é o principal motor do desmatamento. Figura 1: Amazônia Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/48683121103/e5919e39fb/ ANOTE ISSO A Amazônia Legal engloba os estados localizados na Bacia Amazônica, agrupando- os com base em características comuns, como aspectos ambientais, sociais, políticos e econômicos, a fim de promover o planejamento do desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental. Esta área compreende os estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão (BARSANO et al. 2014). Retomando as legislações, é importante que você saiba que as atividades e serviços que necessitam de licenciamento ambiental, precisam cumprir as normativas referentes, bem com ações de controle e mitigação dos impactos negativos (ALMEIDA, 2016). No capítulo 13, você irá aprender de forma mais detalhada sobre os aspectos que envolvem o licenciamento ambiental. Outro aspecto importante no contexto da legislação ambiental , é a participação social como fonte de responsabilizar os empreendimentos geradores de danos ambientais e auxiliar na efetivação de planos de recuperação ou restauração (ALMEIDA, 2016). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 125 Dentro das inúmeras legislações que regem o ambiente, destacam-se: • Constituição Federal de 1988 - No seu artigo 225 é exposto que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.” (BRASIL, 1988). Além disso, descrever as formas de garantia de efetividade de tal direito. • Política Nacional do Meio Ambiente- Lei nº 6.938, de 31 de agosto 1981- “Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências” (BRASIL, 1981). Uma lei de grande relevância no campo ambiental estipula que o responsável por poluição é legalmente obrigado a compensar os danos ao meio ambiente, independentemente de haver culpa. Além disso, essa lei introduziu os Estudos de Impacto Ambiental e seus correspondentes Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), que foram regulamentados em 1986 por meio da Resolução 001/86 do Conama (BARSANO et al. 2014). • Lei Federal 7.347/85- “Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e dá outras providências” (BRASIL, 1985).Estabelece mecanismos para facilitar a restauração de áreas degradadas, envolvendo a criação de um fundo dedicado e a realização de processos de licitação para a contratação deempresas responsáveis pela recuperação dessas áreas degradadas (ALMEIDA, 2016). • Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA): O CONAMA dispõe de leis que determinam, a qualidade hídrica, do ar, as questões que envolvem o licenciamento ambiental. Algumas resoluções estão diretamente associadas a recuperação de áreas degradadas, a Resolução CONAMA n. 001/86, por exemplo, define diretrizes gerais e critérios fundamentais para a realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e a elaboração do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) (ALMEIDA, 2016). Já a Resolução CONAMA 387/06, de 27/12/2006 apresenta os aspectos obrigatórios do licenciamento nos assentamentos rurais (ALMEIDA, 2016). • Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997- “Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos” (BRASIL, 1997). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 126 • Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000: institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. É importante salientar que nessa normativa são apresentados, por exemplo os conceitos de recuperação, restauração, manejo e preservação. • Decreto-Lei n° 97.632/89- Instituiu o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), para áreas áreas afetadas por atividades de mineração (Figura 2) através de medidas preventiva ou corretiva (ALMEIDA, 2016). Figura 2: Atividade de mineiração Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavacao-de-mineracao-em-uma-montanha-2892618/ • Lei Federal n. 9.605, de fevereiro de 1998- Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências (BRASIL, 1998). Essa é conhecida como a legislação que trata de dos crimes, permitindo a instauração de ações e processos criminais relacionados a infrações contra o meio ambiente. Nessa lei, estão previstas sanções que incluem a realização de serviços comunitários, a suspensão temporária de direitos, a interrupção parcial ou completa de atividades, a imposição de multas e o recolhimento domiciliar (ALMEIDA, 2016). Você sabia que o ato de pichação (Figura 3) de monumentos urbanos é considerado um crime ambiental ? RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 127 Figura 3: Pichação Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/4085797473/b0b4d3ce3a/ • Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967- Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras providências. Essa legislação, por exemplo abrange a proibição da caça profissional, do comércio de animais silvestres (Figura 4). Figura 4: Exemplo de fauna silvestre Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-passaro-ave-18819168/ https://visualhunt.com/f7/photo/4085797473/b0b4d3ce3a/ https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-passaro-ave-18819168/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 128 • Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989- Estabeleceu a criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que incorporou a Secretaria Especial do Meio Ambiente, que anteriormente estava sob a jurisdição do Ministério do Interior, bem como as agências federais relacionadas à pesca, desenvolvimento florestal e borracha. Esse órgão tem a responsabilidade de executar e garantir a execução da Política Nacional do Meio Ambiente, desempenhando um papel na conservação, fiscalização, controle e promoção do uso sustentável dos recursos naturais. Atualmente, o órgão está subordinado ao Ministério do Meio Ambiente (BARSANO et al. 2014). • Decreto n. 3.420, de abril de 2000- Dispõe sobre a criação do Programa Nacional de Florestas - PNF, e dá outras providências. O PNF constituiu projetos que são desenvolvidos e efetuados de forma colaborativa a nível federeal até municipal abrangendo também a participação social (BRASIL,2000). • Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010- Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)- A gestão de resíduos sólidos faz parte da Política Nacional do Meio Ambiente e engloba princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações que são adotados, seja de forma independente ou em colaboração com entidades governamentais ou particulares. Seu propósito é promover a gestão integrada e o manejo ambientalmente responsável dos resíduos sólidos (Figura 4). Essa legislação provavelmente é a mais conhecida pela população, já que as temáticas que envolvem os resíduso sólidos, como reciclagem, coleta seletiva e logística reversa tem sempre destaque na mídia (BARSANO et al. 2014). Figura 4: Resíduos sólidos Fonte: https://farm6.static.flickr.com/5005/5214867366_0436caeab2_c.jpg RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 129 • Lei n° 7.347/85- Lei de Ação Civil Pública- Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e dá outras providências. O uso desse legislação visa promover interesses coletivos ou individuais homogêneos, resultando no benefício geral de uma comunidade específica, não se justificando a sua utilização para a defesa de interesses privados (BARSANO et al. 2014). • Lei Federal n. 11.428, de dezembro de 2006- Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica (Figura 4), e dá outras providências. Esta legislação define as medidas compensatórias aplicadas nos casos de remoção de vegetação secundária em estágios avançados e médios de regeneração. Nesses cenários, a recuperação deve ocorrer em uma área equivalente àquela impactada pelo empreendimento, mantendo as mesmas características ecológicas, dentro da mesma bacia hidrográfica e, sempre que viável, na mesma microbacia hidrográfica (ALMEIDA, 2016). Figura 4: Mata atlântica Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/53076358002/acfe6b2a5f/ • Instrução normativa n. 4, de 13 de abril de 2011- Estabelece diretrizes para a elaboração de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) ou Áreas Alteradas. Essa instrução inclui Termos de Referência como anexos e diferencia https://visualhunt.com/f7/photo/53076358002/acfe6b2a5f/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 130 dois tipos de PRAD (PRAD convencional e PRAD simplificado), aplicando-os de acordo com as circunstâncias especificadas na norma (ALMEIDA, 2016). Mais informações sobre o PRAD serão expostas no capítulo 13. • Lei Federal nº 12.651/12- popularmente conhecida como o Novo Código Florestal, estipula a recomposição gradual das áreas de reserva legal e a recuperação das áreas de preservação permanente, considerando diferentes categorias de tamanho de propriedades rurais, conforme as normativas vigentes (ALMEIDA, 2016). Além disso, o documento estabelece diretrizes abrangentes relativas à proteção da vegetação, áreas de preservação permanente, áreas de reserva legal, exploração florestal, suprimento de matéria-prima florestal, controle de origem de produtos florestais e prevenção de incêndios florestais. Também incorpora instrumentos econômicos e financeiros para alcançar seus objetivos, como evidenciado pelos seus 84 artigos (BARSANO et al. 2014). Nesse contexto é importante que você conheça as seguintes definições: • A Área de Preservação Permanente (APP) é uma região protegida com o propósito ambiental de conservar os recursos hídricos (Figura 5), a paisagem, a estabilidade geológica, a fauna e a flora, bem como de preservar o solo e garantir o bem-estar das comunidades humanas, juntamente com todos os ecossistemas (BARSANO et al. 2014). Figura 5: Manguezal, um tipo de ecossitêma considerado Área de Preservação Permanente Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/galho-de-arvore-marrom-na-agua-1CiE1x4dHIYhttps://unsplash.com/pt-br/fotografias/galho-de-arvore-marrom-na-agua-1CiE1x4dHIY RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 131 • Reserva Legal: é uma área situada dentro de uma propriedade ou posse rural, cujo propósito é garantir a exploração econômica sustentável dos recursos naturais presentes, apoiar a conservação e a restauração dos processos ecológicos, bem como fomentar a preservação da biodiversidade, abrangendo tanto a fauna silvestre quanto a flora nativa (BARSANO et al. 2014). 12.2 Princípios do direito ambiental Os princípios do direito ambiental são fundamentos jurídicos que auxiliam na orientação da aplicação e cumprimento das leis e normativas ambientais. Como os exemplos listados a seguir: • Princípio do ambiente ecologicamente equilibrado: Presente no art 225 da Constituição Federal, conforme já descrito no tópico anterior “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” (BRASIL, 1988). • Princípio da precaução: O princípio da precaução implica a antecipação de medidas para proteger o meio ambiente, assegurando a preservação de seus recursos para as gerações futuras. Isso envolve a proteção da saúde e da qualidade de vida das pessoas e dos ecossistemas, relacionando-o a princípios como justiça, equidade, respeito, senso comum e prevenção (BARSANO et al. 2014). • Princípio da prevenção: Embora os conceitos de precaução e prevenção compartilhem semelhanças, a precaução se baseia em especulações fundamentadas, uma vez que as consequências dos impactos no meio ambiente são incertas. Em contraste, o princípio da prevenção se fundamenta na lógica científica dos fatos e probabilidades, considerando um nexo causal real dos riscos (BARSANO et al. 2014). • Princípio do poluidor-pagador: Esse princípio se fundamenta na ideia de que aqueles que causam danos ao meio ambiente, como desmatamento, poluição das águas, queimadas (Figura 6), dispersão de resíduos tóxicos e outras formas de degradação, devem ser responsáveis pela reparação dos danos. Esses danos podem resultar em perdas ambientais, sociais e econômicas significativas. Portanto, simplesmente pagar uma multa não é suficiente; o poluidor deve RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 132 assumir todo o ônus financeiro decorrente das consequências de suas atividades no ambiente natural e no ambiente artificial (BARSANO et al. 2014). • Princípio do usuário-pagador: Enquanto o princípio do poluidor-pagador tem um foco punitivo, o princípio do usuário-pagador se concentra no pagamento pela utilização dos recursos naturais, conforme definido na Lei nº 6.938/81 (BARSANO et al. 2014). Figura 6: Queimadas no ambiente Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/20904271034/382de4d99c/ • Princípio da participação comunitária: No contexto do pacto social entre o Estado e a sociedade civil, surge a obrigação coletiva de proteger e promover o meio ambiente. Todo pacto social envolve direitos e deveres que só podem ser mantidos através da participação ativa de todos os interessados. No princípio da participação comunitária, o poder público disponibiliza várias ferramentas para o envolvimento da comunidade, como audiências públicas, programas de educação ambiental e outros mecanismos relacionados à gestão ambiental (BARSANO et al. 2014). • Princípio do desenvolvimento sustentável: A proteção do meio ambiente não busca ser um empecilho ao desenvolvimento econômico ou ao acesso aos benefícios proporcionados pelos recursos naturais, mas sim demonstrar que, RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 133 por meio de medidas apropriadas, é viável assegurar a preservação desse legado para as gerações futuras (BARSANO et al. 2014). • Princípio da cooperação entre os povos: A participação e cooperação não são esforços individuais, mas requerem o envolvimento conjunto de entidades, incluindo órgãos ambientais, entidades governamentais, empresas e a sociedade civil. Isso decorre da tutela ambiental assegurada pela Constituição, que se origina da vontade popular, exigindo que a sociedade assuma suas obrigações na proteção do meio ambiente e na promoção do desenvolvimento sustentável (BARSANO et al. 2014). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 134 CAPÍTULO 13 PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS E EIA/RIMA Nesse capítulo vamos tratar de temáticas relevantes para a disciplina recuperação de áreas degradadas, o conceito de avaliação de impacto ambiental e sua aplicação, o estudo de impacto ambiental, o relatório de impacto ambiental, licenciamento ambiental e o plano de recuperação de áreas degradadas. 13.1 Avaliação de Impacto ambiental Segundo a ISO 14.001 o conceito de impacto ambiental é definido pelas alterações no ambiente, que podem ser positivas ou negativas, que seja consequência integral ou parcial, das operações, atividades ou serviços de uma entidade. No Brasil, temos uma definição de impacto ambiental presente na Resolução CONAMA 1/1986 que se assemelha aos conceitos de poluição ambiental (SÁNCHEZ, 2008). Mas, é imporante reforçar que impacto ambiental e poluição são conceitos distintos. O impacto como já mencionado previamente pode ser positivo ou negativo e podem ser gerados por outros fatores além da poluição. Em contrapartida, a poluição é sempre danosa, é uma das causas que levam ao impacto, além disso todo o poluente é capaz de gerar impacto (SÁNCHEZ, 2008). É estranho associar a palavra impacto principalmente no eixo ambiental a ações benéficas. Mas, estudos de impactos ambientais podem implementar estações de tratamento de água levando a melhoria desse recurso e como consequência também melhores condições de saúde pública e ambiental. (SÁNCHEZ, 2008). A recuperação de habitats aquáticos, por exemplo, são também um exemplo de impacto positivo, já que favorecem o equilíbrio dos ecossistemas e garantem a manutenção dos serviços ecossistêmicos. Outro conceito importante dentro da avaliação de impacto ambiental é o aspecto ambiental. O aspecto ambiental é definido como a maneira pela qual uma ação humana RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 135 gera impacto ambiental. Exemplos da correlação entre atividade, aspecto e impacto ambiental são apresentados na Tabela 1. Atividade Aspecto Impacto Britagem da rocha Geração de poeira e ruído Poluição atmosférica e danos a saúde dos trabalhadores Britagem da rocha Risco de acidentes Perda de pessoas Britagem da rocha Consumo de energia Uso de recursos naturais Transporte de carga Liberação de ruídos Incomodo aos vizinhos/poluição sonora Armazenamento de combustível Vazamento Contaminação dos solos e de águas subterrâneas Lavagem de roupa Utilização de detergentes Favorecimento do processo de eutrofização Tabela 1- Relação da atividade, aspecto e impacto ambiental. Fonte: Bacci et al. 2006; Sánchez, 2008. ANOTE ISSO Conforme descrito previamente no capítulo 5, a eutrofização (Figura 1) das águas implica no aumento de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, resultando no crescimento desproporcional de plantas aquáticas, tanto as que flutuam livremente quanto as que se fixam em substratos, causando desordem no equilíbrio do ecossistema aquático e uma deterioração gradual na qualidade da água em corpos d’água parados (FIGUEIRÊDO et al. 2007). Figura 1- Exemplo de ambiente eutrofizado. Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/51186146514/999559159a/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 136 Retomando as questões desse tópico, a avaliaçãode impacto ambiental é o processo de prever as implicações futuras de uma ação atual ou proposta. No Brasil, a Lei nº 6.938/81 refere-se a Política Nacional do Meio ambiente e abarca a Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) e tem como propósito a prevenção dos impactos prejudiciais e inserção dos impactos positivos. A AIA é um instrumento político que rege o que precisa ser proposto no Estudo de Impacto ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto ambiental (RIMA) que são fundamentais para a obtenção do licenciamento ambiental (STEIN et al. 2018). É importante salientar que a AIA tem as seguintes etapas (SÁNCHEZ, 2008): • Apresentação da proposta; • Triagem • Determinação do escopo do estudo do impacto ambiental • Elaboração do estudo de impacto ambiental • Análise técnica do EIA • Decisão • Monitoramento e gestão ambiental • Acompanhamento • Documentação 13.2 Licenciamento ambiental e EIA/RIMA No contexto brasileiro, no art.2 da Política Nacional de Meio Ambiente fica explicito a obrigação de EIA/RIMA para as empresas e atividades que podem causar danos ao meio ambiente. Estes documentos também são exigidos no licenciamento ambiental (STEIN et al. 2018). Ressalta-se que o licenciamento ambiental é considerado uma das mais relevantes políticas ambientais, já que tem um embasamento na prevenção de possíveis efeitos negativos ao ambiente (SÁNCHEZ, 2018). A Resolução CONAMA 237/97 dispõe sobre os diferentes tipos de licenças ambientais, conforme verificado na Figura 2. Figura 2: Tipos de licença Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir da Resolução CONAMA 237/97. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 137 O EIA-RIMA devem ser entregues na fase da licença prévia. O Estudo de Impacto ambiental compreende de um documento realizado por uma equipe multidisciplinar, considerando os fatores socioambientais e biológicos (Figura 3) que tem como objetivo analisar e prever todos os possíveis impactos sejam eles positivos ou negativos e propor ações para mitigação dos impactos prejudiciais que podem ocorrer no ambiente (STEIN et al. 2018). Figura 3- (A): Representação do meio social; (B) Representação do meio físico e (C) Representação da biodiversidade. Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/korperfluss-umgeben-von-kleid-cCthPLHmrzI; https://unsplash.com/pt-br/fotografias/animal-preto-na-sujeira-marrom-9-XXcfFirQs; https://unsplash.com/pt-br/fotografias/casas-de-concreto-marrom-sob- nuvens-brancas-durante-o-dia-6vXUbWMcM6Q As etapas de elaboração do EIA, segundo Stein e colaboradores (2018), envolvem: • Termo de referência: Documento que contém o escopo necessário que devem conter no EIA/RIMA. O termo de referência é um documento é essencial para o desenvolvimento do PRAD, pois nele constam as análises preliminares que guiarão o plano. Inclui informações abrangentes sobre o empreendimento e seus responsáveis, os danos ambientais causados, as características do meio biótico, a metodologia empregada e outros detalhes relevantes (BARBOSA, 2016). • Caracterização do empreendimento: Qual a atividade exerce, quais os impactos podem ser gerados; https://unsplash.com/pt-br/fotografias/korperfluss-umgeben-von-kleid-cCthPLHmrzI https://unsplash.com/pt-br/fotografias/animal-preto-na-sujeira-marrom-9-XXcfFirQs https://unsplash.com/pt-br/fotografias/casas-de-concreto-marrom-sob-nuvens-brancas-durante-o-dia-6vXUbWMcM6Q https://unsplash.com/pt-br/fotografias/casas-de-concreto-marrom-sob-nuvens-brancas-durante-o-dia-6vXUbWMcM6Q RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 138 • Áreas de influência que podem ser classificadas como: • área diretamente afetada: área de implementação da atividade, onde pode ser afetada a fauna e o solo, por exemplo. • área de influência direta: como o próprio nome descreve, são as áreas de impacto direto da atividade, incluindo o seu entorno e formas de acesso • área de influência indireta :uma fábrica por exemplo (Figura 4), pode emitir poluentes atmosféricos que podem ser carregados para outras localidades. Figura 4: Fábrica Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/fabricas-com-fumaca-sob-ceu-nublado-6xeDIZgoPaw Retomando as etapas da EIA ainda temos o diagnóstico ambiental, a análise dos impactos ambientais e programas voltados para o monitoramento e gestão ambiental. Na Resolução Resolução CONAMA 001/86 tem uma lista de atividades que estão sujeita a elaboração do EIA/RIMA, que devem ser enviados ao órgão ambiental competente, incluindo ferrovias, portos, oleodutos, gasodutos, extração de minérios, aterro sanitários, entre outros. O objetivo do relatório de impacto ambiental é tornar o conteúdo do EIA compreensível para o público, uma vez que o EIA é formulado com base em critérios técnicos. Portanto, em conformidade com o princípio da divulgação de informações ambientais, o RIMA deve apresentar uma representação precisa do estudo, adotando uma linguagem clara e de fácil compreensão, evitando excessos de terminologia técnica (STEIN et al. 2018). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 139 13.4 Plano de recuperação de áreas degradadas Além do EIA/RIMA, outros documentos podem ser requisitados no processo de licenciamento ambiental, pelo orgão ambiental competente, incluindo o Relatório Ambiental Simplificado (RAS), o Estudo Ambiental Simplificado (EAS), o Plano de Controle Ambiental (PCA), o Relatório de Controle Ambiental (RCA), o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) e uma variedade de outros relatórios e estudos pertinentes (STEIN et al. 2018). Nesse contexto gostaria de destacar o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). O PRAD é um plano ou projeto organizado e sistemático. Este plano reúne informações e especificações técnicas dispostas em etapas lógicas, com a finalidade de orientar a aplicação de tecnologias na recuperação ambiental de áreas previamente degradadas ou perturbadas, visando atingir os resultados desejados (ALMEIDA, 2016). O PRAD foi estabelecido com base na Constituição Federal de 1988 e na Política Nacional do Meio Ambiente, solidificando a necessidade de incluir a recuperação de áreas degradadas como uma parte essencial do RIMA. Ele age tanto como medida preventiva quanto como ferramenta de mitigação em áreas previamente afetadas por atividades como mineração (ALMEIDA, 2016). No ínicio o PRAD era voltado apenas para atividades de mineradoras, mas a foi amplado a partir de 1990 e passou a ser usado como uma condição e medida de ajuste para diversas atividades prejudiciais ao meio ambiente. Ela se tornou um componente adicional essencial em muitos Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental, bem como em Termos de Ajuste de Conduta (TAC) acordados entre empresas e o Ministério Público. Grande parte das ações de recuperação ambiental, originadas dos PRADs, são resultado de regulamentações presentes na legislação ambiental brasileira (ALMEIDA, 2016). Um PRAD deve abranger em seu escopo não apenas os aspectos ambientais, mas também as variáveis sociais que desempenham um papel fundamental no processo de recuperação. Isso inclui a consideração dos atores sociais, que compreendem a população originalmente afetada pela degradação e a área circundante, bem como seus valores e interesses. Além disso, a atividade econômica que estava em vigor na área antes da intervenção que causou o impacto ambiental também deve ser cuidadosamente analisada e considerada. Segundo Stein e colaboradores (2017), os principais procedimentos para elaboração do PRAD são: RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 140 • Introdução • Descrição do Empreendimento • Diagnóstico ambiental • Abordagem Metodológica e Cronograma. Mas, esses procedimentos serão melhor descritos a seguir conforme elucidado por Almeida (2016):• Parte introdutória- deve conter introdução, objetivos, caracterização da área e equipe técnica do PRAD. • Caracterização do empreendimento ou atividade- dados gerais, licenciamento ambiental, localização ou acesso, área que seja impactada pela degradação, mão de obra, período de funcionamento, informações sobrea a atividade exploratória. Nessa descrição da atividade exploratória deve conter por exemplo, os métodos usados para cada processo, atividades de segurança do trabalho, quais formas de atuação para evitar processos erosivos, controle de alguns fatores como poeiras e ruídos, entre outros. • Diagnóstico ambientais- Nessa etapa é importante constar toda a parte de identificação dos possíveis impactos ambientais, caracterização dos parâmetros físicos e químicos, além de análises biológicas. ANOTE ISSO Os resultados das análises das variáveis ambientais medidas em água e no solo devem ser equiparadas com as legislações ambientais brasileiras vigente. A Resolução CONAMA 357/2005, por exemplo, estabelece limites para inúmeros parâmetros físicos, químicos e microbiológicos da qualidade da água superficial. Além disso, nessa normativa ambiental define os diferentes enquadramentos dos corpos hídricos e os valores obtidos nas análises realizadas devem ser comparadas de acordo com a salinidade da amostra. Segundo a Resolução CONAMA 357/2005, as água são consideradas doces, quando a salinidade for igual ou inferior a 0,5 ‰; II, já as águas salobras apresentam salinidade superior a 0,5 ‰ e inferior a 30 ‰ e as águas salinas expõe uma com salinidade igual ou superior a 30 ‰; Ainda dentro do diagnóstico ambiental, temos o estudo da fauna da área em questão, incluindo por exemplo, os organismos considerados bioindicadores e dispersoras, bem como as polinizadoras. Organismos dispersores desempenham um papel crucial na dispersão de sementes, por exemplo e a auxiliam no processo RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 141 de restauraçao de ambientes degradados (CORLETT; HAU, 2000). Alguns exemplos desses organismos (Figura 5) são as aves, morcegos, esquilos, ouriço-cacheiro, entre outros. Figura 5- Morcego, um exemplo de organismo dipersor de sementes. Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/borboleta-marrom-e-preta-no-galho-marrom-da-arvore-durante-o-dia-ztyLXIUYYho Retomando ao a elaboração do projeto de recuperação ainda temos as seguintes etapas: Dentro da etapa de Diagnóstico ambientais no que se refere ao meio físico, são elaborados a caracterização do clima, geologia, geomorfologia, solo, os aspectos hidrológicos e de qualidade das águas que podem ser tanto subterrâneas como superficiais (Figura 6). Figura 6- Amostragem de água Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/51883884181/dab7f3704f/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 142 Já na caracterização do meio biótico estão abarcados, a descrição da fauna e da flora no local e do entorno. No caso da fauna, por exemplo, podem ser utilizados corredores como uma das alternativas de recuperação da área. No capítulo 2, que trata de biomas, é possível ter uma descrição mais detalhada sobre corredores ecológicos, vale a pena voltar nesse tópico para relembrar esse assunto! Outro aspecto importante dentro do diagnóstico ambiental é a parte da caracterização dos fatores socioeconômicos, o que incluem as atividades sociais e econômicas que podem ser impactadas na área e no entorno. Por fim, é necessário detalhar as metodologias a serem empregadas e estabelecer um cronograma para sua implementação no PRAD. Embora haja diversas metodologias disponíveis, é fundamental concentrar-se naquelas direcionadas à mitigação e controle dos impactos ambientais na área. A descrição dessas metodologias deve ser minuciosa e criteriosa (STEIN et al. 2018). Após a conclusão da implementação do PRAD, é necessário elaborar o Relatório de Avaliação, contendo indicadores que permitam avaliar o sucesso e a eficácia da restauração da área (BARBOSA, 2014). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo conduzido por Laurentino e Souza (2013) analisaram PRAD do projeto Mangue Vivo ná rea urbana do Rio Apodi-Mossoró. Esse projeto é tem como objetivo a restauração dessas áreas por meio de compensações ambientais, que são obtidas por meio da celebração de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público e as empresas envolvidas na indústria salineira. Nas áreas de mnague foram plantadas mudas de espécies nativas como forma de reflorestamento do local. Já nas áreas urbanas, o projeto enfocou na implementação de áreas verder como forma de melhorar a qualidade do ambiente. Segundo a avaliação dos autores o projeto demonstra sua viabilidade econômica, não apenas durante sua implementação, mas principalmente na fase de manutenção, que apresentará custos substancialmente reduzidos em comparação com a fase de implantação. Além disso, para aprimorar os resultados, é possível integrar ações socioambientais, como por exemplo práticas de Educação Ambiental com a comunidade local, com o intuito de aumentar a sensibilização sobre o ambiente ao seu redor. Por fim, destaca-se que o PRAD é importante em diferentes aspectos, pois, auxilia na mitigação e minimização dos impactos ambientais, sua implementação é essencial para o cumprimento das normativas ambientais, auxilia na conservação da biodiversidade e no aspecto econômino, ajuda a redução de custo ao longo prazo. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 143 CAPÍTULO 14 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO CONTEXTO DA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS Neste capítulo você irá aprender sobre a importância da educação ambiental, desde o seu marco temporal até sua relevância em ações envolvendo a sociedade. 14.1 Histórico da Educação ambiental O ambiente vem sendo impactado ao longo do tempo por diferentes atividades antrópicas, que vem se intensificado desde a Revolução industrial até os dias atuais. Como forma de conservar a biodiversidade políticas públicas foram desenvolvidas no cenário nacional e internacional, dentre essas políticas a incorporação da educação ambiental, é vista como uma forma de transformação socioambiental devido a sua interdisciplinaridade e envolvimento de ações com o contexto local. Devido a ocorrência da degradação ambiental oriunda de um modelo econômico pautado apenas na exploração dos recursos naturais, emergiu-se a necessidade de um pensamento crítico das ações antrópicas e seus impactos ambientais, surgindo então, a educação ambiental. Expondo um breve histórico da educação ambiental, é preciso iniciar pelo escocês Patrick Guedes que é considerado o fundador da Educação ambiental, pois, explanou que “uma criança em contato com a realidade do seu ambiente não só aprenderia melhor, mas também desenvolveria atitudes criativas em relação ao mundo em sua volta” (DIAS, 2004). Seguindo a linha histórica da Educação ambiental, um dos marcos dessa área, foi o livro Silent spring (Primavera Silenciosa) elaborado por Rachel Carson (Figura 1), em 1962, onde a biológa descreve sobre os efeitos negativos do pesticida diclorodifeniltricloroetano (DDT) em diferentes compartimentos ambientais, para a biodiversidade e saúde humana (MILLER; SPOOLMAN, 2015). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 144 Figura 1: Rachel Carson, bióloga que escreveu o livro Silent Spring (Primavera Silenciosa) Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/6578409215/f2c1f4b6d3/ Dando continuidade ao marco temporal (Figura 2), ressalta-se que o termo Educação ambiental foi cunhado em 1965, durante a Conferência de Educação na Grã-Bretanha. Posteriormente, em 1972, na Conferência de Estocolmo, a educação ambiental tem seu reconhecimento dentro de uma agenda internacional como forma de ferramentafreepik.com/premium-photo/dried-fish-died-ground-there-are-also-shells-pieces-twigs_18540584.htm#query=peixes%20mortos&position=21&from_ view=search&track=ais A poluição luminosa afeta principalmente os organismos de hábitos noturnos, pois, implicam, na predação, reprodução, migração e na comunicação (GARGAGLIONI, 2009). As tartarugas marinhas, por exemplo, são impactadas por esse tipo de poluição na fase adulta e também enquanto filhotes. No caso das tartarugas adultas o excesso de iluminação artificial impede a formação dos ninhos (MAZOR et al. 2013). Por outro lado, os filhotes confundem as luzes artificiais com a luminosidade natural (Figura 8), aumentando o risco de predação e levando em alguns casos a mortalidade (GARGAGLIONI, 2009; KAWAMURA et al., 2009). https://pixabay.com/pt/photos/arvores-floresta-caminho-da-floresta-3410846/ https://unsplash.com/pt-br/fotografias/oBLgQQjFGaU https://unsplash.com/pt-br/fotografias/0_la3_Slfwk https://br.freepik.com/fotos-gratis/rua-da-cidade-grande-do-ponto-de-vista-de-passaro_7524126.htm#query=congestionamento&position=2&from_view=keyword&track=sph https://br.freepik.com/fotos-gratis/rua-da-cidade-grande-do-ponto-de-vista-de-passaro_7524126.htm#query=congestionamento&position=2&from_view=keyword&track=sph https://www.freepik.com/premium-photo/dried-fish-died-ground-there-are-also-shells-pieces-twigs_18540584.htm#query=peixes%20mortos&position=21&from_view=search&track=ais https://www.freepik.com/premium-photo/dried-fish-died-ground-there-are-also-shells-pieces-twigs_18540584.htm#query=peixes%20mortos&position=21&from_view=search&track=ais https://www.freepik.com/premium-photo/dried-fish-died-ground-there-are-also-shells-pieces-twigs_18540584.htm#query=peixes%20mortos&position=21&from_view=search&track=ais RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16 Figura 8: Esquema representativo dos efeitos da poluição luminosa sobre as tartarugas marinhas. Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 1.3. Degradação ambiental, recuperação ambiental, restauração e reabilitação No tópico anterior foram descritos conceitos importantes na Ecologia e nas Ciências ambientais, mas, também é de suma importância compreender fundamentos que permeiam a temática recuperação de áreas degradadas, que em alguns casos podem gerar dúvidas. O primeiro é o próprio fundamento de recuperação ambiental, que é caracaterizado como ações de sustentabilidade que através de processos de restauração de ecossistemas, consigam manter a biodiversidade e equilíbrio das espécies (ALMEIDA, 2016). Já a degradação ambiental é definida por qualquer mudança prejudicial da qualidade do meio ambiente (SÁNCHEZ, 2008). A Figura 7 exemplifica um ambiente degradado. Figura 9: O desmatamento é uma das fontes de degradação ambiental. Fonte:https://br.freepik.com/fotos-gratis/pilha-de-troncos-de-troncos-recentemente-cortados_28742000.htm#query=desmatamento&position=12&from_ view=search&track=sph https://br.freepik.com/fotos-gratis/pilha-de-troncos-de-troncos-recentemente-cortados_28742000.htm#query=desmatamento&position=12&from_view=search&track=sph https://br.freepik.com/fotos-gratis/pilha-de-troncos-de-troncos-recentemente-cortados_28742000.htm#query=desmatamento&position=12&from_view=search&track=sph RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17 Outro conceito importante nesse contexto é o de reabilitação, geralmente é utilizado quando parte de ambiente original é recuperado, incluindo a biodiversidade (LAMB, GILMOUR, 2003). Por fim, a terminologia restauração abrange o cenário mais próximo de um ecossistema original. Nesse ambiental de reabilitação é possível verificar grande parte de fauna e da flora originária (LAMB, GILMOUR, 2003). Ao longo desse livros os conceitos que foram apresentados nesse primeiro capítulo serão utilizados com frequência, portanto, é importante que mantennha-os de forma clara e fixada! RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18 CAPÍTULO 2 BIOMAS BRASILEIROS 2.1 Biomas O Brasil apresenta diferentes biomas como a Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. E trataremos deles de forma detalhada nesse tópico. Mas, antes é importante que saiba que bioma é caracterizado como uma área geográfica que possui uma dimensão de mais de 1.0000 de quilômetros quadrados, e apresenta um macroclima específico e se caracteriza pela fauna e flora distintas, tipos de solo, altitude, salinidade, entre outros. Essa junção de fatores garantem uma estrutura e funciona particular com sua ecologia única (COUTINHO, 2006). 2.1.1 Amazônia Esse bioma é o maior bioma do Brasil, ocupando cerca de 6,7 milhões de km2, o que representa um terço de área do nosso país. Ele abrange partes dos estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso, Amapá, Tocantis e Maranhão (EMPRAPA, 2006 ; BARBOSA, VIANA, 2017 ). Além do Brasil também abrange a Guiana, Guiana Francesa, Suriname, na Venezuela, no Equador, no Peru e na Bolívia (BARBOSA, VIANA, 2017). No que se refere ao clima, exibe características de tropical úmido (BARBOSA, VIANA, 2017). Cabe salientar que nesse bioma, encontra-se o rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do mundo. Esse rio (Figura 1), apresenta mais de 6.00km de comprimento, seu curso se inicia nas cordilheiras dos Antes e deságua no Oceano Atlântico, próximo da linha do Equador. Um outro fator interessante é que 18% de toda a água doce disponível do planeta é proveniente desse rio. A bacia abarca seis países, sendo eles Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil (NEVES, 2019). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19 Figura 1: Rio Amazonas Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/rio-amaz%C3%B4nia-panorama-3642456/ No que se refere a diversidade biológica desse bioma, cerca de 30 milhões de animais habitam a Amazônia (BARBOSA, VIANA, 2017). Além da fauna, apresenta uma riqueza de espécies que compreende sua flora (BARBOSA, VIANA, 2017). Por conta de vários fatores, muitos estudos têm sido desenvolvidos nesse bioma, como por exemplo, para compreender sua biodiversidade, para o desenvolvimento de novos produtos (BARBOSA, VIANA, 2017). Além disso, pesquisas de monitoramento ambiental também são conduzidas para compreender níveis de poluição desse bioma bem como investigações de cunho social com comunidades tradicionais, como por exemplo com os povos indígenas. No que se refere aos povos tradicionais, nesse bioma, apresentam-se a maior população de indígenas no Brasil (TERRAS INDIGÊNIAS DO BRASIL, 2023), são mais de 300 terras indígenas no bioma amazônico (TERRAS INDIGÊNIAS DO BRASIL, 2023). Mas, além dos povos indígenas, outras comunidades tradicionais também são encontradas na Amazônica, como seringueiros, ribeirinhas, quilombolas, pescadores, entre outros. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20 ANOTE ISSO O termo Etnoconservação é uma abordagem que visa uma relação de manejo dos recursos considerando os saberes tradicionais e suas interações positivas. Muitas técnicas foram desenvolvidas pelas comunidades tradicionais e reconhecidas mundialmente (DIEGUES, 2000). Outro aspecto sobre esse bioma é que ele apresenta uma importante função sobre o clima, já que a Floresta Amazônia tem um papel essencial nos ciclos hidrológico do Brasil, bem como auxilia na regulação do clima global (CAMPOS; HIGUCHI, 2009). No entanto, esse bioma tem sido impactado por inúmeras atividades antrópicas como queimadas, desmatamento, mineração que impactam diretamente o ambiente e influenciam na regulação do clima. Portanto, um dos grandes desafios para esse bioma são as estratégias de conservação e recuperação. 2.1.2 Caatinga Esse bioma apresenta uma área de aproximadamente 800.000 km2, abrangendo os estadospara atuar diante as implicações ambientais. Um outro evento importante foi a Conferência de Belgrado em 1975 trazendo todo o embasamento para o Programa Internacional de Educação ambiental e mais adiante em 1977, a Conferência de Tbilisi se torna um importante marco internacional da educação ambiental, já que traz as finalidades, princípios e objetivos da educação ambiental pensando em estratégias de atuação mundial e apresentando toda a interdisciplinaridade dessa abordagem (DIAS, 2004; ICMBIO, 2016) RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 145 Figura 2: Marco temporal da Educação ambiental Fonte: Adaptado de Dias (2004) No contexto brasileiro, sobre um ponto de vista legal, em 1981, quando a Política Nacional do Meio Ambiente foi criada, em um dos seus artigos descreve sobre a implementação da educação ambiental em todos os níveis de ensino, abarcando também ações com as comunidades locais com o objetivo de capacitação para a proteção do ambiente. Mais adiante, a Constituição de 1988 reforça as ações de efetivação da educação ambiental no ambiente escolar, bem como a conscientização pública de preservar o ambiente. Em 1999 institui-se a Política Nacional de Educação ambiental (PNEA) trazendo princípios, objetivo da educação ambiental suas atribuições no ensino formal e não-formal (ICMBIO, 2016). A educação ambiental também se apresenta em outras regulamentações importantes no âmbito da conservação como no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) onde estabelece em determinados artigos a importância da educação, um dos tipos de Reserva também prevê ações de educação como forma de gestão e conservação da biodiversidade e o SNUC apresenta em um dos seus objetivos a promoção de educação e interpretação ambiental. Dentro do Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade a educação ambiental também se incorpora de forma a atuar na gestão e conservação de espécies, bem como desenvolvimento de materiais pedagógicos (ICMBIO, 2016). Nesse contexto, a educação ambiental também deve ser trabalhada com populações que vivem em áreas de Unidades de Conservação. Dentro do SNUC também se apresenta a Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental (ENCEA), sendo um importante instrumento dentro as Unidades de Conservação envolvendo RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 146 os gestores e as demais partes interessadas, tornando uma gestão participativa, pois, permite compartilhamento de saberes para uma tomada de decisão. Uma das formas de atuar também nas Unidades de Conservação é utilizar do espaço escolar para aproximar a comunidade com a gestão e estimular ações de conservação da biodiversidade (ICMBIO, 2016). A educação ambiental também deve ser vista de forma a contribuir com a proteção daquele ambiente no que se refere as questões biológicas e culturais. Ela pode ser mais uma aliada para etnoconservação que traz os saberes, culturas e manejo do ambiente relacionadas as comunidades tradicionais. Inclusive, os saberes das populações tradicionais estão inclusos nas políticas públicas ambientais nacionais (ICMBIO, 2016). 14.2 Macrotendências da Educação ambiental Existesm vários conceitos que permeiam a educação ambiental. Mas, três macrotendências (Figura 3) tem se destacado nesse contexto, a conservacionista,a pragmática e a crítica. A educação ambiental conservacionista tem como fundamento os princípios da ecologia, valoriza a relação afetiva do meio ambiente e baseia-se na mudança comportamental e indivual, e apresenta um certo distanciamento das esferas sociais e políticas. No modelo conservacionista os temas mais utilizados são voltados para pautas verdes, agroecologia, ecoturismo, entre outros (LAYRARGUES; LIMA, 2014; ICMBIO, 2016). Em contrapartida, a educação ambiental pragmática, apoia-se na ideia de perceber o ambiente como uma fonte de recursos que está se acabando. Tem suas origens no modelo de produção e consumo adotados na atualidade. É uma macrotendência que visa a educação para o desenvolvimento e/ou consumo sustentável, assumindo o que os pesquisadores chamam de “pauta marrom” se associando as temáticas de mercado de carbono , redução da pegada ecológica, entre outros. (LAYRARGUES; LIMA, 2014; ICMBIO, 2016). Já a educação ambiental crítica, sustenta-se na ideia social e política, seus temas principais são democracia, cidadania, participação, emancipação. Esse macrotedência visa a transformção social, no enfrentamento de desigualdades e injustiças ambientais (LAYRARGUES; LIMA, 2014; ICMBIO, 2016). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 147 Figura 3: Esquema resumido das macrotendências da Educação ambiental. Fonte: Elaborado por Rafaela Costa Dois conceitos são relevantes dentro da educação ambiental crítica, e acho válido você considerar essas concepções ao atuar com educação ambiental em recuperação de áreas degradadas. A justiça ambiental se apresenta como uma forma de luta e combate dos impactos ambientais, que causam efeitos de forma mais acentuada nas pessoas e suas relações de renda, cor e raça. O movimento de justiça ambiental começou nos anos 80 nos Estados Unidos, quando a população negra da Carolina do Norte questionou o descarte de resíduos tóxicos em sua comunidade. Esse movimento uniu os movimentos civis e ambientais, e os protestos impulsionaram estudos que demonstraram que onde tinham populações negras eram locais destinados ao descarte de resíduos perigosos. Nesse cenário, o termo racismo ambiental emergiu demonstrando que os impactos ambientais tinham uma relação com questões raciais e que as pessoas mais afetadas pela poluição ambiental não participavam de tomada de decisões importantes. A justiça ambiental também se aglutina com o conceito de conflitos socioambientais, que reúne os aspectos ecológicos de uma determinada situação e a sociedade que ali se encontra. Um outro termo que se apresenta nesse contexto, é o de equidade ambiental onde os riscos ambientais não podem ser desproporcionais nos grupos sociais (ACSERALD et al. 2008). Dos anos 80 até os dias de hoje, muitos estudos na área de justiça ambiental foram realizados, trazendo reflexões em todo o mundo. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 148 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um dos exemplos de injustiça ambiental, foi o rompimento da barragem de Brumadinho em Minas Gerais (Figura 4). O rompimento da barragem além de todo o impacto ecossistêmico proveniente dos rejeitos tóxicos, teve efeitos no abastecimento de água, turismo, nas atividades agrícolas. Mas, sobre a óptica da injustiça ambiental Coelho e colaboradores (2021) destaca que o rompimento da barragem evidencia que até os 10 quilômetros do rompimento as pessoas mais afetadas foram pessoas não brancas e de baixa renda. Coelho et al. (2021), também descrevem que deve-se considerar também que foram afetados pescadores, ribeirinhos, indígenas e outras populações tradicionais que apresentam uma estreita relação com o ambiente como forma de sustento e manutenção de sua cultura. Figura 4: Rompimento da Barragem de Brumadinho. Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brumadinho,_Minas_Gerais_%2833198853868%29.jpg Além do exemplo mencionado previamente, o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente publicado em 2021 demonstra como a poluição por plásticos impacta as populações mais vulneráveis em todo o ciclo de vida desde a extração do petróleo até o descarte de plásticos. Pessoas com maior vulnerabilidade social são expostas a poluição das indústrias de exploração, favorecendo problemas de saúde. Além disso, os plásticos representam um problema para a biodiversidade (Figura 5) , comprometendo a alimentação e renda de peixes e frutos de mar das pessoas que necessitamdesses serviços ecossistêmicos. Os locais destinados aos aterros sanitários e incinerações apresentam em geral no seu entorno pessoas de RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 149 baixa renda. Os plásticos também impactam as pessoas que necessitam do turismo, já que locais onde tem resíduos são menos procurados como fonte de lazer. Figura 5: Impacto do plástico sobre a biota. Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/qq-8dpdlBsY ISTO ESTÁ NA REDE O Brasil conta com um mapa de conflitos socioambientais e injustiças ambientais alimentado por diferentes pesquisadores, demonstrando as populações afetadas, a atividade geradora de conflitos, os potenciais riscos a saúde, entre outras informações. Se ficou curioso para explorar essas informações, acesse: https:// mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/ 14.3 A importância do engajamento e participação social Em relação a educação ambiental e gestão de Unidades de conservação, o trabalho realizado por Polli demonstra um exemplo bem-sucedido. O estudo realizado traz práticas de sensibilização com os moradores da Santo Antônio do Matupi que está localizado dentro do Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foi realizada ações de educação ambiental com a comunidade local, junto com os profissionais do parque como forma de sensibilizar os moradores das ações de desmatamento e da importância daquela Unidade de Conservação. Como forma de aproximar todos os atores envolvidos foi utilizado a escola municipal e os educadores presentes. Foi realizado atividades para implementação de projetos, incluindo a arborização de alguns locais. Os professores RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 150 também foram capacitados para atuar nas práticas de educação ambiental, foram realizadas oficinais e posteriormente, uma ONG envolvendo diferentes Instituições de ensino, bem como atividades que propiciam novas fontes de renda. As ações realizadas trazem uma gestão integrada e participativa, trazendo de forma crescente o envolvimento da comunidade local. Outro exemplo pode ser verificado no estudo conduzido por Silva e colaboradores (2014) demonstra as práticas da comunidade quilombola na conservação de espécies ameaças de extinção dentro da Reserva Biológica do Rio Trombetas. Uma área que antes era marcada pela presença de conflitos e impactos ambientais, vem se transformando em conservação de duas espécies de cágados, que eram impactadas pela predação natural e da remoção de ovos pela comunidade. Diante desse cenário, um projeto que contempla o monitoramento dessas espécies também incorporou a comunidade local para auxiliar na preservação. Como resultado, houve um aumento do nascimento de filhotes, a soltura também é vista como um evento do local, e a participação da população vem aumentando, reduzindo também os conflitos entre os gestores e os quilombolas. Já no âmbito escolar, os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam a educação ambiental como uma temática transversal, trazendo a compreensão das questões ambientais e os direitos e deveres de cada cidadão, abordando além do aspecto ecológico, as questões políticas, sociais e econômicas. Quando se trata de educação ambiental, em espaços formais, é necessário uma ação de forma integrada. As questões sobre a conservação de biodiversidade, trazendo perguntas como: O que você entende por biodiversidade? Como as ações no seu bairro ou cidade afetam a biodiversidade? Quais as consequências da perda da biodiversidade sobre o ponto de vista ecológico e social? Como as mudanças do clima podem afetar a biodiversidade e os humanos? Algumas dessas perguntas, podem despertar a curiosidade dos alunos, trazendo reflexões que podem mudar algum hábito ou concepção de conservação da sua realidade. Uma abordagem que também pode ser utilizada no contexto da educação ambiental para conservar a biodiversidade é a metodologia baseada em problemas, uma abordagem que traz as problemáticas presentes no cotidiano, fazendo com que eles sejam capazes de trazer soluções, desenvolvendo também o pensamento crítico para a tomada de decisões. Deve-se ainda ressaltar que o conhecimento aprendido em sala de aula, muitas vezes é disseminado no contexto familiar, sendo uma forma de propagar as reflexões que não se restringem apenar no ambiente escolar (UNESCO, 2017). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 151 Deve-se considerar que a educação ambiental também auxilia no alcance dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável presentes na Agenda 2030 de forma direta ou indireta, já que atua na sensibilização e na construção do pensamento crítico que seja capaz de mudar os hábitos e atitudes para garantir um ambiente saudável para essa e as próximas gerações. Você já leu ou ouviu falar sobre os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS)? As 17 ODS (Figura 6) apresentam uma forma de ação integrada entre ambiente, sociedade e economia (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2023) sendo eles: 1. Erradicação da Pobreza 2. Fome Zero 3. Saúde e Bem-Estar 4. Educação de Qualidade 5. Igualdade de Gênero 6. Água Limpa e Saneamento 7. Energia Limpa e Acessível 8. Trabalho Decente e Crescimento Econômico 9. Indústria, Inovação e Infraestrutura 10. Redução das Desigualdades 11. Cidades e Comunidades Sustentáveis 12. Consumo e Produção Responsáveis 13. Ação contra a Mudança Climática 14. Vida na Água 15. Vida Terrestre 16. Paz, Justiça e Instituições Eficazes 17. Parcerias em Prol do Desenvolvimento Sustentável Figura 6- Emblema dos ODS Fonte: Elaborado por Rafaela Costa RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 152 ISTO ESTÁ NA REDE As Nações Unidas Brasil, disponibiliza informações sobre as formas de atuação das ODS em todo o território brasileiro e os investimentos para atuar sobre as 17 ODS no BrasiL. Se tiver interesse em se aprofundar mais nesse assunto acesse: https:// brasil.un.org/pt-br/sdgs. Muitos dos documentos legais explicitados no primeiro tópico desse capítulo, consideram a educação ambiental uma estratégia. Uma das ações que devem ser mais realizadas é a parceria entre Instituições de Ensino e comunidades locais, trazer através da divulgação científica as descobertas da área acadêmica em uma linguagem para o público leigo, essa parceria entre academia e comunidades locais pode favorecer a compreensão daquela população da necessidade de preservar uma determinada espécie ou de um corpo hídrico, demonstrando a sua função ecossistêmica e até mesmo a importância de se preservar determinados costumes. Trabalhar com educação ambiental é pensar em como melhorar as condições daquele ambiente e das pessoas que estão inseridas naquele contexto. O educador ambiental deve ter em mente a frase “pensar globalmente e agir localmente” do sociólogo Beck. Diante dos cenários que estamos vivendo de mudanças climáticas, aumento dos diferentes tipos de poluição, desmatamento, queimadas, uso e ocupação irregular do solo, e todos esses fatores associados a desigualdades e injustiças ambientais, torna-se cada vez mais um desafio trabalhar sobre as relações homem e ambiente. No entanto, a educação ambiental enquanto área de atuação foi também se transformando conforme as mudanças da sociedade e atuando de forma a trazer um ambiente equitativo para todos. Portanto, diante do exposto no que se refere às práticas de educação ambiental para a recuperação de áreas degradadas, espera-se que a educação ambiental seja cada vez mais praticada e incorporada, mas não como algo pontual e sim como processo de construção de transformação socioambiental. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 153 CAPÍTULO 15 ESTUDOS DE CASO E DESAFIOS FUTUROS DA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADAS Neste último capítulo vocêirá conhecer sobre alguns estudos de casos brasileiros de restauração ou recuperação de áreas degradadas, também irá aprender sobre os desafios futuros para essa temática. 15.1 Estudos de casos Devido à significativa degradação que ocorreu nas últimas décadas, a restauração de ecossistemas não é mais considerada uma opção, mas sim uma prioridade global. Diversas iniciativas ambiciosas de restauração ecológica surgiram como resultado. Atualmente, existem programas em escala regional ou de biomas, como o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que tem como objetivo a recriação de paisagens florestais em um bioma altamente habitado e fortemente degradado, mas crucial para a conservação da biodiversidade global (VIANI et al. 2022). Outros exemplos de Projetos de recuperação ou restauração de áreas degradadas são demonstrados a seguir: • Projeto SOS Mata Atlântica- A Fundação SOS Mata Atlântica realiza um trabalho integrado para a restauração da Mata Atlântica (Figura 1), que inclui monitoramento da cobertura de florestas e vegetação natural do bioma, produção e plantio de mudas de espécies nativas, estudos e apoio à pesquisa científica e engajamento em políticas públicas. Essa abordagem complementa as outras causas prioritárias da instituição, como a preservação da qualidade da Água Limpa dos rios e a proteção de Áreas Protegidas, com um foco no fortalecimento e valorização de parques e reservas na Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica, 2022). O modelo de restauração adotado pelo projeto consiste no plantio de mudas de espécies nativas, bem como o monitoramento e manutenção dessas mudas. Além disso, também é feito todo o controle de espécies invasoras e de pragas, preparação do solo, etc. (SOS Mata Atlântica, 2022). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 154 Figura 1: Mata atlântica Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/52746830066/a98ba74545/ • Recuperação de áreas mineradas- Um estudo conduzido por Silva e colaboradores (2016) analisaram por 18 meses mudas de diferentes espécies arbóreas para a restauração de uma áreas impactada pela atividade de mineração de bauxita. A pesquisa foi realizada na cidade de Descoberta- Minas Gerais. Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores verificaram que alguns dos vegetais como por exemplo, Schinus terebinthifolius (nome vulgar: aroeira-vermelha), Solanum lycocarpum (nome vulgar: fruta-de-lobo), Joannesia princeps (nome vulgar: andá-açu) apresentam um potencial para restaurar essas áreas, pois, apresentaram uma rápida cobertura do solo, evitando processos erovisos e a ocorrência de espécies exóticas. • Recuperação de áreas degradadas no Cerrado- No período de 2010 a 2019, aproximadamente 5,5 milhões de hectares (Mha) de vegetação nativa foram suprimidos e substituídos por áreas de pastagens, enquanto outros 2,1 Mha foram convertidos em lavouras anuais e perenes. A utilização de técnicas avançadas e adoção de práticas agropecuárias sustentáveis, tais como a restauração de pastagens degradadas e sistemas de integração, desempenham um papel fundamental na promoção de transformações no uso do solo e no fomento https://visualhunt.com/f7/photo/52746830066/a98ba74545/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 155 da agropecuária sustentável (HARFUCH, 2021). Para a recuperação de áreas impactadas no Cerrado (Figura 2), a aposta tem sido a implementação de sistemas integrados, como o sistemas de integração: lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuária-floresta, lavoura-pecuária-floresta e os sistemas agroflorestais. Tais práticas são consideradas boas estratégias para a recuperação e/ou renovação do manejo das pastagens (HARFUCH, 2021). Relembrando o que vimos no capítulo, os sistemas agroflorestais (SAFs) são caracterizados como práticas de manejo dos recursos naturais em que espécies lenhosas, como árvores, arbustos e palmeiras, são empregadas em associação com cultivos agrícolas ou com a criação de animais. Essas interações ocorrem no mesmo espaço territorial, de forma simultânea ou em sequência temporal (CERETTA; AITA, 2010) Figura 2: Cerrado Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/485804882/775e196d80/ • Recuperação de Mata ciliar no Xingu- A técnica de restauração de áreas degradadas, como nascentes e matas ciliares de rios e lagoas, empregada pelos técnicos do ISA no Xingu há uma década, é conhecida como “muvuca”. Essa abordagem consiste em uma mistura de sementes de espécies diversas, que são plantadas simultaneamente diretamente no solo. (ISA, 2023). https://visualhunt.com/f7/photo/485804882/775e196d80/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 156 • Restauração florestal da Caatinga- Como formas de restauração desse biomas diferentes técnicas tem sido empregadas, uma delas é a utilização de espécies atrativas de faunas. Na Caatinga, algumas espécies podem ser utilizadas pata tal finalidade, como por exemplo, a carnúba, jucá, mandacaru, cajá, ingá. Outra técnica adotada para restauração de áreas com fragmentos nativos, é o espaçamento. A escolha do espaçamento adotado é um fator determinante no êxito das iniciativas de restauração em regiões de Caatinga. Dado que essas áreas enfrentam desafios relacionados à escassez de água e altas taxas de evaporação, é recomendável empregar espaçamentos mais densos, visando a criação de um microclima mais propício para o crescimento das mudas plantadas (ASSOCIAÇÃO CAATINGA, 2023). Destacam-se ainda a utilização de leguminosas para a cobertura do solo e proteção do impacto da precipitação e redução dos processos erosivos. Ademais, também são utilizadas espécies nativas para criar um ambiente próprio para a restauração de áreas sem fragmentos nativos. Na Caatinga, são exemplos de espécies nativas a aroeira, catingueira, ipê-amarelo (Figura 3), etc. (ASSOCIAÇÃO CAATINGA, 2023). Figura 3: Ipê-amarelo Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/45037302391/a2439b13ab/ https://visualhunt.com/f7/photo/45037302391/a2439b13ab/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 157 • Refloresta Rio- O programa Refloresta Rio, conduzido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tem como objetivo expandir a cobertura vegetal na cidade do Rio de Janeiro. Isso se concentra especialmente em regiões onde as características topográficas propiciam ocupações desordenadas, como áreas verdes e zonas de risco. Essas ações visam mitigar os significativos problemas ecológicos e socioeconômicos enfrentados pela cidade (REFLORESTA RIO, 2023). O programa envolve o plantio de mudas, mobilização social, manejo de espécies invasoras, prevenção e combate a processos erosivos e de incêndios, controle de formigas cortadeiras, ações de educação ambiental (DATA RIO, 2021). • Aliança pela Restauração na Amazônia- Na Amazônia (Figura 4) brasileira, uma proporção significativa da cobertura florestal original, equivalente a 20% (cerca de 80,3 milhões de hectares), sofreu desmatamento, enquanto uma extensão semelhante de florestas foi degradada devido ao fogo e à extração de madeira. A Aliança pela Restauração na Amazônia (Aliança) é uma junção interinstitucional e multissetorial estabelecida em 2017, com o propósito de promover, qualificar e expandir a escala da restauração da paisagem florestal na região. Uma das métodologias empregadas nessa iniciativa é a utilização dos Sistemas Agroflorestais como um forma de integrar a produção e conservação (CELENTANO et al. 2022). Figura 4: Amazônia Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/3204098935/9b5973cb01/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 158 15.2 Desafios futuros e perspectivas Em 2019, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o período de 2021 a 2030 como a Década da Restauração de Ecossistemas. Essaresolução se fundamentou no entendimento de que a consecução de qualquer um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável demanda um compromisso substancial com a restauração de ecossistemas (PNUMA, 2021). Você se recorda que no capítulo anterior que tratamos dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável? Agora faça uma reflexão e pense nos benéficios da restauração de ecossistemas e quais das 17 ODS podem ser beneficiadas com tais práticas. Além dos inúmeros benefícios ambientais, a restauração de ecossistemas também oferece diversos benefícios econômicas e sociais (VIANI et al. 2022) Na resolução da Década da Restauração de Ecossistemas é incentivado o apoio político, a alocação de recursos, o aprimoramento de habilidades, a pesquisa científica e a colaboração necessária para promover a restauração de ecossistemas em nível global, regional, nacional e local, conforme apropriado. Além da integração da a restauração de ecossistemas nas políticas e planos destinados a abordar as atuais prioridades e desafios do desenvolvimento nacional, devido à degradação dos ecossistemas marinhos e terrestres, à perda de biodiversidade e à vulnerabilidade às mudanças climáticas (UN, 2019). Essa integração cria oportunidades para fortalecer a capacidade de adaptação dos ecossistemas e para manter e melhorar os meios de subsistência de todos. Também é encorajado, uma visão holística para alcaçar tal objetivo, além da elaboração e aplicação de políticas públicas para a prevenção da degradação do ambiente, bem como o fortalecimento de projetos e iniciativas voltadas para essa temática como forma de ampliar as práticas que vem dando certo. Por fim, também sugere-se a troca de experiências e boas práticas para restauração e/ou recuperação de ecossistemas impactados (UN, 2019). ISTO ESTÁ NA REDE Protected Planet serve como a fonte oficial de informações sobre áreas protegidas e outras estratégias eficazes de conservação com base em áreas. O Brasil, por exemplo tem 3.625 áreas protegidas. Para obter mais informações sobre este projeto, basta pesquisar “Protected Planet” em sites de busca. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 159 Um os desafios para o contexto da recuperação de áreas degradadas, envolve vários fatores, dentre eles as mudanças climáticas. Alguns autores consideram que as mudanças climáticas e a degradação ambiental, além da perda de biodiversidade, continuam a ser os maiores desafios enfrentados pelas atuais e futuras gerações. As mudanças climáticas agravam a degradação ambiental, afetando os meios de subsistência, a biodiversidade (Figura 5), os serviços ecossistêmicos e intensificando a competição pelos recursos naturais (NGUYEN et al. 2023). Relembrando que o que você aprendeu no capítulo 9, os serviços ecossistêmicos são os recursos que a natureza confere ao homem para sua sobrevivência, tendo papéis de suporte,provisão, regulamentação e culturais (MEA, 2005). Figura 5 : Biodiversidade Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/peixes-perto-de-recifes-de-coral-3432803/ A degradação ambiental tem diversos impactos adversos na saúde humana, levando a doenças respiratórias e infecciosas devido à poluição do ar, bem como acentuando os principais problemas de saúde mencionados anteriormente, devido à insegurança alimentar e ao aumento da escassez de água (NGUYEN et al. 2023). Em relação ao solo, por exemplo, a erosão e degradação do solo estão intimamente relacionadas às mudanças climáticas e à pobreza. Isso ocorre porque a degradação do solo desencadeia um ciclo vicioso que inclui a emissão de gases com efeito estufa, a RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 160 exaustão dos estoques de carbono orgânico e nutrientes no solo, a perda de cobertura vegetal, a redução da produtividade primária líquida e um aumento na frequência e intensidade de secas, além da diminuição da resiliência do ecossistema (LAL, 2012). A degradação do solo (Figura 6) também resulta na redução de sua capacidade de oferecer serviços ecossistêmicos que são relevantes para a sociedade e desempenham funções essenciais na natureza. Os processos primários de degradação do solo incluem erosão, salinização, esgotamento de nutrientes e carbono, períodos de seca, deterioração da estrutura do solo e práticas agrícolas inadequadas (LAL, 2012). Você se recorda que no Capítulo 7, vimos que uma das causas dos processo de degradação do solo está relacionados as causas previamente mencionadas ? Figura 6: Solo degradado Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/arido-desertico-esteril-improdutivo-96865/ Como estratégia para a garantia de qualidade desse recurso frente as mudanças do clima é importante que sejam adotadas práticas de gestão de carbono e dos nutrientes do solo, bem como o gerenciamento hídrico, gestão florestal, investimento em pesquisas e novas tecnologias (LAL, 2012). Já no ambiente aquático, um dos efeitos das mudanças do clima e os desafios para a recuperação e/ou restauração desses ecossistemas, devem considerar que as mudanças climáticas e o aumento da influência humana sobre os nutrientes tornarão os ecossistemas costeiros mais propensos a sofrer hipoxia devido a uma estratificação aprimorada, redução da solubilidade do oxigênio, aceleração do metabolismo, remineralização acentuada e aumento da produção de matéria orgânica (RABALAIS et al. 2009). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 161 ANOTE ISSO Em termos gerais, valores de oxigênio dissolvido abaixo de 2 mg/L indicam uma situação crítica conhecida como hipoxia, que se caracteriza pela baixa concentração de oxigênio dissolvido na água (CETESB, 2023). Essa situação é uma das causas mais recorrentes de mortandade de peixes, que apresentam uma menor resistência a redução de OD na água. Outro desafio que precisamos levar em consideração na área de recuperação de áreas degradadas, são as espécies invasoras. As espécies invasoras estão em constante crescimento em termos de quantidade, alcance e impacto em todo o mundo. Elas desempenham papéis duplos, atuando como indicadores e impulsionadores das transformações ambientais, e estabelecendo conexões sinérgicas com diversas outras dimensões das mudanças globais. Em diversos cenários, essas espécies causam uma rápida e notável deterioração dos ecossistemas, levando à perda significativa da diversidade biológica e à homogeneização das comunidades regionais. Além disso, existem efeitos mais sutis que também acarretam implicações profundas (PYŠEK; RICHARDSON, 2010). No Brasil, temos alguns organismos bioinvasores, como o javali (Sus scrofa), coral- sol (Tubastraea spp.), mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) e caracol-gigante- africano (Figura 7) (Achatina fulica). Os efeitos negativos sobre a biodiversidade de alguns animais previamente mencionados foram descritos de forma mais detalhada nos capítulos 3 e 9. Figura 7: Caracol-gigante-africano, um exemplo de espécie invasora encontrada no Brasil. https://visualhunt.com/f7/photo/51916472195/3b215a438e/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 162 Além da fauna, também existem as plantas exóticas, que representam um impacto para a biodiversidade, às características físico-químicas do solo e às relações planta- microorganismos, juntamente com a promoção de processos erosivos, desertificação do solo e a diminuição dos serviços ecossistêmicos (RAI, 2022). No Brasil, algumas espécies da flora, são consideradas espécies invasoras como o capim-fino, capim-angola, capim-de-planta (ANJOS, 2021). Um estudo descrito por Fleming e colaboraboradores (2017), destaca que pesquisas integradas em diversas áreas, como por exemplo, matemática, biologia, ecologia, zoologia, bioquímica, epidemiologia, agronomia, economia e sociologia, entre outras podemser uma forma de ampliação da gestão de espécies invasoras e auxiliar na resolução dessa problemática. De forma a complentar as estratégias de mitigação das espécies invasoras, Pyšek e Richardson (2010) sugerem algumas formas de gestão que envolvem, por exemplo, avaliação de risco, gestão de caminhos e vetores, detecção preococe. Cabe salientar ainda que um outro fator precisa ser considerado quando se trata de recuperação de áreas degradadas, a poluição ambiental (Figura 8). A poluição representa uma ameaça para a biodiversidade, pode afetar por exemplo, espécies que são fundamentais para o processo de restauração ecológica. Como consequência dos impactos para a biodiversidade, temos também as implicações dos serviços ecossistêmicos. Figura 8: Poluição ambiental Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pessoas-sentadas-no-chao-de-concreto-cinza-durante-o-dia-rV9xbwQj1Ck RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 163 A poluição também influencia na qualidade dos diferentes compartimentos ambientais, no solo, por exemplo, pode impactar no crescimento de plantas e afetar os organismos que vivem nesse ambiente. No ambiente aquático a poluição também tem se tornado um sinônimo de implicações para a biota, afetando o seu crescimento, reprodução ou outras fases do seu ciclo de vida. Por isso, é tão essencial os projetos de biorremediação nas diferentes matrizes ambientais. De forma complementar os estudos de monitoramento ambiental são fundamentais para compreender o panorada dos ambientes e pautar as tomadas de decisão dos gestores ambientais e dos profissionais que atuam com a recuperação de áreas degradadas. É importante salientar ainda que a poluição está intrinsecamente relacionada a problemas de saúde humana. Os altos índices de lançamentos de poluentes no ar, por exemplo, tem aumento os casos de problemas respitatórios e causando também outros impactos sobre a saúde. Já quando se trata da matriz ambiental, água, temos inúmeras doenças de veiculação hídrica, associadas a ausência de saneamento básico ou de um tratamento de efluentes inadequado e a poluição. Diante do exposto, é notório que a poluição ambiental acentua a degradação ambiental, mas traz para esse contexto uma maior complexidade e novos desafios para a recuperação ou restauração de áreas impactadas. Portanto, atuar com estratégias de manejo são fundamentais para atuar frente a esse contexto. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 164 CONCLUSÃO Este livro não se limitou a oferecer conhecimento técnico; ele se empenhou em fomentar uma mentalidade de ação e responsabilidade ambiental. Nesse percurso, exploramos conceitos fundamentais da área ambiental, a complexidade dos biomas brasileiros, a compreensão dos distintos compartimentos ambientais e suas ramificações vinculadas aos impactos antrópicos. Discutimos abordagens para manejo e recuperação, a aplicação da geotecnologia nesse contexto e as diretrizes normativas que permeiam a restauração de áreas degradadas. Finalmente, destacamos a importância da educação ambiental e abordamos os desafios que nos aguardam no futuro. À medida que encerramos este livro, convido cada leitor a levar consigo não apenas conhecimento, mas a determinação de ser um agente transformador. Ainda temos muito o que fazer quando se trata da área ambiental. Lembre-se que atuar na área de recuperação de áreas degradadas é pensar na frase do sociológo Beck “pensar globalmente, agir localmente”. Espero que as lições aprendidas ao longo desse livro possam ser colocadas em práticas, e que seja uma fonte de embasamento para novas pesquisas nessa área e que tenha despertado a sua curiosidade em se aprofundar nessa temática. Que esta conclusão marque o início de uma nova fase, onde a restauração de áreas degradadas não é apenas uma disciplina apresentada no âmbito acadêmico, mas uma missão compartilhada por cada leitor como protetor do ambiente em que vivemos! RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 165 ELEMENTOS COMPLEMENTARES LIVRO Título: Biologia da Conservação Autor: Richard B. Primack e Efraim Rodrigues. Editora: Planta Sinopse: Este livro explora a Biologia da Conservação, com base em exemplos bem-sucedidos de iniciativas brasileiras. Ao longo deste livro, você encontrará uma comparação entre as práticas atuais e as oportunidades para o futuro. FILME Título: Fazedores de floresta Ano: 2021 Sinopse: Documentário em 360° que reune os saberes tradicionais, tecnologia e engajamento social para o plantio de sementes nativas para recuperação de áreas degradadas. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 166 WEB O site da EMBRAPA com ênfase na recuperação de áreas degradas apresenta inúmeras publicações que vão complementar o seu conhecimento sobre essa temática! RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 167 REFERÊNCIAS BATENH, E. et al. The role of microorganisms in bioremediation-A review. Open Journal of Environmental Biology, v. 2, n. 1, p. 038-046, 2017. ACSELRAD, H. et al. O que é justiça ambiental? Rio de Janeiro: Garamond, AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO - ANA. Pacto pela Governança da água. 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Figura 2: Exemplo de planta característica da Caatinga. Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/caatinga-mandacar%C3%BA-deserto-2644849/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21 No que se refere a biodiversidade, a caatinga apresenta o que chamamos de organismos endêmicos, ou seja, encontrado somente naquela região. Como por exemplo, a jararaca da caatinga, o soldadinho-do-araripe e o rabo branco de calda larga que são tipos de aves (GARDA et al. 2018). Em relação aos desafios desse bioma, assim como na Amazônia, a Caatinga vem sendo impactada pelo desmatamento e pela exploração predatória agrícola e pastoril. Os efeitos dessas atividades já são notados na biodiversidade da fauna e na flora, na qualidade do solo e na aceleração do processo de desertificação (BRITO, 2012; FRANCISCO et al. 2020). No aspecto acadêmico, salienta-se que a caatinga apresenta uma menor quantidade de estudos em comparação aos demais. Sua cobertura de áreas em Unidades de Conservação é de somente 0,65% (EMPRAPA, 2006), o que é implica em mais desafios para sua conservação. 2.1.3 Cerrado Esse bioma (Figura 3) é o segundo maior bioma brasileiro, apresenta cerca de 200 milhões de hectares (D’ANGIOLI, 2021). Ele abrange os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e o Distrito Federal, em alguns de forma total e outros parcialmente (BARSANO; BARBOSA, 2014). Em relação as condições climáticas, o período chuvoso, ocorre entre outubro até março e o seco de abril a setembro (LENZA, 2006). Apresenta uma pequena variação de temperatura anual e bastante luminosidade (GALHARTE, CRESTA, 2010). No Cerrado, encontram-se importantes bacias hidrográficas como a do Rio Paraná, São Franscisco e Tocantis-Araguaia (GALHARTE, CRESTA, 2010). As condições ambientais desse bioma favorecem a produção agrícola e pecuária, no entanto, essa prática tem sido intestiviad ao longo do tempo (GALHARTE, CRESTA, 2010). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22 Figura 3: Bioma cerrado Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/cerrado-desmatamento-goi%C3%A1s-goi%C3%A2nia-777775/ Algumas espécies de animais são características desse bioma como por exemplo, o lobo-guará, ararinha, cachorro-do-mato, queixada, tamanduá-bandeira, anta (BARSANO; BARBOSA, 2014). Na Figura 4, pode-se observar o tamanduá-bandeira, um animal que faz parte do Cerrado. Figura 4: Tamanduá-bandeira Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/tamandu%C3%A1-bandeira-comedor-de-formigas-4423584/ https://pixabay.com/pt/photos/tamandu%C3%A1-bandeira-comedor-de-formigas-4423584/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA O Instituto de Conservação de Animais Silvestres desenvolveu o Projeto Bandeiras e Rodovias. O intuito desse projeto é compreender a taxa de mortalidade de tamanduás-bandeiras provenientes de acidentes em rodovias, desenvolvendo ações de monitoramento, instruções, educação ambiental, entre outros. Se quiser conhecer mais sobre o projeto acesse: https://www.icasconservation.org.br/ projetos/bandeiras-e-rodovias/. Conforme mencionado previamente, grande parte desse bioma é destinado a atividades de pastagem e agricultura. O uso do cerrado para tais fins, tem comprometido a qualidade dos solos, aumentado a ocorrência de queimadas oriundas da pastagem tem comprometido a biodiversidade única desse bioma (KLINK, MACHADO, 2005). O cerrado é considerado um hotpost de biodiversidade, ou seja, apresentam uma abrangente diversidade biológica, incluindo espécies endêmicas, mas que são afetadas pelas atividades antrópicas, e que precisam de estratégias de conservação (STRASSBURG, 2017). 2.1.4 Mata atântica Esse bioma (Figura 5) se estende por grande parte do litoral brasileiro, abarcando 17 dos estados brasileiros e ainda abrange, parte da Argentina, e do Paraguai (EMPRAPA, 2006; BARSANO; BARBOSA, 2014). Até os anos 1500 a Mata atlântica apresentava cerca de 1,3 milhões de quilômetros quadrados, mas em detrimento de atividades agrícolas e da urbanização, atualmente somente 8% desse bioma apresenta floresta em estágio conservado (EMPRAPA, 2006; ALMEIDA, 2016). As implicações ambientais da Mata Atlântica têm uma relação com os ciclos econômicos que ocorreram no Brasil, como o de cana-de-açúcar, café e algodão (EMPRAPA, 2006). Figura 5: Mata atântica Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/mata-atl%C3%A2ntica-mangue-brasil-4569459/ https://www.icasconservation.org.br/projetos/bandeiras-e-rodovias/ https://www.icasconservation.org.br/projetos/bandeiras-e-rodovias/ https://www.icasconservation.org.br/projetos/bandeiras-e-rodovias/ https://pixabay.com/pt/photos/mata-atl%C3%A2ntica-mangue-brasil-4569459/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24 A área remansecente desse bioma apresenta uma riqueza de biodiversidade, que é matinda por manancianciais que propipiciam a qualdiade do solo, dos recursos naturais e favorem o equilíbrio do clima (BARSANO, BARBOSA, VIANA, 2014). Animais como por exemplo, o mico-leão-dourado (Figura 6), arara-azul pequena, bugio fazem parte desse bioma, e estão ameaçados de extinção (BARSANO; BARBOSA, 2014). Figura 6: Mico-leão-dourado Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/mico-le%C3%A3o-dourado-macaco-5909003/ Como estratégia de conservação da Mata Atlântica, foram implementados corredores ecológicos, que segundo Sistema Nacional de Unidades de Conservação são: porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais (BRASIL, 2000). A ocorrência de espécies com ameaça de extinção, bem como as endêmicas, como já mencionadas, são essenciais para o desenvolvimento desses corredores. Na Mata Atlântica, temos o corredor central que corresponde a 8,5 milhões de hectares e está situada em todo o estado do Espírito Santo e na parte sul da Bahia, além de apresentar 83 Unidades de Conservação. Para atingir a conservação desses corredores, atividades de capacitação social são realizadas, bem como monitoramento ambiental, fiscalização, entre outros (BRASIL, 2006). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25 Atualmente atividades antrópicas como corte ideal de arvóres, poluição dos recursos naturais, aumento da urbanizção tem impactado a Mata Atlântica (BARSANO; BARBOSA, 2014). Uma informação importante sobre esse bioma é que cerca de 70% dos brasileiros vivem em áreas que abrangem a Mata Atlântica. Esses dados demonstram como a demanda de áreas para a construção de moradias e indústrias e outras atividades podem ter corroborado para a degradação da Mata Atlântica (BARBOSA, VIANA, 2017). 2.1.4 Pampa Esse bioma (Figura 7) tem uma característica interessante, pois somente o estado do Rio Grande do Sul, faz parte do Pampa.and sertraline, alone and in combination, to a bivalve species: size-dependent interaction and potential toxication mechanism. Journal of hazardous materials, v. 396, p. 122603, 2020. SHISHIR, T. A.; MAHBUB, N.; KAMAL, N. E. Review on bioremediation: a tool to resurrect the polluted rivers. Pollution, v. 5, n. 3, p. 555-568, 2019. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 185 SILVA, J.R.A. Projeto promove o engajamento de comunidades pela proteção de espécies ameaçadas de extinção. In: Práticas Inovadoras na Gestão de Áreas Protegidas- Gestores Empreendedores: Inovação na Gestão de Unidades de Conservação. 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Principais estratégias e técnicas de recuperação de áreas degradadas utilizadas no Brasil Solos degradados MANEJO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS Técnicas de recuperação de ecossistemas aquáticos- FINALIZADO Espécies vegetais utilizadas em recuperação de áreas degradadas O monitoramento ambiental e a gestão ambiental como aliados na recuperação de áreas degradadas Legislação ambiental Plano de recuperação de áreas degradadas e EIA/RIMA Educação ambiental e participação social no contexto da recuperação de áreas degradadas Estudos de caso e desafios futuros da recuperação de áreas degradasAlém da metade sul do estado brasileiro, também abrange parte da Argentina e do Paraguai (EMBAPA, 2006; BARSANO, BARBOSA, VIANA, 2014). Nesse bioma o clima desse bioma é temperado, e sua paisagem pode ser bastante distinta, já que exibe desse serras até vastas áreas de planícies, de forma majoritária a vegestação é composta por campos e arbustos (BARBOSA, VIANA, 2014). Cabe salientar que, esse bioma é delimitado com a Mata Atlântica (EMPRAPA, 2006). Apresenta uma grande biodiversidade, que ainda não foi totalmente explorada em estudos acadêmicos (CASTRO et al. 2019). Figura 7: Pampa Fonte: https://www.freeimages.com/photo/campo-1370581 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26 Alguns autores atribuem a prática de monocultura e plantio de espécies exóticas como fatores responsáveis pela degradação desse bioma (CASTRO et al., 2023). ANOTE ISSO Espécies exóticas são organismos da fauna e da flora que ocorrem em ambientes que não fazem parte da sua área natural. Geralmente, esses organismos são introduzidos pelos humanos, de forma intencional ou não. As espécies exóticas afetam de forma direta biodiversidade local, mas indeiretamente podem impactar na a economia, bem como a saúde humana (IBAMA, 2022). ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Os javalis foram inseridos no Brasil, principalmente na região Sul com finalidade de domesticação e caça. Acredita-se que um evento de seca em 1989 favoreceu a inserção desses animais no Sul do país vindo do Uruguai, através do Rio Jaguarão. A ocorrência dessa espécie exótica traz prejuízos para o ambiente, pois, esse animal causa impactos sobre a fauna e floral nativas do Pampa, colocando em risco também a economia local, além de ser capaz de transmitir doenças (IBAMA, 2020). 2.1.4 Pantanal Esse bioma (Figura 8) tem cerca de 160.000 km² de extensão no Brasil, abrangendo os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além disso, também está presente em outros países como a Bolívia e o Paraguai. O Pantanal está inserido na Bacia Hidrográfica do Alto do Rio Paraguai (BRITO, 2012). Esse bioma é considerado a maior região alagada a nível mundial, é uma planície que está em constante processo de inundações (BRITO, 2012; BARSANO; BARBOSA, 2014). Em relação aos fatores climáticos do Pantanal, sua característica é de clima tropical. Apresenta os período chuvosos nos meses de outubro a março e seco nos demais meses. Nos períodos chuvosos, as planícies ficam alagadas, já que ultrapassa a capacidade dos solos de retenção da água. No entanto, nos períosos secos, em alguns casos, impacta na mortalidade de animais por desistração e também afeta os moradores desse bioma (BARBOSA, VIANA, 2014). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27 Figura 8: Pantanal Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/nRAZpu0DCIY O Pantanal também foi descrito pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera tendo em vista sua grande relevância (BARSANO; BARBOSA, 2014). Nesse bioma, alguns animais são bem característicos como a onça-pintada, o jacaré- do-pantanal, lobo-guará, onça-pintada, capivaras, entre outros (BARSANO; BARBOSA, 2014). No entanto, muitos desses organismos estão ameaçados de extinção. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28 Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/fotografia-animal-fotografia-de-animais-perigo-risco-13832829/ Assim como os demais biomas brasileiros, o Pantanal também vem sendo impactado com atividades antrópicas, dentre elas o desmatamento, queimadas assoreamento de rios, pecuária extensiva, erosão das margens de rios, urbanização, uso exacerbado de pesticidas e biocidas, entre outros (BRITO, 2012). Compreender os biomas é essencial para embasar os projetos de recuperação de áreas degradadas , já que é preciso endenter toda a complexidade que envolve essas áreas, como as características do clima, as espécies nativas, as questões socioambientais, as principais fontes de poluição, entre outros. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29 CAPÍTULO 3 COMPARTIMENTOS AMBIENTAIS 3.1 Compartimento atmósferico A atmosfera é cmposta por quatro gases importantes, o nitrogênio molecular, oxigênio, argônio e dióxido de carnobo (VALERRO, 2014). Relembrando os conceitos de química, o ar é inerte, ou se não reativo (VALERRO, 2014). O ar é extramente importante para a manutenção das diferentes formas de vida do nosso planeta. O ar sem qualquer tipo de influência humana é considerado não poluído, no entanto, atualmente não é possível detectar ambientais em todo o planeta, que não tenham algum grau de poluição atmosférica, até mesmo em locais mais remotos (VALERRO, 2014). Esse resultado é muito alarmante! ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 99% da população mundial residem em locais acima dos níveis de poluição atmosférica estabelecido (WHO, 2022), sendo um fator que pode desencadear novas enfermidades. No primeiro capítulo foi mencionado sobre a poluição desse compartimento ambiental. Mas, não tratamos de um assunto bastante perntinente, o efeito estufa. O efeito estufa é um fenômeno natural, fundamental para manuntenção da temperatura da Terra. No entanto, por conta de atividades antropogênicas como queima de combustíveis fossíveis, queimadas e outros processos que liberam metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e dióxido de carbono (CO2), colaboraram para o incremento do efeito estufa e como consequência no aquecimento global (VALERRO, 2014). Na Figura 1, é possível verificar algumas atividades humanas que favorecem o aumento do efeito estufa. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30 Figura 1: Exemplos de fontes antrópicas que favorecem o efeito estufa Fonte: Elaborado por Rafaela Costa Diante desse cenário do aumento do efeito estufa, e seus desdobramentos, em 1997, no Japão foi constituído através de diferentes representantes de vários países, o Protocolo de Kioto, um tratado para firmar o compromisso da redução da emissão dos gases do efeito estufa. Cabe salientar que na época os Estados Unidos, um dos países que contribuem de forma significativa para a poluição do ar, não aderiram ao tratado de Kyoto (BARSANO, BARBOSA, VIANA, 2014). Ressalta ainda que apesar de ter sido desenvolvido em 1997, o protocolo entrou em vigor em 2005 (MMA, 2023). Além do efeito estufa, destaca-se ainda que a poluição do ar traz desdobramentos para a saúde humana, já que tem sido verificação a relação com implicações na gestação, no sistema respiratório, aumento de asma brônquica, câncer de pulmão (ARBEX et al. 2012). ANOTE ISSO Você sabia que existem bioindicadores de qualidade do ar? Um exemplo, são os líquens (Figura 2), que constiem na união de algas e fungos através de uma relação que chamamos de símbiose, ou seja, que traz benefícios para ambos. Os líquens geralmente vivem sobre plantas e rochas.Eses organismos são sensíveis a poluição e indicam as mudanças da qualidade do ar atráves de alterações em sua morfologia, fisiologia, na absorção de poluentes, entre outros (Kuldeep; Prodyut, 2015 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31 Figura 2: Líquens Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/16344126803/ec5e848503/ 3.2 Compartimento aquático A água desempenha uma função vital para a manutenção das diferentes formas de vida no planeta. Nosso planeta é coberto por água (Figura 2) em cerca de 71% da superfície terrestre (MILLER; SPOOLMAN, 2016). Recapítulando as aulas de química e biologia, a fórmula química desse elemento tão importante constitui dois átomos de hidorgênio e um átomo de oxigênio. No contexto químico, a água é considerada um solvente universal, poispropicia diferentes reações químicas (REICHARDT; TIMM, 2016). Figura 2: Planeta Terra. Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/terra-globo-planeta-mundo-espa%C3%A7o-11015/ RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32 Já no aspecto da Biologia e Ecologia, não podemos deixar de ressaltar que a água é essencial para o ser humano, bem como no equilibrio ecossistêmico e nas relações de dependência entre os diferentes organismos e o ambiente (BACCI, PATACA, 2008). Para os seres humanos a água representa inúmeras funções, desde as questões biológicas até seu emprego e influência em hábitos e costumes. Esse recurso é usado em inúmeras atividades como agricultura, no setor industrial, na mineração, entre outros (BACCI, PATACA, 2008). A ausência desse recurso leva a fome, mortalidade e seu excesso gera inundações que também implicam na vida humana (CHAPLIN, 2001). Através da água pode-se contrair doenças, o que é denominado como doenças de veiculação hídrica, como por exemplo, a ascaridíase, amebíase, hepatite A (DUARTE, 2014), que são associadas ao ausência de saneamento. Na Figura 3, podemos ver o lançamento de esgoto sanitário diretamente no corpo hídrico, sem nenhum tipo de tratamento prévio. Figura 3: Lançamento de esgoto Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/sujo-manchado-casas-residencias-5368119/ em um corpo d’água RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33 ISTO ESTÁ NA REDE Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, em 2021, cerca de 45% de brasileiros não tinham acesso ao esgoto sanitário, o que representa aproximadamente 100 milhões de brasileiros. Esse dado é bastante alarmante, pois, indica, o quanto é preciso ainda ser investido nessa questão e nos faz refletir sobre os impactos desse serviço tão primordial para a população, que tem uma relação direta com a saúde pública e com a qualidade hídrica. Caso tenha interesse em se aprofundar nesses dados de saneamento, acesse o site: http://antigo.snis.gov.br/painel- informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento. A água se apresenta como uma temática multidisciplinar, ou seja, pode ser estudada e abordada sobre diferentes áreas do conhecimento. Segundo pesquisadores, é o compartimento ambiental mais investigado quando comparado aos demais (CHAPLIN, 2001). Ainda sobre a questão descrita previamente sobre a poluição hídrica, até em ambientes mais remotos como a Antártida apresentam algum nível de poluição. Isso foi evidenciado em um estudo conduzido por González-Alonso e colaboradores 2017 que detectaram resíduos de produtos farmacêuticos como, acetaminofeno, diclofenaco e ibuprofeno nas águas superficiais na região norte da Península Antártica. 3.4 Compartimento terrestre O solo envolve uma séries de composições, de rochas, nutrientes, matéria orgânica, água, ar e organismos, muitos deles decompositores (Figura 4) (MILLER; SPOOLMAN, 2016. A formação desse compartimento ocorre atráves do processo de intemperismo, ou seja, a soma de processos físicos, químicos e biolológicos atuam sobre as rocham degradando-as em partículas, formando o solo (SANTOS; DAIBERT; MILLER; SPOOLMAN, 2016;) Figura 4: Solo. Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/c3rmcDjVDbc http://antigo.snis.gov.br/painel-informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento http://antigo.snis.gov.br/painel-informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento http://antigo.snis.gov.br/painel-informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34 Cabe salientar que o solo é responsável pela manutenção de diversos organismos terrestres, também funciona como um local de purifização e armazenamento hídrico. Esse compartimento ambiental também contribui para a regulação climática e tem papel importante no ciclo do carbono (MILLER; SPOOLMAN, 2016). Os solos apresentam diferentes camadas que são denominadas horizontes (O, A, B e C), e podem apresentar uma variação de acordo com as propriedades físicas desse compartimento ambiental. No horizonte O é verificada a presença da fauna e da flora, é a camada composta por matéria orgânica. O horizonte A, é a camada de superfície do solo, com a mudança de alteração da sua coloração proveniente de decomposição da matéria orgânica. O horizonte B é o subsolo, sua coloração com tom mais amarelado tem influência de minerais, apresenta uma composição de argila, lodo e cascalho. Por fim o, o horizonte C é o material de origem, ou seja é a composição da rocha matriz (MILLER; SPOOLMAN, 2016; STEIN, 2017). Figura 5: Horizontes do solo Fonte: Elaborado por Rafaela Costa Um dos fatores que tem favorecido a degradação desse compartimento, é o processo de erosão. A erosão pode ser de origem natural ou antropogênica que desgata o solo, através de ação da água, vento, ou de atividades como agricultura, desmatamento (Figura 6) . Esse processo também pode levar a desertificação (BARSANO, BARBOSA, VIANA, 2014). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35 Figura 6: Queimadas contribuindo para a erosão do solo. Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/inc%C3%AAndio-campo-combate-a-inc%C3%AAndios-6706669/ 3.5 Compartimento de sedimento Os sedimentos são compostos por partículas minerais, orgânicas e inorgânicas finas que é depositado no fundo de diferentes ambientes aquáticos como rios, lagos, estuários e oceanos (GARCIA; PASSOS, 2012). Os sedimentos abrigam muitos organismos como os organismos bentônicos, ou seja, animais que vivem dentro ou sobre diferentes substratos, como os sedimentos por exemplo. Esses organismos apresentam um papel importante na cadeia trófica, na ciclagem de nutrientes, e alguns são utilizados como bioindicadores de qualidade ambiental, pois são sensíveis as mudanças ambientais (BARROS JUNIOR et al. 2009; JUNG et al. 2012). Alguns exemplos de animais bentônicos, gastrópodes, crustáceos, bivalves, equinodermas. Na Figura 7, podemos observar um ouriço-do-mar, que é um organismo bentônico. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 36 Figura 7: Ouriço-do-mar Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/5XXa-Z3VAYc No que se refere ao uso desses organismos como bioincadores, um exemplo, utilizado são os bivalves (Figura 8). Estes, podem bioacumular diversos contaminantes em seus tecidos (DODDER et al., 2014), em função do seu hábito alimentar, que é feito através da filtração de partículas presentes na água. Figura 8: Exemplo de bivalve. Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/mexilh%C3%B5es-cartuchos-frutos-do-mar-419052/ Vários tipos de poluentes podem impactar o sedimento e os organismos que vivem nesse compartimento ambiental, como por exemplo os microplásticos, pesticidas, RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37 descarte de efluentes sem tratamento, hidrocarbonetos policiclicos aromáticos, entre outros (GARCIA; PASSOS, 2012; UDIN et al. 2021). 3.6 Interações entre os compartimentos Nos tópicos anteriores, os compartimentos ambientais, foram descritos de forma isolada, mas os impactos no meio ambiente podem influênciar na qualidade do ar, da água, do solo e do sedimento. Um exemplo, é a poluição por resíduos sólidos. O processo de incineração, é um dos métodos para a diminuição do lixo e na prevenção de vetores, no entanto, a queima de dos resíduos libera para a atmosfera substâncias tóxicas, que contribuem para a poluição atmosférica e causam efeitos negativos também para a saúde humana (GOUVEA; PRADO, 2010). No que se refere ao compartimento aquático, sabe-se que aproximadamente 8 a 11 milhões de toneladas de plásticos chegam até os oceanos (WILLIAMS; RANGEL-BUITRAGO, 2022) . Essa quantidade exacerbadade plástico coloca em risco a biodiversidade, impacta a qualidade desse recurso e implica também na vida humana (Figura 9). Atualmente, além do plástico, vem ganhando destaque entre os pesquisadores os efeitos dos microplásticos no ambiente. Figura 9: Poluição por plástico Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/FxnqdmKBJps RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38 Os microplásticos são a degrdação do plástico, que em escala micrométrica e milimétrica, que tem gerado preocupação, já que podem ser carreados de forma fácil e ráida no ambiente, podem se acumular nos organismos via teia trófica (PENG et al. 2020). Além disso, estudos já demonstram que server como facilatores de transporte de outros poluentes como resíduos farmacêuticos, corantes, plastificantes, retardantes de chama, entre outros (SANTOS et al. 2021; MONTAGNER et al. 2021). Ainda no contexto dos microplásticos, é importante destacar que eles ocorrem não só na água, mas também no sedimento, no ar e até mesmo em amostras de alimentos (OLIVATO et al. 2018; SAJAD et al. 2023) Em relação ao solo, o descarte de resíduos sólidos nos lixões, são ainda comuns em muitos países, como no Brasil, que ainda conta com cerca de 1.572 unidades em seu terrítorio (SNIS, 2021). Essa disposição inadequada contamina os solo e recursos hídricos subterrâneos (ALI et al. 2014). Por fim, gostaria de ressaltar a importância de conhecer sobre os diferentes compartimentos ambientais para atuar na recuperação de áreas degradadas, uma vez que é preciso lembrar que esses compartimentos estão associados, como foi exemplificado anteriormente, logo é importante pensar nessas conexões nos processos de recuperações e restauração e áreas impactadas e na garantia da sustentabilidade. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39 CAPÍTULO 4 INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO No capítulo 3, você conheceu os diferentes compartimentos, incluindo o solo. Nesse capítulo trataremos de outras temáticas importantes quando se trata de solo, os indicadores de qualidade do solo. Como forma de monitorar os solos, propriedades físicas, químicas e biológicas tem sido empregada como indicadores desse compartimento ambiental apontando possíveis alterações de sua qualidade. Antes de adentramos nesses indicadores, é válido salientar que existem três fatores (Figura 1) que definem a qualidade dos solos, sendo eles: 1. Produtividade: A capacidade do solo de impulsionar o crescimento vegetal e a produtividade biológica. 2. Qualidade ambiental- Capacidade do solo de reduzir a presença de contaminante que causam efeitos negativos para o ambiente, aos organismos patógenos e aos impactos externos 3. Saúde ambiental- A correlação da qualidade do solo e a fauna, saúde ambiental e pública Figura 1: Pilares da qualidade ambiental do solo. Fonte: Adptado de Doran et al. (1994) RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40 4.1 Indicadores físicos de qualidade do solo Várias características podem ser utilizadas como indicadores físicos de saúde do solo, nesse tópico trataremos de alguns exemplos, conforme os itens abaixo: • A textura do solo refere-se à distribuição das diferentes partículas que o compõem em termos de tamanho. As partículas do solo são classificadas da seguinte maneira: Argila (PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43 Uma revisão realizada por Maurya et al. 2020, descreve alguns exemplos de indicadores químicos de qualidade do solo (Figura 4), tais como: • Salinidade do solo: Pode ser utilizada como um indicativo da fertilidade do solo, bem como da redução da comunidade de microrganismos nesse ambiente. • pH: É utilizado como um indicativo do crescimento ou da atividade microbiana. • Capacidade de troca catiônica: É empregada para avaliar a capacidade do solo de reter nutrientes, além de sua fertilidade. • Nitrogênio: Este nutriente tem o potencial de indicar a fertilidade do solo. • Matéria orgânica do solo: É um indicador da qualidade do solo que evidencia processos de degradação, como a erosão, bem como o potencial de retenção de água, a atividade biológica e diversidade neste ambiente, além de alterações em sua textura. • Potássio: É usado para indicar o potencial de fertilidade do solo; um aumento deste nutriente no ambiente do solo pode resultar na diminuição da atividade das comunidades microbianas, mas o seu aumento do crescimento das plantas e culturas • Fósforo: Indica as alterações na fertilidade do solo, assim como mudanças na comunidade de microrganismos. • Enxofre: Assim como outros indicadores, também influencia a fertilidade do solo, contribuindo para o aumento da produtividade das plantas, a síntese proteica para defesa contra estresses abióticos e bióticos, e facilitando a fixação de nitrogênio. Figura 4: Esquema resumido de alguns indicadores químicos de qualidade do solo Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Maurya et al. (2020). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44 4.3 Indicadores biológicos da qualidade do solo Os indicadores biológicos ou bioindicadores referem-se a organismos ou processos que demonstram a qualidade dos solos. Os indicadores biológicos podem ser variados, como a biomassa microbiana, atividade enzimática, respiração microbiana, entre outros. Nesse tópico serão demonstrados alguns exemplos desses indicadores biológicos. A biomassa microbiana é um indicador biológico crucial deste ambiente, representando a fração viva e ativa presente na matéria orgânica do solo, composta principalmente por fungos e bactérias. A quantificação da biomassa microbiana desempenha um papel fundamental na avaliação da abundância de organismos no solo (JUNIOR; MENDES, 2007; MATSUMOTO; MARQUES, 2015; MÜLLER, 2021). As enzimas presentes no solo são principalmente proteicas e desempenham um papel fundamental ao acelerar reações termodinâmicas (MÜLLER, 2021). As reações químicas que ocorrem nesse ambiente geralmente estão associadas às atividades enzimáticas. Algumas enzimas, como a fosfatase alcalina, β-glicosidase, arilsulfatase e urease, estão intimamente ligadas à dinâmica de importantes ciclos biogeoquímicos, como os ciclos do carbono, nitrogênio e fósforo (MATSUMOTO; MARQUES, 2015). Essas enzimas podem ser consideradas indicadoras potenciais, uma vez que refletem alterações significativas na qualidade do solo, principalmente por serem suscetíveis as alterações causas por impactos ambientais associados ao manejo (MÜLLER, 2021). Além disso, segundo a literatura o método para análise de enzimas é considerado rápido e relativamente simples (MÜLLER, 2021). Foram mencionados dois exemplos de bioindicadores relacionados a microrganismos e de processos enzimáticos, mas, você sabia que as minhocas (Figura 5), são bastante utilizadas como indicadores biológicos ? RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45 Figura 5: Minhoca Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/minhoca-solo-sujeira-macro-686593/ A utilização desses organismos apresenta vantagens, como a facilidade de identificação e amostragem. Além disso, a presença desses organismos sugere a existência de um solo de boa qualidade. Como indicadores biológicos, podem demonstrar a abundância e a composição desses organismos em uma determinada área, bem como a bioacumulação de substâncias (FRÜND et al. 2010). A bioacumulação (Figura 6) é um conceito importante nas áreas ambientais, refere-se ao processo em que as substâncias químicas absorvidas por organismos via alimentação ou de outras fontes, não são eliminadas ou metabolizadas, e acabam acumulando nos tecidos dos organismos ao longo de sua vida (CAIN et al. 2018). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46 Figura 6: Esquema representativo da bioacumulação Fonte: Elaborado por Rafaela Costa ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um estudo conduzido por Liu e colaboradores (2015), investigaram o efeito do composto bromadiolona um rodenticida (produto utilizado para controle de roedores) sobre a minhoca Eisenia fetida. Os pesquisadores constataram que o composto pode causar efeitos tóxico para as minhocas testadas em concentrações de 1mg/kg, além disso o rotenticida analisado é capaz de bioacumular nesse organismo e causar implicações sigficativas em seu crescimento. Além da bioacumulação, outro processo que pode acontecer no ambiente é o que chamamos de biomagnificação. A biomagnificação (Figura 7) está associado à bioacumulação, mas ocorre quando a concentrações de poluentes aumenta de acordo com a cadeia alimentar, portanto, os organismos considerados topos de nível tróficos apresentam as maiores concentrações de compostos prejudiciais (CAIN et al. 2018). Figura 7: Esquema representativo da biomagnificação Fonte: Elaborado por Rafaela Costa RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47 Além de serem utilizadas como bioindicadores, as minhocas são utilizadas em ensaios laboratoriais, em uma área que chamamos de Ecotoxicologia terrestre. Mas, antes que você compreenda mais sobre a Ecotoxicologia terrestre e sua impoartâmcia para a avaliação dos solos, é importante que você aprenda alguns conceitos da ciência Ecotoxicologia. A Ecotoxicologia é uma disciplina que integra conceitos da Ecologia e da Toxicologia para avaliar os efeitos tóxicos de substâncias químicas nos ecossistemas (MANAHAN, 2013). Dentro da Ecotoxicologia, temos vários conceitos importantes, um deles é o que chamamos de ensaios de toxicidade, que são baseados no tempo de exposição a um poluente. Os ensaios de toxicidade aguda, são realizados em um menor tempo de exposição e avaliam em geral os efeitos de uma substância na mortalidade ou imobilidade em um organismo-teste. Já os ensaios de toxicidade crônica, analisam os efeitos tóxicos de um composto sobre uma parte do ciclo de vida do organismo-teste, como por exemplo, reprodução ou comportamento em um maior tempo de exposição (BERTOLETTI; ZAGATTO, 2008). No contexto da Ecotoxicologia terrestre, os experimentos realizados expondo os organismos-teste a um solo poluído podem auxiliar na compreensão de diferentes efeitos da substância testada no seu crescimento, mortalidade, reprodução, entre outros (NIVA; BROWN, 2019). No caso das minhocas, elas são utilizadas em diferentes testes de toxicidade, podendo ser utilizadas para avaliar crescimento, reprodução e comportamento (NIVA; BROWN, 2019). Um dos ensaios bastante interessantes utilizados é o de comportamento de fuga. Ele consiste na utilização de um recipiente-teste com uma divisória, e em cada parte do recipente-teste temos um solo contaminado e outro sem nenhum tipo de poluentes (solo-controle). Depois de incorporado os dois tipos de solo, a divisória é removida e são inseridas cerca de 10 minhocas, que irão escolher em qual o solo ficaram. Após a inserção das minhocas, esse recipiente será colocado em uma incubadora por 48 horas. Após o período de incubação, é colocado novamente a divisória e será analisado e contado em qual solo as minhocas ficaram durante o experimento. O experimento só é considerado válido se a mortalidadefor menor do que 10% (NIVA; BROWN, 2019). RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48 ISTO ESTÁ NA REDE A área de Ecotoxicologia terrestre tem crescimento bastante no Brasil e explorada por pesquisadores de várias instituições de pesquisas brasileiras. No livro “Ecotoxicologia terrestre: métodos e aplicações dos ensaios com oligoquetas” publicado em 2019 de autoria de Cintia Carla Niva e George Gardner Brown, você poderá conhecer mais sobre os ensaios de toxicidade como o exemplo que mencionei acima, além de aprender sobre outros organismos-teste que também são empregados para avaliar a qualidade dos solos. Para ter acesso coloque o título do livro conforme indicado acima e faça a busca na internet. Boa leitura! Diante do exposto, é reforçado por Doran e colaboradores (1994) que o uso dos indicadores previamente mencionados de qualidade do solo por pesquisadores, agricultores, entre outros, devem seguir ser usados os seguintes critérios: • Abarcar os processos ecossistêmicos e correlacionar com modelagens. • Usar de forma conjunta as propriedades físicas, químicas e biológicas • Ser aplicações ao contexto de campo e acessível para todos • Adapte-se às mudanças na gestão e nas condições climáticas. O entendimento dos indicadores químicos, físicos e biológicos de qualidade dos solos é fundamental no contexto de recuperação de áreas degradadas, auxiliam na compreensão de como está esse compartimento ambiental, permitindo tomar ações de mitigação para garantir a manutenção dos ecossistemas e serviços ecossistêmicos. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49 CAPÍTULO 5 IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS Neste capítulo vamos tratar de uma temática importante, a identificação de áreas degradadas, como as geotecnologia, estudos hidrológicos e utilização de índices e análise da biota. A utilização de tais métodos ou práticas podem auxiliar nas ações posteriores para a tomada de decisão e estratégias para a recuperação e restauração de ambientes impactados. 5.1 Uso de geotecnologias A utilização de geotecnologias e geoinformação por parte de empresas e órgãos, sejam eles públicos ou privados, tem experimentado um crescimento notável. Isso ocorre com o propósito de avaliar de maneira abrangente e eficaz a extensão do problema, ao mesmo tempo em que fornece apoio para a formulação de políticas públicas e a tomada de decisões relacionadas à recuperação, gestão e uso dessas áreas de terra (EMBRAPA, 2023). Nesse tópico trataremos de duas geotecnologias utilizadas para a identificação de áreas degradadas, o sensoriamento remoto e os Sistemas de Informação Geográfica. O sensoriamento remoto é definido como a aplicação de sensores avançados para quantificar a energia eletromagnética emitida por objetos ou áreas a distância e, posteriormente, extrai informações relevantes por meio da aplicação de algoritmos fundamentados em conceitos matemáticos e estatísticos. Além disso, o sensoriamento remoto opera de forma conjunta e integrada com outras disciplinas, como por exemplo os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) (STEIN et al. 2020). Com base nas informações obtidas através do sensoriamento remoto, podemos ter dados sobre o ambiente e suas alterações ao longo do tempo e das alterações da paisagem em detrimento das atividades humanas. A aplicação do sensoriamento remoto pode ser variada, desde ações de planejamento, até mesmo para o monitoramento ambiental (STEIN et al. 2020). Toda essa captação de dados e pode possibilitar no entendimento na alteração de mudança de paisagem e agir frente a situação como o desmatamento ilegal (STEIN et al. 2020) e queimadas. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50 Os dados obtidos via sensoriamento remoto, de forma geral, são integrados aos SIG que via softwares possibilitam um melhor armazenamento, análise e visualização espacial dos das informações. Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) são considerados como ciência, a tecnologia, uma disciplina e metodologia, sendo aplicados com o propósito de resolver uma ampla gama de desafios. Estamos constantemente envolvidos com os SIG, seja de forma direta ou indireta, em nossas atividades diárias. Isso pode ocorrer ao utilizarmos dispositivos com capacidade de rastreamento de localização, acessando serviços online relacionados à geoinformação ou simplesmente ao interagir com produtos e serviços que estão intrinsecamente vinculados a locais específicos (LONGLEY et al. 2009). O SIG representa uma categoria especial de sistemas de informação que não apenas gerenciam eventos, atividades e objetos, mas também rastreiam sua localização ou existência (LONGLEY et al. 2009). O SIG pode ser aplicado em diferentes áreas, como por exemplo, na área de saúde para a resolução de problemas geográficos, auxiliando na escolha do melhor local para a implementação de hospitais (LONGLEY et al. 2009). Também ajudam aos profissionais da área ambiental através do monitoramento a entender a como estão ocorrendo processos no ambiente, tais como erosão, mudanças na paisagem, além de subsidiar estratégias de ações para a restauração e conservação de áreas de grande expansão como Unidades de Conservação e Parques Nacionais (LONGLEY et al. 2009). Esses são somente alguns exemplos, o SIG (Figura 1) está presente em inúmeras atividades do nosso cotidiano. Figura 1: Aplicações do Sistema de Informações Geográficas Fonte: Elaborado por Rafaela Costa RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51 No contexto da recuperação de áreas degradas, a aplicação do SIG tem sido utilizada, por exemplo para identificar áreas degradadas pelas atividades de pecuária (GALDINO et al. 2015). Destaca-se que a atividade e pastagem gera uma perda da qualidade do solo de aproximadamente 140.297 km2 de área destinada para essa finalidade em Goiás e no Distrito Federal (GALDINO et al. 2015). ISTO ESTÁ NA REDE No site GeoDegrade da Embrapa é possível ter acesso a publicações científicas, sistema de informação geográfica dos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia e mapas de monitoramento por satélite da identificação das áreas que foram impactadas pela pastagem. O SIG e o sensoriamento remoto também pode ser aplicados de outras formas no contexto de recuperação de áreas degradadas, como uma forma de acompanhamento e monitoramento ambiental. Você irá aprender de forma mais detalhada sobre o monitoramento ambiental no capítulo 11. Essas geotecnologias também podem ser aplicadas em modelagens de situação ambiental que pode auxiliar na tomada de decisão. Além disso, podem ser usadas com outras informações sobre a áreas impactadas, complementando estudos geológicos, ecológicos, sociológicos, entre outros, para uma melhor compreensão dos danos de uma determinada localidade. 5.2 Estudos hidrológicos A hidrologia é a ciência que se refere ao estudo da água no ambiente. É através dela que conseguimos compreender os fenômenos da precipitação, escoamento superficial, entre outros (PINTO, 1976). Portanto, estudos hidrológicos, são extremamente importantes para o entendimento do ciclo hidrológico e dos processos relacionados, climatologia, uso e ocupação dos solos, etc. (PIMENTEL, 2015). Um dos estudos hidrológicos é a avaliação da qualidade das águas, o que também é relacionado a recuperação de áreas degradadas. É importante reforçar que esse recurso pode ser poluído de diferentes formas, como por meio físico, que abrage a avaliação de sólidos, gases e da temperatura. Você lembra que no capítulo 1 tratamos de diferentes tipos de poluição? A poluição térmica, por exemplo está associada as alterações físicas da água. No que se refere a poluição química desse compartimento ambiental, abrange a detecção de diferentes substâncias como agrotóxicos,