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RECUPERAÇÃO 
DE ÁREAS 
DEGRADADAS
PROF.a RAFAELA DOS
SANTOS COSTA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA
Prof.a Rafaela dos Santos Costa
RECUPERAÇÃO 
DE ÁREAS 
DEGRADADAS
Marília/SP
2023
“A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma 
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à 
geração, sistematização e disseminação do conhecimento, 
para formar profissionais empreendedores que promovam 
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e 
cultural da comunidade em que está inserida.
Missão da Faculdade Católica Paulista
 Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
 www.uca.edu.br
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma 
sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, 
salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a 
emissão de conceitos.
Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior
RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
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SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
CAPÍTULO 02
CAPÍTULO 03
CAPÍTULO 04
CAPÍTULO 05
CAPÍTULO 06
CAPÍTULO 07
CAPÍTULO 08
CAPÍTULO 09
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
8
18
29
39
49
59
70
81
92
102
113
123
134
CONCEITOS E E DEFINIÇÕES
BIOMAS BRASILEIROS
COMPARTIMENTOS AMBIENTAIS
INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO
IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS 
PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS E TÉCNICAS DE 
RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS 
UTILIZADAS NO BRASIL
SOLOS DEGRADADOS
MANEJO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS
TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO DE 
ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS- FINALIZADO
ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS EM 
RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS 
O MONITORAMENTO AMBIENTAL E A 
GESTÃO AMBIENTAL COMO ALIADOS NA 
RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS 
DEGRADADAS E EIA/RIMA
RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
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SUMÁRIO
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
143
153
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PARTICIPAÇÃO 
SOCIAL NO CONTEXTO DA RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
ESTUDOS DE CASO E DESAFIOS FUTUROS DA 
RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADAS
RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
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INTRODUÇÃO
No contexto atual, marcado por mudanças climáticas, crescente poluição ambiental, 
expansão da urbanização e intensificação dos processos industriais, surge de maneira 
imperativa a necessidade de abordar a recuperação de áreas degradadas como uma 
abordagem multidisciplinar para enfrentar os desafios do binômio e sociedade. Ao 
longo desse livro, você será conduzido a explorar interseções com diversas disciplinas, 
descobrindo conceitos fundamentais relacionados à recuperação de áreas degradadas. 
O objetivo central desta obra é proporcionar uma compreensão abrangente dos pilares 
essenciais, métodos avançados e técnicas inovadoras utilizados na restauraçãoe/ou 
conservação de ambientes danificados, ao mesmo tempo estimulando um crescente 
interesse e engajamento nessa área tão essencial. 
Este livro não apenas busca elucidar conceitos teóricos, mas também se empenha 
em enriquecer a compreensão do leitor por meio de exemplos contemporâneos e 
materiais suplementares. Transcendendo diferentes áreas, desde o desenvolvimento 
de Planos de Recuperação de Áreas Degradadas até a vital importância da Educação 
Ambiental e do engajamento social, a obra almeja integrar esses elementos de maneira 
sinérgica. 
A expectativa é que, ao concluir a leitura, você tenha adquirido uma visão mais 
holística do ambiente e de suas diversas facetas, através de uma base sólida 
para abordagens abrangentes na preservação e restauração ambiental, visando a 
conservação da biodiversidade e a promoção da sustentabilidade. 
RECUPERAÇÃO DE 
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CAPÍTULO 1
CONCEITOS E 
E DEFINIÇÕES
1.1 Meio ambiente
Antes de adentramos nas técnicas e manejo de recuperação de áreas degradas 
e compreender ainda mais sobre essa área precisamos conhecer alguns conceitos 
para prosseguirmos na disciplina. Primeiramente, a definição de meio ambiente é 
essencial. Nesse sentido, o conceito de meio ambiente segundo a Política Nacional 
do Meio Ambiente, “é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem 
física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” 
(BRASIL, 1981).
Sabemos de toda a importância do meio ambiente para a manutenção de todas 
as formas de vida no planeta. No entanto, o crescimento populacional, atividades 
industriais, queimadas, geração de resíduos, desmatamento, uso contínuo e exacerbado 
de diferentes compostos químicos tem favorecido a poluição do meio ambiente, 
afetando a biodiversidade, a qualidade dos recursos naturais, bem como a saúde 
humana (UKAOGO et al. 2020)
Os impactos no ambiente são inúmeros que alguns pesquisadores denominaram 
a atual época geológica de Antropoceno. O Antropoceno é marcado pelos impactos 
dos seres humanos sobre o planeta e alguns autores associam a Revolução Industrial 
como o início do Antropoceno (ARTAXO et al. 2014). Essa era geológica é marcada 
pelas causas e consequências de atividades antrópicas como crescimento populacional, 
liberação de poluentes tóxicos para a atmosfera, desmatamento, produção agrícola e 
industrial, entre outros (CRUTZEN, 2000).
O Antropoceno pode trazer inúmeros efeitos no planeta, dentre eles, as mudanças 
climáticas, a perda da biodiversidade, alterações dos ciclos biogeoquímicos, impactos 
na saúde humana, dentre outros (ARTAXO et al. 2014; GIATTI; MAKSUD, 2023). Uma 
revisão desenvolvida por Quadra e colaboradores (2019), elencou os principais fatores 
que vem contruibindo para a poluição hídrica. Os autores citaram que a eutrofização, 
a poluição provenites de produtos químicos, como metais, produtos farmacêuticos 
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e de higene pessoal, pesticidas, compostos orgânicos e os compostos orgânicas 
persistentes como os principais desafios para a garantir a qualidade da água. Também 
foi reportado no artigo científico os problemas dos efeitos combinados, ou seja, das 
misturas das substâncias supracitadas para a os organismos aquáticos. 
ANOTE ISSO
Conforme descrito previamente, na natureza as substâncias químicas podem se 
misturas e apresentar implicações distintas sobre os organismos. Nas Ciências 
ambientais, o termo poluição por misturas, tem sido cada vez mais utilizado por 
pesquisadores que estudam os efeitos de diferentes compostos químicos sobre a 
biota. Cabe salientar que, três tipos de efeitos são evidenciados nessas misturas. 
O sinergismo, por exemplo, evidencia que duas ou substâncias juntas tem mais 
implicações do que os efeitos individuais de cada composto. O contrário também 
pode acontecer, o sinergismo, nesse caso demostra que a união de duas ou mais 
compostos causa menos impacto do que cada componente daquela mistura. 
E ainda pode ser observado o que chamamos de efeito aditivo, isso ocorre 
quando o efeito de cada substância é similar as implicações do seu efeito isolado 
(ALTENBURGER et al. 2009; HEYS et al. 2016).
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo realizado por Shi et al. 2020 demonstraram que a mistura do fármaco 
sertralina e de miscroplásticos podem afetar a resposta imune do molusco 
denominado Tegillarca granosa. O que representa um risco para os organismos 
marinhos. 
1.3. Conceitos ambientais
Quando se trata de meio ambiente, alguns conceitos e definições são relevantes 
nas áreas ambientais e na ecologia, e esses conceitos serão descritos nesse tópico. 
O primeiro é o de biodiversidade, que será muito explorado ao longo desse livro. 
Biodiversidade ou diversidade biológia faz referência a variabilidade da fauna e da flora 
que são verificados em distintos ambientes (STEIN,metais, 
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hidrocarbonetos, etc. E ainda é possível ter a poluição biológica das águas, através 
da ocorrência de bactérias, vírus e vermes (PIMENTEL, 2015). 
A avaliação da qualidade hídrica pode fornecer informações da qualidade da 
água, demonstrando como está as concentrações de parâmetros químicos, físicos 
e microbiológicos. Valores excessivos de diferentes poluentes podem server como 
indicadores de degradação ambiental. Vale reforçar que as mudanças da qualidade 
hídrica geram prejuízos não só para o meio natural, mas também influencia nas 
atividades socioeconômicos, pois, aumenta por exemplo, os custos relacionados a 
saúde e também para a aquisição de uma fonte hídrica livre de poluente, além de 
refletir em serviços ecossistêmicos de abastecimento (PIMENTEL, 2015). 
Segundo Pimentel (2015), para se ter um panorama básico da qualidade hídrica é 
importante a medicação das seguintes variáveis ambientais: temperatura (T); Oxigênio 
Dissolvido (OD); Potencial Hidrogeniônico (pH); Turbidez (Tu); Dureza (Du); Condutividade 
e Salinidade, que serão descritas de forma mais detalhada a seguir.
As variações de temperatura fazem parte do padrão climático comum, e corpos de 
água naturais exibem flutuações sazonais e diárias, juntamente com a estratificação 
vertical. A temperatura na superfície é afetada por diversos fatores, incluindo latitude, 
altitude, estação do ano, hora do dia, fluxo da água e profundidade (CETESB, 2014). 
Destaca-se que os organismos aquáticos apresentam uma relação com essa variável 
física, eles têm uma certa tolerância associada ao crescimento, além de influenciar 
no período de desova e incubação de ovos (CETESB, 2014).
O Oxigênio Dissolvido (OD) é um fator essencial para sustentar a vida aquática e 
os processos de autodepuração em ecossistemas aquáticos naturais, bem como em 
instalações de tratamento de águas residuais. Durante o processo de decomposição da 
matéria orgânica, as bactérias utilizam o oxigênio em seus processos respiratórios, o 
que pode levar a uma diminuição na concentração de oxigênio no ambiente (CETESB, 
2023). A ausência de OD na água é relacionada a mortalidade de animais, já que 
são poucos os que sobrevivem com concentrações dessa variável química abaixo de 
1mg/L. Destaca-se que a detecção de OD é usada como um indicativo da presença de 
efluentes nos sistemas e na capacidade de manutenção da vida aquática (CETESB, 
2014; PIMENTEL, 2015). 
O pH é uma medida que varia numa escala de 0 a 14 (Figura 2), onde cada número 
representa uma alteração de dez vezes na escala. Ele é utilizado para quantificar o 
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nível de acidez ou alcalinidade de uma solução aquosa. Valores baixos indicam uma 
solução ácida, como o ácido de bateria com pH entre 1 e 2, enquanto valores mais 
elevados sugerem uma solução alcalina, como o sangue humano com pH entre 7 
e 8. Uma leitura neutra, com pH=7, indica que o número de íons de hidrogênio (H+) 
está equilibrado com o número de íons hidroxila (OH-), resultando em um ambiente 
neutro (PIMENTEL, 2015). 
Figura 2: Escala de pH
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
Essa variável química exerce uma influência direta sobre os ecossistemas aquáticos 
naturais devido aos seus impactos na fisiologia das diferentes espécies. Além disso, o 
seu efeito indireto é igualmente significativo, já que, em certas condições de pH, pode 
contribuir para a precipitação de substâncias químicas tóxicas, como metais pesados, 
enquanto em outras condições pode afetar a solubilidade de nutrientes (CETESB, 2014). 
A turbidez de uma amostra de água é a medida da diminuição da intensidade de 
luz à medida que ela passa através da amostra. Essa redução de intensidade ocorre 
devido à absorção e dispersão da luz, uma vez que as partículas que causam a turbidez 
nas águas são maiores do que o comprimento de onda da luz branca. Isso acontece 
devido à presença de sólidos em suspensão, que podem incluir partículas inorgânicas, 
como areia, silte e argila, além de detritos orgânicos, como algas, bactérias, plâncton 
e outros componentes (CETESB, 2014). 
Os efluentes domésticos (Figura 3) e industriais, bem como o desmatamento e 
os processos erosivos têm favorecido o aumento da turbidez em corpos hídricos 
(CETESB, 2014; PIMENTEL, 2015). 
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Figura 3: Lançamento de esgoto doméstico sem tratamento no ambiente, uma das fontes que contribuí para o aumento da turbidez da água
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/2545017248/4b69bb1d2c/
A dureza está relacionada às concentrações de sais minerais e outros elementos 
dissolvidos na água, como cálcio, magnésio e ferro. A dureza não é considerada 
uma substância contaminante, mas sim uma propriedade da água que pode variar 
consideravelmente em diferentes regiões ao redor do mundo.As águas subterrâneas, em 
grande parte devido ao processo de percolação da água no solo, costumam apresentar 
maior dureza do que as águas superficiais (PIMENTEL, 2015). 
A condutividade é uma representação numérica da habilidade de uma amostra 
de água para conduzir eletricidade. Ela é influenciada pelas concentrações iônicas 
na água e pela temperatura, sendo um indicativo da presença de sais dissolvidos 
na coluna d’água. Dessa forma, a condutividade oferece uma avaliação indireta da 
concentração de poluentes na água (CETESB, 2014). Já a salinidade, é a medida da 
concentração de sais presentes em corpos de água. Ela representa a proporção entre 
a quantidade total de sólidos dissolvidos em termos de massa e a massa da água 
que atua como o solvente. A salinidade acaba condicionando as demais propriedades 
físico-químicas da água, além disso influência no tipo de organismos presentes em 
um ambiente bem como na flora do local e em qual categoriza de uso a água será 
destinada para as atividades humanas. 
https://visualhunt.com/f7/photo/2545017248/4b69bb1d2c/
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ANOTE ISSO
A Resolução CONAMA 357/2005 dispõe sobre a classificação das águas e suas 
respectivas destinações referentes a atividades humanas e para a conservação 
ambiental. 
Vale salientar ainda que além dos parâmetros descritos previamente, Pimentel (2015) 
sugere que para uma análise mais completa da qualidade hídrica, sejam analisados 
compostos químicos orgânicos e inorgânicos, nutrientes, especialmente os que estão 
envolvidos em processos de eutrofização como o nitrogênio e o fósforo, além de 
microrganismos e os fármacos. No caso dos resíduos farmacêuticos em matrizes 
ambientais, vale frisar que não existem legislações brasileiras que estabeleçam 
valores máximos permitidos para essas substâncias. Os fármacos podem chegar no 
ambiente por diferentes formas, uma delas está associada a ausência de tecnologias 
de remoção em estações de tratamento de esgoto para a eliminação de produtos 
farmacêuticos (QUADRA et al. 2017). Como consequência, Pimentel (2015) reforça 
que essas substâncias estão chegando em diferentes matrizes ambientais e podem 
trazer danos ecológicos e para a saúde pública, como o aumento da resistência de 
microrganismos a antibióticos (Figura 4). 
Figura 4: Esquema para demonstrar a resistência microbiana a antibióticos
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
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Ainda no contexto de qualidade hídrica, destaca-se a importância da utilização de 
índices. O uso de índices ou indicadores de qualidade da água consistem em uma 
classificação numérica que demonstra o estado dos recursos hídricos (PIMENTEL, 
2015). Além disso, facilitam a compreensão para o público leigo e na tomada de 
decisão (PIMENTEL, 2015). Um dos índices muitoutilizados para tal finalidade é o 
Índice de Qualidade da água (IQA). O IQA foi desenvolvido nos Estados Unidos em 
1970 pela “National Sanitation Foundation” e posteriormente, foi adptado no Brasil pela 
Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB). O IQA envolve a avalição de 
nove parâmetros, com diferentes pesos, sendo eles: Oxigênio Dissolvido, Coliformes 
Fecais, Potencial Hidrogeniônico, Demanda Bioquímica de Oxigênio, Nitrato Total, 
Fosfato Total, Turbidez, Sólidos Totais e Temperatura. Após a avaliação do IQA o 
resultado obtido é classificado da seguinte forma em relação a qualidade da água: 
Categoria Ponderação
Ótima 79 67
Tabela 1- Classificação do IQA
Além do IET e do IQA, existem outros índices aplicados a estudos de qualidade 
ambiental como IVA - Índices de Qualidade das Águas para Proteção da Vida Aquática 
e de Comunidades Aquáticas, ICF - Índice da Comunidade Fitoplanctônica, ICZRES - 
Índice da Comunidade Zooplanctônica para Reservatórios, dentre outros. 
De forma resumida, o conteúdo exposto nesse tópico indica que o uso de indicadores, 
índices e estudos hidrológicos tem um papel importante na identificação de áreas 
degradadas, já que possibilitam a identificação prévia dos impactos sobre a água 
favorecendo ações de mitigação e controle. Além do monitoramento contínuo, 
mostrando a evolução das concentrações dos parâmetros avaliados. 
5.3 Análise da biota 
Uma outra forma de identificação de áreas degradadas é através da avaliação da 
biodiversidade. A redução da diversidade biológica pode ser um indicativo de áreas 
degradadas. 
Além disso, podemos utilizar o monitoramento de organismos indicadores de 
poluição, como plantas, animais e microrganismos. Os macroinvertebrados bentônicos 
(Figura 4), por exemplo, são considerados bioindicadores de poluição, já que devido 
ao seu ciclo de vida longo é possível detectar as alterações do ambiente sobre o 
orgarnismo, além de seres animais fáceis de coleta e manuseio (JUNG et al. 2022). 
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ÁREAS DEGRADADAS
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Figura 4: Caramujo aquático, um exemplo de macroinvertebrado bentônico.
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/caracol-preto-e-marrom-em-textil-bege-134059/
Um estudo descrito por França e Callisto (2015), indicam que determinados 
macroinvertebrados bentônicos são mais sensíveis a poluição como os insetos 
aquáticos, já as larvas aquáticas, minhocas de ambientes aquáticos e caramujos 
d’água são resistentes a ambientes poluídos. 
Além dos organismos previamente mencionados, alguns microrganismos como 
Escherichia coli, Enterococcus, tem sido empregado como indicadores de poluição. 
A bactéria E. coli é encontrada em quantidades significativas nas fezes de seres 
humanos e animais de sangue quente, sendo raramente detectada na ausência de 
contaminação fecal. Portanto, é amplamente reconhecida como o indicador mais 
apropriado de poluição fecal em ambientes de água doce (CETESB, 2016).
Enterococcus é um indicador microbiológico altamente valioso para avaliar a 
extensão da contaminação fecal em águas superficiais destinadas à recreação. 
Pesquisas realizadas em praias marinhas e águas de rios e lagos demonstraram uma 
relação direta entre a qualidade da água recreacional e a incidência de gastroenterites 
associadas ao banho. Entre os indicadores bacterianos de qualidade da água, os 
enterococos se destacam como os mais eficazes (CETESB, 2016).
O uso de indicadores no geral, podem demonstrar a saúde, recuperação e 
funcionalidade dos ecossistemas, o nível de poluição de diferentes matrizes ambientais. 
Você recorda que existem outros organismos usados como indicadores além dos 
mencionados nesse tópico? Como o caso das minhocas, descrito no capítulo 4. 
Para finalizar é importante que você tenha em mente que de acordo com o 
ambiente será necessário escolher um tipo de indicador biológico, e o ideal é que 
sejam selecionados vários para uma visão holística da área de avaliação. 
https://www.pexels.com/pt-br/foto/caracol-preto-e-marrom-em-textil-bege-134059/
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CAPÍTULO 6
PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS E 
TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO 
DE ÁREAS DEGRADADAS 
UTILIZADAS NO BRASIL
A recuperação de áreas degradadas no Brasil envolve uma série de estratégias e 
técnicas, que variam de acordo com o tipo de degradação e as condições locais que 
serão descritas de formas mais detalhada nesse capítulo. 
6.1 Recuperação florestal
Existem algumas técnicas de recuperação florestal, que serão melhor descritas a 
seguir:
• Condução da regeneração natural- A promoção da recuperação natural de áreas 
após um distúrbio envolve a facilitação do processo de regeneração por meio 
da utilização dos recursos disponíveis, como bancos de sementes, bancos de 
plântulas, chuva de sementes e brotos, e é particularmente eficaz em áreas 
recentemente desmatadas que mantêm essas fontes naturais de regeneração 
(ALMEIDA, 2016). O uso deste modelo de restauração pode ser complementado 
por medidas adicionais, como a necessidade de cercar a área para evitar a 
entrada de animais domésticos, o controle de espécies invasoras que podem 
prejudicar o sucesso do método, a limpeza ao redor das mudas arbóreas 
existentes (coroamento), a construção de aceiros para prevenir a propagação 
de incêndios, a instalação de poleiros artificiais para facilitar a dispersão de 
sementes por aves e o plantio de mudas de espécies pioneiras em áreas de 
clareiras para promover uma regeneração mais uniforme da área (ALMEIDA, 
2016). 
• Plantio de mudas- A recuperação de áreas degradadas frequentemente envolve 
o plantio de mudas (Figura 1), um método amplamente utilizado com o propósito 
de acelerar a sucessão natural, mitigar a erosão do solo e garantir o sucesso 
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da recuperação. Essa abordagem é relativamente simples de implementar e é 
economicamente viável em áreas de fácil acesso. O plantio de mudas pode incluir 
uma variedade de espécies, como plantas herbáceas, arbustos ou árvores, com 
o objetivo de estabelecer uma cobertura imediata e proporcionar uma maior 
proteção do solo (ALMEIDA, 2016). 
Figura 1: Plantio de mudas
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folhas-verdes-em-solo-marrom-08-AAUx-WtM
• Recuperação com espécies pioneiras-A aplicação do plantio de recuperação 
ambiental com 100% de espécies pioneiras é uma estratégia adequada em 
determinadas circunstâncias específicas, especialmente em áreas contíguas ou 
em estreita proximidade a fragmentos florestais, onde os processos naturais 
provavelmente são suficientes para facilitar a regeneração natural da área. Isso 
pode resultar na redução dos custos associados aos plantios de enriquecimento 
adicionais (ALMEIDA, 2016). Uma vantagem significativa da utilização de espécies 
pioneiras reside em sua robustez, o que resulta em economias nos custos 
associados à implementação e manutenção, devido à rápida cobertura do solo 
(ALMEIDA, 2016). 
RECUPERAÇÃO DE 
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ANOTE ISSO
As espécies pioneiras são aquelas que têm uma alta dependência de luz 
e geralmente prosperam em clareiras ou nas bordas de florestas. Entre as 
espécies pioneiras comuns estão a aroeira, timbó, cambará, maria-mole e maricá 
(CARVALHO, 2000). 
• Formação de ilhas de diversidade- Também conhecida como nucleação, essa 
abordagem é definida por pequenos núcleos que incorporam as formas de vida 
das espécies vegetais e suas adaptações aos estágios sucessionais (STEIN et 
al. 2017). 
• Plantio em linhas alternadas- O plantio em linhas alternadas (Figura 2) é 
frequentemente preferido devido à sua conveniência operacional durante a 
implantação, sendo amplamente adotado em grandes áreas e, especialmente, 
em plantios mecanizados. A disposição alternada das linhas simplifica o processo 
de preparação e transporte de mudas a partir do viveiro florestal, bem como a 
execução do plantio em campo, tornando o procedimento mais compreensível 
para os trabalhadores. 
Figura 2: Esquema de modelo de recuperação florestal em linhas alternadas. Sendo X = espécies pioneiras e O = espécies secundárias (iniciais, tardias e 
clímax).
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Almeida (2016)
• Indução de chuva de sementes- Este método de restauração é frequentemente 
preferido em situações onde existe uma abundante oferta de sementes na região 
de implementação do projeto e, geralmente, quando há obstáculos significativos 
para o plantio de mudas (ALMEIDA, 2016). 
• Semeio direito- Uma estratégia de semeadura comumente utilizada na 
recuperação de áreas degradadas é conhecida como “muvuca”. Essa técnica 
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envolve a combinação de sementes de espécies arbóreas e arbustivas nativas, 
frequentemente misturadas com sementes agrícolas, para o plantio direto na 
área destinada à recuperação. A mistura de sementes de várias espécies tem 
como objetivo promover a diversidade florestal e estimular a sucessão ecológica 
natural, minimizando intervenções e enriquecendo e protegendo o solo para 
favorecer o desenvolvimento efetivo das espécies nativas (ALMEIDA, 2016). 
• Hidrossemeadura- Essa abordagem envolve o uso de uma técnica mecanizada em 
que as sementes são dispersas na área de recuperação por meio de jateamento, 
geralmente utilizando uma bomba. Essa dispersão é realizada em uma mistura 
que inclui água, sementes, fertilizantes e outros componentes, como agentes 
cimentantes, que auxiliam na aderência das sementes à superfície onde são 
aplicadas (ALMEIDA, 2016). 
• Plantio de leguminosas- O plantio de mudas de leguminosas arbóreas, conhecidas 
por sua capacidade de fixar nitrogênio atmosférico, pode ser uma opção eficaz 
em locais com maior degradação ambiental, especialmente em áreas onde as 
camadas superficiais do solo foram removidas ou substancialmente alteradas 
(ALMEIDA, 2016). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo conduzido por Santos e colaboradores (2001) avaliou a eficácia de 
duas leguminosas, o feijão guandu e sirato e as gramíneas capim-pangola e capim-
elefante para a melhoria das propriedades químicas do solo. Os autores verificaram 
que a incorporação de leguminosas e gramíneas resultou em aumentos nos níveis 
de carbono orgânico total e na capacidade de troca de cátions, com acréscimos 
significativos de potássio, matéria orgânica e magnésio, particularmente na camada 
superficial do solo. 
• Recuperação com uso de espécies frutíferas- O estabelecimento de pomares 
com espécies frutíferas nativas é uma estratégia promissora para fornecer 
alimentos e atrair a fauna silvestre. A criação de pomares voltados para a fauna 
silvestre oferece uma fonte de alimento para a vida selvagem(ALMEIDA, 2016). 
6.2 Recuperação de áreas mineradas
A atividade de mineradoras (Figura 3) pode gerar diversos impactos para o 
ambiente, incluindo a degradação do solo, a poluição ambiental afetando os diferentes 
RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
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compartimentos ambientais, como água, solo e ar. Esse tipo de atividade também leva 
a um incremento da população do entorno, que acaba impactando no ambiente através 
da disposição inadequada dos resíduos, desmatamento, entre outros (SANTOS, 2017). 
Figura 3: Mineiração
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/fotografia-de-escavadeiras-na-area-de-mineracao-Mk2ls9UBO2E
Conforme já mencionado previamente, as atividades de mineração comprometem 
a qualidade do solo, sedimento, da água nesse caso as superficiais e subterrâneas e 
tem implicações sobre a flora. Nesse contexto, destaca-se a Geoquímica ambiental, 
como uma importante abordagem para analisar e avaliar os efeitos da mineras e 
todos os seus desdobramentos sobre o ambiente (SANTOS, 2017). 
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ANOTE ISSO
A Geoquímica ambiental é uma ciência que reflete a preocupação da geoquímica 
com as fontes de desequilíbrio ambiental, originado dos problemas sócio-políticos 
associados aos processos industriais, do aumento populacional e da urbanização. 
Assim com outras ciências tem como objetivo o entendimento do binômio homem 
e natureza (CARVALHO, 1989). 
Retomando as questões que se referem a mineiração , cabe salientar que os 
impactos desse tipo de atividade, podem ser identificados de diferentes formas e 
nos variados compartimentos ambientais. Nesse sentido, Santos (2017), destaca as 
possíveis formas de mensuração dos danos da mineração:
• Realizar uma avaliação de solos com base na distribuição de metais na 
superfície e subsuperfície é um método útil para identificar informações nas 
várias camadas do solo. Essa análise permite a comparação entre a camada 
superficial e a subsuperfície, sendo que a camada superficial serve como um 
indicador de contaminação de origem geogênica, geralmente associada à 
presença de vanádio e níquel. Por outro lado, teores mais elevados de elementos 
como arsênio, cobalto e chumbo sugerem a contaminação de origem antrópica. 
Além disso, é importante fazer comparações com os valores de referência 
estabelecidos na Resolução CONAMA nº 420 de 28/12/2009, que define limites 
para diferentes substâncias químicas, impactando na qualidade do ambiente.
• A avaliação de amostras de água de córrego e sedimentos é essencial para 
comparar os resultados com as normativas de referência que estabelecem 
valores para metais e outros poluentes.
• As análises de águas subterrâneas podem incluir a avaliação de diversos 
parâmetros físico-químicos, como pH, temperatura, condutividade, oxigênio 
dissolvido e sólidos totais, para determinar a conformidade com as 
regulamentações ambientais em vigor. 
A Resolução CONAMA nº 396, de 3 de abril de 2008, apresenta os limites de inúmeros 
parâmetros que são analisados em águas subterrâneas, incluindo por exemplo, 
compostos orgânicos, inorgânicos, agrotóxicos, variáveis microbiológicas, etc. 
Retomando ao mencionado por Santos (2017) também é possível analisar elementos 
químicos em plantas, principalmente as utilizadas para alimentação, como alface, 
mandioca, ou também na forragem como no casodo capim. Santos (2017) reforça que 
para uma melhor avaliação do teor de compoentes químicos o ideial é utilizar amostras 
de diferentes plantas da mesma espécie, mas da mesma área que foi impactada. 
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ÁREAS DEGRADADAS
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Em relação a recuperação de áreas degradadas pelas atividades de mineiração, um 
das principais técnicas utilizadas é a regevetação, que consciente na revegetação. 
A revegetação de áreas degradadas é um método de recuperação ambiental que 
envolve o plantio de espécies com adaptações específicas para resistir às condições 
ambientais adversas da área degradada (FIGUEREDO et al. 2016). 
Destaca-se que as práticas de mineração de areia, são identificados dois tipos 
de áreas que requerem ações de revegetação: a primeira refere-se as áreas de mata 
ciliar, que, de acordo com as regulamentações do Código Florestal, são consideradas 
Áreas de Preservação Permanente (APP) e devem ser restauradas exclusivamente com 
espécies nativas; já as as áreas operacionais da mineração, abrangendo margens de 
cavas, áreas de disposição de rejeitos, locais de armazenamento de areia, instalações 
de processamento, edifícios administrativos e outras construções, cuja revegetação 
frequentemente permite o uso de diferentes espécies e depende do planejamento de 
reabilitação e dos objetivos de uso futuro da área após o encerramento da atividade 
de mineração (ALMEIDA; SÁNCHEZ, 2005).
ANOTE ISSO 
As matas ciliares são caracterizadas como uma vegetação nativa que cresce nas 
margens de rios, córregos, lagos, represas, igarapés e nascentes. O termo “ciliar” 
é usado porque essas matas desempenham um papel semelhante ao dos cílios, 
protegendo os corpos d’água contra a erosão e o assoreamento (STEIN et al. 2017). 
O assoreamento de corpos d’água, como rios, ribeirões, córregos, lagos, lagoas e 
nascentes, é influenciado pelo desmatamento, que inclui não apenas a degradação 
das matas ciliares, mas também a remoção das demais coberturas vegetais que, 
por natureza, desempenham um papel de proteção dos solos. Como resultado, os 
sedimentos que se acumulam nas margens dos cursos d’água são transportados 
pelas águas fluviais e depositados em áreas de topografia mais suave, onde a 
velocidade do fluxo da água naturalmente diminui (STEIN, 2017). As figuras 4 e 5, 
apresentam de forma ilustrativa e resumida a importância das matas ciliares e o 
processo de assoreamento. 
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Figura 4: Esquema do assoreamento 
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
Figura 5: Esquema da importância da Mata ciliar
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
A revegetação em áreas mineradas envolve alguns sistemas como:
• Estrato herbáceo- A existência de uma camada de vegetação herbácea que 
se espalha sobre o substrato minerado é fundamental em locais como jazidas 
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de exploração de areia, áreas com declives acentuados e bordas de chapadas, 
com o propósito de prevenir e conter a erosão. A rápida cobertura do solo e do 
substrato é uma das medidas mais cruciais para o controle eficaz da erosão 
(CORRÊA, 2007). 
• Estrato arbóreo- Há uma forte justificativa ecológica para o plantio de árvores 
em áreas de mineração. Normalmente, são escolhidas espécies arbóreas que 
sustentam a fauna nativa, facilitando a disseminação de sementes de outras 
espécies e contribuindo com a deposição de esterco no local. Além disso, esse 
modelo de revegetação é vantajoso devido ao impacto relativamente baixo que 
causa na área minerada (CORRÊA, 2007). 
• Estrato arbóreo com rastreio- O modelo tradicional de revegetação de áreas 
mineradas envolve a criação simultânea de um estrato arbóreo-arbustivo e um 
estrato herbáceo. Isso combina a estabilidade da paisagem proporcionada pela 
camada rasteira com os benefícios ecológicos de estabelecer um bosque ou 
floresta com espécies nativas (CORRÊA, 2007).
6.3 Sistemas agroflorestais 
Os sistemas agrolorestais (Figura 6) são formas de uso e manejo do solo que 
envolvem a combinação intencional e planejada de árvores ou arbustos com cultivos 
agrícolas e/ou animais em uma mesma área, seja de forma simultânea (associação 
simultânea) ou em uma sequência de tempo (associação temporal), têm como objetivos 
a diversificação da produção, a otimização da mão de obra, a geração de renda, a 
proteção do solo e da água, bem como o estímulo à participação da comunidade 
local (SENAR, 2017). 
Figura 6: Representação dos sistemas agroflorestais 
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Didonet (2014). 
A implementação de práticas sustentáveis de manejo dos recursos naturais, 
combinada com a redução da dependência de insumos externos que são características 
desse sistema de produção, tem como consequência a promoção da segurança 
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alimentar e o aumento da eficiência econômica, beneficiando tanto os produtores 
quanto os consumidores (IASB, 2009). 
Além disso, a adoção de sistemas agroflorestais visa à manutenção e incremento 
da biodiversidade, à preservação da fertilidade do solo e do ciclo de nutrientes, à 
conservação dos recursos hídricos, ao uso mais eficiente do solo, à diversificação de 
fontes de renda, à redução do risco econômico relacionado às flutuações climáticas 
e de preços, à melhoria da qualidade de vida dos produtores e ao fortalecimento de 
organizações sociais nas comunidades rurais (HARFUCH, 2021). 
Segundo Harfuch (2021), no Cerrado existem 2,5 milhões de hectares de pastagens 
degradadas em propriedades de pequeno porte que poderiam ser restaurados por 
meio da adoção de sistemas agroflorestais. Os estados com as maiores extensões 
de áreas degradadas são Minas Gerais e Goiás, embora Tocantins, Mato Grosso, 
Maranhão, Bahia e Mato Grosso do Sul também apresentem um potencial significativo 
para essa recuperação
Mas, é importante salientar que o êxito na restauração dos processos ecológicos 
em sistemas agroflorestais é influenciado por uma série de fatores, incluindo a 
qualidade do solo, as práticas de manejo e condução do agroecossistema, as condições 
socioeconômicas, bem como a percepção e a importância atribuídas aos sistemas 
agroflorestais por parte dos agricultores envolvidos (CANUTO, 2017). 
Os sistemas agroflorestais apresentam classificações diferentes que abacar os os 
sistemas silviagrícolas (espécies florestais e agrícolas), silvipastoris (espécies florestais 
e atividades de pecuária) e agrossilvipastoris (espécies agrícolas, florestais e atividades 
de pecuária) (SENAR, 2017). 
Os sistemas silviagrícolas são compostos por uma mistura de espécies florestais 
e culturas agrícolas, incluindo árvores e palmeiras, tanto nativas quanto introduzidas 
(SENAR, 2017). 
Os sistemas silvipastoris são constituídos por elementos florestais e práticas 
de pecuária, ou seja, a associação de árvores, arbustos ou palmeiras com plantas 
forrageiras herbáceas (ervas e capins) e a criação de animais (SENAR, 2017). Esse 
tipo de sistema traz alguns benefícios como o bem estar-animal, enriquecimento 
do solo, melhoria do valor de nutrição dos animais criados e suplementação natural 
(IASB, 2009). 
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Os sistemas agrossilvipastoris são formados por componentes agrícolas, florestais 
e práticas pecuárias, comummente iniciando com o plantio de árvores na pastagem 
durante ou após o cultivo agrícola (SENAR, 2017). 
Além das classificações previamente mencionadas, os sistemas agroflorestais 
(SAFs) podem ser categorizados de acordo com a organização temporal de seus 
componentes: sistemas sequenciais (sem sobreposição temporal dos componentes), 
sistemas coincidentes (com sobreposição temporal completados componentes) e 
sistemas concomitantes (com sobreposição temporal parcial dos componentes). Além 
disso, existem sistemas específicos, como os “quintais agroflorestais domésticos”, 
que podem desempenhar um papel significativo em termos econômicos (TAVARES 
et al. 2003). A função econômica dos quintais agroflorestais está majoritariamente 
relacionada à produção de alimentos para consumo próprio e venda, com potencial 
de melhorar a qualidade da alimentação das comunidades rurais e urbanas de baixa 
renda (IASB, 2009). 
Para o sucesso dos sistemas agroflorestais, o monitoramento dos processos de 
restauração, empregando indicadores quantitativos e qualitativos, desempenha um 
papel fundamental na compreensão dos eventos ecológicos que ocorrem nas áreas de 
sistemas agroflorestais. Além disso, permite a análise dos impactos socioculturais e 
econômicos resultantes da implementação e gestão desses sistemas (CANUTO, 2017). 
Diante do exposto nesse capítulo fica evidente que as estratégias e técnicas 
de recuperação de áreas degradadas desempenham um papel fundamental na 
preservação do meio ambiente e no alcance de diversos objetivos e benefícios, como 
a conservação da biodiversidade, melhoria dos recursos naturais, beneficiamento dos 
aspectos socioeconômicos e cumprimento de leis e normativas, como por exemplo, 
a recuperação de áreas mineradas. 
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CAPÍTULO 7
SOLOS DEGRADADOS
Neste capítulo você irá aprender as causas químicas, físicas e biológicas da 
degradação dos solos e as práticas de conservação e recuperção desse recurso 
ímpar. Todos os conceitos estão diretamente relacionados a disciplina recuperação 
de áreas degradadas. 
7.1 Causas da degradação do solo
Antes de adentreamos nesse caítulo, vamos recapitular o que vimos no capítulo 3 que 
trata de compartimentos ambientais. O solo envolve uma séries de composições, de 
rochas, nutrientes, matéria orgânica, água, ar e organismos, muitos deles decompositores 
(Figura 1) (MILLER; SPOOLMAN, 2016).
Figura 1: Solo
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folha-verde-no-solo-marrom-iB1JuJyQob4
Inúmeras atividades tem favorecido a degradação desse compartimento ambiental. 
As degradações podem ser químicas, físicas ou biológicas e cada tipo será melhor 
descritor e exemplificado a seguir:
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folha-verde-no-solo-marrom-iB1JuJyQob4
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• Degradação química: ocorrem alterações nas propriedades químicas do solo 
devido a processos naturais ou atividades humanas, resultando na redução de sua 
capacidade produtiva (CERETTA; AITA, 2010). Dentro desse tipo de degradação 
destacam-se os seguintes processos: 
• Perda de nutrientes: esse tipo de degradação é causado por diferentes fatores 
que provocam a exaustão desse recurso ou se torna um ambiente impróprio 
para a plantação (CERETTA; AITA, 2010). Um desses fatores é a remoção de 
culturas, isso ocorre em áreas agrícolas, onde os nutrientes são absorvidos 
pelas plantas e acumulados em suas partes, mas são exportados para áreas 
de fora do cultivo, logo não são mais disponíveis para o próximo cultivo. 
Outro aspecto que gera essa perda de nutrientes é a imobilização do solo. A 
imobilização é definida como a retenção de nutrientes no solo, com uma energia 
que impede sua liberação para uso pelas plantas e outros organismos vivos. 
Nutrientes com baixa energia de adsorção são mais prontamente liberados 
na solução do solo, onde as plantas e organismos vivos podem absorvê-los 
para atender às suas necessidades (CERETTA; AITA, 2010). Existe também a 
contribuição da imobilização pelos organismos do solo, quando se introduzem 
materiais orgânicos com uma alta relação carbono/nitrogênio (C/N) no solo, há a 
possibilidade de que os microrganismos responsáveis pela decomposição desses 
materiais imobilizem o nitrogênio do solo, reduzindo sua disponibilidade para 
as plantas. Posteriormente, após a morte dos microrganismos e o processo de 
reciclagem, parte do nitrogênio presente nos microrganismos mortos pode ser 
mineralizado pelos microrganismos sobreviventes (CERETTA; AITA, 2010). Outro 
fator que contribuiu para a ausência de nutrientes é o processo de erosão (Figura 
2), por meio da ação da precipitação, os nutrientes são arrastados juntamente 
com as partículas do solo, tanto minerais como orgânicas, para fora da área 
de cultivo. Esse processo resulta na perda de nutrientes, reduzindo a fertilidade 
do solo e, ao mesmo tempo, apresenta riscos ambientais, pois esses nutrientes 
podem chegar aos corpos d’água e causar problemas significativos (CERETTA; 
AITA, 2010).
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Figura 2: Erosão do solo
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/folhas-secas-marrons-em-solo-marrom-zwy0l1XBIaE
• Perda da matéria orgânica: A capacidade do solo de proporcionar um ambiente 
propício para o crescimento de plantas e outros organismos é essencialmente 
determinada pela quantidade e qualidade da matéria orgânica presente no solo 
(CERETTA; AITA, 2010). Segundo Ceretta e Aita (2010) diversos fatores podem 
contribuir para a redução da matéria orgânica no solo, incluindo um aumento 
na taxa de decomposição, perdas causadas pela erosão, remoção das camadas 
superficiais ricas em matéria orgânica e práticas como o uso do fogo. 
• Salinização e acidificação:A salinidade do solo ,refere-se à presença de 
concentrações elevadas de sais no solo, o que pode ter um impacto negativo 
considerável nas culturas agrícolas. O acúmulo excessivo de sais prejudica o 
sistema de raízes das plantas, afetando negativamente seu crescimento e a 
capacidade de absorção de água, devido ao alto potencial osmótico do ambiente 
e ao desequilíbrio nos nutrientes assimilados pelas plantas (CERETTA; AITA, 
2010). Já a acidez do solo, está relacionada à existência de concentrações 
prejudiciais de alumínio e manganês, juntamente com níveis baixos de cátions 
básicos, como cálcio e magnésio (CERETTA; AITA, 2010). 
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo conduzido por Castro e Santos (2020) envolveu a coleta de amostras de 
solo na Mesoregião do São Francisco Pernambuco. Com base nos resultados do 
estudo, verificou-se que as maiores concentrações de sais presentes no solo eram 
provenientes de áreas agrícolas. Os autores reforçam que tais práticas irregulares 
contribuem de forma signigficativa para a salinização dos solos e alertam para os 
riscos de desertificação dessas áreas. 
• Degradação física- A degradação física do solo é caracterizada pela alteração 
ou perda das suas propriedades físicas, causada por processos naturais 
ou ação humana, resultando na diminuição da sua capacidade produtiva 
(CERETTA; AITA, 2010). Dentro desse tipo degradação temos algumas causas, 
como as exemplificadas a seguir: 
• Compactação- A compactação do solo envolve a redução da porosidade e 
do volume do solo devido à aplicação de pressão externa. Esse fenômeno 
pode resultar em problemas significativos nas áreas agrícolas, incluindo a 
redução da taxa de infiltração de água e o aumento da vulnerabilidade à 
erosão (CERETTA; AITA, 2010). 
• Danos à estrutura- Operações excessivas de mobilização do solo 
e condições desfavoráveis de preparação, como a aração em solo 
excessivamente seco ou úmido, podem prejudicar a estrutura do solo, o que 
pode ser observado tanto a curto prazo quanto, dependendo da intensidade, 
a longo prazo (CERETTA; AITA, 2010). 
• Indunções- A inundação interfere no equilíbrio natural do solo, resultando 
em uma série de modificações nas suas propriedades químicas, físicas, 
biológicas e eletroquímicas (CERETTA; AITA, 2010). 
• Drenagem de áreas úmidas- A drenagem do solo ocasionaa redução da 
biodiversidade no ambiente local e tem impactos diretos no ciclo hidrológico, 
além de influenciar nas propriedades do solo (CERETTA; AITA, 2010).
• Degradação biológica- Os atributos biológicos do solo são os primeiros 
a sofrerem impactos com a degradação e, geralmente, são os últimos a 
se recuperarem. Práticas como adubação, colheita de nutrientes, métodos 
de plantio (direto ou convencional), queimadas e a falta de cobertura do 
solo durante períodos de inatividade nas lavouras afetam diretamente os 
organismos do solo (CERETTA; AITA, 2010).
Com base no exposto, verifica-se que as atividades agrícolas tem uma contribuição 
significativa para a degração do solo. Nesse tipo de atividade, nota-se a práticas que 
impacto o solo, como a monocultura, o uso excessivo e indiscriminado de produtos 
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químicos e fertilizantes, a exposição do solo devido ao desmatamento descontrolado 
(Figura 2), queimadas, além da alteração de sua estrutura original por meio de práticas 
como aração, sobrecarga de máquinas (CHAVES et al. 2012). 
Figura 2: Desmatamento, uma das formas de degração do solo.
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/desmatamento-desflorestamento-meio-ambiente-floresta-9173952/
Quando se trata de uso de agrotóxicos, é importante salientar que o Brasil em 2019 
era o terceiro maior consumidor dessas substâncias, favorecido por alguns fatores 
como sua grande eficácia, de custo baixo e as normativas brasileiras flexíveis (BROVINI 
et al. 2021; BROVIN et al. 2023). 
7.2 Recuperação de solos degradados
A implementação de práticas conservacionistas desempenha um papel fundamental, 
uma vez que a degradação do solo pode atingir níveis que comprometem a viabilidade 
da produção agropecuária. Portanto, a adoção de estratégias de manejo que tenham 
como objetivo prevenir a degradação do solo é crucial para preservar a capacidade 
produtiva do solo, bem como a qualidade dos recursos naturais e, por extensão, a saúde 
do meio ambiente (MÜLLER et al. 2021). Dentre as inúmeras práticas de conservação 
e restauram do solo, destacam-se: 
• Cultivo em nível - O cultivo em nível ou em contorno (Figura 3) envolve a 
implementação de práticas agrícolas em que as linhas de semeadura ou plantio 
são dispostas perpendicularmente à inclinação do terreno, utilizando curvas de nível 
e linhas em contorno. Nesse método, as fileiras de plantas e os sulcos de semeadura 
ou preparo do solo atuam como barreiras que reduzem o escoamento da água da 
chuva, ajudando a mitigar os processos erosivos (CERETTA; AITA, 2010).
https://www.pexels.com/pt-br/foto/desmatamento-desflorestamento-meio-ambiente-floresta-9173952/
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Figura 3: Cultivo em nível
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/arvores-verdes-na-montanha-sob-o-ceu-azul-durante-o-dia-5ZmAyIG_OrI
• Rotação de culturas- Embora possa ser uma prática conservacionista de solo 
a ser empregada isoladamente, a rotação de culturas é muito útil e importante 
quando empregada de forma conjunta com o sistema de plantio direto e auxilia 
na fertilidade dos solos. Na seleção das culturas a serem incluídas na rotação, é 
crucial levar em consideração fatores como o tipo de solo, topografia do terreno, 
clima local, demanda de mercado, disponibilidade de mão de obra, sistema 
radicular das culturas e particularidades de cada cultura (MÜLLER et al. 2021). 
• Culturas em faixa- Os objetivos dessa modalidade de conservação são: diminuição 
da velocidade da enxurrada; aumento na infiltração da água da chuva; diminuição 
das perdas de solo, matéria orgânica, fertilizantes e proteção das margens de 
rios, lagoas e barragens (CERETTA; AITA, 2010).
• Terraceamento- O terraceamento é um dos métodos de conservação do solo 
mais antigos e amplamente adotados para diminuir a velocidade do escoamento 
das águas pluviais erosivas sobre o terreno. Trata-se de uma técnica mecânica 
que tem como objetivo criar barreiras físicas e dividir o comprimento da encosta, 
reduzindo a velocidade da água e fragmentando o volume do escoamento 
superficial, permitindo, assim, a sua infiltração no solo (TAVARES, 2008). 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/arvores-verdes-na-montanha-sob-o-ceu-azul-durante-o-dia-5ZmAyIG_OrI
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• Canais divergentes- Os canais divergentes são considerados como variantes 
dos terraços, por vezes, com dimensões ampliadas, cuja finalidade é redirecionar 
e interceptar o escoamento de água proveniente de áreas situadas acima 
deles(CERETTA; AITA, 2010).
• Canais escoadouros- São estruturas destinadas à drenagem da água proveniente 
dos sistemas de terraços. A seleção de locais apropriados para sua implantação 
deve levar em consideração a minimização do risco de erosão. Os canais podem 
ser instalados em áreas com pastagens, vegetação florestal, canais escoadouros 
naturais ou artificiais (TAVARES, 2008). 
• Cordão vegetal- Trata-se de uma prática recomendada para pequenas e médias 
propriedades, particularmente em áreas impróprias para a construção de terraços 
devido à declividade ou onde a mecanização é conduzida por tração animal. 
Essa técnica envolve o cultivo de espécies de rápido crescimento (Figura 4) com 
sistemas radiculares e parte aérea que ajudam a estabilizar o solo, impedindo a 
erosão causada pela água da chuva que escoa ladeira abaixo (TAVARES, 2008). 
Figura 4- Cana-de-açúcar, um exemplo de planta utilizada como cordão vegetal
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/42796391101/dbc0a2df0b/
• Florestamento e reflorestamento- Para solos caracterizados por baixa fertilidade e 
alta suscetibilidade à erosão, a recomendação é a manutenção de uma cobertura 
vegetal densa, como é observado em ecossistemas florestais. Esta prática também 
é aconselhável em solos degradados e sujeitos à erosão. Além disso, a implantação 
de faixas de reflorestamento (Figura 5) nas margens dos corpos d’água contribui 
para a proteção dos recursos hídricos (MÜLLER et al. 2021). 
https://visualhunt.com/f7/photo/42796391101/dbc0a2df0b/
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Figura 5: Reflorestamento
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/m%C3%A3os-planta-solo-crescer-crescendo-1838659/
• Pastagem- A utilização de pastagens se apresenta como uma alternativa 
significativa para a preservação de solos localizados em regiões de baixa fertilidade 
e com risco de erosão. Além disso, quando as pastagens são incorporadas em 
sistemas de integração entre agricultura e pecuária, os benefícios da proteção 
e conservação do solo se tornam ainda mais eficazes (MÜLLER et al. 2021). 
• Plantas de cobertura- A manutenção de uma cobertura vegetal no solo durante 
a temporada de chuvas é uma estratégia crucial para a conservação do solo. 
Essa abordagem pode ser implementada por meio da utilização de plantas de 
cobertura (Figura 6) em toda a área de cultivo ou nas entrelinhas das culturas 
de valor econômico (MÜLLER et al. 2021). 
Figura 6: Canola, um exemplo de planta de cobertura
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/52859014380/625542f872/
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ÁREAS DEGRADADAS
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• Ceifa das plantas daninhas- A colheita pode ser conduzida com eficácia, 
particularmente em culturas de longa duração, nas quais a vegetação invasora 
(Figura 7) é frequentemente cortada mais regularmente do que é feito com 
capinas, e em plantas de porte baixo. Isso ajuda a manter uma cobertura de 
solo que protege contra a radiação solar e o impacto da precipitação (MÜLLER 
et al. 2021). 
Figura 7: Exemplo de planta daninha
Fonte: https://farm8.static.flickr.com/7360/10516152673_ce1bdd38c8_c.jpg
• Alternância de capinas- A técnica envolve a prática de capinarem faixas 
alternadas na área, garantindo que sempre permaneça uma ou duas faixas 
com vegetação mais alta, destinadas a funcionar como uma barreira viva contra 
a erosão (MÜLLER et al. 2021). 
• Adição de Matéria Orgânica- A incorporação de matéria orgânica no solo visa 
aprimorar suas características físicas, químicas e biológicas para criar condições 
ideais de crescimento para as culturas. Esse aporte de matéria orgânica pode 
ser realizado de diversas maneiras, incluindo práticas como adubação verde, 
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utilização de esterco de animais, restos de colheitas, compostagem, húmus de 
minhocas e outras opções (TAVARES, 2008). 
• Quebra-Ventos ou Cortinas Vegetais- Uma das estratégias predominantes para 
mitigar os impactos adversos dos ventos sobre o solo e as culturas envolve a 
implementação de barreiras vegetais (Figura 8), que podem ser estabelecidas ao 
longo das cristas dos canteiros ou em fileiras que delimitam as áreas a serem 
protegidas. Uma consideração fundamental ao criar cortinas de proteção é a 
relação entre a altura da vegetação e a extensão da área que será resguardada 
(TAVARES, 2008). 
Figura 8- Eucalipto, um exemplo de cortina vegetal
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/eucalipto-folha-folhas-%C3%A1rvore-2711285/
• Cobertura morta- Essa abordagem envolve a utilização de resíduos orgânicos 
vegetais, como palha, maravalha, serragem, casca de arroz, bagaço de cana-de-
açúcar, folhas, restos de poda, cascas e outros materiais semelhantes. Esses 
resíduos são aplicados na superfície do solo com o propósito de protegê-lo 
contra a erosão e outros processos erosivos (CERETTA; AITA, 2010).
• Adubação verde- A adubação verde é definida como o cultivo de plantas com o 
objetivo de aprimorar ou preservar a capacidade produtiva do solo. Esse conceito 
engloba a prática convencional de incorporar leguminosas no solo, bem como 
https://pixabay.com/pt/photos/eucalipto-folha-folhas-%C3%A1rvore-2711285/
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o uso de outras espécies vegetais, seja em rotação de culturas ou não, para a 
cobertura do solo ou sua incorporação (TAVARES, 2008). 
Diante do exposto, é evidente que as práticas previamente mencionadas são 
fundamentais para a recuperação desse recurso, bem como na manutenção de 
atividades agrícolas mais sustentáveis, no controle de processos erosivos, na garantia 
da manutenção das propriedades químicas, físicas e biológicas dos solos e para a 
preservação da biodiversidade. 
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CAPÍTULO 8
MANEJO DE ECOSSISTEMAS 
AQUÁTICOS
Os ecossistemas aquáticos desempenham diversas funções essenciais para a 
sociedade, abrangendo uma ampla gama de serviços. Diversas pressões (Figura 1), 
como a expansão urbana, atividades industriais, o uso de substâncias químicas e a 
descarga de efluentes não tratados, entre outros fatores, têm levado à deterioração 
da qualidade dos habitats aquáticos, afetando a vida marinha e prejudicando também 
os usos humanos, como atividades recreativas e o setor de turismo (CAIRNS, 2006).
Figura 1: Pressões antrópicas que impactam os ecossistemas aquáticos
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/um-grande-edificio-industrial-ao-lado-de-um-corpo-de-agua-uPdJA6or1v4;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/
vista-aerea-dos-edificios-da-cidade-durante-o-dia-2SrlqYNVd9M;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pato-branco-e-marrom-na-agua-betJpW6fuoY
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Nesse capítulo, você vai aprender conceitos importantes quando se tratato de manejo 
de ecossistemas aquáticos, como a gestão de recursos hídricos, a gestão de bacias 
hidrográficas, a restauração de zonas úmidas e a governança das águas. 
8.1 Gestão de recursos hídricos
O termo gerenciamento associado à água pode ser caracterizado como um 
subconjunto da governança, conceito amplo que implica na criação de um conjunto 
de sistemas políticos, sociais, econômicos e administrativos que afetam de forma 
direta ou indireta a utilização, consumo, impacto e preservação que envolvem os 
recursos hídricos (PORTO, 2012).
Segundo CASTRO (2012), o Brasil apresenta uma boa disponibilidade hídrica, mas 
algumas regiões do país enfrentam problemas de escassez hídrica. Diante desse cenário, 
o setor público vem reconhecendo a necessidade de gerenciar esse compartimento 
ambiental de forma racional para garantir o fornecimento no futuro e evitar riscos de 
crise (Figura 2).
Figura 2 : Crise hídrica
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/51645638180/e61d4b985b/
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No Brasil, a gestão hídrica teve seu início com a criação da Lei n° 9.433, que 
estabelece a Política Nacional de Recursos Hídricos (Figura 3). Nessa normativa, quatro 
princípios merecem destaque, incluindo a gestão por bacia, a unicidade da outorga, a 
obrigatoriedade de um plano de gestão e o instrumento de cobrança (CASTRO, 2012).
Figura 3: Instrumentos de implementação da Política Nacional de RecursosHídricos
Fonte: Aptado de Pinto-coelho e Havens (2016).
ANOTE ISSO
A outorga é um mecanismo legal que confere ao usuário o direito de utilizar os 
recursos hídricos, garantindo o direito de uso, mas sem transferir a propriedade 
da água ao usuário (IGAM, 2023). Ressalta-se que a outorga de uso de recursos 
hídricos é uma autorização do poder público que visa controlar quantitativa e 
qualitativamente os usos da água, abrangendo derivações, captações, extrações, 
lançamentos de efluentes e aproveitamento hidroelétrico, excluindo usos 
insignificantes. Seu objetivo é equilibrar a disponibilidade de água e a demanda, 
garantindo o acesso à água de forma eficaz (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). 
As questões hídricas no Brasil são regulamentadas na Constituição brasileira, e 
posteriormente, em resposta às problemáticas ambientais, foi aprovada a Política 
Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997). 
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Além disso, o Brasil conta com o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos (SINGREH), que abrange diversos órgãos e colegiados com a finalidade de 
implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos (ANA, 2023).
Castro (2012) propõe alguns pilares importantes quando se trata de gestão das 
águas: 
• Equidade: Essa temática tem sido amplamente discutida, especialmente devido 
às divergências em relação à utilização e à disponibilidade de água.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
As regiões norte e nordeste do Brasil apresentam os maiores percentuais de 
pessoas sem acesso a água (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2018). Isso reforça o 
proposto por Castro (2012) em relação as questões de equidade hídrica. 
• Gestão: Apesar das reformulações que ocorrem nesse aspecto após a 
aprovação da Lei das Águas, muitas técnicas de inovação são sugeridas por 
pesquisadores dessa área. De acordo com Castro (2012), a gestão de recursos 
hídricos deveria ser aprimorada, incluindo o procedimento de concessão e o 
monitoramento das outorgas emitidos pelo poder público. 
• Eficiência de uso: Para enfrentar cenários de escassez de água e prevenir 
riscos para as gerações futuras, é recomendada a adoção de medidas como 
uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos e práticas de uso mais eficientes,com o objetivo de minimizar o desperdício (CASTRO, 2012).
• Aproveitamento de fontes alternativas de recursos hídricos: é essencial 
dadas as atuais preocupações hídricas. O reuso da água representa uma 
técnica para aproveitar volumes que, seriam descartados, e pode ser benéfico 
em regiões com disponibilidade hídrica limitada. Um exemplo prático de reuso 
da água inclui a utilização de cisternas (CASTRO, 2012). O Programa de 
Cisternas é uma iniciativa brasileira que tem como objetivo fornecer acesso à 
água potável para comunidades rurais que enfrentam escassez de água. 
O Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido 
(P1MC) foi estabelecido em 1999 junto ao governo federal por meio da Agência Nacional 
de Águas (ANA) e tem como meta assegurar o fornecimento regular de água de 
qualidade para cinco milhões de pessoas em áreas rurais do semiárido brasileiro. 
Iniciado em 2001 e conduzido pela ASA-Brasil, o programa resultou na construção 
de mais de 290 mil cisternas de placas, capazes de armazenar 16 mil litros de água 
coletada das chuvas pelos telhados das residências, beneficiando famílias em 1.076 
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municípios do semiárido (NEVES et al. 2010).Os resultados da mobilização social e 
dos processos educativos promovidos pelo P1MC transcendem o aspecto quantitativo 
representado pelo número de cisternas construídas. Eles incluem reflexões sobre 
dinâmicas comunitárias, o desenvolvimento de novas formas de participação e 
organização da comunidade, bem como o estímulo à criatividade na busca por políticas 
públicas (NEVES et al. 2010)
8.2 Gestão de bacias hidrográficas 
As bacias hidrográficas são áreas da superfície terrestre que são delimitadas com 
base no direcionamento do escoamento das águas das chuvas, que fluem a partir dos 
divisores de água em direção às áreas mais baixas do terreno, geralmente seguindo 
ravinas, canais, córregos e afluentes até atingir o rio principal (PIROLI, 2022). 
O território brasileiro é composto por oito bacias hidrográficas que são definidas 
pelas áreas geográficas que abrangem um rio principal e seus afluentes. Essas bacias 
incluem a Bacia do rio Amazonas, Bacia dos rios Tocantins e Araguaia, Bacia do 
Atlântico Norte e Nordeste, Bacia do São Francisco, Bacia do Atlântico Leste, Bacia 
dos rios Paraná (Figura 4) e Paraguai, Bacia do rio Uruguai e Bacia do Atlântico Sul e 
Sudeste (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019)
Figura 4: rio Paraná
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/5655570951/10b151d04d/
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No âmbito da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), a bacia hidrográfica 
desempenha um papel significativo como a unidade regional de planejamento e gestão 
dos recursos hídricos, abrangendo tanto áreas rurais quanto urbanas e resultando na 
definição de unidades de gerenciamento de recursos hídricos. É importante reconhecer 
que esses espaços estão intrinsecamente interligados e, portanto, requerem abordagens 
distintas devido às pressões diferenciadas que incidem sobre os recursos naturais 
(PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). 
Foi a Lei n.9.433, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu a bacia hidrográfica 
como a unidade de referência para a gestão dos recursos hídricos, conferindo-lhes 
um papel de destaque na administração dos recursos hídricos (PIROLI, 2022). 
A gestão de bacias está associada à administração e ao gerenciamento que ocorrem 
após a definição de planos, metas e estratégias na fase de planejamento. Seu propósito 
é implementar as ações necessárias para manter os processos naturais que ocorrem 
na bacia, restaurando o que for preciso e conservando o que já está em equilíbrio. Além 
disso, busca estabelecer e organizar as interações entre as atividades socioeconômicas 
e os recursos naturais da área (PIROLI, 2022). 
A gestão deve abranger a restauração de áreas e componentes naturais prejudicados, 
estabelecendo objetivos e cronogramas para sua recuperação. Além disso, é essencial 
levar em conta o contexto legal e as regulamentações institucionais existentes, 
monitorando sua evolução ao longo da execução das fases de um projeto específico 
(PIROLI, 2022). 
A gestão integrada de bacias hidrográficas representa uma mudança de paradigma, 
demandando a efetiva participação dos usuários e da sociedade civil organizada. Apesar 
das políticas institucionais bem definidas no Brasil, ainda prevalece a desarticulação 
entre as instituições responsáveis e a participação social no processo de tomada de 
decisões permanece frágil (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). 
8.3 Restauração de zonas úmidas
“Zonas úmidas são áreas de pântano, charco, turfa ou água, natural ou artificial, 
permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, 
incluindo áreas de água marítima com menos de seis metros de profundidade na 
maré baixa.” (BRASIL, 1996). 
As causas predominantes por trás das perdas significativas e da degradação das 
áreas úmidas incluem a perda de habitat, o assoreamento, a captação excessiva de 
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água doce, a introdução de espécies invasoras, a poluição, a exploração dos recursos 
e os efeitos das mudanças climáticas (WWF, 2010). 
No contexto de gestão de áreas úmidas, são consideradas as seguintes possibilidades 
(WWF, 2010):
1. Preservar a integridade de áreas úmidas não afetadas;
2. Identificar as espécies e ecossistemas mais suscetíveis;
3. Desenvolver planos de manejo para essas áreas;
4. Realizar a restauração de áreas úmidas degradadas;
5. Implementar ações de mitigação e/ou adaptação às mudanças climáticas
Outro exemplo de gestão de áreas úmidas é a renaturalização de rios (Figura 
5), caracterizada por intervenções que visam a regeneração do ecossistema, com o 
objetivo de restabelecer sua biodiversidade (SUCUPIRA et al., 2022).
Figura 5: Alguns aspectos importantes que envolvem a renaturalização de um rio.
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
A renaturalização de rios amplia não apenas a capacidade de restauração ecológica, 
mas também torna as águas correntes mais convidativas para atividades recreativas e 
de lazer. Entretanto, sobretudo em rios de maior porte que passaram por renaturalização 
e que possuam boa qualidade da água, a recreação em larga escala pode resultar em 
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conflitos com objetivos de preservação ambiental, como a perturbação de áreas de 
nidificação da fauna (BINDER, 1998). 
A renaturalização desempenha um papel essencial na manutenção dos ecossistemas, 
na preservação da paisagem, no controle de inundações, na conservação da fauna e 
flora. É um processo multidisciplinar que envolve, por exemplo, a aplicação de técnicas 
de bioengenharia e geotecnologias (GUASSELLI, 2018). 
Em áreas rurais esse processo envolve a necessidade de conhecimento profundo 
sobre a dinâmica morfológica dos cursos d’água e também demanda a compreensão 
e o apoio da comunidade local que vive nas margens (BINDER, 1998). 
Um exemplo de renaturalização de rio realizada no Brasil, é o projeto de revitalização 
do Rio Tijuco Preto, financiado pela Prefeitura Municipal de São Carlos e conduzido por 
uma equipe multidisciplinar, priorizou a restauração dos aspectos funcionais do sistema, 
visando a integração de medidas de drenagem urbana, paisagismo e funcionalidade 
ecológica (ESPÍNDOLA et al. 2015). 
8.4 Governança e governança das águas 
A governança das águas (Figura 4) é um sistema complexo que envolve aspectos 
políticos, sociais, econômicos e administrativos, com o propósito de influenciar, direta 
ou indiretamente, o uso, desenvolvimento e gestão integrada dos recursos hídricos, 
além de assegurar a oferta de serviços e produtos relacionados aos recursos paraa 
sociedade (PINTO-COELHO; HAVENS, 2016). 
Figura 4: Áreas que são debatidas quanto se trata de governança da água
Fonte: Adaptado de Ribeiro e Johnsson (2018)
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A administração dos recursos hídricos compreende uma série de elementos 
interligados, englobando a política hídrica, a elaboração de estratégias para o uso, 
controle e preservação da água, bem como o gerenciamento e a monitorização dos 
diferentes usos desse recurso (CAMPOS; FRACALANZA, 2010). 
A implementação de um sistema de governança eficaz das águas não apenas 
assegura a disponibilidade universal de recursos hídricos, mas também desempenha 
um papel fundamental na redução da pobreza e na prevenção de abusos do poder 
econômico (PINTO-COELHO; HAVENS, 2016). Além disso, a governança emerge como 
um meio de promover a democratização e aprimorar a gestão compartilhada, reduzindo 
conflitos entre diversos usuários. É crucial estabelecer a coordenação entre membros 
do legislativo, instituições governamentais responsáveis pela execução de políticas, 
pesquisadores e líderes da sociedade civil para desenvolver parcerias e soluções 
negociadas de forma colaborativa (PHILIPPI JR; SOBRAL, 2019). 
ISTO ESTÁ NA REDE
Existe uma plataforma chamada Observatório das águas que tem por finalidade 
gerar, sistematizar, analisar e disseminar informações relacionadas às práticas 
de governança das águas realizadas pelos diferentes atores e instituições que 
compõem o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), 
por meio do acompanhamento das ações desenvolvidas. Se ficou interessaso em 
conhecer mais sobre o trabalho desenvolvido pelo Observatório das águas, faça 
uma busca utilizando o nome da plataforma em seu buscador de internet!
No Brasil, existe uma base legal sólida que incorpora princípios modernos de 
gerenciamento dos recursos hídricos, incluindo a descentralização da gestão, que 
possibilita a participação das autoridades públicas em seus vários níveis, dos usuários 
e da sociedade como um todo (PAGNOCCHESCHI, 2016). 
O arcabouço de governança no Brasil inclui o Conselho Nacional de Recursos 
Hídricos (CNRH) e os Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos (CERHs), presentes 
em todos os estados do país, com a finalidade de regulamentar procedimentos e 
mediar situações de conflito. Adicionalmente, há aproximadamente 150 comitês de 
bacias estaduais e interestaduais em diversas regiões do território nacional, os quais 
tomam decisões dentro de suas respectivas bacias em relação aos planos de gestão 
de recursos hídricos e às prioridades de ação necessárias (PAGNOCCHESCHI, 2016). 
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Brasil também conta com um pacto voltado para aprimorar o gerenciamento das 
águas, a regulamentação do saneamento básico e a segurança das barragens. Este 
acordo visa à colaboração entre a Agência Nacional de Águas e Saneamento e os 
governos estaduais em prol desses objetivos, atuando em três áreas principais: gestão 
dos recursos hídricos, saneamento e infraestrutura hídrica (ANA, 2023). 
Uma das carências mais significativas em relação aos recursos hídricos no Brasil 
refere-se à área do saneamento (Figura 5). É amplamente reconhecida a necessidade 
de atender a uma demanda histórica por investimentos mais substanciais nesse setor. 
As bases legais do saneamento básico no Brasil estão estabelecidas na Lei 11.44 
(PINTO-COELHO, HAVENS, 2016). 
Figura 5: Alguns serviços que envolvem o saneamento básico no brasil. A- abastecimento de água; B- coleta e tratamento de esgoto, C- limpeza urbana, 
D- destinação adequada do lixo. 
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/torneira-com-agua-caindo-vkgzPtlIgbU;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/vista-aerea-da-quadra-de-basquete-
verde-e-marrom-_mZrKqrZaTc;https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pessoas-coletando-lixo-em-caminhao-de-lixo-iR4mClggzEU;https://unsplash.com/pt-br/
fotografias/quatro-lixeiras-de-cores-variadas-ao-lado-da-parede-cinza-RkIsyD_AVvc
Os sistema de gestão no Brasil desses serviços são de responsabilidade municipal 
e são muitas vezes concedidos a empresas estatais e privadas. Esse sistema enfrenta 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/torneira-com-agua-caindo-vkgzPtlIgbU
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/vista-aerea-da-quadra-de-basquete-verde-e-marrom-_mZrKqrZaTc
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inúmeros desafios significativos, como a pressão de grandes construtoras, bem como 
problemas relacionados a enchentes, escassez de água e deficiências crônicas na 
qualidade dos serviços de saneamento básico, incluindo distribuição de água, redes 
de esgoto, tratamento de esgoto, drenagem urbana e gestão de resíduos sólidos 
(PINTO-COELHO, HAVENS, 2016). 
Com base no exposto, salienta-se que para avançar em direção a uma governança 
eficaz de recursos hídricos, não é suficiente apenas aprovar novas leis ou reorganizar 
estruturas ministeriais e agências governamentais. O que se requer é uma melhor 
coordenação interinstitucional e a adoção de novas abordagens e conceitos, como a 
aplicação da Biologia da Conservação em conjunto com a utilização de ecotecnologias 
para o manejo e recuperação dos recursos hídricos e áreas degradadas (PINTO-COELHO, 
HAVENS, 2016). 
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CAPÍTULO 9
TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO 
DE ECOSSISTEMAS 
AQUÁTICOS- FINALIZADO
9.1 Os desafios da remoção de espécies exóticas
No Brasil, assim como em outros países, além da poluição aquática, temos outro 
desafio para a conservação da biodiversidade, a ocorrência de espécies invasoras. 
Conforme mencionado no segundo capítulo, tem registros de espécies invasora em 
diferentes ambientes brasileiros, trazendo prejuízos econômicos e ambientais. 
No ambiente marinho, temos alguns exemplos, sendo um deles a presença do 
peixe leão (Figura 1). O peixe-leão (Pterois spp.) é originário do Indo-Pacífico, e foi 
introduzido no Atlântico, em 1985, na Flórida, pela soltura desses animais no mar, por 
aquaristas (ICMBIO, 2023). 
O primeiro registro desse animal foi verificado em Arraial do Cabo, e os pesquisadores 
supõe que a sua ocorrência foi proveniente de dispersão larval oriundas do Caribe 
(FERREIRA et al. 2015). Após esse único registro na região sudeste brasileira, em 
2020, o peixe-leão foi detectado em alguns locais da região nordeste e norte e no 
arquipelágo de Fernando de Noronha, provalvenemte também provenientes do Caribe 
(ICMBIO, 2023; SOARES et al. 2023). 
As principais preocupações para a biodiversidade é que esse organismo pode viver 
em diferentes profundidades, resistentes a diferentes parâmetros físico-químicos da 
água como turbidez e pH, além disso compentem por alimentos com espécies nativas, 
são capazes de colocar cerca de 30.000 mil ovos, aumentando de forma significativa 
a ocorrência desses animais (ICMBIO, 2023). Para a sociedade apresenta riscos para 
o turismo, atividades recreativas, mergulhadores (ICMBIO, 2023). 
Salienta-se ainda que esse peixe apresenta toxinas em seus espinhos que colocam em 
risco a saúde humana. Inclusive em 2022, foi registrado em o primeiro envenenamento 
em um pescador pelo peixe-leão no Ceára, que apresentou complicações de saúde, 
como convusões e parada cardiáca (HADDAD JUNIOR, 2022).
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Como medidas de controle desse organismos o Instituto Chico Mendes de 
Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) tem atuado de forma conjunta com 
voluntários, pesquisadores, mergulhadores, pescadores indicando as formas adequadas 
de manejo, atuando também com educação ambiental, comunicação, capacitação e 
monitoramento ambiental. Os profissionais do ICMBIO, reforçam a importância de não 
devolver esses animais para o mar. Além dessas medidas, Soares e colaboradores, 
destacam que ações como a criação de uma rede colaborativa para divulgação da 
sociedade e programas de educação ambiental, investimento em estudos ecológicos, 
detecção precoce, melhoria das legislações que regem o comércio aquarista e por 
fim, o gerencimanento de áreas marinhas protegidas, podem auxiliar no controle do 
peixe-leão (SOARES et al. 2023).
Figura 1: Peixe-leão
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/le%C3%A3o-peixe-agua-oceano-mar-70500/
Um outro exemplo de espécie invasora de ambienta aquático, mas de áreas dulcícolas, 
é o mexilhão-dourado. Esse animal é originário da China, mas, foi se expandindo para 
outros países, como o Brasil. O mexilhão dourado, é cientificamente conhecido como 
Limnoperna fortunei, vive sobre em lagos, lagoas, represas e lagunas, margens e canais 
https://pixabay.com/pt/photos/le%C3%A3o-peixe-agua-oceano-mar-70500/
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de rios, fixo a algum tipo de substrato, que pode ser até mesmo outro organismo 
inscrustante (MMA, 2016; IBAMA, 2020). 
Sua ocorrência no Brasil, foi registrada a partir da década de 1990, através do que 
chamamos de água de lastro (IBAMA, 2020). A água de lastro auxilia na manutenção 
da estabilidade das embarcações (MARINHA DO BRASIL, 2022). No entanto, essa 
água de lastro é liberada em seu destino final, liberando os organismos do destino 
original para o ambiente, favorecendo dessa forma, a introdução de espécies invasoras 
(SANTOS; LAMONICA, 2008). É importante destacar que nem todo o organismo é capaz 
de sobreviver ao novo ambiente em que foi exposto, os que conseguem apresentam 
características de adaptação (SANTOS; LAMONICA, 2008). 
Voltando a questão do mexilhão-dourado, é válido ressaltar que a sua introdução 
no Brasil, tem impactado as espécies nativas, comprometendo a biodiversidade 
local (SANTOS; LAMONICA, 2008). Além disso, esses organismos causam prejuízos 
econômicos, pois, devido a seu potencial de reprodução e pela ausência de predadores 
naturais, sua inscruntação exacerbada entopem sistemas de bombeamento de águas 
de sistemas de refrigeração e de hidrelétricas, além de afetar a pesca de comunidades 
tradicionais (MMA, 2016; IBAMA, 2020). 
Figura 2: Mexilhão-dourado
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2f/Mexilh%C3%B5es_dourado.jpg
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Por conta da ocorrência desses organismos de forma acentuada a Usina de Itaiu, 
já precisou parar suas atividades para realizar a remoção desses animais (SANTOS; 
LAMONICA, 2008). 
No que se refere ao manejo de espécies oriundas de águas de lastro, o Brasil, faz parte 
de um projeto internacional chamado Programa Global de Gerenciamento de Água de 
Lastro” (GLOBALLAST) desenvolvido pela Organização Marítima Internacional (IMO), com 
foco no manejo da água de lastro como forma de minimizar a introdução de espécies 
invasoras (DE OLIVEIRA; PEREIRA, 2004).
De forma mais específica para o controle do mexilhão-dourado são utilizadas no Brasil, 
algumas técnicas de manejo, como o controle mecânico, sendo o mais empregado no 
Brasil. Mas, também existem métodos de controles químicos, físicos e biológicos (MMA, 
2016; IBAMA, 2020).
A compreensão sobre as espécies invasoras no contexto de recuperação de áreas 
degradas, é fundamental, uma vez que são questões inter-relacionadas, que afetam 
diretamente a biodiversidade e a sociedade. Para projetos de recuperação em ambientes 
aquáticos, leve em consideração a identificação desses organismos e os impactos 
que causam, verifique junto aos órgãos ambientais competentes quais as técnicas 
de eliminação ou manejo devem ser utilizadas e a necessidade do monitoramento 
ambiental a curto e longo prazo. Salienta-se também como já foi mencionado 
previamente e ações de educação ambiental a fim de propriciar a sustentabilidade. 
9.2 Recuperação de recifes de corais
Antes de antrentrarmos sobre exemplos de recuperação de recifes de corais, é 
importante entender a importância dos mesmos. Os recifes de corais (Figura 3) são 
ecossistemas de grande relevância para a biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos 
(ZILBERBERG et al. 2016). 
Figura 3: Recifes de corais
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/TLxTFr9AoO0
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Serviços ecossistêmicos (Figura 4), estão relacionados aos recursos que a 
natureza confere ao homem para sua sobrevivência, tendo papéis de suporte,provisão, 
regulamentação e culturais (MEA, 2005). Os serviços ecossistêmicos incluem por 
exemplo, ciclagem de nutrientes, recreação, alimentação, controle do clima, polinização, 
entre outros (MEA, 2005). Portanto, a perda da biodiversidade não significa somente 
uma perda ecológica, mas engloba todos os processos essenciais para a manutenção 
da vida humana na Terra (MEA, 2005). 
Figura 4: Serviços ecossistêmicos (A) A biodiversidade é um exemplo de serviço de suporte; (B) A pesca é uma exemplificação do serviço de provisão; (C) 
A recreação é uma forma de serviço cultural; (D) A purificação das águas é um exemplo de serviço de regulação. 
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/praia-litoral-passaro-ave-17037868/;
https://www.pexels.com/pt-br/foto/pescaria-2792153/;https://www.pexels.com/pt-br/foto/aventura-facanha-diversao-graca-18546030/;https://www.pexels.com/
pt-br/foto/foto-da-paisagem-das-quedas-464327/
No contexto dos recifes de corais, esses ambientes dispõe diversos serviços 
ecossistêmicos, como pesca, potencial farmâmeutico observado em diferentes animais 
que vivem nesse ambiente, extração de polissacarídeos de algas como ágar-ágar e 
carragenina, os recifes auxiliam na proteção costeira, são berçários de vários animais 
e áreas de reprodução favorecendo a manuntenção da biodiversidade, tem potencial 
de fixação de nitrogênio, por serem sensíveis são indicadores de poluição ambiental, 
contribuem para o turismo, recreação, entre outros (MOBERG; FOLKE, 1999). 
https://www.pexels.com/pt-br/foto/pescaria-2792153/
https://www.pexels.com/pt-br/foto/aventura-facanha-diversao-graca-18546030/
https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-da-paisagem-das-quedas-464327/
https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-da-paisagem-das-quedas-464327/
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ÁREAS DEGRADADAS
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Apesar de todos os benefícios desses ambientes, o aumento das atividades 
antrópicas vem degradando os recifes de corais, que estão sendo impactados pelos 
efeitos das mudanças climáticas e da poluição ambiental. Esse cenário tem chamado 
a atenção, já que esses ecossistemas estão em risco de desaparecimento a nível 
mundial (ZILBERBERG et al. 2016). 
Um dos exemplos, de impacto sobre os recifes de corais são os branqueamentos 
desses animais. Grande parte dos corais que são construtores de recifes têm 
uma relação de simbiose, com uma alga denominada zooxnatela. Por conta das 
mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, os pesquisadores verificaram que 
os corais expelem suas zooxantelas como uma resposta ao estresse das alterações 
da temperatura da água, formando mancham brancas nas colônias. A grande 
preocupção é que o coral, perde parte essencial para sua manutenção e isso pode 
levar a sua mortalidade (CASTRO; HUBER, 2012; ZILBERBERG et al. 2016). Outros 
fatores associados a mudanças climáticas,2017). Ainda nesse contexto, é 
importante salientar que as espécies compõem difrerentes ecossistemas, constituidos 
de fatores bióticos e abióticos. Os fatores bióticos, compreende todos os seres vivos que 
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habitam um ecossistema, como animais, plantas, fungos, dentre outros. Já os fatores 
abióticos são as condicionantes que influenciam o ecossistema, como temperatura, 
umidade, água, solo, salinidade, pH, nutrientes, etc. (STEIN, 2018).
 Além dos conceitos mencionados previamente, duas definições relevantes dentro 
do contexto de recuperação de áreas degradas é o de poluição e de contaminação. 
Apesar de muitas vezes seres utilizadas como sinômino, esses termos apresentar 
conceitos distintos. A poluição é caracterizada pela presença de um composto no 
ambiente que pode ser prejudicial a saúde humana, bem como para outras espécies 
(MILLER; SPOOLMAN, 2016; SPELLMAN, 2017). Já a contaminação é definada pela 
presença de uma substância indesejada no ambiente, que não necessariamente é 
prejudicial, mas pode alterar a composição do meio (SPELLMAN, 2017). 
 No que se refere a poluição, ressalta-se que os diferentes tipos de poluentes 
produzidos são provenientes de dois tipos de fontes. As fontes pontuais, são possíveis 
de identificação, e em alguns casos, até mesmo passíveis de medidas corretivas 
(SODRÉ, 2012; MILLER; SPOOLMAN, 2016). Um exemplo de fontes pontuais são o 
lançamento de efluentes doméstico ou industriais tratrados ou não, chaminés de 
usinas e fábricas. Na Figura 1, pode ser observado um exemplo de poluição por 
fontes pontuais. 
Figura 1: Exemplo de poluição por fonte pontual, o lançamento de gases de usinas que impactam a atmosfera. 
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/fotografia-de-paisagem-de-fabrica-459728/
Em contrapartida, as fontes difusas ou não pontuais de poluição, são mais complexas 
de serem identificadas, já que são verificas de forma dispersa. Alguns exemplos de 
fontes difusas são o uso de compostos químicos como os pesticidas que chegam 
https://www.pexels.com/pt-br/foto/fotografia-de-paisagem-de-fabrica-459728/
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até diferentes compartimentos ambientais, plásticos e lixo observado nos oceanos e 
outros ambientes (BOTKIN; KELLER, 2000; MILLER; SPOOLMAN, 2016). Na Figura 2, 
pode ser observado uma exemplificação de poluição por fonte difusa. 
Figura 3: Exemplo de poluição por fonte difusa, ocorrência de lixo impactando a biodiversidade.
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/frWkCQZhe-I
 
Além das diferentes dos tipos de fonte de poluoção, a literatura costuma trazer 
diferentes categorizações para a poluição com base no compartimento ambiental 
estudado, conforme descrito abaixo: 
• Poluição da água: é definada como as alterações da qualidade hídrica que 
impactam a biota e/ou tornam esse recurso impróprio para diversos usos 
como abastecimento, irrigação, recreação, entre outros (MILLER; SPOOLMAN, 
2016). No contexto hídrico, várias atividades antrópicas como lançamento de 
efluentes sanitários, industriais sem tratamento nos sistemas, uso exacerbado 
de compostos químicos como metais, pesticidas, solventes, entre outros, tem 
favorecido a degradação dos corpos d’água (Figura 3). Os estudos envolvendo essa 
tipologia de poluição descrevem principalmente sobre eutofrização, acidificação 
dos oceanos, efluentes, doenças de veiculação hídrica, derramamento de óleo, 
qualidade desse recurso, entre outros (SPELLMAN, 2017). 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/frWkCQZhe-I
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Figura 3: Degradação do ambiente aquático.
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/garrafas-bebida-alcoolica-meio-ambiente-natureza-13171741/
• Poluição do solo: A poluição desse compartimento ambiental pode acontecer 
por meio de ações que liberam compostos químicos, físicos e/ou biológicos 
na natureza (SANTOS, 2017). Segundo a literatura (SANTOS, 2017; SPELLMAN, 
2017) inúmeras atividades antrópicas podem ser danosas para o solo, como 
os lixões, uso de fertilizantes, pecuária intesiva, resíduos sólidos, mineração, 
atividades extrativistas, etc (Figura 4). 
Figura 4: Os lixões comprometem a qualidade dos solos
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavadeira-amarela-em-pilhas-de-lixo-3174350/
https://www.pexels.com/pt-br/foto/garrafas-bebida-alcoolica-meio-ambiente-natureza-13171741/
https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavadeira-amarela-em-pilhas-de-lixo-3174350/
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ÁREAS DEGRADADAS
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• Poluição do ar: A poluiçaõ atmosférica pode ser oriunda de fontes naturais 
como vulcões, processos micorbiológicos, entre outros ou por influência humana 
como queimadas, combustão industrial, geração de energia, que dependendo 
das concentrações e do tempo de exposição podem causar efeitos prejudiciais 
(SANTOS, 2017; SPELLMAN, 2017). Nesse tipo de poluição, diferentes impactos 
sobre esse compartimento ambiental tem sido estudados como a chuva ácida, 
aquecimento global, destruição da camada de ozônio, materiais particulados, 
etc (Figura 5). Ressalta-se ainda que alguns dos exemplos mencioados acima 
ocorrem em escala local, mas seus efeitos impactam a nível global, o que 
chamamos de poluição transfronteiriça (FULLER et al. 2012; WALKER, 2014). 
Figura 5: Queima de combustíveis de um navio impactando a qualidade do ar.
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/ncgyJr5Emns
• Poluição radioativa: Esse tipo de poluição é bastante prejudicial para o ambiente 
e para os seres humaos, e está associado aos riscos de acidentes de materiais 
radioativos como por exemplo, eventos de vazamento. Vale destacar que muitos 
produtos químicos radioativos são encontrados de forma natural, como em 
rochas, água e no solo. Os mais conhecidos são o radônio e o rádio que são 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/ncgyJr5Emns
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provenientes dessas fontes. Já as fontes antropogênicas são as consideradas 
mais periogosas, já que são os locais de armazenamento de resíduos radioativos 
(SANTOS, 2017; SPELLMAN, 2017). Na Figura 6, pode ser observado uma 
demarcação de área que amarzena materiais radioativos. 
Figura 6: Local com sinalizações de armazenamento de materiais radioativos
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/xXbQIrWH2_A
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um indicidente radiotivo aconteceu no Brasil no ano de 1987, em Goiás- Goiânia 
duas pessoas encontraram um aparelho de radioterapia que continha o elemento 
radioativo Césio-137 envolto por uma cápsula. Partes desse equipamento foi 
vendido e em pouco tempo o material que apresentava uma luz azul por conta 
da presença do Césio-137 foi sendo compartilhado alcançando vários moradores 
locais. Ao todo foram monitoradas cerca de 112 mil pessoas foram acompanhadas, 
por conta do contato direito ou indireto (FUINI et al. 2013; VIEIRA, 2013; SANTOS, 
2017).
• Outros tipos: Além da poluição do ar, da água, do solo e a radiotiava, podem 
ocorrem ainda a poluição luminosa, térmica, sonora, visual, por espécies 
invasoras, etc. O esquema abaixo (Figura 7) ilustra esses tipos de poluições. 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/xXbQIrWH2_A
RECUPERAÇÃO DE 
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Figura 7: Exemplos de poluição. (A) Poluição luminosa, (B) Poluição visual, (C) Poluição sonora oriunda de buzinas e sirenes de veículos e (D) 
Poluição térmica, causando mudanças na temperatura das águas e por consequência a mortalidade de peixes.
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/oBLgQQjFGaU; https://unsplash.com/pt-br/fotografias/0_la3_Slfwk; https://br.freepik.com/fotos-gratis/
rua-da-cidade-grande-do-ponto-de-vista-de-passaro_7524126.htm#query=congestionamento&position=2&from_view=keyword&track=sph;https://www.são a redução das taxas de crescimento 
desses organismos (ZILBERBERG et al. 2016). 
Algumas técnicas são utilizadas para a reparação de recifes de corais. Uma delas 
são os recifes artificiais. Esses recifes artificiais são feitos com diversos materiais, 
como pneus, bambus, blocos de concreto, casco de embarcações depositados no fundo 
do mar que propiciam substrato para diversos organismos bêntonicos (SANTOS et al. 
2010; OLIVEIRA et al. 2008). Os recifes artificiais auxiliam no aumento do pescado, 
trazendo benefícios socioecônomicos para as pessoas que dependem desse recurso, 
além das atividades do mergulho. No entanto, os recifes artificiais, costumam favorecer 
o aumento de peixes, o que pode facilitar a sua captura e ter como consequência seu 
esgotamento (CASTRO; HUBER, 2012; OLIVEIRA et al. 2008).
Uma outra técnica utilizada é o transplante de coral, sugerido para aumentar 
a cobertura coralínea em uma área, que consiste na inserção de colônias de uma 
áreas “doadora” para outra que precisar ser recuperada. Geralmente, as colônias são 
fixadas com cimento epoxy no substrato, ou o processo de fixação pode ser natural. 
É importante levar em conta as questões físico-químicas do ambiente (OLIVEIRA et 
al. 2008). Importante ressaltar com base no tópico anterior, sobre espécies exóticas, 
que a escolha desses organismos precisam levar em conta as características das 
espécies locais, para não causar um problema ambiental de bioinvasão 
Já o tranplante de fragmentros, consiste na remoção dos mesmos no local para a 
restauração em um outros ambiente, como em laboratórios e transferidos novamente 
RECUPERAÇÃO DE 
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para sei ambiente de origem. Outro método são os cultivos de corais, que consistem 
na remoção de fragmentos de colônias “doadoras” são transportados para um local 
de cultivo, e após o desenvolvimento da sua estrutura natural de fixação são inseridos 
em áreas de recifes que estão impactadas. (OLIVEIRA et al. 2008).
9.3 Biorremediação 
O termo biorremediação refere-se ao uso de organismos (ex: plantas, microrganismos 
ou enzimas) para a redução ou elimnação de poluentes ambientais em substância 
com baixos efeitos tóxicos (ROCHA, ROSA, CARDOSO, 2009). Essse método pode atuar 
sobre diferentes poluentes como: pesticidas, compostos clorados, corantes, gases 
do efeito estufa, águas residuais, plástico, hidrocarboneto, entre outros (AZUBUIKE et 
al. 2016). Esse tipo de tramento biológico pode ter aplicações na descontaminação 
do solo, água, lamas (BOOPATHY, 2000).A biorremediação, de forma geral, tem baixo 
custo e é bem aceita pela sociedade (KENSA, 2011). 
A biorremediação pode ser divididas em duas formas de tratamento, o que 
chamamos de biorremediação in situ, ou seja, o tratamento é feito na área que está 
contaminada. Já a biorremediação ex situ, necessita que o material que está poluído 
seja removido e levado para um local com tratamento adequado (KENSA, 2011). Dentro 
dos tratamentos in situ, podemos ter algumas técnicas, como (BOOPATHY, 2000; 
KENSA, 2011. ALENCAR, et al. 2009): 
• Biorremediação natural: método que consiste nos processos naturais para a 
eliminação e controle de diferentes poluentes;
• Bioestimulação: Estímulo das comunidades microbianas através do fornecimento 
de nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo; 
• Bioaumentação: Consiste na adiação de culturas de bactérias com potencial 
de degradação de poluentes.
Já nos tratamentos ex situ, outras técnicas são empregadas, como (BOOPATHY, 
2000; KENSA, 2011. ALENCAR, et al. 2009): 
• Compostagem: Conversão da matéria orgânica para em compostos benefícios, 
como o adubo natural.
• Biorreatores: Processo de biodegradação em reatores, usado geralmente para 
tratar líquidos ou lamas, com alto grau de poluição. 
RECUPERAÇÃO DE 
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• Landfarming: é um método onde os resíduos são dispersos do solo contaminado, 
passando por aração e distribuição até que os contaminantes sejam eliminados. 
Outros dois conceitos importantes dentro da biorremediação, são bastante utilizados. 
A fitorremediação que envolve a redução de poluentes no ambiente utilizando plantas 
nesse processo (ALENCAR, et al. 2009). Já a micorremediação tem a mesma finalidade, 
no entanto, os fungos que são utitlizados nesse tipo de biorremediação (KENSA, 2011).
Para a biorremediação ser funcional, alguns fatores ambientais precisam ser levados 
em conta como a ausência de nutrientes, toxicidade e solubilidade do contaminante, 
condições inibitórias de crescimento bacteriano, entre outros (KENSA, 2011). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um exemplo marcante da aplicação da biorremediação, aconteceu em 1898, 
no Alasca, com o derramamento de petróleo pelo navio petroleiro Exxon Valdez 
(Figura 5). O processo de biorremediação empregado em mais de 100 km da 
costa que foi poluída. O método consistiu na adição de fertilizantes a base de 
nitrogêmio que favoreceram o crescimento de microrganismos locais, possibilitando 
a degradação de hidrocarbonetos ( BAIRD, CANN, 2011). 
Figura 5: Navio petroleiro Exxon Valdez 
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/13266806523/bbeecc7dfd/
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As macroalgas são bastante utilizadas em processos de biorremediação (Figura 6). 
Elas podem ser utilizadas como biorremediadoras, reduzindo nutrientes de efluentes 
de cultivos de camarões (MARINHO-SOARIANO et al. 2002). Também são empregadas 
na adsorção de metais (ZERAATKAR et al. 2016), no tratamento de águas residuais 
(NEVEUX et al. 2016). 
Bactérias também são frequentemente usadas na biorremediação, um exemplo, 
muito utilizado é a espécie Pseudomonas aeruginosas. A bactéria P. aeruginosa tem 
sido estudada na degradação, por exemplo de óleo diesel, óleo bruto, corantes, cobre, 
cromo e pesticidas (ABATENH et al. 2017). 
Figura 6: Exemplo de uma macroalga
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/yNlKG8EBqrM
Assim como outras técnicas, a biorremediação pode apresentar vantagens e 
desvantanges. As vantagens são o seu custo baixo quando comparada a outras 
tecnologias, tem apresentado casos de sucesso, onde é possível diminuir a poluição 
de ambientes em ambientes aquáticos. Além disso, alguns compostos prejudiciais 
tem se tornando biomassa (SHISHIr et al. 2019).
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/yNlKG8EBqrM
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 Estudos com microalgas, por exemplo, tem demonstrado a aplicação da biomassa 
de microalgas, após a degradação de poluentes, agregando valor aos novos produtos 
gerados ou na incoporação de outros processos (DIAS et al. 2019). As microalgas, 
são capazes de remover nutrientes, antibióticos e metais pesados (DIAS et al. 2019). 
Em contrapartida, as desvatanges do uso da biorremediação está associada a 
limitação da degradabilidade dos compostos. Além disso, alguns subprodutos, podem 
ser mais prejudiciais que a susbtância natural. Para esse processo ser exitoso, conta-
se com alguns fatores ambientais que já foram previamente mencionados. Ademais, 
muitos projetos de biorremediação estão em fase inicial de pesquisa, tornando mais 
complexo a inserção em larga escala (SHISHIr et al. 2019). 
Por fim, gostaria de ressaltar que apesar das limitações expostas, a biorremediação 
se apresenta como uma importante ferramenta de recuperação de ambientes aquáticos, 
em muitos casos é eficaz na eliminação ou remoção de poluentes. A importância de 
empregar esse processo, pode servir de complemento a outras técnicas de recuperação 
de áreas degradadas e visa a manutenção da biodiversidade dos ecossistemas. 
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CAPÍTULO 10
ESPÉCIES VEGETAIS 
UTILIZADAS EM RECUPERAÇÃO 
DE ÁREASDEGRADADAS 
Para começarmos, é importante que você saiba que o interesse pelo plantio de 
espécies nativas tem experimentado um aumento, acompanhado pela demanda 
crescente por informações acerca das espécies apropriadas destinadas à recuperação 
de áreas degradadas e à reposição de vegetação de reserva legal e matas ciliares 
(POTT; POTT, 2002). 
Relembrando que espécies nativas referem-se a organismos que ocorrem 
naturalmente em uma determinada região geográfica, sem intervenção humana direta 
na sua introdução ou migração. Essas espécies evoluíram e se adaptaram às condições 
ambientais específicas desse local ao longo de um longo período de tempo, formando 
parte integrante do ecossistema local. 
No Brasil, o Jacarandá é uma exemplificação de uma espécie nativa, que apresenta 
potencial para ser utilizada na recomposição de áreas degradadas, destacando-se por 
seu crescimento rápido, comportamento competitivo e capacidade de adaptação a 
solos com características arenosas e argilosas (ALMEIDA et al. 2005)
Figura 1: Jacarandá 
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/40013757113/9d30d90336/
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O exemplo acima foi apenas o início para se familiarizar com o que trataremos ao 
longo desse capítulo, mas, antes é importante que você conheca os diversos critérios 
essenciais que orientam a seleção desses organismos.
10.1 Critérios para seleção de espécies vegetais em projetos de restauração
A seleção criteriosa de espécies vegetais é essencial para o sucesso de projetos de 
restauração ambiental. Diversos fatores devem ser considerados ao escolher as plantas 
mais apropriadas para uma determinada área. Abaixo estão alguns dos principais 
critérios para a seleção de espécies em projetos de restauração:
• Adaptabilidade local: Há variações na adaptação de diferentes espécies 
a condições de solo, umidade e clima, tornando importante considerar as 
características do ambiente. Alguns tipos de solo, como argiloso, arenoso e 
médio, podem favorecer diferentes espécies, assim como a preferência por climas 
quentes ou frios. Portanto, ao tomar decisões sobre quais espécies plantar, é 
fundamental observar as árvores nativas presentes na propriedade e nas áreas 
circundantes para fazer escolhas adequadas (EMATER, 2019). 
• Conceito de Planta alvo: Ao introduzir espécies nativas em uma área específica 
como parte do processo de restauração, é essencial considerar diversos fatores 
para assegurar a eficácia da restauração e obter os resultados mais favoráveis 
para cada local. Esses fatores foram organizados e compreendidos no âmbito 
do Conceito de Planta Alvo (SAMPAIO et al. 2021). Esse conceito (Figura 2) 
considera os aspectos como variabilidade genética, avaliação do local, medidas 
de mitigação e desenvolvimento adequado das raízes e ausência de doenças, 
em vez de depender exclusivamente da aparência, como o tamanho (SAMPAIO 
et al. 2021)A primeira etapa para implementação desse conceito é entender 
para qual objetivo principal será inserida uma determinada planta alvo para 
reflorestamento ou restauração (LANDIS, 2011). Em áreas altamente degradadas, 
como aquelas presentes em escombros de minas ou em antigas pedreiras, 
a escolha inicial de material vegetal pode ser representada por sementes de 
gramíneas e ervas. Essas são utilizadas para estabilizar o local temporariamente 
até que a vegetação lenhosa possa ser estabelecida (DUMROESE et al. 2016). 
O passo seguinte é realizar uma avaliação do local. Para reflorestamento ou 
restauração, é imperativo descrever abrangentemente a área do projeto desde 
o início do processo. Ao empregar um mapa da área do projeto, a avaliação dos 
RECUPERAÇÃO DE 
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solos torna-se fundamental, permitindo uma sobreposição dos diferentes tipos de 
solo (LANDIS, 2011). Após essa avaliação, serão verificadas os fatores limitantes. 
Fatores limitantes referem-se aos elementos que impedem ou diminuem a 
sobrevivência e o crescimento do material vegetal. Uma variedade de fatores 
atmosféricos e edáficos pode apresentar limitações, sendo que a umidade 
e a temperatura do solo são os fatores mais frequentemente considerados 
(LANDIS, 2011; DUMROESE et al. 2016). A etapa posterior, são as medidas de 
mitigação frente aos fatores limitantes encontrados. Após a identificação e 
classificação dos fatores limitantes, torna-se essencial determinar a maneira 
mais eficaz e economicamente viável de mitigar seus efeitos. As coberturas 
de matéria orgânica, são frequentemente empregadas para evitar a erosão 
superficial do solo e retardar a perda de umidade do solo (LANDIS, 2011). A 
próxima etapa, consiste na escolha das espécies, considerando diversos 
parâmetros. Uma vez que as espécies são identificadas, é imperativo levar em 
consideração os fatores genéticos durante a produção dos materiais vegetais, 
incluindo adaptação local, diversidade genética, mudanças climáticas e, no caso 
de espécies dióicas, diversidade sexual (DUMROESE et al. 2016). Quando se trata 
de variabilidade genética, por exemplo, a seleção de uma espécie específica ou 
de múltiplas espécies para um projeto dependerá da disponibilidade de material 
de propagação, dos objetivos do projeto, das condições do local e de fatores 
limitantes. Uma mistura diversificada de espécies nativas é normalmente melhor 
para projectos que visam restaurar a estrutura natural e apoiar a função ecológica 
dos habitats (DAVIS; PINTO, 2021). Cabe salientar que uma variedade de materiais 
vegetais podem ser utilizados, como de viveiros convencionais, como mudas 
em recipientes, mudas de raiz nua, estacas enraizadas, assim como estacas 
não enraizadas (também conhecidas como estacas) e sementes (DUMROESE 
et al. 2016). Ressalta-se que o sucesso da planta-alvo reside no desempenho 
em campo. Tanto as plantas quanto os projetos necessitam de monitoramento 
e avaliação contínuos após o plantio externo, a fim de verificar a sobrevivência 
e o crescimento, e para revisar o desempenho em relação aos objetivos iniciais 
e às práticas empregadas (DAVIS; PINTO, 2021). 
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Figura 2: Aspectos que envolvem o Conceito de Planta Alvo.
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Landis (2017).
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Na região sudeste dos Estados Unidos, Pinus palustris L. é uma espécie de 
reflorestamento amplamente desejada devido à sua madeira de alta qualidade e ao 
seu papel crucial como espécie-chave em um ecossistema altamente diversificado, 
porém ameaçado. Atualmente, um objetivo geral é aumentar o plantio de P. palustris 
para restaurar essa comunidade vegetal (DUMROESE et al. 2016)
10.2 Sucessão ecológica
A sucessão ecológica é definida pela alteração na composição de espécies ao 
longo do tempo em resposta a fatores de mudança, sejam eles de natureza abiótica 
ou biótica.A sucessão progride por vários estágios, incluindo um estágio considerado 
como clímax, sendo concebido como um ponto estável que experimenta alterações 
mínimas até que algum distúrbio significativo leve a comunidade de volta a um estágio 
anterior (CAIN, 2017).
Existem, três tipos de sucessão ecológica, que são classificadas da seguinte forma:
Sucessão degradativa: é caracterizado por sua ocorrência em uma escala temporal 
relativamente curta, manifestando-se em qualquer matéria orgânica falecida, como 
animais ou plantas em estado de decomposição. Geralmente, observa-se a presença 
e desaparecimento de diversas espécies ao longo desse processo, à medida que 
a degradação da matéria orgânica consome alguns recursos e disponibiliza outros 
(STEIN, 2017).
Sucessão alogênica: é caracterizada por um processo de substituição de espécies 
que decorre de mudanças externas, como incêndios, tempestades ou processos 
RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
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geológicos, além de forças geofísicoquímicas. Essa forma de sucessão é influenciada 
por fatores exógenos que desencadeiam alterações na composição das espécies em 
um ecossistema (STEIN, 2017). 
Sucessão autogênica: presente em ambientes recém-criados, é tipicamente 
resultado de processos biológicos que modificam condições e recursos. Essa forma 
de sucessão pode ser subdividida em duas categorias distintas, a saber, sucessão 
primária e secundária (STEIN, 2017). 
Sucessão primária- Envolve o progressivo estabelecimento de comunidades 
contendo diversas espécies em áreas desprovidas de vida, caracterizadas pela 
ausência de solo em comunidades terrestres ou pela falta de sedimento no leito em 
comunidades aquáticas.O processo de sucessão primária pode demandar de centenas 
a milhares de anos para sua conclusão, em virtude da necessidade de formar solo fértil 
ou acumular sedimentos aquáticos que proporcionem os nutrientes essenciais para 
o estabelecimento de uma comunidade de produtores (MILLER; SPOOLMAN, 2015).
Em relação a sucessão ecológica vegetal, a sucessão primária ocorre quando as 
plantas colonizam uma superfície que não havia sido previamente vegetada. Isso é 
evidenciado por exemplos como o estabelecimento de comunidades vegetais sobre 
campos de lava, terrenos com sulcos expostos devido à retração de uma geleira, 
afloramentos rochosos, dunas de areia (Figura 3), praias recém-formadas e bancos 
de areia em rios. Em uma escala mais ampla, esse processo também abrange ilhas 
recém-emergidas do mar (GUREVITCH et al. 2009).
Figura 3: Duna
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/dessert-field-pVr6wvUneMk
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Sucessão secundária - refere-se ao processo de transformação na comunidade após a 
ocorrência de distúrbio ou degradação. Com o passar do tempo, observa-se um aumento 
na biomassa e diversidade, uma alteração na composição que vai da predominância de 
espécies pioneiras para uma maior participação de espécies tardias, e a recuperação do 
solo, microclima e fauna típicos de ecossistemas maduros (SAMPAIO et al. 2021). Entre as 
áreas propensas à sucessão secundária, incluem-se, florestas impactadas por queimadas 
ou desmatamento (Figura 4), riachos altamente poluídos e terrenos previamente inundados. 
Considerando a presença de solo ou sedimento, é viável que uma nova vegetação inicie 
o processo de germinação em algumas semanas (MILLER; SPOOLMAN, 2015). 
Figura 4: Floresta desmatada.
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/corpo-de-agua-perto-de-arvores-durante-o-dia-Y4pW7n5FnsQ
A sucessão ecológica é reconhecida como um serviço ecossistêmico significativo, 
contribuindo para a ampliação da biodiversidade nas comunidades e ecossistemas. 
Esse processo favorece o aumento da diversidade de espécies e das interações entre 
elas, promovendo a sustentabilidade do ecossistema. Essas interações desempenham 
um papel crucial ao fortalecer o controle populacional e enriquecer a complexidade das 
redes alimentares, resultando em maior fluxo de energia e ciclagem de nutrientes. Tanto 
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as sucessões ecológicas primárias quanto as secundárias exemplificam a restauração 
ecológica natural (MILLER; SPOOLMAN, 2015). 
Segundo Stein (2017) diferentes espécies irão colonizar a área em momentos 
distintos, e essas espécies podem ser categorizadas em: 
• Espécies pioneiras- Um exemplo notável envolve árvores que dependem da 
abertura de clareiras para sua colonização, pois germinam apenas na presença 
de luz solar direta e necessitam dela para seu desenvolvimento — suas sementes 
podem permanecer inativas no solo por longos períodos. Essas espécies, 
denominadas pioneiras, à medida que crescem e fecham o dossel, são sucedidas 
por outras espécies capazes de germinar, estabelecer-se e prosperar em condições 
sombreadas, embora permaneçam no banco de sementes (SAMPAIO et al. 2021). 
ANOTE ISSO
O dossel pode ser localizado a vários metros de altura, sendo o resultado da 
sobreposição dos galhos e folhas das árvores. Em florestas tropicais, a maior parte 
da vida é observada nas próprias árvores, tornando o dossel o habitat mais rico em 
termos de fauna e flora (STEIN, 2017).
Um exemplo de espécies pioneiras utilizada para a recuperação de áreas 
degradadas é o pau pólvora, árvore neotropical de porte pequeno a médio, é 
encontrada em locais bem drenados, sem ser submetida a condições de seca 
extrema. Sua característica pioneira é mais evidente em ecossistemas não 
degradados, como florestas ou capoeiras. Em clareiras recentemente formadas, a 
germinação das sementes do banco de sementes ou provenientes da última chuva 
resulta na formação de povoamentos densos (CARPANEZZI et al. 1990). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo conduzido por Barbosa e colaboradores (2003) avaliou o crescimento 
de duas espécies florestais pioneiras, o pau-de-balsa (Ochroma lagopus Sw.) e 
caroba (Jacaranda copaia D. Don) para a recuperação de áreas degradadas pela 
agricultura. Os pesquisadores observaram que a sobrevivência da espécie pau-de-
balsa (Figura 5) foi mais elevada em uma área gradeada (97,1%) em comparação 
com uma área não gradeada (92,5%) no primeiro ano após o plantio. No caso da 
caroba, a sobrevivência foi de aproximadamente 90%, sem diferenças significativas 
entre as áreas. O que sugere que as espécies selecionadas são capazes de serem 
utilizadas para a recuperação de ambientes impactos pelas atividades agrícolas. 
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Figura 5: Pau-de-balsa
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/4884393198/579a713c6e/
• Espécies secundárias- Também conhecidas como oportunistas de clareira, 
essas espécies possuem sementes geralmente aladas e de curta longevidade 
natural, necessitando de períodos secos para sua dispersão anemocórica 
(disseminação de sementes de uma planta pela ação dos ventos); no entanto, 
também podem apresentar dispersão zoocórica (dispersão de sementes por 
animais). As sementes não exibem dormência e têm a capacidade de germinar à 
sombra da mata, frequentemente formando um banco de plântulas sob o dossel. 
As plântulas recém-germinadas possuem poucas reservas e seu desenvolvimento 
é estimulado com o surgimento de clareiras (STEIN, 2017). Ressalta-se que 
o grupo é subdividido em Secundárias Iniciais (crescimento rápido e ciclo 
relativamente curto) e Secundárias Tardias (crescimento médio e ciclo longo). 
Constituem o estágio intermediário da sucessão vegetal, desenvolvendo-se depois 
do estabelecimento das espécies pioneiras (EMBRAPA, 2023). Um exemplar de 
espécie secundária é o angico branco (Figura 6). 
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Figura 6: Angico branco
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/6213751911/37a4c3b5e0/
• Espécies climácicas: Quando um ambiente alcança uma condição de estabilidade, 
com uma grande quantidade de nutrientes e todas as condições e recursos ideais, 
e uma fauna já associada ao local, outras espécies muito mais exigentes, com 
ciclo de vida longo e melhores competidoras, se estabelecem – as espécies 
clímax. Elas dependem da umidade no solo e também de uma ampla gama de 
nutrientes para que suas sementes germinem (STEIN, 2017). Um exemplo de 
espécie climática é o jatobá (Figura 7).
Figura 7: Jatobá 
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/4682147450/ae065fb77b/
https://visualhunt.com/f7/photo/6213751911/37a4c3b5e0/
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Para facilitar a compreensão das diferentes espécies que fazem parte da sucessão 
ecológica a Tabela 1, apresenta as característica de forma resumida das espécies 
pioneiras, secundárias e climácicas.Característica
Espécie 
pioneira
Espécie 
secundária
Espécie 
secundária tardia
Espécie 
climácica
Crescimento Muito rápido Rápido Médio Lento
Madeira Muito leve leve Mediamente dura Dura e pesada
Tolerância à 
sombra 
Muito 
intolerante
Intolerante
Tolerante no 
estágio juvenil
Tolerante
Regeneração
Banco de 
sementes
Banco de 
plântulas*
Banco de 
plântulas*
Banco de 
plântulas*
Dispersão das 
sementes
Ampla com 
grandes 
distâncias
Restrita
Principalmente 
pelo vento
Ampla
Tamanho das 
sementes e frutos 
dispensados
Pequeno Médio 
Pequeno a médio, 
mas sempre leve
Grande e pesado
Dormência das 
sementes
Induzida Sem Sem Inata
Idade da 1ª 
reprodução
Prematura (1 a 
5 anos)
Intermediária (5 a 
10 anos)
Relativamente 
tardia (10 a 20 
anos)
Tardia (>20 anos)
Dependência a 
polinizadores 
específicos
Baixa Alta Alta Alta
Tempo de vida Muito curto
Curto (10 a 25 
anos)
Longo (25 a 100 
anos)
Muito longo 
(>100 anos)
* Plântulas são plantas em estágio inicial de desenvolvimento, após a germinação da semente e antes de atingirem a fase adulta.
Tabela 1: Característica das espécies pioneiras, secundárias e climácicas. 
Fonte: Ferretti et al. (1995) apud Carpanezzi (1998).
Ressalta-se que é fundamental ter a habilidade de reconhecer as distintas etapas 
da sucessão ecológica, pois essas fases têm implicações diretas no desenvolvimento 
do Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) (STEIN, 2017).
Ao longo deste capítulo, exploramos as espécies vegetais utilizadas na recuperação 
de áreas degradadas, compreendendo desde a seleção criteriosa dessas plantas até a 
importância de considerando todas as etapas que envolvem o conceito de planta alvo. 
Além disso, a compreensão das diferentes fases da sucessão ecológica é essencial 
RECUPERAÇÃO DE 
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para orientar o processo de recuperação de forma eficiente. Ao encerrar este capítulo, 
reiteramos a complexidade e a relevância dessas decisões no contexto da recuperação 
de áreas degradadas, destacando a necessidade contínua de abordagens sustentáveis 
e ecologicamente conscientes para restaurar e preservar os ecossistemas.
RECUPERAÇÃO DE 
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CAPÍTULO 11
O MONITORAMENTO AMBIENTAL 
E A GESTÃO AMBIENTAL COMO 
ALIADOS NA RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
Neste capítulo, você irá aprender sobre a relevância do monitoramento ambiental e 
a gestão ambiental, destacando como esses componentes são correlacionados para 
promover a restauração e recuperação ambiental. 
11.1 Monitoramento ambiental
O monitoramento ambiental envolve a observação e o estudo do ambiente. A partir 
do monitoramento ambiental é possível recolher informações do ambiente e derivar 
conhecimento (ARTIOLA et al. 2004). Com base no panorama do ambiente podemos 
fornecer subsídios para a tomada de decisão de gestores ambientais que devem considerar 
não somente o ambiente, mas, as esferas sociais e econômicas para a deliberação das 
próximas ações que serão tomadas (ARTIOLA et al. 2004). Ressalta-se que o monitoramento 
ambiental pode servir como fornecer aporte para outras pesquisas. 
Por conta do aumento populacional e das atividades industriais o monitoramento 
ambiental tornou-se cada vez mais necessário e crítico. É atráves do monitoramento 
ambiental que os pesquisadores consequem detectar a ocorrência de produtos químicos 
como os pesticidas em diferentes compartimentos ambientais em todo o mundo (ARTIOLA 
et al. 2004). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo conduzido por Caldas e colaboradores (2019) avaliou as amostras de 
água potável e superficiais da região Sul do Brasil em um período de 4 anos. Através 
das análises foi possível detectar 30 compostos, sendo 22 pesticidas e 8 produtos 
farmacêuticos e de higiene pessoal. Uma das descobertas desses pesquisadores 
nesse estudo é que o pesticida atrazina estava presente em mais de 50% das 
amostras de água analisadas, incluindo a água potável. Os pesquisadores alertam 
para os resíduos dessas substâncias no ambiente e seus potenciais riscos para a 
saúde humana e ambiental. 
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Cabe destacar que o monitoramento ambiental é uma abordagem ampla e 
multidisciplinar, que envolve profissionais de diferentes áreas como biólogos, físicos, 
químicos, ecológos, matemáticos, estatísticos, entre outros (ARTIOLA et al. 2004). 
Segundo Artiola e colaboradores (2004) o monitoramento ambiental, pode auxiliar, 
por exemplo, nos seguintes aspectos:
Proteção e garantia da qualidade da água destinada ao abastecimento público- o 
monitoramento de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos da qualidade da 
água de fontes subterrâneas ou superficiais (Figura 1), detecção de fontes de poluição 
hídrica, tratamento de resíduos e disposição para o ambiente. 
Figura 1- Monitoramento ambiental da água potável
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/copo-de-bebida-transparente-cheio-de-agua-928854/
• Gerenciamento de resíduos perigosos ou não e radioativos: envolve o descarte 
e possíveis danos desses tipo de resíduo para a saúde pública e ambiental. 
• Qualidade do ar: detecção das fontes de poluição, transporte e os prejuízos para 
a saúde humana e ambiental. 
• Proteção dos recursos naturais: envolve o abastecimento públido da água, 
degradação da qualidade dos solos e terra, segurança alimentar, entre outros.
• Mudanças climáticas: estratégias para o controle e mitigação da poluição 
ambiental que estão associados ao clima e a saúde pública.
https://www.pexels.com/pt-br/foto/copo-de-bebida-transparente-cheio-de-agua-928854/
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• Previsão do tempo (Figura 2): medições que auxiliam na antecipação das 
condições climáticas, previsão das mudanças climáticas e suas implicações 
como inundações, secas, furacões, ciclones, entre outros. 
Figura 2: Ciclone, uma exemplificação do que é possível prever através do monitoramento ambiental. 
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/tufao-i9w4Uy1pU-s
• Ameaça a biodiversidade: descrição de novas espécies, levantamento de espécies, 
programas de conservação e proteção. O monitoramento ambiental, auxilia na 
detecção de espécies ameaças, alguns exemplos de espécies ameaçadas no 
Brasil estão descritos no captílo 2, que trata sobre os biomas brasileiros. 
Além disso, o monitoramento ambiental tem sido empregado no Brasil e em 
outros países para rastrear e atuar em formar de controle de espécies exóticas. 
Além dos organismos já mencionados em outros capítulos que são invasores 
da fauna brasileira, como o javali, o mexilhão dourado e o peixe leão, destaca-
se também o coral sol. O coral sol é uma espécie nativa do Oceano Pacífico 
(CAIRNS, 2000). No entanto, esse coral azooxantelado passou a ser classificado 
como uma espécie de distribuição global devido à sua disseminação em todo 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/tufao-i9w4Uy1pU-s
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o mundo por meio de bioincrustações em plataformas petrolíferas e cascos 
de navios (FENNER; BANKS, 2004). No Brasil, esse organismo é considerado 
de alta prioridade no alvo de ações de prevenção, controle e Monitoramento 
pelos órgão ambientais, já que apresentam um alto potencial de pretação 
e alteração do meio, competem com espécies nativas, além de reduzir os 
recursos para as espécies locais e como consequência colocam em risco a 
biodiversidade dos ecossistemas (IBAMA, 2018). O monitoramento, mapeamento 
e remoção mecânica desses organismos são realizadas em algumas Unidades 
de Conservação no Brasil, sendo elas: a Estação Ecológica de Tamoios, Baía da 
Ilha Grande (RJ); Estação Ecológica Tupinambás, localizada entre os municípios 
de SãoSebastião e Ubatuba (SP); e a Reserva Biológica do Arvoredo, localizada 
entre os municípios de Florianópolis e Bombinhas (SC) (IBAMA, 2018). Além da 
remoção manual, algumas pesquisas tem como objetivo a busca por métodos 
alteranativos de controle, incluindo o uso de compostos químicos como por 
exemplo a aplicação de de biocida a base de substâncias naturais em larvas 
desse organismo (COSTA et al. 2022). 
Figura 3: Coral Sol
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/28511732441/91b6b71027/
Um outro fator importante quando se trata de monitoramento ambiental e a fauna, 
é o uso de bioindicadores. Você se recorda que tratamos sobre isso no capítulo 4, que 
refere-se a indicadores da qualidade dos solos ? Mas, além da qualidade dos solos, 
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outros organismos podem ser utilizados para a indicar a qualidade hídrica e serem 
bons aliados no monitoramento ambiental. 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
No Brasil, o mexihão Perna perna tem sido empregado em muitos estudos de 
monitoramento ambiental. Um exemplo, é o estudo conduzido por Avelar et al. 
2000, que usou essa espécie de mexilhão para demonstrar a contaminação de 
diferentes metais como chumbo e cromo na Baía de Ubatuba em São Paulo. 
Diversas instituições governamentais, empresas e entidades privadas participam da 
coleta, armazenamento e avaliação de dados ambientais (ARTIOLA et al. 2004). No Brasil, 
algumas agências públicas e privadas realizam o monitoramento ambiental, como por 
exemplo:
• Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)- 
O IBAMA é uma autarquia federal que tem inúmeras atribuições, sendo uma delas 
o monitoramento ambiental, sobretudo no contexto da prevenção e controle de 
desmatamento, incêndios florestais e queimadas (IBAMA, 2018). No site do IBAMA 
é possível ter acesso a dados de monitoramento da Amazônia, dos estudos de 
levantamento de desmatamento dos diferentes biomas brasileiros, entre outros. 
• Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)- O INPE tem como enfoque a 
formação de pesquisas científicas e tecnológicas espaciais no Brasil. Uma das 
áreas de atuação é o monitoramento ambiental através de sensoriamento remoto e 
geoprocessamento (INPE, 2023). O INPE fornece dados importantes como a previsão 
do clima e do tempo, dados sobre desmatamento e queimadas em diferentes biomas, 
entre outros. 
• Agência Nacional de Águas e Saneamento básico (ANA)- A ANA tem como propósito 
atender o que está disposto nas diretrizes de legislação das águas do Brasil. Uma 
das frentres da ANA é o monitoramento ambiental, voltada para a situação dos 
recursos hídricos. Essa autarquia ferederal é responsável pela coordenadação da 
Rede Hidrometerológica Nacional que detem dados com o auxílio dos estados e 
outros informações importantes como vazão, sedimentos dos rios, precipitação, 
entre outros (ANA, 2023). 
• Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)- O ICMBio tem 
como enfoque, administrar, salvaguardar, supervisionar e acompanhar as unidades 
de conservação criadas pelo governo federal (ICMBIO, 2023). O ICMBio tem alguns 
projetos de monitoramento ambiental que engloba o ambiente terrestre, aquático 
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continental e marinho e costeiro. Destaca-se também o monitoramento ambiental 
de espécies ameaçadas e exótica nesses diferentes ambientes.
• Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)- A Embrapa é uma 
empresa pública associada a Ministério da Agricultura e Pecuária, que tem como 
enfoque pesquisas agropecuárias, produção sustentável, entre outros (EMBRAPA, 
2023). A Embrapa disponibiliza dados de sensoriamento remoto usados no setor 
agrícola e ambiental. 
• ONGs e Institutos de Pesquisa: Além dos órgãos ambientais supracitados, 
instuições não governamentais, Universidades e Instuições de pesquisa realizam 
monitoramento ambiental nas cinco regiões do Brasil, envolvendo diferentes estudos 
de monitoramento ambiental como de conservação e preservação da biodiversidade, 
qualidade dos diferentes compartimentos ambientais, dentre outros. 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O projeto o Projeto Hippocampus, é uma exemplificação de uma instuição não 
governamental que é formado por uma parceria ente diferentes Universidades, 
órgãos ambiebtais de diferentes esferar em prol da conservação, monitoramento de 
cavalos-marinhos (Figura 4), bem como na atuação da educação ambiental para a 
promoção da preservação desse organismo (PROJETO HIPPOCAMPUS, 2023). 
Figura 4: Cavalo- marinho
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-natureza-embaixo-da-agua-8887695/
https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-natureza-embaixo-da-agua-8887695/
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Para fechar esse tópico é importante que compreenda que no contexto de recuperação 
de áreas degradadas, o monitoramento abiental pode ser uma importante ferramenta 
para a avaliação dos parâmetros ambientais como a qualidade da água e do solo, 
no controle de processos erosivos, no levantamento da fauna e da flora, nas formas 
de mitigação e controle da poluição e na participação social. No que se refere ao 
envolvimento social, é importante destacar os projetos de ciência cidadã que podem 
ser mais um facilitador no monitoramento ambiental. A ciência cidadã envolve uma 
colaboração entre o público leigo e cientistas na coleta de dados para o desenvolvimento 
de estudos científicos. Isso amplia o envolvimento do público na gestão ambiental, 
permitindo que qualquer pessoa, em qualquer lugar, compartilhe informações por 
meio da internet, usando aplicativos e dispositivos móveis. Esta abordagem oferece 
uma maneira eficaz de gerar uma grande quantidade de dados com um investimento 
relativamente baixo (SIBBr).
ISTO ESTÁ NA REDE
No site do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) tem 
diversos projetos que utilizam a ciência cidadã como uma forma de monitoramento 
ambiental e engajamento social. 
11.2 Gestão ambiental 
A gestão ambiental é uma ciência que envolve a administração das atividades 
socioeconômicas de forma a usar de forma consciente e racional os recursos naturais sejam 
eles renováveis ou não para a garantia da sustentabilidade (BARSANO; BARBOSA, 2014). 
ANOTE ISSO
O desenvolvimento sustentável é definido como: “ aquele que atende às 
necessidades do presente, sem comprometer as possibilidades de as gerações 
futuras atenderem às suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE 
MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1988). 
Destaca-se que o desenvolvimento sustentável é pautado em mais dos pilares além 
da esfera ambiental, o aspecto social e o econôminco. Esses pilares são conhecidos 
como o “tripé da sustentabilidade” (Figura 5). 
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Figura 5: Tripé da sustentabilidade
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
Retomando a gestão ambiental, é importante frisar que essa ciência tem tem como 
foco a preservação do ambiente, a reciclagem das matérias primas e minimização 
do impacto de atividades antrópicas no ambiente (BARSANO; BARBOSA, 2014). No 
capítulo 13, você terá informações mais detalhadas sobre impactos ambientais!
A gestão ambiental é de suma importância já que faz parte dessa abordagem, por 
exemplo, o uso de técnicas de reflorestamento, utilização sustentável dos recursos 
naturais, métodos para recuperação de áreas degradadas, estudos de riscos e impactos 
de atividades ou serviços e reaproveitamento do que chamamos de resíduos inservivéis 
(Figura 6) (como pneus, pilhas, etc) (BARSANO; BARBOSA, 2014).
Figura 6: Pilha, exemplo de resíduo inservivéis 
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-close-up-de-baterias-698485/
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Você sabia que no Brasil existem legislações e programas de logística reversa? A 
logística reversa é um instrumento socioeconômico que viabiliza o recolhimento 
para que o resíduo seja reaproveitado nos processos produtivos ou que tenha uma 
destinação final adequada em termos ambientais. A logística reversa apresenta uma 
responsabilidade compartilhada desde o fabricante até o consumidor final (SINIR, 
2023).
Figura 7: Esquema que representa o ciclo da logística reversa
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
O Brasil conta com o sistema de logística reversa para pneus, pilhas e baterias, 
óleos, lubrificantes, eletrodomésticos, agrotóxicos (envolvendo os seus resíduos e 
embalagens), entre outros. 
ISTO ESTÁ NA REDE
No site do O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos 
Sólidos (Sinir) é possível ter mais informações sobre os produtos que apresentam 
logística reversa e ter acesso a dados da eficiência da implementação desse 
instrumento. 
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Destaca-se ainda que a gestão ambiental associada ao planejamento aplicada no 
meio empresarial raz o aspecto do que os autores chamam de “valoração ambiental”, o 
que pode conferir as empresas alguns certificados voltados para a garantia da qualidade 
ambiental, como a série ISO 14000, que refere-se a um Sistema de Gestão Ambiental 
(SGA). Quando as ações do planejamento são feitas de forma exitosa, é possível por 
exemplo, reduzir custos diretos como o desperdício de fontes de matéria-prima e os 
gastos indiretos que envolvem por exemplo, os impactos à saúde de profissionais do 
etorno de uma indústria (BARSANO; BARBOSA, 2014).
No contexto da recuperação de áreas degradadas, a gestão ambiental está associada 
a outras abordagens como o planejamento de ações para a recuperação e restauração 
do ambiente, incluindo metas, prazos e gestão financeira dos projetos. Além disso, 
está alinhado com o cumprimento das legislações ambientais que você verá de forma 
mais detalhada no capítulo 12. Essa ciência também irá auxiliar na tomada de decisão 
das ações de mitigação com base na avaliação de danos e impactos ambientais, bem 
como no monitoramento ambiental que já foi previamente mencionado no tópico 
anterior! A gestão ambiental também está relacionada com ações de engajamento e 
participação social e a sensibilização pública atráves da educação ambiental. 
RECUPERAÇÃO DE 
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CAPÍTULO 12
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
Neste capítulo, você explorará normativas e princípios ambientais de grande 
relevância que estão relacionadas com a recuperação de áreas degradadas. As 
regulamentações ambientais são essenciais para a proteção ambiental e para a garantia 
do desenvolvimento susntentável. 
12.1 Leis que regem o ambiente
De acordo com especialistas em direito ambiental, a legislação ambiental brasileira 
é frequentemente reconhecida como uma das mais abrangentes e significativas em 
escala mundial (ALMEIDA, 2016). 
O direito ambiental envolve a análise dos dispositivos legais que visam à proteção 
do meio ambiente e à regulação da interação humana com a natureza. Ele estabelece 
princípios de conduta alinhados com as políticas ambientais nacionais, especialmente a 
Política Nacional do Meio Ambiente, e se baseia em diversas áreas do direito, incluindo 
o direito administrativo, o direito civil, o direito penal, o direito processual e o direito 
do trabalho (BARSANO et al. 2014). 
A compreensão da legislação ambiental relacionada à recuperação de áreas 
degradadas é amplamente reconhecida como um aspecto crucial para os profissionais 
que atuam nesse campo e que estão envolvidos na elaboração de projetos. Isso 
ocorre devido à existência de regulamentos legais que estabelecem as diretrizes para 
a apresentação de projetos, bem como os requisitos técnicos mínimos que devem 
ser atendidos em cada projeto específico (ALMEIDA, 2016). 
Cabe destacar que as leis e normativas ambientais tem apresentado uma evolução 
com o passar do tempo, um exemplo é a obrigatoriedade disposta nas leis de recuperação 
de áreas impactadas pela mineração (ALMEIDA, 2016). 
Antes de antertramos nessas legislações, é importante que você saiba que além 
das normativas é importante o processo de fiscalização e controle do cumprimento 
dessas leis. 
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo conduzido por Schmitt (2015) analisou a eficácia da fiscalização e controle 
do desmatamento irregular na Amazônia legal (Figura 1). O estudo aponta que mesmo 
com as estratégias adotadas pelo governo brasileiro para conter tais atividades, a 
eficácia da fiscalização é prejudicada por vários desafios, como a detecção tardia da 
maioria dos desmatamentos, resultando em punições insuficientes. Além disso, as 
sanções administrativas têm um impacto limitado devido à discrepância com os lucros 
da pecuária, que é o principal motor do desmatamento. 
Figura 1: Amazônia
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/48683121103/e5919e39fb/
ANOTE ISSO
A Amazônia Legal engloba os estados localizados na Bacia Amazônica, agrupando-
os com base em características comuns, como aspectos ambientais, sociais, 
políticos e econômicos, a fim de promover o planejamento do desenvolvimento 
sustentável e a preservação ambiental. Esta área compreende os estados do Acre, 
Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e parte dos estados de Mato Grosso, 
Tocantins e Maranhão (BARSANO et al. 2014). 
Retomando as legislações, é importante que você saiba que as atividades e serviços 
que necessitam de licenciamento ambiental, precisam cumprir as normativas 
referentes, bem com ações de controle e mitigação dos impactos negativos 
(ALMEIDA, 2016). No capítulo 13, você irá aprender de forma mais detalhada sobre 
os aspectos que envolvem o licenciamento ambiental. Outro aspecto importante 
no contexto da legislação ambiental , é a participação social como fonte de 
responsabilizar os empreendimentos geradores de danos ambientais e auxiliar na 
efetivação de planos de recuperação ou restauração (ALMEIDA, 2016).
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Dentro das inúmeras legislações que regem o ambiente, destacam-se: 
• Constituição Federal de 1988 - No seu artigo 225 é exposto que “Todos têm direito ao 
meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial 
à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever 
de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.” (BRASIL, 1988). 
Além disso, descrever as formas de garantia de efetividade de tal direito. 
• Política Nacional do Meio Ambiente- Lei nº 6.938, de 31 de agosto 1981- 
“Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos 
de formulação e aplicação, e dá outras providências” (BRASIL, 1981). Uma 
lei de grande relevância no campo ambiental estipula que o responsável por 
poluição é legalmente obrigado a compensar os danos ao meio ambiente, 
independentemente de haver culpa. Além disso, essa lei introduziu os Estudos 
de Impacto Ambiental e seus correspondentes Relatórios de Impacto Ambiental 
(EIA/RIMA), que foram regulamentados em 1986 por meio da Resolução 001/86 
do Conama (BARSANO et al. 2014). 
• Lei Federal 7.347/85- “Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por 
danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor 
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e dá outras providências” 
(BRASIL, 1985).Estabelece mecanismos para facilitar a restauração de áreas 
degradadas, envolvendo a criação de um fundo dedicado e a realização de 
processos de licitação para a contratação deempresas responsáveis pela 
recuperação dessas áreas degradadas (ALMEIDA, 2016). 
• Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA): O CONAMA 
dispõe de leis que determinam, a qualidade hídrica, do ar, as questões que 
envolvem o licenciamento ambiental. Algumas resoluções estão diretamente 
associadas a recuperação de áreas degradadas, a Resolução CONAMA n. 
001/86, por exemplo, define diretrizes gerais e critérios fundamentais para a 
realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e a elaboração do Relatório 
de Impacto Ambiental (RIMA) (ALMEIDA, 2016). Já a Resolução CONAMA 
387/06, de 27/12/2006 apresenta os aspectos obrigatórios do licenciamento 
nos assentamentos rurais (ALMEIDA, 2016).
• Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997- “Institui a Política Nacional de Recursos 
Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos” 
(BRASIL, 1997). 
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• Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000: institui o Sistema Nacional de Unidades de 
Conservação da Natureza e dá outras providências. É importante salientar que 
nessa normativa são apresentados, por exemplo os conceitos de recuperação, 
restauração, manejo e preservação. 
• Decreto-Lei n° 97.632/89- Instituiu o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas 
(PRAD), para áreas áreas afetadas por atividades de mineração (Figura 2) através 
de medidas preventiva ou corretiva (ALMEIDA, 2016).
Figura 2: Atividade de mineiração
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavacao-de-mineracao-em-uma-montanha-2892618/
• Lei Federal n. 9.605, de fevereiro de 1998- Dispõe sobre as sanções penais e 
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e 
dá outras providências (BRASIL, 1998). Essa é conhecida como a legislação que 
trata de dos crimes, permitindo a instauração de ações e processos criminais 
relacionados a infrações contra o meio ambiente. Nessa lei, estão previstas 
sanções que incluem a realização de serviços comunitários, a suspensão 
temporária de direitos, a interrupção parcial ou completa de atividades, a 
imposição de multas e o recolhimento domiciliar (ALMEIDA, 2016).
Você sabia que o ato de pichação (Figura 3) de monumentos urbanos é considerado 
um crime ambiental ?
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Figura 3: Pichação 
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/4085797473/b0b4d3ce3a/
• Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967- Dispõe sobre a proteção à fauna e dá 
outras providências. Essa legislação, por exemplo abrange a proibição da caça 
profissional, do comércio de animais silvestres (Figura 4). 
Figura 4: Exemplo de fauna silvestre
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-passaro-ave-18819168/
https://visualhunt.com/f7/photo/4085797473/b0b4d3ce3a/
https://www.pexels.com/pt-br/foto/animal-bicho-passaro-ave-18819168/
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• Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989- Estabeleceu a criação do Instituto 
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que 
incorporou a Secretaria Especial do Meio Ambiente, que anteriormente estava 
sob a jurisdição do Ministério do Interior, bem como as agências federais 
relacionadas à pesca, desenvolvimento florestal e borracha. Esse órgão tem a 
responsabilidade de executar e garantir a execução da Política Nacional do Meio 
Ambiente, desempenhando um papel na conservação, fiscalização, controle e 
promoção do uso sustentável dos recursos naturais. Atualmente, o órgão está 
subordinado ao Ministério do Meio Ambiente (BARSANO et al. 2014). 
• Decreto n. 3.420, de abril de 2000- Dispõe sobre a criação do Programa Nacional 
de Florestas - PNF, e dá outras providências. O PNF constituiu projetos que são 
desenvolvidos e efetuados de forma colaborativa a nível federeal até municipal 
abrangendo também a participação social (BRASIL,2000). 
• Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010- Política Nacional de Resíduos Sólidos 
(PNRS)- A gestão de resíduos sólidos faz parte da Política Nacional do Meio 
Ambiente e engloba princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações 
que são adotados, seja de forma independente ou em colaboração com entidades 
governamentais ou particulares. Seu propósito é promover a gestão integrada 
e o manejo ambientalmente responsável dos resíduos sólidos (Figura 4). Essa 
legislação provavelmente é a mais conhecida pela população, já que as temáticas 
que envolvem os resíduso sólidos, como reciclagem, coleta seletiva e logística 
reversa tem sempre destaque na mídia (BARSANO et al. 2014). 
Figura 4: Resíduos sólidos
Fonte: https://farm6.static.flickr.com/5005/5214867366_0436caeab2_c.jpg
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• Lei n° 7.347/85- Lei de Ação Civil Pública- Disciplina a ação civil pública de 
responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a 
bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e dá 
outras providências. O uso desse legislação visa promover interesses coletivos 
ou individuais homogêneos, resultando no benefício geral de uma comunidade 
específica, não se justificando a sua utilização para a defesa de interesses 
privados (BARSANO et al. 2014). 
• Lei Federal n. 11.428, de dezembro de 2006- Dispõe sobre a utilização e 
proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica (Figura 4), e dá outras 
providências. Esta legislação define as medidas compensatórias aplicadas nos 
casos de remoção de vegetação secundária em estágios avançados e médios 
de regeneração. Nesses cenários, a recuperação deve ocorrer em uma área 
equivalente àquela impactada pelo empreendimento, mantendo as mesmas 
características ecológicas, dentro da mesma bacia hidrográfica e, sempre que 
viável, na mesma microbacia hidrográfica (ALMEIDA, 2016).
Figura 4: Mata atlântica
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/53076358002/acfe6b2a5f/
• Instrução normativa n. 4, de 13 de abril de 2011- Estabelece diretrizes para a 
elaboração de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) ou Áreas 
Alteradas. Essa instrução inclui Termos de Referência como anexos e diferencia 
https://visualhunt.com/f7/photo/53076358002/acfe6b2a5f/
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dois tipos de PRAD (PRAD convencional e PRAD simplificado), aplicando-os de 
acordo com as circunstâncias especificadas na norma (ALMEIDA, 2016). Mais 
informações sobre o PRAD serão expostas no capítulo 13. 
• Lei Federal nº 12.651/12- popularmente conhecida como o Novo Código Florestal, 
estipula a recomposição gradual das áreas de reserva legal e a recuperação 
das áreas de preservação permanente, considerando diferentes categorias de 
tamanho de propriedades rurais, conforme as normativas vigentes (ALMEIDA, 
2016). Além disso, o documento estabelece diretrizes abrangentes relativas à 
proteção da vegetação, áreas de preservação permanente, áreas de reserva legal, 
exploração florestal, suprimento de matéria-prima florestal, controle de origem 
de produtos florestais e prevenção de incêndios florestais. Também incorpora 
instrumentos econômicos e financeiros para alcançar seus objetivos, como 
evidenciado pelos seus 84 artigos (BARSANO et al. 2014). Nesse contexto é 
importante que você conheça as seguintes definições: 
• A Área de Preservação Permanente (APP) é uma região protegida com o 
propósito ambiental de conservar os recursos hídricos (Figura 5), a paisagem, 
a estabilidade geológica, a fauna e a flora, bem como de preservar o solo 
e garantir o bem-estar das comunidades humanas, juntamente com todos 
os ecossistemas (BARSANO et al. 2014).
Figura 5: Manguezal, um tipo de ecossitêma considerado Área de Preservação Permanente
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/galho-de-arvore-marrom-na-agua-1CiE1x4dHIYhttps://unsplash.com/pt-br/fotografias/galho-de-arvore-marrom-na-agua-1CiE1x4dHIY
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• Reserva Legal: é uma área situada dentro de uma propriedade ou posse rural, cujo 
propósito é garantir a exploração econômica sustentável dos recursos naturais 
presentes, apoiar a conservação e a restauração dos processos ecológicos, bem 
como fomentar a preservação da biodiversidade, abrangendo tanto a fauna 
silvestre quanto a flora nativa (BARSANO et al. 2014).
12.2 Princípios do direito ambiental 
Os princípios do direito ambiental são fundamentos jurídicos que auxiliam na 
orientação da aplicação e cumprimento das leis e normativas ambientais. Como os 
exemplos listados a seguir: 
• Princípio do ambiente ecologicamente equilibrado: Presente no art 225 da 
Constituição Federal, conforme já descrito no tópico anterior “Todos têm direito 
ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e 
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade 
o dever de preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” (BRASIL, 1988). 
• Princípio da precaução: O princípio da precaução implica a antecipação de 
medidas para proteger o meio ambiente, assegurando a preservação de seus 
recursos para as gerações futuras. Isso envolve a proteção da saúde e da 
qualidade de vida das pessoas e dos ecossistemas, relacionando-o a princípios 
como justiça, equidade, respeito, senso comum e prevenção (BARSANO et al. 
2014).
• Princípio da prevenção: Embora os conceitos de precaução e prevenção 
compartilhem semelhanças, a precaução se baseia em especulações 
fundamentadas, uma vez que as consequências dos impactos no meio ambiente 
são incertas. Em contraste, o princípio da prevenção se fundamenta na lógica 
científica dos fatos e probabilidades, considerando um nexo causal real dos 
riscos (BARSANO et al. 2014).
• Princípio do poluidor-pagador: Esse princípio se fundamenta na ideia de que 
aqueles que causam danos ao meio ambiente, como desmatamento, poluição 
das águas, queimadas (Figura 6), dispersão de resíduos tóxicos e outras formas 
de degradação, devem ser responsáveis pela reparação dos danos. Esses danos 
podem resultar em perdas ambientais, sociais e econômicas significativas. 
Portanto, simplesmente pagar uma multa não é suficiente; o poluidor deve 
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assumir todo o ônus financeiro decorrente das consequências de suas atividades 
no ambiente natural e no ambiente artificial (BARSANO et al. 2014).
• Princípio do usuário-pagador: Enquanto o princípio do poluidor-pagador tem 
um foco punitivo, o princípio do usuário-pagador se concentra no pagamento 
pela utilização dos recursos naturais, conforme definido na Lei nº 6.938/81 
(BARSANO et al. 2014).
Figura 6: Queimadas no ambiente
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/20904271034/382de4d99c/
• Princípio da participação comunitária: No contexto do pacto social entre o 
Estado e a sociedade civil, surge a obrigação coletiva de proteger e promover o 
meio ambiente. Todo pacto social envolve direitos e deveres que só podem ser 
mantidos através da participação ativa de todos os interessados. No princípio 
da participação comunitária, o poder público disponibiliza várias ferramentas 
para o envolvimento da comunidade, como audiências públicas, programas de 
educação ambiental e outros mecanismos relacionados à gestão ambiental 
(BARSANO et al. 2014).
• Princípio do desenvolvimento sustentável: A proteção do meio ambiente não 
busca ser um empecilho ao desenvolvimento econômico ou ao acesso aos 
benefícios proporcionados pelos recursos naturais, mas sim demonstrar que, 
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por meio de medidas apropriadas, é viável assegurar a preservação desse legado 
para as gerações futuras (BARSANO et al. 2014).
• Princípio da cooperação entre os povos: A participação e cooperação não 
são esforços individuais, mas requerem o envolvimento conjunto de entidades, 
incluindo órgãos ambientais, entidades governamentais, empresas e a sociedade 
civil. Isso decorre da tutela ambiental assegurada pela Constituição, que se 
origina da vontade popular, exigindo que a sociedade assuma suas obrigações 
na proteção do meio ambiente e na promoção do desenvolvimento sustentável 
(BARSANO et al. 2014).
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CAPÍTULO 13
PLANO DE RECUPERAÇÃO 
DE ÁREAS DEGRADADAS 
E EIA/RIMA
Nesse capítulo vamos tratar de temáticas relevantes para a disciplina recuperação 
de áreas degradadas, o conceito de avaliação de impacto ambiental e sua aplicação, o 
estudo de impacto ambiental, o relatório de impacto ambiental, licenciamento ambiental 
e o plano de recuperação de áreas degradadas. 
13.1 Avaliação de Impacto ambiental
Segundo a ISO 14.001 o conceito de impacto ambiental é definido pelas alterações 
no ambiente, que podem ser positivas ou negativas, que seja consequência integral 
ou parcial, das operações, atividades ou serviços de uma entidade. No Brasil, temos 
uma definição de impacto ambiental presente na Resolução CONAMA 1/1986 que se 
assemelha aos conceitos de poluição ambiental (SÁNCHEZ, 2008). 
Mas, é imporante reforçar que impacto ambiental e poluição são conceitos distintos. 
O impacto como já mencionado previamente pode ser positivo ou negativo e podem 
ser gerados por outros fatores além da poluição. Em contrapartida, a poluição é sempre 
danosa, é uma das causas que levam ao impacto, além disso todo o poluente é capaz 
de gerar impacto (SÁNCHEZ, 2008). 
É estranho associar a palavra impacto principalmente no eixo ambiental a ações 
benéficas. Mas, estudos de impactos ambientais podem implementar estações de 
tratamento de água levando a melhoria desse recurso e como consequência também 
melhores condições de saúde pública e ambiental. (SÁNCHEZ, 2008). A recuperação 
de habitats aquáticos, por exemplo, são também um exemplo de impacto positivo, já 
que favorecem o equilíbrio dos ecossistemas e garantem a manutenção dos serviços 
ecossistêmicos. 
Outro conceito importante dentro da avaliação de impacto ambiental é o aspecto 
ambiental. O aspecto ambiental é definido como a maneira pela qual uma ação humana 
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gera impacto ambiental. Exemplos da correlação entre atividade, aspecto e impacto 
ambiental são apresentados na Tabela 1. 
Atividade Aspecto Impacto
Britagem da rocha Geração de poeira e ruído
Poluição atmosférica e danos a 
saúde dos trabalhadores
Britagem da rocha Risco de acidentes Perda de pessoas 
Britagem da rocha Consumo de energia Uso de recursos naturais
Transporte de carga Liberação de ruídos
Incomodo aos vizinhos/poluição 
sonora
Armazenamento de combustível Vazamento
Contaminação dos solos e de 
águas subterrâneas
Lavagem de roupa Utilização de detergentes
Favorecimento do processo de 
eutrofização
Tabela 1- Relação da atividade, aspecto e impacto ambiental. 
Fonte: Bacci et al. 2006; Sánchez, 2008. 
ANOTE ISSO
Conforme descrito previamente no capítulo 5, a eutrofização (Figura 1) das águas 
implica no aumento de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, resultando no 
crescimento desproporcional de plantas aquáticas, tanto as que flutuam livremente 
quanto as que se fixam em substratos, causando desordem no equilíbrio do 
ecossistema aquático e uma deterioração gradual na qualidade da água em corpos 
d’água parados (FIGUEIRÊDO et al. 2007). 
Figura 1- Exemplo de ambiente eutrofizado. 
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/51186146514/999559159a/
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Retomando as questões desse tópico, a avaliaçãode impacto ambiental é o processo 
de prever as implicações futuras de uma ação atual ou proposta. No Brasil, a Lei nº 
6.938/81 refere-se a Política Nacional do Meio ambiente e abarca a Avaliação de Impactos 
Ambientais (AIA) e tem como propósito a prevenção dos impactos prejudiciais e inserção 
dos impactos positivos. A AIA é um instrumento político que rege o que precisa ser proposto 
no Estudo de Impacto ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto ambiental (RIMA) que são 
fundamentais para a obtenção do licenciamento ambiental (STEIN et al. 2018). 
É importante salientar que a AIA tem as seguintes etapas (SÁNCHEZ, 2008): 
• Apresentação da proposta;
• Triagem
• Determinação do escopo do estudo do impacto ambiental
• Elaboração do estudo de impacto ambiental
• Análise técnica do EIA
• Decisão
• Monitoramento e gestão ambiental
• Acompanhamento
• Documentação
13.2 Licenciamento ambiental e EIA/RIMA
No contexto brasileiro, no art.2 da Política Nacional de Meio Ambiente fica explicito a 
obrigação de EIA/RIMA para as empresas e atividades que podem causar danos ao meio 
ambiente. Estes documentos também são exigidos no licenciamento ambiental (STEIN 
et al. 2018). Ressalta-se que o licenciamento ambiental é considerado uma das mais 
relevantes políticas ambientais, já que tem um embasamento na prevenção de possíveis 
efeitos negativos ao ambiente (SÁNCHEZ, 2018). 
A Resolução CONAMA 237/97 dispõe sobre os diferentes tipos de licenças ambientais, 
conforme verificado na Figura 2. 
Figura 2: Tipos de licença
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir da Resolução CONAMA 237/97.
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O EIA-RIMA devem ser entregues na fase da licença prévia. O Estudo de Impacto 
ambiental compreende de um documento realizado por uma equipe multidisciplinar, 
considerando os fatores socioambientais e biológicos (Figura 3) que tem como objetivo 
analisar e prever todos os possíveis impactos sejam eles positivos ou negativos e 
propor ações para mitigação dos impactos prejudiciais que podem ocorrer no ambiente 
(STEIN et al. 2018).
Figura 3- (A): Representação do meio social; (B) Representação do meio físico e (C) Representação da biodiversidade. 
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/korperfluss-umgeben-von-kleid-cCthPLHmrzI; 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/animal-preto-na-sujeira-marrom-9-XXcfFirQs; https://unsplash.com/pt-br/fotografias/casas-de-concreto-marrom-sob-
nuvens-brancas-durante-o-dia-6vXUbWMcM6Q
As etapas de elaboração do EIA, segundo Stein e colaboradores (2018), envolvem: 
• Termo de referência: Documento que contém o escopo necessário que devem 
conter no EIA/RIMA. O termo de referência é um documento é essencial para 
o desenvolvimento do PRAD, pois nele constam as análises preliminares que 
guiarão o plano. Inclui informações abrangentes sobre o empreendimento e 
seus responsáveis, os danos ambientais causados, as características do meio 
biótico, a metodologia empregada e outros detalhes relevantes (BARBOSA, 2016). 
• Caracterização do empreendimento: Qual a atividade exerce, quais os impactos 
podem ser gerados; 
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/korperfluss-umgeben-von-kleid-cCthPLHmrzI
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/animal-preto-na-sujeira-marrom-9-XXcfFirQs
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/casas-de-concreto-marrom-sob-nuvens-brancas-durante-o-dia-6vXUbWMcM6Q
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/casas-de-concreto-marrom-sob-nuvens-brancas-durante-o-dia-6vXUbWMcM6Q
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• Áreas de influência que podem ser classificadas como: 
• área diretamente afetada: área de implementação da atividade, onde pode 
ser afetada a fauna e o solo, por exemplo.
• área de influência direta: como o próprio nome descreve, são as áreas de 
impacto direto da atividade, incluindo o seu entorno e formas de acesso
• área de influência indireta :uma fábrica por exemplo (Figura 4), pode emitir 
poluentes atmosféricos que podem ser carregados para outras localidades. 
Figura 4: Fábrica
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/fabricas-com-fumaca-sob-ceu-nublado-6xeDIZgoPaw
Retomando as etapas da EIA ainda temos o diagnóstico ambiental, a análise dos 
impactos ambientais e programas voltados para o monitoramento e gestão ambiental. 
Na Resolução Resolução CONAMA 001/86 tem uma lista de atividades que estão 
sujeita a elaboração do EIA/RIMA, que devem ser enviados ao órgão ambiental 
competente, incluindo ferrovias, portos, oleodutos, gasodutos, extração de minérios, 
aterro sanitários, entre outros.
O objetivo do relatório de impacto ambiental é tornar o conteúdo do EIA compreensível 
para o público, uma vez que o EIA é formulado com base em critérios técnicos. Portanto, 
em conformidade com o princípio da divulgação de informações ambientais, o RIMA 
deve apresentar uma representação precisa do estudo, adotando uma linguagem clara 
e de fácil compreensão, evitando excessos de terminologia técnica (STEIN et al. 2018). 
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13.4 Plano de recuperação de áreas degradadas 
Além do EIA/RIMA, outros documentos podem ser requisitados no processo de 
licenciamento ambiental, pelo orgão ambiental competente, incluindo o Relatório 
Ambiental Simplificado (RAS), o Estudo Ambiental Simplificado (EAS), o Plano de Controle 
Ambiental (PCA), o Relatório de Controle Ambiental (RCA), o Plano de Recuperação de 
Áreas Degradadas (PRAD) e uma variedade de outros relatórios e estudos pertinentes 
(STEIN et al. 2018). 
Nesse contexto gostaria de destacar o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas 
(PRAD). O PRAD é um plano ou projeto organizado e sistemático. Este plano reúne 
informações e especificações técnicas dispostas em etapas lógicas, com a finalidade 
de orientar a aplicação de tecnologias na recuperação ambiental de áreas previamente 
degradadas ou perturbadas, visando atingir os resultados desejados (ALMEIDA, 2016). 
 O PRAD foi estabelecido com base na Constituição Federal de 1988 e na Política 
Nacional do Meio Ambiente, solidificando a necessidade de incluir a recuperação de 
áreas degradadas como uma parte essencial do RIMA. Ele age tanto como medida 
preventiva quanto como ferramenta de mitigação em áreas previamente afetadas por 
atividades como mineração (ALMEIDA, 2016). 
No ínicio o PRAD era voltado apenas para atividades de mineradoras, mas a foi 
amplado a partir de 1990 e passou a ser usado como uma condição e medida de ajuste 
para diversas atividades prejudiciais ao meio ambiente. Ela se tornou um componente 
adicional essencial em muitos Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto 
Ambiental, bem como em Termos de Ajuste de Conduta (TAC) acordados entre empresas 
e o Ministério Público. Grande parte das ações de recuperação ambiental, originadas 
dos PRADs, são resultado de regulamentações presentes na legislação ambiental 
brasileira (ALMEIDA, 2016). 
Um PRAD deve abranger em seu escopo não apenas os aspectos ambientais, mas 
também as variáveis sociais que desempenham um papel fundamental no processo 
de recuperação. Isso inclui a consideração dos atores sociais, que compreendem a 
população originalmente afetada pela degradação e a área circundante, bem como 
seus valores e interesses. Além disso, a atividade econômica que estava em vigor 
na área antes da intervenção que causou o impacto ambiental também deve ser 
cuidadosamente analisada e considerada.
Segundo Stein e colaboradores (2017), os principais procedimentos para elaboração 
do PRAD são: 
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• Introdução
• Descrição do Empreendimento 
• Diagnóstico ambiental 
• Abordagem Metodológica e Cronograma.
Mas, esses procedimentos serão melhor descritos a seguir conforme elucidado 
por Almeida (2016):• Parte introdutória- deve conter introdução, objetivos, caracterização da área e 
equipe técnica do PRAD.
• Caracterização do empreendimento ou atividade- dados gerais, licenciamento 
ambiental, localização ou acesso, área que seja impactada pela degradação, mão 
de obra, período de funcionamento, informações sobrea a atividade exploratória. 
Nessa descrição da atividade exploratória deve conter por exemplo, os métodos 
usados para cada processo, atividades de segurança do trabalho, quais formas 
de atuação para evitar processos erosivos, controle de alguns fatores como 
poeiras e ruídos, entre outros. 
• Diagnóstico ambientais- Nessa etapa é importante constar toda a parte de 
identificação dos possíveis impactos ambientais, caracterização dos parâmetros 
físicos e químicos, além de análises biológicas.
ANOTE ISSO
Os resultados das análises das variáveis ambientais medidas em água e no solo 
devem ser equiparadas com as legislações ambientais brasileiras vigente. A 
Resolução CONAMA 357/2005, por exemplo, estabelece limites para inúmeros 
parâmetros físicos, químicos e microbiológicos da qualidade da água superficial. 
Além disso, nessa normativa ambiental define os diferentes enquadramentos dos 
corpos hídricos e os valores obtidos nas análises realizadas devem ser comparadas 
de acordo com a salinidade da amostra. Segundo a Resolução CONAMA 357/2005, 
as água são consideradas doces, quando a salinidade for igual ou inferior a 0,5 ‰; 
II, já as águas salobras apresentam salinidade superior a 0,5 ‰ e inferior a 30 ‰ e 
as águas salinas expõe uma com salinidade igual ou superior a 30 ‰;
Ainda dentro do diagnóstico ambiental, temos o estudo da fauna da área em 
questão, incluindo por exemplo, os organismos considerados bioindicadores e 
dispersoras, bem como as polinizadoras. Organismos dispersores desempenham 
um papel crucial na dispersão de sementes, por exemplo e a auxiliam no processo 
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ÁREAS DEGRADADAS
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de restauraçao de ambientes degradados (CORLETT; HAU, 2000). Alguns exemplos 
desses organismos (Figura 5) são as aves, morcegos, esquilos, ouriço-cacheiro, 
entre outros. 
Figura 5- Morcego, um exemplo de organismo dipersor de sementes. 
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/borboleta-marrom-e-preta-no-galho-marrom-da-arvore-durante-o-dia-ztyLXIUYYho
Retomando ao a elaboração do projeto de recuperação ainda temos as seguintes 
etapas: 
Dentro da etapa de Diagnóstico ambientais no que se refere ao meio físico, são 
elaborados a caracterização do clima, geologia, geomorfologia, solo, os aspectos 
hidrológicos e de qualidade das águas que podem ser tanto subterrâneas como 
superficiais (Figura 6). 
Figura 6- Amostragem de água
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/51883884181/dab7f3704f/
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Já na caracterização do meio biótico estão abarcados, a descrição da fauna e 
da flora no local e do entorno. No caso da fauna, por exemplo, podem ser utilizados 
corredores como uma das alternativas de recuperação da área. No capítulo 2, que trata 
de biomas, é possível ter uma descrição mais detalhada sobre corredores ecológicos, 
vale a pena voltar nesse tópico para relembrar esse assunto!
Outro aspecto importante dentro do diagnóstico ambiental é a parte da caracterização 
dos fatores socioeconômicos, o que incluem as atividades sociais e econômicas que 
podem ser impactadas na área e no entorno. 
Por fim, é necessário detalhar as metodologias a serem empregadas e estabelecer 
um cronograma para sua implementação no PRAD. Embora haja diversas metodologias 
disponíveis, é fundamental concentrar-se naquelas direcionadas à mitigação e controle 
dos impactos ambientais na área. A descrição dessas metodologias deve ser minuciosa 
e criteriosa (STEIN et al. 2018). 
Após a conclusão da implementação do PRAD, é necessário elaborar o Relatório 
de Avaliação, contendo indicadores que permitam avaliar o sucesso e a eficácia da 
restauração da área (BARBOSA, 2014). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo conduzido por Laurentino e Souza (2013) analisaram PRAD do projeto 
Mangue Vivo ná rea urbana do Rio Apodi-Mossoró. Esse projeto é tem como objetivo 
a restauração dessas áreas por meio de compensações ambientais, que são obtidas 
por meio da celebração de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério 
Público e as empresas envolvidas na indústria salineira. Nas áreas de mnague foram 
plantadas mudas de espécies nativas como forma de reflorestamento do local. Já 
nas áreas urbanas, o projeto enfocou na implementação de áreas verder como forma 
de melhorar a qualidade do ambiente. Segundo a avaliação dos autores o projeto 
demonstra sua viabilidade econômica, não apenas durante sua implementação, mas 
principalmente na fase de manutenção, que apresentará custos substancialmente 
reduzidos em comparação com a fase de implantação. Além disso, para aprimorar 
os resultados, é possível integrar ações socioambientais, como por exemplo práticas 
de Educação Ambiental com a comunidade local, com o intuito de aumentar a 
sensibilização sobre o ambiente ao seu redor.
Por fim, destaca-se que o PRAD é importante em diferentes aspectos, pois, auxilia 
na mitigação e minimização dos impactos ambientais, sua implementação é 
essencial para o cumprimento das normativas ambientais, auxilia na conservação da 
biodiversidade e no aspecto econômino, ajuda a redução de custo ao longo prazo. 
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CAPÍTULO 14
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E 
PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO 
CONTEXTO DA RECUPERAÇÃO 
DE ÁREAS DEGRADADAS
Neste capítulo você irá aprender sobre a importância da educação ambiental, desde 
o seu marco temporal até sua relevância em ações envolvendo a sociedade. 
14.1 Histórico da Educação ambiental 
O ambiente vem sendo impactado ao longo do tempo por diferentes atividades 
antrópicas, que vem se intensificado desde a Revolução industrial até os dias atuais. 
Como forma de conservar a biodiversidade políticas públicas foram desenvolvidas no 
cenário nacional e internacional, dentre essas políticas a incorporação da educação 
ambiental, é vista como uma forma de transformação socioambiental devido a sua 
interdisciplinaridade e envolvimento de ações com o contexto local. 
Devido a ocorrência da degradação ambiental oriunda de um modelo econômico 
pautado apenas na exploração dos recursos naturais, emergiu-se a necessidade de 
um pensamento crítico das ações antrópicas e seus impactos ambientais, surgindo 
então, a educação ambiental.
Expondo um breve histórico da educação ambiental, é preciso iniciar pelo escocês 
Patrick Guedes que é considerado o fundador da Educação ambiental, pois, explanou 
que “uma criança em contato com a realidade do seu ambiente não só aprenderia 
melhor, mas também desenvolveria atitudes criativas em relação ao mundo em sua 
volta” (DIAS, 2004). Seguindo a linha histórica da Educação ambiental, um dos marcos 
dessa área, foi o livro Silent spring (Primavera Silenciosa) elaborado por Rachel Carson 
(Figura 1), em 1962, onde a biológa descreve sobre os efeitos negativos do pesticida 
diclorodifeniltricloroetano (DDT) em diferentes compartimentos ambientais, para a 
biodiversidade e saúde humana (MILLER; SPOOLMAN, 2015).
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Figura 1: Rachel Carson, bióloga que escreveu o livro Silent Spring (Primavera Silenciosa)
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/6578409215/f2c1f4b6d3/
Dando continuidade ao marco temporal (Figura 2), ressalta-se que o termo Educação 
ambiental foi cunhado em 1965, durante a Conferência de Educação na Grã-Bretanha. 
Posteriormente, em 1972, na Conferência de Estocolmo, a educação ambiental tem seu 
reconhecimento dentro de uma agenda internacional como forma de ferramentafreepik.com/premium-photo/dried-fish-died-ground-there-are-also-shells-pieces-twigs_18540584.htm#query=peixes%20mortos&position=21&from_
view=search&track=ais
A poluição luminosa afeta principalmente os organismos de hábitos noturnos, pois, 
implicam, na predação, reprodução, migração e na comunicação (GARGAGLIONI, 2009). 
As tartarugas marinhas, por exemplo, são impactadas por esse tipo de poluição na 
fase adulta e também enquanto filhotes. No caso das tartarugas adultas o excesso 
de iluminação artificial impede a formação dos ninhos (MAZOR et al. 2013). Por 
outro lado, os filhotes confundem as luzes artificiais com a luminosidade natural 
(Figura 8), aumentando o risco de predação e levando em alguns casos a mortalidade 
(GARGAGLIONI, 2009; KAWAMURA et al., 2009). 
https://pixabay.com/pt/photos/arvores-floresta-caminho-da-floresta-3410846/
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/oBLgQQjFGaU
https://unsplash.com/pt-br/fotografias/0_la3_Slfwk
https://br.freepik.com/fotos-gratis/rua-da-cidade-grande-do-ponto-de-vista-de-passaro_7524126.htm#query=congestionamento&position=2&from_view=keyword&track=sph
https://br.freepik.com/fotos-gratis/rua-da-cidade-grande-do-ponto-de-vista-de-passaro_7524126.htm#query=congestionamento&position=2&from_view=keyword&track=sph
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Figura 8: Esquema representativo dos efeitos da poluição luminosa sobre as tartarugas marinhas.
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa
1.3. Degradação ambiental, recuperação ambiental, restauração e reabilitação
No tópico anterior foram descritos conceitos importantes na Ecologia e nas Ciências 
ambientais, mas, também é de suma importância compreender fundamentos que 
permeiam a temática recuperação de áreas degradadas, que em alguns casos podem 
gerar dúvidas. O primeiro é o próprio fundamento de recuperação ambiental, que é 
caracaterizado como ações de sustentabilidade que através de processos de restauração 
de ecossistemas, consigam manter a biodiversidade e equilíbrio das espécies (ALMEIDA, 
2016). Já a degradação ambiental é definida por qualquer mudança prejudicial da 
qualidade do meio ambiente (SÁNCHEZ, 2008). A Figura 7 exemplifica um ambiente 
degradado. 
Figura 9: O desmatamento é uma das fontes de degradação ambiental.
Fonte:https://br.freepik.com/fotos-gratis/pilha-de-troncos-de-troncos-recentemente-cortados_28742000.htm#query=desmatamento&position=12&from_
view=search&track=sph
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Outro conceito importante nesse contexto é o de reabilitação, geralmente é utilizado 
quando parte de ambiente original é recuperado, incluindo a biodiversidade (LAMB, 
GILMOUR, 2003). Por fim, a terminologia restauração abrange o cenário mais próximo 
de um ecossistema original. Nesse ambiental de reabilitação é possível verificar grande 
parte de fauna e da flora originária (LAMB, GILMOUR, 2003). 
Ao longo desse livros os conceitos que foram apresentados nesse primeiro capítulo 
serão utilizados com frequência, portanto, é importante que mantennha-os de forma 
clara e fixada!
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CAPÍTULO 2
BIOMAS 
BRASILEIROS
2.1 Biomas 
O Brasil apresenta diferentes biomas como a Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata 
Atlântica, Pampa e Pantanal. E trataremos deles de forma detalhada nesse tópico. Mas, 
antes é importante que saiba que bioma é caracterizado como uma área geográfica 
que possui uma dimensão de mais de 1.0000 de quilômetros quadrados, e apresenta 
um macroclima específico e se caracteriza pela fauna e flora distintas, tipos de solo, 
altitude, salinidade, entre outros. Essa junção de fatores garantem uma estrutura e 
funciona particular com sua ecologia única (COUTINHO, 2006). 
2.1.1 Amazônia 
Esse bioma é o maior bioma do Brasil, ocupando cerca de 6,7 milhões de km2, o 
que representa um terço de área do nosso país. Ele abrange partes dos estados do 
Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso, Amapá, Tocantis e Maranhão 
(EMPRAPA, 2006 ; BARBOSA, VIANA, 2017 ). Além do Brasil também abrange a Guiana, 
Guiana Francesa, Suriname, na Venezuela, no Equador, no Peru e na Bolívia (BARBOSA, 
VIANA, 2017). 
No que se refere ao clima, exibe características de tropical úmido (BARBOSA, VIANA, 
2017). Cabe salientar que nesse bioma, encontra-se o rio Amazonas, a maior bacia 
hidrográfica do mundo. Esse rio (Figura 1), apresenta mais de 6.00km de comprimento, 
seu curso se inicia nas cordilheiras dos Antes e deságua no Oceano Atlântico, próximo 
da linha do Equador. Um outro fator interessante é que 18% de toda a água doce 
disponível do planeta é proveniente desse rio. A bacia abarca seis países, sendo eles 
Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil (NEVES, 2019).
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Figura 1: Rio Amazonas
Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/rio-amaz%C3%B4nia-panorama-3642456/
No que se refere a diversidade biológica desse bioma, cerca de 30 milhões de 
animais habitam a Amazônia (BARBOSA, VIANA, 2017). Além da fauna, apresenta 
uma riqueza de espécies que compreende sua flora (BARBOSA, VIANA, 2017). Por 
conta de vários fatores, muitos estudos têm sido desenvolvidos nesse bioma, como 
por exemplo, para compreender sua biodiversidade, para o desenvolvimento de novos 
produtos (BARBOSA, VIANA, 2017). Além disso, pesquisas de monitoramento ambiental 
também são conduzidas para compreender níveis de poluição desse bioma bem como 
investigações de cunho social com comunidades tradicionais, como por exemplo com 
os povos indígenas.
No que se refere aos povos tradicionais, nesse bioma, apresentam-se a maior 
população de indígenas no Brasil (TERRAS INDIGÊNIAS DO BRASIL, 2023), são mais 
de 300 terras indígenas no bioma amazônico (TERRAS INDIGÊNIAS DO BRASIL, 
2023). Mas, além dos povos indígenas, outras comunidades tradicionais também são 
encontradas na Amazônica, como seringueiros, ribeirinhas, quilombolas, pescadores, 
entre outros.
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ANOTE ISSO
O termo Etnoconservação é uma abordagem que visa uma relação de manejo dos 
recursos considerando os saberes tradicionais e suas interações positivas. Muitas 
técnicas foram desenvolvidas pelas comunidades tradicionais e reconhecidas 
mundialmente (DIEGUES, 2000). 
Outro aspecto sobre esse bioma é que ele apresenta uma importante função sobre 
o clima, já que a Floresta Amazônia tem um papel essencial nos ciclos hidrológico 
do Brasil, bem como auxilia na regulação do clima global (CAMPOS; HIGUCHI, 2009). 
No entanto, esse bioma tem sido impactado por inúmeras atividades antrópicas 
como queimadas, desmatamento, mineração que impactam diretamente o ambiente 
e influenciam na regulação do clima. Portanto, um dos grandes desafios para esse 
bioma são as estratégias de conservação e recuperação. 
2.1.2 Caatinga 
Esse bioma apresenta uma área de aproximadamente 800.000 km2, abrangendo 
os estadospara 
atuar diante as implicações ambientais. Um outro evento importante foi a Conferência 
de Belgrado em 1975 trazendo todo o embasamento para o Programa Internacional 
de Educação ambiental e mais adiante em 1977, a Conferência de Tbilisi se torna um 
importante marco internacional da educação ambiental, já que traz as finalidades, 
princípios e objetivos da educação ambiental pensando em estratégias de atuação 
mundial e apresentando toda a interdisciplinaridade dessa abordagem (DIAS, 2004; 
ICMBIO, 2016)
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Figura 2: Marco temporal da Educação ambiental
Fonte: Adaptado de Dias (2004)
No contexto brasileiro, sobre um ponto de vista legal, em 1981, quando a Política 
Nacional do Meio Ambiente foi criada, em um dos seus artigos descreve sobre a 
implementação da educação ambiental em todos os níveis de ensino, abarcando 
também ações com as comunidades locais com o objetivo de capacitação para a 
proteção do ambiente. Mais adiante, a Constituição de 1988 reforça as ações de 
efetivação da educação ambiental no ambiente escolar, bem como a conscientização 
pública de preservar o ambiente. Em 1999 institui-se a Política Nacional de Educação 
ambiental (PNEA) trazendo princípios, objetivo da educação ambiental suas atribuições 
no ensino formal e não-formal (ICMBIO, 2016).
A educação ambiental também se apresenta em outras regulamentações importantes 
no âmbito da conservação como no Sistema Nacional de Unidades de Conservação 
(SNUC) onde estabelece em determinados artigos a importância da educação, um 
dos tipos de Reserva também prevê ações de educação como forma de gestão e 
conservação da biodiversidade e o SNUC apresenta em um dos seus objetivos a 
promoção de educação e interpretação ambiental. Dentro do Instituto Chico Mendes 
da Conservação da Biodiversidade a educação ambiental também se incorpora de 
forma a atuar na gestão e conservação de espécies, bem como desenvolvimento de 
materiais pedagógicos (ICMBIO, 2016).
Nesse contexto, a educação ambiental também deve ser trabalhada com populações 
que vivem em áreas de Unidades de Conservação. Dentro do SNUC também se 
apresenta a Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental (ENCEA), 
sendo um importante instrumento dentro as Unidades de Conservação envolvendo 
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os gestores e as demais partes interessadas, tornando uma gestão participativa, 
pois, permite compartilhamento de saberes para uma tomada de decisão. Uma das 
formas de atuar também nas Unidades de Conservação é utilizar do espaço escolar 
para aproximar a comunidade com a gestão e estimular ações de conservação da 
biodiversidade (ICMBIO, 2016). 
A educação ambiental também deve ser vista de forma a contribuir com a proteção 
daquele ambiente no que se refere as questões biológicas e culturais. Ela pode ser mais 
uma aliada para etnoconservação que traz os saberes, culturas e manejo do ambiente 
relacionadas as comunidades tradicionais. Inclusive, os saberes das populações 
tradicionais estão inclusos nas políticas públicas ambientais nacionais (ICMBIO, 2016). 
14.2 Macrotendências da Educação ambiental
Existesm vários conceitos que permeiam a educação ambiental. Mas, três 
macrotendências (Figura 3) tem se destacado nesse contexto, a conservacionista,a 
pragmática e a crítica. A educação ambiental conservacionista tem como fundamento 
os princípios da ecologia, valoriza a relação afetiva do meio ambiente e baseia-se 
na mudança comportamental e indivual, e apresenta um certo distanciamento das 
esferas sociais e políticas. No modelo conservacionista os temas mais utilizados são 
voltados para pautas verdes, agroecologia, ecoturismo, entre outros (LAYRARGUES; 
LIMA, 2014; ICMBIO, 2016). Em contrapartida, a educação ambiental pragmática, 
apoia-se na ideia de perceber o ambiente como uma fonte de recursos que está 
se acabando. Tem suas origens no modelo de produção e consumo adotados na 
atualidade. É uma macrotendência que visa a educação para o desenvolvimento e/ou 
consumo sustentável, assumindo o que os pesquisadores chamam de “pauta marrom” 
se associando as temáticas de mercado de carbono , redução da pegada ecológica, 
entre outros. (LAYRARGUES; LIMA, 2014; ICMBIO, 2016). Já a educação ambiental 
crítica, sustenta-se na ideia social e política, seus temas principais são democracia, 
cidadania, participação, emancipação. Esse macrotedência visa a transformção social, 
no enfrentamento de desigualdades e injustiças ambientais (LAYRARGUES; LIMA, 
2014; ICMBIO, 2016). 
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Figura 3: Esquema resumido das macrotendências da Educação ambiental.
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
Dois conceitos são relevantes dentro da educação ambiental crítica, e acho válido 
você considerar essas concepções ao atuar com educação ambiental em recuperação 
de áreas degradadas. A justiça ambiental se apresenta como uma forma de luta e 
combate dos impactos ambientais, que causam efeitos de forma mais acentuada 
nas pessoas e suas relações de renda, cor e raça. O movimento de justiça ambiental 
começou nos anos 80 nos Estados Unidos, quando a população negra da Carolina do 
Norte questionou o descarte de resíduos tóxicos em sua comunidade. Esse movimento 
uniu os movimentos civis e ambientais, e os protestos impulsionaram estudos que 
demonstraram que onde tinham populações negras eram locais destinados ao 
descarte de resíduos perigosos. Nesse cenário, o termo racismo ambiental emergiu 
demonstrando que os impactos ambientais tinham uma relação com questões raciais 
e que as pessoas mais afetadas pela poluição ambiental não participavam de tomada 
de decisões importantes. A justiça ambiental também se aglutina com o conceito de 
conflitos socioambientais, que reúne os aspectos ecológicos de uma determinada 
situação e a sociedade que ali se encontra. Um outro termo que se apresenta nesse 
contexto, é o de equidade ambiental onde os riscos ambientais não podem ser 
desproporcionais nos grupos sociais (ACSERALD et al. 2008). Dos anos 80 até os 
dias de hoje, muitos estudos na área de justiça ambiental foram realizados, trazendo 
reflexões em todo o mundo. 
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um dos exemplos de injustiça ambiental, foi o rompimento da barragem de 
Brumadinho em Minas Gerais (Figura 4). O rompimento da barragem além de 
todo o impacto ecossistêmico proveniente dos rejeitos tóxicos, teve efeitos no 
abastecimento de água, turismo, nas atividades agrícolas. Mas, sobre a óptica 
da injustiça ambiental Coelho e colaboradores (2021) destaca que o rompimento 
da barragem evidencia que até os 10 quilômetros do rompimento as pessoas 
mais afetadas foram pessoas não brancas e de baixa renda. Coelho et al. 
(2021), também descrevem que deve-se considerar também que foram afetados 
pescadores, ribeirinhos, indígenas e outras populações tradicionais que apresentam 
uma estreita relação com o ambiente como forma de sustento e manutenção de 
sua cultura.
Figura 4: Rompimento da Barragem de Brumadinho.
Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brumadinho,_Minas_Gerais_%2833198853868%29.jpg
Além do exemplo mencionado previamente, o relatório do Programa das Nações 
Unidas para o Meio ambiente publicado em 2021 demonstra como a poluição por 
plásticos impacta as populações mais vulneráveis em todo o ciclo de vida desde a 
extração do petróleo até o descarte de plásticos. Pessoas com maior vulnerabilidade 
social são expostas a poluição das indústrias de exploração, favorecendo problemas 
de saúde. Além disso, os plásticos representam um problema para a biodiversidade 
(Figura 5) , comprometendo a alimentação e renda de peixes e frutos de mar das 
pessoas que necessitamdesses serviços ecossistêmicos. Os locais destinados aos 
aterros sanitários e incinerações apresentam em geral no seu entorno pessoas de 
RECUPERAÇÃO DE 
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baixa renda. Os plásticos também impactam as pessoas que necessitam do turismo, 
já que locais onde tem resíduos são menos procurados como fonte de lazer. 
Figura 5: Impacto do plástico sobre a biota. 
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/qq-8dpdlBsY
ISTO ESTÁ NA REDE
O Brasil conta com um mapa de conflitos socioambientais e injustiças ambientais 
alimentado por diferentes pesquisadores, demonstrando as populações afetadas, 
a atividade geradora de conflitos, os potenciais riscos a saúde, entre outras 
informações. Se ficou curioso para explorar essas informações, acesse: https://
mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/
14.3 A importância do engajamento e participação social 
Em relação a educação ambiental e gestão de Unidades de conservação, o trabalho 
realizado por Polli demonstra um exemplo bem-sucedido. O estudo realizado traz 
práticas de sensibilização com os moradores da Santo Antônio do Matupi que está 
localizado dentro do Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foi realizada ações 
de educação ambiental com a comunidade local, junto com os profissionais do parque 
como forma de sensibilizar os moradores das ações de desmatamento e da importância 
daquela Unidade de Conservação. Como forma de aproximar todos os atores envolvidos 
foi utilizado a escola municipal e os educadores presentes. Foi realizado atividades para 
implementação de projetos, incluindo a arborização de alguns locais. Os professores 
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também foram capacitados para atuar nas práticas de educação ambiental, foram 
realizadas oficinais e posteriormente, uma ONG envolvendo diferentes Instituições 
de ensino, bem como atividades que propiciam novas fontes de renda. As ações 
realizadas trazem uma gestão integrada e participativa, trazendo de forma crescente 
o envolvimento da comunidade local. 
Outro exemplo pode ser verificado no estudo conduzido por Silva e colaboradores 
(2014) demonstra as práticas da comunidade quilombola na conservação de espécies 
ameaças de extinção dentro da Reserva Biológica do Rio Trombetas. Uma área que antes 
era marcada pela presença de conflitos e impactos ambientais, vem se transformando em 
conservação de duas espécies de cágados, que eram impactadas pela predação natural 
e da remoção de ovos pela comunidade. Diante desse cenário, um projeto que contempla 
o monitoramento dessas espécies também incorporou a comunidade local para auxiliar 
na preservação. Como resultado, houve um aumento do nascimento de filhotes, a soltura 
também é vista como um evento do local, e a participação da população vem aumentando, 
reduzindo também os conflitos entre os gestores e os quilombolas.
Já no âmbito escolar, os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam a educação 
ambiental como uma temática transversal, trazendo a compreensão das questões 
ambientais e os direitos e deveres de cada cidadão, abordando além do aspecto 
ecológico, as questões políticas, sociais e econômicas.
Quando se trata de educação ambiental, em espaços formais, é necessário 
uma ação de forma integrada. As questões sobre a conservação de biodiversidade, 
trazendo perguntas como: O que você entende por biodiversidade? Como as ações 
no seu bairro ou cidade afetam a biodiversidade? Quais as consequências da perda 
da biodiversidade sobre o ponto de vista ecológico e social? Como as mudanças 
do clima podem afetar a biodiversidade e os humanos? Algumas dessas perguntas, 
podem despertar a curiosidade dos alunos, trazendo reflexões que podem mudar 
algum hábito ou concepção de conservação da sua realidade. Uma abordagem que 
também pode ser utilizada no contexto da educação ambiental para conservar a 
biodiversidade é a metodologia baseada em problemas, uma abordagem que traz as 
problemáticas presentes no cotidiano, fazendo com que eles sejam capazes de trazer 
soluções, desenvolvendo também o pensamento crítico para a tomada de decisões. 
Deve-se ainda ressaltar que o conhecimento aprendido em sala de aula, muitas vezes 
é disseminado no contexto familiar, sendo uma forma de propagar as reflexões que 
não se restringem apenar no ambiente escolar (UNESCO, 2017). 
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ÁREAS DEGRADADAS
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Deve-se considerar que a educação ambiental também auxilia no alcance dos 17 
objetivos do desenvolvimento sustentável presentes na Agenda 2030 de forma direta 
ou indireta, já que atua na sensibilização e na construção do pensamento crítico que 
seja capaz de mudar os hábitos e atitudes para garantir um ambiente saudável para 
essa e as próximas gerações. 
Você já leu ou ouviu falar sobre os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS)? 
As 17 ODS (Figura 6) apresentam uma forma de ação integrada entre ambiente, 
sociedade e economia (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2023) sendo eles: 
1. Erradicação da Pobreza
2. Fome Zero
3. Saúde e Bem-Estar
4. Educação de Qualidade
5. Igualdade de Gênero
6. Água Limpa e Saneamento
7. Energia Limpa e Acessível
8. Trabalho Decente e Crescimento Econômico
9. Indústria, Inovação e Infraestrutura
10. Redução das Desigualdades
11. Cidades e Comunidades Sustentáveis
12. Consumo e Produção Responsáveis
13. Ação contra a Mudança Climática
14. Vida na Água
15. Vida Terrestre
16. Paz, Justiça e Instituições Eficazes
17. Parcerias em Prol do Desenvolvimento Sustentável
Figura 6- Emblema dos ODS
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa
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ÁREAS DEGRADADAS
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ISTO ESTÁ NA REDE
As Nações Unidas Brasil, disponibiliza informações sobre as formas de atuação das 
ODS em todo o território brasileiro e os investimentos para atuar sobre as 17 ODS 
no BrasiL. Se tiver interesse em se aprofundar mais nesse assunto acesse: https://
brasil.un.org/pt-br/sdgs.
 Muitos dos documentos legais explicitados no primeiro tópico desse capítulo, 
consideram a educação ambiental uma estratégia. Uma das ações que devem ser 
mais realizadas é a parceria entre Instituições de Ensino e comunidades locais, 
trazer através da divulgação científica as descobertas da área acadêmica em uma 
linguagem para o público leigo, essa parceria entre academia e comunidades locais 
pode favorecer a compreensão daquela população da necessidade de preservar 
uma determinada espécie ou de um corpo hídrico, demonstrando a sua função 
ecossistêmica e até mesmo a importância de se preservar determinados costumes. 
Trabalhar com educação ambiental é pensar em como melhorar as condições 
daquele ambiente e das pessoas que estão inseridas naquele contexto. O educador 
ambiental deve ter em mente a frase “pensar globalmente e agir localmente” do 
sociólogo Beck. Diante dos cenários que estamos vivendo de mudanças climáticas, 
aumento dos diferentes tipos de poluição, desmatamento, queimadas, uso e 
ocupação irregular do solo, e todos esses fatores associados a desigualdades 
e injustiças ambientais, torna-se cada vez mais um desafio trabalhar sobre as 
relações homem e ambiente. No entanto, a educação ambiental enquanto área de 
atuação foi também se transformando conforme as mudanças da sociedade e 
atuando de forma a trazer um ambiente equitativo para todos. 
Portanto, diante do exposto no que se refere às práticas de educação ambiental 
para a recuperação de áreas degradadas, espera-se que a educação ambiental seja 
cada vez mais praticada e incorporada, mas não como algo pontual e sim como 
processo de construção de transformação socioambiental.
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CAPÍTULO 15
ESTUDOS DE CASO E DESAFIOS 
FUTUROS DA RECUPERAÇÃO 
DE ÁREAS DEGRADAS
Neste último capítulo vocêirá conhecer sobre alguns estudos de casos brasileiros 
de restauração ou recuperação de áreas degradadas, também irá aprender sobre os 
desafios futuros para essa temática. 
15.1 Estudos de casos 
Devido à significativa degradação que ocorreu nas últimas décadas, a restauração 
de ecossistemas não é mais considerada uma opção, mas sim uma prioridade global. 
Diversas iniciativas ambiciosas de restauração ecológica surgiram como resultado. 
Atualmente, existem programas em escala regional ou de biomas, como o Pacto pela 
Restauração da Mata Atlântica, que tem como objetivo a recriação de paisagens 
florestais em um bioma altamente habitado e fortemente degradado, mas crucial 
para a conservação da biodiversidade global (VIANI et al. 2022). Outros exemplos de 
Projetos de recuperação ou restauração de áreas degradadas são demonstrados a 
seguir: 
• Projeto SOS Mata Atlântica- A Fundação SOS Mata Atlântica realiza um 
trabalho integrado para a restauração da Mata Atlântica (Figura 1), que inclui 
monitoramento da cobertura de florestas e vegetação natural do bioma, produção 
e plantio de mudas de espécies nativas, estudos e apoio à pesquisa científica 
e engajamento em políticas públicas. Essa abordagem complementa as outras 
causas prioritárias da instituição, como a preservação da qualidade da Água 
Limpa dos rios e a proteção de Áreas Protegidas, com um foco no fortalecimento 
e valorização de parques e reservas na Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica, 
2022). O modelo de restauração adotado pelo projeto consiste no plantio de 
mudas de espécies nativas, bem como o monitoramento e manutenção dessas 
mudas. Além disso, também é feito todo o controle de espécies invasoras e de 
pragas, preparação do solo, etc. (SOS Mata Atlântica, 2022). 
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Figura 1: Mata atlântica
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/52746830066/a98ba74545/
• Recuperação de áreas mineradas- Um estudo conduzido por Silva e colaboradores 
(2016) analisaram por 18 meses mudas de diferentes espécies arbóreas para a 
restauração de uma áreas impactada pela atividade de mineração de bauxita. 
A pesquisa foi realizada na cidade de Descoberta- Minas Gerais. Com base 
nos resultados obtidos, os pesquisadores verificaram que alguns dos vegetais 
como por exemplo, Schinus terebinthifolius (nome vulgar: aroeira-vermelha), 
Solanum lycocarpum (nome vulgar: fruta-de-lobo), Joannesia princeps (nome 
vulgar: andá-açu) apresentam um potencial para restaurar essas áreas, pois, 
apresentaram uma rápida cobertura do solo, evitando processos erovisos e a 
ocorrência de espécies exóticas. 
• Recuperação de áreas degradadas no Cerrado- No período de 2010 a 2019, 
aproximadamente 5,5 milhões de hectares (Mha) de vegetação nativa foram 
suprimidos e substituídos por áreas de pastagens, enquanto outros 2,1 Mha foram 
convertidos em lavouras anuais e perenes. A utilização de técnicas avançadas 
e adoção de práticas agropecuárias sustentáveis, tais como a restauração de 
pastagens degradadas e sistemas de integração, desempenham um papel 
fundamental na promoção de transformações no uso do solo e no fomento 
https://visualhunt.com/f7/photo/52746830066/a98ba74545/
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da agropecuária sustentável (HARFUCH, 2021). Para a recuperação de áreas 
impactadas no Cerrado (Figura 2), a aposta tem sido a implementação de sistemas 
integrados, como o sistemas de integração: lavoura-pecuária, lavoura-floresta, 
pecuária-floresta, lavoura-pecuária-floresta e os sistemas agroflorestais. Tais 
práticas são consideradas boas estratégias para a recuperação e/ou renovação 
do manejo das pastagens (HARFUCH, 2021). Relembrando o que vimos no 
capítulo, os sistemas agroflorestais (SAFs) são caracterizados como práticas de 
manejo dos recursos naturais em que espécies lenhosas, como árvores, arbustos 
e palmeiras, são empregadas em associação com cultivos agrícolas ou com a 
criação de animais. Essas interações ocorrem no mesmo espaço territorial, de 
forma simultânea ou em sequência temporal (CERETTA; AITA, 2010)
Figura 2: Cerrado
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/485804882/775e196d80/
• Recuperação de Mata ciliar no Xingu- A técnica de restauração de áreas 
degradadas, como nascentes e matas ciliares de rios e lagoas, empregada pelos 
técnicos do ISA no Xingu há uma década, é conhecida como “muvuca”. Essa 
abordagem consiste em uma mistura de sementes de espécies diversas, que 
são plantadas simultaneamente diretamente no solo. (ISA, 2023). 
https://visualhunt.com/f7/photo/485804882/775e196d80/
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• Restauração florestal da Caatinga- Como formas de restauração desse biomas 
diferentes técnicas tem sido empregadas, uma delas é a utilização de espécies 
atrativas de faunas. Na Caatinga, algumas espécies podem ser utilizadas 
pata tal finalidade, como por exemplo, a carnúba, jucá, mandacaru, cajá, ingá. 
Outra técnica adotada para restauração de áreas com fragmentos nativos, é o 
espaçamento. A escolha do espaçamento adotado é um fator determinante no 
êxito das iniciativas de restauração em regiões de Caatinga. Dado que essas 
áreas enfrentam desafios relacionados à escassez de água e altas taxas de 
evaporação, é recomendável empregar espaçamentos mais densos, visando a 
criação de um microclima mais propício para o crescimento das mudas plantadas 
(ASSOCIAÇÃO CAATINGA, 2023). Destacam-se ainda a utilização de leguminosas 
para a cobertura do solo e proteção do impacto da precipitação e redução dos 
processos erosivos. Ademais, também são utilizadas espécies nativas para criar 
um ambiente próprio para a restauração de áreas sem fragmentos nativos. Na 
Caatinga, são exemplos de espécies nativas a aroeira, catingueira, ipê-amarelo 
(Figura 3), etc. (ASSOCIAÇÃO CAATINGA, 2023). 
Figura 3: Ipê-amarelo
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/45037302391/a2439b13ab/
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• Refloresta Rio- O programa Refloresta Rio, conduzido pela Secretaria Municipal de 
Meio Ambiente, tem como objetivo expandir a cobertura vegetal na cidade do Rio 
de Janeiro. Isso se concentra especialmente em regiões onde as características 
topográficas propiciam ocupações desordenadas, como áreas verdes e zonas 
de risco. Essas ações visam mitigar os significativos problemas ecológicos e 
socioeconômicos enfrentados pela cidade (REFLORESTA RIO, 2023). O programa 
envolve o plantio de mudas, mobilização social, manejo de espécies invasoras, 
prevenção e combate a processos erosivos e de incêndios, controle de formigas 
cortadeiras, ações de educação ambiental (DATA RIO, 2021). 
• Aliança pela Restauração na Amazônia- Na Amazônia (Figura 4) brasileira, uma 
proporção significativa da cobertura florestal original, equivalente a 20% (cerca de 80,3 
milhões de hectares), sofreu desmatamento, enquanto uma extensão semelhante 
de florestas foi degradada devido ao fogo e à extração de madeira. A Aliança pela 
Restauração na Amazônia (Aliança) é uma junção interinstitucional e multissetorial 
estabelecida em 2017, com o propósito de promover, qualificar e expandir a escala 
da restauração da paisagem florestal na região. Uma das métodologias empregadas 
nessa iniciativa é a utilização dos Sistemas Agroflorestais como um forma de 
integrar a produção e conservação (CELENTANO et al. 2022). 
Figura 4: Amazônia
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/3204098935/9b5973cb01/
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15.2 Desafios futuros e perspectivas 
Em 2019, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o período de 2021 a 2030 
como a Década da Restauração de Ecossistemas. Essaresolução se fundamentou no 
entendimento de que a consecução de qualquer um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável demanda um compromisso substancial com a restauração de ecossistemas 
(PNUMA, 2021). Você se recorda que no capítulo anterior que tratamos dos 17 objetivos 
do desenvolvimento sustentável? Agora faça uma reflexão e pense nos benéficios da 
restauração de ecossistemas e quais das 17 ODS podem ser beneficiadas com tais 
práticas. 
Além dos inúmeros benefícios ambientais, a restauração de ecossistemas também 
oferece diversos benefícios econômicas e sociais (VIANI et al. 2022)
Na resolução da Década da Restauração de Ecossistemas é incentivado o apoio 
político, a alocação de recursos, o aprimoramento de habilidades, a pesquisa científica e 
a colaboração necessária para promover a restauração de ecossistemas em nível global, 
regional, nacional e local, conforme apropriado. Além da integração da a restauração 
de ecossistemas nas políticas e planos destinados a abordar as atuais prioridades 
e desafios do desenvolvimento nacional, devido à degradação dos ecossistemas 
marinhos e terrestres, à perda de biodiversidade e à vulnerabilidade às mudanças 
climáticas (UN, 2019). 
Essa integração cria oportunidades para fortalecer a capacidade de adaptação dos 
ecossistemas e para manter e melhorar os meios de subsistência de todos. Também 
é encorajado, uma visão holística para alcaçar tal objetivo, além da elaboração e 
aplicação de políticas públicas para a prevenção da degradação do ambiente, bem 
como o fortalecimento de projetos e iniciativas voltadas para essa temática como 
forma de ampliar as práticas que vem dando certo. Por fim, também sugere-se a troca 
de experiências e boas práticas para restauração e/ou recuperação de ecossistemas 
impactados (UN, 2019). 
ISTO ESTÁ NA REDE
Protected Planet serve como a fonte oficial de informações sobre áreas protegidas 
e outras estratégias eficazes de conservação com base em áreas. O Brasil, por 
exemplo tem 3.625 áreas protegidas. Para obter mais informações sobre este 
projeto, basta pesquisar “Protected Planet” em sites de busca. 
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Um os desafios para o contexto da recuperação de áreas degradadas, envolve vários 
fatores, dentre eles as mudanças climáticas. Alguns autores consideram que as mudanças 
climáticas e a degradação ambiental, além da perda de biodiversidade, continuam a ser os 
maiores desafios enfrentados pelas atuais e futuras gerações. As mudanças climáticas 
agravam a degradação ambiental, afetando os meios de subsistência, a biodiversidade 
(Figura 5), os serviços ecossistêmicos e intensificando a competição pelos recursos 
naturais (NGUYEN et al. 2023). Relembrando que o que você aprendeu no capítulo 9, os 
serviços ecossistêmicos são os recursos que a natureza confere ao homem para sua 
sobrevivência, tendo papéis de suporte,provisão, regulamentação e culturais (MEA, 2005). 
Figura 5 : Biodiversidade 
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/peixes-perto-de-recifes-de-coral-3432803/
A degradação ambiental tem diversos impactos adversos na saúde humana, levando 
a doenças respiratórias e infecciosas devido à poluição do ar, bem como acentuando 
os principais problemas de saúde mencionados anteriormente, devido à insegurança 
alimentar e ao aumento da escassez de água (NGUYEN et al. 2023). 
Em relação ao solo, por exemplo, a erosão e degradação do solo estão intimamente 
relacionadas às mudanças climáticas e à pobreza. Isso ocorre porque a degradação do 
solo desencadeia um ciclo vicioso que inclui a emissão de gases com efeito estufa, a 
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exaustão dos estoques de carbono orgânico e nutrientes no solo, a perda de cobertura 
vegetal, a redução da produtividade primária líquida e um aumento na frequência e 
intensidade de secas, além da diminuição da resiliência do ecossistema (LAL, 2012). 
A degradação do solo (Figura 6) também resulta na redução de sua capacidade de 
oferecer serviços ecossistêmicos que são relevantes para a sociedade e desempenham 
funções essenciais na natureza. Os processos primários de degradação do solo 
incluem erosão, salinização, esgotamento de nutrientes e carbono, períodos de seca, 
deterioração da estrutura do solo e práticas agrícolas inadequadas (LAL, 2012). Você 
se recorda que no Capítulo 7, vimos que uma das causas dos processo de degradação 
do solo está relacionados as causas previamente mencionadas ?
Figura 6: Solo degradado
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/arido-desertico-esteril-improdutivo-96865/
Como estratégia para a garantia de qualidade desse recurso frente as mudanças 
do clima é importante que sejam adotadas práticas de gestão de carbono e dos 
nutrientes do solo, bem como o gerenciamento hídrico, gestão florestal, investimento 
em pesquisas e novas tecnologias (LAL, 2012).
Já no ambiente aquático, um dos efeitos das mudanças do clima e os desafios para a 
recuperação e/ou restauração desses ecossistemas, devem considerar que as mudanças 
climáticas e o aumento da influência humana sobre os nutrientes tornarão os ecossistemas 
costeiros mais propensos a sofrer hipoxia devido a uma estratificação aprimorada, redução 
da solubilidade do oxigênio, aceleração do metabolismo, remineralização acentuada e 
aumento da produção de matéria orgânica (RABALAIS et al. 2009). 
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ANOTE ISSO
Em termos gerais, valores de oxigênio dissolvido abaixo de 2 mg/L indicam 
uma situação crítica conhecida como hipoxia, que se caracteriza pela baixa 
concentração de oxigênio dissolvido na água (CETESB, 2023). Essa situação é 
uma das causas mais recorrentes de mortandade de peixes, que apresentam uma 
menor resistência a redução de OD na água. 
Outro desafio que precisamos levar em consideração na área de recuperação 
de áreas degradadas, são as espécies invasoras. As espécies invasoras estão 
em constante crescimento em termos de quantidade, alcance e impacto em 
todo o mundo. Elas desempenham papéis duplos, atuando como indicadores 
e impulsionadores das transformações ambientais, e estabelecendo conexões 
sinérgicas com diversas outras dimensões das mudanças globais. Em 
diversos cenários, essas espécies causam uma rápida e notável deterioração 
dos ecossistemas, levando à perda significativa da diversidade biológica e à 
homogeneização das comunidades regionais. Além disso, existem efeitos mais sutis 
que também acarretam implicações profundas (PYŠEK; RICHARDSON, 2010). 
No Brasil, temos alguns organismos bioinvasores, como o javali (Sus scrofa), coral-
sol (Tubastraea spp.), mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) e caracol-gigante-
africano (Figura 7) (Achatina fulica). Os efeitos negativos sobre a biodiversidade de 
alguns animais previamente mencionados foram descritos de forma mais detalhada 
nos capítulos 3 e 9. 
Figura 7: Caracol-gigante-africano, um exemplo de espécie invasora encontrada no Brasil.
https://visualhunt.com/f7/photo/51916472195/3b215a438e/
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Além da fauna, também existem as plantas exóticas, que representam um impacto 
para a biodiversidade, às características físico-químicas do solo e às relações planta-
microorganismos, juntamente com a promoção de processos erosivos, desertificação 
do solo e a diminuição dos serviços ecossistêmicos (RAI, 2022). 
No Brasil, algumas espécies da flora, são consideradas espécies invasoras como 
o capim-fino, capim-angola, capim-de-planta (ANJOS, 2021). 
Um estudo descrito por Fleming e colaboraboradores (2017), destaca que pesquisas 
integradas em diversas áreas, como por exemplo, matemática, biologia, ecologia, 
zoologia, bioquímica, epidemiologia, agronomia, economia e sociologia, entre outras 
podemser uma forma de ampliação da gestão de espécies invasoras e auxiliar na 
resolução dessa problemática. 
De forma a complentar as estratégias de mitigação das espécies invasoras, Pyšek 
e Richardson (2010) sugerem algumas formas de gestão que envolvem, por exemplo, 
avaliação de risco, gestão de caminhos e vetores, detecção preococe. 
Cabe salientar ainda que um outro fator precisa ser considerado quando se trata 
de recuperação de áreas degradadas, a poluição ambiental (Figura 8). A poluição 
representa uma ameaça para a biodiversidade, pode afetar por exemplo, espécies que 
são fundamentais para o processo de restauração ecológica. Como consequência 
dos impactos para a biodiversidade, temos também as implicações dos serviços 
ecossistêmicos. 
Figura 8: Poluição ambiental 
Fonte:https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pessoas-sentadas-no-chao-de-concreto-cinza-durante-o-dia-rV9xbwQj1Ck
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A poluição também influencia na qualidade dos diferentes compartimentos 
ambientais, no solo, por exemplo, pode impactar no crescimento de plantas e afetar 
os organismos que vivem nesse ambiente. No ambiente aquático a poluição também 
tem se tornado um sinônimo de implicações para a biota, afetando o seu crescimento, 
reprodução ou outras fases do seu ciclo de vida. Por isso, é tão essencial os projetos de 
biorremediação nas diferentes matrizes ambientais. De forma complementar os estudos 
de monitoramento ambiental são fundamentais para compreender o panorada dos 
ambientes e pautar as tomadas de decisão dos gestores ambientais e dos profissionais 
que atuam com a recuperação de áreas degradadas. 
É importante salientar ainda que a poluição está intrinsecamente relacionada a 
problemas de saúde humana. Os altos índices de lançamentos de poluentes no ar, 
por exemplo, tem aumento os casos de problemas respitatórios e causando também 
outros impactos sobre a saúde. Já quando se trata da matriz ambiental, água, temos 
inúmeras doenças de veiculação hídrica, associadas a ausência de saneamento básico 
ou de um tratamento de efluentes inadequado e a poluição. 
Diante do exposto, é notório que a poluição ambiental acentua a degradação 
ambiental, mas traz para esse contexto uma maior complexidade e novos desafios para 
a recuperação ou restauração de áreas impactadas. Portanto, atuar com estratégias 
de manejo são fundamentais para atuar frente a esse contexto. 
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CONCLUSÃO
Este livro não se limitou a oferecer conhecimento técnico; ele se empenhou em 
fomentar uma mentalidade de ação e responsabilidade ambiental. Nesse percurso, 
exploramos conceitos fundamentais da área ambiental, a complexidade dos biomas 
brasileiros, a compreensão dos distintos compartimentos ambientais e suas 
ramificações vinculadas aos impactos antrópicos. Discutimos abordagens para 
manejo e recuperação, a aplicação da geotecnologia nesse contexto e as diretrizes 
normativas que permeiam a restauração de áreas degradadas. Finalmente, destacamos 
a importância da educação ambiental e abordamos os desafios que nos aguardam 
no futuro. 
À medida que encerramos este livro, convido cada leitor a levar consigo não apenas 
conhecimento, mas a determinação de ser um agente transformador. Ainda temos 
muito o que fazer quando se trata da área ambiental. Lembre-se que atuar na área 
de recuperação de áreas degradadas é pensar na frase do sociológo Beck “pensar 
globalmente, agir localmente”. 
Espero que as lições aprendidas ao longo desse livro possam ser colocadas em 
práticas, e que seja uma fonte de embasamento para novas pesquisas nessa área e 
que tenha despertado a sua curiosidade em se aprofundar nessa temática. Que esta 
conclusão marque o início de uma nova fase, onde a restauração de áreas degradadas 
não é apenas uma disciplina apresentada no âmbito acadêmico, mas uma missão 
compartilhada por cada leitor como protetor do ambiente em que vivemos!
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ELEMENTOS COMPLEMENTARES 
LIVRO
Título: Biologia da Conservação
Autor: Richard B. Primack e Efraim Rodrigues. 
Editora: Planta
Sinopse: Este livro explora a Biologia da Conservação, com 
base em exemplos bem-sucedidos de iniciativas brasileiras. 
Ao longo deste livro, você encontrará uma comparação 
entre as práticas atuais e as oportunidades para o futuro.
FILME
Título: Fazedores de floresta
Ano: 2021
Sinopse: Documentário em 
360° que reune os saberes 
tradicionais, tecnologia e 
engajamento social para o 
plantio de sementes nativas 
para recuperação de áreas 
degradadas. 
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WEB
O site da EMBRAPA com ênfase na recuperação de áreas degradas apresenta inúmeras 
publicações que vão complementar o seu conhecimento sobre essa temática!
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REFERÊNCIAS
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Disponível em: https://www.gov.br/ana/pt-br/acesso-a-informacao/institucional. 
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ambiental. Natal: IFRN, 2019.
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King Saud University-Science, v. 26, n. 1, p. 59-65, 2014.
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viveiro submetidas a diferentes níveis de luminosidade. Ciência Florestal, v. 15, p. 
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ALMEIDA, R. O. P. O.; SÁNCHEZ, L. E. Revegetação de áreas de mineração: critérios 
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SHI, W. et al. Immunotoxicities of microplasticsdo Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, 
Alagoas, Sergipe, Bahia e parte norte de Minas Gerais, com predominância na região 
nordeste do país (BARBOSA, VIANA, 2017). O clima é caracterizado como semiárido, 
apresenta baixo volume de chuva, geralmente entre 400 e 120 mm por ano e elevadas 
temperaturas (TABARELLI et al., 2018).
A ausência de chuvas é um dos grandes desafios desse bioma, já que leva a grandes 
períodos de seca afetando humanos e animais. Por conta da escassez hídrica, a fauna 
e flora desse bioma apresentam mecanismos de adaptação (BARBOSA, VIANA, 201). 
Na Figura 2 é possível verificar um exemplo de planta típico desse bioma. 
Figura 2: Exemplo de planta característica da Caatinga.
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/caatinga-mandacar%C3%BA-deserto-2644849/
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No que se refere a biodiversidade, a caatinga apresenta o que chamamos de 
organismos endêmicos, ou seja, encontrado somente naquela região. Como por 
exemplo, a jararaca da caatinga, o soldadinho-do-araripe e o rabo branco de calda 
larga que são tipos de aves (GARDA et al. 2018). 
Em relação aos desafios desse bioma, assim como na Amazônia, a Caatinga vem 
sendo impactada pelo desmatamento e pela exploração predatória agrícola e pastoril. 
Os efeitos dessas atividades já são notados na biodiversidade da fauna e na flora, 
na qualidade do solo e na aceleração do processo de desertificação (BRITO, 2012; 
FRANCISCO et al. 2020). 
No aspecto acadêmico, salienta-se que a caatinga apresenta uma menor quantidade 
de estudos em comparação aos demais. Sua cobertura de áreas em Unidades de 
Conservação é de somente 0,65% (EMPRAPA, 2006), o que é implica em mais desafios 
para sua conservação. 
2.1.3 Cerrado 
Esse bioma (Figura 3) é o segundo maior bioma brasileiro, apresenta cerca de 200 
milhões de hectares (D’ANGIOLI, 2021). Ele abrange os estados de Goiás, Tocantins, 
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, 
Paraná, São Paulo e o Distrito Federal, em alguns de forma total e outros parcialmente 
(BARSANO; BARBOSA, 2014).
Em relação as condições climáticas, o período chuvoso, ocorre entre outubro até 
março e o seco de abril a setembro (LENZA, 2006). Apresenta uma pequena variação de 
temperatura anual e bastante luminosidade (GALHARTE, CRESTA, 2010). No Cerrado, 
encontram-se importantes bacias hidrográficas como a do Rio Paraná, São Franscisco 
e Tocantis-Araguaia (GALHARTE, CRESTA, 2010). As condições ambientais desse 
bioma favorecem a produção agrícola e pecuária, no entanto, essa prática tem sido 
intestiviad ao longo do tempo (GALHARTE, CRESTA, 2010). 
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Figura 3: Bioma cerrado
Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/cerrado-desmatamento-goi%C3%A1s-goi%C3%A2nia-777775/
Algumas espécies de animais são características desse bioma como por exemplo, o 
lobo-guará, ararinha, cachorro-do-mato, queixada, tamanduá-bandeira, anta (BARSANO; 
BARBOSA, 2014). Na Figura 4, pode-se observar o tamanduá-bandeira, um animal que 
faz parte do Cerrado.
Figura 4: Tamanduá-bandeira
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/tamandu%C3%A1-bandeira-comedor-de-formigas-4423584/
https://pixabay.com/pt/photos/tamandu%C3%A1-bandeira-comedor-de-formigas-4423584/
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O Instituto de Conservação de Animais Silvestres desenvolveu o Projeto Bandeiras 
e Rodovias. O intuito desse projeto é compreender a taxa de mortalidade de 
tamanduás-bandeiras provenientes de acidentes em rodovias, desenvolvendo 
ações de monitoramento, instruções, educação ambiental, entre outros. Se quiser 
conhecer mais sobre o projeto acesse: https://www.icasconservation.org.br/
projetos/bandeiras-e-rodovias/.
Conforme mencionado previamente, grande parte desse bioma é destinado 
a atividades de pastagem e agricultura. O uso do cerrado para tais fins, tem 
comprometido a qualidade dos solos, aumentado a ocorrência de queimadas 
oriundas da pastagem tem comprometido a biodiversidade única desse bioma 
(KLINK, MACHADO, 2005). 
 O cerrado é considerado um hotpost de biodiversidade, ou seja, apresentam 
uma abrangente diversidade biológica, incluindo espécies endêmicas, mas que são 
afetadas pelas atividades antrópicas, e que precisam de estratégias de conservação 
(STRASSBURG, 2017).
2.1.4 Mata atântica 
Esse bioma (Figura 5) se estende por grande parte do litoral brasileiro, abarcando 17 
dos estados brasileiros e ainda abrange, parte da Argentina, e do Paraguai (EMPRAPA, 
2006; BARSANO; BARBOSA, 2014). Até os anos 1500 a Mata atlântica apresentava 
cerca de 1,3 milhões de quilômetros quadrados, mas em detrimento de atividades 
agrícolas e da urbanização, atualmente somente 8% desse bioma apresenta floresta 
em estágio conservado (EMPRAPA, 2006; ALMEIDA, 2016). As implicações ambientais 
da Mata Atlântica têm uma relação com os ciclos econômicos que ocorreram no 
Brasil, como o de cana-de-açúcar, café e algodão (EMPRAPA, 2006).
Figura 5: Mata atântica
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/mata-atl%C3%A2ntica-mangue-brasil-4569459/
https://www.icasconservation.org.br/projetos/bandeiras-e-rodovias/
https://www.icasconservation.org.br/projetos/bandeiras-e-rodovias/
https://www.icasconservation.org.br/projetos/bandeiras-e-rodovias/
https://pixabay.com/pt/photos/mata-atl%C3%A2ntica-mangue-brasil-4569459/
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A área remansecente desse bioma apresenta uma riqueza de biodiversidade, que é 
matinda por manancianciais que propipiciam a qualdiade do solo, dos recursos naturais 
e favorem o equilíbrio do clima (BARSANO, BARBOSA, VIANA, 2014). Animais como 
por exemplo, o mico-leão-dourado (Figura 6), arara-azul pequena, bugio fazem parte 
desse bioma, e estão ameaçados de extinção (BARSANO; BARBOSA, 2014). 
Figura 6: Mico-leão-dourado
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/mico-le%C3%A3o-dourado-macaco-5909003/
Como estratégia de conservação da Mata Atlântica, foram implementados corredores 
ecológicos, que segundo Sistema Nacional de Unidades de Conservação são:
 
porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de 
conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento 
da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas 
degradadas, bem como a manutenção de populações que demandam 
para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das 
unidades individuais (BRASIL, 2000). 
A ocorrência de espécies com ameaça de extinção, bem como as endêmicas, como 
já mencionadas, são essenciais para o desenvolvimento desses corredores. Na Mata 
Atlântica, temos o corredor central que corresponde a 8,5 milhões de hectares e está 
situada em todo o estado do Espírito Santo e na parte sul da Bahia, além de apresentar 
83 Unidades de Conservação. Para atingir a conservação desses corredores, atividades 
de capacitação social são realizadas, bem como monitoramento ambiental, fiscalização, 
entre outros (BRASIL, 2006).
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Atualmente atividades antrópicas como corte ideal de arvóres, poluição dos recursos 
naturais, aumento da urbanizção tem impactado a Mata Atlântica (BARSANO; BARBOSA, 
2014). Uma informação importante sobre esse bioma é que cerca de 70% dos brasileiros 
vivem em áreas que abrangem a Mata Atlântica. Esses dados demonstram como a 
demanda de áreas para a construção de moradias e indústrias e outras atividades 
podem ter corroborado para a degradação da Mata Atlântica (BARBOSA, VIANA, 2017). 
 
2.1.4 Pampa
Esse bioma (Figura 7) tem uma característica interessante, pois somente o estado 
do Rio Grande do Sul, faz parte do Pampa.and sertraline, alone and in 
combination, to a bivalve species: size-dependent interaction and potential toxication 
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	Conceitos e e definições
	Biomas brasileiros
	Compartimentos ambientais
	Indicadores de qualidade do solo
	Identificação de áreas degradadas 
	Principais estratégias e técnicas de recuperação de áreas degradadas utilizadas no Brasil
	Solos degradados
	MANEJO DE ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS
	Técnicas de recuperação de ecossistemas aquáticos- FINALIZADO
	Espécies vegetais utilizadas em recuperação de áreas degradadas 
	O monitoramento ambiental e a gestão ambiental como aliados na recuperação de áreas degradadas
	Legislação ambiental
	Plano de recuperação de áreas degradadas e EIA/RIMA
	Educação ambiental e participação social no contexto da recuperação de áreas degradadas
	Estudos de caso e desafios futuros da recuperação de áreas degradasAlém da metade sul do estado brasileiro, 
também abrange parte da Argentina e do Paraguai (EMBAPA, 2006; BARSANO, 
BARBOSA, VIANA, 2014). 
 Nesse bioma o clima desse bioma é temperado, e sua paisagem pode ser bastante 
distinta, já que exibe desse serras até vastas áreas de planícies, de forma majoritária 
a vegestação é composta por campos e arbustos (BARBOSA, VIANA, 2014). 
Cabe salientar que, esse bioma é delimitado com a Mata Atlântica (EMPRAPA, 
2006). Apresenta uma grande biodiversidade, que ainda não foi totalmente explorada 
em estudos acadêmicos (CASTRO et al. 2019). 
Figura 7: Pampa
Fonte: https://www.freeimages.com/photo/campo-1370581
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ÁREAS DEGRADADAS
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Alguns autores atribuem a prática de monocultura e plantio de espécies exóticas 
como fatores responsáveis pela degradação desse bioma (CASTRO et al., 2023).
ANOTE ISSO
Espécies exóticas são organismos da fauna e da flora que ocorrem em ambientes 
que não fazem parte da sua área natural. Geralmente, esses organismos são 
introduzidos pelos humanos, de forma intencional ou não. As espécies exóticas 
afetam de forma direta biodiversidade local, mas indeiretamente podem impactar na 
a economia, bem como a saúde humana (IBAMA, 2022). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Os javalis foram inseridos no Brasil, principalmente na região Sul com finalidade 
de domesticação e caça. Acredita-se que um evento de seca em 1989 favoreceu a 
inserção desses animais no Sul do país vindo do Uruguai, através do Rio Jaguarão. 
A ocorrência dessa espécie exótica traz prejuízos para o ambiente, pois, esse animal 
causa impactos sobre a fauna e floral nativas do Pampa, colocando em risco 
também a economia local, além de ser capaz de transmitir doenças (IBAMA, 2020). 
2.1.4 Pantanal 
Esse bioma (Figura 8) tem cerca de 160.000 km² de extensão no Brasil, abrangendo 
os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além disso, também está presente 
em outros países como a Bolívia e o Paraguai. O Pantanal está inserido na Bacia 
Hidrográfica do Alto do Rio Paraguai (BRITO, 2012). Esse bioma é considerado a maior 
região alagada a nível mundial, é uma planície que está em constante processo de 
inundações (BRITO, 2012; BARSANO; BARBOSA, 2014).
Em relação aos fatores climáticos do Pantanal, sua característica é de clima 
tropical. Apresenta os período chuvosos nos meses de outubro a março e seco nos 
demais meses. Nos períodos chuvosos, as planícies ficam alagadas, já que ultrapassa 
a capacidade dos solos de retenção da água. No entanto, nos períosos secos, em 
alguns casos, impacta na mortalidade de animais por desistração e também afeta 
os moradores desse bioma (BARBOSA, VIANA, 2014). 
RECUPERAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS
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Figura 8: Pantanal
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/nRAZpu0DCIY
O Pantanal também foi descrito pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade 
e Reserva da Biosfera tendo em vista sua grande relevância (BARSANO; BARBOSA, 
2014).
Nesse bioma, alguns animais são bem característicos como a onça-pintada, o jacaré-
do-pantanal, lobo-guará, onça-pintada, capivaras, entre outros (BARSANO; BARBOSA, 
2014). No entanto, muitos desses organismos estão ameaçados de extinção.
RECUPERAÇÃO DE 
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Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/fotografia-animal-fotografia-de-animais-perigo-risco-13832829/
Assim como os demais biomas brasileiros, o Pantanal também vem sendo impactado 
com atividades antrópicas, dentre elas o desmatamento, queimadas assoreamento 
de rios, pecuária extensiva, erosão das margens de rios, urbanização, uso exacerbado 
de pesticidas e biocidas, entre outros (BRITO, 2012). 
Compreender os biomas é essencial para embasar os projetos de recuperação 
de áreas degradadas , já que é preciso endenter toda a complexidade que envolve 
essas áreas, como as características do clima, as espécies nativas, as questões 
socioambientais, as principais fontes de poluição, entre outros. 
RECUPERAÇÃO DE 
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CAPÍTULO 3
COMPARTIMENTOS 
AMBIENTAIS
3.1 Compartimento atmósferico 
A atmosfera é cmposta por quatro gases importantes, o nitrogênio molecular, 
oxigênio, argônio e dióxido de carnobo (VALERRO, 2014). Relembrando os conceitos 
de química, o ar é inerte, ou se não reativo (VALERRO, 2014). O ar é extramente 
importante para a manutenção das diferentes formas de vida do nosso planeta. 
O ar sem qualquer tipo de influência humana é considerado não poluído, no entanto, 
atualmente não é possível detectar ambientais em todo o planeta, que não tenham 
algum grau de poluição atmosférica, até mesmo em locais mais remotos (VALERRO, 
2014). Esse resultado é muito alarmante!
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 99% da população mundial 
residem em locais acima dos níveis de poluição atmosférica estabelecido (WHO, 
2022), sendo um fator que pode desencadear novas enfermidades.
No primeiro capítulo foi mencionado sobre a poluição desse compartimento 
ambiental. Mas, não tratamos de um assunto bastante perntinente, o efeito 
estufa. O efeito estufa é um fenômeno natural, fundamental para manuntenção da 
temperatura da Terra. No entanto, por conta de atividades antropogênicas como 
queima de combustíveis fossíveis, queimadas e outros processos que liberam 
metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e dióxido de carbono (CO2), colaboraram 
para o incremento do efeito estufa e como consequência no aquecimento global 
(VALERRO, 2014). Na Figura 1, é possível verificar algumas atividades humanas que 
favorecem o aumento do efeito estufa. 
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Figura 1: Exemplos de fontes antrópicas que favorecem o efeito estufa
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa
Diante desse cenário do aumento do efeito estufa, e seus desdobramentos, em 
1997, no Japão foi constituído através de diferentes representantes de vários países, 
o Protocolo de Kioto, um tratado para firmar o compromisso da redução da emissão 
dos gases do efeito estufa. Cabe salientar que na época os Estados Unidos, um dos 
países que contribuem de forma significativa para a poluição do ar, não aderiram ao 
tratado de Kyoto (BARSANO, BARBOSA, VIANA, 2014). Ressalta ainda que apesar de 
ter sido desenvolvido em 1997, o protocolo entrou em vigor em 2005 (MMA, 2023). 
 Além do efeito estufa, destaca-se ainda que a poluição do ar traz desdobramentos 
para a saúde humana, já que tem sido verificação a relação com implicações na 
gestação, no sistema respiratório, aumento de asma brônquica, câncer de pulmão 
(ARBEX et al. 2012). 
ANOTE ISSO
Você sabia que existem bioindicadores de qualidade do ar? Um exemplo, são 
os líquens (Figura 2), que constiem na união de algas e fungos através de uma 
relação que chamamos de símbiose, ou seja, que traz benefícios para ambos. Os 
líquens geralmente vivem sobre plantas e rochas.Eses organismos são sensíveis a 
poluição e indicam as mudanças da qualidade do ar atráves de alterações em sua 
morfologia, fisiologia, na absorção de poluentes, entre outros (Kuldeep; Prodyut, 
2015 
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Figura 2: Líquens
Fonte: https://visualhunt.com/f7/photo/16344126803/ec5e848503/
3.2 Compartimento aquático
A água desempenha uma função vital para a manutenção das diferentes formas 
de vida no planeta. Nosso planeta é coberto por água (Figura 2) em cerca de 71% da 
superfície terrestre (MILLER; SPOOLMAN, 2016). Recapítulando as aulas de química e 
biologia, a fórmula química desse elemento tão importante constitui dois átomos de 
hidorgênio e um átomo de oxigênio. No contexto químico, a água é considerada um 
solvente universal, poispropicia diferentes reações químicas (REICHARDT; TIMM, 2016). 
Figura 2: Planeta Terra. 
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/terra-globo-planeta-mundo-espa%C3%A7o-11015/
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Já no aspecto da Biologia e Ecologia, não podemos deixar de ressaltar que a água 
é essencial para o ser humano, bem como no equilibrio ecossistêmico e nas relações 
de dependência entre os diferentes organismos e o ambiente (BACCI, PATACA, 2008). 
Para os seres humanos a água representa inúmeras funções, desde as questões 
biológicas até seu emprego e influência em hábitos e costumes. Esse recurso é usado 
em inúmeras atividades como agricultura, no setor industrial, na mineração, entre 
outros (BACCI, PATACA, 2008). 
A ausência desse recurso leva a fome, mortalidade e seu excesso gera inundações 
que também implicam na vida humana (CHAPLIN, 2001). Através da água pode-se 
contrair doenças, o que é denominado como doenças de veiculação hídrica, como por 
exemplo, a ascaridíase, amebíase, hepatite A (DUARTE, 2014), que são associadas ao 
ausência de saneamento. Na Figura 3, podemos ver o lançamento de esgoto sanitário 
diretamente no corpo hídrico, sem nenhum tipo de tratamento prévio.
Figura 3: Lançamento de esgoto
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/sujo-manchado-casas-residencias-5368119/ em um corpo d’água
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ISTO ESTÁ NA REDE
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, em 2021, cerca 
de 45% de brasileiros não tinham acesso ao esgoto sanitário, o que representa 
aproximadamente 100 milhões de brasileiros. Esse dado é bastante alarmante, pois, 
indica, o quanto é preciso ainda ser investido nessa questão e nos faz refletir sobre 
os impactos desse serviço tão primordial para a população, que tem uma relação 
direta com a saúde pública e com a qualidade hídrica. Caso tenha interesse em se 
aprofundar nesses dados de saneamento, acesse o site: http://antigo.snis.gov.br/painel-
informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento.
A água se apresenta como uma temática multidisciplinar, ou seja, pode ser estudada 
e abordada sobre diferentes áreas do conhecimento. Segundo pesquisadores, é o 
compartimento ambiental mais investigado quando comparado aos demais (CHAPLIN, 
2001). 
Ainda sobre a questão descrita previamente sobre a poluição hídrica, até em ambientes 
mais remotos como a Antártida apresentam algum nível de poluição. Isso foi 
evidenciado em um estudo conduzido por González-Alonso e colaboradores 2017 que 
detectaram resíduos de produtos farmacêuticos como, acetaminofeno, diclofenaco e 
ibuprofeno nas águas superficiais na região norte da Península Antártica. 
3.4 Compartimento terrestre
O solo envolve uma séries de composições, de rochas, nutrientes, matéria orgânica, água, 
ar e organismos, muitos deles decompositores (Figura 4) (MILLER; SPOOLMAN, 2016. A 
formação desse compartimento ocorre atráves do processo de intemperismo, ou seja, a 
soma de processos físicos, químicos e biolológicos atuam sobre as rocham degradando-as 
em partículas, formando o solo (SANTOS; DAIBERT; MILLER; SPOOLMAN, 2016;)
Figura 4: Solo.
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/c3rmcDjVDbc
http://antigo.snis.gov.br/painel-informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento
http://antigo.snis.gov.br/painel-informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento
http://antigo.snis.gov.br/painel-informacoes-saneamento-brasil/web/painel-setor-saneamento
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ÁREAS DEGRADADAS
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Cabe salientar que o solo é responsável pela manutenção de diversos organismos 
terrestres, também funciona como um local de purifização e armazenamento hídrico. 
Esse compartimento ambiental também contribui para a regulação climática e tem 
papel importante no ciclo do carbono (MILLER; SPOOLMAN, 2016). 
 Os solos apresentam diferentes camadas que são denominadas horizontes (O, A, B 
e C), e podem apresentar uma variação de acordo com as propriedades físicas desse 
compartimento ambiental. No horizonte O é verificada a presença da fauna e da flora, é 
a camada composta por matéria orgânica. O horizonte A, é a camada de superfície do 
solo, com a mudança de alteração da sua coloração proveniente de decomposição da 
matéria orgânica. O horizonte B é o subsolo, sua coloração com tom mais amarelado 
tem influência de minerais, apresenta uma composição de argila, lodo e cascalho. Por 
fim o, o horizonte C é o material de origem, ou seja é a composição da rocha matriz 
(MILLER; SPOOLMAN, 2016; STEIN, 2017). 
 
Figura 5: Horizontes do solo
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa
 Um dos fatores que tem favorecido a degradação desse compartimento, é o processo 
de erosão. A erosão pode ser de origem natural ou antropogênica que desgata o solo, 
através de ação da água, vento, ou de atividades como agricultura, desmatamento 
(Figura 6) . Esse processo também pode levar a desertificação (BARSANO, BARBOSA, 
VIANA, 2014). 
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Figura 6: Queimadas contribuindo para a erosão do solo. 
Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/inc%C3%AAndio-campo-combate-a-inc%C3%AAndios-6706669/
3.5 Compartimento de sedimento
Os sedimentos são compostos por partículas minerais, orgânicas e inorgânicas 
finas que é depositado no fundo de diferentes ambientes aquáticos como rios, lagos, 
estuários e oceanos (GARCIA; PASSOS, 2012).
 Os sedimentos abrigam muitos organismos como os organismos bentônicos, ou 
seja, animais que vivem dentro ou sobre diferentes substratos, como os sedimentos 
por exemplo. Esses organismos apresentam um papel importante na cadeia trófica, 
na ciclagem de nutrientes, e alguns são utilizados como bioindicadores de qualidade 
ambiental, pois são sensíveis as mudanças ambientais (BARROS JUNIOR et al. 2009; 
JUNG et al. 2012). Alguns exemplos de animais bentônicos, gastrópodes, crustáceos, 
bivalves, equinodermas. Na Figura 7, podemos observar um ouriço-do-mar, que é um 
organismo bentônico. 
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Figura 7: Ouriço-do-mar
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/5XXa-Z3VAYc
 No que se refere ao uso desses organismos como bioincadores, um exemplo, 
utilizado são os bivalves (Figura 8). Estes, podem bioacumular diversos contaminantes 
em seus tecidos (DODDER et al., 2014), em função do seu hábito alimentar, que é feito 
através da filtração de partículas presentes na água.
Figura 8: Exemplo de bivalve.
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/mexilh%C3%B5es-cartuchos-frutos-do-mar-419052/
Vários tipos de poluentes podem impactar o sedimento e os organismos que vivem 
nesse compartimento ambiental, como por exemplo os microplásticos, pesticidas, 
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descarte de efluentes sem tratamento, hidrocarbonetos policiclicos aromáticos, entre 
outros (GARCIA; PASSOS, 2012; UDIN et al. 2021). 
3.6 Interações entre os compartimentos
Nos tópicos anteriores, os compartimentos ambientais, foram descritos de forma 
isolada, mas os impactos no meio ambiente podem influênciar na qualidade do ar, 
da água, do solo e do sedimento. Um exemplo, é a poluição por resíduos sólidos. O 
processo de incineração, é um dos métodos para a diminuição do lixo e na prevenção 
de vetores, no entanto, a queima de dos resíduos libera para a atmosfera substâncias 
tóxicas, que contribuem para a poluição atmosférica e causam efeitos negativos 
também para a saúde humana (GOUVEA; PRADO, 2010). 
 No que se refere ao compartimento aquático, sabe-se que aproximadamente 
8 a 11 milhões de toneladas de plásticos chegam até os oceanos (WILLIAMS; 
RANGEL-BUITRAGO, 2022) . Essa quantidade exacerbadade plástico coloca em 
risco a biodiversidade, impacta a qualidade desse recurso e implica também na vida 
humana (Figura 9). Atualmente, além do plástico, vem ganhando destaque entre os 
pesquisadores os efeitos dos microplásticos no ambiente. 
Figura 9: Poluição por plástico 
Fonte: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/FxnqdmKBJps
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Os microplásticos são a degrdação do plástico, que em escala micrométrica e 
milimétrica, que tem gerado preocupação, já que podem ser carreados de forma fácil 
e ráida no ambiente, podem se acumular nos organismos via teia trófica (PENG et al. 
2020). Além disso, estudos já demonstram que server como facilatores de transporte 
de outros poluentes como resíduos farmacêuticos, corantes, plastificantes, retardantes 
de chama, entre outros (SANTOS et al. 2021; MONTAGNER et al. 2021). 
Ainda no contexto dos microplásticos, é importante destacar que eles ocorrem não 
só na água, mas também no sedimento, no ar e até mesmo em amostras de alimentos 
(OLIVATO et al. 2018; SAJAD et al. 2023)
 Em relação ao solo, o descarte de resíduos sólidos nos lixões, são ainda comuns 
em muitos países, como no Brasil, que ainda conta com cerca de 1.572 unidades em 
seu terrítorio (SNIS, 2021). Essa disposição inadequada contamina os solo e recursos 
hídricos subterrâneos (ALI et al. 2014). 
 Por fim, gostaria de ressaltar a importância de conhecer sobre os diferentes 
compartimentos ambientais para atuar na recuperação de áreas degradadas, uma 
vez que é preciso lembrar que esses compartimentos estão associados, como foi 
exemplificado anteriormente, logo é importante pensar nessas conexões nos processos 
de recuperações e restauração e áreas impactadas e na garantia da sustentabilidade. 
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CAPÍTULO 4
INDICADORES DE 
QUALIDADE DO SOLO
No capítulo 3, você conheceu os diferentes compartimentos, incluindo o solo. Nesse 
capítulo trataremos de outras temáticas importantes quando se trata de solo, os 
indicadores de qualidade do solo. Como forma de monitorar os solos, propriedades físicas, 
químicas e biológicas tem sido empregada como indicadores desse compartimento 
ambiental apontando possíveis alterações de sua qualidade. 
Antes de adentramos nesses indicadores, é válido salientar que existem três fatores 
(Figura 1) que definem a qualidade dos solos, sendo eles:
1. Produtividade: A capacidade do solo de impulsionar o crescimento vegetal e a 
produtividade biológica.
2. Qualidade ambiental- Capacidade do solo de reduzir a presença de contaminante 
que causam efeitos negativos para o ambiente, aos organismos patógenos e 
aos impactos externos
3. Saúde ambiental- A correlação da qualidade do solo e a fauna, saúde ambiental 
e pública 
Figura 1: Pilares da qualidade ambiental do solo.
Fonte: Adptado de Doran et al. (1994)
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4.1 Indicadores físicos de qualidade do solo
Várias características podem ser utilizadas como indicadores físicos de saúde do 
solo, nesse tópico trataremos de alguns exemplos, conforme os itens abaixo:
• A textura do solo refere-se à distribuição das diferentes partículas que o compõem 
em termos de tamanho. As partículas do solo são classificadas da seguinte 
maneira: Argila (PROF.a RAFAELA DOS SANTOS COSTA
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Uma revisão realizada por Maurya et al. 2020, descreve alguns exemplos de 
indicadores químicos de qualidade do solo (Figura 4), tais como:
• Salinidade do solo: Pode ser utilizada como um indicativo da fertilidade do solo, 
bem como da redução da comunidade de microrganismos nesse ambiente.
• pH: É utilizado como um indicativo do crescimento ou da atividade microbiana.
• Capacidade de troca catiônica: É empregada para avaliar a capacidade do solo 
de reter nutrientes, além de sua fertilidade.
• Nitrogênio: Este nutriente tem o potencial de indicar a fertilidade do solo.
• Matéria orgânica do solo: É um indicador da qualidade do solo que evidencia 
processos de degradação, como a erosão, bem como o potencial de retenção 
de água, a atividade biológica e diversidade neste ambiente, além de alterações 
em sua textura.
• Potássio: É usado para indicar o potencial de fertilidade do solo; um aumento 
deste nutriente no ambiente do solo pode resultar na diminuição da atividade 
das comunidades microbianas, mas o seu aumento do crescimento das plantas 
e culturas 
• Fósforo: Indica as alterações na fertilidade do solo, assim como mudanças na 
comunidade de microrganismos.
• Enxofre: Assim como outros indicadores, também influencia a fertilidade do solo, 
contribuindo para o aumento da produtividade das plantas, a síntese proteica 
para defesa contra estresses abióticos e bióticos, e facilitando a fixação de 
nitrogênio.
Figura 4: Esquema resumido de alguns indicadores químicos de qualidade do solo
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa a partir de Maurya et al. (2020).
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4.3 Indicadores biológicos da qualidade do solo
Os indicadores biológicos ou bioindicadores referem-se a organismos ou processos 
que demonstram a qualidade dos solos. Os indicadores biológicos podem ser variados, 
como a biomassa microbiana, atividade enzimática, respiração microbiana, entre outros. 
Nesse tópico serão demonstrados alguns exemplos desses indicadores biológicos.
A biomassa microbiana é um indicador biológico crucial deste ambiente, 
representando a fração viva e ativa presente na matéria orgânica do solo, composta 
principalmente por fungos e bactérias. A quantificação da biomassa microbiana 
desempenha um papel fundamental na avaliação da abundância de organismos no 
solo (JUNIOR; MENDES, 2007; MATSUMOTO; MARQUES, 2015; MÜLLER, 2021). 
As enzimas presentes no solo são principalmente proteicas e desempenham um 
papel fundamental ao acelerar reações termodinâmicas (MÜLLER, 2021). As reações 
químicas que ocorrem nesse ambiente geralmente estão associadas às atividades 
enzimáticas. Algumas enzimas, como a fosfatase alcalina, β-glicosidase, arilsulfatase 
e urease, estão intimamente ligadas à dinâmica de importantes ciclos biogeoquímicos, 
como os ciclos do carbono, nitrogênio e fósforo (MATSUMOTO; MARQUES, 2015). 
Essas enzimas podem ser consideradas indicadoras potenciais, uma vez que refletem 
alterações significativas na qualidade do solo, principalmente por serem suscetíveis as 
alterações causas por impactos ambientais associados ao manejo (MÜLLER, 2021). 
Além disso, segundo a literatura o método para análise de enzimas é considerado 
rápido e relativamente simples (MÜLLER, 2021). 
Foram mencionados dois exemplos de bioindicadores relacionados a microrganismos 
e de processos enzimáticos, mas, você sabia que as minhocas (Figura 5), são bastante 
utilizadas como indicadores biológicos ?
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Figura 5: Minhoca
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/minhoca-solo-sujeira-macro-686593/
A utilização desses organismos apresenta vantagens, como a facilidade de 
identificação e amostragem. Além disso, a presença desses organismos sugere a 
existência de um solo de boa qualidade. Como indicadores biológicos, podem demonstrar 
a abundância e a composição desses organismos em uma determinada área, bem 
como a bioacumulação de substâncias (FRÜND et al. 2010). A bioacumulação (Figura 
6) é um conceito importante nas áreas ambientais, refere-se ao processo em que 
as substâncias químicas absorvidas por organismos via alimentação ou de outras 
fontes, não são eliminadas ou metabolizadas, e acabam acumulando nos tecidos dos 
organismos ao longo de sua vida (CAIN et al. 2018). 
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Figura 6: Esquema representativo da bioacumulação
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Um estudo conduzido por Liu e colaboradores (2015), investigaram o efeito 
do composto bromadiolona um rodenticida (produto utilizado para controle de 
roedores) sobre a minhoca Eisenia fetida. Os pesquisadores constataram que o 
composto pode causar efeitos tóxico para as minhocas testadas em concentrações 
de 1mg/kg, além disso o rotenticida analisado é capaz de bioacumular nesse 
organismo e causar implicações sigficativas em seu crescimento. 
Além da bioacumulação, outro processo que pode acontecer no ambiente é o 
que chamamos de biomagnificação. A biomagnificação (Figura 7) está associado à 
bioacumulação, mas ocorre quando a concentrações de poluentes aumenta de acordo 
com a cadeia alimentar, portanto, os organismos considerados topos de nível tróficos 
apresentam as maiores concentrações de compostos prejudiciais (CAIN et al. 2018). 
Figura 7: Esquema representativo da biomagnificação
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
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Além de serem utilizadas como bioindicadores, as minhocas são utilizadas em 
ensaios laboratoriais, em uma área que chamamos de Ecotoxicologia terrestre. Mas, 
antes que você compreenda mais sobre a Ecotoxicologia terrestre e sua impoartâmcia 
para a avaliação dos solos, é importante que você aprenda alguns conceitos da ciência 
Ecotoxicologia. A Ecotoxicologia é uma disciplina que integra conceitos da Ecologia e da 
Toxicologia para avaliar os efeitos tóxicos de substâncias químicas nos ecossistemas 
(MANAHAN, 2013). 
Dentro da Ecotoxicologia, temos vários conceitos importantes, um deles é o que 
chamamos de ensaios de toxicidade, que são baseados no tempo de exposição a 
um poluente. Os ensaios de toxicidade aguda, são realizados em um menor tempo 
de exposição e avaliam em geral os efeitos de uma substância na mortalidade ou 
imobilidade em um organismo-teste. Já os ensaios de toxicidade crônica, analisam os 
efeitos tóxicos de um composto sobre uma parte do ciclo de vida do organismo-teste, 
como por exemplo, reprodução ou comportamento em um maior tempo de exposição 
(BERTOLETTI; ZAGATTO, 2008). 
No contexto da Ecotoxicologia terrestre, os experimentos realizados expondo os 
organismos-teste a um solo poluído podem auxiliar na compreensão de diferentes 
efeitos da substância testada no seu crescimento, mortalidade, reprodução, entre 
outros (NIVA; BROWN, 2019). 
No caso das minhocas, elas são utilizadas em diferentes testes de toxicidade, 
podendo ser utilizadas para avaliar crescimento, reprodução e comportamento 
(NIVA; BROWN, 2019). Um dos ensaios bastante interessantes utilizados é o de 
comportamento de fuga. Ele consiste na utilização de um recipiente-teste com 
uma divisória, e em cada parte do recipente-teste temos um solo contaminado 
e outro sem nenhum tipo de poluentes (solo-controle). Depois de incorporado os 
dois tipos de solo, a divisória é removida e são inseridas cerca de 10 minhocas, 
que irão escolher em qual o solo ficaram. Após a inserção das minhocas, esse 
recipiente será colocado em uma incubadora por 48 horas. Após o período de 
incubação, é colocado novamente a divisória e será analisado e contado em qual 
solo as minhocas ficaram durante o experimento. O experimento só é considerado 
válido se a mortalidadefor menor do que 10% (NIVA; BROWN, 2019). 
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ISTO ESTÁ NA REDE
A área de Ecotoxicologia terrestre tem crescimento bastante no Brasil e explorada 
por pesquisadores de várias instituições de pesquisas brasileiras. No livro 
“Ecotoxicologia terrestre: métodos e aplicações dos ensaios com oligoquetas” 
publicado em 2019 de autoria de Cintia Carla Niva e George Gardner Brown, 
você poderá conhecer mais sobre os ensaios de toxicidade como o exemplo que 
mencionei acima, além de aprender sobre outros organismos-teste que também 
são empregados para avaliar a qualidade dos solos. Para ter acesso coloque o título 
do livro conforme indicado acima e faça a busca na internet. Boa leitura!
Diante do exposto, é reforçado por Doran e colaboradores (1994) que o uso dos 
indicadores previamente mencionados de qualidade do solo por pesquisadores, 
agricultores, entre outros, devem seguir ser usados os seguintes critérios: 
• Abarcar os processos ecossistêmicos e correlacionar com modelagens. 
• Usar de forma conjunta as propriedades físicas, químicas e biológicas
• Ser aplicações ao contexto de campo e acessível para todos
• Adapte-se às mudanças na gestão e nas condições climáticas.
O entendimento dos indicadores químicos, físicos e biológicos de qualidade dos 
solos é fundamental no contexto de recuperação de áreas degradadas, auxiliam na 
compreensão de como está esse compartimento ambiental, permitindo tomar ações 
de mitigação para garantir a manutenção dos ecossistemas e serviços ecossistêmicos. 
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CAPÍTULO 5
IDENTIFICAÇÃO DE 
ÁREAS DEGRADADAS 
Neste capítulo vamos tratar de uma temática importante, a identificação de áreas 
degradadas, como as geotecnologia, estudos hidrológicos e utilização de índices e 
análise da biota. A utilização de tais métodos ou práticas podem auxiliar nas ações 
posteriores para a tomada de decisão e estratégias para a recuperação e restauração 
de ambientes impactados. 
5.1 Uso de geotecnologias
A utilização de geotecnologias e geoinformação por parte de empresas e órgãos, 
sejam eles públicos ou privados, tem experimentado um crescimento notável. Isso 
ocorre com o propósito de avaliar de maneira abrangente e eficaz a extensão do 
problema, ao mesmo tempo em que fornece apoio para a formulação de políticas 
públicas e a tomada de decisões relacionadas à recuperação, gestão e uso dessas 
áreas de terra (EMBRAPA, 2023).
Nesse tópico trataremos de duas geotecnologias utilizadas para a identificação de 
áreas degradadas, o sensoriamento remoto e os Sistemas de Informação Geográfica. 
O sensoriamento remoto é definido como a aplicação de sensores avançados para 
quantificar a energia eletromagnética emitida por objetos ou áreas a distância e, 
posteriormente, extrai informações relevantes por meio da aplicação de algoritmos 
fundamentados em conceitos matemáticos e estatísticos. Além disso, o sensoriamento 
remoto opera de forma conjunta e integrada com outras disciplinas, como por exemplo 
os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) (STEIN et al. 2020). 
Com base nas informações obtidas através do sensoriamento remoto, podemos 
ter dados sobre o ambiente e suas alterações ao longo do tempo e das alterações da 
paisagem em detrimento das atividades humanas. A aplicação do sensoriamento remoto 
pode ser variada, desde ações de planejamento, até mesmo para o monitoramento 
ambiental (STEIN et al. 2020). Toda essa captação de dados e pode possibilitar no 
entendimento na alteração de mudança de paisagem e agir frente a situação como 
o desmatamento ilegal (STEIN et al. 2020) e queimadas. 
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Os dados obtidos via sensoriamento remoto, de forma geral, são integrados aos 
SIG que via softwares possibilitam um melhor armazenamento, análise e visualização 
espacial dos das informações. 
Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) são considerados como ciência, a 
tecnologia, uma disciplina e metodologia, sendo aplicados com o propósito de resolver 
uma ampla gama de desafios. Estamos constantemente envolvidos com os SIG, seja de 
forma direta ou indireta, em nossas atividades diárias. Isso pode ocorrer ao utilizarmos 
dispositivos com capacidade de rastreamento de localização, acessando serviços online 
relacionados à geoinformação ou simplesmente ao interagir com produtos e serviços 
que estão intrinsecamente vinculados a locais específicos (LONGLEY et al. 2009). 
O SIG representa uma categoria especial de sistemas de informação que não apenas 
gerenciam eventos, atividades e objetos, mas também rastreiam sua localização ou 
existência (LONGLEY et al. 2009). 
O SIG pode ser aplicado em diferentes áreas, como por exemplo, na área de saúde 
para a resolução de problemas geográficos, auxiliando na escolha do melhor local 
para a implementação de hospitais (LONGLEY et al. 2009). Também ajudam aos 
profissionais da área ambiental através do monitoramento a entender a como estão 
ocorrendo processos no ambiente, tais como erosão, mudanças na paisagem, além 
de subsidiar estratégias de ações para a restauração e conservação de áreas de 
grande expansão como Unidades de Conservação e Parques Nacionais (LONGLEY 
et al. 2009). Esses são somente alguns exemplos, o SIG (Figura 1) está presente em 
inúmeras atividades do nosso cotidiano. 
Figura 1: Aplicações do Sistema de Informações Geográficas
Fonte: Elaborado por Rafaela Costa 
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No contexto da recuperação de áreas degradas, a aplicação do SIG tem sido utilizada, 
por exemplo para identificar áreas degradadas pelas atividades de pecuária (GALDINO 
et al. 2015). Destaca-se que a atividade e pastagem gera uma perda da qualidade do 
solo de aproximadamente 140.297 km2 de área destinada para essa finalidade em 
Goiás e no Distrito Federal (GALDINO et al. 2015). 
ISTO ESTÁ NA REDE
No site GeoDegrade da Embrapa é possível ter acesso a publicações científicas, 
sistema de informação geográfica dos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia 
e mapas de monitoramento por satélite da identificação das áreas que foram 
impactadas pela pastagem. 
O SIG e o sensoriamento remoto também pode ser aplicados de outras 
formas no contexto de recuperação de áreas degradadas, como uma forma de 
acompanhamento e monitoramento ambiental. Você irá aprender de forma mais 
detalhada sobre o monitoramento ambiental no capítulo 11. 
Essas geotecnologias também podem ser aplicadas em modelagens de situação 
ambiental que pode auxiliar na tomada de decisão. Além disso, podem ser usadas 
com outras informações sobre a áreas impactadas, complementando estudos 
geológicos, ecológicos, sociológicos, entre outros, para uma melhor compreensão 
dos danos de uma determinada localidade. 
5.2 Estudos hidrológicos 
A hidrologia é a ciência que se refere ao estudo da água no ambiente. É através dela 
que conseguimos compreender os fenômenos da precipitação, escoamento superficial, 
entre outros (PINTO, 1976). Portanto, estudos hidrológicos, são extremamente 
importantes para o entendimento do ciclo hidrológico e dos processos relacionados, 
climatologia, uso e ocupação dos solos, etc. (PIMENTEL, 2015). 
Um dos estudos hidrológicos é a avaliação da qualidade das águas, o que também 
é relacionado a recuperação de áreas degradadas. É importante reforçar que esse 
recurso pode ser poluído de diferentes formas, como por meio físico, que abrage a 
avaliação de sólidos, gases e da temperatura. Você lembra que no capítulo 1 tratamos 
de diferentes tipos de poluição? A poluição térmica, por exemplo está associada as 
alterações físicas da água. No que se refere a poluição química desse compartimento 
ambiental, abrange a detecção de diferentes substâncias como agrotóxicos,

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