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177 
Fernando Pessoa, vemos claramente que há montanhas, vales, planícies, florestas, árvores, 
flores e mato, vemos claramente que há riachos e pedras, mas não vemos que há um todo 
ao qual isso tudo pertence, afinal só conhecemos o mundo por suas partes, jamais como um 
todo. Mas, a partir do momento em que nos habituamos a representar a natureza como um 
todo, ela se torna, por assim dizer, um grande relógio, do qual podemos desmontar o 
mecanismo e cujas peças e engrenagem podemos aperfeiçoar. Na realidade, essa imagem 
começou a ganhar corpo relativamente tarde, a partir do século XVII, na Europa. Esse 
movimento, além de tardio na história da humanidade, só se produziu uma única vez. Para 
retomar uma fórmula muito conhecida de Descartes, o homem se fez então “mestre e 
senhor da natureza”. Resultou daí um extraordinário desenvolvimento das ciências e das 
técnicas, mas também a exploração desenfreada de uma natureza composta, a partir de 
então, de objetos sem ligação com os humanos: plantas, animais, terras, águas e rochas 
convertidos em meros recursos que podemos usar e dos quais podemos tirar proveito. 
Naquela altura, a natureza havia perdido sua alma e nada mais nos impedia de vê-la 
unicamente como fonte de riqueza. 
 
Philippe Descola. Outras naturezas, outras culturas. São Paulo: Editora 34, 2016, p.22-23 
(com adaptações). 
 
 
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, bem como às 
ideias nele expressas, julgue o item a seguir. 
 
Conclui-se das ideias do texto que entender o mundo como um todo é uma ideia esquisita 
porque a perspectiva de qualquer conhecimento é incompleta, parcial. 
 
( ) Certo 
( ) Errado 
 
293ª/ Banca: CESPE/CEBRASPE / Órgão: FUNPRESP-EXE / Cargo: Analista de Previdência 
 
Seja como for, está claro que a distinção entre o que seria natural e o que seria cultural não 
faz o menor sentido para os aborígenes australianos. Afinal de contas, no mundo deles, tudo 
é natural e cultural ao mesmo tempo. Para que se possa falar de natureza, é preciso que o 
homem tome distância do meio ambiente no qual está mergulhado, é preciso que se sinta 
exterior e superior ao mundo que o cerca. Ao se extrair do mundo por meio de um 
movimento de recuo, ele poderá perceber este mundo como um todo. Pensando bem, 
entender o mundo como um todo, como um conjunto coerente, diferente de nós mesmos e 
de nossos semelhantes, é uma ideia muito esquisita. Como diz o grande poeta português 
Fernando Pessoa, vemos claramente que há montanhas, vales, planícies, florestas, árvores, 
flores e mato, vemos claramente que há riachos e pedras, mas não vemos que há um todo 
ao qual isso tudo pertence, afinal só conhecemos o mundo por suas partes, jamais como um 
todo. Mas, a partir do momento em que nos habituamos a representar a natureza como um 
todo, ela se torna, por assim dizer, um grande relógio, do qual podemos desmontar o 
mecanismo e cujas peças e engrenagem podemos aperfeiçoar. Na realidade, essa imagem 
começou a ganhar corpo relativamente tarde, a partir do século XVII, na Europa. Esse 
movimento, além de tardio na história da humanidade, só se produziu uma única vez. Para 
retomar uma fórmula muito conhecida de Descartes, o homem se fez então “mestre e 
senhor da natureza”. Resultou daí um extraordinário desenvolvimento das ciências e das 
 178 
técnicas, mas também a exploração desenfreada de uma natureza composta, a partir de 
então, de objetos sem ligação com os humanos: plantas, animais, terras, águas e rochas 
convertidos em meros recursos que podemos usar e dos quais podemos tirar proveito. 
Naquela altura, a natureza havia perdido sua alma e nada mais nos impedia de vê-la 
unicamente como fonte de riqueza. 
 
Philippe Descola. Outras naturezas, outras culturas. São Paulo: Editora 34, 2016, p.22-23 
(com adaptações). 
 
 
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, bem como às 
ideias nele expressas, julgue o item a seguir. 
 
Conforme o texto, o conceito de natureza pressupõe o distanciamento do homem em 
relação ao ambiente onde ele vive. 
 
( ) Certo 
( ) Errado 
 
294ª/ Banca: CESPE/CEBRASPE / Órgão: ICMBIO / Cargo: Técnico Ambiental 
 
 Nossas cidades estão perdendo suas árvores rapidamente, mas até nisso somos um país 
desigual. Os bairros mais nobres do Rio de Janeiro e de São Paulo seguem maravilhosamente 
arborizados, alguns cada vez mais, frequentemente com árvores das mesmas espécies das 
que foram cortadas na frente da sua casa ou do seu trabalho por serem supostamente 
inadequadas, para não causarem danos à infraestrutura. 
 As castanholas, também conhecidas como sete-copas, são uma espécie extremamente 
abundante no Rio de Janeiro, mas demonizadas em outras regiões menos urbanizadas, como 
no Pará, por exemplo, sob o argumento de que “A raiz dela cresce demais” ou de que “Vai 
quebrar a calçada”. Árvores com raízes robustas e que crescem por grandes distâncias são 
acusadas de destruir a pavimentação, ao passo que aquelas de raízes reduzidas caem com 
facilidade. 
 As espécies de crescimento rápido são as que mais assustam os técnicos responsáveis 
pela arborização exageradamente tementes à infraestrutura. Todavia, as outras demoram 
uma eternidade para crescer, a vida passa ligeiramente e todos querem ver a tão sonhada 
arborização avançada. Não podem ficar muito altas, especificam os técnicos, nem derrubar 
muitas folhas. Se derrubarem frutos grandes, como mangas, por exemplo, nem pensar! 
Podem amassar a lataria de um carro! Flores e pequenos frutos podem manchar a pintura! 
Há também aquelas árvores que atraem morcegos. Melhor não! Espinhos estão fora de 
questão. E se alguém se machuca? Na autobiografia de Woody Allen, ele afirma algo 
interessante: mais do que os outros, o inferno é o gosto dos outros. 
 A expectativa é que, nas próximas décadas, a temperatura das cidades suba 
consideravelmente devido às mudanças climáticas globais. Nesse contexto, é muito bem-
vinda qualquer sombra que venha a reduzir a temperatura do asfalto, da calçada ou de uma 
parede. O canto dos pássaros e dos insetos e o colorido das flores também têm importante 
papel na qualidade de vida dos cidadãos, comprovadamente reduzindo o estresse e o risco 
de depressão. Esses são outros benefícios da arborização que, geralmente, não são incluídos 
no contexto técnico, mas que devem ser mais bem pesados na equação dos riscos e 
benefícios da arborização. 
 179 
 
Rodolfo Salm. Cadê a árvore que estava aqui?, 19/2/2021. 
Internet: (com adaptações). 
 
 
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item. 
 
O texto atribui à desigualdade social o fato de bairros nobres de grandes capitais brasileiras 
serem muito mais arborizados que outras áreas. 
 
( ) Certo 
( ) Errado 
 
295ª/ Banca: CESPE/CEBRASPE / Órgão: ICMBIO / Cargo: Técnico Ambiental 
 
Nossas cidades estão perdendo suas árvores rapidamente, mas até nisso somos um país 
desigual. Os bairros mais nobres do Rio de Janeiro e de São Paulo seguem maravilhosamente 
arborizados, alguns cada vez mais, frequentemente com árvores das mesmas espécies das 
que foram cortadas na frente da sua casa ou do seu trabalho por serem supostamente 
inadequadas, para não causarem danos à infraestrutura. 
 As castanholas, também conhecidas como sete-copas, são uma espécie extremamente 
abundante no Rio de Janeiro, mas demonizadas em outras regiões menos urbanizadas, como 
no Pará, por exemplo, sob o argumento de que “A raiz dela cresce demais” ou de que “Vai 
quebrar a calçada”. Árvores com raízes robustas e que crescem por grandes distâncias são 
acusadas de destruir a pavimentação, ao passo que aquelas de raízes reduzidas caem com 
facilidade. 
 As espécies de crescimento rápido são as que mais assustam os técnicos responsáveis 
pela arborização exageradamente tementes à infraestrutura. Todavia, as outras demoram 
uma eternidade para crescer, a vidapassa ligeiramente e todos querem ver a tão sonhada 
arborização avançada. Não podem ficar muito altas, especificam os técnicos, nem derrubar 
muitas folhas. Se derrubarem frutos grandes, como mangas, por exemplo, nem pensar! 
Podem amassar a lataria de um carro! Flores e pequenos frutos podem manchar a pintura! 
Há também aquelas árvores que atraem morcegos. Melhor não! Espinhos estão fora de 
questão. E se alguém se machuca? Na autobiografia de Woody Allen, ele afirma algo 
interessante: mais do que os outros, o inferno é o gosto dos outros. 
 A expectativa é que, nas próximas décadas, a temperatura das cidades suba 
consideravelmente devido às mudanças climáticas globais. Nesse contexto, é muito bem-
vinda qualquer sombra que venha a reduzir a temperatura do asfalto, da calçada ou de uma 
parede. O canto dos pássaros e dos insetos e o colorido das flores também têm importante 
papel na qualidade de vida dos cidadãos, comprovadamente reduzindo o estresse e o risco 
de depressão. Esses são outros benefícios da arborização que, geralmente, não são incluídos 
no contexto técnico, mas que devem ser mais bem pesados na equação dos riscos e 
benefícios da arborização. 
 
Rodolfo Salm. Cadê a árvore que estava aqui?, 19/2/2021. 
Internet: (com adaptações). 
 
 
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item. 
 180 
No segundo parágrafo, a eliminação das vírgulas que isolam o trecho “também conhecidas 
como sete-copas” prejudicaria a correção gramatical e os sentidos originais do texto. 
 
( ) Certo 
( ) Errado 
 
296ª/ Banca: CESPE/CEBRASPE / Órgão: ICMBIO / Cargo: Técnico Ambiental 
 
Nossas cidades estão perdendo suas árvores rapidamente, mas até nisso somos um país 
desigual. Os bairros mais nobres do Rio de Janeiro e de São Paulo seguem maravilhosamente 
arborizados, alguns cada vez mais, frequentemente com árvores das mesmas espécies das 
que foram cortadas na frente da sua casa ou do seu trabalho por serem supostamente 
inadequadas, para não causarem danos à infraestrutura. 
 As castanholas, também conhecidas como sete-copas, são uma espécie extremamente 
abundante no Rio de Janeiro, mas demonizadas em outras regiões menos urbanizadas, como 
no Pará, por exemplo, sob o argumento de que “A raiz dela cresce demais” ou de que “Vai 
quebrar a calçada”. Árvores com raízes robustas e que crescem por grandes distâncias são 
acusadas de destruir a pavimentação, ao passo que aquelas de raízes reduzidas caem com 
facilidade. 
 As espécies de crescimento rápido são as que mais assustam os técnicos responsáveis 
pela arborização exageradamente tementes à infraestrutura. Todavia, as outras demoram 
uma eternidade para crescer, a vida passa ligeiramente e todos querem ver a tão sonhada 
arborização avançada. Não podem ficar muito altas, especificam os técnicos, nem derrubar 
muitas folhas. Se derrubarem frutos grandes, como mangas, por exemplo, nem pensar! 
Podem amassar a lataria de um carro! Flores e pequenos frutos podem manchar a pintura! 
Há também aquelas árvores que atraem morcegos. Melhor não! Espinhos estão fora de 
questão. E se alguém se machuca? Na autobiografia de Woody Allen, ele afirma algo 
interessante: mais do que os outros, o inferno é o gosto dos outros. 
 A expectativa é que, nas próximas décadas, a temperatura das cidades suba 
consideravelmente devido às mudanças climáticas globais. Nesse contexto, é muito bem-
vinda qualquer sombra que venha a reduzir a temperatura do asfalto, da calçada ou de uma 
parede. O canto dos pássaros e dos insetos e o colorido das flores também têm importante 
papel na qualidade de vida dos cidadãos, comprovadamente reduzindo o estresse e o risco 
de depressão. Esses são outros benefícios da arborização que, geralmente, não são incluídos 
no contexto técnico, mas que devem ser mais bem pesados na equação dos riscos e 
benefícios da arborização. 
 
Rodolfo Salm. Cadê a árvore que estava aqui?, 19/2/2021. 
Internet: (com adaptações). 
 
 
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item. 
 
Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto, a expressão “por serem”, ao 
final do primeiro parágrafo, poderia ser substituída por que eram. 
 
( ) Certo 
( ) Errado

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