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33 117 QUESTÃO 31. Acerca do controle judicial relativo à omissão das autoridades competentes para a definição e a implementação de políticas públicas voltadas para a realização de direitos fundamentais, à luz da moderna jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que a) não é cabível o controle judicial nas hipóteses de omissão das autoridades competentes na definição e implementação de tais políticas públicas, sob pena de violação do princípio da separação de Poderes. b) caracterizada alguma omissão na definição e implementação de tais políticas públicas, o Judiciário deve substituir as autoridades competentes no exercício da aludida atribuição, preferencialmente mediante a imposição de determinações pontuais, privilegiando, assim, o princípio da separação de Poderes. c) qualquer conduta das autoridades competentes no sentido de definir tais políticas públicas, independentemente da caracterização de deficiência grave na sua implementação, impede a atuação do Judiciário, à luz do princípio da separação do Poderes. d) toda conduta do Judiciário no sentido de promover e implementar tais políticas públicas, a despeito da existência de projetos e implementação pelas autoridades competentes, não viola o princípio da separação de Poderes. e) considerando que as respectivas demandas se caracterizam como processos estruturantes, que tem lógica distinta do processo clássico, o poder Judiciário deve priorizar os diálogos institucionais e intersetoriais, em prol do princípio da separação de poderes. Comentários A alternativa correta é a letra E. Cuida-se de questão pertinente ao tema controle judicial de políticas públicas. A alternativa A está incorreta, porquanto em franco desacordo ao que restou decidido pelo STF, em repercussão geral, conforme tese de seguinte teor: “A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais, em caso de ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o princípio da separação dos poderes.” (RE 684612, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 03-07-2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 04-08-2023 PUBLIC 07- 08-2023) A alternativa B está incorreta, uma vez que, outra vez, não se afina com o entendimento assentado pelo Supremo, à luz da seguinte tese fixada no mesmo julgado: “A decisão judicial, como regra, em lugar de determinar medidas pontuais, deve apontar as finalidades a serem alcançadas e determinar à Administração Pública que apresente um plano e/ou os meios adequados para alcançar o resultado;” A alternativa C está incorreta. Conforme visto nos comentários à opção A, a tese firmada pelo STF condiciona, para que não haja violação à separação de poderes, a intervenção jurisdicional a que esteja configurada ausência ou deficiência grave do serviço. 34 117 A alternativa D está incorreta. Outra vez, se a condição para que a atuação judicial seja legítima consiste na constatação de ausência ou deficiência grave do serviço, é claro que, havendo projetos e implementação pelas autoridades competentes, a intervenção do Judiciário resultará em ofensa à separação de poderes. A alternativa E está correta. De fato, o conteúdo deste item reflete fundamentação lançada no voto vencedor do aludido precedente, da lavra do Ministro Luís Roberto Barroso, em especial no trecho a seguir colacionado: “o órgão julgador deve privilegiar medidas estruturais de resolução do conflito. Para atingir o ‘estado de coisas ideal’ – o resultado a ser alcançado –, o Judiciário deverá identificar o problema estrutural. Caberá à Administração Pública apresentar um plano adequado que estabeleça o programa ou projeto de reestruturação a ser seguido, com o respectivo cronograma. A avaliação e fiscalização das providências a serem adotadas podem ser realizadas diretamente pelo Judiciário ou por órgão delegado. Deve-se prestigiar a resolução consensual da demanda e o diálogo institucional com as autoridades públicas responsáveis.” QUESTÃO 32. Dentre os agentes públicos em relação aos quais não é aplicada a aposentadoria compulsória em razão da idade no âmbito do Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos, à luz da orientação do Supremo Tribunal Federal, é correto apontar a) os magistrados. b) os procuradores municipais c) os tabeliães e notários. d) os conselheiros dos Tribunais de Contas e) os servidores de carreira quando estão lotados em cargos em comissão, com relação ao cargo efetivo. Comentários A questão trata sobre a aposentadoria compulsória de agentes públicos, exigindo o conhecimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. A alternativa é a letra C. A alternativa C está correta. Primeiramente, cabe esclarecer que os tabeliães e notários não são considerados servidores públicos efeitos, em que pese exercerem atividade estatal. Dessa forma, consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STF, ADI 2.602), tabeliães e notários não fazem jus a aposentadoria compulsória. Vejamos: “o artigo 40, §1º, inciso II, da Constituição do Brasil, na redação que lhe foi conferida pela EC 20/98, está restrito aos cargos efetivos da União, dos Estados-membros, do Distrito Federal e dos Municípios – incluídas as autarquias e fundações. [...] Os notários e os registradores exercem atividade estatal, entretanto não são titulares de 35 117 cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público. Não são servidores públicos, não lhes alcançando a compulsoriedade imposta pelo mencionado artigo 40 da CF/88 (STF, ADI 2.602).” As demais alternativas estão incorretas, pois os demais agentes são servidores públicos. QUESTÃO 33. Com vistas a regular o transporte individual de passageiros na localidade, o Município Alfa fez editar uma lei que regulamentou a atividade de táxi, sem que seja necessária a realização de licitação para a respectiva autorização. Demais disso, tal norma vedou expressamente a realização do mencionado serviço por meio de aplicativos, bem como proibiu textualmente o transporte por mototaxi. Diante dessa situação hipotética, à luz da orientação do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que tal norma é inconstitucional a) em nenhum dos aspectos pela referidos, pois o Município está no regular exercício de sua competência, respeitando os princípios da ordem econômica. b) apenas em relação às vedações dela constantes, que extrapolam a competência municipal, considerando, ainda, a violação de princípios da ordem econômica. c) apenas em relação à autorização para os táxis, na medida em que ela deve ser obrigatoriamente precedida de licitação, apesar de não violar princípios da ordem econômica. d) apenas em relação ao transporte individual por aplicativo, diante da autorização para atividade constante da lei federal, tendo em vista os princípios da ordem econômica. e) em todos os referidos aspectos, pois a regulamentação do serviço em apreço é de competência da União, bem como diante da violação de princípios da ordem econômica. Comentários A alternativa correta é a letra B. A presente questão explorou domínio acerca do tema competência legislativa sobre transporte individual de passageiros. A alternativa A está incorreta. A hipotética lei descrita no enunciado seria inconstitucional, no que tange às vedação ali referidas, à luz da jurisprudência do STF, em controle concentrado de constitucionalidade, via ADPF, como se extrai do trecho ora transcrito: “A proibição legal do livre exercício da profissão de transporte individual remunerado afronta o princípio da busca pelo pleno emprego, insculpido no art. 170, VIII, da Constituição, pois impede a abertura do mercado a novos entrantes, eventualmente interessados em migrar para a atividade como consectário da crise econômica, para promover indevidamente a manutenção do valor depermissões de táxi.” (ADPF 449, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 08-05-2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-190 DIVULG 30-08-2019 PUBLIC 02-09-2019) A alternativa B está correta, porquanto seu teor afina-se com o que restou decidido no citado precedente. Com efeito, o Supremo realmente pronunciou a inconstitucionalidade de lei municipal que