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EAC 302 1. Diferencie as Teorias Administrativas de Enfermagem e relacione com as atividades do enfermeiro gestor. Teorias Administrativas É um conjunto de conhecimentos organizados que visa formatar o que se verifica como realidade. Teoria Científica: tem como principal teórico Taylor. Visava o aumento da produção e, para isso, preconizava a divisão do trabalho, a especialização do operário e a padronização das atividades. Ou seja, o operário passou a saber menos do todo para saber mais sobre a sua parte no trabalho. Além disso, valorizava-se o aumento salarial e um prêmio compatível com a produção, surgindo o conceito do “homem econômico”, onde o homem é motivado pela remuneração material, logo, quanto maior a remuneração, maior a produção. Outra característica é a supervisão funcional, ou seja, não só o funcionário é especializado, mas, também, o supervisor, ou seja, há uma autoridade funcional. A maior crítica à essa teoria é o seu aspecto mecanicista, ou seja, vê o seu funcionário como uma máquina, ignorando seus sentimentos, as relações interpessoais e os conflitos. Na enfermagem, possui reflexo na divisão do trabalho e na padronização das tarefas por meio da elaboração dos manuais de técnicas e de procedimentos e das escalas diárias de divisão de atividades. Teoria Clássica: tem como principal teórico Fayol. Visava a eficiência da organização pela adoção de uma estrutura adequada. Essa teoria foi influenciada pelo militarismo e pelas estruturas eclesiásticas, logo, Fayol concebeu a organização como uma estrutura rigidamente hierarquizada, estática e limitada. Fayol estabeleceu, também, alguns princípios como: divisão do trabalho, autoridade e responsabilidade, disciplina, unidade de comando, unidade de direção (plano para cada grupo de atividades que tenham o mesmo objetivo), subordinação do interesse particular ao geral, remuneração do pessoal, centralização, hierarquia, equidade e ordem. A divisão do trabalho era feita de maneira vertical e horizontal. Na vertical, houve o estabelecimento da autoridade linear, ou seja, há apenas um superior absoluto e todos os subordinados devem responder a ele. Já a divisão horizontal estabelece o agrupamento de atividades, ou seja, a departamentalização. Fayol também estabeleceu as funções administrativas, sendo: prever, organizar, coordenar, comandar e controlar. A grande crítica à essa teoria é de há preocupação apenas com a estrutura formal da organização, não admitindo a existência da estrutura informal, ou seja, as pessoas e suas relações interpessoais não são consideradas. O reflexo dessa teoria na enfermagem é que as pessoas e as relações não são consideradas, e as propostas de trabalho resultam em atividades rotineiras com avaliações exclusivamente quantitativas (quantidade > qualidade). Teoria das Relações Humanas: visa enfatizar a variável pessoas no lugar da estrutura, preocupando-se com os aspectos psicológico e sociológico do homem. Foi determinada pelas necessidades de humanização e democratização na administração de pessoal e pelo desenvolvimento das ciências humanas. Um marco no desenvolvimento dessa teoria foi uma experiência que concluiu que o nível de produção não era determinado pela condição física do trabalhador, mas pela integração do indivíduo no grupo social. Os pressupostos da Teoria Clássica foram refutados pela Teoria das Relações Humanas, que considerou as recompensas sociais como fatores determinantes do desempenho dos indivíduos. Passou-se a evidenciar a organização informal (pessoas e suas relações), e a importância da cooperação entre os trabalhadores, pois o trabalho é uma atividade grupal. O “homem econômico” passou a ser “homem social”. Por fim, temas relativos à motivação humana, à liderança, à comunicação e à dinâmica de grupo foram evidenciados nessa teoria. Como crítica, consideram essa teoria muito paternalista, ou seja, por conta da busca pela harmonia, abafavam os conflitos e ignoravam os confrontos entre empregado e administração. Na enfermagem, a teoria reflete a liderança e a boa comunicação do enfermeiro com a equipe. Teoria Burocrática: tem como principal teórico Weber. Visava organizar detalhadamente a empresa e controlar rigidamente suas atividades. Possui impessoalidade nas relações humanas. Mantém um caráter racional e uma sistemática divisão de trabalho. Possui foco na determinação de rotinas e procedimentos à risca das regras e normas. A determinação de procedimentos e rotinas é evidente, e os participantes são considerados profissionais pela especialização técnica. Weber traz 3 tipos de autoridade: tradicional, burocrática e carismática. As críticas são relacionadas ao exagero apego às regras e normas, ou seja, maior valorização à isso do que às pessoas e seus relacionamentos. Na enfermagem, há a valorização das normas e regras, quando a assistência segue o modelo da instituição, além da exigência de profissionais técnicos especializados. 2. Diferencie a gestão do Cuidado e a gestão da Unidade. Gestão do Cuidado O cuidado é um somatório de decisões quanto ao uso de tecnologias (leve – produção de vínculo; leves duras – saberes bem estruturados, taylorismo e o fayolismo; e duras – uso de equipamentos tecnológicos, máquinas e estruturas organizacionais), de articulação de profissionais e ambientes em um determinado tempo e espaço, que tenta ser o mais adequado possível às necessidades de cada paciente. A gestão do cuidado é um sistema de cuidado que considera diversos aspectos, como: autonomia, individualidade, relações e atitudes profissionais. A gestão do cuidado tem foco tanto em uma unidade como na trajetória do usuário/paciente. São questões que demandam planejamento de recursos (físicos, materiais, de organização da força de trabalho), adoção de dispositivos, ferramentas e regulamentos, avaliação da qualidade das ações empreendidas e, por fim, correção das insuficiências, com formulação de novos planos e propostas. A gestão do cuidado é realizada em 6 dimensões: individual, familiar, profissional, organizacional, sistêmica e societária. Individual – é a mais nuclear de todas as dimensões, engloba o cuidar de si, a autonomia e o processo de escolha do indivíduo. Familiar – assume importância diferente em momentos diferentes da vida. Tem como atores pessoas da família, amigos e vizinhos. Profissional – relação entre profissionais e usuários, exigindo competências técnicas dos profissionais, postura ética, e a capacidade de construir vínculos com os pacientes. Organizacional – relacionada aos serviços de saúde no que se refere à gerência. Sistêmica – visa construir conexões entre os serviços de saúde, para que se criem redes de cuidado mais amplas e abrangentes. Societária – abrange os diversos atores que influenciam e são influenciados. A gestão do cuidado possui alguns instrumentos, como: Acolhimento nas unidades de saúde – processo de promoção à saúde que implica a responsabilização da equipe pelo usuário, desde a chegada até a saída, fazendo uma escuta qualificada e garantindo uma atenção integral. É um momento de construção de vínculos. Classificação e estratificação de risco – o Ministério da Saúde preconizou o Modelo de Manchester, que identifica os pacientes por cores, de acordo com os seus sintomas. Visita domiciliar – envolve ações de promoção a saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio. Essa forma de cuidar quebra com o tradicionalismo das unidades de saúde e auxilia na criação de um vínculo entre equipes e usuários/famílias. Projeto terapêutico singular (PTI) – conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um sujeito individual ou coletivo. A ideia central é a consideração das singularidades de cada paciente. Possui 4 momentos: diagnósticos p/ riscos e vulnerabilidades, definição de metas, divisão das responsabilidadesna equipe e reavaliação das metas do PTS. Gestão da Unidade É a gestão das atividades que envolvem a área da saúde, de contato direto com o paciente, com a finalidade de assegurar padrões clínicos ótimos, de aumentar a eficiência, de diminuir os riscos para usuários e profissionais, de prestar serviços efetivos e de melhorar a qualidade da atenção à saúde. No Brasil, a gestão da unidade tem seu foco na utilização de ferramentas, ou seja, em tecnologias de gestão da clínica. Essas tecnologias são: Gestão de caso – identificação de casos (pacientes), com potencial de elevada demanda por serviços, com o objetivo de adequar os recursos disponíveis às necessidades dos pacientes e obter uma relação mais favorável entre o custo e a efetividade. Gestão de patologia – uso de intervenções clínicas, educacionais e gerenciais relativas a uma determinada condição de doença, visando a adoção de práticas firmadas em evidências científicas, menor variabilidade de condutas e maior racionalidade no uso de recursos. Diretrizes clínicas – recomendações sistematicamente desenvolvidas para orientar os profissionais e os pacientes acerca de cuidados de saúde apropriados (benefícios > consequências negativas) em circunstâncias clínicas específicas. Visa reduzir as condutas e decisões com pouco ou nenhum embasamento cientifico. Monitoramento de desempenho – ajuda a dar sustentabilidade à gestão da unidade como ferramenta de avaliação da efetividade da assistência. Permite verificar inadequações nas práticas e a obtenção de melhores resultados. PCDA – metodologia utilizada para identificar problemas, monitorar resultados dos processos de cuidar, planejar ações preventivas, prevenir erros e eventos adversos. P Planejamento. Consiste em estabelecer metas sobre os itens de controle e estabelecer a maneira para se atingir as metas propostas. D Execução. Executar as tarefas exatamente como previstas no plano de ação e coletar dados para a verificação do processo. C Verificação. A partir dos dados coletados na execução, comparam-se os resultados alcançados com as metas planejadas. A Atuação corretiva. Detecta-se o erro e faz as devidas correções. Nessa etapa, podem ser utilizados métodos como o 5W2H. 3. Descreva o papel e as funções do enfermeiro gestor. Possui as funções de organizar, liderar, planejar, gerenciar, operacionalizar, coordenar a equipe, controlar o tempo de ação, dirigir e delegar atividades. Para tal, um enfermeiro gestor precisa ter algumas características inerentes a sua prática, como: perfil de liderança, boa comunicação, capacidade de lidar com conflitos, conhecimento técnico e científico, ética. Uma equipe sempre será o reflexo da imagem de um líder, por isso, há a necessidade de ser um bom líder! 4. Diferencie as dimensões do enfermeiro gestor (assistir, educar, gerir, pesquisar e participar politicamente). Para diferenciar as dimensões, é necessário entender os componentes do processo de trabalho: objeto (aquilo que se trabalha), agentes (quem produz o serviço), instrumentos (dita como o trabalho é feito), finalidade (razão do trabalho), métodos de trabalho (produz o bem ou serviço), produtos (causam um efeito no mundo). Assistir Objeto: cuidado de indivíduos. Agentes: profissionais da saúde. Instrumentos: conhecimento. Finalidade: manter a saúde. Métodos de trabalho: SAE. Produtos: pessoa saudável. Administrar Objeto: agentes do cuidado. Agentes: enfermeiro. Instrumentos: teorias da administração de enfermagem. Finalidade: coordenar o trabalho. Métodos de trabalho: PODC. Produtos: eficiência do trabalho. Ensinar Objeto: profissional querendo aprender. Agentes: aluno e professor. Instrumentos: teorias de enfermagem. Finalidade: aperfeiçoar o profissional. Métodos de trabalho: metodologia ativa. Produtos: enfermeiro competente. Pesquisar Objeto: conhecimento em enfermagem. Agentes: enfermeiro. Instrumentos: pensamento crítico. Finalidade: aprimorar a enfermagem. Métodos de trabalho: métodos quanti e quali. Produtos: novos conhecimentos. Participar Politicamente Objeto: representante da enfermagem. Agentes: enfermeiros e políticos. Instrumentos: conhecimento político. Finalidade: melhorar condições de trabalho. Métodos de trabalho: negociação. Produtos: poder e conhecimento. 5. Quais as ações do enfermeiro relacionado a gestão de pessoas? E quais os principais marcos legais? As ações do enfermeiro na gestão de pessoas estão relacionadas com o processo de dimensionamento de pessoal, seleção de pessoal e da formulação de escalas. Dimensionamento de Pessoal É feito de acordo com os tipos de cuidado, o cálculo da força média de trabalho para cada cuidado e do cálculo do pessoal de enfermagem necessário para cada unidade. Seleção de Pessoal Tem a finalidade de analisar e decidir sobre qual o indivíduo que melhor se adapta ao tipo de trabalho a ser desempenhado, objetivando uma maior eficiência individual e grupal. Formulação de Escalas Objetiva dividir as atividades de enfermagem, de maneira equitativa, a fim de evitar sobrecargas para algum funcionário. Existem 3 tipos de escalas: mensal, diária e de férias. Para tais ações, deve ser considerada a Resolução COFEN 543/2017, um marco legal, que regulamenta a prática de dimensionamento de pessoal. 6. Enumere as atribuições relacionadas ao papel do enfermeiro gestor, relacionando aos processos de trabalho internos e externos da Unidade. O papel do enfermeiro gestor é influenciado pelo processo administrativo, que, foi inicialmente formulado por Fayol, ganhando novas formas advindas da Teoria Neoclássica, sendo composto, atualmente, pelas seguintes funções administrativas: planejamento, organização, direção e controle. Planejamento O planejamento determina antecipadamente o que se deve fazer e quais os objetivos que devem ser atingidos, ou seja, é um modelo para uma ação futura, tratando- se de estratégias para enfrentar incertezas e mudanças futuras. Possui 6 fases: Fase 1 – conhecimento do sistema como um todo O pré-requisito para formular os objetivos é conhecer o sistema como um todo. Possui base na Teoria de Sistemas, e, basicamente, tem a ideia geral de que conhecendo o sistema, facilita o ponto de partida para realizar um planejamento. Fase 2 – determinação de objetivos Os objetivos são resultados futuros que se pretendem atingir. Em qualquer organização há uma hierarquia vertical de objetivos, ou seja, no ponto superior estariam os objetivos da instituição, depois os objetivos de cada departamento, e assim por diante. Fase 3 – estabelecimento de prioridades Uma vez estabelecidos os objetivos, é necessário estabelecer as prioridades para que eles possam ser alcançados. Fase 4 – seleção dos recursos disponíveis É feito um levantamento dos recursos necessários para implementar as ações, devendo ter bem claro os recursos disponíveis (englobando os recursos humanos, materiais e físicos). Assim, são feitas estratégias para otimizar esses recursos ao máximo. Fase 5 – estabelecimento do plano operacional O planejamento pode ser visualizado sob várias dimensões, podendo ser classificado em planejamento estratégico, tático ou operacional. - Planejamento estratégico: constitui-se de planos de longo alcance, estabelecidos ao nível mais global, que visam à implantação de estratégias que serão executadas e detalhadas ao nível tático. Por serem de maior abrangência, não são detalhados. E por serem de longo alcance, deve ser flexível para adaptar-se as possíveis mudanças. - Planejamento tático: constitui-se de planos de média abrangência e de médio alcance. São mais detalhados. Traduzem programas que serão realizados para alcançar alguma finalidade. Respondem à questão “como deve ser feito”. - Planejamento operacional: planos de curto alcance, são ações atuais dainstituição. Basicamente, respondem “quem vai fazer o que, quando e onde”, uma sequência cronológica de tarefas específicas. Fase 6 – desenvolvimento Engloba o desenvolvimento do programa, sua aprovação e sua execução. É a hora de colocar tudo em prática. Nessa fase, a coordenação é imprescindível para minimizar possíveis atritos. Há também a avaliação das ações, para medir os resultados em relação aos objetivos que foram estabelecidos, e corrigir possíveis falhas. Organização Consiste em determinar atividades específicas necessárias para alcançar os objetivos planejados, agrupar essas atividades em uma estrutura lógica e designá-las para pessoas específicas. A organização pode ser estruturada em 3 níveis: Nível 1 – organização no nível global É a organização que abrange a empresa como uma totalidade. É o desenho organizacional, que pode assumir 3 tipos: a organização linear, a funcional e a do tipo linha-staff. - Linear: é mais comum em empresas pequenas, e estabelece a hierarquia da autoridade. A principal característica é a autoridade única e absoluta do superior sobre seus subordinados, cada subordinado recebe ordens e deve obedecer exclusivamente ao seu superior. Possui influência militar. A rapidez no trabalho é mais importante que a qualidade. - Funcional: aplica o princípio da especialização das funções. Diferente da linear, não há apenas um superior e não há hierarquização. Cada subordinado reporta-se a vários superiores, porém somente nos assuntos da especialização de cada um. Nenhum superior tem autoridade total sobre um subordinado. - Linha-staff: é a combinação da organização linear e funcional, pegando apenas as vantagens dos dois. Possui características dos dois. Há predominância da organização linear. Nível 2 – organização no nível departamental É a organização que abrange cada departamento/setor da empresa. É o chamado desenho departamental ou simplesmente departamentalização, que é um meio para se obter homogeneidade de tarefas em cada órgão. O desenho departamental decorre da diferenciação de atividades dentro da empresa. À medida que ocorre a especialização com o trabalho e o aparecimento de funções especializadas, a empresa passa a necessitar de coordenação dessas diferentes atividades, agrupando-as em unidades maiores. Quando a empresa cresce, as suas atividades não podem ser supervisionadas diretamente pelo proprietário ou pelo diretor. Essa tarefa de supervisão pode ser facilitada atribuindo-se a diferentes departamentos a responsabilidade pelas diferentes fases ou aspectos dessa atividade. Nível 3 – organização no nível das tarefas e operações É a organização que focaliza cada tarefa, atividade ou operação especificamente. É o chamado desenho dos cargos ou tarefas. É feita por meio da descrição e análise dos cargos. A organização, também, pode ser dividida pelos níveis hierárquicos: - Nível institucional ou estratégico: corresponde a direção da empresa, ou seja, o nível mais alto de sua estrutura, e é responsável por determinar objetivos e estratégias organizacionais, trabalhando com o todo da organização, coordenando a integração das áreas, e com assuntos de longo prazo, além destes aspectos, é este nível que se relaciona com o ambiente externo da organização. - Nível gerencial ou tático: se refere à administração interna, respondendo pela alocação de recursos internamente na organização. O nível gerencial ou tático está entre o nível institucional e o nível técnico, devido a isso, é denominado de linha intermediária. Seu papel é traduzir as estratégias, e desdobrá-las em planos e programas, que serão executados pelo pessoal técnico. Este nível se preocupa em detalhar os problemas, desde a captação até a alocação de recursos dentro das unidades organizacionais. - Nível técnico: possui certo nível de divisão do trabalho, e é controlado por uma organização gerencial, em que esta, por sua vez, é controlada pelo sistema institucional e pela comunidade. Corresponde aos executores das funções individuais apresentadas, ou seja, seu trabalho é relacionado a fabricação dos produtos e à prestação de serviços. Este nível segue programas e rotinas desenvolvidas pelo nível gerencial, sendo voltado para o curto prazo, é onde ocorre a maior padronização das atividades. É o nível mais baixo da hierarquia. Direção Após o planejamento e a organização, chega, enfim, o momento de colocar os objetivos em prática. Assim, a etapa de direção possui o papel de acionar e dinamizar a empresa. Está relacionada diretamente com a ação e com a atuação sobre os recursos humanos da empresa. Sem recursos humanos, sem pessoal, uma empresa não consegue seguir adiante, logo, as pessoas precisam ser aplicadas em seus cargos e funções, treinadas, guiadas e motivadas para alcançarem os resultados que delas se esperam. Além disso, nessa etapa é muito importante uma boa orientação por meio de uma adequada comunicação e habilidade de liderança e de motivação, inerentes ao trabalho do enfermeiro. Possui 7 etapas: identificação do problema, coleta de dados, análise dos dados, descrição de soluções alternativas, escolha ou decisão, implementação e avaliação. Há alguns métodos para realizar, como brainstorming e análise do campo de forças. Controle Possui a finalidade de assegurar que os resultados das outras funções administrativas se ajustem aos objetivos previamente estabelecidos. Ou seja, funciona como um controle para verificar se os objetivos e os resultados esperados estão sendo alcançados. É composto de 4 fases: Fase 1 – estabelecimento de padrões ou critérios São balizamentos que proporcionam meios para se estabelecer o que se deverá fazer e qual o desempenho ou resultado a ser aceito como normal ou desejável. Fase 2 – observação do desempenho Autoexplicativo. Fase 3 – comparação do desempenho com o padrão estabelecido Observar se o desempenho está se adequando aos padrões e aos critérios estabelecidos previamente, a fim de detectar eventuais erros. É feito por meio de gráficos, índices, porcentagens. Fase 4 – ação corretiva Corrigir os erros para fazer com que aquilo que é feito esteja de acordo com o que se pretendia fazer. Relacionando aos processos de trabalho, internamente o enfermeiro utiliza o PODC para realizar trabalhos como a padronização de manuais, normas, rotinas, ou seja, ações que acontecem dentro da unidade. Já externamente, o trabalho do enfermeiro está mais ligado ao PGRSS, a organização da agenda do ambulatório, responder parecer, realizar a escala dos residentes, ao CCIH, ou seja, o que está acontecendo fora da unidade. 7. Organize as ações de organização de uma Unidade de Saúde conforme os princípios da qualidade. Donabedian acrescenta que a qualidade da assistência não se constitui num atributo abstrato, e, sim, que é construída pela avaliação da assistência através de três dimensões: estrutura, processo e resultado. Estrutura Implica as características relativamente estáveis das instituições. São os recursos físicos, humanos, materiais e financeiros necessários para a assistência médica, os quais correspondem às suas características mais estáveis. Para o autor, é difícil quantificar a influência ou contribuição exata desse componente na qualidade final da assistência prestada, mas é possível falar em termos de tendências, ou seja, uma estrutura mais adequada aumenta a probabilidade de a assistência prestada ser de melhor qualidade. Processo Abrange todas as atividades envolvendo profissionais de saúde e pacientes, com base em padrões pré-estabelecidos. A partir destas relações é que se obtêm os resultados da assistência e a valoração da qualidade. A análise pode ser sob o ponto de vista técnico- assistencial e/ ou administrativo. Entre outros fatores, no processo aparecem os aspectos éticos e da relação médico/profissional/equipe de saúde-paciente. Em suma, tudo o que diz respeito ao tratamento diretamente e no momento em que ele está ocorrendo pode ser considerado como processo. Resultado É a obtenção das características desejáveis dos produtos ou serviços, retratando os efeitos da assistência na saúde do cliente da população. Dessa forma, é o produto final da assistência prestada, considerando saúde, satisfação de padrões e de expectativas. 8. Enumere os pilares da qualidade. Para Donabedian, qualidade é definida como um conjunto de atributos que inclui um nível de excelência profissional, o uso eficiente de recursos, um mínimo de risco e um alto grau de satisfação aos usuários, considerando-se essencialmente os valores sociais existentes. Há 7 pilares que fundamentam a qualidade de acordo com Donabedian: eficácia, efetividade, eficiência, otimização, aceitabilidade, legitimidade e equidade. Eficácia É a capacidade de produzir melhorias no setor de saúde. Significa o melhor que se pode fazer nas condições mais favoráveis dado o estado do paciente. Efetividade É o grau em que o cuidado, cuja qualidade está sendo avaliada, alcança o nível de melhoria de saúde, cujos estudos de eficácia tenham estabelecido como alcançáveis. Eficiência É a medida do custo com o qual dada uma melhoria na saúde é alcançada. Se duas estratégias de cuidado são igualmente eficazes e efetivas, a mais eficiente é a de menor custo. Otimização É o emprego da relação custo benefício na assistência à saúde. Aceitabilidade É a adaptação do cuidado aos desejos, expectativas e valores dos clientes e familiares. Depende da efetividade, da eficiência e da otimização, além da acessibilidade do cuidado e das características da relação profissional de saúde-cliente. Legitimidade É a aceitabilidade do cuidado da forma como é visto pela sociedade em geral. Equidade É o princípio pelo qual se determina o que é justo ou razoável na distribuição do cuidado e de seus benefícios entre os membros de uma população. 9. Diferencie o conceito de competência em suas três dimensões, exemplificando com ações práticas em cada uma delas. A competência pode ser compreendida como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes Conhecimento É o saber da pessoa. São as informações, os dados e conceitos que o indivíduo armazenou e que podem ser usados por ele em seu trabalho. Corresponde a uma série de informações assimiladas e estruturadas pelo indivíduo. Habilidades É o saber fazer. A capacidade que a pessoa tem de utilizar os conhecimentos que possui na prática. Corresponde à capacidade de aplicar e fazer uso do conhecimento adquirido. Atitudes É o querer fazer. Estão relacionadas ao modo como a pessoa lida com seus sentimentos e maneiras de pensar e como estes afetam seu comportamento. Refere-se aos aspectos sociais e afetivos relacionados ao trabalho que explicam o comportamento do indivíduo. 10. Conceitue o Plano de Gerenciamento de Resíduos, suas fases, manejos e processos de aplicação prática. Em 2006, a Anvisa e o Ministério da Saúde criaram o Plano de Gerenciamento de Resíduos (PGRSS), com o objetivo de minimizar a geração e os problemas decorrentes do manejo dos resíduos sólidos e líquidos, buscando alternativas que favorecem a reciclagem, a redução dos riscos na área de saneamento ambiental e da saúde pública. O gerenciamento de resíduos deve basear-se em ações preventivas, preferencialmente às ações corretivas, e ter uma abordagem multidisciplinar, considerando que os problemas ambientais e suas soluções são determinados não apenas por fatores tecnológicos, mas, também, por questões econômicas, físicas, sociais, culturais e políticas. Os resíduos de serviço de saúde podem ser subdividos em 5 grupos diferentes: infectante, químico, radioativo, reciclável, resíduos comuns e perfurocortante. O manejo dos resíduos de saúde é o conjunto de ações voltadas ao gerenciamento dos resíduos gerados. Deve focar os aspectos intra e extra-estabelecimento, indo desde a geração até a disposição final, incluindo 9 etapas: Segregação Consiste na separação dos resíduos no momento e local de sua geração, de acordo com as características físicas, químicas, biológicas, o seu estado físico e os riscos envolvidos. Acondicionamento Consiste no ato de embalar os resíduos segregados em sacos ou recipientes impermeáveis que evitem vazamentos e resistam às ações de punctura e ruptura. A capacidade dos recipientes de acondicionamento deve ser compatível com a geração diária de cada tipo de resíduo e é proibido o esvaziamento ou reaproveitamento dos sacos. Os sacos devem ser colocados em coletores de material lavável, resistente ao processo de descontaminação utilizado pelo laboratório, com tampa provida de sistema de abertura sem contato manual, e possuir cantos arredondados. Identificação Permite o reconhecimento dos resíduos contidos nos sacos e recipientes, fornecendo informações ao correto manejo. Devem ser identificados os sacos de acondicionamento, os recipientes de coleta interna e externa, os recipientes de transporte interno e externo e os locais de armazenamento, utilizando-se símbolos, cores e frases, de acordo com cada grupo específico, tendo em vista a norma 7.500 da ABNT. Transporte Interno Consiste no translado dos resíduos dos pontos de geração até o local destinado ao armazenamento temporário. Para tal, deve ser feito um roteiro prévio para não coincidir com os horários de distribuição de roupas, alimentos e medicamentos, períodos de visita ou maior fluxo de pessoas. Os carros para transporte interno devem ser constituídos de material rígido, lavável, impermeável, resistente ao processo de descontaminação determinado pelo laboratório, provido de tampa articulada ao próprio corpo de equipamento, cantos e bordas arredondados, e identificados com o símbolo correspondente ao risco do resíduo contido nele. Armazenamento Temporário Consiste na guarda temporária dos recipientes contendo os resíduos já acondicionados, em local próximo aos pontos de geração, visando agilizar a coleta dentro do estabelecimento e otimizar o deslocamento entre os pontos geradores e o ponto destinado à apresentação para a coleta externa. Não pode ser feito armazenamento temporário com disposição direta dos sacos sobre o piso, sendo obrigatória a conservação dos sacos em recipientes de acondicionamento. O armazenamento temporário pode ser dispensado nos casos em que a distância entre o ponto de geração e o armazenamento externo justifiquem. A área destinada à guarda dos carros de transporte interno de resíduos deve ter pisos e paredes lisas, laváveis e resistentes ao processo de descontaminação utilizado, possuir ponto de iluminação artificial e área suficiente para armazenar, no mínimo, dois carros coletores. Tratamento Consiste na descontaminação dos resíduos por meios físicos ou químicos, realizado em condições de segurança e eficácia comprovada, no local de geração, a fim de modificar as características químicas, físicas ou biológicas dos resíduos e promover a redução, eliminação ou a neutralização dos agentes nocivos à saúde humana, animal e ao ambiente. Armazenamento Externo Consiste na guarda dos recipientes de resíduos até a realização da etapa de coleta externa, em ambiente exclusivo com acesso facilitado para os veículos coletores. Coleta e Transporte Externos Consistem na remoção dos resíduos do local de armazenamento externo até a unidade de tratamento ou disposição final, utilizando-se de técnicas que garantam a preservação das condições de acondicionamento e a integridade dos trabalhadores, da população e do meio ambiente, devendo estar de acordo com as orientações dos órgãos de limpeza urbana. Disposição Final Consiste na disposição de resíduos no solo, previamente preparado para recebê- los, obedecendoa critérios técnicos de construção e operação, e com licenciamento ambiental de acordo com o CONAMA. 11. Cite e explique os quatro componentes da comunicação não violenta de Marshall. A comunicação não violenta é uma habilidade de comunicação que reformula a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros, tornando nossas respostas mais conscientes e promovendo o respeito, a atenção e a empatia. A comunicação não violenta possui 4 componentes: observação, sentimento, necessidade e pedido. Observação É a primeira etapa. Observamos o que está de fato acontecendo numa situação, tentando não realizar julgamentos prévios, mas, simplesmente dizer o que nos agrada ou não naquilo que as pessoas estão fazendo. Sentimento No segundo componente, identificamos como nos sentimos ao observar aquela determinada ação. Necessidade No terceiro ponto, reconhecemos quais de nossas necessidades estão ligadas aos sentimentos que identificamos, ou seja, o que está de fato causando os nossos sentimentos. Pedido Por fim, realizamos o pedido. Esse componente enfoca o que estamos querendo da outra pessoa para enriquecer nossa vida.