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Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo2 Administração Belas Artes Dr. Paulo Antonio Gomes Cardim Reitor Prof. Dr. Francisco Carlos Tadeu Starke Rodrigues Pró-Reitor Administrativo Prof. Dr. Sidney Ferreira Leite Pró-Reitor Acadêmico Josiane Maria de Freitas Tonelotto Superintendente Acadêmica Departamento de Educação a Distância Profa. Ma. Jacqueline de Oliveira Lameza Coordenação Claudio Villa da Costa Filho Lucas de Mattos Millan Design Instrucional Gustavo Nogueira Pereira João Paulo Tenório da Silva Web Design Gabriel Kwak Marina de Mello Fontanelli Revisão de Texto Publicação Este e-book é uma publicação da Rua Dr. Álvaro Alvim, nº 90 Vila Mariana - SP Fone: (11) 5576-7300 É proibida a venda e a reprodução deste material sem autorização prévia do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Sociologia Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 3 Sumário Sociologia Módulo 2: Identidade cultural 05 Referências 31 Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo4 Comunicação na era digital Professor-autor Dr. Walter de Sousa Junior Doutor e Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) (2003 e 2009), é graduado em Comunicação Social pela Universidade Braz Cubas (1986). É pesquisador do OBCOM - Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura da ECA/USP. Atuou como docente no curso de Especialização em Gestão da Comunicação e em Edcuomunicação da ECA/USP, e como conteudista e tutor no curso de EAD de Sociologia do Centro Universitário Belas Artes (SP). Coordenou o Grupo de Pesquisa em Culturas Híbridas no Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP. É autor dos livros Moda Inviolada - Uma história da Música Caipira (Quíron, 2006), Mixórdia no picadeiro - Circo-teatro em São Paulo (1930-1970) (Terceira Margem, 2011) e Piolin, o corpo e a alma do circo (ECA/ USP, 2015). Tem experiência acadêmica em Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: gestão da comunicação, educomunicação, hibridismo cultural, cultura popular, cultura de massa, circularidade cultural, música caipira, circo, circo-teatro. Dr. Walter de Sousa Junior MÓDULO 2 Identidade cultural Prof. Walter de Sousa Junior Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo6 Módulo 2 – Identidade cultural Objetivos Ao fim deste Módulo, você estará apto a: Entender os processos de construção simbólica; Entender o uso da cultura para suscitar o sentimento de pertencimento de um grupo social a uma nação; Identificar as relações entre as diversas expressões culturais contemporâneas; Analisar a resistência cultural e os padrões de comportamento; Perceber a diversidade cultural. Seções 1. Universo simbólico e linguagem 2. A construção da identidade cultural 3. Culturas: popular, erudita e massiva 4. Contracultura: oposição à cultura dominante 5. O multiculturalismo contemporâneo Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 7 Módulo 2 – Identidade cultural Introdução Seguimos nosso caminho com o segundo Módulo da disciplina Sociologia. Nele, vamos analisar e entender o processo de construção da identidade cultural responsável por desenvolver, nos indivíduos, o senso de pertencimento a um grupo social. As cinco seções apresentadas a seguir servirão de apoio para seu aprendizado. Na primeira delas, trataremos da importância do domínio da linguagem e do simbolismo na elaboração da interação social. Na segunda, discutiremos de que forma se constroem as identidades culturais. Na terceira seção, explicaremos como sistemas culturais mais complexos se formaram, influenciando grupos sociais maiores, como as culturas erudita, popular e massiva. Os movimentos sociais que reagiram ao processo de homogeneização da cultura serão analisados na quarta seção, que precede o debate sobre multiculturalismo, exposto na quinta seção, e que fecha o Módulo. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo8 Módulo 2 – Identidade cultural Universo simbólico e linguagem Para começarmos a refl etir sobre a identidade cultural de uma sociedade, cabe colocarmos algumas questões: Por que o ser humano, ao contrário dos demais seres vivos, não age somente a partir de seus instintos? Como ele cria novas formas para resolver velhos problemas de subsistência a ponto de perpetuar sua espécie por milhares de anos? Certamente porque suas ações e atitudes são frutos de um processo de construção cultural. Ao contrário dos instintos, os aspectos culturais são aprendidos, e não herdados. Por isso podem ser partilhados, tornando possível os processos de comunicação e cooperação. Entre os elementos que permitem a comunicação, estão: Simbolismo: é a capacidade mental do ser humano em usar um signo – que pode ser palavra, gesto ou escrita – para representar algo da realidade objetiva ou subjetiva. Linguagem: é o conjunto de signos (fala, gesto, escrita, notas musicais etc.) que, articulados a partir de regras, conseguem disseminar o conhecimento e a cultura entre os seres humanos. Ela gera a comunicação entre os seres, permitindo a vida social em grupo. Foi a partir deles que o homem conseguiu interpretar e dar outros signifi cados à realidade. Diferentemente dos animais, que repetem seus comportamentos mesmo que eles não apresentem signifi cado prático imediato – um exemplo disso são as voltas dadas pelo cão antes de ele se deitar -, o ser humano tem a habilidade de, numa situação de crise, reajustar suas ações a partir de novas ressignifi cações da realidade, compartilhando esses novos sentidos com o grupo social ao qual pertence. Seção 1 Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 9 Módulo 2 – Identidade cultural É claro que só foi possível a ele desenvolver tal habilidade a partir de um profundo desenvolvimento de alguns processos internos, como os dos sistemas perceptivo e cognitivo, que refletem substancialmente nos fatores externos. Representar simbolicamente os processos vividos é tarefa primordial para que possamos pensar, analisar, ordenar ou desmontar a realidade. A partir da linguagem, foi possível apresentar essa construção simbólica para o grupo social para que este fizesse novas associações e alcançasse novos significados. Esses símbolos, pactuados por um mesmo grupo, transformaram-se em seu patrimônio cultural. O conjunto de bens materiais e imateriais que compõem a identidade de um grupo social é seu patrimônio cultural. Em geral, ele se perpetua por meio da tradição enquanto suscita sentimentos de pertencimento. Não é difícil identificar vários desses bens ao analisarmos como eles fizeram parte de nossa formação cultural, sejam eles originados em suportes culturais familiares, sejam do grupo ao qual pertencemos, sejam oriundos dos meios de comunicação. Este pequeno conto, recolhido pelo escritor Jean-Claude Carrière, trata da capacidade de construção simbólica do ser humano. A girafa Um escultor brasileiro, que não tinha nenhuma formação artística, escolheu pedações de madeira e deles extraiu animais. Alguns desses animais eram seus conhecidos, outros não. Um dia, quando esculpia uma girafa, sem nenhum modelo nem imagem desse animal que jamais vira, alguém lhe perguntou como ele procedia. - É muito simples – ele respondeu – Pego meu pedaço de madeira, começo a trabalhar e tudo que não é girafa eu jogo fora. Carrière, Jean-Claude. Contos filosóficos do mundo inteiro. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 97). Curiosidade Educação a Distância– Centro Universitário Belas Artes de São Paulo10 Módulo 2 – Identidade cultural Simbolismo e Linguagem - Métodos O uso do simbolismo e da linguagem e a formulação da cultura do grupo social são os objetos de um ramo particular do pensamento sociológico: a sociologia da cultura. Quem estabeleceu os métodos dedicados a essa disciplina foi o teórico húngaro Karl Mannheim (1893-1947), que percebeu a necessidade de se investigar as “funções mentais no contexto da ação”, ou seja, a relação entre os significados e os atos simbólicos e como eles atuam no meio social. Mannheim acreditava que toda ação do indivíduo na sociedade lhe daria uma experiência. No entanto, essa experiência era limitada, pois ela dependia da forma que o indivíduo percebia o processo social. Seguindo esse raciocínio, a cultura é sempre um produto social, pois é resultado de um contexto e da maneira como o indivíduo interpreta esse contexto, bem como das imagens que derivam desse processo de interpretação e da forma que elas serão comunicadas aos demais. O processo de formulação do conhecimento e sua relação com a cultura de um grupo social sistematiza práticas cotidianas. Quando observamos um fenômeno novo, por exemplo, um ato de violência no bairro em que moramos, elaboramos internamente uma leitura desse fato. Certamente vamos confrontá-lo com as imagens que temos dele a partir do nosso processo de socialização. Reflexão Não pense somente nesses bens como se eles tivessem apenas referências artísticas, pense em nossos modos de fazer as coisas, de se comportar, de se expressar e de viver em grupo. Depois disso, é possível pensar nos objetos que foram essenciais para nossa identificação com o grupo, nas construções, em nossas crenças religiosas e científicas. Tudo isso mantém o nosso patrimônio cultural sustentado, embora ele possa ser relativamente mutável no decorrer do tempo. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 11 Se crescemos num grupo social em que a violência não é fato corriqueiro, seguindo nosso exemplo, iremos construir uma imagem de estranhamento e de censura pelo crime ocorrido. Ao comunicarmos essa ocorrência a um grupo, iremos transmiti-la conforme nossa experiência, contaminando a cultura do grupo como nossa percepção. Assim, o fato chegará “construído”, carregando o estranhamento e a censura. O que estamos fazendo com isso? Endossando uma cultura social a partir de nossa vivência pessoal. Módulo 2 – Identidade cultural Reflexão Mesmo que utilizemos nossa percepção criativa para expressar artisticamente um acontecimento, não estaremos, ao mesmo tempo, sendo influenciados pela cultura do grupo? Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo12 Agora é a sua vez! Explique o conceito de Simbolismo e Linguagem. Ve ri fi q ue a s ua re sp os ta Si m bo lis m o - É a c ap ac id ad e hu m an a de c ria r s ig no s pa ra re pr es en ta r a re al id ad e ob je tiv a – os o bj et os m at er ia is – e s ub je tiv a – os s en tim en to s e a re fl e xã o. Li ng ua ge m - É um a fe rr am en ta q ue p er m ite q ue u m a id ei a se ja c om un ic ad a a um g ru po so ci al . Módulo 2 – Identidade cultural Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 13 Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo Módulo 2 – Identidade cultural A construção da identidade cultural O patrimônio simbólico de um grupo social compreende uma identidade cultural. Ou seja, os membros daquele grupo se sentem pertencentes a ele a partir de um vínculo cultural. Assim, ao estabelecer esse senso de pertencimento, que acontece no desenrolar da socialização, o indivíduo passa a comungar com os valores culturais daquele grupo. O sociólogo jamaicano Stuart Hall (s.d.) aponta que a identidade cultural preenche o espaço entre o “interior” e o “exterior”, isto é, entre o mundo pessoal e o mundo público. Assim, ela ajuda a alinhar os sentimentos subjetivos com os lugares que o indivíduo ocupa objetivamente dentro da sociedade. Por isso começamos a elaborá-la quando nascemos e prosseguimos assim, num processo constante, até o fi m de nossas vidas. Isso não nos deixa imunes à infl uência de outros grupos sociais. Esse processo é chamado de aculturação. Exemplo de aculturação As colônias italianas estabelecidas na cidade de São Paulo acabaram por infl uenciar os grupos sociais nascidos nessa capital, que incorporaram hábitos, gestos e comida mediterrânea. Essas infl uências foram tão forte que se tornaram elementos da própria identidade paulistana. Ou será possível pensar na cidade de São Paulo sem incluir suas tradicionais cantinas italianas? Outra questão é que o patrimônio cultural de um grupo, normalmente consolidado por várias gerações, costuma estabelecer padrões de expectativas em relação a comportamentos esperados daqueles que fazem parte desse grupo. Seção 2 Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo14 Módulo 2 – Identidade cultural Para atender a essas expectativas, o indivíduo tem de desempenhar papéis sociais. Afinal, as relações interpessoais costumam ser “costuradas” pela identidade cultural. Para não perder seu equilíbrio interno, a identidade cultural exige que cada indivíduo seja capaz de elaborar “máscaras” de comportamento. Assim, no processo de socialização, aprendemos a desempenhar papéis diversos em pouco tempo e para várias situações: na relação familiar, no trabalho, entre os amigos, na escola etc. A elaboração desses papéis exige que fiquemos atentos às interações e que desenvolvamos uma comunicação adequada para delas participarmos. Até hoje, parte das características da identidade cultural ainda está alocada em espaços de extensão definida. Por exemplo, a identidade do nordestino está vinculada à condição geográfica do Nordeste brasileiro, assim como ser gaúcho se refere a um conjunto de práticas culturais alocadas nos estados do Sul do país. A proximidade é uma condição básica da identidade local. A partir de diversas circunstâncias históricas, a ideia de uma identidade nacional foi retomada por inúmeros intelectuais ligados a um projeto político nacional, como veremos mais adiante, no Módulo 5. Essa ideia envolve um amplo espaço territorial de identificação e busca elementos que sintetizem uma literatura, um teatro, uma música, um cinema, enfim, uma cultura nacional. Reflexão Você já percebeu que muitas vezes desempenhamos papéis distintos até na relação com uma mesma pessoa? Exemplos: quando dissemos para um familiar: “Agora, falando como amigo, o que você acha...”; ou quando desempenhamos papéis diferentes com uma mesma pessoa, invertendo posições sociais. Posso ter como cliente um membro familiar, estipulando formas de comportamento padronizadas comercialmente e, nas relações familiares, atender a hierarquia de respeito que a estrutura exige. Isso não significa que estamos flexibilizando nossa personalidade, mas sim aceitando as convenções sociais exigidas, como faz um ator, que desempenha papéis distintos em cenários distintos. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 15 Módulo 2 – Identidade cultural Impõe-se também o desafio de se criar elementos que aglutinem as identidades locais sob um mesmo guarda-chuva cultural, levando-nos a uma identidade nacional. Mais O que é ser brasileiro? Historicamente, houve um grande esforço, desde meados do século XIX, em reunir elementos que indicassem a condição de pertencer à nação brasileira. Um exemplo desse emprenho: os intelectuais reunidos em torno do imperador d. Pedro II buscaram na referência da cultura do índio formas que representassem a brasilidade. Arte plumária, nomes em tupi e narrativas com personagens nativos acabaram criando uma ideia europeizada do que erao índio, como em Confederação dos tamoios (poema de Gonçalves de Magalhães) ou em O Guarani (romance de José de Alencar). Depois os intelectuais modernistas procuraram essa referência não no grupo social original, mas na mestiçagem entre o branco colonizador, o negro escravo e o índio colonizado. Foi a forma de escapar à influência da cultura da Europa. Essa mistura deu em Macunaíma (romance de Mário de Andrade) e em Serafim Ponte Grande (obra de Oswald de Andrade). Identidade nacional A identidade nacional cria fronteiras culturais rígidas, especialmente onde há países que têm fronteiras próximas entre si e uma diversidade cultural muito grande, como na Europa, por exemplo. Delimitar o que é ser ou não francês, português, espanhol, alemão, italiano etc., é uma das preocupações existentes na Europa. Embora tenha vigorado desde a concepção do Estado- nação no século XVIII, a identidade nacional passou a perder espaço ante diversos fatores envolvidos na realidade de globalização: descolonização de diversos países, migrações, diásporas, novas formas de sociabilidade em rede etc. Porém, antes de analisar o efeito que esses fatores originaram, vamos entender como se constituíram formas complexas de cultura, como a erudita, a popular e a massiva. Veremos isso na próxima seção! Regiões com diferenças culturais Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo16 Módulo 2 – Identidade cultural Multimídia Neste momento, recomendo que você assista ao filme A Copa (Butão, 1999), direção de Khientse Norbu Rimpoche. Como um monge pode manter a mente nos estudos enquanto Ronaldinho joga pelo Brasil? É essa a principal questão que guia o primeiro filme produzido num país budista, dirigido por um lama e com atores amadores. Numa sociedade pouco complexa, que exige de seus membros o desempenho de poucos papéis sociais, uma expressão da cultura ocidental, o futebol, é capaz de mudar a rotina de um mosteiro budista. Jovens lamas articulam estratégias para escapar à vigilância do mestre para ver os jogos da Copa do Mundo de 1998. Agora é a sua vez! Complete as lacunas. A ............................... envolve uma estrutura de normas, ........................................... e padrões de comportamento que, historicamente pactuados pelos indivíduos, não só cria elementos que atraem o senso de pertencimento como organiza as relações entre os indivíduos, mantendo a ............................... . Re sp os ta c or re ta id en tid ad e cu ltu ra l / c re nç as / co es ão d o gr up o Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 17 Módulo 2 – Identidade cultural Culturas: popular, erudita e massiva Cultura erudita e o “ser civilizado” Como vimos no Módulo 1, a cultura avança num constante e dinâmico processo de desenvolvimento, que, com o decorrer da história, tomou um sentido de civilizar a sociedade. Nessa direção, a colonização europeia se expandiu, levando um conjunto de padrões sociais aos países colonizados, que passaram a representar aquilo que é “ser civilizado”. Foi um processo lento e gradual, iniciado no Renascimento, com o objetivo de constituir um comportamento uniforme, capaz de distinguir o indivíduo dentro de seu grupo social. É por isso que essas regras eram dominadas pela aristocracia. Entre as formas de distinção, estavam as maneiras civilizadas de se apreciarem as expressões artísticas, como o teatro, a literatura e a música. A ideia de beleza, surgida na Antiguidade Clássica por volta do século V a. C., foi retomada na busca pelo ideal artístico renascentista, ao mesmo tempo que se desenvolveram um mercado de arte e uma produção artística autônoma, além de uma crítica de arte dedicada a formar o gosto estético do público que iria apreciar essa arte. Passou-se a expressar o sentido de civilidade na produção artística, o que levou à constituição de cânones que garantissem um rigor formal. Essa estética atraiu artistas burgueses no século XVIII, que passaram a se adequar às regras da arte erudita para, com o apoio dos mecenas, conquistarem as cortes europeias. Seção 3 Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo18 Módulo 2 – Identidade cultural Assim, o conjunto composto por artistas, mecenas, compradores, expositores, escolas e eventos e que envolve a arte erudita, é chamado de cultura erudita. Cultura erudita X Cultura popular Porém a cultura erudita não foi a única expressão cultural europeia surgida no Renascimento. Outras culturas continuaram se desenvolvendo em áreas geográficas nem tão distantes das sociedades de corte. Mesmo em Paris, os festivais populares ocuparam as ruas para celebrar a comicidade e abolir temporariamente as relações sociais hierárquicas. Mas sua expressão mais fértil esteve entre as populações rurais, que foram se transferindo para os emergentes centros urbanos europeus. A cultura popular mantém parte do referencial de uma cultura rural que, por não ter uma finalidade comercial nem autoral, é facilmente e erroneamente reconhecida como “expressão artística primitiva”, sem complexidade estética, em geral conservadora, que não busca a inovação. Por isso a cultura popular é contraposta à cultura erudita. Multimídia Pra contextualizar, recomendo a você que assista ao filme A moça com brinco de pérola (Reino Unido, 2003), direção de Peter Webber. Ao acompanhar a produção artística do pintor holandês Johanness Vermeer do século XVII a partir da visão da empregada Griet, que será a modelo de um de seus mais famosos quadros, o filme mostra as relações do artista com seu mecenas, suas preocupações canônicas (luz, cor, construção do equilíbrio da cena etc.) e os problemas da vida cotidiana. Trata-se de uma construção ficcional baseada no quadro homônimo. A pintura A moça com brinco de pérola oferece uma interpretação que não é a da beleza clássica, embora Vermeer use o rigor formal para expressar uma beleza comum, cotidiana, enriquecida com uma peça que certamente não pertencia à empregada: o brinco de pérola. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 19 Módulo 2 – Identidade cultural Afinal, além de distinta em termos estéticos, representa uma condição subalterna a ela. Por outro lado, a cultura erudita... ...atraiu artistas cultos, já que era formada por expressões artísticas originadas em um passado remoto e que, por isso, mantinham certo exotismo estético, característica que, aliás, atraiu também um contingente de colecionadores e, mais tarde, de estudiosos dedicados a “resguardar” uma arte pura, primitiva e ainda não contagiada pelo rigor formal do classicismo. Tal posição reforçou o sólido muro que separava “expressão erudita” de “cultura popular”, visão que prevaleceu até meados do século XX, quando historiadores e teóricos sociais se propuseram a rever essa distinção. Vários deles mostraram que, naquele muro, havia fissuras demais que permitiam um constante processo de troca cultural. O historiador italiano Carlo Ginzburg, que dedicou parte de suas pesquisas na análise dos autos da Santa Inquisição, tribunais instalados na Idade Média com a missão de erradicar a heresia, encontrou uma interessante diligência que tinha por acusado um moleiro de nome Menocchio, que viveu numa pacata aldeia na região italiana de Friuli. Esse moleiro era figura conhecida de todos, inclusive dos estrangeiros que passavam pela região, e vivia rodeado de aldeões que usavam de seus serviços para moer sua produção de grãos. Evidente falastrão, foi pego por suas palavras consideradas nocivas à sociedade, que era vigiada pela Inquisição. E o que dizia Menocchio? Ele defendia que, no início dos tempos, houve o caos (o que replica a versão bíblica), e que esse caos formou uma massa (como o leite que fermenta e forma o queijo), e que dessa massa decantada brotaram vermes, que eram os anjos e Deus.Ginzburg percebeu que o moleiro havia participado de uma intensa troca cultural. Identificou os volumes que passaram por suas mãos e entendeu que a elaboração que levou Menocchio para a fogueira foi fruto de um processo de hibridização cultural. Ele promoveu o encontro entre as discussões religiosas travadas dentro da própria Igreja, as quais teve acesso pelos livros, e sua cultura pessoal permitiu comparar a origem do universo à preparação artesanal de um queijo e à sua putrefação. Curiosidade Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo20 Módulo 2 – Identidade cultural A tecnologia também está ligada à cultura. A invenção da prensa de tipos móveis (prensa de Gutemberg) tornou o conhecimento produzido até a Idade Média nos mosteiros acessível a um público amplo. Essa tecnologia deu início à chamada produção industrial da cultura. Duas interpretações desse processo levaram a formas distintas de compreendê-lo. A primeira gerou o conceito de “indústria cultural”, que desqualifica o produto cultural voltado ao consumo das massas por ter um efeito de rebaixamento da obra de arte, transformando-a em mercadoria. A segunda tratou essa produção como uma nova forma de produção cultural, denominando-a de “cultura de massa”. Os recursos tecnológicos se ampliaram imensamente desde o fim do século XIX, no sentido de reproduzir não só textos mas também imagens e sons. Na última década desse século, surgiram o rádio e o cinema, meios que aumentaram a oferta de bens culturais a um público cada vez mais amplo. Em sua maioria, esse público foi formado de populações de migrantes em busca de empregos na indústria e no comércio. Num cenário de profunda desigualdade social, a concentração da chamada “massa” levou teóricos a estudarem os distúrbios da ordem social e a perceberem que os meios de comunicação, que supriam esses contingentes com a oferta de entretenimento e diversão, inauguravam uma nova forma de produção cultural. Essa produção buscava referenciais homogêneos que atingissem indistintamente o público. Ela deveria alcançar todas as classes sociais, portanto ser deliberadamente influente, usando de persuasão para estimular o consumo simbólico e material. Na seção seguinte, você conhecerá os efeitos dessa homogeneização cultural. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 21 Módulo 2 – Identidade cultural Agora é a sua vez! Indique os elementos que tornaram o conhecimento acessível no século XIX. Ve ri fi q ue a s ua re sp os ta Pr en sa d e G ut em be rg , I nt er ne t, Ci ne m a. Contracultura: oposição à cultura dominante A homogeneização promovida pela cultura de massa (fenômeno estudado na última seção) teve efeitos diversos sobre as culturas e sobre as identidades culturais a ponto de ameaçar suas fronteiras. Ao confrontar diversas interpretações sobre a sociedade, os meios de comunicação de massa colocaram à disposição do grande público elementos para que estes colocassem em discussão o seu “senso de pertencimento”, fragmentando-o paulatinamente. Em resposta, surgiram movimentos de resistência cultural, que tinham por objetivo evitar que a cultura dominante e hegemônica não sobrepusesse os traços que distinguiam as culturas minoritárias. Seção 4 Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo22 Módulo 2 – Identidade cultural A reação ante os sistemas culturais estabelecidos, entretanto, não precisa ser de resistência. Na sociedade, há culturas que se tornam dominantes e há as que permanecem à margem, com valores e padrões de comportamento distintos. Essas últimas são tratadas como subculturas, pois são interpretadas geralmente como alternativas ao modelo dominante. Algumas vezes, esses grupos distintos podem apresentar novos padrões de comportamento e de ideologias em reação ao chamado status quo (termo em latim para designar o estado atual). Passam, assim, a proporem críticas à sociedade capitalista e burguesa, representando uma “contracultura”. O termo é claro: há um confronto com a sociedade dominante e, em geral, uma proposta comportamental alternativa. Embora tenham sido absorvidos pelos meios culturais hegemônicos, que usaram a expressão artística da “contracultura” como referência para a elaboração de produtos consumíveis – justamente o que se contestava –, os movimentos de contracultura continuam tendo repercussão social. O sociólogo Anthony Giddens afirma que eles influenciam e modificam as formas de participação política atuais. Pelo menos quatro grandes movimentos da contracultura surgiram no pós-guerra e usaram a literatura, a música, a dança e a expressão gráfica como formas de criticar e de propor novas maneiras de organização social. Veja: Beatnik Nos anos 1950 e no início dos 1960, jovens escritores norte- americanos, cansados da sociedade burguesa e desencantados com a devastação provocada pela guerra, passaram a pregar um estilo de vida antimaterialista. O nome vem do termo beat, gíria do submundo de vigaristas e ladrões para designar “rebaixado, espezinhado”. Hippie Espécie de proposta beat radicalizada, o movimento se desenvolveu nos Estados Unidos na década de 1960 e se espalhou por todo o Ocidente. Combatia radicalmente o capitalismo, o patriarcalismo, a massificação, a acumulação de riquezas, a ascensão social e o poder instituído na forma de Estado. Defendia a liberdade sexual, a não violência e o respeito à natureza. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 23 Punk A decadência social de operários ingleses e norte-americanos no fim dos anos 1970 ensejou um espírito de pessimismo e niilismo exacerbado numa linguagem áspera e grosseira. Ela explode inicialmente num estilo musical executado por grupos sem educação em música que usam os instrumentos para gerar ruídos e gritar discursos contestatórios. O movimento punk acabou dando origem a subgêneros, com punks anarquistas e antifascistas e os violentos skinheads, de orientação neonazista. Também inspirou a atitude de desconstrução dos ambientes digitais, dando origem aos hackers ou cyberpunks. Hip Hop Durante a década de 1970, jovens imigrantes afrodescendentes que viviam em Nova York criaram um movimento que se posicionou contra a segregação racial, dando origem a uma expressão artística multimídia que incluiu um tipo de música feita com colagens da produção da indústria fonográfica, tendo como base a recitação poética conhecida por rap (sigla de rhythm and poetry, “ritmo e poesia”, no inglês), a dança de rua (break) e o grafite urbano. Módulo 2 – Identidade cultural Multimídia O movimento punk explodiu no Brasil em 1982, cinco anos depois do grupo britânico Sex Pistols ter gravado aquele que seria o disco inaugural da nova estética da contestação, Never Mind the Bullocks – Here’s the Sex Pistols. Por aqui, o marco desse movimento foi o festival O começo do fim do mundo, que aconteceu no Sesc Pompeia, na capital paulista, e reuniu 21 grupos da periferia da cidade, entre eles Inocentes, Cólera, Olho Seco e Lixomania. O evento gerou um disco gravado por 19 desses grupos, que foi lançado pelo próprio Sesc com uma tiragem de apenas 300 unidades. O mesmo áudio saiu em CD pelo selo Gravações Sem Qualidade, do vocalista da banda Olho Seco, Fábio Sampaio. Nesse momento, recomendo a você que escute o disco Never Mind the Bullocks – Here’s the Sex Pistols. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo24 O nome do movimento emprega termos populares usados para designar a dança: saltar (hip) e balançar os quadris (hop). Em geral, os bailes envolvem disc jockeys (DJ’s), que comandam as pickups (toca-discos, depois vieram os CDs e, atualmente, as faixas digitais), e mestres de cerimônia (MC’s, que fazem o rap). O movimento se espalhou pelo mundo, sendo adaptado a diversas culturas e idiomas. Módulo 2– Identidade cultural O antropólogo carioca Hermano Vianna resume a influência do hip hop e sua permanência no cenário mundial contemporâneo: “[...] Quem diria: o rap surgiu — sob influência caribenha — no Bronx, periferia miserável de Nova York, com todos os problemas sociais imagináveis. Era uma música barulhenta (‘faz barulho aí!’), bastarda (até hoje muita gente ainda questiona se é música), feita com colagens de músicas dos outros e até com o arranhar da agulha no vinil dos outros. Aquilo que era considerado algo bizarro, condenado como modismo passageiro, já tem mais de 30 anos e continua a nos surpreender, produzindo, ao mesmo tempo, grana e rebelião, mega-status-quo e voz para todos os tipos de oprimidos, em qualquer lugar e língua. O rap não foi uma invenção do mercado fonográfico norte-americana; ele veio de fora e subjugou a indústria que teve que passar a trabalhar para propagar ainda mais seu ‘vírus’. Ao que tudo indica, a indústria vai desaparecer e o rap vai ficar cada vez mais forte, rico. VIANNA, Hermano. A onda do rap. Disponível em: . Acesso em: 23 mar. 2013. Curiosidade Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 25 Módulo 2 – Identidade cultural Agora é a sua vez! Defi na os movimentos contraculturais para sua defi nição: Beatnik, Hip Hop, Punks, Hippie. Ve ri fi q ue a s ua re sp os ta Be at ni k - M ov im en to d os a no s 19 50 e d o in íc io d os a no s 19 60 , q ue p re ga va u m e st ilo d e vi da a nt im at er ia lis ta . H ip H op - M ov im en to b as ea do n a re ci ta çã o po ét ic a co nh ec id a po r r ap (s ig la d e rh yt hm a nd p oe tr y, “r itm o e po es ia ”, n o in gl ês ), na d an ça d e ru a (b re ak ) e n o gr afi te u rb an o. Pu nk s - M ov im en to q ue te ve su a or ig em n a de ca dê nc ia so ci al d e op er ár io s i ng le se s e n or te -a m er ic an os n o fi m d os a no s 1 97 0. H ip pi e - M ov im en to q ue c om ba tia ra di ca lm en te o c ap ita lis m o, o p at ria rc al is m o, a m as si fi c aç ão e a a cu m ul aç ão d e riq ue za s. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo26 Seção 5 O multiculturalismo contemporâneo Os processos analisados nas seções anteriores (o uso da linguagem e do simbolismo para a defi nição de uma identidade cultural, a divisão da cultura a partir dos preceitos sociais em erudita e popular, o surgimento de uma cultura homogeneizante como a de massa e as reações de grupos minoritários em movimentos de contracultura) são todos essenciais para entendermos a realidade cultural contemporânea. As diversas abordagens culturais existentes hoje repercutem em diversos contextos sociais, gerando processos distintos de interpretação simbólica e, especialmente, promovendo a interpenetração de diversas culturas. Isso gera hibridizações, reações de aceitação e acolhida, resistência, adaptação e troca e, ainda, rejeição e movimentos de segregação e de purifi cação cultural. Não que o sincretismo cultural - a contaminação das produções simbólicas de diferentes grupos sociais - seja algo novo. O colonialismo europeu, por exemplo, que expandiu o mundo entre os séculos XVII e XIX, permitiu o contato entre culturas distintas, bem como a infl uência entre elas. Na América Latina, continente colonizado por exploradores ibéricos, a mistura de referências culturais entre o europeu, o índio nativo e a população de escravos trazidos da África permitiu uma infl uência mútua que, para diversos teóricos, foi o que caracterizou a brasilidade. Módulo 2 – Identidade cultural Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 27 Globalização e a cultura Se a sociedade se tornou culturalmente mais complexa, estudá-la passou a requerer novos desafios metodológicos. A sociologia teve de abandonar teorias universais, aquelas que tentam dar uma interpretação única para problemas comuns a várias sociedades e buscar análises mais específicas. Pesquisas voltadas a grupos menores tornaram-se menos arriscadas, embora mesmo esses grupos apresentem uma multiplicidade simbólica antes inexistente. Existem pessoas que encontram outras formas de pertencimento que não sejam suas “proximidades”, mas sim suas “afinidades”. Esses grupos de afinidade são conhecidos e estudados como tribos urbanas. São as afinidades que acabam atraindo indivíduos a grupos que nem sempre partilham de uma convivência constante. Porém, essas tribos urbanas são voláteis, pois em pouco tempo podem assumir novos interesses e novas formas de sociabilidade. A seguir, conheça algumas dessas tribos. Módulo 2 – Identidade cultural Multimídia Neste momento, recomendo a você assistir ao filme O visitante (Estados Unidos, 2007), direção de Thomas McCarthy. A história de um professor que vai a Nova York para uma conferência e encontra um casal de imigrantes – ele sírio, ela senegalesa – morando em seu apartamento serve de ponto de partida para se entender os processos de influência dos grupos e dos indivíduos de culturas diferentes. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo28 Um passeio pelas redes sociais revelam tribos urbanas que, conforme ondas de interesse, ganham ou perdem adeptos. Em geral, elas buscam referências nos meios de comunicação ou na internet. Analisando a primeira década e meia do século XXI, aparecem comunidades virtuais – e sociais. Entre essas comunidades, podemos citar: Geeks Dotados de inteligência aplicada no desenvolvimento de ferramentas digitais, softwares e aplicativos, destacam-se pela objetividade e pelo senso prático. Hipsters Dedicam-se a lançar moda e tendências sociais que logo desaparecem. Clubbers Frequentadores de bailes dedicados a gêneros musicais específicos, entre eles, triphop, trance, drum and bass e techno, todos com base musical eletrônica. Destacam-se pelas suas roupas extravagantes com cores que brilham no escuro. Headbangers Os metaleiros, ao contrário dos clubbers, vestem-se discretamente, optam pelo preto e ouvem heavy metal dos anos 1970. Emos Termo que abrevia a expressão emotional hardcore e descendem da geração punk, embora a tônica de sua expressão musical e literária esteja nos sentimentos e não na violência comportamental. Não expressam rebeldia, mas incompreensão pela sociedade contemporânea. Otakus Grupo destinado às culturas pop japonesa e coreana, dedica- se à leitura de mangás e à apreciação de animes e de gêneros musicais específicos, como J-rock, J-pop, K-pop e K-rock. Uma ramificação dessa tribo são os cosplayers, pessoas que se vestem de personagens de animes, mangás, games, seriados, filmes, HQs, personalidades e até mesmo de objetos inanimados, como embalagem de Mupy. As tribos urbanas foram objeto do sociólogo francês Michel Maffesoli, que viu como motivação principal para que um indivíduo se agregue a elas, a perda de sua força social ante o processo de massificação. Módulo 2 – Identidade cultural Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 29 A facilidade de gerar sociabilidade a partir das redes digitais leva o sujeito a se filiar a uma tribo para criar uma identidade que o abrigue. É a partir dela que ele encontra meios para, na variedade de possibilidades de interação social, interferir na realidade. Módulo 2 – Identidade cultural Reflexão Determinar seus laços de afetividade a grupos já definidos a partir de referenciais culturais massivos tem levado você a criar, de certa forma, outros laços mais efetivos? De que maneira os meios tradicionais de filiação identitária se relacionam com os meios contemporâneos, como a participação de um indivíduo a uma tribo social?Uma forma invalida a outra? Certamente que não. À medida que o multiculturalismo possibilitou a diversidade de leituras do universo simbólico, acostumamo-nos a multiplicar igualmente a nossa capacidade de criar vínculos de pertencimento com várias identidades. Pense em quantas dessas filiações você se dispõe a fazer atualmente e em como elas se interpõem, inclusive produzindo novas possibilidades de superposições culturais. Agora é a sua vez! Complete as lacunas. Um movimento ............................... se baseia na contestação dos modos sociais de comportamento, propondo formas alternativas que muitas vezes confrontam os ........................................... homogeneizantes empregados nos conteúdos dos meios de comunicação. Re sp os ta c or re ta co nt ra cu ltu ra l / p ad rõ es e st ét ic os Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo30 Módulo 2 – Identidade cultural Neste Módulo, vimos que o que diferencia o ser humano dos demais seres vivos é sua capacidade de interpretar a realidade e de referenciar suas ações ao fazer uma formulação cultural por meio da linguagem e do simbolismo. Dessa forma, segundo Kalr Mannheim, ele cria imagens a partir do que absorve de um contexto social, compara-as com as imagens do grupo e as comunica a esse mesmo grupo. É a partir desse processo que ele gera conhecimento (cultura). Além disso, vimos que essa cultura do grupo, para que possa agregar os indivíduos, precisa gerar uma identidade consensual que suscite vínculos de pertencimento. Durante muito tempo, a construção da identidade cultural exigiu a proximidade de grupos que partilhem do mesmo arcabouço simbólico. Vimos também que os sistemas mais complexos de cultura foram se formando historicamente. A cultura erudita aprimorou regras e práticas de expressão artísticas voltadas a formar um sujeito civilizado. Assim, apartou-se de outras elaborações culturais, enfeixadas na chamada cultura popular. Por sua vez, a emergência dos meios de comunicação de massa fez surgir uma cultura massiva, dedicada a entreter e a divertir uma vasta população urbana. Para tanto, passou a criar modelos culturais homogêneos e hegemônicos, o que suscitou reações diversas dos grupos minoritários, entre elas, a resistência cultural e a contracultura. Com isso, a sociedade acabou gerando diversos campos simbólicos, que podem se infl uenciar ou não (processo conhecido por sincretismo), além de gerar manifestações fragmentadas de sociabilidade, cada qual com sistemas de identidade distintos e sentidos de pertencimento idem. No próximo Módulo, vamos entender de que forma ocorre a relação com o outro, também chamada de alteridade, relação que pode ocorrer positivamente, por assimilação, ou negativamente, por meio de formas de rejeição. Recapitulando Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo 31 Sociologia Referências de imagens Módulo 2 Fig. 1: Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2015. Fig. 2: Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2015. Fig. 3: Disponível em: . Acesso em: 19 set. 2015. Fig. 4: Disponível em: . Acesso em: 19 set. 2015. Fig. 5: Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2015. Fig. 6: Disponível em: . Acesso em: 22 set. 2015. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo