Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo2
Administração Belas Artes 
Dr. Paulo Antonio Gomes Cardim
Reitor
Prof. Dr. Francisco Carlos Tadeu Starke Rodrigues
Pró-Reitor Administrativo
Prof. Dr. Sidney Ferreira Leite
Pró-Reitor Acadêmico
Josiane Maria de Freitas Tonelotto
Superintendente Acadêmica
Departamento de Educação a Distância
Profa. Ma. Jacqueline de Oliveira Lameza
Coordenação
Claudio Villa da Costa Filho
Lucas de Mattos Millan
Design Instrucional
Gustavo Nogueira Pereira
João Paulo Tenório da Silva 
Web Design
Gabriel Kwak
Marina de Mello Fontanelli
Revisão de Texto
Publicação
Este e-book é uma publicação da
Rua Dr. Álvaro Alvim, nº 90
Vila Mariana - SP
Fone: (11) 5576-7300
É proibida a venda e a
reprodução deste material sem 
autorização prévia do Centro
Universitário Belas Artes de São 
Paulo.
Sociologia
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
3
Sumário
Sociologia
Módulo 2: Identidade cultural 05
Referências 31
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo4
Comunicação na era digital
Professor-autor
 Dr. Walter de Sousa Junior 
 Doutor e Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola 
de Comunicações e Artes (ECA-USP) (2003 e 2009), é graduado 
em Comunicação Social pela Universidade Braz Cubas (1986). É 
pesquisador do OBCOM - Observatório de Comunicação, Liberdade 
de Expressão e Censura da ECA/USP. Atuou como docente no curso de 
Especialização em Gestão da Comunicação e em Edcuomunicação da 
ECA/USP, e como conteudista e tutor no curso de EAD de Sociologia 
do Centro Universitário Belas Artes (SP).
 Coordenou o Grupo de Pesquisa em Culturas Híbridas 
no Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP. É autor dos livros 
Moda Inviolada - Uma história da Música Caipira (Quíron, 2006), 
Mixórdia no picadeiro - Circo-teatro em São Paulo (1930-1970) 
(Terceira Margem, 2011) e Piolin, o corpo e a alma do circo (ECA/
USP, 2015). Tem experiência acadêmica em Comunicação, atuando 
principalmente nos seguintes temas: gestão da comunicação, 
educomunicação, hibridismo cultural, cultura popular, cultura de 
massa, circularidade cultural, música caipira, circo, circo-teatro.
Dr. Walter de Sousa Junior
MÓDULO 2
Identidade cultural
Prof. Walter de Sousa Junior
 
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo6
Módulo 2 – Identidade cultural
Objetivos
 
Ao fim deste Módulo, você estará apto a:
	Entender os processos de construção simbólica;
	Entender o uso da cultura para suscitar o sentimento de 
pertencimento de um grupo social a uma nação;
	Identificar as relações entre as diversas expressões 
culturais contemporâneas;
	Analisar a resistência cultural e os padrões de 
comportamento;
	Perceber a diversidade cultural.
 
 
 Seções
1. Universo simbólico e linguagem
2. A construção da identidade cultural
3. Culturas: popular, erudita e massiva
4. Contracultura: oposição à cultura dominante
5. O multiculturalismo contemporâneo
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
7
Módulo 2 – Identidade cultural
Introdução
 Seguimos nosso caminho com o segundo Módulo da 
disciplina Sociologia.
 Nele, vamos analisar e entender o processo de construção 
da identidade cultural responsável por desenvolver, nos indivíduos, 
o senso de pertencimento a um grupo social. As cinco seções 
apresentadas a seguir servirão de apoio para seu aprendizado.
 Na primeira delas, trataremos da importância do domínio da 
linguagem e do simbolismo na elaboração da interação social. Na 
segunda, discutiremos de que forma se constroem as identidades 
culturais. Na terceira seção, explicaremos como sistemas culturais mais 
complexos se formaram, influenciando grupos sociais maiores, como 
as culturas erudita, popular e massiva. Os movimentos sociais que 
reagiram ao processo de homogeneização da cultura serão analisados 
na quarta seção, que precede o debate sobre multiculturalismo, 
exposto na quinta seção, e que fecha o Módulo. 
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo8
Módulo 2 – Identidade cultural
 Universo simbólico e linguagem
Para começarmos a refl etir sobre a identidade 
cultural de uma sociedade, cabe colocarmos 
algumas questões:
Por que o ser humano, ao contrário 
dos demais seres vivos, não age somente a 
partir de seus instintos? 
Como ele cria novas formas para resolver velhos 
problemas de subsistência a ponto de perpetuar sua espécie por 
milhares de anos? 
Certamente porque suas ações e atitudes são frutos de 
um processo de construção cultural. Ao contrário dos instintos, os 
aspectos culturais são aprendidos, e não herdados. Por isso podem 
ser partilhados, tornando possível os processos de comunicação e 
cooperação.
Entre os elementos que permitem a comunicação, estão:
Simbolismo: é a capacidade mental do ser humano em usar um signo 
– que pode ser palavra, gesto ou escrita – para representar algo da 
realidade objetiva ou subjetiva. 
Linguagem: é o conjunto de signos (fala, gesto, escrita, notas musicais 
etc.) que, articulados a partir de regras, conseguem disseminar 
o conhecimento e a cultura entre os seres humanos. Ela gera a 
comunicação entre os seres, permitindo a vida social em grupo.
Foi a partir deles que o homem conseguiu interpretar e dar 
outros signifi cados à realidade. 
Diferentemente dos animais, que repetem seus 
comportamentos mesmo que eles não apresentem signifi cado prático 
imediato – um exemplo disso são as voltas dadas pelo cão antes de ele 
se deitar -, o ser humano tem a habilidade de, numa situação de crise, 
reajustar suas ações a partir de novas ressignifi cações da realidade, 
compartilhando esses novos sentidos com o grupo social ao qual 
pertence.
 Seção 1
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
9
Módulo 2 – Identidade cultural
É claro que só foi possível a ele desenvolver tal habilidade 
a partir de um profundo desenvolvimento de alguns processos 
internos, como os dos sistemas perceptivo e cognitivo, que refletem 
substancialmente nos fatores externos. Representar simbolicamente 
os processos vividos é tarefa primordial para que possamos pensar, 
analisar, ordenar ou desmontar a realidade. 
A partir da linguagem, foi possível apresentar essa construção 
simbólica para o grupo social para que este fizesse novas associações 
e alcançasse novos significados. 
Esses símbolos, pactuados por um mesmo grupo, 
transformaram-se em seu patrimônio cultural.
O conjunto de bens materiais e imateriais que compõem a 
identidade de um grupo social é seu patrimônio cultural. Em geral, 
ele se perpetua por meio da tradição enquanto suscita sentimentos 
de pertencimento. 
Não é difícil identificar vários desses bens ao analisarmos como 
eles fizeram parte de nossa formação cultural, sejam eles originados 
em suportes culturais familiares, sejam do grupo ao qual pertencemos, 
sejam oriundos dos meios de comunicação. 
Este pequeno conto, recolhido pelo escritor Jean-Claude Carrière, 
trata da capacidade de construção simbólica do ser humano.
A girafa
Um escultor brasileiro, que não tinha nenhuma formação artística, 
escolheu pedações de madeira e deles extraiu animais. Alguns 
desses animais eram seus conhecidos, outros não.
Um dia, quando esculpia uma girafa, sem nenhum modelo nem 
imagem desse animal que jamais vira, alguém lhe perguntou 
como ele procedia.
- É muito simples – ele respondeu – Pego meu pedaço de madeira, 
começo a trabalhar e tudo que não é girafa eu jogo fora.
 Carrière, Jean-Claude. Contos filosóficos do mundo inteiro. 
São Paulo: Ediouro, 2008, p. 97).
Curiosidade
 
Educação a Distância– Centro Universitário Belas Artes de São Paulo10
Módulo 2 – Identidade cultural
 Simbolismo e Linguagem - Métodos
O uso do simbolismo e da linguagem e a formulação da cultura 
do grupo social são os objetos de um ramo particular do pensamento 
sociológico: a sociologia da cultura. 
Quem estabeleceu os métodos dedicados a essa disciplina 
foi o teórico húngaro Karl Mannheim (1893-1947), que percebeu 
a necessidade de se investigar as “funções mentais no contexto da 
ação”, ou seja, a relação entre os significados e os atos simbólicos e 
como eles atuam no meio social.
Mannheim acreditava que toda ação do indivíduo na sociedade 
lhe daria uma experiência. No entanto, essa experiência era limitada, 
pois ela dependia da forma que o indivíduo percebia o processo social. 
Seguindo esse raciocínio, a cultura é sempre um produto social, pois 
é resultado de um contexto e da maneira como o indivíduo interpreta 
esse contexto, bem como das imagens que derivam desse processo 
de interpretação e da forma que elas serão comunicadas aos demais.
O processo de formulação do 
conhecimento e sua relação com a cultura de 
um grupo social sistematiza práticas cotidianas. 
Quando observamos um fenômeno novo, 
por exemplo, um ato de violência no bairro 
em que moramos, elaboramos internamente 
uma leitura desse fato. Certamente vamos 
confrontá-lo com as imagens que temos dele 
a partir do nosso processo de socialização. 
Reflexão
Não pense somente nesses bens como se eles tivessem 
apenas referências artísticas, pense em nossos modos de 
fazer as coisas, de se comportar, de se expressar e de viver 
em grupo. Depois disso, é possível pensar nos objetos que 
foram essenciais para nossa identificação com o grupo, nas 
construções, em nossas crenças religiosas e científicas. Tudo 
isso mantém o nosso patrimônio cultural sustentado, embora 
ele possa ser relativamente mutável no decorrer do tempo.
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
11
Se crescemos num grupo social em que a violência não é fato 
corriqueiro, seguindo nosso exemplo, iremos construir uma imagem 
de estranhamento e de censura pelo crime ocorrido. Ao comunicarmos 
essa ocorrência a um grupo, iremos transmiti-la conforme nossa 
experiência, contaminando a cultura do grupo como nossa percepção. 
Assim, o fato chegará “construído”, carregando o estranhamento e a 
censura. O que estamos fazendo com isso? Endossando uma cultura 
social a partir de nossa vivência pessoal.
Módulo 2 – Identidade cultural
Reflexão
Mesmo que utilizemos nossa percepção criativa para 
expressar artisticamente um acontecimento, não estaremos, 
ao mesmo tempo, sendo influenciados pela cultura do grupo?
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo12
Agora é a sua vez!
Explique o conceito de Simbolismo e Linguagem.
Ve
ri
fi q
ue
 a
 s
ua
 re
sp
os
ta
Si
m
bo
lis
m
o 
- É
 a
 c
ap
ac
id
ad
e 
hu
m
an
a 
de
 c
ria
r s
ig
no
s 
pa
ra
 re
pr
es
en
ta
r a
 re
al
id
ad
e 
ob
je
tiv
a 
– 
os
 o
bj
et
os
 m
at
er
ia
is
 –
 e
 s
ub
je
tiv
a 
– 
os
 s
en
tim
en
to
s 
e 
a 
re
fl e
xã
o.
Li
ng
ua
ge
m
 - 
É 
um
a 
fe
rr
am
en
ta
 q
ue
 p
er
m
ite
 q
ue
 u
m
a 
id
ei
a 
se
ja
 c
om
un
ic
ad
a 
a 
um
 g
ru
po
 so
ci
al
.
Módulo 2 – Identidade cultural
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
13
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Módulo 2 – Identidade cultural
 A construção da identidade cultural
O patrimônio simbólico de um grupo 
social compreende uma identidade cultural. 
Ou seja, os membros daquele grupo se 
sentem pertencentes a ele a partir de um 
vínculo cultural. 
Assim, ao estabelecer esse senso de 
pertencimento, que acontece no desenrolar 
da socialização, o indivíduo passa a 
comungar com os valores culturais daquele grupo.
O sociólogo jamaicano Stuart Hall (s.d.) aponta que a 
identidade cultural preenche o espaço entre o “interior” e o “exterior”, 
isto é, entre o mundo pessoal e o mundo público. Assim, ela ajuda 
a alinhar os sentimentos subjetivos com os lugares que o indivíduo 
ocupa objetivamente dentro da sociedade. 
Por isso começamos a elaborá-la quando nascemos e 
prosseguimos assim, num processo constante, até o fi m de nossas 
vidas. Isso não nos deixa imunes à infl uência de outros grupos sociais. 
Esse processo é chamado de aculturação.
 Exemplo de aculturação
As colônias italianas estabelecidas na 
cidade de São Paulo acabaram por infl uenciar 
os grupos sociais nascidos nessa capital, 
que incorporaram hábitos, gestos e comida 
mediterrânea. Essas infl uências foram tão 
forte que se tornaram elementos da própria 
identidade paulistana. 
Ou será possível pensar na cidade de São Paulo sem incluir suas 
tradicionais cantinas italianas? Outra questão é que o patrimônio 
cultural de um grupo, normalmente consolidado por várias 
gerações, costuma estabelecer padrões de expectativas em relação a 
comportamentos esperados daqueles que fazem parte desse grupo. 
 Seção 2
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo14
Módulo 2 – Identidade cultural
Para atender a essas expectativas, o indivíduo tem de 
desempenhar papéis sociais. Afinal, as relações interpessoais 
costumam ser “costuradas” pela identidade cultural. Para não perder 
seu equilíbrio interno, a identidade cultural exige que cada indivíduo 
seja capaz de elaborar “máscaras” de comportamento.
Assim, no processo de socialização, aprendemos a 
desempenhar papéis diversos em pouco tempo e para várias 
situações: na relação familiar, no trabalho, entre os amigos, na escola 
etc. A elaboração desses papéis exige que fiquemos atentos às 
interações e que desenvolvamos uma comunicação adequada para 
delas participarmos.
Até hoje, parte das características da identidade cultural ainda 
está alocada em espaços de extensão definida. 
Por exemplo, a identidade do nordestino está vinculada à 
condição geográfica do Nordeste brasileiro, assim como ser gaúcho 
se refere a um conjunto de práticas culturais alocadas nos estados do 
Sul do país. A proximidade é uma condição básica da identidade local.
A partir de diversas circunstâncias históricas, a ideia de uma 
identidade nacional foi retomada por inúmeros intelectuais ligados a 
um projeto político nacional, como veremos mais adiante, no Módulo 
5. 
Essa ideia envolve um amplo espaço territorial de identificação 
e busca elementos que sintetizem uma literatura, um teatro, uma 
música, um cinema, enfim, uma cultura nacional. 
Reflexão
Você já percebeu que muitas vezes desempenhamos papéis 
distintos até na relação com uma mesma pessoa? Exemplos: 
quando dissemos para um familiar: “Agora, falando como 
amigo, o que você acha...”; ou quando desempenhamos 
papéis diferentes com uma mesma pessoa, invertendo 
posições sociais. Posso ter como cliente um membro familiar, 
estipulando formas de comportamento padronizadas 
comercialmente e, nas relações familiares, atender a 
hierarquia de respeito que a estrutura exige. Isso não significa 
que estamos flexibilizando nossa personalidade, mas sim 
aceitando as convenções sociais exigidas, como faz um ator, 
que desempenha papéis distintos em cenários distintos.
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
15
Módulo 2 – Identidade cultural
Impõe-se também o desafio de se criar elementos que 
aglutinem as identidades locais sob um mesmo guarda-chuva cultural, 
levando-nos a uma identidade nacional.
Mais
O que é ser brasileiro? Historicamente, houve um grande 
esforço, desde meados do século XIX, em reunir elementos 
que indicassem a condição de pertencer à nação brasileira. 
Um exemplo desse emprenho: os intelectuais reunidos em 
torno do imperador d. Pedro II buscaram na referência da 
cultura do índio formas que representassem a brasilidade. Arte 
plumária, nomes em tupi e narrativas com personagens nativos 
acabaram criando uma ideia europeizada do que erao índio, 
como em Confederação dos tamoios (poema de Gonçalves de 
Magalhães) ou em O Guarani (romance de José de Alencar).
Depois os intelectuais modernistas procuraram essa referência 
não no grupo social original, mas na mestiçagem entre o 
branco colonizador, o negro escravo e o índio colonizado. Foi 
a forma de escapar à influência da cultura da Europa. Essa 
mistura deu em Macunaíma (romance de Mário de Andrade) e 
em Serafim Ponte Grande (obra de Oswald de Andrade).
 Identidade nacional
A identidade nacional cria fronteiras culturais rígidas, 
especialmente onde há países que têm fronteiras próximas entre si e 
uma diversidade cultural muito grande, como na Europa, por exemplo.
Delimitar o que é ser ou não francês, português, espanhol, 
alemão, italiano etc., é uma das preocupações existentes na Europa.
Embora tenha vigorado desde a concepção do Estado-
nação no século XVIII, a identidade nacional passou a perder espaço 
ante diversos fatores envolvidos na realidade de globalização: 
descolonização de diversos países, migrações, diásporas, novas 
formas de sociabilidade em rede etc.
Porém, antes de analisar o efeito que esses fatores originaram, 
vamos entender como se constituíram formas complexas de cultura, 
como a erudita, a popular e a massiva. Veremos isso na próxima seção!
Regiões com diferenças 
culturais
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo16
Módulo 2 – Identidade cultural
Multimídia 
Neste momento, recomendo que você assista ao filme A Copa 
(Butão, 1999), direção de Khientse Norbu Rimpoche. Como 
um monge pode manter a mente nos estudos enquanto 
Ronaldinho joga pelo Brasil? É essa a principal questão que 
guia o primeiro filme produzido num país budista, dirigido 
por um lama e com atores amadores. Numa sociedade pouco 
complexa, que exige de seus membros o desempenho de 
poucos papéis sociais, uma expressão da cultura ocidental, o 
futebol, é capaz de mudar a rotina de um mosteiro budista. 
Jovens lamas articulam estratégias para escapar à vigilância do 
mestre para ver os jogos da Copa do Mundo de 1998.
Agora é a sua vez!
Complete as lacunas. 
 
A ............................... envolve uma estrutura de normas, 
........................................... e padrões de comportamento que, 
historicamente pactuados pelos indivíduos, não só cria 
elementos que atraem o senso de pertencimento como 
organiza as relações entre os indivíduos, mantendo a 
............................... .
Re
sp
os
ta
 c
or
re
ta
id
en
tid
ad
e 
cu
ltu
ra
l /
 c
re
nç
as
 / 
co
es
ão
 d
o 
gr
up
o
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
17
Módulo 2 – Identidade cultural
 Culturas: popular, erudita e massiva
 Cultura erudita e o “ser civilizado”
Como vimos no Módulo 1, a cultura avança num constante 
e dinâmico processo de desenvolvimento, que, com o decorrer da 
história, tomou um sentido de civilizar a sociedade. 
Nessa direção, a colonização europeia se expandiu, levando 
um conjunto de padrões sociais aos países colonizados, que passaram 
a representar aquilo que é “ser civilizado”. 
Foi um processo lento e gradual, iniciado no Renascimento, 
com o objetivo de constituir um comportamento uniforme, capaz de 
distinguir o indivíduo dentro de seu grupo social. 
É por isso que essas regras eram dominadas pela aristocracia.
Entre as formas de distinção, estavam as maneiras civilizadas 
de se apreciarem as expressões artísticas, como o teatro, a literatura 
e a música. A ideia de beleza, surgida na Antiguidade Clássica por 
volta do século V a. C., foi retomada na busca pelo ideal artístico 
renascentista, ao mesmo tempo que se desenvolveram um mercado 
de arte e uma produção artística autônoma, além de uma crítica de 
arte dedicada a formar o gosto estético do público que iria apreciar 
essa arte.
Passou-se a expressar o sentido de civilidade na produção 
artística, o que levou à constituição de cânones que garantissem um 
rigor formal. Essa estética atraiu artistas burgueses no século XVIII, 
que passaram a se adequar às regras da arte erudita para, com o apoio 
dos mecenas, conquistarem as cortes europeias. 
 Seção 3
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo18
Módulo 2 – Identidade cultural
Assim, o conjunto composto por artistas, mecenas, 
compradores, expositores, escolas e eventos e que envolve a arte 
erudita, é chamado de cultura erudita. 
 Cultura erudita X Cultura popular
Porém a cultura erudita não foi a única expressão cultural 
europeia surgida no Renascimento. Outras culturas continuaram 
se desenvolvendo em áreas geográficas nem tão distantes das 
sociedades de corte. 
Mesmo em Paris, os festivais populares ocuparam as ruas para 
celebrar a comicidade e abolir temporariamente as relações sociais 
hierárquicas. 
Mas sua expressão mais fértil esteve entre as populações 
rurais, que foram se transferindo para os emergentes centros urbanos 
europeus.
A cultura popular mantém parte do referencial de uma 
cultura rural que, por não ter uma finalidade comercial nem autoral, 
é facilmente e erroneamente reconhecida como “expressão artística 
primitiva”, sem complexidade estética, em geral conservadora, que 
não busca a inovação. 
Por isso a cultura popular é contraposta à cultura erudita. 
Multimídia 
Pra contextualizar, recomendo a você que assista ao filme A 
moça com brinco de pérola (Reino Unido, 2003), direção de Peter 
Webber.
Ao acompanhar a produção artística do pintor holandês 
Johanness Vermeer do século XVII a partir da visão da 
empregada Griet, que será a modelo de um de seus mais 
famosos quadros, o filme mostra as relações do artista com seu 
mecenas, suas preocupações canônicas (luz, cor, construção 
do equilíbrio da cena etc.) e os problemas da vida cotidiana. 
Trata-se de uma construção ficcional baseada no quadro 
homônimo. 
A pintura A moça com brinco de pérola oferece uma 
interpretação que não é a da beleza clássica, embora Vermeer 
use o rigor formal para expressar uma beleza comum, cotidiana, 
enriquecida com uma peça que certamente não pertencia à 
empregada: o brinco de pérola.
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
19
Módulo 2 – Identidade cultural
Afinal, além de distinta em termos estéticos, representa uma condição 
subalterna a ela.
Por outro lado, a cultura erudita...
...atraiu artistas cultos, já que era formada por expressões artísticas 
originadas em um passado remoto e que, por isso, mantinham 
certo exotismo estético, característica que, aliás, atraiu também um 
contingente de colecionadores e, mais tarde, de estudiosos dedicados 
a “resguardar” uma arte pura, primitiva e ainda não contagiada pelo 
rigor formal do classicismo. 
Tal posição reforçou o sólido muro que separava “expressão 
erudita” de “cultura popular”, visão que prevaleceu até meados do 
século XX, quando historiadores e teóricos sociais se propuseram a 
rever essa distinção. 
Vários deles mostraram que, naquele muro, havia fissuras 
demais que permitiam um constante processo de troca cultural.
O historiador italiano Carlo Ginzburg, que dedicou parte de suas 
pesquisas na análise dos autos da Santa Inquisição, tribunais 
instalados na Idade Média com a missão de erradicar a heresia, 
encontrou uma interessante diligência que tinha por acusado 
um moleiro de nome Menocchio, que viveu numa pacata aldeia 
na região italiana de Friuli. Esse moleiro era figura conhecida 
de todos, inclusive dos estrangeiros que passavam pela região, 
e vivia rodeado de aldeões que usavam de seus serviços para 
moer sua produção de grãos. Evidente falastrão, foi pego por 
suas palavras consideradas nocivas à sociedade, que era vigiada 
pela Inquisição. E o que dizia Menocchio? Ele defendia que, no 
início dos tempos, houve o caos (o que replica a versão bíblica), 
e que esse caos formou uma massa (como o leite que fermenta 
e forma o queijo), e que dessa massa decantada brotaram 
vermes, que eram os anjos e Deus.Ginzburg percebeu que o moleiro havia participado de uma 
intensa troca cultural. Identificou os volumes que passaram por 
suas mãos e entendeu que a elaboração que levou Menocchio 
para a fogueira foi fruto de um processo de hibridização 
cultural. Ele promoveu o encontro entre as discussões religiosas 
travadas dentro da própria Igreja, as quais teve acesso pelos 
livros, e sua cultura pessoal permitiu comparar a origem 
do universo à preparação artesanal de um queijo e à sua 
putrefação.
Curiosidade
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo20
Módulo 2 – Identidade cultural
A tecnologia também está ligada à cultura.
A invenção da prensa de tipos móveis (prensa de Gutemberg) 
tornou o conhecimento produzido até a Idade Média nos mosteiros 
acessível a um público amplo. Essa tecnologia deu início à chamada 
produção industrial da cultura. 
Duas interpretações desse processo levaram a formas distintas 
de compreendê-lo. 
A primeira gerou o conceito de “indústria cultural”, que 
desqualifica o produto cultural voltado ao consumo das massas por 
ter um efeito de rebaixamento da obra de arte, transformando-a em 
mercadoria. 
A segunda tratou essa produção como uma nova forma de 
produção cultural, denominando-a de “cultura de massa”.
Os recursos tecnológicos 
se ampliaram imensamente 
desde o fim do século XIX, no 
sentido de reproduzir não só 
textos mas também imagens e 
sons. 
Na última década desse século, surgiram o rádio e o cinema, 
meios que aumentaram a oferta de bens culturais a um público cada 
vez mais amplo. 
Em sua maioria, esse público foi formado de populações de 
migrantes em busca de empregos na indústria e no comércio. 
Num cenário de profunda desigualdade social, a concentração 
da chamada “massa” levou teóricos a estudarem os distúrbios da 
ordem social e a perceberem que os meios de comunicação, que 
supriam esses contingentes com a oferta de entretenimento e 
diversão, inauguravam uma nova forma de produção cultural.
Essa produção buscava referenciais homogêneos que 
atingissem indistintamente o público. Ela deveria alcançar todas as 
classes sociais, portanto ser deliberadamente influente, usando de 
persuasão para estimular o consumo simbólico e material.
Na seção seguinte, você conhecerá os efeitos dessa 
homogeneização cultural.
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
21
Módulo 2 – Identidade cultural
Agora é a sua vez!
Indique os elementos que tornaram o conhecimento 
acessível no século XIX.
Ve
ri
fi q
ue
 a
 s
ua
 re
sp
os
ta
Pr
en
sa
 d
e 
G
ut
em
be
rg
, I
nt
er
ne
t, 
Ci
ne
m
a.
 Contracultura: oposição à cultura dominante
A homogeneização promovida pela cultura de massa 
(fenômeno estudado na última seção) teve efeitos diversos sobre as 
culturas e sobre as identidades culturais a ponto de ameaçar suas 
fronteiras. 
Ao confrontar diversas 
interpretações sobre a sociedade, 
os meios de comunicação de 
massa colocaram à disposição 
do grande público elementos 
para que estes colocassem 
em discussão o seu “senso de 
pertencimento”, fragmentando-o 
paulatinamente.
Em resposta, surgiram 
movimentos de resistência 
cultural, que tinham por objetivo 
evitar que a cultura dominante e 
hegemônica não sobrepusesse os traços que distinguiam as culturas 
minoritárias. 
 Seção 4
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo22
Módulo 2 – Identidade cultural
A reação ante os sistemas culturais estabelecidos, entretanto, 
não precisa ser de resistência. Na sociedade, há culturas que se 
tornam dominantes e há as que permanecem à margem, com valores 
e padrões de comportamento distintos. 
Essas últimas são tratadas como subculturas, pois são 
interpretadas geralmente como alternativas ao modelo dominante.
Algumas vezes, esses grupos distintos podem apresentar novos 
padrões de comportamento e de ideologias em reação ao chamado 
status quo (termo em latim para designar o estado atual). 
Passam, assim, a proporem críticas à sociedade capitalista 
e burguesa, representando uma “contracultura”. O termo é claro: há 
um confronto com a sociedade dominante e, em geral, uma proposta 
comportamental alternativa.
Embora tenham sido absorvidos pelos meios culturais 
hegemônicos, que usaram a expressão artística da “contracultura” 
como referência para a elaboração de produtos consumíveis – 
justamente o que se contestava –, os movimentos de contracultura 
continuam tendo repercussão social. 
O sociólogo Anthony Giddens afirma que eles influenciam e 
modificam as formas de participação política atuais. 
Pelo menos quatro grandes movimentos da contracultura 
surgiram no pós-guerra e usaram a literatura, a música, a dança e a 
expressão gráfica como formas de criticar e de propor novas maneiras 
de organização social. Veja:
 Beatnik
 Nos anos 1950 e no início dos 1960, jovens escritores norte-
americanos, cansados da sociedade burguesa e desencantados com 
a devastação provocada pela guerra, passaram a pregar um estilo de 
vida antimaterialista. O nome vem do termo beat, gíria do submundo 
de vigaristas e ladrões para designar “rebaixado, espezinhado”.
 Hippie
 Espécie de proposta beat radicalizada, o movimento se 
desenvolveu nos Estados Unidos na década de 1960 e se espalhou 
por todo o Ocidente. Combatia radicalmente o capitalismo, o 
patriarcalismo, a massificação, a acumulação de riquezas, a ascensão 
social e o poder instituído na forma de Estado. Defendia a liberdade 
sexual, a não violência e o respeito à natureza. 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
23
 Punk
 A decadência social de operários ingleses e norte-americanos 
no fim dos anos 1970 ensejou um espírito de pessimismo e niilismo 
exacerbado numa linguagem áspera e grosseira. Ela explode 
inicialmente num estilo musical executado por grupos sem educação 
em música que usam os instrumentos para gerar ruídos e gritar 
discursos contestatórios. O movimento punk acabou dando origem 
a subgêneros, com punks anarquistas e antifascistas e os violentos 
skinheads, de orientação neonazista. Também inspirou a atitude de 
desconstrução dos ambientes digitais, dando origem aos hackers ou 
cyberpunks.
 Hip Hop
 Durante a década de 1970, jovens imigrantes afrodescendentes 
que viviam em Nova York criaram um movimento que se posicionou 
contra a segregação racial, dando origem a uma expressão artística 
multimídia que incluiu um tipo de música feita com colagens da 
produção da indústria fonográfica, tendo como base a recitação 
poética conhecida por rap (sigla de rhythm and poetry, “ritmo e poesia”, 
no inglês), a dança de rua (break) e o grafite urbano. 
Módulo 2 – Identidade cultural
Multimídia 
O movimento punk explodiu no Brasil em 1982, cinco anos 
depois do grupo britânico Sex Pistols ter gravado aquele que 
seria o disco inaugural da nova estética da contestação, Never 
Mind the Bullocks – Here’s the Sex Pistols. Por aqui, o marco 
desse movimento foi o festival O começo do fim do mundo, 
que aconteceu no Sesc Pompeia, na capital paulista, e reuniu 
21 grupos da periferia da cidade, entre eles Inocentes, Cólera, 
Olho Seco e Lixomania. O evento gerou um disco gravado por 
19 desses grupos, que foi lançado pelo próprio Sesc com uma 
tiragem de apenas 300 unidades. O mesmo áudio saiu em CD 
pelo selo Gravações Sem Qualidade, do vocalista da banda Olho 
Seco, Fábio Sampaio. 
Nesse momento, recomendo a você que escute o disco Never 
Mind the Bullocks – Here’s the Sex Pistols.
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo24
 O nome do movimento emprega termos populares usados 
para designar a dança: saltar (hip) e balançar os quadris (hop). Em 
geral, os bailes envolvem disc jockeys (DJ’s), que comandam as pickups 
(toca-discos, depois vieram os CDs e, atualmente, as faixas digitais), 
e mestres de cerimônia (MC’s, que fazem o rap). O movimento se 
espalhou pelo mundo, sendo adaptado a diversas culturas e idiomas.
Módulo 2– Identidade cultural
O antropólogo carioca Hermano Vianna resume a influência do 
hip hop e sua permanência no cenário mundial contemporâneo:
 “[...] Quem diria: o rap surgiu — sob influência caribenha — no 
Bronx, periferia miserável de Nova York, com todos os problemas 
sociais imagináveis. Era uma música barulhenta (‘faz barulho 
aí!’), bastarda (até hoje muita gente ainda questiona se é música), 
feita com colagens de músicas dos outros e até com o arranhar 
da agulha no vinil dos outros. Aquilo que era considerado algo 
bizarro, condenado como modismo passageiro, já tem mais de 
30 anos e continua a nos surpreender, produzindo, ao mesmo 
tempo, grana e rebelião, mega-status-quo e voz para todos os 
tipos de oprimidos, em qualquer lugar e língua. O rap não foi uma 
invenção do mercado fonográfico norte-americana; ele veio de 
fora e subjugou a indústria que teve que passar a trabalhar para 
propagar ainda mais seu ‘vírus’. Ao que tudo indica, a indústria vai 
desaparecer e o rap vai ficar cada vez mais forte, rico. 
VIANNA, Hermano. A onda do rap. Disponível em: . 
Acesso em: 23 mar. 2013.
Curiosidade
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
25
Módulo 2 – Identidade cultural
Agora é a sua vez!
Defi na os movimentos contraculturais para sua defi nição: 
Beatnik, Hip Hop, Punks, Hippie.
Ve
ri
fi q
ue
 a
 s
ua
 re
sp
os
ta
Be
at
ni
k 
- M
ov
im
en
to
 d
os
 a
no
s 
19
50
 e
 d
o 
in
íc
io
 d
os
 a
no
s 
19
60
, q
ue
 p
re
ga
va
 u
m
 e
st
ilo
 d
e 
vi
da
 a
nt
im
at
er
ia
lis
ta
.
H
ip
 H
op
 - 
M
ov
im
en
to
 b
as
ea
do
 n
a 
re
ci
ta
çã
o 
po
ét
ic
a 
co
nh
ec
id
a 
po
r r
ap
 (s
ig
la
 d
e 
rh
yt
hm
 a
nd
 p
oe
tr
y,
 “r
itm
o 
e 
po
es
ia
”, n
o 
in
gl
ês
), 
na
 d
an
ça
 d
e 
ru
a 
(b
re
ak
) e
 n
o 
gr
afi
 te
 u
rb
an
o.
 
Pu
nk
s -
 M
ov
im
en
to
 q
ue
 te
ve
 su
a 
or
ig
em
 n
a 
de
ca
dê
nc
ia
 so
ci
al
 d
e 
op
er
ár
io
s i
ng
le
se
s e
 n
or
te
-a
m
er
ic
an
os
 n
o 
fi m
 d
os
 a
no
s 1
97
0.
H
ip
pi
e 
- M
ov
im
en
to
 q
ue
 c
om
ba
tia
 ra
di
ca
lm
en
te
 o
 c
ap
ita
lis
m
o,
 o
 p
at
ria
rc
al
is
m
o,
 a
 m
as
si
fi c
aç
ão
 e
 a
 a
cu
m
ul
aç
ão
 d
e 
riq
ue
za
s.
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo26
 Seção 5
 O multiculturalismo contemporâneo
Os processos analisados nas 
seções anteriores (o uso da linguagem e 
do simbolismo para a defi nição de uma 
identidade cultural, a divisão da cultura 
a partir dos preceitos sociais em erudita 
e popular, o surgimento de uma cultura 
homogeneizante como a de massa e 
as reações de grupos minoritários em 
movimentos de contracultura) são todos 
essenciais para entendermos a realidade cultural contemporânea.
As diversas abordagens culturais existentes hoje 
repercutem em diversos contextos sociais, gerando processos 
distintos de interpretação simbólica e, especialmente, promovendo a 
interpenetração de diversas culturas. 
Isso gera hibridizações, reações de aceitação e acolhida, 
resistência, adaptação e troca e, ainda, rejeição e movimentos de 
segregação e de purifi cação cultural. 
Não que o sincretismo cultural - a contaminação das 
produções simbólicas de diferentes grupos sociais - seja algo novo. 
O colonialismo europeu, por exemplo, que expandiu o mundo entre 
os séculos XVII e XIX, permitiu o contato entre culturas distintas, bem 
como a infl uência entre elas. 
Na América Latina, continente colonizado por exploradores 
ibéricos, a mistura de referências culturais entre o europeu, o índio 
nativo e a população de escravos trazidos da África permitiu uma 
infl uência mútua que, para diversos teóricos, foi o que caracterizou a 
brasilidade.
Módulo 2 – Identidade cultural
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
27
Globalização e a cultura 
Se a sociedade se tornou culturalmente mais complexa, 
estudá-la passou a requerer novos desafios metodológicos. 
A sociologia teve de abandonar teorias universais, aquelas que 
tentam dar uma interpretação única para problemas comuns a várias 
sociedades e buscar análises mais específicas. 
Pesquisas voltadas a grupos menores tornaram-se menos 
arriscadas, embora mesmo esses grupos apresentem uma 
multiplicidade simbólica antes inexistente.
Existem pessoas que encontram outras formas de 
pertencimento que não sejam suas “proximidades”, mas sim suas 
“afinidades”. Esses grupos de afinidade são conhecidos e estudados 
como tribos urbanas. 
São as afinidades que acabam atraindo indivíduos a grupos 
que nem sempre partilham de uma convivência constante.
Porém, essas tribos urbanas são voláteis, pois em pouco tempo 
podem assumir novos interesses e novas formas de sociabilidade.
A seguir, conheça algumas dessas tribos.
Módulo 2 – Identidade cultural
Multimídia 
Neste momento, recomendo a você assistir ao filme O visitante 
(Estados Unidos, 2007), direção de Thomas McCarthy.
A história de um professor que vai a Nova York para uma 
conferência e encontra um casal de imigrantes – ele sírio, ela 
senegalesa – morando em seu apartamento serve de ponto de 
partida para se entender os processos de influência dos grupos 
e dos indivíduos de culturas diferentes.
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo28
Um passeio pelas redes sociais revelam tribos urbanas que, 
conforme ondas de interesse, ganham ou perdem adeptos. Em geral, 
elas buscam referências nos meios de comunicação ou na internet. 
Analisando a primeira década e meia do século XXI, aparecem 
comunidades virtuais – e sociais. Entre essas comunidades, podemos 
citar:
 Geeks
 Dotados de inteligência aplicada no desenvolvimento de 
ferramentas digitais, softwares e aplicativos, destacam-se pela 
objetividade e pelo senso prático.
 Hipsters
 Dedicam-se a lançar moda e tendências sociais que logo 
desaparecem.
 Clubbers
 Frequentadores de bailes dedicados a gêneros musicais 
específicos, entre eles, triphop, trance, drum and bass e techno, 
todos com base musical eletrônica. Destacam-se pelas suas roupas 
extravagantes com cores que brilham no escuro.
 Headbangers
 Os metaleiros, ao contrário dos clubbers, vestem-se 
discretamente, optam pelo preto e ouvem heavy metal dos anos 1970.
 Emos
 Termo que abrevia a expressão emotional hardcore e 
descendem da geração punk, embora a tônica de sua expressão 
musical e literária esteja nos sentimentos e não na violência 
comportamental. Não expressam rebeldia, mas incompreensão pela 
sociedade contemporânea.
 Otakus 
 Grupo destinado às culturas pop japonesa e coreana, dedica-
se à leitura de mangás e à apreciação de animes e de gêneros musicais 
específicos, como J-rock, J-pop, K-pop e K-rock.  
Uma ramificação dessa tribo são os cosplayers, pessoas que se 
vestem de personagens de animes, mangás, games, seriados, filmes, 
HQs, personalidades e até mesmo de objetos inanimados, como 
embalagem de Mupy.
As tribos urbanas foram objeto do sociólogo francês Michel 
Maffesoli, que viu como motivação principal para que um indivíduo 
se agregue a elas, a perda de sua força social ante o processo de 
massificação. 
Módulo 2 – Identidade cultural
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
29
A facilidade de gerar sociabilidade a partir das redes digitais 
leva o sujeito a se filiar a uma tribo para criar uma identidade que o 
abrigue. 
É a partir dela que ele encontra meios para, na variedade de 
possibilidades de interação social, interferir na realidade.
Módulo 2 – Identidade cultural
Reflexão
Determinar seus laços de afetividade a grupos já definidos 
a partir de referenciais culturais massivos tem levado 
você a criar, de certa forma, outros laços mais efetivos? De 
que maneira os meios tradicionais de filiação identitária 
se relacionam com os meios contemporâneos, como a 
participação de um indivíduo a uma tribo social?Uma forma 
invalida a outra? Certamente que não. 
À medida que o multiculturalismo possibilitou a diversidade 
de leituras do universo simbólico, acostumamo-nos a 
multiplicar igualmente a nossa capacidade de criar vínculos 
de pertencimento com várias identidades. Pense em quantas 
dessas filiações você se dispõe a fazer atualmente e em como 
elas se interpõem, inclusive produzindo novas possibilidades 
de superposições culturais.
Agora é a sua vez!
Complete as lacunas. 
 
Um movimento ............................... se baseia na 
contestação dos modos sociais de comportamento, 
propondo formas alternativas que muitas vezes 
confrontam os ........................................... homogeneizantes 
empregados nos conteúdos dos meios de comunicação.
Re
sp
os
ta
 c
or
re
ta
co
nt
ra
cu
ltu
ra
l /
 p
ad
rõ
es
 e
st
ét
ic
os
 
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo30
Módulo 2 – Identidade cultural
Neste Módulo, vimos que o que diferencia o ser humano dos 
demais seres vivos é sua capacidade de interpretar a realidade e de 
referenciar suas ações ao fazer uma formulação cultural por meio da 
linguagem e do simbolismo. Dessa forma, segundo Kalr Mannheim, 
ele cria imagens a partir do que absorve de um contexto social, 
compara-as com as imagens do grupo e as comunica a esse mesmo 
grupo. É a partir desse processo que ele gera conhecimento (cultura). 
Além disso, vimos que essa cultura do grupo, para que possa 
agregar os indivíduos, precisa gerar uma identidade consensual que 
suscite vínculos de pertencimento. Durante muito tempo, a construção 
da identidade cultural exigiu a proximidade de grupos que partilhem 
do mesmo arcabouço simbólico. 
Vimos também que os sistemas mais complexos de cultura 
foram se formando historicamente. A cultura erudita aprimorou 
regras e práticas de expressão artísticas voltadas a formar um 
sujeito civilizado. Assim, apartou-se de outras elaborações culturais, 
enfeixadas na chamada cultura popular. Por sua vez, a emergência 
dos meios de comunicação de massa fez surgir uma cultura massiva, 
dedicada a entreter e a divertir uma vasta população urbana. 
Para tanto, passou a criar modelos culturais homogêneos e 
hegemônicos, o que suscitou reações diversas dos grupos minoritários, 
entre elas, a resistência cultural e a contracultura. Com isso, a 
sociedade acabou gerando diversos campos simbólicos, que podem 
se infl uenciar ou não (processo conhecido por sincretismo), além de 
gerar manifestações fragmentadas de sociabilidade, cada qual com 
sistemas de identidade distintos e sentidos de pertencimento idem.
No próximo Módulo, vamos entender de que forma ocorre a 
relação com o outro, também chamada de alteridade, relação que 
pode ocorrer positivamente, por assimilação, ou negativamente, por 
meio de formas de rejeição.
 Recapitulando
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
31
Sociologia
 Referências de imagens
Módulo 2
Fig. 1: Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2015.
Fig. 2: Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2015.
Fig. 3: Disponível em: . Acesso em: 19 set. 2015.
Fig. 4: Disponível em: . Acesso em: 19 set. 2015.
Fig. 5: Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2015.
Fig. 6: Disponível em: . Acesso em: 22 set. 2015.
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Mais conteúdos dessa disciplina