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CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 228 
estruturalismo e o funcionalismo, portanto, esteve sempre voltada e corroborando com 
a modernização conservadora colocada em curso pela autocracia burguesa. 
 
466-Sob influência norte-americana, o serviço social brasileiro fundamentou seus pri-
meiros objetivos político–sociais, orientando-se pelo ideário liberal e tecnicista da ação 
profissional em face da questão social. 
A questão está Errada. De acordo com Yazbeck (2009), é na relação com a Igreja 
Católica, que o Serviço Social brasileiro vai fundamentar a formulação de seus primei-
ros objetivos político-sociais, orientando-se por posicionamentos de cunho humanista 
conservador contrário aos ideários liberal e marxista na busca de recuperação da he-
gemonia do pensamento social da Igreja em face da “questão social'. Assim, é na 
IGREJA CATÓLICA e não sob a INFLUÊNCIA NORTE AMERICANA (como menciona 
a questão) que os primeiros objetivos políticos–sociais, do Serviço Social serão funda-
mentados. 
 
467-No período em que o serviço social transita para a profissionalização, duas encícli-
cas papais tiveram um papel sumariamente importante para seu desenvolvimento: Rerum 
Novarum e Quadragésimo Anno 
A questão está Correta. De acordo com Yazbek (2009), no período em que o serviço 
social transita para a profissionalização, duas encíclicas papais tiveram um papel suma-
riamente importante para seu desenvolvimento: Rerum Novarum (1981) e Quadragé-
simo Anno (1931). A autora destaca ainda que essas encíclicas papais assumiam um po-
sicionamento antiliberal e antissocialista. 
A respeito do projeto ético-político do serviço social, julgue os próximos itens. 
468-Pensar o projeto profissional supõe articular uma dimensão pluralista, na qual todas 
as tendências profissionais são tidas como supostamente paritárias, e uma dimensão 
corporativa centrada na autodefesa dos interesses específicos. 
A questão está Errada. De acordo com Netto (2007), o projeto ético-político do Ser-
viço Social começou a ser construído na passagem dos anos 1970 a 1980, num contexto 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 229 
de redemocratização do país, maturação da profissão e favorável a novas aspirações 
políticas. O autor também destaca que o projeto profissional do Serviço Social está 
articulado a um projeto societário, o qual é comprometido com a construção de uma 
nova ordem social, sem opressão, exploração e dominação de uma classe sobre outra. 
Assim, o projeto profissional para além de defender direitos e deveres dos assistentes 
sociais, também está comprometido com a classe trabalhadora em geral e suas lutas e 
organizações. Sua dimensão política indica seu comprometimento em favor da equidade 
e da justiça social, da radicalização da democracia e da socialização da riqueza social-
mente produzida. Apesar do projeto ético-político do Serviço Social ser hegemônico, 
ele não é único no interior da categoria, sendo que existem também outros projetos e 
concepções alternativas em disputa. O pluralismo e o respeito a ele deve ocorrer sem-
pre, porém, deve-se também ter respeito e considerar as conquistas e projetos hege-
mônicos, o que não significa inibir outras concepções e nem tolerar o ecletismo, bus-
cando conciliar o inconciliável. É importante importante ressaltar que o projeto ético-
político é hegemônico e não homogêneo. Assim, o projeto ético-político não é centrado 
na autodefesa de interesses específicos da categoria profissional, ou seja, não é me-
ramente corporativo e busca defender interesses gerais da classe trabalhadora. Esse 
projeto profissional se materializa na Lei de Regulamentação da Profissão (Lei n. 
8.662/1993), no Código de Ética Profissional e nas Diretrizes Curriculares para o curso 
de Serviço Social. 
 
469-A tensão política entre os projetos profissionais revelou-se no momento em que 
surgiu uma oposição ao tradicionalismo profissional, vertente praticamente hegemônica 
no serviço social brasileiro até os anos de 1960, com o qual se estabeleceu uma ruptura 
no III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS). 
A questão está Correta. De acordo com Netto (2007), “na efervescência democrática, 
mobilizaram-se ativamente na contestação política – desde o III Congresso Brasileiro 
de Assistentes Sociais (1979, conhecido como ”o Congresso da virada”), os segmentos 
mais dinâmicos do corpo profissional vincularam-se ao movimento dos trabalhadores e, 
rompendo com a dominância do conservadorismo, conseguiram instaurar na profissão o 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 230 
pluralismo político, que acabou por redimensionar amplamente não só a organização 
profissional (dando vida nova, por exemplo, a entidades como a ABESS – depois reno-
meada ABEPSS – e, posteriormente, ao CFESS) como, sobretudo, conseguiram inseri-
la, de modo inédito, no marco do movimento dos trabalhadores brasileiros, como ficou 
constatado na análise de Abramides e Cabral (1995)”. 
 
No lapso das duas últimas décadas, a fecunda literatura profissional, no âmbito da re-
novação crítica do serviço social, voltada aos fundamentos do serviço social tratou, sob 
diferentes ângulos, a natureza particular da profissão na divisão social e técnica do 
trabalho. 
Marilda Vilela Iamamoto. O serviço Social na Cena Contemporânea. In. Programa de Capacitação em Serviço Social: 
direitos sociais e competências profissionais. Brasília, UnB/CEFSS, 2009, p. 37. 
Considerando o tema abordado pelo fragmento de texto acima, julgue os itens que se 
seguem. 
470-A tese da correlação de forças propõe o paradigma das relações interpessoais 
como eixo central da intervenção profissional, cujo ponto de partida é a situação-pro-
blema. 
A questão está Errada. A tese de correlação de forças foi proposta por Faleiros, esse 
autor compreende como eixo central da intervenção profissional do assistente social 
as relações de poder. Deste modo, entende-se nessa tese que o profissional de Serviço 
Social, no interior das instituições, deveria buscar alterar a correlação de forças vi-
gente, contribuindo assim para o fortalecimento das camadas proletárias. Assim, esses 
profissionais deveriam tecer estratégias para que as classes subalternas pudessem se 
inserir em locais antes ocupados somente pela classe dominante. Esta tese possui crí-
tica de outros autores também pelo fato de articular e utiliza distintas matrizes teó-
ricas e pensamentos. 
 
471-A tese da assistência social compreende a profissão como uma intervenção media-
dora na relação do Estado com os setores excluídos e subalternizados da sociedade, 
concretizando a função reguladora do Estado na vida social. 
CONCURSEIROS DE SERVIÇO SOCIAL 231 
A questão está Correta. De acordo com Iamamoto (2010), no livro “Serviço Social em 
tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social, faz uma analise 
da tese da assistência social desenvolvida por Yazbek, refere que a autora define o 
Assistente Social como o “profissional da assistência”, ou seja, como aquele que se 
insere nos equipamentos socioassistenciais e exerce o papel de mediador entre o Es-
tado, a instituição e as classes subalternas. Chama atenção para a relação de pulveri-
zação de demandas que as instituições da Assistência estabelecem com o público-alvo, 
o que abre caminho ao clientelismo no trato da questão social. O Assistente Social, ao 
executar o que lhe é demandado pela instituição, apresenta em sua atuação, o que Yaz-
bek denomina de controle social, ou seja, permanece na aparência de efetuar uma con-
cessão de benefícios e não de reconhecimento de direitos. 
 
472-A tese da função pedagógica do assistente social fundamenta-se no vínculo esta-
belecido com as classes sociais, o qual se materializa por meio dos efeitos da ação pro-
fissional na maneira de pensar e de agir dos sujeitos envolvidos no processo da prática. 
A questão está Correta. De acordo com Iamamoto (2010), no livro “Serviço Social em 
tempode capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social, faz uma análise 
da tese da função pedagógica do assistente social desenvolvida por Mariana Abreu, 
de acordo com essa tese na expansão monopólica, a função pedagógica do assistente 
social é indissociável “da elaboração e difusão de ideologias na organização da cultura”. 
Ela se realiza mediante estratégias que articulam interesses econômicos, políticos e 
ideológicos de uma classe, constituindo formas de pensar e agir próprias de determi-
nado modo de vida em que a formação de subjetividades e as normas de condutas são 
elementos moleculares. O foco nos processos de organização da cultura desdobra-se 
na afirmação de que o assistente social emerge na sociedade capitalista como um “in-
telectual profissional do tipo tradicional”, a partir do argumento de que a profissão se 
enraíza em práticas de assistência social, que antecedem a sociedade capitalista. Essas 
práticas são redefinidas pelo capital no decurso da expansão monopolista no enfrenta-
mento e neutralização das manifestações da classe trabalhadora, voltadas à defesa de 
seus interesses, o que requisita a profissionalização do Serviço Social.

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