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101 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO nistrativo, considera Marquis. Desse modo, planejar pode ser considerado como uma função proativa, necessária a todos os enfermeiros para que as necessidades e os objetivos pessoai- se organizacionais possam ser alcançados.Ela se inicia se inicia à medida que se determinam os objetivos a serem alcançados, se definem estratégias e políticas de ação e se detalham planos para conseguir alcançar os objetivos, se estabelece uma sequ- ência de decisões que incluem a revisão dos objetivos propostos alimentando um ciclo de planificação. Já foi abordado o papel da liderança no trabalho do enfer- meiro. A partir do planejamento, se dá a organização, execução do trabalho, onde se podem incluir os demais dois elementos: a liderança e o controle. Essas funções coexistem no desempenho do trabalho do enfermeiro. Determinar quem faz o que e onde nas organizações, assim como evidencia as relações de autorida- de e poder existentes entre os componentes organizacionais. A organização é um dos meios de que se utilizam as organizações para atingirem eficientemente seus objetivos. E nesse processo o controle essencial, de horas, custos, salários, horas extras, au- sência de doença, patrimônio, suprimentos, etc. A administração se aplica praticamente em todas as esferas da vida humana, tanto pessoal como profissional. Trazendo este corpo de conhecimentos para a esfera de saúde, o trabalho do enfermeiro no cumprimento das suas funções focandoo objeti- vo de atingir a eficiência e a eficácia no seu processo gerencial, conclui-se que há uma forte correlação dos conceitos apresen- tados pela administração na enfermagem, mas se perceber que esse processo é multidisciplinar e não se dá de forma ordenada como foi apresentado. Portanto, ela trata-se de um processo que acontecesse simultaneamente e dependendo de cada cir- cunstância especifica, assim com na teoria contingencial, a qual se observa a maior aproximação do processo gerencial do en- fermeiro. 31. ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM EM PROCEDIMEN- TOS E MÉTODOS DIAGNÓSTICOS. Os exames laboratoriais são responsáveis pelo fornecimen- to do estado de saúde do paciente, auxiliam a avaliação de diag- nósticos clínicos, fornecem o monitoramento do tratamento que deve ser realizado e consequente prognóstico (SILVA, 2004). Sannazzaro (1993) descreve que os exames laboratoriais surgi- ram na metade do século XIX como resultado da modernização e progresso da medicina, principalmente nas ciências da micro- biologia, citologia e bioquímica, sendo que estes exames apare- cem como forma de auxiliar os diagnósticos médicos. Os exames laboratoriais são realizados por laboratórios com alvará de licenciamento e profissional responsável. Segundo a RDC nº 302 de 2005, o Laboratório Clínico conceitua-se como um serviço destinado à análise de amostras de pacientes, com o objetivo de oferecer apoio ao diagnóstico e ao tratamento; esta resolução define os requisitos para o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratoriais público ou privado, que realizam atividades na área de análises clínicas, pa- tologia clínica e citologia. Os denominados Postos de Coleta laboratorial são conceitu- ados como unidades vinculadas a um laboratório clínico, que re- alizam atividades laboratoriais, entretanto não analisam o exa- me (não participam da etapa analítica do processo), exceto nos casos de exames presenciais, cujas realizações ocorram no ato da coleta. A enfermagem, tanto hospitalar como ambulatorial e/ou domiciliar, está em constante presença no tratamento do paciente acometido por uma patologia, ou mesmo nas pessoas sadias que buscam o acompanhamento de sua saúde regular- mente. Assim, torna-se importante ser conhecedor da assistência correta prestada ao paciente no que diz respeito aos exames laboratoriais, uma vez que estes se constituem em instrumen- to de avaliação, acompanhamento e prevenção no tratamento dos indivíduos. São vários os tipos de exames laboratoriais exis- tentes atualmente, cada vez mais o emprego da tecnologia vem auxiliando na análise de dados que possam garantir ao clínico um diagnóstico preciso do paciente. Neste estudo serão citados alguns dos exames mais utilizados na prática clínica, buscando enfatizar prioritariamente a assistência de enfermagem na bus- ca por um resultado fidedigno. Desde a requisição do exame ao paciente, realizada pelo médico, existem vários fatores que podem induzir a um erro no resultado do exame. Ao contrário do que se pensa, não é apenas a análise do material que está sujeita a erros, mas também toda a fase do processo, ou seja, desde o momento da solicitação do exame, preparo, coleta e até a busca pelo resultado. Portanto, é possível considerar que a enfermagem está en- volvida além da realização de técnicas, na questão informativa do processo, por meio do fornecimento de informações precisas sobre a realização do exame, locais de coleta, forma de coleta, cuidados antes do exame, retirada do exame e encaminhamen- to do resultado ao médico, e até mesmo na interpretação equi- vocada do resultado pelo próprio paciente. Segundo Silva (2004) as atividades desenvolvidas pelo en- fermeiro em Laboratórios de Análises Clínicas, caracterizam-se pelo gerenciamento da assistência de enfermagem e a organiza- ção da instituição; sendo necessária uma visão ampla pelo pro- fissional, englobando não somente os aspectos éticos e legais dos serviços prestados, mas também o conhecimento acerca dos trabalhos da enfermagem neste campo, não necessaria- mente executando-os. O enfermeiro trabalha desde o planejamento e supervisão da assistência até as avaliações e cuidados tanto do paciente como dos serviços. A assistência de enfermagem aos pacientes, como por exemplo, coletas de sangue são direcionadas aos pro- fissionais de nível médio, (Auxiliares e Técnicos de Enfermagem). Segundo Moura (1998) a coleta dos materiais biológicos é considerada a parte mais importante do processo de análise clí- nica. Um material advindo de uma coleta inadequada, ou seja, com falhas, nem mesmos os aparelhos mais modernos conse- guem validar a amostra, tornando-se assim de grande importân- cia um procedimento de coleta eficiente. 102 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO O Regulamento Técnico para Funcionamento de Labora- tórios Clínicos descrito pela RDC nº 302, de 13 de outubro de 2005, conceitua amostra do paciente como parte do material biológico de origem humana utilizada para análise laboratorial. E a amostra do paciente com restrição como fora das especifi- cações, mas que ainda pode ser utilizada para alguma análise laboratorial. Este mesmo regulamento descreve as fases envolvidas no processo de coleta, análise e resultado de exames laboratoriais, sendo especificadas como: − Fase Pré-Analítica: inicia-se na solicitação da análise, co- leta da amostra e termina com o início da análise do material. Segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Patolo- gia Clínica Medicina Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso (2009), as principais condições da fase pré-analítica são: varia- ções cronológicas (alteração cíclica na concentração de um pa- râmetro em função do tempo); gênero (concentração de alguns componentes sanguíneos e urinários distintos entre homens e mulheres); idade (concentração dos componentes distinta entre as diferentes idades); posição (mudança súbita de posição pode levar a uma alteração nas concentrações dos valores bioquími- cos como, por exemplo, da posição supina para a ereta, nestes casos os níveis de albumina, colesterol, triglicerídeos, hemató- crito e hemoglobina podem ser superestimados em até 8 a 10% da concentração inicial); atividade física (o esforço físico pode provocar aumento da atividade sérica de algumas enzimas, sen- do que este aumento pode persistir por 12 a 24 horas após a realização do exercício); jejum (evita-se a coleta de sangue por jejum superior a 16 horas, o jejum para a coletade sangue habitual é de 8 horas, havendo a possibilidade de redução para 4 horas, situações especiais e em crianças de baixa idade o je- jum pode ser de uma a duas horas); dieta (mesmo seguindo o jejum, a dieta pode interferir em alguns dados de resultado do exame, principalmente no início de uma internação hospitalar quando ocorrem alterações nas dietas habituais do paciente); uso de fármacos e drogas de abuso; outras causas de variações (administração de contraste para exames de imagem, realização de toque retal, eletromiografia, hemodiálise, diálise peritoneal, cirurgia, transfusão de sangue e infusão de fármacos). − Fase Analítica: compreende a análise do material (amos- tra); é o conjunto de operações utilizadas para a análise da amostra com descrição específica conforme o método utilizado. − Fase Pós-Analítica: inicia com a emissão do resultado váli- do e termina com a emissão do laudo para posterior interpreta- ção pelo solicitante. Silva (2004) descreve os principais itens a serem observados na coleta do material para obtenção de uma amostra adequada, são eles: • Fase de Orientação e Preparo do Exame; • Horário e seleção anatômica do local de coleta; • A técnica de coleta propriamente dita; • Os materiais e condições para transporte do material até o laboratório e seu acondicionamento; • Tempo entre a coleta e a análise do material. Diante destes itens citados pelo autor e reportando-se à prática diária, é importante que se faça referência às diferen- tes formas de intervenção da enfermagem na coleta de exames laboratoriais, assim é possível acrescer aos itens anteriores as seguintes considerações: • Fase de Orientação e Preparo do Exame: quando o pa- ciente está hospitalizado é de suma importância uma eficiente comunicação entre o laboratório de análises clínicas e os pro- fissionais que atendem ao paciente, uma vez que estes últimos estão em constante contato com o paciente e são responsáveis pela disseminação das informações. Muito depende da rotina estabelecida pela instituição, ou seja, em alguns locais os pró- prios técnicos do laboratório visitam o paciente no quarto e re- alizam a orientação, em outros locais quem orienta o paciente é o técnico de enfermagem que o atende. Em quaisquer umas das rotinas seguidas é necessário ha- ver sempre a comunicação entre ambos os técnicos da mesma informação para segurança do paciente e da coleta; também os técnicos de enfermagem que atuam nas unidades devem estar cientes da informação que irão repassar aos pacientes, evitando com isso invalidação da amostra. Um caminho é a utilização de manuais de rotinas dentro de cada unidade, onde o funcionário tenha acesso por intermédio de fluxogramas dos preparos e in- formações cabíveis diante de cada exame solicitado. Estar atento para a solicitação médica da análise é outro item importante a ser considerado, uma vez que podem ocorrer situações em que o paciente está internado, o médico solicitao exame e a enfermagem não encaminha a solicitação ao labora- tório, resultando em aumento do tempo para a realização da coleta e consequentemente obtenção do resultado, o que pode acarretar uma ampliação na permanência do paciente na insti- tuição, aumento de custos, demora na comprovação diagnósti- ca, insatisfação médica e angústia do paciente. Na situação de atendimento ambulatorial, em que na maio- ria das vezes o paciente encaminha o exame ao laboratório, este deverá ser instruído quanto ao preparo adequado; acredita-se que além da informação verbal é necessária a informação por escrito sobre o preparo do exame para evitar o esquecimento do paciente; na ida do paciente ao laboratório o mesmo deve igual- mente ser questionado sobre o uso de medicações contínuas, atividades físicas, entre outros cuidados específicos conforme a peculiaridade de cada exame. O item 6.1.1 do Regulamento para Funcionamento dos La- boratórios Clínicos (2005) descreve a obrigatoriedade do labora- tório clínico e posto de coleta laboratorial em fornecer por es- crito e/ou verbal instruções claras para o paciente e/ou respon- sável sobre o preparo e a coleta de amostras. O item 6.1.2 do referido Regulamento estipula a necessidade do laboratório em exigir documento do paciente para cadastro de identificação, sendo que nos casos dos pacientes internados ou em situações de urgência podem-se usar dados do prontuário do paciente para realização do cadastro. 103 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO Também segundo este regulamento são necessárias as se- guintes informações no cadastro do paciente: número de regis- tro de identificação do paciente gerado pelo laboratório; nome do paciente; idade, sexo e procedência do paciente; telefone e/ ou endereço do paciente, quando aplicável; nome e contato do responsável em caso de menor de idade ou incapacitado; nome do solicitante; data e hora do atendimento; horário da coleta, quando aplicável; exames solicitados e tipo de amostra; quan- do necessário: informações adicionais, em conformidade com o exame (medicamento em uso, dados do ciclo menstrual, in- dicação/observação clínica, dentre outros de relevância); data prevista para a entrega do laudo e indicação de urgência, quan- do aplicável. Torna-se necessário igualmente entregar um comprovante ao familiar e/ou paciente do atendimento, número de registro, nome do paciente, data do atendimento, data prevista de entre- ga do laudo, relação de exames solicitados e dados para contato com o laboratório. A coleta de materiais enquanto o paciente estiver internado pode ser registrada no prontuário do mesmo pelo técnico que a realizou indicando o horário, data e assina- tura. • Horário e Seleção Anatômica da coleta: o horário da ob- tenção da coleta é de suma importância, pois a partir dele se pressupõe o preparo, como por exemplo, o tempo de jejum do paciente. Nesta questão cabe ter atenção para as rotinas inter- nas da instituição hospitalar quando o paciente estiver interna- do, uma vez que algumas situações devem ser previstas para minimizar os atrasos e uma coleta em horário impróprio. Na ocasião do paciente ser ambulatorial, e o mesmo ter que comparecer ao laboratório para a coleta, é imprescindível ques- tionar o paciente sobre a possibilidade de estar presente no ho- rário determinado. Nos casos de coletas domiciliares precede-se à comunicação do paciente sobre a visita do profissional que irá realizar a coleta em comum acordo entre o técnico, a família e o paciente. A seleção da área anatômica consiste no local onde será extraída a amostra. Neste momento o profissional habili- tado a realizar a inspeção e verificação do local da coleta deve possuir conhecimento técnico e científico para tal. • A técnica da coleta: uma das principais amostras para a re- alização dos exames laboratoriais é o sangue, que pode ser obti- do por diferentes formas do organismo do paciente. Na prática, a técnica mais utilizada é a punção com agulha em veia periféri- ca. A realização do procedimento de coleta eficiente pressupõe um resultado de exame fidedigno, desta forma o profissional deve ser treinado para a realização de uma técnica asséptica e livre de riscos. Este assunto será tratado em específico poste- riormente neste módulo. Sobre a obtenção de amostra, o Regulamento para Funcio- namento dos Laboratórios Clínicos (2005) estipula que a mesma deve ser identificada no momento da coleta ou quando o pa- ciente entregá-la ao laboratório, identificando o nome do pa- ciente e do funcionário que realizou a coleta e/ou a recebeu; sendo que o laboratório ou postos de coleta devem possuir por escrito rotinas de orientação sobre o recebimento, coleta e iden- tificação da amostra. • Os materiais e condições para transporte do material até o laboratório e seu acondicionamento: o acondicionamento cor- reto da amostra representa uma amostra aprovada para a aná- lise. É necessário manter constante contato com o bioquímico para que se sigam as normas de temperatura e armazenamento.Nos hospitais onde os laboratórios realizam a coleta geralmente as amostras de sangue estão acondicionadas em caixas térmicas e logo após a coleta são encaminhadas pelo técnico ao labora- tório. Nos casos, é importante prever a distância entre o domi- cílio do paciente e o laboratório e juntamente o tempo que a amostra irá permanecer armazenada e local adequado para ma- nutenção. Todos os laboratórios e os postos de coletas laboratoriais devem possuir por escrito rotinas referentes ao transporte da amostra, contendo os prazos estabelecidos, condições de tem- peratura e padrões técnicos que garantam a estabilidade e in- tegridade da mesma. Segundo o Regulamento para Funciona- mento dos Laboratórios Clínicos (2005), a amostra do paciente deverá ser transportada em recipiente isotérmico, higienizável e impermeável, que permita a estabilidade da amostra desde a coleta até a análise do material. As Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Ve- noso (2009) descrevem que, no geral, os tempos referidos de armazenagem das amostras primárias consideram os limites para temperatura como: temperatura ambiente 18 a 25ºC, re- frigeradas de 4 a 8°C e congeladas abaixo de 20ºC negati- vos. Quando não há orientação específica sobre acondiciona- mento e transporte de um material, poderá o material ser des- locado para postos ou outras unidades em caixa de isopor com gelo reciclável, calçado por flocos de isopor ou papel jornal; não podendo as amostras ficar em contato direto com o gelo para evitar a hemólise. Na ocasião de congelamento para transporte é recomen- dado o uso do gelo seco, nestes casos há a necessidade de to- mar precauções com o recipiente que contém gelo seco para que permita a saída do dióxido de carbono, consequentemente evitando a formação de pressão excessiva. • Tempo entre a coleta e a análise do material: existem par- ticularidades sobre o tempo de coleta e a análise da amostra diante de cada tipo de exame realizado; o profissional de en- fermagem deve ser conhecedor destas questões, pois participa do processo, desta forma é imprescindível o cuidado no enca- minhamento das amostras, obedecendo ao tempo estipulado. A orientação da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso (2009) orienta que o tempo entre a coleta do sangue e a centri- fugação (2° etapa de análise da amostra) não exceda uma hora, sendo que as amostras colhidas com anticoagulantes, nas quais o material será o sangue total, devem ser mantidas até o proce- dimento em temperatura de 4ºC a 8ºC.