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LEGISLAÇÃO E ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO 97 III - incentivo à criação de programas e veículos de comuni- cação destinados à divulgação de matériasrelacionadas aos interes- ses da população negra; IV - incentivo à criação e à manutenção de microempresas administradas por pessoas autodeclaradasnegras; V - iniciativas que incrementem o acesso e a permanência das pessoas negras na educação fundamental,média, técnica e su- perior; VI - apoio a programas e projetos do Governo Estadual e Mu- nicipal e de entidades da sociedade civilvoltados para a promoção da igualdade de oportunidades para a população negra; VII - apoio a iniciativas em defesa da cultura, da memória e das tradições africanas e brasileiras. § 1° O Poder Executivo Estadual deverá adotar medidas que ga- rantam, em cada exercício, a transparência na alocação e na execu- ção dos recursos necessários ao financiamento das ações previstas neste Estatuto, explicitando, entre outros, a proporção dos recursos orçamentários destinados aos programas de promoção da igualda- de, especialmente nas áreas de educação, saúde, emprego e renda, desenvolvimento agrário, habitação popular, desenvolvimento re- gional, cultura, esporte e lazer. § 2° Durante os 10 (dez) primeiros anos, a contar do exercício subsequente à publicação deste Estatuto, os órgãos do Poder Exe- cutivo Estadual que desenvolvem políticas e programas nas áreas referidas no § 1° deste artigo, discriminarão em seus orçamentos anuais a participação nos programas de ação afirmativa referidos no inciso VII do art. 4° desta Lei. § 3° O Poder Executivo Estadual poderá adotar as medidas ne- cessárias para a adequada implementação do disposto neste artigo, podendo estabelecer patamares de participação crescente dos pro- gramas de ação afirmativa nos orçamentos anuais a que se refere o § 2° deste artigo. § 4° O Poder Executivo Estadual, por meio de seus órgãos com- petentes, acompanhará e avaliará a programação das ações referi- das neste artigo nas propostas orçamentárias do Estado. Art. 62. Sem prejuízo da destinação de recursos ordinários, po- derão ser consignados nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade So- cial para financiamento das ações de que trata o art. 55: I - transferências voluntárias da União Federal; II - doações voluntárias de particulares; III - doações de empresas privadas e organizações não gover- namentais, nacionais ou internacionais; IV - doações voluntárias de fundos nacionais ou internacio- nais; V - doações de Estados estrangeiros, por meio de convênios, tratados e acordos internacionais; VI – VETADO. TÍTULO IV DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 63. As medidas instituídas nesta Lei não excluem outras em prol da população negra que tenham sido ou venham a ser adota- das no âmbito da União Federal ou dos Municípios. Art. 64. O Poder Executivo Estadual criará instrumentos para aferir a eficácia social das medidas previstas nesta Lei e efetuará seu monitoramento constante, com a emissão e a divulgação de relatórios periódicos, inclusive pela rede mundial de computadores. Art. 65. VETADO. Parágrafo único. VETADO. Art. 66. O parágrafo único do art. 1° da Lei n° 6.941, de 17 de janeiro de 2007, passa a viger com a seguinte redação: “Art.1° ......................................................................... Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, considera-se popu- lação negra o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, con- forme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasilei- ro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga e sejam socialmente reconhecidas como tal.” Art. 67. Ficam mantidos os efeitos das Leis n°s 6.457, de 30 de abril de 2002, 6.938, de 28 de agosto de 2006, e 6.941, de 17 de janeiro de 2007, não havendo oposição à presente Lei. Art. 68. Os direitos e garantias expressos neste Estatuto não ex- cluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ele adota- dos, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte (Art. 5°, LXXVIII, § 2° da Constituição Federal/88) (preâmbulo). Art. 69. VETADO. Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ SECRETARIA DE ESTADO DE MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILI- DADE PALÁCIO DO GOVERNO, 11 de novembro de 2021 ÉTICA, PRINCÍPIOS, VALORES E A LEI Princípios, Valores e Virtudes Princípios são preceitos, leis ou pressupostos considerados universais que definem as regras pela qual uma sociedade civiliza- da deve se orientar. Em qualquer lugar do mundo, princípios são incontestáveis, pois, quando adotados não oferecem resistência alguma. Enten- de-se que a adoção desses princípios está em consonância com o pensamento da sociedade e vale tanto para a elaboração da consti- tuição de um país quanto para acordos políticos entre as nações ou estatutos de condomínio. O princípios se aplicam em todas as esferas, pessoa, profissio- nal e social, eis alguns exemplos: amor, felicidade, liberdade, paz e plenitude são exemplos de princípios considerados universais. Como cidadãos – pessoas e profissionais -, esses princípios fa- zem parte da nossa existência e durante uma vida estaremos lutan- do para torná-los inabaláveis. Temos direito a todos eles, contudo, por razões diversas, eles não surgem de graça. A base dos nossos princípios é construída no seio da família e, em muitos casos, eles se perdem no meio do caminho. De maneira geral, os princípios regem a nossa existência e são comuns a todos os povos, culturas, eras e religiões, queiramos ou não. Quem age diferente ou em desacordo com os princípios uni- versais acaba sendo punido pela sociedade e sofre todas as conse- quências. Valores são normas ou padrões sociais geralmente aceitos ou mantidos por determinado indivíduo, classe ou sociedade, portan- to, em geral, dependem basicamente da cultura relacionada com o ambiente onde estamos inseridos. É comum existir certa confusão entre valores e princípios, todavia, os conceitos e as aplicações são diferentes. LEGISLAÇÃO E ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO 98 Diferente dos princípios, os valores são pessoais, subjetivos e, acima de tudo, contestáveis. O que vale para você não vale neces- sariamente para os demais colegas de trabalho. Sua aplicação pode ou não ser ética e depende muito do caráter ou da personalidade da pessoa que os adota. Na prática, é muito mais simples ater-se aos valores do que aos princípios, pois este último exige muito de nós. Os valores com- pletamente equivocados da nossa sociedade – dinheiro, sucesso, luxo e riqueza – estão na ordem do dia, infelizmente. Todos os dias somos convidados a negligenciar os princípios e adotar os valores ditados pela sociedade. Virtudes, segundo o Aurélio, são disposições constantes do es- pírito, as quais, por um esforço da vontade, inclinam à prática do bem. Aristóteles afirmava que há duas espécies de virtudes: a inte- lectual e a moral. A primeira deve, em grande parte, sua geração e crescimento ao ensino, e por isso requer experiência e tempo; ao passo que a virtude moral é adquirida com o resultado do hábito. Segundo Aristóteles, nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza, visto que nada que existe por natureza pode ser alterado pela força do hábito, portanto, virtudes nada mais são do que hábitos profundamente arraigados que se originam do meio onde somos criados e condicionados através de exemplos e com- portamentos semelhantes. Uma pessoa pode ter valores e não ter princípios. Hitler, por exemplo, conhecia os princípios, mas preferiu ignorá-los e adotar valores como a supremacia da raça ariana, a aniquilação da oposi- ção e a dominação pela força. No mundo corporativo não é diferente. Embora a convivência seja, por vezes, insuportável, deparamo-nos com profissionais que atropelam os princípios, como se isso fosse algo natural, um meio de sobrevivência, e adotam valores que nada tem a ver com duas grandes necessidades corporativas: a convivência pacífica e oespí- rito de equipe. Nesse caso, virtude é uma palavra que não faz parte do seu vocabulário e, apesar da falta de escrúpulo, leva tempo para destituí-los do poder. Valores e virtudes baseados em princípios universais são ine- gociáveis e, assim como a ética e a lealdade, ou você tem, ou não tem. Entretanto, conceitos como liberdade, felicidade ou riqueza não podem ser definidos com exatidão. Cada pessoa tem recorda- ções, experiências, imagens internas e sentimentos que dão um sentido especial e particular a esses conceitos. O importante é que você não perca de vista esses conceitos e tenha em mente que a sua contribuição, no universo pessoal e profissional, depende da aplicação mais próxima possível do senso de justiça. E a justiça é uma virtude tão difícil, e tão negligenciada, que a própria justiça sente dificuldades em aplicá-la, portanto, lute pelos princípios que os valores e as virtudes fluirão naturalmente. ÉTICA E DEMOCRACIA: EXERCÍCIO DA CIDADANIA. CONDUTA ÉTICA. ÉTICA E DEMOCRACIA O Brasil ainda caminha a passos lentos no que diz respeito à ética, principalmente no cenário político que se revela a cada dia, porém é inegável o fato de que realmente a moralidade tem avan- çado. Vários fatores contribuíram para a formação desse quadro caó- tico. Entre eles os principais são os golpes de estados – Golpe de 1930 e Golpe de 1964. Durante o período em que o país viveu uma ditadura militar e a democracia foi colocada de lado, tivemos a suspensão do ensino de filosofia e, consequentemente, de ética, nas escolas e universi- dades. Aliados a isso tivemos os direitos políticos do cidadão sus- pensos, a liberdade de expressão caçada e o medo da repressão. Como consequência dessa série de medidas arbitrárias e auto- ritárias, nossos valores morais e sociais foram se perdendo, levando a sociedade a uma “apatia” social, mantendo, assim, os valores que o Estado queria impor ao povo. Nos dias atuais estamos presenciando uma “nova era” em nos- so país no que tange à aplicabilidade das leis e da ética no poder: os crimes de corrupção e de desvio de dinheiro estão sendo mais investigados e a polícia tem trabalhado com mais liberdade de atuação em prol da moralidade e do interesse público, o que tem levado os agentes públicos a refletir mais sobre seus atos antes de cometê-los. Essa nova fase se deve principalmente à democracia implanta- da como regime político com a Constituição de 1988. Etimologicamente, o termo democracia vem do grego de- mokratía, em que demo significa povo e kratía, poder. Logo, a defi- nição de democracia é “poder do povo”. A democracia confere ao povo o poder de influenciar na ad- ministração do Estado. Por meio do voto, o povo é que determina quem vai ocupar os cargos de direção do Estado. Logo, insere-se nesse contexto a responsabilidade tanto do povo, que escolhe seus dirigentes, quanto dos escolhidos, que deverão prestar contas de seus atos no poder. A ética tem papel fundamental em todo esse processo, regula- mentando e exigindo dos governantes o comportamento adequa- do à função pública que lhe foi confiada por meio do voto, e confe- rindo ao povo as noções e os valores necessários para o exercício de seus deveres e cobrança dos seus direitos. E por meio dos valores éticos e morais – determinados pela sociedade – que podemos perceber se os atos cometidos pelos ocupantes de cargos públicos estão visando ao bem comum ou ao interesse público. EXERCÍCIO DA CIDADANIA Todo cidadão tem direito a exercer a cidadania, isto é, seus di- reitos de cidadão; direitos esses que são garantidos constitucional- mente nos princípios fundamentais. Exercer os direitos de cidadão, na verdade, está vinculado a exer- cer também os deveres de cidadão. Por exemplo, uma pessoa que deixa de votar não pode cobrar nada do governante que está no po- der, afinal ela se omitiu do dever de participar do processo de escolha dessa pessoa, e com essa atitude abriu mão também dos seus direitos. Direitos e deveres andam juntos no que tange ao exercício da cidadania. Não se pode conceber um direito sem que antes este seja precedido de um dever a ser cumprido; é uma via de mão du- pla, seus direitos aumentam na mesma proporção de seus deveres perante a sociedade. Constitucionalmente, os direitos garantidos, tanto individuais quanto coletivos, sociais ou políticos, são precedidos de responsa- bilidades que o cidadão deve ter perante a sociedade. Por exemplo, a Constituição garante o direito à propriedade privada, mas exige- -se que o proprietário seja responsável pelos tributos que o exercí- cio desse direito gera, como o pagamento do IPTU. Exercer a cidadania por consequência é também ser probo, agir com ética assumindo a responsabilidade que advém de seus deveres enquanto cidadão inserido no convívio social. LEGISLAÇÃO E ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO 99 ÉTICA PROFISSIONAL. Antes de abordarmos o tema, diretamente, vamos à concepção de ética, cuja palavra tem origem no significado grego de caráter — éthos, e que significa a propriedade do caráter. Nesse contexto, a propriedade e o caráter estão associados aos padrões convencionais da sociedade, mas também intrínsecos no cuidado em não prejudicar o próximo. Portanto, sua percepção pode variar com a de outra pessoa, dentro de determinados valores pessoais, mas a ética tem uma raiz mais abrangente, que acomoda a todas as visões. E a ética profissional? Aplicando a ideia acima ao ambiente corporativo, temos a ética profissional como uma pauta de tudo aquilo (pensamentos, com- portamentos e atitudes) que podem ferir o bom convívio. Acontece que são situações que acabam mais banalizadas do que muita gente imagina. Em busca de alcançar seus objetivos profissionais, por exemplo, as pessoas tendem a flexionar a ética — sendo que se trata de um conjunto de valores inflexíveis. Entre outros exemplos que podem prejudicar os valores morais e éticos dentro da empresa. Quais são as vantagens em estimular a ética profissional? Quando o RH da empresa, a gestão e os colaboradores olham os seus propósitos na mesma direção, a ética profissional agrega uma série de benefícios na rotina produtiva. Entre os principais, destacamos os seguintes –mais facilidade na construção e manutenção dos relaciona- mentos interpessoais; – mais motivação interna para o desenvolvimento — individual e coletivo; –aprimoramento da comunicação interna e externa da empre- sa, na qual todos os valores são facilmente expressos, absorvidos e transmitidos; – contínuo exercício do autoconhecimento; – respeito coletivo; – valorização dos pilares institucionais da empresa, contribuin- do com a retenção e a atração de novos talentos. Vale perceber que são benefícios que se colhem tanto em uma escala individual quanto coletiva, e para o colaborador e a empresa também. Pois então, vamos avaliar quais atitudes o nosso manual da éti- ca profissional estão reunidas, logo abaixo, para você se inspirar em replicá-las no seu dia a dia? Quais posturas podem promover a ética profissional? Quer aumentar o seu autoconhecimento e influenciar as pes- soas a terem mais ética profissional? Essas são as atitudes que mais contribuem com a promoção de um ambiente justo e moral: Honestidade Tenha a sinceridade inserida no seu vocabulário diário. Por meio dela, você exprime os seus pensamentos com clareza e impar- cialidade, sem visar o prejuízo aos outros. Autoconhecimento Ao assumir um compromisso que você não vai dar conta, você não está agindo de maneira ética. Afinal de contas, sua possível falta de entrega vai se revelar uma falha grave na relação com quem você assumiu a responsabilidade. Portanto, o autoconhecimento é, sim, uma forma de manter a ética profissional em dia. Humildade Arrogância não combina com ética profissional. Por sua vez, pessoas humildes agregam mais, no ambiente de trabalho, não de- bocham dos outros e sabem ouvir e transmitir críticas e sugestões sem ofender os outros. Educação Respeito, acima de tudo.Entenda e compreenda as diferenças entre as pessoas — e em todos os níveis, dos morais aos pessoais e de acordo com as escolhas de vida de cada um. Isso significa que você também não perde a calma, age com razão antes de se prender a alguma emoção para tomar decisões e que a sua opinião é bem-vinda e respeitada. Privacidade Pessoas bisbilhoteiras, que falam de outras pessoas quando não estão presentes e mexem na propriedade alheia não respeitam a privacidade. E isso não é nem um pouco ético. Aprenda a respeitar o espaço do próximo, para evitar conflitos internos que apenas minam a con- fiança, harmonia e produtividade da equipe. Responsabilidade Falamos disso, em um exemplo anterior: tenha a responsabili- dade para assumir somente aquilo que você tem a certeza de que vai dar conta. Não é nem um pouco errado, inclusive, também ter humildade para compartilhar essa responsabilidade com outras pessoas — se possível. Assim, você também estabelece novos patamares de um espaço colaborativo e em que todos crescem juntos dentro da em- presa. Reconhecimento Nada de egoísmo, falsidade e descrença. Quem carrega os va- lores de ética profissional no seu dia a dia sabe reconhecer, e enal- tecer, os méritos dos colegas. Mesmo que isso signifique que o seu trabalho não foi reconhecido de imediato. Afinal de contas, todos devem ter a oportunidade de crescimento. Autocrítica Por fim, a ética profissional também estabelece um paralelo in- teressante com aquilo que tendemos a fazer: culpar os outros pelos nossos insucessos. E isso pode ser uma poderosa arma contra a motivação na em- presa, tendo em vista que a pessoa não fez aquilo que deveria ter feito desde o princípio: ter autocrítica. Com ela, você aprende mais sobre os motivos pelos quais um resultado desejado não foi alcançado. E permite que você trabalhe, cada vez mais, para reforçar esses pontos de melhoria.