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Centro Universitário IESB Instituto de Educação Superior de Brasília Campus Sul Curso de Bacharelado em Psicologia Bárbara Santos Marques - 2211120069 Carolina Zanoni - 2311120030 Karina Oguino – 2221120014 Larissa Francieli Lima Poletti - 2221120067 Luana Vitória - 2311120129 RELATÓRIO DE ATENDIMENTO SESSÃO DE TERAPIA - CASO BRENO Disciplina: Princípios de Psicoterapia Docente: Paula Madsen Arruda Brasília-DF 2024 https://classroom.google.com/c/NTM2OTI3ODEwNTk4 1 - Registro em Prontuário: Caso Breno Nome do Paciente: Breno Idade: Aproximadamente 35 anos Profissão: Atirador de elite Estado Civil: Casado Data da Sessão: Episódio 2, Temporada 1 , Sessão de Terapia (GloboPlay). O paciente inicialmente se apresenta de forma controladora e objetiva, questionando os critérios das regras previstas para a sessão. Breno começa a falar informando sobre sua profissão e relata ter pesquisado sobre o profissional antes de escolhê-lo como terapeuta, justificando escolher somente o que julga ser melhor para ele. Por este motivo, buscou referências do profissional não apenas na internet, mas por atuais e antigos pacientes do Psicólogo. O paciente começa relatando uma de suas missões. Se comunica de forma clara e objetiva, traz detalhamentos do momento vivenciado na operação, em alguns momentos demonstra humor sarcástico. Breve relato da missão: Estava em sua mira um dos traficantes mais procurados do país, o traficante escondido em uma escola, faz de um menino seu refém. Breno, sob comando para atirar, acerta o traficante e a bala ricocheteia em outro menino onde o mesmo perdeu a vida. Breno não soube de imediato da morte da criança, soube no outro dia porque estava nos jornais. Evita explorar mais detalhes sobre a situação. Quando explorado sua dimensão emocional, como a culpa, o paciente se esquiva e sempre questiona o porquê que deveria 2 “sentir” tal culpa, sendo que cumpriu com o seu dever de matar o traficante. Se diz honesto, preparado e que cumpre seu dever no trabalho. O paciente relata ficar muito cansado depois do trabalho e só pensa em dormir, não cita qualquer problema de sono e afirma que nada o faz perder o controle ou o sono, nem mesmo o sentimento de culpa. Seguindo seu relato “profissional”, Breno se mostra desconfiado e desconfortável em falar sobre seus sentimentos, mantendo uma postura fechada e evasiva. Durante a maior parte do tempo, evita temas emocionais e prefere concentrar-se nas queixas sobre o trabalho. Diversas vezes o paciente traz informações soltas como se desejasse que lhe perguntassem a respeito de determinadas questões sem que fosse necessário ele iniciar o assunto, como o caso em que diz “quando me descongelaram” se referindo ao episódio em que sofreu um infarto e foi submetido a um tratamento inédito no Brasil. Breno não forneceu informações detalhadas sobre sua família de origem durante esta primeira sessão. Ao mencionar brevemente sua esposa, demonstrou uma postura defensiva, e não demonstrou abertura para falar de maneira mais profunda sobre a dinâmica do relacionamento ou de sua infância. Breno relata um incidente de “quase morte” que sofreu e várias vezes fala de um amigo chamado Fábio que era homossexual. Próximo ao fim da sessão Breno anuncia o interesse em estar presente em um evento a favor da paz dentro da escola em que ocorreu a morte do garoto, justificando que deseja ter uma visão diferente do ocorrido, no entanto há o risco de ser reconhecido pelos familiares do garoto e solicita ao Psicólogo opinião sobre a atitude mais adequada. Com isso, o profissional sugere que Breno está buscando alguém que se responsabilize por suas escolhas, assim como responsabiliza seu comandante pela autorização 3 do tiro. Ele sugere que Breno se torne seu próprio comandante, assumindo a responsabilidade de suas próprias decisões e ações. 2- Relação Terapêutica O terapeuta adota uma postura acolhedora e sem confrontos, permitindo que Breno mantenha o controle da sessão enquanto tenta facilitar a abertura do paciente para explorar suas dificuldades. Breno aparenta estar em um estado de negação em relação à própria vulnerabilidade e dificuldades emocionais. Sua postura defensiva, resistência à terapia e minimização de seus sintomas indicam que ele possivelmente tem dificuldade em acessar e reconhecer seus sentimentos. Os comportamentos impulsivos podem ser uma forma de tentar compensar ou controlar emoções não resolvidas. A resistência à terapia parece estar ligada a uma visão rígida de masculinidade, onde demonstrar fraqueza ou buscar ajuda emocional é visto como um sinal de vulnerabilidade. O terapeuta observa uma rigidez no comportamento de Breno, possivelmente como uma forma de proteger-se de um medo subjacente de perder o controle. 2.1 Identificação A identificação na terapia é essencial para o paciente sentir-se seguro em compartilhar suas angústias (Bucher, 2005). Breno, no entanto, parece manter uma postura de afastamento emocional, o que inibe o processo de identificação. Ele vê a figura do terapeuta com uma mistura de desconfiança e relutância, evidenciada pelo seu tom sarcástico em 4 alguns momentos da sessão. Nesse caso, sua resistência inicial à terapia sugere que ele não se identifica com o processo terapêutico. 2.2 Distância e Dependência A distância emocional e relacional entre Breno e o terapeuta é evidente ao longo da sessão. Breno mantém uma postura defensiva e, em muitos momentos, desvia das questões mais emocionais, preferindo falar de forma objetiva sobre o trabalho. Esse distanciamento demonstra uma dificuldade em criar uma conexão genuína, o que é natural em sessões iniciais. Por outro lado, a dependência pode surgir de forma inconsciente na relação terapêutica, onde o paciente, mesmo não admitindo, busca no terapeuta alguém que ofereça respostas e segurança (Bucher, 2005). Apesar da distância emocional, há indícios de que Breno pode sentir uma dependência da figura do terapeuta ao procurar uma forma de estruturar seu sofrimento, que de certa maneira busca aprovação do terapeuta para manter sua vida sob controle. 2.3 Temporalidade A temporalidade é um aspecto crucial no processo terapêutico, pois o paciente precisa ser incentivado a olhar para o passado, o presente e o futuro de forma integrada (Bucher, 2005). Breno mantém uma visão fragmentada, recusando-se a explorar a origem de seus problemas. Ao ser indagado sobre sua relação com seu pai, Breno recua, se negando a falar e o terapeuta respeita este espaço, pois se certifica que aquele não é o momento ideal para falar 5 deste tema. Breno se apega à queixa atual sem questionar como o passado, incluindo suas relações interpessoais e escolhas profissionais, podem estar influenciando seu estado mental atual. 2.4 Conteúdo O conteúdo da fala de Breno na sessão inicial é marcado por temas relacionados ao trabalho. Evita explorar emoções profundas ou desconfortáveis, mantendo o conteúdo de suas falas em um nível superficial e prático. Esse comportamento é típico de pacientes que têm dificuldades em se engajar com os aspectos emocionais de suas experiências, identificado como resistência ao processo de autoexploração (Bucher, 2005). A falta de conteúdo emocional sugere que Breno não está pronto para lidar com as questões mais profundas relacionadas à sua vida pessoal e profissional. Breno racionaliza seu sofrimento e foca nos aspectos técnicos, sem considerar o papel de fatores psicológicos ou emocionais. 2.5 Ações do terapeuta e do paciente As ações do terapeuta são fundamentais para moldar o espaço terapêutico, e nesse caso, o terapeuta adota uma postura receptiva e não confrontadora. O Dr. Theo tenta explorar as emoções de Breno de forma cuidadosa, sem pressioná-lo de maneira excessiva. Ele faz perguntas que visam trazer à tona sentimentos reprimidos, mas respeita o ritmo do paciente, permitindo que Breno mantenha o controle sobre o que deseja compartilhar. 6 Por outro lado, as açõesde Breno são caracterizadas pela evasão emocional. Ele age como se estivesse presente na sessão apenas por obrigação, evitando discussões mais profundas sobre suas emoções e se escondendo atrás de explicações racionais para seu sofrimento. Essa atitude defensiva e de distanciamento é uma forma de resistência, um mecanismo comum nos estágios iniciais de terapia (Bucher, 2005). O terapeuta, consciente dessa resistência, tenta manter a conexão com Breno por meio de intervenções que não o confrontam diretamente, mas que o convidam a explorar suas emoções de maneira gradual. Essa abordagem visa que o terapeuta deve, muitas vezes, agir de maneira indireta, dando tempo ao paciente para que se sinta seguro em abrir-se. 3- Coterapia Com base na obra: Introdução à prática psicoterapêutica de Joan S. Zaro et al. (1980), que aborda o conceito de coterapia, é possível propor algumas ações construtivas para o caso de Breno. A coterapia é uma abordagem em que dois terapeutas trabalham em conjunto com o paciente, o que pode ser benéfico em situações complexas e com altos níveis de resistência, como é o caso de Breno. 3.1 Proposta construtiva ao caso estudado Embora a proposta de utilizar a coterapia possa ser particularmente útil, há controvérsias no caso do Breno considerando a resistência ao processo terapêutico e sua dificuldade em lidar com suas próprias questões emocionais. Sendo assim, a presença de dois terapeutas poderia tanto permitir uma abordagem mais dinâmica e complementar, ajudando-o 7 a lidar com diferentes facetas de seus problemas, quanto ser um reforçador de resistência uma vez que Breno se manteve ao longo do atendimento com uma postura constantemente rígida e avaliativa em relação ao profissional que o atende. Ainda assim, se fosse utilizado coterapeuta nesse caso, poderia optar pela divisão de papéis que se complementam: enquanto uma terapeuta cria conexão emocional com Breno a outra poderia atuar de forma mais objetiva, facilitando a transição emocional e racional de maneira mais suave, com o intuito de reduzir a resistência de Breno, permitindo que ele se sinta menos confrontado. 3.2 Feedback técnico sobre as construções do grupo Um ponto positivo na análise é o reconhecimento precoce da resistência de Breno. Esse aspecto foi bem identificado e explorado, alinhando-se às diretrizes de cooperação, que salienta a importância de perceber e trabalhar com a resistência no processo terapêutico conforme observado neste primeiro atendimento de Breno. A coterapia também pode reduzir a sensação de pressão sobre o paciente, que pode perceber a interação como mais colaborativa e menos intensa. O uso da coterapia poderia ter sido explorado como uma ferramenta para dividir o foco terapêutico, permitindo que um terapeuta trabalhasse com aspectos emocionais mais sutis, enquanto o outro adotasse uma abordagem mais prática e comportamental. 8 4 - Indicação de abordagem para tratamento 4A - Karina Oguino Terapia Cognitivo Comportamental - TCC Na próxima sessão atenderia o paciente Breno com a mesma atenção e escuta do terapeuta Theo. Acolheria o Breno sem julgamento e deixaria ele falar (e pensar que está controlando a situação) e junto com a escuta ativa tentaria construir um rapport em nossa relação terapêutica para ele se sentir mais seguro e confiante em poder externar seus sentimentos, já que é um dos pontos a ser explorado nas sessões. Utilizaria a abordagem da TCC - Terapia Cognitivo Comportamental. A TCC trabalha com a identificação e modificação de padrões de pensamento disfuncionais que influenciam comportamentos e emoções. No caso de Breno, que apresenta dificuldades em lidar com emoções como culpa e mantém uma postura de evitação emocional, a TCC pode ajudar a explorar e reestruturar crenças subjacentes sobre o que ele "deveria" sentir. a) Conceitos básicos da abordagem estudada Psicoeducação sobre o Modelo Cognitivo Breno precisa compreender como seus pensamentos influenciam suas emoções e comportamentos. O terapeuta poderia explicar a Breno que seus pensamentos de "cumprir o dever" e "não sentir culpa" estão diretamente ligados à forma como ele evita lidar com emoções dolorosas. Essa compreensão inicial é essencial para ele começar a trabalhar sobre suas crenças. Registro de pensamentos automáticos 9 O uso de registros de pensamento, um recurso central da TCC, também poderia ser benéfico para Breno, permitindo que ele registre eventos estressantes, identifique os pensamentos automáticos que surgem e as emoções associadas, levando a uma análise mais detalhada de como essas cognições afetam seu comportamento no dia a dia, inclusive em seu trabalho e nas relações pessoais. Exposição Graduada Como Breno evita o contato com suas emoções (especialmente a culpa), uma técnica de exposição gradual poderia ser aplicada. Isso envolveria encorajá-lo a, lentamente, revisitar o evento traumático em um ambiente seguro, com o objetivo de processar suas emoções de forma controlada. A exposição à memória da missão permitiria que Breno confrontasse suas emoções, em vez de suprimi-las. Reestruturação Cognitiva A reestruturação cognitiva é uma técnica essencial na TCC, que ajudaria Breno a desafiar suas crenças disfuncionais, como “Sentir culpa é fraqueza”. O terapeuta pode usar questionamentos socráticos para ajudá-lo a ver o evento de outra perspectiva, promovendo o entendimento de que é possível sentir culpa e ainda manter sua integridade e competência profissional. Regulação Emocional Técnicas de regulação emocional podem ser ensinadas para que Breno lide com as emoções de forma mais adaptativa. Isso inclui o uso de técnicas de relaxamento e de mindfulness para ajudar a reduzir a intensidade das emoções quando ele pensa no evento traumático. 10 4B - Larissa Poletti Terapia de Aceitação e Compromisso - ACT A ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) oferece contribuições significativas para o tratamento de Breno, com base em seus pilares de aceitação, desfusão cognitiva, contato com o momento presente, clareza de valores e ação comprometida. A ACT difere das terapias cognitivo-comportamentais tradicionais ao focar na aceitação dos pensamentos e sentimentos dolorosos, em vez de tentar modificá-los diretamente. A ACT ajuda o paciente a aprender a conviver com esses pensamentos e emoções sem que eles determinem suas ações, permitindo que ele se comprometa com valores e metas de vida mais profundas. No caso de Breno, que evita lidar com a culpa e o sofrimento emocional relacionados à morte da criança durante sua missão profissional. Conceitos básicos da abordagem estudada A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) tem como objetivo principal ajudar os pacientes a desenvolverem flexibilidade psicológica, que envolve aceitar pensamentos e emoções difíceis, desfazer-se da fusão com pensamentos disfuncionais, focar no momento presente e agir de acordo com seus valores. No caso de Breno, esses conceitos podem ser aplicados de maneira prática para ajudar no tratamento de suas dificuldades emocionais e comportamentais. Nesse caso a ACT pode ser utilizada para promover: 11 1. Aceitação A aceitação é o processo de permitir que emoções e pensamentos difíceis existam sem tentar evitá-los ou controlá-los. No caso de Breno, poderia trabalhar com ele para aceitar suas emoções, como ansiedade, frustração e medo, sem fugir delas. Isso pode ser feito através de práticas de mindfulness, encorajando Breno a observar suas emoções e pensamentos sem reagir automaticamente. 2. Desfusão Cognitiva Desfusão cognitiva ajuda o paciente a separar-se de seus pensamentos, permitindo que ele os veja como simples eventos mentais, e não como fatos. Uma técnica útil é a "nomeação" dos pensamentos, onde ele pode verbalizar seus pensamentos como "Eu estou tendo o pensamento de que não deveria sentir culpa", até que ele perceba que é apenas um pensamento, e não uma verdade absoluta. 3. Contato com o Momento Presente A ACT promoveo contato com o momento presente através de práticas de mindfulness e atenção plena. Seria interessante forçá-lo a focar no que está acontecendo no aqui e agora, em vez de se perder em pensamentos sobre o que aconteceu ou o que pode acontecer. Isso pode ajudar a reduzir sua ansiedade e aumentar sua capacidade de lidar com o estresse. 5. Clareza de Valores Facilitar a identificação dos valores pessoais de Breno que são importantes para ele, além de seu trabalho. Isso pode incluir discussões sobre o que realmente importa em sua vida, como família, amizade e integridade. Uma atividade pode ser escrever uma carta para si 12 mesmo descrevendo como ele gostaria de ser lembrado e quais valores ele gostaria de viver. Identificando seus valores, ele pode começar a tomar decisões mais alinhadas com esses princípios. 6. Ação Comprometida Encorajar Breno a tomar pequenas ações que estejam alinhadas com seus valores, mesmo na presença de emoções desconfortáveis. Isso pode incluir estabelecer metas específicas relacionadas à sua vida pessoal e profissional, ajudando-o a dar passos concretos em direção a essas metas, apesar das dificuldades emocionais. Essas intervenções baseadas na ACT não apenas ajudariam Breno a processar suas emoções em relação ao evento traumático, mas também a se comprometer com uma vida que reflita seus valores pessoais. Ao se afastar da mentalidade de evitar suas emoções e adotar uma abordagem de aceitação, Breno pode começar a integrar suas experiências e encontrar um maior sentido em sua vida, mesmo após a experiência dolorosa que enfrentou . 13 4C - Carolina Zanoni Terapia Cognitiva Focada em Esquemas - TFE Alguns comportamentos me chamaram a atenção. A Insistência de que busca sempre o melhor para ele. A expectativa de que o terapeuta o reconheça pelo tiro que matou o traficante por ter sido veiculado em todas as mídias. Demonstrou incômodo ao ter tido veiculação a morte acidental do menino, lidando como um detalhe que escapou. Tende a soltar informações aleatórias esperando que o terapeuta faça perguntas a respeito, como falar sobre “o dia que morreu” e o nome da esposa. Ao terceirizar responsabilidades sobre suas escolhas, inclusive em ser um atirador de elite, segundo ele, tendo sido escolhido pelo destino. Ao pedir a opinião do Psicólogo para decidir sobre o retorno ao local do ocorrido. Considerando a dificuldade em acessar emoções, comportamentos autodestrutivos e de sabotagem, além de dificuldades nos relacionamentos interpessoais indicativos de esquemas, Breno demonstra também resistência ao falar sobre o pai e movimentos de esquiva quando o terapeuta tenta aprofundar nas questões. Sendo eu a coterapeuta responsável, abordaria com a Terapia Cognitiva Focada em Esquemas (TFE). Breno apresenta questões que podem ser trabalhadas sob a ótica da Terapia Cognitiva Focada em Esquemas (TFE), abordagem que combina elementos da Terapia Cognitiva tradicional com conceitos da Terapia do Esquema de Jeffrey Young. Seu foco principal é o trabalho com esquemas iniciais desadaptativos (EIDs), que são padrões emocionais e cognitivos disfuncionais, conforme descrito por Ricardo Wainer em seu livro "Terapia Cognitiva Focada em Esquemas" (2016). 14 A principal contribuição no caso do Breno pode envolver a exploração de esquemas emocionais profundos, formados na infância e na adolescência, que impactam em sua percepção de si mesmo e de suas relações. 1. Identificação de Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs): - Autossacrifício: Breno pode priorizar as necessidades dos outros (ou do dever) em detrimento das próprias, sentindo que não pode demonstrar fraqueza ou falhar. - Desconfiança/Abuso: O ambiente violento em que atua pode ter reforçado crenças de que as pessoas não são confiáveis e podem prejudicá-lo. - Insuficiência/Fracasso: Apesar de seu papel de autoridade, Breno pode sentir uma constante pressão para corresponder a expectativas irreais, com medo de não ser bom o suficiente. 2. Relevância da abordagem TFE no caso de Breno: Ajudar a lidar com padrões emocionais profundos que podem ter sido desenvolvidos ao longo da vida ao: - Identificar e modificar esquemas desadaptativos que o levam a evitar vulnerabilidades e exigir perfeição de si mesmo. - Construir um espaço terapêutico seguro para que ele possa acessar e expressar emoções reprimidas. - Equilibrar sua identidade de força e proteção com um acolhimento mais compassivo às suas próprias necessidades emocionais. 15 Essa abordagem pode contribuir para que Breno compreenda melhor os conflitos internos que influenciam tanto sua vida profissional quanto pessoal, facilitando um caminho de maior autocompaixão e equilíbrio emocional. Conceitos básicos da abordagem estudada A Terapia Cognitiva Focada em Esquemas (TFE), como descrita por Ricardo Wainer em seu livro "Terapia Cognitiva Focada em Esquemas" (2016), é uma abordagem que combina elementos da Terapia Cognitiva tradicional com conceitos da Terapia do Esquema de Jeffrey Young onde o foco principal é o trabalho com esquemas iniciais desadaptativos (EIDs), que são padrões emocionais e cognitivos disfuncionais desenvolvidos na infância e que influenciam de forma persistente o comportamento e as emoções na vida adulta. 1. Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs): - São estruturas cognitivas e emocionais que se formam durante a infância e adolescência a partir de experiências negativas com figuras de apego ou situações marcantes. - Refletem crenças centrais sobre si mesmo, os outros e o mundo, geralmente desadaptativas, como "Sou inadequado", "Ninguém se importa comigo" ou "As pessoas vão me abandonar". - São ativados em situações que lembram experiências passadas e podem levar a respostas emocionais intensas. 2. Necessidades emocionais básicas: A TFE destaca que os esquemas desadaptativos surgem quando necessidades emocionais básicas não são atendidas na infância. Essas necessidades incluem: 16 - Conexão e segurança. - Autonomia e competência. - Autoestima positiva. - Limites realistas. - Liberdade de expressar emoções e necessidades. 3. Modos Esquema: Representam os estados emocionais e comportamentais ativados por EIDs. São categorizados em: - Modos infantis: ligados às emoções e necessidades insatisfeitas da infância, como a Criança Vulnerável. - Modos de enfrentamento disfuncional: estratégias para lidar com a ativação dos esquemas, como Evitação, Rendição ou Supercompensação. - Modos parentais críticos: internalizações de figuras de autoridade, como um Pai Crítico. - Modo adulto saudável: objetivo terapêutico, representa o equilíbrio emocional e cognitivo. 4. Estratégias de enfrentamento disfuncionais: São formas inadequadas de lidar com os esquemas ativados: - Evitação: fuga de situações que possam ativar os esquemas (ex., isolamento social). - Supercompensação: tentativa de superar o esquema com comportamentos opostos (ex., perfeccionismo). - Rendição: aceitação passiva do esquema, agindo de forma consistente com ele. 17 5. Objetivos terapêuticos: - A principal meta é identificar, modificar e curar os EIDs. - Enfatiza o fortalecimento do Adulto Saudável como recurso para lidar de maneira funcional com os modos ativados. - Promove experiências corretivas que ajudem a atender às necessidades emocionais básicas que foram frustradas. 6. Técnicas utilizadas: - Psicoeducação: explicação dos esquemas e modos para o paciente. - Imaginação guiada: para acessar memórias e emoções relacionadas aos esquemas. - Diálogos internos: para trabalhar os modos e desafiar o Pai Crítico. - Experiências corretivas no contexto terapêutico: criar um ambiente de acolhimento que permita reestruturar padrões antigos. 7. Integração com outras abordagens: A TFE combina técnicas cognitivas, comportamentais, humanistas e psicodinâmicas para abordar o caráter profundo e emocional dos esquemas, indo além do foco na resolução de problemas específicos. Essa abordagem é especialmenteeficaz para transtornos de personalidade, questões emocionais crônicas e padrões de relacionamento desadaptativos. A obra de Ricardo Wainer oferece uma visão detalhada e prática sobre como aplicar esses conceitos no contexto clínico. 18 4D - Bárbara Marques Humanista Fenomenológica No caso em questão, eu usaria a abordagem Humanista Fenomenológica, por ser uma psicoterapia que se concentra na experiência subjetiva e na vivência do indivíduo, trazendo benefícios como uma profunda compreensão pessoal acerca de suas próprias experiências e emoções, incentiva a pessoa a viver de maneira mais autêntica e alinhada com os seus valores pessoais e facilita a aceitação que pode facilitar o crescimento pessoal e a resolução de conflitos internos. Conceitos básicos da abordagem estudada Alguns princípios fundamentais da abordagem fenomenológica, que eu abordaria no caso do Bruno. ● Foco na Experiência Subjetiva Exploraria detalhadamente os sentimentos de Bruno durante e após a missão, sem julgá-lo ou impor interpretações, permitindo que Bruno expresse suas percepções e emoções de Breno sobre seus eventos vividos, a maneira como ele percebe e processa a missão que resultou na morte do menino é central para entender seu estado emocional e psicológico. ● Intencionalidade Investigaria com Breno como ele percebe seu dever e o seu envolvimento na morte do menino, ou seja, como suas ações e reações são dirigidas pela missão, a sua responsabilidade e como ele justifica suas decisões para que compreenda melhor seus conflitos internos. 19 ● Autenticidade Criaria um espaço seguro para que Breno possa explorar seus sentimentos de culpa, responsabilidade e sua visão de si mesmo como profissional e pessoa, incentivando-o a ser autêntico sobre seus sentimentos, medos e dúvidas. ● Interpretação de Significados Ajudaria Breno a explorar e interpretar o significado do evento traumático e como isso afeta sua vida e identidade. Entender o impacto emocional de ter cumprido o seu "dever" e as consequências pessoais disso. 20 4E - Luana Vitória Psicanálise O primeiro passo a ser dado em uma sessão é a escuta ativa, sem julgamentos ou punições, seja no caso do Breno ou em qualquer outro caso, a escuta ativa é a base do vínculo que pode vir a ser formado, salientando que se deve sempre levar em consideração a singularidade de cada paciente. No caso de Breno, que gosta bastante de falar, segundo Freud, “cura pela fala”. Em apenas uma sessão se obtém poucas informações, no entanto, nos 27 minutos de duração, o episódio de Breno trouxe contribuições ricas para se traçar uma linha de práticas a serem trabalhadas. Sob a minha perspectiva a queixa de Breno é encoberta, onde ele exige do terapeuta um posicionamento sobre sua ida a escola do acidente. Com encoberta quero dizer que Breno, exige do terapeuta uma opinião como se fosse uma obrigação e ele justifica isso com um “estou te pagando e pagando caro”. Se a continuidade das sessões de Breno estivessem sob o meu controle, a base teórica que eu utilizaria seria a psicanalítica, pois nela se trabalha o inconsciente, parte da mente que contém desejos, memórias, impulsos reprimidos. Além disso, as técnicas utilizadas podem promover o autoconhecimento e elaboração de conflitos psíquicos. Características essas que ajudariam Breno a compreender suas ações, se responsabilizar pelo que faz. Separei algumas situações que chamaram minha atenção e que poderiam fornecer material para ser trabalhado: ● Breno chega na sala vasculhando tudo, intimando o terapeuta, se há regras a serem seguidas e se ele era realmente o melhor terapeuta. Ele quer se certificar que será conduzido por uma pessoa apropriada? ● Ao relatar sobre o acidente na escola fala com desdém “fiz o que tinha que ser feito”. Ele não se deu conta que matou uma criança? 21 ● Ao descrever sua experiência de quase morte, revela seu pensamento de sentir medo de ter uma ereção. O que esse medo pode revelar? ● Modo enfático de informar que seu amigo era homossexual. Por que ele fala tanto de Fábio? ● Medo de encarar suas responsabilidades ao dizer que só atirou porque o comandante autorizou e que posteriormente só iria a escola que ocorreu o acidente se o terapeuta “liberasse”. Ele quer ter alguém para responsabilizar caso algo dê errado? ● A experiência de quase morte como um tipo de fuga? ● Queixa: posicionamento do terapeuta quanto voltar à escola do acidente. ● Breno quer sempre ser o coadjuvante da própria vida? Conceitos básicos da abordagem escolhida A psicanálise é uma campo teórico clínico desenvolvido por Sigmund Freud, seu pilar é o estudo do inconsciente pois acredita-se que ele influencia os processos psíquicos, emoções e comportamentos. As principais técnicas utilizadas como método investigativo na psicanálise são: análise dos sonhos, ato falho, associação livre e sintomas (para nós do TCC: comportamento). Sob a minha perspectiva vejo que Breno aprecia padrões, se sente confortável em seguir regras, e tenho a hipótese de que ele não se dá conta conscientemente das suas ações, observei isso porque ao falar sobre o tiro que matou o bandido e a criança, ele parece não perceber que de fato matou uma criança, ele apenas diz: ”matei o bandido, fiz o que devia ter feito”. Como se ele olhasse a situação apenas com o olhar racional, se esquivando da culpa. Análise dos Sonhos Para as próximas sessões, após ter criado um pouco mais de vínculo e me certificar que ele agregaria a esse novo passo, eu passaria um plano de ação, que seria Breno anotar 22 seus sonhos, ao longo da semana, pois segundo Freud os sonhos são estradas para o inconsciente. Ao trazer essas anotações de seus sonhos eu faria hipóteses analíticas destes sonhos, tendo o contexto histórico de Breno como base. A psicanálise analisa todos os componentes dos sonhos que aparecem de forma manifesta (imagens ou narrativas lembradas pelo paciente) ou latente (representação simbólica de algo, por exemplo a água é um símbolo universal que representa emoção, de outros elementos cada indivíduo tem sua significação individual). A principal finalidade da análise dos sonhos é desvendar o conteúdo latente promovendo assim o famoso insight no paciente sobre os traumas, desejo reprimido e conflitos internos. Associação Livre Este método de associar livremente poderia ser utilizado para ajudar no desvendar dos componentes latentes do sonho. Pode também ser utilizado em questões do dia a dia, pois incentiva o paciente a dizer livremente o que vier a sua cabeça, sem repressão, medo ou punição, no caso de Breno palavras como: amor, família, criança, Fábio, avó, morte entre outras seriam utilizadas buscando compreender melhor seu contexto histórico passado e atual. Cada palavra utilizada, mesmo que pareça sem sentido para o paciente, é importante. Mecanismos de Defesa Breno tenta se mostrar uma pessoa bem resolvida, que consegue se resolver, e na cabeça dele se deu certo é porque partiu dele, mas se deu errado é porque ele seguiu as ordens de alguém. Ele usa a racionalidade para enxergar a morte da criança exatamente como um mecanismo de defesa, por medo de encarar de fato o que ocorreu. Eu como sua terapeuta o encorajaria a enfrentar essa verdade e várias outras que estão encobertas. A elaboração psíquica é um passo difícil a ser dado, mas no caso de Breno é essencial, pois promoverá a compreensão, o que por sua vez leva a redução dessa carga emocional que Breno reprime. 23 Referências Bibliográficas Wright, Jesse H. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental [recurso eletrônico] : um guia ilustrado / Jesse H. Wright, Monica R. Basco, Michael E. Thase ; tradução Mônica Giglio Armando. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2008. Hayes, Steven C. Terapia de aceitação e compromisso : o processo e a prática da mudança consciente [recurso eletrônico] / Steven C. Hayes, Kirk D. Strosahl, Kelly G. Wilson ; tradução: Sandra Maria Mallmann da Rosa ; revisão técnica:Mônica Valentim. – 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2021. Wainer, R. (2016). Terapia cognitiva focada em esquemas: Conceitos e intervenções. Artmed. Evangelista, P. E. R. A.; Psicologia Fenomenológica Existencial - A Prática Psicológica à Luz de Heidegger, ed. Juruá, Junho, 2016. Psicanálise Clínica. (n.d.). Resumo da psicanálise: Uma visão geral. https://www.psicanaliseclinica.com/resumo-psicanalise/ Lotus Psicanálise. (n.d.). Fundamentos da técnica psicanalítica [PDF]. https://lotuspsicanalise.com.br/biblioteca/Fundamentos_da_Tecnica_Psicanal itica.pdf International Psychoanalytical Association (IPA). (n.d.). Sobre a IPA [PDF]. ttps://www.ipa.world/IPA/IPA_Docs/Portuguese_about.pdf 24 https://www.ipa.world/IPA/IPA_Docs/Portuguese_about.pdf https://www.ipa.world/IPA/IPA_Docs/Portuguese_about.pdf