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O sedentarismo pode levar a doenças como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, ansiedade, aumento do colesterol, infarto do miocárdio, além de ser considerado o principal fator de risco para a morte súbita
Em época repleta de diversões eletrônicas, é cada vez mais raro ver as crianças saírem para praticar exercícios. Sendo assim, o sedentarismo pode ser considerado um fator de risco para o desenvolvimento de diversas doenças, inclusive as cardiovasculares. E para diminuir as probabilidades destes problemas, um estilo de vida mais saudável, aliado a prática de atividade física precisam ser adotados desde cedo.
As crianças devem ser estimuladas a partir do nascimento. Isso é fundamental para o desenvolvimento neuropsicomotor, além de reduzir as chances de diversas doenças. Os pais têm papel fundamental e podem ajudar a despertar o interesse da criança que, quando encorajada a praticar exercícios desde a infância, tendem a se tornar adultos mais ativos.
De acordo com o cardiologista e médico do esporte do HCor (Hospital do Coração), Dr. Daniel Santos, a atividade física auxilia no desenvolvimento do sistema osteomuscular, no controle da glicemia, dos lípides e da pressão arterial. “Além disso ajuda no tratamento da ansiedade, depressão e, ainda, na prevenção de vários tipos de câncer”, esclarece o cardiologista.
Dr. Santos explica que é muito importante a realização de avaliação física na infância. “Crianças que apresentam algum tipo de sintoma relacionado à atividade física como cansaço desproporcional ao exercício, palpitações, desmaios, dor induzida pelo esforço ou que ofereçam algum problema de saúde devem ser encaminhadas para avaliação especializada”, recomenda.
Segundo uma pesquisa do IBGE, 78% das crianças ficam mais do que duas horas por dia na frente da TV, e apenas 43% fazem mais do que 300 minutos de atividade física por semana. Crianças com excesso de peso tende a ser adulto obeso e mais propenso a desenvolver diabete, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio cada vez em idades mais jovens.
Para a Sociedade Brasileira de Cardiologia, atualmente 54% dos homens e 48% das mulheres estão acima do peso. Apenas 23% da população ingere a quantidade diária de nutrientes recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) de cinco ou mais porções ao dia de frutas, verduras e legumes, enquanto 31,5% consomem carne gordurosa e 26% tomam refrigerantes regularmente.
Vida sedentária deve ser combatida desde a infância
Promover a prática regular de exercícios físicos na infância e na adolescência significa estabelecer uma base sólida para a redução do sedentarismo na idade adulta. Com a evolução da tecnologia, é muito comum crianças e adolescentes substituírem atividades que demandam gasto energético pelas brincadeiras automatizadas. É frequente vê-las por horas na frente da televisão ou do computador, jogando videogame ou navegando na internet. Na maioria das vezes, essas atividades são praticadas consumindo petiscos nada saudáveis como salgadinhos, que possuem elevado teor de sal, colesterol e calorias, batatas fritas, bolachas recheadas. Com o tempo, a prática desses hábitos pode levar a criança à obesidade infantil, uma das doenças mais comuns hoje e causada, em boa parte, pelo sedentarismo.
O sedentarismo é definido como a falta ou a diminuição da atividade física, associado à ausência da prática de esportes ou a qualquer outra atividade do cotidiano do indivíduo. Consideramos sedentário aquele que gasta poucas calorias por semana com atividades ocupacionais. O sedentarismo pode levar a doenças como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, ansiedade, aumento do colesterol, infarto do miocárdio, além de ser considerado o principal fator de risco para a morte súbita.
Além de uma reeducação alimentar, a criança deve começar a praticar alguma atividade física no dia-a-dia. É comprovado que uma criança fisicamente ativa tem grandes chances de se tornar um adulto ativo. Promover a prática regular de exercícios físicos na infância e na adolescência significa estabelecer uma base sólida para a redução do sedentarismo na idade adulta, contribuindo desta forma para uma melhor qualidade de vida.
“É importante lembrarmos que a prática regular de exercícios físicos não implica necessariamente no envolvimento em atividades de caráter competitivo. É necessário conscientizar as crianças e adolescentes que uma simples caminhada já pode trazer benefícios à saúde”, orienta Dr. Santos.
A educação física escolar tem importante papel nesta missão, pois boa parte do dia de uma criança é passado na escola. “Cabe aos pais a responsabilidade de dar o exemplo e criar oportunidades para que seus filhos possam ter uma prática regular de exercícios físicos extracurriculares, como a pratica de esportes como judô, futebol, ballet, entre outros, que além de evitar o sedentarismo e a obesidade, podem trazer outros benefícios para as crianças, como sociabilização, apresentações, competições, etc”, finaliza o cardiologista do HCor.
Referencia: https://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/atividade-fisica-na-infancia-pode-afastar-o-risco-de-doencas-cardiovasculares-e-sedentarismo-na-idade-adulta/
10/3 – Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um terço da população mundial adulta é fisicamente inativo e o sedentarismo mata cerca de cinco milhões de pessoas anualmente.
Em relatório recente, a Organização Mundial da Saúde fez um alerta de que quase 500 milhões de pessoas vão desenvolver doenças cardíacas, obesidade ou outras condições atribuídas à inatividade física entre 2020 e 2030. O documento contém dados de 194 países e mostra um progresso lento das nações para a criação de políticas públicas que possam reverter este quadro.
No Brasil, considerado o país mais sedentário da América Latina e o quinto no ranking mundial, cerca de 300 mil pessoas morrem por ano devido a doenças associadas ao sedentarismo. No país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47% dos brasileiros adultos são sedentários e entre os jovens o número é maior e ainda mais alarmante: 84%.
De acordo com o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, produzido pelo Ministério da Saúde, o comportamento sedentário envolve atividades realizadas quando se está acordado sentado, reclinado ou deitado e gastando pouca energia. Essas atividades geralmente são realizadas em frente a telas de computador, televisão, celulares e tablets, mas também incluem o tempo sentado para se deslocar de um lugar a outro utilizando carro, ônibus ou metrô, e para realizar trabalhos manuais, jogar cartas ou jogos de mesa.
Conforme o referido Guia, a atividade física é importante para o pleno desenvolvimento humano e deve ser praticada em todas as fases da vida e em diversos momentos, como ao se deslocar de um lugar para outro, durante o trabalho ou estudo, ao realizar tarefas domésticas ou durante o tempo livre. Os exercícios físicos também são exemplos de atividades físicas, mas se diferenciam por serem atividades planejadas, estruturadas e repetitivas com o objetivo de melhorar ou manter as capacidades físicas e o peso adequado, além de serem prescritos por profissionais de educação física. Todo exercício físico é uma atividade física, mas nem toda atividade física é um exercício físico!
As evidências científicas mostram que longos períodos em comportamentos sedentários estão relacionados a um maior risco de mortalidade, ao surgimento de diabetes, de doenças cardiovasculares e de câncer, independentemente da quantidade de atividade física praticada. A parte preocupante disso é que mesmo para as pessoas que praticam alguma atividade física ao longo do dia, o tempo excessivo em comportamento sedentário oferece riscos para a saúde.
Ou seja, a prática de atividade física não compensa os efeitos do tempo em comportamento sedentário. Portanto, além de incluir mais atividade física na sua rotina, se tornando mais ativo fisicamente, diminuir o tempo gasto em comportamento sedentárioé tão importante quanto!
Como atualmente o trabalho, os estudos e até mesmo os momentos de lazer, bem como algumas condições de saúde, levam as pessoas a ficarem cada vez mais sentadas por muitas horas ao longo do dia, o uso de estratégias que ajudam a diminuir e a interromper o comportamento sedentário, de forma simples e eficiente, é uma maneira de amenizar os efeitos prejudiciais desses comportamentos.
Como diminuir e evitar o comportamento sedentário?
Para melhorar a saúde, é preciso criar estratégias para diminuir e interromper o tempo excessivo em repouso. Para isso, pequenas atitudes podem ajudar a diminuí-lo e a melhorar a qualidade de vida. Vale reduzir o tempo sentado ou deitado assistindo à televisão ou usando o celular, computador, tablet ou videogame. Na prática, a cada uma hora em comportamento sedentário, é recomendado se movimentar por pelo menos 5 minutos. Nesse momento, pode-se aproveitar para mudar de posição e ficar em pé, ir ao banheiro, beber água e alongar o corpo.
Para José Carlos Farah, professor da Universidade de São Paulo, a mudança vem com políticas públicas que incentivem a prática da atividade física a todas as camadas da população, mas também uma mudança de mentalidade através da educação de crianças e adolescentes que, quando adultos, deixarão de ser sedentários. O professor destaca que não é fácil, mas é possível.
O setor saúde tem um importante papel na promoção da atividade física, mas é essencial o envolvimento das outras áreas para a mudança do atual cenário brasileiro. Para isso, o Guia de Atividade Física para a População Brasileira procura subsidiar também os profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde e dos demais setores relacionados com a promoção da atividade física, convergindo esforços intersetoriais para o aumento dos níveis de atividade física dos brasileiros.
 
O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prática regular de atividades físicas e os riscos do sedentarismo para a saúde.
 
Fontes:
Agência Pará
Assembleia Legislativa de Goiás
Jornal da USP
Instituto do Coração de São José do Rio Preto (SP)
Ministério da Saúde

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