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FISIOLOGIA DAS GÔNADAS As gônadas são órgãos reprodutivos que desempenham funções essenciais na reprodução e na produção de hormônios sexuais. Elas diferenciam os sexos masculino e feminino durante o desenvolvimento embrionário, com base no genótipo (XX ou XY). No estágio inicial, entre as seis primeiras semanas do desenvolvimento embrionário, todos os indivíduos possuem estruturas internas com potencial para desenvolver características de ambos os sexos, o que é chamado de estágio bipotencial. FISIOLOGIA DAS GÔNADAS MASCULINAS A diferenciação do sexo masculino ocorre em indivíduos com genótipo XY. O cromossomo Y contém o gene SRY (Sex-determining Region Y), que é responsável pela produção de uma proteína determinante dos testículos. Essa proteína inicia a formação das células da medula da gônada bipotencial, que se diferenciam em testículos. Os testículos produzem dois hormônios principais: o hormônio antimulleriano, que causa a regressão dos ductos de Müller (estruturas precursoras do sistema reprodutivo feminino), e a testosterona, que estimula o desenvolvimento dos ductos de Wolff em estruturas masculinas como epidídimo, ducto deferente e vesículas seminais. Além disso, a testosterona é convertida em di-hidrotestosterona (DHT), que controla o desenvolvimento da genitália externa masculina, incluindo a próstata e o pênis. Estágio Bipotencial e Diferenciação Sexual No estágio bipotencial, por volta das seis semanas de desenvolvimento, o embrião possui ductos de Müller e de Wolff, além de uma gônada bipotencial e uma abertura cloacal. Em embriões femininos (genótipo XX), a ausência da proteína SRY impede a formação dos testículos, levando ao desenvolvimento do córtex gonadal em ovários. Sem testosterona, os ductos de Wolff degeneram, e, na ausência do hormônio antimulleriano, os ductos de Müller se desenvolvem, formando o útero, as tubas uterinas e a parte superior da vagina. Nos embriões masculinos (genótipo XY), a proteína SRY promove a diferenciação da medula gonadal em testículos. O hormônio antimulleriano causa a regressão dos ductos de Müller, enquanto a testosterona estimula o desenvolvimento dos ductos de Wolff em estruturas reprodutivas masculinas internas. Formação da Genitália Externa No início, a genitália externa não é distinguível entre os sexos. Por volta de 14 semanas de gestação, com a ação da DHT em embriões masculinos, ocorre o desenvolvimento do pênis, do escroto e da próstata, e os testículos migram da cavidade abdominal para o escroto. Nos embriões femininos, na ausência de andrógenos, a genitália externa se diferencia em estruturas femininas. Função do Cromossomo Y O cromossomo Y desempenha um papel crucial na determinação sexual masculina. Ele contém o gene SRY, que inicia a produção de proteínas responsáveis pela diferenciação da medula gonadal em testículos. Os testículos contêm dois tipos principais de células: as células de Leydig, que produzem testosterona para o desenvolvimento dos ductos de Wolff e da genitália externa via DHT, e as células de Sertoli, que secretam o hormônio antimulleriano, promovendo a regressão dos ductos de Müller. Controle Hormonal O controle hormonal das funções sexuais é regulado pelo eixo hipotálamo-hipófise-gônadas. O hipotálamo secreta GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas), que estimula a hipófise a liberar LH e FSH. No homem, o LH age nas células de Leydig, estimulando a produção de testosterona, enquanto o FSH atua nas células de Sertoli, auxiliando na espermatogênese. Esses hormônios funcionam em um sistema de retroalimentação (positiva ou negativa), que regula a produção de gametas e hormônios sexuais. Estrutura Anatômica das Gônadas Masculinas As gônadas masculinas, ou testículos, são órgãos pares responsáveis pela produção de espermatozoides e testosterona. Os testículos contêm túbulos seminíferos, onde ocorre a espermatogênese (formação dos gametas masculinos). Os espermatozóides passam pelo epidídimo e ducto deferente, que transportam os gametas para o exterior do corpo. A próstata e as vesículas seminais produzem secreções que neutralizam a acidez da uretra, contribuindo para a viabilidade do sêmen. O pênis, formado pelo corpo cavernoso e esponjoso, permite a transferência dos gametas para o sistema reprodutivo feminino. Túbulos Seminíferos Nos túbulos seminíferos ocorre a produção dos espermatozoides por meio dos processos de mitose e meiose. Os espermatócitos primários se diferenciam em espermatócitos secundários e, posteriormente, em espermatozóides maduros. As células de Sertoli fornecem suporte e nutrição para os gametas em desenvolvimento, além de produzir o hormônio antimulleriano durante o desenvolvimento embrionário. Espermatogênese O processo de espermatogênese ocorre nos túbulos seminíferos dos testículos e é responsável pela produção dos espermatozoides. Ele se inicia com a divisão mitótica das espermatogônias na lâmina basal, formando os espermatócitos primários. Esses passam pela meiose I, originando os espermatócitos secundários, que então sofrem meiose II, resultando nas espermátides. Estas, por fim, se diferenciam em espermatozóides maduros, que são liberados no lúmen dos túbulos seminíferos com o suporte das células de Sertoli. Controle Hormonal da Espermatogênese As células de Sertoli possuem receptores para FSH, liberado pela hipófise, e desempenham um papel essencial no suporte à formação dos gametas. Essas células produzem a proteína ligadora de andrógenos (ABP), que concentra testosterona nos testículos, facilitando a maturação dos espermatozóides. O LH estimula as células de Leydig, que produzem testosterona. Esse hormônio difunde-se para os túbulos seminíferos, promovendo a espermatogênese, e também entra na circulação, influenciando características secundárias, como desenvolvimento muscular, timbre vocal e padrão de pelos. Durante a fase intrauterina, a testosterona é convertida em di-hidrotestosterona (DHT), responsável pelo desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos. Na puberdade, o aumento da testosterona e da DHT estimula o crescimento do pênis, do escroto e de pelos pubianos. Ação das Gonadotrofinas Os hormônios LH e FSH atuam em receptores acoplados à proteína G, ativando a cascata de sinalização que envolve adenilato ciclase, AMPc, PKA e fosforilação de proteínas. Essa sinalização regula a expressão de genes necessários para a produção de gametas e hormônios. Nas células de Leydig, o LH controla a atividade enzimática na produção de testosterona, que, por ser um hormônio esteróide derivado do colesterol, não pode ser armazenada em vesículas e é sintetizada sob demanda. Ação da Testosterona A testosterona atua em receptores nucleares, regulando a expressão gênica. Além disso, é convertida em dois metabólitos ativos: estradiol, pela enzima aromatase, que promove o fechamento da epífise óssea e influencia a libido, e DHT, pela enzima 5-alfa-redutase, que estimula a maturação dos órgãos sexuais. Essas conversões são fundamentais para os efeitos multifacetados da testosterona no corpo. Metabolismo da Testosterona A síntese de testosterona começa com a formação da pregnenolona, derivada do colesterol, que é crucial para a produção de hormônios esteróides. Alterações sutis na estrutura química dos metabólitos da testosterona, como a DHT e o estradiol, influenciam suas funções específicas no organismo. Reflexo da Ereção A ereção é uma etapa essencial para a cópula, facilitando a eficiência da fertilização. Estímulos sensoriais, como toques em zonas erógenas (nuca, coxas, mamilos, genitália), ou estímulos visuais são processados pelo sistema nervoso central, que ativa o sistema nervoso parassimpático e inibe o simpático. Isso causa vasodilatação das arteríolas penianas, preenchendo os corpos cavernosos com sangue e mantendo o pênis ereto pela oclusão venosa. Durante a ejaculação, o sistema nervoso simpático predomina. Papel do Óxido Nítrico A acetilcolina, liberada pelo sistema parassimpático, ativa a via do óxido nítrico (NO), que estimula a vasodilatação peniana. O NO aumentaos níveis de GMP cíclico (cGMP), que ativa proteínas quinases, relaxando as células musculares lisas e promovendo o fluxo de sangue. Medicamentos para disfunção erétil agem inibindo a degradação do cGMP, prolongando a ereção, embora exijam estímulo sexual para serem eficazes. Integração dos Sistemas na Ejaculação Antes da ejaculação, o sistema parassimpático domina, promovendo a ereção e lubrificação do pênis. Durante a ejaculação, o simpático é ativado, causando contração do epidídimo e do ducto deferente, conduzindo o sêmen à uretra. A próstata contribui com sua secreção para a formação do sêmen. Após a ejaculação, o sistema simpático retorna à predominância. Aumento da Próstata Com o avanço da idade, o crescimento da próstata pode causar obstrução da uretra, resultando em dificuldades para urinar. Essa condição é comum e deve ser monitorada devido aos seus impactos na qualidade de vida masculina. FISIOLOGIA DA GÔNADA FEMININA Estrutura Anatômica O sistema reprodutor feminino inclui as tubas uterinas, os ovários, o útero e o colo uterino. Durante o ato sexual, o óstio do útero se abre levemente para permitir a entrada de espermatozóides. O ovócito, após ser liberado pelo ovário, é captado pela tuba uterina e segue em direção ao útero. A fecundação geralmente ocorre no primeiro terço da tuba uterina, onde o zigoto começa sua maturação. Durante o trajeto até o útero, ele evolui para a fase de blastocisto, momento em que se implanta no endométrio para o desenvolvimento embrionário. Os ovários têm como principal função a produção de ovócitos. Diferentemente dos homens, as mulheres nascem com um número limitado de ovócitos primários, que permanecem em repouso até a puberdade. A partir desse momento, a cada ciclo menstrual, geralmente um ovócito atinge a maturação e é liberado. Oogênese O processo de oogênese envolve as seguintes etapas: - Folículo primordial: Contém o ovócito primário, que está detido em prófase I da meiose. - Folículo em desenvolvimento: O ovócito começa a crescer e as células ao seu redor se proliferam. - Folículo antral: É formado um antro cheio de líquido, que cresce sob estímulo do FSH. - Folículo dominante: Entre 10 a 12 folículos antrais que iniciam o desenvolvimento, apenas um se torna dominante e amadurece completamente. - Ovulação: O pico de LH e FSH promove a liberação do ovócito secundário, que fica detido em metáfase II. - Corpo lúteo: O folículo rompido se diferencia em corpo lúteo, que produz progesterona para manter a gravidez, caso haja fecundação. Se ocorrer fecundação, o ovócito completa a meiose II e forma o zigoto. Caso contrário, o corpo lúteo degenera, e o ciclo recomeça. Ciclo Menstrual O ciclo menstrual é dividido em duas fases principais: 1 Fase folicular O desenvolvimento do folículo no ovário ocorre simultaneamente à proliferação do endométrio uterino. A queda nos níveis de progesterona e estrogênio ao final do ciclo anterior estimula o hipotálamo a liberar GnRH, que induz a secreção de FSH e LH pela hipófise. O FSH estimula o crescimento dos folículos e a produção de estrogênio pelas células da granulosa, enquanto o LH age nas células da teca para produzir andrógenos. O estrogênio promove a proliferação endometrial e exerce retroalimentação negativa, inibindo FSH e LH, exceto no momento que precede a ovulação, quando o pico de estrogênio reverte o feedback, gerando um pico de LH que desencadeia a ovulação. 2 Fase lútea Após a ovulação, o folículo rompido se transforma no corpo lúteo, que secreta progesterona, estrogênio e inibina. Esses hormônios inibem a liberação de GnRH, FSH e LH. Caso não ocorra fecundação, o corpo lúteo degenera, levando à queda nos níveis hormonais e ao desprendimento do endométrio, que é eliminado na menstruação. Controle Hormonal da Menstruação O controle hormonal se dá por interações entre o hipotálamo, hipófise e ovário: - Fase folicular inicial: O FSH estimula as células da granulosa a produzir estrogênio, enquanto o LH age nas células da teca para produzir andrógenos, que são convertidos em estrogênio pelas células da granulosa. - Ovulação: O pico de estrogênio reverte o feedback negativo e gera um pico de LH, promovendo a ovulação. - Fase lútea: O corpo lúteo secreta progesterona, estrogênio e inibina, que mantêm o endométrio e inibem a liberação de GnRH, FSH e LH. - Sem fecundação: A queda nos hormônios provoca a degeneração do endométrio e reinicia o ciclo. Características do Feedback Hormonal Na fase inicial, o estrogênio exerce feedback negativo sobre FSH, LH e GnRH. No pico pré-ovulatório, o estrogênio exerce feedback positivo, gerando o pico de LH. Na fase lútea, progesterona e estrogênio mantêm o feedback negativo. Ação das Gonadotrofinas As gonadotrofinas, FSH e LH, exercem seus efeitos ao se ligar a receptores específicos acoplados à proteína G nas células-alvo dos ovários. Nas células da granulosa, o FSH estimula a produção de estradiol por meio da aromatização de andrógenos, processo mediado pela enzima aromatase. Já o LH age nas células da teca, estimulando a produção de andrógenos que serão convertidos em estradiol pelas células da granulosa. Esse mecanismo é fundamental para o desenvolvimento folicular e a regulação do ciclo menstrual. Efeitos do Estrogênio O estrogênio desempenha diversos papéis no organismo. Ele oferece neuroproteção e influencia o humor, reduz a pressão intraocular, retarda o envelhecimento da pele, promove vasodilatação arterial, mantém a densidade óssea e oferece cardioproteção. Estimula o crescimento e a proliferação dos tecidos das mamas, o que aumenta o risco de câncer nessa região. No fígado, estimula a produção de proteínas, incluindo fatores de coagulação, e altera o metabolismo de lipoproteínas. Também pode reduzir o risco de câncer de cólon. Nos órgãos sexuais, promove crescimento, diferenciação e retenção de água, mas pode aumentar o risco de câncer endometrial. Integração da Resposta Sexual Durante a resposta sexual feminina, o sistema nervoso parassimpático estimula a lubrificação vaginal, enquanto o sistema simpático relaxa o colo uterino para permitir a passagem de espermatozoides em direção às tubas uterinas. O estímulo sexual é potencializado por zonas erógenas que respondem ao toque físico, ativando respostas neurológicas e hormonais. Fecundação A fecundação ocorre quando o espermatozóide interage com a zona pelúcida do ovócito secundário. Essa interação ativa enzimas, como a acrosina, que facilitam a penetração. Após a fusão das membranas do espermatozóide e do ovócito, a zona pelúcida é degradada, prevenindo a polispermia. O ovócito completa a meiose II, gerando o segundo corpúsculo polar, e o material genético dos gametas se funde, iniciando a primeira clivagem celular. O embrião só estará apto para a implantação no endométrio ao atingir a fase de blastocisto. Implantação A implantação ocorre entre 7 e 10 dias após a ovulação, quando o endométrio está receptivo. Esse estado é mediado por proteínas de adesão induzidas pela progesterona. A queda nos níveis de progesterona impede a implantação e pode causar aborto precoce. Placenta A placenta é essencial para a troca de nutrientes e hormônios entre a mãe e o feto. Nos primeiros três meses de gestação, o corpo lúteo é responsável pela produção de progesterona, até que a placenta assuma essa função. O hCG atinge seu pico nas primeiras 12 semanas e se estabiliza em níveis baixos após a 24ª semana. A produção de estrogênio e progesterona aumenta progressivamente ao longo da gravidez, desempenhando papel essencial na manutenção gestacional. Nascimento O parto é desencadeado por estímulos mecânicos e hormonais. A tensão no útero e no colo uterino estimula a liberação de ocitocina pela neuro-hipófise, que promove contrações uterinas. Essas contrações aumentam a produção de prostaglandinas no endométrio, intensificando ainda mais as contrações. Esse ciclo positivo continua até o nascimento. Após o parto, a tensão diminui abruptamente, cessando a produção de ocitocina. Lactação A lactação é reguladapela prolactina e pela ocitocina. O choro do bebê ou a sucção estimulam o hipotálamo, que aumenta a liberação de ocitocina pela neuro-hipófise, promovendo a ejeção do leite pelas células mioepiteliais. Ao mesmo tempo, o estímulo da sucção inibe a liberação de dopamina (PIH), permitindo a secreção de prolactina pela adeno-hipófise, o que estimula a produção de leite. Antes do nascimento, hormônios como estrogênio, progesterona, cortisol e prolactina preparam as glândulas mamárias para a lactação, enquanto a sucção pós-parto mantém a produção de leite. Durante a lactação, a interação entre ocitocina e prolactina é fundamental para o sucesso da amamentação e a nutrição do recém-nascido.