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TRIAGEM NEONATAL Gustavo Penna Teste de Triagem Neonatal Biológica (Teste do Pezinho) Método que visa identificar precocemente (ainda no período neonatal e fase pré-sintomática) o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas, para que estas possam ser tratadas em tempo oportuno, alterando sua história natural. O exame é conhecido, como teste do Pezinho, por coletar amostra de sangue do calcanhar do bebê, e teste de Guthrie, uma homenagem ao médico norte-americano Robert Guthrie, defensor do diagnóstico precoce e pesquisador de doenças do metabolismo. Coleta do sangue: Pode ser feita no posto de saúde ou no laboratório particular. A idade ideal é do 3º ao 5º dia de vida. Pode ser coletado na maternidade após 48 horas de vida. Doenças rastreadas: São sete as doenças inseridas no escopo do PNTN (Programa Nacional de Triagem Neonatal): fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita. A Lei nº 14.154/2021 alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente, para aperfeiçoar o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), por meio do estabelecimento de um rol mínimo de doenças a serem rastreadas, num total de 53 doenças, com implementação de forma escalonada, de acordo com a ordem de progressão a seguir: Etapa 1: Fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias; Hipotireoidismo congênito; Doença falciforme e outras hemoglobinopatias; Fibrose cística; Hiperplasia adrenal congênita; Deficiência de biotinidase; Toxoplasmose congênita. Etapa 2: Galactosemias; Aminoacidopatias; Distúrbios do ciclo da ureia; Distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos. Etapa 3: Doenças lisossômicas; Etapa 4: Imunodeficiências primárias; Etapa 5: Atrofia muscular espinhal. Caberá ao Ministério da Saúde estabelecer os prazos para implementação de cada etapa do processo. Requisitos para Coleta de Material Jejum: Não é necessário. Idade mínima: Após 48 horas de contato do tubo digestivo com o alimento, para que a criança tenha ingerido proteína suficiente para ser detectada de forma segura na triagem da fenilcetonúria. Prematuridade e transfusão: Para os prematuros que estiverem internados, a coleta pode ser ao redor do sétimo dia de vida. Para aqueles que receberam transfusão, a triagem da anemia falciforme e de outras hemoglobinopatias fica restrita. Assim, deve ser feita a coleta habitual e uma nova amostra deve ser realizada após 90 dias do nascimento. Gemelaridade: Ter muita atenção para que as amostras não sejam trocadas na hora da identificação. Uso de medicamentos: Não é fator restritivo. Antecedentes familiares: Informar antecedentes familiares das doenças que estão sendo rastreadas, relatando grau de parentesco. Internação: A coleta pode ser protelada até que a criança esteja em melhores condições para que seja realizada, não devendo ultrapassar os 30 dias de vida da criança. Relatar, de forma sucinta, as condições clínicas da criança, para melhor avaliação e interpretação dos resultados da triagem. Procedimento de Coleta Luvas de procedimento: Equipamento de proteção individual de biossegurança. Posição da criança: O local da punção deve estar abaixo do nível do coração- Para que haja uma boa circulação de sangue nos pés da criança, suficiente para a coleta. Nos locais onde a coleta é feita por algum integrante da equipe de enfermagem, o calcanhar é puncionado. Em âmbito hospitalar, com coleta feita pelo médico, a punção venosa pode ser direta do capilar (geralmente na mão do RN). Assepsia: O local deve ser limpo com gaze umedecida com álcool 70%, aguardando que ele seque completamente (mistura com álcool dilui a amostra e leva à hemólise). Álcool iodado ou antisséptico colorido interferem no resultado de algumas análises. Punção: Caso seja feita no calcanhar, deve ser em uma das laterais da região plantar para evitar complicações (ex.: atingir o osso, vasos de maior calibre). Segurar o pé e o tornozelo da criança, envolvendo todo o calcanhar com os dedos indicador e polegar. Atenção para imobilizar, mas não prender a circulação. De preferência, usar uma lanceta (porção triangular) para penetrar no local da punção, fazendo um movimento da mão para direita e esquerda, a fim de garantir um corte suficiente para o sangramento necessário. Coleta de sangue: Após a formação de uma grande gota de sangue, retirar com gaze esterilizada essa primeira gota, pois pode conter outros fluidos teciduais que interferem nos resultados dos testes. Encostar o verso do papel filtro na nova gota até preencher todo o círculo, fazendo movimentos circulares com o papel para que o sangue seja distribuído por toda superfície do círculo. Não retornar para completar áreas mal preenchidas, pois a superposição de camadas de sangue interfere nos resultados dos testes. Secagem da Amostra As amostras devem ser colocadas em local que possam secar adequadamente. Temperatura ambiente: Entre 15-20 °C, longe do sol, por cerca de três horas. Isoladas: Não podem tocar em outra amostra nem em qualquer superfície. Posição horizontal: Mantém o sangue com distribuição homogênea. Procedimentos proibidos: Temperaturas elevadas, ventilação forçada, empilhamento de amostras, local com manipulação de líquidos ou gases químicos, contato com superfícies. Antes da coleta de sangue para análise, é essencial preencher corretamente os campos de identificação no papel filtro, evitando assim a contaminação da amostra. Deve-se ter cuidado para não tocar nos círculos reservados para o sangue a ser analisado com os dedos. As informações mínimas que devem constar no registro são as seguintes: posto, código da amostra, nome do recém-nascido (caso não esteja registrado, utilizar "RN" seguido do nome da mãe), nome da mãe, declaração de nascido vivo, data de nascimento, data da coleta, tipo de amostra (primeira, repetição ou controle), peso ao nascimento, sexo do recém-nascido (masculino, feminino ou desconhecido), prematuridade (sim, não ou não sabe), histórico de transfusão (sim, não ou não sabe) e gemelaridade (sim - I, sim - II, sim - III, não ou não sabe). Teste do Reflexo Vermelho (Teste do Olhinho) É um exame rápido, simples e indolor, feito com uso do oftalmoscópio numa sala escurecida. Está baseado na percepção do reflexo vermelho que aparece ao ser incidido um feixe de luz sobre a superfície retiniana. O oftalmoscópio deve estar em torno de 30 cm de distância de cada olho do paciente. O reflexo vermelho deve ser homogêneo e simétrico em ambos os olhos. O teste pode ser executado por qualquer pediatra treinado, geralmente em menos de 5 minutos. Caso haja alguma dúvida em relação ao que for visualizado, o paciente deve ser imediatamente encaminhado para o oftalmologista. Objetivo: Detectar precocemente alguma alteração da visão, avaliando a presença de doenças que possam afetar a transparência dos meios oculares, como catarata (altera a transparência do cristalino), glaucoma (altera a transparência da córnea), inflamações intraoculares da retina e vítreo (pode ser causado por toxoplasmose) ,descolamentos de retina tardios, tumores como retinoblastoma (altera a transparência do vítreo pela presença do tumor) ou hemorragias intravítreas. A cor vermelha do reflexo decorre da vasculatura da retina e coroide e do epitélio pigmentário, em resposta à luz. A luz normalmente refletida pela retina varia de vermelho até amarelo ou amarelo-alaranjado. Quando fazer: Deve ser feito em todos os neonatos antes da alta da maternidade e ao menos duas a três vezes por ano nos primeiros três anos de vida. Teste da Oximetria(Teste do Coraçãozinho) Pode ser realizado no alojamento conjunto, colocando-se o sensor do oxímetro na mão direita e no membro inferior esquerdo ou direito. Objetivo: rastrear cardiopatias congênitas .A cardiopatia congênita é a doença congênita mais comum em RN. A cardiopatia crítica, definida como a necessidade de cirurgia ou intervenção por meio de cateterismo no primeiro ano de vida, ocorre em aproximadamente 25% dos bebês com cardiopatia. Em lactentes com lesões cardíacas críticas, o risco de morbimortalidade aumenta quando há atraso no diagnóstico e encaminhamento oportuno a um centro terciário com experiência no tratamento desses pacientes. Quando realizar: Entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta hospitalar. Resultado normal: SpO2 ≥ 95% em ambas as medidas (MSD e MI) e diferença