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Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da X Vara Criminal da Comarca de Arnaldo - SP X, já devidamente qualificado nos autos, ora representado por sua Advogada infra-assinada, conforme procuração em anexo, com escritório profissional na Rua X, nº X, Avenida X, na cidade X-SP, CEP XXX, endereço eletrônico email X@X, telefone (XX) 999, vem, perante, Vossa Excelência, com fulcro no art. 593, inciso I do Código de Processo Penal, interpor: APELAÇÃO Desde já, requer o recorrente que o presente instrumento seja recebido e processado, tendo em vista sua tempestividade. E, na hipótese de entendimento diverso de Vossa Excelência, que o presente recurso seja remetido ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Nestes termos, pede deferimento. Fernandópolis, 06 de novembro de 2024. Advogada OAB/SP Advogada OAB/SP Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo Razões de Apelação Processo-crime nº. Apelante: X Apelado: Ministério Público Egrégio Tribunal de Justiça Colenda Câmara Eméritos Julgadores. Embora respeitável a decisão do juiz singular de primeira instância, entende o apelante que a mesma deve ser revista pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. I Síntese da Sentença Verifica-se que o juiz singular ao proferir sentença em relação a “X”, o condenou por furto qualificado à pena de reclusão de oito anos em regime fechado inicial, sem direito a recorrer em liberdade. O magistrado elevou a pena considerando à qualificado que incide no presente caso, assim como inseriu o aumento de pena de ⅓ do repouso noturno, pois foi praticado neste período. II Preliminares II.1 Cerceamento de defesa Ao analisarmos a sentença proferida pelo juiz singular percebe-se que o mesmo cerceou direito fundamental previsto na Constituição Federal de 1988 relativo à defesa do acusado, quando impossibilitou o direito de recorrer em liberdade. No ordenamento jurídico brasileiro, em especial no Direito Penal e Direito Processual Penal, a liberdade é a regra, sendo a prisão exceção. Como meio de o acusado permanecer respondendo em liberdade, houve a promulgação da Lei n.º 12.403/11 que aumenta as possibilidades de liberdade, com imposições de determinadas medidas cautelares diversas à prisão. Nesse sentido também existe o instituto da liberdade provisória estatuida no art.5º, inciso LXVI, da CF/88 que estabelece que ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei permitir a liberdade provisória com ou sem fiança. Situação que o magistrado analisará a situação econômica do acusado, a natureza da infração, condições pessoais, vida pregressa e circunstâncias indicativas de sua periculosidade. Depreende-se dos autos, que o acusado é empresário, dono de um estabelecimento do ramo alimentício denominado “Mercado Leve mais”, conforme documentos empresárias fls. 30-45, local onde exercem atividade laboral em lugar certo e conhecido pela justiça, o que demonstra ser incompatível com os requisitos do art.321 do Código de Processo Penal, bem como possui 15 funcionários admitidos conforme a legislação nacional trabalhista vigente, segundo fls 46-66. Ademais, restou demonstrado que possuem endereço residencial fixo conforme contrato de compra e venda de imovel fls. 66-73, bem como possui dois filhos, de acordo com certidões de nascimento fls. 75-79, sendo o principal responsável pela situação econômico-financeira dos mesmos, tendo-se em vista tendo em vista que sua esposa não exerce atividade laboral remunerada, sendo a permanência da prisão contrária aos interesses alimentares dos seus filhos. Cediço que a prisão sempre se dará de forma excepcional, sendo a última alternativa a ser utilizada pelo Poder Judiciário. Ao encontro de tal argumentação, o legislador trouxe em seu art.319 do Código de Processo Penal, meios alternativos à prisão como comparecimento periódico em juízo, proibição de acesso ou frequência a determinados lugares, proibição de manter contato com pessoa determinada, proibição de ausentar-se da Comarca, recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, monitoração eletrônica, entre outras situações que podem ser plenamentes aplicáveis ao presente caso. Ainda, há que ressaltar que o acusado não possuem nenhum antecedente criminal conforme declaração de antecedentes criminais negativa fls 80-85, bem como não é reincidente, ou menção de que irá atrapalhar o regular andamento processual, assim como manifesto perigo de fuga, não tendo sido trazido aos autos qualquer argumentação contrária à tese defensiva. II. 2 Da incidência da qualificadora Ao analisarmos a sentença objeto do presente recurso, o magistrado entendeu presente a materialidade do delito face a fotos mal iluminadas e com pouca nitidez tirada do suposto local dos fatos constantes na fls.90. O direito penal e o direito processual penal, em especial em seu artigo 158, estabelece que todo delito que deixa vestígios, crime não transeunte, exige a elaboração de laudo pericial para demonstrar a efetiva prática da infração, não podendo supri-lo a confissão do acusado. Contudo, conforme entendimento do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, a prova pericial pode ser substituída por outro tipo de prova quando não for possível a realização da primeira: APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME DE FURTO QUALIFICADO PELO ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO. SENTENÇA CONDENATÓRIA. RECURSO DA DEFESA. QUALIFICADORA DO ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO. MANUTENÇÃO. PENA. AVALIAÇÃO NEGATIVA DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. REPOUSO NOTURNO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. DANOS MATERIAIS. EXCLUSÃO. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O exame de corpo de delito é imprescindível para a caracterização da qualificadora do rompimento de obstáculo à subtração da coisa, pois se trata de infração penal que deixa vestígios. Não obstante, o exame pericial pode ser substituído por outras provas na hipótese em que não for possível a realização da perícia. Na espécie, deve ser mantida a qualificadora diante da prova oral e do levantamento fotográfico do local do crime. (...) (Acórdão 1884808, 0723194-92.2023.8.07.0007, Relator(a): ROBERVAL CASEMIRO BELINATI, 2ª TURMA CRIMINAL, data de julgamento: 27/06/2024, publicado no DJe: 10/07/2024.) No caso dos presentes autos, não foi possível a realização de perícia no local dos fatos, visto que o proprietário do estabelecimento realizou os consertos necessários. Pelas razões requer-se a substituição da prova pericial por provas audiovisuais, visto que o estabelecimento farmácia “Popular” localizado ao lado do mercado “Leve mais”, local dos fatos, possui câmeras de segurança, que possam ter registrado os fatos, uma vez que as fotos presentes nos atos carece de boa visibilidade. III Do Direito III.1 Insuficiência de provas Analisando os autos e a produção probatória, verifica-se relevante ausência de provas robustas, objetivas, claras, suficientes e conclusivas que demonstram a efetiva autoria e indícios de materialidade relativas ao crime de furto qualificado por arrombamento, como por exemplo, as fotos já mencionado nas preliminares possui baixa qualidade, o que dificulta a visualização. Nesse sentido, a legislação processual penal, em especial o artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, determina que o juiz deve absolver o réu quando não houver provas suficientes para a condenação. A ausência de provas suficientes para a condenação torna a absolvição medida de observância obrigatória pelo magistrado que possui dever de agir com imparcialidade e de acordo com os princípios constitucionaisde legalidade e presunção de inocência. Além disso, entre os princípios basilares de garantias processuais mínimas deve ser observado no presente caso o princípio denominado “in dubio pro reo”, que determina ao magistrado interpretar e julgar o processo em favor do acusado em caso de existência de quaisquer dúvidas ao longo do andamento processual. III.2 Não aplicação da circunstância atenuante Ao analisar a sentença proferida pelo magistrado de primeira instância observa-se que não foi reconhecida e consequentemente aplicada uma atenuante relacionada a idade do agente na data do fato. Circunstâncias atenuantes são fatores que diminuem a culpabilidade do acusado de um crime, o que pode resultar em uma pena menor. Previstas no artigo 65 do Código Penal e são consideradas na segunda fase da dosimetria da pena. Entre as atenuantes, no inciso I do art.65 do Código Penal, está elencada quando o agente é menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença. Dessa forma, conforme certidão de nascimento fls.150-151 infere-se que “X” possuía 20 anos na data do fato, o que demonstra o cumprimento do requisito para aplicação da atenuante, contudo essa situação não foi considerada pelo magistrado. Por esta razão, requer-se o reconhecimento e aplicação da circunstância atenuante prevista no inciso I do art.65 do Código Penal, a fim de o cálculo de pena realizado na dosimetria da pena esteja de acordo com a realidade dos fatos e consequentemente conforme princípios basilares da legislação processual e penal brasileira, como legalidade, ampla defesa, proporcionalidade e razoabilidade. V Dos Pedidos Ante o exposto, requer-se a) Acolhimento das preliminares; b) Provimento do recurso para o fim de se decretar a sua absolvição, por insuficiência de provas; c) Caso não seja acolhida as preliminares e mantida a condenação, que seja reconhecida aplicação da circunstância atenuante prevista no inciso I do art.65 do Código Penal. Termos em que, pede deferimento. Fernandópolis, 05 de novembro de 2024. Advogada OAB/SP Advogada OAB/SP