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MANUAL DE ESTUDO DIRIGIDO 2013 SUMÁRIO 1.CONTEXTUALIZAÇÃO PEDAGÓGICA ............................................................................. 03 2.OBJETIVOS DO ESTUDO DIRIGIDO ................................................................................. 05 3.ELABORAÇÃO O ROTEIRO DO ESTUDO DIRIGIDO ...................................................... 06 Objetivos ............................................................................................................................ 06 Conteúdos............................................................................................................................ 06 Situação Problema ............................................................................................................. 07 Desempenho do Instrutor ................................................................................................... 07 Avaliação ............................................................................................................................ 07 4.Técnicas que ajudam a aprender 08 Exercícios extras ................................................................................................................. 08 Resumos ............................................................................................................................ 08 Questionários ..................................................................................................................... 09 Seleção de artigos e textos para discussão ...................................................................... 09 5.Benefícios do Estudo Dirigido ........................................................................................... 10 6.Referências .......................................................................................................................... 11 10 1. CONTEXTUALIZAÇÃO PEDAGÓGICA O processo de aprendizagem tem a denominação de processo, justamente por se tratar de uma construção progressiva, gradual e que deve levar a um produto final de qualidade. Esta condição de qualidade é permitida a partir da apropriação do conhecimento, oportunizada por meio de diversas estratégias de ensino que podem ser realizadas, de acordo com os objetivos do conteúdo ministrado, ambiente, perfil do professor, dos alunos, além de outras variáveis. A construção do conhecimento, portanto, é oportunizada através de recursos educacionais diversos, que a partir da realização do diagnóstico, posterior desenvolvimento das atividades e avaliação, torna possível o aprimoramento do saber dos estudantes, ou aqui, construtores. Todo esse processo exige avaliação permanente, tanto da qualidade do aprendizado do aluno, como das ações realizados pelos educadores. O ato de avaliar a aprendizagem implica em acompanhamento e reorientação permanente da aprendizagem. Ela se realiza através de um ato rigoroso e diagnóstico e reorientação da aprendizagem tendo em vista a obtenção dos melhores resultados possíveis, frente aos objetivos que se tenha à frente. (LUCKESI, 2004) Uma estratégia eficaz que promove a assimilação do conteúdo é a técnica do estudo dirigido, que promove de forma diferenciada em simples, a aproximação com os conteúdos já ministrados, através de atividades individuais e coletivas, que aumentam as chances do aluno desenvolver a autonomia de seus conhecimentos diante da matéria, dos colegas e do seu instrutor, ou seja, uma autonomia intelectual. A continuação dos estudos é necessidade que se impõe a todo e qualquer profissional, uma vez que a evolução dos saberes, que acompanha às alterações da realidade, exige contínua atualização. Para isso deve haver a construção da autonomia intelectual, por meio da consciência crítica e reflexiva que devem ser despertadas no estudante de qualquer modalidade de ensino. Neste contexto, o estudo dirigido se apresenta como uma técnica fundamentada no princípio didático de que o professor não ensina: ele é o impulsionador da aprendizagem, colaborando com a capacidade do aluno em aprender. É o incentivador e o ativador do aprender, o mediador. De maneira especial, essa técnica coloca em evidência o modo como o aluno aprende. O estudo dirigido pode atender, com vantagens, às exigências do processo de aprender. A técnica incentiva a atividade intelectual do aluno, força-o à descoberta de seus próprios recursos mentais, facilitando-lhe o desenvolvimento das habilidades e operações de pensamento significativas – identificar, selecionar, comparar, experimentar, analisar, concluir, solucionar problemas, aplicando o que aprendeu – e possibilitando-lhe ajustar-se às tarefas que deve executar para alcançar o previsto nos objetivos que devem ser relacionados com antecedência pelo instrutor, em seu planejamento. O estudo dirigido predispõe o aluno à criatividade, uma vez que a sua finalidade principal está voltada à atividade da reflexão, e o pensamento reflexivo, de acordo com as circunstâncias do indivíduo, provoca a necessidade de inventar, buscar modos pessoais de operar com inteligência e resolver o que lhe foi proposto. O produto do trabalho do aluno pode adquirir, desse modo, forte cunho de autenticidade e pessoalidade, uma vez que sua produção pode ser individual ou coletiva, mas sua apropriação sempre será pessoal e subjetiva. 2. OBJETIVOS DO ESTUDO DIRIGIDO Um estudo dirigido pode ser utilizado para, entre outros objetivos: · Oportunizar situações para o aluno aprender por meio de sua própria atividade, de acordo com seu ritmo pessoal. · Facilitar o atendimento das diferenças individuais, pelo professor. · Favorecer o desenvolvimento do sentido de independência e de segurança do aluno. · Possibilitar a criação, a correção e o aperfeiçoamento de hábitos de estudo, a fixação, a integração e a ampliação da aprendizagem. · Promover a articulação interdisciplinar dos objetivos com os conteúdos. O trabalho com o estudo dirigido pode ser realizado em sala de aula, laboratório, campo externo, ou ainda como tarefa para casa. Porém, em sala de aula, no ambiente escolar com a presença do professor para esclarecer dúvidas e orientar quando necessário, a técnica pode revestir-se de mais eficácia e tornar-se mais eficiente para a aprendizagem de qualquer área do conhecimento. É importante que o professor acompanhe o trabalho em todas as suas fases: na execução, na correção e na avaliação. Se alguma dessas fases não for corretamente desenvolvida, o resultado final proposto pela atividade estará severamente comprometido. A utilização do estudo dirigido pode colaborar de forma significativa no processo educacional. A técnica pode significar além de uma atividade de apropriação do conhecimento, uma novidade no processo de avaliar, que historicamente no Brasil é utilizado de forma bastante tradicional, sem expressivas manifestações de inovação. Segundo Luckesi (2004), se um educador se propuser a modificar seu modo de avaliar, obrigatoriamente terá que modificar o seu modo de compreender a ação pedagógica. A avaliação não existe em si e por si; ela subsidia decisões dentro de um determinado contexto. No nosso caso, o contexto pedagógico. O estudo dirigido não existe para facilitar o trabalho do professor, nem tampouco para facilitar a vida do aluno. Ele não pode ser interpretado como algo que está sendo feito apenas para que o tempo passe. A atividade exige concentração, direcionamento do professor, participação ativa, para que a zona de conforto seja quebrada e os processos intelectuais ativados. Assim, poderá se garantir que de fato está sendo promovida no aluno a construção do conhecimento, a apropriação mental dos saberes necessários à sua prática discente, e futuramente profissional, especialmente permeada neste contexto pela prática pedagógica. 3. ELABORAÇÃO DO ROTEIRO DO ESTUDO DIRIGIDO O professor responsável pela condução do estudo dirigido deverá estabelecer os objetivos da atividade, bem como os conteúdos que serãoministrados, além de situações problema: · Objetivos: Que envolvam as dimensões amplas para o aprimoramento do conhecimento. · Conteúdos e Organização: Organização em sequência lógica e cronológica; abordagem de temas relevantes, propiciando uma efetiva construção de conhecimento. · Situações - problema: Construção de forma adequada, clara e com dados relevantes; integração dos conteúdos de forma interdisciplinar; possibilidade de se construir objetivos de aprendizagem bem definidos; estímulo a busca de informações em fontes diversificadas; possibilidade de discussões efetivas. · Desempenho do Professor: Atuação ativa para que as atividades das disciplinas sejam realizadas de maneira efetiva (atividades práticas, leituras e discussões de artigos científicos, elaboração de sínteses, exercícios dirigidos, atividades práticas coletivas e individuais, além de outros). · Avaliação: Abordagem de temas relevantes, contextualizados com a realidade do curso realizado pelo aluno e da função profissional que ela exercerá, contemplando os conteúdos de forma cumulativa. Elaboração de questões que devem valorizar a reflexão crítica, aferição de capacidade de síntese, elaboração de conteúdo, utilização do conhecimento em condições práticas, entre outros. 4. TÉCNICAS QUE AJUDAM A APRENDER Exercícios extras: se o acadêmico tem problemas com conteúdos como matemática, física, química ou outras de caráter exato, é recomendado que se faça exercícios a mais sobre o assunto estudado. Quanto mais ele praticar, melhor. Uma bateria de exercícios para ser realizada em casa ou na sala de aula, ou nos dois ambientes, e posteriormente corrigida de forma clara, objetiva e sem preconceitos com possíveis perguntas elementares que surjam durante o processo, apresentam eficácia significativa. Resumos: em matérias como português, sociologia ou outras ráter mais teórico, ou mesmo das ciências humanas e sociais, incentive o estudante a fazer resumos do que leu, sintetizar conteúdos, resolver questões contextualizadas, analisar um fato dentro daquela época ou das condições que o rodeiam e falar sobre isso, não apenas escrever. Isso representa uma boa maneira de memorizar o que aprendeu e refletir sobre o tema. Esse exercício também o ajuda a recordar mais facilmente o que foi ensinado em aula, além de melhorar o vocabulário e, por conseguinte a escrita e a fala. Ainda é benéfico no processo de construção de sua autonomia, autoestima, coragem de falar em público e redução do medo do julgamento. Quanto mais colegas falarem durante o processo, mais segura a turma vai se tornando, pois a condição de apresentar respostas certas não fica restrita a um ou outro aluno, que normalmente dominam as discussões. Ao instrutor, cabe a tarefa de gerenciar as falas na sala de aula durante a discussão, contendo os mais falantes e incentivando os mais tímidos, referenciando sempre a condição e diversidade de opiniões, interpretações, argumentações, entre outros aspectos, para que a turma aprenda a lidar com as diferenças e com opiniões eventualmente distintas das suas, que também podem ser verdadeiras e corretas. Questionários: essa técnica ajuda a fixar os conteúdos trabalhados em sala de aula. É recomendado preparar para o aluno questionários sobre o assunto estudado e também incentivá-lo a fazer perguntas a si mesmo, perguntas sobre o assunto estudado, perguntas aos colegas e também ao instrutor, a fim de identificar seu nível de apreensão (neste caso, ele deverá respondê-las após a leitura). A atividade coletivizada, além de contribuir com a socialização do conhecimento, estimula a formação diferenciada do acadêmico, no tocante à capacidade de expressão, defesa de ponto de vista, construção e reconstrução de posicionamentos. Seleção de artigos e textos para discussão: O instrutor deve indicar constantemente aos estudantes, leituras necessárias para aquisição de conhecimentos básicos e complementares de cada tema de aula, que devem ser selecionadas em bases de dados científicas, podendo ser virtuais ou mesmo da biblioteca da instituição. Esses temas devem ser discutidos em sala de aula, nos momentos próprios do estudo dirigido, de forma efetivamente direcionada, não tendo um caráter de aula, mas de discussão e aprofundamento do tema. Nesse momento, deverá ser privilegiado o conhecimento individual, as discussões devem ser provocadas de forma gradativa, do elementar ao complexo, exatamente como deve ser a construção do conhecimento. Autoavaliação - Como o próprio nome sugere, trata-se de uma avaliação da pessoa sobre si mesmo. O discente realiza este tipo de avaliação ao final de cada estudo dirigido, possibilitando refletir sobre suas ações, o processo de ensino aprendizagem e o acompanhamento do seu desempenho acadêmico. Sua valorização poderá ser contemplada dentro dos pontos distribuídos para exercícios, ao longo do conteúdo ministrado, de acordo com a percepção do instrutor em relação à evolução do acadêmico. Não se deve realizar a autoavaliação apenas no final do semestre, ou do curso, pois desta forma, o aluno não aprenderá a importância desta atividade, nem como ele deve refletir verdadeiramente sobre sua prática, ou seja, sem interesses em melhorar sua nota com essa atividade simplesmente, mas com a consciência de que o seu desempenho poderá ser potencializado na medida em que ele mesmo for se reconhecendo como ponto central no processo de avaliação. Para maior efetividade da Autoavaliação durante o estudo dirigido, é preciso que o aluno se comprometa, criando oportunidades para o seu acontecimento. A autoavaliação deve contemplar competências, conhecimentos, atitudes e habilidades, estimulando o estudante a reconhecer e assumir responsabilidades cada vez mais complexas nas etapas da sua formação. Hoffmann (2006) aponta que a autoavaliação só tem importância enquanto reflexão do educando para tomada de consciência pessoal sobre sua aprendizagem e conduta cotidiana, de forma natural e espontânea, como aspecto intrínseco ao seu desenvolvimento. Portanto, é uma leitura pessoal de suas conquistas, seus avanços e necessidades, observando limites e pontos de superação, participando ativamente no seu processo de aprendizagem, tendo a oportunidade de acompanhar seu progresso, distinguir os conhecimentos cognitivos aprendidos e os que precisam ser adquiridos, perceber as atitudes já incorporadas e as que precisam ser desenvolvidas, conscientizar das competências e habilidades desenvolvidas e as que precisam ser trabalhadas. A autoavaliação propõe estimular a responsabilidade, a autonomia e a honestidade pessoal. 5. BENEFÍCIOS DO ESTUDO DIRIGIDO As atividades oportunizadas pelo estudo dirigido acabam por permitir uma espécie de treinamento mental em que o estudante sai da condição de mero expectador do conteúdo, para verdadeiramente partícipe da construção do seu conhecimento. Esse exercício continuado pretende capacitar os alunos a se tornarem autônomos na busca pelo aprendizado, ou seja, dá-lhes a autonomia e a consciência crítica e reflexiva próprias de um profissional. Recomenda-se o uso dessa técnica ao final de matérias novas, em vésperas de provas, ou em momentos que o instrutor perceber a necessidade de aprimoramento dos conhecimentos nos alunos, através de técnica diferenciada, saindo, portanto, das atividades tradicionais. Em nenhuma circunstância o estudo dirigido deve ser utilizado para compor horário, substituir a presença do instrutor em sala de aula ou outros ambientes escolares, nem tampouco devem se desconsideradas cada uma das fases previstas em seu roteiro (execução, correção e avaliação). O uso da técnica oferece grandes possibilidades de tornar o processo de ensino e de aprendizagem mais atrativos aos alunos, pois coloca todos em movimento, desde os atores do processo, aluno e professor, nessa ordem, até as estruturas mentais de cada sujeito/aluno engajado na construção do conhecimento. 6. REFERÊNCIAS ANTUNES, Celso. Jogos para a Estimulação das Múltiplas Inteligências. Petrópolis: Vozes,2000. Aula expositiva, dialogado e estudo dirigido. Disponível em Acesso em: 04 jan. 2013. Estudo dirigido como estratégia metodológica na continuação dos estudos para o projeto correção de fluxo. Disponível em Estudo Dirigido: técnica pode ser usada sem sala de aula e fora do espaço escolar. Disponível em Acesso em: 04 jan. 2013. O Estudo Dirigido. Disponível em Acesso em: 18 set. 2012. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. LUCKESI, Cipriano. Considerações Gerais sobre avaliação no cotidiano escolar. Aprender a Fazer, publicada em IP – Impressão Pedagógica, publicação da Editora Gráfica Expoente, Curitiba, PR, nº 36, 2004, p. 4-6. image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image1.jpeg image4.jpeg image2.png image3.png