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Bruno França PRINCÍPIOS DA FORMAÇÃO DE PREÇOS E-book 4 Neste E-Book: INTRODUÇÃO ����������������������������������������������������������� 3 RELAÇÃO CUSTO, VOLUME E LUCRO ��������������4 MARGEM DE SEGURANÇA E GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL ������������������������ 9 ABORDAGEM QUANTO À FORMAÇÃO DE PREÇOS ����������������������������������������������������������������������11 Transformar despesas fixas em despesas variáveis em função da receita ��������������������������������������������������������������������14 Modelo de preço a prazo ��������������������������������������������������������14 Formação de preços para a indústria ������������������������������������15 Formação de preços para serviços����������������������������������������16 QUESTÕES TRIBUTÁRIAS ������������������������������������18 CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DE PREÇOS BASEADA EM CUSTOS ����������������20 Definição da quantidade a ser vendida����������������������������������21 Critério de rateio estabelecido �����������������������������������������������21 Sinergia entre os produtos �����������������������������������������������������23 Preço X Prazo (gestão de capital de giro) �����������������������������24 NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO �������������27 CONSIDERAÇÕES FINAIS ������������������������������������31 SÍNTESE �������������������������������������������������������������������� 32 2 INTRODUÇÃO Neste módulo, o objetivo geral é auxiliar você, estu- dante, a compreender que o método de custeio direto (variável) possibilita ao gestor identificar informações gerenciais importantes. Os principais assuntos trata- dos são: a análise da relação custo/volume/lucro, os cálculos de margem de contribuição, ponto de equi- líbrio, margem de segurança e grau de alavancagem operacional (GAO), a formação de preços em ambien- tes do comércio e indústria, e prestação de serviços com base em modelo de custos. Trataremos, ainda, de questões tributárias mais comuns no atual con- texto empresarial brasileiro. 3 RELAÇÃO CUSTO, VOLUME E LUCRO A análise da relação entre custo, volume e lucro nos traz informações importantes, visões econômicas de planejamento que possibilitam verificar como se comportam o total de receitas, os custos totais e o lucro de acordo com as mudanças no preço do produto, nos custos fixos ou também no nível da atividade da empresa. Essa análise é utilizada na tomada de decisão re- ferente ao quanto os custos e receitas da empresa são impactados se o preço dos produtos aumentar ou diminuir. A análise do Custo, Volume e Lucro tem como base as seguintes suposições: ● Em relação ao nível da atividade, é possível dividir os custos totais em partes, sendo uma para fixo o outra para variável; ● A relação de receitas e custos totais é linear, ou seja, dentro uma determinada faixa de atividade. Isso significa que a produção se mantém constante e os custos de produção seguem essa constância dentro da faixa de atividade. Para sabermos quando não será caracterizado como linear, basta analisar se os custos unitários diminuem quando o nível de atividade aumenta. Esse processo é positivo, pois os custos variáveis irão diminuir quando o nível de 4 atividade aumentar. Significa que os gestores estão executando processos mais eficientes e eficazes. ● São conhecidos os valores de vendas unitários, os custos variáveis unitários e os custos fixos unitários. ● A análise é realizada em um produto (unitário) ou em um mix de produtos (vários) no intuito de verificar se a receita permanecerá constante, mesmo que tenha alteração no volume de vendas. ● É possível analisar se as receitas e custos podem ser comparados sem a necessidade de considerar o valor de dinheiro no tempo. O desconhecimento dessas análises faz com que muitos gestores tomem decisões erradas, nas quais a tomada de decisão é baseada em informações não corretas ou até decisões tomadas sem nenhuma base. As consequências dessas decisões erradas podem acarretar na diminuição de clientes, queda de lucros, perda de dinheiro e até o fim das atividades da empresa� Para ajudar nessa análise, é possível fazer alguns questionamentos básicos: ● Quais são os produtos mais lucrativos? ● Quais os produtos mais rentáveis? ● O projeto é viável? ● Os produtos que não trazem receitas, podem au- mentar em algum momento o lucro da empresa? ● Se a empresa parar de produzir determinado pro- duto, qual será o impacto nos resultados? 5 ● Se a empresa alterar alguns custos, aumentando ou diminuído, qual será o impacto nos resultados? ● Se diminuir a quantidade de produtos produzidos, quais serão os impactos? ● Se a empresa mudar a quantidade de cada tipo de produto produzido, qual o impacto no ponto de equilíbrio? Para tomada de decisão, o gestor precisa ter como premissa que só é possível gerenciar aquilo que é controlável. Sendo assim, é necessário que o gestor analise os cenários, os tipos de negócios, as receitas, os custos e o resultado a ser alcançado, antes de tomar qualquer decisão. Vale ressaltar que os custos e despesas fixas não se mantêm eternos, ou seja, nunca serão os mesmos valores por muito tempo. Isso porque, por exemplo, as empresas evoluem e podem ter uma demanda po- sitiva fora do normal, o que poderá fazer com que sua capacidade de produção seja ultrapassada. Sendo assim, o limite de gastos pode ser ultrapassado, dei- xando de ser linear. Para fixação, podemos imaginar uma fábrica que não está produzindo, ou seja, está desativada. Mesmo assim, ela possui seus custos e despesas fixas como: segurança, manutenção das máquinas que estão paradas, a depreciação do seu imobilizado, etc. Para que ela volte a funcionar, mesmo com uma capa- cidade de produção baixa, de apenas 5%, haverá a necessidade de pessoas para operarem as máqui- 6 nas, materiais para produzir os produtos, gastos com água e energia entre outros. Tudo isso faz com que o custo fixo aumente de forma significativa. Esse acréscimo pode impactar positiva ou negativamente em relação ao aumento de produção. Na maioria das empresas os custos variáveis estão diretamente ligados ao material utilizado na fabri- cação do produto. Porém, em algumas empresas, não há correlação direta entre consumo e produção. Porém, se pensarmos em mão de obra, que está diretamente ligada à produção, ela pode aumentar de acordo com o aumento de produtos vendidos, mas não exatamente na mesma proporção, pois a produtividade pode aumentar até determinado ponto para depois começar a cair. Por exemplo, se uma determinada fábrica possui 100 pessoas para produzir 6.000 unidades de um produto e leva em torno de cinco horas para se ter essa quantidade produzida, provavelmente os funcionários utilizarão todo o turno de oito horas de trabalho para produzir essa quantidade. Caso a fábrica comece a produzir 7.000 unidades, a mesma quantidade de pessoas irá trabalhar as mesmas 8 horas esse total. Se subir para 8.000 unidades, talvez, pode levar um pouco mais do que isso. Através da análise da relação do custo, volume e lu- cro é possível fazer uma análise de todo o lucro que a empresa conseguiu por níveis de produção e ven- das, e qual está sendo o impacto no lucro se alterar os preços de vendas e/ou dos custos de produção. 7 Essa análise tem como base o custeio direto ou va- riável, muito utilizado para a tomada de decisão e que instrui o gestor na formação de preço, orienta para o mix de produtos a serem produzidos, quais produtos podem ser retirados do processo de fabri- cação, além de analisar de forma precisa como a variação nas vendas está impactando diretamente nos lucros. Consequentemente, o gestor consegue enxergar qual a quantidade mínima de produtos que a empresa precisa produzir e vender para não ter prejuízo. Essa é a premissa do ponto de equilíbrio. Nesse cenário, podemos perceber que os custos e despesas variáveis têm impacto direto nos resulta- dos, pois estão ligados à margemde contribuição do serviço ou produto. Antes de analisarmos o ponto de equilíbrio, se faz necessário termos o conhecimento de qual o custo do produto produzido, qual a capacidade máxima que a empresa consegue operar, quanto de capacidade a empresa tem instalada, qual o valor de venda dos produtos e quais são as despesas variáveis e fixas. 8 MARGEM DE SEGURANÇA E GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL Acesse o Podcast 1 em Módulos No processo de gestão, um dos principais indicado- res é a margem de segurança. Nesse indicador, é de suma importância que o comparativo ocorra por meio de projeções orçamentárias. Para isso, o resultado tem como base a taxa mínima de atratividade, ou seja, qual o retorno esperado por quem vai injetar capital na empresa (investidores). Nesse caso, a taxa mínima de atratividade se baseia no custo de oportunidade do capital, a liquidez e grau de risco. REFLITA A Taxa Mínima de Atratividade é muito utilizada na tomada de decisão de investidores ou empresas, quando analisam diversos potenciais investimen- tos a serem feitos. Independentemente de o investimento ser estraté- gico ou financeiro, a taxa mínima de atratividade é umas das principais premissas para avaliar se ele é atrativo ou não. 9 https://famonline.instructure.com/files/168727/download?download_frd=1 Após definir o resultado que irá ser analisado, po- demos dizer que a margem de segurança é aquela que demonstra, em termos percentuais, o mínimo de receita possível que a empresa precisa ter para que não sofra prejuízo. Sabemos que o ponto de equilíbrio significa o pon- to no qual as receitas pagam as despesas. Sendo assim, quanto maior a distância positiva entre o fa- turamento projetado e o ponto de equilíbrio, maior será a segurança para o negócio, ou seja, maior será a capacidade da empresa de gerar lucro. Se o fatu- ramento projetado estiver mais próximo ao ponto de equilíbrio, maior será o risco do negócio, pois a margem de segurança será menor. A margem de segurança informa se a queda das vendas que pode ocorrer na empresa trará prejuízo. É a diferença entre a efetividade da empresa e o ní- vel do ponto de equilíbrio. Exemplificando, imagine uma empresa que sofreu um problema de mercado e isso atingiu diretamente suas vendas. Na margem de segurança que os gestores conseguirão analisar, qual o percentual máximo aceitável na diminuição dessa receita para a empresa conseguir suportar e pagar seus custos operacionais (tantos fixos quanto variáveis)? 10 ABORDAGEM QUANTO À FORMAÇÃO DE PREÇOS Acesse o Podcast 2 em Módulos Um dos problemas e incógnitas que a empresas mais possuem hoje é como precificar de maneira correta seus produtos, ainda mais com um mundo cada vez mais competitivo. Qualquer alteração, mesmo que seja bem pequena, na precificação de um produto, pode gerar consequências significativas na lucrati- vidade da empresa. Estudos mostram que pequenas decisões podem impactar diretamente os resultados. Em relação ao preço, podemos ter dois pontos: 1. Para as empresas - preço significa a quantidade de dinheiro ($) disponível para aceitar em troca de um produto. 2. Para os consumidores – é a quantidade de dinhei- ro ($) que estão dispostos a pagar por um produto. Com base em custos, percepção de valor e concor- rência, temos as seguintes abordagens para a for- mação de preços: 3. Base em custos: são as empresas que estipulam seus preços de acordo com sua produção. Assim, é esperado que o investidor tenha lucro, de acordo com o que foi investido, lembrando que a receita 11 https://famonline.instructure.com/files/168728/download?download_frd=1 precisa cobrir todos os custos operacionais e ainda gerar lucro. Neste caso, o produto tem um custo e em cima disso é estipulado o preço a ser cobrado. Produto Custo Lucro Consumidor Valor Preço-meta Figura 1: Formação de preços com base em custos. Fonte: adaptada de Kotler 1998, p. 246 4. Base em percepção de valor: existem clientes que focam no valor agregado e não consideram qual o custo dos produtos ou serviços. Sendo assim, as empresas buscam o quanto esses clientes estão dispostos a pagar por esses produtos ou serviços. Com base nessas informações, mais o lucro que os investidores estão buscando, é feita a precificação. Consumidor Valor Preço LucroCusto-metaProduto Figura 2: Formação de preços com base em percepção de valor. Fonte: adaptada de Kotler 1998, p. 246 12 5. Base na concorrência: Nesse tipo de abordagem, os gestores tomam suas decisões de preços de acor- do com o praticado pela concorrência. Nesse caso, eles se baseiam na marca da empresa, que fará com que os clientes comprem ou não seus produtos ou serviços. Caso a concorrência seja a mesma, em ter- mos de valor agregado ao cliente, a diferença será no valor. Nesse caso, os gestores analisam se sobem, descem ou mantêm o valor praticado. Produto Custo Lucro Concorrentes Valor Preço Figura 3: Formação de preços com base na concorrência. Fonte: adaptada de Kotler 1998, p. 246 Assim, o impacto na precificação dos produtos é maior pela concorrência. Os gestores podem escolher qualquer um desses mo- delos, porém é necessário considerar várias premis- sas que têm influência no preço de seus produtos. Por exemplo, qual a percepção de valor pelo cliente, qual o preço praticado pela concorrência, quais são as estratégias da empresa, etc., porém, as decisões financeiras são as que mais impactam na tomada de decisão, como a lucratividade e qual o retorno esperado pelos investidores. Claro que existem pre- 13 missas não controladas em qualquer negócio, mas as decisões com base financeira é o que mais pesa na avaliação do gestor. REFLITA A finalidade do preço de venda dos produtos ou serviços é que através dele seja recuperado para as empresas todos os gastos variáveis e fixos, além da meta estabelecida de lucro pelos acionistas. Transformar despesas fixas em despesas variáveis em função da receita Alguns gestores procuram de forma simples formar os preços de seus produtos ou serviços. Um dos métodos é calcular, em termos percentuais, as despesas fixas sobre as receitas. De forma prática, é o mesmo que fazer um rateio com base em receita. Isso ocorre, pois, dependendo do tipo de empresa e quais produtos ela vende, será complexo seu portfólio de produtos, então ratear a despesa fixa para cada um deles seria inviável. Modelo de preço a prazo Outros gestores entendem que, para calcular o preço a prazo, basta entender qual o preço do produto e fazer a conta dos juros em cima desse valor. Esse formato está errado, pois é necessário se avaliar várias variáveis, como vimos anteriormente. 14 Formação de preços para a indústria A operação de uma indústria é diferente da opera- ção de um comércio, principalmente, o processo in- dustrial. Isto porque na indústria é preciso comprar matéria-prima, estocar essa matéria-prima, depois transformá-la em produto, estocar esse produto (que pode ser acabado ou semiacabado), para depois ven- der. As principais diferenças da indústria em relação ao comercio são: a) Gasto Variável Unitário – enquanto no comercio o gasto variável unitário está atrelado à compra de produtos para depois revendê-los (passando pelo processo com seguros, os fretes, armazenamento, etc.), na indústria há todo um esforço de compra de material (matéria-prima), custos com energia elétrica, material de embalagem, estoque, etc. b) Padronização de produtos – para o comércio, a compra do produto para a revenda não altera o produto, ele acaba sendo o mesmo, já na indústria é necessário que toda matéria-prima seja transfor- mada em um produto padronizado e que esse pro- duto tenha o mesmo gasto. Para isso, é necessária a ficha técnica, que nada mais é do que a relação de todos os custos ($) e quantidades necessárias para se produzir uma quantidade de produtos. Com a ficha técnica, a indústria consegue saber exata- mente quanto está sendo gasto por cada unidadede produto industrializado. 15 c) Custo fixo – enquanto no comercio só se tem despesas fixas, na indústria há tanto as despesas fixas (que são a capacidade de comercialização e administração) quanto os custos fixos (capacidade produtiva). Pelas normas contábeis, é necessário se ter um rateio de custos fixos nos produtos produzi- dos, enquanto as despesas fixas, algumas empresas fazem o rateio aos produtos outras não. Formação de preços para serviços Para o setor de serviço é mais complicado de se ter uma formação de preço correta. Isso porque encon- tramos três problemas: 1. Predefinição do produto Para isso, a empresa precisa fazer um estudo bem elaborado para que consiga estimar o quanto está sendo gasto, principalmente em horas, em cada ati- vidade. Quanto mais ela conseguir detalhar, melhor será para estimar os gastos e riscos envolvidos. 2. Padronização de serviços Tanto no comércio quanto na indústria, não é difí- cil estimar o custo dos produtos porque eles são tangíveis, ou seja, são físicos. Assim, a precisão na elaboração dos custos é mais fácil. Além disso, os produtos são padronizados, o que faz com que o cálculo em escala também seja mais fácil de ser feito. Por mais que possa ocorrer alguma diferença mínima entre um produto e outro, o impacto na pre- cificação é pouco. 16 Quando falamos de serviços, é necessário que se te- nha um padrão, mas essa variação de custo é grande. Para que as empresas consigam ter um resultado mais próximo do real, é necessário que se faça uma média e tente estimar as variações possíveis através dos desvios padrões. 3. Gerenciar a capacidade disponível Quando a empresa contrata um funcionário, ela pas- sa a ter à disposição a quantidade de horas por fun- cionário, o que chamamos de hora-homem, porém ela tem isso disponível, mas se não usar ela não consegue fazer o estoque, ou seja, se o funcionário passar horas sem trabalhar, não é possível estocar essas horas, que já estão sendo pagas, para serem usadas em um momento de necessidade. 17 QUESTÕES TRIBUTÁRIAS Todas as empresas são diferentes e a tributação sobre elas ocorre de acordo com suas atividades. Os valores serão calculados de acordo com o tipo de empresa. Sendo assim, os mais comuns são: ● Imposto e Contribuições sobre Vendas: esses im- postos variam de acordo com a receita da empresa, ou seja, dependem de quanto a empresa fatura para que se calcule um percentual sobre o faturamento. São eles: ○ ICMS ○ PIS ○ COFINS ○ IPI Podemos perceber que esses impostos são conside- rados custos variáveis, ou seja, irão variar de acordo com a receita da empresa. � IR – Imposto de Renda � CSLL – Contribuição Social Sobre o Lucro Esses impostos se enquadram em dois tipos de em- presas, a que possui lucro real e a que possui lucro presumido. ○ Lucro Presumido – O lucro presumido é quando o governo estipula, de acordo com o tipo de empresa, 18 qual será o seu faturamento para que se calcule o Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social Sobre Lucro (CSLL) para ser pago. ○ Lucro Real – Após a empresa calcular seu lu- cro real, é calculado o Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social Sobre Lucro (CSLL) para ser pago. Há também o caso de empresas que estão enquadra- das no Simples. O Simples Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresa e Empresas de Pequeno Porte foi instituído em 1996 e o enquadramento é para alguns tipos de pessoas jurídicas. No caso do Simples, os impostos de CSLL, COFINS, PIS e IRPJ são apurados em um único im- posto. Mas isso depende de quanto a empresa fatura. 19 CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DE PREÇOS BASEADA EM CUSTOS De forma simplista e de fácil entendimento, preço é o quanto vale um determinado serviço ou produto, definido com um valor em dinheiro (monetário) que é preciso para que se obtenha um determinado ser- viço ou produto, sendo abordado de duas maneiras: 1. Do ponto de vista da empresa – É o quanto ela está disposta a aceitar para vender um serviço ou produto. 2. Do ponto de vista do cliente ou consumidor – É o quanto ele está disposto a gastar para se ter um serviço ou produto. Infelizmente, muitos gestores só se preocupam em obter lucro com seus produtos, mas é necessário que entendam como precificar esses produtos de forma estratégica. Para isso, a empresa precisa precificar de forma correta seus produtos, de modo a adminis- trar os possíveis desvios causados pelo mercado, direcionando a empresa para uma posição favorável que a faça se manter com seu Market share� CUSTO + LUCRO = PREÇO 20 Dessa forma, os gestores têm uma fórmula simples, mas lógica, deixando o lucro ser um fator muito im- portante na formação de preço, dessa forma, o lucro passa a ser uma premissa muito importante na to- mada de decisão. Os gestores começam a analisar cada produto individualmente e não a empresa como uma coisa só. As empresas sempre buscam a lucratividade para que, assim, elas possam continuar suas operações, conseguindo pagar todos os custos. Porém, para os gestores, o foco é maior no lucro como parte do ne- gócio e não como resultado da operação da empresa. Definição da quantidade a ser vendida Na fórmula demonstrada acima, é necessário que se verifique quantos produtos deverão ser comercializa- dos ou a hora-homem que deve ser vendida. Porém, devido à dinâmica no mundo corporativo, essa apli- cabilidade é difícil de ser conquistada. Mesmo com sistemas tecnológicos avançados, estudos matemá- ticos, conhecimentos econômicos que proporcionam a possibilidade de prever o futuro do mercado, há sempre o risco de se cometer o erro em prever e se atingir o lucro esperado para a empresa. Critério de rateio estabelecido Outro importante aspecto a ser considerado na for- mação de preço é o custo que está diretamente liga- 21 do à sua precificação. As empresas possuem dois custos: 1. Custo variável: São os custos diretamente liga- dos à produção dos produtos, ou seja, acontecem à medida que os produtos são produzidos; 2. Custo fixo: São aqueles que estão ligados a es- trutura da empresa, independem da produção de produtos, mas que precisam ser rateados por pro- dutos produzido. Para fixar o conceito, imagine uma empresa que está operando com sua capacidade de produção em 70%. Caso ela opte por produzir outro tipo de produto, seu custo fixo não irá alterar, mas os preços dos produtos que já são produzidos irão cair. Isso porque o rateio do custo será feito com base em mais itens. Exemplificando: se for incluso mais um produto na linha de produção e não impactar na necessidade de aumento da estrutura, faz com que uma parte dos custos, que eram rateados para um número de produtos, seja rateado agora para mais produtos. Se a empresa trabalha na formação de preço com base nos custos a lógica é que os produtos serão vendidos mais baratos. Porém, mesmo sendo coerente esse raciocínio, dificilmente alguma empresa fará isso. O oposto também ocorre. Por isso, vamos analisar esse exemplo: Vamos imaginar que uma empresa possui cinco ti- pos de produtos (1, 2, 3, 4 e 5), para produzir esses produtos os custos somam R$ 100.000,00, que, di- 22 vidido entre os tipos, resulta em R$ 20.000,00 por produto. Se um produto deixar de ser comercializado, por exemplo o produto 1, o custo deverá ser rateado para os demais. Sendo assim teremos R$ 100.000,00 de custos, divididos por 4 produtos. O resultado será R$ 25.000,00. Se seguirmos o conceito de custos, o resultado está correto, porém o gestor não deve seguir essa lógica pois não faz sentido os demais produtos ficarem mais caros por esse motivo. O correto é que seja analisado o custo e precificação de cada produto individualmente. Sinergia entre os produtos Sem olhar de forma financeira, é necessário que os gestores tenham em mente que alguns produtos podem interferir nas vendas de outros, podendo ser de maneira muito positiva. Muitos produtos precisam de outras vendas para queeles possam ser vendidos. Muitas vezes, alguns produtos de consumo mais constantes podem até não gerar lucro ou, até mesmo, trazer prejuízo, mas esses produtos podem fazer com que o consumidor se dirija ao estabelecimento e, assim, compre outros produtos. A área de marketing nomeia isso como produto isca, ou seja, o cliente vai comprar o produto mais barato e acaba adquirindo outros produtos que trazem lucro à empresa. 23 Preço X Prazo (gestão de capital de giro) A maioria das empresas que possuem problemas financeiros, que inclusive podem chegar à falência, tem como principais causas desse cenário a falta de planejamento e de gestão do capital de giro. Um dos pontos mais complicados e de difícil entendi- mento dos gestores é o capital de giro. Porém, antes de falarmos desse assunto, vamos revisar como é constituído um balanço patrimonial. Simplificando, o balanço patrimonial é composto por dois grandes grupos: a) Ativo b) Passivo No ativo estão demonstrados todos os bens e direi- tos que a empresa possui, já no passivo estão todas as obrigações (isso inclui os terceiros e os sócios da empresa). O total representado no ativo e no passivo são iguais. Mas por que são sempre iguais? Se perguntássemos a um contador, ele informaria que para cada débito há sempre um crédito correla- cionado. Essa afirmação está diretamente relaciona- da à metodologia, portanto não está errada. Se analisarmos de um modo econômico, podemos entender da seguinte forma: 24 ● O Ativo: considera os bens e direitos da empresa, lugar onde os recursos estão sendo aplicados. As empresas conseguem gerar riquezas e precisam aplicar esse dinheiro de tal forma que a geração seja cada vez maior. ● O Passivo: considera as dívidas das empresas, ou seja, sua fonte de financiamento. Nele está re- presentado como a empresa está se financiando, isto é, de onde ela está conseguindo os recursos para aplicá-los. Essa captação de dinheiro pode ser através dos sócios (que estará demonstrado no pa- trimônio líquido), bancos, fornecedores e até governo (através de pagamentos de impostos a prazo). Muitas vezes fica inviável identificar nas linhas do ativo quais são as linhas no passivo que estão dire- tamente ligadas, mas é de fácil entendimento que tudo que está no passivo está aplicado no ativo. Realizar o planejamento e a gestão de ativos, princi- palmente a longo prazo, é algo simples de se fazer. Vamos a um exemplo: Para montar uma padaria em sua cidade, você esco- lhe um ponto comercial e inicia as negociações com fornecedores para que se possa planejar o quanto será investido. Durante o processo, o investimento irá se manter até o limite da capacidade instalada, sofrendo apenas a depreciação, manutenção e repo- sição. A maior dificuldade será no planejamento e na gestão do capital de giro, visto que todo o processo é dinâmico. 25 O capital de giro é tratado como um conjunto de contas de curto prazo operacional, ou seja: Duplicatas + Estoque = Capital de Giro A fonte do capital de giro será os fornecedores, que são chamados de fonte natural ou não onerosa. Já o resultado chamamos de capital de giro líquido. O ciclo operacional e o ciclo financeiro das empre- sas sempre estarão relacionado diretamente com o capital de giro. Para entendermos melhor, o ciclo operacional significa toda soma de estoque e rece- bíveis, já o ciclo financeiro é todo o ciclo operacional – o prazo de pagamento dos fornecedores. 26 NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO Para se calcular a necessidade de capital de giro, podemos usar o exemplo abaixo: Imagine que você tenha uma loja de roupa e essa loja vende R$ 1.000,00 por dia, porém ela demora 30 dias para receber essas vendas. Considerando um mês (30 dias), qual será o acúmulo da loja em duplicatas a receber? Considerando as informações acima, a loja terá sem- pre um valor de R$ 30.000,00 em duplicatas a receber (R$ 1.000,00 x 30). Seguindo esse raciocínio, para termos o valor de du- plicatas a receber: (Faturamento Bruto Estimado / 360) x Prazo Médio de Recebimento das Vendas = Duplicatas a Receber Imagine que você pretende faturar R$ 300.000,00 e o prazo de recebimento médio é de 90 dias. Usando a fórmula temos: (300.000,00 / 360) x 90 = Duplicatas a receber 833,33 x 90 = Duplicatas a receber 75.000 = Duplicatas a receber 27 Sendo assim, caso suas premissas estejam corre- tas, o valor médio de duplicatas a receber será de R$ 75.000,00. Para estimarmos o valor de estoques, também usa- remos as médias de faturamento. Para esse cálculo usamos a seguinte fórmula: (Custo / 360) × Prazo médio de renovação dos estoques = Estoques Imagine que para R$ 300.000,00 de faturamento, você estima que o custo seja de R$ 150.000,00 e que o tempo que você deixa o produto estocado seja de 60 dias. Calculando, conforme a fórmula, temos: (150.000,00 / 360) x 60 = Estoques 416,67 x 60 = Estoques 25.000,00 = Estoques Sendo assim, caso suas premissas estejam corre- tas, o valor médio que temos em estoque é de R$ 25.000,00. Assim, temos um investimento médio de R$ 75.000,00 (duplicatas a receber) e um investimento em estoques de R$ 25.000,00, ou seja, o investimento médio em capital de giro será R$ 100.000,00 28 Nos falta agora o quanto iremos ter de financiamento médio com os fornecedores. Para esse cálculo usamos a seguinte fórmula: (Compras / 360) × Prazo médio de pagamento das com- pras = Fornecedores Com a mesma premissa da média de faturamento, imagine que no planejamento do próximo ano da em- presa está um valor total de compras de R$ 90.000,00 e que o prazo de pagamento aos fornecedores é de 25 dias: (90.000 / 360) x 25 = Fornecedores 250 x 25 = Fornecedores 6250 = Fornecedores Sendo assim, caso suas premissas estejam corre- tas, o valor médio que os fornecedores financiarão a empresa será de R$ 6.250,00. Com isso, se o investimento médio em capital de giro é de R$ 100.000,00, sendo financiado R$ 6.250,00 pelos fornecedores, resta saber quais são as fon- tes que financiarão a diferença de R$ 93.750,00 (R$ 100.000,00 – R$ 6.250,00), que chamamos de capital de giro líquido. O capital de giro líquido poderá ser financiado pelos sócios, quando será necessário aplicarem recursos 29 na empresa ou por empréstimos de terceiros (ban- cos, financeiras, etc.). A decisão do gestor terá que ser com base no recurso disponível e oportunidade. Veja que em todos os cálculos é enfatizado “caso suas premissas estejam corretas”, pois é de suma importância o planejamento em todos os cálculos. Caso alguma dessas premissas seja mudada, o im- pacto na tomada de decisão é direto. Imagine que o prazo de pagamento de fornecedores seja menor 10 dias, o resultado seria bem diferente. No planejamento do próximo ano da empresa está um valor total de compras de R$ 90.000,00 e o prazo de pagamento aos fornecedores é de 10 dias: (90.000 / 360) x 10 = Fornecedores 250 x 10 = Fornecedores 2500 = Fornecedores Sendo assim, ao invés do valor médio de R$ 6.250,00 que os fornecedores financiariam a empresa, o valor será de R$ 2.500,00. É de suma importância que para a empresa ter um crescimento sustentável, é necessário que ela rea- plique na própria empresa uma parte dos lucros, de forma que ela financie seu próprio crescimento. 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS Mesmo com o mercado cada vez mais competitivo, em que as empresas buscam crescer mais em mer- cados cada vez menores, em que clientes estão mais exigentes e os preços são mais competitivos, é de suma importância que os gestores tenham a gestão de custos como ótima aliada na tomada de decisão. Nesse cenário, os gestores se veem pressionados a trabalhar sempre por resultados. Antes de se pre- ocuparem com lucro, é preciso que busquem não ter prejuízos. Para isso, o foco deve ser sempre em três pilares: 1. Determinar o faturamento necessário para que os custos operacionais sejam pagos, ou seja, se alcance o ponto de equilíbrio; 2. Aferição de resultados,de forma que passado o ponto de equilíbrio, saiba qual é o ponto esperado para se conseguir o lucro esperado, ou seja, a mar- gem de segurança; 3. Maximização de resultados, atingindo assim o grau de alavancagem operacional (GAO). 31 SÍNTESE • Abordagem quanto à formação de preços: • Transformar despesas fixas em despesas variáveis em função da receita; • Modelo de preço a prazo; • Formação de preços para a indústria; • Formação de preços para serviços; • Questões tributárias; • Considerações sobre a formação de preços baseada em custos; • Definição da quantidade a ser vendida; • Critério de rateio estabelecido; • Sinergia entre os produtos e preço x prazo (gestão de capital de giro). • Margem de Contribuição por Unidade de Fator Limitante: • A correlação entre margem de segurança e grau de alavancagem operacional. PRINCÍPIOS DA FORMAÇÃO DE PREÇOS Neste módulo, estudamos: • Margem de Segurança: • Conceitos, princípios e fundamentos da relação custo, volume e lucro. Referências Bibliográficas & Consultadas BERNARDI, L. A. Formação de preços: estratégias, custos e resultados. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. [Minha Biblioteca] BRUNI, A. L; FAMÁ, R. Gestão de custos e forma- ção de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. [Minha Biblioteca] CRUZ, J. A. W. et al� Formação de preços: mercado e estrutura de custos. Curitiba: InterSaberes, 2012. [Biblioteca Virtual] MARTINS, E. Contabilidade de custos� 11� ed� São Paulo: Editora Atlas, 2018. MEGLIORINI, E. Custos: análise e gestão. 2. ed. São Paulo: Editora Pearson, 2007. NAGLE, T. T. Estratégia e táticas de preço: um guia para crescer com lucratividade. 4. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2007. [Biblioteca Virtual] PADOVEZE, C. L.; JUNIOR, F. K. T. Custo e preços de serviços: logística, hospitais, transporte, hote- laria, mão de obra, serviços em geral. São Paulo: Atlas, 2013. [Minha Biblioteca] SARDINHA, J. C. Formação de preços: uma abor- dagem prática por meio da análise custo-volume- -lucro. São Paulo: Atlas, 2013. [Minha Biblioteca] VANDERBECK, E. J.; NAGY, C. F. Contabilidade de custos. São Paulo: Cengage Learning, 2011. VARTANIAN, G. H.; NASCIMENTO D. T. O método de custeio pleno: uma abordagem conceitual. VI Congresso Brasileiro de Custos. São Paulo, 1999. Disponível em: https://anaiscbc.emnuvens.com.br/ anais/article/view/3170. Acesso em: 17 out. 2019. VICECONTI, P. E.; NEVES, S. N. Contabilidade de Custos: um enfoque direto e objetivo. 7. ed. São Paulo: Frase Editora. 2003. WERNKE, R. Análise de custos e preços de ven- da: ênfase em aplicações e casos nacionais. São Paulo: Saraiva, 2005. [Minha Biblioteca] YANASE, J. Custos e formação de preços: impor- tante ferramenta para a tomada de decisão. São Paulo: Trevisan Editora, 2018. [Minha Biblioteca] https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/3170 https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/3170 Introdução Relação Custo, Volume e Lucro Margem De Segurança E Grau De Alavancagem Operacional Abordagem quanto à formação de preços Transformar despesas fixas em despesas variáveis em função da receita Modelo de preço a prazo Formação de preços para a indústria Formação de preços para serviços Questões Tributárias Considerações sobre a formação de preços baseada em custos Definição da quantidade a ser vendida Critério de rateio estabelecido Sinergia entre os produtos Preço X Prazo (gestão de capital de giro) Necessidade de Capital de Giro Considerações finais SÍNTESE