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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Aula 6 - O professor na educação a distância Introdução O foco principal desta aula é discutir a atuação do professor na Educação a distância. Como estudante deste curso, você tem um maior contato com o chamado tutor (presencial e a distância), que aqui preferimos chamar de professor-tutor e que, em linhas gerais, é o profissional que o orienta diretamente durante o seu processo de ensino/aprendizagem. No entanto, devido às especificidades de um curso de Educação a distância; para sua construção e funcionamento, existem diferentes profissionais, docentes ou não, importantes e necessários, que serão apresentados e discutidos também nesta aula. Sendo assim, antes de focarmos nossos estudos especialmente no papel do professor-tutor, conheceremos um pouco sobre a estrutura de um curso de graduação na modalidade de Educação a distância e os seus diferentes profissionais. A educação a distância na educação superior Conforme verificado na Aula 4, os primeiros indícios da Educação a distância no Brasil datam do início do século XX. No entanto, os cursos de graduação, nesta modalidade, possuem uma trajetória que podemos considerar ainda recente em nosso país. Atualmente, estamos vivenciando um importante período da Educação superior à distância, momento pelo qual outros países, principalmente os da Europa, já passaram com o surgimento das grandes universidades a distância. Conforme você leu na Aula 3, uma das universidades percussoras da EAD foi a Universidade Aberta do Reino Unido, que se estabeleceu como instituição integralmente autônoma, oferecida exclusivamente na modalidade a distância, ou seja, não estava ligada às universidades tradicionais já existentes no Reino Unido, sendo autorizada, inclusive, a conceder seus próprios diplomas. Você sabia? O termo Aberto tem origem política. No Reino Unido (Inglaterra), o ingresso no ensino superior era muito limitado, principalmente para os filhos das classes operárias. Portanto, a criação da Universidade Aberta (Open University), constituiu-se numa decisão política de um governo liderado por um Partido Trabalhista, como forma de criar oportunidades e acessibilidade para essa parcela da população (MOORE e KEARLEY, 2007). Já segundo Peters (2006), a fácil aceitação dessa denominação ocorreu devido à discussão que acontecia naquela época sobre o ensino aberto. A Open University, neste sentido, foi a primeira instituição que apresentou uma forma diferente do tele-ensino (Educação a distância) que se conhecia até então, e esse movimento chamou a atenção de outros governos e universidades do mundo. O sentido de aberto refere-se à aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes acessíveis para qualquer pessoa, no qual ninguém poderia ser excluído, seguindo assim o princípio da igualdade. Rumble (1989), citado por Aretio (2001), complementa que o termo está relacionado à natureza da Educação oferecida, seja presencial ou a distância. Em 1967, o autor alemão chamado Otto Peters publicou o texto intitulado “Das Fernstudium na Universitaten und Hochschulen”, traduzido como “Ensino a Distância e Produção Industrial”, no qual sugere que a Educação a distância poderia ser comparada à produção de bens industriais. Peters (2006) apresenta uma concepção de ensino industrializado para a Educação a distância da época, pois com o surgimento das grandes universidades nesta modalidade, cursos que até então eram elaborados por professores, individualmente, para determinado número de estudantes passaram a ser elaborados por especialistas, produzidos em massa e distribuídos de forma padronizada para um grande quantitativo de estudantes. Portanto, os cursos dessas universidades eram planejados numa perspectiva macro para um grande quantitativo de estudantes, a partir da divisão do trabalho em fases (planejamento, desenvolvimento, distribuição, exposição, assistência e avaliação). Nesta lógica, as tarefas eram realizadas por diferentes profissionais e em momentos distintos: uma equipe escrevia o material didático e as avaliações, os tutores ajudavam os estudantes com relação às suas dúvidas, e outra equipe participava da correção das avaliações, ou seja, não existia interação entre os envolvidos no processo de ensino/aprendizagem. Este mesmo autor destaca que, atualmente, e principalmente com as Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC), surge uma concepção pós-industrial ou neoindustrial de Educação a distância, com uma perspectiva micro, mais descentralizada, na qual os professores universitários passam a ter mais responsabilidades no planejamento desse curso. Além disso, se no ensino industrializado o “produto” era padronizado e produzido em massa, na aprendizagem pós-industrial, é desenvolvido e apresentado pelo computador e atende a um público menor, com mais exclusividade, mais personalizado. Desta forma, a concepção de um ensino pós-industrializado, quando analisada a partir da realidade das atuais universidades a distância, tem relação direta com seus processos de trabalho, ou seja, com a sua estrutura e organização Além disso, nas relações de ensino e aprendizagem, já se admitem formas mais flexíveis no que tange ao currículo, à comunicabilidade e aos meios tecnológicos, à concepção de autonomia e, principalmente, aos professores envolvidos e suas funções em um curso de graduação a distância. Portanto, a forma como o curso é desenvolvido e, consequentemente, como os envolvidos nesse processo são entendidos incide diretamente na concepção de universidade a distância que se quer formar. Após a criação da Universidade Aberta da Inglaterra, ocorreu um grande crescimento de universidades dedicadas somente à Educação a distância, além daquelas que já tinham tradição na Educação presencial e passaram a incluí-la. Este período também deu início a estudos sobre EAD, que buscavam entender o ensino e a aprendizagem destes estudantes, que inegavelmente se encontravam em um processo com especificidades diferentes daquelas da Educação presencial. O quadro a seguir apresenta algumas das grandes universidades pioneiras da Educação a distância, que existem até hoje. Quem é o professor na EAD? Na Educação presencial, que apesar de também necessitar de profissionais não docentes (técnicos, gestores, pessoal administrativo, etc.), é possível que o professor, sozinho, administre toda a aula, exercendo assim uma “unidocência”. Já a estrutura necessária para a modalidade a distância impossibilita esta unidocência; ao contrário, requer uma “polidocência”, ou seja, pressupõe uma docência coletiva, na qual cada parte é realizada por um profissional distinto (DILL, 2010). De acordo com o documento Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância (2007), apresentado na Aula 5, não existe um único modelo de Educação a distância; os cursos podem apresentar diferentes desenhos, combinações de linguagem e tecnologias. No entanto, em um curso de graduação a distância que atende um grande número de estudantes, é necessária a existência de uma equipe multidisciplinar. Este documento apresenta três categorias indispensáveis: docentes, tutores e pessoal técnico administrativo. Os docentes, de forma geral, são responsáveis pela gestão acadêmica do curso, assim como pela construção do Projeto Político-Pedagógico, pelo currículo, e pela elaboração do material didático. No curso de Pedagogia (Unirio), por exemplo, cada componente curricular possui um professor-coordenadorque, em alguns casos, também foi o professor-conteudista, o especialista responsável pela elaboração do conteúdo, que recebe apoio de outros profissionais (revisores, editores, web designers, desenhistas instrucionais, etc.) para a produção do material didático. Também existem componentes curriculares em que o material didático não é apresentado a partir de textos/artigos indicados pelo professor--coordenador (LIMA, 2010). Geralmente, um professor-coordenador tem como atribuições: 1. elaborar o guia e o cronograma do componente curricular; 2. orientar os professores-tutores em relação ao conteúdoa modalidade foi diversas vezes organizada para atender demandas emergenciais na esfera do trabalho. O fato se deve, também, ao custo menor em relação ao ensino convencional e à possibilidade de atingir um grande número de alunos. Ainda nos anos 90, o número de profissionais da educação atuando no ensino fundamental e médio sem formação adequada era muito grande. Estes números ainda são bastante significativos, tendo em vista o tamanho do país, suas dificuldades geográficas, mesmo com o empenho e o esforço maior dos governos para resolver a questão. Em 1996, mesmo ano da LDB, foi criada, por decreto número 1917, a SEED (Secretaria de Educação a Distância), vinculada ao MEC, com o objetivo de colocar em práticas as ações e projetos educacionais voltadas para educação à distância. A criação da secretaria já constituía um esforço para reforçar a necessidade de ampliar a oferta ao ensino superior a custos reduzidos e até mesmo recuperar o tempo, visto que a utilização da modalidade é bastante utilizada em todo o mundo. Dentre os objetivos da secretaria estavam: • Expansão do ensino a distância em todos os níveis; • Inclusão social com democratização do ensino (acesso, permanência e educação de qualidade para a população mais pobre em todos os cantos dos pais); • Aperfeiçoamento de professores. E é neste quesito que a EaD mais se expandiu, justificando que os maiores números de alunos matriculados estejam nos cursos de licenciatura ou em formação continuada de professores; • Ensino superior a distância. Programa de ampliação de oferta de graduação gratuita e de qualidade; criação do sistema UAB. A Universidade Aberta do Brasil A Universidade Aberta do Brasil (UAB), criada em junho de 2005, não é uma universidade com espaço físico estabelecido, mais sim um consórcio de instituições públicas de ensino superior, cujo ensino seja ministrado através de processos de comunicação a distância. Também tem o objetivo de democratizar a educação superior, interiorizando a universidade, voltada principalmente para licenciatura. Vale ressaltar que o consórcio CEDERJ é o pioneiro no modelo. Nos primeiros anos do consórcio, o alvo era exclusivamente professores das redes públicas; só poderiam se candidatar a uma vaga na universidade professores com o segundo grau Normal, tanto que o nome do curso era Pedagogia para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental (PAIEF). O sucesso da Open University de Londres serviu de estímulo e base para a criação da nossa UAB. Para relembrar, você poderá consultar a Aula 2, História da EaD, o conteúdo sobre a Open University, e a Aula 3, sobre o Consórcio CEDERJ. Resumo • A EaD é regulamentada na nossa segunda LDB 9394/96. Em vários artigos, a possibilidade aparece, mas no artigo 80º, esta possibilidade fica clara; • Neste sentido, houve um grande esforço do poder público a fim de incentivar, desenvolver e fiscalizar a EaD; • O decreto 5622/2005 regulamenta o artigo 80º da LDB, traz o conceito oficial de EaD e fundamenta a criação dos Referenciais de Qualidade para Educação a Distância; • Há muitas definições de políticas públicas, mas elas têm sido definidas e implantadas como resposta do Estado para atender as demandas que surgem a partir dos anseios da população; • É criada, em 1996, a SEED, com intuito de pôr em prática a fiscalização de projetos em EaD; • Dentre as políticas públicas apoiadas pela EaD, estão os projetos Pró- Licenciatura, Proinfo, UAB, E-Tec Brasil, Pró-letramento, Pró--infantil, Plataforma Freire; • Em 2011, é extinta a SEED, com o argumento de que a EaD está suficientemente madura para ser integrada, dentro do MEC, à Secretaria de Educação Básica e Secretaria de Ensino Superior; • Os projetos de EaD são vinculados à Secretaria de Educação Básica e Secretaria de Ensino Superior; • Em janeiro de 2011, a SEED (Secretaria de Educação a Distância) foi extinta pelo MEC; • Os projetos da SEED migraram para Secretaria de Educação Básica ou para a Secretaria de Ensino Superior. • Há um temor, entre pesquisadores da área de EaD, de que a modalidade fique renegada a um segundo plano no MEC, depois da extinção da SEED.e à criação de estratégias, por meio de atividades diversificadas, para auxiliar os estudantes no processo de ensino/aprendizagem; 3. realizar encontros (presenciais e com comunicação via internet) com os estudantes, para esclarecimento de dúvidas acerca dos conteúdos das aulas; 4. elaborar as avaliações a distância e presenciais, podendo contar com a participação dos tutores; 5. participar da correção das avaliações, a fim de acompanhar a aprendizagem dos estudantes. Todos os coordenadores de disciplina fazem parte do colegiado do curso, em que são tomadas decisões acadêmicas e administrativas (LIMA, 2010). Já a função do professor-tutor no curso a distância é primordial, pois suas atividades, desenvolvidas a distância ou presencialmente, contribuem diretamente no processo de ensino/aprendizagem dos estudantes. Geralmente, os cursos de graduação oferecem duas formas de tutoria ao estudante: a presencial e a distância. O professor-tutor presencial é o que se encontra no polo regional e tem contato direto com os estudantes. Por isso, além das orientações relativas ao conteúdo da disciplina, ajudam os estudantes no planejamento e na administração do tempo de estudo, muitas vezes estabelecendo uma relação mais íntima, de parceria (LIMA, 2010). As aulas discutidas nas sessões de tutoria seguem as orientações do cronograma de estudos. Dessa forma, entende-se que o estudante tenha estudado o conteúdo referente àquela semana e não espere uma “aula” presencial, compreendida como uma exposição oral do conteúdo, já que este se encontra no material impresso. Neste contexto, cabe ao professor-tutor instigar os estudantes a relatarem suas dúvidas e dificuldades relacionadas à aula em questão, para que seja estabelecida uma discussão,baseada na troca e no confronto de ideias e reflexões do conhecimento apresentado no material didático (LIMA, 2010). É importante ressaltar que, apesar de extremamente importante, a existência e participação de tutores presenciais em cursos a distância pode ser dispensável, de acordo com sua estrutura e Projeto Político Pedagógico. Geralmente, cursos de aperfeiçoamento, extensão e especialização (latu-senso), são realizados totalmente a distância (on line), na qual a mediação e o contato com os estudantes são realizados pelo professor-tutor a distância, por meio das ferramentas de comunicação de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) que, neste curso, você conhece como Plataforma. Este tutor geralmente é aquele que está na universidade e tem um relacionamento direto com o professor--coordenador de disciplina, tornando-se assim um elo com a tutoria presencial e os estudantes. Estratégias didáticas sobre a atuação do professor-tutor, seja presencial ou a distância: · Planejar e organizar cuidadosamente as informações transmitidas e os contatos com os alunos, presencialmente ou virtualmente; · Motivar o estudante para que ele tenha sempre interesse em aprender, dando-lhe sempre retorno sobre suas dúvidas e participações nas atividades, além de mantê-lo informado sobre seus progressos; · Apresentar conteúdos significativos e funcionais, ou seja, procurar relacionar os conhecimentos apresentados no material didático com os que fazem parte da experiência de vida dos estudantes. · Estimular a participação ativa dos estudantes, assim como a autoavaliação, já que são sujeitos do conhecimento e corresponsáveis pelo processo de ensino/aprendizagem; · Fomentar o diálogo por meio dos diferentes meios de comunicação oferecidos no curso, potencializando principalmente a aprendizagem colaborativa entre grupos os estudantes. Alguns teóricos, como Börje Holmberg, Charles A. Wedemeyer e Michael G. Moore, enfatizaram seus estudos no estudante (e suas interações), concebendo-o como centro do processo de aprendizagem. Já Desmond Keegan, Otto Peters, Randy Garrison e John Anderson priorizaram em seus estudos as questões estruturais e funcionais dessa modalidade e como elas podem afetar o processo de ensino e aprendizagem (SABA, 2003 apud LIMA, 2010). Sendo assim, dentro deste grupo de teóricos da EAD, encontramos Michael Moore e o conceito de “distância transacional”, discutido desde a década de 1980. Para esse autor (1986), essa distância transacional não é geográfica, e sim psicológica e comunicacional, tornando-se relativa, de acordo com o diálogo estabelecido por estudantes e professores e a estrutura oferecida pelo curso. Nesse sentido, a distância transacional não é absoluta, pois ela pode variar conformeas condições em que se insere, ou seja, de acordo com o curso e a sua concepção de Educação inserida no contexto do ensino/ aprendizagem. Para Rumble, (1986), citado por Moore e Keasley (2007), mesmo nos sistemas presenciais de Educação, em que estudantes e professores estão no mesmo ambiente, podem existir níveis de distância transacional, uma vez quese transcende a questão física, ou seja, ela vai além da “presencialidade”. Para explicarmos melhor este conceito, pense agora com sinceridade: já aconteceu de você estar presente em uma sala de aula, mas o seu pensamento estar em outro lugar? Se sua resposta foi positiva, podemos dizer que, apesar de estar perto fisicamente, existia uma distância transacional grande entre você, o professor e seus colegas de classe. Ou seja, o conceito de distância transacional nada tem a ver com a presença física, mas com a proximidade estabelecida através do diálogo. Dessa forma, a distância transacional está diretamente relacionada a três variáveis: diálogo, estrutura e autonomia do estudante. Portanto, o diálogo entre estudantes e professores, estudantes e estudantes, a estrutura do programa/curso e a autonomia do estudante incidem no grau da distância transacional do curso. Sendo assim, essa distância transacional varia conforme as concepções e contextos dos programas a distância. Cursos veiculados somente pela mídia impressa ou pela televisão, por exemplo, possuem uma distância transacional maior, já que dificilmente algum diálogo será estabelecido. Portanto, quanto maior o diálogo entre os envolvidos no curso, menor a distância transacional, e, assim, a troca de saberes torna-se possível. Mas como acontece o diálogo na EAD? Este irá acontecer a partir das oportunidades de comunicação existentes no curso, que permitam a relação direta entre seus envolvidos, seja pela linguagem oral ou escrita, seja nos tempos assíncronos ou sincrônos. O diálogo propicia a parceria e pode também se tornar muito interessante quando acontece entre mais de duas pessoas, além do que, várias visões podem ser observadas e discutidas. Na EAD, essa participação colaborativa de grupos é possível por meio de ambientes virtuais e suas ferramentas interativas, assim como as aqui descritas anteriormente. Portanto, o diálogo é indispensável no processo de ensino/aprendizagem na EAD e, por mais que os materiais de estudo sejam elaborados com todos os detalhes pedagógicos para essa modalidade, sem a troca de ideias, a discussão e a posição de opiniões, proporcionarão apenas uma aprendizagem receptiva, sem a participação ativa do estudante, ou seja, sem sua participação! Resumo: Nesta aula, conhecemos um pouco sobre a estrutura de um curso de graduação na modalidade EAD e alguns de seus diferentes profissionais, principalmente o professor-tutor, que possui papel fundamental em um curso de Educação a distância. AULA 7 – O ESTUDANTE NA EDUCAÇÃO Á DISTÂNCIA O Estudante da EAD Os cursos de graduação a distância ou semipresenciais no Brasil, ainda são vistos por algumas pessoas com certo estranhamento. E você, já foi questionado por ser estudante de um curso a distância? Pessoas ainda admiram-se e demonstram certa desconfiança quando você diz que estuda nesta modalidade? Se tais respostas atualmente ainda são positivas, imagine se elas fossem feitas por volta do ano de 2000, quando surgiram os primeiros cursos de graduação a distância no Brasil? Atualmente, traçar o perfil do estudante de um curso superior a distância não é tarefa tão fácil quanto no surgimento desta modalidade, comovimos na Aula 4. Neste período, a EAD destinava-se a instruir a massa trabalhadora com o objetivo de criar mão de obra qualificada para a era industrial. Mais adiante, tornou-se como estratégia para alfabetizar um grande número de brasileiros que a educação presencial não comportaria, e uma alternativa para a integralização do Ensino Fundamental e Médio de estudantes que não puderam concluí-los no período recomendado para sua faixa etária. Em tais cenários, o que predominava era uma educação unilateral, de caráter instrucionista, ou seja, o estudante recebia o conhecimento/conteúdo, mas não havia interação, troca. Portanto, a história nos mostrou que a EAD no Brasil teve um percurso inicial que a caracterizou como uma estratégia paliativa para a educação de base que não foi possível de ser oferecida a todos os cidadãos. Foi subentendida e era considerada como secundária ou inferior. Tal cenário apresentava-se dessa maneira devido ao pouco incentivo e descontinuidade de projetos governamentais nesta área, acrescido ainda pela falta de normas legais que a oficializasse, definisse e regulamentasse. E atualmente? Este cenário mudou? Esta herança no Brasil ainda tem peso no que diz respeito a sua credibilidade e constituição no cenário atual; no entanto, a partir da sua formalização, em 1996, com a promulgação do da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), de n° 9.394 (art.80), esta modalidade tem se consolidado como importante na formação inicial e na continuada. Desta forma, a intenção de utilizar a educação a distância como estratégia e alternativa à educação presencial, que sozinha não comportaria tal demanda, continua, mas agora na educação superior. Contudo, o contexto agora é diferente, há uma busca pela estabilidade desta modalidade, tendo como princípio a qualidade no processo de ensino--aprendizagem. Além disso, nos encontramos em um momento em que, cada vez mais, “o presencial” e o “a distância” se fundem, com cursos a distância que valorizam momentos presenciais de troca e cursos presenciais que possuem disciplinas que utilizam Ambientes Virtuais de Aprendizagens (AVA). A combinação das modalidades presenciais e a distância são previstas na legislação: • A portaria 4.059/2004 permite que cursos de graduação presenciais ofereçam disciplinas que utilizam a modalidade semipresencial, desde que sua oferta não ultrapasse 20% (vinte por cento) da carga horária total do curso (art.1, parágrafo 2). • O decreto 5.622/2005 determina quatro momentos presenciais obrigatórios na educação a distância: avaliações de estudantes; os estágios e as defesas de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na legislação pertinente; e as atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o caso (art.1°, I, II, III, IV). E o estudante da EaD? É fato que, com o passar dos anos, seu perfil tem se tornado mais heterogêneo do que homogêneo, ou seja, mais diversificado, principalmente na educação superior. Passamos a receber alunos mais jovens, recém-saídos do Ensino Médio, que buscam uma formação inicial; também há alunos que já trabalham e possuem uma profissão, mas buscam um título que não conseguiram adquirir anteriormente; há ainda alunos que buscam um segundo título; e também aqueles que buscam conhecimento, que optaram pelo estudo mediado a distância para seu aperfeiçoamento. Por mais que o perfil do estudante da educação a distância esteja se modificando, diferente da educação presencial que tem seu início na infância, no Brasil, de um modo geral, seu público tem início na juventude até a fase adulta, sem um limite de idade. Moore e Kearsley (2007) destacam que, ao contrário das crianças que são dependentes de um professor, os adultos apreciam sentir algum controle sobre o que está acontecendo, bem como tomar suas próprias decisões, pois possuem experiências de vida e gostam de utilizá-las como recurso para o aprendizado; diferente das crianças que adquirem conhecimento para o futuro, os adultos os utilizam para resolver problemas no presente; as crianças necessitam de motivação externa do professor, os adultos possuem motivação intrínseca, ou seja, estudam por vontade própria, tendo como estímulo seus interesses e busca de realizações. Em uma pesquisa realizada por Aretio (1987 apud ARETIO, 2001), foram destacadas algumas motivações que levam as pessoas a estudarem em cursos superiores na modalidade a distância: a) aprender para satisfazer necessidades e inquietudes; b) aprender para ser mais culto e estar mais informado; c) aprender para aumentar as perspectivas de promoção relacionadas a questões profissionais; d) aprender para obter um título; e) aprender para aplicar determinado conhecimento e atualizar-se. O estudante de um curso a distância necessita ter um alto grau de independência, organização e dedicação sobre sua aprendizagem; porém, de forma alguma, deve estar sozinho nesse percurso. Pelo contrário, precisa do apoio do professor/tutor e da troca de conhecimento com outros alunos, principalmente quando nos referimos a um curso superior de formação inicial. Essa “busca” envolve as posturas de professores e alunos e a forma como o ensino-aprendizagem acontece. Na EAD há uma substituição da prevalência da interação realizada pela comunicação oral e face a face, pela que acontece por meio da escrita e leitura. Etsa interação, na maioria das vezes, não acontece espontaneamente, mas é planejada, testada e avaliada com base nos objetivos e metas propostos. Os autores Moore e Kearsley (2007) destacam que a eficácia desta modalidade depende da compreensão da natureza da interação do estudante e de como ela é facilitada pelas tecnologias. Os autores destacam três tipos de interação na educação a distância: Interação estudante e conteúdo – é a interação com o conteúdo pré-determinado e planejado para o curso/disciplina, que necessita também da mediação do professor-tutor. No entanto, é necessária uma inserção pessoal de dedicação e compreensão do aluno em relação ao conteúdo apresentado. Interação estudante e Professor-tutor - a interação com o professor--tutor em cursos a distância é desejável e deve ser estimulada ao máximo. Este profissional deve estimular a interação do estudante com o conteúdo, ajudando-o a compreendê-lo, e se for o caso, aplicá-lo na prática. Interação estudante-estudante - este tipo de interação é estimulante e motivador para a aprendizagem dos estudantes da educação a distância, pois permite a troca e a discussão dos conhecimentos apresentados no material didático. A interação física é importante, mas nem sempre possível, e com a inserção cada vez mais das novas tecnologias, as barreiras físicas e temporais são ultrapassadas, possibilitando interações virtuais entre grupos de estudantes. A autonomia do estudante da EAD Você se recorda do conceito de “distância transacional” que abordarmos na aula anterior? Pois então, essa distância tem a ver com a proximidade estabelecida no processo de ensino-aprendizagem entre professores-tutores/alunos e alunos/alunos e não com a distância física, e está diretamente relacionada a três variáveis: diálogo, estrutura e autonomia do estudante. Segundo Moore e Kearsley (2007), semelhante à estrutura e ao diálogo, o grau de autonomia varia conforme as condições que são oferecidas pelo curso ao estudante. Uma maior distância transacional é ocasionada por menos diálogo e mais estrutura, ou seja, por cursos planejados, “fechados”, que oferecem poucas possibilidades de diálogo entre seus envolvidos, exigindo assim do estudante maior “responsabilidade” sobre seus estudos. Mas será que cursos com esta estrutura realmente estimulam a autonomia? E o que seria autonomia do estudante no contexto da EAD? De acordo com Moore (1993), na década de 1970, a educação a distância era dominada pela tradição behaviorista, que valorizava o controle do processo de ensino e aprendizagem apenas por parte do professor, baseada em objetivos comportamentais e numa instrução sistematizada. Oposta a esta concepção, também desse período,existia a tradição humanista, que defendia o diálogo não estruturado, aberto, entre professor e estudante. Para este autor, seu trabalho intitulado A autonomia do aluno - a segunda dimensão da aprendizagem independente, do ano de 1972, representou uma fusão dessas duas tradições na educação a distância, ao afirmar que a educação por correspondência (a denominação educação a distância não era tão difundida nesta época), não poderia limitar o potencial das habilidades dos alunos em compartilharem responsabilidade por seus próprios processos de aprendizagem. Atividade 2 1) A partir das considerações até aqui apresentadas sobre a autonomia do estudante na EAD, voltamos ao questionamento feito anteriormente: Cursos com estrutura “fechada”, com moldes apenas no ensino industrializado, estimulam a autonomia? Justifique sua resposta. Resposta: A resposta é não, pois a autonomia na EAD é um processo que não é individual, solitário, mas de parceria entre todos os envolvidos em um curso. Somos “herdeiros” de uma educação presencial, que de uma forma geral, foi baseada (e muitas vezes ainda é) numa educação expositiva e receptiva, na qual o aluno dependia exclusivamente do professor para adquirir determinado conteúdo, fomos pouco (alguns nem um pouco) estimulados a buscar o conhecimento, muito menos questioná-lo, discuti-lo com o outro. Ao chegar na universidade, e principalmente na modalidade a distância, por mais que o curso preveja as dificuldades que o aluno poderá ter com um bom material didático, não é possível exigir que o aluno seja o único responsável pelo processo de ensino--aprendizagem. Peters (2006, p.96) considera que a autonomia precede a contínua confrontação com o outro e a realidade, e “esse processo dialético pode perfeitamente levar a diferentes graus e conformações do estudo autônomo”. O aluno autônomo não é solitário, e apesar de “sozinho” tem condições para entender determinado conceito apresentado no material didático. Será a partir da troca com seus professores/tutores e colegas, que esse conhecimento poderá ser refletido, transformado, reconstruído. Conclusão: Quando cursos oferecem uma aprendizagem fortemente estruturada/fechada, em que os caminhos já estão traçados, pouco se estimula o diálogo entre estudantes e professores/tutores, uma vez que não há muitas “brechas” para a construção de novos objetivos, de novas formulações, do “não pronto”, tornando-se um ambiente de aprendizagem receptivo, sem problematizações, ao contrário do dialógico e dialético, que possibilita a autonomia dos estudantes. Para Lima (2010), professores/tutores/coordenadores devem mediar atividades que estimulam a autonomia através da problematização, da pesquisa, da interpretação, da experiência do aluno, do desejo pelo conhecimento, além de um pensar crítico sobre o conteúdo e a criação de ideias. AULA 8 - O Material Didático para cursos na modalidade de Educação a Distância. Você já parou para pensar sobre a maneira como o material didático que recebeu é elaborado? E qual seria a importância dele para você? Por que ele precisa ser diferente do material didático empregado num curso presencial? Muitas perguntas! Mas não se apresse em responder a elas; durante a aula, você encontrará as respostas. Para começar, podemos dizer que o material didático é um item fundamental na Educação a Distância (EaD), pois é através dele que haverá o diálogo entre todos os membros desse processo educacional. Podemos chamar esses membros de atores da educação a distância. Temos: • Coordenador de Polo à Ele tem várias atribuições; dentre elas, divulgar os cursos; manter a infraestrutura do polo funcionando (tanto a parte física quanto os profissionais). Precisa ser um profissional engajado e atuante, pois a sua postura também é fundamental para que tudo dê certo e os cursos tenham sequência; • Coordenador de Curso à É responsável por implantar e executar o Projeto Político Pedagógico (PPP) de um curso na modalidade a distância. Seleciona os professores-tutores que farão parte da sua equipe. Promove reuniões pedagógicas com outros alunos; • Professor-conteudista/Especialista à É responsável por produzir o material didático de acordo com as especificações do curso, do cronograma; • Designer Instrucional em EaD à É responsável pela elaboração de conteúdos on-line, dando suporte tecnológico para as atividades pedagógicas, aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs); • Tutor Presencial à Ele tem a responsabilidade de ajudar o aluno nas tutorias presenciais realizadas nos polos, explicando ou tirando dúvidas do conteúdo estudado; • Tutor a Distância à Atua como um mediador junto aos alunos, auxiliando-os através do espaço reservado na plataforma, via e-mail ou telefone. O Material Didático na EaD No início dos cursos em EaD, o material didático era enviado pelo correio e, nesse caso, o material impresso era o mais importante, já que os alunos não tinham acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), (ou não existiam), para conseguir obter o conhecimento desejado. O material didático para um curso em Educação a Distância precisa ser a ponte existente que liga o aluno ao conhecimento, já que não existe a figura do professor para orientá-lo diariamente. Os alunos dessa modalidade, na maioria das vezes, sentem-se sozinhos e, no início de um curso, ficam um pouco “perdidos”. Quando recebem o material didático, estão ansiosos por lê-los. Atividade 1 1) Qual é a importância de um bom material didático para a modalidade a distância? Somente acessando links na Internet, conseguiremos construir um conhecimento sólido? R: Você não pode somente estudar acessando os links que são disponibilizados nas apostilas ou textos de apoio. Eles são importantes, mas você pode agregar leituras a bons livros que correspondam à sua necessidade de aprendizagem; utilizar todas as mídias disponíveis para completar os seus estudos. Características do material didático para EaD Podemos destacar as seguintes características do material didático elaborado para EaD: • Dialogicidade; • Interatividade; • Atividades variadas e contextualizadas; • Acessibilidade e legibilidade. Tipos de materiais didáticos em EaD Como você já deve ter notado, existem alguns tipos de material didático em EaD. Ele pode ser impresso, audiovisual ou multimídia. Material impresso Na modalidade presencial, ele serve de apoio para o professor e, às vezes, não é necessário. Mas, na modalidade a distância, ele é primordial para que o aluno possa interagir com o conteúdo. Como já foi mencionado, o material impresso é o mais usado em cursos de EaD, pois pode ser estudado em grupo ou individualmente, e a sua reprodução tem baixo custo. Em alguns cursos, o aluno lê no tablet, na tela do computador, no celular, e não tem necessidade de imprimi-lo. Material audiovisual Podemos citar como material audiovisual as teleaulas, os documentários, os vídeos de acordo com o conteúdo, os filmes, os telejornais. Com o emprego desse material, é aconselhável que outro seja utilizado pelo aluno, para que ele possa complementar e discutir, fazendo questionamentos ao professor-tutor ou a outro aluno. O fórum pode ser esse material complementar. Material multimídia O material multimídia é composto do texto escrito, do áudio e do visual. Como exemplo, temos o DVD, o CD e o pen drive. Dependendo do curso e da disciplina, ele pode conter jogos interativos, vídeos, avalição e animação. Ele está ligado à internet, redes sociais e aplicativos, que podem ser usados tanto nos celulares quanto nos tablets. Dentro desta classificação, também encontramos o material on-line, que é muito parecido com o material multimídia. Só que ele está disponível na internet, e o aluno pode acessá-lo através dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Conclusão: O material didático é o pilar de um curso na modalidade a distância. Ele é o elo entre o aluno e o professor-tutor. Todos são muito importantes, e seu emprego dependerá da instituição e da equipe pedagógica. Não esquecendo que devem ter uma linguagem clara eobjetiva, pois, como o aluno estudará sozinho, sem o acompanhamento do professor, a sua compreensão precisa ser facilitada através da linguagem empregada. Retornaremos aos tipos de material didáticos na modalidade a distância na próxima aula. Aula 09: As mídias utilizadas em cursos na modalidade de Educação a Distância. Na aula anterior, estudamos o material didático para a modalidade a distância. Falamos das suas características, das premissas para a sua elaboração e os tipos de materiais didáticos existentes em EaD, que são impresso, audiovisual e multimídia (ou o material on-line). Lembra-se deles? Nesta aula, conheceremos as mídias que fazem parte do material didático para um curso a distância e quais são e suas características. Você conhece essas mídias? Por que elas são tão importantes na modalidade a distância? Já ouviu falar em recursos midiáticos? Antes de prosseguir, reflita sobre as perguntas feitas. Provavelmente, você terá outras, mas, durante esta aula, você saberá responder a elas. Na verdade, os recursos midiáticos ajudam na construção do material didático. Podemos citar um filme, um livro, uma revista, um CD e a internet como exemplos desses recursos. Eles favorecem a comunicação entre professor e aluno, além de facilitarem a interdisciplinaridade entre os conteúdos estudados. Quando se fala em recursos midiáticos, os alunos, geralmente, pensam nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), e, consequentemente, no computador e na internet; mas um filme e o próprio livro também são recursos que ajudarão o discente na construção do seu conhecimento. Os tipos de mídias utilizadas em Educação a Distância Existem vários recursos midiáticos que podemos utilizar durante um curso em EaD, mas, para que isso aconteça, é necessário que haja um bom planejamento e que os objetivos sejam bem definidos pelos atores da educação a distância mencionados na Aula 8. Você se lembra deles e das suas atribuições, não é? Se esqueceu, sugiro que retorne à aula e leia sobre eles. Segundo Kenski (2006, p.79), “pensar em atividades que envolvam o uso de mídias impressas é diferente de pensar no uso do rádio, de programas televisivos, de vídeos ou das mídias digitais”. Não devemos incluir uma mídia nas atividades educativas somente por usar, pois você, como aluno, pode ficar “perdido” ou não encontrar motivos para que seja empregada como um recurso a mais. Desde o início da modalidade educação a distância no Brasil, os recursos midiáticos começaram a ser utilizados para que as informações chegassem aos alunos. Eles eram - e são até hoje - o suporte necessário para todos os cursos em EaD. Como exemplo, temos o rádio, a TV e o material impresso. No Brasil, os primeiros cursos foram os técnicos, que eram feitos por correspondência. E como os alunos tinham acesso ao conteúdo ministrado? As apostilas eram enviadas aos alunos pelas instituições de ensino através dos Correios. Eles recebiam o material, estudavam, faziam as atividades e/ou provas e retornavam as avaliações que vinham com as apostilas para as instituições, também através dos Correios. Então, qual era a mídia utilizada neste caso, para você? Se pensou em material impresso, acertou! As instituições elaboravam e confeccionavam as apostilas ou livros e enviavam aos alunos, inclusive com as avaliações. Naquela época, décadas de 60 e 70, era difícil encontrar pessoas que tivessem uma impressora. As respostas eram escritas a caneta nas avaliações. Como a Educação a Distância vem se modificando ao longo dos anos, as tecnologias que fazem parte dela também. De acordo com Pimentel (1999), podemos organizar as tecnologias na evolução da Educação a Distância em: geração textual, geração analógica e geração digital, como são apresentadas na tabela abaixo: Atividade 1 Quais são os recursos midiáticos utilizados no seu curso de Pedagogia, do Cederj? R: Podemos citar o material impresso, chat, fórum, vídeo e a videoconferência, que é usada em algumas disciplinas. Provavelmente, pode ser que você utilize mais algum, pois depende da disciplina, e nem todas utilizam as mesmas mídias. As mídias utilizadas em EaD A seguir, detalharemos as mídias utilizadas em EaD. Podemos citar rádio, material impresso, televisão, telefone, videoconferência, informática, internet, e-mail, AVA e fórum. Rádio O rádio foi criado em 1863 por James Clerck Maxwell, e Henrich Rudolph Hertz aprimorou-o em 1887. Essa tecnologia atingiu todas as localidades do mundo. Ele não é utilizado como meio de transmissão na educação a distância. Segundo Cruz, no modelo da UAB, o rádio não é usado como mídia de transmissão. Mas nada impede que produtos em áudio possam ser gravados e compartilhados nas aulas presenciais ou publicados nos AVAs das disciplinas do seu curso (em arquivos de som). (CRUZ, p.43, 2007). Material impresso ou livro Você já pensou que o livro é considerado uma tecnologia? Quando falamos em tecnologia, somente pensamos na TV e no rádio – que são mídias eletrônicas – ou nos computadores – que são mídias digitais. Mas o livro é uma tecnologia, foi feito de barro, pedra, madeira, folha e, hoje em dia, temos o e-book. O material impresso é um livro ou uma apostila. Se o compararmos com outros recursos, veremos que é uma das mídias mais utilizada em EaD, pois o aluno pode levá-lo, lê-lo/estudá-lo onde quiser. Ele é o recurso principal num curso por correspondência. Como foi dito na Aula 8 (Material Didático para cursos na modalidade de Educaçãoa Distância), em alguns cursos, o aluno pode ler o conteúdo de uma aula no tablet, na tela do computador, no celular, sem ter necessidade de imprimi-lo. Televisão Mídia importante, utilizada nos cursos técnicos a distância. Como exemplo, citamos o Telecurso 2000. O aluno recebia apostilas/livros das disciplinas, estudava, assistia às teleaulas, nas quais as explicações eram dadas através de um programa transmitido na TV, e fazia as provas, que eram aplicadas presencialmente. Recentemente, temos a TV Digital. Segundo Oliveira, Com a finalidade de promover a cultura digital, a TVD visa a trazer benefícios, pela sofisticação de sua interatividade, para as atividades de Educação a Distância (EAD). O t-learning, como foi batizado, possui três atributos, favoráveis para o processo de ensino-aprendizagem, resultantes desta união: personalização, digitalização e interatividade. (OLIVEIRA, 2008, p.1). Telefone É um recurso midiático muito utilizado em EaD, principalmente nos nossos cursos do Cederj. Como ele funciona? Temos um número 0800; o aluno liga e entra em contato com o professor-tutor que estiver de plantão. Muitas dúvidas são sanadas desta forma. CD-ROM / DVD-ROM Também chamados de multimídias, são utilizados no computador. Servem para gravar e guardar informações, aulas, filmes, vídeos, fotos, etc. São muito utilizadas em EaD, como complemento do material impresso. Mas alguns cursos gravam as apostilas em CD-ROM ou DVD--ROM, não utilizando o material impresso. O pen-driver faz parte das multimídias, sendo utilizado como uma ferramenta na EaD. E você poderia dizer como? O aluno pode salvar os arquivos nele, para imprimir em outro lugar ou até mesmo para transferir os dados (aulas, textos, figuras, tabelas) de um computador para outro. Internet De acordo com Medeiros (2004), a internet foi uma das tecnologias de informação e comunicação que mais se destacaram. Na educação a distância, ela e a informática possuem mais recursos para que o aluno possa aprofundar os estudos e, assim, ajudá-lo a desenvolver a sua autonomia, uma das características necessárias para quem estuda nesta modalidade. A informática, junta à internet, possibilita ao professor e ao aluno na modalidade a distância uma maior interação entre si. Videoconferência Existe desde a década de 70, mas, desde o final do século XX, foi amplamente empregada no meio empresarial. Os cursos na modalidade a distância começaram a utilizar esta ferramenta, apesar de não ser com a mesma amplitude que nas empresas. Devemos tomar cuidado com problemas que podem atrapalhar oseu uso. Eis alguns: · É necessário que a plataforma dos cursos em EaD tenha recursos tecnológicos para conseguir uma boa transmissão, senão, teremos problemas técnicos e de conectividade nos polos (em algumas localidades, a conexão com a internet ainda é muito ruim); · A baixa qualidade de som e imagem. É necessária uma boa câmara de vídeo, tanto nos polos quanto nas casas dos alunos. Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) É um programa ou software que utiliza a internet nos cursos no ambiente virtual. Existem ambientes pagos e ambientes gratuitos. Nos cursos do Cederj, é utilizado o Moodle, um sistema gratuito que possui o código aberto. Do ponto de vista avaliativo, os AVAs podem oferecer novas possibilidades de acompanhamento da participação dos estudantes pelo professor e de emissão de feedbacks constantes a eles, além dos feedbacks inerentes às atividades interativas. Os feedbacks, por sua vez, orientam os estudantes no processo de aprendizagem e oferecem subsídios para que eles julguem o seu próprio desenvolvimento. (RODRIGUES, 2011, p.6). E-mail Outra ferramenta importante que tem a finalidade de fazer o professor se comunicar com os alunos (ou vice-versa) e alunos se comunicarem com alunos. Sua forma de comunicação é assíncrona, pois ela não acontece no mesmo momento. Você envia uma mensagem via e-mail e aguarda para receber a resposta. Isso pode levar alguns minutos, horas ou dias. Chat e fórum Ambos fazem parte dos ambientes virtuais. O fórum é uma ferramenta assíncrona (como você leu acima: o tempo de resposta não é imediato). E como ele funciona? Geralmente, o professor-tutor posta um questionamento e os alunos vão se posicionando. Em um fórum, um saber, um conhecimento está sendo construído através do diálogo, da troca de ideias e de experiências. Segundo Rodrigues (2011, p.7), “o fórum de discussão tem sido uma ferramenta valiosa no acompanhamento da aprendizagem dos estudantes, já que possibilita o diálogo e o intercâmbio de ideias entre professores-tutores e estudantes”. Ele é uma ferramenta importante na questão da avaliação, pois o professor pode avaliar como cada aluno interage/participa em cada fórum; como está indo a sua aprendizagem; como faz os questionamentos e as suas respostas e com que frequência participa do mesmo. O chat é uma ferramenta síncrona, como é uma conversa, tem o tempo de resposta imediato. Pode ser usado para o professor tirar dúvidas do conteúdo com os alunos; promover uma discussão sobre determinado tema, ou simplesmente ser um espaço para que alunos e professores “batam papo” e possam se conhecer ou interagirem mais. O professor pode utilizar o chat para analisar o aluno, através de suas respostas, do seu posicionamento e até mesmo da afetividade, pois, como ele é síncrono, o docente pode perceber como está o aluno naquele momento. Quando você está conversando com alguém através de uma rede social, consegue, através do que é escrito ou dos emoticons que são enviados, saber como está esse alguém. Você concorda? Já aconteceu? Pois é; com o professor é a mesma coisa. O professor deve definir o número de participantes no chat, pois, um grande número de alunos participando pode causar “ruídos” na conversa, e ninguém se entenderá. Nas discussões feitas em um chat, novas ideias são criadas, experiências são trocadas e, assim, o conhecimento vai sendo construído. Atividade 2 1) Qual é a importância das mídias em cursos da modalidade a distância? R: Pense se no século em que estamos (séc. XXI), seria possível fazer um curso a distância sem que houvesse uma mídia que pudesse facilitar o seu aprendizado. Elas são de extrema importância. É necessário acompanhar a evolução das tecnologias. 2) Quais são usadas na disciplina de Educação a Distância? R: A maioria utiliza AVA, e--mail, fórum, chat, telefone e videoconferência. 3) Qual você prefere utilizar? R: Na nossa disciplina, utilizamos fórum, e-mail, material impresso e on--line, telefone e AVA. Resumo: Nesta aula, detalhamos alguns recursos midiáticos, ou mídias, como você conhece. Algumas são essenciais para o funcionamento de um curso em Educação a Distância. Você também aprendeu que as tecnologias são classificadas em geração textual (livro, apostila, artigos, ou seja, o material impresso), geração analógica (TV, rádio, telefone, vídeo, nosso material visual ou audiovisual) e geração digital (hipertexto, internet; aqui temos o material multimídia). Aula 10: Avaliação do processo ensino-aprendizagem em Educação a Distância: caminhos a investigar. O que é avaliar a aprendizagem? A avaliação faz parte das ações humanas. Avaliamos por diversos motivos: para diagnosticar, para tomar decisões, para repensar alguma ação em seus objetivos, entre outras finalidades. No âmbito pessoal, desde o momento em que acordamos até o momento em que vamos dormir, estamos avaliando e tomando decisões, tais como decidir comprar ou não um novo eletrodoméstico, ir ao mercado ou à padaria para comprar pão ou decidir passar as férias na praia ou na montanha. Na educação formal, avaliamos instituições e seus projetos, avaliamos a aprendizagem dos estudantes. Prática permeada de subjetividade e complexidade, a avaliação apoia-se sempre em determinadas concepções e valores, denotando intenções e finalidades diversas (Nunes, 2012). Ela é regulada por respectiva legislação, como veremos mais adiante, e abrange: • as instituições; • os projetos; • a aprendizagem de estudantes. A avaliação é uma prática complexa, pautada em concepções e valores. Algumas práticas se articulam com a concepção de que o conhecimento deve ser medido por meio de testes e provas. Outras práticas se propõem a considerar os diferentes modos de aprender. Sendo assim, elas podem basear-se em intenções e finalidades distintas, sempre coerentes com as concepções de ensino e de educação que se consolidam em um determinado contexto. Por exemplo, ao longo de um bimestre em que se objetive focalizar diferentes conteúdos temáticos, um professor de História pode ter as seguintes intenções em relação ao estudante: • avaliar a capacidade de apropriação desses conteúdos; • avaliar a capacidade de articulação desses conteúdos com outras áreas de conhecimento (Geografia, Antropologia, etc.) com a realidade que o rodeia; • avaliar a sua criticidade frente ao conteúdo temático abordado. Como já estudamos na Aula 2, as tecnologias de informação e comunicação, cada vez mais, vem provocando mudanças nos modos de pensar e fazer humano, especialmente no universo educacional. Nesse contexto, o trabalho docente passou a ser afetado pelas novas possibilidades educativas decorrentes do uso dessas tecnologias. Relembramos, mais uma vez, que os meios tecnológicos não são, a priori, tecnologias educativas, mas podem vir a ser qualificados para tais funções a partir do uso que fazemos deles. O fator humano é o principal elemento impulsionador de mudanças significativas em relação aos modos de pensar, ser e fazer educação mediada por tecnologias. Naturalmente, tais mudanças ocasionaram novos modos de conceber e compreender o processo de avaliar a aprendizagem, com vistas à superação de algumas práticas avaliativas que, até os dias de hoje, continuam sendo realizadas, tanto nos ambientes presenciais, como nos ambientes a distância. O fato é que a avaliação nos contextos educacionais constitui uma atividade complexa e muito importante, se o que temos em mente é promover a aprendizagem e não meramente exigir a memorização e reprodução de conteúdos curriculares descontextualizados por meio de provas e exames. Atividade 1 1) De acordo com sua experiência acadêmica, liste, a seguir, algumas características de uma das práticas avaliativas vivenciada por você na escola básica e encontrada no vídeo acima recomendado. R: Registrar o que sabia sobre um determinado tema antes de iniciar uma investigação e estudo sobre ele; Realizar atividades individuais e/ou em grupo na sala de aula e/ou em casa para verificar o que aprendeu dos conteúdos temáticos focalizados em aula; Realizar pesquisasou projetos em grupo para solucionar desafios, problematizar, investigar e registrar sua aprendizagem sobre determinados temas e apresentá-los ao final do período. Esses são apenas alguns exemplos de práticas avaliativas que podem ter feito parte de sua vida acadêmica. Avaliação somativa como verificação do produto do conhecimento Este tipo de avaliação preocupa-se preponderantemente em averiguar o produto do conhecimento, quantificando o conteúdo retido e classificando e rotulando o estudante de acordo com o que sabe e o que não sabe, utilizando para tanto instrumentos avaliativos objetivos e padronizados para o atendimento das exigências burocráticas dos sistemas e instituições de ensino. Essa prática avaliativa reflete uma abordagem educacional predominantemente conteudista, ou seja, baseada na memorização e reprodução de conteúdos, que se manifesta, por vezes, com base na aplicação de provas nos momentos presenciais obrigatórios e determinados pelas instituições de ensino e pela própria legislação em vigor (MEC, 2005). Tal proposta assume, dessa forma, “ares de evolução” nos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) pelo uso de recursos tecnológicos avançados, mas que reproduzem instrumentos baseados somente no produto da aprendizagem, deixando de lado o acompanhamento do processo formativo do estudante como um todo, ou seja, deixando de captar o seu percurso de aprendizagem. Para compreendermos melhor a forma pela qual a avaliação da aprendizagem é concebida na modalidade a distância, destacamos um dos documentos que normatizam e explicitam sua forma de aplicação, o Decreto 5622/2005: “Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. § 1o A educação a distância organiza-se segundo metodologia, gestão e avaliação peculiares, para as quais deverá estar prevista a obrigatoriedade de momentos presenciais para: I - avaliações de estudantes; I - estágios obrigatórios, quando previstos na legislação pertinente; III - defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na legislação pertinente; e IV - atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o caso. [...] Art. 4o A avaliação do desempenho do estudante para fins de promoção, conclusão de estudos e obtenção de diplomas ou certificados dar-se-á no processo, mediante: I - cumprimento das atividades programadas; e II - realização de exames presenciais. § 1o Os exames citados no inciso II serão elaborados pela própria instituição de ensino credenciada, segundo procedimentos e critérios definidos no projeto pedagógico do curso ou programa. § 2o Os resultados dos exames citados no inciso II deverão prevalecer sobre os demais resultados obtidos em quaisquer outras formas de avaliação a distância. [...] Outro documento normatizador da EaD que traz uma concepção de avaliação articulada ao enfoque anteriormente apresentado é o Referenciais de Qualidade para a Educação Superior a Distância (MEC, 2007), apresentado anteriormente, lembra-se? Na educação a distância, o modelo de avaliação da aprendizagem deve ajudar o estudante a desenvolver graus mais complexos de competências cognitivas, habilidades e atitudes, possibilitando--lhe alcançar os objetivos propostos. Para tanto, esta avaliação deve comportar um processo contínuo, para verificar constantemente o progresso dos estudantes e estimulá-los a serem ativos na construção do conhecimento. Desse modo, devem ser articulados mecanismos que promovam o permanente acompanhamento dos estudantes, no intuito de identificar eventuais dificuldades na aprendizagem e saná-las ainda durante o processo de ensino-aprendizagem. As avaliações da aprendizagem do estudante devem ser compostas de avaliações a distância e avaliações presenciais, sendo estas últimas cercadas das precauções de segurança e controle de frequência, zelando pela confiabilidade e credibilidade dos resultados. Neste ponto, é importante destacar o disposto no Decreto 5.622, de 19/12/2005, que estabelece obrigatoriedade e prevalência das avaliações presenciais sobre outras formas de avaliação. Também é oportuno destacar, no âmbito do referido decreto, que o planejamento dos momentos presenciais obrigatórios devem estar claramente definidos, assim como os estágios obrigatórios previstos em lei, defesa de trabalhos de conclusão de curso e atividades relacionadas a laboratório de ensino, quando for o caso. (MEC, 2007, págs, 16 e 17). Ao lermos os trechos dos documentos acima, podemos perceber a ênfase que a legislação atribui aos momentos presenciais de avaliação e ao uso da prova como instrumento que objetiva avaliar a aprendizagem do estudante. Contudo, não podemos restringir o ato de avaliar ao momento da aplicação de uma prova, visando tão somente a aprovar ou não o estudante, que supõe uma única resposta correta, controlando e classificando os resultados obtidos de maneira descontextualizada e não contemplando todo um percurso de aprendizagem vivido, não é verdade? Nesse enfoque, a avaliação da aprendizagem torna-se uma estratégia dinâmica, aberta e contextualizada. Ela abrange um percurso proposto de um curso/disciplina, utilizando, para tal, estratégias e atividades que potencializam a construção de conhecimentos pelos estudantes de forma singular e ao mesmo tempo coletiva, pois pressupõe a pluralidade decorrente do diálogo e da parceria produzidos pela coletividade de aprendizes e professores. Como consequência, a autonomia crítica do estudante é, paulatinamente, desenvolvida, tornando-o capaz de se posicionar frente às situações vivenciadas que se lhes apresentem. A avaliação diagnóstica A avaliação diagnóstica está diretamente inserida no movimento dinâmico de ensinar e aprender, pois, ao colher os dados fundamentais acerca da trajetória de cada estudante (saberes construídos previamente, dificuldades e potencialidades), possibilita uma constante revisão do planejamento e das ações educativas pretendidas. A avaliação diagnóstica permite verificar o que o aluno já sabe antes de ensinar um dado conteúdo e partir do que ele já conhece para definir as melhores estratégias de ensino e aprendizagem. Como exemplo, podem ser usadas dinâmicas, jogos e atividades avaliativas para colher esses dados de uma forma lúdica, problematizadora e desafiante junto aos discentes. A avaliação formativa/processual A intencionalidade do enfoque processual de avaliação reside na definição de instrumentos capazes de, além de avaliar progressivamente a aprendizagem do estudante, ratificar ou redefinir as estratégias metodológicas, os objetivos e as próprias finalidades de uma disciplina/curso a distância. Nessa abordagem, cursos na modalidade a distância ancorados em uma perspectiva dialógica e colaborativa da aprendizagem podem ser capazes de redimensionar e ressignificar as práticas avaliativas decorrentes, atribuindo-lhes uma verdadeira dimensão pedagógica, no sentido da reflexão e seleção de estratégias que ampliem as condições de aprendizagem e de construção ativa do conhecimento pelos estudantes. Sendo assim, tanto o professor como o estudante têm oportunidades diversas de ajustar estratégias adotadas e rever possíveis falhas cometidas. Resumindo, em linhas gerais, veja no quadro, a seguir, os tipos de avaliação em relação aos processos de ensino e aprendizagem: As avaliações podem ocorrer no início, durante ou ao final dos processos de ensino e aprendizagem de um dado conteúdo, sendo chamadas de diagnóstica, formativa ou somativa, de acordo com o momento em que são aplicadas e com a finalidade. O papel do professor-tutor e a auto-avaliação Outro elemento a ser acrescentado nesse enfoque avaliativo é a tutoria ativa. A concepção de tutoria ativa que propomos está alinhada com a percepção de que o professor-tutor deve, necessariamente, estar inseridono processo de ensino-aprendizagem na condição de docente e não na condição de um mero protetor, como o termo sugere, ou simplesmente um tirador de dúvidas dos estudantes com relação ao conteúdo. Articulada à ótica formativa, uma prática avaliativa valiosa capaz de suscitar a atitude crítica, tanto do professor como dos estudantes envolvidos em uma situação de aprendizagem, é a autoavaliação. Momento privilegiado de reflexão, a auto-avaliação pode ser uma estratégia importante para que todos avaliem continuamente suas realizações e atitudes individuais perante o grupo e os professores-tutores no que tange à aprendizagem. A interferência ativa de uma equipe de professores-tutores apresenta-se como parte inerente de um sistema mais amplo de tutoria capaz de criar um ambiente de aprendizagem interativo, motivado pela participação ativa e consistente de toda coletividade envolvida no processo (docentes e discentes) Nessa perspectiva, a aprendizagem do estudante é avaliada a partir da observação do processo percorrido por ele. O percurso construído é acompanhado e avaliado a partir de uma visão diagnóstica e processual, considerando a autonomia, o espírito investigativo e a sua postura colaborativa perante seus pares e de acordo com as possibilidades de resposta/solução/discussão deliberadas por ele e mediadas pelo professor-tutor. O momento de avaliação passa a ser concebido como parte inerente ao momento de aprendizagem. • Avaliação somativa: é geralmente aplicada ao final de um determinado período de um curso ou de um módulo, de maneira descontextualizada e isolada, visando exclusivamente a comprovar o atendimento aos objetivos e aos resultados obtidos pelo estudante, por meio da atribuição de uma nota visando a classificá-lo e certificá-lo. Geralmente, esse tipo de avaliação utiliza provas e trabalhos de conclusão como instrumentos avaliativos ; • A avaliação diagnóstica permite verificar o que o aluno já sabe antes de ensinar um dado conteúdo e partir do que ele já conhece, para definir as melhores estratégias de ensino e aprendizagem. Como exemplo, podem ser usadas dinâmicas, jogos e atividades avaliativas para colher esses dados de uma forma lúdica junto aos discentes; • A avaliação formativa/processual baseia-se na definição de instrumentos capazes de, além de avaliar progressivamente a aprendizagem do estudante, ratifiquem ou redefinam as estratégias metodológicas, os objetivos e as próprias finalidades de uma disciplina/curso a distância. Investigando e conhecendo práticas avaliativas alternativas em EaD Hoje em dia, um dos grandes desafios da avaliação na EaD está justamente no acompanhamento da aprendizagem dos estudantes, que, em um sistema presencial, acontece por meio de observações diretas, nas quais o professor pode identificar falhas no processo de aprendizagem, o grau de satisfação e compreensão deles em relação ao conteúdo, à participação e às interações que acontecem em sala de aula, dentre outras questões. A fim de criar condições para este acompanhamento, os ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs), cada vez mais, vêm se configurando como plataformas de ensino, reunindo grupos interessados por uma abordagem didático-pedagógica ancorada no trabalho colaborativo e na gestão individual do tempo de participação e interação com os temas abordados no curso (Almeida, 2003). A internet, por sua vez, torna-se um dos principais contextos dessa modalidade de educação, na medida em que estimula a emergência de comportamentos oriundos da rede, como a necessidade de participação e a autonomia para selecionar, pesquisar e decidir os percursos para encontrar o que se deseja em meio ao manancial interminável de informações disponíveis na rede (Silva e Santos, 2006; Silva, 2003). Do ponto de vista avaliativo, os AVAs podem oferecer novas possibilidades de acompanhamento da participação dos estudantes pelo professor e de emissão de feedbacks constantes a eles, além dos feedbacks inerentes às atividades interativas. Os feedbacks, por sua vez, orientam os estudantes no processo de aprendizagem e oferecem subsídios para que eles julguem o seu próprio desenvolvimento. Por exemplo, uma proposta baseada no mapeamento das interações e produções escritas dos estudantes em uma sala de bate-papo ou um fórum de discussão podem ser ótimas estratégias de avaliação a ser realizadas em um AVA. Uma análise do conteúdo das mensagens trocadas numa ferramenta interativa como as citadas pode evidenciar os seguintes aspectos do estudante avaliado ao longo deste processo: • a frequência e assiduidade na participação; • o processo de aprendizagem envolvendo os conceitos estudados sobre um determinado tema; • o uso da ferramenta interativa “fórum de discussão”; • a capacidade de cooperação na relação com o grupo. Conclusão: Chegamos ao final desta aula com a certeza de que o estudo sobre a avaliação do processo ensino-aprendizagem constitui um tema bastante complexo, que envolve concepções teóricas e contextos locais diversos e, portanto, diferentes práticas e desdobramentos. Por isso, a educação a distância, em sintonia com a educação presencial, revela ainda experiências em avaliação da aprendizagem ancoradas em abordagens marcadas pela aplicação de provas e exames e valorização do desempenho como produto, mas, concomitantemente, vislumbra novos ares, que defendem a avaliação ao longo de um processo visando à aprendizagem. Caminhos abertos para novos enfoques e experiências baseadas na incessante interrogação: avaliamos para quê? Considerando o que estudamos sobre a avaliação da aprendizagem, propomos uma atividade final, a fim de que você coloque em prática seu conhecimento e sua criatividade sobre o tema. Resumo Nesta aula, apresentamos alguns pontos importantes sobre a avaliação da aprendizagem: • A avaliação faz parte das ações humanas; • A avaliação é uma prática complexa, pautada em concepções e valores distintos, sempre coerentes com as concepções de ensino e de educação que se consolidam em um determinado contexto; • A avaliação somativa é normalmente aplicada ao final de um determinado período de um curso ou de um módulo por meio da realização de uma prova ou exame e da atribuição de uma nota que visa a classificar e certificar o estudante; • A avaliação diagnóstica permite verificar o que o aluno já sabe antes de ensinar um dado conteúdo e partir do que ele já conhece para definir as melhores estratégias de ensino e aprendizagem; • A avaliação formativa/processual baseia-se na definição de instrumentos capazes de, além de avaliar progressivamente a aprendizagem do estudante, ratificarem ou redefinirem as estratégias metodológicas, os objetivos e as próprias finalidades de uma disciplina/ curso a distância; • O professor-tutor possui, como uma de suas principais atribuições, o papel de mediador entre o objeto de estudo e os sujeitos envolvidos na aprendizagem; • A estratégia da auto-avaliação pode ser um importante momento para que estudante avalie suas realizações e atitudes individuais perante o grupo e os professores-tutores no que tange à aprendizagem; • Os AVAs podem oferecer novas possibilidades de acompanhamento da participação dos estudantes pelo professor e de emissão de feedbacks constantes a eles, além dos feedbacks inerentes às atividades interativas. Viabilizam, assim, novas práticas avaliativas com vistas a potencializar e ampliar a aprendizagem dos estudantes. Aula 11: Políticas Públicas para Educação a Distância no Brasil. Política Pública: o que é isto? “O Estado não fazer nada em relação a um problema também é uma forma de política pública” (Bachrach e Baratz, 1962). Vivemos um novo modelo de sociedade, regido pelo mundo globalizado. Formação e informação passaram a ser instrumentos para impulsionar o projeto de grande nação. Embora o conceito de grande nação seja subjetivo e pessoal, no geral, seriam países que respeitam seus cidadãos, ou seja, “todos são iguais perante a lei”, priorizando a educação de qualidade, acarretando menores desigualdades sociais, há oportunidadesmaiores de inserção no mercado de trabalho e, consequentemente, uma vida mais produtiva. Além de assistência médica adequada para população, garantia das liberdades individuais, estimulando o desenvolvimento cultural, fortalecendo a identidade do povo, entre outros fatores. O mercado de trabalho tem feito maiores exigências àqueles que nele chegam. Consequentemente, a população, como um todo, passou a buscar atualização e aperfeiçoamento em vários campos do conhecimento, tornando a sociedade mais competitiva. De acordo com Preti (2009, p.20, 23): “As mudanças tecnológicas fazem com quegrande parte das qualificações fique defasada, a um ritmo cada vez mais rápido, diante dos aparatos de informação que operam em tempo real. Por outro lado, existe interdependência maior entre conhecimento e vida econômica... Mas do que aprender a fazer, deve-se se formar para “aprender a aprender”. Isto de maneira grupal, coletiva, com visão ampla, não fragmentada do processo produtivo.” Para iniciarmos nossa conversa sobre políticas públicas voltadas à EaD, buscaremos entender política pública como referencial teórico. Política Pública, como área de estudo, nasceu nos Estados Unidos da América, contrapondo-se à tradição europeia, que concentrava seus estudos mais no papel do Estado e suas instituições do que na produção de leis pelo governo, com finalidade de resolver problemas das populações. Diante de um mercado mais exigente e competitivo e a consequente necessidade de formação continuada da população para se adequar às exigências e especificidades de cada segmento, surge a premência do agendamento de ações públicas com vistas a promover soluções à necessidade de formação. O interesse pelo estudo acerca das políticas públicas tem aumentado nos últimos anos, em virtude da política de restrição de gastos públicos e, também, como afirma Matias-Pereira (2005,p.14), pelo fato “de que a política pública tem sido definida e implantada como resposta do Estado para atender as demandas que surgem a partir dos anseios da população.” O que nos leva à seguinte questão: como equacionar a restrição de gastos públicos e o atendimento às reais necessidades da população? Política pública é uma condição exclusiva de governo, embora o filósofo e historiador Michel Foucault (1979, p.38) tenha afirmado que “todas as pessoas fazem política, todos os dias, e até consigo mesmas!”. Ele se referia às questões do dia a dia, nas quais somos chamados a tomar decisões ou partido de algo ou alguém. Michel Foucault nasceu em 15 de outubro de 1926 e morreu em 25 de junho de 1984 em Paris aos 57 anos. Foi filósofo, contrariando a família, de médicos, que desejava que ele seguisse a mesma carreira. Também foi historiador, teórico social e crítico literário. Suas teorias abordavam a relação entre poder e conhecimento e como eles são usados como forma de controle social por meio das instituições sociais. Entre suas obras mais conhecidas estão Vigiar e Punir, um estudo sobre a disciplina na sociedade moderna, e Doença Mental e Psicologia, de 1954, retratando as práticas de exclusão social dos séculos XVII e XVIII, das pessoas desprovidas de razão. Assim temos que um dos maiores desafio das nações é atender as necessidades da população com gasto consciente do dinheiro público. Para melhor entendermos como esta equação acontece, particularmente na EaD, vale a pena conhecermos, inicialmente, algumas definições sobre o que caracteriza uma política pública e seus respectivos autores. Por meio da união de interesses, esses grupos podem estabelecer estratégias de pressão junto aos governos, a fim de que leis sejam criadas para resolverem problemas que afetam a sociedade. Porém, determinadas demandas são mais rápidas que as leis existentes. É o caso de leis que envolvem, por exemplo, saúde, educação e segurança. Muitas leis de relevância para o nosso país foram articuladas na sociedade civil e terminaram aprovadas. Como exemplo recente, podemos citar a lei da “ficha limpa”, para eleição de parlamentares. Mesmo com o espírito corporativista do Congresso, foi aprovada, muito por conta da pressão popular. Este é um exemplo de como o trabalho da sociedade civil tem importância, pode intervir e pressionar o meio político, a fim de conseguir leis de interesse maior. Baker (2004) e Schwartzman (2006) ressaltam que: “(...) dentre as políticas sociais, a educação ocupa posição especial. Esta posição de destaque não se restringe às teorias de capital humano - que atribuem à educação um papel fundamental para o desenvolvimento econômico - mas também pela constatação mais recente de que as desigualdades educacionais são o principal correlato das desigualdades de renda, oportunidades e condições de vida”. Baker (2004, p.26) Schuwartzman (2006, p.32) A palavra educação, em si, como um conceito mais amplo, compreende aprendizado durante a vida, a formação de qualidades humanas, quais sejam: morais, físicas, culturais ou intelectuais. Portanto, família, amigos e sociedade são responsáveis pela nossa educação, cabendo à escola, mais especificamente, a educação escolar ou ensino, a “transmissão” do conhecimento sistematizado, selecionado com bases científicas ou culturais e acumulado pela experiência social da humanidade durante sua trajetória, este sim, responsável pela democratização da sociedade, pois abre caminhos para participação consciente dos indivíduos em sociedade, conservando e desenvolvendo habilidades para participação mais efetiva no sistema de mercado, nas decisões políticas e no campo do trabalho. A força de trabalho no Brasil, sob o ponto de vista da escolaridade, se encontra ainda em uma posição muito frágil e atrasada em relação a outros países, mesmo latino-americanos, em relação ao tempo de escolaridade. Em média, o trabalhador brasileiro possui entre cinco a nove anos de escolaridade, atrás de Argentina, Uruguai e Chile, apenas para ficarmos na América do Sul. Concluímos, então, que é uma faixa etária em que há muitos jovens sem uma formação mais aprimorada para um mercado de trabalho exigente. A baixa escolaridade do trabalhador coloca limites nos avanços da qualidade e da produtividade dos nossos trabalhadores, levando o nosso mercado a ser menos competitivo. O Banco Mundial divulgou pesquisa no ano de 2003, informando que pessoas com curso superior têm 20% mais chance de obter um emprego, em relação às pessoas que possuem apenas o curso elementar. Além disso, elas têm 38% menos propensão a ficar desempregadas e, quando ficam, conseguem emprego em um período seis vezes menor. Banco Mundial, o que é? O nome inteiro é Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento. Foi concebido na Conferência de Bretton Woods, em junho de 1944, como instrumento para financiar a reconstrução dos países destruídos pela Segunda Guerra Mundial, sobretudo os da Europa. À medida que os países europeus se restabeleceram, o BIRD (como também é chamado) passou a orientar seus empréstimos para os países da América do Sul. O Banco Mundial provê também aconselhamento econômico e assistência técnica e serve de catalizador de investimentos ao setor privado. Políticas públicas no Brasil relacionadas à EaD Visto várias definições sobre políticas públicas, vamos “entrar” especificamente nas políticas públicas voltadas para EaD no Brasil. Para começar, vale lembrar que com a promulgação de nova LDB 9394/96,ficou implícita a “obrigatoriedade” dos professores com formação em nível médio buscarem a formação em nível superior, ameaçando-os inclusive, com perdas de direitos, tais como perda de regência de turma, diminuição de pagamento devido à formação incompleta, o que interferiria no valor da aposentadoria, no futuro, dentre outros. A lei, inclusive, estabelecia um prazo de dez anos para regulamentação da situação. Estabeleceu-se, então, grande preocupação para os profissionais da educação e governos em todas as esferas: municipal, estadual e federal. A Educação a distância passa a ser via ou alternativa na resolução do problema. Ao longo da história da EaD no mundo e no Brasil,