Prévia do material em texto
FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO Olá! A antropologia é uma ciência que busca compreender o ser humano a partir das mais diferentes óticas. Para isso, o estudo antropológico utiliza levantamentos e dados históricos e científicos sobre as origens, a evolução e o desenvolvimento do homem. Além disso, sua atenção também é voltada às questões culturais e psicológicas apresentadas nas mais diversas épocas, como questões étnico-raciais e aspectos financeiros a partir de crenças e costumes, por exemplo. Nesta aula, traçaremos o percurso histórico percorrido pela antropologia até ser reconhecida como ciência. Vamos conhecer um pouco mais sobre a ciência antropológica, sua formação e suas relações com outros pensamentos científicos, que buscam um maior conhecimento sobre quem é o ser humano de maneira localizada em seu tempo e espaço. Bons estudos! AULA 04 – ANTROPOLOGIA Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais da psicologia entenderá como ela alcançou o seu estatuto de cientificidade. Além disso, terá a oportunidade de conhecer as três grandes doutrinas da psicologia, behaviorismo, psicanálise e Gestalt, e as áreas de atuação do psicólogo. Compreender o conceito de psicologia Identificar as diferentes áreas de atuação da psicologia Conhecer as áreas de atuação do psicólogo. Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o percurso histórico da antropologia. Explicar a construção do pensamento antropológico ao longo do caminho histórico da antropologia. Analisar as divergências e convergências entre antropologia e outras ciências. 4 ORIGENS DA ANTROPOLOGIA Antropologia é o estudo de como as pessoas entendem as esferas culturais e sociais ao seu redor. Visa olhar e compreender a humanidade como um todo de forma ampla e complexa. Para isso, os estudos antropológicos analisam as pessoas e tudo o que elas dizem, encarnam ou produzem a partir de seu comportamento. Por exemplo, na teoria da história cultural de Marx, o trabalho distingue o homem dos outros animais. Através do trabalho é possível desenvolver a cultura, humanizar a vida e separá-la da vida animal. Segundo Moretti, Asbahri e Rigoni (2011, p. 78): “Se, por um lado, a pessoa biológica, como um animal, se depara com necessidades orgânicas e necessárias, por outro, não está satisfeita com o fato de a vida desmoronar com essas condições objetivas”. Portanto, os humanos, como outros animais, podem criar necessidades biológicas intencionais. No entanto, também pode definir, por exemplo, objetivos culturais, existenciais ou profissionais. Ele também é um ser ético, criador dos princípios e diretrizes que orientam e direcionam suas ações (MORETTI; ASBAHR; RIGON, 2011). Assim, as necessidades humanas não são puramente biológicas, mas apenas relacionadas à sua sobrevivência. Todo o complexo contém essas necessidades, porque o homem transforma as necessidades culturais, de trabalho e existenciais em coisas básicas e as equipara às necessidades biológicas. Moretti, Asbahr e Rigon (2011, pp. 478- 479) argumentam que “assim, o conceito de necessidade, originalmente biológico, torna-se uma necessidade histórico-cultural humana”. Junto com novas necessidades, nascem também novas habilidades, que serão necessárias no meio da vida de uma pessoa. Segundo os autores, agir em nome da natureza mutável e desejada também é uma característica do ser humano. Uma intenção motivada pelo que é importante para uma pessoa produz um nível de satisfação que pode ou não corresponder às expectativas da pessoa. Em outras palavras, a pessoa tem consciência de sua ação e do que ela representa, levando em conta suas expectativas, que são positivas ou negativas (MORETTI; ASBAHR; RIGON, 2011, p. 479). A consciência é capaz de estabelecer aquelas metas que buscam resultados reais, sejam financeiros, materiais ou espirituais, incluindo o conhecimento de teorias, hipóteses, conceitos ou leis baseadas na realidade. Segundo Moretti, Asbahri e Rigoni (2011, p. 479), “Nesse movimento da consciência, onde a intenção se torna característica, a pessoa se constitui como pessoa”. Hannah Arendt não apenas afirma o trabalho como uma atividade humana fundamental, mas também acrescenta trabalho e atividade a esse conceito, todos intimamente relacionados às condições naturais de nascimento e morte (ARENDT, 2010). No entanto, sua opinião difere da perspectiva kantiana acima. Segundo o autor, o trabalho é uma atividade diretamente relacionada aos processos biológicos do corpo humano, que é acompanhado por crescimento espontâneo, problemas metabólicos e sua redução. Eles seriam necessários para a vida humana. “A condição humana de trabalho é a própria vida”, diz Arendt (2010, p. 8). Assim nasceu uma obra relacionada com as coisas não naturais da vida humana. Em outras palavras, não tem nada a ver com o ciclo natural da vida humana. A obra é capaz de oferecer um mundo "artificial" de objetos, como afirmava o autor. Este novo mundo é diferente do mundo natural, ou seja. que estão propriamente relacionados a questões cotidianas e não a atividades de sobrevivência. Por fim, Arendt apresenta o último ato, a ação. Refere-se à diversidade das pessoas porque todas as pessoas vivem no mundo e, portanto, lidam com diferentes pessoas, situações e conversas. Segundo Arendt (2010, p. 8–9), “a multiplicidade é uma condição da atividade humana, pois somos todos iguais, ou seja, pessoas de tal forma que ninguém é igual a quem já viveu. ou diretamente” (ARENDT, 2010). A partir dessa complexidade do desenvolvimento humano, a antropologia visa estudar as pessoas interessadas em conhecer sua totalidade de forma científica. Para tanto, oferece três estudos que compõem a ciência da antropologia. São eles (MARCONI; PRESSOTO, 2015): 1. ciência social, que propõe conhecer o homem como elemento integrante de grupos organizados; 2. ciência humana, que se volta, especificamente, para o homem como um todo: sua história, suas crenças, seus usos e costumes, sua filosofia, sua linguagem, etc.; 3. ciência natural, que se interessa pelo conhecimento psicossomático do homem e por sua evolução. A pesquisa antropológica é definida como a ciência que lida com a humanidade e a cultura e examina questões sociais, comportamentais e humanísticas por meio, por exemplo, do estilo de vida e da arte. Tem uma dimensão física, como o estudo da antropologia física, uma dimensão sociocultural, como a antropologia cultural e a antropologia social, e uma dimensão filosófica, como a busca do homem por meio da antropologia filosófica. Segundo Marconi e Pressoto (2015, p. 2), “[...] apesar da diversidade de seus campos de interesse, é uma ciência polarizadora que necessita da colaboração de outros campos do conhecimento, mas mantém sua unidade, como objetivo é interessar as pessoas e a cultura” (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Por exemplo, Laplantine (2007) aponta que a antropologia é um estudo que exige romper com uma forma abstrata e especulativa de conhecimento porque é responsável por observar diretamente o comportamento social das relações humanas. O autor sugere que as pessoas não devem mais ser estudadas puramente fisicamente, como sugere, por exemplo, a botânica. Para compreender uma pessoa, é necessário comunicar-se com ela, querendo que o indivíduo ou grupo de indivíduos compartilhe sua existência com sinceridade e espontaneidade (LAPLANTINE,2007). No entanto, o desenvolvimento da antropologia, que durou pouco mais de 100 anos, não conseguiu analisar perfeitamente o homem. Primeiro, ele tentou entender o homem do ponto de vistabiológico, ou seja, limitou-se à formação e desenvolvimento do homem no sentido físico, corpóreo. Com o tempo, a ciência da antropologia também passou a observar as atitudes culturais, que levaram ao que a antropologia entende hoje, e seu objeto de estudo era o que o homem é e o que ele produz, sua natureza e trabalho (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Sua pesquisa utiliza métodos comparativos para obter informações relevantes, semelhanças ou diferenças entre grupos de pessoas. Para isso, classificam-se os problemas físicos, psicológicos, sociais e culturais (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 3): Na ausência de um laboratório experimental, o antropólogo lança mão da pesquisa de campo, que lhe fornece os dados desejados e permite testar as hipóteses levantadas na observação de situações peculiares. Daí a importância da contribuição dos antropólogos de campo, fornecendo o maior número possível de estudos sobre grupos humanos, uma vez que cada um deles é o produto de uma experiência cultural particular. Todos esses estudos, que utilizam como dados de análise a comparação de situações individuais e da realidade, visam o estudo da humanidade como um todo. Isso seria algo que outras ciências sistemáticas não podem alcançar. Tal objetivo seria amplo porque busca compreender as pessoas ao redor do mundo, ou seja. estudos biopsicosculturais (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Agora que você já sabe o que é ciência antropológica, entre em contato com a construção de seu pensamento e trajetória histórica. Para tanto, alguns dos nomes mais importantes da ciência antropológica e suas ideias correspondentes são apresentados na próxima seção. 4.1 Antropologia e as ciências A antropologia é uma ciência independente que lida com os mais diversos problemas humanos. No entanto, seu objeto de estudo permite a análise de estudos antropológicos de outras ciências. História, psicologia, geografia e sociologia são exemplos de alguns estudos científicos que podem interagir com abordagens antropológicas. Segundo Marconi e Pressoto (2015), a antropologia é uma das ciências mais jovens. Consequentemente, seu desenvolvimento teve que esperar o desenvolvimento natural de outras abordagens como a geologia, a genética, a biologia e a própria sociologia. Segundo os autores, “[...] pode-se dizer que somente depois que o conhecimento da célula e do desenvolvimento foram formulados e aplicados aos humanos, a antropologia começou a se sistematizar e se desenvolver como uma ciência humanística” (MARCONI; PRESSOTO, 2015, p. 8). A sociologia é talvez a mais próxima da antropologia porque está intimamente relacionada a ela. O discurso sociológico nasceu como uma forma científica para o tratamento teórico e empírico dos eventos das relações sociais humanas. Com base em sua análise, são formuladas teorias que traçam momentos e eventos únicos na história. O final do século XVIII e início do século XIX viu o surgimento de grandes sociólogos como David Hume (1711-1776), Auguste Comte (1798-1857), Ludwig Feuerbach (180 -1872), Alexis de Tocqueville (1805-1859) e Karl Marx (1818-1883) e Henri Bergson (1859-1914). Sua contribuição foi decisiva em um plano científico que lidava intelectualmente com influências sociais antes invisíveis (CIPRIANI, 2007). Para tanto, foi dada atenção à influência da perspectiva humana, caracterizada por tendências filosóficas e paixões ideológicas, que passam a conduzir um discurso baseado no conhecimento empírico. Do final do século XIX ao início do século XX, o positivismo teve uma forte influência social, científica e política. O positivismo é uma corrente de filosofia que busca organizar as ciências experimentais em modelos de excelência no conhecimento humano. Para isso, examinamos as questões metafísicas e teológicas das quais deriva a própria sociologia (CIPRIANI, 2007). Além da comunicação e da interação, a antropologia e a sociologia, por meio do material de pesquisa de que dispõem, auxiliam-se mutuamente na compreensão ampla das questões humanas. Os estudos antropológicos fornecem uma compreensão da cultura, enquanto os estudos sociológicos fornecem teorias sobre o conceito de sociedade. Segundo Marconi e Pressoto (2015, pp. 8-9), ambos utilizam teorias, conceitos, métodos e técnicas desenvolvidas por seus especialistas” (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Outra área importante de discussão na antropologia é a psicologia. Ambos são muito próximos porque tentam entender o comportamento humano. Enquanto o primeiro tenta entender o comportamento do grupo, o segundo tenta entender o comportamento individual. "Os antropólogos buscam nos dados coletados pelos psicólogos explicações sobre a complexidade das culturas e do comportamento humano e restringem a interpretação dos sistemas culturais relacionados aos tipos de personalidade” (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Desta forma, as mudanças no comportamento social e no papel da cultura são vistas como o fator dominante na determinação de como as pessoas se adaptam ou se comportam em suas comunidades. Fatores biológicos, ambientais e culturais também são importantes. Todos esses aspectos são variáveis que explicam aspectos importantes da personalidade central das culturas. Marconi e Pressoto (2015, p. 9) comentam: “Para avançar esse conhecimento, antropólogos e psicólogos se ajudam fornecendo informações que auxiliam na compreensão de problemas comuns” (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Além disso, a evolução pode ser responsabilizada pela enorme diversidade de seres humanos. Refere-se a diferentes e específicas características e percepções físicas e intelectuais. "Por exemplo, antropólogos biológicos argumentaram que o perfil plano de cabeça redonda comum na Ásia Central e Oriental e no Ártico norte- americano é o resultado da adaptação a ambientes muito frios” (HAVILAND, 2011, p. 57). Economia e política também são uma parte importante da pesquisa antropológica. A antropologia trata da globalização cultural de uma nação, enquanto os estudos econômicos e políticos tratam do funcionamento da sociedade a partir de questões como poder, ordem, integridade, finanças e recursos (MARCONI; PRESSOTO, 2015). As abordagens científicas são, de fato, baseadas em questões econômicas. Sobre suas teorias: [...] é capaz de explicar, de modo geral, todo o procedimento econômico humano. Por outro lado, a antropologia, documentando numerosos sistemas existentes na Terra, tem uma perspectiva mais ampla das organizações econômicas. Desse modo, ambas podem trocar informações valiosas para a melhor compreensão desse setor da cultura (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Cada sociedade tem seu próprio caráter e organização política. Antropólogos e cientistas políticos têm o mesmo objetivo quando tentam entender o surgimento e o desenvolvimento dos estados e poderes existentes. Portanto, o intercâmbio dessas duas formas de observar a sociedade e a cultura científica permite que a antropologia e a política se entendam e enriqueçam o conhecimento (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Os autores também mencionam outras ciências propensas à colaboração com a antropologia. A história seria uma daquelas ciências que poderiam reconstruir culturas antigas ou já perdidas e mostrar as características da civilização da época. A geografia humana, por outro lado, compreende o que está envolvido na capacidade das pessoas de se adaptar e moldar o ambiente em que se encontram. Dessa forma é possível observar como nasceram as novas tecnologias e inovações culturais e o quanto foram importantes, por exemplo (MARCONI; PRESSOTO, 2015). A biologia também é mencionada como um importante campo de estudo na pesquisa antropológica. Por meio deste estudo, é possível entender como foram as mudanças e evoluções pelas quais o homem passou devido a sua história ou diferenças raciais, sejam elas genéticas ou biológicas humanas.“Além destas, diversas outras ciências, como geologia, paleontologia, metalurgia, arquitetura, engenharia, zoologia, botânica, fisiologia, anatomia, farmacologia, astronomia e as artes em geral, podem colaborar com o antropólogo em suas diversas atividades” (MARCONI; PRESSOTO, 2015). Portanto, a antropologia é entendida como um estudo abrangente das pessoas. Todas as ciências mencionadas acima são capazes de compreender as pessoas em seus próprios campos de estudo. No entanto, pode-se afirmar que nenhum deles pode fornecer as oportunidades necessárias para a aprendizagem individual e em grupo ao mesmo tempo. Também é possível perceber que suas contribuições e visões singulares na perspectiva específica da antropologia são uma visão generalizada e paradoxalmente específica. Cada estudo é importante em seu próprio campo de estudo, e uma perspectiva antropológica pode combinar todas essas perspectivas para entender o todo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARENDT, H. A condição humana. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010. CIPRIANI, R. Manual de sociologia da religião. São Paulo: Paulus, 2007. ERIKSEN, T. H.; NIELSEN, F. S. História da antropologia. Petrópolis: Vozes, 2007. HAVILAND, W. A. et al. Princípios de antropologia. São Paulo: Cengage Learning, 2011. LAPLANTINE, F. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2007. MARCONI, M. de A.; PRESSOTO, Z. M. N. Antropologia: uma introdução. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2015. MORETTI, V. D.; ASBAHR, F. da S. F.; RIGON, A. J. O humano no homem: os pressupostos teóricometodológicos da teoria histórico-cultural. Psicologia & Sociedade, v. 23, nº 3, 2011. OLIVEIRA, M. M. de. As origens da educação no Brasil da hegemonia católica às primeiras tentativas de organização do ensino. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, v. 12, nº 45, 2004. PELTO, P. J. Iniciação ao estudo da antropologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.