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Módulo 5 Bioética e Deontologia em Odontologia 1 INTRODUÇÃO 2 RESPONSABILIDADE CIVIL DO CIRURGIÃO-DENTISTA Por que devemos estudar sobre responsabilidade civil do cirurgião-dentista (CD)? Para reconhecer a responsabilidade civil e penal, além de compreender as diferenças entre culpa atribuídas ao profissional. Primeiramente, vamos iniciar a partir do significado de responsabilidade. De acordo com o dicionário, responsabilidade significa responder pelas próprias ações ou dos outros. Responsabilidade civil é o dever de reparar um dano causado a outra pessoa, a partir da culpa ou dolo no ato que causou prejuízo (físico, psíquico, moral ou mesmo atingir os bens da pessoa lesada) a essa pessoa. A indenização é a forma de reparar o dano causado. O valor varia de acordo com a extensão do prejuízo causado. A responsabilidade civil pode ser subjetiva, a qual é baseada na culpa (negligencia, imprudência, imperícia) e o dolo. Além disso, pode haver a responsabilidade civil objetiva embasada na lei e no risco da atividade. Elevando a categoria a leis brasileira, é regido pela Constituição da República Federal do Brasil que todos são iguais perante a lei. Todo brasileiro tem o direito de resposta proporcional ao dano causado, além da indenização por dano material, moral e a imagem (BRASIL, 1988). O Código Civil Brasileiro dita a responsabilidade quando aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, viola o direito e causa dano a outrem, comete um ato ilícito (BRASIL, 2002). São elementos integrantes da Responsabilidade Civil: o ato ou fato ilícito; o nexo causal; o dano e o elemento subjetivo. O que é ato ilícito: uma atividade que foi praticada pelo CD de forma culposa, a qual violou a norma jurídica. Com isso há necessidade de reparação da lesão causada; O que é nexo causal: é a correlação entre o fato ilícito e o dano causado. Caso inexista essa correlação “de causa e efeito”, não será possível imputar a reparação do dano ao CD; O que é dano: é o resultado do ato/foto ilícito causado pelo CD, que poderá ser de natureza moral, material ou estético. É importante salientar que esses danos podem ser acumulados entre si, sendo exigidos pela parte lesada. O que é elemento subjetivo: é caracterizado por dolo e pela culpa. 2.1 Modalidade de Culpa Negligência, imprudência e imperícia são modalidade de culpa. Você sabe qual a diferença entre elas? Negligência: é a falta de prática de determinada ação considerada necessária ou obrigatória, por imposição técnica ou por segurança, ou mesmo decorrente de imposição legal. Trata-se de desatenção, omissão, falta de diligência (KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Dolo: ocorre quando tem a intenção de causar um dano. Culpa: não tem intenção de causar um dano. Resultado decorreu de negligencia, imperícia ou imprudência do agente Vejam a reportagem na integra pelo link abaixo: https://www.tjmg.jus.br/portal-tjmg/noticias/dentista-devera-indenizar-paciente-por- negligencia-em-tratamento.htm# Imprudência: excesso de ação diante de um caso que exigia cautela. Ação precipitada, fora do esperado (KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Um exemplo de imprudência na odontologia é remoção de todos os dentes hígidos sem problemas periodontais que justificasse a exodontia de todos os dentes para ser colocado implantes. Imperícia: prática de pessoas que não detinha o conhecimento suficiente para o procedimento(KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Temos exemplo de curso de curta duração (2 dias de imersão) para aquelas pessoas que não tinham nenhuma formação prévia como os cursos de harmonização orofacial. Leia, a partir do link abaixo, a reportagem completa. https://tj-rs.jusbrasil.com.br/noticias/107479/dentista-e-condenado-por-impericia-na- realizacao-de-implantes-dentarios Para fortalecer as informações, segue o link do artigo intitulado: “Responsabilidade civil do cirurgião-dentista” http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034- 72722014000100003#:~:text=A%20responsabilidade%20civil%20odontol%C3%B3gica%20%C3 %A9,exerc%C3%ADcio%20de%20sua%20profiss%C3%A3o%202.&text=Desse%20modo%2C% 20somente%20haver%C3%A1%20a,se%20comprovada%20a%20culpa%2017. 2.3 Obrigação assumida no início do tratamento O CD para conquistar o cliente pode prometer resultados que podem não ser possíveis. Esta situação pode criar uma expectativa não real ao cliente, os quais existam emoções, valores culturais que variam de individuo para individuo. Sabendo disso, é importante o CD não deixe que essa expectativa seja motivos de processos judiciais. O tratamento odontológico é individualizado. Existem variáveis (biológicas, colaboração do paciente, financeira) que podem modificar o resultado final esperado. Portanto, oferecer serviços que garantem resultados totalmente infalíveis devem ser evitados. Em regra, a odontologia é uma profissão considerada obrigação de meio. O que significa isso? Obrigações não vinculadas a um resultado certo e determinado a ser executado pelo CD. Não garante (promete) o resultado, mas garante utilizar a melhor técnica possível. Significa que a odontologia é uma profissão que não se pode afirmar que o resultado será certo e determinado, como seria o caso de obrigação de resultado (afirmar que o tratamento terá 100% de chance de dar certo). Podemos pensar na seguinte situação para exemplificar a obrigação de meio. O paciente precisa fazer uma restauração no dente 46. Para a restauração ser bem-sucedida, depende de três fatores como o diagnóstico e a técnica empregada pelo operador, o tipo de material adotado e o paciente. Se o material adotado foi o melhor material, e o operador ter aplicado a melhor técnica utilizando todos os critérios (isolamento absoluto, protocolo exigidos pelo fabricante), o cirurgião- dentista passa todas as informações necessárias para o paciente alertando-o sobre a higienização e também que por mais que seja o melhor material, nenhum material substitui o dente, alertando o paciente para o tipo de alimentos que devem ser evitados no dente que contém a restauração. 2.4 Código de defesa do consumidor O CD é um profissional liberal, autônomo que pode ter ou não vínculo empregatício. Porém, independente da forma que atue, CD estará sempre regulamentado pelo conselho regional de odontologia. Este fiscalizará o exercício da profissão (BRASIL, 1990). O profissional estará exposto sempre a questões éticas, criminais e civis. Diante disso, o CD deve ter conhecimento sobre o Código de defesa do consumidor que aborda sobre a responsabilidade do profissional(KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). O art. 14 do Código de defesa do consumidor, diz que o serviço é considerado defeituoso ao não oferecer segurança que o consumidor pode esperar dele. No parágrafo 4 do art.14 mostra que a responsabilidade do profissional liberal será apurada mediante a culpa. Pois, parte-se do princípio que o CD age sem intenção de causar danos. Comprovado a culpa, o profissional responderá pelas as atitudes. 2.5 Prazos para reclamações Art. 26 do Código de defesa do consumidor diz que aquele paciente que se sentir lesado tem o direito de apresentar sua reclamação no prazo de 30 dias, visto que trata de fornecimento de serviços não duráveis (produtos descartáveis ou de pouca ou quase nenhuma durabilidade). Para serviços com fornecimento de produtos duráveis, 90 dias é o prazo. Importante saber que, esses prazos são contados a partir dia em que o tratamento foi finalizado ou a partir da data de entrega do produto. Este prazo pode ser revisto mediante a apresentação do cliente ao CD de uma reclamação por escrita. Enquanto o profissional não ter uma resposta, também por escrita, a interrupção perdurará. Caso for levado a Policia civil, enquanto houver instauraçãode um inquérito policial para a apuração dos fatos, esse prazo ficará suspensos (KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Há lesões chamadas pela lei de “vícios ocultos” que significa que difícil constatação por não enxergar ao olho nu. Diante disso, o prazo inicia a partir do dia que a lesão se tornou vista. Isso serve para ter certeza que o paciente não foi vitima de um ato ilegal e prejudicial a ele próprio (KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Prejuízos sofridos a partir do material utilizado, garante o prazo de 5 anos para eventuais reclamações, contados a partir do conhecimento do dano e de sua autoria (art. 27). 2.6 Responsabilidade Penal Responsabilidade penal é o dever jurídico de responder pela ação delituosa que recai sobre o agente imputável (KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Quando o individuo por ação de omissão culpável, viola direito tipificado em lei é considerado ilícito penal (KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Ao cometer um delito (crime), um individuo considerado responsável será submetido a uma pena. Para pessoas com idades e condição mental ou social não favoráveis a punição, será aplicada medida de segurança com caráter de perda da índole assistencial preventiva e recuperatória e que representa certas restrições pessoais e patrimoniais (BRASIL, 2006). O profissional será responsável penalmente por determinado delito devera ter praticado o delito, ter tido, à época, entendimento do caráter criminoso da ação, ter sido livre para escolher entre praticar e não praticar a ação (KRIGER; MOYSÉS; MOYSÉS, 2013). Para finalizar o módulo, importante assistir a aula disponibilizada no link abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=Jsu9Zc5i5xU REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 [Interne]. Brasília: Casa Civil; 1988 [capturado em 18 de abril de 2021]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm BRASIL: Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código civil [Internet] Brasília: Casa Civil; 2002 [capturado em 18 de abril de 2021]. BRASIL. Lei n° 8.078 de 11 de setembro de 1990. Código de processo penal [Internet]. Brasília: casa civil; 1990 [capturado em 18 de abril de 2021]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm BRASIL: Lei n° 11.343, de 123 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacional de Politicas Públicas sobre Drogas-Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências. [Internet] Brasília: Casa Civil; 2006 [capturado em 18 de abril de 2021]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11343.htm BRASIL. CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA. CÓDIGO DE ÉTICA ODONTOLOGICO [Internet]. Brasilia: CFO; 2012 [capturado em 08 de março de 2021]. Disponível em https://website.cfo.org.br/codigos/POTTER, V. R. Bioethics, the science of survival. Perspect. Biol. Med. 1970; 14:127-153. BRASIL, Lei n° 4.314, de 14 de abril de 1964. Institui o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Odontologia, e dá outras providências [Interne]. Brasília: Casa Civil; 1964[capturado em 08 de março de 2021]Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4345.htm. BRASIL, Lei n° 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil [Internet] Brasília: Casa Civil;2002[capturado em 08 de março de 2021]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm. KRIGER, L.; MOYSÉS, S.J.; MOYSÉS, T. S. Noções de odontologia legal e bioética. São Paulo: Artes Médicas, 2013.