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Papel do cálcio e vitamina D na prevenção e tratamento da osteoporose Role of calcium and vitamin D in the prevention and treatment of osteoporosis Maria Adelina de Azevedo Almeida Orientado por: Mestre Júlia Alina Gonçalves Fernandes Coorientado por: Prof. Doutora Diana Maria Veloso e Silva Revisão temática Ciclo de estudos: 1º Ciclo em Ciências da Nutrição Instituição Académica: Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto Porto, 2019 i Resumo A importância da osteoporose, em termos de saúde pública, advém da sua alta prevalência e das suas complicações, nomeadamente as fraturas são as que provocam maior morbilidade, mortalidade e elevados custos económicos. Estima- se que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens em todo o mundo com idades acima dos 50 anos sofrem de fraturas por fragilidade óssea, provocada pela osteoporose. O método de diagnóstico gold standard é a avaliação da densidade mineral óssea por absorciometria radiológica de dupla energia. A otimização do pico de massa óssea constitui o principal objetivo da prevenção da osteoporose durante a infância e adolescência e garantir o aporte de proteínas, mas também, sobretudo de cálcio e vitamina D tem-se revelado essenciais para garantir a saúde óssea. Nos idosos, para além da importância na redução da velocidade de perda de massa óssea, uma dieta equilibrada tem um papel fundamental na preservação da função muscular, fator determinante no risco de queda e fratura. Além do mais, a adequada ingestão de cálcio e vitamina D é crucial como auxiliar da terapêutica farmacológica para a osteoporose já estabelecida. Assim, o objetivo da presente revisão temática é expor a evidência existente sobre o papel do cálcio e da vitamina D na prevenção e tratamento da osteoporose. Palavras-chave: Osteoporose, cálcio, vitamina D, ingestão ii Abstract Osteoporosis is considered a serious public health concern due to its prevalence worldwide and its complications. In fact, fractures may lead to morbility, mortality and high economic costs. Currently, it’s estimated that one in three women and one in five men over 50 years old may suffer a fracture due to osteoporosis. Dual-energy x-ray absorptiometry is the gold standard technique used to measure bone density. Optimizing bone accrual during growth may be of greatest significance in preventing osteoporosis as well as an adequate ingestion of protein, calcium and vitamin D, since these are recognized as essencials in bone health. In the elderly, in addition to the importance of reducing the rate of bone loss, a balanced diet plays a crucial role in the preservation of muscle function, a determinant factor when it comes to the risk of falls and fractures. Furthermore, an adequate intake of calcium and vitamin D is crucial as adjunct to pharmacological therapy for established osteoporosis. Thus, the purpose of this thematic review is to expose existing evidence on the role of calcium and vitamin D in the prevention and treatment of osteoporosis. Keywords: Osteoporosis, calcium, vitamin D, intake iii Lista de abreviaturas, siglas e acrónimos DMO- Densidade mineral óssea DEXA- Absormetria Radiológica de Dupla Energia PTH- Hormona Paratiroideia 1,25(OH2)D- 1,25 dihidroxivitamina D IFCC- The International Federation of Clinical Chemestry IAN-AF- Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física VDR- Recetor nuclear de vitamina D IMC- Índice de Massa Corporal 25(OH)D- 25-hidroxivitamina D IOM- Institute of Medicine NOF- The National Osteoporosis Foundation ASPC- American Society for Preventive Cardiology iv Sumário Resumo e Palavras-Chave em Português .......................................................... i Resumo e Palavras-Chave em Inglês ................................................................. ii Lista de abreviaturas, siglas e acrónimos .......................................................... iii Introdução .......................................................................................................... 1 Metodologia ....................................................................................................... 2 Fisiopatologia da osteoporose ........................................................................... 2 Diagnóstico da osteoporose ............................................................................... 3 Caracterização do Cálcio ................................................................................... 4 Metabolismo .............................................................................................. 5 Doseamento .............................................................................................. 5 Deficiência ................................................................................................. 6 Ingestão excessiva .................................................................................... 7 Caracterização da Vitamina D ............................................................................ 7 Metabolismo .............................................................................................. 8 Doseamento .............................................................................................. 8 Deficiência ................................................................................................. 9 Ingestão excessiva .................................................................................. 10 Recomendações precognizadas de cálcio e vitamina D .................................. 10 Fortificação de alimentos ................................................................................. 11 Suplementação de cálcio e vitamina D ............................................................ 11 Efeitos Adversos ..................................................................................... 13 Análise crítica e conclusões ............................................................................. 14 Referências ...................................................................................................... 16 1 Introdução A osteoporose é uma patologia crónica e generalizada do esqueleto que se caracteriza por perda de massa óssea e alterações na microarquitectura do tecido ósseo, o que aumenta o risco de queda e fratura (1). Esta patologia surge como resultado da predominância da reabsorção óssea sobre a formação óssea, sendo a idade e a alteração do ambiente hormonal na pós-menopausa, os fatores de risco mais importantes (1). O aumento da proporção de população idosa, as alterações dos estilos de vida, os elevados custos económicos para o doente e serviços de saúde e os altos custos sociais associados às fraturas osteoporóticas, vêm reconhecer a osteoporose como um problema global de saúde pública. Em todo o mundo, estima- se que cerca de 200 milhões de pessoas vivam com osteoporose, em que 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens, acima dos 50 anos, sofrem ou irão sofrer uma fratura óssea ao longo da vida (2). Segundo o estudo epidemiológico de doenças reumáticas em Portugal, entre 2011-2013, a prevalência de osteoporose em pessoas com idade superior a 18 anos era de 10.2 % (17% em mulheres e 2.6% em homens) (3). Embora esta doença seja primariamente diagnosticada nos idosos, a prevenção da osteoporose começa na infância e adolescência através da adoção de comportamentos que previnem a perda de massa óssea. A genética contribui em 60-80% para a variação da densidade mineral óssea (DMO), apesar do impacto do estilo de vida, peso, composição corporal, bem como da ingestão de cálcio e vitamina D que são reconhecidos como essenciais paraa saúde óssea (4, 5). 2 Metodologia Para a elaboração desta monografia foi efetuada uma pesquisa bibliográfica de artigos científicos, com recurso a motores de busca como o PubMed, o Science Direct e a Scielo. As palavras-chave utilizadas para a pesquisa foram: osteoporosis and calcium, osteoporosis and vitamin D, osteoporosis diagnostic, bone phisiology, calcium and vitamin D supplementation, calcium metabolism e vitamin D metabolism. A preferência de pesquisa foi pelos artigos redigidos em Inglês e em Português. Por fim, inclui apenas estudos realizados em humanos, tendo excluído os executados em animais e in vitro. Fisiopatologia da osteoporose O esqueleto fornece a estrutura para o corpo, proteção para os órgãos e armazenamento de minerais. A deposição mineral óssea inicia-se in utero, especialmente no 3º trimestre (4). A massa óssea aumenta cerca de 40 vezes desde o nascimento até à idade adulta em que o pico de massa óssea, ou seja, o ponto onde é máxima a força e massa óssea, é atingido entre os 16 e 24 anos, mais cedo nas raparigas do que nos rapazes (5). Um aumento em 10% do pico da massa óssea é estimado na redução para metade do risco de fratura na vida adulta e é afetado pela ingestão de fontes de cálcio, vitamina D e proteína (6). O osso é composto por uma parte inorgânica que está organizada maioritariamente na forma de cristais de hidroxiapatita (fosfato de cálcio) e uma parte orgânica denominada de matriz óssea extracelular ou osteóide composta por colagénio, proteínas não colágenas e fatores de crescimento (7). O osso desenvolve-se de forma intramembranosa ou por formação endocondrial. A reabsorção óssea, iniciada pelos osteoclastos, e posterior reformação óssea, 3 iniciada pelos osteoblastos, são importantes na reparação de micro fraturas e modificação da estrutura para responder ao stress e forças mecânicas (8). O balanço entre a formação óssea e reabsorção óssea torna-se progressivamente negativo, com maior predominância a partir dos 65 anos o que pode ter como resultado o surgimento de osteoporose. No entanto, os homens têm menos suscetibilidade a desenvolver esta patologia devido ao maior ganho de massa óssea na puberdade e menor perda. Nas mulheres pós menopausa, ocorre um declínio na produção de estrogénios que leva a um aumento da atividade osteoclástica, com progressiva perda de massa óssea. Para agravar isto, a força muscular decresce 10 a 20% depois dos 50 anos com impacto no risco de queda e maior predominância de fraturas (9, 10). Diagnóstico da osteoporose A osteoporose pode ser diagnosticada pela ocorrência de fraturas de fragilidade ou pela baixa DMO. O método gold standard é a avaliação da DMO por absorciometria radiológica de dupla energia (DEXA) (11). A DEXA é um método de baixa sensibilidade e permite identificar três categorias de diagnóstico: normal, osteopenia e osteoporose. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os resultados são expressos em T-scores e são usados para interpretar a DMO correlacionando com o risco de fratura em que T≥ -1: normal; - 2,5Chemistry (IFCC) recomenda o uso de heparina como anticoagulante para a determinação do cálcio ionizado no sangue (31). Deficiência: De acordo com os dados do Inquérito Alimentar Nacional e Atividade Física (IAN-AF), a média diária de ingestão de cálcio situa-se nos 774mg/dia sendo os idosos o grupo etário com menor ingestão alimentar (719mg/dia) (32). Uma ingestão insuficiente de cálcio, bem como a deficiência de vitamina D e níveis inadequados de PTH que comprometem a absorção intestinal de cálcio e aumentam a sua excreção, pode levar ao aparecimento de hipocalcemia, osteoporose bem como a um risco aumentado de fraturas (33). Existem grupos de risco com maior tendência à deficiência em cálcio como as mulheres (pós menopausa, amnorreicas, e tríade atleta feminina), intolerantes à lactose ou alergia ao leite de vaca, vegans, adolescentes e idosos (34). Segundo um artigo de revisão, a maioria dos países da Ásia têm uma ingestão de cálcio 3), da dieta ou suplementos e é armazenada no tecido adiposo, músculo e em menor quantidade noutros tecidos (39). A vitamina D tem um papel importante na saúde óssea através da interação com osteoblastos, osteoclastos e homeostase do cálcio-fósforo (40). Os recetores nucleares de vitamina D (VDR) são encontrados no tecido muscular e a sua ativação leva à síntese proteica, que contribui para a diminuição do desequilíbrio e melhorar a força muscular (41). A Vitamina D é composta por 4 anéis com diferentes cadeias laterais, derivados do colesterol, que forma a estrutura básica dos esteroides (42). As duas formas químicas principais da vitamina D são a vitamina D2 (ergocalciferol), obtida através das plantas e fungos e a vitamina D3 (colecalciferol), sintetizada na pele pela 7-dehidrocolesterol ou obtida dos animais, como o salmão, atum, sardinhas e gema de ovo (16). A pele é capaz de sintetizar 80-100% de vitamina D necessária mas é influenciada por fatores como a idade, pele escura, institucionalização e residência a maior distância do equador (43). Também alguns fármacos podem comprometer a absorção de vitamina D como anti- convulsionantes, glicocorticoides, laxantes, estatinas, antirretrovirais e imunossupressores (44). Além disso, o índice de massa corporal (IMC) correlaciona-se de forma indireta com os valores séricos de vitamina D, que são menores em obesos, 8 podendo ser parcialmente explicada pela pouca prática de atividade física e exposição solar. Também, uma alta proporção de tecido adiposo leva ao sequestro de vitamina D e decresce a sua biodisponibilidade (45). Metabolismo: A vitamina D depois de absorvida no intestino delgado é incorporada em quilomicrons, que são absorvidos no sistema linfático e entram na circulação venosa. Durante a hidrolisação dos quilomicrons, a fração de vitamina D é ativada, armazenada ou distribuída para outros órgãos ou tecidos (46). A vitamina D requer uma primeira hidroxilação no fígado, pela 25-hidroxilase, a 25-hidroxivitamina D (25(OH)D (calcidiol) que requer uma outra hidroxilação a nível renal, pela 1α-hidroxilase para formar a 1,25-dihidroxivitamina D (1,25(OH)2D), (calcitriol), a forma biologicamente ativa que circula em concentrações inferiores às da 25(OH)D, mas tem uma maior afinidade para o recetor (VDR). Este processo é regulado pela PTH e outros mediadores, incluindo as concentrações séricas de cálcio, fosfato e hormona de crescimento.(40) No intestino delgado, a 1,25(OH)2D, estimula a absorção intestinal do cálcio, sendo que apenas 10-15% e cerca de 60% do fósforo são absorvidos em casos de deficiência (47). No rim, estimula a reabsorção de cálcio do filtrado glomerular. A 1,25(OH)2D tem ainda um amplo espectro de outras ações biológicas (40). Os metabolitos da vitamina D são excretados através da bílis para as fezes e em escassa quantidade pela urina (46). Doseamento: O nível sérico de 25(OH)D foi considerado o marcador bioquímico de referência para determinar a concentração de vitamina D plasmática, uma vez que é quantificada aquela que é ingerida através da dieta, a que é produzida pela ação da radiação UV-B e a que é a convertida a partir dos depósitos adiposos no fígado (48). A forma ativa da vitamina D, a 1,25(OH)2D, não fornece 9 informação fidedigna sobre o conteúdo corporal de vitamina D, dado que, na presença de défice desta vitamina, há elevação da paratormona (PTH), o que irá aumentar a atividade renal para produzir calcitriol (49). O doseamento de 25(OH)D baseada em cromatografia líquida com deteção por espectrometria de massa em tandem (LC-MS) é considerado o melhor método (47). Deficiência: Não existe um consenso sobre a definição dos pontos de cut- off para determinar a deficiência de vitamina D. The Institue of Medicine (IOM) definiu como 50 nmol/l=suficiência (48). Os níveis séricos de (25 (OH)D) ideais para a manutenção da saúde óssea são de 50 a 75 nmol/L (50). A deficiência de vitamina D é responsável pela diminuição dos níveis séricos de cálcio ionizado, provocando um aumento na produção e secreção do PTH, comprometendo a saúde óssea e aumenta a probabilidade de ocorrência de quedas e fraturas devido à fraqueza muscular (50). Dados de um estudo europeu sugerem que a deficiência de 25(OH)D está espalhada pela Europa (51). Segundo os dados do IAN-AF, a média de ingestão de vitamina D em Portugal é de 6,7 µg/dia, sendo os idosos o grupo com menor ingestão (5,5 µg/dia) (32). Quanto ao doseamento sérico de vitamina D, em Portugal, não existe nenhum estudo que avalie toda a população com o recurso a uma amostra representativa, pelo que os dados disponíveis se referem apenas a algumas subpopulações específicas. Numa amostra representativa de 1500 idosos portugueses, o estudo Nutrition UP65, a prevalência de deficiência de vitamina D era de 40 % e de inadequação era de 30% (52). Numa amostra de adolescentes da região do Porto observaram-se igualmente níveis baixos desta vitamina, com particular incidência nos meses de Inverno (53). Na população idosa, a expressão do recetor nuclear VDR está reduzido, pelo que 10 os níveis séricos de 25(OH)D baixos e alta PTH aumenta o risco de sarcopenia (54). A título de exemplo, um outro estudo da Nutrition UP 65 observou-se que o risco de deficiência de vitamina D estava correlacionado com a diminuição da velocidade da marcha e a força de preensão da mão (55). Ingestão excessiva: A intoxicação por vitamina D ocorre após uma ingestão excessiva de Vitamina D (hipervitaminose D) especialmente associada a suplementação inapropriada e não a uma exposição solar prolongada, devido à fotoconversão da pré vitamina D3 a metabolitos inativos (39). A hipervitaminose D está associada a dor, anorexia, vómitos, hipercalcemia e hipercalciúria, sendo este último o indicador mais sensível dos efeitos adversos da vitamina D. Geralmente ocorre quando os níveis séricos estão acimade 375nmol/L (150ng/ml) (56). Recomendações de Cálcio e Vitamina D Tabela 1: Dietary references intake de cálcio e vitamina D do (IOM).(57) a 40UI= 1µg de vitamina D b RDA= Recommended Dietary Allowances c UP = Tolerable Upper Intake Levels d UI = Unidades Internacionais Cálcio Vitamina D1a Idade RDAb (mg/dia) ULc (mg/dia) RDAb (UId/dia) ULc (UId/dia) 0-6 meses 200 1000 400 1000 6-12 meses 260 1500 400 1500 1-3 anos 700 2500 600 2500 4-8 anos 1000 2500 600 3000 9-18 anos 1300 3000 600 4000 19-50 anos 1000 2500 600 4000 51-70 anos (homens) 1000 2000 600 4000 51-70 anos (mulheres) 1200 2000 600 4000 >70 anos 1200 2000 800 4000 14-18 anos (gravidez/amamentação) 1300 3000 600 4000 19-50 anos (gravidez/amamentação) 1000 2500 800 4000 11 Fortificação de alimentos Em alguns países existe legislação em que a fortificação alimentar de vitamina D é obrigatória. Por exemplo, na Finlândia é recomendada a fortificação em vitamina D nos leites e manteigas/margarinas, tendo a indústria alargado a outros alimentos. Com esta política nutricional, os níveis séricos médios de 25 (OH)D aumentou de 47,6 nmol/L em 2000 para 65,4 nmol/L em 2011. Nos Estados Unidos e Reino Unido é usual a fortificação das farinhas com cálcio. No entanto, surgem dúvidas quanto ao custo-efetivo de uma política de fortificação alimentar. Na Alemanha, foi estimado que a suplementação de vitamina D (800UI/dia) tinha um custo de 11 cêntimos/pessoa e a fortificação em cálcio (200mg/dia) tinha um custo de 22 cêntimos/pessoa, sendo o custo anual de 41 milhões de euros e reduzindo os gastos em 365 milhões de euros com a diminuição de fraturas (58, 59). Suplementação de cálcio e vitamina D A suplementação de cálcio e vitamina D tem sido recomendada como primeira linha terapêutica para a prevenção e tratamento da osteoporose. A suplementação não deve ser recomendada em indivíduos com uma ingestão alimentar adequada e com níveis séricos de cálcio e vitamina D dentro dos parâmetros normais (60-62). Segundo os dados do IAN-AF, o grupo etário com maior percentagem de consumo de suplementos de cálcio são os idosos (59,9%) e de vitamina D as crianças (40,2%) (32). Na suplementação, o cálcio aparece associado a sais sendo os mais comercializados o carbonato de cálcio (40%) que é insolúvel e o citrato de cálcio (21%) que é mais solúvel (19). O citrato de cálcio não necessita de ser ingerido aquando as refeições porque a sua absorção é independente da libertação de ácido 12 no estômago, ao contrário do carbonato de cálcio, que tem maior biodisponibilidade e precisa de um meio ácido para ser absorvido (63). Nos suplementos, a vitamina D normalmente é disponibilizada sob a forma de D2 ou D3. Apesar do aumento dos níveis séricos de 25(OH)D serem semelhantes com ambas as formas, a partir do 14º dia de toma, nos doentes com vitamina D3 os níveis séricos de 25(OH)D continuam a aumentar atingindo valores máximos, ao contrário dos doentes tratados com vitamina D2, que caem para valores idênticos aos observados antes do tratamento (64). As formas ativas da vitamina D não são preferíveis pelo risco de provocar hipercalcemia. A depleção de vitamina D nos adultos depende da concentração sérica inicial de calcidiol e da capacidade absortiva de cada indivíduo. A concentração sérica de 25(OH)D pode aumentar 0.6-1.2nmol/L para cada 40UI de vitamina D3 administrado, sendo a resposta maior quanto menores os níveis séricos iniciais (62). Nas crianças e adolescentes, existe uma correlação entre a concentração sérica de 25(OH)D, a ingestão adequada de cálcio e um aumento da DMO (5, 65). Também, alguns estudos reportam benefícios da suplementação de pelo menos 1000mg de cálcio e 800UI de vitamina D na DMO de mulheres pós menopausicas e em idosos (66-68). No entanto, alguns estudos reportam que a suplementação isolada de 400 a 800UI de vitamina D não aumentava a DMO, apesar de aumentar os níveis séricos de 25(OH)D (69-71). A suplementação de cálcio e vitamina D tem sido recomendada na redução do risco de fraturas, embora existem dados clínicos que não mostram qualquer diminuição do risco (72, 73). A suplementação isolada de cálcio na prevenção de fraturas não é suportada pelos dados clínicos (74-76). Uma análise de Bischoff-Ferrari que inclui estudos experimentais das fraturas do fémur e não vertebral conclui que 13 uma dose diária de 700 a 800UI de vitamina D reduzia o risco de fratura. Com doses 700mg/dia ajuda na prevenção do risco de fratura (77). Similarmente na meta-análise da The National Osteoporosis Foundation (NOF), a suplementação de cálcio combinada com vitamina D obteve-se uma redução de 15% de todas as fraturas ósseas e 30% na fratura do fémur (60). No entanto, estudos que avaliaram idosos>70 anos saudáveis bem como com histórico de fraturas receberam suplementação de 800UI de D3 com ingestão media de cálcio 800-1000mg /dia, não houve decréscimo do risco de fratura (73, 78). Os dados clínicos sugerem que a otimização dos níveis de vitamina D é a intervenção que reduz o risco de quedas (79, 80). A suplementação com cálcio e vitamina D foi mais eficaz na redução de quedas e melhora a função muscular do que a suplementação isolada de cálcio (81, 82). Uma outra meta-análise de Bischoff- Ferrari et al. demonstrou que a suplementação de vitamina D isolada de pelo menos 700UI/dia com ou sem a suplementação em cálcio reduzia o risco de queda em 19% nos idosos. Também, uma concentração sérica de 60 nmol/L de 25(OH)D resultou numa redução de quedas em 23% enquanto que concentrações inferiores não tinham qualquer efeito (83). A suplementação isolada de ergocacalciferol a cada 3 meses durante 1 ano, não surgiu diferenças no risco de queda (84). Efeitos adversos: O facto de que a suplementação com cálcio e/ou vitamina D aumenta o risco cardiovascular é cada vez menos evidente devido a vários os estudos mostrarem um efeito protetor ou ausência de efeito cardiovascular (85-88). Por outro lado, a ingestão de cálcio proveniente de fontes lácteas diminui o risco de enfarte do miocárdio ou eventos cardiovasculares e os minerais presentes no leite atenuam a resposta das LDL à gordura presente no leite (89, 90). No entanto, a NOF 14 e American Society for Preventive Cardiology (ASPC) adotaram a posição que existe uma evidência de moderada qualidade de que a ingestão de cálcio com ou sem vitamina D derivado dos alimentos ou suplementos não tem qualquer relação (benéfica ou prejudicial) com o risco de doença cardiovascular e cerebrovascular, mortalidade ou todas as causas de mortalidade em adultos saudáveis. Também, a ingestão de cálcio que não exceda os limites máximos de ingestão é considerada segura a nível cardiovascular (91). Os suplementos de cálcio estão associados a um ligeiro aumento de desenvolver cálculos renais (72, 92). No entanto, o consumo de cálcio proveniente de produtos lácteos não aparenta causar cálculos renais em homens e mulheres, contribuindo mesmo para um efeito protetor (93, 94). Para a maioria dos indivíduos a alta ingestão de oxalatos e a baixa ingestão de líquidos pode ter um papel mais importante na formação de cálculos renais do que a ingestão de cálcio (93). A suplementação de cálcio pode aumentar a incidência de obstipação, flatulência e inchaço abdominal, sendo que o carbonato de cálcio está mais associado a estes efeitos adversos (61). Análise crítica e conclusões A osteoporose é descrita com uma doença pediátrica com consequências geriátricas. A prevenção da osteoporose começa na infância e adolescência através de intervenções na otimização do pico de massa óssea e saúde óssea, ou seja, a partir de um estilo de vida saudávele também pelo aporte adequado de cálcio e da vitamina D em todas as faixas etárias. A vitamina D é essencial para a absorção do cálcio, que está diretamente correlacionado com a DMO. Segundo os dados do IAN-AF, é possível que muitos portugueses não atingem as recomendações de ingestão de cálcio ao longo do ciclo de vida. No 15 caso da vitamina D, alguns estudos mostram valores preocupantes de deficiência ou inadequação na população portuguesa. Apesar de existirem fontes alimentares de ambos os nutrientes, a maioria das pessoas não recebem as quantidades adequadas de cálcio e vitamina D para a manutenção da saúde óssea sendo necessário recorrer à suplementação para atingir as necessidades. No entanto, é preciso ter em atenção que a suplementação em indivíduos sem deficiência destes dois nutrientes, não previne o aparecimento de osteoporose. A suplementação com cálcio e vitamina D resulta apenas em modesta redução do risco de fratura e parece ser mais eficaz em indivíduos com maior risco de insuficiência de cálcio e/ou vitamina D. Os dados clínicos não suportam a suplementação isolada de cálcio. Por outro lado, apesar do forte envolvimento do cálcio na fisiologia muscular, a otimização dos níveis de vitamina D, e não a suplementação com cálcio, é a intervenção que reduz o risco de quedas devido ao melhoramento da função muscular. O efeito protetor ou ausência de efeito cardiovascular com a suplementação e cálcio e vitamina D é mostrado por vários estudos. Em conclusão, uma ingestão adequada de cálcio e vitamina D bem como a manutenção dos níveis séricos dentro dos parâmetros normais são essenciais para a manutenção e redução de perda de DMO, decrescendo a probabilidade de vir a desenvolver osteoporose, bem como na redução de quedas e fraturas. Também a suplementação de cálcio e vitamina D está recomendada nos indivíduos identificados com osteoporose. No entanto, é preciso ter em atenção que as necessidades de cálcio e vitamina D podem ter uma variabilidade interindividual, por exemplo em indivíduos com doenças de mal absorção ou doenças hepáticas. 16 Referências 1. (NIH) TNIoH. Osteoporosis Overview. 2018. Disponível em: https://www.bones.nih.gov/health-info/bone/osteoporosis/overview. 2. Foundation IO. Epidemiology of Osteoporosis. Disponível em: https://www.iofbonehealth.org/epidemiology. 3. EpiReumaPt. 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