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DIABETES MELLITUS TIPO 2: FISIOPATOLOGIA, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E CONDUTA NUTRICIONAL 1. INTRODUÇÃO O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crônica caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue (hiperglicemia), resultantes da resistência à ação da insulina e da incapacidade progressiva do pâncreas de produzir insulina em quantidade suficiente para atender às necessidades do organismo. Atualmente, o DM2 representa um dos principais problemas de saúde pública no mundo devido ao seu crescimento acelerado, à elevada prevalência e às complicações associadas. O controle adequado da doença depende da combinação entre alimentação saudável, atividade física, tratamento medicamentoso e acompanhamento multiprofissional. 2. FISIOLOGIA DA GLICOSE E DA INSULINA Após a ingestão de alimentos contendo carboidratos, ocorre a digestão e absorção da glicose. A glicose circula no sangue e é utilizada pelas células para produção de energia. A insulina é um hormônio produzido pelas células beta do pâncreas e tem como principal função facilitar a entrada da glicose nas células. Em indivíduos saudáveis, existe equilíbrio entre produção de insulina e utilização da glicose. No Diabetes Tipo 2 esse mecanismo encontra-se comprometido. 3. FISIOPATOLOGIA DO DIABETES TIPO 2 O desenvolvimento do DM2 ocorre principalmente por dois mecanismos: 3.1 Resistência à insulina As células passam a responder de forma inadequada à ação da insulina, dificultando a entrada da glicose nos tecidos. 3.2 Deficiência progressiva da produção de insulina Com o passar do tempo, o pâncreas perde a capacidade de compensar a resistência insulínica, resultando em aumento persistente da glicemia. 4. FATORES DE RISCO Diversos fatores aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença: • Sobrepeso e obesidade. • Sedentarismo. • Histórico familiar de diabetes. • Hipertensão arterial. • Dislipidemias. • Idade acima de 45 anos. • Alimentação inadequada. • Síndrome dos ovários policísticos. • Diabetes gestacional prévio. 5. SINAIS E SINTOMAS Em muitos casos o DM2 apresenta evolução silenciosa. Quando presentes, os sintomas mais comuns são: • Poliúria (aumento da frequência urinária). • Polidipsia (sede excessiva). • Polifagia (aumento da fome). • Perda de peso não intencional. • Visão embaçada. • Cansaço frequente. • Infecções recorrentes. • Cicatrização lenta. 6. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS O diagnóstico pode ser realizado por meio dos seguintes exames laboratoriais: Glicemia de jejum: ≥ 126 mg/dL Hemoglobina glicada (HbA1c): ≥ 6,5% Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG): ≥ 200 mg/dL após 2 horas Glicemia casual: ≥ 200 mg/dL associada a sintomas clássicos 7. COMPLICAÇÕES DO DIABETES 7.1 Complicações microvasculares • Retinopatia diabética. • Nefropatia diabética. • Neuropatia diabética. 7.2 Complicações macrovasculares • Infarto agudo do miocárdio. • Acidente vascular cerebral. • Doença arterial periférica. Essas complicações estão relacionadas principalmente ao controle inadequado da glicemia ao longo dos anos. 8. TRATAMENTO O tratamento do DM2 envolve abordagem multidisciplinar. 8.1 Mudanças no estilo de vida • Alimentação equilibrada. • Controle do peso corporal. • Prática regular de atividade física. • Redução do consumo de ultraprocessados. • Controle do estresse. • Cessação do tabagismo. 8.2 Tratamento medicamentoso Dependendo da evolução clínica, podem ser utilizados: • Metformina. • Sulfonilureias. • Inibidores de SGLT2. • Agonistas de GLP-1. • Insulina. A escolha depende das características clínicas de cada paciente. 9. CONDUTA NUTRICIONAL A terapia nutricional é um dos pilares fundamentais do tratamento. Objetivos: • Melhorar o controle glicêmico. • Reduzir fatores de risco cardiovasculares. • Promover perda de peso quando necessário. • Melhorar a qualidade de vida. Principais recomendações: • Priorizar alimentos in natura e minimamente processados. • Consumir frutas, verduras e legumes diariamente. • Aumentar a ingestão de fibras alimentares. • Preferir carboidratos integrais. • Reduzir açúcares simples. • Fracionar as refeições quando indicado. • Adequar a ingestão de proteínas e gorduras saudáveis. 10. PAPEL DAS FIBRAS NO CONTROLE GLICÊMICO As fibras alimentares auxiliam no controle da glicemia ao retardar o esvaziamento gástrico e a absorção dos carboidratos. Fontes importantes: • Aveia. • Chia. • Linhaça. • Feijões. • Frutas com casca. • Hortaliças. 11. PREVENÇÃO Grande parte dos casos de Diabetes Mellitus Tipo 2 pode ser prevenida por meio de hábitos saudáveis. Medidas preventivas: • Manutenção do peso adequado. • Prática regular de atividade física. • Alimentação equilibrada. • Controle da pressão arterial. • Controle dos níveis de colesterol. • Acompanhamento periódico da saúde. 12. CONCLUSÃO O Diabetes Mellitus Tipo 2 é uma doença crônica de alta prevalência e importante impacto na saúde pública. O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. A terapia nutricional desempenha papel central no controle metabólico e na promoção da saúde. REFERÊNCIAS SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. São Paulo: SBD. MAHAN, L. K.; RAYMOND, J. L. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 15. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde.