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Anestésicos locais Letícia Oliveira Anestesia local • Perda da sensação em uma área circunscrita pela depressão da excitação nas terminações nervosas. Perda da sensibilidade sem indução da perda de consciência. • Induzem anestesia local: trauma mecânico, baixa temperatura, anóxia, irritantes químicos, agentes neurolíticos, agentes químicos. Propriedades mais desejáveis em um anestésico local • Não deve ser irritante (biocompatibilidade) • Não deve causar qualquer alteração permanente (reversível) • Toxicidade sistêmica baixa (boa potência/duração sem efeitos deletérios) • Eficaz, independentemente da forma de aplicação (tópica e injetável) • O tempo de início da anestesia deve ser o mais breve possível • A duração de ação deve ser longa o suficiente (o profissional deve escolher a solução que vai trazer o tempo de anestesia ideal para o procedimento) • Deve ter potência suficiente para induzir anestesia sem estar em concentrações prejudiciais • Deve ser relativamente isento de produzir reações alérgicas (antes, a alergia era comumente associada aos anestésicos do tipo éster. Atualmente, com o desuso dos anestésicos do tipo éster, os próprios conservantes do anestésico estão associados as reações alérgicas) • Deve ser estável em solução e prontamente passar por biotransformação no corpo • Deve ser estéril ou capaz de ser esterilizado Neurônios Neurônio sensitivo: responsável por levar a resposta ao estímulo doloso Neurônio motor: responde ao estímulo com a fuga da dor Axônio · Fibras mielinizadas: possuem uma camada de mielina (uma substância rica em lipídios) que envolve o axônio, interrompida em intervalos regulares pelos nódulos de Ranvier. A mielina atua como isolante elétrico, permitindo que o potencial de ação "salte" de um nódulo para o próximo, o que acelera a condução do impulso nervoso. Na condução saltatória, se o anestésico bloquear apenas um nódulo de Ranvier, o nódulo anterior terá potencial suficiente para saltar para o próximo e continuar a propagação do estímulo nervoso. É necessário cobrir uma área correspondente a de no mínimo 3 nódulos, de 8 a 10mm da fibra nervosa. · Fibras não mielinizadas: não possuem mielina. O impulso nervoso se propaga de forma contínua ao longo do axônio, o que é significativamente mais lento do que na condução saltatória. Eletrofisiologia da condução nervosa Membrana nervosa em repouso • Discretamente permeável aos íons sódio · O íon cálcio faz o controle dos canais de sódio e impede sua entrada nas células • Livremente permeável aos íons potássio · Como o potássio tem carga positiva e o interior da célula é positivo, ele permanece dentro por meio de atração eletrostática • Livremente permeável aos íons cloreto · Como o íon cloreto tem carga negativa e o exterior da célula possui carga negativa, ele permanece fora por meio de atração eletrostática Despolarização • Ao ocorrer um estímulo doloso, o cálcio se desloca, abrindo os canais de sódio, permitindo a entrada de cálcio na célula por meio de fluxo lento e, ao atingir o potencial limiar, ocorre o fluxo rápido desse íon, alterando o potencial no interior do axônio, que passa a ser positivo • Ou seja, essas condições ocorrem de forma passiva, basicamente por meio de atração eletrostática Repolarização • Os canais de sódio são inativados e as trocas ocorrem por meio da bomba de sódio e potássio, tendo gasto energético • Período refratário absoluto: a partir do momento que os canais de sódio são abertos, nenhum estímulo doloso naquela mesma localização pode gerar um novo estímulo nervoso (fechado aberto) • Período refratário relativo: um estímulo doloso superior ao inicial pode propagar um novo estímulo nervoso (inativo fechado) Mecanismo de ação dos anestésicos locais •Íons Ca++ são liberados e deslocados do sítio de regulação dos canais de Na+ moléculas de AL se ligam ao sítio receptor e produz o bloqueio do canal de Na+ (tipo D) Não havendo condutância do Na+, falha em atingir o limiar de despolarização bloqueio anestésico Moléculas de anestésico local • São aminas terciárias, com exceção de poucas secundárias (prilocaína, hexilcaína) • Apresentam características anfipática, com exceção da benzocaína (lipofílica) • As bases são poucos solúveis e instáveis a exposição ao ar, necessitando de combinações com ácidos formando os sais anestésicos Barreiras à difusão da solução Dissociação dos anestésicos locais Pka • Constante de dissociação • Simplificadamente, significa afinidade por hidrogênio. Quanto maior o pka, mais difícil a liberação da molécula de hidrogênio e quanto menor o pka mais fácil essa reação de equilíbrio. A base não consegue atravessar a bainha nervosa na forma catiônica/forma de sal, ou seja, precisa liberar o hidrogênio para entrar na célula. Ao entrar no meio intracelular, a molécula sofre um novo equilíbrio e se liga novamente ao hidrogênio, pois é na sua forma catiônica que ela vai gerar o bloqueio dos canais de sódio. • Em um PH ácido (com muito hidrogênio no local), essa dissociação/liberação de hidrogênio será dificultada. • O pka vai implicar no período de latência/tempo de ação. Independência do receptor • Separação do H+ (forma não ionizada) para a molécula entrar na membrana Dependência do receptor • União ao H+ e ligação no sítio, evitando a entrada dos íons sódio Propriedades físicas e ações clínicas • Solubilidade lipídica: determina potência do anestésico • Capacidade de ligação proteica: determina a duração anestésica • Constante pka: determina seu tempo de início • Vasoatividade: influencia a potência e a duração (todo anestésico local são drogas vasodilatadoras, e quanto mais vasodilatador ele é, menor a sua eficiência clínica/potencia, pois o anestésico irá para a macro circulação) Readministração do anestésico Metabolismo (biotransformação) • Pseudocolinesterase atípica: defeito genético na enzima pseucolinesterase • Ortotuluidina: é uns dos metabólitos ativos liberados após a metabolização da articaina. Transforma hemoglobina em metoblobina, causando metemoglobinemia cianose que não responde a administração de O2 Anestésicos ésteres Procaína • Potência: 1 • Toxicidade: 1 • Parâmetro de comparação para as outras drogas Anestésicos amidas • As drogas são comparadas a lidocaína Potência Toxicidade Classificação na gravidez Lidocaína 2 2 B Mepivacaína 2 1,5 a 2 C Prilocaína 2 1 B Controverso* Articaína 1.5x lidocaína Semelhante C Bupivacaína 4x lidocaína 4x menor C Obs: não recomendado na prática clínica devido a condição chamada de “síndrome do bebê azul”. Além de ser comumente associado a felipressina, que estimula a liberação de ocitocina, que induz contrações uterinas. Cálculo anestésico • 1% de solução: 10mg/mL • Tubete 1,8 ml a 1%: 18mg Exemplos: Vasoconstritores Farmacologia • Diminuem o fluxo sanguíneo (a perfusão) • A absorção para o sistema cardiovascular torna-se mais lenta • Diminui o risco de toxicidade do anestésico local • Aumentam a duração de ação • Diminuem o sangramento no local da administração Classificação Receptores adrenérgicos • São os alvos de ação dos vasoconstritores • Esses receptores fazem parte do sistema nervoso autônomo e são ativados por catecolaminas Receptores alfa α • Quando ativados, causam a contração do músculo liso dos vasos sanguíneos (vasoconstrição) · α1: Excitatórios pós sinápticos · α2: inibidores pós sinápticos · Tem um papel de “controle” sobre a ação dos alfa 1 Receptores beta β • Produz relaxamento do músculo liso (vasodilatação e broncodilatação) e estimulação cardíaca · β1: estimulação cardíaca e lipólise · β2: broncodilatação e vasodilatação Cálculo anestésico Dose máxima de adrenalina • ASA I: 0,2 mg/mL • ASA II/III: 0,04 mg/mL · Nesse caso, o cálculo será feito para o vasoconstritor e não com a base anestésica. · A felipressina se torna uma opção para esses pacientes, já que a dor pode causar a liberação de adrenalina endógena, que é muito mais deletéria do que a quantidade de vasoconstritor dada de forma controlada. image2.pngimage3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image1.png