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SETEMBRO / 2013
FILOSOFIA
&
SOCIOLOGIA
C O L É G I O
R
Prof. Salomão Santana
CIENCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
INTRODUÇÃO:
Caros alunos, nest
a distinção entre conhecimento
este conhecimento e o
conhecimentos sociológico que frequentaram as provas de vestibulares e, sobretudo, do ENEM.
A Filosofia e a Ciência surgiram na Grécia antiga, há quase três
outros povos cultivavam conhecimentos sem o sentido filosófico ou científico. Os egípcios, por
exemplo, conheciam a Matemática e a Astronomia, mas esses conhecimentos não eram para eles
filosóficos ou científicos. Por que esses conhecimentos não são considerados científicos?
tais saberes para fins específicos. A Matemática era utilizada para medir terrenos; a Astronomia era instrumento da Astrologi
Esses conhecimentos eram utilizados para f
conhecimento técnico é aquele que serve a outra coisa que não a ele mesmo. Por exemplo: se você sabe como fazer um
conhecimento só fará sentido se você fizer realment
casa e jamais utilizar tal técnica.
Os primeiros gregos inventaram um novo modo de ver o conhecimento.
cultivada por ela mesma. Quer dizer: alguém pode cultivar um determinado
Pode-se usar a Astronomia para a Astrologia (e aí o conhecimento da Astronomia
Astronomia por ela mesma, isto é, para conhecer as leis que
vivemos.Neste sentido a filosofia serve para alguma coisa?
da sua obra intitulada “A Metafísica” afirma
alguma, não tem uma finalidade fora dela mesma,
O NASCIMENTO DA FILOSOFIA
Filosofia significa
Atribui
afirmado que a sabedoria plena pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá
afirmava ainda que o filósofo é movido pelo desejo de saber.
A Filosofia é grega:
Diz
são peculiares ao povo grego e, portanto diferentes de outros povos e culturas, tais como os
hindus, chineses, japoneses, africanos, hebreus entre outros. Cada povo, c
história possuíam sabedoria, no entanto existem diferenças entre estas e a sabedoria grega, como
por exemplo, o pensamento chinês, que se utiliza da diferença entre os sexos, o Yin e o Yang (feminino e masculino,
respectivamente). Já o pensamento grego, na pessoa do filósofo Pitágoras utiliza
mais ampla do que apenas a sexualidade.
O que há no caso de outras culturas são sabedorias, pois são até certo ponto limitadas, deferente da filosofia gr
uma forma de exprimir pensamentos, muito mais ampla e completa e que por razões históricas e políticas difundiu
Europa e para o Brasil.
1
Mestrando em filosofia pela UFS – Psicanalítico clínico e professor da rede particular do ensino médio e superior.
AS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
SALOMÃO SANTANA
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Caros alunos, neste caderno apresentarei um resumo para o ENEM de
a distinção entre conhecimento científico e o conhecimento filosófico
este conhecimento e os demais ramos do conhecimento. Também apresentarei um breve resumo dos
conhecimentos sociológico que frequentaram as provas de vestibulares e, sobretudo, do ENEM.
A Filosofia e a Ciência surgiram na Grécia antiga, há quase três
outros povos cultivavam conhecimentos sem o sentido filosófico ou científico. Os egípcios, por
exemplo, conheciam a Matemática e a Astronomia, mas esses conhecimentos não eram para eles
conhecimentos não são considerados científicos? Porque eles acumulavam e desenvolviam
tais saberes para fins específicos. A Matemática era utilizada para medir terrenos; a Astronomia era instrumento da Astrologi
Esses conhecimentos eram utilizados para fins diferentes deles mesmos; eram, por essa razão, conhecimentos técnicos.
conhecimento técnico é aquele que serve a outra coisa que não a ele mesmo. Por exemplo: se você sabe como fazer um
conhecimento só fará sentido se você fizer realmente a casa ou ensinar a alguém a fazê-lo. Não faz sentido alguém saber fazer um
Os primeiros gregos inventaram um novo modo de ver o conhecimento. Eles descobriram que a ciência pode ser
r: alguém pode cultivar um determinado conhecimento sem ter em vista sua
para a Astrologia (e aí o conhecimento da Astronomia será apenas técnico); ou pode
hecer as leis que regem os movimentos dos astros, para saber como é o mundo em
Neste sentido a filosofia serve para alguma coisa? Para que serve a filosofia? O filósofo Aristóteles no primeiro capítulo
afirma que a Filosofia não serve a nada, quer dizer, a filosofia não é serva(escrava) de coisa
alguma, não tem uma finalidade fora dela mesma, pois é cultivada por amor ao próprio conhecimento e nada mais.
O NASCIMENTO DA FILOSOFIA
Filosofia significa amizade, amor pelo saber, portanto o filósofo é aquele que ama o saber.
Atribui-se ao grego Pitágoras de Samos a invenção da palavra filosofia. Ele teria
afirmado que a sabedoria plena pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá
mava ainda que o filósofo é movido pelo desejo de saber.
A Filosofia é grega:
Diz-se que a filosofia é grega tendo em vista que ela possui algumas características que
são peculiares ao povo grego e, portanto diferentes de outros povos e culturas, tais como os
hindus, chineses, japoneses, africanos, hebreus entre outros. Cada povo, c
história possuíam sabedoria, no entanto existem diferenças entre estas e a sabedoria grega, como
por exemplo, o pensamento chinês, que se utiliza da diferença entre os sexos, o Yin e o Yang (feminino e masculino,
o pensamento grego, na pessoa do filósofo Pitágoras utiliza-se do pensamento em uma generalidade muito
O que há no caso de outras culturas são sabedorias, pois são até certo ponto limitadas, deferente da filosofia gr
uma forma de exprimir pensamentos, muito mais ampla e completa e que por razões históricas e políticas difundiu
Psicanalítico clínico e professor da rede particular do ensino médio e superior.
1
1
resumo para o ENEM de Filosofia, apresentarei
filosófico, assim como a distinção entre
. Também apresentarei um breve resumo dos
conhecimentos sociológico que frequentaram as provas de vestibulares e, sobretudo, do ENEM.
A Filosofia e a Ciência surgiram na Grécia antiga, há quase três mil anos. Antes dos gregos,
outros povos cultivavam conhecimentos sem o sentido filosófico ou científico. Os egípcios, por
exemplo, conheciam a Matemática e a Astronomia, mas esses conhecimentos não eram para eles
Porque eles acumulavam e desenvolviam
tais saberes para fins específicos. A Matemática era utilizada para medir terrenos; a Astronomia era instrumento da Astrologia.
ins diferentes deles mesmos; eram, por essa razão, conhecimentos técnicos. Um
conhecimento técnico é aquele que serve a outra coisa que não a ele mesmo. Por exemplo: se você sabe como fazer uma casa, esse
lo. Não faz sentido alguém saber fazer uma
Eles descobriram que a ciência pode ser
conhecimento sem ter em vista sua aplicação imediata.
será apenas técnico); ou pode-se estudara
regem os movimentos dos astros, para saber como é o mundo em que
O filósofo Aristóteles no primeiro capítulo
que a Filosofia não serve a nada, quer dizer, a filosofia não é serva(escrava) de coisa
pois é cultivada por amor ao próprio conhecimento e nada mais.
amizade, amor pelo saber, portanto o filósofo é aquele que ama o saber.
a invenção da palavra filosofia. Ele teria
afirmado que a sabedoria plena pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá-la e amá-la,
se que a filosofia é grega tendo em vista que ela possui algumas características que
são peculiares ao povo grego e, portanto diferentes de outros povos e culturas, tais como os
hindus, chineses, japoneses, africanos, hebreus entre outros. Cada povo,e projetar o futuro.
OS PRINCIPAIS SOCIÓLOGOS
Émile Durkheim (1858-1917)
A teoria positivista, fundada pelo francês Auguste Comte, procura explicar as
relações sociais a partir da aplicação da metodologia das ciências naturais à sociedade,
criando assim as Ciências Sociais; segundo o também francês Émile Durkheim, os
problemas sociais envolvendo trabalhadores e patrões (característica básica do capitalismo)
devem ser resolvidos dentro da lei e da ordem, ou seja, o progresso só é possível pelo
respeito às normas impostas pela sociedade (“Ordem e Progresso”).
Fatos Sociais.
Para Durkheim, a sociedade constitui-se a partir de um conjunto de normas de
ação, pensamentos e sentimentos que não existem apenas nas consciências dos indivíduos,
mas são construídas exteriormente, isto é, fora das consciências individuais; desta maneira, o homem se defronta com regras de
conduta que não foram criadas diretamente por ele, mas que existem e são aceitas na vida em sociedade, devendo ser obedecidas
por todos. Sem elas, a sociedade não existiria, e é por isso que devem ser respeitadas.
A partir deste conceito, Durkheim chama de Fato Social estas regras e normas coletivas que orientam a vida em sociedade.
Estes fatos sociais possuem quatro características básicas: são gerais (devem ocorrer em todos os tipos de organização social),
exteriores (é exterior ao indivíduo, ou seja, não são determinados por ele), coercitivos (são impostos pela sociedade ao indivíduo, e
sua desobediência passível de punição) e anteriores (são mais antigos que todo e qualquer indivíduo).
É justamente a educação o melhor exemplo de fato social: o individuo não nasce sabendo previamente as normas de
conduta necessárias para a vida em sociedade; esta possui o dever de educar seus membros, fazendo com que aprendam as regras
necessárias à organização da vida social. As gerações adultas transmitem aos mais novos aquilo que aprenderam ao longo de sua
vida em sociedade. É desta maneira que ocorre a perpetuação do grupo social, juntamente com suas regras (fatos sociais) apesar da
morte dos indivíduos. O que aprendemos na escola? Idéias, sentimentos e hábitos que não possuímos no momento em que
nascemos, porém essenciais para a vida em sociedade: a linguagem, por exemplo, é aprendida, em grande parte, na escola. Ninguém
nasce sabendo a língua do seu País. É necessário um aprendizado, que irá possibilitar uma comunicação satisfatória com seus
semelhantes; sem o aprendizado da linguagem, a criança não poderia participar da vida em sociedade. Desta maneira, Durkheim
afirma que é a sociedade, como uma coletividade, que organiza e controla as ações individuais. O indivíduo aprende a seguir
normas e regras de ação que lhe são exteriores e coercitivas: as instituições sociais socializam o indivíduo, fazendo com que eles
assimilem as regras e normas necessárias à vida comum. O fato social só pode ser definido, portanto, como algo socialmente feito,
construído nas relações sociais.
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Tipos de Solidariedade
Segundo a teoria positivista, a base da sociedade capitalismo são as interrelações existentes entre os indivíduos
constituintes da sociedade; esta é uma diferença básica entre o positivismo e o materialismo histórico de Marx, que enxergava nas
relações econômicas a base do convívio social. Podemos diferenciar, segundo Durkheim, dois tipos de solidariedade distintos, que
serão expostas a seguir.
Solidariedade Mecânica.
É a união de pessoas decorrente de semelhanças quanto à religião, tradição ou sentimentos; este tipo de união sufoca a
individualidade, pois se a opinião de um membro diferir da opinião do restante do grupo ocorrerá um conflito interno e, como a
sociedade tende a seguir as opiniões gerais, a opinião individual acaba sendo excluída em favor da predominância do consenso do
grupo social, visando, desta maneira, a coesão social do grupo. Por suprimir a participação individual, não pode ser caracterizada
como um tipo de solidariedade essencialmente capitalista.
Solidariedade Orgânica.
É a união dos indivíduos a partir da dependência que as pessoas possuem em relação aos outros que fazem parte da
sociedade em que vivem para realizar algum tipo de trabalho social; este tipo de solidariedade é uma característica basicamente
capitalista, pois o que une as pessoas neste contexto não é uma crença em comum, mas a interdependência das funções sociais, que
é uma conseqüência da divisão do trabalho social. Segundo Durkheim, este tipo de relação ressalta a individualidade, pois permite a
uma pessoa trabalhar sem a interferência de outros membros da comunidade.
TRAÇOS ESSENCIAIS / TIPO DE
SOLIDARIEDADE
MECÂNICA ORGÂNICA
Princípio de Funcionamento Similitude (semelhança) Diferenciação
(especialidade)
Caracterização da Sociedade Primitiva Moderna
Impregnação na consciência coletiva
Solidariedade coextensível a toda a
existência; exprimisse com muita força
devido ao rigor crescente dos castigos
infligidos àqueles que violam as proibições.
Cada qual é livre para crer, querer e agir
segundo suas próprias preferências;
menor intensidade, mas maior
permissividade no corpo social.
Karl Marx (1818 - 1883)
Karl Marx propõe-se a explicar a sociedade capitalista através da análise das
relações de trabalho entre patrões e empregados, ou seja, exploradores e explorados. Suas
percepções acerca da vida social fundamentam-se na análise de fatos concretos, o que
permitiu ao autor estabelecer leis de mudança social, reconhecendo a historicidade dos
fenômenos sociais.
Materialismo Histórico (Determinismo Econômico)
As relações sociais são as relações de produção que correspondem a um grau de
desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações constitui a
estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política, e à qual
correspondem formas de consciência social (ver infra-estrutura e superestrutura).Toda sociedade define-se, primeiramente, pelas
estruturas que permitem aos homens viverem materialmente.
O moinho da época feudal implicou necessariamente a presença do suserano, ao passo que a máquina a vapor
acompanhou o desenvolvimento do capitalismo industrial; o inverso não seria possível. Tais estruturas formam, portanto,um
“sistema”, o modo de produção, que se divide em forças produtivas e relações de produção. As forças produtivas compreendem o
conjunto dos recursos materiais(energia, matérias-primas, máquinas...) e humanos (mão-de-obra, qualificação...)disponíveis em uma
determinada sociedade.
As relações de produção definem-se como as relações de propriedade e de controle das forças produtivas; é a partir destas
relações que ocorre a existência de classes sociais com interesses antagônicos.A sucessão dos diferentes modos de produção traduz-
se pelo desenvolvimento das forças produtivas, cada vez mais socializadas, e pela miséria crescente de muitos.Tamanha ampliação
da riqueza coletiva, contudo, é incompatível com a pauperização da maior parte da sociedade, o que apresenta reflexos nas
instituições sociais. Segundo Engels, a origem da família esta relacionada à necessidade da criação de um instrumento que
permitisse a transmissão dos bens materiais, necessidade esta ligada ao processo de generalização da propriedade privada nas
comunidades humanas.
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Superestrutura/Infra-estrutura
A sociologia marxista gira em torno de dois conceitos: a infra-estrutura, composta pelos meios materiais de produção
(meios de produção e força-de-trabalho), e a superestrutura, que compreende as esferas política, jurídica e religiosa, ou seja, as
instituições responsáveis pela produção ideológica (formação das idéias e conceitos)da sociedade.
Segundo a sociologia marxista, a superestrutura é determinada pela infraestrutura, ou seja, a maneira na qual a economia de
uma sociedade é organizada irá influenciar nas ideologias presentes na sociedade. Tudo o que não pertence à esfera da produção de
mercadorias (infra-estrutura) pertence ao que Marx chama de superestrutura (instituições jurídicas e políticas, representações
mentais, etc); segundo o autor, as relações jurídicas não podem ser entendidas em si mesmas: encontram suas raízes nas condições
de existência material de uma sociedade. Deste modo, a análise da religião como “ópio do povo” segue esta mesma linha, ou seja, as
instituições políticas são instrumentos a serviço da reprodução da estrutura de classes, seja ela qual for.
A Mercadoria
Marx apresenta a sociedade capitalista como um grande depósito de mercadorias; neste sistema, as relações sociais são
baseadas nas trocas comerciais. O sistema de trocas é essencial para a vida em sociedade, pois é impossível um só homem produzir
todos os bens de consumo de que necessita, dado que a exigência humana, para a plena satisfação da vida, é grande e variada. Para
resolver este problema, as pessoas trocam entre si os produtos que necessitam para viver.O grande problema deste processo é
determinar o valor de cada produto. Na troca simples de mercadorias, o que determina este valor é o tempo de trabalho
socialmente gasto para sua produção.
É neste contexto que aparece o dinheiro, que possui a função de equivalente geral das mercadorias, ou seja, o dinheiro é
uma mercadoria aceita por todos os membros da sociedade. Este processo pode ser representado pela equação MERCADORIA ->
DINHEIRO -> MERCADORIA. A função do dinheiro, portanto, nada mais é do que facilitar a troca de mercadorias entre os
indivíduos; outra característica das mercadorias é que possuem dois tipos distintos de valores: Valor de Troca (capacidade de ser
trocada, valor monetário) e Valor de Uso(utilidade, importância dentro de uma sociedade).
O processo de transição do mercantilismo (acúmulo de metais) para o capitalismo (acúmulo de capitais) é representado
pela mudança do setor em que a acumulação de bens ocorre. Enquanto que no mercantilismo a acumulação ocorre através do
comércio (troca de mercadorias), no capitalismo a acumulação, e o conseqüente enriquecimento de uma parcela da sociedade, é
baseada na indústria (produção de mercadorias); é esta mudança que proporciona, segundo Marx, o surgimento do proletariado e a
maior exploração dos proprietários dos meios de produção em relação aos trabalhadores.
Classes Sociais
Segundo Marx, na sociedade capitalista as relações sociais de produção definem dois grandes grupos dentro da sociedade:
de um lado, os capitalistas, que são aquelas pessoas que possuem os meios de produção, necessários para transformar a natureza em
mercadorias; do outro, os trabalhadores, também chamados de proletários, aqueles que nada possuem, além de seu corpo e sua
disposição para trabalhar.
A produção na sociedade capitalista só se realiza porque capitalistas e proletários entram em relação: o capitalista paga ao
trabalhador um salário para que trabalhe para ele e, no final da produção fica com o lucro; este tipo de relação leva à exploração do
proletário pelo capitalista, pois o valor recebido é menor do que o valor produzido por este trabalhador. Assim, surgem conflitos
dentro da sociedade entre estas duas classes – conflito que não pode ser resolvido dentro da lógica capitalista. Assim, o conceito de
classe em Marx estabelece um grupo de indivíduos que ocupam uma mesma posição nas relações de produção em determinada
sociedade. A classe a que pertencemos é que condiciona, de maneira decisiva, nossa atuação social.
No exemplo de uma greve, patrão e empregado podem possuir relações amistosas, porem, quando uma greve ocorre,
observamos um conflito entre duas classes; patrão e empregado ficam em lados opostos, pois pertencem a classes diferentes e
possuem interesses divergentes. Nesse sentido, é especialmente a situação de classe que condiciona a existência do indivíduo e sua
relação com o resto da sociedade: podemos compartilhar idéias e comportamentos com indivíduos de outras classes, mas no
momento do conflito as diferenças irão aparecer de acordo com a classe em que pertencemos.
A Formação do Capital
Se no mercantilismo (primeira fase do modo de produção capitalista) a principal forma de acumulação de capital é a
realização das trocas de mercadorias (Comércio), o capitalismo industrial baseia-se na produção de mercadorias (Indústria). Neste
processo, a finalidade é incentivar a circulação de mercadorias agregando valor ao produto, aumentando o capital utilizado como
investimento; o lucro do empresário, entretanto, não provém das trocas comerciais já que todas as mercadorias possuem valor
agregado; desta maneira, o aumento da quantidade de capital não nasce no momento da troca, e sim no momento em que ocorre a
Produção das Mercadorias.
O burguês (proprietário do meio de produção) só pode aumentar o valor de uma mercadoria acrescentando a esta
mercadoria maior quantidade de trabalho: por exemplo, para aumentar o valor do produto couro, acrescenta trabalho e transforma
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este produto em um par de sapatos, aumentando o valor do produto. É esta lógica que impulsiona o processo de desenvolvimento
das indústrias a partir da segunda metade do século XIX na Europa.
Mais-Valia
Para a sociologia marxista, é no momento em que o burguês compra a força-de trabalho de seu empregado que nasce o
processo de exploração capitalista: o empregador, ao pagar os salários, nunca paga a estes o que realmente produziram. Desta
maneira, o burguês enriquece pois o trabalhador produz muito mais do que recebe; esta diferença é apropriada pelo burguês,
constituindo-se o lucro que caracteriza o que Marx chama de Mais-Valia. É esta mais-valia que caracteriza o capital, pois parte dela
é reempregada no processo de acumulação capitalista na forma de novas máquinas para aumentar a produção de mercadorias ou na
contratação de novos funcionários.
Max Weber (1864-1920)
Na obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, a intenção de Weber não é tanto
analisar o nascimento e desenvolvimento do capitalismo enquanto sistema econômico. Trata-se mais
de compreender o encadeamento de forças e de idéias que permitiu a emergência desse motor: o
“espírito do capitalismo”. Este retira sua legitimidade da ética protestante e empresta sentido à
história dos homens. O capitalismo moderno não apenas modifica as relações econômicas e sociais,
mas ainda inventa uma nova ética que derrubará as práticas tradicionais e permitirá o surgimento de
forças produtivas sem equivalentes na história da humanidade.
O “Espírito” do Capitalismo
Uma ordem social internaliza-se no corpo social com seu sistema de coações e constrangimentos que permitem sua
reprodução. O que parece “sensato” a uma época não o é mais na época seguinte. O significado das palavras incorpora-se em novas
práticas, sendo que essas modificam os significados originais dos termos; o processo que aqui nos interessa está ligado ao
fortalecimento do capitalismo acompanhado das mudanças provenientes das Reformas Protestantes.
Tratava-se de favorecer uma nova ética, no sentido de regras morais coercitivas e absolutas que devem apoderar-se de
todos os aspectos e de todos os momentos da vida cotidiana. Esse novo éthos questionou o sistema de valores tradicionais
(representados pela moral católica dominante durante a Idade Média). Pareceram “insensatos” e um abandono do dever os
comportamentos que faziam das recompensas materiais obtidas pelo trabalho uma finalidade em si mesma. Desse momento em
diante, era preciso viver para trabalhar e não mais trabalhar para viver: “Na verdade, essa idéia particular,hoje para nós tão familiar,
mas na verdade muito pouco evidente, de que o dever se cumpre no exercício de um ofício, de uma profissão, é característica da
ética social da civilização capitalista, em certo sentido, ela é o seu próprio fundamento” (Weber, 1902).
Essa idéia permitiu um desvio das energias que passaram a ser investidas em atividades outrora pouco valorizadas, como o
comércio e o enriquecimento através deste. Uma nova coerência instalou-se e, partindo de minorias ativas, atingiu pouco a pouco
todas as camadas da sociedade.
Ética protestante e o moderno espírito capitalista.
Para começar a construção do que vai entender por espírito do capitalismo, no início do capítulo II de A Ética Protestante
e o Espírito do Capitalismo, Weber cita a autobiografia de Benjamin Franklin, pois considera que ela representa o espírito do
capitalismo com a vantagem de ser livre de qualquer relação direta com a religião. Neste documento, Weber nota que não é pregado
apenas um meio de fazer a própria vida, mas uma ética peculiar, que não é um mero bom senso comercial e sim um ethos, ou seja,
uma ética que regula toda a vida social. A infração de suas regras não é tratada como uma tolice, mas como um esquecimento do
dever. Tal ética vai sendo construída pelo ganhar mais e mais dinheiro combinado com o afastamento estrito de todo prazer
espontâneo de viver.
Assim, a aquisição econômica não está mais subordinada ao homem como um meio para a satisfação de suas necessidades
materiais. Há, a partir de então, uma inversão desta “relação natural” e isso consiste no princípio guia do capitalismo. O ganho de
dinheiro na moderna ordem econômica é expressão da virtude e da eficiência em certo caminho. “Virtude” e “eficiência” são
chaves na ética construída por Benjamin Franklin, e daí surge à idéia do dever do indivíduo em relação a sua carreira – base
fundamental da ética social da cultura capitalista. Weber coloca que um dos elementos fundamentais do espírito do capitalismo
moderno, e não só dele (capitalista) mas de toda a cultura moderna, é a conduta racional baseada na idéia de vocação, nascida do
espírito do ascetismo cristão. O autor coloca que o puritano quis trabalhar no âmbito da vocação e fomos todos forçados a segui-lo.
O ascetismo introduziu-se na vida cotidiana formando a moderna ordem econômica. Tal ordem está atualmente ligada às condições
técnica e econômica da produção pelas máquinas, que determina fortemente a vida de todos os indivíduos nascidos sob este regime.
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Conceitos Importantes da sociologia
Trabalho
Pensar a questão do trabalho sob perspectivas históricas e sociológicas é pensar como esta atividade humana desenvolveu-
se e organizou-se nas diferentes formas de organização social dos grupos humanos. Antes de analisarmos algumas formas de
trabalho, é necessário responder à pergunta: para que existe o trabalho? Ao procurar responder a esta questão, outra pergunta
coloca-se quase imediatamente: quem “inventou” o trabalho? À primeira questão podemos responder afirmando, o mais
genericamente possível, que o trabalho existe para satisfazer as necessidades humanas, desde as mais simples, como alimento e
abrigo, até as mais complexas, como as de lazer e crença;enfim, necessidades físicas e espirituais. Quando se analisam as diversas
formas de sociedade vamos encontrar não só os mais variados modos de organização do trabalho como também maneiras muito
diferentes de se valorizar esta atividade, assim como as outras esferas da vida social.
Podemos afirmar que apenas o ser humano realiza trabalho, sociologicamente falando, e não todos os animais: a ação dos
demais animais é biológica, instintiva,enquanto que a ação humana é conscientemente articulada para um fim especifico e
prédeterminado. Karl Marx afirma que “(...) uma aranha executa operações que se assemelham às tarefas de um tecelão, a
construção das abelhas poderia até envergonhar, por sua perfeição, o melhor dos engenheiros. Mas existe um fato que faz o pior
dos engenheiros ficar à frente da abelha, pois o primeiro, antes de executar sua construção, já tem um projeto em sua mente. Ao
terminar o processo de trabalho, nasceu m resultado que, mesmo antes de ser iniciado, já existia na cabeça do homem, isto é,já tem
um projeto em sua mente. Ao terminar o processo de trabalho, nasce um resultado que, antes mesmo de ser iniciado, já existia na
cabeça do homem, isto é, já possuía uma existência ideal.”Todo trabalho humano resulta da combinação de dois tipos de atividade:
manual e intelectual. O que varia é a proporção com que esses dois aspectos entram no processo de produção.
O trabalho de um operário é mais manual que intelectual; em alguns casos quase exclusivamente manual. Ainda assim,
exige um mínimo de esforço mental. Já o trabalho de um engenheiro é mais intelectual do que manual – a elaboração e os cálculos
necessários para projetar uma ponte, por exemplo. Ainda assim, sua atividade tem um aspecto manual, seja no manuseio de seus
instrumentos de trabalho, seja na passagem do projeto para o papel. Concluímos então que não existe trabalho exclusivamente
intelectual ou trabalho exclusivamente manual: o que existem são atividades predominantemente intelectuais ou
predominantemente manuais. Existe também uma outra maneira de se classificar os tipos de trabalho, conforme o grau de
capacitação do individuo que realiza determinada função. Desta maneira, temos:
• Trabalho qualificado – não pode ser realizado sem um certo grau de aprendizagem e conhecimento técnico.
• Trabalho não-qualificado – pode ser realizado praticamente sem nenhum tipo de aprendizagem anterior. Esta classificação não é
uma simples divisão teórica, mas atinge profundamente a vida das pessoas, pois diferentes trabalhos são atribuídos conforme o grau
de capacitação ou qualificação exigido pelas tarefas a cumprir.
Desigualdades Sociais: Estamentos e Classes Sociais
Os Estamentos
A sociedade feudal, que vigorou do século V ao XV, tinha sua organização social baseada em estamentos ou estratos.
A tradição contava como um dos elementos fundamentais na definição do conjunto de relações estabelecidas entre os diferentes
estamentos: nobreza, clero e servos. A honra, a hereditariedade e a linhagem eram os elementos organizadores dos estamentos, ou
seja, a hierarquização se estabelecia com base em um conjunto de valores culturais, definidos pela tradição. A sociedade estamental
correspondeu a um dado momento na história econômica e política da humanidade. As atividades sociais que cada estamento
desempenhava nessa ordem social eram encaradas como funções necessárias à manutenção da sociedade. Os diversos estratos
sociais tinham seus deveres reconhecidos pela tradição.
Sem nenhuma dúvida, a organização social baseada em estamentos também produz uma situação de privilégios para
alguns indivíduos. No caso da sociedade estamental, os privilégios estavam diretamente ligados à honra e à linhagem que cada
indivíduo possuía. Aqueles que dominavam (nobreza e clero) eram os que melhor se situavam no código de honrarias que vigorava
naquela sociedade. Havia, dessa forma, uma organização social em que os serviços, os cargos e a posse de terras estavam ligados à
estruturação do feudalismo; as atividades guerreiras, sacerdotais e de administração pública, bem como a posse das terras estavam
reservadas aos estamentos dominantes.
Esta relação de privilégios só era possível pois os estamentos não privilegiados reconheciam, na hereditariedade a honra
do outro: em outras palavras, os dominantes incorporavam, pelo conjunto de valores culturais (disseminados e sustentados pela
Igreja Católica), a idéia de que determinados indivíduos estavam, pela tradição, acima dos demais. O feudalismo como organização
econômica e política que vigorou na Europa Ocidental assentava-se nas relaçõesentre a nobreza, o clero e o servo: os dois
primeiros sobrepunham-se hierarquicamente na distribuição do poder, ou seja, constituíam os estamentos política e
economicamente dominantes.
A reciprocidade entre o servo e fundava-se na relação estabelecida entre servir e proteger. Tanto que não ter um senhor
que lhe desse proteção fazia com que o indivíduo fosse considerado desprotegido pela lei. Este sistema é conhecido como
vassalagem, que consistia em obrigar o servo contrair obrigações que iam além da submissão a um determinado dono se terras. Era
um juramento de fidelidade que repousava também na fosca das armas. Existia uma hierarquia de vassalagem que se sobrepunha a
todos os estamentos e os interligava, do estrato mais inferior até o topo da pirâmide social todos se encontravam ligados por uma
trama de obrigações, reciprocidade e fidelidade.
O poder, neste tipo de organização social, vincula-se à posse de terras, ou seja, os estamentos dominantes tinham na posse
das terras a fonte de seus poderes econômicos e políticos. A nobreza e o clero detinham grandes poderes, que vinham pelo
monopólio da posse de terras na Europa ocidental.
20
As Classes Sociais
A complexidade da organização social burguesa define relações que aparecem para os indivíduos de forma nebulosa. Só
são visíveis e palpáveis as desigualdades gritantes. As relações que produzem essas desigualdades, contudo, permanecem obscuras –
isto é, os fundamentos de sua existência e as formas como elas se reproduzem. Aparentemente, as desigualdades são concebidas
como naturais,ou seja, como algo sem relação com a produção da vida social. Mas, se examinarmos mais atentamente essa questão,
iremos perceber que as diferenças sociais, os privilégios, enfim, são produzidos socialmente.
A forma como o individuo se insere no conjunto de relações que ele estabelece no plano econômico e sócio-político é que
pode explicar a divisão da sociedade em classes sociais. No processo de produção capitalista a apropriação e a expropriação são
elementos básicos que vão delinear o traçado de uma estrutura social desigual. O expropriado (operário) é aquele que produz, que
cria as mercadorias em um processo de produção que é social. Mas o capitalista apropria-se do resultado dessa produção de forma
privada. Esta expropriação não é, todavia, apenas econômica, mas também intelectual. O operário é expropriado dia-a-dia da
possibilidade de desenvolver sua capacidade de criar, pensar e agir no trabalho; na sociedade burguesa, o processo de reprodução
social leva progressivamente à produção de interesses opostos, antagônicos, como parte do próprio movimento interno da estrutura
social capitalista. As classes sociais se constituíram de maneira oposta, fato que elimina qualquer idéia de que elas se tornaram
antagônicas num segundo momento. Desde os primórdios da sociedade capitalista, a burguesia e o operariado se definem como
classes antagônicas tanto no plano econômico quanto no político: econômico no nível da apropriação e expropriação dos bens
produzidos e político no nível da dominação que a classe burguesa exerce sobre os demais setores da sociedade.
As duas classes existentes no modo de produção capitalista, como definido por Marx, são a burguesia (personificação do
capital) e o proletariado (personificação do trabalho assalariado) – isso porque o capital e o trabalho assalariado são os elementos
básicos deste modo de organização social. As classes sociais são próprias da sociedade capitalista, e não convém tentar 20lcan-las
em outro tipo de sociedade. Na sociedade feudal a organização era estamental, e não de classes; isso porque a definição das classes
sociais se da com base em uma determinada forma de produzir, o que implica o estabelecimento de um conjunto de relações
especificas, só condizentes com a sociedade capitalista, como a mobilidade social ascendente ou descendente. A propriedade
privada, vigente na sociedade capitalista exige, por sua vez, outra forma de trabalho: livre e assalariado, assim como uma divisão do
trabalho cada vez mais sofisticada.
O Estado Liberal
A sociedade burguesa se implantou instituindo, de maneira revolucionária, o mercado livre e fazendo da sociedade civil
um sinônimo deste. Para que o desenvolvimento dessa sociedade fosse possível, era preciso que a separação entre o que é público e
o que é privado ganhasse contornos mais nítidos. O Estado liberal apresenta-se como desdobramento lógico dessa separação. O
Estado liberal pode ser, simultaneamente, representante do público e do que é privado. A revolução da burguesia transformou
radicalmente a sociedade feudal na Europa, exigindo uma nova forma de Estado, com uma estrutura de poder político capaz de
manter e ampliar suas conquistas; entre estas conquistas estava a extinção dos controles impostos pelo mercantilismo, que
impediam o pleno desenvolvimento comercial dos países e da burguesia. A burguesia do século XVIII reivindicava uma ampla
liberdade nas relações econômicas, o que significava restringir, mas não tirar o poder político do Estado.As razões da burguesia
para implantar o liberalismo econômico foram estampadas na teoria da mão invisível. Esta teoria surgiu na obra do inglês Adam
Smith intitulada A Riqueza das Nações (1776), na qual ele afirma existir uma lógica interna,uma razão própria, na produção das
mercadorias. Haveria um ordenamento perfeito,quase natural, no funcionamento das atividades econômicas.
Existiria uma lógica interna por trás da aparência confusa e desconexa da sociedade capitalista. A intervenção de qualquer
elemento externo (como o Estado) seria, portanto, dispensável.Em linhas gerais, só seria produzida uma mercadoria caso existisse
uma necessidade para o seu consumo, ou seja, o consumidor é a peça-chave para a ocorrência dessa relação. O mercado de compra
e venda de mercadorias regula a atividade produtiva;portanto não cabe ao Estado interferir na produção de produtos – qualidade,
quantidade,preços, etc – como ocorria no Estado absolutista. O lema era laissez-faire, laissezpasser(deixai fazer, deixai passar).Um
mercado livre garantiria igualdade a todos, sendo seus atores compradores e vendedores ao mesmo tempo, ou seja, todos
comprariam e venderiam alguma mercadoria: a burguesia como classe social detentora dos meios de produção, de um lado, e os
proletários de sua força de trabalho, de outro.
Os direitos inalienáveis do homem foram propagados e defendidos pela burguesia na época da sua revolução, e sustentava
a idéia de que todos são possuidores naturais do direito à liberdade, à igualdade, à vida e à propriedade. Todas as leis na sociedade
moderna deveriam se nortear por esses valores Seria possível ao Estado liberal ser muito eficaz na manutenção da segurança, desde
que estivesse atento às leis.Nesse sentido, o Estado protege a vida dos indivíduos e os bens públicos, ou seja, tudo aquilo que
pertence à sociedade. Mas também zela pela propriedade privada.Se a vida social podia ser ordenada racionalmente, não haveria
necessidade de novas revoluções.
A revolução burguesa seria a última – agora a razão controlava todas as paixões. Até o lucro, que na época feudal fora
condenado pela Igreja Católica como fruto de uma prática vil e egoísta, agora se enquadrava na lógica da produção, sob a bênção da
Igreja. O lucro foi justificado pela competência dos produtores e vendedores de mercadorias. O mais apto a produzir o melhor
produto, com um custo mais baixo, ofereceria este produto por um preço mais barato e, portanto, venderia mais do que o
concorrente, alcançando o lucro.Todos deveriam ser livres para produzir e vender seus produtos. Quem produzisse e vendesse mais
poderia lucrar e enriquecer rapidamente. A concorrência, a competição existente na sociedade burguesa, só podia ser benéfica.
A economia capitalista foi chamada de economiada livre concorrência.
21
O Estado do Bem-Estar Social
Já nas ultimas décadas do século XIX, o capitalismo da livre concorrência sofria alguns impactos produzidos no interior do
próprio sistema de produção. A livre competição, sem normas e freios, entre as empresas capitalistas provocou o desaparecimento das
mais fracas. Seja pelo aniquilamento do concorrente mais frágil,seja por forçar a junção das pequenas empresas, a disputa acelerou a
acumulação desigual de capital. Ao capitalismo interessa o lucro, não importando onde e como alcançá-lo. A burguesia almeja o lucro para
aumentar seu capital e obter ainda mais lucro.As empresas que dominaram os mercados, nacionais ou internacionais, dotaram o sistema
capitalista de uma nova característica: o monopolismo. A fusão de inúmeras empresas dos mais diferentes setores da produção com
grandes bancos permitiu que as corporações assim formadas tomassem conta dos mercados. Ao exportar para todo o mundo os produtos
industrializados, dominando as fontes de matérias-primas e emprestando capital aos países em fase inicial de industrialização, o capitalismo
financeiro passava a dominar globalmente as atividades econômicas. Com o capitalismo monopolista, a mercadoria começava a transitar
pelo mundo inteiro.
Assim, uma fábrica instalada na Ásia, que comprava matéria-prima da América Latina vendia seus produtos na Austrália. A
produção realizada em grande escala,diminuindo o custo por unidade, passou a encarar as pessoas de diferentes grupos sociais como
possíveis consumidores. Mas esse tipo de produção decorreu de uma alta tecnologia que implantou novas máquinas na divisão do
trabalho, potencializando a força produtiva, mas causando, por outro lado, um aumento considerável do desemprego por exigir mão-de-
obra cada vez mais qualificada.O sistema de produção capitalista sempre foi um gerador de crises de superprodução de mercadorias. Na
fase monopolista, essas crises podem ser avassaladoras, provocando a falência de centenas de fábricas,desempregando milhares de
trabalhadores, pondo a perder, de uma hora para a outra,vultosos investimentos de capitais.O Estado do Bem-Estar Social passa a ser um
agente de crucial importância nos setores de saúde, na implantação da rede de saúde, moradia e transporte.
Osinvestimentos públicos serão decisivos para a saúde pública, com a construção dehospitais e postos de saúde, além da
implantação de um sistema de saneamento básico,bem como para a construção de moradias populares, vias públicas e meios
detransportes. Para a parcela qualificada da força de trabalho chegava, afinal, algumas dasmelhorias previstas no direito de
cidadania.Contrariando as leis do liberalismo, o Estado do Bem-Estar Social deveriainterferir na economia para garantir o pleno emprego,
Ele assim o faria por meio de umapolítica financeira (juros baixos) para incentivar a empresa privada. Mas isto não seriasuficiente para
acabar totalmente com o desemprego.
O Estado deveria fornecer umaajuda social aos desempregados, surgindo, desta maneira, direitos aos trabalhadores,como seguro-
desemprego e a obrigatoriedade do aviso prévio. O Estado passa a ser,portanto, um agente promotor da redistribuição de renda.
Fordismo e Taylorismo
Quando debatemos sobre o processo de desenvolvimento da revolução industrial, costumamos privilegiar a importância das
inovações tecnológicas como elemento central desse fato histórico. Sem dúvida, a combinação entre a demanda fabril e o conhecimento
aprimorado em laboratórios foi de grande importância para que enxergássemos como foi possível a instalação desse novo ritmo de
produção e consumo de mercadorias.
Contudo, a simples concepção de novas máquinas não pode ser suficiente para que tenhamos uma noção mais ampla sobre o
processo de produção na era industrial. Devemos também salientar que outras interferências nas formas de trabalho e na política
administrativa das indústrias também tiveram grande importância. Nesse sentido, a racionalização das atividades industriais garantiu a
ampliação dos lucros e o sucesso comercial de uma empresa.
Por muito tempo, os problemas ocorridos durante o processo de fabricação encareciam o valor final do produto e limitava o
potencial produtivo de uma indústria. Concomitantemente, para que um bem fosse fabricado, vários funcionários se reuniam e
desempenhavam funções aleatórias que limitavam o aperfeiçoamento técnico de cada trabalhador. Em outras situações, a mão de obra de
um operário era desperdiçada no tempo em que esperava pela conclusão da tarefa de outro funcionário.
Tentando solucionar esse problema, o empresário norte-americano Henry Ford estabeleceu um eficiente modelo desenvolvido
segundo as necessidades de expansão da indústria automobilística. Para tanto, concebeu a chamada linha de produção. Essa linha era
composta por uma esteira rolante que movimentava o produto fabricado. A cada movimento, um operário desempenhava uma pequena
parcela da montagem do produto industrial.
Por meio desse modelo, Henry Ford conseguiu diminuir o número de problemas que afetavam a qualidade do produto a ser
comercializado. Ao mesmo tempo, empreendeu uma nova dinâmica de produtividade ao conseguir fabricar uma quantidade de
automóveis nunca antes observada. O sucesso de sua experiência acabou sendo empregado em outros campos da economia industrial.
Consequentemente, a possibilidade lucrativa das indústrias aumentou de forma exorbitante.
Outro importante método de racionalização do trabalho industrial foi concebido graças aos estudos desenvolvidos pelo
engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor. Uma de suas preocupações fundamentais era conceber meios para que a
capacidade produtiva dos homens e máquinas atingisse seu patamar máximo. Para tanto, ele acreditava que estudos científicos minuciosos
deveriam combater os problemas que impediam o incremento da produção.
Utilizando de uma série de experimentações, Taylor provou que o máximo controle sobre o desempenho das máquinas e do
trabalho poderia desenvolver uma indústria. As situações empíricas, ou seja, aquelas que não poderiam ser controladas por meio de dados
estatísticos e numéricos deveriam ser expressamente tolhidas. O treinamento, a especialização e o controle seriam as ferramentas básicas
que concederiam a interferência positiva na produtividade da indústria.
Ao longo do tempo, a popularização desses conceitos fez com que a demanda por mercados consumidores, matéria prima e mão
de obra aumentassem. A indústria que melhor conseguiria atingir e reproduzir as concepções instituídas por Ford e Taylor teria
oportunidade de conquistar novos mercados e superar os demais concorrentes comerciais. Até a segunda metade do século XX, estes
modelos influenciaram o processo de industrialização em várias partes do mundo.
22
REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA
FILOSOFIA
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23
QUESTÕES DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA DO ENEM E
VESTIBULARES COMENTADAS.
FILOSOFIA
01. (Uema 2006) Coloque V(verdadeiro) ou F(falso) nas
inferências relacionadas às características da atividade
filosófica:
( ) A filosofia é uma forma de pensar acerca de certas
questões. A sua característica fundamental é o uso
de argumentos lógicos.
( ) Os filósofos analisam e clarificam conceitos.
( ) Os filósofos ocupam-se de questões acerca da
religião, da política, da arte, dentre outras, que
podemos chamar vagamente “o sentido da vida”.
( ) A filosofia é uma ciência da mesma forma que a
biologia.
( ) A radicalidade, particularidade e visão de conjunto
são características fundamentais da reflexão
filosófica.
Marque a alternativa que apresenta a sequência
correta de cima para baixo:
a) V, V,V, V, F.
b) V, V, V, F, V.
c) F, F, V, V, F.
d) V, F, V, V, F.
e) V, V, V, F, F.
02. (Uem 2012) “O que é um filósofo? É alguém que
pratica a filosofia, em outras palavras, que se serve da
razão para tentar pensar o mundo e sua própria vida,
a fim de se aproximar da sabedoria ou da felicidade. E
isso se aprende na escola? Tem de ser apreendido, já
que ninguém nasce filósofo e já que filosofia é, antes
de mais nada, um trabalho. Tanto melhor, se ele
começar na escola. O importante é começar, e não
parar mais. Nunca é cedo demais nem tarde demais
para filosofar, dizia Epicuro.
[...]. Digamos que só é tarde demais quando já não é
possível pensar de modo algum. Pode acontecer. Mais
um motivo para filosofar sem mais tardar”
(COMPTESPONVILLE, André. Dicionário Filosófico. Apud ARANHA, Maria
Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
filosofia. 4ª. ed. revista. São Paulo: Ed. Moderna, 2009. p.15).
A partir dessas considerações, assinale o que for
correto.
01) A filosofia é uma atividade que segue a via
pedagógica de uma prática escolar, já que não pode
ser apreendida fora da escola.
02) O enunciado relaciona a filosofia com o ato de
pensar.
04) O enunciado contradiz a motivação filosófica contida
na seguinte afirmativa de Aristóteles: “Todos os
homens têm, por natureza, desejo de conhecer”.
08) Para André Compte-Sponville, quanto antes e com
mais intensidade nos dedicarmos à filosofia, mais
cedo estaremos livres dela, pois todo assunto se
esgota.
16) A citação do texto afirma que sempre é tarde para
começara filosofar, razão pela qual a filosofia é uma
prática da maturidade científica e o coroamento das
ciências.
03. (Uff 2009) Em seu diálogo A República, Platão
descreve na célebre Alegoria da Caverna a situação de
homens aprisionados desde a infância no fundo de
uma caverna e de tal forma que só podem olhar para
uma parede em frente sobre a qual se projetam as
sombras de bonecos colocados atrás destes homens.
Um destes homens se liberta, sai da caverna e aos
poucos se acostuma com a luminosidade externa,
começa a distinguir as coisas e por fim descobre o Sol
como a fonte da luz. Ele se dá conta, então, da ilusão
representada pelas sombras que ele e os outros
tomavam como realidade. Exultante com sua
descoberta, ele retorna à caverna para relatar sua
experiência, que é assim narrada por Sócrates:
“Suponha que esse homem volte à caverna e retome o
seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que
ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do
Sol? E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre
as sombras e entrar em competição com os
prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto
sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se
recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto
demais para acostumar-se com a escuridão, ele não
ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois
de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que
não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém
tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você
acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não
o matariam?”.Platão parece estar descrevendo a
situação do “filósofo” quando este pretende
esclarecer os demais seres humanos sobre o que ele
pensa ser a verdade. A partir desta narrativa de
Platão, discorra sobre qual o papel do “filósofo” no
mundo contemporâneo.
04. (Unioeste 2010) “Reflexão significa movimento de
volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si
mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o
pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si
mesmo. A reflexão filosófica é radical porque é um
movimento de volta do pensamento sobre si mesmo
para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é
possível o próprio pensamento. Não somos, porém,
somente seres pensantes. Somos também seres que
agem no mundo. [...] A reflexão filosófica também se
volta para essas relações que mantemos com a
realidade circundante, para o que dizemos e para as
ações que realizamos nessas relações.” (M. Chauí)
24
Sobre a Filosofia, conforme o texto acima, seguem as
seguintes afirmações:
I. Independentemente de seu conteúdo ou objeto,
uma característica fundamental da Filosofia é a
indagação, a interrogação.
II. A Filosofia direciona perguntas como “o que é?”,
“por que é?” e “como é?” ao mundo que nos
cerca, ao próprio homem e às relações que o
homem estabelece.
III. A Filosofia não é algo importante porque não
somos apenas seres pensantes.
IV. A reflexão sobre o conhecer e o agir humanos
fazem parte da reflexão filosófica.
V. A reflexão filosófica é radical porque é feita sem
nenhum tipo de objetivo.
Das afirmações feitas acima
a) apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
b) apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
c) apenas as afirmativas I, II, III e V estão corretas.
d) todas as afirmativas estão corretas.
e) todas as afirmativas estão incorretas.
GABARITO
Resposta da questão 1:
[E]Sobre as características da Filosofia, podemos dizer que
somente as duas últimas afirmações são falsas. A Filosofia não
é uma ciência. Isso se verifica, por exemplo, no seu caráter
generalista, que contraria a visão particularista, própria da
ciência, que particiona o conhecimento da realidade em
diversas áreas, como a biologia, a física, a matemática, a
geografia, entre outras.
Resposta da questão 2:
02.Somente a assertiva [02] é correta. Ainda que o autor
defenda que a filosofia seja ensinada na escola, isso não
significa que ela só possa ser aprendida na escola. Tal
atividade de pensar racionalmente é inesgotável e deve
começar a ser exercitada o quanto antes. Isso de maneira
nenhuma está em contradição com a frase de Aristóteles
apresentada na afirmativa [04].
Resposta da questão 3:
O papel do filósofo, tendo em vista a argumentação de
Platão, é de esclarecer às pessoas a respeito de suas falsas
ideias e dar a elas instrumentos necessários para que possam
compreender criticamente a realidade e agir sobre ela. Esta
seria a condição para uma verdadeira liberdade humana, a
fim de que as pessoas não mais sejam enganadas pelas
aparências das coisas. Platão não desconsiderava os conflitos
e incompreensões resultantes dessa postura do filósofo, que
também ocorrem no mundo contemporâneo.
Resposta da questão 4:
[A]A atividade filosófica é uma reflexão do homem,
interrogando a si mesmo e o mundo, bem como refletindo
sobre as condições que possibilitam o pensamento. Todas as
afirmações estão de acordo com essa perspectiva, com
exceção das afirmações III e V, pois contrariam a
característica humana de ser pensante, além de definirem
mal a radicalidade filosófica.
DIVERSAS FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
“O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que
se crê senhor dos demais não deixa de ser mais escravo do que eles.
(...) A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base a
todos os outros. (...) Haverá sempre uma grande diferença entre
subjugar uma multidão e reger uma sociedade. Sejam homens
isolados, quantos possam ser submetidos sucessivamente a um só, e
não verei nisso senão um senhor e escravos, de modo algum
considerando-os um povo e seu chefe. Trata-se, caso se queira, de
uma agregação, mas não de uma associação; nela não existe bem
público, nem corpo político.”
(Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social. [1762]. São Paulo: Ed. Abril,
1973, p. 28,36.)
01. (Unicamp 2012)Sobre Do Contrato Social, publicado
em 1762, e seu autor, é correto afirmar que:
a) Rousseau, um dos grandes autores do Iluminismo,
defende a necessidade de o Estado francês
substituir os impostos por contratos comerciais
com os cidadãos.
b) A obra inspirou os ideais da Revolução Francesa,
ao explicar o nascimento da sociedade pelo
contrato social e pregar a soberania do povo.
c) Rousseau defendia a necessidade de o homem
voltar a seu estado natural, para assim garantir a
sobrevivência da sociedade.
d) O livro, inspirado pelos acontecimentos da
Independência Americana, chegou a ser proibido
e queimado em solo francês.
02. (Unicamp 2012)No trecho apresentado, o autor
a) argumenta que um corpo político existe quando os
homens encontram-se associados em estado de
igualdade política.
b) reconhece os direitos sagrados como base para os
direitos políticos e sociais.
c) defende a necessidade de os homens se unirem em
agregações, em busca de seus direitos políticos.
d) denuncia a prática da escravidão nas Américas, que
obrigava multidões de homens a se submeterem a
um único senhor.
03. (Uel 2013) No livro Através do espelho e o que Alice
encontrou por lá, a Rainha Vermelha diz uma frase
enigmática: “Pois aqui, como vê, você tem de correr o
mais que pode para continuar no mesmo lugar.”
(CARROL, L. Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Rio de
Janeiro: Zahar, 2009. p.186.)
Já na Grécia antiga, Zenão de Eleia enunciara uma tese também
enigmática, segundo a qual o movimento é ilusório, pois “numa
corrida, o corredor mais rápido jamais consegue ultrapassar o
mais lento, visto o perseguidor ter de primeiro atingir o ponto de
onde partiu o perseguido, de tal forma que o mais lento deve
manter sempre a dianteira.”
(ARISTÓTELES. Física. Z 9, 239 b 14. In: KIRK, G. S.; RAVEN, J. E.; SCHOFIELD, M.
Os Pré-socráticos.4.ed. Lisboa: Fundação CalousteGulbenkian, 1994, p.284.)
25
Com base no problema filosófico da ilusão do movimento
em Zenão de Eleia, é correto afirmar que seu argumento
a) baseia-se na observação da natureza e de suas
transformações, resultando, por essa razão, numa
explicação naturalista pautada pelos sentidos.
b) confunde a ordem das coisas materiais (sensível)
e a ordem do ser (inteligível), pois avalia o
sensível por condições que lhe são estranhas.
c) ilustra a problematização da crença numa
verdadeira existência do mundo sensível, à qual
se chegaria pelos sentidos.
d) mostra que o corredor mais rápido ultrapassará
inevitavelmente o corredor mais lento, pois isso
nos apontam as evidências dos sentidos.
e) pressupõe a noção de continuidade entre os
instantes, contida no pressuposto da aceleração
do movimento entre os corredores.
04. (Ufsj 2013) A construção de uma cosmologia que desse
uma explicação racional e sistemática das características
do universo, em substituição à cosmogonia, que tentava
explicar a origem do universo baseada nos mitos, foi uma
preocupação da Filosofia
a) medieval.
b) antiga.
c) iluminista.
d) contemporânea.
05. (Ufu 2013) Existe uma só sabedoria: reconhecer a
inteligência que governa todas as coisas por meio de
todas as coisas.
Heráclito, Diels-Kranz, Frag. 41.
Por isso é necessário seguir o que é igual para todos, ou
seja, o que é comum. De fato, o que é igual para todos
coincide com o que é comum. Mas ainda que o logos
seja igual para todos, a maior parte dos homens vive
como se possuísse dele um conhecimento próprio.
Heráclito, Diels-Kranz, Frag. 2.
Com base nos textos acima e em seus conheci-
mentos sobre a filosofia heraclitiana, responda:
a) O que é o logos ao qual o filósofo se refere?
b) Explicite a relação existente entre o logos e a
inteligência, tal como encontrados nos fragmentos
supracitados.
06. (Ufu 2013) De um modo geral, o conceito de physisno
mundo pré-socrático expressa um princípio de
movimento por meio do qual tudo o que existe é
gerado e se corrompe. A doutrina de Parmênides, no
entanto, tal como relatada pela tradição, aboliu esse
princípio e provocou, consequentemente, um sério
conflito no debate filosófico posterior, em relação ao
modo como conceber o ser.
Para Parmênides e seus discípulos:
a) A imobilidade é o princípio do não-ser, na medida
em que o movimento está em tudo o que existe.
b) O movimento é princípio de mudança e a
pressuposição de um não-ser.
c) Um Ser que jamais muda não existe e, portanto, é
fruto de imaginação especulativa.
d) O Ser existe como gerador do mundo físico, por
isso a realidade empírica é puro ser, ainda que em
movimento.
07. (Unimontes 2013) Segundo a tradição, Heráclito,
também chamado “o obscuro”, era um homem
reservado e de poucas palavras. Seu “riso” fora
interpretado por muitos. Padre Antônio Vieira foi um
desses intérpretes e, segundo ele,
a) Heráclito ria das ignorâncias humanas.
b) Heráclito ria das loucuras humanas.
c) Heráclito ria das travessuras humanas.
d) Heráclito ria das misérias humanas.
08. (Ufmg 2013) Em um trecho do diálogo Eutidemo,
Sócrates conta a Críton como discutiu com Clínias a
possibilidade de haver uma arte ou ciência que leve os
homens à felicidade. Após descartar diversas artes, eles
dedicaram-se a considerar a “arte política”, identificada
por eles com a “arte real”, ou seja, com a arte do governo
do rei. Todavia, o desdobramento do diálogo mostra que
também essa “arte política” ou “real” não pode exercer a
função de levar os homens à felicidade, porque sua ação
não torna os homens melhores eticamente. Eles
constatam, assim, que chegaram a um impasse na
argumentação, isto é, uma aporia.
A esse respeito, leia o fragmento:
[SÓCRATES] Mas que ciência então? De que maneira a
usaremos? Pois é preciso que ela não seja artífice de
nenhuma das obras que não são nem boas nem más,
mas sim que transmita nenhuma outra ciência a não
ser ela própria. Devemos dizer então que é
esta afinal, e de que maneira a usaremos? Queres que
digamos,Críton: é aquela com a qual faremos bons os
outros homens?
[CRÍTON] Perfeitamente.
[SÓCRATES] Os quais serão bons em quê? e, em quê,
úteis? Ou diremos que farão bons ainda outros, e
esses outros outros? Mas em quê, afinal,
são bons, não nos é claro de maneira nenhuma, já que
precisamente desprezamos as obras que se diz serem
da política [...]; e, é exatamente o que eu dizia,
estamos igualmente carentes, ou ainda mais, no que
se refere ao saber qual é afinal aquela ciência que nos
fará felizes.
[CRÍTON] Por Zeus, Sócrates! Chegastes a uma grande
aporia, segundo parece.
(PLATÃO, Eutidemo, 292d-e)
EXPLIQUE por que, segundo Sócrates e Críton, a
mesma arte não pode ser responsável por governar
os homens e, simultaneamente, torná-los bons.
26
09. (Ueg 2013) A expressão “Tudo o que é bom, belo e
justo anda junto” foi escrita por um dos grandes
filósofos da humanidade. Ela resume muito de sua
perspectiva filosófica, sendo uma das bases da escola
de pensamento conhecida como
a) cartesianismo, estabelecida por Descartes, no qual
se acredita que a essência precede a existência.
b) estoicismo, que tem no imperador romano Marco
Aurélio um de seus grandes nomes, que pregava a
serenidade diante das tragédias.
c) existencialismo, que tem em Sartre um de seus
grandes nomes, para o qual a existência precede a
essência.
d) platonismo, estabelecida por Platão, no qual se
entendia o mundo físico como uma imitação
imperfeita do mundo ideal.
10. (Uel 2013) Leia o texto a seguir.
Tudo isso ela [Diotima] me ensinava, quando sobre as
questões de amor [eros] discorria, e uma vez ela me
perguntou: – que pensas, ó Sócrates, ser o motivo
desse amor e desse desejo? A natureza mortal
procura, na medida do possível, ser sempre e ficar
imortal. E ela só pode assim, através da geração,
porque sempre deixa um outro ser novo em lugar do
velho; pois é nisso que se diz que cada espécie animal
vive e é a mesma. É em virtude da imortalidade que a
todo ser esse zelo e esse amor acompanham.
(Adaptado de: PLATÃO. O Banquete. 4.ed. São Paulo: Nova Cultural,
1987, p.38-39. Coleção Os Pensadores.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o amor
em Platão, assinale a alternativa correta.
a) A aspiração humana de procriação, inspirada por
Eros, restringe-se ao corpo e à busca da beleza física.
b) O eroslimita-se a provocar os instintos irrefletidos e
vulgares, uma vez que atende à mera satisfação dos
apetites sensuais.
c) O erosfísico representa a vontade de conservação da
espécie, e o espiritual, a ânsia de eternização por
obras que perdurarão na memória.
d) O ser humano é idêntico e constante nas diversas
fases da vida, por isso sua identidade iguala-se à dos
deuses.
e) Os seres humanos, como criação dos deuses,
seguem a lei dos seres infinitos, o que lhes permite
eternidade.
11. (Ufsm 2013) Leonardo Boff inclui a generosidade
como uma pilastra de um modelo adequado de
sustentabilidade. Ele a caracteriza do seguinte modo:
Generoso é aquele que comparte, que distribui
conhecimentos e experiências sem esperar nada em
troca. Já os clássicos da filosofia política, como Platão
e Rousseau, afirmavam que uma sociedade não pode
fundar-se apenas sobre a justiça. Ela se tomaria
inflexível e cruel. Ela deve viver também da
generosidade dos cidadãos, de seu espírito de
cooperação e de solidariedade voluntária.
Considere as seguintes afirmações:
I. Segundo o texto, generosidade e justiça podem
ser complementares uma à outra.
II.Segundo o texto, se uma sociedade é inflexível e
cruel, então ela está fundada apenas sobre a justiça.
III. Já na ética aristotélica, a generosidade é uma
virtude e a extravagância e a avareza são os vícios
correlacionados a ela.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas I e III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
12. (Uel 2013) Observe a charge a seguir.
Após descrever a alegoria da caverna, na obra
A República, Platão faz a seguinte afirmação:
Com efeito, uma vez habituados, sereis mil vezes
melhores do que os que lá estão e reconhecereis
cada imagem, o que ela é e o que representa, devido
a terdes contemplado a verdade relativa ao belo, ao
justo e ao bom. E assim teremos uma cidade para nós
e para vós, que é uma realidade, e não um sonho,
como atualmente sucede na maioria delas, onde
combatem por sombras uns com os outros e
disputam o poder, como se ele fosse um grande bem.
(PLATÃO. A República. Lisboa: CalousteGulbenkian, 1994. p.326.)
a) Segundo a alegoria da caverna de Platão e com
base nessa afirmação, explique o modelo político
que configura a organização da cidade ideal.
b) Compare a alegoria da caverna e a charge, e
explicite o que representa, do ponto de vista
político, a saída do homem da caverna e a
contemplação do bem.
13. (Unesp 2013) Do lado oposto da caverna, Platão situa
uma fogueira – fonte da luz de onde se projetam as
sombras – e alguns homens que carregam objetos por
cima de um muro, como num teatro de fantoches, e são
desses objetos as sombras que se projetam no fundo da
caverna e as vozes desses homens que os prisioneiros
atribuem às sombras. Temos um efeito como num
cinema em que olhamos para a tela e não prestamos
atenção ao projetor nem às caixas de som, mas
percebemos o som como proveniente das figuras na tela.
(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2001.)
Explique o significado filosófico da Alegoria da
Caverna de Platão, comentando sua importância para
a distinção entre aparência e essência.
27
14. (Uem 2013) Um texto de um filósofo anônimo da
Idade Média apresenta de modo claro um problema
central para a filosofia e a ciência do seu tempo. Ele
afirma: “Boécio divide em três as partes da ciência
especulativa: natural, matemática e teológica. Da
mesma forma, o Filósofo [isto é, Aristóteles] divide-a
em natural, matemática e metafísica. Assim, isto que
Boécio chama teologia, o Filósofo chama metafísica.
Elas são, portanto, idênticas. Mas a metafísica não é
acerca de Cristo. Logo, a teologia também não o é”
(Quaestio de divina scientia. In: FIGUEIREDO, V. Filósofos na sala de
aula. Vol. 3. São Paulo: Berlendis&Vertecchia, 2008, p. 68).
A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s).
01) A teologia apresenta-se na Idade Média como a
ciência principal.
02) A teologia é objeto da filosofia de Aristóteles,
apesar de ela não ter esse nome para ele.
04) A teologia é uma ciência que não diz respeito à
investigação da natureza de Cristo.
08) A teologia é, para esses filósofos, tão científica
quanto a matemática.
16) A teologia e a metafísica são conhecimentos
adquiridos por meio da ciência especulativa.
15. (Uem 2013) A lógica formal aristotélica estuda a
relação entre as premissas e a conclusão de
inferências válidas e inválidas (segundo a forma), a
partir de proposições falsas e verdadeiras (segundo o
conteúdo). Chamamos de falácias ou sofismas as
formas incorretas de inferência. Levando em conta a
forma da inferência, assinale o que for correto.
01) A inferência “Fulano será um bom prefeito porque é
um bom empresário.” é uma falácia.
02) A inferência “Todos os homens são mortais. Sócrates
é homem, logo Sócrates é mortal.” é válida.
04) A inferência “Ou fulano dorme, ou trabalha. Fulano
dorme, logo não trabalha.” é uma falácia.
08) A inferência “Nenhum gato é pardo. Algum gato é
branco, logo todos os gatos são brancos.” é uma
falácia.
16) A inferência “Todos que estudam grego aprendem a
língua grega. Estudo grego, logo aprendo a língua
grega.” é válida.
16. (Uem 2013) Na Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma:
“Então, quando a amizade é por prazer ou por interesse
mesmo, duas pessoas más podem ser amigas, ou então
uma pessoa boa e outra má, ou uma pessoa que não é
nem boa nem má pode ser amiga de outra qualquer
espécie; mas pelo que são em si mesmas é óbvio que
somente pessoas boas podem ser amigas. Na verdade,
pessoas más não gostam uma da outra a não ser que
obtenham algum proveito recíproco”
(ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. In: Filosofia. Vários autores.
Curitiba: SEED-PR, 2006, p. 123).
A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s).
01) A amizade comporta uma esfera de interesses
particulares.
02) A amizade, em alguns casos, é consequência de
condicionantes pessoais dos amigos.
04) As amizades desinteressadas não existem, visto
que alguém sempre tem a ganhar na relação.
08) A amizade interessada entre pessoas más
também é amizade.
16) A amizade é falsa quando não há interesse ou
prazer na relação.
17. (Ufsm 2013) A economia verde contém os seguintes
princípios para o consumo ético de produtos: a
matéria-prima dos produtos deve ser proveniente de
fontes limpas e não deve haver desperdício dos
produtos. O Estado, entretanto, não impõe, até o
presente momento, sanções àqueles cidadãos que não
seguem esses princípios.
Considere as seguintes afirmações:
I. Esses princípios são juízos de fato.
II. Esses princípios são, atualmente, uma questão de
moralidade, mas não de legalidade.
III. A ética epicurista, a exemplo da economia verde,
propõe uma vida mais moderada.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas I e II.
c) apenas III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
18. (Ueg 2013) O surgimento da filosofia entre os gregos
(Séc. VII a.C.) é marcado por um crescente processo de
racionalização da vida na cidade, em que o ser humano
abandona a verdade revelada pela codificação mítica e
passa a exigir uma explicação racional para a
compreensão do mundo humano e do mundo natural.
Dentre os legados da filosofia grega para o Ocidente,
destaca-se:
a) a concepção política expressa em A República, de
Platão, segundo a qual os mais fortes devem
governar sob um regime político oligárquico.
b) a criação de instituições universitárias como a
Academia, de Platão, e o Liceu, de Aristóteles.
c) a filosofia, tal como surgiu na Grécia, deixou-nos
como legado a recusa de uma fé inabalável na
razão humana e a crença de que sempre devemos
acreditar nos sentimentos.
d) a recusa em apresentar explicações preestabe-
lecidas mediante a exigência de que, para cada
fato, ação ou discurso, seja encontrado um
fundamento racional.
28
19. (Ufu 2013) A atividade intelectual que se instalou na
Grécia a partir do séc. VI a.C. está substancialmente
ancorada num exercício especulativo-racional. De fato,
“[...] não é mais uma atividade mítica (porquanto o
mito ainda lhe serve), mas filosófica; e isso quer dizer
uma atividade regrada a partir de um comportamento
epistêmico de tipo próprio: empírico e racional”.
SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-socráticos. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 1998, p. 32.
Sobre a passagem da atividade mítica para a
filosófica, na Grécia, assinale a alternativa correta.
a) A mentalidade pré-filosófica grega é expressão
típica de um intelecto primitivo, próprio de
sociedades selvagens.
b) A filosofia racionalizou o mito, mantendo-o como
base da sua especulação teórica e adotando a sua
metodologia.
c) A narrativa mítico-religiosa representa um meioimportante de difusão e manutenção de um saber
prático fundamental para a vida cotidiana.
d) A Ilíada e a Odisseia de Homero são expressões
culturais típicas de uma mentalidade filosófica
elaborada, crítica e radical, baseada no logos.
20. (Ueg 2013) O ser humano, desde sua origem, em sua
existência cotidiana, faz afirmações, nega, deseja, recusa
e aprova coisas e pessoas, elaborando juízos de fato e de
valor por meio dos quais procura orientar seu
comportamento teórico e prático. Entretanto, houve um
momento em sua evolução histórico-social em que o ser
humano começa a conferir um caráter filosófico às suas
indagações e perplexidades, questionando racional-
mente suas crenças, valores e escolhas. Nesse sentido,
pode-se afirmar que a filosofia
a) é algo inerente ao ser humano desde sua origem e
que, por meio da elaboração dos sentimentos, das
percepções e dos anseios humanos, procura
consolidar nossas crenças e opiniões.
b) existe desde que existe o ser humano, não havendo
um local ou uma época específica para seu
nascimento, o que nos autoriza a afirmar que
mesmo a mentalidade mítica é também filosófica e
exige o trabalho da razão.
c) inicia sua investigação quando aceitamos os dogmas
e as certezas cotidianas que nos são impostos pela
tradição e pela sociedade, visando educar o ser
humano como cidadão.
d) surge quando o ser humano começa a exigir provas
e justificações racionais que validam ou invalidam
suas crenças, seus valores e suas práticas, em
detrimento da verdade revelada pela codificação
mítica.
21. (Unimontes 2013) Muitos pensam que os mitos são
lendas restritas aos povos tribais e que teriam
desaparecido com a crítica do pensamento científico
moderno.
No que se refere ao mito, podemos afirmar, EXCETO
a) O mito é falso e enganador, pois o mesmo falta
com a verdade.
b) O mito orienta a vida e o sentido da existência.
c) Os mitos têm como função acomodar o homem
em um mundo assustador.
d) As narrativas míticas eram próprias de um mundo
onde a oralidade ocupava lugar central na vida
humana.
22. (Unesp 2013) Texto 1
Para santo Tomás de Aquino, o poder político, por ser
uma instituição divina, além dos fins temporais que
justificam a ação política, visa outros fins superiores,
de natureza espiritual. O Estado deve dar condições
para a realização eterna e sobrenatural do homem. Ao
discutir a relação Estado-Igreja, admite a supremacia
desta sobre aquele. Considera a Monarquia a melhor
forma de governo, por ser o governo de um só,
escolhido pela sua virtude, desde que seja bloqueado o
caminho da tirania.
Texto 2
Maquiavel rejeita a política normativa dos gregos, a qual,
ao explicar “como o homem deve agir”, cria sistemas
utópicos. A nova política, ao contrário, deve procurar a
verdade efetiva, ou seja, “como o homem age de fato”.
O método de Maquiavel estipula a observação dos fatos,
o que denota uma tendência comum aos pensadores do
Renascimento, preocupados em superar, através da
experiência, os esquemas meramente dedutivos da Idade
Média. Seus estudos levam à constatação de que os
homens sempre agiram pelas formas da corrupção e da
violência.
(Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins. Filosofando, 1986.
Adaptado.)
Explique as diferentes concepções de política
expressadas nos dois textos.
23. (Ufu 2013) Com efeito, existem a respeito de Deus
verdades que ultrapassam totalmente as capacidades
da razão humana. Uma delas é, por exemplo, que
Deus é trino e uno. Ao contrário, existem verdades
que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que
Deus existe, que há um só Deus etc.
AQUINO, Tomás de. Súmula contra os Gentios. Capítulo
Terceiro: A possibilidade de descobrir a verdade divina.
Tradução de Luiz João Baraúna. São Paulo: Abril Cultural,
1979, p. 61.
Para São Tomás de Aquino, a existência de Deus se
prova
a) por meios metafísicos, resultantes de investigação
intelectual.
b) por meio do movimento que existe no Universo,
na medida em que todo movimento deve ter
causa exterior ao ser que está em movimento.
c) apenas pela fé, a razão é mero instrumento
acessório e dispensável.
d) apenas como exercício retórico.
29
24. (Ufpa 2013) Ao pensar como deve comportar-se um
príncipe com seus súditos, Maquiavel questiona as
concepções vigentes em sua época, segundo as quais
consideravam o bom governo depende das boas
qualidades morais dos homens que dirigem as
instituições. Para o autor, “um homem que quiser
fazer profissão de bondade é natural que se arruíne
entre tantos que são maus. Assim, é necessário a um
príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser
mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo
a necessidade”.
Maquiavel, O Príncipe, São Paulo: Abril cultural, Os Pensadores,
1973, p.69.
Sobre o pensamento de Maquiavel, a respeito do
comportamento de um príncipe, é correto afirmar que
a) a atitude do governante para com os governados
deve estar pautada em sólidos valores éticos,
devendo o príncipe punir aqueles que não agem
eticamente.
b) o Bem comum e a justiça não são os princípios
fundadores da política; esta, em função da finalidade
que lhe é própria e das dificuldades concretas de
realizá-la, não está relacionada com a ética.
c) o governante deve ser um modelo de virtude, e é
precisamente por saber como governar a si próprio
e não se deixar influenciar pelos maus que ele está
qualificado a governar os outros, isto é, a conduzi-los
à virtude.
d) o Bem supremo é o que norteia as ações do
governante, mesmo nas situações em que seus atos
pareçam maus.
e) a ética e a política são inseparáveis, pois o bem dos
indivíduos só é possível no âmbito de uma
comunidade política onde o governante age
conforme a virtude.
25. (Uem 2013) O filósofo italiano Nicolau Maquiavel (1469-
1527) afirma: “Porque em toda cidade se encontram estes
dois humores diversos: e nasce, disto, que o povo deseja não
ser nem comandado nem oprimido pelos grandes e os
grandes desejam comandar e oprimir o povo; e desses dois
apetites diversos nasce na cidade de um desses três efeitos:
ou o principado, ou a liberdade, ou a licença”
(MAQUIAVEL, O Príncipe. São Paulo: Hedra, 2009, p. 109).
A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s).
01) O povo, ao não querer ser comandado, deseja
comandar.
02) É da natureza dos grandes, no caso os ricos, o
desejo de dominar o povo, no caso os pobres.
04) Povo e grandes formam dois grupos políticos
distintos e antagônicos em toda cidade.
08) Os grandes se unem politicamente para se
defenderem do desejo de dominação do povo.
16) O fenômeno descrito era restrito às cidades
italianas do período histórico do filósofo.
26. (Uem 2013) Entre o final da Idade Média e o início da
Época Moderna, emergiram na Europa os Estados
Nacionais, caracterizados pela centralização política e
pelo fortalecimento do poder pessoal dos reis. A esse
respeito, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
01) De acordo com Nicolau Maquiavel, os primeiros
Estados Nacionais modernos surgiram na Itália e
na Alemanha já no século XV.
02) Na França, o poder absoluto foi respaldado pela
teoria do direito divino dos reis.
04) Com a secularização do pensamento político, as
teorias contratualistas procuraram dar
fundamentos racionais ao poder do soberano,
buscando legitimá-lo sem recorrer à intervenção
divina ou a fundamentos religiosos.
08) Com o surgimento dos Estados Nacionais,
pensadores como Galileo Galilei e Giordano Bruno
desenvolveram, no século XVI, a teoria de que o
poder dos reis emana do povo que os elege.
16) John Locke, filósofo inglês do século XVII, foi um
crítico do poder absoluto dos reis, e suas ideias
políticas fundamentaram as revoluções liberais
ocorridas na Europa e nas Américas,com sua cultura e sua
história possuíam sabedoria, no entanto existem diferenças entre estas e a sabedoria grega, como
por exemplo, o pensamento chinês, que se utiliza da diferença entre os sexos, o Yin e o Yang (feminino e masculino,
se do pensamento em uma generalidade muito
O que há no caso de outras culturas são sabedorias, pois são até certo ponto limitadas, deferente da filosofia grega que é
uma forma de exprimir pensamentos, muito mais ampla e completa e que por razões históricas e políticas difundiu-se para a
Psicanalítico clínico e professor da rede particular do ensino médio e superior.
2
Para que a filosofia surgisse foram necessários alguns fatores que favoreceram o seu surgimento:
- As viagens marítimas, pois o impulso expansionista obrigou os comerciantes a enfrentarem as lendas e daí constatarem
a fantasia do discurso mítico, proporcionando a desmitificação do mundo (como exemplo, os monstros que os poetas contavam
existir em determinados lugares onde, visitados pelos navegadores, nada ali encontravam);
- A construção do calendário que permitiu a medição do tempo segundo as estações do ano e da alternância entre dia e
noite. Isso favoreceu a capacidade dos gregos de abstrair o tempo naturalmente e não como potência divina;
- O uso da moeda para as trocas comerciais que antes eram realizadas entre produtos. Isso também favoreceu o
pensamento abstrato, já que o valor agregado aos produtos dependia de uma certa análise sobre a valoração;
- A invenção do alfabeto e o uso da palavra é também um acontecimento peculiar. Numa sociedade acostumada à
oralidade dos poetas, aos poucos cai em desuso o recurso às imagens para representar o real e surge, como substituto, a escrita
alfabética/fonética, propiciando, como os itens acima, um maior poder de abstração.
A palavra não mais é usada como nos rituais esotéricos (fechados para os iniciados nos mistérios sagrados e que
desvendavam os oráculos dos deuses), nem pelos poetas inspirados pelos deuses, mas na praça pública (Ágora), no confronto
cotidiano entre os cidadãos;
- O crescimento urbano é também registrado em virtude de todo esse movimento, assim como o fomento das técnicas
artesanais e o comércio interno, as artes e outros serviços, características típicas das cidades;
- A criação da Política que faz uso da palavra para as deliberações do povo (Demo) em cada Pólis (por isso, Democracia
ou o governo do povo), bem como exige que sejam publicadas as leis para o conhecimento de todos, para que reflitam, critiquem e
a modifiquem segundo os seus interesses
RESUMO IMPORTANTE:
A Filosofia e a Ciência se distinguem por que a filosofia não possui um único objeto de
estudo e, com efeito, a ciência possui apenas um objeto de investigação. Os primeiros
filósofos foram ao mesmo tempo os primeiros cientistas. A Filosofia e a Ciência
conferem grande vantagem àqueles que as cultivam.
Os pré-socráticos são assim chamados por se ocuparem em investigar o
universo(cosmologia) e o principio(arké) que originou tudo. Não é correto afirmar que
os pré-socráticos são filósofos que viveram antes de Sócrates. Pois temos filósofos que
viveram na mesma época de Sócrates e são chamados de pré-socráticos. Portanto, o tipo
de conhecimento, episteme, que eles se deteram é que os definem como pré-socráticos.
Lembrem-se senhores: os principais pré-socráticos formam: Heráclito, Parmênides e
Demócrito.
Heráclito: “um homem não pode pisar no mesmo rio duas vezes”, “tudo flui” (panta rei) o principio de tudo é o fogo. Criador da
dialética.
Parmênides: “o ser é e o não ser não”. A noção de permanência, ontologia.
Demócrito: criador da noção de átomo.
Senhores, agora vamos analisarum texto importante da Filósofa Marilena Chauí que irá nos conduzir a algumas reflexões
sobre a atitude filosófica. Esse texto nos reporta a seguinte afirmação: a filosofia é mais uma postura diante do conhecimento do
que um simples acumulo de conhecimento.
A coruja, Ave de Minerva, é o símbolo da
Filosofia, consagrado, sobretudo, a partir
de Hegel. Ele escreveu que, assim como
a coruja levanta vôo ao anoitecer,
também a Filosofia e os grandes filósofos
surgem em momentos em que a
sociedade humana começa a anoitecer,
a entrar em crise...
3
ESQUEMA HISTÓRICO DA RACIONALIDADE OCIDENTAL.
PERÍODOS
HISTÓRICOS
IDADE ANTIGA
(SÉ. V a.c- IV DC
IDADE MÉDIA
(SÉ. V. D.C – XVI)
IDADE MODERNA
(SÉC.XVI – XX
Ideia básica
(razão última)
PHYSIS: razão da
Natureza Agir é contemplação.
Valem os Princípios
DEUS: razão de Deus
Agir é contemplação.
Valem os princípios
HOMEM: razão do homem
Natureza a dominar.
Agir é fabricação.
Prevalecem os resultados
Seres
Humanos.
Servos da natureza
Livres e escravos
Servos de Deus
Iguais entre si e irmãos da
natureza
Senhores de si (eu sou), da natureza e
de Deus
Livres e iguais pela razão
Verdade Adequação do sujeito
ao objeto Objetivismo
Adequação do sujeito
ao objeto
Objetivismo
Construção (Kant) ou Representação
Subjetivismo
Saber mais
Importante
Mito e Filosofia Contemplação
da natureza – Ócio
Teologia Contemplação de
Deus – Fé
Ciência e Tecnologia
Produção humana.
Fruto do trabalho
Trabalho Atividade de escravos
(negativo)
Castigo devido ao
pecado (negativo
Ação autocriadora
Homem – senhor de si e da natureza
(positivo)
Política e
Ética
Atividade natural
Só na pólis se realiza a ética
Cidade dos homens
Separação entre política e
moral.
Política = mal
Atividade artificial
Política:mal necessário (e passageiro).
Separação entre ética e política
História Fisiológica
Eterno retorno do mesmo
Teológica
Início e fim em/
com Deus
Antropológica
Início com homem.
Progresso (processo)
O período contemporâneo não foi caracterizado no quadro acima (o das “várias vozes da razão” – segundo Habermas;
para outros, o da des-razão), período em que parece abrir-se mão da convicção de que seja necessário haver um único fundamento.
Terminou o otimismo histórico! Para uns, mais pessimistas, a modernidade acabou – e por isso falam de pós-modernidade.Para
outros, como Habermas, a modernidade é um projeto inacabado. Para estes, a modernidade continua, embora assinalem que tudo
se tornou mais precário, menos seguro, mais aberto. Todos reconhecem a crise: período em que já não se dispõe de chão firme e
igual para todos. Sabe-se que “o velho morreu e o novo ainda não consegue nascer” (Gramsci). E na crise tudo parece ser possível.
O Existencialismo
Existencialismo é uma corrente filosófica e literária que destaca a liberdade
individual, a responsabilidade e a subjetividade. O existencialismo considera cada homem
com um ser único que é mestre dos seus atos e do seu destino.O existencialismo afirma o
primado da existência sobre a essência, segundo a célebre definição de Sartre: "A existência
precede a essência." Essa definição funda a liberdade e a responsabilidade do homem, visto
que esse existe sem que seu ser seja definido de maneira alguma. A palavra "existencialismo"
vem de "existência". Sartre, após ter feito estudos sobre fenomenologia na Alemanha, cria o
termo utilizando a palavra francesa "existence" como tradução da palavra alemã "Dasein",
termo empregado por Heidegger em Ser e tempo.Algumas frases de Sartre podem ajudar a
compreender o existencialismo:
"Não devo perguntar o que fizeram de mim, e sim o que vou fazer com o que fizeram de
mim.", referindo-se a existência em geral.
"O homem está condenado a ser livre.", referindo-se ao fato do homem estar sem nenhum apoio extra-mundo, ou transcendental,
e indicando que homem deve construir sua liberdade contando apenas com suasa partir do
final do século XVIII.
27. (Ufsj 2013)Segundo David Hume, “Todo raciocínio
abstruso apresenta um mesmo inconveniente”,
porque
a) “pode silenciar o antagonista sem convencê-lo; e
para nos darmos conta de sua força, precisamos
dedicar-lhe um estudo tão intenso quanto o que
foi necessário para sua invenção”.
b) “impregna a mente humana com conceitos do
idealismo que o induzem ao holismo moderno”.
c) “justifica a disposição que a mente humana tem
para se inclinar ao silogismo moderno”.
d) “convida o raciocínio a enigmáticas considera-
ções, direcionando-o ao ceticismo quinhentista”.
28. (Ufsj 2013) Sobre “as qualidades úteis da mente”,
descritas por David Hume, é CORRETO afirmar que
a) “são aquilo que se pode primeiramente
experimentar na arte de raciocinar”.
b) “elas são retratadas no sentido vulgar, pois são
diametralmente opostas ao poder e ao bom senso
ou razão”.
c) “determinam que as virtudes, como a simpatia, por
exemplo, tenham a força ideal a posteriori para o
bem-estar das sociedades humanas”.
d) “essas virtudes formam a principal parte da moral”.
30
29. (Ufsj 2013) Para David Hume, “os homens são, em
grande medida, governados pelo interesse” e isso é
perfeitamente visível, já que
a) “tradicionalmente o interesse tem sido visto de
dentro para fora, como algo que observamos em
nós mesmos, mais do que alguma coisa que outros
possam exibir”.
b) “mesmo quando estendem suas preocupações para
além de si mesmos, não as levam muito longe; na
vida corrente não é muito comum olhar para além
dos amigos mais próximos e dos conhecidos”.
c) “vão traduzindo a necessidade que eles têm de se
relacionar a partir de um interesse particular, e isso
vem somar-se à sua capacidade para a socialização
para o seu próprio bem-estar”.
d) “as suas atitudes morais traduzem as suas
condutas solipsistas votadas aos mais distintos
interesses materiais e espirituais”.
30. (Ufmg 2013) Leia a seguinte passagem do texto de
Hume, Do padrão do gosto:
Procurar estabelecer uma beleza real, ou uma
deformidade real, é uma investigação tão infrutífera
como procurar determinar uma doçura real ou um
amargor real. Conforme a disposição dos órgãos do
corpo, o mesmo objeto tanto pode ser doce como
amargo, e o provérbio popular afirma com muita
razão que gostos não se discutem. É muito natural, e
mesmo absolutamente necessário, aplicar este axioma
ao gosto mental, além do gosto corpóreo, e assim o
senso comum, que tão frequentemente diverge da
filosofia [...], ao menos num caso está de acordo em
proferir idêntica decisão.
(HUME, David. Do padrão do gosto. In: Os Pensadores. São Paulo:
Abril Cultural,1992, p. 262).
O trecho acima corresponde a uma passagem na qual
Hume procura descrever a posição de alguns filósofos
seus contemporâneos para os quais o gosto é uma
expressão de certos sentimentos e, desse modo, não
comporta uma decisão em termos de verdade ou
falsidade, como ocorre no caso de outros juízos nos
quais emitimos nossas opiniões. Essa posição, caso
fosse correta, impossibilitaria o estabelecimento de
um padrão de gosto, ou seja, de uma regra capaz de
conciliar as diversas opiniões dos homens no que diz
respeito ao valor de uma obra de arte, por exemplo.
Segundo Hume, essa posição coincide com o famoso
provérbio de que gosto não se discute, o qual, por sua
vez, parece refletir o pensamento da maior parte das
pessoas, ou seja, do senso comum.
a) A partir do que foi dito acima, e com base em
outras informações contidas no texto, APRESENTE
os argumentos de Hume que problematizam esse
famoso provérbio.
b) Com base em suas próprias experiências,
APRESENTE e JUSTIFIQUE a sua posição pessoal
em relação a esse mesmo provérbio.
31. (Ufsj 2013) Leia atentamente os fragmentos abaixo.
I. “Também tem sido frequentemente ensinado que a
fé e a santidade não podem ser atingidas pelo
estudo e pela razão, mas sim por inspiração
sobrenatural, ou infusão, o que, uma vez aceita, não
vejo por que razão alguém deveria justificar a sua
fé...”.
II. “O homem não é a consequência duma intenção
própria duma vontade, dum fim; com ele não se
fazem ensaios para obter-se um ideal de
humanidade; um ideal de felicidade ou um ideal de
moralidade; é absurdo desviar seu ser para um fim
qualquer”.
III. “(...) podemos estabelecer como máxima indubitável
que nenhuma ação pode ser virtuosa ou
moralmente boa, a menos que haja na natureza
humana algum motivo que a produza, distinto do
senso de sua moralidade”.
IV. “A má-fé é evidentemente uma mentira, porque
dissimula a total liberdade do compromisso. No
mesmo plano, direi que há também má-fé, escolho
declarar que certos valores existem antes de mim
(...).”
Os quatro fragmentos de texto acima são, respectiva-
mente, atribuídos aos seguintes pensadores
a) Nietzsche, Sartre, Hobbes, Hume.
b) Hobbes, Nietzsche, Hume, Sartre.
c) Hume, Nietzsche, Sartre, Hobbes.
d) Sartre, Hume, Hobbes, Nietzsche.
32. (Ufsm 2013) Sem leis e sem Estado, você poderia fazer
o que quisesse. Os outros também poderiam fazer
com você o que quisessem. Esse é o “estado de
natureza” descrito por Thomas Hobbes, que, vivendo
durante as guerras civis britânicas (1640-60),
aprendeu em primeira mão como esse cenário poderia
ser assustador. Sem uma autoridade soberana não
pode haver nenhuma segurança, nenhuma paz.
Fonte: LAW, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Rio de Janeiro:
Zahar, 2008.
Considere as afirmações:
I. A argumentação hobbesiana em favor de uma
autoridade soberana, instituída por um pacto,
representa inequivocamente a defesa de um regime
político monarquista.
II. Dois dos grandes teóricos sobre o estado de
natureza”, Hobbes e Rousseau, partilham a
convicção de que o afeto predominante nesse
“estado” é o medo.
III. Um traço comum da filosofia política moderna é a
idealização de um pacto que estabeleceria a
passagem do estado de natureza para o estado de
sociedade.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
e) apenas II e III.
31
33. (Ufpa 2013) “Desta guerra de todos os homens contra
todos os homens também isto é consequência: que
nada pode ser injusto. As noções de bem e de mal, de
justiça e injustiça, não podem aí ter lugar. Onde não
há poder comum não há lei, e onde não há lei não há
injustiça. Na guerra, a força e a fraude são as duas
virtudes cardeais. A justiça e a injustiça não fazem
parte das faculdades do corpo ou do espírito. Se assim
fosse, poderiam existir num homem que estivesse
sozinho no mundo, do mesmo modo que seus
sentidos e paixões.”
HOBBES, Leviatã, São Paulo: Abril cultural, 1979, p. 77.
Quanto às justificativas de Hobbes sobre a justiça e a
injustiça como não pertencentes às faculdades do
corpo e do espírito, considere as afirmativas:
I. Justiça e injustiça são qualidades que pertencem
aos homens em sociedade, e não na solidão.
II. No estado de natureza, o homem é como um
animal: age por instinto, muito embora tenha a
noção do que é justo e injusto.
III. Só podemos falar em justiça e injustiça quando é
instituído o poder do Estado.
IV. O juiz responsável por aplicar a lei não decide em
conformidade com o poder soberano; ele
favorece os mais fortes.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II
b) I e III
c) II e IV
d) I, III e IV
e) II, III e IV
34. (Ufsj 2013) “A soberania é a alma do Estado, e uma
vez separada do corpo os membros deixam de receber
dela seu movimento”.
Esse fragmento representa o pensamento de
a) Hume em sua memorável defesa dos valores do
Estado e da sua ligação direta com a sua “alma”,
tomada aqui porintransferível soberania.
b) Hume e a descrição da soberania na perspectiva
do sujeito em termos de impressões e ideias, que
a partir daí cria um Estado humanizado que dá
movimento às criações dos que nele estão
inseridos.
c) Nietzsche, em sua mais sublime interpretação do
agón grego. Ao centro daquilo que ele propôs
como sendo a alma do Estado e onde a indagação
sobre o lugar da soberania, no permanente
desafio da necessária orquestração das paixões,
se faz urgente.
d) Hobbes e o seu conceito clássico de soberania,
entendido como o princípio que dá vida e
movimento ao corpo inteiro do Estado, por sua
vez criado pelo artifício humano para a sua
proteção e segurança.
35. (Ufsj 2013) Thomas Hobbes afirma que “Lei Civil”, para
todo súdito, é
a) “construída por aquelas regras que o Estado lhe
impõe, oralmente ou por escrito, ou por outro
sinal suficiente de sua vontade, para usar como
critério de distinção entre o bem e o mal”.
b) “a lei que o deixa livre para caminhar para
qualquer direção, pois há um conjunto de leis
naturais que estabelece os limites para uma vida
em sociedade”.
c) “reguladora e protetora dos direitos humanos, e
faz intervenção na ordem social para legitimar as
relações externas da vida do homem em
sociedade”.
d) “calcada na arbitrariedade individual, em que as
pessoas buscam entrar num Estado Civil, em
consonância com o direito natural, no qual ele – o
súdito – tem direito sobre a sua vida, a sua
liberdade e os seus bens”.
36. (Uem 2013) Assinale o que for correto.
01) Como há uma separação clara entre o que é
verdadeiro, portanto campo do juízo científico, e do
que é belo, campo do juízo estético, poucos filósofos
se dedicaram à investigação do juízo do gosto.
02) Walter Benjamin ponderava, em uma visão otimista
da sociedade industrial, que a reprodução técnica da
obra de arte – em livros, nas artes gráficas, na
fotografia, no rádio e no cinema – propiciaria um
movimento de democratização da cultura e das
artes.
04) Kant, ao investigar os problemas da subjetividade do
juízo do gosto, considerava a beleza como uma
categoria universal da razão e, a partir da discussão
sobre a beleza, propunha ser possível atingir um
juízo estético possível de ser compartilhado por
todos.
08) Os iluministas consideravam que era na
contemplação desinteressada da obra que se dava o
sentimento estético, porém tal contemplação
dependia do refinamento da sensibilidade, que
deveria ser alcançado pela educação.
16) A arte midiática, que atinge um número muito maior
de indivíduos, proporciona uma maior concordância
de opiniões no que se refere ao juízo do gosto. Tal
fato prova que a arte de massa é mais verdadeira do
que as manifestações individualizadas, que
propiciam juízos de valor muito mais particulares.
37. (Ufsm 2013) Os filósofos Ame Naess e George Sessions
propuseram, em 1984, diversos princípios para uma
ética ecológica profunda, entre os quais se encontra o
seguinte:
O bem-estar e o florescimento da vida humana e não
humana na Terra têm valor em si mesmos. Esses
valores são independentes da utilidade do mundo não
humano para finalidades humanas.
32
Considere as seguintes afirmações:
I. A ética kantiana não se baseia no valor de
utilidade das ações.
II. “Valor intrínseco” é um sinônimo para “valor em
si mesmo”.
III. A ética utilitarista rejeita a concepção de que as
ações têm valor em si mesmas.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
e) I, II e III.
38. (Ufu 2013) Autonomia da vontade é aquela sua
propriedade graças à qual ela é para si mesma a sua lei
(independentemente da natureza dos objetos do
querer). O princípio da autonomia é, portanto: não
escolher senão de modo a que as máximas da escolha
estejam incluídas simultaneamente, no querer
mesmo, como lei universal.
KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes.
Tradução de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 1986, p. 85.
De acordo com a doutrina ética de Kant:
a) O Imperativo Categórico não se relaciona com a
matéria da ação e com o que deve resultar dela,
mas com a forma e o princípio de que ela mesma
deriva.
b) O Imperativo Categórico é um cânone que nos
leva a agir por inclinação, vale dizer, tendo por
objetivo a satisfação de paixões subjetivas.
c) Inclinação é a independência da faculdade de a
petição das sensações, que representa aspectos
objetivos baseados em um julgamento universal.
d) A boa vontade deve ser utilizada para satisfazer os
desejos pessoais do homem. Trata-se de
fundamento determinante do agir, para a
satisfação das inclinações.
39. (Unesp 2013) Preguiça e covardia são as causas que
explicam por que uma grande parte dos seres
humanos, mesmo muito após a natureza tê-los
declarado livres da orientação alheia, ainda
permanecem, com gosto, e por toda a vida, na
condição de menoridade. É tão confortável ser menor!
Tenho à disposição um livro que entende por mim, um
pastor que tem consciência por mim, um médico que
prescreve uma dieta etc.: então não preciso me
esforçar. A maioria da humanidade vê como muito
perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado
rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram
para si de bom grado a sua supervisão. Após terem
previamente embrutecido e cuidadosamente
protegido seu gado, para que estas pacatas criaturas
não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos
quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo
que as ameaça caso queiram andar por conta própria.
Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após
algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar;
basta, entretanto, o perigo de um tombo para
intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que
não façam novas tentativas.
(Immanuel Kant, apud Danilo Marcondes. Textos básicos de ética – de
Platão a Foucault, 2009. Adaptado.)
O texto refere-se à resposta dada pelo filósofo Kant à
pergunta sobre “O que é o Iluminismo?”. Explique o
significado da oposição por ele estabelecida entre
“menoridade” e “autonomia intelectual”.
40. (Ufmg 2013) Os filósofos têm procurado resolver
dilemas morais recorrendo a princípios gerais que
permitiriam ao agente encontrar a decisão correta para
toda e qualquer questão moral. Na filosofia moderna
foram apresentados dois princípios dessa natureza, que
podem ser formulados do seguinte modo:
I. Princípio do Imperativo Categórico: Age de modo
que a máxima de tua ação possa ao mesmo
tempo se converter em lei universal
II. Princípio da Maior Felicidade: Dentre todas as
ações possíveis, escolha aquela que produzirá uma
quantidade maior de felicidade para os afetados
pela ação.
Imagine a seguinte situação:
Um trem desgovernado vai atingir cinco pessoas que
trabalham desprevenidas sobre os trilhos. Alguém
observando a situação tem a chance de evitar a tragédia,
bastando para isso que ele acione uma alavanca que está
ao seu alcance e que desviará o trem para outra linha.
Contudo, ao ser desviado de sua trajetória, o trem
atingirá fatalmente uma pessoa que se encontra na outra
linha. O observador em questão deve tomar uma decisão
que altera significativamente o destino das pessoas
envolvidas na situação.
Essa situação é típica de um dilema moral, pois qualquer
que seja a nossa decisão, ela terá implicações que
preferiríamos evitar. Considere os princípios morais I e II
acima e RESPONDA às seguintes questões:
a) Se o observador em questão fosse um adepto do
Princípio I, ele deveria ou não alterar a trajetória
do trem? Como ele justificaria a sua decisão?
b) Se o observador em questão fosse um adepto do
Princípio II, ele deveria ou não alterar a trajetória
do trem? Como ele justificaria a sua decisão?
41. (Ufu 2013) A dialética de Hegel
a) envolve duasetapas, formadas por opostos encon-
trados na natureza (dia-noite, claro-escuro, frio-calor).
b) é incapaz de explicar o movimento e a mudança
verificados tanto no mundo quanto no pensamento.
c) é interna nas coisas objetivas, que só podem crescer e
perecer em virtude de contradições presentes nelas.
d) é um método (procedimento) a ser aplicado ao objeto
de estudo do pesquisador.
33
42. (Uem 2013) O filósofo alemão Hegel (1770-1831)
afirma que “É tarefa da filosofia conceber o que é,
pois, aquilo que é é a razão. No que concerne ao
indivíduo, cada um é, de todo modo, um filho de seu
tempo; do mesmo modo que a filosofia é seu tempo
apreendido em pensamentos” (HEGEL, G. W. F.
Excertos e parágrafos traduzidos. In: Antologia de
Textos Filosóficos. MARÇAL, J. (org.). Curitiba: SEED-
PR, 2009, p. 314).
A partir do trecho citado, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s).
01) A razão de algo é o conceito desse algo concebido
filosoficamente pelo seu tempo.
02) Aquilo que é, a essência de algo, é para o filósofo
um conceito racional.
04) O indivíduo, que é filho de seu tempo, do ponto de
vista filosófico, pensa os seus problemas a partir de
seu momento histórico.
08) Os conceitos filosóficos, por serem determinados
historicamente, estão restritos ao seu tempo e à
sua época, não sendo, pois, universais.
16) A reflexão filosófica está intimamente ligada ao
seu momento histórico, visto que leva esse
mundo ao plano do conceito.
43. (Uem 2013) “Ao criticar o mito e exaltar a ciência,
contraditoriamente o positivismo fez nascer o mito do
cientificismo, ou seja, a crença cega na ciência como
única forma de saber possível. Desse modo, o positivismo
mostra-se reducionista, já que, bem sabemos, a ciência
não é a única interpretação válida do real. De fato,
existem outros modos de compreensão, como o senso
comum, a filosofia, a arte, a religião, e nenhuma delas
exclui o fato de o mito estar na raiz da inteligibilidade. A
função fabuladora persiste não só nos contos populares,
no folclore, mas também na vida diária, quando
proferimos certas palavras ricas de ressonâncias míticas –
casa, lar, amor, pai, mãe, paz, liberdade, morte – cuja
definição objetiva não esgota os significados que
ultrapassam os limites da própria subjetividade.”
(ARANHA, M. L.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à
filosofia. 4ª. ed. rev. São Paulo: Moderna, 2009, p. 32)
A partir do trecho citado, assinale o que for correto.
01) Ao contrário da ciência, o senso comum, a
religião e a filosofia refletem uma imagem
incompleta e precária do real.
02) O mito do cientificismo é a aplicação do rigor
formal do método científico à dança, à música e
a diversas outras formas de expressão popular.
04) O positivismo utiliza o inconsciente e o mito
como forma de expressão do mundo.
08) Explicações de caráter mítico, apesar de
pertencerem ao período antigo, sobrevivem na
modernidade.
16) A função fabuladora recupera aspectos do mito
que se distinguem da razão e do método
científico.
44. (Ufsj 2013) “Não que acreditemos que Deus exista;
pensamos antes que o problema não está aí, no da sua
existência [...] os cristãos podem apelidar-nos de
desesperados”.
Essa afirmação revela o pensador
a) Thomas Hobbes, defendendo o seu pensamento
objetivo de que “o homem deve ser tomado como
um elemento de construção da monarquia”.
b) Nietzsche, perseguindo o direito do homem de
tomar posse do seu reino animal e da sua
superação e de reconduzir-se às verdades
implícitas nele próprio.
c) Jean-Paul Sartre, desenvolvendo um argumento,
no qual chega à conclusão de que o
existencialismo é um otimismo.
d) David Hume, criticando as clássicas provas a favor
da existência de Deus.
45. (Uem 2013) “‘Se Deus não existisse, tudo seria
permitido’. Eis o ponto de partida do existencialismo.
De fato, tudo é permitido se Deus não existe, e, por
conseguinte, o homem está desamparado porque não
encontra nele próprio nem fora dele nada a que se
agarrar. (...) Com efeito, se a existência precede a
essência, nada poderá jamais ser explicado por
referência a uma natureza humana dada ou definitiva;
ou seja, não existe determinismo, o homem é livre, o
homem é liberdade. Por outro lado, se Deus não
existe, não encontramos, já prontos, valores ou
ordens que possam legitimar a nossa conduta. Assim,
não teremos nem atrás de nós, nem na nossa frente,
no reino luminoso dos valores, nenhuma justificativa e
nenhuma desculpa. Estamos sós, sem desculpas. É o
que posso expressar dizendo que o homem está
condenado a ser livre.”
(SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. Tradução de Rita
Correia Guedes. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 9)
Com base no excerto citado, assinale o que for correto.
01) O existencialismo é uma filosofia teológica que
procura a razão de ser no mundo a partir da
moral estabelecida.
02) A afirmação “o homem está condenado a ser
livre” é uma contradição, pois não há liberdade
onde há a obrigação de ser livre.
04) O existencialismo fundamenta a liberdade,
independentemente dos valores e das leis da
sociedade.
08) Ser livre significa, rigorosamente, ser, pois não
há nada que determine o ser humano, a não ser
ele mesmo.
16) A existência de Deus é necessária, pois, sem ele,
o homem deixaria de ser livre.
34
46. (Ufsj 2013)Na obra “O existencialismo é um
humanismo”, Jean-Paul Sartre intenta
a) desenvolver a ideia de que o existencialismo é
definido pela livre escolha e valores inventados
pelo sujeito a partir dos quais ele exerce a sua
natureza humana essencial.
b) mostrar o significado ético do existencialismo.
c) criticar toda a discriminação imposta pelo
cristianismo, através do discurso, à condição de
ser inexorável, característica natural dos homens.
d) delinear os aspectos da sensação e da imaginação
humanas que só se fortalecem a partir do
exercício da liberdade.
47. (Uem 2013) Um dos principais problemas de nosso
tempo diz respeito à linguagem: seus limites, suas
vinculações, em suma, sua capacidade de traduzir em
signos as coisas. A esse respeito, o filósofo francês
Merleau-Ponty afirma: “A palavra, longe de ser um
simples signo dos objetos e das significações, habita as
coisas e veicula significações. Naquele que fala, a
palavra não traduz um pensamento já feito, mas o
realiza. E aquele que escuta recebe, pela palavra, o
próprio pensamento” (In: CHAUI, M. Convite à
filosofia. São Paulo: Ática, 2011, p. 196). A partir do
trecho citado, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
01) A palavra torna real um pensamento por meio
da fala, conferindo-lhe existência.
02) A palavra não consegue expressar a totalidade
do objeto enunciado.
04) A palavra, ouvida ou escrita, é o pensamento
manifesto em sua realidade.
08) A palavra faz uma mediação entre as coisas e o
pensamento.
16) A palavra vincula-se intimamente aos objetos
reais, pois é parte do ser desse objeto.
48. (Ufsj 2013) O Círculo de Viena foi um importante
marco para a filosofia e, exemplarmente, propôs que,
a) antes de ser classificado de percepção extrema ou
subjetividade, todo e qualquer dado deve ser
sistematicamente analisado.
b) em qualquer evento, existe algo de subjetivo e
isso é disfarçado pelas extraordinárias extensões
no mundo metafísico.
c) para ser aceita como verdadeira, uma teoria
científica deveria passar pelo crivo da verificação
empírica.
d) no limite do que o sujeito pode perceber e do que
é exatamente o objeto há um abismo de possibili-
dades e é nisso que consiste a importância da
metafísica.
49. (Uem 2013) “A razão especulativa, porém, embora
não possaconhecer o ser em si – abstrato, que não se
oferece à experiência e aos sentidos –, pode pensá-lo
e coloca problemas que só serão resolvidos no âmbito
da razão prática, isto é, no campo da ação e da moral.
Ou seja, embora Deus, a liberdade e a imortalidade
não possam ser conhecidos (agnosticismo) por não
terem uma matéria que se ofereça à experiência
sensível, nem por isso têm sua existência negada.”
(ARANHA, M. L.; MARTINS, M. H. P. Temas de filosofia. 3ª. ed. rev. São
Paulo: Moderna, 2005, p. 115)
Sobre o excerto citado, assinale o que for correto.
01) Razão especulativa e razão prática se ocupam dos
mesmos objetos.
02) Nem tudo o que existe pode ser matéria de
conhecimento.
04) A razão prática ocupa-se da moral.
08) O conhecimento é da ordem do sensível.
16) A razão prática se confunde com o agnosticismo.
50. (Upe 2013) A história da ética, como disciplina filosófica,
é mais limitada, no tempo e no material tratado, que a
história das ideias morais da humanidade. Esta última
história compreende o estudo de todas as normas que
regulam o comportamento humano desde os tempos
pré-históricos até nossos dias.
VITA, Luís Washington. Introdução à filosofia, 1964, p. 143.
Sobre esse assunto, coloque V nas afirmativas
Verdadeiras e F nas Falsas.
( ) A ética é uma ciência prática e, portanto, sem
rigor teórico.
( ) A ética ou filosofia moral é a parte da estética
que se ocupa da reflexão a respeito das noções e
dos princípios que fundamentam a vida humana.
( ) Uma das definições mais corriqueiras da ética ou
moral é aquela que se refere ao estudo da
atividade humana com relação aos seus fins
imediatos, que é a realização plena da
humanidade.
( ) A história da moral serve de objeto de reflexão
para a ética, ou seja, a ética parte da diversidade
de morais no tempo, com os seus respectivos
valores, princípios e normas.
( ) A filosofia moral se ocupa da conduta humana
sob o aspecto, segundo o qual pode ser julgada
certa ou errada, virtuosa ou viciosa, boa ou má.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência
CORRETA.
a) F, F, F, V, V
b) F, F, V, V, V
c) V, F, F, V, V
d) V, V, F, F, F
e) F, V, F, F, V
51. (Ufu 2013) Em seus estudos sobre o Estado, Maquiavel
busca decifrar o que diz ser uma veritàeffettuale, a
“verdade efetiva” das coisas que permeiam os
movimentos da multifacetada história humana/política
através dos tempos. Segundo ele, há certos traços
humanos comuns e imutáveis no decorrer daquela
35
história. Afirma, por exemplo, que os homens são
“ingratos, volúveis, simuladores, covardes ante os
perigos, ávidos de lucro”. (O Príncipe, cap. XVII)
Para Maquiavel:
a) A “verdade efetiva” das coisas encontra-se em
plano especulativo e, portanto, no “dever-ser”.
b) Fazer política só é possível por meio de um
moralismo piedoso, que redime o homem em
âmbito estatal.
c) Fortuna é poder cego, inabalável, fechado a
qualquer influência, que distribui bens de forma
indiscriminada.
d) A Virtù possibilita o domínio sobre a Fortuna. Esta
é atraída pela coragem do homem que possui
Virtù.
52. (Uem 2012) O mito é um modo de consciência que
predomina nas sociedades tribais e que, nas civilizações
da antiguidade, também exerceu significativa influência.
Ao contrário, porém, do que muitos supõem, o mito não
desapareceu com o tempo. Sobre os significados do
mito, assinale o que for correto.
01) O mito, como as lendas, é pura fantasia, pois
não possui nenhuma coerência lógica e, por ser
dissociado da realidade, não expressa nenhuma
forma de verdade.
02) O mistério é um dos componentes do mito:
apresenta um enigma a ser decifrado e expressa
o espanto do homem diante do mundo.
04) Uma das funções do mito é fixar os modelos
exemplares de todos os ritos e de todas as
atividades humanas significativas. Portanto, o
mito é um meio de orientação das sociedades
humanas.
08) O mito é uma intuição compreensiva da
realidade, cujas raízes se fundam na emoção e
na afetividade. O mito expressa o que
desejamos ou tememos, como somos atraídos
pelas coisas ou como delas nos afastamos.
16) O mito é uma forma predominante de narrativa
nas culturas que não conhecem a escrita. Um de
seus objetivos é contar a origem de um grupo
humano.
53. (Unesp 2012) Aedo e adivinho têm em comum um
mesmo dom de “vidência”, privilégio que tiveram de
pagar pelo preço dos seus olhos. Cegos para a luz, eles
veem o invisível. O deus que os inspira mostra-lhes,
em uma espécie de revelação, as realidades que
escapam ao olhar humano. Sua visão particular age
sobre as partes do tempo inacessíveis às criaturas
mortais: o que aconteceu outrora, o que ainda não é.
(Jean-Pierre Vernant. Mito e pensamento entre os gregos, 1990.
Adaptado.)
O texto refere-se à cultura grega antiga e menciona,
entre outros aspectos,
a) o papel exercido pelos poetas, responsáveis pela
transmissão oral das tradições, dos mitos e da
memória.
b) a prática da feitiçaria, estimulada especialmente
nos períodos de seca ou de infertilidade da terra.
c) o caráter monoteísta da sociedade, que impedia a
difusão dos cultos aos deuses da tradição clássica.
d) a forma como a história era escrita e lida entre os
povos da península balcânica.
e) o esforço de diferenciar as cidades-estados e
reforçar o isolamento e a autonomia em que
viviam.
54. (Uncisal 2012) O conhecimento mítico apresenta
características próprias que o diferencia de outros
modos de conhecer. Ele invariavelmente se vincula ao
conhecimento religioso, mas conserva suas funções
especificas: acomodar e tranquilizar o homem em
meio a um mundo caótico e hostil. Nas sociedades em
que ele se apresenta como um modo válido de
explicação da realidade assume uma abrangência
tamanha que determina a totalidade da vida, tanto no
âmbito público como privado. Com referência ao
conhecimento mítico, é incorreto afirmar que
a) a adesão ao conhecimento mítico ocorre sem
necessidade de demonstração, apenas se aceita a
autoridade do narrador.
b) as explicações oferecidas pelo conhecimento
mítico essencialmente são de natureza cosmogô-
nica.
c) as representações sobrenaturais são utilizadas no
intuito de explicar os fenômenos naturais.
d) a narrativa mítica faz uso de uma linguagem
simbólica e imaginária.
e) se pauta na reflexão, apresentando a racionali-
dade e a cosmologia como componentes definido-
res do seu modo próprio de ser.
55. (Ufu 2012) A teologia natural, segundo Tomás de Aquino
(1225-1274), é uma parte da filosofia, é a parte que ele
elaborou mais profundamente em sua obra e na qual ele
se manifesta como um gênio verdadeiramente original.
Se se trata de física, de fisiologia ou dos meteoros, Tomás
é simplesmente aluno de Aristóteles, mas se se trata de
Deus, da origem das coisas e de seu retorno ao Criador,
Tomás é ele mesmo. Ele sabe, pela fé, para que limite se
dirige, contudo, só progride graças aos recursos da razão.
GILSON, Etienne. A Filosofia na Idade Média, São Paulo: Martins
Fontes, 1995, p. 657.
De acordo com o texto acima, é correto afirmar que
a) a obra de Tomás de Aquino é uma mera repetição
da obra de Aristóteles.
b) Tomás parte da revelação divina (Bíblia) para
entender a natureza das coisas.
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c) as verdades reveladas não podem de forma
alguma ser compreendidas pela razão humana.
d) é necessário procurar a concordância entre razão
e fé, apesar da distinção entre ambas.
56. (Uem 2012) Tomás de Aquino (1225-1274), no seu
livro A Realeza, afirma:
“Comecemos apresentando o que se deve entender
pela palavra rei. Com efeito, em todas as coisas que se
ordenam a um fimque pode ser alcançado de diversos
modos, faz-se necessário algum dirigente para que se
possa alcançar o fim do modo mais direto. Por
exemplo, um navio, que se move em diversas direções
pelo impulso de ventos opostos, não chegará ao seu
fim de destino se não for dirigido ao porto pela
habilidade do comandante”.
(AQUINO, T. de. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: Antologia
de textos filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 667.)
Conforme esse trecho, é correto afirmar que
01) o rei, como um dirigente, não tem um poder
opressor ou dominador sobre os súditos.
02) o rei é aquele que realiza as coisas sem
intermediários.
04) o rei não é necessário em todas as decisões, mas
somente naquelas que envolvem interesses
coletivos.
08) as ações do rei não precisam levar em conta os
desejos dos súditos, mas considerar aquilo que é
melhor para o reino.
16) o rei ou o comandante tem a função de dirigir,
orientar, o que não implica uma imposição de sua
vontade aos súditos.
57. (Uncisal 2012) A filosofia de Santo Agostinho é
essencialmente uma fusão das concepções cristãs com o
pensamento platônico. Subordinando a razão à fé,
Agostinho de Hipona afirma existirem verdades
superiores e inferiores, sendo as primeiras
compreendidas a partir da ação de Deus. Como se chama
a teoria agostiniana que afirma ser a ação de Deus que
leva o homem a atingir as verdades superiores?
a) Teoria da Predestinação.
b) Teoria da Providência.
c) Teoria Dualista.
d) Teoria da Emanação.
e) Teoria da Iluminação.
58. (Enem 2012) Não ignoro a opinião antiga e muito
difundida de que o que acontece no mundo é decidido
por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em
nossos dias, devido às grandes transformações
ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais
escapam à conjectura humana. Não obstante, para
não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio
que se pode aceitar que a sorte decida metade dos
nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o
controle sobre a outra metade.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do
poder em seu tempo. No trecho citado, o autor
demonstra o vínculo entre o seu pensamento político
e o humanismo renascentista ao
a) valorizar a interferência divina nos aconteci-
mentos definidores do seu tempo.
b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos
políticos.
c) afirmar a confiança na razão autônoma como
fundamento da ação humana.
d) romper com a tradição que valorizava o passado
como fonte de aprendizagem.
e) redefinir a ação política com base na unidade
entre fé e razão.
59. (Uff 2012) O filósofo inglês John Locke (1632-1704) é
um dos fundadores da concepção liberal da vida
política. Em sua defesa da liberdade como um atributo
que o homem possui desde que nasce, ele diz: “Para
compreender corretamente o que é o poder político e
derivá-lo a partir de sua origem, devemos considerar
qual é a condição em que todos os homens se
encontram segundo a natureza. E esta condição é a de
completa liberdade para poder decidir suas ações e
dispor de seus bens e pessoas do modo que quiserem,
respeitados os limites das leis naturais, sem precisar
solicitar a permissão ou de depender da vontade de
qualquer outro ser humano.”
Assinale o documento histórico que foi diretamente
influenciado pelo pensamento de Locke.
a) O livro “O que é a propriedade?”, de Proudhon
(1840)
b) O “Manifesto Comunista”, de Karl Marx e Frederico
Engels (1848)
c) A “Concordata” estabelecida entre Napoleão e o
Vaticano (1801)
d) A declaração da “Doutrina Monroe” (1823)
e) A “Declaração de Independência” dos Estados
Unidos (1776)
60. (Unioeste 2012) “Se o homem no estado de natureza é
tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto da
sua própria pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém
sujeito, porque abrirá ele mão dessa liberdade, porque
abandonará o seu império e sujeitar-se-á ao domínio e
controle de qualquer outro poder? Ao que é óbvio
responder que, embora no estado de natureza tenha tal
direito, a fruição do mesmo é muito incerta e está
constantemente exposta à invasão de terceiros porque,
sendo todos reis tanto quanto ele, todo homem igual a
ele, e na maior parte pouco observadores da equidade e
da justiça, a fruição da propriedade que possui nesse
estado é muito insegura, muito arriscada. Estas
circunstâncias obrigam-no a abandonar uma condição
que, embora livre, está cheia de temores e perigos
constantes; e não é sem razão que procura de boa
vontade juntar-se em sociedade com outros que estão já
unidos, ou pretendem unir-se, para a mútua conservação
da vida, da propriedade e dos bens a que chamo de
'propriedade'”.
Locke
37
Sobre o pensamento político de Locke e o texto
acima, seguem as seguintes afirmativas:
I. No estado de natureza, os homens usufruem
plenamente, e com absoluta segurança, os
direitos naturais.
II. O objetivo principal da união dos homens em
comunidade, colocando-se sob governo, é a
preservação da “propriedade”.
III. No estado de natureza, falta uma lei
estabelecida, firmada, conhecida, recebida e
aceita mediante consentimento, como padrão do
justo e injusto e medida comum para resolver
quaisquer controvérsias entre os homens.
IV. Os homens entram em sociedade, abandonando
a igualdade, a liberdade e o poder executivo que
tinham no estado de natureza, apenas com a
intenção de melhor preservar a propriedade.
V. No estado de natureza, há um juiz conhecido e
imparcial para resolver quaisquer controvérsias
entre os homens, de acordo com a lei
estabelecida.
Das afirmativas feitas acima
a) somente a afirmação I está correta.
b) as afirmações I e III estão corretas.
c) as afirmações II e V estão corretas.
d) as afirmações IV e V estão corretas.
e) as afirmações II, III e IV estão corretas.
61. (Ufsj 2012) Ao investigar as origens das ideias, diversos
filósofos fizeram interferências importantes no
pensamento filosófico da humanidade. Dentre eles,
destaca-se o pensamento de John Locke. Assinale a
alternativa que expressa as origens das ideias para
John Locke.
a) “Não há dúvida de que todo o nosso
conhecimento começa com a experiência [...] mas
embora todo o nosso conhecimento comece com
a experiência, nem por isso todo ele pode ser
atribuído a esta, mas à imaginação e à ideia.”
b) “O que sou eu? Uma substância que pensa. O que
é uma substância que pensa? É uma coisa que
duvida, que concebe, que afirma, que nega, que
quer, que não quer, que imagina e que sente, uma
ideia em movimento.
c) “Quando analisamos nossos pensamentos ou
ideias, por mais complexos e sublimes que sejam,
sempre descobrimos que se resolvem em ideias
simples que são cópias de uma sensação ou
sentimento anterior, calcado nas paixões.”
d) “Afirmo que essas duas, a saber, as coisas
materiais externas, como objeto da sensação, e as
operações de nossas próprias mentes, como
objeto da reflexão, são, a meu ver, os únicos
dados originais dos quais as ideias derivam.”
62. (Espm 2012) Os textos abaixo referem-se a
pensadores cujas obras e ideias exerceram forte
influência em importantes eventos ocorridos nos
séculos XVII e XVIII. Leia-os e aponte a alternativa que
os relaciona corretamente a seus autores:
I. “O filósofo desenvolveu em seus Dois Tratados
Sobre Governo a ideia de um Estado de base
contratual. Esse contrato imaginário entre o Estado
e os seus cidadãos teria por objeto garantir os
direitos naturais do homem, ou seja, liberdade,
felicidade e prosperidade. A maioria temo direito de
fazer valer seu ponto de vista e, quando o Estado
não cumpre seus objetivos e não assegura aos
cidadãos a possibilidade de defender seus direitos
naturais,os cidadãos podem e devem pegar em
armas contra seusoberano para assegurar um
contrato justo e a defesa da propriedade privada”.
II. “O filósofo propôs um sistema equilibrado de
governo em que haveria a divisão de poderes
(legislativo, executivo e judiciário). Em sua obra O
Espírito das Leis alegava que tudo estaria perdido se
o mesmo homem ou a mesma corporação exercesse
esses três poderes: o de fazer leis, o de executar e o
de julgar os crimes ou as desavenças dos
particulares. Afirmava que só se impede o abuso do
poder quando pela disposição das coisas só o poder
detém o poder”.
a) I – John Locke; II – Voltaire;
b) I – John Locke; II – Montesquieu;
c) I – Rousseau; II – John Locke;
d) I – Rousseau; II – Diderot;
e) I – Montesquieu; II – Rousseau.
63. (Uem 2012) O filósofo inglês John Locke (1632-1704)
construiu uma teoria político-social da propriedade
que é, até hoje, uma das referências principais sobre o
tema. Afirma ele:
“A natureza fixou bem a medida da propriedade pela
extensão do trabalho do homem e conveniências da vida.
Nenhum trabalho do homem podia tudo dominar ou de
tudo apropriar-se. [...] Assim o trabalho, no começo (das
sociedades humanas), proporcionou o direito à
propriedade sempre que qualquer pessoa achou
conveniente empregá-lo sobre o que era comum.”
(LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. São Paulo: Abril
Cultural, 1983, p. 48; 45; 52)
Em consonância com essa concepção de propriedade
do filósofo, é correto afirmar que
01) o direito à propriedade é, prioritariamente, fruto
do trabalho.
02) o direito à propriedade é fundado naquele que
primeiro se apossou do bem (terra, animais etc.).
04) o fato de os recursos naturais serem comuns a
todos os homens gera um impedimento à
propriedade individual.
08) o trabalho individualiza o que era propriedade
comum, pois agrega algo particular ao bem.
16) o trabalho antecede a propriedade do bem e não
o contrário.
38
64. (Ufu 2012) O botão desaparece no desabrochar da
flor, e poderia dizer-se que a flor o refuta; do mesmo
modo que o fruto faz a flor parecer um falso ser-aí da
planta, pondo-se como sua verdade em lugar da flor:
essas formas não só se distinguem, mas também se
repelem como incompatíveis entre si [...].
HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis: Vozes, 1988.
Com base em seus conhecimentos e na leitura do
texto acima, assinale a alternativa correta segundo a
filosofia de Hegel.
a) A essência do real é a contradição sem interrupção
ou o choque permanente dos contrários.
b) As contradições são momentos da unidade orgânica,
na qual, longe de se contradizerem, todos são
igualmente necessários.
c) O universo social é o dos conflitos e das guerras sem
fim, não havendo, por isso, a possibilidade de uma
vida ética.
d) Hegel combateu a concepção cristã da história ao
destituí-la de qualquer finalidade benevolente.
65. (Uem 2012) “Marx e Hegel têm em comum a crítica à
exacerbação do individualismo egoísta moderno, bem
como das suas consequências, porém discordam
quanto às possibilidades de solução da questão. Um
dos elementos fundamentais desse debate é a
questão da soberania política”
(MARÇAL, Jairo (org.). Antologia de textos filosóficos. Curitiba:
SEED – PR, 2009, p.466.).
Sobre as relações entre indivíduo e Estado, assinale o
que for correto.
01) Karl Marx considera que a emancipação humana
realizar-se-á na sociedade comunista, pois, nessa
sociedade, o indivíduo não será mais submetido a
um Estado e à divisão social do trabalho, podendo,
dessa forma, passar do reino da necessidade ao
reino da liberdade.
02) Para Karl Marx, a liberdade do indivíduo, como
concebida pelo Estado burguês, não passa de um
formalismo jurídico; é uma ficção da lei, pois o
indivíduo só pode ser livre quando a esfera da
produção estiver sujeita ao controle daqueles que
produzem.
04) Para G. W. Friedrich Hegel, o Estado deveria ser
substituído pela sociedade civil, pois essa pode
representar os interesses coletivos e é capaz de
garantir os interesses de cada indivíduo.
08) G. W. Friedrich Hegel critica as teorias políticas
contratualistas, segundo as quais os indivíduos
isolados abandonam o estado de natureza para se
reunirem em sociedade, por meio de um pacto, a
fim de formar artificialmente o Estado e garantir a
liberdade individual e a propriedade privada.
16) A filosofia política de Karl Marx fundamenta-se
numa nova antropologia, segundo a qual a natureza
humana varia historicamente, pois o indivíduo se
produz à medida que transforma a natureza pelo
trabalho dentro de certas relações sociais de
produção.
66. (Uem-pas 2012) A Fenomenologia é uma tradição
filosófica, nascida no século XX, que se caracterizou
por sua abordagem crítica dos problemas clássicos do
conhecimento. O filósofo francês Maurice Merleau-
Ponty, expoente da Fenomenologia, afirma que “[...]
desde o fim do século XIX, os cientistas se habituaram
a considerar suas leis e teorias não mais como a
imagem exata do que se passa na Natureza, mas como
esquemas sempre mais simples que o evento natural,
destinados a ser corrigidos por uma pesquisa mais
precisa, em uma palavra, como conhecimentos
aproximados. [...] O concreto, o sensível indicam para
a ciência a tarefa de uma elucidação interminável, e
resulta disso que não se pode considerá-lo, à maneira
clássica, como uma simples aparência destinada a ser
superada pela inteligência científica.”
(MERLEAU-PONTY, M. Primeira conversa: o mundo percebido e o
mundo da ciência. In: MARÇAL, J. (org.). Antologia de textos
filosóficos. Curitiba: SEED, 2009, p. 501).
Sobre a fenomenologia e sua crítica à filosofia
moderna, assinale o que for correto.
01) Segundo a abordagem fenomenológica, a
inteligência científica não é capaz de apreender
a realidade.
02) A Fenomenologia pretende superar a distinção
clássica entre um mundo real, sensível, e um
mundo ideal, inteligível.
04) Edmund Husserl (1859-1938), fundador da feno-
menologia, afirmava a prioridade das experiências
cognitivas sobre as experiências práticas e afetivas
para a constituição da consciência, mantendo-se
fiel à filosofia racionalista moderna.
08) Segundo fenomenólogos como Merleau-Ponty
(1908-1961), Sartre (1905-1980) e Heidegger
(1889-1976), o ser humano, porque não possui
uma natureza essencial, precisa constantemente
determinar-se por meio de suas ações concretas.
16) A Fenomenologia não se distingue fundamental-
mente da Psicologia, pois ambas investigam
temas como o comportamento humano, as
percepções sensíveis e a memória, por exemplo.
67. (Unioeste 2011) “O mito é uma narrativa. É um discurso,
uma fala. É uma forma de as sociedades espelharem suas
contradições, exprimirem seus paradoxos, dúvidas e
inquietações. Pode ser visto como uma possibilidade de
se refletir sobre a existência, o cosmos, as situações de
‘estar no mundo’ ou as relações sociais”.
Everado Rocha.
Mediante essa definição geral de mito é correto
afirmar que
a) as sociedades com conhecimentos científico,
tecnológico e filosófico complexamente constituídos
não possuem mitos, pois eliminaram as duvidas e os
paradoxos.
b) Platão, um dos filósofos mais estudados e influentes
do pensamento ocidental, não recorria aos mitos em
seus diálogos, apesar de ter sido o primeiro a utilizar
o termo mitologia.
39
c) alguns mitos oferecem modelos de vida e podem
servir como referências para a vida de muitas
pessoas mesmo no século XXI.
d) as sociedades antigas, ocidentais e orientais, foram
fundadas sobre o mesmo mito primitivo, variando,
apenas, os nomes de seus personagens.
e) todas as afirmações acima estão corretas.68. (Unimontes 2011) “Nenhum homem me fará descer à
casa de Hades contrariando o meu destino. Nenhum
homem, afirmo, jamais escapou de seu destino, seja
covarde ou bravo, depois de haver nascido”.
(Homero, Ilíada).
Hades, na filosofia antiga, designa
a) o nome do deus das águas.
b) o nome do deus da beleza.
c) o nome do deus do mundo subterrâneo e dos
mortos.
d) o nome do deus da guerra.
69. (Ufu 2011) Segundo o texto abaixo, de Agostinho de
Hipona (354-430 d. C.), Deus cria todas as coisas a partir
de modelos imutáveis e eternos, que são as ideias
divinas. Essas ideias ou razões seminais, como também
são chamadas, não existem em um mundo à parte,
independentes de Deus, mas residem na própria mente
do Criador, [...] a mesma sabedoria divina, por quem
foram criadas todas as coisas, conhecia aquelas
primeiras, divinas, imutáveis e eternas razões de todas as
coisas, antes de serem criadas [...].
Sobre o Gênese, V
Considerando as informações acima, é correto
afirmar que se pode perceber:
a) que Agostinho modifica certas ideias do cristianismo
a fim de que este seja concordante com a filosofia
de Platão, que ele considerava a verdadeira.
b) uma crítica radical à filosofia platônica, pois esta é
contraditória com a fé cristã.
c) a influência da filosofia platônica sobre Agostinho,
mas esta é modificada a fim de concordar com a
doutrina cristã.
d) uma crítica violenta de Agostinho contra a filosofia
em geral.
70. (Uem 2011) Segundo Georg Wilhelm Friedrich Hegel,
a realidade é a manifestação do Espírito infinito ou
Absoluto, que é necessariamente histórico, dialético e
realizador da unidade entre pensamento e mundo.
Sobre a manifestação do Espírito na arte, segundo a
Filosofia de Hegel, assinale o que for correto.
01) A arte, para Hegel, é a manifestação sensível do
Espírito, isto é, a primeira forma de expressão do
Absoluto, sucedida pela religião e pela Filosofia.
02) Entre as obras de arte, a poesia é a mais
espiritual de todas, segundo Hegel, pois a
matéria que utiliza é a linguagem.
04) Para Hegel, a arte sempre renasceu e renascerá
eternamente, pois seu conteúdo histórico deve ser
atualizado ao longo do tempo.
08) A arte sacra (música-coral, arquitetura gótica,
esculturas e afrescos) é, segundo Hegel, uma
forma de arte perfeita, pois a religião é a base do
artista.
16) e acordo com o processo de autoconsciência do
Espírito, Hegel classifica a arte em três momentos
ou formas: simbólica, clássica e romântica.
71. (Ufu 2010) A filosofia de Agostinho (354 – 430) é
estreitamente devedora do platonismo cristão
milanês: foi nas traduções de Mário Vitorino que leu
os textos de Plotino e de Porfírio, cujo espiritualismo
devia aproximá-lo do cristianismo. Ouvindo sermões
de Ambrósio, influenciados por Plotino, que Agostinho
venceu suas últimas resistências (de tornar-se cristão).
PEPIN, Jean. Santo Agostinho e a patrística ocidental. In: CHÂTELET,
François (org.) A Filosofia medieval.Rio de Janeiro Zahar Editores:
1983, p. 77.
Apesar de ter sido influenciado pela filosofia de
Platão, por meio dos escritos de Plotino, o pensa-
mento de Agostinho apresenta muitas diferenças se
comparado ao pensamento de Platão.
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente,
uma dessas diferenças.
a) Para Agostinho, é possível ao ser humano obter o
conhecimento verdadeiro, enquanto, para Platão,
a verdade a respeito do mundo é inacessível ao
ser humano.
b) Para Platão, a verdadeira realidade encontra-se
no mundo das Ideias, enquanto para Agostinho
não existe nenhuma realidade além do mundo
natural em que vivemos.
c) Para Agostinho, a alma é imortal, enquanto para
Platão a alma não é imortal, já que é apenas a
forma do corpo.
d) Para Platão, o conhecimento é, na verdade,
reminiscência, a alma reconhece as Ideias que ela
contemplou antes de nascer; Agostinho diz que o
conhecimento é resultado da Iluminação divina, a
centelha de Deus que existe em cada um.
72. (Enem 2ª aplicação 2010) “Quando Édipo nasceu, seus
pais, Laio e Jocasta, os reis de Tebas, foram
informados de uma profecia na qual o filho mataria o
pai e se casaria com a mãe. Para evitá-la, ordenaram a
um criado que matasse o menino. Porém, penalizado
com a sorte de Édipo, ele o entregou a um casal de
camponeses que morava longe de Tebas para que o
criasse. Édipo soube da profecia quando se tornou
adulto. Saiu então da casa de seus pais para evitar a
tragédia. Eis que, perambulando pelos caminhos da
Grécia, encontrou-se com Laio e seu séquito,
que,insolentemente, ordenou que saísse da estrada.
Édipo reagiu e matou todos os integrantes do grupo,
40
sem saber que entre eles estava seu verdadeiro pai.
Continuou a viagem até chegar em Tebas, dominada
por uma Esfinge. Ele decifrou o enigma da Esfinge,
tornou-se rei de Tebas e casou-se com a rainha,
Jocasta, a mãe que desconhecia”.
Disponível em: http://www.culturabrasil.org. Acesso em: 28/08/2010
(adaptado).
No mito Édipo Rei, são dignos de destaque os temas
do destino e do determinismo. Ambos são
características do mito grego e abordam a relação
entre liberdade humana e providência divina. A
expressão filosófica que toma como pressuposta a
tese do determinismo é:
a) “Nasci para satisfazer a grande necessidade que
eu tinha de mim mesmo.” (Jean Paul Sartre)
b) “Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar
que Deus nela escreva o que quiser.” (Santo
Agostinho)
c) “Quem não tem medo da vida também não tem
medo da morte.” (Arthur Schopenhauer)
d) “Não me pergunte quem sou eu e não me diga
para permanecer o mesmo.” (Michel Foucault)
e) “O homem, em seu orgulho, criou a Deus a sua
imagem e semelhança.” (Friedrich Nietzsche)
73. (Uem 2010) A fenomenologia é um dos fundamentos
da Filosofia de Maurice Merleau-Ponty. No âmbito da
escola da fenomenologia, ele contesta princípios
basilares da Psicologia clássica, de cunho mecanicista-
racionalista.
Com base na afirmação acima, assinale o que for
correto.
01) A sensação é concebida, por Merleau-Ponty, pelos
efeitos que os estímulos externos dos objetos
exercem sobre os sentidos. O campo visual, por
exemplo, é concebido como um mosaico de
sensações despertadas pelos estímulos do objeto
sobre a retina.
02) Para Merleau-Ponty, a percepção é o
conhecimento sensorial de formas ou de
totalidades organizadas e dotadas de sentido.
04) Conforme um dos princípios da fenomenologia de
Edmund Husserl, a consciência, para Merleau-
Ponty, não exerce nenhuma atividade na produção
de conhecimentos científicos.
08) Para Merleau-Ponty, a consciência de si é o
resultado de um esforço intelectual de
conhecimento e não depende da facticidade de
nosso engajamento.
16) Para Merleau-Ponty, imanência e
transcendência são conceitos antitéticos que se
comunicam, dada a configuração de nosso corpo
no mundo.
74. (Unimontes 2013) Para Karl Marx, sociólogo alemão
(1818-1883), as crises no sistema capitalista devem-se
à expansão da produção para além daquilo que o
mercado pode absorver dentro de uma taxa de lucro
considerada satisfatória. Havendo uma descida da
taxa de lucro, o investimento diminui, parte da força
de trabalho fica desempregada, o que, por sua vez, irá
diminuir o poder de compra do consumidor,
produzindo nova descida na taxa de lucro etc.
A retomada da expansão e o início de um novo ciclo
ocorrem quando empresas sobreviventes conquistam
as seções do mercado que ficaram livres.
São proposições relativas à teoria desse autor, EXCETO
a) A crise tem o efeito de restabelecer o equilíbrio
de rendimentos e de recompensas entre o
trabalho assalariado e o proprietário de capital,
consolidando o sistema de produção capitalista.
b) As crises não equivalem a uma quebra do sistemacapitalista, mas fazem parte de um mecanismo
regulador que permite ao sistema dominar as
flutuações periódicas a que está sujeito.
c) As crises são soluções momentâneas e
necessárias das contradições existentes, que
promovem e restabelecem, durante certo tempo,
o equilíbrio perturbado.
d) O capitalismo organiza-se unicamente em função
da expansão do capital, o que requer o
desenvolvimento das forças produtivas e busca
competitiva do lucro e, por isso, está sujeito a
crises endêmicas.
75. (Interbits 2013) Entenda o que é obsolescência
programada
Conforme usamos um produto, é natural que este sofra
desgastes e se torne antigo com o passar do tempo. O
que não é natural é que a própria fabricante planeje o
envelhecimento de um produto, ou seja, programar
quando determinado objeto vai deixar de ser útil e parar
de funcionar, apenas para aumentar o consumo.
Apesar do avanço tecnológico, que resultou na criação de
uma diversidade de materiais disponíveis para produção
e consumo, hoje nossos eletrodomésticos são piores, em
questão de durabilidade, do que há 50 anos. Os produtos
são fáceis de comprar, mas são desenhados para não
durar. Por esta razão, o consumidor sofre para dar a eles
uma destinação final adequada e ainda se vê obrigado a
comprar outro produto.
Fonte: Acesso em
21 fev. 2013.
A obsolescência programada está vinculada à forma
de funcionar do sistema capitalista. Qual dos autores
abaixo analisou esse tipo de necessidade econômica?
Qual era a grande preocupação desse autor ao
analisar esse tipo de fenômeno?
a) Max Weber.
b) Karl Marx.
c) Émile Durkheim.
d) Immanuel Kant.
e) Machado de Assis.
41
76. (Uel 2013) Adquira o óvulo em um país, faça a
fertilização em outro e contrate a mãe de aluguel num
terceiro. Está pronto o seu filho com muita economia.
(COSTA, C. Bebê globalizado. Supernovas. Super Interessante.
São Paulo: Editora Abril, 296.ed., out. 2011, p.28.)
O texto apresenta um aspecto da reprodução
humana assistida.
Sobre as mudanças no referido processo social,
assinale a alternativa correta.
a) A diversidade de arranjos familiares passou a
existir a partir do acesso aos serviços de
reprodução humana assistida.
b) A globalização das economias e as redefinições
culturais têm favorecido os processos de
reprodução assistida.
c) A reprodução humana assistida tem sido um
caminho eficaz para reduzir, nos últimos anos, o
ritmo de crescimento demográfico mundial.
d) O direito à liberdade de uso do próprio corpo
choca-se frontalmente com a proposta de
reprodução humana sem atividade sexual.
e) O referido processo, aceito socialmente, coloca-se
como a base para a existência de uma sociedade
globalizada sem imperfeições.
77. (Uel 2013) Observe a charge a seguir.
Com base na charge e nos conhecimentos sobre as
formas de comunicação na sociedade
contemporânea, considere as afirmativas a seguir.
I. A denominada “sociedade de informação” estreita
os vínculos diretos entre os indivíduos e
intensifica a coesão e a igualdade social.
II. As novas tecnologias da informação são
responsáveis pelo surgimento do modo de
produção pós-moderno ou pós-industrial.
III. As redes sociais contribuem para a redefinição das
fronteiras entre os espaços público e privado.
IV. O Twittere outras formas de comunicação on-line
evidenciam determinado grau de desenvol-
vimento das forças produtivas.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
78. (Interbits 2013)Leia:
Copa de 2014 já é a mais lucrativa da história
Fifa fecha acordo com seu 6º patrocinador brasileiro
e estima que renda será o dobro da verificada na
Alemanha
RIO - A Fifa pode até ter suas aflições em relação à
organização da Copa, mas financeiramente não tem do
que reclamar: o Mundial de 2014 vai ser o mais rico da
história, com uma renda 100% superior à da Copa de
2006, na Alemanha. A entidade fechou ontem seu
último acordo com patrocinadores, com uma rede
varejista de artigos esportivos.
A previsão inicial da Fifa era que o Mundial do Brasil
garantiria uma receita de US$ 3,8 bilhões. Mas, faltando
um ano para a bola rolar, comenta-se que os ganhos já
superaram os US$ 4,1 bilhões e consultorias estimam
que o valor poderá atingir US$ 5 bilhões.
Em abril, o Estado revelou que o governo brasileiro
estima ter aberto mão de R$ 1 bilhão em impostos por
causa das isenções fiscais que concedeu para a
realização da Copa.
CHADE, Jamil. Copa de 2014 já é a mais lucrativa da história. O
Estado de São Paulo. 17 mai. 2013. Adaptado. Disponível online
em:
Acesso em 17 mai. 2013.
Sobre a realização de grandes eventos esportivos,
assinale a alternativa incorreta:
a) Grandes eventos esportivos, como a Copa do
Mundo e as Olimpíadas, geram lucros principal-
mente para grandes empresas.
b) O esporte está inserido em uma lógica capitalista.
Isso faz com que os interesses financeiros acabem
sendo o principal objetivo de muitos que pelo
esporte se interessam.
c) O Estado e o governo acabam por ser responsá-
veis também por garantir o lucro dos investidores.
d) Os lucros obtidos em eventos esportivos são
divididos entre todas as partes. Assim, é falso
dizer que algumas instituições lucram mais do que
outras com essas realizações.
e) Eventos como a Copa do Mundo possuem grande
valor cultural, mobilizando muitas pessoas na sua
realização.
42
79. (Upe 2013) Observe a foto a seguir:
Ela apresenta a interação entre pessoas de um
mesmo grupo. O processo de sociabilidade se
desenvolve no grupo, com base em um conceito
sociológico expresso na foto acima.
Sobre ele, analise as alternativas abaixo e assinale a
CORRETA.
a) A sociabilidade de novos membros de uma
sociedade só é possível quando há mudanças
radicais na estrutura social.
b) Os espaços físicos de uma sociedade são destinados
a vários processos sociais. Na foto percebe-se o
único espaço destinado ao processo que permite a
sociabilidade entre os indivíduos.
c) A competição é um processo de sociabilidade
evidenciado na foto, pois os contatos primários
caracterizam as interações dos membros desse
grupo.
d) As relações presentes na foto são um processo
contínuo no qual o indivíduo, ao longo da vida,
aprende, identifica hábitos e valores característicos,
que o ajudam no desenvolvimento de sua
personalidade e na sua integração com o grupo.
e) As interações mostradas na foto são baseadas em
estratégias de competição com o objetivo de
organizar movimentos de mudança da estrutura
social vigente.
80. (Uem 2013) “No Brasil, todos os homens, no ano em
que completam 18 anos de idade, são obrigados ao
alistamento militar. Caso essa obrigação não seja
observada, o jovem é considerado ‘refratário’ e, nessa
condição, não receberá o certificado de reservista,
documento exigido para tirar título de eleitor ou
passaporte, prestar concurso público, abrir conta
bancária ou matricular-se na universidade. Os
selecionados para o serviço militar obrigatório que
não se apresentarem tornam-se ‘insubmissos’, sujeitos
às penalidades previstas pela justiça militar.”
(CASTRO, C. A resistência à implantação do serviço militar
obrigatório no Brasil. In: GOMES, A. C. (coord.). Direitos e Cidadania:
justiça, poder e mídia. Rio de Janeiro: EditoraFGV, 2007, p. 239)
Considerando o texto anterior, assinale o que for
correto sobre o tema das instituições sociais.
01) O alistamento militar promove um tipo de coerção
social que impõe aos jovens o ingresso no serviço
militar.
02) Aqueles que desobedecem à obrigatoriedade do
serviço militar sofrem imposição de limites para o
exercício de uma cidadania plena, como a que
permite aos jovens participarem dos processos
eleitorais.
04) A condição de alistado, refratário ou insubmisso é
uma escolha possível para todos os jovens que
devem, ao completarem 18 anos, alistar-se no
serviço militar, revelando a dimensão individual e
social de nossas escolhas diante de regras que são
criadas por instituições.
08) As regras que criam a obrigatoriedade do serviço
militar exemplificam que o Estado usa suas
instituições para garantir que as vontades
individuais sejam respeitadas.
16) Para os jovens brasileiros, a universalização da
exigência de certificado de reservista condiciona,
inclusive, a possibilidade de continuar os estudos
na fase da vida em que o desejarem.
81. (Interbits 2013) O que pode acontecer a um indivíduo
caso ele não tenha possibilidade de se socializar com
ninguém? Assinale a alternativa correta sociologica-
mente.
a) Ele ficará sozinho e sem amigos, tornando-se uma
pessoa violenta.
b) Ele provavelmente não sobreviverá em sociedade
e terá grandes dificuldades para se comunicar.
c) Ele será encaminhado para uma instituição de
caridade.
d) Ele não se reconhecerá como pessoa, uma vez
que não terá conhecido o significado da palavra
“amor”.
e) Ele se tornará um empecilho para seus pais, um
problema para a sociedade e não quererá viver.
82. (Uem 2013) “Passava da meia noite quando o
escrutínio terminou. Os votos válidos não chegavam a
vinte e cinco por cento, distribuídos pelo partido da
direita, treze por cento, pelo partido do meio, nove
por cento e pelo partido da esquerda, dois e meio por
cento. Pouquíssimos os votos nulos, pouquíssimas as
abstenções. Todos os outros, mais de setenta por
cento, estavam em branco.”
(SARAMAGO, J. Ensaio sobre a lucidez. São Paulo: Cia. das Letras,
2004, p. 24)
Considerando a citação e as análises sociológicas
sobre as democracias modernas, assinale o que for
correto.
01) O funcionamento das democracias atuais também
está relacionado à livre eleição de representantes
políticos que possam competir pelos votos da
população.
43
02) Os governos democráticos não permitem espaços de
contestação política por parte da população porque
representam a vontade da maioria.
04) O texto de Saramago apresenta um contexto
apolítico, em que as pessoas despolitizam o processo
eleitoral por considerá-lo irrelevante.
08) O exercício da cidadania nos governos democráticos
pressupõe a existência de condições políticas e
sociais que possibilitem formas de participação civil.
16) O conceito de “cultura política” refere-se ao
conjunto de valores e perspectivas que conferem
sentido ao processo político e orientam o
comportamento de seus atores.
83. (Interbits 2013) Fotógrafo registra quem está por trás
dos produtos Made in China
A China cada dia mais nos possibilita ter acesso a
produtos de preço baixíssimo mas, para que isso
aconteça, alguém tem que ser explorado. O fotógrafo
Michael Wolf visitou algumas fábricas de brinquedos,
bonecos e outros tipos de produtos com o selo Made
in China e registrou imagens de pessoas e dos
processos que estão por trás dessa indústria. Não,
aquele boneco do Mickey na sua prateleira não foi
feito por complexas máquinas chinesas e sim pelas
mãos de operários mal pagos.
A respeito do tipo de trabalho apresentado nas fotos
e do contexto em que ele se insere, assinale se as
alternativas abaixo são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) O tipo de mão de obra empregada nessas
indústrias é caracterizado como sendo
altamente qualificado.
( ) Essas indústrias chinesas possuem uma linha
de produção semelhante ao modelo fordista-
taylorista.
( ) Por ser uma indústria contemporânea, o
modelo de produção chinês corresponde a
uma superação do modelo toyotista.
( ) A mão de obra assalariada só é empregada
(em vez das máquinas) devido ao seu baixo
custo na China.
( ) Como problemas desse modelo produtivo,
podemos citar os custos ambientais e sociais,
resultantes do tipo de exploração empregada.
84. (Interbits 2013) Por todo o globo terrestre, a
burguesia busca satisfazer a necessidade de um
escoamento cada vez mais amplo para seus produtos.
Ela precisa se implantar e se expandir por toda parte,
estabelecer vínculos onde quer que seja.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O manifesto do partido comunista. São
Paulo: PenguinClassics/ Companhia das Letras, 2012, p. 47.
Atualmente, como é chamado esse fenômeno de
expansão do capitalismo evocado por Marx?
a) Fundamentalismo
b) Globalização
c) Proletarização
d) Aburguesação
e) Monetarização
85. (Interbits 2013) Cresce o número de intercâmbios
O setor de intercâmbios está aquecido e é esperado
crescimento, mesmo com alta do dólar.
Até o fim do ano, 365 mil estudantes devem começar
uma temporada no exterior para trabalhar ou estudar.
Em relação a 2010, a procura por intercâmbios cresceu
50%, especialmente para destinos como Canadá e
Austrália, onde estudantes encontram mais facilidades
para trabalhar.
Fonte: Jornal da Band. 24 nov. 2011. Disponível online em:
Acesso em 20 mar. 2013.
Entre os fatores que causam o aumento do interesse em
programas de intercâmbio estão:
I. O contexto de globalização econômica, que exige
das pessoas que estejam aptas a viver e a se
relacionar com outras culturas.
II. A diminuição da oferta de emprego qualificado em
países ditos emergentes, como Brasil, Índia e Rússia.
III. A expansão das empresas multinacionais, que
passam a se interessar por profissionais disponíveis a
deixarem seu país natal.
IV. O barateamento das viagens internacionais e
consequente acesso da classe média a esse tipo de
oportunidade.
V. A falta de interesse estrangeiro em trazer
estudantes e trabalhadores brasileiros para seus
países.
Estão corretas:
a) Somente as afirmativas I, II e III.
b) Somente as afirmativas I, III e IV.
c) Somente as afirmativas II, IV e V.
d) Somente as afirmativas III, IV e V.
e) Somente as afirmativas I e IV.
44
86. (Interbits 2012) A guerra sempre se baseia nos
recursos disponíveis, na organização social e no nível
de desenvolvimento tecnológico das sociedades.
Desse modo, fica claro que os métodos de guerrear
nunca são fixos, mas mudam ao longo do tempo
juntamente com o desenvolvimento econômico, social
e político das sociedades.
(GIDDENS, A. Sociologia. 6ª edição. Porto Alegre: Penso, 2012, p.
740.)
A partir do texto acima, assinale a alternativa correta.
a) Toda guerra é sangrenta e deve ser evitada.
b) As guerras podem ser consideradas como um fato
social.
c) Não há mais guerras no século XXI.
d) As guerras são manifestações irracionais do
egoísmo humano.
e) A guerra é uma expressão da natureza destrutiva
do homem.
87. (Uem 2012) Tendo como referência o texto abaixo
reproduzido, assinale o que for correto sobre o tema
“instituições sociais e as relações entre indivíduo e
sociedade”.
“Dentre os quarenta cromossomos do mapa genético
humano, apenas um diferencia biologicamente as
mulheres dos homens. Entretanto, esse detalhe
microscópico foi o suficiente para dividir quase toda a
humanidade em dois grupos que se interpenetram
sem nunca perderem sua distinçãobásica.”
(RODRIGUES, Maysa. O Sexo Inventado. Revista Sociologia. São Paulo:
Editora Escola. Ano IV – n.º 33, fev, 2011, p. 28.)
01) As diversas instituições responsáveis pela
socialização do indivíduo também promovem as
distinções entre feminino e masculino.
02) A distinção biológica entre homens e mulheres não
tem reflexo na organização da vida social dos
indivíduos, que desempenham papéis a partir de
suas livres escolhas.
04) A instituição familiar é o espaço no qual
aprendemos a obedecer a regras de convivência, a
lidar com a diferença e a diversidade. Trata-se,
portanto, do primeiro lugar que nos ensina o que é
ser homem ou ser mulher.
08) Ao tratar das distinções de sexo, enfatizamos os
aspectos biológicos e, ao abordar as diferenças
entre homens e mulheres como um problema de
gênero, valorizamos o peso das instituições sociais
no processo de socialização dos indivíduos.
16) Em todas as culturas há um mesmo processo de
socialização para homens e mulheres, processo
que reserva a elas a função da maternidade e os
cuidados com a vida doméstica.
88. (Interbits 2012) A socialização primária é a primeira
socialização que o indivíduo experimenta na infância, e
em virtude da qual torna-se membro da sociedade. A
socialização secundária é qualquer processo subsequente
que introduz um indivíduo já socializado em novos
setores do mundo objetivo de sua sociedade.
BERGER, P.; LUCKAMNN, T. A construção social da realidade.
Petrópolis: Vozes, 2003,p. 175.
A respeito do conceito de socialização e das dife-
renças entre socialização primária e socialização
secundária, considere as seguintes afirmativas:
I. A socialização primária é mais forte e coercitiva
que a secundária.
II. O processo de aprendizado na socialização
primária é carregado de afetividade.
III. A socialização secundária está geralmente
associada à divisão do trabalho.
IV. A socialização secundária é independente da
socialização primária.
V. A socialização independe das instituições sociais.
Estão corretas as afirmativas:
a) I, II e III, apenas.
b) I, II e IV, apenas.
c) II, IV e V, apenas.
d) I, II, III e IV, apenas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
89. (Interbits 2012)SP: prefeitura, guarda e skatistas debatem
área para esporte em praça
A subprefeitura da Sé e a Guarda Civil Metropolitana (GCM)
promoveram, na tarde desta terça-feira, uma reunião com
membros da sociedade civil para discutir o uso da praça
Roosevelt, no centro da capital paulista. Um dos
direcionamentos do encontro, que deve ocorrer novamente
no próximo dia 16, foi criar uma área reservada para a
prática de skate, muito comum desde a reinauguração da
praça, no fim de setembro do ano passado. A reunião ocorre
dias após uma polêmica ação da corporação no local ser
filmada e divulgada na internet.
“Há uma boa vontade entre as pessoas que usam a
praça. Esse espaço seria um avanço para os frequenta-
dores", afirmou o subprefeito. Segundo ele, as
intervenções passarão por estudos na Secretaria
Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras.
De acordo com a prefeitura, ficou decidido na reunião
que haverá um próximo encontro às 15h do próximo dia
16, na subprefeitura da Sé, para avançar no que foi
discutido.
TERRA. Cidades. 08 jan. 2013. Adaptado. Disponível em:
Acesso em 09 jan.
2013.
O texto acima retrata a discussão feita para
solucionar os problemas resultantes da utilização da
Praça Roosevelt, importante ponto da cidade de São
Paulo. Uma interpretação sociológica plausível desse
tipo de encontro é:
a) Estamos diante de uma importante manifestação do
exercício da cidadania e de prática democrática na
cidade, a respeito da utilização do espaço público.
45
b) A prefeitura cedeu, de forma perigosa, às intenções
dos skatistas. Estes já são conhecidos por depre-
darem o espaço público, por isso não deveriam
poder circular em determinados pontos da cidade.
c) A Guarda Civil Metropolitana está inapta a
coordenar esse tipo de resolução. Por ser uma força
policial, sua única função é reprimir a população.
d) O direito à utilização do espaço público é de todos os
cidadãos. Por isso, a prefeitura não deveria intervir
na forma como skatistas se apropriam desse espaço.
e) A Sociologia não pode se pronunciar a respeito
desse tipo de negociação.
90. (Interbits 2012) Alexis de Tocqueville foi um dos
principais teóricos políticos da modernidade. Quando
ele foi morar nos Estados Unidos, em 1831, ficou
bastante impressionado com o sistema político que
encontrou em território americano. Segundo
Tocqueville, a democracia, no modelo americano,
funcionava muito bem devido a qual característica
principal?
a) A existência de uma burocracia racional e eficaz.
b) O sistema legislativo altamente descentralizado.
c) A existência de igualdade de condições entre
todos os cidadãos.
d) A preponderância de uma classe social sobre
todas as outras.
e) A ausência de interferência do Estado sobre a
economia.
91. (Unimontes 2012) À medida que, a partir dos anos 70,
amplia-se uma cultura democrática no Brasil, que os
movimentos sociais, junto com outros setores
democráticos, vão .arrombando as portas da
ditadura., o Estado torna-se lentamente permeável à
participação de novos atores sociais. O Estado
brasileiro, tradicionalmente privatizado pelos seus
vínculos com grupos oligárquicos, vai lentamente
.cedendo. espaço, tornando-se mais permeável a uma
sociedade civil que se organiza, que se articula, que
constitui espaços públicos nos quais reivindica opinar
e interferir sobre a política, sobre a gestão do destino
comum da sociedade. A radicalização da democracia
não significa apenas a construção de um regime
político democrático, mas também a democratização
da sociedade e a construção de uma cultura
democrática. Esse é ainda um desafio.
(Adaptado de CARVALHO, Maria do C.A.A.Participação social no Brasil hoje.
Disponível em Acesso em maio 2011.
Considerando o texto e essa conjuntura, analise as
afirmativas, tendo em vista o significado da
participação social:
I. Participar da gestão dos interesses coletivos significa
participar do governo da sociedade, disputar espaço
no Estado e no mercado, nos espaços de definição e
execução das políticas públicas.
II. Os movimentos sociais têm, apesar das limitações e
precariedades, construído contrapartidas que
colocam num outro patamar de dignidade e respeito
setores excluídos da sociedade, rompendo as
fronteiras dos espaços onde têm sido confinados.
III. Ampliar a tolerância, o respeito democrático pelo
diferente, eliminar as segregações raciais, de gênero,
de opção sexual, entre outras, é o resultado da
incidência de práticas participativas que constroem e
modificam os valores sociais.
IV. Participar significa questionar o monopólio do
Estado como gestor da coisa pública, construir
espaços públicos não estatais, abrir caminhos para o
aprendizado da negociação democrática e afirmar a
importância do controle social sobre o Estado.
Estão corretas as afirmativas
a) II, III e IV, apenas.
b) I, II e III, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) I, II, III e IV.
92. (Interbits 2012) Qual das alternativas abaixo é a que
melhor define DEMOCRACIA?
a) Forma de Estado em que o chefe do Estado tem
acesso ao supremo poder por direito hereditário.
b) Forma de governo revolucionário que advém da
constituição de Ditadura do Proletariado.
c) Sistema político que proporciona a participação
dos cidadãos no processo decisório político,
muitas vezes pela eleição de representantes para
as instituições governamentais.
d) Sistema partidário que organiza a eleição dos
governantes.
e) Sistema políticopróprias forças e racionalidade, a partir da
consciência que tem de si mesmo.
Filósofos existencialistas:
Søren Kierkegaard, Jean-Paul Sartre, Martin Heidegger, Edmund Husserl
A Filosofia Fenomenológica
A Fenomenologia trata dos fenômenos perceptíveis, extinguindo a separação entre o
sujeito e o objeto. Essa filosofia surgiu no século XIX, a partir dos estudo de Franz
Brentano e teve em sua corrente de estudos os filósofos Edmund Husserl, Martin
Heidegger, Jean-Paul Sartre e Merleau-Ponty.
É oposta ao positivismo, analisando a realidade no ponto de vista individual. Tudo
que se apresenta à consciência ocorre como um objeto intencional. O objetivo do método
fenomenológico é alcançar a intuição das essências. Busca interpretar o mundo através da
consciência de um determinado sujeito, segundo as suas experiências.
4
Acredita em captar instantaneamente os fenômenos de forma inteligível, considera que toda consciência é “consciência de alguma
substância”, porém a consciência não é considerada uma substância, mas formada por atos de percepção, imaginação,paixão,
emoções e demais atos internos do homem.
Busca-se a essência de um determinado fenômeno através do processo de redução fenomenológica, todas as coisas são
caracterizadas por serem inacabadas em constante processo de modificação. A Fenomenologia é um tratado científico a respeito da
descrição e classificação dos fenômenos.
É uma ciência subjetiva, estuda o próprio fenômeno, o termo “Fenomenologia” provém do grego “phainesthai” que é
tudo aquilo que se revela, e “logos” que significa estudo. Visa reconhecer e esclarecer o fenômeno sob estudos que consideram a
visão de um determinado sujeito espectador.
ESCOLA DE FRANKFURT
Escola de Frankfurt é o nome dado ao grupo de pensadores alemães do Instituto de
Pesquisas Sociais de Frankfurt, fundado na década de 1920. Sua produção ficou conhecida como
teoria crítica. Entre eles destacaram-se Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin,
Herbert Marcuse, Erich Fromm e Jurgen Habermas.Apesar de haver grandes diferenças de
pensamento entre esses autores, identificamos neles a preocupação comum de estudar variados
aspectos da vida social, de modo a compor uma teoria crítica da sociedade como um todo. Para
tanto, investigaram as relações existentes entre os campos da economia, da psicologia, da história e
da antropologia.
Os pontos de partida fundamentais de suas reflexões foram a teoria marxista (na verdade,
uma leitura bastante original desta teoria) e a teoria freudiana, que trouxe à tona elementos novos
sobre o psiquismo das pessoas. Mas há também outras influências, como as de Hegel, Kant ou do
sociólogo Max Weber.
A Escola de Frankfurt concentrou seu interesse na análise da sociedade de massa, termo que busca caracterizar a
sociedade atual, na qual o avanço tecnológico é colocado a serviço da reprodução da lógica capitalista, enfatizando o consumo e a
diversão como formas de garantir o apaziguamento e a diluição dos problemas sociais.
A filosofia de Habermas
Dentre os teóricos da Escola de Frankfurt, o que maior influência exerce atualmente é
Jurgen Habermas (1929). Ele discorda de Adorno e Horkheimer no que se refere aos conceitos
centrais da análise realizada por esses dois filósofos: razão, verdade e democracia.
Vimos que, de acordo com essa análise, Adorno e Horkheimer chegam a um impasse
quanto à possibilidade de uma razão emancipatória já que a razão estaria asfixiada pelo
desenvolvimento do capitalismo.
De acordo com Habermas essa é uma posição perigosa em filosofia, pois poderia
conduzir a uma crítica radical da modernidade e, em conseqüência, da razão, que levaria ao
irracionalismo. Em seu artigo Modernidade versus pós-modernidade, ele enfatiza esse ponto,
afirmando, contra a tendência ao irracionalismo presente na chamada filosofia pós-moderna,
que “o projeto da modernidade ainda não foi cumprido”. Ou seja, que o potencial para a
racionalização do mundo ainda não está esgotado. Por isso Habermas costuma ser descrito
como “o último grande racionalista”.
O filósofo também discorda dos resultados pessimistas da análise de Adorno e Horkheimer, segundo a qual a razão não
mais se realizaria no mundo, porque o capitalismo, em sai complexidade, teria conseguido narcotizar a consciência do proletariado
e, dessa forma, perpetuar-se como sistema. Para habermas, existem alguns pontos falhos nessa análise cuja identificação permitiria
propor uma retomada do projeto emancipatório, porém em novas bases.
Na realidade, o filósofo rompe com a teoria marxista em seus pontos fundamentais, tais como a centralidade do trabalho e
a identificação do proletariado como agente da transformação social.
Habermas propõem, então, como nova perspectiva, outro conceito de razão: a razão dialógica, que brota do diálogo e da
argumentação entre os agentes interessados numa determinada situação. É a razão que surge da chamada ação comunicativa; não
como verdade subjetiva, mas como verdade intersubjetiva, que surge do diálogo entre os indivíduos ao qual se aplicam algumas
regras, como a não-contradição, a clareza de argumentação e a falta de constrangimentos de ordem social.
Razão e verdade deixam de ser, assim, conteúdos ou valores absolutos e passam a ser definidos consensualmente. E sua
validade será tanto maior quanto melhores forem as condições nas quais se dê o diálogo, o que se consegue como aperfeiçoamento
da democracia.
O pensamento de Habermas incorpora e desenvolve reflexões propostas pela filosofia da linguagem. A ênfase dada à
razão comunicativa pode ser entendida como uma maneira de tentar “salvar” a razão, que teria chegado a um beco sem saída.
Assim, se o mundo contemporâneo é regido pela razão instrumental, conforme denunciaram os filósofos que antecederam na
Escola de Frankfurt, para Habermas caberia à razão comunicativa, enfim, o papel de resistir e reorientar essa razão instrumental.
ATITUDE FILOSÓFICA
CHAUI, Marilena. Boas-vindas à Filosofia.
Podemos, assim, observar que a primeira
a crenças, opiniões e valores recebidos na experiência cotidiana; é recusar o "é assim mesmo" e o "é o que todo mundo diz e
pensa". Numa palavra, distanciar-se dos preconcei
suas causas e qual é seu sentido.A segunda
coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o
como disso tudo e de nós próprios. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.Se
reunirmos essas duas características da atitude filosófica, deparamos com a atitude crítica.
De modo geral, costuma-se julgar que a palavra "critica" significa "ser do contra", dizer que tudo vai mal, tudo está errado
ou é feio ou é desagradável. "Crítica" parece significar mau humor e coisa de gente
melhor que os outros. Ora, a palavra "crítica", exatamente como a palavra "crise", vem do verbo grego
capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de toda
atividade de examinar e avaliar detalhadamente alguma coisa (uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra de
arte ou de pensamento). São esses os sentidos da atividade filosófica como
A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia a dia para que possam ser avaliados racional e
criticamente. Por isso começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Esse foi o principal ensinamento do patrono
da Filosofia, Sócrates, quando afirmou que começamos a buscar o conhecimento verdadeiro apenas quando somos capazes de
dizer: "Só sei que nada sei."Dessa maneira, podemos dizer que o filosofar se inicia no momento em que tomamos distância com
relação a nossas certezas cotidianas e nãoque excluiu a participação do
exército e da igreja no processo decisório através
da eleição de representantes sociais.
93. (Unisc 2012) A América Latina é um continente com
breve tradição democrática. Golpes militares e
regimes autoritários foram comuns ao longo do século
XX. A partir da década de 1980, aconteceu um
processo de redemocratização, restabelecendo o
direito de voto e liberdades democráticas, que se
mantêm até hoje.
A seguir são apresentados resultados de pesquisas de
opinião na América Latina, entre os anos de 2002 e
2011, realizadas pelo instituto Latino barômetro, as
quais indicam a preferência dos cidadãos entre
democracia e governos autoritários. A coluna central
apresenta os percentuais de preferência pela
democracia. A coluna à direita apresenta os
percentuais de eventual concordância com governos
autoritários e de indiferença.
46
Ano
A democracia é
preferível a qualquer
forma de governo
(em %)
Em algumas situações,
um governo autoritário
pode ser preferível, ou
tanto faz (%)
2002 56 44
2003 53 47
2004 54 46
2005 53 47
2006 58 42
2007 54 46
2008 57 43
2009 59 41
2010 61 39
2011 58 42
Fonte: http://www.latinobarometro.org/latino/LATContenidos.jsp
Assinale a alternativa condizente com os dados
apresentados na tabela.
a) O povo está decepcionado com a democracia e
perdeu a esperança na política.
b) Os grandes problemas sociais, a corrupção e a
violência levam o povo a querer a volta dos
militares ao poder.
c) A cada ano que passa, aumenta a preferência pela
democracia.
d) Para o povo, tanto faz democracia ou governo
autoritário.
e) A opção da maior parte dos cidadãos vem sendo
em favor da democracia, mas muitos concordam
com o retomo dos militares ao poder ou são
indiferentes.
94. (Ufu 2012) Leituras comuns acerca da democracia
associam seu conteúdo, exclusivamente, ao universo
eleitoral. Todavia, outras dimensões da democracia
são igualmente importantes, como testemunha o
trecho abaixo da canção Da lama ao caos, de Chico
Science e a Nação Zumbi.
Oh Josué eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça
Peguei o balaio, fui na feira roubar tomate e cebola
Ia passando uma velha, pegou a minha cenoura
Aí minha velha, deixa a cenoura aqui
Com a barriga vazia não consigo dormir
E com o bucho mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar [...].
Nessa canção, uma outra dimensão da democracia,
além da eleitoral, é apresentada por meio da noção de
a) participação política, presente no verso “Que eu
me organizando posso desorganizar”.
b) solidariedade, presente no verso “Quanto mais
miséria tem, mais urubu ameaça”.
c) respeito à diversidade, presente no verso “E com
o bucho mais cheio comecei a pensar”.
d) igualdade econômica e social, presente no verso
“Peguei o balaio, fui na feira roubar tomate e
cebola”.
95. (Uem 2012) Segundo interpretação corrente na
Sociologia política, a generalização da democracia
como forma de governo no mundo moderno ocorreu
em “ondas” sucessivas e com distintas características.
Sobre esse tema, assinale o que for correto.
01) A primeira onda de democratização foi até a
década de 1920, quando se iniciou um período
de refluxo no contexto da Primeira Guerra
Mundial.
02) Argentina, Colômbia, Chile e Uruguai foram os
quatro únicos países da América Latina a
participarem da primeira onda de democra-
tização.
04) A extensão do direito ao voto à maioria dos
homens brancos adultos nos Estados Unidos da
América, em 1828, é apontada como o marco
inicial da primeira onda de democratização
mundial.
08) A terceira onda de democratização teve início na
década de 1970 e se estendeu até a década de
1990, sendo marcada principalmente pela
queda de vários regimes autoritários em
diferentes continentes.
16) A segunda onda de democratização, iniciada na
década de 1940, se limitou ao hemisfério norte,
não atingindo as nações latino-americanas ou
africanas.
96. (Ufu 2012) Levando em consideração as relações do
sistema de produção fordista e demais sistemas de
produção e suas consequências, constata-se que o
trabalho no sistema
a) taylorista baseia-se em trabalhadores multifun-
cionais, sendo que cada posto de trabalho
executa várias tarefas, a fim de diminuir os custos
de produção.
b) fordista caracteriza-se pela separação entre
elaboração e execução no processo de trabalho,
proporcionando a alienação.
c) fordista é repetitivo e parcelado, gerando
trabalhadores felizes e satisfeitos por não
necessitarem de longos processos de capacitação
para o trabalho.
d) toyotista tem a produção vinculada à demanda,
ocasionando flexibilização e evitando, assim, as
demissões e a precarização, além de possibilitar a
utilização racional da força de trabalho.
47
97. (Uem 2011) Toda sociedade desenvolve mecanismos
de controle social com o objetivo de fazer com que
cada indivíduo adote comportamentos esperados.
Sobre esse assunto, assinale a(s) alternativa(s)
correta(s).
01) A família, como esfera privada da vida regida por
sentimentos e laços de sangue, não participa dos
processos de controle social.
02) A polícia e o judiciário são instituições que exercem
controle social de tipo formal e são próprias de
sociedades complexas.
04) A religião é uma importante instituição de controle
social, devido a sua alta eficiência na definição de
comportamentos socialmente aceitos.
08) O controle social para ser eficiente deve combinar
a transmissão de valores com estratégias de
coerção.
16) Nas sociedades complexas, ocorre uma
tendência de substituição de estratégias difusas
de controle pela sua institucionalização formal,
o que pode ser observado pelo incremento do
aparato jurídico e policial.
98. (Uem 2011) “O quadro familiar torna-se, assim, tão
poderoso e exigente, que sua sombra persegue os
indivíduos mesmo fora do recinto doméstico. A entidade
privada precede sempre, neles, a entidade pública. A
nostalgia dessa organização compacta, única e
intransferível, onde prevalecem necessariamente as
preferências fundadas em laços afetivos, não podia
deixar de marcar nossa sociedade, nossa vida pública,
todas as nossas atividades. Representando, como já se
notou acima, o único setor onde o princípio de
autoridade é indisputado, a família colonial fornecia a
ideia mais normal de poder, da respeitabilidade, da
obediência e da coesão entre os homens. O resultado era
predominarem, em toda a vida social, sentimentos
próprios à comunidade doméstica, naturalmente
particularista e antipolítica, uma invasão do público pelo
privado, do Estado pela família.”
HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1992, p. 50.
Considerando o texto acima e o tema instituições
sociais, assinale o que for correto.
01) O texto trata das relações que os indivíduos
estabelecem com uma instituição social
específica, o Estado.
02) No processo de formação da sociedade
brasileira, os interesses privados interferem na
conduta pública dos indivíduos.
04) No Brasil, a comunidade doméstica promoveu
um equilíbrio entre os interesses coletivos e
privados, revelando sua ação em defesa do que
é público.
08) O autor define que a família colonial é uma
organização compacta, única e intransferível,
que exerceu profunda influência na formação
social e cultural brasileira.
16) O Estado brasileiro manteve-se livre dos
particularismos, das visões antipolíticas e dos
interesses privados.
99. (Unicentro 2011) Entende-se por socializaçãoo
processo por meio do qual
a) o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade.
b) a sociedade divide a riqueza produzida socialmente.
c) o indivíduo constrói laços de afetividade familiar.
d) a comunidade é transformada em sociedade.
e) os grupos sociais se constituem.
100.(Unioeste 2011) Um dos universos mais constantes
nas Ciências Sociais diz respeito ao estudo das
instituições sociais. Família, religião, trabalho foram
temáticas investigadas pelos primeiros pesquisadores
da área, mas que ainda continuam presentes na
produção contemporânea.
Sobre o conceito de instituição social é correto afirmar
que
a) o conceito de instituição social corresponde à
ação de instituir ou determinar padrões de
comportamento, padrões que são construídos
historicamente e possuem um poder de coerção
em determinado contexto.
b) as instituições sociais são as entidades
filantrópicas que prestam serviço comunitário,
elas são instituições por terem uma sede e um
estatuto pré-determinado e são sociais por
atender interesses públicos.
c) a linguagem não pode ser considerada uma
instituição por ser algo natural do ser humano e
não possuir seus limites claramente definidos,
como é o caso da escola, por exemplo.
d) segundo Goffman, as únicas instituições com
características sociológicas são as de caráter
fechado, pois são impositivas e desenvolvem uma
sociabilidade própria.
e) levando em consideração a teoria de Emile
Durkheim, podemos afirmar que nem todas as
instituições sociais podem ser consideradas como
fatos sociais, pois estes obrigatoriamente
precisam ser coletivos, coercitivos e externos aos
indivíduos.
48
GABARITO
Resposta da questão 1: [B]
Rousseau, um dos teóricos mais importantes do Iluminismo,
apresenta uma teoria baseada no contrato social entre os
homens e na igualdade natural entre todos eles. Seu pensamento
apresenta uma crítica ao Antigo Regime, inspirando ideais que
culminaram na Revolução Francesa.
Resposta da questão 2: [A]
Resposta de Filosofia:
Rousseau enxerga no contrato social o estabelecimento e a
garantia da liberdade civil. Nesse sentido, ele rejeita tanto um
governo que subjugue os homens, quanto as agregações que se
originam dessa subjugação por não constituírem-se como corpo
político. Deve-se considerar que os direitos políticos e sociais,
para Rousseau, não são baseados em direitos sagrados, sendo, na
verdade, a ordem social a base de todos os direitos.
Resposta de História:
Rousseau foi um dos principais expoentes do iluminismo. Ao
discutir a situação do homem, preocupa-se com as condições
políticas da época e defende o direito da sociedade na escolha de
seus governantes.
Resposta da questão 3: [C]
O argumento de Zenão problematiza a tese de que o espaço,
conceitualmente dado, é divisível. Portanto, o seu argumento
parte da suposição da verdade dessa qualidade do espaço, sua
divisibilidade, para provar o seu absurdo. Se considerarmos
possível a divisão do espaço, então teremos que assumir, por
exemplo, que é impossível Aquiles ultrapassar a tartaruga em
uma corrida, pois para Aquiles ultrapassar a tartaruga ele teria
antes que ultrapassar a metade da distância entre eles, e depois
a metade da metade, e depois a metade da metade, assim por
diante infinitamente, de modo que Aquiles nunca sairia do seu
lugar de origem. Como isso é absurdo, então o espaço não é
efetivamente divisível e sim uno; também, o movimento é
ilusório, pois não existe um percurso que se percorre, afinal não
se pode realmente dividir o espaço.
Resposta da questão 4: [B]
A filosofia nasce, historicamente, em um período da Grécia antiga
no qual se modificava a maneira com que os homens se
relacionavam. Sendo que os mitos organizavam toda a vida social
consolidando práticas e cerimônias religiosas nas famílias, entre
as famílias, nas tribos, entre cidades, etc., a sua modificação, ou
até extinção, inevitavelmente faria renascer, distinta, a
organização das relações dos homens entre eles mesmos nas
casas e na cidade. A filosofia, por conseguinte, tem sua origem
em duas modificações uma contextual e outra subjetiva, isto é,
uma modificação na cidade e outra no próprio homem. As
modificações da cidade e da própria subjetividade se confundem,
pois a própria cidade deixa de se conformar com certas tradições
religiosas e a própria subjetividade, com o passar das gerações,
deixa de prezar os valores ancestrais organizados nos mitos. Com
essas mudanças a cidade e o homem passam a se constituir a
partir de outras práticas consideradas fundamentais, como o
pensamento racional – um pensamento com começo, meio e fim
e justificado pela a experiência do mundo, sem o auxílio de entes
inalcançáveis.
Resposta da questão 5: a) O logos, no pensamento de Heráclito,
é o princípio, ou seja, é o mundo como devir eterno, é a
guerra entre os contrários que possuem em si mesmos a
existência própria e do oposto, é a unidade da multiplicidade
na qual “tudo é um”, é o fogo, é o conhecimento verdadeiro.
O logos é a exposição de um único mundo comum a todos.
b) O logos possui no seu sentido comum um caráter contingente,
quer dizer, qualquer homem é capaz de construir uma narrativa, um
discurso sobre o mundo. E Heráclito diz que o mais o corriqueiro é
exatamente a construção arbitrária e parcial disto que antes de tudo
deveria ser comum. Ele, então, alerta sobre a necessidade de que o
logos não seja exposto sem que antes haja o reconhecimento da
inteligência que torna isto aparentemente diverso em algo unido sob
um único governo, a saber, o logos comum.
Resposta da questão 6: [B]
O conceito de physis entre os pré-socráticos expressa basicamente o
princípio gerador, constituinte e ordenador de todas as coisas.
Segundo Parmênides, este princípio é aquilo que racionalmente
compreendemos ser sempre e nunca mutante, sendo o seu contrário
justamente o não-ser. É uma tese difícil de apreendermos, como se
pode observar no seguinte trecho do seu poema:
“eu te direi, e tu, recebe a palavra que ouviste,
os únicos caminhos de inquérito que são a pensar:
o primeiro, que é; e, portanto, que não é não ser,
de Persuasão, é caminho, pois à verdade acompanha.
O outro, que não é; e, portanto, que é preciso não-ser.
Eu te digo que este último é atalho de todo não crível,
Pois nem conhecerias o que não é, nem o dirias...”
(tradução de José Cavalcante de Souza, “Parmênides de Eléia”, in Os pré-
socráticos, coleção Os Pensadores)
Resposta da questão 7: [D]
A questão está errada ao dizer que Heráclito teve o seu “riso”
interpretado pelo Padre Antônio Vieira. O padre dos grandes
sermões interpretou o choro de Heráclito, e o interpretou como
uma postura superior a de Demócrito, este, sim, o filósofo que ri.
A citação a seguir – que poderia servir de referência no
enunciado – esclarece:
“Como nem todas as misérias são ignorâncias e todas as
ignorâncias são misérias, e as maiores misérias, muito maior
matéria e muito maior razão tinha Heráclito de chorar, que
Demócrito de rir, antes digo, que só Heráclito tinha toda a razão
e Demócrito nenhuma. Todas as misérias humanas eram o
assunto de Heráclito e o de Demócrito só uma parte delas; e
como toda a miséria é causa da dor, e nenhuma dor pode ser
causa do riso, o riso de Demócrito não tinha causa, nem motivo
algum que o justificasse”. (Antônio Vieira. As lágrimas de Heráclito.
São Paulo: Ed. 34, 2001, p. 125)
Resposta da questão 8: Segundo o enunciado da questão, a
explicação para o fato de a arte de governar, ou a “arte política”,
ou a “real”, não ser capaz de tornar os homens bons, ou levá-los
à felicidade, decorre da ação política de não tornar os homens
melhores eticamente.
Todavia, a péssima transcrição do diálogo, que apresenta um
recorte muitopouco elucidativo sobre a obra e não permite a
compreensão do raciocínio ali desenvolvido, nos dá a entender
que a questão geral é: “que ciência e modo de utilidade dessa
ciência nos fará homens bons, homens felizes?”. Essa questão
geral não é ética, mas sim apenas uma questão que poderá
adquirir caráter ético se resolvermos sua problemática através de
uma configuração racional dos hábitos dos indivíduos; ela
poderá, também, adquirir um caráter político se resolvermos sua
problemática através de uma configuração racional da cidade; e
por aí vai.
Resposta da questão 9: [D]
Falta para a questão uma referência bibliográfica apropriada.
A filosofia de Platão é resultado de um trabalho de reflexão
intenso e extenso, de modo que as questões durante os inúmeros
diálogos por ele escritos são respondidas de maneiras distintas.
49
Porém, Platão possui uma questão de fundo que se refere ao
problema da identidade – resquício da tradição conflituosa de
Parmênides e Heráclito –, a saber: o que é, é sempre idêntico a si
mesmo ou é sempre distinto? O mundo verdadeiro é uma
totalidade sempre permanente ou uma totalidade sempre
efêmera? A concepção sobre Ideias que Platão formula atende,
em geral, a essas questões e busca demonstrar como o sensível
apesar de expor uma realidade impermanente, possui um
fundamento permanente. As Ideias são verdadeiras, a realidade
sensível é apenas uma aparência passageira dessa realidade.
Resposta da questão 10: [C]
O texto, traduzido como foi, dá a impressão que o amor (éros) é
desejo e zelo, e a razão do amor está na busca da natureza
mortal por ser imortal, na superação da aparência passageira do
mundo sensível para a realidade eterna do mundo inteligível.
Essa ânsia pela perduração no tempo é algo que participa da
filosofia platônica de várias maneiras e de uma maneira especial,
por exemplo, na consideração da formação do cidadão ser
inspirada nas qualidades perenes de Deus (cf. As Leis).
Resposta da questão 11: [C]
Essa questão possui inúmeras imprecisões. No texto citado, a
tese e a caracterização de uma parte importante da tese estão
perfeitas: a generosidade é uma pilastra da sustentabilidade e
generoso é aquele que compartilha sem esperar ou exigir algo
em troca. Porém, a expectativa de uma contraposição –
estabelecida pelo uso da palavra “já” – é completamente desfeita
pelo uso dos clássicos da filosofia para simplesmente reafirmar
aquilo enunciado anteriormente. Não sendo bastante a falta de
coerência do texto, há também uma enorme imprecisão quando
se diz, por exemplo, que Platão não considerava a justiça como
algo suficiente para constituição de uma cidade feliz, boa. Ora,
isso é completamente absurdo, pois a justiça é para Platão a
virtude necessária e suficiente para o estabelecimento de uma
cidade feliz (cf. A República). E Rousseau estabelece que o
contrato social nasça da vontade geral e a sociedade deve
sempre subordinar-se a esta vontade geral, de modo que a
justiça é também suficiente para manter a saúde de uma
sociedade, isso enquanto ela for o reflexo da vontade geral.
Além disso, a afirmação “II. segundo o texto, se uma sociedade é
inflexível e cruel, então ela está fundada apenas sobre a justiça”
parece-nos correta, pois “os clássicos da filosofia política, como
Platão e Rousseau, afirmavam que uma sociedade não pode
fundar-se apenas sobre a justiça. Ela se tomaria inflexível e
cruel”. Discordamos, portanto, do gabarito.
A afirmação III poderia se servir de uma citação, pois não está
muito claro onde Aristóteles define a generosidade como uma
virtude importante.
Resposta da questão 12: a) Platão dedica a obra República para
criar a cidade ideal, isto a fim de demonstrar o que é a justiça e se
a vida justa é mais feliz que a injusta. O filósofo rejeita as cidades
existentes como modelos de cidades justas, pois as aparências
não são suficientes para definir o que algo é em si mesmo. Então,
para vislumbrar o que é a justiça, antes necessitamos enxergar o
conceito de maneira ampliada, isto é, na cidade ideal e depois de
maneira diminuta na alma do indivíduo. A cidade justa de Platão
contempla trabalhadores, soldados e governantes realizando as
funções para as quais estão mais aptos naturalmente. E assim
como na cidade platônica é o filósofo quem governa, no indivíduo
é a razão que o guia.
b) Na charge os personagens estão presos por correntes ao
televisor, na alegoria os homens estão presos à caverna. Assim
como na TV a realidade é forjada pelos programas, a realidade
era forjada dentro da caverna por alguns homens livres dos
grilhões. Os homens nos dois casos, as sombras são tidas como
verdadeiras, porém quando libertos, eles passam a enxergar a
realidade mesma. Essa saída indica a possibilidade de autonomia. No
âmbito político, representa a possibilidade do exercício do governo à
luz da justiça e o afastamento das formas de dominação.
Resposta da questão 13:
A Alegoria da Caverna quer dizer, utilizando uma imagem fictícia,
como era a realidade da cidade de Atenas ou de todas as cidades.
Tal realidade é que os homens vivem suas vidas encantados com
imagens, ou seja, eles vivem suas vidas encantados com aquilo
que mantém apenas a aparência da realidade. Não apenas o
homem está nessa situação de enfeitiçado, porém ele também
está preso impedido de chacoalhar para fora dessa situação. O
filósofo é quem consegue se livrar do feitiço e depois quebrar os
grilhões que o impedem de sair desse estado. É fundamental,
segundo a alegoria, realizar esse movimento para fora da caverna
para conceber que a aparência explicitada pelas imagens não
revela muito sobre a verdade descoberta sob a luz existente fora
da caverna. A aparência é apenas um simulacro produzido na
caverna, a essência é uma descoberta feita livre do confinamento
neste antro que os homens vivem, chamado “cidade”.
Resposta da questão 14: 02 + 04 + 08 + 16 = 30.
O texto citado apresenta um problema fundamental da filosofia na
Idade Média apenas no sentido de que os medievais precisavam de
algum modo resolver o problema de relacionamento entre o
aristotelismo e o conhecimento revelado. Entre os medievais há uma
completa distorção da metafísica aristotélica na insistência de sua
proximidade com a teologia, que no caso é evidentemente a teologia
cristã. Apesar de Aristóteles afirmar que a metafísica é a ciência
teológica, diz isso somente no sentido de ser a filosofia primeira, ou o
conhecimento a respeito dos seres imateriais. O filósofo não diz isso
no sentido de um conhecimento sobre Deus e sua criação. A questão
não deixa muito claro o período do texto citado e,
consequentemente, acaba confundindo certas noções como, por
exemplo, a de teologia, que na escolástica é sim acerca de Cristo,
porém no caso do texto não o é.
Resposta da questão 15: 01 + 02 + 08 + 16 = 27.
O silogismo é o tipo de raciocínio cuja conclusão é resultado
necessário dos movimentos realizados nas passagens entre as
premissas, por exemplo:
Todo homem é mortal
Sócrates é homem
Então,
Sócrates é, necessariamente, mortal.
Isso não quer dizer que o conteúdo da afirmação é necessário, e
sim quer dizer que dada a organização correta daquelas propo-
sições, devemos admitir que a conclusão é, necessariamente, a
resultante. Por conseguinte, não estaremos formalmente errados
se dissermos, por exemplo:
Todo pássaro é uma corneta
João é um pássaro
Então,
João é uma corneta.
Todavia, não seria aceitável afirmar que todo pássaro é uma corneta,
pois empiricamente constatamos diferentemente; nenhum pássaro é
uma corneta.
Apesar de formalmente o conhecimento científico estar baseado em
raciocínios dedutivos, como o silogismo, ele não pode depender
apenas disto para assegurar a correção de suas afirmações sobre o
mundo. A experiência – ajuíza dos raciocínios lógicos bem
construídos – assegura, até o máximo possível pelo hábito, que a
inferência de uma afirmação do tipo: “todo homem é mortal”, seja
válida pela sua grande probabilidade e, portanto, com pouquíssimos
motivos para que duvidemos de sua veracidade.
50
Resposta da questão 16: 01 + 02 + 08 = 11.
Seguindo a noção fundamental aristotélica de que o ser é dito de
várias maneiras, a amizade é basicamente uma reciprocidade de
boas intenções. Porém, as intenções de desejar bem a outro não
necessariamente provém do amor, elas podem provir do
interesse. Nesse sentido, há boas intenções na direção de outro
por amor e por interesse e em ambos os casos há amizade,
porém apenas a boa intenção recíproca baseada no amor é
realmente amizade.
“Os amigos cuja afeição é baseada no interesse não amam um ao
outro por si mesmos, e sim por causa de algum proveito que
obtêm um do outro. O mesmo raciocínio se aplica àqueles que se
amam por causa do prazer; não é por seu caráter que gostamos
das pessoas espirituosas, mas porque as achamos agradáveis.
Logo, as pessoas que amam as outras por interesses amam por
causa do que é bom para si mesmas, e aquelas que amam por
causa do prazer amam por causa do que lhes é agradável, e não
porque a outra pessoa é a pessoa que ama, mas porque ela é útil
ou agradável”. (ARISTÓTELES, 2001p. 155)
Resposta da questão 17: [D]
Um juízo de fato é um juízo que diz respeito à disposição da
realidade, isto é, se o enunciado estivesse descrevendo a situação
atual do consumo: “consumimos produtos de origens de fontes sujas
segundo a informação ‘x’ e pela estatística ‘y’ demonstramos que
desperdiçamos exageradamente nossa produção”, então ele seria
um juízo de fato. No caso, o enunciado expõe um juízo de valor, isto
é, de acordo com o que se constata nos fatos deveríamos garantir
fontes limpas como matéria-prima da produção e evitar o
desperdício desta produção. Como esse juízo de valor ainda não foi
avaliado e regulado pelo Estado, então ele é um juízo meramente
moral, que reflete unicamente a escolha do sujeito sobre a melhor
maneira de organizar seus hábitos.
A ética aristotélica, a ética epicurista, basicamente toda a ética
antiga, defendia, cada uma a sua maneira, a moderação como
uma virtude muitíssimo importante.
Resposta da questão 18: [D]
No período em questão, as cidades passam a se organizar de uma
maneira distinta, livrando-se de uma centralização na figura de
um rei (anax) e estabelecendo a figura de vários líderes
(basileus). Nesta nova ordem, o rei não é capaz de dar a ordem
para ser obedecido incondicionalmente e os vários líderes devem
ser convencidos da ação necessária pela racionalidade do
argumento, e não pela coerção. Essa necessidade de argumentar
racionaliza os procedimentos deliberativos da cidade e acabam
por estabelecer uma ordem na qual a tradição passa a ser
afastada de pouco em pouco por sua inaptidão em atender
problemas de ordem prática com eficiência.
Resposta da questão 19: [C]
A Filosofia difere fundamentalmente do mito, pois este é um
discurso baseado na autoridade religiosa e aquela é um discurso
baseado na racionalidade de todo e qualquer cidadão. O
desenvolvimento da Filosofia está muitíssimo próximo do
desenvolvimento das cidades-estados gregas que deixavam de
tomar decisões concordantes com os aconselhamentos dos
oráculos e passavam a tomar suas decisões através do diálogo
entre homens igualmente racionais. De todo modo, a narrativa
mítico-religiosa possuía sua importância por garantir a
sobrevivência de tradições, que definiam a cultura dos povos e
mantinham os cidadãos convivendo de modo relativamente
harmonioso.
Resposta da questão 20: [D]
A filosofia nasce, historicamente, em um período da Grécia antiga
no qual se modificava a maneira com que os homens se
relacionavam. Sendo que os mitos organizavam toda a vida
social, consolidando práticas e cerimônias religiosas nas famílias,
entre as famílias, nas tribos, entre cidades, etc., a sua
modificação, ou até extinção, inevitavelmente faria renascer,
distinta, a organização das relações dos homens entre eles
mesmos nas casas e na cidade. A filosofia, por conseguinte, tem
sua origem em duas modificações uma contextual e outra
subjetiva, isto é, uma modificação na cidade e outra no próprio
homem. As modificações da cidade e da própria subjetividade se
confundem, pois a própria cidade deixa de se conformar com
certas tradições religiosas e a própria subjetividade, com o passar
das gerações, deixa de prezar os valores ancestrais organizados
nos mitos. Com essas mudanças, a cidade e o homem passam a
se constituir a partir de outras práticas consideradas
fundamentais, como o pensamento racional – um pensamento
com começo, meio e fim e justificado pela a experiência do
mundo, sem o auxílio de entes inalcançáveis.
Resposta da questão 21: [A]
O mito é uma simples história contada de modo pomposo.
A grande diferença entre mito e ciência é a justificação do
discurso, enquanto o primeiro simplesmente se satisfaz com o
seu encantamento próprio, a segunda necessita axiomaticamente
de uma satisfação pública de seu conteúdo, isto é, uma satisfação
acessível a qualquer um que seja racional.
Resposta da questão 22: A primeira concepção é por princípio
uma concepção política teológica. O poder político é instituído
por Deus e a finalidade da ação política é a salvação. O Estado,
por conseguinte, deve se conformar de tal maneira que permita,
ou melhor, condicione o homem a viver em função do fim maior,
em função da eternidade representada na salvação. São Tomás é
evidentemente um católico, considerando a primazia de sua
religião sobre quaisquer necessidades mundanas, organizando o
poder político e a ação do cidadão de tal maneira que reflita
apropriadamente os dogmas da Igreja.
A segunda concepção é por princípio uma concepção política
moderna, ou pré-moderna. A primeira superação perpetrada por
Maquiavel é a superação do discurso antigo a respeito da
necessidade do homem manter um hábito guiado pelas virtudes
cardiais: sabedoria, coragem, temperança e magnanimidade. Não
que o homem não deva possuir tais características, todavia elas
não devem de modo algum impedi-lo de realizar uma ação cruel
se assim se demonstrar útil para que ele efetive o seu poder.
A segunda superação perpetrada por Maquiavel é a superação do
discurso escolástico que predispunha o começo, meio e fim das
coisas a partir da certeza da palavra revelada. O mundo da
experiência é guiado pela fortuna e não se faz sentido impedir
que certas ações se realizem, pois circunstancialmente elas
podem ser as melhores.
Resposta da questão 23: [B]
A filosofia medieval é movida por querelas intelectuais nas quais de
um lado encontramos os teólogos e de outro os filósofos, ou de um
lado os defensores do conhecimento pela fé e de outro os
defensores do conhecimento pela razão, ou de um lado a revelação
bíblica e de outro a investigação dos filósofos gregos. A partir do
século XII, com as traduções feitas pela escola de Toledo das obras de
Aristóteles, essas disputas se acirraram. À primeira vista, o
aristotelismo era incompatível com a doutrina cristã. No
aristotelismo, por exemplo, não havia nenhuma noção de deus
criador, de providência divina, de alma imortal, de queda e redenção
do homem – todas estas noções caras à doutrina cristã. Essa
incompatibilidade levou à censura da obra de Aristóteles. Porém, a
capacidade intelectual de Tomás de Aquino aliada a sua inabalável fé
51
cristã resolveram tais incompatibilidades com uma cristianização
efetiva da filosofia aristotélica. Um exemplo da capacidadede Tomás
está na sua apropriação da tese de Aristóteles sobre o Primeiro
Motor (para haver um móvel é necessário que exista um imóvel, para
que exista a passagem da potência para o ato é necessário haver algo
que seja ato puro), e transformação desta em prova da existência do
Deus cristão; essa é uma das cinco provas da existência de Deus
aceitas por Santo Tomás.
Porém, a questão do vestibular possui um problema grave, pois a
alternativa: “por meios metafísicos, resultantes de investigação
intelectual”, é correta segundo esta afirmação do texto citado:
“existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por
exemplo, que Deus existe”.
Resposta da questão 24: [B]
O pensamento de Maquiavel sobre o comportamento do príncipe
estabelece uma ética fundada a partir de um princípio distinto da
ética clássica. No pensamento clássico, a ética tinha a finalidade
de formar um homem com um comportamento baseado em
certas virtudes, como a sabedoria, a coragem, a temperança, a
prudência. Já a ética maquiavélica não busca refletir sobre a
formação dos hábitos de um homem, no caso o príncipe, tendo
em vista tais virtudes, mas sim tendo em vista a sua manutenção
no poder. Portanto, os hábitos do príncipe não podem ser
pensados de acordo com virtudes cardeais, mas sim de acordo
com a experiência comum através da qual se observa homens
agindo de maneira desleal sem qualquer pudor ou respeito para
com atitudes magnânimas.
Resposta da questão 25: 02 + 04 = 06.
Os dois desejos que dividem as cidades são: o desejo dos grandes
de satisfazer seus apetites e o desejo do povo de estar em geral
defendido.
O principado é estabelecido pelo povo ou pelos grandes, segundo
a oportunidade que tiver uma dessas partes; percebendo os
grandes que não podem resistir ao povo, começam a dar
reputação a um dos seus elementos e o fazem príncipe, para
poder, sobre sua sombra, satisfazer seus apetites. O povo
também, vendo que não pode resistir aos grandes, dá reputação
a um cidadão e o elege príncipe para estar defendido com sua
autoridade.
O papel político do Príncipe é o de constituir um poder superior
capaz de mantê-lo no poder. O Príncipe também tem por tarefa
cuidar da manutenção e conservação desse poder superior.
Conforme Maquiavel, o Príncipe pode se utilizar de todos os
meios disponíveis para a consecução de seus objetivos. Desde
que as circunstâncias assim o exijam, o Príncipe poderá se utilizar
inclusive da mentira, da violência e da força, porém, deve
logicamente ser astuto e assim evitar ser odiado pelos súditos.
Resposta da questão 26: 02 + 04 + 16 = 22.
O estado de natureza é "natural" em apenas um sentido
específico. Para Hobbes a autoridade política é artificial e em
contrapartida o estado anterior à instituição do governo é
natural. Na sua condição "natural" o ser humano carece de
governo, que é uma autoridade artificial, pois a única autoridade
natural é aquela da mãe sobre o filho – dado que a mãe tem a
vida do filho. Entre adultos inevitavelmente o caso difere e surge
a necessidade do artifício. Naturalmente, todo homem tem
direito igual a todas as coisas, porém, de fato, cada homem difere
um do outro em força e, talvez, até em inteligência. Todavia, cada
homem tem poder suficiente para ameaçar a vida de qualquer
outro, de modo que invariavelmente o estado de natureza é uma
disputa de todos contra todos por tudo que é direito de todos. O
estado de natureza é forçosamente uma guerra de todos contra
todos que força a necessidade de um estado soberano que
promova a paz. Entre outras inúmeras funções, Hobbes com essa
teoria se opõe a teoria monarquista do direito divino ao trono.
Locke ficou conhecido por ter argumentado que o direito divino
dos reis não era sustentado nem pelas escrituras sagradas e nem
pela razão. O filósofo britânico desenvolveu uma nova teoria que
relacionava o dever do cidadão de obediência ao estado
atacando a ideia de que o poder estabelece a lei. Partindo de um
estado de natureza sem qualquer governo, polícia ou
propriedade privada, ele considera que nós humanos poderíamos
descobrir, através do uso da razão, leis naturais, e estas, por
conseguinte, nos sugeririam que haveria conjuntamente direitos
naturais. Eventualmente os homens descobririam que poderiam
estabelecer baseados na lei natural e no direito natural um
contrato social que instituiria as obrigações políticas e
propriedade privada, de tal modo que se evitariam os desvios da
lei natural e se garantiria o direito natural. Assim a razão
estabeleceria os limites do uso do poder articulando os direitos
naturais de todo homem à liberdade, igualdade e propriedade.
Resposta da questão 27: [A]
O hábito é o grande guia da vida humana no sentido de que
nenhuma questão de fato é resolvida por algo além dele. Como
Hume diz, “sem a ação do hábito, ignoraríamos completamente
toda questão de fato além do que está imediatamente presente à
memória ou aos sentidos” (D. Hume. Investigações sobre o
entendimento humano. In Coleção Os Pensadores. São Paulo:
Abril Cultural, 1980, p. 152). Sendo assim, o homem é apenas
capaz de crer que a relação de causa e efeito entre a chama e o
calor, por exemplo, se mantenha persistente. A crença é um
resultado necessário da mente observar regularidades –
diferentemente da ficção que é uma formulação com aparência
de realidade e sem um lastro sensitivo. Nesse sentido, um
raciocínio impenetrável é inconveniente, pois estabelece uma
ficção capaz de convencer pela sua aparência de realidade,
porém incapaz de se demonstrar pela sua ausência de lastro
sensitivo.
Resposta da questão 28: [D]
“A maioria das pessoas concordará prontamente que as
qualidades úteis da mente são virtuosas justamente por causa da
sua utilidade” (D. Hume, T, III, III, IV, 2). O pensamento moral de
Hume é baseado na motivação, isto é, a ação moral é motivada
pelos sentimentos morais que estabelecem as razões deste
comportamento; a moral excita as paixões prevenindo ou
motivando as ações e a razão sozinha é incapaz de defender a
necessidade de qualquer ação correta.
Resposta da questão 29: [B]
Para Hume, nada orienta mais efetivamente as ações dos homens
que suas opiniões. Certamente, os homens são governados pelo seu
interesse, sua razão é refém de suas paixões, e a construção de uma
opinião define em geral o comportamento de um indivíduo.
A opinião sobre o que é relevante aos seus e seus próximos constitui
a motivação básica da ação moral de um homem.
Resposta da questão 30: Para Hume, a) existe muita razão no
provérbio que afirma os gostos não serem discutíveis, isso porque a
busca pelo estabelecimento de uma beleza real, de uma feiura real, é
tão inapropriada quanto a busca pelo doce real ou o amargo real,
quer dizer, é tão inapropriada quanto a busca pela definição exata
daquilo que se define unicamente em relação com algo. O doce
nunca é exatamente doce, mas doce enquanto se tem uma
percepção sensível que nomeia isso doce. O belo funcionaria do
mesmo modo e, por conseguinte, seria algo relativo ao momento da
percepção e não a uma qualidade essencial.
Observando a experiência comum, b) posso constatar como
sempre em uma discussão entre amigos, ou até desconhecidos,
surge a impossibilidade de definições fundamentais de acordo
52
com as quais reconheceríamos conjuntamente o belo universal. E
a simples existência de inúmeros tipos de arte (variadas pinturas,
esculturas, músicas, etc.) já apresenta o sublime de múltiplas
maneiras dependentes de contextualizações e da relação entre o
homem e o universo. Dizendo de maneira direta, o sublime é
resultado de processo construído de modo empírico através da
mudança do relacionamento entre indivíduo e coisa que se
transforma em um relacionamento particular, talvez
comunicável, entre sujeitoe obra de arte.
Resposta da questão 31: [B]
Thomas Hobbes (1588-1679) foi um filósofo inglês que hoje é
mais conhecido pela sua filosofia política. Na sua principal obra, o
Leviatã, o autor estabelece a fundação de uma grande tradição
do pensamento político, a tradição contratualista. Apesar de
favorecer na sua teoria o governo absoluto de um monarca, ele
também desenvolveu pontos decisivos do liberalismo: o direito
individual, a necessidade do caráter representativo do poder
político, etc.
Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um filósofo alemão ocupado
principalmente com a questão da fundamentação da moral. Para
ele não há qualquer fundamento indiscutível para a moral e, por
conseguinte, a ação se justifica por ela mesma e não pela sua
conformação com algum código. Sua filosofia é extremamente
inspirada nos pensadores pré-socráticos e se organiza através de
um método genealógico.
David Hume (1711-1776) foi um filósofo escocês dedicado ao
desenvolvimento do empirismo e do ceticismo. No seu
pensamento a ação moral não possui um caráter absolutamente
racional, pois uma ação não pode ser movida unicamente pela
razão, ela necessita também das paixões.
Jean-Paul Sartre (1905-1980) foi um filósofo francês central para
o desenvolvimento da tradição existencialista. Sua ideia
fundamental era a de que os homens são condenados a ser livres
e com isso ele promove uma inversão, a saber, que a existência
precede a essência, ou seja, não existe um criador que nos forma,
porém nos formamos durante nossa existência através daquilo
que projetamos e realizamos. A existência é primordialmente
uma responsabilidade.
Resposta da questão 32: [C]
A argumentação hobbesiana favorece qualquer estado que
proteja a paz entre os cidadãos assegurando que as leis
ordenadoras sempre prevaleçam, mesmo que o uso da força e da
violência seja necessário. Todavia, para Hobbes a monarquia é o
poder mais adequado, o soberano monarca é o governante ideal
para o filósofo.
Já Rousseau pensa distintamente e o contrato é estabelecido
devido o constante aumento das desigualdades engendrado
naturalmente no estado primordial da humanidade. Os homens,
então, se juntam para que a vontade geral passe a direcionar
nossas ações, garantindo assim que todos sejam efetivamente
considerados na sua importância sem que as desigualdades
naturais dominem as cidades.
Este tipo de teoria geral sobre a origem, a construção e o
desenvolvimento de uma sociedade é bastante comum a partir
dos primórdios da modernidade. Hobbes, Locke e Rousseau são
geralmente os nomes mais reconhecidos vinculados à teoria do
contrato social, porém não são os únicos.
Resposta da questão 33: [B]
A teoria contratual de Hobbes busca estabelecer um movimento
no qual o homem passa de um estado natural para um estado
civil. No estado natural, o homem vive em guerra com os outros
homens, isto é, a finalidade da vida é manter-se vivo e se
beneficiar do uso da violência, da trapaça, etc. contra os outros.
A insustentabilidade desse estado leva o homem a buscar
manter-se vivo de outra maneira, a saber, instituindo um governo
que, na opinião do filósofo, deveria ditatorialmente se sobrepor a
todos e estabelecer uma ordem inabalável. O governante tem o
monopólio do medo e mantém a paz através da repressão para
manutenção da lei e a garantia da justiça.
Resposta da questão 34: [D]
Para Hobbes (1588-1679), o pacto social é uma instituição
precária, pois ela não é suficiente para garantir a paz e a
prosperidade. Os homens presunçosos sempre acreditariam
saber mais que outros e assim, se livres para tanto, se
mobilizariam inevitavelmente para desencadear guerras e tomar
o poder. Para evitar tais catástrofes, o pacto social deve instituir a
submissão da vontade de todos os indivíduos à vontade de um
único déspota. O pacto social deve conceder a soberania a um
único homem e o corpo social deve se submeter totalmente a
ele. Sendo assim, Hobbes não considera que o contrato social
seja contrário ao poder absoluto, mas justamente o contrário e
se desejamos paz e prosperidade, então devemos no momento
do pacto submeter a nossa vontade à vontade do déspota – o
autor do Leviatã não nega a legitimidade de outros regimes,
porém qualquer regime que divida o poder e faça possível uma
competição que poderia comprometer a paz é tido como
ilegítimo. Como podemos perceber, Hobbes considera que a
principal atribuição do déspota é a promoção e segurança da paz,
para tanto ele deve abolir qualquer possibilidade de disputa e
instituir uma ordem de acordo com a qual o cidadão deverá
sempre estar conforme – e isto tanto em matéria política, quanto
religiosa.
Resposta da questão 35: [A]
A Lei Civil ordena o conteúdo proveniente da ação livre, isto é, da
Lei Natural. Desse modo, o Estado Liberal, que pressupõe a
existência da Lei Natural, organiza a atividade normativa através
de leis positivas cuja finalidade é manter os excessos da liberdade
controlados. Assim, “a função do poder civil, a segurança,
consiste em fazer com que as Leis Naturais sejam observadas”. É
por meio de leis civis que as leis naturais se tornam obrigatórias.
Resposta da questão 36: 02 + 04 + 08 = 14.
Discussões sobre juízo de gosto são extremamente complexas.
Não apenas pelas disputas normais entre o que cada indivíduo
considera ser belo, mas também pelas complexas relações
estruturais envolvidas na realização de um juízo de gosto. A
estética, criação de Baumgarten (1714-1762), é a ciência da
experiência sensível e, por conseguinte, o maior conhecimento
possível neste âmbito é o conhecimento do belo. Seguindo em
parte Baumgarten, Kant considerava a possibilidade de um
conhecimento sobre o belo que permitisse um juízo universal de
gosto que definisse a beleza indiscutível de algo. Porém, as
discussões dos iluministas sobre o belo não são resumidas tão
simplesmente em uma ciência sobre a experiência sensível ou em
uma teoria sobre o ato contemplativo. Ao contrário, elas são
desenvolvidas em variadas teorias sobre a relação entre o sujeito
e o objeto artístico e tornam-se mais complexas de tal maneira
que atingem o nível da pós-modernidade, envolvendo, por
exemplo, em Walter Benjamin o caráter cultural da arte e o papel
da indústria na produção desses novos objetos artísticos.
Resposta da questão 37: [E]
A ética kantiana não é utilitarista, a ética kantiana é usualmente
classificada como deontológica, isto é, a ética kantiana propõe
que as ações dos homens precisam ser guiadas por um senso de
dever, elas precisam de um caráter necessário para serem boas e
corretas. Já a ética utilitarista propõe que uma ação boa e correta
é aquela que maximiza a felicidade geral; Jeremy Bentham e John
Stuart Mill são seus maiores teóricos.
53
Resposta da questão 38: [A]
Em terminologia kantiana, a boa vontade é aquela cujo
voluntarismo é totalmente determinado por demandas morais
ou, como o filósofo normalmente se refere a isso, pela Lei Moral.
Kant distingue dois tipos de lei produzidos pela razão. Dado certo
fim que nós gostaríamos de alcançar, a razão pode proporcionar
um imperativo hipotético – uma regra contingente e
circunstancial como fundamento da ação – ou um imperativo
categórico – uma regra necessária e universal como fundamento
da ação. Como uma Lei Moral não pode ser meramente
hipotética, pois uma ação moral não pode ser fundada sobre um
propósito circunstancial, a moralidade exige uma afirmação
incondicional do dever de um indivíduo, ou seja, a moralidade
exige uma regra para ação que seja necessária e universal, ela
exige um imperativo categórico.
Resposta da questão 39: A oposição entre menoridade e
maioridade (ou autonomia) é o recurso alegórico utilizado para
falar sobre o estado do homem e o movimento Iluminista que
buscava retiraro homem deste estado. O homem, diz Kant, está
acomodado. Preguiçoso e covarde, o homem continua, mesmo
depois de adquirir plenas capacidades de ser autônomo (de se
dar a própria lei), servo da consciência de outros, das prescrições
de terceiros. Além da sua própria preguiça e covardia, o ato
mesmo de se tornar maior é visto como perigoso, o que faria a
libertação da tutoria uma escolha ainda menos provável. Enfim,
passar da menoridade para a maioridade é um ato de libertação
do homem das relações de tutela que direcionam opressiva-
mente o seu comportamento.
Estas aulas do professor Franklin comentam com primor a ideia
de autonomia presente no texto sobre o Iluminismo de Kant:
http://www.youtube.com/watch?v=9a9kWxpnjWk
http://www.youtube.com/watch?v=lT_3ibYFeqw
Resposta da questão 40: Primeiramente, devemos ter
consciência da perversidade dessa questão. No caso de A, o
observador, se for seguir a regra moral kantiana, simplesmente
não poderá tomar nenhuma das decisões indicadas no
enunciado, pois em ambos os casos a sua ação não poderá ser
universalizada. Se ele proteger o indivíduo que está na outra
linha de trem, ele matará todos os outros que estão trabalhando
desprevenidos; e se ele salvar todos os outros ele irá, todavia,
assassinar o que está inocentemente na linha ao lado. Portanto,
ele não teria como universalizar a sua ação, pois esta ação
sempre realizaria um homicídio e é impensável a universalização
de uma ação que cause um homicídio. No caso de B, o raciocínio
é similar, pois se a ação escolhida deve ser aquela cuja felicidade
dos envolvidos seja a maior possível, então, como todas as
escolhas do observador afetam fatalmente pelo um dos
envolvidos, não seria possível para o observador escolher uma
ação que resulte na felicidade de todos os envolvidos.
Resposta da questão 41: [C]
A dialética hegeliana, basicamente, expõe a natureza do real como
processo, isto é, que tal natureza seja em si infinita e desenvolvida
através de contradições – não por outro motivo, Heráclito é
considerado o primeiro filósofo. Utilizando uma forma triádica,
inspirada na filosofia de Kant e Fichte, Hegel pretendeu demonstrar
uma nova noção de ciência que superasse seus antecessores.
Para uma ótima apresentação do pensamento hegeliano:
http://www.youtube.com/watch?v=tEg1jiXh_lc
Resposta da questão 42: 01 + 02 + 04 + 16 = 23.
A estrutura da lógica hegeliana é triádica, esta estrutura reflete a
organização de um sistema filosófico mais amplo e da lógica
sobre sua variedade de motivos internos e externos. A divisão da
lógica é a seguinte: 1) doutrina do ser, 2) doutrina da essência e
3) doutrina do conceito. Na doutrina do ser, Hegel explica o conceito
de "ser-por-si" como uma auto-relação que resolve a oposição entre
o próprio e o outro na "idealidade do finito". Na doutrina da
essência, Hegel explica as categorias de ato e liberdade. Ele diz que
ato é a unidade de "essência e existência" e argumenta que isso não
descarta a atualidade de ideias que se tornam atualizadas realizando-
se na existência externa. E define a liberdade como a "verdade da
necessidade", ou seja, a liberdade pressupõe a necessidade no
sentido de que a própria ação e a reação providenciam uma
estrutura da ação livre. Na doutrina do conceito trabalha-se o
conceito em função da subjetividade, da objetividade e da
articulação entre subjetividade e objetividade. O conceito subjetivo
contém três funcionalidades: universalidade, particularidade e
individualidade. Essas três funções operam de acordo com um
movimento "dialético" progressivo do primeiro para o terceiro e na
totalidade expressam o conceito de individualidade. As funções
relacionam logicamente os juízos, porém não dizem respeito apenas
às operações mentais, mas também explicam as próprias relações
reais.
Para uma noção geral:
http://www.youtube.com/watch?v=tEg1jiXh_lc
http://www.youtube.com/watch?v=j9RIouTp-nE
Resposta da questão 43: 08 + 16 = 24.
É bem certo que o positivismo transformou o conhecimento
científico em uma estrutura rígida que serve funcionalmente para
a produção do conhecimento verdadeiro sobre o universo. Essa
naturalização do proceder científico cristaliza aquilo que não
pode e nem deveria ser cristalizável, pois como bem sabemos a
ciência não é construída sobre um simples consenso. Ora, é certo
que há uma redução do conhecimento verdadeiro à concepção
de ciência desse positivismo, porém não é tão certo assim que a
ciência não seja a única interpretação válida do real. Há uma
distância bem grande entre dizer que a ciência não oferece a
única interpretação do real e dizer que ela não é a única
interpretação válida do real. A distância está no fato de que não
há, pelo próprio estilo discursivo do texto citado, qualquer
critério bem estabelecido que defina exatamente o que qualifica
uma interpretação como boa. Então, se eu não sei exatamente o
que é uma boa interpretação do real, como eu poderia afirmar
que a ciência não é a única válida? Para fazer uma avaliação
sobre qual interpretação é válida ou não eu deveria ter um
conjunto de critérios muito bem expostos e sustentados, porém
se eu não os tenho, então eu também não deveria realizar tal
avaliação, e sim suspender o juízo. O que é possível dizer é: a
ciência não é a única interpretação possível do real; mas, se
houvessem critérios bem estabelecidos, talvez ela fosse a única
interpretação válida do real. Afinal, nem tudo que é possível é
necessariamente válido.
Resposta da questão 44: [C]
A crítica cristã ao existencialismo é evidentemente direcionada
ao seu ateísmo. Todos nós conhecemos a máxima de Dostoievski:
“se Deus não existe, então tudo é permitido”, e sabemos que ela
aceita por Sartre. Em contrapartida, a Igreja acusa o
existencialismo de provocar uma distorção da realidade, de
suprimir valores divinos que são eternos e inquestionáveis, de
propor que cada um poderia agir livre sem valores para guiar sua
ação, pois o homem é incapaz de julgamento justo sobre coisas
alheias, afinal o indivíduo fecha-se em sua subjetividade.
Todavia, é importante ressaltar que o existencialismo garante
uma abertura e cria um vínculo de responsabilidade absoluta
entre o sujeito e as ações que ele realiza. O valor de uma decisão
está no fato de ter sido escolhida pelo sujeito. O homem, livre,
escolhe seus valores e se responsabiliza por suas escolhas. O
existencialismo é, então, otimista, pois, proporciona que cada
indivíduo escolha e siga seus próprios ideais, verdadeiramente
seus e dos quais pode responsabilizar-se totalmente.
54
Resposta da questão 45: 04 + 08 = 12.
Para Sartre todo agente possui naturalmente liberdade ilimitada.
Essa afirmação pode parecer confusa, pois observamos
corriqueiramente nossas limitações. Não possuímos liberdade
ilimitada para fazermos tudo o que desejamos, nem fisicamente e
nem socialmente. Porém, essas limitações são dados os quais o
ser para-si como transcendência supera, isto é, através da
conscientização de uma situação nos movemos para além dela. A
fundamentação ontológica da liberdade é justamente este fato
de que o homem está situado, porém sempre é mais do que esta
situação. Desse modo, podemos escolher livremente,
espontaneamente e sem motivos fundamentais, durante nossas
vidas entre, por exemplo, aceitar as nossas condições sociais
precárias ou modificar estas condições, entretanto a
consequência dessa escolha livre sempre será significativa ao ser
para-si. De tal modo que a liberdade é escolher, todavia nunca
deixar de não escolher e sempre se responsabilizar pela escolha.
Para uma noção geral:
http://www.youtube.com/watch?v=Z2XPHjSYBfw
Resposta da questão 46: [B]
A escolha, na concepção sartreana, se refere à vida e esta é a
expressão de um projeto que se desdobra no tempo. Esseprojeto
não é algo próprio do qual se pode ter um conhecimento óbvio,
sendo assim o projeto é uma interpretação possível e as escolhas
específicas de um indivíduo são, portanto, temporais, derivações
de um projeto original desenrolado temporalmente.
Esse desenrolar é descrito pela ontologia de Sartre. Nesta ele diz
que o ser em-si e o ser para-si possuem características
mutuamente exclusivas, todavia a vida do homem combina
ambas. Aí se encontra a ambiguidade ontológica da nossa
existência. O em-si é sólido, idêntico a si mesmo, passivo, inerte;
já o para-si é fluido, diferente de si mesmo, ativo, dinâmico. O
primeiro apenas é, o segundo é sua própria negação. De maneira
mais concreta podemos dizer que um é “facticidade” e o outro é
“transcendência”. O dado da nossa situação como falantes de
certa língua, ambientados em certo entorno, nossas escolhas
prévias e nós mesmo enquanto em-si constituem nossa
“facticidade”. Como indivíduos conscientes “transcendemos” isso
que é dado. Ou seja, somos situados, porém na direção da
indeterminação. Somos sempre mais do que a situação na qual
estamos e isto é o fundamento ontológico de nossa liberdade.
Estamos, como Sartre diz, condenados a ser livres.
Então, o existencialismo é um humanismo, pois é a única
doutrina que abre totalmente a possibilidade de escolha ao
homem. Se Deus não existe e a existência precede a essência, isto
é, o homem não é nada até que ele livremente se defina durante
sua vida, então o ser possui fundamentalmente liberdade. O ser
aparece no mundo e depois se define; não há natureza humana
pré-concebida por Deus. O homem é um lançar-se para um
futuro, é se projetar conscientemente no futuro. Desse modo, o
existencialismo deve pôr o homem no interior de sua existência e
lhe atribuir a total responsabilidade por suas escolhas.
Resposta da questão 47: 01 + 04 + 16 = 21.
Para Merleau-Ponty, a corporeidade possui intrinsecamente uma
dimensão de expressividade. O sujeito encarnado assume uma
posição na qual as ações que realiza transcendem o orgânico do
corpo para produzir a sua vida cultural. A linguagem, portanto,
possui uma centralidade fundamental na realização do ego, pois
não apenas expressa aquilo que intrinsecamente faz parte do
corpóreo, mas também estabelece a significação segundo a qual
o sujeito se realiza como coisa cultural.
Resposta da questão 48: [C]
Três características fundamentais do pensamento promovido
pelo Círculo de Viena são o Empirismo, o Positivismo e o uso de
um método nomeado Análise Lógica. As duas primeiras
características afirmam que apenas através da experiência se
obtém conhecimento, e a terceira característica apresenta um
método de esclarecimento sobre a estrutura dos problemas
filosóficos através, em grande medida, da lógica simbólica.
Resposta da questão 49: 02 + 04 + 08 = 14.
É bastante estranho pensar que os problemas sobre o ser em si, que
só podem ser especulativos, sejam resolvíveis no âmbito da ação e
da moral. Outra coisa estranha no texto citado é a vinculação de
Deus, liberdade e imortalidade à questão do ser em si, afinal eu
posso me perguntar sobre o ser em si de uma pedra e cair, também,
nos mesmos problemas de não saber o que isto é realmente, ou
sequer se isto, com efeito, existe. O que há por detrás da aparência
sensível? O ser em si é aquilo que está fora de nossa percepção do
fenômeno e neste lugar estão as coisas que não sabemos sobre a
matéria, e nem podemos saber. O ser em si não é resolvível em parte
alguma. A posição da filosofia perante o ser em si é de silêncio, no
máximo se abdica desse silêncio se a razão força-la com um
imperativo irresistível, porém mesmo nesse caso o verdadeiro
filósofo abre a possibilidade do ceticismo e impede a petrificação do
seu discurso.
Deus, liberdade e imortalidade são ideias que engendram questões,
talvez, sobre o ser em si.
O certo é dizer que nem tudo do que podemos ter alguma espécie de
conhecimento é material.
A razão prática se ocupa de juízos sintéticos a posteriori.
O conhecimento pode ser da ordem de coisas observáveis (enquanto
um trabalho efetivo do cérebro em intelectualizar a sensibilidade) e
coisas inobserváveis (enquanto um trabalho imaginativo e racional
do cérebro que manipula aquilo obtido através da experiência).
Resposta da questão 50: [A]
A confusão entre ética e moral traz alguns problemas,
principalmente para uma sociedade como a nossa que é tão
consciente da distinção entre filosofia e da religião. A ética e a
moral constituem idealizações dos nossos costumes, isto é, elas
formulam a maneira ideal segundo a qual nós deveríamos nos
comportar normalmente, porém elas não possuem origens
similares. É bastante importante sabermos diferenciar que a ética
é uma idealização proveniente da Filosofia, do pensamento de
Aristóteles especificamente, enquanto a moral é uma idealização
proveniente da Religião, do catolicismo especificamente. Então, é
sempre importante diferenciar a ética da moral, pois ambas
possuem princípios bastante distintos apesar de poderem dizer
coisas similares posteriormente.
Resposta da questão 51: [D]
O pensamento de Maquiavel define de acordo com a sorte as
nossas ações de todo tipo, sendo em um momento a própria
sorte um árbitro e noutro uma preocupação com a qual nos
conformamos. Agir bem é agir efetivamente perante as
circunstâncias. Não por outro motivo a história é muito
importante para Maquiavel, pois é através dela que encontramos
exemplos de homens que agiram efetivamente perante as
adversidades e obtiveram resultados que contornaram o poder
devastador da sorte. Neste contexto, virtù não pode ser a virtude
de um homem bom como a filosofia antiga especulou, mas sim
aquelas qualidades que o homem possui capazes de fazê-lo
superar os eventuais percalços e se impor perante qualquer
sorte. No caso do Príncipe, a virtù constitui aquele conjunto de
qualidades pessoais necessárias para a manutenção do estado e a
realização de grandes feitos, mesmo que estas qualidades sejam
eventualmente cruéis
55
Resposta da questão 52: 02 + 04 + 08 + 16 = 30.
A presente questão apresenta uma boa conceituação a respeito dos
mitos nas sociedades humanas. Longe de significar pura fantasia, os
mitos possuem uma coerência lógica e simbólica que torna a sua
narrativa significativa para aqueles que pertencem à cultura na qual
o mito é inserido. Os mitos, portanto, servem para explicar a origem
das coisas, a coerência do mundo, as condutas humanas e para situar
o homem no mundo em que vive.
Resposta da questão 53: [A]
A questão diz respeito ao papel dos poetas na cultura grega clássica.
Sendo eles inspirados pelos deuses, são responsáveis pela
transmissão dos mitos e da memória aos homens. Todas as
alternativas, com exceção da [A], fazem referência a características
que não são próprias da atividade dos poetas gregos.
Resposta da questão 54: [E]
Somente a alternativa [E] está incorreta. O conhecimento mítico
não se pauta na reflexão, mas na autoridade do narrador. No
caso da Grécia Antiga, é a filosofia que surge como forma de
pensamento que apresenta a racionalidade como componente
definidora do seu próprio modo de ser.
Resposta da questão 55: [D]
Santo Tomás de Aquino separa a fé e a razão, garantindo que
cada uma tenha o seu mérito. A fé é meritosa quando trata das
questões relacionadas com o divino; já a razão é meritosa quando
trata das questões relacionadas com a natureza. A fé não possui
mérito para tratar das questões que a razão é capaz de indicar
provas suficientes, do mesmo modo a razão não possui mérito
para tratar daquilo que é questão de fé.
Porém, Tomás de Aquino também afirma que as verdades
doutrinais – aquelas que dependem da fé – são geralmente
confirmadas pela razão, de tal maneira que a razãopode ser útil
para o fortalecimento da fé. O uso da razão persuasiva pode,
então, servir à fé, fortalecendo a crença ou convencendo o
descrente da verdade revelada cristã.
Resposta da questão 56: 01 + 04 + 08 + 16 = 29.
Santo Tomás, retomando a sua maneira a política de Aristóteles,
distingue as formas de governo em formas injustas e formas
justas: 1) dentre as injustas, estão: a tirania, a oligarquia e a
democracia, sendo a primeira o uso do poder através da força de
um, a segunda através da força de poucos e a terceira através da
força de muitos; na oligarquia alguns poucos ricos oprimem os
pobres e na democracia os muitos pobres oprimem os ricos;
2) dentre as justas, estão: a monarquia, a aristocracia e a política;
todas estas formas justas se caracterizam pelo uso do poder para
o favorecimento do coletivo, sendo assim, o rei de uma
monarquia usa o poder para bem guiar seus governados, os
homens bons de uma aristocracia usam o poder para bem guiar a
cidade e, do mesmo modo, a coletividade constituída de homens
que fazem bom uso da razão.
Por conseguinte, o rei é um dirigente cuja finalidade de sua ação
é dirigir a cidade para o bem da coletividade e nunca para o seu
próprio favorecimento.
“Do que foi dito, fica claro que pertence à noção de rei que ele é
único, que governa e que é um pastor que busca o bem comum
da coletividade e não o seu interesse próprio”. (AQUINO,Sto.
Tomás de. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: Antologia de
textos filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 670)
Resposta da questão 57: [E]
A teoria agostiniana, a respeito do conhecimento, é chamada de
Teoria da Iluminação. Segundo ela, o homem conhece a verdade
das coisas a partir da iluminação divina sobre a sua alma. Desta
forma, somente a alternativa [E] está correta.
Resposta da questão 58: [C]
Percebemos claramente pela passagem citada que o pensamento de
Maquiavel regula de acordo com a sorte as nossas ações de todo
tipo, sendo em um momento a própria sorte um árbitro e noutro
uma preocupação com a qual nos conformamos. Agir bem é agir
efetivamente perante as circunstâncias. Não por outro motivo a
história é muito importante para Maquiavel, pois é através dela que
encontramos exemplos de homens que agiram efetivamente
perante as adversidades e obtiveram resultados que contornaram o
poder devastador da sorte. Neste contexto, virtù não pode ser a
virtude de um homem bom como a filosofia antiga especulou, mas
sim aquelas qualidades que o homem possui capazes de fazê-lo
superar os eventuais percalços. No caso do Príncipe, a virtù constitui
aquele conjunto de qualidades pessoais necessárias para a
manutenção do estado e a realização de grandes feitos, mesmo que
estas qualidades sejam eventualmente cruéis.
Resposta da questão 59: [E]
A Declaração de Independência dos Estados Unidos traz consigo
muitos elementos do liberalismo proposto por John Locke, o que
se percebe claramente no seu segundo parágrafo. De fato, ainda
hoje o ideal liberal demonstra ser uma característica bastante
arraigada no pensamento político norte-americano.
Resposta da questão 60: [E]
O pensamento de Locke é reconhecido como a fundação da
tradição liberal. Nesta questão, dois conceitos fundamentais
dessa tradição são articulados, a saber, o conceito de liberdade e
o conceito de propriedade. E, para ser livre, há a necessidade de
regular e restringir a própria liberdade total, apenas assim é
possível a fruição tranquila da propriedade.
Resposta da questão 61: [D]
A única alternativa que apresenta uma afirmação de John Locke é
a [D]. Ele pode ser considerado como o iniciador da teoria do
conhecimento, sendo um dos grandes pensadores do empirismo.
Sobre a origem das ideias, Locke afirma que elas provêm ou das
coisas materiais externas, ou das operações de nossas mentes.
Resposta da questão 62: [B]
John Locke (1632-1704) é considerado o patrono do liberalismo
clássico. O liberalismo é uma ideologia que promove a liberdade
da sociedade civil exigindo que o governo seja limitado
constitucionalmente, que as liberdades individuais sejam
garantidas, que a expressão do cidadão seja livre, que o mercado
não seja regulado pelo governo, que a propriedade privada seja
garantida, que o mercado não seja regulado pelo governo, etc.
Montesquieu (1689-1755) é um filósofo político cuja obra O
Espírito das Leis formula uma teoria sobre a tripartição dos
poderes (executivo, judiciário e legislativo). Segundo esta teoria
os poderes estariam separados, e seriam interdependentes.
Assim se buscava resolver o problema do favorecimento daquele
que estivesse hegemonicamente no poder garantindo que os
poderes podassem uns aos outros.
Resposta da questão 63: 01 + 08 + 16 = 25.
A concepção de John Locke sobre propriedade é geralmente
considerada estar entre uma de suas maiores contribuições para
o pensamento político, mas é também um dos aspectos mais
criticados de seu pensamento. Existem debates importantes
sobre o que exatamente Locke desejava alcançar com a sua
teoria. Uma linha de raciocínio, por exemplo, poderia supor que
Locke é um defensor de uma acumulação capitalista irrestrita.
Outra, já poderia supor que Locke inclui um dever de caridade
por parte daqueles que possuem riquezas, restringindo desta
maneira a acumulação. É uma leitura difícil, porém, é consensual
que a propriedade provém do trabalho e que o trabalho é a única
justificativa da posse.
56
Resposta da questão 64: [B]
A estrutura da lógica hegeliana é triádica, que reflete a organização
de um sistema filosófico mais amplo e da lógica sobre sua variedade
de motivos internos e externos. A divisão da lógica é esta: 1) a
doutrina do ser, 2) a doutrina da essência e 3) a doutrina da noção
(ou do conceito). Na doutrina do ser, por exemplo, Hegel explica o
conceito de "ser-por-si" como uma autorrelação que resolve a
oposição entre o próprio e o outro na "idealidade do finito". Na
doutrina da essência, Hegel explica as categorias de ato e liberdade.
Ele diz que ato é a unidade de "essência e existência" e argumenta
que isso não descarta a atualidade de ideias que se tornam
atualizadas, realizando-se na existência externa. Também define a
liberdade como a "verdade da necessidade", ou seja, a liberdade
pressupõe a necessidade no sentido de que a própria ação e a reação
providenciam uma estrutura da ação livre. Na doutrina do conceito
trabalha-se o conceito em função da subjetividade, da objetividade e
da articulação entre subjetividade e objetividade. O conceito
subjetivo contém três funcionalidades: universalidade,
particularidade e individualidade. Essas três funções operam de
acordo com um movimento "dialético" progressivo do primeiro para
o terceiro e na totalidade expressam o conceito de individualidade.
As funções relacionam logicamente os juízos, porém não dizem
respeito apenas às operações mentais, mas também explicam as
próprias relações reais.
Resposta da questão 65: 01 + 02 + 08 + 16 = 27.
Sobre as teorias políticas de Marx e Hegel, todas as afirmativas
estão corretas, com exceção da [04]. Marx é um materialista, que
considera o Estado como expressão da dominação burguesa
sobre a sociedade. Hegel, inversamente, considera que no Estado
é que se manifesta historicamente a liberdade. Segundo ele, o
Estado é um todo que representa a unidade, sendo, por isso,
maior que a sociedade civil.
Resposta da questão 66: 02 + 04 + 08 = 14.
A fenomenologia, disciplina fundada pelo filósofo alemão Edmund
Husserl, buscava estudar as experiências de acordo com seu aspecto
de aparição. Em última instância, a fenomenologia é uma ciência
sobre a consciência, pois busca compreender as características
estruturantes da própria experiência.
Vale lembrar que deus faz parte, por exemplo, dafilosofia cartesiana
como fundamento da relação entre sujeito e objeto garantindo que o
engano não aconteça, pois o mundo possui uma persistência
baseada na perfeição divina. Sempre que jogo uma bola de futebol
para cima ela cairá e repousará no chão, e posso inferir isto com
segurança, pois o mundo foi feito através de cálculos de um intelecto
perfeitíssimo. A partir do momento em que Kant aponta o
psicologismo da prova cartesiana da existência de deus e a própria
ciência demonstra certa incapacidade de resolução absoluta das
questões sobre a natureza, passa a ser necessária uma reflexão sobre
as fundações do conhecimento e uma reformulação, ou
reconsideração, do postulado cartesiano.
Resposta da questão 67: [C]
O mito corresponde a uma forma de conhecimento não
sistemático presente em todas as sociedades humanas. Ainda
que a sociedade ocidental tenha passado por um período de
racionalização e de rejeição do mito, este ainda perdura, sendo
muitas vezes guia das ações humanas. Vale ressaltar que desde
os estudos do estruturalismo, o mito vem sendo tomado com
mais seriedade enquanto elemento de organização do
pensamento e da própria constituição da sociedade.
Resposta da questão 68: [C]
Somente a alternativa C é correta. Com significado de invisível,
Hades corresponde ao deus grego do mundo subterrâneo e dos
mortos. O deus das águas é Poseidon, da beleza é Afrodite e da
guerra é Ares.
Resposta da questão 69: [C]
A concepção de Deus para Platão era de um Deus do intelecto, para
Agostinho este conceito cai totalmente, para ele, Agostinho, Deus
pode estar nos dois lugares ao mesmo tempo; tanto no intelecto,
quanto criador do mundo da natureza como ser criador de todas as
coisas. Tal concepção do homem provinha de Platão, para o qual o
homem é definido como uma alma que se serve de um corpo.
Agostinho mantém esse conceito com todas as consequências lógicas
que ele comporta. Assim, o verdadeiro conhecimento não seria a
apreensão de objetos exteriores ao sujeito, devido à sua
variabilidade, e sim, a descoberta de regras imutáveis, como o
princípio ético segundo o qual é necessário fazer o bem e evitar o
mal. Tal conhecimento se refere às realidades não sensíveis cujo
caráter fundamental seria a necessidade, pois são o que são e não
podiam ser diferentes.
Agostinho supera o ceticismo mediante o iluminismo platônico.
Inicialmente, ele conquista a certeza da própria existência espiritual,
e deste conceito tira uma verdade particular, de que Deus enquanto
verdade onipotente, onisciente pode estar em dois lugares ao
mesmo tempo. Embora desvalorize o conhecimento platônico da
sensibilidade em relação ao conhecimento intelectual, admite
Agostinho que os sentidos, como o intelecto são fonte de
conhecimento. Para Agostinho, a fé e a razão complementam-se na
busca da felicidade e da graça. A graça, para ele, não é alcançada por
procedimento intelectual, mas por ato de intuição e fé. Mas a razão
se relaciona com a fé no sentido de provar a sua correção. Ou seja, a
fé é precedida por certo trabalho da razão e, após obtê-la, a razão a
sedimenta. A razão relaciona-se, portanto, duplamente com a fé. É
necessário compreender para crer, e crer para compreender. Aqui se
percebe que, para Agostinho, a filosofia é apenas um instrumento
destinado a um fim que transcende seus próprios limites.
Resposta da questão 70: 01 + 02 + 16 = 19.
As afirmações [04] e [08] são falsas. Para Hegel, a base do artista
é o Absoluto e a arte se inclui em uma história que está longe de
ser cíclica. Para ele, a história tem um sentido, a do progresso do
Espírito. “A arte está incluída nesta história: exprime, como a
religião e a filosofia, o modo como o espírito chega a superar a
oposição ou a contradição entre a matéria e a forma, entre o
sensível e o espiritual. (...) Em Hegel, o belo é a própria realidade
concreta apreendida no seu desdobramento histórico. Quando
esta realidade toma a forma sensível do belo artístico, determina
o Ideal do belo artístico. E este Ideal do belo aparece na história
de três formas fundamentais: a arte simbólica, a arte clássica e a
arte romântica. (...) É na arte romântica - a última forma
particular de arte - que a espiritualidade atinge seu máximo. A
arte romântica é uma arte da interioridade absoluta e da
subjetividade consciente de sua autonomia e de sua liberdade. A
representação do divino, do ‘reino de Deus’ abandona qualquer
referência à natureza, à realidade sensível. (...) Esta arte
romântica produz obras poderosas, na pintura, música, mas
sobretudo no domínio da criação literária e poética: Dante,
Cervantes, Shakespeare até Goethe e Schiller.”
(Fonte: L'Autonomie esthétique, Du Criticisme au romantisme, p. 181.
Tradução de Mirian Magda Giannella. [on-line]
http://giannell.sites.uol.com.br/HEGEL.htm#_ftn1. Acesso em
09/09/2011).
Resposta da questão 71: [D]
Agostinho faz das Ideias os pensamentos de Deus e rejeita a
doutrina da reminiscência que supõe a preexistência da alma que
exclui a possibilidade do criacionismo, típico da teoria agostiniana
que segundo alguns autores é a doutrina platônica transformada
no criacionismo com aquela luz de que falam nas Sagradas
Escrituras que orientam a inteligência humana que é dom de
Deus e em Platão, é uma lembrança da alma enquanto
contempladora do mundo das essências.
57
Resposta da questão 72: [B]
A única alternativa possível é a B, pois somente ela expressa, por
meio da citação de Santo Agostinho, a tese do determinismo, isto
é, que a vida humana está fadada a ser governada por forças
superiores, restando ao homem pouca liberdade para alterar seu
destino, pois mesmo que ele tente mudar o rumo das coisas não
conseguirá mudar seu futuro, sendo exatamente essa a
mensagem que o mito Édipo Rei tenta transmitir.
Resposta da questão 73: 02 + 16 = 18.
A afirmação [01] é falsa porque corresponde à visão clássica de
sensação, definida pelo empirismo e pelo racionalismo, ou seja,
como causalidade do tipo estímulo-resposta. Merleau-Ponty, ao
contrário, pensava a sensação em movimento, relacionada à
atividade corpórea de um corpo criador de sentido. A afirmação
[04] é errada, já que contraria os pressupostos fenomenológicos
acerca da consciência. Por fim, a asserção [08] é falsa, pois
consciência, para Merleau-Ponty, corresponde ao ser no
mundoenão o resultado de um esforço intelectual.
Resposta da questão 74: [A]
A alternativa [A] é a única incorreta. Isso porque ela desconsidera
as contradições próprias do sistema capitalista, tal como está
expresso na alternativa [C].
Resposta da questão 75: [B]
Karl Marx foi quem se preocupou com esse tipo de necessidade
econômica. O capitalismo força a comercialização dos produtos para
sustentar o constante aumento da produção de mercadorias. Marx
analisa todos esses fenômenos atentando para a estrutura de
exploração do homem pelo homem neste processo produtivo. Seu
grande intuito, portanto, é desvelar o modo de funcionamento do
capitalismo para criticá-lo e superá-lo.
Resposta da questão 76: [B]
A reprodução assistida é favorecida tanto pelas mudanças
econômicas quanto pelas culturais e tecnológicas. Esses são
alguns fatores que fazem com que as pessoas modifiquem a sua
relação com os corpos e com a reprodução.
Resposta da questão 77: [C]
Somente as afirmativas III e IV estão corretas. A afirmativa I está
incorreta porque a “sociedade da informação” não é capaz de,
por si só, aumentar a igualdade social. Já a afirmativa II está
incorreta porque não existe, para a sociologia, o conceito de
modo de produção pós-moderno.
Resposta da questão 78: [D]
A alternativa [D] é a única incorreta. Patrocinadores, grandes
investidores e instituições como a FIFA são as corporações que
mais lucram com a realizaçãodispomos de nada para substituí
outras palavras, a Filosofia se interessa por aquele
sociedade) tomam-se problemáticos, estranhos, incompreensíveis e enigmáticos e sobre os quais as opiniões disponíveis já não nos
podem satisfazer. Ela se volta preferencialmente para os momentos de crise no pensamento, na linguagem e na ação, pois esses
momentos críticos tomam manifesta a necessidade de fundamentação das ideias, dos discursos, dos valores, dos comportamentos e
das ações.
Os objetos da indagação filosófica são o pensamento, a linguagem e a ação, e as três indagações podem ser resumidas
numa única questão: o que é pensar, falar e agir?Se nos lembrarmos de que o ponto de partida da atitude filosófica é a crise de
nossas crenças e opiniões cotidianas, essas três questões terão como pressuposto uma pergunta, qual seja: aquilo que pensamos
dizemos e fazemos em nossas crenças e opiniões cotidianas constituem ou não um pensamento verdadeiro, uma linguagem
coerente e uma ação dotada de sentido? Qual a validade do senso comum?Podemos agora reunir e diferenciar as questões postas
pela atitude filosófica e aquelas postas pela reflexão filosófica.A atitude filosófica indaga: o que é? Como é? Por que é? Para que é?,
Dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e que com ele se relacionam. São perguntas sobre a
essência e significação das coisas e dos seres humanos (o que é?); sobre a estrutura do mundo e das relações entre os humanos
(como é?); sobre a origem do mundo e das relações entre os humanos (por que é?); e sobre a finalidade (para que é?) de todas
coisas. É um saber sobre a realidade exterior ao pensamento.Por sua vez, a reflexão filosófica, ou o "conhece
se ao pensamento, à linguagem e à ação, ou seja, volta
finalidade de conhecer, falar e agir, próprias dos humanos. É um saber sobre os humanos como seres pensantes, falantes e agentes,
ou seja, sobre a realidade interior aos seres humanos, bem como sobre as relações que estabelecem entre si.A partir do que vo
até agora, analise o esquema ilustrativo abaixo.
ATITUDE FILOSÓFICA (PENSAR, FALAR E AGIR)
vindas à Filosofia. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. (Filosofias: o prazer do pensar) p. 17
a primeira característica da atitude filosófica é negativa: é um dizer "não" ao senso comum,
a crenças, opiniões e valores recebidos na experiência cotidiana; é recusar o "é assim mesmo" e o "é o que todo mundo diz e
se dos preconceitos, colocando entre parênteses nossas crenças e opiniões para indagar quais são
A segunda característica da atitude filosófica é positiva: é uma interrogação sobre
comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o
disso tudo e de nós próprios. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.Se
de filosófica, deparamos com a atitude crítica.
se julgar que a palavra "critica" significa "ser do contra", dizer que tudo vai mal, tudo está errado
ou é feio ou é desagradável. "Crítica" parece significar mau humor e coisa de gente chata ou pretensiosa, que imagina saber mais e
melhor que os outros. Ora, a palavra "crítica", exatamente como a palavra "crise", vem do verbo grego
capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de todas as coisas sem preconceito ou prejulgamento; 3)
atividade de examinar e avaliar detalhadamente alguma coisa (uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra de
arte ou de pensamento). São esses os sentidos da atividade filosófica como atitude crítica.
A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia a dia para que possam ser avaliados racional e
criticamente. Por isso começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Esse foi o principal ensinamento do patrono
ofia, Sócrates, quando afirmou que começamos a buscar o conhecimento verdadeiro apenas quando somos capazes de
dizer: "Só sei que nada sei."Dessa maneira, podemos dizer que o filosofar se inicia no momento em que tomamos distância com
ezas cotidianas e não dispomos de nada para substituí-Ias ou para preencher a lacuna deixada por elas. Em
outras palavras, a Filosofia se interessa por aquele instante em que o mundo das coisas (a Natureza) e o mundo dos humanos (a
lemáticos, estranhos, incompreensíveis e enigmáticos e sobre os quais as opiniões disponíveis já não nos
podem satisfazer. Ela se volta preferencialmente para os momentos de crise no pensamento, na linguagem e na ação, pois esses
nifesta a necessidade de fundamentação das ideias, dos discursos, dos valores, dos comportamentos e
Os objetos da indagação filosófica são o pensamento, a linguagem e a ação, e as três indagações podem ser resumidas
pensar, falar e agir?Se nos lembrarmos de que o ponto de partida da atitude filosófica é a crise de
nossas crenças e opiniões cotidianas, essas três questões terão como pressuposto uma pergunta, qual seja: aquilo que pensamos
crenças e opiniões cotidianas constituem ou não um pensamento verdadeiro, uma linguagem
coerente e uma ação dotada de sentido? Qual a validade do senso comum?Podemos agora reunir e diferenciar as questões postas
a reflexão filosófica.A atitude filosófica indaga: o que é? Como é? Por que é? Para que é?,
se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e que com ele se relacionam. São perguntas sobre a
seres humanos (o que é?); sobre a estrutura do mundo e das relações entre os humanos
(como é?); sobre a origem do mundo e das relações entre os humanos (por que é?); e sobre a finalidade (para que é?) de todas
or ao pensamento.Por sua vez, a reflexão filosófica, ou o "conhece
se ao pensamento, à linguagem e à ação, ou seja, volta-se para os seres humanos. Suas questões se referem à
ias dos humanos. É um saber sobre os humanos como seres pensantes, falantes e agentes,
ou seja, sobre a realidade interior aos seres humanos, bem como sobre as relações que estabelecem entre si.A partir do que vo
tivo abaixo.
5
(PENSAR, FALAR E AGIR)
São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010. (Filosofias: o prazer do pensar) p. 17- 24.
característica da atitude filosófica é negativa: é um dizer "não" ao senso comum,
a crenças, opiniões e valores recebidos na experiência cotidiana; é recusar o "é assim mesmo" e o "é o que todo mundo diz e
tos, colocando entre parênteses nossas crenças e opiniões para indagar quais são
característica da atitude filosófica é positiva: é uma interrogação sobre o que são as
comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê e o
disso tudo e de nós próprios. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.Se
se julgar que a palavra "critica" significa "ser do contra", dizer que tudo vai mal, tudo está errado
chata ou pretensiosa, que imagina saber mais e
melhor que os outros. Ora, a palavra "crítica", exatamente como a palavra "crise", vem do verbo grego kriseine significa: 1)
s as coisas sem preconceito ou prejulgamento; 3)
atividade de examinar e avaliar detalhadamente alguma coisa (uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra de
A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia a dia para que possam ser avaliados racional e
criticamente. Por isso começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Esse foi o principal ensinamento do patrono
ofia, Sócrates, quando afirmou que começamos a buscar o conhecimento verdadeiro apenas quando somos capazes de
dizer: "Só sei que nada sei."Dessa maneira, podemos dizer que o filosofar se inicia no momento em que tomamos distância com
Ias ou para preencher a lacuna deixada por elas. Em
instante em que o mundo das coisas (a Natureza) e o mundo dos humanos (a
lemáticos, estranhos, incompreensíveisdesses grandes eventos esportivos.
Em contrapartida, há minorias que acabam inclusive por ser
prejudicadas, como aconteceu com a tribo Maracanã no Rio de
Janeiro, obrigada a deixar o terreno que ocupavam para a
construção de um museu olímpico.
Resposta da questão 79: [D]
A socialização dos indivíduos é um processo contínuo, que dura
toda a vida. Essa característica independe dos processos sociais
de competição ou mudança social, por exemplo. Além disso, vale
frisar que a socialização não está restrita a somente um espaço
social, mas se expande para diversos contextos diferentes.
Resposta da questão 80: 01 + 02 + 04 + 16 = 23.
Somente a afirmativa [08] está incorreta. O Estado se usa de suas
instituições para garantir que as vontades individuais se
submetam à ordem social, e não o inverso.
Resposta da questão 81: [B]
A alternativa [B] é a única correta. Um indivíduo que não se
socializa é um indivíduo que não aprende a linguagem social. Um
exemplo clássico é o chamado Victor de Aveyron, garoto que foi
encontrado em uma floresta francesa no século XVIII.
Resposta da questão 82: 01 + 08 + 16 = 25.
Somente as afirmativas [02] e [04] estão incorretas. A [02]
porque os governos democráticos são justamente os que mais
permitem espaços de contestação política. Já a [04] está
incorreta porque as pessoas não despolitizaram o processo
eleitoral, no texto.
Resposta da questão 83: F – V – F – V – V – F.
O tipo de trabalho existente na China é similar ao modelo
fordista-taylorista de produção. Como resultado disso, podemos
citar os altos custos ambientais e sociais, visíveis, sobretudo, pela
falta de condições de trabalho dessas pessoas. É importante
salientar que esse não é um problema somente chinês. No Brasil,
são constantes as denúncias de trabalhadores estrangeiros
vivendo em condições sub-humanas.
Resposta da questão 84: [B]
O texto de Marx faz referência àquilo que se convencionou
chamar de globalização: a expansão do capitalismo e de seu
desenvolvimento para todos os países do mundo.
Resposta da questão 85: [B]
Somente as afirmativas II e V não estão relacionadas com o
aumento do interesse em programas de intercâmbio. A
afirmativa II não é correta porque não há uma diminuição da
oferta de emprego qualificado, mas, sim, um aumento da
demanda por esse tipo de trabalho. A afirmativa V está incorreta
porque contradiz o fato do aumento do número de brasileiros
que fazem intercâmbio.
Resposta da questão 86: [B]
Todas as afirmativas são incorretas, com exceção da alternativa
[B]. As guerras, por existirem em diversos contextos históricos e
segundo os arranjos de organização social, de tecnologia e de
recursos disponíveis, apresentam-se como um fato social exterior
aos indivíduos (independe da sua vontade), coercitivo
(obrigando-os a estarem em guerra) e geral (se o país está guerra,
todos os membros do mesmo país também estão).
Resposta da questão 87: 01 + 04 + 08 = 13.
As afirmativas [02] e [16] são incorretas. As distinções de papéis
de gênero na sociedade não se dão por livre escolha, mas por
determinação sociais sobre as diferenças biológicas. Nesse
sentido é que não se pode dizer que em todas as sociedades
homens e mulheres possuem os mesmo papéis.
Resposta da questão 88: [A]
As afirmativas IV e V estão incorretas. A socialização está
profundamente relacionada à relação dos indivíduos com as
instituições sociais. Vale ressaltar também que a socialização
secundária depende da socialização primária e da internalização
de diversas normas sociais por parte dos indivíduos.
58
Resposta da questão 89: [A]
A discussão pacífica sobre a utilização do espaço público
corresponde a uma importante expressão de prática democrática
em contexto urbano.
Resposta da questão 90: [C]
Segundo Tocqueville, a principal característica da democracia é a
existência de igualdade de condições entre os cidadãos. É ela que
garante que todos possam viver uma vida livre e com o seu bem-
estar garantido.
Resposta da questão 91: [A]
Somente a afirmativa I é incorreta. Ainda que possa não parecer,
ela contraria tanto o texto do enunciado quanto a afirmativa IV.
O texto afirma que o Estado brasileiro, “tradicionalmente
privatizado pelos seus vínculos com grupos oligárquicos”, está
cedendo espaços para movimentos sociais e outros setores
democráticos. Com isso, esses setores estão criando novas
formas de exercício da cidadania e da democracia que vão além
da simples inserção no corpo do Estado. Sendo assim, esses
grupos questionam o monopólio estatal e procuraram criar novas
formas de ação política.
Resposta da questão 92: [C]
A democracia pode ser definida justamente como um sistema
político. Um dos seus princípios é o de que o poder emana do
povo. Sendo assim, ele deve participar do processo decisório, seja
diretamente ou indiretamente pela eleição de representantes.
Resposta da questão 93: [E]
A questão exige do aluno uma leitura correta da tabela e dos
dados ali contidos. Entre 2002 e 2011, a preferência pela
democracia e a conivência em relação aos regimes autoritários se
manteve. Apesar disso, a preferência pela democracia ainda
continua sendo maior. Sendo assim, a única alternativa que está
de acordo com esses dados é a [E]. Todas as outras apresentam
afirmativas que não são sustentadas pelos dados da tabela.
Resposta da questão 94: [A]
A presente questão pode ser respondida corretamente a partir
de uma boa interpretação do texto. O exercício da democracia
pressupõe não somente a atuação na esfera eleitoral, mas
também a organização popular em favor de uma causa e uma
reivindicação comum. Tal organização é uma das origens dos
movimentos sociais contemporâneos.
Resposta da questão 95: 01 + 02 + 04 + 08 = 15.
Somente a afirmativa [16] está incorreta. Ela contraria o fato de
que em nações como o Brasil houve, após a Segunda Guerra
Mundial, um período de democratização política.
Resposta da questão 96: [B]
[A] Incorreta. É o sistema toyotista, e não o taylorista, que
estimula o trabalho multifuncional.
[B] Correta. O sistema fordista tem como principal objetivo
aumentar o lucro do empresário, mediante uma melhor
divisão do trabalho, ocasionando a alienação do trabalhador.
[C] Incorreta. O trabalhador, no sistema fordista, está alienado
do produto do seu trabalho. Desta maneira, está impedido de
se satisfazer através daquilo que produzem.
[D] Incorreta. Historicamente percebeu-se que o sistema
toyotista não é capaz de evitar as demissões e a precarização.
Resposta da questão 97: 02 + 04 + 08 + 16 = 30.
Dentre as afirmações, somente a [01] é falsa. A família é
justamente uma das principais instituições sociais que exerce
coerção sobre os indivíduos. Além dela, existe a polícia, a religião,
o judiciário, a escola, entre outras. Vale ressaltar o papel do
Estado nesse processo, que formaliza institucionalmente tal
coerção.
Resposta da questão 98: 01 + 02 + 08 = 11.
No Brasil, somente 4% da população, que é muita rica, detém
grande parte da concentração de renda e os outros 97% da
população, independente da sua situação econômica, encontra-
se longe da participação desta, o que torna cada vez mais o Brasil
um país desigual, com interesses sociais distintos e o que agrava
a distribuição de renda e piora ainda mais as condições favoráveis
de sobrevivência.
Resposta da questão 99: [A]
Socialização pode ser compreendida como o processo pelo qual
os indivíduos, ao estarem em contato com as instituições sociais,
e por meio de relações sociais, incorporam as normas, valores,
comportamentos, símbolos e linguagens da sociedade em que
são inseridos. A síntese de tal definição está contida na
alternativa [A].
Resposta da questão 100: [A]Ainda que o estudante não conheça os nomes e as teorias dos
sociólogos citados na questão, é possível para ele respondê-la. As
instituições sociais são caracterizadas conforme o que está
escrito na alternativa [A]. Essa corresponde a uma definição
abrangente de instituições, o que pode incluir desde a linguagem
até formas de instituições fechadas, como conventos, quartéis e
prisões. Vale ressaltar que instituições, para a sociologia, não
podem ser confundidas com organizações filantrópicas.
Capa_Apostila Salomão.pdf
Página 1e enigmáticos e sobre os quais as opiniões disponíveis já não nos
podem satisfazer. Ela se volta preferencialmente para os momentos de crise no pensamento, na linguagem e na ação, pois esses
nifesta a necessidade de fundamentação das ideias, dos discursos, dos valores, dos comportamentos e
Os objetos da indagação filosófica são o pensamento, a linguagem e a ação, e as três indagações podem ser resumidas
pensar, falar e agir?Se nos lembrarmos de que o ponto de partida da atitude filosófica é a crise de
nossas crenças e opiniões cotidianas, essas três questões terão como pressuposto uma pergunta, qual seja: aquilo que pensamos,
crenças e opiniões cotidianas constituem ou não um pensamento verdadeiro, uma linguagem
coerente e uma ação dotada de sentido? Qual a validade do senso comum?Podemos agora reunir e diferenciar as questões postas
a reflexão filosófica.A atitude filosófica indaga: o que é? Como é? Por que é? Para que é?,
se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e que com ele se relacionam. São perguntas sobre a
seres humanos (o que é?); sobre a estrutura do mundo e das relações entre os humanos
(como é?); sobre a origem do mundo e das relações entre os humanos (por que é?); e sobre a finalidade (para que é?) de todas as
or ao pensamento.Por sua vez, a reflexão filosófica, ou o "conhece-te a ti mesmo", dirige-
se para os seres humanos. Suas questões se referem à capacidade e à
ias dos humanos. É um saber sobre os humanos como seres pensantes, falantes e agentes,
ou seja, sobre a realidade interior aos seres humanos, bem como sobre as relações que estabelecem entre si.A partir do que você leu
6
RESUMO IMPORTANTE
1. A atitude filosófica não é uma atitude natural. Qualquer
indivíduo de forma imediata face à realidade não começa a
examiná-la de forma especulativa. Pelo contrário, o que é
natural é que se centre na resolução problemas práticos, que
se guie pelo senso comum, tendo em vista resolver certas
necessidades imediatas ou interesses concretos (atitude
natural). Ninguém pode viver sem se adaptar constantemente
às condições do seu mundo. Estas exigências de sobrevivência
tendem, naturalmente a sobrepor-se a todas as outras
preocupações.
2.Embora o homem seja inseparável das suas circunstâncias,
não pode todavia ser reduzido a uma mero produto das
mesmas. Ele está permanentemente a ser confrontado com
novos problemas que o colocam perante novas situações
imprevisíveis, e que o obrigam a alargar os seus horizontes de
compreensão da realidade. Cada mudança pode representar,
assim, uma nova possibilidade para ampliar o conhecimento.
Trata-se de uma possibilidade, não algo que necessariamente tenha que acontecer a todos os homens nas mesmas
circunstâncias e em todas as ocasiões.
3. Estas mudanças frequentemente inquietam-nos ou maravilham-nos, despertando a nossa curiosidade sobre o porquê das
coisas, levando-nos a questionar o que nos rodeia. Ao fazê-lo estamos a distanciarmo-nos da realidade, que de repente se
tornou estranha ou mesmo enigmática. Esta atitude reflexiva, pode-nos conduzir a uma atitude mais radical, a atitude
filosófica.
4. A atitude filosófica se decorre do quotidiano, não é todavia ao mesmo redutível. Não é fácil caracterizá-la, dada a enorme
diversidade de aspectos que pode assumir. Vejamos apenas quatro aspectos que caracterizam a atitude filosófica: O espanto.
Aristóteles afirmava que a filosofia tinha a sua origem no espanto, na estranheza e perplexidade que os homens sentem
diante dos enigmas do universo e da vida. É o espanto que os leva a formularem perguntas e os conduz à procura das
respectivas soluções. Como refere EugenFink o espanto torna o evidente em algo incompreensível, o vulgar extraordinário.
A duvida. Ao filósofo exige-se que duvide de tudo aquilo é assumido como uma verdade adquirida. Ao duvidar este
distancia-se das coisas, quebrando desta forma a sua relação de familiaridade com as coisas. O que era natural torna-se
problemático. O que então emerge é uma dimensão inquietante de insatisfação e problematização. A reflexão começa
exactamente a partir do exame daquilo que se pensa ser verdadeiro. Se nunca duvidarmos de nada nunca saberes o
fundamento daquilo em que acreditamos, mas também jamais pensaremos pela nossa cabeça.
O rigor. O questionamento radical que anima o verdadeiro filósofo, não é mais do que um ato preparatório para
fundar um novo saber sobre bases mais sólidas. A crítica filosófica é por isso radical, não admite compromissos com as
ambiguidades, as ideias contraditórias, os termos imprecisos. A insatisfação. A filosofia revela-se uma desilusão para quem
quiser encontrar nela respostas para as suas inquietações. O que o aprendiz de filósofo encontra na filosofia são perguntas,
problemas e incitamentos para que não confie em nenhuma autoridade exterior à sua razão, para que duvide das aparências
e do senso comum. A única "receita" que os filósofos lhe dão é que faça da procura do saber um modo de vida. Não se
satisfaça com nenhuma conclusão, queira saber sempre mais e mais.
De acordo com a periodização mais aceita pelos historiadores, a Filosofia
� Filosofia Antiga: do séc.VI a. C até o séc.V d. C.;
� Filosofia Medieval: do Século V d. C. até o séc. XIV
� Filosofia Moderna: do Século XV/XVI, período da Renascença, passando pelos Sécs. XVII e XVIII, e
período do Iluminismo, séc. XVIII e metade do séc. XIX; e
� Filosofia Contemporânea: da metade do Século XIX até hoje.
Costumeiramente, admitem-se três fases na história da filosofia Antiga, que aconteceram sobretudo em Atenas e, depois,
em Roma:
� o período pré-socrático ou cosmológico, em que
causas das transformações da natureza;
� o período socrático ou antropológico, ocorrido
principais são Sócrates, Platão e Aristóteles,em que o objeto de estudo da filosofia passa a ser o
política e moral, e sua capacidade
� o período helenístico ou greco-romano, entre o
se a supremacia da visão cristã,sobretudo com o pensamento de Santo Agostinho.
acreditar em soluções mais coletivas para a vida humana e se começa a introduzir
consolidando-se uma nova ética e uma política que deixa de ser vista como boa. É o
doutrinas dos estóicos, dos epicuristas e dos céticos. Neste período, as doutrinas
ter sua sede em Atenas, e Roma passara a ser o lugar em que tais doutrinas
modificando-se.
Atitude Filosófica
Espanto
Dúvida
Problematização
Atitude Reflexiva
Atitude passiva perante as coisas
Distanciamento
Atitude Natural
Atitude passiva perante a realidade
(Ponto de partida para todas as formas de saber e conhecimento)
De acordo com a periodização mais aceita pelos historiadores, a Filosofia é dividida em quatro grandes períodos:
Filosofia Antiga: do séc.VI a. C até o séc.V d. C.;
Filosofia Medieval: do Século V d. C. até o séc. XIV ou XV;
Filosofia Moderna: do Século XV/XVI, período da Renascença, passando pelos Sécs. XVII e XVIII, e
período do Iluminismo, séc. XVIII e metade do séc. XIX; e
Filosofia Contemporânea: da metade do Século XIX até hoje.
se três fases na história da filosofia Antiga, que aconteceram sobretudo em Atenas e, depois,
socrático ou cosmológico, em que a filosofia se ocupa principalmente com a origem do
causas das transformações da natureza;
o período socrático ou antropológico, ocorrido entre o final do séc. V até o final do séc. IV a.C., cuj
principais são Sócrates, Platão e Aristóteles,em que o objeto de estudo da filosofia passa a ser o
política e moral, e sua capacidade de conhecer as coisas; e
romano,entre o final do Século III a. C até o séc. II d. C, quando começa
se a supremacia da visão cristã,sobretudo com o pensamento de Santo Agostinho.
coletivas para a vida humana e se começa a introduzir
e uma política que deixa de ser vista como boa. É o período em que predominam as
dos epicuristas e dos céticos. Neste período, as doutrinas filosóficas helenísticas deixaram de
Atenas, e Roma passara a ser o lugar em que tais doutrinas continuaram consolidando
Atitude Filosófica Filosofia Sistemática
Teorias coerentes e fundamentadas.
Teorias sobre a Totalidade
Atitude Reflexiva Filosofia Espontânea
Atitude passiva perante as coisas Teorias superficiais e contraditórias
Atitude Natural Senso Comum
perante a realidade Ideias Feitas
Tradições
O nível de conhecimento mais elementar
(Ponto de partida para todas as formas de saber e conhecimento)
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é dividida em quatro grandes períodos:
Filosofia Moderna: do Século XV/XVI, período da Renascença, passando pelos Sécs. XVII e XVIII, e alcançando o
se três fases na história da filosofia Antiga, que aconteceram sobretudo em Atenas e, depois,
a filosofia se ocupa principalmente com a origem do mundo e as
entre o final do séc. V até o final do séc. IV a.C., cujas figuras
principais são Sócrates, Platão e Aristóteles,em que o objeto de estudo da filosofia passa a ser o homem, sua vida
C até o séc. II d. C, quando começa a consolidar-
se a supremacia da visão cristã,sobretudo com o pensamento de Santo Agostinho. Neste período, deixa-se de
coletivas para a vida humana e se começa a introduzir uma saída individual,
período em que predominam as
filosóficas helenísticas deixaram de
continuaram consolidando-se e
Filosofia Sistemática
Teorias coerentes e fundamentadas.
Filosofia Espontânea
Teorias superficiais e contraditórias
Senso Comum
O nível de conhecimento mais elementar
(Ponto de partida para todas as formas de saber e conhecimento)
8
As principais características da Filosofia Medieval são as que seguem:
� a estreita relação entre filosofia e religião, ou melhor, entre filosofia e teologia; e
� a forte presença de Aristóteles em todos os campos do pensamento teórico (lógica, ética, metafísica), o que ocorreu
depois da influência inicial da obra de Platão. A influência de Aristóteles foi consagrada pela presença do grande pensador
cristão, que é Santo Tomás de Aquino (1225-1274), cujo tema maior foi defender uma conciliação entre razão e fé, entre
Cristo e Aristóteles, o que marcou o período medieval mais do que qualquer outra coisa.
Principais pensadores:
� Santo Anselmo (1050-1117), um dos mais consistentes formuladores de uma prova da existência de Deus;
� Abelardo, importante lógico e um dos primeiros professores universitários a exigir salário para
� trabalhar, não sendo ele um teólogo sustentado pela Igreja; e
� Duns Scoto (1265-1308), que insiste em defender a liberdade humana mesmo no contexto teológico; e
� Guilherme de Ockham (1280-1349), acusado de heresia, ele inaugura um novo modo de fazer teologia,enfatizando a
conveniência de provas empíricas para as afirmações e não temendo confrontar-se com osteólogos anteriores.
Principais características da filosofia Moderna:
� Sistematicidade metodológica;
� Conteúdo novo, sobretudo gnosiológico, que, para uns, estava em ser racionalista (como no caso de Descartes), para
outros, empirista (como para Bacon);
� Acontecer cronologicamente em tempo próprio, definido por situações externas peculiares, tanto no mesmo plano da
filosofia, como em outros planos culturais, sociais, políticos, religiosos, etc.
Principais pensadores da filosofia moderna:
� Descartes parte da dúvida metódica, que põe em questão todas as supostas certezas. Ocorre a descoberta da
subjetividade, ou seja, o conhecimento do mundo não se faz sem o sujeito, da realidade para a razão. O percurso da
dúvida cartesiana, ao colocar em questão a existência do mundo, descobre o ser pensante ("Penso, logo existo"). Além
do racionalismo, as duas principais correntes da filosofia moderna são o empirismo e o idealismo, movimentos que têm
relação com a ascensão econômica e social da burguesia e com a Revolução Industrial.
� Francis Bacon (1561-1626) critica o método dedutivo da tradição escolástica, que parte de princípios considerados como
verdadeiros e indiscutíveis, e esboça as base do método experimental, o empirismo, que considera o conhecimento como
resultado da experiência sensível.
� Thomas Hobbes (1588-1679), John Locke (1632-1704) e David Hume (1711-1776). Todos empiricos O empirismo pode ser
considerado precursor do positivismo.
� Spinoza (1632-1677) e Leibniz (1646-1716).
Obs: Século XVIII- O racionalismo cartesiano e o empirismo inglês preparam o surgimento do iluminismo, no século XVIII,
caracterizado pela defesa da Ciência e da racionalidade crítica, contra a fé, a superstição e o dogma religioso.
Principais aspectos e características da filosofia contemporânea:
� História e progresso O século XIX é, na Filosofia, o grande século da descoberta da História ou da historicidade do
homem, da sociedade, das ciências e das artes. É com o filósofo alemão Hegel que se afirma que a História é a realidade,
que a razão, a verdade e dos seres humanos são essencial e necessariamente históricos. Essa concepção levou à ideia de
progresso, isto é, de que os seres humanos, as sociedades, as ciências, as artes e as técnicas melhoram com o passar do
tempo, acumulam conhecimento e práticas, aperfeiçoando-se cada vez mais, de modo que o presente é melhor e
superior, se comparado ao passado, e o futuro será melhor e superior, se comparado ao presente. A ideia de progresso
passou a ser criticada porque serve como desculpa para legitimar colonialismos e imperialismos – os mais “adiantados”
teriam direito de dominar os mais “atrasados”. Passou a ser criticada também a ideia de progresso das ciências e das
técnicas, mostrando-se que, em cada época histórica e para cada sociedade, os conhecimentos e as práticas possuem
sentido e valor próprios, e que esse sentido e esse valor desaparecem numa época seguinte ou são diferentes numa
outra sociedade, não havendo, portanto, transformação contínua, acumulativa e progressiva da humanidade
9
Principais pensadores da filosofia contemporânea:
Século 19
Nascimento e Morte Filósofo Obra
1770 – 1831 Hegel Fenomenologia do Espírito, Lições sobre a Filosofia da História.
1788-1860 Arthur Schopenhauer O Mundo como Vontade e Representação
1798-1857 Auguste Comte Curso de Filosofia Positiva
1813-1855 SörenKierkegaard Temor e Tremor, Diário do Sedutor, Conceito de Angústia
1818-1883 Karl Marx A Sagrada Família, A Ideologia Alemã, O Capital (com F. Engels)
1839-1914 Charles SandersPeirce Semiótica e Filosofia
1842-1910 William James Princípios de Psicologia, O Pragmatismo, As Variedades da
Experiência Religiosa.
1844-1900 Friedrich Nietzsche Assim Falava Zaratustra, A Gaia Ciência, Ecce Homo
Século 20
Nascimento e Morte Filósofo Obra
1856-1939 Sigmund Freud A Interpretação dos Sonhos, Totem e Tabu, Além do Princípio do
Prazer
1859-1938 Edmund Husserl Investigações Lógicas, Lógica Formal e Lógica Transcendental.
859-1941 Henri Bergson Matéria e Memória, Os Dados Imediatos da Consciência, As Duas
Fontes da Moral e da Religião
1872-1970 Bertrand Russell Princípios da Matemática (com Alfred Whitehead), Os Problemas
da Filosofia, História da Filosofia Ocidental
1875-1961 Carl G. Jung A Dinâmica do Inconsciente, Estudos sobre Psicologia Analítica
1889-1951 Ludwig WittgensteinTractatus Logico-philosoficus, Investigações Filosóficas
1889-1976 Martin Heidegger O Ser e O Tempo.
1895-1973 Max Horkheimer Teoria Tradicional e Teoria Crítica, Dialética do Iluminismo (com
T.W. Adorno)
1896-1980 Jean Piaget A Epistemologia Genética, A Linguagem e o Pensamento na
Criança
1905-1980 Jean-Paul Sartre O Ser e o Nada, Crítica da Razão Dialética
1908-1961 Maurice MerleauPonty Fenomenologia da Percepção, As Aventuras da Dialética
1908-2009 Claude Lévi-Strauss. As Estruturas Elementares do Parentesco, Tristes Trópicos
Senhores, vamos agora analisar a filosofia de alguns filósofos importantes que tem frequentado as provas de
vestibulares e, sobretudo do ENEM.
ANOTAÇÕES
10
PLATÃO E O INÍCIO DA RAZÃO OCIDENTAL
Considerações importantes sobre Platão:
� Pertence ao segundo período da filosofia antiga, conhecido como socrático, clássico ou
antropológico V-IV a.C.;
� É considerado o maior discípulo de Sócrates;
� Opõem-se aos sofistas;
� Escreve em forma de diálogo, cujo protagonista é Sócrates;
� Busca estabelecer como conhecimento verdadeiro o que é em si;
� Seus principais temas são Teoria do Conhecimento (Educação) e Política.
� É o pai da metafisica: essa corrente filosófica surge a partir do mito da caverna que sintetiza a sua epistemologia; o
mundo das ideias.
Características importantes da Metafisica Platônica
� Mundo das ideias: Pode também ser chamado de Mundo Inteligível, Mundo Intelectivo, Mundo das Formas ou
Mundo do “Eidos”; Produzido pela Razão, Pensar ou Dedução; Refere-se ao conhecimento verdadeiro – episteme;
Refere-se ao que é em si – isto é, perfeito: ser parmenídeo.
� Mundo das Sombras: Pode também ser chamado de Mundo Sensível, Mundo Ilusório ou Mundo das Sensações;
Produzido pela Sentidos, Sentir ou Indução;Refere-se ao conhecimento de opinião – doxa; Refere-se ao que é para si
– isto é, imperfeito: devir heraclitídeo.
ARISTÓTELES
Platão concebia a existência de dois mundos: aquele que é apreendido por nossos
sentidos - por assim dizer, o mundo concreto -, que está em constante mutação; e um outro
mundo - abstrato -, o mundo das ideias, imutável, independente do tempo e do espaço, que
nos é acessível somente pelo intelecto.
Aristóteles sustenta que o que está além de nossa experiência não pode ser nada para
nós. Nesse sentido, ele não acreditava e não via razões para acreditar no mundo das ideias ou
das formas ideais platônicas.
Aristóteles distingue a existência de quatro causas diferentes e complementares:
• Causa material: de que a coisa é feita? No exemplo da casa, de tijolos.
• Causa eficiente: o que fez a coisa? A construção.
• Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa.
• Causa final: o que lhe deu a forma? A intenção do construtor
Embora Aristóteles não seja materialista (vimos que a forma não é a matéria), sua explicação do mundo é mundana,
está no próprio mundo. Finalmente, para o filósofo, a essência de qualquer objeto é a sua função. Diz ele que, se o olho
tivesse uma alma, esta seria o olhar; se um machado tivesse uma alma, esta seria o cortar. Entendendo isso, entendemos as
coisas.
A divisão das ciências segundo Aristóteles:
Aristóteles se remete à distinção entre ciências práticas, poiéticas e teoréticas. As ciências práticas e as poiéticas se
referem às ações, e nelas existe, portanto, um princípio de movimento, que deve estar no sujeito agente, que age e produz
em virtude desses princípios. Mas a física não é ciência prática nem poiética, e sim teorética, pois ela estuda o ser ou a
substância que tem em si o princípio do movimento e do repouso. Ou seja, na física, o princípio do movimento está no
objeto; nas ciências práticas, o princípio do movimento está no próprio sujeito.
11
Aristóteles afirma que a física trata das substâncias sensíveis, portanto, que têm necessariamente matéria, mas as
considera prioritariamente no seu aspecto formal. A forma das substâncias físicas, portanto, a forma que é objeto de estudo
da física, não existe separada, nem é separável da matéria. Ao contrário do que acontece com as matemáticas, a forma que
é objeto da física não pode existir nem pode ser pensada sem a relativa matéria (exemplo do nariz achatado).
OBS: Platão, idealista, rejeitara a experiência como fonte de conhecimento certo. Aristóteles, mais positivo, toma
sempre o fato como ponto de partida de suas teorias, buscando na realidade um apoio sólido às suas mais elevadas
especulações metafísicas.
Filosofia de Descartes:
Senhores estamos diante do pai da filosofia moderna. Descartes foi um importante
filósofo, matemático e físico francês do século XVII. Também fez estudos nas áreas da
Epistemologia e Metafísica. Descartes é considerado o pioneiro no pensamento médico também,
pois foi um dos primeiros a fazer dissecação de cadáveres.
Principais realizações
- Sugeriu a união entre os estudos da Álgebra e Geometria, criando a Geometria
Analítica.
- Desenvolveu o Sistema de Coordenadas, também conhecido como Plano Cartesiano.
- Desenvolveu o Método Cartesiano no qual defende que só se deve considerar algo como verdadeiramente
existente, caso possa ser comprovada sua existência. Também conhecido como Ceticismo Metodológico, segue o princípio de
que devemos duvidar de todos conhecimentos que não possuem explicações evidentes. Este método também se baseia na
realização de quatro tarefas: verificar, analisar, sintetizar e enumerar.
Principais obras
- Regras para a direção do espírito (1628)
- Discurso sobre o método (1637)
- Meditações Metafísicas (1641)
Frases famosas que frequentemente aparecem nos vestibulares:
- "Penso, logo existo"
- "É preferível ter os olhos fechados, sem nunca tentar abri-los, do que viver sem filosofar"
- "A razão e o juízo são as únicas coisas que diferenciam os homens dos animais".
- " Daria tudo que sei em troca da metade de tudo que ignoro".
Ideias centrais da filosofia cartesiana:
Ao buscar um alicerce novo para a filosofia, Descartes rompeu com a tradição aristotélica e com o pensamento
escolástico, que dominou a filosofia no período medieval. A separação entre sujeito e objeto do conhecimento tornou-se
fundamental para toda a filosofia moderna.
No "Discurso do método", publicado em 1637, Descartes elaborou uma espécie de autobiografia intelectual, em que
conta em primeira pessoa os fatos e as reflexões que o fizeram buscar um princípio seguro para edificar as ciências. Descreve
também os passos que o levaram à fundação de seu método - o percurso que vai da dúvida sistemática à certeza da
existência de um sujeito pensante.
Dúvida metódica
Para fundamentar o conhecimento, o filósofo deve rejeitar como falso tudo aquilo que possa ser posto em dúvida.
A dúvida é, portanto, um momento necessário para a descoberta da substância pensante, da realidade do sujeito que pensa.
Através da dúvida metódica, o filósofo chega à descoberta de sua própria existência enquanto substância pensante. A palavra
cogito (penso) deriva da expressão latina cogito ergo sum (penso logo existo) e remete à auto-evidência do sujeito pensante .
O cogito é a certeza que o sujeito pensante tem da sua existência enquanto tal.
12
A filosofia de David Hume:
Fontes do conhecimento
Para Hume, tudo aquilo que podemos vir a conhecer tem origem em duas fontes
diferentes da percepção:
� Impressões: são os dados fornecidos pelos sentidos. Podem ser internas, como
um sentimento de prazer ou dor, ou externas,como a visão de um prado, o cheiro de uma
flor ou a sensação tátil do vento no rosto.
� Ideias: são as impressões tais como representadas em nossa mente, conforme
delas nos lembramos ou imaginamos. A lembrança de um dia no campo, por exemplo.
De acordo com o filósofo, as ideias são menos vívidas que as impressões e, por isso,
são secundárias: "(...) todas as nossas ideias ou percepções mais fracas são cópias de
nossas impressões, ou percepções mais vivas."Por isso, a experiência seria a base de todo
conhecimento, que podemos chamar de raciocínio sobre questões de fato. Enquanto que o segundo modo dos objetos
externos se apresentarem à razão é chamado relação de ideias.
As ideias, por sua vez, se relacionam umas com as outras de três modos:
� por semelhança (uma fotografia que nos leva a ter a ideia do fato original);
� por contiguidade de tempo e lugar (o dizer algo a respeito de um cômodo de uma casa me leva a perguntar sobre os
demais); e
� por causalidade (ao nos recordarmos de uma pessoa ferida, imediatamente pensamos também na dor que ela deve
ter sentido - o ferimento, neste exemplo, é a causa; a dor, o efeito).
Como dessa forma se configura as questões de fato, ou seja, de coisas que afirmamos acerca da realidade? Tome-se a
seguinte proposição: "As rosas são vermelhas". Nada me impede de pensar, e dizer, que as rosas são brancas, ou mesmo azuis ou
verdes. Não haverá qualquer contradição lógica, mesmo que isso não corresponda, de fato, à rosa a qual me refiro.Em outro
exemplo, dado por Hume, dizer que "O Sol não nascerá amanhã", não é menos absurdo, do ponto de vista lógico, do que dizer "O
Sol nascerá amanhã". Qual deve ser, então, o fundamento do conhecimento empírico?
Causalidade Segundo Hume, todo raciocínio empírico, sobre questões de fato, se assenta sobre relações de causa e efeito. Na
proposição "A pedra esquenta porque foi exposta aos raios solares" tenho uma afirmação que parte de duas impressões sensíveis,
uma tátil ("a pedra esquenta") e outra visual ("exposta aos raios solares"). O que une essas duas impressões é uma relação de
causalidade: a pedra esquenta (efeito) porque foi exposta aos raios solares (causa).Portanto, para saber qual é o fundamento do
conhecimento empírico, Hume precisou analisar o fundamento dessa relação causal.A primeira coisa que se pode dizer é que não
há aqui nenhuma base lógica, dedutiva. Se tenho uma pedra em minha mão e a solto, espero que, como efeito, ela caia no solo.
Mas poderia naturalmente pensar que ficasse suspensa no ar ou voasse em direção ao céu. Podem ser coisas impossíveis de
acontecer, mas concebíveis pelo intelecto.Isso significa que, por meio da razão, é impossível chegar da causa (a) para o efeito (b).
São duas coisas completamente diferentes: a pedra se soltar da minha mão (a) e cair no solo (b). Para relacionar duas impressões
sensíveis, preciso primeiro tê-las, isto é, preciso ver a pedra caindo no solo para, então, dizer com segurança que ela caiu porque eu
a soltei de minha mão.
Diz Hume: "O intelecto jamais poderá encontrar o efeito numa suposta causa, mesmo pelo mais acurado estudo e exame,
porquanto o efeito difere radicalmente da causa, e por isso não pode de nenhum modo ser descoberto nela (...). Uma pedra ou um
pedaço de metal erguido no ar e deixado sem nenhum apoio cai imediatamente; mas quem considera esse fato a priori poderá
descobrir na situação alguma coisa que sugira a ideia de um movimento para baixo e não para cima, ou qualquer outro movimento
na pedra ou no metal?"
Qual deve ser, então, o fundamento da causalidade e, assim, do conhecimento empírico? Para Hume, não há nenhum, a não
ser o costume, o hábito que temos, pelo fato de inúmeras vezes termos visto, anteriormente, pedras caindo no solo e o Sol
nascendo a cada manhã. Esperamos que aconteça sempre a mesma relação causal devido a uma crença, de cunho psicológico e
subjetivo. Nunca podemos, portanto, ter certeza do que estamos dizendo a cerca de questões de fato.
13
Metafísicas Este é, em resumo, o argumento cético de Hume sobre a causalidade. Ele foi devastador para a filosofia porque
todas as metafísicas também apelam para esse tipo de relação causal para explicar o mundo. Por exemplo: Deus existe porque é a
causa de tudo que existe (Santo Tomás de Aquino) ou as ideias claras e distintas da razão são causas de nossos conhecimentos
sobre a natureza (Descartes).
Não que Hume fosse avesso à filosofia, pelo contrário. O que ele dizia é que tais sistemas filosóficos carecem de amparo nas
impressões sensíveis, são muito abstratos e usam métodos demonstrativos da matemática que não servem de fundamento para
questões de fato.O que Hume queria era fazer uma espécie de "faxina" na filosofia, de modo a livrá-la de suas pretensões e ideias
estéreis. Assim, ele influenciou Immanuel Kant, Auguste Comte, filósofos pragmatistas como Charles SandersPeirce, os empiristas
lógicos e a filosofia analítica, entre outras importantes correntes do pensamento contemporâneo.
A Filosofia Crítica de Kant
Immanuel Kant, filósofo prussiano (Alemanha), o maior dos filósofos contemporâneos
leva a filosofia a uma orientação idealista, tornando-a subjetiva e imanente. Sobre esta base
deficiente, o gênio brilhante de Kant construiu uma filosofia abrangente que influenciou boa parte
dos filósofos posteriores, inclusive muitos dos filósofos cristãos que tentaram explicar a revelação
de Deus através destes princípios idealistas.Dos princípios filosóficos de Kant, onde ele admite a
possibilidade do homem guiar-se unicamente pela sua própria razão, surgiram os movimentos do
iluminismo e do positivismo lógico.Kant sustenta que “a capacidade limita a obrigação”, ou seja: o
homem deve ter capacidade plena para fazer o que a Escritura prescreve, caso contrário não
poderá receber o castigo devido pelos seus atos, negando desta forma a justiça de Deus e abrindo
o caminho para mito do livre-arbítrio neutral, onde o homem deve deter a capacidade para decidir
pela sua própria salvação.
Kant admite a ideia de que todos os homens têm algumas ideias a priori, por exemplo: O tempo e o espaço, que não
são apreendidas pelos sentidos, mas que fazem parte inata da mente e da consciência do homem.Ele afirma que o homem
tem a capacidade para empreender o desenvolvimento científico, mas não tem a capacidade para compreender a
fenomenologia espiritual envolvendo o conhecimento das coisas de Deus, da alma e da vida futura.Kant faz uma distinção
rígida entre o mundo fenomênico, que é o mundo natural, compreensível pela razão pura e o mundo numenal, que é o
mundo metafísico, a eternidade, como incompreensível pela razão humana, tornando Deus um ser completamente fora do
mundo real: O “completamente outro” do irracionalismo cristão.
São chamadas de formas a priori da sensibilidade, espaço e tempo. Essas formas a priori determinam o limite do
conhecimento. Senhores, o que é preciso lembrar para o vestibulares também são aquelas que definem a corrente filosofia
que kanta cria: o criticismo. O criticismo de Kant é uma filosofia que tenta responder a três perguntas básicas: Que posso
saber?, Que hei-de fazer?, Que posso esperar?
Que posso saber?Para o conhecimento universal e necessário ser possível, e dado que não pode provir da
experiência, é preciso que os objectos do conhecimento se determinem na natureza do sujeito pensante, e não ao contrário.
A Crítica da Razão Pura de Kant leva a cabo esta revolução do método e mostra como o entendimento, ao legislar sobre a
sensibilidade e a imaginação, torna possível uma física a priori. Mas, se a natureza está submetida ao determinismo, pode o
homem ser livre? Kant leva a cabo a revolução copernicana no terreno prático postulando a existência de uma alma livre
animada por uma vontadeautónoma.
Que hei-de fazer? «Actua estritamente segundo a máxima que faz que possas desejar simultaneamente que se
converta numa lei universal.»
Que posso esperar? Para a espécie humana, o reino da liberdade garantido por uma constituição política. Para o
indivíduo, o progresso da sua virtude e um melhor conhecimento do outro e de si mesmo através da arte.
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A metafisica da Vontade de Schopenhauer
Schopenhauer foi um filósofo, que sua filosofia pode ser resumida assim:
� Vontade e representação
� Valorizava uma vivência sem grandes sofrimentos, orientava a perseguição da felicidade.
� Acreditava que a sabedoria poderia/deveria ser utilizada para evitar o mal.
� Alegria = decepção.
� Faz críticas a Hegel (razão “revelada” e verdade absoluta)
� Dizia que o conhecimento é subjetivo.
� O que é considerado “real” depende do sujeito, algo que é “real” para alguém pode não ser para outro.
� O mundo é representação, ilusão.
� As “essências” são conhecidas através da intuição (insight-ilumination) è arte era um instrumento de conhecimento
essencial.
� Pessimismo è ser humano = vontade = insatisfação è dor e sofrimento è norma histórica.
A filosofia da Tragédia de Nietzsche
Temos em Nietzsche um pensamento que abalou as bases do pensamento filosófico, como
um filosofo preocupado com a condição do homem no presente, Nietzsche procurou entender como
conceitos considerados como absolutos por uma metafísica crista, calcada em valores gregos, começa
então um movimento de entender a perda de consistência dos valores absolutos, denunciando assim
todas as formas de mistificação, destruindo assim os velhos ídolos e por fim, a tarefa de pensar novos
valores, abrindo novos horizontes para a experiência humana.
Colocando em etapas, Nietzsche começa destruindo a base desses valores absolutos, a metafísica
platônica, que acreditava existir um bem absoluto e imutável, essencial.Nietzsche, ao colocar a
questão da morte de Deus, permite pensar a verdade não mais em termos absolutos, mas sim como
uma construção, bem como os conceitos de bem e mal, justo e injusto, etc.
Podemos discernir então três etapas do pensamento nietzscheano, mas sempre pensando certos temas com a mesma
intensidade, mudando somente o enfoque e o apoio que Nietzsche usa. Na primeira fase, podemos perceber um Nietzsche
preocupado com o destino da arte e cultura, influenciado por Schopenhauer e Wagner, procurava uma forma de arte livre da
erudição e burocracia das artes do período, restaurando um senso trágico de arte, como uma tragédia grega, com uma postura
ativa diante da existência.
Decorre então, na vida de Nietzsche, uma ruptura com a metafísica do artista, um distanciamento da filosofia de
Schopenhauer, uma desilusão quanto a obra de arte total, em suas obras seguintes, começando por Humano Demasiado Humano,
percebe-se um rompimento com Schopenhauer e uma valorização do conhecimento cientifico como maneira de resolver os
problemas que tanto lhe atormentavam, refinando assim sua habilidade de filólogo e de psicólogo e construindo assim seu método
genealógico, como um método de explicação que dissolve o absoluto, o imutável.
A partir de Assim Falou Zaratustra, começa por assim dizer a terceira fase do pensamento nietzscheano, pensamento esse
marcado pelo aparecimento de conceitos, como alem-do-homem, vontade de poder e o eterno retorno, conceitos fundamentais
para o entendimento da obra de Nietzsche. Zaratustra, escrito como um evangelho, escrito em linguagem belíssima e cheia de
figuras de linguagem e recursos lingüísticos, não obteve a recepção esperada, para tanto, Nietzsche escreveu Para Alem do Bem e
do Mal, acompanhado de Para Genealogia da Moral como uma tentativa de explicação para os termos utilizados em Zaratustra,
negando todo positivismo como forma de explicação dos fenômenos da natureza, restando somente a vontade de poder como
forma de explicação.
As três metamorfose da alma:
Em Assim falou Zaratustra, Nietzsche descreve três metamorfoses ou transformações do espírito. O espírito vive a
autossuperação através das seguintes metamorfoses: Inicialmente, torna-se camelo. Em seguida, torna-se Leão e posteriormente
criança.
O camelo, espírito heroico que suporta toda a carga existencial herdada das tradições culturais da humanidade, supera a
si mesmo e torna-se leão. O leão, espírito libertário que se rebela contra a opressão dos deveres impostos através de uma
heteronomia, torna-se criança, espírito criador. O camelo é capaz de suportar o fardo de pesadas tarefas assumidas na busca do
conhecimento e todo sofrimento que advém no caminho da realização, mas chega um momento em que ele se liberta. O heroico
camelo simboliza um espírito realista que quer ser capaz de ver o que a realidade se torna a cada momento. Seu valor é
determinado do modo como Nietzsche expressou em Ecce Homo, quando diz: “Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um
espírito? Cada vez mais tornou-se isto para mim a verdadeira medida de valor”.
O Leão simboliza um espírito ativista revolucionário que o camelo se torna quando não aceita mais submeter-se
passivamente à realidade como ela se mostra, e se rebela: quer conhecer a realidade – com a fome de um leão - para transformá-
la. O libertário livra-se dos deveres heterônomos e cria para si a liberdade de novas criações
De repente, num momento oportuno - seu kairós, um instante singular – quando o libertário, que era um espírito rebelde
- e portanto reativo – supera sua reatividade, torna-se puramente afirmativo, espontâneo, o leão torna-se criança, o espírito lúdico
inocente que começa a jogar com a vida o jogo da criação: como criança, sente-se corpo e alma, e quer viver ludicamente a
existência.
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SOCIOLOGIA PARA O ENEM
A sociologia, no contexto do conhecimento científico, surge como um corpo de idéias que se preocupavam com o que a
sociedade moderna (capitalista) destruiu e gerou no seu processo de constituição e consolidação; a sociologia é fruto direto da II
Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, e nesse sentido é chamada de “ciência da crise” – crise que essa revolução gerou em
toda a sociedade européia.
Como “ciência da sociedade”, a sociologia não surgiu de repente nem é fruto das idéias de um único autor: ela é resultado
de toda uma forma de conhecer a natureza e a sociedade que se desenvolveu a partir do século XV, quando ocorrem mudanças
significativas como os renascimentos urbano e comercial, que acabam por desagregar a sociedade feudal e lançam as bases do modo
de produção capitalista.A partir do início do século XIX, o desenvolvimento do sistema capitalista na Europa irá fornecer os
elementos que servirão de base para a consolidação da sociologia enquanto ciência social.
O Positivismo, teoria filosófica de Auguste Comte (1798 -1857), surge na França pós-revolucionária e, defendendo o
espírito de Liberdade,Igualdade, Fraternidade, propõe uma reforma da sociedade a partir de uma reforma intelectual do homem.
Segundo Comte, ao modificar-se a forma de pensar dos homens haveria, consequentemente, uma mudança nas instituições sociais;
a reforma prática das instituições, a partir da analise de seus processos e suas estruturas, seria função da sociologia.
Com o desenvolvimento da sociedade industrial a partir da segunda metade do século XX, que se tornou cada vez mais
complexa, a sociologia ganhou novo impulso.Assim, problemas como exclusão social, desagregação familiar, drogas,
cidadania,minorias e violência urbana representam alguns dos desafios para os quais os sociólogos tem procurado respostas. Essas
exigem uma análise científica de todos os aspectos da vida em sociedade, que permita entender o presente