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Saúde do Trabalhador – Parte 3
Uma classificação que não foi abordada na aula, mas que pode ser encontrada no material, é a Classificação de Schilling, que trata de doenças profissionais, doenças do trabalho e acidentes típicos. Embora esse conteúdo caia em poucas provas, vale a pena dar uma olhada, caso esteja sendo cobrado. O foco atual é a comunicação de acidente de trabalho (CAT), um tema que aparece com frequência nas provas. A CAT deve ser emitida no primeiro dia útil após o diagnóstico médico, ou seja, após a conclusão de que o trabalhador pode ser portador de uma doença profissional ou do trabalho. No entanto, surge a dúvida: é obrigatório que a CAT seja emitida exatamente no primeiro dia útil?
Também surge a questão sobre a notificação de doenças do trabalho consideradas leves. A dúvida é se a notificação de doenças leves é necessária, já que não haverá afastamento do INSS. A resposta é que a notificação de todos os acidentes de trabalho, incluindo os leves, é obrigatória, uma vez que todos são sujeitos à notificação compulsória. Se a empresa se recusar a emitir a CAT, outras pessoas, como o médico que assistiu o trabalhador, qualquer autoridade pública, sindicato ou até o próprio trabalhador, podem emitir o documento. A CAT deve ser preenchida e cadastrada no site da Previdência Social após a emissão, com o atestado médico incluído.
Após o cadastro da CAT, o trabalhador tem direito a uma cópia do documento, assim como o Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (SEREST), a empresa que emitiu o documento, o sindicato da categoria e a Delegacia Regional do Trabalho. No entanto, a alternativa incorreta é a que afirma que a não notificação de doenças do trabalho leves não constitui crime. De acordo com a legislação de 2023, todos os acidentes de trabalho devem ser notificados, incluindo os leves.
Desde 2023, todos os acidentes de trabalho são de notificação compulsória. A não notificação de uma doença ou agravo de notificação compulsória constitui um crime previsto no Código Penal, com pena de até dois anos de prisão. Ou seja, a não notificação não é apenas uma infração ética ou médica, ela pode levar a sanções legais sérias. A violação dessa obrigação de notificação é considerada um crime. De fato, a letra B da questão apresentada está incorreta, já que a não notificação é um crime.
A CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) deve ser emitida para trabalhadores formais, e a responsabilidade pela emissão recai sobre a empresa que contrata o trabalhador. Por exemplo, se a empresa Sanar contratar um trabalhador e ele sofrer um acidente, é a responsabilidade da Sanar emitir a CAT. A obrigatoriedade de emissão recai sobre empresas que empregam formalmente o trabalhador. Porém, no caso de trabalhadores autônomos ou contribuintes individuais, a empresa não existe, e, portanto, não há quem emita a CAT. Contudo, em alguns casos, trabalhadores avulsos, como entregadores de aplicativo, podem conseguir a emissão da CAT por meio de sindicatos, caso um juiz reconheça um vínculo empregatício, ainda que frágil.
Em regra, apenas os trabalhadores formais têm direito à emissão da CAT, mas é importante notar que alguns trabalhadores avulsos podem, judicialmente, obter a emissão de uma CAT por parte da empresa com a qual têm vínculo. O que é mais cobrado nas provas é a responsabilidade da empresa pela emissão da CAT. O papel do médico, quando atende um trabalhador vítima de acidente, é fornecer o atestado médico, e também emitir um relatório explicando que se trata de um acidente de trabalho, deixando claro para a empresa a necessidade de emitir a CAT. É fundamental que o trabalhador ou sua família recebam esse relatório.
A empresa tem a obrigação de emitir a CAT até o primeiro dia útil seguinte ao acidente. Embora nem sempre seja possível emitir a CAT no dia seguinte, assim que a empresa tomar ciência do acidente, ela deve fazê-lo. Desde 2023, todos os acidentes de trabalho, independentemente da gravidade, são de notificação compulsória. Antes, apenas acidentes graves, fatais, envolvendo crianças, adolescentes ou materiais biológicos eram compulsoriamente notificados. A partir de 2023, todos os acidentes de trabalho devem ser notificados compulsoriamente.
No dia a dia, o médico precisa ser capaz de identificar se o acidente tem relação com o trabalho, além de compreender como a atividade pode ter influenciado a saúde do trabalhador. O médico também deve fornecer informações sobre os direitos do trabalhador, registrar tudo no prontuário e fornecer os documentos necessários, como atestados e relatórios. Se um acidente de trabalho resulta em incapacidade temporária e o INSS nega o pedido de benefício, o médico deve garantir que pelo menos a parte dele foi feita. Caso contrário, o trabalhador não terá como buscar seus direitos no INSS.

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