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Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional e Prevenção de Acidentes Você vai aprender sobre legislações e normas de saúde ocupacional, responsabilidades legais no ambiente de trabalho, prevenção de acidentes, uso de EPIs e EPCs, e a atuação integrada de profissionais da saúde, segurança e gestão nas empresas. Prof. José Ney Pinheiro 1. Itens iniciais Propósito O conhecimento das legislações, normas e responsabilidades relacionadas à saúde e segurança no trabalho é essencial para os profissionais que atuam na gestão de pessoas e ambientes corporativos. Ele permite prevenir riscos ocupacionais, promover o bem-estar dos trabalhadores e garantir conformidade legal, contribuindo para ambientes mais seguros, produtivos e sustentáveis. Objetivos Analisar a aplicação das Normas Internacionais do Trabalho da OIT e sua influência na legislação trabalhista brasileira, considerando também a evolução da legislação de saúde e segurança e as mudanças na estrutura do antigo Ministério do Trabalho. Avaliar o papel da liderança nas mudanças em saúde ocupacional e segurança, relacionando os conceitos legais vigentes com a distinção entre risco e perigo no ambiente de trabalho. Definir a importância de uma abordagem integral da saúde dos colaboradores, destacando o papel da equipe multidisciplinar no desenvolvimento de programas em saúde ocupacional. Introdução A segurança e a saúde no ambiente de trabalho são fundamentais para garantir o bem-estar dos colaboradores e o bom desempenho das organizações. Este conteúdo apresenta os principais conceitos e responsabilidades legais envolvidos na prevenção de riscos ocupacionais. Começamos explorando o papel das legislações e normas técnicas como base para um ambiente de trabalho mais seguro. Elas determinam os limites mínimos para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, oferecendo diretrizes obrigatórias que devem ser seguidas pelas empresas. Apesar disso, o ritmo acelerado das transformações no mundo do trabalho exige atenção constante, pois nem todas as situações estão previstas na legislação atual. Na sequência, aprofundamos o entendimento sobre saúde ocupacional, destacando os conceitos legais de acidentes e doenças do trabalho. Também abordamos a importância dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Coletiva (EPC), e a responsabilidade compartilhada entre empregadores, trabalhadores e equipes especializadas, como os profissionais do SESMT. Por fim, ampliamos o olhar para além das obrigações legais, considerando a atuação integrada de profissionais de diferentes áreas. Médicos, engenheiros, psicólogos, administradores e líderes organizacionais colaboram para construir uma cultura de prevenção sólida. Entender esse trabalho conjunto permite identificar estratégias mais eficazes de cuidado, reduzir riscos e promover um ambiente mais saudável. Este conteúdo busca, portanto, oferecer uma visão completa sobre a importância da prevenção e da gestão da saúde e segurança no trabalho. • • • 1. Legislação de segurança e medicina do trabalho As normas internacionais do trabalho e a legislação trabalhista brasileira As principais normas internacionais produzidas pela OIT são as Recomendações e as Convenções Coletivas, que possuem diferenças conceituais e, por isso, produzem efeitos diferentes no ordenamento jurídico brasileiro. A OIT, desde suas origens até sua atual estrutura e suas atuais funções no âmbito da ONU, tem deliberado por meio das Convenções Coletivas, que têm natureza jurídica de tratados internacionais e devem passar pelo mesmo processo de internalização pelo qual passam os demais tratados internacionais na legislação brasileira. O entendimento é de que depois de sua publicação, as Convenções Coletivas se tornam Decretos promulgados pelo colegiado dos países signatários da OIT em seu Congresso Nacional. A partir de então, devem ser encaminhados para sua aplicação no ordenamento jurídico brasileiro como leis ordinárias após sua ratificação pelo Congresso Nacional e da Presidência da República, que finalizará o processo com sua assinatura. As recomendações determinadas pela OIT, por sua vez, não possuem natureza de tratado internacional, e, por isso, não se sujeitam a ser ratificadas pelo Congresso Nacional. Essas normas são orientações emitidas pela OIT para as autoridades competentes de cada um dos seus estados-membros dentro de suas atribuições internas e de suas esferas de poderes, não significando, necessariamente, que devem ser direcionadas ao Poder Legislativo. Comentário Quando a matéria constante de uma Recomendação for reserva de Lei ou de Lei Complementar, será direcionada ao Poder Legislativo porque este é o órgão que possui competência constitucional para elaborar leis. Essa é a única situação em que isso acontece. Em sua essência, as Convenções Coletivas e as Recomendações da OIT são semelhantes, e podem tratar dos mesmos assuntos ou das mesmas temáticas, pois versam a respeito da proteção do trabalho e do trabalhador. Contudo, formalmente, conforme analisamos, as duas normas se diferenciam porque as Recomendações não determinam direitos e obrigações aos países signatários. Quais seriam as consequências de não ratificação de uma Convenção Coletiva por parte de um país signatário? De qual regra, afinal, se trata o descumprimento da não ratificação de uma Convenção Coletiva? O artigo 33 da Constituição da OIT diz o seguinte: Se um Estado-Membro não se conformar, no prazo prescrito, com as recomendações eventualmente contidas no relatório da Comissão de Inquérito, ou na decisão da Corte Internacional de Justiça, o Conselho de Administração poderá recomendar à Conferência a adoção de qualquer medida que lhe pareça conveniente para assegurar a execução das mesmas recomendações. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 1946. Como pudemos observar, não houve um estabelecimento de quais seriam as sanções a serem aplicadas aos Estados-membros. Atualmente, seria mais uma questão de natureza moral que efetivamente jurídica. Apesar de, aparentemente, se mostrar ineficaz, esse mecanismo sancionatório de ordem moral tem surtido bastante efeito. Segundo Süssekind (2006,) os delegados governamentais procuram defender, com grande empenho, seus países das acusações ou perguntas sobre o descumprimento das referidas obrigações, e da divulgação internacional de seus países na lista de descumpridores. A Conferência da OIT também pode representar a Organização das Nações Unidas contra o Estado-membro que, de forma grave ou repetidamente, viole as obrigações firmadas em face da Constituição da OIT. Nesses casos, abre-se espaço à aplicação de outras sanções. Os artigos 5º e 6º da Carta das Nações Unidas dizem o seguinte: Artigo 5º. O membro das Nações Unidas contra o qual for levada a efeito qualquer ação preventiva ou coercitiva por parte do Conselho de Segurança poderá ser suspenso do exercício dos direitos e privilégios de membro pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. O exercício desses direitos e privilégios poderá ser restabelecido pelo Conselho de Segurança.Artigo 6º. O membro das Nações Unidas que houver violado persistentemente os princípios contidos na presente Carta poderá ser expulso da Organização pela Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1945. Potencialmente, existem prejuízos financeiros a qualquer Estado-membro quando este não ratifica uma Convenção Coletiva. Inclusive, blocos econômicos, como o europeu, pressionam as nações que mantém comércio com eles para prevenir o que se chama de dumping social. O dumping social estaria ligado à redução no custo de produtos de empresas que se utilizam de mão de obra barata com precários direitos trabalhistas e previdenciário. Atenção Visite o site da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e acesse as diversas Convenções Coletivas ratificadas pelo Brasil que se transformaram em leis ordinárias. A legislação de saúde e de segurança brasileirasA legislação de saúde e segurança nasceu pela necessidade humanitária de uma regulamentação das relações trabalhistas tendo em vista a proteção dos trabalhadores contra a exposição às mais indignas e desumanas condições de trabalho praticadas por empresas. Nesse sentido, a criação da OIT atendeu ao propósito de um maior equilíbrio na desigual relação entre capital e trabalho, e no entendimento que uma paz permanente pode ser alcançada somente pela justiça social. Nessa linha social, a maioria dos países conquistou direitos importantes, como jornada de trabalho de até oito horas diárias e um piso vital mínimo, que seriam os direitos fundamentais compreendidos pelo princípio da dignidade humana. Assista ao vídeo e entenda a atuação da OIT no Brasil. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A organização da classe trabalhadora foi a grande responsável pela ampliação dos direitos sociais e generalização dos direitos políticos, com o Estado assumindo um papel regulador do trabalho, da saúde e a seguridade, entre outros direitos sociais. No Brasil, a industrialização ocorreu um século depois de seu início na Inglaterra. Um dos primeiros dispositivos legais relativos à proteção do trabalho foi o Decreto nº 1.313, de 1891, que regulamentou somente o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. No ano de 1912, foi criada a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), que tinha como objetivo reunir as principais reivindicações dos trabalhadores, que incluíam, por exemplo: Jornada de trabalho de oito horas Fixação do salário mínimo Indenização para acidentes Contratos coletivos ao invés de individuais Após a Revolução de 1930, essas questões tomaram forma com a política trabalhista do Presidente Getúlio Vargas, que estabeleceu o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e, posteriormente, a Constituição de 1934, que assegura as conquistas da liberdade sindical, o salário mínimo, a jornada de oito horas, o repouso semanal, as férias anuais remuneradas, a proteção do trabalho feminino e infantil, e a isonomia salarial. • • • • A reunião de todas as normas trabalhistas em um código único tornou possível a materialização da chamada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada em 1943. No ano de 1978, o então Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Portaria nº 3.214/78, conhecida como legislação de segurança e saúde brasileiras, ou Normas Regulamentadoras do Trabalho. Seu objetivo era complementar os artigos do Capítulo V da CLT, denominado Da Segurança e Da Medicina do Trabalho. Para tanto, seu papel era estabelecer uma padronização técnica e administrativa do que deveria ser cumprido por empresas privadas e públicas, bem como órgãos dos Poderes Judiciários e Legislativos que possuíssem empregados regidos pela CLT. A CLT determinou a elaboração das Normas Regulamentadoras (NR) competia à Secretaria Especial de Trabalho e Previdência (antigo Ministério do Trabalho).Seu conteúdo deveria ser elaborado por um sistema tripartite paritário formado por representantes do Governo, dos trabalhadores e dos empregadores. Todos esses participantes tinham o mesmo peso no caso de uma decisão. Para a criação de uma NR, é necessário observar se existem demandas da sociedade ou de inspeções do trabalho nos temas de saúde e de segurança, compromissos internacionais, ou mesmo situações mapeadas nas estatísticas de acidentes e doenças. Assista ao vídeo e prenda sobre a Agenda Nacional de Trabalho Decente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Existem, publicadas, 37 Normas Regulamentadoras, que padronizaram a legislação pertinente à segurança e à saúde ocupacional, e que são responsáveis pela instituição de políticas desses assuntos dentro das empresas. No momento, está em discussão uma atualização das Normas Regulamentadoras. De fato, muitas delas necessitam de alterações em razão do elevado número de substâncias químicas criadas, das mudanças tecnológicas e de outras situações. Os direitos sociais fundamentais trabalhistas marcaram a grande conquista na Constituição Brasileira de 1988, ultrapassando os limites financeiros para atingir direitos voltados à proteção da dignidade da pessoa humana. Exemplo O direito a condições de trabalho decentes, que preservem a saúde física e mental do trabalhador, bem como a falta de discriminação e um salário mínimo capaz de manter as necessidades básicas de sua família. Além disso, o direito de greve e a garantia de que o Estado brasileiro não intervenha na organização sindical foram grandes avanços na busca contínua por melhores condições de trabalho. O texto constitucional garantiu, no seu artigo 7º, em seu inciso XXII, a redução dos riscos do trabalho como um dos direitos assegurados aos trabalhadores e uma obrigação das empresas. A partir do entendimento de que o Estado assume um papel importante no equilíbrio entre empresas e trabalhadores, como estará seu papel na quarta revolução industrial? • Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional e Prevenção de Acidentes 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Legislação de segurança e medicina do trabalho As normas internacionais do trabalho e a legislação trabalhista brasileira Comentário Atenção A legislação de saúde e de segurança brasileiras Conteúdo interativo Conteúdo interativo Exemplo