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AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PSICOLOGIA APLICADA À 
PRÁTICA PASTORAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Tatiana Proença Isleb 
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CONVERSA INICIAL 
Estamos caminhando para o término desta disciplina. Espero que durante 
as horas de estudo que ela lhe propiciou você tenha tido um panorama geral da 
psicologia e sua relação com a saúde mental. Espero que ela tenha sido suficiente 
para sanar dúvidas e levantar muitas outras, tornando-o um curioso pelo tema, 
ansioso por mais conhecimento. 
Nesta aula, observaremos brevemente alguns temas importantes para a 
atuação do conselheiro: o autocuidado e os limites éticos da sua atuação. E, para 
encerrar nossa disciplina, discutiremos um caso hipotético, para consolidar nosso 
aprendizado. 
TEMA 1 – QUEM CUIDA DO CUIDADOR? 
Se você se interessou por conhecer mais sobre aconselhamento pastoral 
e como ele pode aproveitar princípios da psicologia, é possível que você tenha 
muito prazer em ajudar as pessoas. Talvez em sua história de vida você tenha se 
deparado com pessoas que precisavam de algum tipo de apoio e você foi uma 
fonte de auxílio para elas. Também é provável que, por seu temperamento e 
personalidade, você seja conhecido por seus amigos como aquele que é ótimo 
em dar conselhos, com quem é tão bom conversar, que sabe ouvir como ninguém. 
Com certeza, você é o amigo com quem contar em todas as horas. 
Esse é o perfil da maior parte das pessoas que se envolvem em profissões 
de cuidado, sejam da área da saúde ou qualquer outra: pessoas empáticas, que 
percebem o sofrimento alheio e prontamente encontram uma forma de ajudar. 
Outra característica de cuidadores é a direção para o outro: buscam o bem-estar 
do outro, antes do próprio, sacrificando suas necessidades, vontades e opiniões, 
muitas vezes. 
Sacrificar-se pelos outros é nobre e muitas vezes recomendado pelas 
Escrituras e pela tradição cristã. Contudo, habita nesse perfil um grande perigo: 
cuidadores tendem a não serem cuidados – por negligência da comunidade de fé 
ou por não se permitirem. E o fato é que toda pessoa em alguma fase de sua vida 
precisará de cuidados – seja em uma crise financeira, seja pela sobrecarga de 
trabalho ou pelo luto de um ente querido. Qual o risco que o cuidador corre ao 
ficar desamparado? No mínimo, o de se sentir esgotado, por ter dado tudo de si, 
recebendo pouco ou quase nada em troca. 
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Mesmo que o ofício pastoral e o aconselhamento sejam práticas 
prazerosas, podem também trazer desgaste e cansaço. Apesar de não haverem 
muitos estudos que demonstrem o sofrimento vivido por ministros religiosos, os 
poucos disponíveis alertam para uma forte associação com transtornos de humor, 
como a depressão, além de ansiedade, Síndrome de Burnout e suicídio (Deus, 
2009; Nunes; Souza; Castro, 2018; Silva, 2018). E é por isso que precisamos falar 
da importância de cuidar do cuidador. 
Existem alguns motivos que prejudicam o cuidado ao ministro religioso: 
 Há a expectativa de que sejam o “modelo” de conduta, comportamental e 
espiritual, para os membros da comunidade. Por isso precisariam estar 
sempre “fortes”. 
 O sofrimento, tanto físico quanto psíquico, pode ser percebido em algumas 
comunidades como sinal de fraqueza e, até mesmo, incapacidade de 
liderar, colocando à prova a competência do pastor. 
 Algumas denominações religiosas creem que a doença, física ou mental, 
pode ser resultado da ação maligna, de falta de fé e/ou desobediência a 
Deus. Dessa forma, se o líder religioso aparentar sofrimento poderá ser 
julgado como inapto para exercer sua função. 
 O líder religioso é uma pessoa consagrada, separada para o serviço do 
sagrado, para a maior parte das denominações cristãs. E muitas delas 
perpetuam a noção de que ao ser consagrado estará fortalecido física e 
mentalmente para todo tipo de situação. Novamente, esmorecer seria um 
sinal de afastamento de Deus ou pecado. 
Tendo em vista os resultados alarmantes de estudos sobre a saúde mental 
de líderes cristãos, é urgente mudarmos esses paradigmas. Só é possível 
oferecer cuidado a outras pessoas se gozamos do mesmo cuidado e de boa 
saúde, física e mental. Todo cuidador, independente da função que exerce, 
merece e precisa de cuidados constantes. 
Mesmo que as Escrituras Sagradas garantam cuidado divino para aqueles 
que são separados para a sua obra, é incumbência pessoal cuidar de si. E quando 
o cuidador negligencia o autocuidado, está negligenciando o cuidado para com os 
outros. As igrejas também precisam reconhecer que seus ministros são parte do 
rebanho do Bom Pastor: o sacrifício cabal na cruz também foi por aqueles que 
dedicam sua vida ao ministério. 
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Ansiamos tanto que as pessoas possam se entregar aos nossos cuidados 
com toda a confiança e abertura. Para tanto, devemos dar o exemplo: estarmos 
abertos a pedir e receber cuidado, sempre que precisarmos. Hoje pode soar 
estranho, mas conforme nos abrimos para mais relações de cuidado, percebemos 
que isso é, de fato, a essência do Evangelho. 
TEMA 2 – BURNOUT NA PRÁTICA PASTORAL 
O resultado extremo da falta de cuidado ao cuidador é o esgotamento 
mental e físico. E o Ministério da Saúde aponta que cuidadores em geral, como 
profissionais da educação, da saúde, da segurança e do assistencialismo, são os 
mais propensos a desenvolverem essa condição de exaustão – a Síndrome de 
Burnout (Silva, 2018). 
A Síndrome de Burnout é um conjunto de sintomas e sinais de exaustão 
física e psíquica, decorrente de um trabalho prolongado e com níveis altos e 
crônicos de estresse. Ela é acompanhada de um sentimento de frustração em 
relação a si mesmo e ao trabalho, atingindo todos aqueles com dedicação 
exagerada ao trabalho e com perfil perfeccionista (Silva, 2018). Ou seja, é a 
síndrome do esgotamento profissional. 
Qualquer pessoa envolvida direta ou indiretamente ao exercício da função 
pastoral saberá dizer quão exaustiva ela é. Apesar de os protestantes defenderem 
o sacerdócio universal, ou seja, que todos os salvos são chamados a servir, a 
liderança pastoral ainda assume, se não a integralidade, boa parte das atividades 
eclesiásticas. 
Cada denominação confere diferentes sentidos e atribuições ao serviço 
pastoral. E não cabe ao nosso estudo avaliar com profundidade o impacto de cada 
forma de “ser pastor” sobre a saúde mental destes. Mas é possível salientar 
alguns motivos que levam os pastores e líderes cristãos ao esgotamento (Silva, 
2018): 
 A dificuldade em estabelecer limites, espaciais e tecnológicos, entre a casa 
e o trabalho. Pastores exercem um trabalho fulltime, estando alerta a 
ligações e demandas em todos os períodos do dia. Essa dificuldade de 
distanciamento faz com que fiquem o tempo todo conectados com o 
trabalho. A mente e o corpo não têm oportunidade, nem tempo suficiente 
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para desconectar, descansar e se restabelecer do estresse gerado pelas 
situações de trabalho. 
 Pastores somam horas de trabalho, funções e cobranças sobre si como um 
executivo de alta performance, mas sem os benefícios de uma grande 
corporação (Deus, 2009). A falta de horário determinado para as atividades 
pastorais deixa o líder religioso sem um parâmetro de limite para sua 
atuação e, algumas vezes, a igreja local cobra que ele esteja disponível 
sempre. 
 A falta de limites entre o ofício pastoral e a família pastoral impacta 
negativamente o clima familiar.A falta de tempo e a conexão mental 
constante com o trabalho prejudica a relação conjugal e com os filhos. Isso, 
além de causar sofrimento, distancia o pastor de uma importante fonte de 
apoio que é sua família, aumentando a sensação de solidão. 
 A realidade da maioria das igrejas protestantes brasileiras é que o pastor 
acumula muitas funções, apesar de não ter formação ou preparo adequado 
para isso. Ele é psicólogo, para todos os problemas e faixas etárias; 
executivo; assistente social; palestrante; líder; capelão; dentre outros. 
Exercer tantas funções distintas gera, inevitavelmente, sobrecarga mental 
e física. 
É possível que você tenha se identificado com um ou mais desses itens. 
Pode ser que ao longo desta disciplina você tenha percebido que você, ou alguém 
da sua família, está sofrendo de algum transtorno mental. Saiba que, 
independente da função que você exerce, você e sua família precisam e merecem 
todo o cuidado. Assim como as pessoas que buscam sua ajuda, você também 
precisa e merece ser ajudado. Existem algumas formas de encontrar cuidado: 
fortalecendo sua rede de relacionamentos – construa boas e sinceras amizades; 
procurando um mentor – encontre alguém mais experiente, da sua denominação 
ou não, que possa ouvir suas mais profundas angústias e que possa te 
aconselhar; procurando atendimento especializado – faça consultas de rotina para 
cuidar da sua saúde, procure um psiquiatra e faça terapia. 
Saiba mais 
Uma sugestão de leitura para todo conselheiro: 
CORDEIRO, W. Andando com o tanque vazio. São Paulo: Vida Livros, 2011. 
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Nele o autor compartilha sua experiência pessoal como ministro, ao passar 
por três anos de esgotamento extremo pelas exigências do ministério. 
TEMA 3 – RECONHECENDO OS LIMITES 
Como vimos, existe sobre o pastor e líder religioso uma expectativa de que 
ele seja capaz de lidar com toda e qualquer situação de conflito ou sofrimento, de 
preferência, sem se abater. Dessa forma, muitos, ao exercer a função pastoral, 
seja por exigência externa ou autoexigência, colocam-se no lugar daquele que 
trará cuidado e solução para todos. 
Contudo, como acabamos de ver, essa postura não é benéfica para o 
pastor ou líder, que pode acabar se esgotando, nem para sua família. Também 
não traz benefício algum para as pessoas que são cuidadas por ele. Pelo bem 
daqueles que nos procuram para aconselhamento, precisamos reconhecer 
nossas limitações e encaminhá-las para o melhor atendimento possível. 
3.1 Reconhecendo os limites pessoais 
Faz parte de toda profissão que oferece cuidado reconhecer suas 
limitações. Mesmo que um cuidador disponha de 100% de si e de seus recursos, 
não será capaz de atender a todas as pessoas e situações que chegarem a ele. 
Um dos motivos disso é que toda pessoa é limitada. Por exemplo: a pouca 
idade, a inexperiência ou a falta de estudos sobre o tema podem tornar uma 
pessoa limitada para aconselhar outras pessoas sobre algumas fases da vida, 
como casamento, filhos ou aposentadoria. Não é um impedimento, mas pode ser 
que essa pessoa precise estudar mais sobre o tema ou ouvir pessoas que passam 
por essa situação para estar apto para aconselhar pessoas que passam por essas 
transições. 
Outra situação é que algumas pessoas despertam em nós sensações e 
sentimentos desagradáveis. Seja pelo comportamento ou postura delas, seja 
porque nos lembram uma situação ruim que vivenciamos há anos, sentimo-nos 
mal ao nos encontrarmos com elas. Isso não significa que devemos evitá-las. Mas 
para prestarmos um bom cuidado, precisamos reconhecer que isso acontece e 
procurar uma solução: conversar com um conselheiro mais experiente, fazer 
terapia para descobrir quais são os gatilhos emocionais acionados ou encaminhar 
essa pessoa para outro conselheiro. 
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Seja qual for a nossa limitação no atendimento de uma pessoa, reconhecer 
isso demonstra competência. É uma postura de lealdade e de cuidado ao outro: 
tenho limitações e não deixarei que elas prejudiquem o outro, ou impeça que ele 
tenha o melhor cuidado que poderia ter. 
3.2 Limites da profissão 
Quando vamos a um médico, não esperamos que ele seja capaz de 
diagnosticar e tratar toda e qualquer doença. Esperamos que ele nos ouça com 
atenção, examine com cuidado nossa queixa e nos diga o que fazer. Na maior 
parte das vezes, o médico que nos atende será capaz de nos dar o tratamento e 
as orientações corretas. Prescreverá um conjunto de ações terapêuticas: 
medicações a tomar, se deveremos descansar ou aumentar a atividade física, se 
devemos evitar o trabalho por alguns dias. E um bom médico saberá reconhecer 
quando o paciente necessita de um especialista e fará o devido encaminhamento. 
É disso que se trata reconhecer os limites da sua profissão, ou da sua 
atuação como conselheiro. Pelo bem da pessoa que nos procura, precisamos 
reconhecer que nosso conhecimento e capacidade são limitados. Continuar 
prestando um cuidado insatisfatório, além de frustrante, pode custar muito. 
Imagine que você consulta um médico por uma dor no corpo que está 
sentindo. Ele lhe atende com muita cordialidade, examina-o e lhe prescreve algum 
analgésico. Mesmo depois de um tempo de medicação a dor permanece. E você 
vai repetidas vezes ao consultório dele, mas ele não muda o tratamento nem 
encaminha para exames complementares ou algum especialista. Além de muito 
frustrante, isso representa um perigo real: sabemos que a medicação pode estar 
mascarando alguma outra situação muito mais grave. 
Salvo as devidas proporções, é isso o que fazemos quando nos sentimos 
na obrigação de sermos tudo para todos. Pelo bem daqueles que nos procuram 
precisamos ter a humildade de reconhecer que, muitas vezes, eles precisam da 
ajuda de outras pessoas. Por isso, quando percebemos que a pessoa sob nossos 
cuidados necessita, não devemos hesitar em encaminhá-la para atendimentos 
especializados, seja por profissionais da saúde mental (psicólogos e psiquiatras), 
seja por outras especialidades. 
 
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TEMA 4 – UM EXEMPLO DE CASO 
Você se lembra do caso apresentado anteriormente nesta disciplina? 
Vamos retomá-lo para aplicar brevemente os conceitos que desenvolvemos 
durante nossas aulas. Lembrando que todo o caso é hipotético, inclusive o 
desfecho dele. 
Relembrando: O Sr. Antônio procura o pastor de sua igreja com a seguinte 
queixa: tem passado as noites insone, demorando muito a pegar no sono e 
acordando diversas vezes durante a madrugada. Ele está exausto e isso tem 
afetado seu trabalho e a relação com a família. 
Considerando tudo o que você aprendeu nessa disciplina, o que você faria 
para prestar cuidado ao Sr. Antônio? O que você perguntaria ou diria a ele? Se 
puder, antes de prosseguir na leitura, pegue agora um papel e uma caneta e anote 
o que lhe vem à cabeça. Tenho certeza de que você vai se surpreender. Surgirão 
muitas ideias, até mais do que traremos aqui. 
Em primeiro lugar, precisamos conhecer melhor o Sr. Antônio. Lembra que 
somos seres biopsicossocioespirituais. Você pode consultar a tabela “A pessoa 
como ser integral”, vista anteriormente e que tem várias sugestões de perguntas 
e ações a serem tomadas. Fazemos isso para garantir que estamos cobrindo 
qualquer causa física ou psíquica da insônia do Sr. Antônio. Particularmente, eu 
o incentivaria a procurar um médico para investigar qualquer causa física e, 
também, a tomar qualquer medicação receitada que pudesse melhorar a sua 
qualidade de vida. 
Em segundo lugar, tenha em mente que você é seu melhor recurso 
terapêutico! Como vocêestá enquanto fala com ele? Está atento? Como está sua 
postura corporal – aberta para ouvi-lo com cuidado? Sente algum desconforto – 
tem estado cansado ou irritado por algo que não seja culpa do Sr. Antônio? Está 
disposto a ouvi-lo sem preconceitos ou julgamentos, para entender o que ele 
realmente precisa? Lembre-se que cuidar de você mesmo é fundamental para 
oferecer cuidado aos outros. Se você não estiver se sentindo bem, física ou 
mentalmente, faça uma pausa. Se necessário, remarque o encontro. O Sr. Antônio 
e todas as pessoas que lhe procuram precisam que você esteja nas suas 
melhores condições. 
Ao longo dos encontros com o Sr. Antônio vocês puderam desenvolver uma 
excelente relação terapêutica. Ele tem confidenciado muitos segredos, 
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demonstrando muita emoção ao falar de situações da vida dele. Ele confia em 
você e tem seguido suas orientações. Vocês puderam conversar sobre os planos 
de Deus, sobre a salvação, sobre perdão e tantos outros temas que o ajudaram 
tanto! 
Mas mesmo tendo uma boa postura e uma forte relação terapêutica, você 
percebe que o Sr. Antônio continua abatido. Existem lembranças da vida dele que 
ele não consegue superar, mesmo depositando toda a fé em Deus. Ele já não 
passa todas as noites insone como antes, mas continua a se queixar de cansaço 
e de falta de prazer nas atividades que antes lhe traziam tanta alegria. Em alguns 
momentos o Sr. Antônio chega a pensar que as pessoas viveriam melhor se ele 
não existisse mais. O que você faria para cuidar dele neste momento? 
Esse é o momento de reconhecer que o Sr. Antônio precisa de mais 
pessoas fazendo parte da rede de cuidado dele. É o momento de mostrar que ele 
sempre poderá contar com você, mas que o melhor para ele é ter o 
acompanhamento de um profissional da saúde mental. O melhor a fazer pelo Sr. 
Antônio é ajudá-lo a encontrar um bom psiquiatra e um bom psicólogo que, junto 
com a sua atenção, vão cuidar de aspectos da vida dele com outros instrumentos. 
O psiquiatra que atende o Sr. Antônio percebe que ele está enfrentando um 
episódio depressivo, com alguns sintomas de ansiedade. Ele prescreve uma 
medicação específica e passa a acompanhá-lo mensalmente. Além disso, Sr. 
Antônio está fazendo terapia – tem aprendido mais sobre o que está passando e 
descobrindo o que causou essa situação em sua vida. 
Depois de algumas semanas você o reencontra. Como você acha que ele 
está? Nessa situação hipotética, eu imagino que estaríamos surpresos ao ver 
como ele melhorou. Perceberíamos como ele está mais participativo nas 
conversas e tem compreendido melhor as coisas que você explica para ele, está 
cheio de esperança, crendo que Deus tem feito o melhor por ele. 
TEMA 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Chegamos ao último tópico da nossa disciplina. Você consegue se lembrar 
de quando começou a ler os textos? Quais eram suas expectativas? O que você 
esperava aprender? Suas expectativas foram atendidas? Eu espero que sim. 
Espero que em sua prática como conselheiro você tenha agora uma visão 
mais ampla do ser humano. Agora você tem condições de iniciar uma nova forma 
de atender as pessoas que lhe procuram. Se antes sua atenção estava focada 
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apenas nas disciplinas espirituais, agora pode observar as necessidades 
biopsicossociais que as pessoas apresentam. Certamente, agora, faz mais 
sentido incentivar o cuidado com a saúde física, pois vimos que ela está 
estreitamente relacionada com a saúde mental. 
Tenha sempre em mente o bem-estar das pessoas. Lembre-se que a saúde 
é definida pela Organização Mundial da Saúde como o completo bem-estar físico, 
psicológico e social. Dificilmente chegaremos a essa completude. Mas tenhamos 
em mente que nosso trabalho como conselheiros é ajudar as pessoas a encontrar 
bem-estar subjetivo, sensação de que são capazes de cuidar da própria vida (o 
que inclui autonomia, competência e autorrealização). 
Agora você tem um panorama geral da Psicologia como Ciência e como 
Profissão. Isso facilita compreender as pessoas que estão em terapia e o que isso 
significa. Também lhe dá condições de aceitar profissionais da psicologia como 
seus parceiros, fortalecendo a rede de cuidado daqueles que se aconselham com 
você. 
Lembra que uma das características do bom terapeuta é reconhecer suas 
limitações? Quero salientar que isso não é sinal de fraqueza. É sinal de 
competência e ética. E todo profissional envolvido no cuidado de pessoas tem a 
obrigação ética de compreender que não é suficiente para lidar com todas as 
situações que lhe surgem. 
No Código de Ética do Psicólogo, por exemplo, temos recomendado no Art. 
6º: “Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados 
demandas que extrapolem seu campo de atuação”. Pois mesmo depois de anos 
de estudos e constante atualização, todo psicólogo se depara com situações que 
estão para além de sua competência. E encontraremos recomendações 
semelhantes nos Códigos de Ética das demais profissões engajadas no cuidado 
do ser humano. 
Para os ministros religiosos, cada denominação terá seu próprio Código de 
Ética. Quando você tiver oportunidade, informe-se sobre o documento que rege a 
prática pastoral da sua denominação. E note se há nele alguma recomendação 
sobre encaminhar uma pessoa em aconselhamento para um serviço 
especializado, quando necessário. Lembre-se que a desavença entre ciência e 
religião tem sido superada por meio de diversas pesquisas que apontam os 
benefícios da fé para a saúde mental. Tenhamos, também, em mente que existem 
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aspectos da religião que podem se tornar um fator de risco e nossa prática deve 
sempre ser contrária a esse aspecto. 
Por fim, tenhamos em mente que somos nosso mais valioso recurso. Por 
isso precisamos cuidar bem de nós mesmos. E esse autocuidado envolve: cuidar 
da nossa saúde física e mental, procurando especialistas se necessário; ter uma 
boa rede de apoio, com boas e sólidas amizades; aconselhar-se com pessoas 
mais experientes e maduras; reconhecer seus limites pessoais, respeitando suas 
próprias emoções e necessidades; saber balancear a rotina, encontrando um 
ritmo saudável de trabalho, tendo horas de lazer; estar disposto a aprender 
sempre. 
Por fim, deixo aqui a frase de Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine 
todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma 
humana”. 
 
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REFERÊNCIAS 
DEUS, P. R. G. de. Um estudo da depressão em pastores protestantes. Ciências 
da Religião - História e Sociedade, v. 7, n. 1, 2009, pp. 190–202. 
NUNES, R. Z. de S.; SOUZA, R. V. da C. de; CASTRO, A. Fatores Associados à 
Depressão em Líderes Religiosos de uma Denominação Pentecostal. Id on Line: 
Revista Multidisciplinar e de Psicologia, v. 12, n. 48, 2018, pp. 367–382. 
SILVA, R. F. da. Burnout e suas ressonâncias em ministros religiosos: 
parâmetros para prevenção. [s.l.] Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2018. 
 
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