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Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Agronomia LEANDRA PAULA DE SOUZA PEREIRA (AGM0051) TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO: GERMINAÇÃO NA SOJA COLÍDER-MT 2024 NOME DO (A) ACADÊMICO(A) (TURMA) 1 LEANDRA PAULA DE SOUZA PEREIRA GERMINAÇÃO NA SOJA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Agronomia do Centro Universitário Leonardo da Vinci- UNIASSELVI, como requisito parcial para aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão do Curso-TCC II. Orientador: Emanuel André Mangolim COLÍDER-MT 2024 2 DEDICATÓRIA - Dedico este trabalho, primeiramente, a Deus, por me conceder forças, sabedoria e bênçãos em cada etapa desta jornada. - À minha mãe, Francisca, pelo amor incondicional, apoio e incentivos constantes, que me motivaram a seguir adiante, mesmo nos momentos mais desafiadores. - Ao meu pai, Inácio, por seu exemplo de dedicação, trabalho árduo e perseverança, que sempre me inspiraram a buscar o melhor em tudo o que faço. - Aos meus irmãos, Alessandro e Leandro, por estarem sempre ao meu lado, oferecendo seu carinho, companheirismo e incentivo inestimável. - A todos vocês, minha eterna gratidão e amor. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por me conceder forças, sabedoria e orientação ao longo desta jornada, iluminando meu caminho e proporcionando as oportunidades necessárias para alcançar meus objetivos. À minha família, pelo amor incondicional e apoio constante. À minha mãe, Francisca, por seu carinho e incentivos; ao meu pai, Inácio, por seu exemplo de trabalho árduo e dedicação; e aos meus irmãos, Alessandro e Leandro, por seu companheirismo e suporte. Aos meus amigos, que sempre estiveram ao meu lado, oferecendo palavras de encorajamento e momentos de descontração que tornaram essa trajetória mais leve e prazerosa. Agradeço também aos professores do Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, pelo conhecimento compartilhado, orientação e dedicação ao longo do curso. Em especial, ao meu orientador prof. Emanuel André Mangolim, por seu apoio e contribuições essenciais para a realização deste trabalho. 4 EPÍGRAFE “Deus converte o deserto em lago e a terra seca em fontes” Salmos 107. 5 RESUMO O presente estudo teve como objetivo geral revisar a literatura sobre a importância da germinação da soja, destacando os principais fatores que influenciam este processo, no contexto da produção agrícola brasileira, onde a soja desempenha uma função essencial, a qualidade das sementes, a temperatura e a umidade do solo foram identificadas como determinantes essenciais para uma germinação eficaz. A metodologia adotada para a realização deste estudo foi o método de abordagem descritiva com base em pesquisa e análise bibliográfica. Os resultados indicam um consenso sobre a importância de sementes de alta qualidade e condições ambientais ideais para a germinação, embora existam divergências nas práticas de tratamento das sementes. A análise crítica destacou a necessidade de monitoramento cuidadoso da temperatura e umidade, além de práticas sustentáveis de manejo. Em conclusão, o estudo destaca a necessidade contínua de pesquisas sobre a variabilidade das respostas das sementes a diferentes condições ambientais e a comparação de métodos de tratamento de sementes. A inovação tecnológica e as práticas agrícolas sustentáveis são essenciais para otimizar a germinação e a produtividade da soja, beneficiando agricultores e o meio ambiente. Palavras-Chaves: Germinação. Sementes. Cultura da soja. 6 ABSTRACT The present study had the general objective of reviewing the literature on the importance of soybean germination, highlighting the main factors that influence this process, in the context of Brazilian agricultural production, where soybeans play an essential role, seed quality, temperature and soil moisture were identified as essential determinants for effective germination. The methodology adopted to carry out this study was the descriptive approach method based on research and bibliographic analysis. The results indicate a consensus on the importance of high- quality seeds and ideal environmental conditions for germination, although there are divergences in seed treatment practices. The critical analysis highlighted the need for careful monitoring of temperature and humidity, as well as sustainable management practices. In conclusion, the study highlights the continued need for research into the variability of seed responses to different environmental conditions and the comparison of seed treatment methods. Technological innovation and sustainable agricultural practices are essential to optimize soybean germination and productivity, benefiting farmers and the environment. Key-words: Germination. Seeds. Soybean cultivation. 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01 – Alimentação humana...................................................................................................11 Figura 02 – Alimentação animal....................................................................................................12 Figura 03 – Óleo vegetal................................................................................................................13 Figura 04 – Soja no biocombustível...............................................................................................14 Figura 05 – Processo de germinação..............................................................................................16 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 9 2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 11 2.1 A soja .................................................................................................................................. 11 2.2 Germinação de Sementes .................................................................................................... 16 3 MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................................ 20 3.1 Procedimentos Metodológicos ............................................................................................. 20 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................... 21 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 24 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 26 9 1 INTRODUÇÃO A soja (Glycine max L) possui um considerável impacto no cenário econômico brasileiro, sendo a principal cultura do agronegócio no país. O Brasil, como o maior produtor global de soja, alcançou aproximadamente 136 milhões de toneladas na safra 2020/21,cultivadas em uma área de 38,502 milhões de hectares, com uma média de 3,500 kg/ha (CONAB, 2021). Essa cultura não apenas ocupa uma posição central na produção agrícola brasileira, mas também é uma fonte essencial de renda para os produtores rurais, desempenhando um papel significativo na balança econômica do país. Nesse contexto, destaca-se a importância da utilização de sementes de alta qualidade fisiológica como um elemento fundamental para o sucesso na produção de culturas, conforme destacado por Krzyzanowski, França-Neto e Henning (2018). A germinação na soja é um estágio que marca o início do ciclo de vida da planta, sendo fundamental para seu desenvolvimento saudável, este processo envolve a formação de radículas e plúmulas, desencadeando atividades metabólicas que convertem reservas de nutrientes em formas utilizáveis pela planta em crescimento, além disso, a germinação contribui para a produção de energia, mobilização de reservas, desenvolvimento do sistema radicular e adaptação ao ambiente. Uma germinação bem-sucedida fortalece a resistência da planta a estresses ambientais, impactando positivamente sua produtividade e saúde ao longo do ciclo de crescimento (CZELUSNIAK; SILVA, 2022). A germinação da soja é um processo vital composto por várias etapas. Inicia-se com a absorção de água, desencadeando a ativação enzimática que converte reservas de amido e proteínas em nutrientes essenciais para a planta, durante esse processo, a radícula se alonga, seguida pela emergência da plúmula e desenvolvimento das primeiras folhas. Simultaneamente, forma-se um sistema radicular robusto para absorver água e nutrientes do solo. Essas etapas permitem a adaptação ao ambiente e conferem à planta resistência a estresses ambientais, estabelecendo as bases importantes para seu crescimento e desenvolvimento contínuo (KAWAKAMI, 2018). A problemática da pesquisa está relacionada a germinação da soja, tendo como problemática a seguinte pergunta: Quais as condições adequadas para a germinação da soja? Para responder à pergunta norteadora o presente estudo teve como objetivo geral revisar a literatura acerca da importância da germinação da soja. Consequentemente os objetivos específicos foram 10 discorrer sobre a cultura da soja, apontar as etapas do processo de germinação e compreender a importância da germinação na cultura da soja e quais os benefícios para o produtor. A pesquisa sobre a germinação da soja se revela de suma importância em diversos aspectos, fundamentando-se em múltiplos motivos que impactam significativamente a agricultura e setores relacionados. Primeiramente, a soja é uma commodity agrícola de destaque no cenário mundial, sendo o Brasil o maior produtor global. Compreender a germinação da soja é crucial para aprimorar práticas agrícolas, otimizar o manejo de plantações e, consequentemente, aumentar a produtividade dessa cultura essencial para a economia nacional. Contudo, foi utilizado como metodologia para elaboração deste estudo o método de abordagem descritiva com base em pesquisa e análise bibliográfica. Na coleta de dados foram utilizadas fontes secundárias, coletadas em dados do Google Acadêmico, Embrapa, Capez e Scielo. No lapso temporal de 2010 a 2024. 11 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 A soja A soja (Glycine max) tem origem na Ásia, especificamente na China, onde foi domesticada há milhares de anos. Cultivada inicialmente por suas sementes e propriedades forrageiras, a soja se disseminou por outros países asiáticos e, posteriormente, para a Europa e Américas. Nos séculos XIX e XX, tornou-se uma cultura agrícola essencial nos Estados Unidos e em várias partes do mundo. Atualmente, a soja é cultivada globalmente, desempenhando um considerável papel na alimentação humana e animal, bem como na indústria de óleo vegetal e biocombustíveis conforme representa nas figuras 01 a 04 (VILLELA, 2017). Figura 01: Alimentação humana. . Fonte: https://prodiet.com.br/blog/beneficios-da-proteina-da-soja/ Rica em proteínas, vitaminas e minerais, a soja é uma excelente fonte de nutrientes essenciais, especialmente para dietas vegetarianas e veganas, produtos derivados da soja, como tofu, leite de soja, tempeh e proteína texturizada, são amplamente utilizados como alternativas às proteínas animais, contribuindo para dietas equilibradas e saudáveis, além disso, a soja contém isoflavonas, que são compostos com propriedades antioxidantes e benefícios potenciais para a saúde cardiovascular e óssea, deste modo, a inclusão da soja na alimentação humana não só 12 promove uma nutrição adequada, mas também apoia práticas alimentares sustentáveis, considerando seu impacto ambiental relativamente menor em comparação com a produção de carne (SIQUEIRA et al., 2016). Figura 02: Alimentação animal Fonte: https://portal.agro2business.com/subprodutos-da-agroindustria-da-soja-na-alimentacao-de-ruminantes/. A soja também é amplamente utilizada na alimentação animal devido ao seu elevado teor de proteína e perfil nutricional balanceado, a farinha de soja, um subproduto do processamento do óleo de soja, é um ingrediente fundamental em rações para aves, suínos, bovinos e peixes, este ingrediente fornece aminoácidos fundamentais que são importantes para o crescimento, desenvolvimento e saúde dos animais. Ainda, a soja melhora a eficiência alimentar e contribui para a produção de carne, leite e ovos de alta qualidade, além do mais, a utilização da soja na alimentação animal apoia a sustentabilidade do setor agropecuário, oferecendo uma fonte de proteína vegetal que pode substituir parcialmente os ingredientes de origem animal nas rações, reduzindo a dependência de recursos naturais e o impacto ambiental da pecuária (GAVIOLI; NUNES, 2015). A soja é uma importante fonte de óleo vegetal, amplamente utilizado na culinária e na indústria alimentícia, o óleo de soja é extraído das sementes de soja e é valorizado por seu sabor neutro, alta estabilidade a altas temperaturas e perfil nutricional saudável, sendo rico em ácidos graxos insaturados, como o ácido linoleico, e livre de gorduras trans, este óleo é utilizado para 13 frituras, assados, saladas e como ingrediente em margarina, maionese e muitos outros produtos alimentícios processados (OSAKI; BATALHA, 2011). Figura 03: Óleo vegetal Fonte: https://biodieselbrasil.com.br/oleo-de-soja-o-que-esperar-para-os-proximos-meses/ Importante destacar que além de seu uso culinário, o óleo de soja tem aplicações industriais, incluindo a produção de biodiesel, que contribui para a sustentabilidade energética ao fornecer uma alternativa renovável aos combustíveis fósseis, a versatilidade e os benefícios nutricionais do óleo de soja o tornam um componente essencial tanto na alimentação humana quanto em várias aplicações industriais (OSAKI; BATALHA, 2011). O óleo de soja, extraído das sementes, é convertido em biodiesel através de um processo chamado transesterificação, este biocombustível é biodegradável, não tóxico e tem um perfil de emissão mais limpo, reduzindo significativamente a emissão de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e partículas de enxofre, quando comparado ao diesel tradicional. A utilização de biodiesel de soja contribui para a sustentabilidade energética, diminui a dependência de petróleo importado e apoia a economia agrícola ao criar uma demanda adicional para os produtos de soja, o biodiesel de soja pode ser utilizado em motores diesel sem a necessidade de grandes 14 modificações, tornando-o uma solução prática e eficiente para a transição para fontes de energia maissustentáveis (PEREIRA et al., 2016). Figura 04: Soja no biocombustível. Fonte: https://revistapotencia.com.br/portal-potencia/energia/uso-do-biodiesel-nas-termoeletricas/ O primeiro registro conhecido do cultivo de soja nos Estados Unidos ocorreu na Geórgia, em 1765, na fazenda Greenwich, pertencente ao Supervisor Geral Henry Yonge, a pedido de Samuel Bowen. Bowen, um ex-marinheiro da Companhia das Índias Ocidentais, trouxe sementes de soja da China para Savannah, Geórgia. O propósito do cultivo era a produção de shoyu e vermicelli, uma pasta de soja, esse relato antecede cronologicamente o cultivo pioneiro na Pensilvânia, atribuído a James Mease, conforme mencionado em artigos científicos a partir do registro inicial de Piper e Morse em 1916 (GAZZONI; DALL'AGNOL, 2018). Em 1878, durante uma viagem de estudos à Europa, os Drs. George H. Cook e James Nielson da Estação Experimental Agrícola de Jersey adquiriram sementes de soja na Estação Experimental Agrícola da Baviera e na Exposição de Viena, as sementes foram plantadas em maio de 1879, e a colheita da soja em outubro revelou resultados encorajadores, esse evento 15 representa o primeiro relatório de testes de soja em uma instituição pública de pesquisa nos Estados Unidos, conforme documentado por Hymowitz em 1983. Após o estudo inicial, novas sementes foram introduzidas do Japão e da China por diversos pesquisadores em diferentes instituições nos EUA, marcando o início da experimentação extensiva com a soja nas últimas duas décadas do século XIX, realizada em praticamente todas as estações experimentais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) (GAZZONI; DALL'AGNOL, 2018). O primeiro registro do cultivo de soja no Brasil é atribuído a Gustavo D'Utra em 1882, conforme documentado por Leal em 1967. No entanto, esse professor da Faculdade de Agronomia de Cruz das Almas, Bahia, enfrentou um fracasso em sua tentativa de estabelecer a produção comercial. O insucesso é atribuído ao fato de que as variedades de soja cultivadas naquela época eram adaptadas principalmente a climas frios ou temperados, predominantes em latitudes superiores a 30º. A região onde a soja foi testada, no Estado da Bahia, caracteriza-se por um clima tropical e baixa latitude (12ºS), condições que não eram ideais para as variedades de soja disponíveis na época. Na década de 1890, especificamente em 1891, foram conduzidos testes de cultivares de soja no Instituto Agronômico de Campinas (IAC-SP) com o principal objetivo de avaliar sua adequação como planta forrageira para a alimentação do gado, como documentado por Leal em 1967 (BARCELOS; BONETTI, 2019). O sucesso da soja no Brasil ocorreu quando foi introduzida no Estado do Rio Grande do Sul (RS), onde prevalece o clima subtropical. Semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos durante as décadas de 1920 a 1940, as primeiras variedades de soja utilizadas no Rio Grande do Sul foram inicialmente estudadas com o propósito de avaliar seu desempenho como forrageiras, em vez de como plantas produtoras de grãos para a indústria de farelo e óleo (BARCELOS; BONETTI, 2019). Nos dias atuais a soja é uma cultura agrícola de grande importância no Brasil, sendo um dos maiores produtores e exportadores globais. O país utiliza tecnologias avançadas, incluindo sementes geneticamente modificadas, para aumentar a produtividade. A produção está concentrada em estados como Mato Grosso, Goiás e regiões do Sul e Nordeste. A expansão da agricultura tem impactos econômicos significativos, contribuindo para a balança comercial brasileira. No entanto, existem desafios ambientais e sociais relacionados ao desmatamento e à sustentabilidade. A pesquisa e inovação continuam sendo focos para melhorar a eficiência da produção e abordar questões ambientais (TEIXEIRA, 2022). 16 2.2 Germinação de Sementes A germinação de sementes é o processo pelo qual uma semente se transforma em uma planta jovem. Inicia-se com a absorção de água pela semente, ativando enzimas internas que quebram nutrientes armazenados, o embrião cresce, dando origem à raiz, caule e primeiras folhas conforme mostra a figura 5. A planta emerge do solo, busca luz para a fotossíntese e continua a se desenvolver até atingir a maturidade. Fatores como temperatura, umidade e luz influenciam significativamente o sucesso da germinação, sendo essencial para a reprodução das plantas e a biodiversidade (GORDIN; SCALON; MASETTO, 2015). Figura 05: Processo de germinação Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/germinacao.htm O ciclo de crescimento da soja abrange vários estágios, começando com a germinação e emergência, passando pelos estágios vegetativos, pré-floração e floração, seguidos pela formação de vagens e maturação conforme demostrado na figura 6. No decorrer do estágio vegetativo, a planta concentra-se no desenvolvimento das folhas e do sistema radicular, a floração é importante 17 para a formação de vagens, que, por sua vez, levam à maturação, na fase de maturação, as folhas amarelam, indicando a preparação para a colheita, o entendimento desses estágios é fundamental para implementar práticas agrícolas eficazes e maximizar o rendimento da cultura (MONTENEGRO, 2022). Figura 06: Ciclo da Soja Fonte: https://blog.chbagro.com.br/entenda-a-importancia-da-floracao-na-plantacao-de-soja Brito (2015), aponta que a germinação de sementes é um processo multifásico essencial para o desenvolvimento de plantas, começa com a absorção de água pela semente, ativando enzimas internas que convertem reservas de nutrientes, a radícula emerge, seguida pela plúmula, desenvolvendo o caule e as folhas embrionárias, com o crescimento contínuo, a planta busca luz para a fotossíntese, a maturidade sexual é alcançada, resultando na produção de flores e sementes, completando o ciclo de vida da planta, portanto, cada fase é influenciada por fatores específicos, como água, temperatura e luz. A germinação é de grande importância para a cultura da soja, marcando o início do ciclo de vida da planta. Uma germinação bem-sucedida resulta em plântulas saudáveis, contribuindo para a maximização da produtividade e a otimização do espaçamento e da população de plantas. A uniformidade na germinação permite uma resposta consistente a condições ambientais variáveis e contribui para um ciclo de crescimento previsível. Além disso, plântulas vigorosas provenientes de uma germinação eficiente estabelecem-se de maneira eficaz no campo, 18 competindo com ervas daninhas e contribuindo para o sucesso global do cultivo de soja (SALGADO, 2017). O processo de germinação confere vários benefícios à soja, melhorando suas propriedades nutricionais e potencializando seu valor como alimento, durante a germinação, ocorre a ativação de enzimas que quebram substâncias antinutricionais e aumentam a disponibilidade de nutrientes, como proteínas, vitaminas e minerais. Isso melhora o perfil nutricional da soja germinada em comparação com a soja não germinada. A germinação reduz os níveis de antinutrientes, como fitatos e inibidores de tripsina, presentes na soja. Esses compostos podem interferir na absorção de nutrientes pelo organismo, e a germinação contribui para sua diminuição, bem como melhora a digestibilidade, pois a quebra de complexos proteicos durante a germinação facilita a digestão e absorção de proteínas. Isso é particularmente relevante porque a soja é uma fonte significativa de proteína na dieta humana (BASTOS, 2020). O processo de germinação pode aumentar a concentração de compostos antioxidantes na soja, como vitamina C, vitamina E e outros compostos fenólicos, contribuindo para propriedades antioxidantes, pode ainda diminuir a presença de alergênicos potenciais na soja, tornando-a potencialmentemais tolerável para pessoas sensíveis a certos componentes da soja. Segundo Pereira, Coelho e Grativol (2020), a germinação pode influenciar positivamente a textura e o sabor da soja, tornando-a mais palatável e agradável ao consumidor, pois soja germinada pode ser utilizada na produção de alimentos funcionais, que oferecem benefícios à saúde além das funções nutricionais básicas. Segundo Bastos (2020), a germinação contribui para a redução de fatores antinutricionais, como taninos, que podem interferir na absorção de nutrientes e conferir sabor amargo, portanto, é importante notar que a germinação pode variar dependendo das condições específicas do processo. O consumo de produtos de soja germinada pode ser uma opção para aqueles que buscam aproveitar esses benefícios nutricionais adicionais. Todavia, para garantir uma germinação eficaz da soja, o agricultor deve considerar diversos fatores críticos que influenciam o desenvolvimento inicial das plantas, primeiramente, é essencial utilizar sementes de alta qualidade fisiológica, que apresentem alto vigor e viabilidade, testes de germinação e vigor devem ser realizados para assegurar que as sementes estão aptas para o plantio (MAY et al., 2012), em seguida, a temperatura do solo deve ser monitorada, pois a faixa ideal para a germinação da soja varia entre 25°C e 30°C, técnicas como o uso de coberturas 19 de solo podem ajudar a manter a temperatura adequada, especialmente em regiões com grandes variações térmicas (FARIAS; NEPOMUCENO; NEUMAIER, 2007). A disponibilidade hídrica é outro fator importante, onde, o solo deve estar suficientemente úmido para permitir a absorção de água pelas sementes, mas sem encharcar. Sistemas de irrigação por gotejamento ou microaspersão são recomendados para manter a umidade ideal do solo, ainda, o solo deve ser bem preparado, livre de compactação e detritos, e ter uma boa estrutura para facilitar a emergência das plântulas, a correção do pH e a fertilização adequada são importantes para fornecer um ambiente favorável à germinação (PEREIRA; COELHO; GRATIVOL, 2020). O tratamento das sementes com fungicidas, inseticidas ou bioestimulantes pode proteger as sementes contra doenças e pragas, além de promover um melhor desenvolvimento inicial, a escolha entre tratamentos convencionais e sustentáveis deve ser feita com base nas condições locais e nas práticas de manejo desejadas, a densidade de semeadura também deve ser ajustada para evitar competição excessiva entre as plantas por luz, água e nutrientes, variando de acordo com a cultivar e as condições específicas do campo (ALMEIDA et al., 2014). A profundidade de plantio é outro aspecto importante, as sementes de soja devem ser plantadas a uma profundidade adequada, geralmente entre 3 e 5 cm, pois, plantar muito raso ou muito fundo pode prejudicar a germinação e o estabelecimento das plântulas, portanto, após a semeadura, o agricultor deve monitorar regularmente o campo para detectar problemas de germinação e realizar intervenções rápidas, se necessário, incluindo manejo de ervas daninhas, pragas e doenças (GARCIA, 2021). Contudo, de acordo com Kawakami (2018), a germinação eficiente da soja oferece diversos benefícios ao produtor rural. Isso inclui o estabelecimento uniforme da cultura, contribuindo para uma distribuição homogênea de plantas no campo e facilitando o manejo, a produção de plântulas saudáveis resulta em maior resistência a condições adversas e aumento na produtividade, além disso, a germinação eficiente otimiza o uso de recursos, como água e nutrientes, e facilita práticas de manejo integrado de pragas e doenças, isso, por sua vez, promove a sustentabilidade agrícola e reduz perdas na colheita, contribuindo para uma produção de soja de melhor qualidade. 20 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Procedimentos Metodológicos Para elaboração da presente pesquisa foi utilizado como metodologia o método de abordagem descritiva com base em pesquisa e análise bibliográfica, utilizando–se da observação, comparação, dentre outras etapas. Sendo, está uma pesquisa que explica e discute um tema ou problema com base em referencial teórico já publicado (GIL, 2019). A revisão de literatura é um procedimento que busca analisar e descrever um corpo de conhecimento em busca de uma resposta para uma questão específica. “Literatura” abrange todo material relevante que é escrito sobre um tema: livros, artigos de periódicos, artigos de jornais, registros históricos, relatórios governamentais, teses e dissertações e outros tipos (MATTOS, 2015). Marconi e Lakatos (2018), aponta que a pesquisa de natureza bibliográfica, em forma de coleta de dados, é realizada através de fontes secundárias a partir de busca eletrônica, onde foram utilizados artigos científicos, livros, manuais, relatórios, teses e dissertações disponíveis a respeito do tema em tela. Deste modo, a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado constituído de um apanhado de pesquisas realizadas, revestida de importância por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes ao tema em estudo (MARCONI; LAKATOS, 2018). Para a coleta de dados foram utilizadas fontes secundárias, na qual se trata de um conjunto de informações que já foram analisadas e coletadas por outras pessoas durante um processo de investigação diferente, um método mais rápido de obter e analisar informações. Assim, as coletas de dados foram realizadas através de publicações de Organizações Governamentais, e Empresas Privadas, livros; registros; artigos científicos e websites, coletadas em dados da: Embrapa, Scientific Electronic Library Online (SciElo), Google Acadêmico, Capes. Fazendo pesquisa acerca da temática: Germinação da soja, utilizando como palavras-chave: “Germinação”. “Sementes”. “Cultura da soja”. No período de 2000 a 2024. 21 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A soja é vital para a sociedade em geral devido à sua ampla utilização na alimentação humana e animal, na produção de óleo vegetal e biocombustíveis, e seu impacto econômico e ambiental, sendo rica em proteínas, vitaminas e minerais, a soja é essencial para dietas equilibradas, sendo usada em alimentos como tofu e leite de soja, na alimentação animal, é uma importante fonte de proteína para rações, melhorando a qualidade da carne, leite e ovos, o óleo de soja é versátil na culinária e na indústria alimentícia, além de ser usado na produção de biodiesel, promovendo sustentabilidade energética, diante disso, a soja é um pilar econômico, especialmente no Brasil, um dos maiores produtores e exportadores globais, devido à sua importância, a germinação eficaz da soja é fundamental para garantir alta produtividade e qualidade, destacando a necessidade de práticas agrícolas que assegurem condições ideais para a germinação e crescimento das plantas (PEREIRA; COELHO; GRATIVOL, 2020; VILLELA, 2017). Analisando, a revisão da literatura revelou diversos fatores críticos que influenciam no processo de germinação, onde, os principais resultados identificados incluem temperatura, umidade, qualidade das sementes e práticas de manejo agrícola. Krzyzanowski, França-Neto e Henning (2018) destacam que sementes de alta qualidade fisiológica são essenciais para uma germinação eficiente, impactando diretamente a produtividade da soja, os autores enfatizam que a qualidade das sementes é um fator primordial para garantir o vigor das plantas e a uniformidade das lavouras. A temperatura ideal para a germinação da soja é outro fator amplamente discutido na literatura. Segundo Kawakami (2018), a temperatura ótima para a germinação da soja varia entre 25°C e 30°C. Estudos como o de Czelusniak e Silva (2022) corroboram essa faixa, mostrando que temperaturas abaixo ou acima desse intervalo podem retardar o processo de germinação e afetar o desenvolvimento inicialdas plântulas, a uniformidade na temperatura do solo é, portanto, fundamental para garantir uma emergência uniforme e vigorosa. Corroborando, Garcia (2021), aponta em sua pesquisa que a faixa ideal para a germinação e emergência da soja varia de 20°C a 30°C, sendo 25°C a temperatura ideal para uma emergência rápida e uniforme, segundo o autor semeadura em solo com temperatura média inferior a 18°C pode resultar em uma drástica redução nos índices de germinação e de emergência, além de tornar mais lento esse processo, todavia, o monitoramento da temperatura do solo é fundamental, 22 e em regiões com grandes variações térmicas, técnicas como o uso de coberturas de solo podem ser úteis para manter a temperatura adequada. A umidade do solo também é considerada na germinação da soja, sobre isso, Gordin, Scalon e Masetto (2015) apontam que a disponibilidade hídrica adequada é fundamental para a ativação enzimática e a mobilização de reservas nutricionais nas sementes, pois, a absorção de água pelas sementes é o primeiro passo para a germinação, e a falta de umidade pode levar a uma germinação irregular e ao estabelecimento de plantas fracas. Diante disso, comparando os resultados de diferentes estudos, observa-se um consenso sobre a importância da qualidade das sementes e das condições ambientais adequadas para a germinação da soja. Para Pereira, Coelho e Grativol (2020) a escolha de sementes de alta qualidade e a preparação adequada do solo são práticas indispensáveis para maximizar a germinação e o crescimento inicial das plântulas, no entanto, há divergências em relação às técnicas de tratamento de sementes. Enquanto alguns estudos defendem o uso de tratamentos com fungicidas e inseticidas para proteger as sementes durante a germinação (VILLELA, 2017), outros apontam para os benefícios de tratamentos biológicos que minimizam o impacto ambiental (BRITO, 2015). Portanto, os padrões gerais que a maioria da literatura indica são que as condições ideais para a germinação da soja envolvam uma combinação de temperatura adequada, umidade do solo controlada e sementes de alta qualidade, conforme apontaram Krzyzanowski et al. (2018) e Kawakami (2018) que o controle dessas variáveis pode melhorar significativamente a taxa de germinação e a uniformidade das lavouras. Porém, Czelusniak e Silva (2022) sugerem que o uso de tecnologias avançadas, como o tratamento a plasma, pode oferecer novos conhecimentos e avanços na melhoria da germinação. Todavia, apesar do consenso sobre os fatores críticos para a germinação da soja, a literatura apresenta algumas lacunas que necessitam de investigação futura, uma dessas lacunas é a variabilidade nas respostas das sementes a diferentes condições ambientais, pesquisas como os de Gordin et al. (2015) e Czelusniak e Silva (2022) indicam que há necessidade de estudos mais detalhados sobre como diferentes variedades de soja respondem a variações de temperatura e umidade, isso é particularmente relevante em um contexto de mudanças climáticas, onde as condições ambientais estão se tornando cada vez mais imprevisíveis. 23 Outra área que requer mais investigação é a influência de práticas de manejo sustentável na germinação da soja. Enquanto Villela (2017) enfatiza os benefícios dos tratamentos convencionais de sementes, há uma crescente demanda por soluções mais ecológicas, como os tratamentos biológicos e o uso de bioestimulantes, estudos futuros poderiam explorar a eficácia dessas práticas em comparação com os métodos tradicionais, fornecendo dados que ajudem os agricultores a tomar decisões mais informadas e sustentáveis. Contudo, esta pesquisa revelou a importância de vários fatores críticos, incluindo a qualidade das sementes, temperatura e umidade do solo, estudos como os de Krzyzanowski, França-Neto e Henning (2018) destacam a necessidade de utilizar sementes de alta qualidade fisiológica para garantir uma germinação uniforme e vigorosa. Kawakami (2018) reforça que a temperatura ideal para a germinação da soja varia entre 25°C e 30°C, enquanto Gordin, Scalon e Masetto (2015) enfatizam a importância da umidade adequada para ativação enzimática e mobilização de nutrientes nas sementes. Assim, este estudo destacou a importância de vários fatores críticos, como a qualidade das sementes, a temperatura e a umidade do solo, existe um consenso geral sobre as condições ideais para a germinação, mas também existem áreas onde a pesquisa é limitada e os resultados são conflitantes, dia te disso, identificar e explorar essas lacunas pode levar a avanços significativos no manejo da soja, promovendo práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, as futuras pesquisas devem focar na variabilidade das respostas das sementes a diferentes condições ambientais e na comparação entre métodos convencionais e sustentáveis de tratamento de sementes. 24 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo permitiu identificar e compreender os principais fatores que influenciam o processo da germinação na produção da soja, como a qualidade das sementes, a temperatura e a umidade do solo foram destacados como determinantes essenciais para uma germinação eficaz e bem-sucedida, alguns estudos como os de Krzyzanowski, França-Neto e Henning (2018) confirmam a importância de utilizar sementes de alta qualidade fisiológica, enquanto Kawakami (2018) e Gordin, Scalon e Masetto (2015) ressaltam a necessidade de manter condições ambientais ideais para a germinação. Diante disso, a revisão da literatura revelou um consenso sobre as condições ótimas para a germinação da soja, mas também destacou divergências nas práticas recomendadas, especialmente no que diz respeito ao tratamento das sementes, a comparação entre métodos convencionais, como o uso de fungicidas, e alternativas mais sustentáveis, como tratamentos biológicos, sugere que há espaço para mais pesquisas para determinar as abordagens mais eficazes e ambientalmente responsáveis. As implicações práticas para os agricultores são claras, ou seja, a seleção cuidadosa de sementes de alta qualidade e a implementação de práticas de manejo que garantam condições ideais de temperatura e umidade são fundamentais para melhorar a germinação e o desenvolvimento inicial das plântulas de soja, tecnologias avançadas, como a triagem de sementes e sistemas de irrigação eficientes, podem ser particularmente úteis para otimizar essas condições. Todavia, apesar das contribuições significativas desta revisão, é importante reconhecer suas limitações, incluindo a dependência de estudos anteriores e a variabilidade nas metodologias utilizadas, a necessidade de mais pesquisas empíricas em condições de campo é evidente, especialmente para explorar a interação entre práticas de manejo agrícola e sustentabilidade ambiental, novas pesquisas devem focar na variabilidade das respostas das sementes a diferentes condições ambientais e comparar métodos convencionais e sustentáveis de tratamento de sementes. Conclui-se que a literatura existente oferece uma base sólida para a compreensão dos fatores que influenciam a germinação da soja e fornece diretrizes práticas para os agricultores, porém, a contínua investigação e inovação são fundamentais enfrentar os desafios emergentes e 25 garantir uma produção de soja eficiente e mais sustentável, deste modo, empregar novas tecnologias e práticas agrícolas sustentáveis será de grande relevância para otimizar a germinação e maximizar a produtividade, beneficiando tanto os produtores quanto o meio ambiente. . 26 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Andreia da Silva et al. Efeitos de inseticidas, fungicidas e biorreguladores na qualidade fisiológica de sementes de soja durante o armazenamento. Brazilian Journal of Agriculture-Revistade Agricultura, v. 89, n. 3, p. 172-182, 2014. BARCELOS, Gabriel Pagnussatt; BONETTI, Luiz Pedro. Os pioneiros no cultivo da soja no Rio Grande do Sul. 2019. 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