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Princípios Constitucionais Profª. Me. Natalia Valença @nataliavalenca 1 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 3 2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EM ESPÉCIE 3 2.1 PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO 3 2.2 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS E ATOS DO PODER PÚBLICO 4 2.3 PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE 4 2.4 PRINCÍPIO REPUBLICANO 4 2.5 PRINCÍPIO FEDERATIVO 5 2.6 DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL 6 3. PRINCÍPIOS EXPLÍCITOS NA CRFB/88 7 ART. 4º, DA CRFB/88 7 ART. 37, DA CRFB/88 8 ART. 46, DA CRFB/88 8 ART. 170, DA CRFB/88 9 ART. 178, DA CRFB/88 10 ART. 206, DA CRFB/88 10 ART. 207, DA CRFB/88 11 ART. 216-A, §1º, DA CRFB/88 11 ART. 221, DA CRFB/88 12 ART. 223, DA CRFB/88 13 Art. 226. § 7º, DA CRFB/88 13 ART. 227, CAPUT E §3º, INCISO V, DA CRFB/88 13 4. DIMENSÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 14 4.1 PRIMEIRA DIMENSÃO 14 4.2 SEGUNDA DIMENSÃO 14 4.3 TERCEIRA DIMENSÃO 15 4.4 INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA 16 5. ANÁLISE DOS PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS DO ART. 5 18 5.1 IGUALDADE 18 5.2 LEGALIDADE 18 5.3 LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE COMUNICAÇÃO 19 5.4 LIBERDADE RELIGIOSA 20 5.5 PROTEÇÃO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA 21 5.6 DIREITO DE REUNIÃO 21 5.7 DIREITO DE ASSOCIAÇÃO 22 6. LEI 14.197/2021 - LEI DE PROTEÇÃO À DEMOCRACIA 23 7. LEGISLAÇÃO DO TEMA E JURISPRUDÊNCIA RESUMIDA 25 9. REFERÊNCIAS 26 2 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 1. INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios fundamentais são normas da Constituição que consistem, ao mesmo tempo, em normas materialmente constitucionais (garantias) e parâmetros de interpretação da própria Constituição e das demais legislações. Ainda, segundo oMin. Luís Roberto Barroso os princípios: são o conjunto de normas que espelham a ideologia da Constituição, seus postulados básicos e seus fins. Dito de forma sumária, os princípios constitucionais são as normas eleitas pelo constituinte como fundamentos ou qualificações essenciais da ordem jurídica que institui. Os princípios são normas. É importante lembrar-se que existem normas em nossa CRFB/88 principiológicas. 2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EM ESPÉCIE Neste tópico, veremos os princípios que estão presentes na CRFB/88 e outros que, apesar de não estarem de forma explícita, são de suma importância para o ordenamento jurídico brasileiro. 2.1 PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO → Lei Fundamental, como documento hierarquicamente superior em relação às normas infraconstitucionais. Lembre-se da Pirâmide de Kelsen, onde a Constituição encontra-se no topo, entre todas as normas. Este princípio é a base da necessidade do controle de constitucionalidade. 3 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 2.2 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS E ATOS DO PODER PÚBLICO → Deriva da “Separação dos Poderes”. Significa dizer que todo ato normativo é presumidamente constitucional, até que haja prova em contrário. Ou seja, após uma lei ser promulgada e sancionada, ela passa a desfrutar de presunção relativa de constitucionalidade. Outro princípio que usamos muito no controle de constitucionalidade e na peça de ADC. 2.3 PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE → Proporcionalidade: ponderação de interesses. → Razoabilidade: Devido processo legal. Bom senso, moderação. → Apesar de não estar expresso na CRFB/88, o STF já declarou que estão implícitos no art 1º da Constituição Federal, que aborda o Estado Democrático de Direito; e o inciso LIV do artigo 5º, que trata do Devido Processo Legal (razoabilidade). Uma dica importante: Cite os dois princípios juntos! 2.4 PRINCÍPIO REPUBLICANO Este princípio consagra o modelo de Estado republicano, isto é, um governo do povo que conta com a participação popular nas decisões governamentais. Por ser um princípio sensível previsto na Constituição, de acordo com o art. 34, VII, alínea “a”, a sua não observância pode, inclusive, ensejar intervenção federal. Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: (...) VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; Esse princípio é muito utilizado na responsabilização de agentes públicos. Este princípio foi “revisitado” em 1993, conforme determinava o ADCT, quando a população votou, em plebiscito, pela manutenção da República. O Princípio Republicano possui 3 premissas básicas: 1. ALTERNÂNCIA DO PODER (Governantes commandatos temporários + eleições periódicas) 4 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 ATENÇÃO: isso não significa dizer que os detentores de mandatos não possam permanecer em seus cargos por diversos anos por meio de reeleições (como costuma ocorrer no âmbito Legislativo). Contudo, por força desse princípio, entende-se que os mandatos devem ser temporários (ainda que ocorra reeleição) e devem respeitar a periodicidade das eleições, de acordo com as previsões constitucionais. 2. POSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO DAS AUTORIDADES A Constituição possui uma série de instrumentos para responsabilizar as autoridades que não atuam de acordo com as suas obrigações constitucionais (ex.: impeachment e CPI). OBS.: Alguns desses instrumentos são ações constitucionais que serão analisadas com atenção em Direito Processual. 3. PREOCUPAÇÃO COMO INTERESSE PÚBLICO A busca pelo interesse público deve estar sempre à frente do interesse particular. → Diferentemente de regimes monárquicos, que se prestavam à preservação de privilégios da nobreza, na República temos como base o preceito de supremacia do interesse público. República = Res publica = coisa pública, coisa do povo 2.5 PRINCÍPIO FEDERATIVO O federalismo é a forma de Estado adotada pelo Brasil segundo a qual não haverá a concentração da organização do Estado em um único ente. Pelo contrário, existirá a difusão do poder do Estado em vários entes. OBS.: O conceito de federalismo será melhor estudado na aula sobre a organização do Estado. Foi adotada desde o início da República, em 1889, e prevista desde a Constituição de 1891. A proteção ao federalismo é, inclusive, uma cláusula pétrea (art. 60, §4º, I, da CRFB/88), e a sua violação enseja intervenção federal, conforme a previsão do art. 34, I, da CRFB/88. 5 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: (...) § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: I - manter a integridade nacional; Este princípio NÃO expressa a ideia de um Estado vertical, autoritário, mas sim de um Estado “horizontal”, no qual todos os entes trabalham juntos para o melhor da população. 2.6 DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL Este não está previsto de forma expressa como um princípio mas é uma norma principiológica. A democracia constitucional consiste no respeito à vontade do povo, sendo observados os limites constitucionais. O “povo” é o legítimo detentor do poder, que o exerce por meio de seus representantes ou diretamente, conforme previsto na Constituição. Art. 1º (...) Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. A própria elaboração da Constituição Federal de 1988 é fundamentada no princípio da Democracia Constitucional, visto que foi feita por uma Assembléia Nacional Constituinte eleita pelo povo, observando-se a pluralidade da população da época, buscando atender seus anseios fundamentais. Por este princípio, nada está “acima” da Constituição, nemmesmo a vontade das maiorias populares. Isto porque, as maiorias podem querer aprovar legislações que não sejam constitucionais e que não promovam aprópria democracia. Especialmente depois do fim da Segunda Guerra, com os acontecimentos do nazifascismo, estabeleceu-se a ideia da supremacia da constituição, impondo-se LIMITES para todos na atuação do Estado. 6 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Portanto, democracia constitucional significa o respeito à vontade das maiorias, DESDE QUE esta vontade não viole os preceitos constitucionais. Este é, então, um pilar do Estado Democrático de Direito, do qual se origina a proteção às leis, ao devido processo legal e à Constituição Federal. Deste princípio decorrem, diretamente, a dignidade da pessoa humana, a cidadania e o pluralismo político. 3. PRINCÍPIOS EXPLÍCITOS NA CRFB/88 Neste tópico, veremos os princípios que estão presentes na CRFB/88 de forma explícita, são de suma importância para o ordenamento jurídico brasileiro. ART. 4º, DA CRFB/88 Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; O Brasil é independente em relação a outros países, podendo adotar o posicionamento que achar viável. II - prevalência dos direitos humanos; O Brasil deve observar a proteção aos direitos humanos, por exemplo, na ratificação de tratados internacionais. III - autodeterminação dos povos; Relaciona-se ao posicionamento internacional do Brasil em relação a independência dos povos. Do ponto de vista internacional, a autodeterminação dos povos determina que o Brasil deve apoiar a independência dos povos. O Brasil não é obrigado a apoiar movimentos separatistas, não confunda! IV - não-intervenção; Por este princípio, o Brasil não apoia intervenções de outros países em outros, seja por questão política ou econômica. V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; Em geral, o Brasil não apoia guerras. VII - solução pacífica dos conflitos; 7 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político. Em vários tratados em que o Brasil é signatário, há a adoção de medidas de concessão de asilo político. ART. 37, DA CRFB/88 Este artigo é extremamente importante pois a banca costuma cobrar os princípios, sobretudo nas ações populares. Eles devem ser observados na atuação de agentes públicos. Dica: geralmente são cobrados na prova de forma conjunta! Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...) Legalidade: O agente público deve seguir o que está na lei. Impessoalidade: O agente público não deve agir em nome de seu próprio interesse ou de terceiros. Moralidade: O princípio republicano se relaciona com o princípio da moralidade administrativa. Ele se refere aos valores morais contidos nas normas, bem como, a moral e os bons costumes. Publicidade: Em regra, todos os atos do Estado devem ser públicos, com exceção de documentos que devem ser sigilosos, dispostos na CRFB/88. Eficiência: Os agentes devem buscar o que é mais econômico e eficaz. ART. 46, DA CRFB/88 Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. A forma de eleição para o Senado Federal, apesar de serem parlamentares, o processo de eleição é como dos chefes do Poder Executivo. A democracia constitucional se funde ao princípio majoritário, pois é justamente a vontade da maioria. 8 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 ART. 170, DA CRFB/88 Esses princípios norteiam a interpretação de normas que tratam da ordem econômica (ex: dinheiro, tributos). Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; Por este princípio, pode-se conceder benefícios a produtores nacionais em detrimento dos internacionais. II - propriedade privada; III - função social da propriedade; Todos são livres para negociar propriedade privada mas as mesmas devem cumprir a função social, comomoradia e produção de alimentos. IV - livre concorrência; Relação entre empresas privadas são regidas por esse princípio. V - defesa do consumidor; O consumidor é hipossuficiente em relação às empresas, por isso deve ser protegido. VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; Por este princípio é possível o impulsionamento de empresas que são sustentáveis. VII - redução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; O Estado deve se empenhar para gerar vagas de emprego para todos. IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Relaciona-se com o princípio da soberania nacional. Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. JÁ CAIU NA OAB! 9 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 ART. 178, DA CRFB/88 Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade. Pelo princípio da reciprocidade, há uma relação de cooperação entre os países para criação de transportes internacionais. ART. 206, DA CRFB/88 O art. 206, pertence ao CAPÍTULO III - DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO, da CRFB/88, mais especificamente, na SEÇÃO de EDUCAÇÃO. Estes princípios são muito importantes para as questões da segunda fase. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; Promoção de políticas públicas que atendam às minorias, como crianças com deficiência, de renda baixa, etc, de modo que tenham maior igualdade para acesso e permanência nas escolas. II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; Esta é a Liberdade de cátedra, onde o professor tem a liberdade de ensinar, seguindo o currículo definido pelas normas e pelo Ministério da Educação. III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; O pluralismo de ideias e concepções pedagógicas permite que as escolas adotem vertentes de ensino diferentes. Aqui, também, a CRFB/88 permite a existência de instituições públicas e privadas. IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; JÁ CAIU O princípio da gratuidade do ensino público e oficial é garantia, inclusive em relação à taxa de matrícula e outras taxas. Também há jurisprudência do STF sobre cursos de pós-graduação a qual veremos na aula de jurisprudência. V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; É possível que haja contratações para que haja a ocupação de cargos públicos pois nem sempre é razoável a aplicação de um concurso público para poucas vagas. 10 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. É necessário que haja condiçõespara que todas as pessoas possam frequentar o ambiente escolar, independentemente da idade, o que é possível através de políticas públicas para educação de jovens e adultos. ART. 207, DA CRFB/88 Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Por este princípio, justifica-se as horas complementares que os alunos precisam cumprir ao longo do curso de graduação. É necessário que o ensino universitário transcenda a sala de aula. ART. 216-A, §1º, DA CRFB/88 Art. 216-A §1º O Sistema Nacional de Cultura fundamenta-se na política nacional de cultura e nas suas diretrizes, estabelecidas no Plano Nacional de Cultura, e rege-se pelos seguintes princípios: I - diversidade das expressões culturais; II - universalização do acesso aos bens e serviços culturais; É necessário a ampliação quantitativa dos acessos e o aumento da acessibilidade para pessoas com deficiência, por exemplo. III - fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais; O Estado pode incentivar atividades como museu, teatro, cinema, com recursos e políticas públicas. IV - cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e privados atuantes na área cultural; V - integração e interação na execução das políticas, programas, projetos e ações desenvolvidas; VI - complementaridade nos papéis dos agentes culturais; 11 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 VII - transversalidade das políticas culturais; As políticas culturais transversais atravessam os entes federativos, ou seja, difusas. VIII - autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade civil; A União não deve interferir nos Estados e os Estados não devem interferir nos Municípios. Assim como, as instituições da sociedade civil são autônomas, podem, por exemplo, promover eventos sem a participação e aprovação dos entes. IX - transparência e compartilhamento das informações; X - democratização dos processos decisórios com participação e controle social; Aqui há relação com o princípio da publicidade, do art. 37, da CRFB/88. XI - descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e das ações; XII - ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos públicos para a cultura. Não pode haver redução de recursos destinados à cultura em relação aos anos anteriores. ART. 221, DA CRFB/88 Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: JÁ CAIU I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; As emissoras devem seguir este princípio para elaboração da sua programação, sobretudo as emissoras abertas. II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família. Deve-se atentar aos conteúdos que atendam aos valores éticos e sociais. 12 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 ART. 223, DA CRFB/88 Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal. Radiodifusão sonora e de sons e imagens são serviços públicos que podem ser realizados por empresas privadas através da concessão do Estado outorgado pelo Poder Executivo. Art. 226. § 7º, DA CRFB/88 Art. 226. § 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. A proteção do planejamento familiar deve ser pautado pelos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, pelo qual as pessoas podem definir quando e se terão filhos sem que o Estado imponha qualquer regra nesse sentido. ART. 227, CAPUT E §3º, INCISO V, DA CRFB/88 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. § 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: V- obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade; O princípio da absoluta prioridade serve para nortear a interpretação das legislações sobre a proteção da criança, refletindo em todas as áreas do direito. 13 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 4. DIMENSÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS As dimensões de direitos fundamentais devem ser somadas, ou seja, coexistem. Todos esses direitos se somam. NÃO HÁ EXCLUSÃO DE UMA DIMENSÃO POR OUTRA. É por isso, inclusive, que alguns doutrinadores preferem não utilizar o termo “geração” como sinônimo de “dimensão”, pois traz uma ideia de substituição dos direitos, o que não é certo de se pensar. Na verdade, temos várias dimensões de direitos que se integralizam, que se complementam. Portanto, ATENÇÃO, prefira utilizar “dimensão”!! Mas, lembre-se que o vocábulo “geração” também é usado. 4.1 PRIMEIRA DIMENSÃO → São aqueles alcançados na fase inicial do movimento constitucionalista (o constitucionalismo liberal), que buscam a PROTEÇÃO DO INDIVÍDUO CONTRA O ESTADO (Liberdade). São chamados de direitos NEGATIVOS, pois exigem uma inércia do Estado no sentido de não intervir/violar os direitos do povo. EX.: liberdade religiosa, liberdade de expressão, liberdade de ir e vir, direito à propriedade e direitos políticos. 4.2 SEGUNDA DIMENSÃO → São direitos buscados a partir do constitucionalismo social, um segundo momento do constitucionalismo, que passa a ver o Estado não apenas como uma ameaça ao indivíduo, mas como um aliado para determinados direitos (Igualdade). Após o reconhecimento dos direitos de 1ª dimensão, com características de liberdade e afastamento do Estado, houve a necessidade de conceber direitos que pudessem efetivar a igualdade social e que, para isso, passaram a demandar a atuação estatal. Por EXEMPLO: Como vou exercer a minha liberdade profissional (direito de primeira dimensão) se eu não consigo ter acesso ao ensino (direito de segunda dimensão) que me capacite para isso? 14 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Assim, com os direitos de segunda dimensão, o Estado funciona como um “parceiro” do indivíduo. São chamados de direitos POSITIVOS, pois demandam uma atuação do Estado para a sua concretização. EX.: direito à isonomia (igualdade material), direito à educação, direito à saúde. 4.3 TERCEIRA DIMENSÃO → Aqui temos os direitos difusos e coletivos que buscam, a partir do fim da 2ª Guerra Mundial, a proteção da coletividade e dos bens que não podem ser individualizados (Fraternidade). O objetivo desses direitos é defender até as gerações futuras. EX.: direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, direito à paz e ao desenvolvimento. QUADRO RESUMO 1ª DIMENSÃO 2ª DIMENSÃO 3ª DIMENSÃO Liberdade Igualdade Fraternidade Direitos civis individuais Direitos sociais Direitos à fraternidade A partir da Revolução Francesa (1789) A partir da Constituição doMéxico e da Revolução Russa (1917) A partir do fim da Segunda Guerra Mundial (1945) Émuito importante não confundir direitos humanoscom direitos fundamentais! 15 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Já os DIREITOS FUNDAMENTAIS estão previstos diretamente na Constituição de cada Estado. No Brasil, temos os direitos fundamentais previstos na CRFB/88. Portanto, pode-se dizer que os direitos fundamentais nada mais são do que espécies de direitos humanos incorporados à Constituição de um Estado. A grande diferença entre os dois é a origem e abrangência de cada um deles. Os DIREITOS HUMANOS decorrem de tratados e acordos entre Estados no âmbito internacional. Normalmente, são reconhecidos após a ocorrência de crimes que lesam a humanidade EX.: A proteção contra o genocídio em razão do holocausto no Regime Nazista. Atualmente, o Brasil é signatário de diversos tratados sobre direitos humanos, dentre eles: Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (Pacto de San Jose da Costa Rica) e a Convenção Americana de Direitos Humanos. 4.4 INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA ATENÇÃO! TEMA SUPER IMPORTANTE!! Vejamos com atenção o dispositivo constitucional para compreender melhor os requisitos deste incidente: Art. 109, § 5º: Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA O que Grave violação de direitos humanos Não é qualquer violação e a direito, ou seja, DIREITOS HUMANOS que estão garantidos em TRATADOS INTERNACIONAIS Por quem (o verbo é poderá) Suscitado pelo PGR Lembre-se: O Procurador-Geral da República é o chefe do Ministério Público Federal, ou seja, está hierarquicamente acima de todos os procuradores da República 16 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Competência Resolvido pelo STJ Quando Em qualquer fase do inquérito ou processo O requisito “em qualquer fase” já foi cobrado na prova Motivo Possibilidade de descumprimento de obrigações decorrentes de tratados e acordos internacionais de direitos humanos O Estado precisa ter efetividade diante de obrigações internacionais que envolvam direitos humanos Motivo Incapacidade das instâncias e autoridades locais em oferecer respostas efetivas Exemplo: Direitos dos trabalhadores que estão garantidos no Tratado Internacional de Direitos Humanos. Em uma cidade do interior, o fiscal do trabalho, ao visitar uma fazenda que pertence a um poderoso agropecuarista da região, depare-se com uma situação análoga à escravidão. Em razão das influências que o fazendeiro têm sobre a Justiça Local (Vara do Trabalho, Delegacia e etc), as investigações e o processo judicial podem ser prejudicados. Diante disso, o Procurador-Geral da República, ao tomar conhecimento da situação, pode suscitar para o Superior Tribunal de Justiça, o deslocamento das investigações ou do processo judicial que tramitaria na Justiça do Trabalho, para a Justiça Federal, justamente para garantir que seja cessada a grave violação de direitos humanos. Apesar deste ser um tema de direito processual, o incidente de deslocamento de competência decorre da proteção dada aos direitos humanos e às garantias fundamentais. Como visto, os direitos humanos se originam de tratados e acordos internacionais. Assim, se o Brasil fizer parte de determinado tratado ou acordo, seu conteúdo deve ser respeitado no âmbito nacional. Com o objetivo de proteger esses direitos e obrigações assumidos, a CRFB/88 prevê que, em caso de GRAVE VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS, o Procurador-Geral da República pode suscitar incidente de deslocamento de competência para deslocar o inquérito ou procedimento para a Justiça Federal. Essa mudança tem como propósito fazer com que o caso seja melhor analisado quando o contexto da investigação/processo demonstrar uma possível violação das obrigações assumidas pelo Brasil no âmbito internacional. Esta previsão também existe porque, em regra, os direitos humanos possuem maior abrangência que os direitos fundamentais previstos na Constituição. 17 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Dessa forma, protegendo o cumprimento dos direitos humanos, estar-se-á resguardando os direitos e garantias fundamentais. Outros exemplos para fixação: EX. 2: Um cidadão é morto por um agente do Estado, em uma cidade do Brasil, por motivo de ter determinada ideologia e participar de um grupo político. Nessa mesma cidade, há dois grupos políticos opostos que exercem grande influência sobre os demais. Nesse contexto, é claro que a Polícia não terá, de fato, independência para investigar o caso. Diante disso, o PGR pode entender pertinente deslocar a investigação para a Justiça Federal e, para isso, suscita o incidente de deslocamento de competência perante o STJ. EX. 3: Por estar julgando determinado caso, o magistrado começa a sofrer ameaças e sente que sua imparcialidade pode ser comprometida em razão disso. Neste caso, também cabe a instauração do incidente de deslocamento de competência que será suscitado pelo PGR, perante o STJ. 5. ANÁLISE DOS PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS DO ART. 5 Recomenda-se a leitura atenciosa do art. 5º, da CRFB/88. Nesta aula veremos os principais. 5.1 IGUALDADE I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; A igualdade está sempre associada à ISONOMIA que busca, efetivamente, assegurar oportunidades iguais, isto é, assegurar a igualdade material. Em resumo, é “Tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual, na medida da sua desigualdade”. Ou seja, o Estado deve promover políticas públicas que promovam a igualdade na medida das desigualdades. Destacam-se legislações de proteção ao direito das mulheres, haja vista que historicamente há uma desigualdade posta. Por exemplo: Lei Maria da Penha. 5.2 LEGALIDADE II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 18 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Se não houver uma lei exigindo a realização ou a omissão de algo, ninguém será obrigado a atuar ou se omitir. Em outras palavras, ao indivíduo é permitido tudo, exceto o que é proibido por lei. Essa é a legalidade no âmbito individual e privado, pois quando se fala em legalidade para o Estado, haverá uma inversão na regra: os agentes públicos só podem fazer o que a lei permitir que façam. Ou seja, o que não está previsto em lei, não pode ser realizado pelo Estado. Todas as vezes que mencionar o art. 5º, II, da CRFB/88 em sua prova, mencione também o art. 37, caput, da CRFB/88 para indicar o princípio da legalidade. 5.3 LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE COMUNICAÇÃO Aqui, temos um conjunto de garantias, todas relacionadas ao direito à liberdade. IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; Em uma democracia, é preciso que se permita a livre manifestação do que se pensa. Contudo, veda-se o anonimato para que o autor do pensamento seja identificado em caso de responsabilização por eventuais excessos. V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem. O anonimato é vedado justamente em razão ao inciso V, pois há direito de resposta. IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; A censura vedada pela Constituição é uma referência direta à censura prévia (licença) do período da ditadura militar, quando se exigia a avaliação de obras (livros, músicas, etc) por um órgão chamado de “Órgão Censor”. Esse órgão avaliava, com base em critérios ideológicos, políticos e filosóficos, se determinada produção poderia vir a público. A partir da CRFB/88, não se permite qualquertipo de censura. 19 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 IMPORTANTE: Caso seja produzido algum conteúdo/material que viole um direito, será possível valer-se do direito de resposta assegurado pelo inciso V, acima transcrito. OBS: “Classificação indicativa” NÃO se trata de censura. É apenas uma recomendação a ser seguida. “A exibição do aviso de classificação indicativa teria efeito pedagógico, a exigir reflexão por parte do espectador e dos responsáveis. Seria dever estatal, nesse ponto, conferir maior publicidade aos avisos de classificação, bem como desenvolver programas educativos acerca desse sistema.” ADI 2404/DF, rel. Min. Dias To�oli, 31.8.2016. (ADI-2404) - INFO 837 do STF XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. O sigilo da fonte não é anonimato. O jornalista se identifica mas preserva sua fonte. OBS.: “Exercício profissional” refere-se, principalmente, à atividade de jornalista. 5.4 LIBERDADE RELIGIOSA VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; Tem-se, aqui, a garantia máxima de todo indivíduo de professar a sua religião, tendo, inclusive, a liberdade de professá-la em cultos e por meio de suas liturgias. Todas as religiões são permitidas e protegidas pelo Estado Brasileiro em razão do Estado laico. VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; 20 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=2404&classe=ADI&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=2404&classe=ADI&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M Ainda que dentro de locais de internação coletiva (EX.: presídio), as pessoas têm o direito de assistência religiosa (somado à liberdade religiosa) assegurado. Inclusive, diversas organizações religiosas fazem movimentos de ida a presídios e quartéis para propagar a religião daqueles que ali estão. VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei. Este inciso traz a chamada “escusa religiosa”: você utiliza a religião ou a crença como uma motivação para deixar de cumprir obrigação legal a todos imposta. Nesse caso, a Constituição exige que se preste uma obrigação alternativa, conforme previsto em lei. 5.5 PROTEÇÃO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. É protegida a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, cabível indenização em caso de danomaterial ou moral pela sua violação. XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. “Casa” refere-se a residência e local de trabalho. A inviolabilidade da residência pode ser relativizada por flagrante delito, situação de desastre (como enchentes), para prestar socorro e por determinação judicial durante o dia. 5.6 DIREITO DE REUNIÃO XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. Todos possuem direito à reunião,NÃO sendo necessária autorização para isso, mesmo que a reunião ocorra em locais públicos. 21 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 O que se exige é o prévio aviso à autoridade para que outra reunião, anteriormente convocada para o mesmo local, não seja prejudicada e também pela organização de trânsito e segurança pública. Mas ainda que não seja feito o aviso, como em umamanifestação espontânea, não é necessário aviso prévio. Destaca-se ainda que é necessário que sejam reuniões para fins pacíficos, sem armas. 5.7 DIREITO DE ASSOCIAÇÃO XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; A associação garantida pela Constituição é aquela destinada a fins lícitos. EX.: Associação de trabalhadores e associação de estudantes. Por essa razão, a associação criminosa não é protegida por esse dispositivo. XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização; Para CRIAR uma associação ou uma cooperativa, não é necessário pedir autorização ao Estado. A legislação irá prever apenas as formalidades de registro, de publicação e outros detalhes relacionados ao funcionamento dessas pessoas jurídicas. XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; SUSPENSÃO DAS ATIVIDADES DA ASSOCIAÇÃO DISSOLUÇÃO DA PRÓPRIA ASSOCIAÇÃO Decisão judicial Decisão judicial com trânsito em julgado XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; É possível associar-se ou deixar de estar associado a qualquer momento. E, se a pessoa não quiser nemmesmo se associar, ela também não é obrigada a isso. 22 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. Havendo autorização prévia e expressa, as associações poderão representar os seus associados em ações judiciais ou demandas extrajudiciais. ATENÇÃO!!! Essa é a base da legitimidade de muita peça de Direito Constitucional. 6. LEI 14.197/2021 - LEI DE PROTEÇÃO À DEMOCRACIA Atenção! A LEI 14.197/2021 está inserida no Código Penal! Uma importante novidade legislativa, conhecida também como “Lei Contra os Atos Antidemocráticos” ou “Lei de Proteção às Instituições Democráticas”, essa lei nova modificou o Código Penal, acrescentando, dentre outros, os artigos 359-I a 359-T, tem em seu objetivo a defesa do Estado Democrático e das instituições democráticas. Portanto, a OAB pode cobrar esse tema na prova de Constitucional. Principais pontos da Lei 14.197/2021: a) Criminalização de alguns atos que possam ter caráter anti-democrático, isto é, atos que violem instituições democráticas. b) Esta lei se baseia nos princípios constitucionais (em especial, o princípio democrático), e tem como finalidade garantir uma maior força normativa a eles. A lei pormenoriza esses princípios constitucionais para assegurar ummaior alcance a eles. c) Revoga a Lei de Segurança Nacional (aprovada no RegimeMilitar e que teve várias alterações e revogações parciais). Vejamos as condutas que foram criminalizadas pela Lei 14.197/2021: Atentado à soberania Art. 359-I, do Código Penal. Negociar com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar atos típicos de guerra contra o País ou invadi-lo: Atenção ao verbo do tipo penal! Atentado à integridade nacional Art. 359-J, do Código Penal. Praticar violência ou grave ameaça com a finalidade de desmembrar parte do território nacional para constituir país independente: ATENÇÃO!!! Essa conduta criminal viola o princípio do federalismo. 23 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 Abolição violenta do Estado Democrático de Direito Art. 359-L, do Código Penal. Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais:OBS.: “Poderes constitucionais”: separação dos Poderes e poderes dos entes federados. Golpe de Estado Art. 359-M, do Código Penal. Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído: Não se trata de manifestações legítimas mas sim do uso da violência para destituir o governo legitimamente constituído. Interrupção do processo eleitoral Art. 359-N, do Código Penal. Impedir ou perturbar a eleição ou a aferição de seu resultado, mediante violação indevida de mecanismos de segurança do sistema eletrônico de votação estabelecido pela Justiça Eleitoral: ATENÇÃO!! Ninguém será restringido do seu direito de discordar, criticar e discutir sobre o processo eleitoral. O que se criminaliza, neste caso, são os atos de violência que buscam impedir ou perturbar o processo eleitoral constitucionalmente instituído e vigente. Violência política* Art. 359-P, do Código Penal. Restringir, impedir ou dificultar, com emprego de violência física, sexual ou psicológica, o exercício de direitos políticos a qualquer pessoa em razão de seu sexo, raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional: RESSALVA LEGISLATIVA Art. 359-T, do Código Penal. Não constitui crime previsto neste Título a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais. A própria legislação ressalva que não se considera crime amanifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais, ressaltando o direito à liberdade de pensamento e expressão. O que não se pode fazer é IMPOR, de forma violenta, as críticas que se possui. 24 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 7. LEGISLAÇÃO DO TEMA E JURISPRUDÊNCIA RESUMIDA ✔ Art. 34, VII, alínea “a”, da CRFB/88; ✔ Art. 60, §4º, I, da CRFB/88; ✔ Art. 34, I, da CRFB/88; ✔ Art. 1º, parágrafo único, da CRFB/88; ✔ Art. 109, §5º, da CRFB/88; ✔ Art. 5º, incisos I, II, IV, V, IX, XIV, VI, VII, VIII, X, XI, XVI, XVII, XVIII, XX, XXI, da CRFB/88; ✔ Arts. 359-I, 359-J, 359-L, 359-M, 359-N, 359-P, 359-T, todos do Código Penal (incluídos pela Lei 14.197/2021). "As cláusulas pétreas não podem ser invocadas para sustentação da tese da inconstitucionalidade de normas constitucionais inferiores em face de normas constitucionais superiores, porquanto a Constituição as prevê apenas como limites ao poder constituinte derivado ao rever ou ao emendar a Constituição elaborada pelo poder constituinte originário, e não como abarcando normas cuja observância se impôs ao próprio poder constituinte originário com relação às outras que não sejam consideradas como cláusulas pétreas, e, portanto, possam ser emendadas. [ADI 815, rel. min. Moreira Alves, j. 28-3-1996, P, DJ de 10-5-1996.]" - Ou seja, as “cláusulas pétreas” não podem ser usadas para afirmar que há uma hierarquia entre as normas constitucionais originárias (porque não há) tampouco para declarar a inconstitucionalidade daquelas que não forem acobertadas por tal cláusula. - “A Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o mérito de casos distintos - IDCs n. 1/PA; 2/DF; 5/PE -, fixou como principal característica do incidente constitucional a excepcionalidade. À sua procedência não só é exigível a existência de grave violação a direitos humanos, mas também a necessidade de assegurar o cumprimento de obrigações internacionais avençadas, em decorrência de omissão ou incapacidade das autoridades responsáveis pela apuração dos ilícitos. (...)” [IDC nº 3 - STJ; 2013/0138069-0] (...) 7. TIPICIDADE E CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA. Inexistente alteração substancial na descrição da conduta anteriormente narrada pelo novo tipo penal, que mantém a estrita correlação com as elementares anteriormente previstas pela lei revogada (...) Continuidade normativo-típica para o atual art. 286, parágrafo único, do Código Penal, em face da Lei 14.197/2021. RETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS BENÉFICA, em virtude do preceito secundário (pena). (...)” [STF - AP 25 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26 1044 - Min. Relator: Alexandre de Morais - Julgamento: 20/04/2022; Publicação: 23/06/2022]. 9. REFERÊNCIAS Direito Constitucional: Teoria História e Métodos de Trabalho (2021) - Claudio Pereira De Souza Neto e Daniel Sarmento; Curso de Direito Constitucional (2022) - Gilmar Ferreira Mendes (Autor), Paulo Gustavo Gonet Branco; Manual de Direito Constitucional (2022) - Eduardo Rodrigues dos Santos; Prática Processual Constitucional Para 2ª Fase OAB: Modelos Completos e Teoria Simplificada (2022) - Caroline Müller Bitencourt e Janriê Reck. 26 DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26