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Princípios Constitucionais
Profª. Me. Natalia Valença
@nataliavalenca
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DENISE SILVA RODRIGUES - denise.denise.dr@gmail.com - CPF: 041.540.137-26
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 3
2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EM ESPÉCIE 3
2.1 PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO 3
2.2 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS E
ATOS DO PODER PÚBLICO 4
2.3 PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE 4
2.4 PRINCÍPIO REPUBLICANO 4
2.5 PRINCÍPIO FEDERATIVO 5
2.6 DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL 6
3. PRINCÍPIOS EXPLÍCITOS NA CRFB/88 7
ART. 4º, DA CRFB/88 7
ART. 37, DA CRFB/88 8
ART. 46, DA CRFB/88 8
ART. 170, DA CRFB/88 9
ART. 178, DA CRFB/88 10
ART. 206, DA CRFB/88 10
ART. 207, DA CRFB/88 11
ART. 216-A, §1º, DA CRFB/88 11
ART. 221, DA CRFB/88 12
ART. 223, DA CRFB/88 13
Art. 226. § 7º, DA CRFB/88 13
ART. 227, CAPUT E §3º, INCISO V, DA CRFB/88 13
4. DIMENSÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 14
4.1 PRIMEIRA DIMENSÃO 14
4.2 SEGUNDA DIMENSÃO 14
4.3 TERCEIRA DIMENSÃO 15
4.4 INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA 16
5. ANÁLISE DOS PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS DO ART. 5 18
5.1 IGUALDADE 18
5.2 LEGALIDADE 18
5.3 LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE COMUNICAÇÃO 19
5.4 LIBERDADE RELIGIOSA 20
5.5 PROTEÇÃO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA 21
5.6 DIREITO DE REUNIÃO 21
5.7 DIREITO DE ASSOCIAÇÃO 22
6. LEI 14.197/2021 - LEI DE PROTEÇÃO À DEMOCRACIA 23
7. LEGISLAÇÃO DO TEMA E JURISPRUDÊNCIA RESUMIDA 25
9. REFERÊNCIAS 26
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1. INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
Os princípios fundamentais são normas da Constituição que consistem, ao
mesmo tempo, em normas materialmente constitucionais (garantias) e
parâmetros de interpretação da própria Constituição e das demais legislações.
Ainda, segundo oMin. Luís Roberto Barroso os princípios:
são o conjunto de normas que espelham a ideologia da
Constituição, seus postulados básicos e seus fins. Dito
de forma sumária, os princípios constitucionais são as
normas eleitas pelo constituinte como fundamentos ou
qualificações essenciais da ordem jurídica que institui.
Os princípios são normas. É importante lembrar-se que existem normas em
nossa CRFB/88 principiológicas.
2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EM ESPÉCIE
Neste tópico, veremos os princípios que estão presentes na CRFB/88 e outros
que, apesar de não estarem de forma explícita, são de suma importância para o
ordenamento jurídico brasileiro.
2.1 PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO
→ Lei Fundamental, como documento hierarquicamente superior em relação
às normas infraconstitucionais.
Lembre-se da Pirâmide de Kelsen, onde a Constituição encontra-se no topo,
entre todas as normas.
Este princípio é a base da necessidade do controle de constitucionalidade.
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2.2 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS
LEIS E ATOS DO PODER PÚBLICO
→ Deriva da “Separação dos Poderes”. Significa dizer que todo ato normativo é
presumidamente constitucional, até que haja prova em contrário. Ou seja,
após uma lei ser promulgada e sancionada, ela passa a desfrutar de presunção
relativa de constitucionalidade.
Outro princípio que usamos muito no controle de constitucionalidade e na
peça de ADC.
2.3 PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE
→ Proporcionalidade: ponderação de interesses.
→ Razoabilidade: Devido processo legal. Bom senso, moderação.
→ Apesar de não estar expresso na CRFB/88, o STF já declarou que estão
implícitos no art 1º da Constituição Federal, que aborda o Estado Democrático
de Direito; e o inciso LIV do artigo 5º, que trata do Devido Processo Legal
(razoabilidade).
Uma dica importante: Cite os dois princípios juntos!
2.4 PRINCÍPIO REPUBLICANO
Este princípio consagra o modelo de Estado republicano, isto é, um governo do
povo que conta com a participação popular nas decisões governamentais.
Por ser um princípio sensível previsto na Constituição, de acordo com o art.
34, VII, alínea “a”, a sua não observância pode, inclusive, ensejar intervenção
federal.
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal,
exceto para:
(...)
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
Esse princípio é muito utilizado na responsabilização de agentes públicos.
Este princípio foi “revisitado” em 1993, conforme determinava o ADCT,
quando a população votou, em plebiscito, pela manutenção da República.
O Princípio Republicano possui 3 premissas básicas:
1. ALTERNÂNCIA DO PODER
(Governantes commandatos temporários + eleições periódicas)
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ATENÇÃO: isso não significa dizer que os detentores de mandatos não possam
permanecer em seus cargos por diversos anos por meio de reeleições (como
costuma ocorrer no âmbito Legislativo). Contudo, por força desse princípio,
entende-se que os mandatos devem ser temporários (ainda que ocorra
reeleição) e devem respeitar a periodicidade das eleições, de acordo com as
previsões constitucionais.
2. POSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO DAS AUTORIDADES
A Constituição possui uma série de instrumentos para responsabilizar as
autoridades que não atuam de acordo com as suas obrigações constitucionais
(ex.: impeachment e CPI).
OBS.: Alguns desses instrumentos são ações constitucionais que
serão analisadas com atenção em Direito Processual.
3. PREOCUPAÇÃO COMO INTERESSE PÚBLICO
A busca pelo interesse público deve estar sempre à frente do interesse
particular.
→ Diferentemente de regimes monárquicos, que se prestavam à preservação de
privilégios da nobreza, na República temos como base o preceito de
supremacia do interesse público.
República = Res publica = coisa pública, coisa do povo
2.5 PRINCÍPIO FEDERATIVO
O federalismo é a forma de Estado adotada pelo Brasil segundo a qual não
haverá a concentração da organização do Estado em um único ente. Pelo
contrário, existirá a difusão do poder do Estado em vários entes.
OBS.: O conceito de federalismo será melhor estudado na aula sobre a
organização do Estado.
Foi adotada desde o início da República, em 1889, e prevista desde a
Constituição de 1891. A proteção ao federalismo é, inclusive, uma cláusula
pétrea (art. 60, §4º, I, da CRFB/88), e a sua violação enseja intervenção
federal, conforme a previsão do art. 34, I, da CRFB/88.
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Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
(...)
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir:
I - a forma federativa de Estado;
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal,
exceto para:
I - manter a integridade nacional;
Este princípio NÃO expressa a ideia de um Estado vertical, autoritário, mas
sim de um Estado “horizontal”, no qual todos os entes trabalham juntos para
o melhor da população.
2.6 DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL
Este não está previsto de forma expressa como um princípio mas é uma norma
principiológica. A democracia constitucional consiste no respeito à vontade do
povo, sendo observados os limites constitucionais.
O “povo” é o legítimo detentor do poder, que o exerce por meio de seus
representantes ou diretamente, conforme previsto na Constituição.
Art. 1º (...)
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio
de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição.
A própria elaboração da Constituição Federal de 1988 é fundamentada no
princípio da Democracia Constitucional, visto que foi feita por uma
Assembléia Nacional Constituinte eleita pelo povo, observando-se a
pluralidade da população da época, buscando atender seus anseios
fundamentais.
Por este princípio, nada está “acima” da Constituição, nemmesmo a vontade
das maiorias populares. Isto porque, as maiorias podem querer aprovar
legislações que não sejam constitucionais e que não promovam aprópria
democracia.
Especialmente depois do fim da Segunda Guerra, com os acontecimentos do
nazifascismo, estabeleceu-se a ideia da supremacia da constituição,
impondo-se LIMITES para todos na atuação do Estado.
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Portanto, democracia constitucional significa o respeito à vontade
das maiorias, DESDE QUE esta vontade não viole os preceitos
constitucionais.
Este é, então, um pilar do Estado Democrático de Direito, do qual se origina a
proteção às leis, ao devido processo legal e à Constituição Federal. Deste
princípio decorrem, diretamente, a dignidade da pessoa humana, a cidadania
e o pluralismo político.
3. PRINCÍPIOS EXPLÍCITOS NA CRFB/88
Neste tópico, veremos os princípios que estão presentes na CRFB/88 de forma
explícita, são de suma importância para o ordenamento jurídico brasileiro.
ART. 4º, DA CRFB/88
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações
internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
O Brasil é independente em relação a outros países, podendo adotar o
posicionamento que achar viável.
II - prevalência dos direitos humanos;
O Brasil deve observar a proteção aos direitos humanos, por exemplo, na
ratificação de tratados internacionais.
III - autodeterminação dos povos;
Relaciona-se ao posicionamento internacional do Brasil em relação a
independência dos povos. Do ponto de vista internacional, a autodeterminação
dos povos determina que o Brasil deve apoiar a independência dos povos. O
Brasil não é obrigado a apoiar movimentos separatistas, não confunda!
IV - não-intervenção;
Por este princípio, o Brasil não apoia intervenções de outros países em outros,
seja por questão política ou econômica.
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
Em geral, o Brasil não apoia guerras.
VII - solução pacífica dos conflitos;
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VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Em vários tratados em que o Brasil é signatário, há a adoção de medidas de
concessão de asilo político.
ART. 37, DA CRFB/88
Este artigo é extremamente importante pois a banca costuma cobrar os
princípios, sobretudo nas ações populares. Eles devem ser observados na
atuação de agentes públicos.
Dica: geralmente são cobrados na prova de forma conjunta!
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência (...)
Legalidade: O agente público deve seguir o que está na lei.
Impessoalidade: O agente público não deve agir em nome de seu próprio
interesse ou de terceiros.
Moralidade: O princípio republicano se relaciona com o princípio da
moralidade administrativa. Ele se refere aos valores morais contidos nas
normas, bem como, a moral e os bons costumes.
Publicidade: Em regra, todos os atos do Estado devem ser públicos, com
exceção de documentos que devem ser sigilosos, dispostos na CRFB/88.
Eficiência: Os agentes devem buscar o que é mais econômico e eficaz.
ART. 46, DA CRFB/88
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do
Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.
A forma de eleição para o Senado Federal, apesar de serem parlamentares, o
processo de eleição é como dos chefes do Poder Executivo. A democracia
constitucional se funde ao princípio majoritário, pois é justamente a vontade
da maioria.
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ART. 170, DA CRFB/88
Esses princípios norteiam a interpretação de normas que tratam da ordem
econômica (ex: dinheiro, tributos).
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na
livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os
ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
Por este princípio, pode-se conceder benefícios a produtores nacionais em
detrimento dos internacionais.
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
Todos são livres para negociar propriedade privada mas as mesmas devem
cumprir a função social, comomoradia e produção de alimentos.
IV - livre concorrência;
Relação entre empresas privadas são regidas por esse princípio.
V - defesa do consumidor;
O consumidor é hipossuficiente em relação às empresas, por isso deve ser
protegido.
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado
conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos
de elaboração e prestação;
Por este princípio é possível o impulsionamento de empresas que são
sustentáveis.
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
O Estado deve se empenhar para gerar vagas de emprego para todos.
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas
sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.
Relaciona-se com o princípio da soberania nacional.
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos
casos previstos em lei. JÁ CAIU NA OAB!
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ART. 178, DA CRFB/88
Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e
terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar
os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade.
Pelo princípio da reciprocidade, há uma relação de cooperação entre os países
para criação de transportes internacionais.
ART. 206, DA CRFB/88
O art. 206, pertence ao CAPÍTULO III - DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO
DESPORTO, da CRFB/88, mais especificamente, na SEÇÃO de EDUCAÇÃO.
Estes princípios são muito importantes para as questões da segunda fase.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
Promoção de políticas públicas que atendam às minorias, como crianças com
deficiência, de renda baixa, etc, de modo que tenham maior igualdade para
acesso e permanência nas escolas.
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte
e o saber;
Esta é a Liberdade de cátedra, onde o professor tem a liberdade de ensinar,
seguindo o currículo definido pelas normas e pelo Ministério da Educação.
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino;
O pluralismo de ideias e concepções pedagógicas permite que as escolas
adotem vertentes de ensino diferentes. Aqui, também, a CRFB/88 permite a
existência de instituições públicas e privadas.
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; JÁ CAIU
O princípio da gratuidade do ensino público e oficial é garantia, inclusive em
relação à taxa de matrícula e outras taxas. Também há jurisprudência do STF
sobre cursos de pós-graduação a qual veremos na aula de jurisprudência.
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma
da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público
de provas e títulos, aos das redes públicas;
É possível que haja contratações para que haja a ocupação de cargos públicos
pois nem sempre é razoável a aplicação de um concurso público para poucas
vagas.
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VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação
escolar pública, nos termos de lei federal.
IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.
É necessário que haja condiçõespara que todas as pessoas possam frequentar
o ambiente escolar, independentemente da idade, o que é possível através de
políticas públicas para educação de jovens e adultos.
ART. 207, DA CRFB/88
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica,
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio
de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Por este princípio, justifica-se as horas complementares que os alunos
precisam cumprir ao longo do curso de graduação. É necessário que o ensino
universitário transcenda a sala de aula.
ART. 216-A, §1º, DA CRFB/88
Art. 216-A §1º O Sistema Nacional de Cultura fundamenta-se na política
nacional de cultura e nas suas diretrizes, estabelecidas no Plano Nacional de
Cultura, e rege-se pelos seguintes princípios:
I - diversidade das expressões culturais;
II - universalização do acesso aos bens e serviços culturais;
É necessário a ampliação quantitativa dos acessos e o aumento da
acessibilidade para pessoas com deficiência, por exemplo.
III - fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e bens
culturais;
O Estado pode incentivar atividades como museu, teatro, cinema, com
recursos e políticas públicas.
IV - cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e privados
atuantes na área cultural;
V - integração e interação na execução das políticas, programas, projetos e
ações desenvolvidas;
VI - complementaridade nos papéis dos agentes culturais;
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VII - transversalidade das políticas culturais;
As políticas culturais transversais atravessam os entes federativos, ou seja,
difusas.
VIII - autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade civil;
A União não deve interferir nos Estados e os Estados não devem interferir nos
Municípios. Assim como, as instituições da sociedade civil são autônomas,
podem, por exemplo, promover eventos sem a participação e aprovação dos
entes.
IX - transparência e compartilhamento das informações;
X - democratização dos processos decisórios com participação e controle
social;
Aqui há relação com o princípio da publicidade, do art. 37, da CRFB/88.
XI - descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e das
ações;
XII - ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos públicos
para a cultura.
Não pode haver redução de recursos destinados à cultura em relação aos anos
anteriores.
ART. 221, DA CRFB/88
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão
atenderão aos seguintes princípios: JÁ CAIU
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
As emissoras devem seguir este princípio para elaboração da sua
programação, sobretudo as emissoras abertas.
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção
independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme
percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Deve-se atentar aos conteúdos que atendam aos valores éticos e sociais.
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ART. 223, DA CRFB/88
Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão,
permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e
imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado,
público e estatal.
Radiodifusão sonora e de sons e imagens são serviços públicos que podem ser
realizados por empresas privadas através da concessão do Estado outorgado
pelo Poder Executivo.
Art. 226. § 7º, DA CRFB/88
Art. 226. § 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da
paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal,
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de
instituições oficiais ou privadas.
A proteção do planejamento familiar deve ser pautado pelos princípios da
dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, pelo qual as
pessoas podem definir quando e se terão filhos sem que o Estado imponha
qualquer regra nesse sentido.
ART. 227, CAPUT E §3º, INCISO V, DA CRFB/88
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.
§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:
V- obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de
qualquer medida privativa da liberdade;
O princípio da absoluta prioridade serve para nortear a interpretação das
legislações sobre a proteção da criança, refletindo em todas as áreas do direito.
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4. DIMENSÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
As dimensões de direitos fundamentais devem ser somadas, ou seja,
coexistem.
Todos esses direitos se somam. NÃO HÁ EXCLUSÃO DE UMA DIMENSÃO POR
OUTRA. É por isso, inclusive, que alguns doutrinadores preferem não utilizar o
termo “geração” como sinônimo de “dimensão”, pois traz uma ideia de
substituição dos direitos, o que não é certo de se pensar. Na verdade, temos
várias dimensões de direitos que se integralizam, que se complementam.
Portanto, ATENÇÃO, prefira utilizar “dimensão”!! Mas, lembre-se que o
vocábulo “geração” também é usado.
4.1 PRIMEIRA DIMENSÃO
→ São aqueles alcançados na fase inicial do movimento
constitucionalista (o constitucionalismo liberal), que buscam a PROTEÇÃO DO
INDIVÍDUO CONTRA O ESTADO (Liberdade).
São chamados de direitos NEGATIVOS, pois exigem uma inércia do Estado no
sentido de não intervir/violar os direitos do povo.
EX.: liberdade religiosa, liberdade de expressão, liberdade de ir e vir, direito à
propriedade e direitos políticos.
4.2 SEGUNDA DIMENSÃO
→ São direitos buscados a partir do constitucionalismo
social, um segundo momento do constitucionalismo, que passa a ver o Estado
não apenas como uma ameaça ao indivíduo, mas como um aliado para
determinados direitos (Igualdade).
Após o reconhecimento dos direitos de 1ª dimensão, com características de
liberdade e afastamento do Estado, houve a necessidade de conceber direitos
que pudessem efetivar a igualdade social e que, para isso, passaram a
demandar a atuação estatal.
Por EXEMPLO: Como vou exercer a minha liberdade profissional
(direito de primeira dimensão) se eu não consigo ter acesso ao ensino (direito
de segunda dimensão) que me capacite para isso?
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Assim, com os direitos de segunda dimensão, o Estado funciona como um
“parceiro” do indivíduo. São chamados de direitos POSITIVOS, pois
demandam uma atuação do Estado para a sua concretização.
EX.: direito à isonomia (igualdade material), direito à educação, direito à
saúde.
4.3 TERCEIRA DIMENSÃO
→ Aqui temos os direitos difusos e coletivos que buscam, a
partir do fim da 2ª Guerra Mundial, a proteção da coletividade e dos bens que
não podem ser individualizados (Fraternidade). O objetivo desses direitos é
defender até as gerações futuras.
EX.: direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, direito à paz e ao
desenvolvimento.
QUADRO RESUMO
1ª DIMENSÃO 2ª DIMENSÃO 3ª DIMENSÃO
Liberdade Igualdade Fraternidade
Direitos civis
individuais
Direitos sociais Direitos à fraternidade
A partir da Revolução
Francesa (1789)
A partir da Constituição
doMéxico e da
Revolução Russa (1917)
A partir do fim da
Segunda Guerra
Mundial (1945)
Émuito importante não confundir direitos humanoscom direitos fundamentais!
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Já os DIREITOS FUNDAMENTAIS estão previstos diretamente na Constituição
de cada Estado. No Brasil, temos os direitos fundamentais previstos na
CRFB/88.
Portanto, pode-se dizer que os direitos fundamentais nada mais são do que
espécies de direitos humanos incorporados à Constituição de um Estado.
A grande diferença entre os dois é a origem e abrangência de cada um deles.
Os DIREITOS HUMANOS decorrem de tratados e acordos entre Estados no
âmbito internacional. Normalmente, são reconhecidos após a ocorrência de
crimes que lesam a humanidade
EX.: A proteção contra o genocídio em razão do holocausto no Regime Nazista.
Atualmente, o Brasil é signatário de diversos tratados sobre direitos
humanos, dentre eles: Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (Pacto de
San Jose da Costa Rica) e a Convenção Americana de Direitos Humanos.
4.4 INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA
ATENÇÃO! TEMA SUPER IMPORTANTE!!
Vejamos com atenção o dispositivo constitucional para compreender melhor
os requisitos deste incidente:
Art. 109, § 5º: Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o
Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o
cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de
direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar,
perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito
ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça
Federal.
INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA
O que Grave violação de direitos humanos
Não é qualquer violação e a direito, ou seja, DIREITOS HUMANOS
que estão garantidos em TRATADOS INTERNACIONAIS
Por quem (o
verbo é
poderá)
Suscitado pelo PGR
Lembre-se: O Procurador-Geral da República é o chefe do
Ministério Público Federal, ou seja, está hierarquicamente acima
de todos os procuradores da República
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Competência Resolvido pelo STJ
Quando Em qualquer fase do inquérito ou processo
O requisito “em qualquer fase” já foi cobrado na prova
Motivo Possibilidade de descumprimento de obrigações decorrentes
de tratados e acordos internacionais de direitos humanos
O Estado precisa ter efetividade diante de obrigações
internacionais que envolvam direitos humanos
Motivo Incapacidade das instâncias e autoridades locais em oferecer
respostas efetivas
Exemplo: Direitos dos trabalhadores que estão garantidos no Tratado
Internacional de Direitos Humanos. Em uma cidade do interior, o fiscal do
trabalho, ao visitar uma fazenda que pertence a um poderoso agropecuarista
da região, depare-se com uma situação análoga à escravidão. Em razão das
influências que o fazendeiro têm sobre a Justiça Local (Vara do Trabalho,
Delegacia e etc), as investigações e o processo judicial podem ser prejudicados.
Diante disso, o Procurador-Geral da República, ao tomar conhecimento da
situação, pode suscitar para o Superior Tribunal de Justiça, o deslocamento
das investigações ou do processo judicial que tramitaria na Justiça do
Trabalho, para a Justiça Federal, justamente para garantir que seja cessada a
grave violação de direitos humanos.
Apesar deste ser um tema de direito processual, o incidente de deslocamento
de competência decorre da proteção dada aos direitos humanos e às garantias
fundamentais.
Como visto, os direitos humanos se originam de tratados e acordos
internacionais. Assim, se o Brasil fizer parte de determinado tratado ou
acordo, seu conteúdo deve ser respeitado no âmbito nacional.
Com o objetivo de proteger esses direitos e obrigações assumidos, a CRFB/88
prevê que, em caso de GRAVE VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS, o
Procurador-Geral da República pode suscitar incidente de deslocamento de
competência para deslocar o inquérito ou procedimento para a Justiça
Federal.
Essa mudança tem como propósito fazer com que o caso seja melhor
analisado quando o contexto da investigação/processo demonstrar uma
possível violação das obrigações assumidas pelo Brasil no âmbito
internacional.
Esta previsão também existe porque, em regra, os direitos humanos possuem
maior abrangência que os direitos fundamentais previstos na Constituição.
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Dessa forma, protegendo o cumprimento dos direitos humanos, estar-se-á
resguardando os direitos e garantias fundamentais.
Outros exemplos para fixação:
EX. 2: Um cidadão é morto por um agente do Estado, em uma cidade do Brasil,
por motivo de ter determinada ideologia e participar de um grupo político.
Nessa mesma cidade, há dois grupos políticos opostos que exercem grande
influência sobre os demais. Nesse contexto, é claro que a Polícia não terá, de
fato, independência para investigar o caso. Diante disso, o PGR pode entender
pertinente deslocar a investigação para a Justiça Federal e, para isso, suscita o
incidente de deslocamento de competência perante o STJ.
EX. 3: Por estar julgando determinado caso, o magistrado começa a sofrer
ameaças e sente que sua imparcialidade pode ser comprometida em razão
disso. Neste caso, também cabe a instauração do incidente de deslocamento de
competência que será suscitado pelo PGR, perante o STJ.
5. ANÁLISE DOS PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS DO ART. 5
Recomenda-se a leitura atenciosa do art. 5º, da CRFB/88. Nesta aula veremos
os principais.
5.1 IGUALDADE
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos desta Constituição;
A igualdade está sempre associada à ISONOMIA que busca, efetivamente,
assegurar oportunidades iguais, isto é, assegurar a igualdade material. Em
resumo, é “Tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual, na
medida da sua desigualdade”.
Ou seja, o Estado deve promover políticas públicas que promovam a igualdade
na medida das desigualdades. Destacam-se legislações de proteção ao direito
das mulheres, haja vista que historicamente há uma desigualdade posta. Por
exemplo: Lei Maria da Penha.
5.2 LEGALIDADE
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei;
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Se não houver uma lei exigindo a realização ou a omissão de algo, ninguém
será obrigado a atuar ou se omitir. Em outras palavras, ao indivíduo é
permitido tudo, exceto o que é proibido por lei.
Essa é a legalidade no âmbito individual e privado, pois quando se
fala em legalidade para o Estado, haverá uma inversão na regra: os
agentes públicos só podem fazer o que a lei permitir que façam. Ou
seja, o que não está previsto em lei, não pode ser realizado pelo
Estado.
Todas as vezes que mencionar o art. 5º, II, da CRFB/88 em sua
prova, mencione também o art. 37, caput, da CRFB/88 para indicar
o princípio da legalidade.
5.3 LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE COMUNICAÇÃO
Aqui, temos um conjunto de garantias, todas relacionadas ao direito à
liberdade.
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
anonimato;
Em uma democracia, é preciso que se permita a livre manifestação do que se
pensa. Contudo, veda-se o anonimato para que o autor do pensamento seja
identificado em caso de responsabilização por eventuais excessos.
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além
da indenização por dano material, moral ou à imagem.
O anonimato é vedado justamente em razão ao inciso V, pois há direito de
resposta.
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e
de comunicação, independentemente de censura ou licença;
A censura vedada pela Constituição é uma referência direta à censura prévia
(licença) do período da ditadura militar, quando se exigia a avaliação de obras
(livros, músicas, etc) por um órgão chamado de “Órgão Censor”. Esse órgão
avaliava, com base em critérios ideológicos, políticos e filosóficos, se
determinada produção poderia vir a público.
A partir da CRFB/88, não se permite qualquertipo de censura.
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IMPORTANTE: Caso seja produzido algum conteúdo/material que viole um
direito, será possível valer-se do direito de resposta assegurado pelo inciso V,
acima transcrito.
OBS: “Classificação indicativa” NÃO
se trata de censura. É apenas uma
recomendação a ser seguida.
“A exibição do aviso de
classificação indicativa teria efeito
pedagógico, a exigir reflexão por parte
do espectador e dos responsáveis. Seria
dever estatal, nesse ponto, conferir
maior publicidade aos avisos de
classificação, bem como desenvolver
programas educativos acerca desse
sistema.” ADI 2404/DF, rel. Min. Dias
To�oli, 31.8.2016. (ADI-2404) - INFO
837 do STF
XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o
sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.
O sigilo da fonte não é anonimato. O jornalista se identifica mas preserva sua
fonte.
OBS.: “Exercício profissional” refere-se, principalmente, à atividade de
jornalista.
5.4 LIBERDADE RELIGIOSA
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na
forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
Tem-se, aqui, a garantia máxima de todo indivíduo de professar a sua
religião, tendo, inclusive, a liberdade de professá-la em cultos e por meio de
suas liturgias. Todas as religiões são permitidas e protegidas pelo Estado
Brasileiro em razão do Estado laico.
VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
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http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=2404&classe=ADI&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=2404&classe=ADI&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M
Ainda que dentro de locais de internação coletiva (EX.: presídio), as pessoas
têm o direito de assistência religiosa (somado à liberdade religiosa)
assegurado. Inclusive, diversas organizações religiosas fazem movimentos de
ida a presídios e quartéis para propagar a religião daqueles que ali estão.
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a
cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
Este inciso traz a chamada “escusa religiosa”: você utiliza a religião ou a
crença como uma motivação para deixar de cumprir obrigação legal a todos
imposta. Nesse caso, a Constituição exige que se preste uma obrigação
alternativa, conforme previsto em lei.
5.5 PROTEÇÃO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material
ou moral decorrente de sua violação.
É protegida a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
cabível indenização em caso de danomaterial ou moral pela sua violação.
XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante
delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por
determinação judicial.
“Casa” refere-se a residência e local de trabalho.
A inviolabilidade da residência pode ser relativizada por flagrante delito,
situação de desastre (como enchentes), para prestar socorro e por
determinação judicial durante o dia.
5.6 DIREITO DE REUNIÃO
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que
não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo
local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
Todos possuem direito à reunião,NÃO sendo necessária autorização para isso,
mesmo que a reunião ocorra em locais públicos.
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O que se exige é o prévio aviso à autoridade para que outra reunião,
anteriormente convocada para o mesmo local, não seja prejudicada e também
pela organização de trânsito e segurança pública.
Mas ainda que não seja feito o aviso, como em umamanifestação espontânea,
não é necessário aviso prévio.
Destaca-se ainda que é necessário que sejam reuniões para fins pacíficos, sem
armas.
5.7 DIREITO DE ASSOCIAÇÃO
XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de
caráter paramilitar;
A associação garantida pela Constituição é aquela destinada a fins lícitos.
EX.: Associação de trabalhadores e associação de estudantes. Por essa razão, a
associação criminosa não é protegida por esse dispositivo.
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas
independem de autorização;
Para CRIAR uma associação ou uma cooperativa, não é necessário pedir
autorização ao Estado. A legislação irá prever apenas as formalidades de
registro, de publicação e outros detalhes relacionados ao funcionamento
dessas pessoas jurídicas.
XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou
ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no
primeiro caso, o trânsito em julgado;
SUSPENSÃO DAS
ATIVIDADES DA ASSOCIAÇÃO
DISSOLUÇÃO DA PRÓPRIA
ASSOCIAÇÃO
Decisão judicial Decisão judicial com trânsito
em julgado
XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer
associado;
É possível associar-se ou deixar de estar associado a qualquer momento. E, se
a pessoa não quiser nemmesmo se associar, ela também não é obrigada a isso.
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XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas,
têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou
extrajudicialmente.
Havendo autorização prévia e expressa, as associações poderão representar os
seus associados em ações judiciais ou demandas extrajudiciais.
ATENÇÃO!!! Essa é a base da legitimidade de muita peça de Direito
Constitucional.
6. LEI 14.197/2021 - LEI DE PROTEÇÃO À DEMOCRACIA
Atenção! A LEI 14.197/2021 está inserida no Código Penal!
Uma importante novidade legislativa, conhecida também como “Lei Contra os
Atos Antidemocráticos” ou “Lei de Proteção às Instituições Democráticas”,
essa lei nova modificou o Código Penal, acrescentando, dentre outros, os
artigos 359-I a 359-T, tem em seu objetivo a defesa do Estado Democrático e
das instituições democráticas.
Portanto, a OAB pode cobrar esse tema na prova de Constitucional.
Principais pontos da Lei 14.197/2021:
a) Criminalização de alguns atos que possam ter caráter
anti-democrático, isto é, atos que violem instituições democráticas.
b) Esta lei se baseia nos princípios constitucionais (em especial, o
princípio democrático), e tem como finalidade garantir uma maior
força normativa a eles. A lei pormenoriza esses princípios
constitucionais para assegurar ummaior alcance a eles.
c) Revoga a Lei de Segurança Nacional (aprovada no RegimeMilitar e
que teve várias alterações e revogações parciais).
Vejamos as condutas que foram criminalizadas pela Lei 14.197/2021:
Atentado à soberania
Art. 359-I, do Código Penal. Negociar com governo ou grupo estrangeiro, ou seus
agentes, com o fim de provocar atos típicos de guerra contra o País ou invadi-lo:
Atenção ao verbo do tipo penal!
Atentado à integridade nacional
Art. 359-J, do Código Penal. Praticar violência ou grave ameaça com a finalidade
de desmembrar parte do território nacional para constituir país independente:
ATENÇÃO!!! Essa conduta criminal viola o princípio do federalismo.
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Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Art. 359-L, do Código Penal. Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça,
abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos
poderes constitucionais:OBS.: “Poderes constitucionais”: separação dos Poderes e poderes dos entes
federados.
Golpe de Estado
Art. 359-M, do Código Penal. Tentar depor, por meio de violência ou grave
ameaça, o governo legitimamente constituído:
Não se trata de manifestações legítimas mas sim do uso da violência para
destituir o governo legitimamente constituído.
Interrupção do processo eleitoral
Art. 359-N, do Código Penal. Impedir ou perturbar a eleição ou a aferição de seu
resultado, mediante violação indevida de mecanismos de segurança do sistema
eletrônico de votação estabelecido pela Justiça Eleitoral:
ATENÇÃO!! Ninguém será restringido do seu direito de discordar, criticar e
discutir sobre o processo eleitoral. O que se criminaliza, neste caso, são os atos
de violência que buscam impedir ou perturbar o processo eleitoral
constitucionalmente instituído e vigente.
Violência política*
Art. 359-P, do Código Penal. Restringir, impedir ou dificultar, com emprego de
violência física, sexual ou psicológica, o exercício de direitos políticos a qualquer
pessoa em razão de seu sexo, raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional:
RESSALVA LEGISLATIVA
Art. 359-T, do Código Penal. Não constitui crime previsto neste Título a
manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a
reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de
reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação
política com propósitos sociais.
A própria legislação ressalva que não se considera crime amanifestação crítica
aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de
direitos e garantias constitucionais, ressaltando o direito à liberdade de
pensamento e expressão. O que não se pode fazer é IMPOR, de forma violenta,
as críticas que se possui.
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7. LEGISLAÇÃO DO TEMA E JURISPRUDÊNCIA RESUMIDA
✔ Art. 34, VII, alínea “a”, da CRFB/88;
✔ Art. 60, §4º, I, da CRFB/88;
✔ Art. 34, I, da CRFB/88;
✔ Art. 1º, parágrafo único, da CRFB/88;
✔ Art. 109, §5º, da CRFB/88;
✔ Art. 5º, incisos I, II, IV, V, IX, XIV, VI, VII, VIII, X, XI, XVI, XVII, XVIII,
XX, XXI, da CRFB/88;
✔ Arts. 359-I, 359-J, 359-L, 359-M, 359-N, 359-P, 359-T, todos do
Código Penal (incluídos pela Lei 14.197/2021).
"As cláusulas pétreas não podem ser invocadas para sustentação da tese da
inconstitucionalidade de normas constitucionais inferiores em face de normas
constitucionais superiores, porquanto a Constituição as prevê apenas como limites
ao poder constituinte derivado ao rever ou ao emendar a Constituição elaborada
pelo poder constituinte originário, e não como abarcando normas cuja observância
se impôs ao próprio poder constituinte originário com relação às outras que não
sejam consideradas como cláusulas pétreas, e, portanto, possam ser emendadas.
[ADI 815, rel. min. Moreira Alves, j. 28-3-1996, P, DJ de 10-5-1996.]"
- Ou seja, as “cláusulas pétreas” não podem ser usadas para afirmar que
há uma hierarquia entre as normas constitucionais originárias (porque
não há) tampouco para declarar a inconstitucionalidade daquelas que
não forem acobertadas por tal cláusula.
-
“A Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o mérito de casos
distintos - IDCs n. 1/PA; 2/DF; 5/PE -, fixou como principal característica do
incidente constitucional a excepcionalidade. À sua procedência não só é exigível a
existência de grave violação a direitos humanos, mas também a necessidade de
assegurar o cumprimento de obrigações internacionais avençadas, em decorrência
de omissão ou incapacidade das autoridades responsáveis pela apuração dos
ilícitos. (...)” [IDC nº 3 - STJ; 2013/0138069-0]
(...) 7. TIPICIDADE E CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA. Inexistente alteração
substancial na descrição da conduta anteriormente narrada pelo novo tipo penal,
que mantém a estrita correlação com as elementares anteriormente previstas pela
lei revogada (...) Continuidade normativo-típica para o atual art. 286, parágrafo
único, do Código Penal, em face da Lei 14.197/2021. RETROATIVIDADE DA LEI
PENAL MAIS BENÉFICA, em virtude do preceito secundário (pena). (...)” [STF - AP
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1044 - Min. Relator: Alexandre de Morais - Julgamento: 20/04/2022;
Publicação: 23/06/2022].
9. REFERÊNCIAS
Direito Constitucional: Teoria História e Métodos de Trabalho (2021) -
Claudio Pereira De Souza Neto e Daniel Sarmento;
Curso de Direito Constitucional (2022) - Gilmar Ferreira Mendes (Autor),
Paulo Gustavo Gonet Branco;
Manual de Direito Constitucional (2022) - Eduardo Rodrigues dos Santos;
Prática Processual Constitucional Para 2ª Fase OAB: Modelos Completos e
Teoria Simplificada (2022) - Caroline Müller Bitencourt e Janriê Reck.
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