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Programa de Atendimento ao Deficiente 
Visual em idade escolar
A educação inclusiva representa uma evolução no entendimento sobre os direitos das 
pessoas com deficiência, substituindo modelos segregacionistas por práticas que 
valorizam a participação plena de todos os indivíduos no ambiente escolar. 
A Educação Inclusiva e o Direito à Aprendizagem
A Declaração de Salamanca (1994), um marco internacional, reforça o compromisso com a 
inclusão, destacando que “as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente de 
suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras”**. 
No Brasil, esse compromisso se materializa na **Constituição Federal de 1988**, que 
estabelece no artigo 205 que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, 
com vistas ao pleno desenvolvimento da pessoa. Já o artigo 208, inciso III, assegura o 
atendimento educacional especializado (AEE) às pessoas com deficiência, preferencialmente na 
rede regular de ensino. 
▸Principais Normas e Legislações 
Lei Brasileira de Inclusão (LBI) – Lei nº 13.146/2015: 
A LBI é uma referência central para a garantia dos direitos das pessoas com deficiência. Em seu 
artigo 27, a lei prevê que o sistema educacional deve oferecer: 
▪ Acessibilidade física e pedagógica; 
▪ Formação continuada para profissionais da educação;
 ▪ Recursos de tecnologia assistiva; 
▪ Apoio individualizado, quando necessário. 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei nº 9.394/1996:
 A LDB reforça o direito à educação inclusiva no artigo 58, ao dispor sobre o atendimento 
educacional especializado em todos os níveis, etapas e modalidades de ensino. A lei ainda 
aponta que esse atendimento deve ser complementar ou suplementar à escolarização regular. 
Decreto nº 7.611/2011: 
Este decreto regulamenta o AEE, detalhando suas características e objetivos. Ele determina que 
o atendimento deve ser disponibilizado em **salas de recursos multifuncionais** e inclui a 
formação de professores especializados e o uso de recursos adaptados. 
Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008): 
Essa política consolida o modelo de inclusão, promovendo a **integração do AEE ao projeto 
pedagógico da escola**. Ressalta a importância de recursos como o Braille, o soroban e 
tecnologias assistivas para o desenvolvimento de estudantes com deficiência visual. 
▸Aspectos Conceituais Relevantes Deficiência Visual: De acordo com a Organização Mundial da 
Saúde (OMS) e o Decreto nº 3.298/1999, a deficiência visual compreende: 
▪ Cegueira: quando a acuidade visual é menor que 0,05 (20/400) no melhor olho, com a melhor 
correção. 
▪ Baixa visão: quando a acuidade visual está entre 0,3 (20/70) e 0,05 (20/400) no melhor olho, 
com a melhor correção. Essas definições são importantes para identificar as necessidades 
específicas de cada estudante e adequar as estratégias pedagógicas. 
▸Desafios e Avanços Apesar dos avanços legislativos e normativos, a implementação efetiva das 
políticas de inclusão enfrenta desafios, como: 
▪ Falta de infraestrutura acessível em muitas escolas. ▪ Escassez de professores capacitados 
para o AEE. 
▪ Limitações na oferta de recursos tecnológicos e didáticos adaptados. 
Por outro lado, programas e iniciativas governamentais, como o **Programa Nacional de 
Tecnologia Assistiva (PNTA)**, têm contribuído para a superação dessas barreiras e a promoção 
de uma educação mais inclusiva e equitativa. 
Esse arcabouço legal e conceitual sustenta a necessidade de esforços contínuos para assegurar 
o pleno exercício do direito à educação para estudantes com deficiência visual, promovendo 
autonomia e participação ativa na sociedade. 
Estrutura e Funcionamento do Programa de Atendimento ao Deficiente Visual 
O Programa de Atendimento ao Deficiente Visual em Idade Escolar busca promover a inclusão e 
a equidade na educação, garantindo que estudantes com deficiência visual tenham acesso a 
recursos, metodologias e apoio pedagógico que favoreçam seu pleno desenvolvimento. Sua 
estrutura e funcionamento são organizados para atender às necessidades específicas desse 
público, por meio de ações integradas e recursos especializados.
Objetivos do Programa 
Os objetivos principais do programa incluem: 
▪ Assegurar o direito à educação inclusiva e de qualidade para estudantes com deficiência 
visual. 
▪ Oferecer atendimento educacional especializado (AEE) para complementar ou suplementar o 
ensino regular. 
▪ Promover o desenvolvimento de competências acadêmicas, sociais e de autonomia dos 
estudantes. 
▪ Disponibilizar recursos pedagógicos e tecnológicos que eliminem barreiras de acesso à 
aprendizagem. 
▸Modalidades de Atendimento 
Salas de Recursos Multifuncionais: 
Essas salas são ambientes dotados de recursos especializados, como materiais em Braille, 
softwares de leitura de tela e equipamentos como o soroban (instrumento de cálculo adaptado). 
Elas são destinadas ao AEE, funcionando em horário complementar ao ensino regular. As 
atividades realizadas nessas salas incluem: 
▪ Ensino do sistema Braille para leitura e escrita. 
▪ Uso de tecnologias assistivas, como leitores de tela e lupas eletrônicas. 
▪ Treinamento em orientação e mobilidade, com foco na autonomia
Atendimento Pedagógico Itinerante: 
Para regiões onde não há salas de recursos, é comum a atuação de professores itinerantes, que 
visitam escolas e oferecem suporte pedagógico aos estudantes e orientações aos professores 
do ensino regular. Apoio no Ambiente Regular de Ensino: 
O programa também busca integrar o apoio direto nas salas de aula regulares, promovendo a 
adaptação de materiais didáticos e a implementação de estratégias inclusivas, como: 
▪ Impressão de textos em Braille ou letras ampliadas. 
▪ Uso de audiolivros e aplicativos educativos. 
▪ Mediação de atividades práticas com o auxílio de recursos táteis. 
▸Recursos Pedagógicos e Tecnológicos 
O atendimento a estudantes com deficiência visual demanda ferramentas específicas para 
promover o aprendizado e a participação ativa na escola. Entre os principais recursos estão: 
Materiais Adaptados: 
▪ Livros e textos em Braille: possibilitam a leitura e a escrita para estudantes cegos. ▪ Letras 
ampliadas: destinadas a estudantes com baixa visão. 
▪ Mapas táteis e relevos: facilitam o entendimento de conteúdos de geografia e ciências. 
Tecnologias Assistivas: 
▪ Leitores de tela: softwares como NVDA e JAWS permitem que textos digitais sejam 
transformados em áudio. 
▪ Linhas Braille: dispositivos que convertem informações digitais para o formato tátil. 
▪ Lupas e ampliadores eletrônicos: ajudam na leitura de textos por estudantes com baixa visão
▪ Soroban: utilizado para o aprendizado de operações matemáticas. 
Apoio Humano: 
Além dos recursos materiais e tecnológicos, o programa pode incluir o apoio de mediadores ou 
cuidadores escolares, quando necessário, para auxiliar nas tarefas diárias e acadêmicas. 
▸Integração ao Projeto Político-Pedagógico (PPP) 
O funcionamento do programa depende de sua integração ao projeto político-pedagógico da 
escola. Essa integração assegura que o AEE não seja uma atividade isolada, mas, sim, uma ação 
articulada com o currículo escolar, envolvendo: 
▪ Planejamento conjunto entre professores do AEE e do ensino regular. 
▪ Adaptação de avaliações e atividades pedagógicas. 
▪ Promoção de atividades inclusivas que envolvam toda a comunidade escolar. 
▸Desafios na Implementação 
Embora estruturado, o programa enfrenta desafios como: 
▪ Infraestrutura inadequada em muitas escolas, dificultando a instalação de salas de recursos. 
▪ Escassez de materiais adaptados e tecnologias assistivas. 
▪ Deficiência na formação de professores para lidar com as especificidades da deficiência 
visual. 
Mesmo com essas dificuldades, a implementação adequada do programa, aliada à 
sensibilização da comunidade escolar e ao investimento público, tem demonstrado avanços 
significativosno processo de inclusão e aprendizagem de estudantes com deficiência visual. 
Essa estrutura dinâmica e adaptativa possibilita que o programa contribua para a formação de 
cidadãos autônomos, com plena participação na sociedade.
Formação e Papel dos Educadores no Atendimento ao Deficiente Visual 
A inclusão de estudantes com deficiência visual no ambiente escolar depende diretamente da 
formação e do papel desempenhado pelos educadores no processo de ensino-aprendizagem. 
Esses profissionais atuam como mediadores entre os conteúdos curriculares e as necessidades 
específicas dos alunos, utilizando estratégias e recursos adaptados para promover uma 
educação equitativa e inclusiva. 
▸Formação dos Educadores Formação Inicial: 
A formação inicial dos educadores, especialmente daqueles que atuarão na educação especial, é 
essencial para que adquiram conhecimentos básicos sobre: 
▪ Aspectos técnicos da deficiência visual: conceitos de cegueira e baixa visão, formas de 
identificação e principais barreiras enfrentadas pelos estudantes. 
▪ Recursos específicos: introdução ao sistema Braille, ao uso do soroban e às tecnologias 
assistivas. 
▪ Estratégias pedagógicas inclusivas: métodos de adaptação curricular e avaliação de alunos 
com deficiência visual. Cursos de licenciatura em pedagogia ou áreas afins, bem como 
programas de formação para professores de educação especial, devem incluir disciplinas que 
abordem a temática da inclusão e do atendimento educacional especializado (AEE). 
A formação continuada é essencial para práticas inclusivas, pois envolve o uso de novas 
tecnologias e metodologias atualizadas, parcerias com instituições especializadas e 
compartilhamento de experiências entre educadores. Professores que trabalham com alunos 
com deficiência visual devem desenvolver competências como empatia, flexibilidade e 
capacidade de usar ferramentas e recursos especializados. Eles também devem trabalhar em 
equipe com outros profissionais da escola e da família do aluno.
Os educadores desempenham um papel crucial na promoção da inclusão, facilitando o acesso 
ao conhecimento, criando condições para a aprendizagem e planejando atividades que 
promovam a participação ativa dos alunos. Eles também devem ser facilitadores da inclusão, 
promovendo a diversidade, fomentando a colaboração e combatendo preconceitos e atitudes.
Os educadores desempenham um papel fundamental na promoção da autonomia ao ensinar 
habilidades da vida diária e usar recursos como smartphones e tecnologias assistivas. Eles 
devem encorajar os alunos a superar desafios e desenvolver confiança em suas habilidades. 
Eles também devem fornecer suporte em atividades de orientação e mobilidade.
Educadores enfrentam desafios ao fornecer educação inclusiva, como infraestrutura 
inadequada e materiais limitados. As estratégias incluem usar recursos criativos, trabalhar com 
famílias e buscar suporte especializado. Quando treinados e comprometidos, os educadores 
podem transformar a experiência educacional de alunos com deficiência visual, promovendo 
sua inclusão e desenvolvimento holístico. Isso resulta em melhor participação na escola, maior 
engajamento acadêmico e uma base sólida para que eles se tornem cidadãos autônomos e 
ativos na sociedade.

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