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MATÉRIA:
DIREITO INTERNACIONAL
TEMA 1
Operações Internacionais, Contratos e Tributação
OPERAÇÕES INTERNACIONAIS, CONTRATOS E TRIBUTAÇÃO
Descrição
Você vai entender como funcionam as principais operações internacionais, com a identificação dos contratos que dão suporte a elas e as incidências tributárias decorrentes delas.
Propósito
A globalização, o avanço tecnológico e as facilidades do mundo moderno, entre outras causas, derrubaram parte das fronteiras e incrementaram as operações internacionais entre os países e as pessoas em todo o globo. Essa realidade gerou a necessidade de uma revisão dos contratos que suportam essas operações e da devida atenção às incidências tributárias do Sistema Tributário Nacional.
Preparação
Antes de iniciar este conteúdo, tenha à mão uma versão da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB/1988), do Código Tributário Nacional — Lei nº 5.172, de 1966 —, uma versão atualizada dos Decretos-Lei nº 37, de 1966, e nº 1.578, de 1977, e do regulamento aduaneiro, atualmente contido no Decreto nº 6.759, de 2009.
Objetivos
MÓDULO 1 - Operações internacionais
Identificar as características da tributação sobre produtos industrializados (IPI).
MÓDULO 2 - Contratos das operações internacionais 
Reconhecer os fundamentos da criação do Programa de Integração Social (PIS) e sua atual destinação.
MÓDULO 3 – Tributação nas operações internacionais
Identificar a tributação do faturamento, com as formas de financiamento da seguridade social e as hipóteses do PIS e da Cofins.
Operações internacionais
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as características da tributação sobre produtos industrializados (IPI)
Aspectos iniciais das operações internacionais
Assista ao vídeo e compreenda como o comércio exterior impulsiona o crescimento econômico, gera empregos e promove a inovação. Entenda a relação do comércio global com a prosperidade nacional.
Contexto histórico
Desde os primórdios da civilização, a negociação é uma prática natural entre os grupos humanos. Com a evolução dessa atividade, surgiu a necessidade de trocar bens e serviços em um contexto diferente do regional, ou seja, em todo o mundo. Dessa forma, surgiu o comércio exterior, conceito entendido como a troca comercial entre diferentes países, que busca satisfazer as necessidades e as demandas de seus mercados, da população em geral e até mesmo dos governos.
(Cena do porto com a Villa Medici, Claude Lorrain, 1637).
Determinadas regiões do planeta são fartas em certos recursos naturais, ou melhores condições de clima e solo para cultivar determinadas espécies, outras não. Alguns países têm abundância de mão de obra especializada em determinado segmento, enquanto outros têm déficit.
Nenhum país do globo é autossuficiente. Por isso, exporta seus principais bens e serviços ao mesmo tempo que importa aqueles cuja produção interna é insuficiente ou inexistente.
Embora o Brasil esteja em posição privilegiada no ranking que mede os maiores exportadores do planeta, o país não produz tudo o que sua população necessita. Na verdade, praticamente nenhuma nação consegue ser autossuficiente. E, no nosso caso, ainda que tenha dimensões continentais, o Brasil, como qualquer país do mundo, não tem condições de satisfazer a todas as demandas e necessidades internas. Omissão ou a carência de determinado bem, eventual falha ou baixa produtividade de algum produto ou alguma matéria-prima em um país, pode muito bem ser coberta por um país vizinho. Por isso, tanto comprar de um país estrangeiro quanto vender a outro país são práticas corriqueiras e necessárias. Sendo assim, exportar e importar fazem parte das regras do jogo internacional.
Diesel, uma das importações mais significativas para o Brasil.
Como nenhum país é autossustentável, é natural que ocorra o fluxo internacional de diversos bens, mercadorias e serviços. Por diversos motivos, tal realidade só foi aumentando com o tempo, sendo hoje reconhecido o fenômeno da globalização.
Ainda que a globalização possa ser criticada por vários aspectos, é inquestionável que o incremento no fluxo comercial mundial foi potencializado pela modernização dos transportes, das telecomunicações, do avanço tecnológico e das facilidades de acesso às informações de produtos existentes em outros locais.
As novas maneiras de fazer negócios, em uma amplitude que não se prende mais às fronteiras e às proximidades geográficas, direcionam os países e suas empresas para o comércio exterior. O mundo está mais conectado do que nunca, e as tecnologias ampliam cada vez mais as capacidades de produção e distribuição.
Não podemos nos esquecer da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um organismo criado no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, com o intuito de reconstruir os países, buscar estratégias para seus desenvolvimentos econômicos e estimular a cooperação entre eles, inclusive na perspectiva comercial.
Logo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O comércio internacional atua na criação de políticas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico dos países-membros. Com esse avanço, tem o objetivo de contribuir para o equilíbrio entre o crescimento econômico e o bem-estar social. Para tanto, desenvolve ações para melhorar as condições de vida da população, principalmente na área de educação.
No Brasil, o Código Tributário de 1966 consolidou os impostos de importação e exportação com a inclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no desembaraço aduaneiro. Conheça a seguir os impostos, contribuições e taxas incluídos nos tributos sobre o comércio exterior atualmente.
· Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
· Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS).
· Contribuições Sociais do Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
· Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
· Taxa de utilização do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).
· Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).
Importância do comércio exterior para os países
O comércio exterior atua no cenário econômico global e envolve transações comerciais entre países e o desenvolvimento e o crescimento das nações.
Pensando na totalidade das operações internacionais, considerando todas as vendas realizadas para os demais países e todas as compras de bens e serviços, é possível observar qual seria o resultado desse equilíbrio entre exportações e importações. O resultado gerado, portanto, por todo o comércio internacional, impacta diretamente o Produto Interno Bruto (PIB), calculado em relação à variação da balança comercial, que é o resultado financeiro entre as exportações e importações em determinado país. Os países sempre esperam que sua balança comercial seja positiva. O resultado positivo é chamado de superávit e, nesse caso, significa que o valor dos produtos que saíram do país foi maior do que a entrada de produtos internacionais.
O superávit demonstra um resultado favorável para a economia do país, pois evidencia uma maior entrada de moeda estrangeira.
Para o comércio internacional, o resultado positivo da balança comercial pode indicar a maior demanda de produtos no mercado internacional, internamente, isso pode gerar mais empregos e, por conseguinte, movimentar a economia do país exportador
O resultado positivo da balança comercial, para o comércio internacional, pode indicar uma maior demanda de produtos no mercado internacional. Internamente, isso pode gerar mais empregos e, consequentemente, movimentar a economia do país exportador. Falar de comércio internacional não se limita à troca de produtos, mas inclui a movimentação de recursos e capitais, o que dá sentido e relevância ao comércio internacional. O Brasil, assim como os demais países, precisa de volume de exportação para que sua economia se fortaleça, isto é, para aumentar suas reservas em moeda estrangeira. Além disso, o comércio internacionalTEMA 2 
Tratados internacionais e tributário
Descrição
Você vai entender a importância da análise da tributação dos lucros alcançados no exterior, identificando o papel do direito tributário internacional e as características dos tratados tributários celebrados entre os países.
Propósito
É relevante para futuros profissionais compreender os tratados tributários celebrados entre os países, como eles evitam a dupla tributação da renda alcançada pelas empresas e as novas funcionalidades decorrentes do relacionamento entre as nações.
Preparação
Antes de iniciar o estudo deste conteúdo, tenha em mãos ou acessível na web uma versão atualizada da Constituição Federal (CRFB/1988) e a Lei nº 5.172/1966, o Código Tributário Nacional (CTN).
Objetivos
Módulo 1
Introdução ao direito tributário internacional
Descrever a relevância e a aplicabilidade dos tratados tributários celebrados entre os países.
Módulo 2
Direito tributário internacional aplicado
Reconhecer a sistemática da OCDE no contexto global e a das legislações domésticas dos países sobre a tributação dos lucros alcançados no exterior.
Introdução
Nas primeiras organizações do fenômeno tributário, os estudiosos, as nações e os contribuintes acreditavam que as previsões se limitavam a aspectos internos de cada um dos países, resultantes de sua soberania e poder de império apenas, com pouca ou quase nenhuma repercussão internacional. Esse aspecto estava limitado à tributação do comércio aduaneiro, o qual, mesmo assim, remontava aos eventos de entrada ou saída de cada um dos países.
Com o passar do tempo, constatou-se que essa verificação era, no mínimo, incompleta, pois os fenômenos tributários também repercutiam na esfera das relações internacionais, seja para delimitar as fronteiras do campo de incidência de cada nação, seja em razão da interseção tributária com os eventos decorrentes do tratamento dado aos países no comércio internacional.
A relativização das fronteiras, o crescimento das consequências da globalização e demais eventos do mundo moderno exigem repensar a tributação nesse cenário. Na verdade, esse fenômeno da relativização das fronteiras não é restrito ao campo fiscal e pode ser atestado em diversas ramificações do conhecimento jurídico.
Além disso, podemos acrescentar a crescente multinacionalização das empresas e corporações, que passaram a agir em diversos países, blocos de países ou mesmo mundialmente. Desde a última metade do século XX, o mundo tem experimentado uma nova ordem caracterizada pela multilateralidade, pela internacionalização das relações políticas e comerciais e por uma crescente integração dos valores econômicos e morais entre os países, com as empresas e as atividades não mais se limitando às fronteiras tradicionais.
Dessa constatação, houve uma mudança de perspectiva não apenas no estudo e no reconhecimento do direito tributário em si, mas também do próprio direito internacional, verificando-se a interseção entre os dois campos do conhecimento jurídico, com a absorção recíproca de institutos cada vez mais frequente e necessária.
Introdução ao direito tributário internacional
Ao final deste módulo, você será capaz de descrever a relevância e a aplicabilidade dos tratados tributários celebrados entre os países.
Relação entre leis internas e leis internacionais
Para compreendermos a importância deste conteúdo, ou seja, evitar a dupla tributação da renda, é fundamental entendermos o objeto e a sistemática do direito tributário internacional. Dessa forma, é necessário verificar como uma taxação ampla e extensiva tornou-se o cerne do direito tributário internacional, alçando a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a um patamar de extrema importância para afastar essa possibilidade.
Primeiros aspectos
Preliminarmente, devemos reconhecer que o estudo das relações entre o direito internacional e o ordenamento interno é um dos mais difíceis de se compreender, pois consiste em sabermos qual tipo de relações mantêm entre si. Isso porque as formas tradicionais de enxergar o fenômeno jurídico buscam uma solução adequada, se possível com segurança jurídica, especialmente evitando (ou solucionando) o conflito entre as normas.
Justamente por esse motivo, existe uma dificuldade de compreensão dessas duas esferas normativas: as normas convencionadas de produção no direito interno de cada país e aquelas resultadas de ajustes entre as pessoas jurídicas de direito público externo. O ponto principal da questão é determinar qual das normas deverá prevalecer se houver conflito entre o produto normativo convencional (norma internacional) e a norma interna.
Para identificar e solucionar a questão, duas grandes concepções doutrinárias surgiram: a dualista e a monista. Vamos conhecê-las a seguir.
Dualismo X Monismo
Assista ao vídeo e compreenda como cada teoria (dualismo e monismo) interpreta a relação entre o direito nacional e o internacional, e seus impactos na aplicação das normas internacionais nos países, com exemplos práticos.
Dualismo
O direito interno de cada Estado e o direito internacional são dois sistemas independentes e distintos, embora igualmente válidos e aplicáveis.
De forma conceitual, por se tratar de sistemas materiais distintos, não poderia haver conflito entre eles. Ou seja, um tratado internacional não poderia, em nenhuma hipótese, regular uma questão interna sem antes ter sido incorporado a esse ordenamento por um procedimento receptivo que o transforme em lei nacional. E para isso ocorrer, deveria ser operado pelos mecanismos de produção do direito, especificados na norma fundamental constitucional.
Por esses motivos, para os adeptos da tese dualista, os tratados internacionais representam apenas compromissos exteriores do Estado, sem que isso influa em seu ordenamento interno. A tese funciona da seguinte forma:
· No primeiro caso, trata-se de relações entre Estados.
· No segundo, as normas cuidam, principalmente, da regulamentação das relações entre indivíduos.
Os compromissos exteriores, para os dualistas, não teriam o poder de gerar efeitos automáticos na ordem jurídica interna do país, se o que foi pactuado não se materializar na forma de diploma normativo típico do direito interno: uma lei, um decreto, uma lei complementar, uma norma constitucional etc.
Monismo
Os autores monistas partem da compreensão oposta. Para essa visão do relacionamento das normas, na medida em que determinado país celebra e ratifica um tratado internacional, compromete-se juridicamente a assumir aquele conjunto de disposição. Se esse compromisso envolve direitos e obrigações que podem ser exigidos no âmbito interno do Estado, não se faz necessária, só por isso, a edição de um novo diploma, materializando internamente aquele compromisso exterior.
Portanto, não existem duas ordens jurídicas distintas. Ao contrário, há um só ordenamento que se completa e harmoniza, adotando tanto as normas produzidas internamente como aquelas estrangeiras, na medida em que as duas são resultantes de sua soberania.
A posição monista divide-se em duas correntes. Conheça-as.
Monismo internacionalista
Sustenta a unicidade da ordem jurídica a partir da priorização do direito internacional, a que se ajustam todas as ordens internas.
Monismo nacionalista
Expressa o direito nacional de cada Estado soberano de decidir se adota, ou não, as leis internacionais. Aceita a integração do produto convencional ao direito interno, mas não acima de suas próprias leis.
O Brasil, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), baseia-se no monismo nacionalista. Há muito tempo vigora na jurisprudência brasileira o sistema paritário, no qual o tratado, uma vez formalizado, passa a ter força de lei ordinária, podendo, por isso, revogar as disposições em contrário, ou ser revogado (rectius: perder eficácia) diante de norma posterior.
Validade, vigência e eficácia dos tratados internacionais
Procedimento para aplicação dos tratados no Brasil
Genericamente, os tratados e as convenções internacionais são determinados atos acordados entre dois oumais países com a intenção de administrar interesses sociais, econômicos ou políticos, evitando conflitos entre esses mesmos interesses.
Das referências do direito como um todo, o art. 84, VIII, da CRFB/1988 determina que compete privativamente ao presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional. Ainda da Carta Constitucional, o art. 49, I, decide que cabe ao colegiado do Legislativo resolver definitivamente sobre esses atos internacionais.
Pela relevância do procedimento, importante recordar as formas e o procedimento de elaboração dos tratados, não apenas de conteúdo tributário. São várias as etapas.
1º). Em primeiro lugar, a competência para a celebração de tratados internacionais é do Poder Executivo. Ainda que negociados por agentes diplomáticos ou representantes do Ministério das Relações Exteriores, só o presidente da República tem competência para sua conclusão. Segundo a Constituição Federal — art. 84, VIII —, compete privativamente ao presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais.
2º) Em seguida, o presidente remete os tratados para apreciação do Congresso Nacional, ao qual cabe resolver definitivamente sobre a aprovação — art. 49, I, da Constituição. É de se observar que a própria designação de competência ao presidente da República (art. 84, VIII, CRFB/1988) afirma que aquela sua manifestação de adesão ou celebração depende de ratificação pelo Congresso Nacional. Para exteriorizar tal ato será expedido um decreto legislativo.
3º). Na sequência, os atos internacionais voltam ao executivo, para a ratificação. Essa é manifestação do Poder Executivo, que é dada no sentido de que o propósito de pactuar o tratado continua atendendo aos interesses superiores do Estado. Essa providência de ratificação do que fora combinado anteriormente serve para confirmar a negociação, agora já com o aval do legislativo interno de cada país. Essa ação é transmitida às contrapartes estrangeiras, pelo depósito do instrumento de ratificação. Representa uma providência no intuito de formalizar o compromisso do país.
4º). Por derradeiro, para aperfeiçoar-se o ato e ter vigência no território nacional, o presidente da República expede um decreto de promulgação. Naturalmente, esse decreto presidencial é publicado. A partir dessa divulgação, no âmbito interno (seguindo o padrão do Diário Oficial), inicia sua vigência no território nacional.
De acordo com o procedimento, para sejam aplicados no país, os tratados e as convenções internacionais precisam ser aprovados pelo Congresso Nacional, pois, sem essa aprovação, não se aderem às fontes do direito do país. Apesar de prevalecer no Brasil a teoria monista, o que se percebe é que o tratado tem um momento de validade na ordem internacional e outra validade na ordem interna.
O tratado tem validade na ordem internacional quando o governo brasileiro, depois desses procedimentos, acredita o tratado e o deposita no consulado do outro país contratante. Na ordem interna, o tratado tem validade como lei interna no momento que o decreto do presidente é publicado no Diário Oficial.
Aplicação dos tratados internacionais no Brasil
Confira neste vídeo a aplicação dos tratados internacionais no Brasil, com detalhes sobre o processo de incorporação e hierarquia desses tratados no sistema jurídico brasileiro. Saiba como eles são aprovados, ratificados e implementados, e entenda a relevância do controle de constitucionalidade.
Convenção de Viena sobre tratados internacionais
Assista ao vídeo e conheça as principais características da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. Entenda os princípios fundamentais que regem a criação, a interpretação e a extinção dos tratados internacionais, a importância da boa-fé e o papel dos Estados signatários.
Principais características
A Convenção de Viena, abreviação do documento que ficou conhecido como Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT), é um acordo internacional que regulamenta as regras para assinatura de tratados entre países. Proposta pela Comissão de Direito Institucional (CDI) das Nações Unidas, foi adotada em maio de 1969, mas entrou em vigor apenas em janeiro de 1980, quando foi validada por 35 nações.
Bandeiras penduradas em um edifício em Viena, Áustria.
O Brasil faz parte da Convenção de Viena desde o seu lançamento, assinando-a com os demais países. Mas a ratificação, mesmo com ressalvas, somente aconteceu em dezembro de 2009, após a aprovação do decreto pelo Congresso Nacional e a promulgação (declaração de existência e execução) pela presidência da República por meio do Decreto nº 7.030, de 2009.
O Tratado dos Tratados, como ficou conhecida a Convenção de Viena, obedece ao princípio base de que todos os pactos devem ser respeitados (pacta sunt servanda). Isso significa que os membros signatários são legalmente obrigados a seguir o que foi determinado, mesmo em casos de discordâncias internas. Fora isso, define que apenas os acordos por escrito são válidos e devem ser assinados pelos chefes de Estado após a aprovação do Poder Legislativo.
De acordo com o conceito dado pela Convenção de Viena sobre o direito dos tratados, tratado significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo direito internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica.
Assim, fica claro que os tratados internacionais, no plano do direito internacional, funcionam como as leis e os contratos, ou seja, definem regras jurídicas, regulando situações de aspecto jurídico nos mais diversos campos do conhecimento.
Tipos de tratados internacionais
As acepções utilizadas nas relações internacionais
É importante destacar que os tratados internacionais não necessitam de denominação específica, ou seja, eles valem como um acordo internacional qualquer que seja sua denominação, sendo o nome tratado uma expressão genérica que engloba várias espécies, tais como acordo, convenção, pacto e protocolo, entre outras. Logo, o que importa verdadeiramente para a existência de um tratado é a presença dos elementos essenciais e não o nome que lhe é designado. Assim, a expressão tratado é mais genérica e abrange diversas nomenclaturas. Conheça os termos mais utilizados nas relações internacionais em uma acepção mais específica.
Tratado
Ato internacional de caráter solene que trata de assuntos com maior relevância política (acepção considerada por uma parte dos doutrinadores, para a qual o termo não é apenas utilizado de forma genérica).
Acordo
Ato internacional que designa tratados de cunho financeiro, econômico, comercial ou cultural, que possui menos participantes e que trata de assuntos que possuem menor relevância política. Ademais, em vários casos, essa expressão também pode ser utilizada como sinônimo de tratado.
Acordo por troca de notas
Ato internacional que trata de questões de natureza administrativa e de alteração ou interpretação de cláusulas de tratados concluídos. É composto por uma nota diplomática daquele que propõe e por uma nota de resposta, ou seja, existe mais de um instrumento.
Carta
Espécie de tratado que dá origem às organizações internacionais. É o instrumento que define o objetivo, os órgãos e o modo de funcionamento das organizações internacionais, como a Carta das Nações Unidas (Carta da ONU), podendo ser utilizado também para identificar documentos que definem direitos e deveres dos indivíduos, como é o caso da Carta Social Europeia.
Pacto
Objeto político de um tratado. Pode ser usado como sinônimo de tratado, como é o caso do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, conhecidos como Pactos de Nova York.
Protocolo
Resultado de uma conferência diplomática ou de acordos com menos formalidades. O termo também designa acordos realizados de forma secundária ou que possuem ligação com outro acordo anterior. Um exemplo é o Protocolo de OuroPreto e o Protocolo de Paris.
Declaração
Documento que estabelece regras ou princípios que asseguram a posição convergente de Estados sobre determinados fatos.
Quais são os tipos de tratados internacionais?
Assista ao vídeo e conheça os diversos tipos de tratados internacionais, com destaque para as diferentes acepções utilizadas nas relações internacionais: tratado, acordo, convenção, acordo por troca de notas, carta, pacto, protocolo e declaração.
Tratados em matéria tributária
Como qualquer campo do ordenamento jurídico nacional, o tratamento tributário também sofre a influência das normas internacionais e a edição dos tratados internacionais. Apesar de seguirem os grandes padrões desse contexto, as convenções internacionais em matéria tributária acabam apresentando algumas particularidades. Vamos observá-las a seguir.
Supralegalidade
Os tratados em matéria tributária ganham uma qualidade ainda maior no debate jurídico por causa do próprio tratamento reconhecido pelas normas do Código Tributário Nacional. Isso porque assim dispõe o art. 98 do CTN:
Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.
O artigo dispõe que a legislação referente àquele país que realizou o tratado ou a convenção é que terá tratamento diferenciado, sendo muito comum para disciplinar e evitar situações de bitributação na esfera internacional, ou questões aduaneiras, entre outras medidas.
Justamente em razão dessa aplicabilidade, ficou estabelecida a ideia de que os tratados tanto podem ser elaborados para funcionar como uma norma geral e abstrata, como um pacto celebrado entre duas nações para regulamentar questões específicas de seus interesses.
O art. 98 do CTN permite, dessa forma, a distinção entre os chamados tratados-contratos e os tratados-leis. Toda a construção a respeito da prevalência da norma interna com o poder de revogar os tratados, equiparando-os à legislação ordinária, foi feita tendo em vista os designados tratados, contratos, e não os tratados-leis.
Assinatura de um tratado.
Salienta-se que esse dispositivo gera debates com frequência e consolida a ideia de que, em direito tributário, o tratado modifica a lei, que posteriormente não modifica o tratado. O que se conclui é que a disciplina do específico (no tratado internacional) prevalece sobre o genérico (leis internas do país). Assim afirmam os tribunais:
[...] 7. A antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolve-se pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. [...]
(STJ – 2ª turma, REsp nº 1.161.467, rel. Min. Castro Meira, j. em 17.5.2012, DJe 1º.6.2012).
Tecnicamente, não há a revogação das normas internas, pois elas continuarão vigentes e aplicáveis às demais relações jurídicas não afetadas pelas disposições específicas da convenção internacional. A decisão transcrita anteriormente ainda complementa essa particularidade. Veja.
[...] 8. O art. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio Lex specialis derrogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção.
9. A norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso específico, mas não perde a sua existência ou validade em relação ao sistema normativo interno. [...]
Com a determinação, é possível reconhecer que o nosso sistema, em matéria tributária, adotou a posição supralegal para os atos internacionais. A interpretação predominante do art. 98 do CTN é de que os tratados internacionais devem conviver harmonicamente com as leis internas. Depois de devidamente incorporado ao direito interno segundo o procedimento retratado, o tratado internacional deve ser respeitado pela legislação interna como tal.
Essa importância seria ainda mais significativa para as normas e as ações criadas após a incorporação dos tratados internacionais, já que a solução não se daria pela aplicação da norma posterior (afastando o princípio mais claro de aplicação de normas do direito brasileiro — art. 2º, § 1º, LINDB), mas sim pela prevalência do pactuado com a ordem internacional. Essa posição de predomínio da norma internacional será exigida não apenas na aplicação das normas, devendo impor tal cuidado ao legislador nacional e demais agentes normativos.
Finalidades de acordos internacionais em matéria tributária
Dos comentários sobre tratados internacionais, já se percebe que aqueles relacionados à matéria tributária serão diferentes, por exemplo, dos tratados sobre direitos fundamentais. Os fundamentais são acordos que estabelecem normas gerais e abstratas para diversas pessoas de direito internacional, conhecidos como tratados-leis ou tratados normativos por alguns. Enquanto isso, os de temática fiscal farão previsões para alguns agentes da ordem internacional.
Ainda que com a crítica de algumas vozes jurídicas, essa classificação poderia ser sintetizada assim:
Tratados normativos
Veiculam normas gerais e abstratas, em que as vontades se dirigem a uma finalidade comum a ser alcançada pela conduta idêntica de todas as partes.
Tratados-contratos
Possuem normas individuais e concretas, pelas quais as partes assumem direitos e deveres recíprocos.
Os tratados-contratos impõem aos países signatários o dever de agir de um modo específico em situações determinadas, regulando interesses recíprocos mediante concessões mútuas. Nesse sentido, talvez o principal exemplo de um tratado-contrato sejam os acordos de bitributação. Em parte, essa distinção explica até mesmo as determinações do art. 98 do CTN, como atesta o Superior Tribunal de Justiça (STJ):
- O art. 98 do CTN permite a distinção entre os chamados tratados-contratos e os tratados-leis. Toda a construção a respeito da prevalência da norma interna com o poder de revogar os tratados, equiparando-os à legislação ordinária, foi feita tendo em vista os designados tratados, contratos, e não os tratados-leis.
- Sendo o princípio da não-discriminação tributária adotado na ordem interna, deve ser adotado também na ordem internacional, sob pena de desvalorizarmos as relações internacionais e a melhor convivência entre os países.
(STJ REsp 426.945/PR, rel. Min. Teori Zavascki, rel. p/acórdão Min. José Delgado, j. em 22.6.2004)
Alguns países ajustam, nesse ponto, combinações de algumas práticas, direta ou indiretamente na questão tributária. São disposições que versam sobre dispensa de exigências pecuniárias ou acessórias no comércio e trânsito entre países, ou mesmo a solução e casos de tributação diante de determinada ordem jurídica.
A doutrina nacional reconhece a existência de convenções internacionais que, embora versando essencialmente sobre outra matéria, acabam por tangenciar, acidental ou acessoriamente, disposições tributárias. São citados como exemplos os acordos visando à formação de zonas aduaneiras, ou de livre comércio, além de outros que tratam de assuntos como imunidades diplomáticas e consulares.
Há ainda aqueles que também fazem distinção entre os tratados internacionais que afetam matéria tributária e os tratados internacionais em matéria tributária. Quanto aos primeiros, é citado como exemplo o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), que abole a discriminação nas relações comerciais mediante a extensão generalizada da cláusula da nação mais favorecida.
Trata-se de fato intrinsecamente ligado ao fenômeno de integração econômica que pode ser observado na atualidade. Além do Gatt, outros acordos comerciais que afetam matéria tributária podem ser citados, como o Tratado de Roma, o Mercosul e o Nafta.
No entanto, além disso, é comum reconhecer que alguns assuntos são frequentemente abordados nos tratados internacionais sobre impostos. Vejamos esta diferenciação:
· Tratados em matéria tributária dispõem sobre acordos de bitributação: jáno final do século XIX, os Estados passaram a adotar acordos bilaterais para evitar a bitributação da renda.
· Tratados internacionais para facilitar o comércio entre os países ou dentro de blocos internacionais: prática crescente durante o século XX e atualmente já consolidada como política internacional.
Esses dois objetivos principais (ainda que não exclusivos) seriam formas tradicionais de celebração de tratados internacionais, na forma de tratados-contratos. Entretanto, já mais marcadamente no século XXI, uma nova forma de pactuação internacional começou a florescer: os tratados internacionais para troca de informações entre os países com o objetivo de permitir a fiscalização da movimentação de valores no mundo.
Entre os inúmeros possíveis arranjos internacionais, que de forma direta ou acidental tangenciam as questões tributárias, são essas formas internacionais mencionadas que merecem nossa maior atenção.
Supralegalidade dos tratados internacionais
Conheça neste vídeo o conceito de supralegalidade dos tratados internacionais no Brasil. Entenda como os tratados se posicionam hierarquicamente em relação às leis nacionais, sua importância no ordenamento jurídico e os impactos práticos dessa supralegalidade.
Ampliando o conhecimento
Você entendeu a relevância e a aplicabilidade dos tratados internacionais no direito tributário? Para reforçar esses conceitos, confira o caso a seguir.
Análise de um documento.
Determinada atividade era completamente tratada por normas da legislação tributária interna brasileira. Em razão desse tratamento, um contribuinte estruturou toda a sua operação comercial reconhecendo as formas de tributação e as consequências decorrentes da característica operacional, inclusive considerando que teria algumas operações com outros grupos empresariais fixados nos demais países do Mercosul.
Em dado momento, foi noticiado que os representantes internacionais brasileiros estavam negociando a celebração de uma convenção internacional no âmbito do Mercosul para a definição de uma uniformização das regras entre os países integrantes e associados ao bloco. Esse cenário ocorreu de fato sendo divulgada a notícia de que o tratado internacional teria sido assinado pelos países do bloco e encaminhado para a ratificação do Poder Legislativo interno de cada um dos países.
O contribuinte observou que, segundo os novos padrões, suas operações internas e internacionais teriam um cenário de tributação mais favorável. Ele procurou informações na Receita Federal para entender se já poderia se valer das condições previstas no novo tratado, e recebeu uma resposta negativa dos representantes do fisco federal.
Modulo 2 – Direito Tributário Internacional aplicado
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer a sistemática da OCDE no contexto global e a das legislações domésticas dos países sobre a tributação dos lucros alcançados no exterior.
Comércio internacional e acordos facilitadores
Contexto histórico
Desde os primórdios da civilização, a negociação é uma prática realizada naturalmente entre os grupos humanos. Com a evolução dessa atividade, surgiu a necessidade de trocar bens e serviços em um contexto diferente do regional, em todo o mundo. Dessa forma surgiu o comércio exterior.
Esse conceito é entendido como a troca comercial entre diferentes países, buscando satisfazer as necessidades e demandas de seus mercados, da população em geral e, até mesmo, dos governos. Como nenhum país é autossustentável, é natural que ocorra o fluxo internacional de diversos bens, mercadorias e serviços. Tal realidade só foi aumentando com o tempo — por diversos motivos — sendo hoje reconhecido o fenômeno da globalização.
Carregamento de contêineres coloridos por guindastes em um navio para exportação.
Com base nisso, os países sempre fizeram algum tipo de acordo entre si para a facilitação do comércio entre eles, reconhecendo os parceiros internacionais mais frequentes e, de algum modo, buscando incrementar (na medida de seus respectivos interesses) tal troca entre as nações.
Ainda que cada país tenha sua soberania mantida e a possibilidade de fixar regras para as práticas em que se envolvam, passou a ser comum que fossem feitos acordos entre eles buscando algum tipo de facilitação, na esfera dos tributos aplicáveis ou não. Inicialmente, eram comuns acordos bilaterais (entre dois países) e, com o passar do tempo, foram aparecendo acordos multilaterais (entre vários países) até o surgimento dos blocos econômicos.
Em tais acordos, vários elementos de facilitação sempre foram pensados, figurando entre eles alguma forma de dispensa de tributos envolvidos, como uma maneira de baratear a operação. Sendo assim, cotas de entrada, isenções de tributos, compensações de recursos etc. passaram a ser cláusulas constantes nos acordos internacionais.
Sistema Multilateral de Comércio
Assista ao vídeo e conheça o Sistema Multilateral de Comércio, suas principais características e a importância da Organização Mundial do Comércio (OMC). Entenda como as regras internacionais facilitam o comércio global, promovem a cooperação econômica e resolvem disputas comerciais.
Depois do término da brutal Segunda Guerra Mundial, em 1945, o planeta se organizou para fomentar a paz e a colaboração entre os países por causa dos mais diversos motivos. Um dos resultados foi a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), no cuidado das relações políticas. Outra consequência foi a celebração GATT (General Agreement on Tariffs and Trade) — Acordo Geral de Tarifas e Comércio, firmado em 1947 para impulsionar o livre comércio entre os países do globo.
Assinado para tornar o comércio mais fluido, por meio do incentivo ao livre comércio e da redução de barreiras tarifárias, o GATT pretendia facilitar as negociações e ajudar os países a alcançarem um avanço econômico com o apoio uns dos outros. O Brasil foi um de seus países fundadores e teve um papel ativo no estímulo à adesão de outras nações a tal acordo internacional.
O GATT permaneceu vigente até 1994, quando, em um processo de atualização das bases de relacionamento internacional, foi criada a Organização Mundial do Comércio (OMC) e estabelecido um novo Sistema Multilateral de Comércio (SMC).
Com a criação da OMC veio, portanto, o estabelecimento do SMC — Sistema Multilateral de Comércio e uma nova realidade mundial. Essa base se deu em um aspecto multilateral que passou a buscar, em nível internacional, um acordo de regulação do comércio, por meio do consenso de diferentes países.
A grande função da OMC residiu no objetivo de supervisionar a implementação e o cumprimento das regras sobre comércio e operações internacionais contidas no Sistema Multilateral de Comércio.
Blocos econômicos
Existem as regras internacionais da OMC, que todos os países devem cumprir, sob pena de sofrerem sanções internacionais. Mas há também parcerias específicas entre alguns países que têm um interesse mútuo ou se encontram na mesma região do planeta.
São os chamados blocos econômicos, associações que países formam com o objetivo de fortalecer suas relações comerciais, visando o crescimento econômico, entre outros fundamentos que possam ser escolhidos. A formação dos blocos se caracteriza a partir dos diferentes objetivos e distintos níveis de avanço em termos econômicos entre os acordos regionais.
Os blocos podem ser dos seguintes tipos (em ordem de intensidade das relações):
Área de livre comércio
União aduaneira
Mercado comum
União econômica e monetária
De todos, o bloco mais forte e famoso é a União Europeia.
Os países que compõem um bloco firmam acordos que possibilitam condições especiais para o comércio e operações internacionais entre si. No caso nacional, como notório, o Brasil integra o Mercosul. Constituído em 1995, o Mercado Comum do Sul foi inicialmente formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O Mercosul teve como principal objetivo a ampliação de seus mercados internos, mediante integração econômica intrabloco. Passou por um período de transição, durante o qual foram exigidasmedidas de ajuste interno de cada país, para seu efetivo funcionamento como zona de livre comércio até o advento do Protocolo de Ouro Preto, que o alçou à condição de União Aduaneira.
Bandeira do Mercosul em destaque com bandeiras de outros países ao fundo.
Para ilustrar como tais acordos são importantes ao comércio internacional, no caso do Mercosul, foi celebrado o Tratado de Assunção, que estabeleceu que os Estados Partes adotassem diversas medidas de adequação interna e externa, com o objetivo de criação do Mercado Comum, conforme consta do art. 1º. Essas medidas são:
Eliminação dos direitos alfandegários e restrições não tarifárias à circulação de mercadorias ou de qualquer outra medida de efeito equivalente.
1. Estabelecimento de Tarifa Externa Comum (TEC).
2. Coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados Partes.
3. Harmonização legislativa.
De modo simples, pode-se dizer que a integração dos mercados intrabloco objetiva dar tratamento isonômico aos produtos estrangeiros, oriundos do bloco regional, em relação aos produtos nacionais.
Dupla tributação internacional
A partir das recomendações conceituais sobre os fenômenos de incidência tributária, persiste a recomendação de que as ordens jurídicas devem evitar a dupla imputação. Tal consignação é dada tanto para o direito interno, como em decorrência de realidades internacionais.
No que nos interessa, a prevenção ou a eliminação da dupla tributação internacional pode ser realizada pelos Estados e pelos próprios contribuintes, por meio de planejamento tributário internacional. Os Estados previnem ou eliminam a dupla tributação internacional tanto com medidas unilaterais, por meio de normas internas, quanto por medidas internacionais, com o uso de convenções internacionais, como veremos mais detalhadamente a seguir.
Medidas unilaterais
Quanto às medidas unilaterais para evitar ou eliminar a dupla tributação internacional, geralmente são os países que seguem o critério da residência que as implementam, embora os Estados que seguem o critério da fonte também possam fazê-lo. Isso se explica porque o critério da residência, fazendo com que a tributação incida inclusive sobre as rendas que provêm do exterior, apresenta a potencialidade de gerar a dupla tributação internacional. Falaremos mais sobre esses critérios neste conteúdo.
Sendo assim, para mitigar ou eliminar a dupla tributação internacional, os Estados da residência geralmente adotam, unilateralmente, ou o método da isenção, ou o método da imputação, podendo ainda estabelecer outros métodos, como o da redução da alíquota e o da dedução de impostos pagos no exterior, da base de cálculo.
Tudo isso será dado nas normas internas de cada nação, dependendo, naturalmente, das características de cada uma das incidências que possam repercutir nos atos de estraneidade.
Medidas bilaterais
As convenções contra a dupla tributação internacional são normalmente bilaterais. As convenções multilaterais existentes são ainda em número bastante reduzido e só disciplinam a tributação de alguns objetos, como veículos automotores, dada a grande dificuldade de obter soluções harmonizadas com base nos diversos sistemas tributários e nos interesses particulares de cada um dos Estados.
Todavia, as convenções bilaterais nem sempre eliminam completamente a dupla tributação. Frequentemente, apenas atenuam seus efeitos, sendo que, em determinadas circunstâncias, implícita ou explicitamente, deixam que ela subsista, principalmente em se tratando de matérias não consideradas básicas, sobre as quais os Estados não entram em acordo.
Na prática, as convenções bilaterais podem resolver grande parte dos problemas de dupla tributação internacional, pois, por meio delas, os Estados concedem alívios tributários, limitando os respectivos poderes tributários, de forma bem mais abrangente do que estariam dispostos a fazer de forma indiscriminada.
Tratados internacionais para evitar a bitributação
No mundo globalizado atual, os tratados internacionais representam a principal medida bilateral capaz de atenuar ou evitar a bitributação internacional, que constitui um verdadeiro obstáculo ao desenvolvimento das relações econômicas internacionais.
Na realidade da evidente intensificação das relações internacionais, os Estados soberanos não mais podem ou conseguem resolver certas questões e possíveis conflitos do modo tradicional ou unilateral, o que estimulou o aparecimento das mais diversas organizações voltadas para a cooperação e a tomada de decisão em bloco.
É nesse curso que surgem as questões tributárias e a celebração dos tratados internacionais, sendo que os apresentados para evitar a dupla tributação (apesar de existentes de modo eventual e esparso desde a Primeira Guerra Mundial) representam um movimento percebido de forma mais recente.
No Brasil, os tratados para evitar a bitributação internacional celebrados, em linhas gerais, baseiam-se por um mesmo modelo, o qual foi desenvolvido pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 1963, foi divulgado um relatório elaborado pela OCDE, que foi denominado Projeto de Convenção de Dupla Tributação em Matéria de Rendimento e de Capital, com muitos acordos celebrados a partir dali.
Pessoa empilhando dinheiro e moedas.
Em 1992, o comitê de assuntos fiscais da OCDE publicou um novo modelo de convenção e respectivos comentários, o qual, diferentemente dos anteriores, pretende ter um caráter evolutivo, sujeito a revisões periódicas, ou seja, a um processo de revisão contínua. Houve algumas revisões em 1994, 1995 e 1997, já contando com uma atualização no modelo de convenção no ano 2000.
A República Federativa do Brasil tem celebrado diversos tratados internacionais com esses objetivos com outras nações, sendo que a Secretaria da Receita Federal divulga a listagem dos pactos celebrados no seu portal on-line.
Em uma última impressão (atualizado em junho de 2024), tínhamos o seguinte quadro dos países com que o Brasil possui tratado para evitar a dupla tributação:
· África do Sul
· Alemanha
· Argentina
· Áustria
· Bélgica
· Canadá
· Chile
· China
· Coreia do Sul
· Dinamarca
· Emirados Árabes Unidos
· Equador
· Eslováquia
· Espanha
· Filipinas
· Finlândia
· França
· Hungria
· Índia
· Israel
· Itália
· Japão
· Luxemburgo
· México
· Noruega
· Países Baixos
· Peru
· Portugal
· Repúlblica Tcheca
· Rússia
· Singapura
· Suécia
· Suíça
· Trinidad e Tobago
· Turquia
· Uruguai
· Ucrânia
· Venezuela
Vale esclarecer que, na sequência, o próprio site da Receita Federal identifica os decretos de aprovação de cada acordo internacional, com o objetivo básico de cada um deles.
Tratados internacionais para evitar a bitributação
Assista ao vídeo e conheça os tratados internacionais para evitar a bitributação, seus objetivos e benefícios. Saiba como esses tratados protegem contra a dupla tributação, promovem a justiça fiscal e incentivam o comércio e os investimentos internacionais.
Tributação dos rendimentos: universalidade e territorialidade
A temática de que estamos tratando ganha ainda mais relevância em razão dos critérios que cada país adote para os fins da tributação da renda, seja a territorialidade, seja a universalidade. São chamados de elementos de conexão e ganham investigação cada vez mais acurada na medida em que crescem esses incidentes e aspectos internacionais.
A residência é o critério mais utilizado pelos sistemas tributários para tributar fatos além de sua competência territorial ordinária.
O conceito de residência para fins fiscais varia de sistema para sistema, porém usualmente se reconhece que, para pessoas físicas, há um determinado prazo de permanência a partir do qual passam a adquirir o status de residentes de dado território; e, para pessoas jurídicas, há os critérios como local de constituição da empresa, sede administrativa, local da atividade principal, entre outros.
Residência das pessoas físicas
O critério da residência é utilizado pela legislação brasileira para tributar a renda independentemente do local de produção ou aferição,universalmente (tributação da renda mundial ou worldwide income taxation), segundo os dispositivos presentes nos arts. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713/1988 para as pessoas físicas.
Esse padrão já era adotado desde o Decreto-Lei nº 1.168/1939, refletindo, inclusive, a previsão básica do imposto de renda no art. 43 do CTN, notadamente em seus parágrafos.
Pessoa fazendo cálculos com miniatura de casa de madeira em cima da mesa.
O imposto incidente sobre a renda e proventos de qualquer natureza alcança, portanto, fatos ocorridos tanto no território nacional como fora dele, especialmente pela aplicação dos parágrafos do art. 43 do CTN. Aqui se fala em uma extraterritorialidade do IR, que para muitos autores seria decorrente da própria ideia de universalidade.
No que diz respeito à pessoa física, não há grandes problemas, e isso já estava estabelecido na legislação. É importante destacar que essa determinação não será baseada na nacionalidade das pessoas, já que o critério territorial não se confunde com o vínculo jurídico-político da nacionalidade.
É relevante ainda recordar que outros padrões poderão ser adotados — não no caso brasileiro, por determinação do art. 43, § 1º do CTN — como o critério da fonte pagadora, o critério real ou da situação do bem ou o critério da origem, mais comumente associado aos atos do comércio ou das atividades empresariais.
É justamente a possibilidade desses vários critérios, no entanto, que permite uma ocorrência de dupla tributação da renda sobre a mesma riqueza, demandando esse tipo de tratamento da questão.
Universalidade das pessoas jurídicas
Em relação à tributação da pessoa jurídica, houve a modificação dos critérios ao longo dos momentos de nossa legislação, passando a ser chamado de tributação em bases universais, que começou a ocorrer com a Lei nº 9.249/1995, cujos artigos 25 e 26 criaram expressamente a ideia da tributação em bases universais também para as PJs e entidades equiparadas.
Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. [...]
§ 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte:
Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital.
Na prática, a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, mas com uma filial, uma controlada ou uma coligada no exterior, passa também a contribuir sobre o lucro obtido por lá. Essa Lei nº 9.249/1995 tinha um problema que residia na melhor precisão sobre a questão da disponibilidade, sendo regulada, naquele momento, pela Secretaria da Receita Federal da seguinte forma:
IN 38/96 - Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do período-base, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados.
§ 1º Consideram-se disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior.
§ 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, considera-se:
I - creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior;
II - pago o lucro, quando ocorrer:
a) o crédito do valor em conta bancária em favor da matriz, controladora ou coligada, domiciliada no Brasil;
b) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária;
c) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça;
d) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior.
Significou dizer que a Instrução Normativa atrelou a ideia do rendimento a ser tributado no Brasil à disponibilidade financeira desse rendimento pela matriz no país, com muitas críticas doutrinárias e debates judiciais.
Sem prejuízo das discussões sobre a Lei nº 9.249/1995 e da IN 38/1996, a determinação do novo critério para as pessoas jurídicas e entidades equiparadas, todavia, fica patente no § 1º do art. 43, notadamente com a imposição de que a incidência do imposto independe da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Tanto assim que o § 2º seguinte determina que, na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que dar-se-á sua disponibilidade para fins de incidência do imposto.
Esses parágrafos vieram a ser incluídos no CTN pela reforma realizada pela Lei Complementar nº 104/2001, servindo ainda de autorização para que o governo federal editasse, naquele mesmo ano, a Medida Provisória nº 2.158-35, com — a partir daí — o polêmico art. 74:
Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor.
Posicionamento do Supremo Tribunal Federal
Confira neste vídeo uma análise sobre a tributação dos rendimentos e o posicionamento do STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.588. Entenda os argumentos envolvidos, a decisão do tribunal e seus impactos na legislação tributária brasileira.
Após muitos debates nos tribunais, o STF posicionou-se definitivamente sobre o tema em 2013, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, mantendo esse princípio de universalidade, para dar interpretação conforme a Constituição, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, no sentido de que não se aplicaria às empresas coligadas localizadas em países sem tributação favorecida (não paraísos fiscais), e que se aplicaria às empresas controladas localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (paraísos fiscais, assim definidos em lei).
Juiz batendo martelo no tribunal.
Deliberou-se, ainda, pela inaplicabilidade retroativa do parágrafo único do aludido dispositivo. Por todos esses aspectos é que essa temática do tratamento internacional ganha ainda mais relevância em razão dos critérios que cada país adote para os fins da tributação da renda, especialmente pelo elemento de conexão adotado pela norma brasileira tanto para as pessoas físicas como para as jurídicas.
Na sequência, foi editada a Lei nº 12.973/2014, com o objetivo de adaptar a legislação brasileira às diretrizes fixadas pelo STF na ADI nº 2.588, ainda existindo muita polêmica sobre o assunto e grande discussão na esfera administrativa e nos tribunais nacionais a respeito do tema.
Troca internacional de informações fiscais
Principais características
Um tema recente na esfera da tributação internacional que tem ganhado destaque é o aparecimento de tratados internacionais para disciplinar a troca de informações entre as autoridades fazendárias dos países e celebrar acordos de cooperação para medidas de fiscalização e troca de outras experiências.
Diante do crescente processo de globalização,há significativo aumento de atividade econômica de forma global. Essa realidade econômica, que implica maior movimentação do capital ao redor do mundo, fez com que tanto pessoas jurídicas quanto pessoas físicas buscassem aplicar ou transferir parte de seus recursos para jurisdições com tributação reduzida ou regime fiscal privilegiado (paraísos fiscais), de modo a aumentar seus lucros.
Mapa mundial com a localização dos territórios com estatuto de paraíso fiscal.
Em concordância com isso, a OCDE publicou, em 1998, o relatório Harmful Tax Competition — An Emerging Global Issue, no qual se analisam as práticas das jurisdições consideradas paraísos fiscais como podendo resultar em erosão da base tributável dos demais países, conforme explica Phelippe Toledo Pires de Oliveira, in verbis:
“O relatório da OCDE de 1998 considerou que, não obstante a existência de uma ‘soberania fiscal’ dos países, a prática de: (1) oferecer nenhuma ou baixa tributação; conjuntamente com (2) a ausência de transparência; e (3) a restrição à obtenção de informações em nome do contribuinte, poderiam ser vistas como práticas de concorrência fiscal prejudicial. Isso porque essas práticas atraem indevidamente investimentos de pessoas físicas e jurídicas estrangeiras (normalmente rendimentos passivos e lucros contábeis ‘de papel’), causando uma indevida ‘erosão’ da base tributável nos seus respectivos países de residência, a despeito dos serviços e prestações estatais de que nele dispõem” (Oliveira, 2012, p. 141).
A troca de informações fiscais entre Estados soberanos, desse modo, atua prioritariamente no combate à sonegação e à evasão fiscal, permitindo reequilíbrio interno para as nações, como forma de justiça fiscal internacional.
Sendo assim, a troca de informações fiscais entre Estados tanto figuraria como instrumento de combate à sonegação e à evasão fiscal como de viabilidade das políticas fiscais e arrecadatórias nacionais, no que se refere a operações internacionais.
É possível verificar que essa troca de informações fiscais está prevista pela OCDE prioritariamente das seguintes formas:
· No artigo 26 do Modelo de Convenção Internacional para Evitar a Bitributação.
· Nos Acordos Bilaterais de Troca de Informações em Matéria Tributária.
· Na Convenção Multilateral sobre Assistência Administrativa Mútua em Matéria Fiscal.
A Convenção Multilateral sobre Assistência Administrativa Mútua em Matéria Fiscal é o objeto de análise deste estudo, por aplicável à análise do caso gerador. Cabe salientar que tanto o modelo de acordo bilateral quanto o multilateral são espécies do gênero TIEA (tax information exchange agreements), e encontram suas diferenças pontuadas pela própria OCDE, quando aplicável.
Em paralelo aos acordos bilaterais para a troca de informações fiscais, há a Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal, assinada por 112 países, número que só vai crescendo com o tempo. No Brasil, foi promulgada por meio do Decreto nº 8.842, de 29 de agosto de 2016, passando a vigorar a partir de 1º de outubro de 2016.
Trata-se de relevante instrumento multilateral de consolidação de um sistema global de mútua assistência administrativa e troca de informações tributárias, objetivando maior cooperação e transparência internacional.
Tendo em vista a grande rede de países que engloba, a Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal vem se consolidando como a mais importante iniciativa global da atualidade no combate à evasão tributária, à ocultação de ativos e à lavagem de dinheiro, com respaldo do projeto do G20 e da OCDE de combate à erosão da base tributária e transferência de lucros (base erosion and profit shifting – BEPS).
O que verificamos é que esse modelo de trocas internacionais de informações é crescente no domínio internacional, passando os tratados internacionais de matéria tributária para um outro patamar de sua elaboração, inclusive (para muitos) superando aquela distinção entre tratados-contratos e tratados-leis.
Troca internacional de informações fiscais
Assista ao vídeo sobre a troca internacional de informações fiscais, com destaque para sua importância no combate à evasão fiscal e à lavagem de dinheiro. Entenda os mecanismos e os acordos que facilitam a cooperação entre países.
Ampliando o conhecimento
Para que seja verificado, na prática, como ocorre a tributação de lucros alcançados no exterior, o caso de estudo será a legislação brasileira, que permite uma ampla taxação em todos os casos em que subsidiárias de empresas brasileiras se estabelecem no exterior.
Até 1995, em relação à tributação da pessoa jurídica, o Brasil se pautava no princípio da territorialidade e, sendo assim, a tributação da renda das empresas era feita de modo restrito, dentro do próprio território. Posteriormente, em observância ao princípio da universalidade, a sistemática da taxação dos lucros foi alterada, permitindo uma tributação ampla por nosso país, alcançando rendas recebidas fora de seu território.
Essa nova possibilidade adveio da Medida Provisória nº 2.158 e, ao estabelecer a tributação automática dos lucros conseguidos no exterior na data do balanço da subsidiária estrangeira da controladora brasileira, abriu espaço para um dos maiores debates já vistos na seara tributária. Isso porque o conceito de renda, para os contribuintes, foi violado frontalmente.
Dessa forma, João procura você, advogado (a), para elaborar um parecer sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, a qual fora proposta na tentativa de expurgar esse novo ato normativo, visto que as controladas da empresa brasileira, sediadas no Chile e na Argentina, começaram a ter tributação de seus lucros realizada no momento do levantamento do balanço no exterior, ou seja, passaram a ser tributadas pelos lucros recebidos no exterior.
Considerações finais
Como vimos, as relações internacionais penetraram nos temas tributários, sendo atualmente um importante capítulo relacionado à prática das questões fiscais dos países, com vários tópicos de repercussão interna no Brasil.
Apesar de os países manterem sua soberania para a disciplina dos aspectos de tributação, mostrou-se inevitável que as nações passassem a celebrar tratados internacionais para disciplinar diversas questões práticas decorrentes das relações tributárias.
Se, em um primeiro momento, houve a realização de tratados para estimular o comércio internacional, os tempos modernos trouxeram a existência de acordos para evitar ou disciplinar a dupla incidência, além de grandes convenções internacionais para cuidar da troca de informações e experiências entre as autoridades fiscais dos diversos países.
Naturalmente, o aparecimento dos grandes blocos internacionais ainda trouxe mais magnitude para as relações internacionais, seja com a multiplicação de acordos e convênios internacionais, seja até mesmo pela intensidade das matérias, das demandas entre os países e, de certa forma, implicando uma necessidade de reconhecimento de que alguns temas já não mais seriam satisfatoriamente resolvidos pelas normas emanadas dentro da soberania de cada uma das nações.
De tudo isso, tendo em vista a prática internacional e as orientações da OCDE, os tratados são a fonte para a resolução da dupla tributação da renda, entre outros temas de interesse fiscal.
Sem causar danos a todo esse conjunto de disciplina internacional das questões tributárias, um dos temas que já implicou um maior debate interno decorreu do tratamento nacional da ampla tributação no Brasil, tanto dos valores conseguidos no exterior como nos casos de remessa de montantes para fora do nosso território.
Esse contexto tributário levou até mesmo a formação de uma jurisprudência da Suprema Corte e do Superior Tribunal de Justiça que passaram a ser levados em consideração, tanto que o legislador nacional moldou as normas de incidência em razão ao que fora decidido nos tribunais.
Além disso, deve-se considerar a rapidez com que a tecnologia, a globalização e outros fenômenos têm impactadoas relações tributárias e suas consequências internacionais. Isso reforça a grande relevância de todos os assuntos abordados até aqui.
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TEMA 3
TREATY SHOPPING, ANTIDUMPING E TRANSFER PRICING
Descrição
Você vai entender o motivo da existência das regras de preços de transferência e de antidumping no Brasil e como utilizá-las.
Propósito
Por causa do crescimento do Brasil no cenário internacional e da presença de multinacionais brasileiras no exterior ― bem como de multinacionais estrangeiras em nosso país ―, é importante para quem atuará como advogado no mercado brasileiro e internacional conhecer as regras de preços de transferência que envolvem transações entre empresas relacionadas em negociações entre o Brasil e o exterior. É fundamental também conhecer as regras de antidumping, que visam à proteção do livre-comércio.
Preparação
Antes de iniciar seu estudo sobre preços de transferência, tenha em mãos a Lei nº 14.596/2023 e o Decreto nº 8.058/2013, conhecido como legislação de antidumping.
Objetivos
Módulo 1
Preços de transferência
Analisar as regras brasileiras de preços de transferência.
Módulo 2
Antidumping
Reconhecer as regras de antidumping e proteção ao comércio internacional.
Preços de transferência
Ao final deste módulo, você será capaz de analisar as regras brasileiras de preços de transferência.
Aspectos introdutórios ao estudo dos preços de transferência
O preço de transferência foi introduzido no Brasil a partir da Lei nº 9.430/96 (arts. 18 a 24), quando o país passou a adotar a tributação em bases universais para taxar toda a renda das empresas que residem aqui. Isso foi adotado em vez da tributação estritamente territorial, que taxa apenas os rendimentos vindos do país.
O objetivo da legislação de preços de transferência é coibir a manipulação de preços em operações financeiras ou comerciais estrangeiras, como importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, quando realizadas com pessoas relacionadas, residentes ou domiciliadas no exterior. O resultado da manipulação de preços afeta a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Um exemplo é o subfaturamento nas exportações e o superfaturamento nas importações.
A legislação também é aplicável quando a transação envolve países ou dependências com tributação favorecida e regimes fiscais privilegiados, sendo ou não vinculadas.
Dica
Para conhecer mais sobre os países com tributação favorecida, conhecidos como paraísos fiscais, consulte o art. 1º da instrução normativa da Receita Federal do Brasil nº 1.037/2010. E, para saber mais sobre os regimes fiscais privilegiados, leia o art. 2º do mesmo documento. É indicado sempre consultar essas listas quando se trabalha com uma operação interacional.
As regras de preços de transferência brasileiras foram alteradas pela Lei nº 14.596/2023, a fim de que elas se adequassem às regras da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e aplicassem o princípio arm’s length, que, segundo o art. 2º, é quando “os termos e as condições de uma transação controlada serão estabelecidos de acordo com aqueles que seriam estabelecidos entre partes não relacionadas em transações comparáveis”.
As discussões acadêmicas acerca da adequação das antigas normas de preços de transferência e do cumprimento das regras arm’s length devem ser objeto de estudo acadêmico mais aprofundado para quem tiver interesse, embora não sejam abordadas neste estudo.
Legislação de preços de transferência
As regras de preços de transferência visam coibir a manipulação de preços entre as partes relacionadas, a fim de que as transações ocorram a valor de mercado e não gerem redução da base tributável de IRPJ e CSLL.
É essencial compreender o que são as transações controladas, as partes relacionadas, a entidade e o controle, e os conceitos e exemplos trazidos pela legislação ajudam a entender quando a legislação de preços de transferência será aplicável. O art. 4º da Lei nº 14.596/2023 apresenta definições essenciais e exemplos que veremos a seguir.
Transações controladas e partes relacionadas
São “qualquer relação comercial ou financeira entre 2 (duas) ou mais partes relacionadas, estabelecida ou realizada de forma direta ou indireta, incluídos contratos ou arranjos sob qualquer forma e série de transações”, conforme definição do art. 3º. Encontramos a definição de partes relacionadas no art. 4º da Lei nº 14.596/2023:
Quando no mínimo uma delas estiver sujeita à influência, exercida direta ou indiretamente por outra parte, que possa levar ao estabelecimento de termos e de condições em suas transações que divirjam daqueles que seriam estabelecidos entre partes não relacionadas em transações comparáveis.
Confira exemplos de partes relacionadas:
· O controlador e suas controladas.
· A entidade e sua unidade de negócios, quando ela for tratada como contribuinte separado para fins de apuração de tributação sobre a renda, incluídas a matriz e suas filiais.
· As coligadas.
· As entidades incluídas nas demonstrações financeiras consolidadas ou que seriam incluídas, caso o controlador final do grupo multinacional de que façam parte prepare tais demonstrações (se seu capital for negociado nos mercados de valores mobiliários de sua jurisdição de residência).
· As entidades, quando uma delas tiver o direito de receber, direta ou indiretamente, no mínimo 25% dos lucros da outra ou de seus ativos, em caso de liquidação.
· As entidades que estiverem, direta ou indiretamente, sob controle comum ou em que o mesmo sócio, acionista ou titular, detiver 20% ou mais do capital social de cada uma.
· As entidades em que os mesmos sócios ou acionistas, ou seus cônjuges, companheiros, parentes, consanguíneos ou afins, até o terceiro grau, detiverem, no mínimo, 20% do capital social de cada uma.
· A entidade e a pessoa natural que for cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, até o terceiro grau, de conselheiro, de diretor ou de controlador daquela entidade.
Entidade (art. 4º, § 2º) e controle (art. 4º, § 3º)
Referem-se à entidade que “compreende qualquer pessoa, natural ou jurídica, e quaisquer arranjos contratuais ou legais desprovidos de personalidade jurídica”.
A relação de controle ocorre quando uma entidade:
Detiver, de forma direta ou indireta, isoladamente ou em conjunto com outras entidades – inclusive em função da existência de acordos de votos -, direitos que lhe assegurem preponderâncias nas deliberações sociais ou o poder de eleger ou destruir a maioria dos administradores de outra entidade.
Participar, direta ou indiretamente, de mais de 50% do capital social de outra entidade.
Detiver ou exercer o poder de administrar ou gerenciar, de forma direta ou indireta, as atividades de outra entidade.
Considera-se coligada, para fins de preços de transferência, no art. 4º, § 4º, “a entidade que detenha influência significativa sobre outra entidade, conforme previsto nos §§ 1º, 4º e 5º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976”.
Preços de transferência e seu regime jurídico
Confira neste vídeo o que são preços de transferência e conheça suas principais características por meio de conceitos e exemplos trazidos pela legislação sobre o tema.
Regras de tributação
Algumas alterações
Conforme o art. 6º da Lei nº 14.596/2023, para determinar se os termos e as condições estabelecidos na transação controlada estão de acordo com o princípio do arm’s length, devem-se efetuar:
O delineamento da transação controlada (arts. 7º e 8º).
 X 
A análise de comparabilidade da transação controlada (arts. 9º e 10).
As principais alterações trazidas pelas novas regras são as exigências de que as transações entre as partes relacionadas no exterior sigam o princípio do arm’s length. Isso significa que as empresas devem determinar os preços com base em operações semelhantes entre companhiasindependentes. Para garantir a conformidade a esse princípio, os contribuintes devem descrever detalhadamente a transação, considerando condições contratuais, funções, ativos, riscos e características dos bens ou serviços envolvidos.
Eles também devem analisar a comparabilidade da transação, levando em conta fatores como as relações comerciais e financeiras entre as partes, as características dos produtos ou serviços e as condições de mercado. Se o preço praticado não estiver alinhado ao preço de mercado, o contribuinte deve ajustá-lo voluntariamente. Caso contrário, a autoridade tributária poderá realizá-lo.
Grupo de trabalho analisando documentos.
Além disso, as empresas devem escolher o método mais apropriado entre os disponíveis, e não o que lhes convém. Os métodos estão previstos no art. 11 da lei, do qual vale a transcrição:
Lei nº 14.596/2023
Art. 11. Para fins do disposto nesta Lei, será selecionado o método mais apropriado dentre os seguintes:
I – Preço Independente Comparável (PIC), que consiste em comparar o preço ou o valor da contraprestação da transação controlada com os preços ou os valores das contraprestações de transações comparáveis realizadas entre partes não relacionadas;
II – Preço de Revenda menos Lucro (PRL), que consiste em comparar a margem bruta que um adquirente de uma transação controlada obtém na revenda subsequente realizada para partes não relacionadas com as margens brutas obtidas em transações comparáveis realizadas entre partes não relacionadas;
III – Custo mais Lucro (MCL), que consiste em comparar a margem de lucro bruto obtida sobre os custos do fornecedor em uma transação controlada com as margens de lucro bruto obtidas sobre os custos em transações comparáveis realizadas entre partes não relacionadas;
IV – Margem Líquida da Transação (MLT), que consiste em comparar a margem líquida da transação controlada com as margens líquidas de transações comparáveis realizadas entre partes não relacionadas, ambas calculadas com base em indicador de rentabilidade apropriado;
V – Divisão do Lucro (MDL), que consiste na divisão dos lucros ou das perdas, ou de parte deles, em uma transação controlada de acordo com o que seria estabelecido entre partes não relacionadas em uma transação comparável, consideradas as contribuições relevantes fornecidas na forma de funções desempenhadas, de ativos utilizados e de riscos assumidos pelas partes envolvidas na transação; e
VI – outros métodos, desde que a metodologia alternativa adotada produza resultado consistente com aquele que seria alcançado em transações comparáveis realizadas entre partes não relacionadas.
§ 1º Considera-se método mais apropriado aquele que forneça a determinação mais confiável dos termos e das condições que seriam estabelecidos entre partes não relacionadas em uma transação comparável, considerados, ainda, os seguintes aspectos:
I – os fatos e as circunstâncias da transação controlada e a adequação do método em relação à natureza da transação, determinada especialmente a partir da análise das funções desempenhadas, dos ativos utilizados e dos riscos assumidos pelas partes envolvidas na transação controlada conforme previsto no inciso II do caput do art. 7º desta Lei;
II – a disponibilidade de informações confiáveis de transações comparáveis realizadas entre partes não relacionadas necessárias à aplicação consistente do método; e
III – o grau de comparabilidade entre a transação controlada e as transações realizadas entre partes não relacionadas, incluídas a necessidade e a confiabilidade de se efetuar ajustes para eliminar os efeitos de eventuais diferenças entre as transações comparadas.
§ 2º O método PIC, previsto no inciso I do caput deste artigo, será considerado o mais apropriado quando houver informações confiáveis de preços ou valores de contraprestações decorrentes de transações comparáveis realizadas entre partes não relacionadas, a menos que se possa estabelecer que outro método previsto no caput deste artigo seja aplicável de forma mais apropriada, com vistas a se observar o princípio previsto no art. 2º desta Lei.
§ 3º Quando o contribuinte selecionar outros métodos a que se refere o inciso VI do caput deste artigo, para aplicação em hipóteses distintas daquelas previstas pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, deverá ser demonstrado pela documentação de preços de transferência a que se refere o art. 34 desta Lei que os métodos previstos nos incisos I, II, III, IV e V do caput deste artigo não são aplicáveis à transação controlada, ou que não produzem resultados confiáveis, e que o outro método selecionado é considerado mais apropriado, nos termos do § 1º deste artigo.
§ 4º A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à possibilidade de combinação de métodos, com vistas a assegurar a aplicação correta do princípio previsto no art. 2º desta Lei.
A legislação também apresenta regras específicas para commodities (arts. 12 a 14), consideradas como um “produto físico, independentemente de seu estágio de produção, e os produtos derivados, para os quais os preços de cotação sejam utilizados como referência por partes não relacionadas para se estabelecer os preços em transações comparáveis”.
Em transações controladas, ajustes podem ser feitos, para garantir que a base de cálculo dos tributos esteja alinhada ao que seria acordado entre as partes não relacionadas. Existem três tipos de ajustes:
Espontâneo
Feito pela empresa para seguir os princípios estabelecidos.
Compensatório
Realizado pelas partes para refletir o que seria acordado entre partes não relacionadas.
Primário
Efetuado pela autoridade fiscal com base nos princípios estabelecidos.
Ajustes são feitos se os termos das transações controladas não seguirem os de transações entre partes não relacionadas. Além disso, a autoridade fiscal pode fazer ajustes primários em caso de descumprimento. Alguns ajustes são proibidos, como os para reduzir a base de cálculo ou aumentar o prejuízo fiscal, a menos que haja exceções específicas. O ajuste compensatório deve seguir diretrizes específicas, como refletir na contabilidade e emitir notas de débito ou crédito. Esse ajuste não precisa de autorização prévia, mas pode ser verificado posteriormente. Por último, o ajuste espontâneo é o feito pela pessoa jurídica diretamente na apuração da base de cálculo de seus tributos. Especificidades estão no art. 17 da Lei nº 14.596/2023.
A lei dispõe também sobre transações com:
· Intangíveis (arts. 19 a 21)
· Intangíveis de difícil valoração (art. 22)
· Serviços intragrupo (arts. 23 e 24)
· Contratos de compartilhamento de custos (art. 25)
· Reestruturação de negócios (art. 26)
· Operações financeiras (arts. 27 a 29)
· Garantias intragrupo (arts. 30 e 31)
· Acordos de gestão centralizada de tesouraria (art. 32)
· Contratos de seguro (art. 33)
· Documentação e penalidades (arts. 34 a 36)
· Medidas de simplificação e demais medidas (art. 37)
· Processo de consulta específico em matéria de preços de transferência (art. 38)
· Procedimento amigável (art. 39)
A Instrução Normativa da Receita Federal Brasileira (RFB) nº 2.161/2023 disciplina os pontos de preços de transferência.
Preços de transferência na legislação internacional
Tratados internacionais tributários celebrados pelo Brasil
A matéria de preços de transferência aparece nos tratados internacionais nos arts. 9º (ou equivalente) e 25 (ou equivalente) da convenção-modelo da OCDE.
O art. 25 trata do procedimento amigável (ou mutual agreement procedure (MAP), em inglês), que é autônomo, preventivo bilateral e informal.
O referido artigo contém três tipos de procedimento amigável distintos:
Procedimento amigável iniciado pelo contribuinte
Visa prevenir a tributação em desacordo com as regras do acordo de dupla tributação (ADT), conforme previsto nos §§ 1° e 2° do art.25, podendo ser classificado como procedimento amigável em sentido estrito ou individual.
Procedimento amigável interpretativo
Almeja resolver dificuldadesou dúvidas acerca da interpretação do tratado. Esse procedimento se inicia pelos próprios estados contratantes. Está presente no § 3° do referido artigo.
Procedimento amigável integrativo
Visa a eliminação da dupla tributação em casos não objeto do tratado. Também está presente no § 3° do artigo 25.
A matéria é regulada, no Brasil, pela Instrução Normativa RFB nº 1.846, de 28 de novembro de 2018.
Diferentemente do proposto na convenção-modelo da OCDE, o Brasil não prevê a resolução de conflito por meio de arbitragem.
Embora não seja muito utilizado, por não ser muito comum na prática e na cultura brasileiras, é importante conhecer o art. 25 da convenção-modelo da OCDE e a legislação correlacionada, pois uma das principais utilizações desse dispositivo em âmbito global é justamente em questões envolvendo ajustes de preços de transferência.
O art. 9º, § 1º, dos tratados celebrados pelo Brasil para evitar dupla tributação é a exata transcrição do art. 9º, § 1º, da convenção-modelo da OCDE, que define o princípio arm’s length.
Comentário
Um desafio referente aos preços de transferência é o fato de o Brasil não ter adotado o § 2º do art. 9º da convenção-modelo da OCDE. Isso gera dificuldade ao se falar em ajustes decorrentes de eventuais divergências entre os Estados contratantes, o que pode afetar a aplicação prática do MAP no Brasil. Aguardamos para ver se a nova legislação de preços de transferência, que segue o padrão OCDE, afetará a inclusão desse dispositivo em tratados futuros. Por enquanto, o tratado com o Reino Unido é o único que prevê isso.
Cada tratado deve ser estudado individualmente, pois cada um tem suas peculiaridades.
Tributação e preços de transferência
Neste vídeo, veremos as diferentes formas de tributar as transações controladas, os métodos adotados e as principais regras dos tratados internacionais sobre o assunto.
Ampliando o conhecimento
Você sabe aplicar os métodos de preços de transferência? Sabe diferenciar commodities, algo em que nosso país é tão rico?
Para entendermos esse conceito na prática, vamos analisar o case da empresa Glencore, como exposto em Brandão e Galendi Junior (2023, p. 239-266).
No caso Glencore, inicialmente, a controlada Cobar vendia 100% do concentrado de cobre produzido para sua controladora suíça, Glencore International AG, por meio de acordos de compra celebrados a partir de 1999. Em 2007, as partes firmaram um contrato de compartilhamento de preços, em que os valores eram determinados com base na cotação média da London Metal Exchange e durante um período de cotação escolhido pela Glencore. Uma dedução de 23% era aplicada sobre o preço de referência para custos de tratamento do cobre e seu refinamento. As autoridades tributárias alegaram que os preços pagos pela Glencore à Cobar eram inferiores aos de uma transação de arm’s length, resultando em subestimação dos lucros da Cobar em 241 milhões de dólares australianos entre 2007 e 2009, levando a lançamentos de imposto de renda e juros.
O fisco australiano considerou que o contrato de 2007 entre as empresas não estava em conformidade com os princípios de arm’s length e favorecia a Glencore em detrimento da Cobar. Argumentou-se que um agente independente operando uma mina, como a Cobar, não teria celebrado um contrato semelhante. O fisco buscou requalificar a transação com base na expectativa de como as partes independentes teriam agido, defendendo que a falta de renegociação anual do contrato era uma distorção da realidade comercial. A ausência de ajustes anuais para refletir as oscilações do mercado foi considerada irracional e controlada pelo contribuinte, indo contra as regras de preços de transferência.
O contribuinte apresentou 12 contratos entre partes independentes, para mostrar que os termos das transações eram comuns no mercado. Ele argumentou que esses contratos ilustravam práticas de compartilhamento de preços entre 2002 e 2011, incluindo cláusulas criticadas pelas autoridades tributárias. Além disso, elas contestaram a comparabilidade dos contratos, apontando diferenças nas quantidades negociadas, nos períodos de cotação disponíveis e nos momentos de celebração quanto à produção. Elas concluíram que o tribunal não poderia se basear nesses contratos para inferir o comportamento esperado de uma entidade como a Cobar.
Antidumping 
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer as regras de antidumping e proteção ao comércio internacional.
Introdução à proteção do comércio internacional
De 1948 a 1994, o General agreement on tariffs and trade (Gatt) — ou Acordo geral sobre tarifas e comércio ― ditou as regras para grande parte do comércio mundial e foi a principal força em períodos que registraram algumas das maiores taxas de crescimento no comércio internacional. Ele parecia bem estabelecido, mas, ao longo de 47 anos, foi um acordo e uma organização provisórios (a sigla representa tanto o acordo quanto a organização).
A criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1º de janeiro de 1995, marcou a maior reforma do comércio internacional desde o final da Segunda Guerra Mundial. Vejamos.
Gatt
Lidava principalmente com o comércio de mercadorias.
OMC
Abrange tanto o comércio de mercadorias quanto o de serviços.
Em inglês, esse papel desempenhado pela OMC é representado pelo General agreement on trade and service (Gats), e a propriedade intelectual, pelo Trade related aspects of intellectual property rights (Trips).
Com o objetivo de criar um comércio internacional livre e transparente, o Gatt 1994 estabeleceu princípios fundamentais, que visam regulamentar as políticas comerciais entre os países signatários. Eles incluem a não discriminação, a proteção transparente e estável, a garantia de concorrência justa, a proibição de restrições quantitativas e o tratamento especial e diferenciado para países em desenvolvimento.
Presidente Clinton assinando a legislação que autoriza os Estados Unidos a aderir ao acordo comercial do Gatt na Organização dos Estados Americanos, 1994.
A não discriminação, prevista nos arts. I e III do Gatt 1994, estabelece que os países-membros devem conceder tratamento igualitário e sem discriminação a todos os outros. Isso significa que os bens importados devem receber o mesmo tratamento que os produtos nacionais equivalentes, promovendo equidade e equilíbrio no comércio internacional.
Trata-se do principal princípio. Porém, existem três exceções:
Medidas tomadas contra o Dumping (ou seja, a venda de um preço deslealmente inferior). Isso é o objeto desse estudo.
Subsídio e medidas compensatórias especiais para contrabalancear os subsídios.
Medidas de emergências para temporariamente limitar importações, a fim de proteger a indústria doméstica.
A proteção transparente e estável se refere ao fato de que os países podem proteger seus setores econômicos, mas devem fazer isso de forma transparente e por meio de tarifas. As listas de produtos e tarifas máximas permitidas se tornam parte integrante do Acordo Geral, garantindo maior previsibilidade e equilíbrio nas relações comerciais.
A garantia de concorrência justa é assegurada pelos acordos antidumping e de subsídios, que combatem práticas desleais como o dumping e o recebimento de subsídios. Isso promove um comércio mais justo e equitativo, eliminando distorções e desvantagens competitivas.
Conforme o art. XI do Gatt 1994, a proibição de restrições quantitativas impede o uso de proibições e quotas como forma de proteger, permitindo apenas o uso de tarifas como método transparente de proteção.
Os países em desenvolvimento recebem tratamento especial e diferenciado, conforme estabelecido na Parte IV do Gatt 1994. Com medidas mais favoráveis por parte dos países desenvolvidos, há exceções para as nações em desenvolvimento e com dificuldades no balanço de pagamentos. Os países desenvolvidos podem adotar medidas restritivas temporárias, de acordo com os arts. XIII e XVIII. Isso inclui a renúncia à reciprocidade nas negociações tarifárias, visando promover o desenvolvimento econômico e a integração desses paísesinfluencia o desenvolvimento econômico dos países. Ele permite que as nações acessem recursos, bens e serviços que não estão disponíveis internamente, ao mesmo tempo que oferece a oportunidade de exportar produtos e serviços para mercados estrangeiros. Confira, a seguir, alguns dos benefícios do comércio internacional.
Aumento das oportunidades de negócio
O comércio exterior expande os horizontes das empresas, permitindo que elas alcancem novos mercado e ampliem sua base de clientes.
Estímulo ao crescimento econômico
O comércio internacional acentua o crescimento econômico, uma vez que a exportação de bens e serviços gera receita e empregos, e contribui para o desenvolvimento das empresas nacionais.
Acesso a recursos e conhecimentos especializados 
O comércio exterior permite aquisição de recursos escassos ou de alta qualidade de outras nações, bem como o acesso a conhecimentos especializados em determinados setores.
Redução de Custos
A competição internacional promove a eficiência e a redução de custos na promoção, beneficiando os consumidores com preços mais baixos e maior variedade de produtos.
Empresas e Comércio Externo
Importância do comércio exterior para as empresas
Qualquer que seja o segmento de uma empresa — prestação de serviços, assessoria, indústria, e-commerce, varejo — as vantagens que se aplicam ao comércio exterior são muitas. Não estamos falando apenas da questão da receita, ou seja, do resultado gerado e que se transforma em renda para o negócio, seu principal objetivo.
A organização que se desenvolve para o comércio internacional diversifica seus mercados e negócios. Para as empresas, o comércio internacional amplia o mercado (e, consequentemente, o faturamento) e estimula um aumento na eficiência dos processos.
Conheça a seguir alguns dos diversos ganhos que o comércio exterior proporciona para as empresas do país, de forma não taxativa.
· Possibilidade de não deixar as finanças empresariais se afetarem pela sazonalidade.
· Grande chance de expansão pela diversificação de mercados.
· Acesso a novas tecnologias e ferramentas mercadológicas.
· Otimização da qualidade dos produtos e serviços.
Ao concretizar operações de comércio internacional, as empresas acabam fazendo negócios em moedas estrangeiras. Isso salienta a importância da atividade: agir no comércio exterior, desenvolvendo negócios de importação e exportação representa uma boa oportunidade de ter uma proteção econômica natural, porque a negociação ocorre em moeda forte.
É interessante observar algumas vantagens do comércio exterior nas áreas da:
Exportação - A receita da empresa é composta em moeda forte. Dessa forma, ela pode ficar segura em relação aos valores que vêm do exterior.
Indústria - Os produtos devem ser adaptados para atender às exigências do mercado externo, exigindo uma qualificação diferenciada dos colaboradores da empresa.
O comércio exterior adquire cada vez mais importância para as empresas que querem crescer de forma sustentável. Além disso, a diversificação de mercados também representa uma segurança maior em relação às crises que podem surgir.
Igualmente, tal atividade deve implicar um processo de planejamento que envolva várias áreas do conhecimento e atuação nas estruturas empresariais.
· O comércio internacional requer:
· Contabilidade ajustada às normas internacionais.
· Compliance exigido pelos grandes agentes internacionais.
· Coordenação bem feita das áreas fiscal e jurídica.
A empresa pode ainda usufruir de benefícios fiscais na exportação, incentivada para manter a balança comercial do país em equilíbrio. Não raro, os países, ou mesmo suas unidades internas, como estados e municípios no Brasil, concedem estímulos das mais diversas ordens às empresas participantes do comércio internacional, justamente por reconhecerem a importância da atividade para as operações das nações.
De tudo isso, ainda podemos identificar outros ganhos, além dos mencionados, para as empresas e corporações em geral. Confira.
· Aumento do valor da marca pela presença internacional.
· Maior capacidade de atendimento e resposta a clientes globais.
· Diferenciação frente a concorrentes domésticos e/ou menos internacionalizados.
· Proximidade com seus consumidores finais.
· Diminuição de riscos pela diversificação de mercados.
· Economia de escala.
Principais características da legislação de preços de transferência
Assista ao vídeo e compreenda a importância do comércio exterior para as empresas, destacando como a internacionalização aumenta a competitividade, expande mercados e diversifica riscos. Conheça ainda as oportunidades de crescimento, acesso a novas tecnologias e redução de custos.
Sistema multilateral de comércio
Assista ao vídeo sobre como o sistema multilateral de comércio e os blocos econômicos facilitam o comércio global e promovem a cooperação internacional. Ent a função da OMC, os benefícios e desafios das integrações regionais, e como essas estruturas impactam as políticas comerciais dos países.
Cenário pós-Segunda Guerra Mundial
Depois do término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o planeta se organizou para fomentar a paz e a colaboração entre os países pelos mais diversos motivos. Um dos resultados foi a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) para cuidar das relações políticas. Outra consequência foi a celebração do Acordo Geral de Tarifas e Comércio, firmado em 1947, para impulsionar o livre comércio entre os países.
O General Agreement on Tariffs and Trade (Acordo Geral de Tarifas e Comércio – GATT) foi assinado, em 1947, para tornar o comércio mais livre, por meio do incentivo ao livre comércio e da redução de barreiras tarifárias. Esse acordo pretendia facilitar as negociações e ajudar os países a alcançar um avanço econômico com o apoio uns dos outros. O Brasil foi um dos países fundadores do GATT e teve um papel ativo no estímulo para a adesão de outras nações.
O GATT permaneceu vigente até 1994, quando, em um processo de atualização das bases de relacionamento internacional, foi criada a Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC foi oficialmente estabelecida em 1 de janeiro de 1995, com o Acordo de Marrakesh, dando origem a um novo Sistema Multilateral de Comércio (SMC).
Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) de 1998, realizada no Palácio das Nações em Genebra, Suíça.
Com a criação da OMC, foi estabelecido o Sistema Multilateral de Comércio (SMC), e uma nova realidade mundial. Tal base se dá em um aspecto multilateral, que passou a buscar, em nível internacional, um acordo de regulação do comércio, por meio do consenso de diferentes países.
A principal função da Organização Mundial do Comércio (OMC) é supervisionar a implementação e o cumprimento das regras comerciais internacionais estabelecidas pelo Sistema Multilateral de Comércio (SMC).
Entre as funções da OMC, está a de tornar o comércio mais livre e dinâmico. Conheça as suas ações a seguir.
· Criar normas.
· Regular acordos.
· Supervisionar os acordos e aplicar as normas.
Blocos econômicos?
As regras internacionais da OMC devem ser cumpridas por todos os países sob pena de sofrerem sanções internacionais. Entretanto, também são feitas parcerias específicas entre alguns países que têm um interesse mútuo ou estão em uma mesma região do planeta.
Esses são os chamados blocos econômicos, associações que países formam com o objetivo de fortalecer suas relações comerciais, visando ao crescimento econômico, entre outros fundamentos.
Os blocos econômicos podem ser dos seguintes tipos (em ordem de intensidade das relações):
· Área de livre comércio.
· União aduaneira.
· Mercado comum.
· União econômica e monetária.
O bloco econômico mais forte de todos e mais famoso é a União Europeia.
A formação dos blocos se caracteriza a partir dos diferentes objetivos e distintos níveis de avanço em termos econômicos entre os acordos regionais. Para tanto, adota-se uma classificação dos blocos econômicos a fim de melhor identificá-los. Confira.
Zona de preferência Tarifária
É um passo inicial de integraçãono comércio internacional.
Resumindo
A principal função do antidumping é manter a concorrência leal de preços.
O Brasil foi o país que mais aplicou barreiras a importados na década de 2010 a 2020. Entre 2013 e 2015, 112 medidas antidumping foram iniciadas pelo Brasil, como 15% das medidas restritivas ao livre-comércio analisadas pela instituição. O governo brasileiro iniciou metade de todos os casos de antidumping no setor de plásticos e borracha no mundo, com 57 e 22 casos no setor de produtos químicos, conforme estudo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O site do Governo Federal indica produtos com medidas de combate ao dumping aplicadas pelo Brasil.
Mas, afinal, o que são as regras antidumping? Vamos descobrir!
Antidumping e sua conceituação
A legislação antidumping pode ser resumida em:
Acordo antidumping 
Aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994.
Decreto n° 8.058, de 26 de julho de 2013 
Regulamenta os procedimentos administrativos relativos à investigação e à aplicação de medidas antidumping. Entrou em vigor em 1º de outubro de 2013.
Lei n° 12. 546, de 14 de dezembro de 2011 
Dispõe sobre a relação entre as investigações de defesa comercial e as regras de origem não preferenciais.
Portaria da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) n° 171, de 9 de fevereiro de 2022
Dispõe sobre as normas referentes a investigações antidumping previstas no Decreto nº 8.058, de 26 de julho de 2013, para fins de cumprimento do Decreto nº 10.139, de 28 de novembro de 2019. Consolida em um único ato normativo as regras utilizadas especificamente nos processos antidumping, revogando nove portarias anteriores sobre o tema (Portaria Secex nº 36, de 18 de setembro de 2013; Portaria Secex nº 41, de 11 de outubro de 2013; Portaria Secex nº 42, de 17 de outubro de 2013; Portaria Secex nº 44, de 29 de outubro de 2013; Portaria Secex nº 42, de 14 de setembro de 2016; Portaria Secex nº 72, de 19 de dezembro de 2018; Portaria Secex nº 151, de 26 de novembro de 2021; Portaria Secex nº 152, de 26 de novembro de 2021; e Portaria Secex nº 153, de 26 de novembro de 2021).
Existem diferentes tipos de práticas de dumping:
Esporádico
Ocorre quando uma empresa precisa liquidar, temporariamente, o excesso de estoque a um preço mais baixo, voltando ao preço normal em seguida.
Persistente
Acontece quando o preço no país de origem é mais alto por falta de concorrência, levando a vendas a preços mais baixos no exterior, sem prejudicar outros concorrentes.
Social
É estabelecido quando os concorrentes no exterior são prejudicados por reduções de custos com direitos trabalhistas no país de origem, resultando em preços muito baixos.
Predatório
É a forma mais prejudicial. A empresa elimina os concorrentes no exterior, para se tornar um monopólio e aumentar os preços novamente.
O Decreto nº 8.058/2013 estabelece as principais definições sobre dumping:
Prática de dumping
Um produto é introduzido no mercado doméstico brasileiro, inclusive sob as modalidades de Drawback, a um preço de exportação inferior a seu valor normal (art.7°).
Valor normal 
O preço do produto similar, em operações comerciais normais, é destinado ao consumo no mercado interno do país exportador (art. 8°).
Produto similar 
O produto é idêntico, isto é, é igual, em todos os aspectos, ao produto objeto da investigação ou, em sua ausência, a outro produto que, embora não exatamente igual sob todos os aspectos, apresenta características muito próximas ás do produto objeto da investigação (art.9°).
Produto objeto de investigação
Produtos idênticos, ou que apresentem características físicas ou composição química e características de mercado semelhantes, são englobados (art. 10°).
País exportador 
É a nação de origem das importações do produto objeto da investigação, conforme o que é disposto no art. 24 (art. 11°).
Operações comerciais normais 
Referem-se às vendas do produto similar realizadas pelo produtor ou exportador sob investigação no mercado interno do país exportador ou para um terceiro país, observado o disposto no art. 14 (art.12)
Entre outros pontos, o decreto indica também o que é a margem de dumping:
Art. 25. A margem de dumping constitui a diferença entre o valor normal e o preço de exportação.
Art. 26. A margem de dumping será apurada com base na comparação entre:
I – o valor normal médio ponderado e a média ponderada dos preços de todas as transações comparáveis de exportação; ou
II – os valores normais e os preços de exportação, comparados transação a transação.
Pode-se ver a forma de apurar o dano.
Art. 29. Para os fins deste Decreto, considera-se dano:
I – o dano material à indústria doméstica;
II – a ameaça de dano material à indústria doméstica; ou
III – o atraso material na implantação da indústria doméstica.
Art. 30. A determinação de dano será baseada em elementos de prova e incluirá o exame objetivo do:
I – volume das importações objeto de dumping;
II – efeito das importações objeto de dumping sobre os preços do produto similar no mercado brasileiro; e
III – consequente impacto de tais importações sobre a indústria doméstica.
Para finalizar, confira as principais etapas de uma investigação antidumping:
· Pré-pleito (facultativo)
· Protocolo e análise da petição
· Início da investigação e da instrução do processo
· Determinação preliminar (opcional em revisões de final de período) e encerramento da fase probatória
· Divulgação da nota técnica e final da instrução e determinação final
O site do Ministério das Relações Exteriores aponta os principais casos em que o Brasil atuou como demandante. Acompanhe este caso: em 2024, o governo da China não renovou a medida antidumping aplicada desde 2019 às exportações brasileiras de produtos de carne de frango. A medida correspondia a uma sobretaxa sobre o valor do produto importado, variando entre 17,8% e 34,2%, de acordo com a empresa exportadora. Além disso, 14 empresas brasileiras haviam celebrado compromissos de preços com o governo da China, obrigando-se a praticar preços superiores a um patamar mínimo preestabelecido. A reversão da medida exclui a tarifa adicional. Vale destacar que tais medidas prejudicavam a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.
O que é antidumping?
Confira neste vídeo o que é antidumping, passando pelas principais regras da legislação sobre o tema, e a importância do tratamento antidumping para a proteção ao comércio internacional.
Ampliando o conhecimento
Você sabe identificar uma conduta antidumping e como proceder para eliminá-la? Vamos analisar o caso iniciado pelo Brasil com base na Circular Secex nº 9, de 29 de fevereiro de 2024.
A SECRETÁRIA DE COMÉRCIO EXTERIOR SUBSTITUTA, DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS, decidiu iniciar investigação para averiguar a existência de dumping nas exportações da China para o Brasil de folhas metálicas de aço-carbono, ligado ou não ligado, de qualquer largura com espessura inferior a 0,5 mm, classificadas nos subitens 7210.12.00, 7210.50.00, 7212.10.00 e 7212.50.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL — NCM, e de dano à indústria doméstica decorrente de tal prática.
Para alcançar uma conclusão a respeito da prevalência ou não de condições de mercado no segmento produtivo de folhas metálicas para fins de início desta investigação, foi levado em consideração todo o conjunto probatório trazido pela peticionária e disponível para a autoridade investigadora, e avaliado se esse conjunto constituía prova suficientemente esclarecedora para formar a convicção da autoridade investigadora. A conclusão alcançada se pauta, especificamente, nas sólidas evidências de que (i) as políticas públicas e os programas e planos governamentais chineses corroboram o entendimento de que o setor siderúrgico é considerado estratégico e recebe tratamento diferenciado do governo; (ii) há intervenção governamental no setor, sob forma de subsídios financeiros e outros; (iii) há incentivos para o desenvolvimentotecnológico; e (iv) há interferência estatal no suprimento de eletricidade e de insumos para a cadeia produtiva siderúrgica. (Brasil, 2024)
Considerações finais
A compreensão dos preços de transferência e do antidumping é essencial para quem quer trabalhar com comércio exterior.
O principal objetivo dos preços de transferência é evitar a manipulação de preços em operações financeiras ou comerciais internacionais, como importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, quando realizadas com pessoas relacionadas, residentes ou domiciliadas no exterior.
Já a função do antidumping é manter a concorrência justa de preços. Dessa forma, as legislações nacionais e internacionais buscam concretizar esses objetivos.entre países, que adotam tarifas preferenciais envolvendo alguns produtos, tornando-os mais baratos em relação a países não participantes do bloco. Um exemplo é a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).
Zona de livre comércio
Consiste na eliminação ou na diminuição significativa das tarifas alfandegárias dos produtos comercializados entre os países-membros. É um acordo de natureza puramente comercial. Exemplos incluem o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e a Comunidade Andina (CAN).
União Aduaneira
Trata-se de uma zona de livre comércio que também adotou uma Tarifa Externa Comum (TEC). Essa tarifa visa taxar os produtos oriundos de países não membros dos blocos. Dessa forma, além de reduzir o preço dos produtos comercializados entre os países-membros, a união aduaneira torna os produtos de países externos ao bloco ainda mais caros. Um exemplo é o Mercado Comum do Sul (Mercosul), em que a TEC, nesse caso, é adotada apenas entre seus membros efetivos (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).
Mercado Comum
É um bloco econômico com um avançado nível de integração econômica, que vai muito além de um acordo comercial, pois envolve a livre circulação de produtos, pessoas, bens, capital e trabalho. Isso torna as fronteiras entre seus membros quase que inexistentes em termos comerciais e de mobilidade populacional. Um exemplo é o Mercado Comum do Sul (Mercosul), em que as fronteiras comerciais e a mobilidade populacional são altamente facilitadas.
União política monetária
Consiste em um mercado comum que ampliou seu nível de integração ao incluir o campo monetário. Adota-se uma moeda comum que substitui as locais ou é aceita comercialmente em todos os países-membros, acompanhada pela criação de um Banco Central do bloco que implementa uma política econômica unificada. A União Europeia se destaca como o único exemplo de união política e monetária, sendo reconhecida como o mais importante bloco econômico devido ao avançado nível de integração, que frequentemente estende-se a decisões políticas conjuntas entre os países-membros (Pena, 2024).
Os países que compõem um bloco firmam acordos que oferecem condições especiais para o comércio e as operações internacionais entre eles. O Brasil integra o Mercado Comum do Sul (Mercosul), formado inicialmente em 1995 por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Placa do Mercosul para veículos, padronizadas entre os países membros.
De lá para cá, a Venezuela ingressou como país participante e mais de uma dezena de nações estão habilitadas, denominadas Estados Associados, que podem ser listados no site oficial do grupo.
Ampliando o conhecimento
Você sabe quais são as características da tributação sobre produtos industrializados? Vamos analisar o assunto com o case a seguir.
Uma empresa brasileira de fabricação de peças e acessórios para barcos e veleiros realizava tradicionalmente as operações de venda de seus produtos em território nacional. Após a consolidação da marca e da qualidade dos produtos, foi chamada para integrar o mercado internacional e negociou a exportação de um lote de peças náuticas para a Suécia.
Durante as conversações com o importador, foram estabelecidas as quantidades, os modelos, as embalagens, o porto de destino da carga e o preço final. A empresa de fabricação de peças seria responsável pela entrega da mercadoria desembaraçada para a exportação e devidamente acondicionada a bordo do navio no porto de origem. Toda a operação foi combinada e o transporte marítimo (do porto de origem ao porto de destino) assim como os seguros seriam pagos pelo exportador.
A operação foi um sucesso e a empresa nacional ficou muito satisfeita com os lucros e os resultados daquela primeira transação. Decidiu, portanto, expandir seu pátio industrial e incrementar as vendas para o exterior. Ficou sabendo que, além dos países escandinavos, algumas nações vizinhas, como Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela, e também os Estados Unidos tinham potenciais compradores para seus produtos.
A partir disso, começou a fazer uma prospecção desse novo mercado consumidor de seus produtos, inclusive contratando assessoria especializada nas operações internacionais.
Contratos das operações internacionais 
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os fundamentos da criação do Programa de Integração Social (PIS) e sua atual destinação.
A exportação
Assista ao vídeo sobre os diferentes tipos de exportação, incluindo a direta e a indireta, suas características e vantagens, destacando como as empresas podem escolher a melhor estratégia para expandirem-se internacionalmente.
Tipo
A exportação consiste na venda de mercadorias, bens e serviços por parte das empresas nacionais para algum destinatário em outro país. Esse processo, aparentemente complexo, de venda de produtos e serviços para o exterior, gera vantagens tanto para o exportador quanto para o país que exporta.
Independentemente da forma como a exportação se realiza, a atividade é altamente estimulada no Brasil. A própria Constituição Federal afasta a exigência de vários tributos na operação de exportação, com a diminuição da carga tributária se comparada com as vendas internas.
Veja a seguir as principais vantagens tributárias previstas na Constituição Federal para as exportações.
· Os produtos exportados não sofrem a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
· O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) tampouco incide sobre operações de exportação das mercadorias ou prestação de serviço destinados ao exterior.
· Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), são excluídas as receitas decorrentes da exportação.
· As receitas decorrentes da exportação são também isentas da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS).
Além das previsões que estão na Constituição Federal, podemos citar outra prática adicional de redução tributária comum nas operações de exportação: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) aplicado às operações de câmbio vinculadas à exportação de bens e serviços tem alíquota zero.
Tal conceito permaneceu na Reforma Tributária estabelecida pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023, que promoveu o desaparecimento gradativo de IPI, ICMS e PIS-Cofins. Foram criados um novo Imposto Seletivo (na competência da União – art. 153, VIII CRFB), o Imposto sobre Bens e Serviços (na competência compartilhada entre estados e municípios – art. 156-A CRFB) e a Contribuição de Bens e Serviços (na competência da União – art. 195, VIII CRFB).
Veja as práticas estabelecidas que entrarão na Constituição Federal:
· Os produtos exportados não sofrerão incidência do Imposto Seletivo.
· O novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) não incidirá sobre operações de exportação das mercadorias ou prestação de serviços destinados ao exterior.
· A nova Contribuição Federal sobre Bens e Serviços (CBS) seguirá as mesmas regras desonerativas para a exportação aplicáveis para o novo imposto, o IBS.
Como podemos observar, o próprio modelo constitucional consagrou o estímulo à exportação, consolidando nas normas fundamentais de organização do país, os velhos slogans usados no passado: “exportar é a solução” (da década de 1960) ou “exportar é o que importa” (da virada da década de 1970 e início dos anos seguintes).
Exportação direta
Relação de produtor e importador
A exportação direta é a operação na qual o produto exportado é faturado pelo próprio produtor (fabricante) ao importador. Ou seja, de alguma forma, os representantes (ou vendedores) da empresa vendedora no Brasil, por exemplo, entram em contato direto com um representante da empresa compradora no país importador.
Esse tipo de operação exige da empresa o conhecimento do processo de exportação em toda a sua extensão. Dessa forma, será uma operação que exige conhecimento amplo sobre todas as particularidades e exigências no envio de mercadoria para fora do país. A responsabilidade sobre a venda será toda da empresa, incluindo negociação e transações.Na exportação direta, a empresa é considerada a fabricante, a exportadora e a embarcadora dos produtos. Desde o processo de fabricação, liberação na Receita Federal e despacho da mercadoria, somente um nome constará em todas as etapas — o da empresa dona dos produtos e, consequentemente, exportadora.
Para operar na exportação direta, portanto, é preciso conhecer, passo a passo, os procedimentos que envolvem a exportação dos produtos. Cada estágio exige domínio das informações, sendo comum identificar as seguintes necessidades:
Pesquisa de mercado
Pesquisa e conhecimento do mercado no país para o qual se deseja exportar.
Negociação comercial
Contato e negociação com o importador.
Documentação de exportação
Preparação da documentação necessária para exportação, incluindo faturas, listas de embalagem, certificados e licenças.
Acordos comerciais
Conhecimento dos acordos comerciais no exterior.
Embalagem e transporte
Preparação adequada da embalagem e organização da logística de transporte dos produtos.
Operações financeiras
Gestão das transações financeiras relacionadas à exportação, como negociação de termos de pagamento e câmbio de moedas.
Apesar das complicações adicionais que a exportação direta pode gerar, a empresa exportadora terá todas as vantagens da desoneração tributária de forma direta. Ou seja, na exportação direta, não há incidência de ICMS e o IPI é imune, assim como nas novas formas tributárias introduzidas pela Reforma Tributária da Emenda nº 132, de 2023.
	Comprador no exterior
	Empresa nacional
Exportação direta.
Uma das vantagens mais claras na exportação direta é a redução de custos. Como é a própria empresa que negocia com o comprador no mercado externo, não ocorrem gastos com o serviço de intermediação ou os eventuais custos de ter algum intermediário.
Exportação direta
Assista ao vídeo sobre as vantagens e os desafios da exportação direta, mostrando como as empresas vendem diretamente aos compradores estrangeiros sem intermediários, obtendo maior controle sobre o processo e a relação com o cliente.
Exportação indireta
Assista ao vídeo sobre as vantagens e os desafios da exportação indireta, mostrando como as empresas utilizam intermediários para vender seus produtos no exterior, facilitando o processo e minimizando riscos.
Principais características
Essa exportação ocorre quando outra empresa — especializada em exportação ou em comércio exterior como um todo —, faz a ponte entre a empresa brasileira que quer vender e os compradores internacionais que pretendem ter acesso aos produtos nacionais. Assim, quem realiza (quase) todo o processo de exportação é o intermediário e, nesse caso, a empresa que vende para o exterior não precisa de conhecimento ou experiência em exportar.
Na exportação indireta, quem realiza (quase) todo o processo de exportação é o intermediário — estabelecido no Brasil e habilitado para cumprir as operações de exportação — e, nesse caso, a empresa que vende para o exterior não precisa de conhecimento ou experiência em exportar.
Na exportação indireta, é comum que todos os cuidados, como contato e negociação com potenciais importadores, transporte para o país importador, pesquisa de mercado, além de ações de promoção e divulgação dos produtos, sejam de responsabilidade do intermediário contratado.
A)	C)
Empresa nacional	Comprador em outro país 
B)
	Intermediário Nacional
Exportação indireta.
Nessa operação, uma empresa brasileira (empresa A) vende produtos a outra empresa brasileira (empresa B), com o fim específico de exportação, já com o compromisso de exportar as mercadorias no prazo e na forma previstos na legislação.
Esse tipo de venda é feito usando uma nota fiscal de saída interna, do tipo remessa com fim específico de exportação, emitida com os códigos próprios, conforme o caso e na forma da regulamentação governamental. Nessa situação, a empresa B (de fato e de direito) promove a exportação, emitindo a nota fiscal final de exportação, também com as codificações próprias para o caso.
As empresas nacionais que desejam vender para o exterior reconhecem a exportação indireta como a abordagem mais simples, prática e segura, pois tem a vantagem de ser acessível para qualquer empresa, inclusive aquelas sem experiência prévia com exportação.
O empresário que venderá no mercado externo, com a ajuda de uma empresa especializada em comércio exterior, não precisa alterar nenhum aspecto operacional, exceto no caso de aumentar a produção, em decorrência da demanda no mercado externo e no interesse em ampliar o fornecimento.
Consórcios
A exportação indireta é conduzida por empresas localizadas no Brasil, que compram produtos para vendê-los ao exterior. Esses intermediários são estabelecidos no Brasil e têm autorização para exportar. Essas empresas podem ser (normalmente):
· Empresa comercial exclusivamente exportadora.
· Empresa comercial que opera no mercado interno e externo.
· Trading companies (a venda da mercadoria pela empresa produtora para uma trading que atua no mercado interno é equiparada a uma operação de exportação, em termos fiscais).
· Cooperativa ou consórcio de produtores ou exportadores.
· Outro estabelecimento da empresa produtora (a venda a este tipo de empresa é considerada equivalente a uma exportação direta, assegurando os mesmos benefícios fiscais — IPI e ICMS).
· Empresa industrial que atua comercialmente com produtos de terceiros.
No caso de utilizar consórcios, é necessário considerar os tipos disponíveis para analisar sua aplicabilidade a cada negócio.
O consórcio de exportação é composto por um conjunto de empresas que atuam no mesmo ramo de mercado, compartilhando setor econômico, processamento, fabricação e comercialização de produtos semelhantes. Seu objetivo é estimular e viabilizar a exportação para pequenas, micro e médias empresas.
Os consórcios de exportação são associações de empresas constituídas juridicamente, para somar esforços e compartilhar atividades com o objetivo de reduzir custos e viabilizar a venda e o incremento de produtos concorrentes ou não, para o mercado externo. Pouco utilizados no Brasil, os consórcios de exportação são bem-sucedidos em diversos países.
Ao atuar de forma unida, os gastos com despacho aduaneiro são minimizados com o rateio. Com isso, espera-se fortalecer a internacionalização das marcas.
Conheça a seguir os tipos de consórcios existentes.
Consórcio de promoção de exportações
Com operações individualizadas e focado no marketing e na promoção conjunta no exterior.
Consórcio de vendas
Com operações de exportação geridas por uma empresa exportadora que representa o grupo consorciado, responsável por toda a operação.
Consórcio de área ou país
Com operações de exportação para empresas interessadas em concentrar as vendas em um único país ou região específica.
As trading companies
Outro tipo de organização que merece atenção são as empresas comerciais exportadoras, comumente conhecidas como trading companies. Embora essa expressão não exista juridicamente no Brasil, essas empresas são classificadas como empresa comercial exportadora, conforme disposto no Convênio ICMS n° 61/2003, combinado com o Convênio ICMS n° 84/2009 e a Solução de Consulta n° 573/2007 da RFB.
Também são classificadas como trading companies as empresas comerciais que realizam operações de comércio exterior com o objetivo de comercializar produtos fabricados por terceiros para revenda no mercado interno ou no exterior, além de importar produtos para venda no mercado nacional. Essas empresas estão inscritas no:
· Registro de Exportadores e Importadores (REI) da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
· Sistema Integrado de Comércio Exterior/Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (Siscomex/Radar).
Uma trading company oferece diversos serviços aos clientes. Veja.
· Negociação entre fornecedores e compradores.
· Cotação e contratação de transporte nacional ou internacional.
· Despacho aduaneiro, tanto na importação como na exportação.
No caso nacional, todo o tratamento especiale a identificação de tais empresas foi dada pelo Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972.
Em termos fiscais, a venda de mercadoria diretamente da empresa produtora para uma trading company que atua no mercado interno é equiparada à exportação. Conforme o art. 1°, parágrafo único do Decreto-Lei n° 1.248 de 1972, o produto precisa ser remetido diretamente do estabelecimento produtor para o local de embarque para o exterior (porto, aeroporto, recinto alfandegado ou ponto de fronteira), sem qualquer tipo de alteração, industrialização ou beneficiamento, por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou trading company.
Ainda na forma do Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, (art. 2º), todo o regime especial dado a essas empresas será atribuído para as que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos:
Requisito I
Registro especial na carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.A. (Cacex) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministério da Fazenda.
Requisito II
Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto.
Requisito III
Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional.
Ainda sobre a regulamentação aplicável a essas empresas, segundo o art. 247 da Portaria Secex 23, de 14 de julho de 2011, considera-se empresa comercial exportadora, para os efeitos do Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, as empresas que obtiverem o Certificado de Registro Especial, concedido pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) em conjunto com a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.
Importação e seus tipos
Assista ao vídeo sobre as características das importações direta e indireta e entenda como cada uma dessas modalidades permite às instituições realizar a operação de nacionalização dos produtos adquiridos, proporcionando controle total sobre o processo.
Importação direta
É aquela em que qualquer interessado inserido no território nacional adquire de fornecedor no exterior algum tipo de mercadoria, bem ou serviço, seguindo o mesmo princípio das vendas internacionais.
Uma instituição, quando opta pela importação direta, realiza por conta própria toda a operação de nacionalização dos produtos adquiridos. Assim, ela se torna responsável por todas as etapas do processo de importação, que vão desde a negociação com o fornecedor até a resolução dos trâmites legais e burocráticos.
Uma primeira vantagem relacionada ao método de importação direta é a possibilidade de os gestores obterem um controle maior sobre o processo de nacionalização do produto adquirido no exterior.
	Empresa nacional	vendedor no exterior 
Importação direta.
Quando a importação é feita diretamente pela organização, as adequações e as adaptações ao longo do processo tendem a ocorrer de modo mais fluido, e possíveis ruídos relacionados a problemas de comunicação com uma terceira parte são minimizados.
Outro ponto vantajoso diz respeito diretamente à questão financeira. Quando os intermediários são eliminados do processo, o custo total da importação tende a ser mais baixo, pois, como apontado anteriormente, são os próprios colaboradores da empresa que conduzem a operação.
Importação indireta
É aquela em que o comprador nacional utiliza um intermediário especializado para negociar com o mercado externo, que fará a ponte entre a empresa vendedora e o importador interessado.
Nesse caso, os intermediários são estabelecidos no Brasil e habilitados para operações de importação. Todos os cuidados, como contato e negociação com os vendedores estrangeiros, transporte para o país, e demais elementos decorrentes da contratação são, normalmente, de responsabilidade do intermediário contratado.
	Empresa nacional
	Vendedor do exterior
intermediário nacional
Importação indireta.
O benefício mais marcante ao optar por um agente de carga que realiza importações indiretas é a praticidade desse serviço. Em outras palavras, por meio da importação indireta, a empresa pode transferir — total ou parcialmente — os riscos do comércio internacional para a intermediária.
Tipos de importação indireta
As importações indiretas podem ocorrer de duas formas: por conta e ordem de terceiro ou por encomenda. Vamos conferir como funciona cada uma delas e seus respectivos conceitos.
Importação por conta e ordem de terceiros
É uma operação em que a pessoa jurídica importadora é contratada para promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria de procedência estrangeira adquirida no exterior por outra pessoa (física ou jurídica).
O objeto principal da relação jurídica é a prestação do serviço de promoção do despacho aduaneiro de importação, realizado pelo importador por conta e ordem de terceiro a pedido do adquirente final, em razão de contrato previamente firmado.
Esse serviço poderá compreender, ainda, outros relacionados à operação de importação, como a cotação de preços, a intermediação comercial e o pagamento ao fornecedor estrangeiro.
Importação por encomenda
É uma operação em que a intermediária (ou uma trading company) é considerada a adquirente da mercadoria.
Aqui não há prestação de serviço. O produto importado é considerado como adquirido pela trading company com exclusividade para o encomendante. Uma vez efetuado todo o processo de importação, deverá ser emitida a nota fiscal de venda do produto. A importação por encomenda não deve ser confundida com a importação por conta e ordem de terceiros, pois é realizada por uma pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a um encomendante predeterminado. Vale observar que todas as intermediações feitas por operadores são submetidas à regulamentação da Receita Federal por meio dos regimes de importação por encomenda e importação por conta e ordem.
Ampliando o conhecimento
Você conhece as características da exportação indireta? Conhece seus requisitos? Confira o caso que se segue e verifique isso.
A Corcovadus Ltda., pequena empresa produtora de frutas tropicais processadas, inscreve-se como participante do programa governamental de estímulo à exportação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), figurando como inscrita no Programa de Qualificação para Exportação (Peiex) e, a partir daí, começa uma busca de parceiros e investidores para seu processo de internacionalização.
Os produtos e processos produtivos já estão desenvolvidos, são vendidos no mercado interno e estão prontos para serem comercializados em escala para exportação. Contudo, os gestores da Corcovadus Ltda. entendem que falta à empresa alguma parte de aporte financeiro, o registro de marca e, sobretudo, o conhecimento de distribuição no mercado externo e das burocracias no comércio internacional, elementos necessários à internacionalização.
Diante desse cenário, em que a empresa entende que possui produtos inovadores e com considerável apelo no mercado internacional, mas não tem capital próprio e conhecimento para a distribuição no mercado externo, as políticas governamentais são criadas para instrumentalizá-la em sua internacionalização e ajudá-la a buscar novos mercados, inclusive fomentando a exportação indireta.
Tributação nas operações internacionais 
Ao final desse módulo, você será capaz de identificar a tributação do faturamento, com as formas de financiamento da seguridade social e as hipóteses do PIS e da Cofins.
Direito aduaneiro
Aspectos iniciais
Assista ao vídeo sobre os aspectos iniciais do direito aduaneiro e entenda como as normas aduaneiras impactam o comércio internacional, incluindo processos de importação e exportação, classificação de mercadorias e cobrança de tributos.
No comércio exterior e nas relações que envolvem a circulação de bens entrando e saindo do território nacional, a figura central no direito aduaneiro são os impostos de importação e exportação. Na Constituição da República Federativa do Brasil, a competência para a instituição dos respectivos tributos está prevista no artigo 153, incisos I e II,ambos de competência da União Federal.
O Código Tributário Nacional, além das previsões constitucionais dos impostos, aborda os tributos nos artigos 19 a 22 e 23 a 27, estabelecendo as normas gerais dos impostos de importação e exportação, respectivamente. Esses artigos definem a aplicação para:
· O fato gerador.
· A base de cálculo.
· Os contribuintes do imposto.
Complementando essa estrutura, os decretos-leis cuidam especificamente de cada um dos dois impostos e consolidam todas as normas no regulamento aduaneiro. Atualmente, esse regulamento é dado pelas normas do Decreto nº 6.759, de 2009 (e alterações posteriores), sem prejuízo das várias instruções normativas da Secretaria da Receita Federal e suas alterações.
Além desses impostos, há a previsão de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que recai no desembaraço aduaneiro da chegada de tais bens (art. 46, I do CTN), mas que não terá qualquer incidência na saída dos bens para o exterior (art. 153, §3º, III da CRFB).
Conheça a seguir os tributos incidentes sobre o comércio exterior.
IPI
Imposto sobre os produtos industrializados, vinculados à importação.
ICMS
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na entrada de bens e serviços (art.155 parágrafo 2º,IX ‘a’ CRFB),mas na saída para o exterior (art.155 parágrafo 2º,X ‘a’ CRFB)
PIS e Cofins
Contribuições Sociais do PIS e Cofins na entrada de bens e serviços.
Cide
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, especialmente a Cide-Combustíveis, prevista no art. 177 parágrafo 4º da Constituição Federal e instruída pela Lei nº 10.366 de 2001.
Siscomex 
Taxa cobrada pela utilização do Sistema Integrado de Comércio Exterior.
AFRMM
Adicional ao frete para Renovação da Marinha Mercante, instituído pelo Decreto-Lei nº 2.404, de 1987, e regulamentado pela Lei nº 10.983, de 2004, aplicado ao transporte marítimo.
Cada uma dessas taxas e impostos incidentes sobre as operações de comércio exterior desempenha uma função importante na regulamentação e no custo das transações internacionais.
Imposto de Importação
Esse imposto, de atribuição federal desde a Constituição de 1891, tem sua previsão atual no art. 153, I CRFB/1988 e nos arts. 19 a 22 do Código Tributário Nacional.
O imposto de importação, um clássico tributo extrafiscal, vai além da arrecadação de recursos para o sustento das atividades financeiras do governo. Ele funciona como um instrumento de intervenção federal no comércio internacional, regulando a balança comercial e protegendo setores da economia nacional da concorrência internacional.
Alíquotas elevadas do imposto de importação têm o propósito de desencorajar, ou até mesmo impedir, a entrada de certos tipos de produtos. Esse aspecto extrafiscal indica que essas alíquotas podem ser ajustadas de forma excepcional, sendo exceções aos ditames da não surpresa (a anterioridade do exercício e nonagesimal) e de estrita legalidade em sua determinação.
Portanto, vale lembrar que as alíquotas do imposto de importação:
· Não se aplicam à regra da anterioridade e da noventena — art. 150, § 1º, CRFB.
· Podem facultativamente ser alteradas pelo Poder Executivo — art. 153, § 1º, CRFB.
Base econômica e aspecto material da hipótese de incidência
O art. 153, I, da CRFB confere parcela de poder à União para instituir imposto sobre a entrada no território nacional, cuja base econômica dessa tributação é compreendida pela expressão constitucional.
O fato gerador desse imposto é a entrada de produtos estrangeiros no território nacional, conforme definido nos artigos 19 e seguintes do CTN, que consideram como contribuinte o importador ou, no caso de produtos apreendidos ou abandonados, o arrematante.
Além do tratamento dado pelo CTN, o fato gerador é regulamentado pelo Decreto-Lei nº 37, de 1966. O artigo 1º desse Decreto-Lei trata do fato gerador de forma semelhante ao art. 19 do CTN.
“Art.1º - O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988)”
Nada na previsão constitucional condiciona a destinação do bem ao comércio ou atividade mercantil; basta que se incorpore à economia nacional. Essencialmente, a tributação abrange bens produzidos pela natureza ou pela ação humana fora do território nacional.
Pela regulamentação do Código Tributário e do Decreto-Lei nº 37, o evento tributável é a importação, definida como a entrada de bens no território nacional. Diferentemente do senso comum, o fato gerador não é a compra de mercadoria estrangeira, mas sim a entrada no território nacional de todo e qualquer produto que seja financeiramente avaliável.
A legislação aduaneira abrange a incidência do tributo de forma extremamente ampla, havendo, porém, na legislação, inúmeras hipóteses de:
· Isenção
· Não incidência
· Regimes aduaneiros especiais
As mercadorias nacionais exportadas e retornadas ao país são, em regra, consideradas estrangeiras para efeito de imposto de importação, com exceções detalhadas no Decreto-Lei nº 37/1966.
Dessa forma, o produto que ingressar no país, mas não com objetivo de aqui permanecer, estando apenas de passagem, será caracterizado como em trânsito, não incidindo o imposto de importação. Essa passagem ocorrerá sob o controle da autoridade aduaneira e recebe o nome de trânsito aduaneiro. Ela é respaldada pela jurisprudência nacional, conforme definido no Decreto-Lei nº 37:
“Art. 73 - O regime de trânsito é o que permite o transporte de mercadoria sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro, com suspensão de tributos.
Parágrafo único. Aplica-se, igualmente, o regime de trânsito ao transporte de mercadoria destinada ao exterior.”
O Decreto-Lei nº 37, de 1966, também trata dos regimes aduaneiros especiais e dos aplicados em áreas especiais. Sobre estes, podemos destacar alguns conceitos fundamentais:
Trânsito aduaneiro
Permite o transporte de mercadoria, sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro, com suspensão do pagamento de tributos.
Admissão temporária
Permite a importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado, com suspensão total do pagamento de tributos.
Drawback
É um regime de incentivo à exportação (art. 383 do Regulamento Aduaneiro), e pode ser aplicado nas seguintes modalidades:
Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada.
Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado.
Restituição, total ou parcial dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada.
A entrada deve ter por objetivo a agregação do produto à economia nacional, o que afasta dessa tributação as mercadorias em trânsito ou temporárias.
Aspecto temporal do Imposto de Importação
Assista ao vídeo sobre o aspecto temporal do imposto de importação, detalhando quando a obrigação tributária é constituída e como o momento da ocorrência do fato gerador impacta o cálculo do tributo.
A legislação específica considera como fato gerador do imposto de importação a data do registro, na repartição aduaneira, da Declaração de Importação.
“Art. 23 - Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44.”
A determinação é relevante para os fins do cálculo preciso do imposto, notadamente quanto à necessidade de conversão dos valores em moeda estrangeira para o equivalente nacional. O CTN, em seu art. 143, determina que a conversão em moeda nacional deva ocorrer no momento em que se verifica o fato gerador.
Nesse mesmo sentido, a norma aduaneira específica determina:
“Art. 24 - Para efeitode cálculo do imposto, os valores expressos em moeda estrangeira serão convertidos em moeda nacional à taxa de câmbio vigente no momento da ocorrência do fato gerador.”
Além da repercussão sobre a conversão em moeda nacional, a determinação temporal é ainda relevante para o reconhecimento da alíquota aplicável. Isso porque, como extraído do modelo do Código Tributário, o lançamento deverá utilizar a legislação vigente no momento do fato gerador, principalmente para a determinação da alíquota incidente.
O aspecto temporal do Imposto de Importação não recai no momento da entrada física no território nacional. Nos casos de mercadoria que se submete ao despacho aduaneiro normal, o registro da declaração de importação, na forma do Decreto-Lei nº 37, de 1966, para fins de desembaraço é que vai determinar o momento da ocorrência do fato gerador.
Não é relevante a data de expedição da licença de importação ou elemento anterior ou posterior. Com o avanço do modelo eletrônico do Siscomex, ocorrerá, por ocasião do registro da declaração de importação, realizado eletronicamente.
Atualmente o tributo é arrecadado mediante o procedimento de lançamento por homologação em que o importador tem o dever de apresentar declarações exigidas para a validação da operação e fazer o pagamento de forma antecipada. A autoridade fazendária agirá depois do recolhimento para conferir se os valores pagos estão adequados.
Outras características do Imposto de Importação
Aspecto pessoal do Imposto de Importação
Em seu art. 22, o CTN reconhece que o contribuinte usual do imposto é o importador ou quem a lei a ele equiparar. Nesse sentido dado pelo CTN, poderá ser tratado como contribuinte qualquer pessoa, tanto as naturais quanto as jurídicas. Nesta última, tanto faz ser sociedade empresária, simples ou qualquer outra forma de personificação.
O Código Tributário Nacional (CTN) não distingue o importador como categoria profissional, utilizando o termo pessoa em sentido amplo. Basta que qualquer pessoa ingresse — ou ingressem em seu nome — com mercadoria estrangeira no território nacional.
A legislação específica ainda considera contribuinte o destinatário da remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente.
Essa situação é amplamente utilizada nos casos de aquisições feitas na rede mundial e entregues pelas empresas de serviço postal ou assemelhadas.
Sempre que a declaração de conteúdo revele destinação comercial ou exceda o mínimo de valor fiscal para fruição dos benefícios, o destinatário será tratado como contribuinte.
Serviço postal entregando uma remessa postal internacional.
Sem prejuízo dessas definições, o Decreto-Lei nº 37/1966 ainda apresenta casos de responsabilidade tributária para a importação, nos seguintes termos:
“Art. 32. É responsável pelo imposto:
I - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno;
II - o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro.
Parágrafo único. É responsável solidário:
I - o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto;
II - o representante, no País, do transportador estrangeiro;
III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora;
d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.”
Podemos observar que, além do importador direto ou das empresas autorizadas, o transportador dos bens nas operações internacionais também é visto como pessoa legalmente atrelada ao imposto.
Assim, fica evidente que a legislação pretende que ele tenha o cuidado de somente transportar os bens para os quais o importador tenha efetuado o pagamento. Igual pensamento valerá para eventual depositário dos bens no comércio internacional.
Aspecto quantitativo: alíquota e base de cálculo do Imposto de Importação
Assista ao vídeo sobre os fundamentos essenciais do direito tributário internacional, desvendando a complexidade das alíquotas e bases de cálculo do Imposto de Importação e seu impacto nos negócios globais.
Além dos destaques anteriores para o imposto, a questão mais específica está na dicotomia das bases de cálculo em razão das alíquotas, sendo a disciplina primária dada no art. 20 do Código Tributário que explicita a utilização da sistemática da alíquota específica, além da ad valorem. Com isso, a identificação da base de cálculo varia em razão do modelo de alíquotas adotado.
A partir da forma estabelecida pelo CTN, é permitida a seguinte visualização:
	Alíquota
	Base de cálculo
	Art. 20, CTN
	Específica
(ex.: R$ x)
	Unidade de medida
(ex.: metro, litro etc.)
	Inciso I
	Ad valorem
(ex.: y %)
	Preço normal do produto ao tempo da importação.
	Inciso II
Tabela: Alíquota e base de cálculo do Imposto de Importação.
Irapuã Gonçalves de Lima Beltrão
Os elementos são dados no art. 20 do CTN e, na forma do Decreto-Lei nº 37, de 1966, no art. 2º, que reproduz tais elementos estabelecidos no Código Tributário.
Dessas duas, a hipótese mais comum é a do inciso II do art. 20, com a imposição de alíquota ad valorem, que produz um modelo de proporcionalidade sobre o produto importado. Teremos como regra a previsão de um percentual a incidir sobre o valor da importação. Isso não se refere ao valor informado pelo contribuinte mas ao valor aduaneiro.
Na linguagem do CTN (art. 20, inciso II):
“II – quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País [...].”
É o conceito do valor aduaneiro que ganhará muitas regras para sua fixação no regulamento aduaneiro. Esse valor será apurado no momento da declaração e do pagamento, já que, como dito, tudo será objeto de lançamento por homologação.
Canais de parametrização na importação
Toda carga importada ou exportada passa, necessariamente, pelo controle da fiscalização aduaneira antes do desembaraço aduaneiro.
Processo de fiscalização aduaneira em andamento.
A seleção parametrizada, também conhecida como canal de parametrização, é um sistema de verificação e análise de mercadorias importadas para o Brasil. O mecanismo foi criado pela Secretaria da Receita Federal (SRF) após a implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).
Os canais de parametrização são uma etapa do desembaraço aduaneiro e da liberação da mercadoria nos portos, aeroportos e demais recintos alfandegários de entrada. Por eles, a Receita Federal pode filtrar transações com risco aduaneiro maior ou que apresentem suspeitas de fraude a fim de avaliar os itens que estão sendo transportados de outro país.
É a Receita Federal que irá dizer por qual canal de parametrização a mercadoria importada passará; não é o contribuinte que escolhe o sistema de apuração. Dependendo da seleção feita pela Receita, o processo pode ser mais ou menos rigoroso, começando pelo desembaraço automático até chegar à análise documental e/ou física da carga.
A definição do canal de parametrização feita pela Receita Federal influencia diretamente o andamento do processo de importação. O processo interfere tanto no tempo que o importador terá que aguardar até que a mercadoria seja liberada pela Receita Federal quanto nos custos que precisará arcar para a operação.
Como funcionam e quais são os canais de parametrização
Os canais de parametrização funcionam por meio dos sistemas de controle da Receita Federal. Na verdade, esse processo ocorre depois que o importador registra a declaração de importação (DI).
O documento passa, então, por uma análise fiscal. A seleção parametrizada leva em conta diferentes fatores: a regularidade fiscal doimportador, características e volume das mercadorias, valores de impostos da importação, origem, procedência e destinação dos itens e tratamento tributário, entre outros. Há quatro canais de parametrização. Vamos conhecer as particularidades de cada um deles.
Canal verde
Quando os produtos entram pelo canal verde, o desembaraço da mercadoria é feito automaticamente, sem a necessidade de os fiscais da Receita fazerem a conferência dos itens e a verificação dos documentos. Por isso, tem a vantagem de ser o mais rápido para o importador, possibilitando menos gastos, já que os produtos não ficarão armazenados no porto ou no aeroporto por muito tempo.
Canal amarelo
Quando os produtos entram pelo canal amarelo, a Receita fará o exame documental da importação. Se nenhuma irregularidade for apurada nesse processo, a mercadoria será liberada sem verificação, e o despacho aduaneiro poderá ser concluído. Se for constatado algum tipo de problema, os produtos passarão pela conferência.
Canal vermelho
Quando a mercadoria for destinada ao canal vermelho, o desembaraço e a liberação dos produtos só ocorrerão depois de um exame documental e de uma verificação física dos itens transportados.
Canal cinza
Quando os produtos são destinados ao canal cinza, o mais rigoroso, além do exame documental e da verificação física da mercadoria, a Receita realiza um procedimento especial de controle aduaneiro. Isso acontece quando há indícios de fraude na importação, quando a empresa está sob investigação ou outros elementos geram alguma dose de desconfiança em relação à importação.
No Portal Siscomex, onde são registradas todas as operações de importação, é possível consultar o canal de parametrização destinado às mercadorias. Como mencionado, se a mercadoria for indicada para os canais amarelo, vermelho ou cinza, o importador deverá apresentar os documentos referentes ao despacho aduaneiro para que a conferência dos itens seja realizada no porto ou no aeroporto, conforme o caso.
Imposto de Exportação
Esse imposto, atualmente na competência da União Federal, tem sua previsão atual no art. 153, inciso II CRFB/1988 e nos arts. 23 a 27 do Código Tributário Nacional.
O Imposto de Exportação tem por fato gerador a saída do território nacional de produtos nacionais ou nacionalizados, nos termos do art. 23 do CTN, fixando a qualidade de contribuinte ao exportador ou quem a ele for equiparado.
Na legislação específica, o Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, cuida das disposições da incidência na exportação. Pela similaridade da matéria tributada, o art. 8º desse decreto-lei dispõe que, no que couber, aplicar-se-á, subsidiariamente, ao Imposto sobre a Exportação a legislação relativa ao Imposto sobre a Importação.
Trata-se de imposto também marcado pela extrafiscalidade, sendo comum, em vários países, a combinação dos dois impostos como instrumento de equilíbrio da balança comercial, do comércio dos países e de algum controle cambial, entre outras tantas utilidades.
Tal qual a incidência aduaneira de entrada, para o Imposto de Exportação, deve-se notar que:
· Não se aplica à regra da anterioridade e da noventena — art. 150, § 1º, CRFB, podendo ser exigida qualquer modificação imediatamente.
· Ao Poder Executivo, é facultado alterar as alíquotas — art. 153, § 1º, CRFB, caracterizado como exceção à legalidade estrita, já que será o patamar definido pela Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Aspecto material do Imposto de Exportação
Assista ao vídeo sobre as leis e regulamentações específicas do Imposto de Exportação, revelando como esses tributos impactam as transações internacionais e os desafios legais enfrentados por empresas e governos.
Não basta a simples transposição da fronteira. É igualmente necessária a incorporação à economia interna de outro país. Assim, casos em que aconteça a admissão temporária em outra nação ou que retornem ao país de origem estão, obviamente, excluídos.
A incidência do imposto não é apenas para os produtos de origem nacional. Segundo explicitado na própria previsão constitucional (art. 153, II, CRFB), ocorrerá também fato gerador de exportação no caso de saída de produtos nacionalizados.
O produto nacionalizado é aquele de origem estrangeira que foi transformado, beneficiado ou acondicionado no país. Essa definição é usada para determinar o que é considerado produto estrangeiro para efeitos do Imposto de Importação. Na prática, a lei e o regulamento aduaneiros estabelecem os conceitos de nacionalização. Esse conceito aplica-se a qualquer produto, não se limitando apenas às mercadorias.
Smartphones fabricados no exterior e montados localmente.
O sistema nacional reconheceu que o Poder Executivo irá definir quais produtos sofrerão a tributação de saída. Assim, consta no Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, que:
“Art. 1º - O Imposto sobre a Exportação, para o estrangeiro, de produto nacional ou nacionalizado tem como fato gerador a saída deste do território nacional.
§ 3º O Poder Executivo relacionará os produtos sujeitos ao imposto.”
Atualmente, são poucos os produtos tributados na saída, cumprindo o imposto mais um papel regulatório do que arrecadatório.
Aspecto temporal do Imposto de Exportação
Seguindo o padrão aduaneiro, conforme determina o art. 1º, §1º do Decreto-Lei nº 1578, de 1977, considera-se ocorrida a exportação no ato da expedição da guia de exportação ou documento equivalente. Para efeito de cálculo do imposto, portanto, o fato gerador é considerado ocorrido na data do registro de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).
Para esclarecer, vejamos o que diz a legislação específica sobre o Imposto de Exportação:
“Art.1º - O Imposto sobre a Exportação, para o estrangeiro, de produto nacional ou nacionalizado tem como fato gerador a saída deste do território nacional.
§ 1º - Considera-se ocorrido o fato gerador no momento da expedição da Guia de Exportação ou documento equivalente.”
Outras características do Imposto de Exportação
Aspecto pessoal do Imposto de Exportação
Conforme definido no art. 27 do Código Tributário Nacional e no art. 5º do Decreto-Lei nº 1578, de 1977, o contribuinte do Imposto de Exportação é o exportador, entendido como qualquer pessoa que promova a saída do produto do território nacional.
Isso pode incluir comerciantes ou não, pessoas físicas ou jurídicas, e agentes que realizem o ato de exportar de forma habitual ou esporádica. O critério para caracterização como exportador é a prática efetiva do ato sujeito à incidência do imposto.
Vamos conferir a definição dada pelo art. 5º do Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, do CTN:
“Art. 5º - O contribuinte do imposto é o exportador, assim considerado qualquer pessoa que promova a saída do produto do território nacional.”
Aspecto quantitativo: alíquota e base de cálculo do Imposto de Exportação
Assista ao vídeo e confira a análise da relação entre alíquotas e base de cálculo do Imposto de Exportação, explorando seu impacto nas transações globais e as complexidades tributárias que regem a exportação de bens e serviços.
Novamente, a questão mais específica está no sistema das bases de cálculo em razão das alíquotas, com o mesmo esqueleto básico. Confira.
	Alíquota
	Base de cálculo
	Art. 24, CTN
	Específica
(ex.: R$ x)
	Unidade de medida
(ex.: metro, litro etc.)
	Inciso I
	Ad valorem
(ex.: y %)
	Preço normal do produto ao tempo da importação.
	Inciso II
Tabela: Alíquota e base de cálculo do Imposto de Exportação.
Irapuã Gonçalves de Lima Beltrão
De toda sorte, o art. 24, em seu parágrafo único, esclarece que, para definir o preço normal do produto, considera-se o momento da entrega no porto ou local de saída, com a dedução dos tributos incidentes diretamente sobre a operação de exportação.
No contexto da legislação aplicável, a base de cálculo do imposto é determinada pelo preço normal, conforme estabelecido no art. 2º do Decreto-Lei nº 1.578/1977, que a mercadoria ou seu similar alcançaria no momento da exportação em uma venda realizada em condições de livre concorrência no mercado internacional, observando-se as normasemitidas pela Câmara de Comércio Exterior.
Agora, vamos conferir o art. 2º do Decreto-Lei nº 1.578/1977.
“Art. 2º A base de cálculo do imposto é o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo Poder Executivo, mediante ato da CAMEX - Câmara de Comércio Exterior. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001)
§ 1º - O preço à vista do produto, FOB ou posto na fronteira, é indicativo do preço normal.”
Aqui surge o padrão explícito de utilização do Preço FOB (art. 2º, §1º do Decreto-Lei nº 1.578/1977), sigla que representa a cláusula padrão do comércio internacional. Sob essa cláusula, as obrigações do vendedor cessam quando a mercadoria é entregue ao transportador, passando a responsabilidade para o comprador.
O vendedor não é responsável pela contratação e pelo pagamento do frete e do seguro, que são de responsabilidade direta do comprador. Assim, o preço FOB (free on board) indica o preço puro da mercadoria ou produto, excluindo tais custos adicionais.
FOB (free on board)
O vendedor é responsável pela mercadoria até sua entrega ao transportador escolhido pelo comprador, momento em que a responsabilidade passa a ser do transportador. O preço de venda não inclui os custos do transporte e o seguro envolvidos na operação, que ficam por conta do comprador.
 x
CIF (cost, insurance and freight)
O vendedor se responsabiliza pelo transporte e pela respectiva cobertura securitária, até o momento em que a mercadoria será desembarcada pelo comprador. Os custos referentes a tais componentes (ao transporte e ao seguro) constará no preço de venda do fornecedor.
Segundo a normatização vigente, o imposto tem uma alíquota padrão. Determina o art. 3º do Decreto-Lei nº 1.578/1977 que a alíquota do imposto é de trinta por cento, facultado ao Poder Executivo reduzi-la ou aumentá-la para atender aos objetivos da política cambial e do comércio exterior.
“Art. 3º A alíquota do imposto é de trinta por cento, facultado ao Poder Executivo reduzi-la ou aumentá-la, para atender aos objetivos da política cambial e do comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 9.716, de 1998)
Parágrafo único. Em caso de elevação, a alíquota do imposto não poderá ser superior a cinco vezes o percentual fixado neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.716, de 1998)”
Assim, consta no regulamento aduaneiro, em sua previsão contida na regulamentação do imposto de exportação, que:
“Art. 215. O imposto será calculado pela aplicação da alíquota de trinta por cento sobre a base de cálculo (Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, art. 3º, caput, com a redação dada pela Lei nº 9.716, de 1998, art. 1º).
§ 1º Para atender aos objetivos da política cambial e do comércio exterior, a Câmara de Comércio Exterior poderá reduzir ou aumentar a alíquota do imposto (Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, art. 3º, caput, com a redação dada pela Lei nº 9.716, de 1998, art. 1º).
§ 2º Em caso de elevação, a alíquota do imposto não poderá ser superior a cento e cinquenta por cento (Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, art. 3º, parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.716, de 1998, art. 1º).”
Ampliando o conhecimento
Você conhece o regramento do Imposto de Importação? Analise o caso e aplique seus conhecimentos.
Suponha que uma indústria alemã, por meio de seu representante brasileiro, participará de uma feira internacional de equipamentos hospitalares no Brasil. Nessa feira, a empresa apresentará o microscópio cirúrgico modelo EAC-DS, fabricado na Alemanha, mas que ela pretende vender em todo o mundo, inclusive por meio de representantes brasileiros. Esse equipamento é considerado uma tecnologia inovadora e de alto desempenho em cirurgias cerebrais.
Logo após o término da feira, o equipamento seguirá para outro evento internacional em São Francisco, Califórnia, Estados Unidos, e depois para encontros em outros países, já que a matriz alemã da empresa pretende apresentar o produto aos profissionais da área médica ao redor do mundo.
O governo alemão atestou que o equipamento estava saindo do país para fins de exposição e participação em eventos e que não tinha motivações comerciais, nesse primeiro momento.
Como os representantes brasileiros estavam acostumados apenas a trazer insumos da matriz que seriam empregados na montagem de produtos dentro do território nacional, submetidos a tributação normal, ficaram na dúvida como seria a entrada daquele produto nesse caso de destinação para a participação da feira internacional de equipamentos hospitalares.
Considerações finais
O comércio exterior é uma atividade muito importante para qualquer nação, envolvendo a troca de produtos e serviços entre países. Desde tempos imemoriais, as nações têm mantido relações internacionais e comerciais, e com o passar dos anos, essas interações se tornaram cada vez mais complexas e indispensáveis para o desenvolvimento econômico global. O comércio exterior é dividido em duas grandes operações: a importação, que é a compra de produtos de outros países, e a exportação, que é a venda de produtos nacionais para o exterior. Cada operação envolve uma série de procedimentos específicos que precisam ser seguidos para que as transações sejam bem-sucedidas.
As transações de comércio internacional não são apenas econômicas; elas também têm implicações políticas e culturais. Cada país possui um conjunto de regras e normas que orientam o comércio exterior, regulando tanto as exportações quanto as importações. No Brasil, várias instituições são fundamentais para esse processo. A Receita Federal do Brasil e o Banco Central do Brasil são dois dos principais órgãos que regulam as transações internacionais, ambos vinculados ao Ministério da Fazenda. Além deles, outras instituições como o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) também são essenciais para a supervisão e o controle das atividades de comércio exterior.
Um aspecto significativo do comércio internacional é a tributação. Os impostos sobre o comércio exterior são considerados indicadores de atividade econômica e podem incidir tanto sobre exportações quanto importações. As barreiras tarifárias, que incluem impostos e
contribuições relacionados ao comércio exterior, e as barreiras não tarifárias, que são restrições à entrada de mercadorias importadas, são duas formas de controle que os governos usam para regular o comércio internacional. No Brasil, o Código Tributário de 1966 consolidou os impostos de importação e exportação, estabelecendo um marco legal para a tributação sobre o comércio exterior.
Atualmente, os principais tributos que incidem sobre o comércio exterior no Brasil incluem o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), as contribuições sociais do PIS/PASEP e Cofins, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a taxa de utilização do Siscomex e o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). Esses tributos são essenciais para regulação e controle das transações internacionais, garantindo que o comércio exterior seja realizado de maneira ordenada e eficiente.
Em resumo, o comércio exterior é complexo e essencial para a economia de qualquer país. Ele exige atenção constante às mudanças do mercado e ao cumprimento das regulamentações internacionais e nacionais. Com uma estrutura robusta de normas e instituições reguladoras, como é o caso do Brasil, é possível fomentar o crescimento econômico e garantir que as transações comerciais internacionais sejam realizadas de forma eficiente e segura. O desenvolvimento e a manutenção de relações comerciais saudáveis com outros países são importantes para o progresso econômico e social de uma nação.
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