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4ºAula Teoria do funcionamento do mercado Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • entender a teoria elementar da demanda e da oferta; • aprender as curvas de demanda e de oferta; • conhecer os fatores que influenciam a quantidade demandada e a quantidade ofertada; • compreender o conceito de elasticidade da demanda e da oferta; • analisar o equilíbrio do mercado. Caros(as) alunos(as), Nesta aula, iremos estudar o funcionamento do mercado, as teorias da demanda e da oferta, além do equilíbrio do mercado. Então, vamos ao trabalho! Bons estudos! 79 30Economia Seções de estudo 1 - Introdução à Teoria da Demanda 1 – Introdução à Teoria da Demanda 2 – Introdução à Teoria da Oferta 3 – Equilíbrio do Mercado A Teoria da Demanda deriva da Teoria do Consumidor, já que são os consumidores os responsáveis pela demanda. Demanda por um bem ou serviço é a quantidade deste bem ou serviço que um consumidor deseja adquirir em determinado período (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p.109). Assim, a demanda por um produto ou serviço é o desejo de consumi-lo, de comprá-lo, adquiri-lo. Fala-se em desejo de consumir, pois existem alguns fatores que influenciam a decisão ou escolha definitiva de consumo de um consumidor. Assim, a demanda de determinado bem ou serviço é determinada pela quantidade deste bem ou serviço que o consumidor está disposto e apto a adquirir, em função do preço do bem ou serviço, dos preços de outros bens ou serviços, de sua renda e de suas preferências (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p.110). Dito isto, um dos objetivos desta aula é analisar a demanda do consumidor por bens e serviços e, investigar a maneira que a demanda do consumidor reage em relação ao preço dos bens e serviços e a outros fatores. TEORIA DA DEMANDA 1.1 - Relação entre Quantidade Demandada de um bem e Preço desse bem Um dos fatores que influenciam a quantidade demandada de um bem é o seu preço. Tudo o mais permanecendo constante, um aumento do preço de determinado bem, certamente irá provocar uma redução na quantidade demandada desse bem. De modo contrário, uma redução do preço de certo bem, causará um aumento da sua quantidade demandada. Dizemos, então, que preço e quantidade demandada possuem uma relação inversa. O entendimento dessa relação é fácil, pois como consumidores, vivemos o dilema dos preços e consumo diariamente. Essa hipótese já foi comprovada muitas vezes por vários produtos, mas possui uma limitação. Para que essa hipótese seja mesmo verdadeira, devemos considerar que tudo o mais permanece constante, hipótese denominada pelos economistas de coeteris paribus (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p.110). Considerar tudo mais constante na economia e na vida do consumidor, quer dizer que devemos olhar apenas para preços e quantidades demandadas e esquecer qualquer outra coisa como, por exemplo, o gosto dos consumidores, a época do ano, o preço de outros bens, a renda do consumidor etc. 1.2 - A Curva de Demanda A curva de demanda mostra o que acabamos de estudar, a relação entre o preço de uma mercadoria e a quantidade dessa mercadoria que o consumidor está disposto a consumir em determinado período de tempo, tudo o mais permanecendo constante. Observem o quadro 01. Nesse quadro existem algumas combinações de preços e quantidades demandadas por determinado bem (chamado bem X). Quadro 01: Combinações de Preço (do bem X) e Quantidade Demandada (do bem X) Preço ($) Quantidade Demandada (unidades) 2,00 2, 0 3,00 3, 0 ,00 , 0 ,00 , 0 6,00 18000 16000 1 000 12000 10000 8000 6000 000 2000 Fonte: Gabrielle Pagliusi Paes de Lima (2011). Analisando o quadro acima, é possível perceber que há uma queda na quantidade demandada do bem X, conforme aumenta o seu preço. Portanto, comprovamos a relação inversa entre preço de um bem e quantidade demandada desse bem. Para entender melhor ainda essa relação, vamos derivar a curva de demanda. Observem a figura abaixo. Figura 01: Curva de Demanda Fonte: Gabrielle Pagliusi Paes de Lima (2011). Percebam que a curva de demanda possui inclinação negativa. Isso ocorre devido à relação inversa ou negativa entre preço e quantidade demandada. Em outras palavras, a curva de demanda é negativamente inclinada, pois o aumento do preço do bem X causa uma redução da quantidade demandada desse bem. Observem a figura 01 e vejam que se houver variações no preço do bem X, a quantidade de demanda desse bem varia. Pode-se dizer que variações no preço do bem X causam mudanças na quantidade demandada ao longo da curva de demanda. 80 31 1.3 - Fatores que Influenciam a Quantidade Demandada A quantidade consumida ou demandada de determinado bem depende, principalmente, do preço desse bem, mas pode- se afirmar que a quantidade consumida de um bem depende também de fatores secundários, como o preço de outras mercadorias, a renda dos consumidores e os hábitos e gostos dos consumidores. Ao se construir a curva de demanda de determinado produto, como fizemos na seção 01, utiliza-se a hipótese de que todos os demais fatores que influenciam a quantidade ofertada e demandada são mantidos inalterados e apenas o preço do produto pode variar. Dessa forma, supõem-se constantes os preços dos demais produtos, a renda dos consumidores, seus hábitos, gostos e examina-se a quantidade consumida de um produto em relação ao seu preço. Porém, quando ocorre uma variação de algum outro fator que tenha influência sobre a quantidade demandada, ou seja, quando ocorre alguma variação na renda, nos hábitos do consumidor ou nos preços de outros bens, ocorrerá um deslocamento da curva de demanda para a direita ou para a esquerda, ou seja, a curva de demanda muda de posição. Se a variação nos fatores secundários causar um aumento da demanda, a curva de demanda irá se deslocar para a direita. Se causar uma queda na demanda, a curva se desloca para a esquerda. Vamos analisar os efeitos que a variação de algum desses fatores exercem na curva de demanda! 1.3.1 - Renda do Consumidor Geralmente, um aumento na renda dos consumidores de determinado produto causará um aumento na quantidade demandada do produto, desde que seu preço seja mantido constante (VARIAN, 2003, p. 103). Quando isso acontece, diz-se que o produto é um bem normal. A maioria dos bens consumidos é bem normal. Bens normais são aqueles cuja quantidade demandada aumenta quando a renda do consumidor aumenta. Ou, o contrário, são aqueles cuja quantidade demandada diminui quando a renda do consumidor também diminui. Portanto, um aumento na renda dos consumidores leva ao aumento da demanda de bens normais, mantendo constantes os preços. E uma redução na renda dos consumidores leva a uma redução na demanda de bens normais. Quando tratamos de bens normais, a quantidade demandada varia do mesmo modo (ou no mesmo sentido) que a renda (VARIAN, 2003, p.104). Pode acontecer que o aumento da renda do consumidor de uma mercadoria provoque a queda em sua demanda. Isso ocorre quando a mercadoria é um bem inferior ou de qualidade inferior que, graças ao aumento da sua renda, o consumidor poderá substituí-lo por algo melhor. Bens inferiores são aqueles cuja quantidade demandada diminui quando a renda do consumidor aumenta. Ou, o contrário, são aqueles cuja quantidade demandada aumenta quando a renda do consumidor diminui. Portanto, um aumento na renda dos consumidores leva a redução da demanda de bens inferiores, mantendo constantes os preços. E uma redução na renda dos consumidores leva a um aumento na demanda de bens inferiores. Quando tratamos de bens inferiores, a quantidade demandada varia no sentido contrário à renda. O exemplo clássico de um bem inferior é a carne de segunda. Quando um consumidor tem baixo nível de renda, ele acaba consumindo a carne de segunda (bem 01), porque a carne de primeira (bem 02) não lhe é acessível. Mas, à medida que sua renda vai aumentando, tudo o mais mantido constante,ele vai substituindo a carne de segunda que consumia pela carne de primeira, de modo que o consumo de carne de segunda cai. Nesse caso, um aumento na renda dos consumidores de um bem inferior, leva a queda da demanda de bens inferiores, mantendo os preços constantes. 1.3.2 - Preço dos bens substitutos Existem bens considerados substitutos entre si. Bens substitutos são aqueles que podem ser substituídos ou trocados um pelo outro, por exemplo, o cobre e o alumínio (um desses bens pode substituir o outro em uso industrial), a Coca Cola e o Guaraná, a manteiga e a margarina, entre outros. Para entender o efeito de uma variação no preço de um dos bens substitutos na quantidade demandada de outro bem, suponha que ocorra um aumento no preço do Guaraná. Porém, a Coca Cola permanece com o preço inalterado. A quantidade demandada de Guaraná irá cair e, como o Guaraná pode ser substituído pela Coca Cola, cujo preço se manteve inalterado, a quantidade demandada de Coca Cola irá aumentar. 1.3.3 - Preço dos bens complementares Existem, também, alguns bens que são chamados complementares. Bens complementares são aqueles que tendem a ser utilizados juntos, por exemplo, automóveis e gasolina. O exemplo clássico de bens complementares, constantemente citado nos manuais de Microeconomia, é o pé esquerdo e o pé direito de um sapato (VARIAN, 2003, p.114). Claro, o consumidor sempre irá comprar os dois pés do sapato. Para entender o efeito de uma variação no preço de um dos bens complementares na quantidade demanda do outro bem, suponha que ocorra um aumento no preço de automóveis, mantendo constante o preço da gasolina. O que poderá ocorrer? A quantidade demandada por automóveis irá diminuir e, consequentemente, a demanda por gasolina, cujo preço se manteve inalterado, também diminuirá. 1.4 - Elasticidade da Demanda Já sabemos que a quantidade demandada de um bem é influenciada pelo preço desse bem, pela renda do consumidor 81 32Economia e também pelo preço de outros bens. Variações no preço do bem, na renda do consumidor e no preço de outros bens causam variações na quantidade demandada desse bem. Podemos dizer, então, que a demanda desse bem é sensível à variações desses fatores. “Esta sensibilidade, em Microeconomia, pode ser medida usando o conceito de elasticidade” (VASCONCELLOS, 2008, p.58). Assim, por exemplo, a sensibilidade da demanda de um determinado bem em relação à variações no preço desse bem é o mesmo que a elasticidade da demanda desse bem em relação à variações no seu preço. Estudaremos três tipos de elasticidade da demanda: a elasticidade-preço da demanda, elasticidade-renda da demanda e a elasticidade cruzada da demanda. Elasticidade é uma medida de sensibilidade ou uma resposta da demanda em relação à variações em algum fator que afeta a quantidade demandada. 1.4.1 - Elasticidade-preço da demanda Já sabemos que a quantidade demandada de um bem é influenciada pelo preço desse bem. Mais especificamente, podemos dizer que a quantidade demandada de um bem cai quando o preço desse bem aumenta. Dizendo de outra forma, a quantidade demandada é sensível à variações no preço. A elasticidade da demanda de um bem em relação ao preço do bem mede quanto à demanda deste bem varia quando ocorre uma variação no seu preço; a elasticidade – preço da demanda é sempre negativa sinalizando a relação inversa entre preço e quantidade demandada. Porém, cada produto tem uma sensibilidade diferente em relação ao preço. Para certos produtos, uma pequena alteração no preço pode provocar grandes alterações na quantidade demandada. Estes são tidos como muito sensíveis ao preço. Para outros, mesmo grandes alterações nos preços não causam grandes alterações na demanda. São os considerados pouco sensíveis ao preço. Por último, existem casos em que as quantidades demandadas variam exatamente na mesma proporção da variação dos preços (VASCONCELLOS, 2008, p. 58). Aqui, elasticidade e sensibilidade são termos equivalentes. Os diferentes graus de sensibilidade da demanda em relação ao preço podem ser medidos pelo conceito de elasticidade- preço da demanda. Elasticidade-preço da demanda é a relação existente entre as mudanças relativas ou percentuais observadas nas quantidades demandadas, decorrentes de mudanças relativas ou percentuais nos preços. Suponhamos que o preço de determinado produto sofra uma redução de 30% e as quantidades demandadas desse produto sofram um aumento de 30%. Nesse caso, dizemos que a demanda é unitária em relação ao preço, o que significa que uma redução nos preços provoca um aumento na quantidade demandada na mesma proporção. Supondo, agora, que haja um aumento de 30% nos preços de algum bem e esse aumento provoque uma redução de apenas 15% na quantidade demandada desse bem. Dizemos que a demanda é inelástica em relação ao preço, ou seja, um aumento nos preços provoca uma redução menos que proporcional na quantidade demandada ou, quando a quantidade demanda desse produto é pouco sensível a variações no preço (o preço do bem aumentou e a quantidade demandada deste bem diminuiu, porém, a diminuição foi pequena). O exemplo clássico de demanda inelástica em relação ao preço é a demanda por alimentos em geral. Para esses produtos, mesmo um grande aumento nos preços irá refletir em pouca redução da quantidade demandada, pois esses bens são considerados essenciais. Os consumidores têm que continuar consumindo-os mesmo com o preço mais elevado. Isso não quer dizer que todos os consumidores irão continuar demandando a mesma quantidade de antes do aumento de preços; haverá uma redução da quantidade demandada. Porém, essa redução é pequena se comparada ao aumento do preço. Por último, se um aumento de 30% no preço de um bem causar uma redução de 45% na demanda desse bem. Nesse caso, a demanda é elástica em relação ao preço, pois um aumento dos preços causou uma redução mais que proporcional na demanda ou a quantidade demandada é bastante sensível à variações no preço. Quatro fatores são os principais determinantes da elasticidade-preço da demanda: • Essencialidade do produto: produtos essenciais têm baixas elasticidades-preço da demanda e a demanda é inelástica ao preço (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p.126). Por exemplo: o gás de cozinha, mesmo que o preço aumente os consumidores não podem ficar sem consumi-lo. • Hábitos: produtos para os quais os hábitos se tornaram praticamente um vício possuem baixa elasticidade-preço da demanda e a demanda inelástica. Exemplo: cigarro. • Substitutibilidade: quanto maior a quantidade de produtos que podem ser substituídos entre si, sua elasticidade- preço da demanda será alta (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p.126). Por exemplo: a manteiga tem vários substitutos quase que perfeitos, como margarina, requeijão, queijo, maionese. Se houver um aumento no preço da manteiga, o consumidor poderá substituí-la por esses outros bens, diminuindo a quantidade demandada de manteiga. O contrário também acontece. Quanto menor a quantidade de substitutos para um bem, menor o grau de elasticidade; (o sal de cozinha, por exemplo). • Importância no orçamento: se um bem for de baixa importância no orçamento (sua demanda não afeta tanto o orçamento, caso o preço aumente), sua elasticidade-preço da demanda será baixa e a demanda inelástica em relação ao preço. Se este for de grande importância, sua elasticidade será alta (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p.126). Exemplos: a demanda por sal de cozinha possui baixa elasticidade e a de carros alta elasticidade. 1.4.2 - Elasticidade-renda da demanda A quantidade demandada de um bem também é influenciada pela renda do consumidor, então, podemos dizer que a demanda é sensível à renda. Novamente, voltamos a relacionar sensibilidade com elasticidade. Assim, a elasticidade- renda da demanda mede o que ocorre com a demanda de determinado bem quando a renda do consumidor varia (VARIAN, 2003, p.296). 82 33Se este bem for um bem normal, essa variação será positiva, pois um aumento (redução) na renda do consumidor causa um aumento (redução) na quantidade demandada deste bem normal. Normalmente, os produtos têm elasticidade- renda positiva, pois um aumento da renda geralmente irá causar um aumento na demanda pela maioria dos produtos. Porém, se estivermos considerando um bem inferior, essa variação será negativa, pois um aumento (redução) na renda do consumidor causa uma redução (aumento) na quantidade demandada do bem inferior. Um exemplo clássico desta situação é a demanda por carne de segunda; quando a renda de um indivíduo aumenta, a demanda por carne de segunda diminui. A elasticidade da demanda de bens normais é positiva, enquanto a elasticidade da demanda de bens inferiores é negativa. 1.4.3 - Elasticidade cruzada da demanda O conceito de elasticidade-cruzada da demanda por um bem advém da existência de bens substitutos e bens complementares a ele. Ela mede quanto a procura por um bem varia quando há uma variação no preço do bem substituto ou complementar a ele. No caso dos bens substitutos, Coca Cola e Guaraná, sabemos que, um aumento no preço do Guaraná provocará uma queda na quantidade demandada de Guaraná, e ainda, como o Guaraná pode ser substituído pela Coca Cola cujo preço se manteve inalterado, a quantidade demandada de Coca Cola irá aumentar (VASCONCELLOS, 2002, p.56). Por isso, a elasticidade cruzada da demanda de bens substitutos é positiva. A demanda pelo bem aumenta quando o preço do bem substituto a ele aumentar. Tomemos agora, como exemplo, os bens substitutos: carne de frango e carne bovina. Uma queda no preço da carne bovina causará um aumento na quantidade demandada deste bem. Mantendo o preço da carne de frango inalterado, poderá ocorrer uma queda na demanda da carne de frango. Novamente, neste caso, a elasticidade cruzada da demanda de bens substitutos também será positiva, pois a demanda pelo bem diminui quando o preço do seu substituto diminui. Se considerar dois bens complementares, automóveis e gasolina, um aumento no preço da gasolina provocará uma queda na demanda de gasolina. Mantendo o preço dos automóveis inalterado, haverá uma redução na demanda de automóveis (VASCONCELLOS, 2002, p. 56). Assim, a elasticidade cruzada da demanda de bens complementares é negativa, pois a quantidade demandada do bem reduziu quando o preço do bem complementar a ele aumentou. Esse efeito inverso explica porque a elasticidade cruzada da demanda de bens complementares é negativa. A elasticidade cruzada da demanda de bens substitutos é positiva, enquanto a elasticidade cruzada da demanda de bens complementares é negativa. 2 - Introdução à Teoria da Oferta A Teoria da Firma tem muita ligação com a análise da oferta. Isso ocorre porque a Teoria da Oferta deriva da Teoria da Firma, já que são as firmas, empresas ou produtores os responsáveis pela oferta. Partiremos, agora, para a análise da oferta. A oferta de determinado produto é determinada pelas várias quantidades deste produto que os produtores, empresas ou firmas estão dispostos e aptos a oferecer no mercado, em função dos níveis de preços deste bem, em certo período de tempo (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p. 115). TEORIA DA OFERTA 2.1 - Relação entre Quantidade Ofertada de um bem e Preço deste bem O preço de certo bem também é um dos fatores que influenciam a oferta deste bem. O comportamento dos produtores é de aumentar as quantidades ofertadas dos bens que produzam, caso os preços destes bens aumentem, reduzindo-as quando houver reduções nos preços (VASCONCELLOS, 2008, p. 51). Dizemos, então, que preço e quantidade ofertada possuem uma relação direta. Da mesma forma como fizemos para o caso da demanda, aqui, deve-se considerar que tudo o mais permanece constante, devemos olhar apenas para preços e quantidades ofertadas, esquecendo qualquer outra coisa. 2.2 - A Curva de Oferta A curva de oferta indica que as firmas, empresas e produtores estão dispostos a vender de seu produto no mercado com relação aos preços do produto no mercado em determinado período de tempo, tudo o mais permanecendo constante (PINDYCK & RUBINFELD, 2002, p. 20). Observem o quadro 02. Neste quadro existem algumas combinações de preços e quantidades ofertadas de determinado bem (chamado bem X). Quadro 02: Combinações de Preço (do bem X) e Quantidade Ofertada (do bem X) Preço do bem X ($) Quantidade Ofertada do bem X (unidades) 2,00 2, 0 3,00 3, 0 ,00 , 0 ,00 , 0 6,00 6000 7000 8000 000 10000 11000 12000 13000 1 000 Fonte: Gabrielle Pagliusi Paes de Lima (2011). 83 34Economia Analisando o quadro acima é possível perceber que há um aumento na quantidade ofertada do bem X conforme seu preço aumenta. Portanto, comprovamos a relação direta entre preço de um bem e quantidade ofertada dele. A figura 02 mostra a curva de oferta construída com base nos dados do quadro 02. No eixo vertical são mostrados os níveis de preço do bem X e no eixo horizontal as quantidades ofertadas do bem. Figura 02: Curva de Oferta Fonte: Gabrielle Pagliusi Paes de Lima (2011). Perceba que a curva de oferta possui inclinação positiva. Isto ocorre porque, quanto maior o nível de preços do produto no mercado, maior será a quantidade do produto que as firmas, empresas e produtores estão dispostos a vender no mercado (PINDYCK & RUBINFELD, 2002, p. 20). Podemos, então, afirmar que a curva de oferta possui inclinação positiva, ou para cima, isto ocorre devido a relação direta entre preço e quantidade ofertada. Em outras palavras, a curva de oferta é positivamente inclinada, porque quanto maior o preço do produto no mercado mais os produtores ficarão estimulados a produzir e vendê-los. Podemos, então, concluir que a curva de oferta mostra a quantidade de produto que os produtores estão dispostos a colocar no mercado (ou vender) em relação ao preço que podem receber. 2.3 - Fatores que Influenciam a Quantidade Ofertada A quantidade ofertada ou a quantidade de um produto que os produtores desejam vender depende não somente do preço desse produto, mas também dos custos de produzi-lo, ou seja, do preço dos fatores produtivos (como mão de obra, preços das matérias-primas), preços de bens correlacionados na produção, condições climáticas e tecnologia. Ao se construir a curva de oferta de determinado produto, como fizemos acima, utiliza-se a hipótese de que todos os demais fatores que influenciam a quantidade ofertada e demandada são mantidos inalterados, apenas o preço do produto pode variar. Dessa forma, supõem-se constantes os custos de produção, o preço dos fatores de produção, o preço dos bens correlacionados na produção, as condições climáticas e o nível tecnológico e examina-se a quantidade ofertada de um produto em relação ao seu preço. Observem a figura 02 e vejam que se houver variações no preço do bem X, a quantidade ofertada desse bem varia. Pode-se dizer que variações no preço do bem X causam mudanças na quantidade ofertada ao longo da curva de oferta. Caso ocorra uma variação de algum outro fator que tenha influência sobre a quantidade ofertada, por exemplo, quando acontece alguma variação nos salários pagos aos trabalhadores que participam do processo produtivo ou no preço da(s) matéria(s)-prima(s) utilizadas, haverá um deslocamento da curva de oferta para a direita ou para a esquerda (a curva de oferta mudará de posição). Se a variação nesses fatores levar a um aumento da oferta, a curva da oferta se deslocará para a direita. Se causar uma queda na oferta, a curva irá para a esquerda. Esses fenômenos ficarão mais claros com a leitura e compreensão dos itens abaixo. 2.3.1 - Variação no preço dos fatores de produção Já estudamos a definição e vimos exemplos de fatores de produção. Para esse item, vamos tratar do fator de produção mão de obra. A mão de obra tem papel importante durante o processo de produção de diversos bens; portanto,é um importante fator de produção e é remunerada por meio dos salários. Suponhamos que ocorra uma redução dos salários, mantendo o preço dos produtos inalterado. Esta redução contribuirá para que os custos de produção de determinado produto sejam menores e torna a produção mais atraente tanto para novas empresas entrarem no mercado como para as empresas já existentes, pois a chance de lucro do dono da empresa (ou produtor) torna-se maior (PYNCICK & RUBINFELD, 2002, p. 22). Consequentemente, a quantidade ofertada desse produto deve aumentar. Isso fará com que a curva de oferta se desloque para a direita, provocando aumento na quantidade de produto disponível no mercado, mantidos constantes os preços dos produtos. 2.3.2 - Outros fatores Além de alteração no preço dos fatores de produção, existem mais fatores que deslocam a curva de oferta para a direita ou para a esquerda, dentre os quais podemos citar o aperfeiçoamento das técnicas de produção com o desenvolvimento e a incorporação de uma nova tecnologia, o que normalmente irá causar um acréscimo na oferta (mantendo-se o nível de preços constante), e o deslocamento da curva de oferta para a direita. Caso ocorra o contrário e as técnicas de produção se tornem obsoletas, a oferta cairá e a curva de oferta se deslocará para a esquerda. 2.4 - Elasticidade-preço da Oferta Vimos que a quantidade ofertada de um bem é influenciada pelo preço desse bem, além disso, podemos dizer que a quantidade ofertada de um bem aumenta quando o preço desse bem aumenta. Assim como, a quantidade demandada e a quantidade ofertada também são sensíveis ao preço. Não podemos apenas supor que as quantidades ofertadas de todos os produtos possuem a mesma sensibilidade 84 35 em relação ao preço. A oferta de cada produto tem uma sensibilidade diferente em relação ao preço. Para certos produtos, uma pequena alteração no preço pode provocar grandes alterações na quantidade ofertada; são aqueles cuja oferta é muito sensível ao preço (oferta elástica). Para outros, mesmo grandes alterações nos preços não causam grandes alterações na quantidade ofertada; são os que possuem a oferta pouco sensível ao preço (oferta inelástica). O último caso é daqueles produtos cuja quantidade ofertada varia exatamente na mesma proporção da variação dos preços (elasticidade unitária). Considerando que os termos sensibilidade e elasticidade são equivalentes, então, os diferentes graus de sensibilidade da oferta em relação ao preço podem ser medidos, agora, pelo conceito de elasticidade-preço da oferta. Elasticidade-preço da oferta é a relação existente entre as mudanças relativas ou percentuais observadas nas quantidades ofertadas, decorrentes de mudanças relativas ou percentuais nos preços. A elasticidade – preço da oferta é a variação que ocorre na quantidade ofertada de um bem quando ocorre uma variação do preço do bem; a elasticidade da oferta é sempre positiva, pois mostra a relação positiva entre preço e quantidade ofertada (PYNDICK & RUBINFELD, 2002, p. 34). Analisaremos o mesmo exemplo para o caso da demanda, mas agora para verificarmos as diferentes elasticidades-preço da oferta. Suponhamos que o preço de determinado produto sofra um aumento de 30% e os produtores resolvam aumentar as quantidades ofertadas desse produto em 30%. Neste caso, a oferta é unitária em relação ao preço, significa que a quantidade ofertada aumenta na mesma proporção do aumento dos preços. Supondo, agora, que haja um aumento de 30% nos preços de algum bem e os produtores aumentem a quantidade produzida em apenas 15%. Dizemos que a oferta é inelástica em relação ao preço, ou seja, um aumento nos preços provoca um aumento menos que proporcional na oferta, ou ainda, a quantidade ofertada desse produto é pouco sensível à variações no preço. Por último, se houver um aumento de 30% no preço de um bem e os produtores decidirem aumentar em 45% a quantidade ofertada desse bem. Nesse caso, a oferta é elástica em relação ao preço, pois um aumento dos preços causou um aumento mais que proporcional na quantidade ofertada ou a oferta é bastante sensível à variações no preço. Os principais fatores determinantes da elasticidade-preço da oferta são: • A disponibilidade de fatores produtivos: a escassez de recursos naturais, de recursos humanos e de bens de capital é um entrave ao aumento da produção. Se os recursos produtivos são escassos, então, mesmo que o produtor queira aumentar a oferta em resposta ao aumento dos preços, ele ficará impossibilitado. Isso faz com que a elasticidade-preço da oferta seja pouco sensível à variações do preço e a oferta seja inelástica. Um exemplo disso é a geração de energia pelas hidrelétricas. Outro exemplo é o das culturas permanentes, cuja oferta também é influenciada pela capacidade de produção das lavouras. Com o aumento dos preços dos produtos agrícolas, os produtores tendem a aumentar a produção, mas existem limites. • Fator tempo: independentemente da disponibilidade ou não de recursos produtivos, existem produtos que levam muito tempo para serem produzidos. Assim, quando os produtores recebem sinalização de que o preço desses produtos aumentou, eles não podem responder prontamente aumentando a produção. Nesse caso, a elasticidade-preço da oferta é pouco sensível à variações dos preços e a oferta é inelástica. Exemplo disso é a oferta de produtos agrícolas. 3 - O Equilíbrio do Mercado As posições dos produtores e consumidores em relação aos preços estão em constante conflito. Quando os produtores consideram o preço de um produto baixo, eles estarão dispostos a produzir menos, já os consumidores serão estimulados a consumir mais. Porém, existe uma posição que equilibra as decisões de ambos. Tendo em vista que já conhecemos as curvas de demanda e oferta, podemos conhecer o ponto de equilíbrio. Essa posição é chamada de equilíbrio do mercado e ocorre quando as curvas de oferta e demanda se cruzam. No ponto de cruzamento é definida a quantidade ofertada e demandada de equilíbrio e também o único preço que equilibra o mercado. Considerando os dados do quadro abaixo, construído a partir dos quadros 01 e 02, podemos entender melhor a forma como ocorre o equilíbrio no mercado. Quadro 03: Equilíbrio do Mercado Preço Quantidade Demandada unidades Quantidade Ofertada unidades 2,00 2, 0 3,00 3, 0 ,00 , 0 ,00 , 0 6,00 18000 16000 1 000 12000 10000 8000 6000 000 2000 6000 7000 8000 000 10000 11000 12000 13000 1 000 Fonte: Gabrielle Pagliusi Paes de Lima (2011). De acordo com o quadro acima, para todos os níveis de preços existentes há uma relação entre quantidade demandada e quantidade ofertada. Para os níveis de preços menores de R$ 4,00 (quatro reais) existe um excesso de demanda em relação à oferta. Ao preço de R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos), por exemplo, os consumidores estão dispostos a demandar 16.000 (dezesseis mil) unidades do bem X enquanto os produtores estão dispostos a colocar no mercado 7000 (sete mil) unidades do bem X. Assim, ao preço de R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos) existe um excesso de demanda em relação à oferta. Quando, por exemplo, o preço é R$ 3,00 (três reais), a quantidade demandada chega a 14.000 unidades, mas a demanda não poderá ser atendida, pois a esse valor os produtores estão dispostos a ofertar apenas 8.000 unidades. Para níveis de preços maiores que R$ 4,00 (quatro reais) há um excesso de oferta. Ao preço de R$ 5,50 (cinco reais 85 36Economia e cinquenta centavos), por exemplo, os consumidores estão dispostos a demandar 4.000 (quatro mil) unidades do bem X, enquanto os produtores estão dispostos a colocar no mercado 13000 (treze mil) unidades do bem X. Assim, ao preço de R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos) existe um excesso de oferta em relação à demanda. Quando o preço é R$ 6,00 (seis reais) os produtores estão dispostos a ofertar 14.000 unidades, mas não haverá demanda suficiente,já que a esse preço os consumidores vão querer apenas 2.000 unidades do bem. Ao preço de R$ 4,00 (quatro reais) há um equilíbrio entre as quantidades demandadas e ofertadas. A esse preço os consumidores estão dispostos a demandar 10000 (dez mil) unidades do bem X e os produtores estão dispostos a ofertar as mesmas 10000 (dez mil) unidades desse bem. Dizemos que a esse preço as quantidades se equilibram e que esse é o preço de equilíbrio do mercado. Figura 03: Equilíbrio do Mercado Fonte: Gabrielle Pagliusi Paes de Lima (2011). Na Figura 03, a situação de equilíbrio e as demais situações podem ser visualizadas. Fazendo a mesma análise utilizamos para o quadro 03, observem a figura acima. Quando, por exemplo, o preço é R$ 3,00 (três reais), a quantidade demandada (mostrada pela curva de demanda negativamente inclinada) chega a 14.000 (quatorze mil) unidades do bem X, mas a demanda não poderá ser atendida, pois a este preço, os produtores estão dispostos a ofertar apenas 8.000 (oito mil) unidades do bem X (mostrado pela curva de oferta positivamente inclinada). Quando o preço é R$ 6,00 (seis reais). A este preço, os produtores estão dispostos a ofertar 14.000 (quatorze mil) unidades do bem X (mostrado pela curva de oferta positivamente inclinada), mas não haverá demanda suficiente já que os consumidores irão querer apenas 2.000 (duas mil) unidades do bem X (mostrada pela curva de demanda negativamente inclinada) ao preço de R$ 6,00 (seis reais). Podemos perceber que o preço o qual equilibra o mercado é aquele formado pelo cruzamento das curvas de oferta e demanda. Quando este encontro ocorre, temos o ponto de equilíbrio. Novamente, neste ponto, o preço do bem é R$ 4,00 (quatro reais) e as quantidades demandadas e ofertadas são iguais a 10.000 (dez mil) unidades do bem X. Observem que, abaixo do ponto de equilíbrio, haverá um excesso de demanda em relação à oferta, os produtores serão estimulados a aumentar as quantidades ofertadas e haverá uma elevação natural no nível de preços. Acima do ponto de equilíbrio, a oferta excede a demanda, os produtores irão contrair a oferta e haverá uma redução natural dos preços (PINHO & VASCONCELLOS, 2004, p. 117). Retomando a aula Parece que estamos indo bem Então, para encerrar nossa quarta aula, vamos recordar: 1 – Introdução à Teoria da Demanda Nessa seção, conhecemos o princípio da Teoria da Demanda. Conhecemos a curva de demanda de determinado bem e os fatores que influenciam a quantidade demandada de um bem. Estudamos o conceito de elasticidade da demanda. 2 – Introdução à Teoria da Oferta Nessa seção, conhecemos o princípio da Teoria da Oferta. Conhecemos a curva de oferta de determinado bem e os fatores que influenciam a quantidade ofertada de um bem. Estudamos o conceito de elasticidade da oferta. 3 – Equilíbrio do Mercado Nessa seção, analisamos o equilíbrio do mercado. VASCONCELLOS, M. A. S. de & OLIVEIRA, R. G. de. Manual de Microeconomia. 2ª edição. São Paulo: editora Atlas, 2009. PINHO, Diva Benevides & VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval. Manual de Economia. 5ª edição. São Paulo: Saraiva, 2004. Vale a pena Vale a pena ler Minhas anotações 86