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1 FICHAMENTO – “A HISTÓRIA DO MOVIMENTO PSICANALÍTICO” FREUD, S.A. História do Movimento Psicanalítico, Artigos sobre Metapsicologia e outros trabalhos. Vol. XIV. Rio de Janeiro, Imago, p.1-43, 1996. 1) RESUMO Pode-se afirmar que este texto redigido por Freud de 1914, além de ser um documento histórico, este texto serve para todos os psicanalistas (experientes ou não) e estudantes de psicanálise para demonstrar como a cronologia dos fatos nesta área se repetem, como os laços entre os psicanalistas, as dificuldades e as críticas que esta área sofre, assim como as novidades e descobertas que são resultados dos pacientes e do seu avanço e solidificação, de forma ativa e forte em termos de acolhimento do mal estar da vida social. Este texto é o marco zero do estudo da resistência da psicanálise e desta forma se tornou o PAI da Psicanálise. Ele destaca a fisioterapia com eletrochoque, tratamentos com hipnose profunda (Leibeaul e Bernheim) e o método cartático (Breuer). Há de ressaltar que o movimento da psicanálise iniciou desde 1882, porém Freud somente escreveu sobre em 1914, denunciando em seu texto a resistência a psicanálise. Freud era médico e neurologista, porém já tinha rompido com a ciência mais tradicional (medicina no estrito termo). Ele buscava localizar no corpo humano alguma modificação que pudesse localizar os sintomas das pacientes (Freud era localizacionista), porém em algum momento, Freud rompe com esse padrão e lança a PSICANÁLISE. Ele vislumbrava que alguns temas como sofrimento humano, amor, desejo, entre outros com a perspectiva de uma nova ciência, que não era mais de localizar no corpo humano (como a medicina tradicional) alguma alteração que justificasse os sintomas e os comportamentos. Com isso, Freud demarca um novo campo que é da Psicanálise (exploração da mente) que é era uma árdua escuta clínica, ou seja, não mais apenas como algo empírico, biológico etc. Ele inicia a abordagem rigorosa dos sintomas, dos atos falhos, sonhos, sexualidade na abordagem mental e dá um novo contorno científico contraposto com o rigor científico a qual já estava mais afastado (ciência mais tradicional que era medicina). Com isso, atrai muitas críticas, estudiosos e profissionais curiosos e médicos renomados. Este momento de 1914 marca a resistência da classe médica à psicanálise. Além disso, Freud destaca que a etiologia das neuroses está diretamente relacionada a reconhecer o significado da sexualidade, diferentemente de Breuer, que afirmava que era o fator primordial para o distanciamento deles. Descreve os momentos que antecedem e ultrapassam o movimento psicanalítico, além de delimitar o seu campo de 2 investigação científica da psicanálise com rigor, defendendo-a como ciência, mesmo sendo uma ciência ainda nova e pouco explorada. Ele marca uma divisão entre o Adler e Jung e com a ciência do inconsciente (psicanálise). Freud discute fatos com metodologia, já Adler e Jung não (não possuíam metodologia). Freud descreve que Adler fala da psicanálise e dos seus conceitos usando outros nomes em outros sentidos, visando substituir a psicanálise por outros conceitos que são mais adequados aos interesses aos dogmas existentes naquela época (repressão vitoriana). Já Jung nega os conceitos da sexualidade infantil e tenta transformar toda e qualquer justificativa científica para um conceito mais divino. Freud afirma que toda perversão, psicose ou neurose tem estagnação do movimento que é o cerne do problema e que precisa ser superado, com terapias psicanalíticas. Freud critica e desqualifica/desautoriza a dinâmica de tratamentos de Adler e Jung da psicanalise e afirma que de Adler trabalhava através de uma psicologia individual e de Jung de uma psicologia analítica, mas não de psicanálise. Lacan, assim como Adler e Jung são expoentes da resistência da psicanálise. Eles almejavam desqualificar os trabalhos de Freud, principalmente no quesito de sexualidade infantil. Na sua obra ele relata os principais eventos que deflagraram a difusão dos preceitos psicanalíticos, como as reuniões que aconteciam na sua casa (a partir de 1902), os acontecimentos da Escola de Viena, a fundação da Sociedade Psicanalítica, faz um histórico dos Congressos Psicanalíticos, entre outros. 2) CITAÇÕES “A teoria da repressão é a pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise.” (p.10) “(...) não se tem o direito de desesperar por não ver confirmadas as próprias expectativas; deve-se fazer uma revisão dessas expectativas” (p.11) “Mais tarde descobri a característica essencial e a parte mais importante da minha teoria dos sonhos, ou seja, que a distorção dos sonhos é consequência de um conflito interno, uma espécie de desonestidade interna (...)” (p.13) “Para concluir, quero expressar o desejo de que a sorte proporcione um caminho de elevação muito agradável a todos aqueles que acharam a estada no submundo da psicanálise desagradável demais para o seu gosto. E possamos nós, os que ficamos, desenvolver até o fim, sem atropelos, nosso trabalho nas profundezas”. (p.43) 3 3) COMENTÁRIOS Nesta obra de Freud, é possível observar que ele sempre foi muito comprometido com seus estudos e possuía uma convicção absoluta sobre os benefícios do uso da Psicanálise. Porém, este enfrentou muita solidão e rejeição, principalmente por parte dos participantes do meio científico. O escritor revela os fundamentos da Psicanálise de forma clara e a história dos seus princípios essenciais e relata a obra em 3 (três) sessões: a primeira, sendo o momento único e solitário de sua pessoa pela Psicanálise; o segundo, a ampliação da Psicanálise aos demais, e a terceira, os pontos de divergência com o Adler e Jung. Versa sobre todo caminhar da Psicanálise, desde o seu surgimento e o que ocorria nos países (eventos que deflagraram a difusão dos preceitos) e dos Congressos psicanalíticos. Claramente destaca a sexualidade na etiologia das neuroses e afirma ser a transferência a prova irrefutável. Além disso, frisa a importância do conhecimento do inconsciente e disserta sobre a exploração dos sonhos e reconhecimento da sexualidade infantil. 4) QUESTIONAMENTOS Na leitura desta obra de Freud, após um pouco mais de 100 anos, compreender o contexto histórico e filosófico da psicanálise é um fator muito importante, visto que esta ciência não surgiu sem os devidos fatos e justificativas. Ela é fruto de estudo psíquicos relacionados com a neurologia, medicina, psiquiatria, fisiologia, filosofia, entre outras. Algo que é muito claro sobre a rejeição inicial da Psicanálise à Medicina Clássica é que a psicanálise opera na subjetividade/inconsciente, não colocando o SUJEITO (corpo) como ponto central, pois o foco é o inconsciente, visto que naquela época, Freud sinalizava que o mais importante era a VERDADE DO SUJEITO, ou seja, o INCONSCIENTE e através dele poderia ter acesso a todos os desencadeadores dos problemas físicos. Mesmo após mais de 100 anos, a rejeição enfrentada por Freud frente a descoberta da Psicanálise é enfrentada ainda em 2024, só que de maneira diferente. Ainda é muito cristalina entre nossa sociedade a negação frente aos benefícios de realizá-la por todos e negar que 4 os princípios de Freud são ultrapassados, é o mesmo que dizer que comportamentos disfuncionais estão relacionados exclusivamente ao meio em que o ser humano está inserido e não também, que muitas das suas atitudes estão altamente ligadas aos acontecimentos do passado, marcados no inconsciente e que causaram sofrimento psíquico e se tornaram comportamentos disfuncionais sem a devida consciência. Negar isso é o mesmo que se sabotar, porém negar, ainda parece ser o caminho mais breve e confortável. 30/05/2024 304227 ANA PAULA DE ALMEIDA PENNELLA