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02Aula Gestor e Seu Ambiente objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • conhecer os fundamentos conceituais sobre o papel do gerente, gestor/administrador; • reconhecer os tipos de gestores/administradores; • entender os níveis de habilidades dos gestores/administradores; • perceber o papel do gestor/administrador como líder e agente de mudanças; • compreender a dinâmica de mudança, clima e cultura organizacional. Prezados(as) alunos(as), esta segunda aula apresenta conteúdos sobre o gestor e o ambiente organizacional, expõe conceitos e definições sobre gestor e administrador, assim como destaca os tipos de gestores/administradores e os níveis de habilidades, mostrando como deve ser a atuação do gestor/ administrador como líder e como agente de mudança. Por fim, esclarece a dinâmica de mudança, clima e cultura organizacional. Bons estudos! 14Administração Empresarial 1 - O que é ser Gerente/Gestor/Administrador 2 - Tipos de Gestores e Administradores 3 - Níveis de habilidades dos Gestores e Administradores 4 - O gestor e o Administrador como líder 5 - O Gestor/Administrador como agente de mudança 6 - A Dinâmica de Mudança, Clima e Cultura Organizacional 1 - O que é ser Gerente/Gestor/ Administrador As pessoas de modo geral têm necessidades e desejos ilimitados, sendo a satisfação um elemento importante para uma relação perfeita em sociedade. Para que a satisfação das necessidades e desejos das pessoas venham cumprir determinadas regras de convivência social, é necessário que alguém esteja à frente orientando e coordenando. Isso vale principalmente na sociedade empresarial, que para gerir todos os recursos disponíveis de forma a dar total satisfação para os seres humanos necessita de um gestor. O termo “gestão” tem sido usado de diferentes maneiras. Em alguns momentos se refere ao processo de planejamento, organização, direção, coordenação e controle, em outros aspectos é usado para descrever como função de gestão de pessoas. Ainda, faz referência a um campo de conhecimento, uma prática, uma disciplina. Encontra-se também, o termo ‘‘gestão’’ sendo usado como uma técnica de liderança e tomada de decisão, como um recurso econômico, um fator de produção ou um sistema de autoridade (SCHULTZ, 2016). Stout e Love (2017), citando o pensamento de Mary Parker Follett, destacam a gestão como a arte de realizar coisas por meio de outras pessoas. De acordo com Marques (2021, p. 1) existem diferenças claras no emprego do termo gestão e administração, pois enquanto a gestão se ocupa de “questões de ordem estrutural, a administração está ligada às questões operacionais”. Assim, o administrador é um profissional com formação acadêmica específica para exercer as funções dentro do processo organizacional, que está filiado ao Conselho Regional e Federal de Administração (MARQUES, 2021). Mooney e Riley (1939) definiram administrador como o profissional que dirige e inspira outras pessoas, para exercerem com motivação as funções empresariais no alcance dos objetivos propostos. Segundo Henri Fayol (1990, p.45), “Gerenciar é prever e planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar”. Segundo ele, gestão é um processo que envolve as funções de planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. Haimann e Scott (1978) definiram gestão como processo e disciplina. Assim, gestão como processo inclui planejar, controlar, coordenar, motivar pessoal. Todas essas funções estão em sequênciais inter-relacionadas, sendo a gestão os esforços dos membros da organização para atingir os objetivos estabelecidos pelo gestor. A gestão como disciplina seções de estudo é um ramo específico do conhecimento que é estudado em cursos de Administração, Economia, Sociologia, Matemática, Ciência Política etc. As informações obtidas por meio desta disciplina auxiliam a prática para um melhor funcionamento das organizações. Haimann e Scott (1978) explicam, ainda, que a gestão como substantivo, ou designação de pessoa, é representada nos vários tipos de funcionários, em uma organização, onde alguns estão envolvidos na função gerencial e outros estão envolvidos nas funções operacionais. Os indivíduos que gerenciam a organização e os departamentos são chamados de gerentes. Assim, a gestão como pessoa é a designação dos gerentes, conselho de administração, diretores administrativos, departamentos etc. Portanto, como se vê, a gestão envolve e reúne vários elementos, coordenando, integrando os diversos componentes da organização enquanto sustenta a viabilidade dela para os objetivos predeterminados. 2 - Tipos de Gestores e Administradores Os gestores e administradores, independentemente da posição na empresa, precisam agir como líderes. Liderança pode ser definida como estratégia de guiar as pessoas para que completem uma tarefa específica, também é definida como estratégia de motivação para os membros da equipe alcançarem a excelência. Ainda, líder é a pessoa que sabe como aproveitar ou definir metas que inspirem as pessoas ao longo do tempo. Em um ambiente de negócios, liderança significa capacidade de compartilhar a visão clara dos objetivos da empresa, ao mesmo tempo em que fornece conhecimento, informações e métodos para alcançá-los (MARQUES et al., 2013). Um gestor pode adotar várias abordagens diferentes para administrar uma organização. De acordo com Marques (2021), existem pelo menos oito tipos de gestores e administradores: carismático, autoritário, meritocrático, competitivo, executor, inovador, ambicioso e visionário. FIGURA 1 – TIPOS DE GESTORES E/OU ADMINISTRADORES Fonte: Pereira (2022) O gestor carismático é aquele que delega tarefas aos subordinados, motiva-os com intuito de garantir o melhor desempenho e resultado. Promove o relacionamento 15 interpessoal de excelência, mantendo um diálogo amigável e profissional com os colaboradores. Lembrando que carisma vai muito além de ser simpático e atencioso, é saber manter um clima organizacional harmônico, um ambiente de trabalho saudável. O gestor carismático sabe dizer não de uma forma leve, sem prejudicar a harmonia do ambiente (MARQUES, 2018). O gestor autoritário tem como principal característica a concentração de decisão e comando na sua pessoa, não aceita sugestões e não acata as iniciativas dos subordinados. Embora esse tipo de gestor sempre tome decisões rápidas, não tem sucesso quanto à promoção de envolvimento dos funcionários com as atividades e nem possui uma equipe de trabalhadores motivados (PERES, 2018). Meritocrático é o estilo de gestor que avalia o desempenho dos colaboradores constantemente, centrando sua gestão de acordo com a atuação dos funcionários. Elabora planilhas de desempenho, promovendo reconhecimentos e benefícios para os colaboradores que atingem as metas estabelecidas. É um tipo de gestão bastante comum, embora alguns críticos destaquem que para avaliar o mérito de diferentes pessoas, é necessário que tenham acesso aos mesmos recursos e condições de trabalho (BÉHAR, 2019). Competitivo é o tipo de gestor que entra em competição com os demais gestores da organização. Diante disso, cobra eficiência de forma exagerada dos colaboradores, não aceita falhas e tem dificuldade para ouvir os membros da equipe. Para esse tipo de gestor, a prioridade é a competição e não um ambiente tranquilo de trabalho, criando um clima de rivalidade entre os colaboradores (MARQUES, 2021). O gestor executor é aquele que tem como foco a produção, esse tipo de gestor está sempre preocupado com a operacionalidade. Se for preciso, ele executa uma tarefa para que o projeto dê certo, não se preocupa em planejar ações para o desenvolvimento mais eficiente das tarefas, ele quer que as tarefas sejam executadas (MARQUES, 2021). O gestor inovador procura montar uma equipe de profissionais com diferentes expertises, está sempre aberto a mudanças durante o andamento dos processos. Esse tipo de gestoré criativo, observador e agiliza meios para que o desenvolvimento das atividades sejam mais eficazes, procura maximizar a produtividade com ousadia e determinação (MARQUES, 2021). Ambicioso é o perfil do gestor que está preocupado apenas em subir de cargo dentro da empresa e obter vantagens financeiras, não tem estratégias de bom relacionamento com os colaboradores, está sempre cobrando metas sem se importar com o processo. Embora existam alguns gestores ambiciosos que se preocupam com a evolução da sua equipe, a maioria tem um relacionamento de conflito e ganância (MARQUES, 2021). O gestor visionário tem um perfil similar ao gestor inovador, promove condições para que a equipe alcance as metas, é criativo e altamente motivador da sua equipe, transmite confiança e tem projetos voltados para o futuro (MARQUES, 2021). 3 - Níveis de Habilidades dos Gestores e Administradores Gestor ou administrador é aquela pessoa que comanda as atividades de outras pessoas e assume o compromisso de atingir determinados objetivos por meio desses esforços (SCHULTZ, 2016). Diante disso, Katz (1974) destaca que a gestão ou administração bem-sucedida é aquela que tem pessoas que possuem essas três habilidades básicas, que podem ser identificadas como habilidades técnicas, humanas e conceituais. Essas habilidades estão inter- relacionadas. Para melhor entender, vamos estudar cada uma separadamente. Habilidade técnica implica em compreensão e proficiência em uma área específica da administração, que envolva métodos, processos, procedimentos ou técnicas. A habilidade técnica envolve conhecimento especializado, capacidade analítica dentro dessa especialidade e facilidade no uso das ferramentas e técnicas da disciplina específica (DAFT, 2017; MARQUES, 2018). Habilidade humana é a capacidade do gestor/ administrador atuar como um membro do grupo e construir um esforço cooperativo dentro da equipe que ele lidera. Assim como a habilidade “técnica” está focada em trabalhar com “coisas” (processos ou objetos físicos etc.), a habilidade “humana” está focada em trabalhar com pessoas. Essa habilidade é demonstrada na forma como o indivíduo percebe e reconhece as percepções de seus superiores, iguais e subordinados, e na forma como se comporta posteriormente (DAFT, 2017; SOARES, 2020). O gestor/administrador com habilidade humana desenvolvida é ciente de suas atitudes, suposições e crenças sobre outros indivíduos e grupos, e é capaz de entender a eficiência e as limitações dos sentimentos. Ele aceita pontos de vista, percepções e crenças diferentes das suas, tem habilidade para entender o que os outros realmente querem dizer com suas palavras e comportamentos. Também tem habilidade para comunicar aos outros o que ele quer dizer com seu comportamento. É um gestor/administrador sensível às necessidades e motivações dos outros em sua organização, para que possa julgar as possíveis reações e os resultados dos vários cursos de ação que pode empreender. Tendo essa sensibilidade, é capaz e está disposto a agir de uma maneira que leve em consideração as percepções dos outros (MARQUES, 2018; SOARES, 2020). Habilidade conceitual envolve a capacidade de ver a empresa como um todo, incluindo o reconhecimento de que as várias funções da organização dependem umas das outras e como as mudanças em qualquer parte afetam todas as outras, tendo conhecimento suficiente para entender a relação do negócio com a comunidade, as forças políticas, sociais e econômicas da nação como um todo (RAMOS, 2021). O sucesso de qualquer decisão depende da habilidade conceitual das pessoas que tomam a decisão e daqueles que a colocam em ação. Quando, por exemplo, é feita uma mudança importante na política de marketing, é fundamental que sejam considerados os efeitos na produção, controle, finanças, pesquisa e nas pessoas envolvidas. Assim, se cada 16Administração Empresarial executivo reconhece os relacionamentos gerais e o significado da mudança, é certa a eficácia da gestão/administração (AHRENS, 2017). Portanto, o sucesso geral de uma empresa depende da habilidade conceitual de seus gestores em estabelecer e executar decisões políticas. Essa habilidade é o ingrediente unificador e coordenador do processo administrativo e de inegável importância geral. Agora que já ficou claro os tipos de habilidades de gestão/administração, é necessário conhecer os níveis de gestão e administração estratégica, tática e operacional. No nível estratégico, o gestor/administrador lida com todo o negócio, e não apenas com uma unidade isolada, usando pelo menos uma dessas três questões-chave: “O que fazemos? Para quem fazemos? Como nos destacamos?” (CHIAVENATO, 2019, p.344). Kotler (2000) explica que o nível estratégico é uma metodologia gerencial que permite estabelecer a direção a ser seguida pela organização, visando maior grau de interação com o ambiente. A direção engloba os seguintes itens: [...] âmbito de atuação, macropolíticas, políticas funcionais, filosofia de atuação, macroestratégia, estratégias funcionais, macro- objetivos, objetivos funcionais. O grau de interação entre uma organização e o ambiente, que pode ser positivo, neutro ou negativo, é variável, dependendo do comportamento estratégico assumido pela organização perante o contexto ambiental (KOTLER, 2000, p.119). Nível estratégico é a tomada de decisões presentes para otimizar o futuro de uma organização. O nível estratégico determina o curso de ação que promoverá os objetivos organizacionais, identificando oportunidades e ameaças, forças e fraquezas, onde a organização está hoje, propósitos e objetivos da organização e definição de estratégias futuras. Estratégia é, basicamente, o conjunto de opções consistentes que uma empresa decide adotar para se orientar em direção ao futuro. No nível tático, o gestor/administrador tem como foco as operações atuais de várias partes da organização. Os gestores usam o planejamento tático para delinear o que as várias partes da organização devem fazer para que a organização seja bem-sucedida, determinando um tempo no espaço, no futuro, para que isso aconteça. Os planos táticos geralmente são desenvolvidos nas áreas de produção, marketing, pessoal, finanças e instalações fabris. Devido ao horizonte de tempo e à natureza das questões tratadas, os percalços que podem ocorrer durante a execução de um plano tático devem ser cobertos por incertezas moderadas e podem estar mais próximos do controle da gestão (preços de frete no próximo ano, consumo de energia, mas não um blackout catastrófico etc.) do que os estratégicos (CHIAVENATO, 2019). No nível operacional, o gestor/administrador descreve marcos, condições para o sucesso e explica como, ou qual parte de um plano estratégico será colocado em operação durante um determinado período operacional. Um plano operacional aborda quatro questões: “Onde estamos agora? Onde queremos estar? Como chegamos lá? Como avaliamos nosso progresso?” (CHIAVENATO, 2019, p. 347). Em qualquer nível de gestão, a habilidade humana, a capacidade de trabalhar com os outros é essencial. A habilidade humana é de suma importância no primeiro nível gerencial, pois a principal função do gestor é obter a colaboração das pessoas no grupo de trabalho. Os gestores de segundo escalão devem se preocupar em facilitar a comunicação na organização. Já os gestores da alta administração devem ter autoconsciência e sensibilidade para lidar com os executivos desse nível e dos níveis inferiores. O que se percebe é que a habilidade humana é de grande importância em todos os níveis gerenciais/administrativos. A habilidade humana é essencial nos níveis primários da organização, onde o número de contatos diretos entre administradores e subordinados é maior. À medida que se sobe nos escalões administrativos, o número e a frequência desses contatos pessoais diminuem, e a necessidade de habilidade humana torna-se proporcionalmente,embora seja importante. Ao mesmo tempo, a habilidade conceitual torna- se cada vez mais importante com a necessidade de decisões políticas e ações em larga escala. A habilidade humana de lidar com indivíduos torna-se, então, subordinada à habilidade conceitual de integrar os interesses e atividades do grupo em um todo (MARQUES, 2018). 4 - O gestor e o Administrador como Líder A liderança é um elemento de destaque no contexto organizacional, tem ligação direta com questões de qualidade de produtos e serviços, influenciando no desempenho dos colaboradores e da organização. Existe uma relação estreita ente liderança e cultura empresarial, que vem atraindo os empreendedores modernos. O líder é aquele que tem o poder de “criar, manter ou mudar tipos particulares de culturas”, para que o empreendimento continue dentro do movimento do mercado. É a competência do líder em movimentar a cultura empresarial que define os rumos e impactos da gestão da empresa (BITENCOURT, 2001). O líder é o profissional que procura respostas para as necessidades da empresa, dentro da cultura organizacional. Nesse sentido, pode-se dizer que cultura e liderança estão entrelaçadas formando a eficiência da organização. As empresas necessitam de habilidades de liderança administrativa para garantir a eficiência organizacional. O gestor/administrador, ao delegar responsabilidades e exercer autoridade, deve fazê- los com o propósito de moldar os objetivos da empresa e motivar os funcionários para alcançá-los (BITENCOURT, 2001). Nesse sentido, o gestor/administrador, que é líder, deve ter uma percepção de que a administração vai muito além de uma ciência com regras e normas, que inclui planejamento, medição e padronização. O líder é aquele que inspira pessoas e cria visões e ideias, seguindo assim os princípios da liderança. O gestor/administrador que é líder tem condições de melhorar todos os processos organizacionais. Um bom administrador necessita de habilidades de liderança, para que seus subordinados o respeitem. Da mesma forma, no 17 local de trabalho, os líderes precisam de várias habilidades administrativas, como gerenciamento de recursos, gerenciamento de cronograma e habilidades organizacionais. Assim, liderança e administração andam de mãos dadas para garantir a eficiência organizacional e a conclusão dos objetivos e metas. Portanto, quando o gestor/administrador é líder tem uma carreira corporativa de sucesso (HAZARI, 2020). 5 - O Gestor/Administrador como Agente de Mudança Chiavenato (2008) define mudança como a transição de um estado para outro, que pode ser uma situação ou evento. Assim, mudança consiste na transformação, interrupção, quebra de paradigmas. O papel do gestor/administrador no processo de mudança é focado no indivíduo, na motivação dos funcionários, identificando os fatores que provocam absenteísmo e rotatividade, dessa forma promovendo a qualidade do ambiente de trabalho. Os métodos usados incluem melhoramento do clima organizacional, fazendo com que as pessoas entendam a cultura da organização e modifiquem seus comportamentos diante das metas e objetivos estabelecidos (LUNENBURG, 2010). O foco do gestor/administrador como agente de mudança está na mudança da estrutura organizacional de forma a melhorar a produção e a eficiência dos funcionários. O agente de mudança usa pesquisa operacional, sistemas de análise, estudos de política e outras formas de abordagens analíticas para mudar a estrutura ou tecnologia da organização. Por exemplo, a mudança pode incluir introdução de sistemas informatizados de processamento de informações (CERIBELI; MERLO, 2013). Os agentes de mudança concentram sua atenção em processos internos, como relacionamento, comunicação e tomada de decisão. A sua estratégia de intervenção é chamada abordagem de mudança cultural, porque eles analisam minuciosamente a cultura do público-alvo. Essa abordagem surgiu de áreas como treinamento de sensibilidade, formação de equipes, e feedback da pesquisa. Muitos gerentes assumem o papel de desenvolvimento organizacional ao implementar a mudança (LUNENBURG, 2010). Lazarsfeld (1963) identificou entre as tarefas dos gestores/ administradores, dentro de uma organização, a incorporação de disposições para inovações, mudanças e desenvolvimento. Sendo que a condição para a mudança deve ser construída na organização para que a inovação se estabeleça. A adoção e gerenciamento de mudanças são processos ordenados para manter o clima de inovação. Para Carlson (1965), o agente de mudança é uma pessoa que influencia nas decisões, adotando uma estratégia que ele considera a melhor, nesse sentido, as funções administrativas e de agente de mudança são compatíveis. A inovação, por sua vez, é um termo usado na arte, com significação abstrata no campo administrativo, para obter significado. A inovação deve ser traduzida dentro de eventos concretos dentro dos processos, estruturas e efeitos sobre as pessoas, organizações e resultados. Para que haja mudanças é necessário a inovação. Diante disso, o gestor/administrador como agente de mudança é um inovador. 6 - A Dinâmica de Mudança, Clima e Cultura Organizacional O clima organizacional constitui-se no compartilhamento entre os membros da organização, de eventos, políticas, práticas e procedimentos que vivenciam, assim como os comportamentos que vêm sendo recompensados, apoiados e esperados. O clima organizacional diferencia-se do clima psicológico, porque este é analisado em nível individual das pessoas, enquanto o clima organizacional é analisado na coletividade da organização (CHIAVENATO, 2003). O clima organizacional, na contemporaneidade, é definido como uma propriedade da unidade que é claramente distinta das percepções individuais. Se o clima organizacional é fundamentado em percepções compartilhadas, então, é necessário demonstrar que os indivíduos concordam suficientemente em suas percepções para que a média de suas classificações seja representação válida do clima da unidade (CHIAVENATO, 2003). Embora o conceito de clima organizacional tenha evoluído, grande parte da literatura contemporânea sobre o tema foca na força contínua das descobertas relacionas dos indivíduos. O clima organizacional de serviço está relacionado a uma variedade de resultados referentes a atividades em todos os níveis de análise, incluindo satisfação do cliente, resultados financeiros, comportamento do serviço e fidelidade do cliente (MENEZES; GOMES, 2010). O clima de segurança está associado ao comportamento de confiança. O clima de justiça está relacionado ao desempenho da equipe, rotatividade, absenteísmo, comportamento de cidadania e atitudes no trabalho. O clima ético está associado à redução de comportamentos antiéticos e aumenta os comportamentos éticos, atitudes positivas dos funcionários (como satisfação e comprometimento). Assim é que se constrói o clima organizacional, focado em resultados estratégicos consistentemente fortes para sua validade preditiva (EHRHART; RAVER, 2014). O papel do clima organizacional é criar um ambiente de trabalho positivo para os funcionários desenvolverem suas atividades com eficiência. E o clima organizacional é fundamentado pela cultura organizacional. A cultura organizacional segundo Schein (2010, p. 18): [...] é um padrão de pressupostos básicos compartilhados aprendidos por uma organização à medida que ela resolve seus problemas de adaptação externa e integração interna, que funcionou bem o suficiente para ser considerado válido e, portanto, ensinado a novos membros, como a forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas. A cultura organizacional está intimamente alinhada com os valores e crenças que se manifestam em quase todos os aspectos da vida organizacional e que a tornam uma organização única. A cultura tem elementos profundos 18Administração Empresarial que capturam as premissas centrais e osvalores básicos que são difundidos em toda organização. Esses elementos mais profundos são, então, manifestados em elementos externos, mais observáveis, que constituem uma variedade de formas culturais, como linguagem, histórias, rituais, cerimônias, tradições, normas comportamentais, vestimentas, arranjo físico do espaço e muito mais. E os valores adotados constituem o que os membros da organização e, particularmente, a administração, dizem ser mais importante para eles, no entanto, eles podem ser mais aspiracionais do que reais (EHRHART; SCHNEIDER, 2016). Embora existam discussões de que a cultura organizacional é uniforme em toda a organização, nem sempre é assim, pode haver (normalmente há) subculturas que também existem em toda a organização, e algumas culturas são geralmente mais fracas ou mais fortes que outras. Essas diferenças são destacadas por Martin e Cullen (2006), que incluem três perspectivas sobre a uniformidade da cultura nas organizações: (1) integração (um foco em elementos culturais que são compartilhados em toda a organização), (2) diferenciação (o reconhecimento de subculturas dentro da organização que podem ser inconsistentes entre si ou em conflito) e (3) fragmentação (em que ambiguidade, tensão e paradoxo são o foco principal) (MARTIN; CULLEN, 2006, p.178). A maior parte da literatura sobre cultura organizacional tende a adotar uma perspectiva de integração. As subculturas podem vir a existir dentro de divisões ou departamentos, ou ser baseadas em ocupação ou profissão, requisitos de habilidades para empregos, nível de gestão, produtos vendidos ou filiação a sindicatos. A força da cultura tem sido discutida de várias maneiras, incluindo a extensão em que os valores culturais são compartilhados em toda a organização, quão profundamente os membros mantêm os valores e crenças da cultura, há quanto tempo a cultura existe dentro da organização, a extensão para os quais as suposições e valores de nível mais profundo se manifestam amplamente nos artefatos organizacionais e na gama de crenças ou comportamentos que são direcionados pela cultura da organização (CHATMAN et al., 2014). Chegamos ao final da segunda aula. Vamos recordar alguns dos pontos principais abordados em cada seção: Retomando a aula 1 – O que é ser Gestor/ Gestor/Administrador Vocês estudaram, nesta seção, que os indivíduos que gerenciam a organização e os departamentos são chamados de gerentes. Assim, a gestão é a designação dos gerentes, conselho de administração, diretores administrativos, departamentos etc. Portanto, como se vê, a gestão envolve e reúne vários elementos, coordenando, integrando os diversos componentes da organização, enquanto sustenta sua viabilidade para os objetivos predeterminados. Assim, gestor é o profissional que se ocupa de questões estruturais, enquanto o administrador, com as questões operacionais. O administrador é um profissional com formação acadêmica específica para exercer as funções dentro do processo organizacional, que está filiado ao Conselho Regional de Administração ou ao Conselho Federal de Administração. Também é um profissional que pode exercer o cargo de gestor estrutural. 2 - Tipos de Gestores e Administradores Nesta seção, vocês estudaram que os gestores e administradores, independentemente da posição na empresa, precisam agir como líderes. Liderança pode ser definida como a estratégia de guiar as pessoas para que completem uma tarefa específica, também é definida como estratégia de motivação para os membros da equipe alcançarem a excelência. E existem pelo menos oito tipos de gestores e administradores, que são: carismático, autoritário, meritocrático, competitivo, executor, inovador, ambicioso e visionário. 3 - Níveis de habilidades dos Gestores e Administradores Nesta seção, vocês estudaram que a gestão ou administração bem-sucedida é aquela que tem pessoas que possuem três habilidades básicas, que podem ser identificadas como habilidades técnicas, humanas e conceituais. Habilidade técnica implica em compreensão e proficiência em uma área específica da administração, que envolva métodos, processos, procedimentos ou técnicas. Habilidade humana, é a capacidade do gestor/administrador atuar como um membro do grupo e construir um esforço cooperativo dentro da equipe que ele lidera. Habilidade conceitual, envolve a capacidade de ver a empresa como um todo, incluindo o reconhecimento de que as várias funções da organização dependem umas das outras e como as mudanças em qualquer parte afetam todas as outras, tendo conhecimento suficiente para entender a relação do negócio com a comunidade, as forças políticas, sociais e econômicas da nação como um todo. 4 - O gestor e o Administrador como líder Nesta seção, vocês estudaram que liderança é um elemento de destaque no contexto organizacional, tem ligação direta com questões de qualidade de produtos e serviços, influenciando no desempenho dos colaboradores e da organização. Que o líder é o profissional que procura respostas para as necessidades da empresa, dentro da cultura organizacional, nesse sentido pode-se dizer que cultura e liderança estão entrelaçadas formando a eficiência da organização. O gestor/administrado que atua como líder deve ter uma percepção de que a administração vai muito além de uma ciência com regras e normas, que inclui planejamento, medição e padronização. Deve ser também uma arte de inspirar pessoas e criar visões e ideias, seguindo assim os princípios da liderança. 19 5 - O Gestor/Administrador como agente de mudança Nesta seção, vocês estudaram que o papel do gestor/ administrador no processo de mudança é focado no indivíduo, na motivação dos funcionários, identificando os fatores que provocam absenteísmo e rotatividade, dessa forma promovendo a qualidade do ambiente de trabalho. O foco do gestor/administrador como agente de mudança está na mudança da estrutura organizacional de forma a melhorar a produção e a eficiência dos funcionários. O agente de mudança usa pesquisa operacional, sistemas de análise, estudos de política e outras formas de abordagens analíticas para mudar a estrutura ou a tecnologia da organização. 6 - A Dinâmica de Mudança, Clima e Cultura Organizacional Nesta seção, vocês estudaram que clima organizacional significa o compartilhamento entre os membros da organização, de eventos, políticas, práticas e procedimentos que vivenciam, assim como os comportamentos que vêm sendo recompensados, apoiados e esperados. O papel do clima organizacional tem como fundamento criar um ambiente de trabalho positivo para os funcionários desenvolverem suas atividades com eficiência. E o clima organizacional é fundamentado pela cultura organizacional, que está intimamente alinhada com os valores e crenças que se manifestam em quase todos os aspectos da vida organizacional e que a tornam uma organização única. A cultura tem elementos profundos que capturam as premissas centrais e os valores básicos que são difundidos em toda organização. Vale a pena assistir aos vídeos do Youtube: Gestão Minuto - Qual a diferença entre Gestor, Administrador e Gerente?: https://www.youtube.com/ watch?v=C8VeJQIRZH0 As 3 Habilidades do Administrador: Técnicas, Humanas e Conceituais: https://www.youtube.com/ watch?v=0XWz2gBBqKM Como ser um bom líder – 7 características de um líder: https://www.youtube.com/watch?v=J1oY0h4iQyE Gestão de Mudanças - Planejando a Mudança em 3 passos: https://www.youtube.com/watch?v=mxySQlcMzYc Clima organizacional X Cultura organizacional: https://www.youtube.com/watch?v=HJfDKsR_jV4 Vale a pena acessar minhas anotações