Prévia do material em texto
Atualização 2024: Ana Paula da Costa Marques Mpox | FICHA CATALOGRÁFICA 2 24-226629 CDD-614.4 NLM-WA-100 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Mpox [livro eletrônico] : uma abordagem geral para profissionais de saúde / coordenação Débora Dupas Gonçalves do Nascimento...[et al.]. -- 2. ed. -- Campo Grande, MS : Fiocruz Pantanal, 2024. PDF Vários autores. Outros coordenadores: Marilia Santini de Oliveira, Ana Paula da Costa Marques, Sílvia Helena Mendonça de Moraes. Vários colaboradores. Bibliografia. ISBN 978-85-66909-55-5 1. Doenças - Prevenção 2. Educação em saúde 3. Epidemiologia 4. Mpox (Vírus) 5. Saúde pública 6. Vacinação 7. Vigilância sanitária I. Nascimento, Débora Dupas Gonçalves do. II. Oliveira, Marilia Santini de. III. Moraes, Sílvia Helena Mendonça de. Índices para catálogo sistemático: 1. Epidemiologia : Saúde pública 614.4 Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129 Mpox | FICHA TÉCNICA 3 © 2024. Ministério da Saúde. Sistema Universidade Aberta do SUS. Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul. Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, disseminação e utilização dessa obra, em parte ou em sua totalidade, nos Termos de uso do ARES. Deve ser citada a fonte e é vedada sua utilização comercial. Ministério da Saúde Nísia Trindade Lima Ministra da Saúde Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente Ethel Leonor Noia Maciel Secretária Departamento de Doenças Transmissíveis Alda Maria da Cruz Diretora Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz Mário Santos Moreira Presidente Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul – Fiocruz MS Jislaine de Fátima Guilhermino Coordenadora Coordenação de Educação da Fiocruz MS Débora Dupas Gonçalves do Nascimento Vice-coordenadora de Educação Secretaria-Executiva da Universidade Aberta do SUS – UNA-SUS Maria Fabiana Damásio Passos Secretária-executiva Fundação Oswaldo Cruz Mato Grosso do Sul (Fiocruz MS) Rua Gabriel Abrão, 92 – Jardim das Nações, Campo Grande/MS CEP 79081-746 Telefone: (67) 3346-7220 E-mail: educacao.ms@fiocruz.br Site: www.matogrossodosul.fiocruz.br CRÉDITOS Coordenação Geral Débora Dupas Gonçalves do Nascimento Marilia Santini de Oliveira Coordenadoras Acadêmicas Ana Paula da Costa Marques Marilia Santini de Oliveira Coordenadora Pedagógica Geral Sílvia Helena Mendonça de Moraes Autores Ana Paula da Costa Marques Antonio Luiz Dal Bello Gasparoto Carlos Henrique Michiles Frank Douglas Oliveira Carmo Lima Helena Lima da Silva Neta James Venturini Lucimeire Neris Sevilha da Silva Campos Magda Machado Saraiva Marcio Irita Haro Maria de Lourdes Aguiar Oliveira Marilia Santini de Oliveira Mayara Secco Torres da Silva Nathalie Alves Agripino Olavo de Moura Fontoura Rivaldo Venâncio da Cunha Autores das questões de avaliação Everton Ferreira Lemos Zoraida del Carmen Fernandez Grillo Revisoras técnico-científicas Carolina Vaccari Simaan Daniela Buosi Rohlfs Débora Dutra Emanuelle Carvalho Brasil de Albuquerque Jackeline Leite Pereira Pavin Josiane Graziele Costa Laíza Foizer Filgueira Rosany Ferreira Rios Fonseca Sabrina Silva Lima Apoio técnico-administrativo Adriana Carvalho dos Santos Davyd Darlan Gomes de Oliveiria Coordenador de Produção e Designer Instrucional Marcos Paulo dos Santos de Souza Gerenciamento de redes e websites Bruno Caramalach Lopes Thiago Fernandes Oliveira Webdesigner e Desenvolvedor Aparício Fermiano Designers Gráficos Hélder Rafael Regina Nunes Dias Renato Silva Garcia Desenvolvedores AVA MOODLE Luiz Gustavo de Costa Vinicius Vicente Soares Editor de Audiovisual Adilson Santério da Silva Ilustrador Kelvin Rodrigues de Oliveira Revisor Davi Bagnatori Tavares Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 44 UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox ___________________________ 7 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE ____________________ 8 1.1 HISTÓRICO DA DOENÇA NO MUNDO E NO BRASIL ______________ 9 1.1.1 Definição da doença e formas de transmissão _______________ 9 1.1.2 Dados epidemiológicos no mundo e no Brasil _______________ 11 1.2 AGENTE ETIOLÓGICO __________________________________ 15 1.2.1 Características gerais do vírus _________________________ 15 1.2.2 Subtipos e clados existentes no mundo e linhagens encontradas no Brasil __________________________________ 17 1.2.3 Interface humanos-animais-meio ambiente _______________ 19 1.2.4 Grupos vulneráveis e população-chave ___________________ 21 REFERÊNCIAS __________________________________________ 23 UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA ____________________ 25 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE _____________________ 26 2.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA Mpox ________________________ 28 2.2 DIAGNÓSTICO CLÍNICO DIFERENCIAL DAS LESÕES ______________ 34 2.3 FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À INFECÇÃO PELO MPXV _________ 36 2.4 TRATAMENTO E ABORDAGEM TERAPÊUTICA __________________ 37 2.4.1 Manejo sintomático ________________________________ 37 2.4.2 Terapias antivirais_________________________________ 37 2.5 CONTROLE DE TRANSMISSÃO DO MPXV _____________________40 2.6 VACINAS E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO NÃO FARMACOLÓGICAS ____ 41 REFERÊNCIAS __________________________________________ 43 SUMÁRIO Mpox | SUMÁRIO 5 UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA _______________________________________________ 45 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE ___________________________________________________ 46 3.1 IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO ESPECÍFICO PARA ASSISTÊNCIA E VIGILÂNCIA EM SAÚDE __________________ 47 3.2 AMOSTRAS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DE Mpox ________________________________________ 48 3.2.1 Coleta de amostras _______________________________________________________________ 48 3.2.2 Armazenamento de amostras ________________________________________________________ 49 3.2.3 Embalagem, acondicionamento e transporte de amostras ____________________________________ 49 3.3 MÉTODOS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL _______________________________________________ 50 3.3.1 Métodos utilizados para diagnóstico específico ____________________________________________ 50 3.3.2 Fluxo para diagnóstico laboratorial e laboratórios de referência no Brasil __________________________ 50 3.3.3 Kits e insumos laboratoriais _________________________________________________________ 52 REFERÊNCIAS _________________________________________________________________________ 53 UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS _____________________________________________ 54 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE ___________________________________________________ 55 4.1 NOTIFICAÇÃO DOS CASOS DE Mpox _______________________________________________________ 57 4.1.1 Definições de caso ________________________________________________________________ 57 4.1.2 Algoritmo de classificação e orientações para preenchimento da ficha de notificação __________________ 59 4.1.2.1 Algoritmo de classificação __________________________________________________________ 59 4.1.2.2 Ficha de notificação _____________________________________________________________ 60 4.1.2.3 Classificação dos casos e orientação da vigilância _________________________________________ 61 4.2 RASTREAMENTO DE CONTATOS __________________________________________________________ 62 4.3 MONITORAMENTO DE CASOS E CONTATOS __________________________________________________ 64 Mpox | SUMÁRIO 6 4.4 BLOQUEIO NA CADEIA DE TRANSMISSÃO ____________________________________________________ 65 4.5 VACINAÇÃO E PRIORIDADES: EVIDÊNCIAS NO MUNDO ___________________________________________ 66 REFERÊNCIAS _________________________________________________________________________ 70 UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS _________________________________ 72 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE ___________________________________________________cativeiro potencialmente infectados com MPXV devem ser isolados de ou- tros animais e colocados em quaren- tena. Qualquer animal que possa ter tido contato com um animal infecta- do deve ser colocado em quarentena, manuseado obedecendo-se as pre- cauções-padrão e observado quanto aos sintomas da Mpox por 30 dias. 2.5 CONTROLE DE TRANSMISSÃO DO MPXV Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 4141 A primeira vacina contra a varíola foi descoberta por Edward Jenner, em 1796, que sistematizou os conhecimen- tos empíricos para prevenir a varíola. Ele observou pessoas que ordenhavam vacas doentes – que tinham pústulas formadas pelo vírus Vaccinia nas te- tas – e, mesmo com esse contato, não adoeciam. A vacina contra a varíola chegou ao Brasil em 1804 por iniciativa do Barão de Barbacena. Anos mais tarde, percebeu-se que a imunidade gerada pela vacina de Jenner era perdida. Com isso, surgiram novas discussões e experimentos, que levaram à mudança de técnica de pro- dução da vacina, iniciando-se a era da vacina animal. Mesmo com a compro- vação da eficácia da nova técnica, a vacina animal demorou mais de duas décadas para sair da Europa e chegar ao Brasil, o que aconteceu em 1887. Nesse mesmo ano, houve uma epide- mia de varíola no Rio de Janeiro. O médico Pedro Affonso Franco, diretor da Santa Casa de Misericórdia, rece- beu do Instituto Chambon de Paris amostra da vacina animal, que foi usa- da para produção de vacinas no Brasil. Na Santa Casa, foi montado o serviço de vacinação e oferta da vacina no Rio de Janeiro (FERNADES et al. 2022). Em 1966, foi instituída a Campanha de Erradicação da Varíola, como parte do Programa Mundial de Erradicação da Varíola da OMS. A campanha obteve êxito e, em 1980, foi declarada a erra- dicação mundial da varíola, após longo processo de certificação da interrup- ção da transmissão da varíola de pes- soa para pessoa (HERNDERSON, 1980). Com a erradicação da varíola no Bra- sil e no mundo, foi estabelecido no país que a vacinação contra a varíola não seria mais obrigatória. Desde então, o Brasil não tem reserva estratégica dos imunobiológicos mais antigos contra a varíola. Assim, no atual surto de Mpox no Bra- sil e no mundo, iniciado em maio de 2022, o suprimento de vacinas mais recentes é limitado e as estratégias de acesso estão em discussão. Portanto, a OMS recomenda que a utilização das vacinas leve em consideração o atual cenário e as evidências. Os orthopoxvirus têm alta similaridade entre si, portanto as vacinas produzi- das com vírus Vaccinia geram imunida- de contra a varíola humana e a Mpox. Os conhecimentos sobre a eficácia desses imunizantes contra a Mpox 2.6 VACINAS E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO NÃO FARMACOLÓ- GICAS 42 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA ainda são bastante restritos, por isso a OMS solicita que os países coletem e compartilhem dados sobre a eficácia das vacinas. Atualmente, somente três vacinas (MVA-BN, ACAM2000 e LC16) estão disponíveis para uso no mundo, por demonstrarem eficácia para proteção cruzada contra o MPXV (FERDOUS et al. 2023). Destaca-se que a vacinação em massa contra a Mpox não é reco- mendada pela OMS. A orientação da OMS é de que sejam adotadas estra- tégias robustas de vigilância e moni- toramento dos casos e investigação e rastreamento de pessoas que tenham tido contato com a doença como prin- cipais medidas de prevenção da disse- minação da doença. Agora vamos conhecer um pouco mais as 3 vacinas existentes (WHO, 2022): MVA-BN: é uma vacina baseada em um Orthopoxvirus não replicante de terceira geração atenuado e vivo, o Vaccinia Ankara Modificado (MVA). A Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos da América (EUA), autorizou o uso emergencial dessa va- cina nos EUA para prevenção da Mpox em indivíduos com 18 anos ou mais de idade com elevado risco de infec- ção. Ela é administrada em duas do- ses, com quatro semanas de intervalo, por via subcutânea ou intradérmica e pode ser aplicada em indivíduos imu- nocomprometidos e gestantes. Fabri- cada pela empresa dinamarquesa Ba- varian Nordic, recebe nomes diferentes de acordo com o local em que é dis- tribuída, sendo chamada de Jynneos nos EUA, Imvamune no Canadá e Im- vanex na União Europeia (PITTMAN et al. 2019). ACAM2000: é uma vacina de segunda geração indicada para a prevenção da varíola. Foi autorizada para uso contra a varíola no surto atual por protocolo de Novo Medicamento Investigacio- nal de Acesso Expandido (EA-IND), que requer consentimento do usuário. Fa- bricada pela Emergent BioSolutions, a vacina ACAM2000 contém um vírus Vaccinia vivo replicante. A LC16 “KMB”: é uma vacina liofiliza- da, de terceira geração, preparada em cultura de células LC16 “KMB”, apro- vada para prevenção de varíola, e seu titular de autorização para comerciali- zação é a KM Biologics Co., Ltd. FIQUE ATENTO! Cabe destacar que os programas de vacinação devem ser acompanha- dos por uma forte campanha de informação, farmacovigilância robusta e realização de estudos de efetividade da vacina. Hoje, o fornecimento da vacina é limitado e, nesse contexto, as doses devem ser priorizadas para pessoas com elevado risco de doença grave causada pela infecção por MPXV. Mais detalhes sobre as priorida- des e estratégias de vacinação serão abordadas na unidade 4. Outras estratégias não farmacológicas de prevenção e não transmissão do ví- rus incluem o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e medidas comportamentais, como isolamento domiciliar, evitar contato íntimo com indivíduos com lesões suspeitas ou confirmadas de Mpox, reduzir a prá- tica de sexo com múltiplos parceiros e aplicar os devidos cuidados ao fre- quentar eventos de massa. Mais deta- lhes sobre estratégias de prevenção e cuidado serão abordados nas unida- des 4 e 5. https://www.fda.gov/vaccines-blood-biologics/vaccines/key-facts-about-monkeypox-vaccine https://www.fda.gov/vaccines-blood-biologics/vaccines/key-facts-about-monkeypox-vaccine https://www.fda.gov/vaccines-blood-biologics/vaccines/key-facts-about-monkeypox-vaccine Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 4343 ALI, S. N. et al. Monkeypox Skin Le- sion Detection Using Deep Learning Models: A Feasibility Study. arXiv, 2207.03342v1, 6 jul. 2022. Disponível em: https://arxiv.org/pdf/2207.03342. pdf. Acesso em: 30 dez. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Contingência Nacional para Monke- ypox. Centro de Operações de Emer- gência em Saúde Pública: COE Monke- ypox. Versão 2, 2022. Brasília, 2022. BRASIL. Brasil recebe primeiros trata- mentos contra varíola dos macacos. Disponível em: . Acesso em: 30 dez. 2022. CASH-GOLDWASSER S, et al. Ocular Monkeypox - United States, July-Sep- tember 2022. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2022; 71:1343. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Mpox in the U.S. Dispo- nível em: . Acesso em: 30 dez. 2022. CURITIBA. Secretaria Municipal da Saúde. Atlas de diagnóstico diferen- cial de lesões de monkeypox. 2022. v. 1. Disponível em: https://www.crm- pr.org.br/uploadAddress/Atlas-le- soes-MONKEYPOX-e-DX-DIFEREN- CIAL-30.06.2022[5388].pdf. Acesso em: 13 nov. 2022. DIMITRAKOFF, J. Monkeypox Virus In- fection across 16 Countries - April-Ju- ne 2022. The New England Journal of Medicine, v. 387, n. 25, p. e69, 22 dez. 2022. DOGRA, S. et al. Monkeypox: a new global health emergency with pre- dominant dermatological manifesta- tions. International Journal of Derma- tology, v. 62, n. 1, p. 3–11, jan. 2023. FERDOUS, J. et al. A review on monke- ypox virus outbreak: New challenge for world. Health Science Reports, v. 6, n. 1, p. e1007, jan. 2023. FERNANDES, Tania. The small pox vac- cine: its first century in Brazil (from the Jennerian to theanimal vaccine). Hist. Cien. Saude-Manguinhos., vol. 6, n. 1, Jun. 1999. Disponível em: https://www. scielo.br/j/hcsm/a/ync9ZfnBHqqjgr- MGpMGYj3m/?lang=pt#. Acesso em: 13 nov. 2022. FRENOIS-VEYRAT, G. et al. Tecovirimat is effective against human monkeypox virus in vitro at nanomolar concentra- REFERÊNCIAS https://www.uptodate.com/contents/treatment-and-prevention-of-mpox-monkeypox/abstract/28 https://www.uptodate.com/contents/treatment-and-prevention-of-mpox-monkeypox/abstract/28 https://www.uptodate.com/contents/treatment-and-prevention-of-mpox-monkeypox/abstract/28 https://www.uptodate.com/contents/treatment-and-prevention-of-mpox-monkeypox/abstract/28 https://www.uptodate.com/contents/treatment-and-prevention-of-mpox-monkeypox/abstract/28 https://www.uptodate.com/contents/treatment-and-prevention-of-mpox-monkeypox/abstract/28 https://www.uptodate.com/contents/treatment-and-prevention-of-mpox-monkeypox/abstract/28 44 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA tions. Nature Microbiology, v. 7, n. 12, p. 1951–1955, dez. 2022. HENDERSON, D.A. Uma vitória para toda a humanidade. A saúde do Mundo. Revista Oficial Ilustrada da Organiza- ção Mundial da Saúde. Maio. 1980. Dis- ponível em: https://apps.who.int/iris/ bitstream/handle/10665/202490/ WH-1980-May-p3-5-por.pdf. Acesso em: 15 maio 2022. KUMAR, A. M. et al. Monkeypox Outbre- ak, Vaccination, and Treatment Impli- cations for the Dermatologic Patient: Review and Interim Guidance from the Medical Dermatology Society. Journal of the American Academy of Derma- tology, p. S0190- 9622(22)02977–2, 14 dez. 2022. MILLER, M. J. et al. Severe Monkeypox in Hospitalized Patients — United Sta- tes, August 10–October 10, 2022. Mor- bidity and Mortality Weekly Report, v. 71, n. 44, p. 1412-1417, nov. 2022. OAKLEY LP, et al “Mpox cases among cisgender women and pregnant per- sons -- United States, May 11-No- vember 7, 2022” MMWR 2023; DOI: 10.15585/mmwr.mm7201a2. PASCOM, A.R.P. et al. Características epidemiológicas e clínicas dos casos de monkeypox no Brasil em 2022: estudo transversal. Epidemiologia e Servi- ços de Saúde, Brasília, 31(3):e2022851, 2022 PITTMAN, P. R. et al. Phase 3 Efficacy Trial of Modified Vaccinia Ankara as a Vaccine against Smallpox. New En- gland Journal of Medicine, v. 381, n. 20, p. 1897–1908, 14 nov. 2019. REYNOLDS, M. G. et al. Spectrum of Infection and Risk Factors for Human Monkeypox, United States, 2003. Emerging Infectious Diseases, v. 13, n. 9, p. 1332–1339, set. 2007. RIMOIN, A. W. et al. Major increase in human monkeypox incidence 30 years after smallpox vaccination campaigns cease in the Democratic Republic of Congo. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 107, n. 37, p. 16262–16267, 14 set. 2010. RAMNARAYAN, P., et al. Neonatal monkeypox virus infection. N Engl J Med. DOI: 10.1056/NEJMc2210828 SILVA, M.S.T. et al. Ambulatory and hospitalized patients with suspected and confirmed Mpox: An observatio- nal cohort study from Brazil. The Lan- cet Regional Health - Americas 2022; : 100406. Published Online XXX. https:// doi.org/10. 1016/j.lana.2022. 100406 THORNHILL, J. P. et al. Monkeypox Vi- rus Infection in Humans across 16 Coun- tries — April–June 2022. New England Journal of Medicine, v. 387, n. 8, p. 679–691, 25 ago. 2022. TORRES, H. M. et al. Approaching Monkeypox: A Guide for Clinicians. Topics in Antiviral Medicine, v. 30, n. 4, p. 575-581, 1 out. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Monkeypox. Disponível em: . Acesso em: 4 set. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Vac- cines and immunization for monke- ypox, Interin guidance. 16 Nov. 2022. Disponível em: https://www.who. int/publications/i/item/WHO-MPX- -Immunization .Acesso em: 31 dez. 2022. World Healht Organization. WHO. Atlas of Mpox lesions. A tool for clinical rese- archers. Version 1.0. 2023. Acesso em: 05 set. 2024. Disponível em: https:// www.who.int/publications/i/item/ WHO-MPX-Clinical-Lesions-2023.1 World Healht Organization. WHO. We- ekly epidemiological record. 2024a. https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MPX-Clinical-Lesions-2023.1 https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MPX-Clinical-Lesions-2023.1 https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MPX-Clinical-Lesions-2023.1 45 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA n. 34, 2024, 99, p. 429-456. Acesso em: 04 set. 2024. Disponível em: ht- tps://iris.who.int/bitstream/hand- le/10665/378522/WER9934-eng-fre. pdf?sequence=1 World Healht Organization. WHO. Mpox Global strategic preparedness and response plan. 2024b. Acesso em: 05 set. 2024. Disponível em: https:// www.who.int/publications/m/item/ Mpox-global-strategic-preparedness- -and-response-plan https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/378522/WER9934-eng-fre.pdf?sequence=1 https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/378522/WER9934-eng-fre.pdf?sequence=1 https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/378522/WER9934-eng-fre.pdf?sequence=1 https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/378522/WER9934-eng-fre.pdf?sequence=1 https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 46 Mpox UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 4747 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE OBJETIVO GERAL: Esta Unidade tem como objetivo apresentar os aspectos diagnósticos da doença e sua importância para assistência e vigilância em saúde. Descreve as coletas de amostras e testes laboratoriais e os métodos adotados para o diagnóstico labo- ratorial, ressaltando os laboratórios de referência no Brasil e os fluxos adotados. Especifica ainda os kits e insumos laboratoriais. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM: • Reconhecer a importância do diagnóstico específico para assistência e vigilância em saúde; • Descrever amostras e testes laboratoriais; • Realizar coleta de amostras; • Identificar os Métodos para Diagnóstico laboratorial; • Conhecer os laboratórios de referência no Brasil; • Compreender o fluxo para o diagnóstico laboratorial; • Especificar os kits e insumos laboratoriais. CARGA HORÁRIA DE ESTUDO: 10 horas Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 4848 3.1 IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO ESPECÍFICO PARA ASSISTÊNCIA E VIGILÂNCIA EM SAÚDE Como vimos na unidade anterior, diag- nosticar e diferenciar a Mpox de outras doenças que causam erupções cutâ- neas, como varicela, herpes, sífilis e outras, é uma tarefa desafiadora, mas imprescindível. Do ponto de vista assistencial, pacien- tes com diagnóstico confirmado ou sob suspeita devem ser isolados e receber orientações sobre medidas de preven- ção para evitar a transmissão do vírus. No ambiente domiciliar, as medidas recomendadas são: utilizar máscaras e higienizar frequentemente as mãos; não compartilhar objetos de uso pes- soal e utensílios de alimentação; usar banheiro separado, se houver pelo me- nos dois na residência; e desinfetar as superfícies. Já todos os membros da equipe envolvida na assistência devem usar equipamentos de proteção indivi- dual e, se possível, ser vacinados. Muitas outras ações de vigilância em saúde são demandadas quando há um caso suspeito. Veremos essas ações mais detalhadamente na próxima uni- dade. De qualquer modo, todas elas se iniciam com a suspeita de um caso de Mpox, que deve ser notificado. Esse caso suspeito será confirmado ou não por meio de um exame diagnóstico la- boratorial específico. Dessa forma, o diagnóstico rápido e preciso desempenha um papel funda- mental dentro das ações de vigilância em saúde e no controle de surtos. FIQUE ATENTO! Váriosfatores podem in- terferir no resultado de um exame. Para que o exame tenha resultado confiável, além do teste laboratorial ser o mais ade- quado, a amostra deve ser coleta- da da maneira correta, armazena- da e transportada até o laboratório que a irá processar, de acordo com as normas técnicas vigentes. Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 4949 Você sabe quais são as amostras e como elas devem ser coletadas para um diag- nóstico preciso e confiável? As amostras mais adequadas para diagnóstico da Mpox são secreções vesiculares seguidas das crostas das lesões de pele ou mucosas (Figura 1). Como critério de seleção, devemos fazer a coleta das lesões que forem maiores e estiverem com maior quan- tidade de secreção. 3.2.1 COLETA DE AMOS- TRAS A coleta das secreções das vesículas deve ser realizada por meio de swabs estéreis de nylon, poliéster, Dacron ou Rayon. Deve-se realizar esfregaço for- te e intenso sobre a lesão. É recomen- dado fazer a coleta de pelo menos duas lesões por paciente utilizando swabs diferentes para cada amostra e armazenar todos os swabs do pacien- te num mesmo tubo seco. Os poxvirus mantêm-se estáveis na ausência de qualquer meio preservante, por isso utilize tubos secos. FIQUE ATENTO! De acordo com a Or- ganização Mundial da Saúde (OMS) não é re- comendado romper as lesões com instrumentos perfurocortan- tes devido ao risco de acidentes com as secreções infectantes. Figura 1 – Imagens ilustrativas de lesões de Mpox em estágios diferentes Quando a amostra for proveniente de crostas das lesões, recomenda-se co- letar no mínimo quatro amostras por paciente (quando possível) e armaze- nar todas em um mesmo tubo seco. 3.2 AMOSTRAS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DE Mpox Fonte: Ali et al. (2022) Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 50 Se o paciente relatar sintomas de in- cômodo na região anal como dor local contínua ou para evacuar (tenesmo), e/ou uretral, como dor ou ardor para urinar, deve-se coletar swab anal e/ou uretral. Para essas coletas, um swab es- téril de nylon, poliéster ou Dacron deve ser delicadamente introduzido no ânus ou na uretra e girado 360 graus para um lado e depois para o outro. Após a coleta, os mesmos procedimentos des- critos anteriormente, para colocação em tubo seco, devem ser seguidos. Orientação: Se o paciente apresentar os dois tipos de lesão, vesícula com secre- ção e vesícula com crosta, devem-se coletar amostras de ambas em tubos secos separados devidamente identificados seguindo-se as orientações anteriores. Na situação de suspeita decorrente de contato com caso confirmado, se a pessoa apresentar quadro febril e ade- nomegalia, ainda que não manifeste erupções cutâneas ou lesões nas mu- cosas, deve-se coletar swab de orofa- ringe/nasofaringe, perianal e genital seguindo-se as mesmas orientações para coleta de material vesicular. FIQUE ATENTO! Durante a coleta de amostras para exames, é imprescindível que os profissionais de saúde usem os Equipamentos de Proteção In- dividual (EPI). Recomenda-se o uso de calçado fechado, avental descartável, máscara cirúrgica ou superior, óculos ou protetor fa- cial e luvas de procedimento. Assista ao vídeo sobre boas práticas para a coleta de amostras para o diagnóstico de Mpox do Ministério da Saú- de clicando no link. 3.2.2 ARMAZENAMENTO DE AMOSTRAS As amostras podem ser armazenadas congeladas a 200C negativos (ou tem- peraturas inferiores) por um mês ou, na ausência de freezers, por até 7 dias em geladeiras. 3.2.3 EMBALAGEM, ACONDICIONAMENTO E TRANSPORTE DE AMOS- TRAS A embalagem, o acondicionamento e o transporte das amostras devem se- guir a Resolução de Diretoria Colegia- da nº 504, de 27 de maio de 2021, que dispõe sobre as boas práticas para o transporte de material biológico hu- mano (BRASIL, 2021). O material biológico para diagnóstico de Mpox deverá ser classificado como “Categoria B UN 3373”, salvo casos es- pecificados na RDC nº 504. SAIBA MAIS Acesse o Protocolo Labo- ratorial de Orientações de coleta, armazena- mento, conservação e transporte para o diagnóstico de Mpox no sítio eletrônico. https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:v:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/ETGTI8fOcDZHi2Pe3iSq-4ABrg0m5Vj6S2ttgltope3Vcg?e=oDTZTV https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EVq_wWAigEdMs3Yc9rE9MsQB9yYyz1Kg3SKlE9x6FC1POw?e=RCLyJ1 Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 5151 3.3.1 MÉTODOS UTILI- ZADOS PARA DIAGNÓS- TICO ESPECÍFICO O método utilizado para diagnósti- co específico é o exame da reação em cadeia da polimerase em tempo- -real (qPCR), precedida pela etapa de extração do DNA viral exclusiva- mente de amostras de lesões de pele e de mucosas, conforme previamente apresentado. O resultado de qPCR em amostras de sangue geralmente é in- conclusivo devido à curta duração da viremia, por isso não deve ser realizado rotineiramente. Os métodos de detecção de antígenos e anticorpos não fornecem confirma- ção específica para MPXV, já que os ortopoxvírus são sorologicamente re- ativos. Portanto, os métodos sorológi- cos e a detecção de antígenos não de- vem ser utilizados isoladamente para o diagnóstico dos casos, apenas para fins de investigação epidemiológica. 3.3.2 FLUXO PARA DIAGNÓSTICO LABORA- TORIAL E LABORATÓ- RIOS DE REFERÊNCIA NO BRASIL As amostras clínicas coletadas nos serviços de saúde devem ser encami- nhadas para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) de cada es- tado, onde será realizada a detecção molecular do vírus por qPCR. Todos os 27 LACEN realizam o exame oferecen- do suporte e cobertura para todo o país. As amostras positivas para MPXV devem ser encaminhadas para os La- boratórios de Referências (LR) para a realização do sequenciamento genô- mico. Atualmente existem quinze LR realizando o exame no Brasil. É válido ressaltar a importância do se- quenciamento na identificação de cla- dos e subclados do vírus, além do mo- nitoramento do impacto potencial da evolução do vírus no desempenho dos exames de PCR. Eles também podem fornecer informações para melhorar o entendimento sobre as origens, epide- miologia e características do vírus. O compartilhamento das sequencias ge- 3.3 MÉTODOS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 52 nômicas pelos laboratórios e países em bancos de dados públicos, é incentiva- do pela OMS (WHO, 2024). A Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (RNLSP), coordenada pela Coordenação Geral de Labora- tórios de Saúde Pública (CGLAB), da SVS/MS, vem implementando ações específicas para fortalecer e ampliar a capacidade de resposta laboratorial para o processo de investigação dos casos suspeitos de Mpox, incluindo o diagnóstico laboratorial de MPXV nos 27 Lacen utilizando o protocolo valida- do pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos da América (CDC) e pela OMS. SAIBA MAIS Você pode conhecer um pouco mais sobre o pro- tocolo acessando o link. FIQUE ATENTO! A Portaria GM/MS nº 3.328/2022 (https://www. in.gov.br/en/web/dou/-/ portaria-gm/ms-n-3. 328-de-22-de-agosto- -de-2022-425012964) estabelece a obrigato- riedade de notificação ao MS de todos os resultados de testes de diagnóstico para detec- ção do MPXV realizados por la- boratórios da rede pública, rede privada, universitários e quais- quer outros, em todo o território nacional. Dessa forma, todos os laboratórios devem comunicar, em até 24 horas, os resultados dos testes de diagnóstico de MPXV, independentemente do resultado – detectado/positivo ou não detec- tado/negativo, além de informar a técnica diagnóstica utilizada. 3.3.3 KITS E INSUMOS LABORATORIAIS Em maio de 2022, quando os casos de Mpox do surto atual começaram a ser descritos em diversos países do mun- do, não haviam kits comerciais para o diagnóstico molecular do vírus. Logo em seguida, algumas indústrias no mundodesenvolveram e disponibili- zaram esses kits, inclusive BioMangui- nhos, unidade da Fiocruz localizada no Rio de Janeiro. Veja a seguir, na video- aula da Dra Patrícia Alvarez Baptista, che- fe do Laboratório de Tecnologia Diagnósti- ca de Bio-Manguinhos/Fiocruz, como esse processo aconteceu. https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:v:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/ESoMDjrVVI5EmvUx0wUrZhYBEzwoceXzXvOgHBvxYd2npA?e=VfsNaF https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.328-de-22-de-agosto-de-2022-425012964 https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/ESsUUkOGPslIlOqiaDGQmxkBmfGVZlcXB5bAzBjqOjb5FA?e=Izhsea https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EcHGPMThoWZLtj-DV9pUalwBiYIHG0416QYMfKstveUTEw?e=ZkUxrU https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.328-de-22-de-agosto-de-2022-425012964 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.328-de-22-de-agosto-de-2022-425012964 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.328-de-22-de-agosto-de-2022-425012964 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.328-de-22-de-agosto-de-2022-425012964 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-3.328-de-22-de-agosto-de-2022-425012964 Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 53 FIQUE ATENTO! O diagnóstico diferencial deve incluir várias doen- ças: varicela, herpes zos- ter, herpes simples, infec- ções bacterianas de pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancroide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso, rea- ções alérgicas, além de outras pos- síveis causas de erupções cutâneas papulares ou vesiculares. Lembre-se que há registros de coinfecção por MPXV e outros agentes infecciosos, por isso, pacientes com erupções cutâneas típicas devem ser investi- gados, mesmo que outros exames apresentem resultados positivos. Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 5454 REFERÊNCIAS ALI, S. N. et al. Monkeypox Skin Le- sion Detection Using Deep Learning Models: A Feasibility Study. arXiv, 2207.03342v1, 6 jul. 2022. Disponível em: https://arxiv.org/pdf/2207.03342. pdf. Acesso em: 30 dez. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Proto- colo Laboratorial de Orientações de coleta, armazenamento, conser- vação e transporte para o diagnós- tico de Monkeypox. 2022. 2022a. Disponível em: https://www.gov.br/ saude/pt-br/assuntos/variola-dos- -macacos/publicacoes/protocolos-1/ rotocolo-laboratorial-de-orientaco- es-de-coleta-armazenamento-con- servacao-e-transporte-de-amostras- -para-o-diagnostico-de-monkeypox. Acesso em: 14 nov. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Contingência Nacional para Monkey- pox. Centro de Operações de Emer- gência em Saúde Pública: COE Mon- keypox. Versão 2, 2022. Brasília, 2022b. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolu- ção RDC n. 504, de 27 de maio de 2021. Dispõe sobre as Boas Práticas para o transporte de material biológico hu- mano. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2021. Disponível em: https://bvsms. saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvi- sa/2020/rdc0508_27_05_2021.pdf. Acesso em: 14 nov. 2022. BRASIL, P. et.al. O que precisamos sa- ber sobre a infecção humana pelo vírus monkeypox? Cad. Saúde Pública. v. 9. 2022. DOI: 10.1590/0102-311XPT129222 BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância em Saúde e Ambiente. Centro de Ope- rações de Emergência Mpox. Diagnós- tico. 2024. Acesso em: 05 set. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/ saude/pt-br/composicao/svsa/coes/ monkeypox/diagnostico CURITIBA. Secretaria Municipal da Saúde. Atlas com imagens de diag- nósticos diferenciais para monkey- pox. v. 1. 2022. Disponível em: https:// www.crmpr.org.br/uploadAddress/ Atlas-lesoes-MONKEYPOX-e-DX-DI- FERENCIAL-30.06.2022[5388].pdf. Acesso em: 13 nov. 2022. Organização Panamericana de Saúde. OPAN. Diretrizes laboratoriais para triagem e diagnóstico da infecção por MPXV. 2024. Acesso em: 05 set. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/ pt/documentos/diretrizes-laborato- riais-para-triagem-e-diagnostico-da- -infeccao-por-mpxv-27-ago-2024 https://arxiv.org/pdf/2207.03342.pdf https://arxiv.org/pdf/2207.03342.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2020/rdc0508_27_05_2021.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2020/rdc0508_27_05_2021.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2020/rdc0508_27_05_2021.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/coes/monkeypox/diagnostico https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/coes/monkeypox/diagnostico https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/coes/monkeypox/diagnostico https://www.crmpr.org.br/uploadAddress/Atlas-lesoes-MONKEYPOX-e-DX-DIFERENCIAL-30.06.2022[5388].pdf https://www.crmpr.org.br/uploadAddress/Atlas-lesoes-MONKEYPOX-e-DX-DIFERENCIAL-30.06.2022[5388].pdf https://www.crmpr.org.br/uploadAddress/Atlas-lesoes-MONKEYPOX-e-DX-DIFERENCIAL-30.06.2022[5388].pdf https://www.crmpr.org.br/uploadAddress/Atlas-lesoes-MONKEYPOX-e-DX-DIFERENCIAL-30.06.2022[5388].pdf https://www.paho.org/pt/documentos/diretrizes-laboratoriais-para-triagem-e-diagnostico-da-infeccao-por-mpxv-27-ago-2024 https://www.paho.org/pt/documentos/diretrizes-laboratoriais-para-triagem-e-diagnostico-da-infeccao-por-mpxv-27-ago-2024 https://www.paho.org/pt/documentos/diretrizes-laboratoriais-para-triagem-e-diagnostico-da-infeccao-por-mpxv-27-ago-2024 https://www.paho.org/pt/documentos/diretrizes-laboratoriais-para-triagem-e-diagnostico-da-infeccao-por-mpxv-27-ago-2024 Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 55 Mpox UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 5656 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE OBJETIVO GERAL: Esta Unidade tem como objetivo apresentar a importância da notificação para a vigilância epidemiológica dos casos, o preenchimento correto da ficha de notifi- cação e o rastreamento e monitoramento de contatos. Discute ainda o bloqueio na cadeia de transmissão, a definição de prioridades e o uso de evidências nas imunizações com vacinas. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM: Notificar os casos suspeitos e confirmados; Preencher corretamente a ficha de notificação; Realizar o rastreamento e monitoramento de contatos; Estabelecer bloqueio na cadeia de transmissão; Discutir a vacinação e o uso de evidências, bem como a definição de prioridades nas imunizações com vacinas. CARGA HORÁRIA DE ESTUDO: 10 horas Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 57 Asações de vigilância são fundamen- tais tanto para o enfrentamento quan- to para a contenção da disseminação da Mpox. Se pensarmos nos objetivos e nas ações da vigilância, lembrare- mos dos seguintes fatores: identifica- ção rápida de casos para o isolamento e tratamento adequado do paciente; rastreamento de contatos com a fina- lidade de quebrar a cadeia de trans- missão; proteção dos profissionais de saúde expostos; identificação de pos- síveis grupos de riscos; e implementa- ção de medidas de controle eficientes e seguras. Vamos abordar agora, com mais de- talhes, a vigilância epidemiológica nos casos da Mpox. Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 5858 4.1 NOTIFICAÇÃO DOS CASOS DE Mpox Para falar sobre a notificação dos ca- sos de Mpox, vamos relembrar um con- ceito primordial, o de vigilância em saúde, definido na Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS) como: [...] o processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, análise de dados e disseminação de informações sobre eventos relacionados à saúde, visando o planejamento e a implementação de medidas de saúde pública, incluindo a regulação, intervenção e atuação em condicionantes e determinantes da saú- de, para a proteção e promoção da saú- de da população, prevenção e controle de riscos, agravos e doenças (BRASIL, 2018, p. 1). É importante que você conheça essa definição para que tenha sempre em mente o que norteia o processo de notificação dos casos de Mpox (assim como de outras doenças) nos serviços de saúde. Quando pensamos na coleta de dados relacionados a alguma doença de notificação compulsória, precisamos lembrar que a finalidade das notificações é coletar sistemática e continuamente dados sobre as pesso- as que estão adoecendo para produzir informações sobre os casos suspeitos e/ou confirmados. Essas informações podem ser úteis para conhecer o perfil da doença no território, compreender o cenário atual de casos e subsidiar to- madas de decisão da gestão. Dessa forma, o Ministério da Saúde (MS) estabeleceu, em 2014, a Lista Na- cional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saú- de Pública, publicada por meio de ato normativo que passa por atualização sempre que necessário. A Portaria GM/ MS nº 3.418/2022, inclui a Mpox na lista. Com o surgimento da nova cepa do cla- do Ib, que vem ampliando suas frontei- ras geográficas, o MS publicou a nota técnica conjunta nº29/2024 – DATHI/ SVSA/MS, que trata da recomendação para intensificação da vigilância de casos da doença, frente a nova varian- te do clado I. A notificação dos casos é realizada pelo sistema e-SUS Sinan (http://pla- taforma.saude.gov.br/esussinan/), de acesso exclusivo a profissionais da vi- gilância devidamente cadastrados. 4.1.1 DEFINIÇÕES DE CASO O MS preconiza que devem ser notifi- cados e investigados os indivíduos que atendam à definição de caso suspei- to, caso confirmado ou caso provável: http://plataforma.saude.gov.br/esussinan/ http://plataforma.saude.gov.br/esussinan/ Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 59 Mas você sabe como os casos de Mpox são definidos para poder realizar a notificação e investigação adequada? Definições de caso (BRASIL, 2022a): CASO SUSPEITO: indivíduo de qual- quer idade que apresente início súbi- to de lesão em mucosas E/OU erupção cutânea aguda sugestiva* de Mpox, única ou múltipla, em qualquer parte do corpo (incluindo região genital/pe- rianal, oral) E/OU proctite (por exem- plo, dor ou sangramento anorretal) E/ OU edema peniano, podendo estar as- sociada a outros sinais e sintomas. * lesões profundas e bem circunscritas, muitas vezes com umbilicação central; e progressão da lesão através de estágios sequenciais específicos - máculas, pápu- las, vesículas, pústulas e crostas. CASO CONFIRMADO: caso suspeito com resultado laboratorial “Positivo/ Detectável” para MPXV por diagnós- tico molecular (PCR em Tempo Real e/ ou Sequenciamento). CASO PROVÁVEL: caso que atende à definição de caso suspeito, que apre- senta um OU mais dos seguintes crité- rios listados abaixo, com investigação laboratorial de Mpox não realizada ou inconclusiva e cujo diagnóstico da doença não pode ser descartado ape- nas pela confirmação clínico-laborato- rial de outro diagnóstico. a) Exposição próxima e prolongada, sem proteção respiratória, OU con- tato físico direto, incluindo contato sexual, com parcerias múltiplas e/ou desconhecidas nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas; E/OU b) Exposição próxima e prolongada, sem proteção respiratória, OU história de contato íntimo, incluindo sexual, com caso provável ou confirmado de Mpox nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas; E/OU c) Contato com materiais contamina- dos, como roupas de cama e banho ou utensílios de uso comum, perten- centes a um caso provável ou confir- mado de Mpox nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas; E/OU d) Trabalhadores de saúde sem uso adequado de equipamentos de pro- teção individual (EPI)** com história de contato ou acidente profissional com material biológico para investi- gação de um caso provável ou con- firmado de Mpox nos 21 dias ante- riores ao início dos sinais e sintomas. ** óculos de proteção ou protetor facial, avental, máscara cirúrgica, luvas de pro- cedimentos. Para fins de vigilância e encerramen- to dos casos, a partir da investigação, a classificação do caso pode atender a outras definições preconizadas pelo MS: CASO DESCARTADO Caso suspeito com resultado laborato- rial “Negativo/Não Detectável” para MPXV por diagnóstico molecular (PCR em Tempo Real e/ou Sequenciamen- to) OU sem resultado laboratorial para MPXV E realizado diagnóstico com- plementar que descarta MPXV como a principal hipótese de diagnóstico. EXCLUSÃO Notificação que não atende às defini- ções de caso suspeito. PERDA DE SEGUIMENTO Caso que atenda à definição de caso suspeito e que atenda aos critérios lis- tados abaixo: a) Não tenha registro de vínculo epide- Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 60 miológico*; E b) Não realizou coleta de exame labora- torial OU realizou coleta de exame la- boratorial, mas a amostra foi inviável OU teve resultado inconclusivo; E c) Não tem oportunidade de nova co- leta de amostra laboratorial (30 dias após o início da apresentação de si- nais e sintomas). * Exposição próxima e prolongada, sem proteção respiratória, a caso provável ou confirmado de Mpox ou parcerias múlti- plas, nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas OU contato com mate- riais contaminados por caso provável ou confirmado de Mpox. Cabe ressaltar que as definições de Exclusão e de Perda de seguimento têm o objetivo de aprimorar o processo de análise dos dados e o encerramento dos casos já notificados, não sendo recomendado notificar um caso que atenda a uma dessas definições. 4.1.2 ALGORITMO DE CLASSIFICAÇÃO E ORIENTAÇÕES PARA PREENCHIMENTO DA FI- CHA DE NOTIFICAÇÃO 4.1.2.1 ALGORITMO DE CLASSIFI- CAÇÃO Para orientar a notificação dos casos da doença, o MS publicou, no Plano de Contingência Nacional para Mpox, o Algoritmo de Classificação (Figura 1). Assim, quando há suspeita de um caso, devem ser considerados os prin- cipais sinais e sintomas apresentados no quadro com a letra A, buscando responder à primeira pergunta: o caso apresenta sinais e/ou sintomas com- patíveis com Mpox? Se a resposta for negativa, o caso não deve ser notifi- cado, sendo importante compreender qual ou quais são as demais hipóteses diagnósticas para a melhor conduta. Em caso de resposta positiva, o caso atende à definição de caso suspeito e deve ser notificado. Concomitante- mente, é preciso seguir as instruções do quadro com a letra B. Figura 1 – Algoritmo de classificação e registro de caso de Mpox Fonte: adaptado do Plano de Contingência Nacional para Monkeypox (BRASIL, 2022). Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICADOS CASOS 61 4.1.2.2 FICHA DE NOTIFICAÇÃO Desde 19 de setembro de 2022, as notificações dos Agravos de Notifica- ção Compulsória são realizadas pela Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde do MS. Essa plataforma apresenta uma nova versão do Siste- ma de Informação de Agravos de No- tificação, denominada e-SUS Sinan, que contempla a notificação e inves- tigação de casos de doenças e agra- vos que constam na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, agravos e eventos de saúde pública. É uma importante ferramenta que auxi- lia o planejamento da saúde e define prioridades de intervenção, além de permitir que seja avaliado o impacto das ações realizadas pelos gestores (BRASIL, 2022b). Ao iniciar o preenchimento da ficha, os primeiros dados solicitados são as in- formações gerais sobre a notificação, como Unidade da Federação de noti- ficação, data e nome da Unidade de Saúde notificadora. Esses campos são obrigatórios, pois permitem a comuni- cação com os notificantes e ajudam a atualizar as informações relacionadas ao caso, sempre que necessário. Em seguida, são solicitados os dados sociodemográficos do paciente, como nome completo, data de nascimento, idade, sexo de nascimento, identidade de gênero, orientação sexual e outras informações específicas. A maior parte dessas informações é de preenchimento obrigatório, pois a ausência delas pode inviabilizar a comunicação sobre o caso. Portanto, é importante coletá-las antes de iniciar o processo de notificação. O próximo bloco da ficha coleta dados clínicos, laboratoriais e de exposição. Para preenchimento desses campos, tenha em mãos informações sobre: a presença de sinais e sintomas da do- ença, o histórico de vacinação contra varíola, a coleta de amostra laborato- rial, hospitalização e evolução do caso. É essencial ter em mãos também da- dos de possíveis exposições do caso: se houve exposição próxima e prolon- gada, sem proteção respiratória, com caso provável ou confirmado de Mpox; se houve contato físico direto, incluin- do sexual, com desconhecido/a(s) e ou parcerias múltiplas, nos 21 dias ante- riores ao início dos sinais e sintomas; se houve história de contato íntimo, in- cluindo sexual, com algum caso prová- vel ou confirmado de Mpox nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sinto- mas; se houve contato com materiais contaminados, como roupas de cama e banho ou utensílios de uso comum, pertencentes a caso provável ou con- firmado de Mpox nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas; se o pa- ciente é trabalhador de saúde que não fez uso adequado de EPI com história de contato com caso provável ou con- firmado de Mpox nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas. Além disso, a ficha também possibili- ta que o notificador informe a forma provável de transmissão. A ficha dis- ponibiliza uma lista de possibilidades, mas apenas uma pode ser seleciona- da: do animal para o homem; associa- do ao cuidado de saúde; transmissão em laboratório; contato com material contaminado; pessoa a pessoa; trans- missão via uso de drogas intraveno- sas e transfusão; transmissão vertical; transmissão sexual; outra transmissão; ou, ainda, transmissão desconhecida. Por fim, de forma não obrigatória, é possível informar se o caso tem víncu- lo epidemiológico com um caso confir- mado ou provável de Mpox. Todos esses dados auxiliam na elabo- ração de hipóteses e na busca de ca- deias de transmissão no processo de rastreamento de contatos. Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 62 Ao final da ficha, deve-se atribuir uma classificação final ao caso, consideran- do as informações ali inseridas, bem como a evolução do caso (óbito; cura; óbito por outra causa; ignorado). É importante que você saiba que, se na notificação inicial forem fornecidas apenas informações prévias sobre o caso e, após investigação epidemiológica, forem obtidas novas informações (como exposição, hospitalização ou óbito), de- ve-se atualizar a ficha de notificação para atualização dos dados. FIQUE ATENTO! A atualização das fichas de notificação só po- derá ocorrer enquanto elas estiverem no status “Inves- tigação em andamento”. Uma vez concluída a investigação, o status passa a “Encerrado”. SAIBA MAIS! Para conhecer as fi- chas de notificações de Mpox, bem como man- ter-se atualizado sobre o sistema e-SUS Sinan, acesse o endereço eletrônico. SAIBA MAIS! Nesse endereço eletrônico você encontrará também o dicionário de dados da no- tificação de Mpox, o ma- nual com as instruções do sistema, as legislações vigentes e o link de acesso para realizar a notificação. 4.1.2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS CA- SOS E ORIENTAÇÃO DA VIGILÂN- CIA Agora que você acessou a ficha de no- tificação de Mpox e conhece os dados que precisam ser fornecidos, precisa- mos voltar ao algoritmo criado e ofe- recido pelo MS para classificação dos casos e orientação da vigilância. Se o caso a ser notificado já tem co- leta de amostra laboratorial (quadro azul com o número 2 no algoritmo), a classificação dependerá do resultado: se pendente, segue como caso suspei- to; se detectável, é considerado caso confirmado; se não detectável, o caso é descartado. Casos confirmados de- vem seguir as orientações do quadro identificado com a letra C (Figura 1): reforçar isolamento por 21 dias ou até o desaparecimento das crostas; atu- alizar notificação do caso (se ele tiver sido notificado com classificação di- ferente); monitoramento dos sinais e sintomas; rastreamento de contatos; e reavaliação clínica. Se o caso for descartado, deve-se con- tinuar a investigação do quadro clíni- co para esclarecimento a respeito de diagnósticos complementares e, per- sistindo a suspeita de Mpox, o caso é considerado provável. Em caso de não existência de coleta de amostras, é im- portante considerar se o caso tem al- guma das exposições previstas na de- finição de caso provável. Se a resposta for sim para uma ou mais, esse caso é provável e permanecem as orientações do quadro C citadas acima. Lembre-se de que todos os casos de Mpox, confirmados ou não, devem ter investigação clínica e epidemiológica adequada para que as informações a serem produzidas com base nos dados disponibilizados na notificação sejam fidedignas e subsidiem a gestão da melhor maneira possível. Dessa forma, recomenda-se que todas as notifica- ções incompletas sejam atualizadas a partir da disponibilização de novas in- formações dos casos. http://plataforma.saude.gov.br/esussinan/ https://esussinan.saude.gov.br Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 6363 O rastreamento de contatos consiste na identificação imediata dos conta- tos próximos de casos definidos como suspeitos, prováveis e confirmados para Mpox. E você sabe por que é importante realizá-lo? O rastreamento de contatos é impor- tante para fins de contenção da disse- minação da doença, uma vez que pes- soas que tiveram contato próximo com pessoas que se enquadram em casos suspeitos, confirmados e prováveis correm o risco de desenvolver a doen- ça. Por isso o rastreamento de contatos deve ser sempre realizado. Mas quem pode ser considerado contato? A OMS considera contato de caso a pessoa que teve uma ou mais das in- terações, nos últimos 21 dias, descritas abaixo (WHO, 2022a): • Contato físico direto, incluindo con- tato sexual, com parcerias múltiplas e/ ou desconhecidas com caso provável ou confirmado de Mpox; E/OU • Exposição próxima e prolongada, sem proteção respiratória, OU históri- co de contato íntimo, incluindo sexual, com caso provável ou confirmado de Mpox; E/OU • Contato com materiais contamina- dos, como roupas de cama e banho ou utensílios de uso comum, pertencentes a um caso provável ou confirmado de Mpox; E/OU • Trabalhadores de saúde sem uso ade- quado de EPI com histórico de contato com caso provável ou confirmado de Mpox. São exemplos de contatos próximos para Mpox (BRASIL, 2022a): •PARCEIROS SEXUAIS: pessoas que tenham qualquer tipo de contato se- xual com o caso de Mpox desde o início dos sintomas, inclusive da fase prodrômica; • PESSOAS COM CONTATO DOMICI- LIAR COM CASO CONFIRMADO DE MPOX: pessoa(s) morando no mesmo domicílio ou ambiente semelhante (dor- mitório, alojamento etc.); pessoa(s) com- partilhando roupas, roupas de cama, utensílios etc. com o caso Mpox; cuida- dores do caso Mpox, desde o início de sua erupção (sinais e/ou sintomas). 4.2 RASTREAMENTO DE CONTATOS Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 64 • PROFISSIONAIS DE SAÚDE: os pro- fissionais de saúde que entraram em contato com o caso Mpox (lesões ou contato cara a cara prolongado (> 3 horas eFonte: adaptado de Centers for Disease Control and Prevention (2022a). https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/acip-recs/vacc-specific/smallpox.html Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 69 No Brasil, a Agência Nacional de Vigi- lância Sanitária (ANVISA) aprovou, em 25 de agosto de 2022, a dispensa de registro para que o MS importasse e utilizasse a vacina Jynneos (MVA-BN) para imunização contra a Mpox, em virtude da doença ter sido declarada uma emergência de saúde pública de importância internacional (ANVISA, 2022). Para fins de dispensa do regis- tro sanitário, em caráter excepcional e temporário, a Anvisa considera a apro- vação de uso do medicamento ou vaci- na por, pelo menos, uma das seguintes autoridades: • Organização Mundial da Saúde (OMS); • Agência Europeia de Medicamentos (EMA); • Administração de Alimentos e Medi- camentos dos Estados Unidos (FDA/ EUA); • Agência Reguladora de Medicamen- tos e Produtos de Saúde do Reino Uni- do (MHRA/UK); • Agência de Produtos Farmacêuticos e Equipamentos Médicos/Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar do Ja- pão (PMDA/MHLW/JP); ou • Agência Reguladora do Canadá (He- alth Canada). VAMOS RE- LEMBRAR!!! Uma emergência em saú- de pública caracteriza-se como uma situação epidemiológica (surtos e epidemias), de desastre ou de desassistência à população que demande o emprego urgente de medidas de prevenção, de controle e de contenção de riscos, de da- nos e de agravos à saúde pública. SAIBA MAIS! Você pode acessar as especificações da va- cina Jynneos no link. SAIBA MAIS! Sobre a aprovação e liberação da vacina Jyn- neos pela Anvisa no link. O Brasil adquiriu cerca de 50.000 do- ses dos imunobiológicos em 2022. En- tretanto, seguindo a orientação da OMS, uma vez que a vacinação em massa não é recomendada, a melhor opção é adotar estratégias robus- tas de vigilância (WHO, 2022b) dessa forma, a identificação dos grupos de maior risco de infecção poderá ser fei- ta, e é fundamental para tornar esses grupos prioritários para a vacinação. Assim, não será iniciada a vacinação em larga escala no Brasil e as estra- tégias de vacinação têm como objeti- vo principal a proteção dos indivíduos com maior risco de evolução para as formas graves da doença, dentro do atual cenário da transmissão do vírus observadas no país (BRASIL, 2023). De acordo com o Informe Técnico Ope- racional de Vacinação Contra a Mpox (BRASIL, 2023), poderão receber vaci- nação pré-exposição: pessoas vivendo com HIV/Aids, com idade igual ou su- perior a 18 anos e com contagem de linfócitos TCD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses; e profissionais de laboratório que trabalham direta- mente com Orthopoxvirus em labora- tórios de segurança nível 2 com idade entre 18 e 49 anos. Poderão receber vacinação pós exposição pessoas que tiveram exposição de alto ou médio risco com secreções e/ou fluidos corpo- rais de indivíduos suspeitos, prováveis ou confirmados para Mpox. https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EWwC3iBYPvFAgy-wffMP2DEBM85ChyU5470mCr1j3di8HA?e=3hxJtA https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-aprova-liberacao-de-vacina-para-monkeypox-para-uso-pelo-ministerio-da-saude Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 70 Fiquem atentos aos critérios de inclu- são e exclusão para a vacinação nas diferentes situações de exposição, bem como as descrições de risco acessando o Informe Técnico Operacional de Va- cinação Contra a Mpox e suas atuali- zações no endereço eletrônico: https:// www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/ variola-dos-macacos/publicacoes/ informativos/informe-tecnico-opera- cional-de-vacinacao-contra-a-Mpox/ view. Assim, considerando o cenário atual da Mpox no Brasil e o constante pro- cesso de atualização diante das ações de prevenção e vigilância dos casos, é muito importante que os profissionais da saúde se mantenham atualizados sobre as ações a serem desenvolvidas durante o surto da doença no país. Nesse sentido, o MS disponibiliza, em suas plataformas de comunicação, di- versos documentos que subsidiam o aprimoramento do conhecimento ne- cessário para a tomada de decisão do profissional. SAIBA MAIS! Saiba Mais sobre o Plano Global de Preparação e Resposta para Mpox da OMS acessando aqui https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/informativos/informe-tecnico-operacional-de-vacinacao-contra-a-mpox/view https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/informativos/informe-tecnico-operacional-de-vacinacao-contra-a-mpox/view https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/informativos/informe-tecnico-operacional-de-vacinacao-contra-a-mpox/view https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/informativos/informe-tecnico-operacional-de-vacinacao-contra-a-mpox/view https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/informativos/informe-tecnico-operacional-de-vacinacao-contra-a-mpox/view https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/informativos/informe-tecnico-operacional-de-vacinacao-contra-a-mpox/view https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 7171 REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂN- CIA SANITÁRIA. Extrato de Liberação da DICOL. Dispensa, em caráter ex- cepcional e temporário, do registro da vacina Jynneos / Imvanex, fabri- cada pela empresa Bavarian Nordic A/S. 25/08/2022. 2022c. Disponível em:https://www.gov.br/anvisa/pt-br/ composicao/diretoria-colegiada/reu- nioes-da-diretoria/extratos-dos-cir- cuitos-deliberativos-1/2022/extrato- -cd-863-2022-dispensa-de-registro- -nos-termos-da-rdc-747_2022200b- -sei_25351_9228002022_48.pdf/. Acesso em 25 dez. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Infor- me Técnico Operacional de Vacina- ção Contra a Mpox. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/ assuntos/variola-dos-macacos/publi- cacoes/informativos/informe-tecnico- -operacional-de-vacinacao-contra-a- -Mpox/view Acesso em: 20 mar. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Contingência Nacional para Monke- ypox. Centro de Operações de Emer- gência em Saúde Pública: COE Monke- ypox. 2022a. Versão 2. BRASIL. Ministério da Saúde. E-SUS SINAN – Plataforma Integrada de Vi- gilância em Saúde – Ministério da Saúde. 2022b. Disponível em: http:// plataforma.saude.gov.br/esussinan/. Acesso em: 31 dez. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº 588, de 12 de julho de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 ago. 2018. Disponível em: https://www.in. gov.br/materia/-/asset_publisher/Ku- jrw0TZC2Mb/content/id/36469447/ do1-2018-08-13-resolucao-n-588-de- 12-de-julho-de-2018-36469431. Aces- so em: 13 nov. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.271, de 6 de junho de 2014. Define a Lista Nacional de Notificação Com- pulsória de doenças, agravos e even- tos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional, nos termos do ane- xo, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2014. Disponível em: https://bvsms.sau- de.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/ prt1271_06_06_2014.html. Acesso em: 13 nov. 2022 BRASIL. Ministério da Saúde. Secreta- ria de Vigilância em Saúde e Ambiente Departamento de HIV/AIDS, Tubercu- lose, Hepatites Virais e Infecções Sexu- almente Transmissíveis NOTA TÉCNICA Nº 29/2024-.DATHI/SVSA/MS. 2024. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/extratos-dos-circuitos-deliberativos-1/2022/extrato-cd-863-2022-dispensa-de-registro-nos-termos-da-rdc-747_2022200b-sei_25351_9228002022_48.pdf/ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/extratos-dos-circuitos-deliberativos-1/2022/extrato-cd-863-2022-dispensa-de-registro-nos-termos-da-rdc-747_2022200b-sei_25351_9228002022_48.pdf/https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/extratos-dos-circuitos-deliberativos-1/2022/extrato-cd-863-2022-dispensa-de-registro-nos-termos-da-rdc-747_2022200b-sei_25351_9228002022_48.pdf/ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/extratos-dos-circuitos-deliberativos-1/2022/extrato-cd-863-2022-dispensa-de-registro-nos-termos-da-rdc-747_2022200b-sei_25351_9228002022_48.pdf/ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/extratos-dos-circuitos-deliberativos-1/2022/extrato-cd-863-2022-dispensa-de-registro-nos-termos-da-rdc-747_2022200b-sei_25351_9228002022_48.pdf/ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/extratos-dos-circuitos-deliberativos-1/2022/extrato-cd-863-2022-dispensa-de-registro-nos-termos-da-rdc-747_2022200b-sei_25351_9228002022_48.pdf/ https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/extratos-dos-circuitos-deliberativos-1/2022/extrato-cd-863-2022-dispensa-de-registro-nos-termos-da-rdc-747_2022200b-sei_25351_9228002022_48.pdf/ Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 72 Acesso em: 05 Set. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/ centrais-de-conteudo/publicacoes/ notas-tecnicas/2024/nota-tecnica- -no-29-2024-dathi-svsa-ms.pdf CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Monkeypox Vaccina- tion Basics. 2022. 2022a Disponível em: https://www.cdc.gov/poxvirus/ monkeypox/vaccines/vaccine-basics. html. Acesso em: 13 nov. 2022. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Isolation and preven- tion practices for people with monke- ypox. 2022. 2022b Disponível em: https://www.cdc.gov/poxvirus/monke- ypox/clinicians/isolation-procedures. html. Acesso em: 19 nov. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Sur- veillance, case investigation and con- tact tracing for Mpox (monkeypox). 22 dez. 2022. 2022a Disponível em: https://www.who.int/publications/i/ item/WHO-MPX-Surveillance-2022.4. Acesso em: 25 dez. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Vac- cines and immunization for monke- ypox. 16 vov. 2022. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/ item/WHO-MPX-Immunization. Aces- so em 30 dez. 2022. World Healht Organization. WHO. Mpox Global strategic preparedness and response plan. 2024. Acesso em: 05 set. 2024. Disponível em: https:// www.who.int/publications/m/item/ Mpox-global-strategic-preparedness- -and-response-plan https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-no-29-2024-dathi-svsa-ms.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-no-29-2024-dathi-svsa-ms.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-no-29-2024-dathi-svsa-ms.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-no-29-2024-dathi-svsa-ms.pdf https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/vaccines/vaccine-basics.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/vaccines/vaccine-basics.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/vaccines/vaccine-basics.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/clinicians/isolation-procedures.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/clinicians/isolation-procedures.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/clinicians/isolation-procedures.html https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MPX-Surveillance-2022.4 https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MPX-Surveillance-2022.4 https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MPX-Immunization https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MPX-Immunization https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan https://www.who.int/publications/m/item/mpox-global-strategic-preparedness-and-response-plan Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 73 Mpox UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 7474 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE OBJETIVO GERAL: Esta Unidade tem como objetivo apresentar a importância de se realizar orienta- ções para a população e grupos específicos, ressaltando o planejamento e execu- ção de estratégias de prevenção e cuidado. OBJETIVO DA APRENDIZAGEM: Planejar estratégias de prevenção e cuidado para a população em geral; Executar ações de prevenção e cuidado para a população em geral; Realizar orientações e cuidado para diversos públicos e locais: profissionais do sexo, trabalhador da saúde, eventos de massa e transporte público. CARGA HORÁRIA DE ESTUDO: 5 horas Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 7575 5.1 MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CUIDADO CONTRA A MPOX PARA A POPULAÇÃO GERAL Bom, agora que você já entendeu mais sobre a doença, como orientar as pes- soas a se protegerem da Mpox? Essa unidade contém informações que po- dem ser usadas para orientar diferen- tes grupos populacionais, escritas de forma a poderem ser usadas direta- mente na orientação de prevenção. Existem algumas medidas essen- ciais que podem ser adotadas para prevenir a infecção pelo MPXV (CDC, 2022): 1. Evite contato próximo, ou seja, con- tato pele com pele com pessoas que tenham lesão de pele suspeita ou confirmada de Mpox: a) Não encoste em erupção cutânea ou crostas; b) Não beije, abrace ou tenha con- tato sexual com pessoas que te- nham lesão de pele suspeita ou confirmada de Mpox: 2. Reduza o número de parceiros se- xuais enquanto o surto atual esti- ver ativo e a imunização não estiver amplamente disponível, sabendo que: a) A maior parte das infecções por MPXV foi transmitida por contato sexual; b) Os preservativos protegem de in- fecções sexualmente transmissíveis como HIV e sífilis, porém, quando utilizados de forma isolada, não impedem o contágio da Mpox; c) As lesões anais ou genitais são muito mais contagiosas que as secreções respiratórias. 3. Evite contato com objetos e su- perfícies que pessoas com Mpox utilizaram: a) Não compartilhe talheres, pratos ou copos; b) Evite contato com roupa de cama, toalha ou vestimentas. 4. Lave frequentemente as mãos: a) É fundamental higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%, principalmente antes de se alimentar e/ou tocar a face e depois de utilizar o sanitário. 5. Tenha cuidado! Ser vacinado contra varíola no passado não necessaria- mente garante imunidade contra a Mpox. Não confie na eventual imu- nização passada – mantenha os cui- dados hoje! Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 76 Pessoas que estão planejando ir a eventos sociais devem se preocupar com a Mpox? Caso esteja planejando ir a algum evento social, como festas/eventos (raves, casas noturnas ou festivais, por exemplo), é importante considerar o risco a que estará exposto durante o evento. A avaliação do risco deve le- var em consideração desde o número de pessoas até a distância e contato entre elas. Atente-se às orientações abaixo: • Festivais e concertos oferecem me- nos risco, pois os frequentadores es- tão com roupas que cobrem o corpo e no ambiente há espaço suficiente para que o contato pele com pele seja improvável. Lembre-se de que superfícies contaminadas também são potenciais fontes de transmis- são do vírus da Mpox. Lavar as mãos frequentemente e ter álcool em gel 70% ao alcance são formas de dimi- nuir o risco; • Raves, casas noturnas e outras fes- tas em que os frequentadores geral- mente usam menos roupas e o es- paço permite um contato pele com pele direto e recorrente oferecem mais risco. Esse tipo de evento exi- ge atenção maior! Apesar de encos- tar ou esbarrar em alguém ter baixo risco de transmissão, fique atento e evite tocar emalguém que apresen- te lesão suspeita de Mpox; • Espaços fechados como saunas, clu- bes e festas privadas em que ocor- rem relações sexuais com múltiplos parceiros oferecem mais risco de transmissão do MPXV. Vale lembrar que preservativos protegem con- tra o vírus do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, porém sua utilização de forma isolada NÃO PROTEGE da Mpox, uma vez que há o risco de transmissão pelo conta- to direto com secreções e lesões em outras partes do corpo, não protegi- das pelo preservativo. Mais adiante conheceremos os cuida- dos necessários para a organização e participação de eventos de massa e uso de transportes coletivos. Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 7777 Você sabe o que fazer caso perceba algum sinal ou apresente algum sin- toma suspeito de Mpox? Caso perceba sinais e sintomas suspei- tos de Mpox, como lesão de início sú- bito em mucosas ou erupção cutânea aguda sugestiva da doença (Figura 1) em qualquer parte do corpo, incluindo região genital, perianal e oral, e/ou si- nais de proctite (dor anorretal, sangra- mento pelo ânus etc.) e/ou edema no pênis (TARíN-VICENTE et al., 2022): PROCURE A UNIDADE DE SAÚDE MAIS PRÓXIMA DA SUA CASA PARA AVALIA- ÇÃO COM PROFISSIONAL DE SAÚDE! AO SE DESLOCAR, PROCURE SE PROTEGER E PROTEGER O PRÓXIMO: CUBRA AS LESÕES APAREN- TES E UTILIZE MÁSCARA SOBRE A BOCA E O NARIZ. Vale destacar que a Mpox também pode provocar sintomas como febre, calafrios, linfonodos inchados (ínguas), cansaço, dor muscular, dor nas costas, dor de cabeça, dor de garganta, con- gestão nasal e tosse. Esses sinais e sin- tomas podem variar. Alguns deles po- dem estar ou não presentes e aparecer antes ou depois das lesões na pele (WHO, 2022a). Fique atento: o aspecto das lesões também pode variar, con- forme a cor da pele (Figura 2). 5.2 ORIENTAÇÕES PARA PESSOAS COM SUSPEITA DA DOENÇA – DIRECIONAMENTO PARA PROCURA DOS SERVIÇOS DE SAÚDE Figura 1 – Lesão cutânea de Mpox em seus vários estágios: (a) vesícula pre- coce (diâmetro de 3 mm); (b) pequena pústula (2 mm); (c) pústula umbilicada (3-4mm); (d) lesão ulcerada (5 mm); (e) crosta de uma lesão; (f) crosta parcial- mente removida Fonte: Ali et al. (2022). Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 78 IMPORTANTE: Enquanto os sinais e sintomas que a pessoa está manifestando não forem descartados para Mpox , lembre-se de que é importante manter o isolamento domiciliar! Vale ressaltar que, além do isolamen- to, algumas medidas simples podem evitar transmissão para outras pessoas e/ou complicações: • Evite sair de casa. Agora é hora de se cuidar e evitar situações que possam aumentar o risco de transmissão; • Evite receber visitas. Elas, em breve, vão poder te ver normalmente. Vale esse esforço para proteger nossos entes queridos; • Evite contato com animais domésti- cos. Nossos pets são vulneráveis ao contágio da doença. Todo cuidado é de grande valor para a saúde deles; • Não tenha relações sexuais. O con- Figura 2 – Lesões de Mpox em diferentes cores de pele Fonte: Adler et al. (2022). AS LESÕES PODEM COÇAR E/OU SER DOLOROSAS. FIQUE ATENTO ÀS SUAS VARIAÇÕES. tato sexual tem se mostrado um grande risco para a transmissão da doença; • Não barbeie ou depile áreas com ferimentos. Independentemente da confirmação ou não da Mpox, quan- to menos mexer nas lesões, melhor. Um eventual ferimento no local da lesão pode dificultar o processo de cicatrização; • Evite usar lentes de contato. Tem-se observado um número importante de lesões oculares por Mpox, por- tanto não as utilize nesse momento! As lentes podem agravar uma even- tual lesão ocular pelo MPXV; • Não utilize adornos como pulseiras, relógios, anéis, alianças etc. Quan- to menos objetos com potencial de transmitir o vírus utilizarmos, melhor; • Não compartilhe roupas, talheres, roupas de cama, toalhas e demais utensílios de uso individual. Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 7979 Os serviços de saúde, incluindo os de assistência direta à população e os la- boratórios, são locais de especial inte- resse para a contenção da dissemina- ção da Mpox, por reunirem pacientes potencialmente com a doença e/ou amostras clínicas infectantes e popu- lação suscetível, sejam trabalhadores da saúde, sejam outros pacientes e acompanhantes presentes simultane- amente no mesmo local. As medidas de contenção adotadas pelos serviços de saúde objetivam tanto proteger a saúde dos trabalhadores quanto evitar a contaminação de outras pessoas e a disseminação da doença por novos in- fectados (TITANJI, et al., 2022). São considerados trabalhadores da saúde todos aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de saú- de, incluindo tanto os profissionais da saúde (por exemplo, enfermeiros, mé- dicos, maqueiros, biólogos, técnicos de enfermagem e de laboratório, nutri- cionistas, farmacêuticos, bioquímicos e fisioterapeutas) quanto aqueles que trabalham em estabelecimentos de saúde e que não prestam serviços dire- tos de assistência à saúde das pessoas (por exemplo, os que atuam na admi- nistração, recepção, segurança e servi- ços gerais) (BRASIL, 2020). 5.3 CONTENÇÃO DA DOENÇA EM SER- VIÇOS DE SAÚDE E ORIENTAÇÕES E CUIDADO PARA A SAÚDE DO TRA- BALHADOR DA SAÚDE As condições em que o atendimento é realizado podem constituir fatores determinantes para a ocorrência de Mpox nos trabalhadores que estão em contato direto com casos suspeitos ou confirmados, considerando que a do- ença é transmitida por contato com pacientes infectados, que podem estar presentes nos serviços de saúde. A Constituição Federal do Brasil, em seu capítulo II, artigo 70, determina que todos os serviços de saúde devem as- segurar, aos trabalhadores que atuam nos serviços, tanto empregados, como terceirizados e pertencentes a outra modalidade de vínculo, a adoção de medidas e mecanismos de proteção e promoção à saúde (BRASIL, 1988). 5.3.1 SITUAÇÕES E FATO- RES DE RISCO À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA SAÚDE Você já parou para pensar que o tra- balhador da saúde pode passar por diferentes situações de risco que fa- vorecem o contágio da Mpox? Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 80 Diversos fatores e situações podem determinar as chances de os traba- lhadores que atuam na área da saú- de adquirirem Mpox, entre eles: riscos relacionados aos procedimentos/ativi- dades que executam; duração da jor- nada de trabalho; quantidade de pa- cientes que atendem; uso inadequado de Equipamentos de Proteção Indivi- dual (EPI), o que abrange o processo de paramentação e desparamentação, a higienização inadequada das mãos, o descarte incorreto de resíduos sólidos e a desinfecção ou esterilização de equipamentos. É necessário investir na capacitação e na educação continuada desses tra- balhadores sobre aspectos de segu- rança e saúde relativos ao ambiente de trabalho, possibilitando que reali- zem suas atividades de modo a cuidar da sua saúde e da saúde dos outros. É preciso também garantir jornadas de trabalho e número de profissionais compatíveis com a demanda psíquica e física da função, além de adequado monitoramento e avaliação dos pro- cessos de trabalho. 5.3.2 MEDIDAS DE CON- TROLE, PREVENÇÃO E PROTEÇÃO À SAÚDE DOS TRABALHADORES DA SAÚDE As medidas de controle, prevenção e proteção aos trabalhadores que atu- am na área da Saúde incluem a dispo- nibilidade e o uso adequado dos EPIs e a adoção de medidas de engenharia e administrativas nos ambientes e pro- cessos de trabalho. Essas medidas devem orientar a iden- tificação e a intervenção nos fatores e situações de risco aos quais os tra- balhadores podem estar expostos du- rante a execução de suas atividades, visando eliminá-las ou controlá-las. Na maioria das situações, será necessária uma combinação dessas medidas para proteger os trabalhadores da exposi- ção ao Mpox. 5.3.2.1 EQUIPAMENTOS DE PRO- TEÇÃO INDIVIDUAL (EPIs) Os EPIs73 5.1 MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CUIDADO CONTRA A Mpox PARA A POPULAÇÃO GERAL _______________________ 74 5.2 ORIENTAÇÕES PARA PESSOAS COM SUSPEITA DA DOENÇA – DIRECIONAMENTO PARA PROCURA DOS SERVIÇOS DE SAÚDE ______________________________________________________________ 76 5.3 CONTENÇÃO DA DOENÇA EM SERVIÇOS DE SAÚDE E ORIENTAÇÕES E CUIDADO PARA A SAÚDE DO TRABALHADOR DA SAÚDE ______________________________________________________________ 78 5.3.1 Situações e fatores de risco à saúde dos trabalhadores da saúde ________________________________ 78 5.3.2 Medidas de Controle, Prevenção e Proteção à Saúde dos Trabalhadores da Saúde ____________________ 79 5.3.2.1 Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) ______________________________________________ 79 5.3.2.2.Medidas de Controle de Engenharia __________________________________________________ 80 5.3.2.3 Medidas de Controle Administrativo __________________________________________________ 81 5.3.2.4 Afastamento de trabalhadores de serviços de saúde e retorno às atividades _______________________ 82 5.4 ORIENTAÇÕES PARA PROFISSIONAIS DO SEXO ________________________________________________ 83 5.5 ORIENTAÇÕES PARA EVENTOS DE MASSA (EM) ________________________________________________ 84 5.5.1 Planejamento e responsabilidades na Organização de EM _____________________________________ 85 5.6 ORIENTAÇÕES PARA TRANSPORTE PÚBLICO __________________________________________________ 87 REFERÊNCIAS _________________________________________________________________________ 89 Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 7 Mpox UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 88 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE OBJETIVO GERAL: Esta Unidade tem como objetivo apresentar um breve histórico e panorama da doença no mundo e no Brasil, descrevendo o agente etiológico, as características do vírus e as formas de transmissão. Ressalta a importância da utilização de dados epidemiológicos para as ações de assistência e vigilância em saúde e o reconhe- cimento da interface humanos-animais-meio ambiente. Discute ainda os grupos vulneráveis e população-chave. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM: Compreender o histórico da doença e seu surgimento no mundo e no Brasil; Descrever as características do vírus e as formas de transmissão; Utilizar dados epidemiológicos no mundo e no Brasil; Compreender o agente etiológico e suas características gerais; Reconhecer a interface humanos-animais-meio ambiente; Identificar os grupos vulneráveis e população-chave. CARGA HORÁRIA DE ESTUDO: 10 horas Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 99 1.1 HISTÓRICO DA DOENÇA NO MUNDO E NO BRASIL 1.1.1 DEFINIÇÃO DA DO- ENÇA E FORMAS DE TRANSMISSÃO A Mpox é uma zoonose viral causada pelo Monkeypox virus (MPXV), da fa- mília Poxviridae, capaz de infectar di- ferentes espécies de mamíferos. É uma doença transmissível, autolimitada e caracterizada pelo surgimento de pús- tulas na pele dos indivíduos infectados (LUNA et al., 2022). Você já deve ter ouvido comentários associando a Mpox à varíola humana. Isso se deve ao fato de o agente etio- lógico das duas doenças, Monkeypox virus e Variola vírus (VARV – do inglês smallpox), pertencerem à mesma fa- mília, Poxviridae, causando doenças que se manifestam de forma seme- lhante clinicamente, embora a Mpox seja menos grave. Nas regiões endêmicas, a taxa de le- talidade (TL) varia de 3,6% a 10,6% e, em geral, tanto as manifestações da doença quanto a TL são piores nos pa- cientes imunossuprimidos, como os pa- cientes que vivem com o vírus da imu- nodeficiência humana (HIV) (BUNGE et al., 2022). O vírus pode ser transmitido: • Entre seres humanos, por: • Contato próximo com lesões cutâ- neas, secreções respiratórias ou ob- jetos recentemente contaminados; • Contato prolongado, face a face, com secreções respiratórias; • Via vertical (transplacentária ou contato próximo entre a mãe e o bebê durante e após o parto); • Contato sexual. • De animais infectados para outras espécies, incluindo humanos (contato direto com sangue, outros fluidos cor- porais e/ou lesões do animal infecta- do), e de humanos para animais. O MPXV foi identificado na década de 50, entretanto o primeiro caso em se- res humanos foi observado em 1970. Vale ressaltar que, embora a descober- ta do vírus tenha ocorrido em macacos em um laboratório dinamarquês em 1958, a Organização Mundial da Saú- de (OMS) considera inadequada a no- meação dada à doença, esclarecendo que a maioria dos animais suscetíveis a esse tipo de varíola são roedores, como ratos e cães-da-pradaria. 10 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox Em 28 de novembro de 2022, a OMS recomendou a mudança do nome da doença para Mpox, devido aos fortes estigmas e preconceitos observados durante a sua expansão no mundo. A substituição do nome acontecerá de forma gradual. No primeiro ano, ambos os nomes foram aceitos para que houvesse tempo para finalizar o processo de atualização da Classificação Internacional de Doenças (CID). O termo monkeypox deixará de ser utilizado, mas continuará sendo pesquisável no CID para fins históricos. Até 30 de novembro de 2022, o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus ainda não havia decidido pela mudança na nomenclatura do Monkeypox vírus. Nesse curso adotamos o novo nome (Mpox), mantendo o nome monkeypox e suas traduções para o português apenas no título para facilitar a busca e nos documentos incluídos na íntegra que foram produzidos antes da mudança de nomenclatura. Em 11 de maio de 2023, a Mpox deixou de ser considerada, pela OMS, uma Emergência em Saúde Pública Internacional. Contudo, é importante ressaltar que a doença ainda representa um desafio significativo a saúde pública que necessita de respostas enérgicas e robustas. Em 23 de junho de 2022, o Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional (2005) (RSI) da OMS se reuniu em Genebra para tratar sobre o surto multipaís de varíola. O Comitê recomendou ao Diretor-Geral da OMS que não declarasse esse surto como uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (ESPII), embora reconhecesse, por unanimidade, a natureza emergencial do evento e que controlar a propagação do surto iria requerer intensos esforços de resposta. Reforçou ainda que “o evento deve ser monitorado de perto e revisado após algumas semanas, assim que mais informações sobre as incógnitas atuais estiverem disponíveis, para determinar se ocorreram mudanças significativas que podem justificar uma reconsideração de seu conselho”. Apesar da opinião do Comitê, o diretor da OMS decidiu, em 23 de julho de 2022, declarar a monkeypox uma Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional (ESPII). 1958 1970 1970 - 1979 O vírus foi identificado em 1958, em duas colônias de macacos provenientes da África, e mantido para pesquisa na Dinamarca. 2018 - 2021 13 e 15/mai - 2022 23/jun - 2022 28/nov - 2022 Entre 2018 e 2021, casos relacionados a viagens para países endêmicos foram relatados em Israel (2018), Reino Unido (2018, 2019 e 2021), Singapura (2019) e EUA (2021). Praticamente todos os casos fora da África nesses anos foram relacionados a viagens para países africanos endêmicos ou à importação de animais silvestres capturados nas florestas africanas para venda como pets exóticos em outros países. Entre 13 e 15 de maio de 2022, o Reino Unido notificou 7 casos confirmados de monkeypox, sem vínculo com viagens a áreas endêmicas ou com contato com animais silvestres importados. Desde então, outros casos começaram a ser notificados em diversos países. A forma de entrada do vírus nesses países e os meios de disseminação ainda não estão identificados. O primeiro caso humano foi identificado em 1970 na República Democrática do Congo, na África. Desde então, apresenta-se como doença endêmica no continente africano, com poucos casos e baixa letalidade. Entre 1970 eadequados e usados correta- mente são importantes para assegurar a saúde dos trabalhadores que atuam na área da saúde e para minimizar os riscos de adoecimento por Mpox. VOCÊ SABIA? O acesso dos traba- lhadores aos EPIs em quantidade e qualidade adequadas é responsabilidade do empregador, seja público, seja pri- vado, em regime da CLT ou esta- tutário, assim como o treinamento adequado dos trabalhadores, a supervisão do uso adequado e a manutenção e reposição necessá- rias desses equipamentos segun- do o fabricante (BRASIL, 2022a). Os tipos de equipamento necessários para a prevenção de Mpox nos serviços de saúde estão relacionados às tarefas executadas, mas, de maneira geral, todos os EPIs devem ser: selecionados com base no risco biológico a que os trabalhadores estão expostos; regu- larizados pelos órgãos certificadores e pela Anvisa; usados adequadamente; higienizados e/ou descartados perio- dicamente, conforme recomendações técnicas; e inspecionados, reparados ou substituídos de acordo com instru- ções do fabricante (BRASIL, 2022b). Mpox | UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS 81 5.3.2.2.MEDIDAS DE CONTROLE DE ENGENHARIA A aplicação das medidas de contro- le de engenharia deve ser prioriza- da, pois essas medidas são essenciais para prevenir a propagação e reduzir a concentração de agentes infecciosos no ambiente de trabalho, minimizar o número de áreas contaminadas pelo MPXV e diminuir o número de traba- lhadores expostos. Destacamos a se- guir algumas dessas medidas (BRASIL, 2020): • Definição e instalação de espaços de acolhimento, triagem e isola- mento que possibilitem a identifi- cação de pacientes com suspeita de Mpox em área separada dos demais pacientes, antes ou imediatamente após a chegada ao estabelecimento de saúde até haver o atendimento ou o encaminhamento ao serviço de referência (se necessário), limitando a movimentação desses pacientes à área de isolamento; • Manutenção de ambiente adequa- do para a higienização das mãos. Esse ambiente precisa ter: lavatório/ pia com dispensador de sabonete lí- quido; suporte para papel toalha e papel toalha; lixeira com tampa e abertura sem contato manual para uso dos pacientes e seus acompa- nhantes, tanto na recepção quanto No geral, os EPIs a serem utilizados são: em outros pontos dentro do serviço, minimizando o possível contato com outros pacientes e evitando a sua circulação pelos serviços de saúde; • Instalação de dispensadores de ál- cool para a higiene das mãos (sob as formas gel ou solução a 70%) nas salas de espera e em outras áreas com circulação de pacientes suspei- tos ou confirmados; • Fornecimento de máscara cirúrgi- ca, e aventais/luvas que cubram as áreas com lesões aos pacientes com suspeita de Mpox logo na chegada ao serviço de saúde; • Adoção de coberturas protetoras, que devem ser utilizadas em macas, cadeiras e outros objetos, incluindo as de filme plástico ou papel ab- sorvente, que devem ser removidas e trocadas entre cada atendimen- to, em conformidade com o esta- belecido pela Comissão de Contro- le de Infecção Hospitalar (CCIH) ou equivalente; • Adoção de classificação de risco das áreas e ambientes laboratoriais em que são manipulados agentes bioló- gicos, segundo a publicação Diretri- zes Gerais para o Trabalho em Con- tenção com Material Biológico do Gorro descartável Óculos de proteção ou protetor facial Máscara cirúrgica ou N95 (dependendo do procedimento a ser realizado) Avental impermeável/descartável de mangas compridas Luvas de procedimento Calçado fechado Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 82 Ministério da Saúde (BRASIL, 2010); • Descarte adequado de resíduos. 5.3.2.3 MEDIDAS DE CONTROLE ADMINISTRATIVO As medidas de controle administrativo referem-se às alterações nas rotinas de trabalho com o objetivo de redu- zir ou eliminar a exposição, duração, frequência ou intensidade de algum risco. Essas medidas devem ser desen- volvidas tanto pelo empregador/con- tratante quanto pelos trabalhadores. Destacamos a seguir algumas dessas medidas (BRASIL, 2020): • Orientação aos pacientes e acom- panhantes sobre a necessidade de adoção de medidas de higiene; • Desenvolvimento de planos de co- municação de emergência, incluin- do espaços e canais de comunicação para responder às preocupações dos trabalhadores; • Promoção de educação e saúde, e treinamento sobre os fatores de ris- co, cuidados e medidas de preven- ção e controle da Mpox que devem ser adotados pelos serviços de saú- de, incluindo o manejo adequado do paciente; • Orientação aos trabalhadores da saúde sobre a utilização adequada dos EPIs no atendimento dos pa- cientes com suspeita de Mpox ou com diagnóstico confirmado; • Orientação aos trabalhadores da saúde e acompanhantes dos pa- cientes para evitar tocar superfícies próximas ao paciente (por exem- plo, mobiliário e equipamentos para a saúde), exceto se EPIs estiverem sendo utilizados; • Caso ocorra qualquer erro na utili- zação dos EPIs e perceber-se o con- tato com fluidos das lesões, informar a chefia imediata para o devido monitoramento; • Implementação de políticas não pu- nitivas, para permitir que o profissio- nal de saúde que apresente sinais e sintomas de Mpox seja afastado do trabalho; • Afastamento de trabalhadores com diagnóstico confirmado da doença e sensibilização para que adotem as medidas de isolamento domiciliar. Essa medida não deve implicar pre- juízos trabalhistas aos profissionais; • Estabelecimento de horários de fun- cionamento estendidos dos serviços de saúde, para minimizar, sempre que possível, a aglomeração de pes- soas e o contato entre funcionários e pacientes; • Disponibilização de informações so- bre higiene adequada das mãos em banheiros, recepções, enfermarias, quartos, salas de atendimento etc.; • Revisão dos Procedimentos Opera- cionais Padrão (POPs) de limpeza e desinfecção de ambientes e superfí- cies para garantir a frequência e as melhores práticas para redução da carga viral nos serviços de saúde; • Monitoramento da ocorrência de transmissão interna de Mpox em pacientes e trabalhadores e adoção de medidas apropriadas para con- trole e mitigação da transmissão; • Monitoramento da efetividade das medidas de proteção e avaliação da adesão dos trabalhadores, caben- do, a qualquer momento, mudança nas estratégias de implementação das medidas para torná-las mais efetivas; • Manutenção de registro de todas as pessoas que prestaram assistência direta ou entraram nos quartos ou em outras áreas de assistência aos Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 83 pacientes suspeitos ou com diag- nóstico confirmado; • Elaboração e disponibilização de forma escrita das normas e rotinas de procedimentos envolvidos na assistência aos casos suspeitos ou confirmados de Mpox, como: fluxo dos pacientes dentro do serviço de saúde, procedimentos de colocação e retirada de EPI, procedimentos de remoção e processamento de rou- pas/artigos e produtos utilizados na assistência, rotinas de limpeza e desinfecção de superfícies, rotinas para classificação e remoção dos re- síduos, entre outras. 5.3.2.4 AFASTAMENTO DE TRABA- LHADORES DE SERVIÇOS DE SAÚ- DE E RETORNO ÀS ATIVIDADES A notificação e a definição de casos, a conduta clínica e as medidas epide- miológicas são as mesmas para tra- balhadores de saúde e para qualquer outro paciente (BRASIL, 2022a). En- tretanto, deve-se investigar a relação causal entre a Mpox e a exposição ocupacional do trabalhador. Se confir- mada, deve-se realizar a notificação de acidente de trabalho por meio da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) ou documentos similares a fim de que sejam garantidos os direitos tra- balhistas e previdenciários (ESPÍRITO SANTO, 2022) . Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 8484 5.4 ORIENTAÇÕES PARA PROFISSIO- NAIS DO SEXO Como vimos anteriormente, o riscode infectar-se com o MPXV não se restrin- ge apenas a uma população específi- ca, mas abrange todas as pessoas que tiverem contato próximo com indivíduo infectado e/ou doente. Aprendemos também que esse surto atual de Mpox traz consequências sobretudo para os doentes, mas também para suas famí- lias e pessoas que os rodeiam, assim como para outras pessoas que, como os profissionais do sexo, desenvolvem atividades que envolvem contato ínti- mo com outras pessoas. Em particular, esses profissionais, caso adoeçam ou estejam sob suspeita de estarem infectados, precisarão iso- lar-se para evitar a transmissão do vírus, e isso poderá acarretar dificul- dades financeiras. Esse problema po- derá se agravar caso as autoridades não lhes ofereçam proteção social e ajuda financeira. Da mesma maneira que algumas organizações criaram programas de assistência durante a pandemia de Covid-19, é recomendado que os profissionais do sexo se organizem e que essas organizações também comecem a criar estratégias e fundos de respostas para a assistên- cia a esses profissionais (WHO, 2022b). A maior proteção dos profissionais do sexo contra o MPXV está associada a melhoria no acesso à informação e aos serviços de saúde, para que os médi- cos possam fornecer cuidados de pre- venção e tratamento direcionados às suas necessidades. A educação para profissionais do sexo é essencial e deve contemplar orien- tações sobre técnicas de prevenção, incluindo o reconhecimento dos sinto- mas da Mpox, opções de tratamento e como acessar os cuidados. Reco- menda-se que a educação sobre pre- venção específica para profissionais do sexo ocorra tanto na comunidade (pessoalmente) quanto por meio de plataformas on-line. Dessa forma eles podem se proteger adequadamente e quebrar a cadeia de transmissão do ví- rus (CANTOR, et al., 2022). SAIBA MAIS! Conheça o documento criado pela Organização Pan-Americana da Saú- de (OPAS) e Organiza- ção Mundial de Saúde (OMS) com orientações de saúde pública aos profissionais do sexo para se prote- gerem da Mpox acessando o link. https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EbquJ4nHLDlLkptOJHvpa0wB1X9c-HZOA4_GHxyviqM4QQ?e=qe3Ed9 Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 8585 5.5 ORIENTAÇÕES PARA EVENTOS DE MASSA O que você precisa lembrar é que a principal forma de transmissão do MPXV é o contato físico com pessoas infectadas. Com isso, eventos que pro- voquem aglomerações são mais propí- cios à transmissão da doença, pois as chances de contato e de exposição são maiores. O envolvimento das autoridades de saúde pública nos eventos de mas- sa requer articulação entre os entes públicos e privados envolvidos direta ou indiretamente no evento, visando ao planejamento e à integração das ações. Embora o foco principal seja a redução da transmissão do vírus, a maior parte das medidas visa garantir boas práti- cas de saúde pública em geral, preve- nir e controlar a transmissão de várias doenças. E você sabe o que é um EVENTO DE MASSA? O artigo 4º do capítulo II do anexo CII da Portaria de Consolidação n° 5, de 28 de setembro de 2017, define Evento de Massa (EM) como qualquer: [...] atividade coletiva de natureza cultu- ral, esportiva, comercial, religiosa, social ou política, por tempo pré-determinado, com concentração ou fluxo excepcional de pessoas, de origem nacional ou in- ternacional, e que, segundo a avaliação das ameaças, das vulnerabilidades e dos riscos à saúde pública exijam a atuação coordenada de órgãos de saúde pública da gestão municipal, estadual e federal e requeiram o fornecimento de serviços especiais de saúde, públicos ou privados (Sinonímia: grandes eventos, eventos es- peciais, eventos de grande porte). 5.5.1 PLANEJAMENTO E RESPON- SABILIDADES NA ORGANIZAÇÃO DE EM O planejamento das ações de saúde antes da realização de um EM deve contemplar a articulação entre as áre- as de assistência e de vigilância em saúde. Na etapa de planejamento, o organizador do evento deve procurar o setor de saúde responsável (como a vigilância sanitária local) e outros se- tores relacionados (como segurança pública e órgãos de trânsito) para co- municá-los sobre a realização do even- to. Devem ser verificados os requisitos necessários para realização do EM, bem como a documentação geral e es- pecífica pertinentes. É necessário que todos os setores/órgãos envolvidos, es- tabeleçam um fluxo de comunicação de EM, de forma que todas as instân- cias envolvidas possam fazer parte do Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 86 planejamento e ser notificadas sobre a ocorrência do evento em tempo hábil (BRASIL, 2014). As responsabilidades das esferas de gestão são definidas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), no Ane- xo CII da Portaria de Consolidação n° 5, de 28 de setembro de 2017, que tra- ta Do Planejamento, Execução e Ava- liação das Ações de Vigilância e Assis- tência à Saúde em Eventos de Massa. As principais responsabilidades na elaboração do plano de ação em um evento de massa que devem ser con- sideradas pelo organizador do evento, assim como pelo setor público respon- sável pela anuência, compreendem: I. Identificar os pontos de atenção e fluxos da rede assistencial para atendimento a casos suspeitos de Mpox; II. Manter vigilância de doenças e prevenção de surtos; III. Manter vigilância relacionada à segurança ambiental e alimentar (BRASIL, 2022c); IV. Realizar estratégias de informação e promoção em saúde; V. Manter a vigilância relacionada à Saúde do Trabalhador; VI. Coordenar as ações de saúde por meio de comunicação adequada. SAIBA MAIS! Para maiores informações sobre as responsabilidades no planejamento, execução e avaliação das ações de vigi- lância e assistência à saúde em eventos de massa, acesse o link. Os organizadores dos EMs são as fon- tes de informação mais diretas sobre os eventos e, por isso, desempenham uma função relevante para os serviços de saúde . Elaborar orientações sobre medidas de prevenção deve ser com- promisso da gestão e tarefa de todos os envolvidos nesses eventos. Um ca- nal de comunicação oportuno, orga- nizado de forma clara e direcionada, é um ponto-chave para o controle dos riscos (ECDC, 2022). Recomenda-se que os seguintes tópi- cos sejam considerados: • Utilização de mídias sociais e in- ternet para fornecer informações e orientações sobre as medidas de prevenção contra a Mpox: . Orientar as pessoas com sinais e sintomas compatíveis com Mpox a não participar de eventos de massa; . Orientar os trabalhadores de saú- de quanto às medidas de preven- ção e à utilização de EPIs; . Orientar a população em geral quanto às medidas de prevenção. • Durante a preparação do evento, a implementação da comunicação de riscos e de medidas de prevenção pode ser estendida a eventos para- lelos e reuniões espontâneas rela- cionadas ao evento principal. • É importante informar aos partici- pantes que a transmissão de Mpox se dá por contato com lesões em qualquer parte do corpo, portanto o uso de preservativos não oferece proteção contra essa transmissão. Recomenda-se aos organi- zadores de eventos e pro- prietários de empresas, considerar o fornecimento de informações e orienta- ções atualizadas com lin- guagem simples e direta, https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EbcrLLgdFQhFoipYiv1ppekBzglRTZ_FUZSfX2dAzbDG0w?e=Yvu6QJ Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 87 descrevendo os sinais e sintomas e medidas de pre- venção de Mpox em seus sítios eletrônicos, contas de mídia social e aplicativos. O Centro Europeu de Pre- venção e Controle de Do- enças em conjunto com a Organização Mundial de Saúde organizaram um cen- tro de mídia com conselhos sobre comunicação de ris- co e produziram um kit de ferramentas para autori- dades em saúde pública e organizadores de eventos.FICOU INTE- RESSADO? Acesso no ca- nal eletrônico no link. SAIBA MAIS! Saiba Mais assistindo ao Webnário da OPAS. sobre Mpox e Reuniões em Mas- sa. Recomendações para proteger festas e feriados. https://www.ecdc.europa.eu/en/news-events/ecdc-and-who-produce-risk-communication-and-community-engagement-advice-toolkit-public https://www.paho.org/pt/eventos/monkeypox-e-reunioes-em-massa Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 8888 5.6 ORIENTAÇÕES PARA TRANS- PORTE PÚBLICO Assim como você deve ter cuidado com os riscos de uma possível infecção pelo MPXV participando de EM ou de festas, os transportes coletivos são, em teoria, um ambiente propício para a transmis- são do vírus, levando-se em considera- ção a maior probabilidade de contato com um grande número de pessoas. Vale reforçar que, atualmente, as evi- dências relacionadas a fontes de infec- ção e padrões de transmissão indicam que a principal forma de transmissão é o contato direto e prolongado com indivíduos que apresentem lesões em pele e mucosa. O contato pode ser pe- le-pele, mucosa-mucosa ou mucosa- -pele, uma vez que o vírus pode entrar em lesões de pele e mucosas (oral, fa- ringe, ocular e genital) (WHO, 2022a). É recomendado aos usuários proteger com vestuário regiões do corpo que estejam mais suscetíveis ao contato prolongado com outras pessoas (por exemplo, tronco, abdome e membros). Sugere-se também que o usuário de transporte público evite o contato fí- sico com os demais usuários e que hi- gienize as mãos antes e depois de to- car superfícies compartilhadas, como corrimões, bancos, janelas, portas de transporte público, etc. É imprescindí- vel utilizar álcool 70% ou água e sabo- nete de forma correta para higieniza- ção das mãos. Caso haja suspeição da doença devido a sinais e sintomas e a pessoa neces- site utilizar transporte público para ir a uma unidade básica de saúde, re- comenda-se cobrir as possíveis lesões com calças e blusas de manga com- prida, utilizar máscara e higienizar as mãos com álcool 70% , sempre que pos- sível. Contudo, de acordo com as reco- mendações do Plano de Contingência Nacional para Mpox (BRASIL, 2022d) , caso haja a suspeição ou confirmação de infecção pelo MPXV, a pessoa deve permanecer em isolamento. SAIBA MAIS! Acesse o link. Em embarcações e aeronaves, o aten- dimento de bordo a viajantes consi- derados casos suspeitos deve ser rea- lizado com uso de óculos de proteção ou protetor facial, avental, máscara cirúrgica e luvas de procedimento. Es- ses EPIs devem ser retirados, descarta- dos adequadamente e trocados, caso https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/ETsZqi2WeDFOjErJEuC6NNMBmXnVRFP68NaIVT2kc_-cvA?e=EudoQr Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 89 necessário, antes de um novo atendi- mento. Em embarcações, o caso sus- peito deve ficar isolado em cabine in- dividual. Os resíduos sólidos dos meios de transporte com casos suspeitos devem ser tratados como resíduos do Grupo A, ou seja, resíduos potencial- mente infectantes (ANVISA, 2022). Considerando que, no momento, não há restrições de viagens devido a essa doença, orienta-se que os viajantes atentem para sinais e sintomas da do- ença, evitem realizar viagens não es- senciais caso apresente-os e procure orientação de profissional de saúde o quanto antes e o mais perto possível. SAIBA MAIS! Para maiores informa- ções acesse as orien- tações gerais frente à Emergência de Saúde Pública Internacional causada pelo MPXV para atuação em por- tos, aeroportos e fronteiras que estão publicadas na Nota Técnica n° 81/2022/SEI/COVIG/GGPAF/ DIRE5/ANVISA, disponível no link. Agora que você tem uma visão com- pleta sobre a apresentação clínica da Mpox, mecanismos de transmissão e estratégias de controle e vigilância, você está preparado para atuar no en- frentamento do surto de Mpox a fim de mitigar o impacto da doença no Brasil. Não se esqueça de se manter sempre atualizado acessando os canais de informações do Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz e Organiza- ção Mundial da Saúde. https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/ERPevIesSudJjVq6h_6330UBT-UsTfyvoyJYOXFFJy5pvQ?e=bb2RdB Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 9090 REFERÊNCIAS ADLER, H. et al. Clinical features and management of human monkeypox. Lancet Infectious Diseases, v. 22, n. 8, p. 1153-1162, 2022. ALI, S. N. et al. Monkeypox Skin Le- sion Detection Using Deep Learning Models: A Feasibility Study. arXiv, 2207.03342v1, 6 jul. 2022. Disponível em: https://arxiv.org/pdf/2207.03342. pdf. Acesso em: 30 dez. 2022. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Nota Técnica no 81/2022. Atualização das orientações frente à Emergência de Saúde Pública Internacional cau- sada pelo vírus Monkeypox para atua- ção em portos, aeroportos e fronteiras. 29 Ago. 2022. Disponível em: https:// www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisde- conteudo/publicacoes/portos-aero- portos-e-fronteiras/notas-tecnicas/ nota-tecnica-81-2022-covig-ggpaf- -dire5-anvisa-29ago2022.pdf/view. Acesso em: 29 jan. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Téc- nica Nº 21/2022-CGSAT/DSAST/SVS/ MS. Orientações Gerais à Renast e de- mais interessados sobre as ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador nos casos de MPX. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2022a. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/ arquivos/202208/05150811-nota-tec- nica-n-21-2022-cgsat-dsast-svs-ms- -monkeypox.pdf. Acesso em: 5 nov. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Proto- colo Laboratorial de Orientações de coleta, armazenamento, conser- vação e transporte para o diagnós- tico de Monkeypox. 2022. 2022b. Disponível em: https://www.gov.br/ saude/pt-br/assuntos/variola-dos- -macacos/publicacoes/protocolos-1/ rotocolo-laboratorial-de-orientaco- es-de-coleta-armazenamento-con- servacao-e-transporte-de-amostras- -para-o-diagnostico-de-monkeypox . Acesso em: 14 nov. 2022. BRASIL. Agência Nacional de Vigilân- cia Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 656, de 24 de março de 2022. Dis- põe sobre as responsabilidades para a prestação de serviços de alimentação em eventos de massa. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 30 mar. 2022c. Disponível em: http://antigo.anvisa. gov.br/documents/10181/6414416/ RDC_656_2022_.pdf/68a92fcb-a- 275-4c7d-8536-6dcbb2dfe7be. Aces- so em: 17 out. 2022. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/portos-aeroportos-e-fronteiras/notas-tecnicas/nota-tecnica-81-2022-covig-ggpaf-dire5-anvisa-29ago2022.pdf/view https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/portos-aeroportos-e-fronteiras/notas-tecnicas/nota-tecnica-81-2022-covig-ggpaf-dire5-anvisa-29ago2022.pdf/view https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/portos-aeroportos-e-fronteiras/notas-tecnicas/nota-tecnica-81-2022-covig-ggpaf-dire5-anvisa-29ago2022.pdf/view https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/portos-aeroportos-e-fronteiras/notas-tecnicas/nota-tecnica-81-2022-covig-ggpaf-dire5-anvisa-29ago2022.pdf/view https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/portos-aeroportos-e-fronteiras/notas-tecnicas/nota-tecnica-81-2022-covig-ggpaf-dire5-anvisa-29ago2022.pdf/view https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/portos-aeroportos-e-fronteiras/notas-tecnicas/nota-tecnica-81-2022-covig-ggpaf-dire5-anvisa-29ago2022.pdf/view https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202208/05150811-nota-tecnica-n-21-2022-cgsat-dsast-svs-ms-monkeypox.pdf https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202208/05150811-nota-tecnica-n-21-2022-cgsat-dsast-svs-ms-monkeypox.pdf https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202208/05150811-nota-tecnica-n-21-2022-cgsat-dsast-svs-ms-monkeypox.pdf https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202208/05150811-nota-tecnica-n-21-2022-cgsat-dsast-svs-ms-monkeypox.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypoxhttps://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/variola-dos-macacos/publicacoes/protocolos-1/rotocolo-laboratorial-de-orientacoes-de-coleta-armazenamento-conservacao-e-transporte-de-amostras-para-o-diagnostico-de-monkeypox http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/6414416/RDC_656_2022_.pdf/68a92fcb-a275-4c7d-8536-6dcbb2dfe7be http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/6414416/RDC_656_2022_.pdf/68a92fcb-a275-4c7d-8536-6dcbb2dfe7be http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/6414416/RDC_656_2022_.pdf/68a92fcb-a275-4c7d-8536-6dcbb2dfe7be http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/6414416/RDC_656_2022_.pdf/68a92fcb-a275-4c7d-8536-6dcbb2dfe7be Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 91 BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Contingência Nacional para Monke- ypox. Centro de Operações de Emer- gência em Saúde Pública: COE Monke- ypox. Versão 2, 2022.2022d. BRASIL. Ministério da Saúde. Re- comendações de proteção aos trabalhadores dos serviços de saúde no atendimento de COVID-19 e outras síndromes gripais. Brasília: 2020. Dis- ponível em: https://www.saude.go.gov. br/files/banner_coronavirus/GuiaMS- -Recomendacoesdeprotecaotraba- lhadores-COVID-19.pdf. Acesso em: 3 nov. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017. Consolidação das normas sobre as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 out. 2017. Disponível em: https:// bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/ gm/2017/prc0005_03_10_2017.html. Acesso em: 17 out. 2022. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 13, de 28 de março de 2014. Regulamenta a prestação de serviços de saúde em eventos de massa de interesse nacional e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 mar. 2014. Disponível em: http://antigo.anvisa. gov.br/documents/10181/3578403/ RDC_13_2014_.pdf/b23f5325-47a- 9-4d18-bd8e-3ac1e76f3a4d. Acesso em: 17 out. 2022 BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes Gerais para o Trabalho em Contenção com Agentes Biológicos. 3. ed. Brasí- lia, 2010. 64 p. Disponível em: https:// livroaberto.ibict.br/bitstream/1/510/1/ Diretrizes%20gerais%20trabalho%20 conten%c3%a7%c3%a3o%20agen- tes%20biol%c3%b3gicos_3ed.pdf. Acesso em: 5 nov. 2022. BRASIL. [Constituição (1988)]. Consti- tuição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/consti- tuicao.htm. Acesso em: 3 nov. 2022. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Prevention. 2022. Disponível em: https://www.cdc.gov/ poxvirus/monkeypox/prevention/ index.html. Acesso em: 17 out. 2022. ESPÍRITO SANTO. SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DE ESPÍRITO SAN- TO. NOTA TÉCNICA Nº 002/2022 SESA/SSVS/GEVS. 2022. Disponí- vel em: https://saude.es.gov.br/Me- dia/sesa/Nota%20Tecnica/NT%20 0 0 2 _ 2 0 2 2 % 2 0 M o n ke y p o x % 2 0 09.06.22.pdf. Acesso em: 20 dez. 2022. EUROPEAN CENTRE FOR DISEASE PRE- VENTION AND CONTROL. Monkeypox. 2022. Disponível em: https://www. ecdc.europa.eu/en/monkeypox. Aces- so em: 17 out. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Monkeypox. 2022. 2022a Disponível em: https://www.who.int/health-topi- cs/monkeypox#tab=tab_1. Acesso em: 17 out. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Con- sejos de salud pública sobre la viruela sísmica para las personas que ejercen el trabajo sexual. 30 set. 2022 2022b. Disponível em: https://www.who.int/ es/publications/m/item/public-heal- th-advice-for-sex-workers-on-monke- ypox. Acesso em: 20 dez. 2022. SINGER, R. B. et al. Monkeypox Preven- tion and Protecting Sex Workers: A Call to Action. Archives of Sexual Behavior, v. 51, n. 8, p. 3659-3662, 1 nov. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1007/ s10508-022-02428-y. Acesso em: 15 dez. 2022. https://www.saude.go.gov.br/files/banner_coronavirus/GuiaMS-Recomendacoesdeprotecaotrabalhadores-COVID-19.pdf https://www.saude.go.gov.br/files/banner_coronavirus/GuiaMS-Recomendacoesdeprotecaotrabalhadores-COVID-19.pdf https://www.saude.go.gov.br/files/banner_coronavirus/GuiaMS-Recomendacoesdeprotecaotrabalhadores-COVID-19.pdf https://www.saude.go.gov.br/files/banner_coronavirus/GuiaMS-Recomendacoesdeprotecaotrabalhadores-COVID-19.pdf http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3578403/RDC_13_2014_.pdf/b23f5325-47a9-4d18-bd8e-3ac1e76f3a4d http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3578403/RDC_13_2014_.pdf/b23f5325-47a9-4d18-bd8e-3ac1e76f3a4d http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3578403/RDC_13_2014_.pdf/b23f5325-47a9-4d18-bd8e-3ac1e76f3a4d http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3578403/RDC_13_2014_.pdf/b23f5325-47a9-4d18-bd8e-3ac1e76f3a4d https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Nota%20Tecnica/NT%20002_2022%20Monkeypox%2009.06.22.pdf https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Nota%20Tecnica/NT%20002_2022%20Monkeypox%2009.06.22.pdf https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Nota%20Tecnica/NT%20002_2022%20Monkeypox%2009.06.22.pdf https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Nota%20Tecnica/NT%20002_2022%20Monkeypox%2009.06.22.pdf https://www.ecdc.europa.eu/en/monkeypox https://www.ecdc.europa.eu/en/monkeypox https://www.who.int/es/publications/m/item/public-health-advice-for-sex-workers-on-monkeypox https://www.who.int/es/publications/m/item/public-health-advice-for-sex-workers-on-monkeypox https://www.who.int/es/publications/m/item/public-health-advice-for-sex-workers-on-monkeypox https://www.who.int/es/publications/m/item/public-health-advice-for-sex-workers-on-monkeypox https://doi.org/10.1007/s10508-022-02428-y https://doi.org/10.1007/s10508-022-02428-y Mpox | UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS 92 TARÍN-VICENTE, E. J. et al. Clinical pre- sentation and virological assessment of confirmed human monkeypox virus cases in Spain: a prospective observa- tional cohort study. Lancet, v. 400, n. 10353, p. 661-669, 2022. TITANJI, B. K. et al. Monkeypox: A Con- temporary Review for Healthcare Pro- fessionals. Open Forum Infect. Dis., v. 9, n. 7, 4 jul. 2022. Realização: FIOCRUZ MATO GROSSO DO SUL UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO TEMA: Mpox, MONKEYPOX/VARÍOLA DOS MACACOS/VARÍOLA SÍMIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE 1.1 HISTÓRICO DA DOENÇA NO MUNDO E NO BRASIL 1.1.1 Definição da doença e formas de transmissão 1.1.2 Dados epidemiológicos no mundo e no Brasil 1.2 AGENTE ETIOLÓGICO 1.2.1 Características gerais do vírus 1.2.2 Subtipos e clados existentes no mundo e linhagens encontradas no Brasil 1.2.3 Interface humanos-animais-meio ambiente 1.2.4 Grupos vulneráveis e população-chave REFERÊNCIAS UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE 2.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA MPOX 2.2 DIAGNÓSTICO CLÍNICO DIFERENCIAL DAS LESÕES 2.3 FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À INFECÇÃO PELO MPXV 2.4 TRATAMENTO E ABORDAGEM TERAPÊUTICA 2.4.1 Manejo sintomático 2.4.2 Terapias antivirais 2.5 CONTROLE DE TRANSMISSÃODO MPXV 2.6 VACINAS E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO NÃO FARMACOLÓ- GICAS REFERÊNCIAS UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE 3.1 IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO ESPECÍFICO PARA ASSISTÊNCIA E VIGILÂNCIA EM SAÚDE 3.2 AMOSTRAS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DE MPOX 3.2.1 Coleta de amostras 3.2.2 Armazenamento de amostras 3.2.3 Embalagem, acondicionamento e transporte de amostras 3.3 MÉTODOS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL 3.3.1 Métodos utilizados para diagnóstico específico 3.3.2 Fluxo para diagnóstico laboratorial e laboratórios de referência no Brasil REFERÊNCIAS UNIDADE 4: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE 4.1 NOTIFICAÇÃO DOS CASOS DE MPOX 4.1.1 Definições de caso 4.1.2 Algoritmo de classificação e orientações para preenchimento da ficha de notificação 4.1.2.1 Algoritmo de classificação 4.1.2.2 Ficha de notificação 4.1.2.3 Classificação dos casos e orientação da vigilância 4.2 RASTREAMENTO DE CONTATOS 4.3 MONITORAMENTO DE CASOS E CONTATOS 4.4 BLOQUEIO NA CADEIA DE TRANSMISSÃO 4.5 VACINAÇÃO E PRIORIDADES: EVIDÊNCIAS NO MUNDO REFERÊNCIAS UNIDADE 5: ORIENTAÇÕES PARA A POPULAÇÃO E GRUPOS ESPECÍFICOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE 5.1 MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CUIDADO CONTRA A MPOX PARA A POPULAÇÃO GERAL 5.2 ORIENTAÇÕES PARA PESSOAS COM SUSPEITA DA DOENÇA – DIRECIONAMENTO PARA PROCURA DOS SERVIÇOS DE SAÚDE 5.3 CONTENÇÃO DA DOENÇA EM SERVIÇOS DE SAÚDE E ORIENTAÇÕES E CUIDADO PARA A SAÚDE DO TRABALHADOR DA SAÚDE 5.3.1 Situações e fatores de risco à saúde dos trabalhadores da saúde 5.3.2 Medidas de Controle, Prevenção e Proteção à Saúde dos Trabalhadores da Saúde 5.3.2.1 Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) 5.3.2.2.Medidas de Controle de Engenharia 5.3.2.3 Medidas de Controle Administrativo 5.3.2.4 Afastamento de trabalhadores de serviços de saúde e retorno às atividades 5.4 ORIENTAÇÕES PARA PROFISSIONAIS DO SEXO 5.5 ORIENTAÇÕES PARA EVENTOS DE MASSA 5.5.1 Planejamento e responsabilidades na Organização de EM 5.6 ORIENTAÇÕES PARA TRANS- PORTE PÚBLICO REFERÊNCIAS1979, foram descritos casos humanos nas regiões Central e Ocidental da África. 2003 Em 2003, ocorreu um surto nos EUA. Foram registrados cerca de 47 casos humanos devido à importação de roedores infectados capturados nas florestas de Gana. 11/mai - 2023 Em 14 de Agosto de 2024, o Diretor-Geral da OMS classificou o ressurgimento do MPXV na República Democrática do Congo e em outros países Africanos como uma Emergência de Saúde pública de Interesse Internacional (ESPII) 14/ago - 2024Setembro/2023 Por meio do sequenciamento genômico de amostras de MPXV coletadas entre outubro de 2023 e janeiro de 2024, uma nova variante do MPXV do clado I foi identificada na zona de saúde de Kamituga (República Democrática do Congo). Foi estimado que tenha surgido em meados de setembro de 2023, com dados de sequência sugerindo transmissão sustentada de humano para humano desde então. Acompanhe a seguir a linha do tempo: 11 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox Entre 1981 e maio de 2022, a maior parte dos casos no mundo ocorreu na África Central, com mortalidade de 10% em indivíduos não vacinados contra varíola. SAIBA MAIS! Leia o editorial do periódi- co The Lancet sobre a de- claração da OMS (em inglês). SAIBA MAIS! Veja mais detalhes sobre os casos de Mpox rela- tados antes de maio de 2022, apresentados por Estevão Portela Nunes, médico in- fectologista e vice-diretor de servi- ços clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, assistindo ao vídeo. 1.1.2 DADOS EPIDEMIOLÓGICOS NO MUNDO E NO BRASIL O surto de Mpox em 2022 representou um evento global, iniciando no Reino Unido em maio de 2022, a doença se espalhou rapidamente por diversos países, aumen- tando progressivamente até agosto do mesmo ano. A Europa foi o epicentro, mas o cenário logo mudou para as Américas. Apesar da queda no número de casos a partir de agosto, a doença continuou a circular em muitos países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) notificou um total de 102.997 casos confirmados e 186 prováveis de Mpox em 121 países desde o início de 2022. Os Estados Unidos, Brasil e Espanha lideram o ranking de casos. A doença se espalhou por todas as regiões da OMS, com um aumento de 8,8% no número de novos casos em julho de 2024, principalmente na África e nas Américas (OMS, 2024). O aumento no número de casos no ano de 2024, na região Africana, está associado ao surgimento de uma nova variante do clado Ib do vírus em meados de setembro de 2023. Desde o início de 2024, até final de julho deste mesmo ano, foram notifi- cados 14.479 casos de Mpox (prováveis e suspeitos) e 455 mortes (taxa de letalida- de: 3,1%) na República Democrática do Congo (RDC). Vinte cinco das 26 províncias do país já haviam sido afetadas e as crianças menores de 15 anos de idade foram responsáveis por 66% dos casos e 82% das mortes (OPAS, 2024a). Acompanhe na figura 1 o número total de casos de Mpox de janeiro de 2022 a julho de 2024 (OMS, 2024). SAIBA MAIS! Você pode acessar os dados e mapas atualizados na pági- na do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (do in- glês: Centers for Disease Control and Prevention - CDC). https://www.cdc.gov/poxvirus/mpox/response/2022/world-map.html https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:v:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/Eae9fSVjjF5BmVvmd7bGHtgBp_mLM7ZkazTr65lu8qKwQw?e=8hOPa4 https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:b:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EZCeQ2tVTs9GqkQyLv2_aXQBvkGu6BOTJ0plA051inFT9A?e=pOoSrF 12 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox O Brasil notificou 57.333 casos suspeitos de Mpox até 30 de janeiro de 2024, representando um aumento de 5,6% em rela- ção ao semestre anterior. Após análise, 11.212 casos (19,6% do total) foram confirmados. A maior parte das notificações, 41.839 (73%), foi descartada por não atenderem aos critérios de caso suspeito (BRASIL, 2024). Conforme dados da mesma data, o maior número de casos confirmados e prováveis ocorreu no Estado de São Paulo, com 37,4%, seguido do Rio de Janeiro, com 13,8% (Figura 2). Dos 5.570 municípios brasileiros, 675 (12,1%) registraram pelo menos um caso confirmado ou provável de Mpox. Figura 1 – Total de casos de Mpox de 01 de janeiro de 2022, até 31 de julho de 2024. Fonte: https://worldhealthorg.shinyapps.io/mpx_global/#3_Global_situation_update 13 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia foram os que registraram o maior número de casos confirmados ou prováveis (BRASIL, 2024). Figura 2 – Incidência de casos confirmados e prováveis de Mpox segundo a uni- dade Federada (UF) de residência, 1 de julho de 2022 a 30 de janeiro de 2024 – Brasil (n=11.636) Fonte: BRASIL, 2024. SAIBA MAIS! Para saber mais sobre os nú- meros atualizados da Mpox no mundo, consulte também: De acordo com o Boletim Epi- demiológico de Mpox nº25 (BRASIL, 2024), o sexo de nascimento predo- minante entre os casos confirmados e prováveis da doença, desde junho de 2022 até janeiro de 2024, foi o mascu- lino, com 90,9% dos registros, e a raça/ cor negra (preta e pardos) e a branca com 42,5% e 41% dos casos respecti- vamente. Em relação a mediana de idade dos casos confirmados ou pro- váveis foi de 32 anos (IIQ:27-38 anos), contudo quando se analisa a distribui- ção dos casos segundo a faixa etária e o sexo de nascimento, observa-se que a maior frequência de casos se con- centra entre o sexo masculino na fai- xa etária entre 30 a 39 anos de idade (41,4%), seguida daqueles entre 18 a 29 anos (35,1%), enquanto que no sexo feminino, concentram-se em indivídu- os entre 18 a 29 anos (30,7%) (figura 3). https://worldhealthorg.shinyapps.io/mpx_global/#3_Global_situation_update https://shiny.paho-phe.org/mpox/ 14 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox A descoberta da nova cepa e a rápida disseminação para os países vizinhos na Re- pública Democrática do Congo, principalmente via sexual, são uma das principais razões para a declaração da ESPII em 14 de agosto de 2024 pelo diretor- geral da OMS (OPAS, 2024b). Dessa forma, o Ministério da Saúde, em 15 de agosto, instalou o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) para coordenar as ações de respostas à Mpox no Brasil. Entre as semanas epidemiológicas (SE) 1 a 35 de 2024, foram notificados no Brasil 945 casos confirmados ou prováveis da doença, sendo a região com maior número de registros, a região Sudeste (80,7%). O perfil dos casos prováveis continua sendo o mesmo, pessoas do sexo masculino na faixa etária de 18 a 39 anos. Não foram registrados casos em gestantes e não foram registrados óbitos no país (BRASIL, 2024b). Figura 3 – Casos confirmados e prováveis de Mpox segundo a faixa etária e o sexo de nascimento, 1 de julho de 2022 a 30 de janeiro de 2024 – Brasil (n=11.613) Fonte: BRASIL, 2024. SAIBA MAIS! Se você quiser saber mais sobre a Mpox informe-se em fontes oficiais, acesse os links: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/2024/agosto/mpox-informe-se-sobre-a-doenca-em-fontes-oficiais-e-saiba-as-acoes-realizadas-pelo-ministerio-da-saude-ate-o-momento https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/variola-dos-macacos Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 1515 1.2 AGENTE ETIOLÓGICO Sabemos que os vírus são estrutu- ras microscópicas, mas você já parou para pensar em como é essa estrutu- ra capaz de causar tanto impacto na saúde pública? 1.2.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO VÍRUS O Monkeypox virus, assim como os ou- tros membros da família Poxviridae, tem genoma composto por DNA de fita dupla, que é replicado no citoplasma da célula hospedeira. O material ge- nético tem aproximadamente 197 ki- lobases (kb) com 190 genes. Eles têm morfologia ovoide ou semelhante a tijolos e são envolvidos por envelope lipoproteico. Apesar de serem obser- vados apenas por microscopia eletrô- nica, são considerados de grande por- te, uma vez que seu tamanho pode variar de 200 a 250 nanômetros (nm)(ALAKUNLE et al., 2022). Uma característica interessante do MPXV é que ele apresenta duas formas infecciosas: vírion maduro (VM) e vírion envelopado (VE). A diferença é base- ada na quantidade de camadas de membranas que o envolvem. As par- tículas VMs são caracterizadas pela presença de apenas uma membrana externa, enquanto os VEs têm a mem- brana externa e mais uma membrana também chamada de envelope, que é derivada da célula hospedeira (Figura 5). As proteínas da membrana externa dos VMs desempenham importantes funções relacionadas à entrada na cé- lula hospedeira e subsequente pato- gênese. De forma simplificada, o VM é aquele vírus sem o envelope externo e o VE é um VM que tem o envelope viral (CHADHA et al., 2022). Diferentemente dos vírus com genoma de RNA, os vírus de DNA geralmente apresentam poucas mutações. No en- tanto, as amostras de MPXV isoladas do surto de 2022 parecem ter muitas mutações. Foram identificadas cerca de 40 mutações que os diferem da li- nhagem mais próxima, que é de 2017, sugerindo um processo evolutivo que pode estar associado à disseminação com maior eficiência, o que explica a maior transmissibilidade (KUMAR et al., 2022). O aumento no número de casos suspei- tos de Mpox registrados em 2023 na RDC e a sua ocorrência em áreas inco- muns, levantaram a hipótese de novas mudanças estruturais no vírus, além https://sfamjournals.onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorRaw=Chadha%2C+Jatin 16 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox das epidemiológicas que vinham sen- do observadas. Análises filogenéticas demonstraram a introdução de uma linhagem distinta do clado I do MPXV associada à transmissão sustentada de humano para humano com muta- ções relacionadas ao APOBEC3 que re- forçam a afirmação (Vakaniaki et al.., 2024). Acredita-se que a habilidade dos pox- Figura 5 – Estrutura do MPXV. As duas formas infecciosas: vírion maduro (VM) e vírion envelopado (VE) Fonte: Chadha et al., 2022. vírus de se tornarem restritos aos hos- pedeiros seja devido tanto à transfe- rência e acúmulo de genes de escape do sistema imunológico do hospedeiro como à coevolução dos vírus e de seus hospedeiros ao longo dos anos. Além disso, o tropismo tecidual afeta a distri- buição e a propagação do vírus em hos- pedeiros infectados e entre os hospedei- ros saudáveis (ALAKUNLE et al., 2022). Com relação às propriedades físicas e químicas, o MPXV é resistente à seca- gem e pode ser facilmente inativado por formol, clorofórmio, metanol, fe- nol e outros reagentes químicos, além de perder sua infecciosidade após 20 minutos de aquecimento em torno de 55oC. Por outro lado, pode permane- cer estável por um longo tempo quan- do armazenado de 4oC a -70oC (LUO, HAN, 2022). SAIBA MAIS! Leia a reportagem so- bre o isolamento do vírus da Mpox pela FIOCRUZ e conheça sua estrutura por imagens de microscopia ele- trônica no endereço eletrônico. https://www.ioc.fiocruz.br//noticias/fiocruz-isola-o-virus-monkeypox-e-registra-em-imagens-sua-estrutura-detalhada https://sfamjournals.onlinelibrary.wiley.com/action/doSearch?ContribAuthorRaw=Chadha%2C+Jatin 17 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox SAIBA MAIS! Veja mais detalhes so- bre as características do MPXV e da Mpox no vídeo da pesquisado- ra da UFRJ Clarissa Damaso. 1.2.2 SUBTIPOS E CLA- DOS EXISTENTES NO MUNDO E LINHAGENS ENCONTRADAS NO BRASIL De acordo com sua estrutura genô- mica, historicamente o MPXV foi clas- sificado em dois clados, ou seja, dois vírus diferentes com um ancestral em comum, denominados clados “África Ocidental” e “África Central”, também conhecido por “Bacia do Congo”, que convivem na região entre Camarões e República Democrática do Congo (FORNI et al., 2022). Devido à necessidade de alterar tan- to o nome da doença quanto do vírus, que já foi citada anteriormente, o gru- po de especialistas convocados pela OMS concordou em alterar o nome das variantes do ortopoxvirus que causam a Mpox tanto para minimizar ofensas a grupos sociais, culturais, na- cionais, regionais, profissionais ou étni- cos como para mitigar as repercussões negativas desses nomes no comércio, viagens, turismo e bem-estar animal. Sendo assim, os clados Bacia do Con- go e África Ocidental passariam a ser denominados clado um (I) e clado dois (II), respectivamente. O clado II ainda tem dois subclados, clado IIa e clado IIb. Esses clados representam a diver- sidade genética acumulada ao longo de muitos anos de evolução no reser- vatório animal e incluem a maioria dos isolados ligados a surtos na República Democrática do Congo. Esses clados, que são responsáveis pela maioria dos ciclos naturais de transmissão e das manifestações endêmicas na África, têm transmissão diferente e padrões patobiológicos e manifestações clíni- cas distintas, evidenciando as diferen- ças entre eles (LUNA et al., 2022). Os clados I e II têm diferenças de 0,5% na sequência genômica e estão as- sociados a apresentações clínicas di- ferentes da doença. O clado I é clini- camente mais grave, portanto está associado a maiores taxas de mortali- dade e maior transmissibilidade, quan- do comparado ao clado II (KUMAR et al., 2022). O Clado Ib é de maior relevância atu- almente, tendo surgido recentemente nas regiões orientais da República De- mocrática do Congo, ele se destaca por estar associado à transmissão susten- tada de pessoa para pessoa. Casos do Clado Ib foram detectados não apenas na RDC, mas também em outros paí- ses, com registros no Burundi, Quênia, Ruanda, Suécia, Tailândia e Uganda. Embora apresente uma diversidade genética limitada, as sequências re- centes de países como Quênia, Ugan- da, Suécia e Tailândia compartilham mutações específicas, sugerindo um padrão de disseminação internacional. A transmissão contínua entre huma- nos faz do Clado Ib uma preocupação crescente, com a necessidade de mo- nitoramento constante. Em contraste, o Clado IIa é raramente detectado em humanos e é mais comum em animais, enquanto o Clado IIb está associado ao grande surto global que começou em 2022 e continua até hoje, com 33 linhagens distintas rastreadas. As se- quências genéticas do MPXV são roti- neiramente compartilhadas nos ban- cos de dados NCBI GenBank e GISAID. A análise filogenética dos clados do https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:v:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EQJ5WuTHLJpKr8ADRKA6TYsBKLjFC1wqm9jl10hqJPPOdg?e=EnJrMt 18 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox MPXV pode ser observada na figura 6 e a sua distribuição no mundo na figu- ra 7. No Brasil, o padrão genético do vírus também é semelhante ao observado em outras partes do mundo? Sim, O sequenciamento genético dos casos de Mpox no Brasil assim como de outros países que tiveram surto da doença desde 2022, identificou que o vírus pertencia ao subclado IIb (Figura 7). Além disso, as amostras estavam intimamente relaciona- das com as amostras sequenciadas em Portugal, Alemanha, Espanha e EUA (CLA- RO, et al., 2022). Em relação a nova cepa do clado Ib que vem ampliando suas fronteiras geográfi- cas, até 03 de setembro de 2024, não havia sido detectada na região das Améri- cas (BRASIL, 2024b.) Figura 6 – Filogenia dos clados do MPXV Figura 7 – Distribuição dos Clados do MPXV detectados globalmente. 01 Janeiro de 2022 – 01 setembro 2024 Fonte: WHO, 2024 Fonte: WHO, 2024 19 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox transmissão do animal para o homem pode ocorrer por arranhões, morde- dura, preparo da caça como alimento ou contato direto/indireto com fluidos corporais ou material da lesão. Já a transmissão entre humanos ocorre, de acordo com a descrição clássica, por meio de gotículas respiratórias que são principalmente eliminadas duran- te espirros, tosse e fala, e, para tal, é necessário um tempo de contato pro- longado (KUMAR et al., 2022). O MPXV pode atra- vessar a placenta, ou seja, a transmissão da mãe in- fectada para o feto tam- bém deve ser conside- rada. Outrasformas de contágio são pelo conta- to direto com a lesão e com fluidos corporais ou pelo contato indireto com objetos contaminados, como roupas de cama e lençóis. Essas exposições podem ocorrer em am- bientes variados, incluin- do domiciliar, ambientes de cuidados em saúde, ou através de contato sexual. As principais diferenças entre os clados parecem estar associadas a determi- nantes antigênicos imunomoduladores e de reconhecimento do hospedeiro. A divergência acentuada e os sinais de subagrupamento podem estar asso- ciados a diferentes panoramas epide- miológicos entre os surtos, que podem estar impulsionando microeventos evolutivos, redesenhando a arquitetu- ra genômica do MPXV. 1.2.3 INTERFACE HUMA- NOS-ANIMAIS-MEIO AMBIENTE Embora o reservatório definitivo do MPXV ainda não tenha sido com- pletamente identificado, infecções es- pontâneas foram descritas em diversas espécies de mamíferos, e vírions viáveis foram encontrados em diferentes teci- dos de animais que morreram em de- corrência da infecção. Suspeita-se ain- da que roedores que vivem na África desempenham um papel fundamental na transmissão da infecção (Figura 8). A transmissão do vírus entre os animais pode ocorrer pelo contato com lesões cutâneas de animais infectados, fluídos corporais ou gotículas respiratórias. A Figura 8 – Ciclo de transmissão do MPXV (1) de roedores a macacos; (2) de macacos a humanos; (3) de roedo- res a humanos; (4) de pessoa infecta- da a pessoas saudáveis por meio de gotículas respiratórias; (5) de pessoa infectada a pessoas saudáveis pelo contato direto com a lesão Fonte: Kumar et al. (2022). 20 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox as rurais e associadas aos reservató- rios animais (FORNI et al., 2022). Dessa forma, a epidemiologia da doença su- gere que o reservatório do vírus esteja associado à floresta tropical africana, região endêmica da doença (Figura 9). Com o surto de 2017 na Nigéria, os casos alcançaram áreas de savana e áreas urbanas. Nessa mesma época, além do aumento de casos em huma- nos na África Ocidental, foi observado um aumento no número de infecções em chimpanzés, embora não tenham sido observadas alterações compor- tamentais ou de hábitos no grupo de animais que explicasse o aumento de casos. Os pesquisadores sugeriram que o aumento nos casos de Mpox tanto em humanos quanto nos animais esta- va associado à mudança na demogra- fia e na distribuição do reservatório do vírus (PATRONO et al., 2022). É importante lembrar que o MPXV já foi identificado em uma grande va- riedade de animais diferentes. Muitos desses animais infectados são caçados para alimentação, tornando-os fonte de infecção para os humanos. Alguns animais têm distribuição restrita a al- gumas regiões, enquanto outros são amplamente distribuídos. Dessa for- ma, é possível que, nas regiões onde existam os dois clados do vírus (I, IIa e IIb), as barreiras geográficas podem ser oportunidades ecológicas de infecção e de adaptação a diferentes hospedei- ros para o vírus (FORNI et al., 2022). Por ser um vírus zoonótico (termo uti- lizado para classificar as doenças que são transmitidas de maneira natural entre os animais e os seres humanos), a maior parte das infecções humanas em áreas endêmicas acontece em áre- Figura 9 – Típica floresta tropical na região do Zaire, atual República Democráti- ca do Congo (África Ocidental), onde casos de Mpox ocorreram entre 1970-1984. Fonte: Fenner et al. (1988). 21 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox É possível também que alterações cli- máticas e ecológicas tenham causado epizootias (ocorrência de um determi- nado evento em um número de ani- mais ao mesmo tempo e na mesma região, podendo levar ou não à mor- te) em roedores na África Ocidental e Central nos últimos anos, com conse- quente aumento da transmissão do MPXV a humanos e primatas não hu- manos. A invasão de habitats selva- gens pode favorecer a interação entre animal e homem, criando oportunida- des de transbordamento da cadeia de transmissão, e a variabilidade genéti- ca encontrada nos isolados do surto de 2022 demonstra que também ocorreu uma grande mudança biológica do ví- rus (FORNI, et al., 2022). Muito ainda precisa ser estudado sobre as estratégias evolutivas e adaptati- vas do vírus, além do desenvolvimento e implementação de estratégias para um diagnóstico precoce, prevenção e tratamento da doença. Estudos de vi- gilância genômica também devem ser implementados para esclarecer a dis- tribuição e natureza dos reservatórios e hospedeiros do vírus tanto na África quanto nos outros países pelos quais o vírus está se espalhando. 1.2.4 GRUPOS VULNE- RÁVEIS E POPULAÇÃO- -CHAVE Você já deve ter ouvido falar na mídia sobre o perfil das pessoas que mais se infectam pelo MPXV, mas será que é isso mesmo? Quais os motivos? Será que sempre foi assim? Os casos de Mpox descritos em paí- ses africanos antes de 2022 afetavam igualmente homens e mulheres, sen- do mais frequentes em menores de 40 a 50 anos e não vacinados contra a varíola. Desde o início do surto de 2022, ob- serva-se que a população mais afeta- da é do sexo masculino ao nascimento com idade entre 20 a 44 anos (80%). Dos casos com informação disponível sobre orientação sexual, 70% se iden- tificam como homem que fazem sexo com homens (HSH). Estudos relatam, que aproximadamente 50% dos pa- cientes com Mpox são coinfectados com o vírus HIV (WHO, 2024). A maior parte dos casos notificados na Região das Américas foi identificada em ser- viços de atendimento a pessoas com HIV, clínicas de saúde sexual ou unida- des de atenção primária e secundária. Esses casos estão concentrados, mas não exclusivamente, em HSHs (OPAS, 2024c). O mesmo perfil demográfico é obser- vado em outros países, inclusive no Bra- sil. Em um estudo de coorte, conduzido de junho de 2022 a abril de 2024 no Rio de Janeiro, com 634 participantes com diagnóstico confirmado de Mpox, a maioria (42,9%) tinham entre 30 a 39 anos de idade e se auto identificavam como do cisgênero masculino (92,4%) e 53,2% tinham diagnóstico de HIV e 37,3% tinham outras ISTs concomitan- tes, sendo sífilis, a mais prevalente (Sil- va et al., 2024). A transmissão do vírus nesse contexto é decorrente do contato íntimo e prolon- gado durante as além das secreções genitais, caracterizando transmissão sexual. Considerando que a dissemi- nação global da Mpox no surto atual pode estar associada a atividade se- xual, outra população vulnerável nes- se cenário são os profissionais do sexo, que, assim como os demais grupos vul- neráveis, devem ser priorizados quan- to ao acesso à informação e educação para prevenção e demais cuidados. Essas informações, destacam a impor- tância dos serviços de saúde, na de- tecção precoce do MPXV. 22 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox Por que é importante co- nhecer as características da população afetada? O conhecimento das características da população afetada é importante para auxiliar os profissionais de saúde na suspeita do diagnóstico e para o de- senvolvimento das ações de comuni- cação em saúde, que permitem que as pessoas sob maior risco adotem ações preventivas. É muito importante evi- tar a estigmatização dos HSHs, como vimos acontecer com a pandemia de HIV/Aids na década de 80 do século XX. A estigmatização, além de suas consequências sociais e humanas de- letérias, pode implicar diagnóstico tar- dio ou mesmo ausência de diagnósti- co, seja por receio de procurar serviços de saúde, seja por falta de suspeição diagnóstica em pessoas não HSH, per- dendo-se a oportunidade de prevenir a transmissão por meio de isolamento. Também precisamos considerar que há casos notificados em mulheres e crian- ças, embora em menor proporção. SAIBA MAIS! Veja entrevista da histo- riadora Dilene Raimundo do Nascimento, professora do Programa de Pós-Gra- duação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), so- bre os riscos daestigmatização. SAIBA MAIS! Assita a vídeo-aula do Dr. Rivaldo Venâncio da Cunha, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da FIOCRUZ sobre a Mpox e o impacto da doença no Brasil. SAIBA MAIS! Assista a Ciência em 5 minutos - Mpox com a Dra. Rosamund Lewis da OMS https://portal.fiocruz.br/noticia/corremos-o-risco-de-repetir-com-monkeypox-o-estigma-da-aids-alerta-historiadora https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:v:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EYshiqQmWNJOor5e7o9hPOgBSzamapf3o64_NeCnkvRyjA?e=Ne5Nz5 https://www.who.int/podcasts/episode/science-in-5/episode--73---monkeypox Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 2323 ALAKUNLE, E. et al. Monkeypox Virus in Nigeria: Infection Biology, Epidemiol- ogy, and Evolution. Viruses, v. 12, nov. 2022. DOI: 10.3390/v12111257. BRASIL. Ministério da Saúde. Secre- taria de Vigilância em Saúde e Am- biente. Boletim Epidemiológico Es- pecial Mpox 25. 2024a. Acesso em: 02 set. 2024. Disponível em: https:// www.gov.br/saude/pt-br/centrais- -de-conteudo/publicacoes/boletins/ epidemiologicos/variola-dos-macacos BRASL. Ministério da Saúde. Secre- taria de Vigilância em Saúde e Am- biente. Informe Semanal n. 3 – Mpox – SE 35. 2024b.Acesso em 04 Se- tembro 2024. Disponível em: https:// www.gov.br/saude/pt-br/compo- sicao/svsa/coes/Mpox/informes/ informe-semanal-no-03/view BUNGE, E. M. et al. The changing epidemiology of human monkey- pox-A potential threat? A system- atic review. PLoS Negl Trop Dis. v.16, fev. 2022. DOI: 10.1371/journal. pntd.0010141. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Technical Report 3: Multi-National Monkeypox Out- break, United States, 2022. 2022b. Disponível em: https://www.cdc.gov/ poxvirus/monkeypox/cases-data/te- chnical-report/report-3.html Acesso em: 24 out. 2022. CHADHA J. et al. Insights into the mon- keypox virus: Making of another pan- demic within the pandemic? Environ- mental Microbiology. v. 24, out 2022. DOI: 10.1111/1462-2920.16174. CLARO, I. M. et.al. Shotgun metage- nomic sequencing of the first case of monkeypox virus in Brazil, 2022. Rev Inst Med Trop São Paulo. v. 64, dez. 2022. DOI: 10.1590/S1678-9946202264048 FENNER, F. et al. Human Monkeypox and Other Poxvirus Infection of Man. In: FENNER, F. et al. Smallpox and its Erradication. Geneva: World Heathy Organization, 1988. p. 1287-1319. FORNI, D. et al. Monkeypox Virus: The changing facets of a zoonot- ic pathogen. Infect Genet Evol. 2022 Oct 4;105:105372. doi: 10.1016/j. meegid.2022.105372. HAPPI, C. et al. Urgent need for a non-discriminatory and non-stigma- tizing nomenclature for monkeypox virus. 2022. Disponível em: https:// virological.org/t/urgent-need-for-a- -non-discriminatory-and-non-stigma- tizing-nomenclature-for-monkeypox- REFERÊNCIAS https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/variola-dos-macacos https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/variola-dos-macacos https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/variola-dos-macacos https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/variola-dos-macacos https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/coes/mpox/informes/informe-semanal-no-03/view https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/coes/mpox/informes/informe-semanal-no-03/view https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/coes/mpox/informes/informe-semanal-no-03/view https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/coes/mpox/informes/informe-semanal-no-03/view https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/cases-data/technical-report/report-3.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/cases-data/technical-report/report-3.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/cases-data/technical-report/report-3.html https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/cases-data/technical-report/report-3.html https://doi.org/10.1590/S1678-9946202264048 https://virological.org/t/urgent-need-for-a-non-discriminatory-and-non-stigmatizing-nomenclature-for-monkeypox-virus/853 https://virological.org/t/urgent-need-for-a-non-discriminatory-and-non-stigmatizing-nomenclature-for-monkeypox-virus/853 https://virological.org/t/urgent-need-for-a-non-discriminatory-and-non-stigmatizing-nomenclature-for-monkeypox-virus/853 https://virological.org/t/urgent-need-for-a-non-discriminatory-and-non-stigmatizing-nomenclature-for-monkeypox-virus/853 24 Mpox | UNIDADE 1: INTRODUÇÃO AO Mpox -virus/853. Acesso em: 19 dez. 2022. KUMAR, N. et al. The 2022 outbreak and the pathobiology of the mon- keypox virus. J. Autoimmun., v. 131, jul. 2022. DOI: 10.1016/j.jaut.2022.102855. LUNA, N. et al. Phylogenomic analysis of the monkeypox virus (MPXV) 2022 outbreak: Emergence of a novel viral lineage? Travel Medicine and Infec- tious Disease, v. 49, set. 2022. DOI: 10.1016/j.tmaid.2022.102402. LUO, Q; HAN, J. Preparedness for a monkeypox outbreak. Infectious Med- icine. v. 1. Jun. 2022. DOI: 10.1016/j. imj.2022.07.001. Organização Pan-Americana da Saúde. OPAS. Atualização epidemiológica Mpox (MPXV clado I). 2024a. 08 de agosto 2024. Acesso em: 02 set. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/ pt/alertas-e-atualizacoes-epide- miologicas?d%5Bmin%5D=&d%5B- max%5D=&topic=87192 Organização Pan-Americana da Saúde. OPAS. Atualização epi- demiológica Mpox Região das Américas. 2024b. 17 de agosto 2024. Acesso em: 02 set. 2024. Di- sponível em:https://www.paho.org/ pt/alertas-e-atualizacoes-epide- miologicas?d%5Bmin%5D=&d%5B- max%5D=&topic=87192 Organização Pan-Americana da Saúde. OPAS. Mpox. Washington, D.C.; OPAS; 2024c. Acesso em: 04 set. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/ pt/Mpox . PATRONO, L. V. et al. Monkeypox vi- rus emergence in wild chimpanzees reveals distinct clinical outcomes and viral diversity. Nat Microbiol. v. 5, 2020. https://doi.org/10.1038/ s41564-020-0706-0 SILVA, M. S. T. et al. Mpox, infecções sexualmente transmissíveis e pre- venção combinada: percepções de uma grande coorte no Rio de Janeiro, Brasil. AIDS():10.1097/ QAD.0000000000003991, 09 de agosto de 2024. | DOI: 10.1097/ QAD.0000000000003991 THORNHILL, J. P. et al. Monkeypox Vi- rus Infection in Humans across 16 Cou- ntries. New England Journal of Medi- cine, v. 387, p. 679-691, jul. 2022. Vakaniaki, EH, Kacita, C., Kinganda- -Lusamaki, E. et al. Surto humano sustentado de uma nova linhagem do clado I do MPXV no leste da Re- pública Democrática do Congo. Nat Med (2024). https://doi.org/10.1038/ s41591-024-03130-3 WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO recommends new name for monkey- pox disease. 28 nov. 2022. Disponível em: https://www.who.int/news/item/ 28-11-2022-who-recommends-new- -name-for-monkeypox-disease. Aces- so em: 15 dez. 2022. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Monkeypox: experts give virus variants new names. 12 ago. 2022. Disponível em: https://www.who.int/news/item/ 12-08-2022-monkeypox--experts-gi- ve-virus-variants-new-names. Acesso em: 15 dez. 2022. WHO South-East Asia Region. Epi- demiological Bulletin. 17 ed., 21 ago. 2024. Acesso em: 02 set. 2024. Dis- ponível em: https://iris.who.int/ bitstream/handle/10665/378541/ 9789290229513-eng.pdf?sequence=1 WHO. Surto de Mpox (Varíola dos ma- cacos) de 2022-24: Tendências glo- bais. 2024. Acesso em: 03 set. 2024. Acesso em: https://worldhealthorg. shinyapps.io/mpx_global/#5_Geno- mic_epidemiology https://virological.org/t/urgent-need-for-a-non-discriminatory-and-non-stigmatizing-nomenclature-for-monkeypox-virus/853 https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192 https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192 https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192 https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192 https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192 https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192 https://www.paho.org/pt/alertas-e-atualizacoes-epidemiologicas?d%5Bmin%5D=&d%5Bmax%5D=&topic=87192 https://www.paho.org/pt/Mpox . https://www.paho.org/pt/Mpox . https://www.who.int/news/item/28-11-2022-who-recommends-new-name-for-monkeypox-disease https://www.who.int/news/item/28-11-2022-who-recommends-new-name-for-monkeypox-disease https://www.who.int/news/item/28-11-2022-who-recommends-new-name-for-monkeypox-disease https://www.who.int/news/item/12-08-2022-monkeypox--experts-give-virus-variants-new-names https://www.who.int/news/item/12-08-2022-monkeypox--experts-give-virus-variants-new-names https://www.who.int/news/item/12-08-2022-monkeypox--experts-give-virus-variants-new-names https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/378541/9789290229513-eng.pdf?sequence=1 https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/378541/9789290229513-eng.pdf?sequence=1 https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/378541/9789290229513-eng.pdf?sequence=1 https://worldhealthorg.shinyapps.io/mpx_global/#5_Genomic_epidemiology https://worldhealthorg.shinyapps.io/mpx_global/#5_Genomic_epidemiology https://worldhealthorg.shinyapps.io/mpx_global/#5_Genomic_epidemiology Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 25 Mpox UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 2626 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE OBJETIVO GERAL: Esta Unidade tem como objetivo apresentar os aspectos clínicos da doença, sinais e sintomas, além dos fatores de risco, assegurando a diferenciação clínica da Mpox/ varíola dos macacos de outros quadros que causam lesões cutâneas. Busca ainda discutir a abordagem terapêutica e os tratamentos adotados, bem como medidas de prevenção e controle, vacinas e estratégias de prevenção não farmacológicas. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM: - Descrever sinais e sintomas da Mpox; - Diferenciar clinicamente Mpox de outros quadros que causam lesões cutâneas; - Compreender os fatores de risco; - Discutir a abordagem terapêutica e os tratamentos adotados; - Realizar medidas de prevenção e controle; - Discutir vacinas e estratégias de prevenção não farmacológicas. CARGA HORÁRIA DE ESTUDO: 10 horas 27 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA Em geral, a Mpox é classicamente des- crita como uma doença benigna que causa sinais e sintomas que duram de 2 a 4 semanas. Vimos na unidade 1 que ela é parecida com a varíola, embora seja clinicamente mais branda. Mas como se apresenta a Mpox? Será que o paciente manifesta apenas as lesões típicas da doença? Você já pensou nisso? Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 2828 2.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA Mpox Antes do surto de 2022, as manifesta- ções clínicas da doença eram descritas com base nos casos humanos obser- vados na África e relatados em artigos científicos e capítulos de livros, que eram escassos. A principal forma de transmissão identificada até então era o contato de uma pessoa com gotícu- las respiratórias de alguém infectado com o vírus da Mpox (MPXV), que era seguido por um período de incubação de 2 a 21 dias e depois por um período prodrômico, isto é, um período de 0 a 3 dias de duração da doença, caracteri- zado pelo aparecimento súbito de fe- bre, mal-estar geral, mialgia, cefaleia e fadiga decorrente da replicação e disseminação e circulação do vírus pelo organismo. Logo após os sintomas pro- drômicos, apareciam as lesões cutâne- as, todas na mesma fase evolutiva, de distribuição centrífuga, atingindo prin- cipalmente face e membros, acom- panhadas de aumento de linfonodos especialmente nas cadeias cervicais e submandibulares. Essa fase correspon- dia à instalação e multiplicação do ví- rus nas células da pele e das mucosas. A patogenia e os sinais e sintomas des- critos da doença são bastante seme- lhantes aos da varíola humana. A taxa de mortalidade descrita era de 0% a 11% nos diferentes surtos, sendo maior nos que ocorreram na África Central. No surto que iniciou em 2022 e, que acometeu pessoas em regiões mais ricas e mais desenvolvidas cientifica- mente no planeta, inúmeras séries de casos foram analisadas e publicadas, relatando-se patogenia e manifesta- ções clínicas diferentes das descritas anteriormente. A transmissão por con- tato direto com secreção das lesões cutâneas parece ser a mais frequente. Depois do contato, aparecem as lesões no local de inoculação. Na maior parte dos casos, elas surgem em região geni- tal e anal após contato sexual, sem a ocorrência de período prodrômico com sintomas sistêmicos. Além disso, obser- vam-se casos com poucas lesões loca- lizadas, sem a distribuição centrífuga e com lesões simultâneas em diferentes fases evolutivas. A taxa de mortalida- de descrita no surto atual varia de 3% a 6%. Um estudo com 528 casos de Mpox, distribuídos em 16 países, observou-se que 527 pacientes eram homens com idade média de 28 anos. Em 95% dos casos, a suspeita é de que a transmis- são tenha ocorrido durante atividade sexual. Desses pacientes, 95% tinham 29 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA lesões cutâneas, 64% menos de 10 le- sões, 73% com lesões anogenitais e 41% com lesões mucosas. Por outro lado, 54 pacientes apresentaram uma lesão única genital. Os sintomas sistêmicos mais frequentes foram febre (62%), le- targia (41%), mialgia (31%) e cefaleia (27%). Linfoadenopatia foi observada em 56% dos pacientes. Nessa coorte, o período de incubação foi, em média, de 7 dias, e 70 pacientes (13%) foram hos- pitalizados para analgesia, tratamen- to de infecção bacteriana secundária, observação de lesão ocular, insuficiên- cia renal aguda e/ou por dificuldade de isolamento domiciliar. Observou-se ainda que 29% dos pacientes tinham uma infecção sexualmente transmissí- vel (IST) concomitante (THORNHILL et al, 2022 ). O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), atendeu 208 pacientes com Mpox, dos quais 200 eram do sexo masculino (96,2%). Desse total de 200 homens, 89,7% de- clararam que faziam sexo com homens. A mediana de idade dos 208 pacientes era de 33 anos. Com relação às lesões da Mpox nos 208 pacientes atendidos, 76,1% tinham lesões disseminadas e 23,9% localizadas, 77,3% tinham lesões genitais, 33,1% anais e 4,8% apresen- tavam superinfecção bacteriana. Os sinais e sintomas sistêmicos mais re- latados foram febre (63%), adenome- galia (47,4%), cefaleia (31,7%), astenia (26,1%), dor de garganta (25,4%), mial- gia (21,4%) e diarreia (10,8%). A avalia- ção de ISTs concomitantes mostrou que 53,2% eram portadores de HIV, 21,2% tiveram diagnóstico de sífilis, 10,6% de clamídia e 9,9% de gonorreia. Um total de 33% tinha alguma IST ativa no mo- mento do diagnóstico de Mpox (SILVA et al. 2022). Aproximadamente 8 mil casos foram confirmados no segundo semestre de 2022 no Brasil. Desse total, 91,8% eram homens, com mediana de idade de 32 anos. Os sinais e sintomas mais rela- tados foram febre (58,0%), adenome- galia (42,4%) e cefaleia (39,9%). Além disso, 27,5% declararam ser imunos- suprimidos, 34,6% viviam com HIV e 10,5% tinham IST. Nesse período, três óbitos foram registrados (PASCOM et al. 2022) . Como já dissemos, o surgimento de lesões cutâneas é o principal sinal de suspeição diagnóstica. Essas lesões aparecem inicialmente como máculas e pápulas, mas depois progridem para vesiculação, pustulação, umbilicação, formação de crostas e descamação durante um período de 14 a 21 dias (Figura 1). As lesões, geralmente, são profundas, podendo ser pruriginosas e bastante dolorosas. Lesões em mu- cosas oral (Figura 2) e genital (Figura 3), frequentemente descritas no surto atual de Mpox, estão presentes em até 70% dos casos. A despigmentação e as cicatrizes são vistas como sequelas (Figura 4) (Ali et al. 2022, Torres et al. 2022).30 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA Figura 1 – Lesão cutânea de Mpox em seus vários estágios: (a) vesícula precoce (diâmetro de 3 mm), (b) pequena pústula (2 mm), (c) pústula umbilicada (3-4 mm), (d) lesão ulcerada (5 mm), (e) crosta de uma lesão e (f) crosta parcialmen- te removida Fonte: Ali et al. (2022). Figura 2 – Ulcerações no palato e amígda- las por MPXV Fonte: Torres et al. (2022). 31 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA Figura 3 – Lesões em mucosas de Mpox. A: Lesão umbilicada no pênis. B: Aglomerado de pápulas na região perianal, muitas com umbilicação Fonte: Torres et al. (2022). Figura 4 – Lesões cutâneas cicatriza- das de Mpox (A, B e C) Fonte: Torres et al. (2022). O aumento dos linfonodos submandi- bulares, cervicais e inguinais pode ser observado de um a dois dias após o iní- cio da erupção cutânea. As complicações são decorrentes de infecção bacteriana secundária e da localização das lesões. A infecção bac- teriana secundária da pele é bastan- te comum (Figura 5), observada em até um quinto dos pacientes, poden- do evoluir para quadros mais graves, como pneumonia e sepse, se não for identificada e tratada adequadamen- te (TORRES et al. 2022). Complicações decorrentes da localização das lesões incluem, por exemplo, o envolvimento ocular causando conjuntivite e cera- tite, que podem evoluir para úlceras de córnea e sinéquias oculares entre a íris e a cápsula anterior do cristalino. O envolvimento de áreas anatômicas que possa resultar em sequelas gra- ves de cicatrizes ou estenoses no sítio afetado, como esófago e uretra, requer acompanhamento médico mais pro- longado (SILVA et al. 2022). 32 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA FIQUE ATENTO! Confusão mental e con- vulsões são raras, mas também podem acontecer como consequência da encefalite viral. Figura 5 – Complicações da Mpox. A: Infecção secundária de lesões faciais. B: Aparência da infecção mostrada na Figura A 5 dias depois Fonte: Torres et al. (2022). Contudo, como já falado na unidade 1, o clado I do vírus Monkeypox (MPXV) tende a causar sintomas mais graves e maior mortalidade. Independente- mente do clado, o risco de desenvolver doença grave e complicações, como infecção secundária, sepse, pneumo- nia e encefalite, é significativamente maior em pessoas imunocomprometi- das, como aquelas com infecção avan- çada por HIV não tratada ou não con- trolada, além de crianças pequenas e mulheres grávidas. Entre as mortes documentadas durante o surto global do Clado IIb com início em 2022, houve um número considerável de casos em pessoas com HIV avançado ou outras condições graves de imunossupressão, o que também se observa nos regis- tros do surto de 2024 na África do Sul (WHO, 2024a). Em uma análise de 57 casos graves hospitalizados nos EUA, observou-se que 89,5% dos pacientes tinham al- gum tipo de imunocomprometimen- to (82,5% vivendo com HIV, dos quais apenas 8% estavam em tratamento antirretroviral e 72,1% tinham conta- gem de células CD4+ em sangue pe- riférico menor que 50 cels/mm3) e 5% eram gestantes. Todos os pacientes ti- nham lesões cutâneas severas (Figura 6) e 68% tinham também lesões muco- sas. Outros órgãos acometidos incluí- am pulmões (21%), olhos (21%), sistema nervoso central e medula espinhal (7%) (MILLER et al. 2022). O Center for Disease Control and Pre- vention (CDC) dos EUA lançou, em ja- neiro de 2023, um alerta sobre Mpox em grávidas, relatando 23 casos, 3 dos quais próximos ao parto. Os bebês nasceram também com a doença, mas não houve casos graves (OAKLEY et al. 2023). Informações sobre Mpox em grávidas ainda são muito limitadas, mas deve-se pesquisar lesões geni- tais desde o pré-natal até o momento do parto, realizar exames específicos para os casos suspeitos e avaliar indi- vidualmente o uso de antivirais e a via de parto (RAMNARAYAN et al. 2022. 33 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA Fonte: Miller et al. (2022). Você sabia que as lesões causadas pelo MPXV são muito parecidas com lesões causadas por outros microrganismos? Por isso, é de extrema importância que os profissionais da saúde estejam atentos e realizem, quando necessário, o diagnóstico diferencial das lesões. Figura 6 – Lesões disseminadas e extensas nas costas e nas mãos de paciente com caso grave de Mpox Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 3434 A Mpox deve ser diferenciada de ou- tras infecções virais que também po- dem causar vesículas e pústulas, como varicela, herpes-zoster e infecção pelo vírus do herpes simples. Outras infec- ções por poxvírus, como molusco con- tagioso, estomatite bovina e orf, tam- bém podem causar lesões cutâneas semelhantes à Mpox, bem como algu- mas infecções bacterianas e virais de pele, como impetigo, antraz cutâneo, sarampo, doença mão-pé-boca e ou- tras (Figura 7) (DROGA et al., 2023). Vesicopústulas ou pseudopústulas umbilicadas podem ser confundidas com pápulas umbilicadas translúci- das de molusco contagioso (Figura 8), particularmente em pacientes que têm lesões confinadas à genitália. A apresentação da Mpox como uma úl- cera genital solitária tem sido bem documentada na literatura e preci- sa ser diferenciada de outras ISTs que causam úlceras genitais, como sífilis, cancroide, condiloma acuminado e gonorreia disseminada. Foi observada a coinfecção de Mpox com várias ISTs, e a evidência de uma ou mais ISTs não deve excluir o diagnóstico de infecção por Mpox (DROGA et al., 2023). A história detalhada do paciente, in- 2.2 DIAGNÓSTICO CLÍNICO DIFEREN- CIAL DAS LESÕES cluindo histórico de viagens, conta- tos sexuais, informações sobre conta- to próximo com qualquer pessoa que estivesse com sintomas semelhantes, além da análise do momento dos sin- tomas prodrômicos e da formação das lesões cutâneas, pode ajudar a distin- guir as infecções. Embora a varíola tenha sido erradica- da, ela deve ser considerada como um diagnóstico diferencial devido à possi- bilidade de bioterrorismo. SAIBA MAIS! Saiba mais sobre as Le- sões da Mpox acessando o Atlas produzido pela Organização Mundial da Saúde. https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/366569/WHO-MPX-Clinical-Lesions-2023.1-eng.pdf?sequence=1 35 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA Figura 7 – Imagens ilustrativas para diagnóstico diferencial das lesões de Mpox: varicela, herpes-zoster, herpes simples e impetigo Fonte: Curitiba (2022). Figura 8 – Imagens ilustrativas para diagnóstico diferencial das lesões de Mpox: sífilis e molusco contagioso Fonte: Curitiba (2022). Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 3636 Dadas as características de transmis- são zoonótica e inter-humana, a epi- demiologia da Mpox e os fatores de risco têm sido variados ao longo do tempo. Por exemplo, entre 1981 e 1986, quase 100% dos casos registrados no Congo eram crianças, e os fatores de risco associados foram: morar em áre- as florestais, ser do sexo masculino, ter idade inferior a 15 anos e não ter va- cinação prévia contra varíola (KUMAR et al., 2022, RIMOIN et al., 2010, DI- MITRAKOFF, 2022, THORNHILL et al., 2022) Em 2003, nos EUA, ocorreu o primeiro relato de Mpox fora do continente afri- cano. Identificou-se que a origem des- sa contaminação foi uma remessa de animais de estimação exóticos e sel- vagens de Gana. O surto resultou em 47 casos humanos, mas nenhum caso de transmissão inter-humana foi do- cumentado. Nessa ocasião, os fatores de risco associados foram: exposição a um animal doente, exposição a gaiolas limpas e camas de um animal doente, ou o contato por toque com um animal doente (REYNOLDS et al., 2007). Dados epidemiológicos têm auxilia- do a identificar alguns fatores de risco do surto que iniciou em 2022, sendo a imunodeficiência o mais relatado. 2.3 FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À INFECÇÃO PELO MPXV FIQUE ATENTO! As informações aqui apresentadas são ba- seadas em relatos epidemiológi- cos descritivos, não em estudosanalíticos para determinação de fatores de risco, sendo, por- tanto, necessários estudos mais robustos sobre esses fatores. SAIBA MAIS! Veja mais detalhes sobre as manifestações clínicas e o perfil epidemiológico dos pacientes com Mpox observados no surto de 2022 com o pesquisador Estevão Portela Nunes, médico infectologista e vice-diretor de serviços clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz. https://fiocruzbr-my.sharepoint.com/:v:/g/personal/cursosarquivo_ms_fiocruz_br/EZMzJiBL629BnLRj26pvqwQBU82UERQn-Ope1Ec2t0Tnqw?e=gI1qPv Mpox | UNIDADE 3: ASPECTOS DIAGNÓSTICOS DA DOENÇA 3737 2.4.1 MANEJO SINTO- MÁTICO Em casos suspeitos ou confirmados de Mpox, a base do tratamento é o ma- nejo sintomático. A terapia é focada no manejo da dor oral, genital e anor- retal; na redução do prurido; no mo- nitoramento da febre; no tratamento da proctite, se presente; e na limpeza das lesões de pele. As opções de trata- mento incluem enxágues anestésicos, anestésicos tópicos, banhos de assen- to ou de aveia, laxantes, analgésicos, anti-histamínicos orais ou tópicos ou outros géis ou loções não irritantes, como calamina ou mentol. De modo geral, a maioria dos pacientes se recu- pera apenas com o controle dos sinto- mas. Nos pacientes que desenvolvem dor intensa, são necessários regimes de tratamento multimodal, que po- dem incluir opioides. (BRASIL, 2022). ATENÇÃO! Em caso de infecções bacterianas secundá- rias, deve-se introduzir antibioticoterapia apropriada. 2.4 TRATAMENTO E ABORDAGEM TERAPÊUTICA 2.4.2 TERAPIAS ANTIVIRAIS ATENÇÃO! Vários antivirais podem ser prescritos para o tratamen- to de Mpox. Alguns desses medicamentos foram aprovados para o tratamento da varíola com base em modelos animais e estudos de dose e segurança em humanos saudáveis, portanto espera-se que tenham a mesma atividade contra a Mpox. Nes- se momento, o tecovirimat é o trata- mento de escolha (FRENOIS-VEYRAT et al., 2022; CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2022) a) Tecovirimat ou TPOXX: é um inibidor potente da proteína do vírus necessá- ria para a formação de uma partícula viral infecciosa, sendo recomendado para casos em que há risco elevado de doença grave. Deve-se avaliar cada paciente quanto à elegibilidade para receber o antiviral. O TPOXX é reco- mendado para tratamento compas- sivo para pacientes com resultado la- boratorial positivo/detectável para MPXV com lesão ocular e/ou internado com a forma grave da doença, apre- sentando uma ou mais das seguintes manifestações clínicas (BRASIL, 2022): 38 Mpox | UNIDADE 2: ASPECTOS CLÍNICOS DA DOENÇA Apesar de esse medicamento não ter registro no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após solicitação do Ministério da Saúde (MS), autorizou, em caráter excepcio- nal e temporário, a dispensa do regis- tro do medicamento importado pelo Ministério, considerando a emergência em saúde pública. A dose recomendada de TPOXX de- pende do peso do paciente. Por exem- plo, para pacientes com peso ≥40 kg e