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Cesare Beccaria, em sua obra "Dos Delitos e das Penas", apresenta conceitos fundamentais para a ciência do direito penal, o autor defende uma pena justa e humana, com caráter educativo e preventivo, sendo contra qualquer forma de punição que envolva tortura ou pena de morte, ele relata que a pena de morte não é a solução para os crimes cometidos. O autor aborda diversas dimensões do direito penal de maneira clara e objetiva, tratando de temas relacionados à justiça, suas ideologias e conflitos sociais, ao nascer, o indivíduo adquire um contrato social, conferindo ao Estado o direito de aplicar a lei e punições, criando um Estado soberano em troca de segurança e bem-estar social, permitindo uma convivência harmoniosa em sociedade. As leis são as condições sob as quais homens independentes e isolados se uniram em sociedade, cansados de viverem em contínuo estado de guerra e de desfrutarem de uma liberdade inútil pela incerteza de poder mantê-la. As leis definem quais ações são crimes e regulam o tempo de pena que o indivíduo deve cumprir, o juiz deve ser imparcial, não podendo sofrer nenhum tipo de influência, aplicando uma pena justa ao infrator. A separação dos poderes em legislativo, judiciário e executivo, demonstrada por Montesquieu, é essencial para evitar a concentração de poder em uma única pessoa, além de aplicar e fiscalizar a aplicação da lei de forma humana. As leis devem ser aplicadas conforme os costumes da sociedade atual, sem espaço para interpretações pessoais do magistrado, destacando a importância de leis claras e objetivas. Mesmo que a lei seja aplicada de forma equivocada, deve ser cumprida para garantir a estabilidade social, prevenindo crimes e delitos e promovendo o bem-estar social. Para Beccaria, a lei deve especificar os casos em que a pena de prisão deve ser aplicada, pois as consequências precisam ser conhecidas previamente pelo cidadão para que ele não possa alegar desconhecimento das consequências de seus atos. Uma consequência curiosa da tortura é que ela coloca o inocente em uma posição pior do que a do réu: se ambos são submetidos ao tormento, o inocente tem todas as condições contra si, pois ou confessa o delito e é condenado, ou é declarado inocente, mas sofre uma pena indevida. O réu, por outro lado, tem uma condição favorável: resistindo à tortura com firmeza e sendo absolvido como inocente, transforma uma pena maior em uma menor. O inocente não pode senão perder, enquanto o culpado pode ganhar. Embora Beccaria não aprovasse a pena de morte, ele a considerava admissível em casos em que a ação do indivíduo ameaçasse a segurança pública, causando confusão e revolução que afetassem o governo, outro caso seria quando a punição com morte fosse a única forma de prevenir novos crimes cometidos pela pessoa. Com a pena de morte, cada exemplo dado à nação pressupõe um delito; na pena de escravidão perpétua, um só delito proporciona muitos e duradouros exemplos. Nosso espírito resiste mais à violência e às dores extremas, porém passageiras, do que ao tempo e ao tédio permanente, a pena deve ser proporcional ao delito cometido. Em resumo, o autor ressalta a importância de leis proporcionais ao crime e prevista em lei. A pena de morte e a tortura são métodos que não proporcionam uma melhoria na qualidade de vida na sociedade. Pelo contrário, como Beccaria mesmo diz, uma pena duradoura demonstra melhor o poder da pena do que uma pena de morte. Se o Estado quer demonstrar sua eficácia na aplicação das leis, deve-se aplicar leis severas, mas proporcionando ao réu o arrependimento e sua reabilitação. A pena, não é apenas punitiva, mas também ela deve colocar a pessoa que cometeu o crime para refletir sobre suas ações criminosas, para que, ao voltar para a sociedade, volte como um cidadão, e não como mais um infrator.