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DIREITO PENAL I

Apostila de Teoria Geral do Direito Penal (Prof. Ivanildo Alves). Inclui bibliografia e trata de denominação e definição do Direito Penal, seus caracteres, conceitos (bem jurídico, interesse, jus puniendi), conteúdo, relação com outros ramos e evolução histórica das penas.

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PROFESSOR: IVANILDO ALVES
BIBLIOGRAFIA
-        Damásio E. de Jesus - Direito Penal, São Paulo, Saraiva, 2000, 1.º Volume.
-        Júlio Fabbrini Mirabete - Manual de Direito Penal, São Paulo, Atlas, 2000, Volume 1.
-        Celso Delmanto - Código Penal Comentado - Renovar - 2000 - Volume Único
-        Edgar Magalhães Noronha - Direito Penal, São Paulo, Saraiva, 2000, 1º volume
-        José Frederico Marques - Curso de Direito Penal, São Paulo, Bookseller
-   Ivanildo Ferreira Alves - Crimes Contra a Vida, Grapel, 1999.
-        Ivanildo Ferreira Alves - Lesões Corporais, Grapel, 2000
-        Ivanildo Ferreira Alves - Da Periclitação da Vida e da Saúde e da Rixa, 2000
-        Ivanildo Ferreira Alves - Dos Crimes Contra a Honra, Grapel, 2000
-        Ivanildo Ferreira Alves - Dos Crimes Contra a Liberdade Individual, Grapel 2000
-        Paulo Queiroz, direito Penal-Parte Geral
-Nélson Hungria, Aníbal Bruno, Roberto Lyra, Edmundo Oliveira, Heleno Fragoso, Fernando Capez, Cézar Roberto Bittencourt.
DIREITO PENAL
1ª Parte - Teoria Geral do Direito Penal
Unidade I
1-DENOMINAÇÃO - A expressão "Direito Penal" foi utilizada pela primeira vez em 1756, na Inglaterra.
Outras expressões são também utilizadas para denominação da disciplina como "DIREITO CRIMINAL (CARRARA); "DIREITO REPRESSIVO "(PUGLIA); "DIREITO SANCIONADOR"(VALDES); "DIREITO DE DEFESA SOCIAL"(MARTINEZ).
2-DEFINIÇÃO - DIREITO PENAL É:
O conjunto das prescrições emanadas do Estado, que ligam ao crime, como fato, a pena como conseqüência" (VON LISZT)
"É o conjunto de normas jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado, ligando ao delito, como pressuposto, a pena como conseqüência" ( MEZGER)
"É o conjunto de normas jurídicas que regulam o poder de  punir do Estado, tendo em vista os fatos de natureza criminal e as medidas aplicáveis a quem os pratica" ( E. MAGALHÃES NORONHA)
3-CARACTERES DO DIREITO PENAL
O Direito Penal é uma ciência cultural, normativa, valorativa e finalista
É ciência normativa porque tem como objeto o estudo da norma, contrapondo-se a outras que são causais- explicativas.
É valorativo porque valoriza suas normas, que se dispõem em escala hierárquica. Tutela os mais preciosos bens  jurídicos da sociedade.
É finalista porque tem por escopo proteger os bens e interesses jurídicos.
É cultural porque pertence às ciências do dever ser e não as do ser, isto é, às ciências naturais.
3.1- ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES PARA O ESTUDO DO DIREITO PENAL:
-        BEM JURÍDICO - é tudo quanto pode satisfazer uma necessidade e se encontra tutelado pelo direito.
-        INTERESSE JURÍDICO - é a relação que se estabelece entre o indivíduo e o bem.
-        JUS PUNIENDI - é o direito que o Estado tem de punir  o transgressor da lei penal. O jus puniendi é monopólio do Estado.
4-CONTEÚDO - O crime, o criminoso e a pena dão corpo ao Direito Penal, constituem o conteúdo do estudo desta disciplina jurídica.
5-DIREITO PENAL SUBSTANTIVO - é expressão usada como sinônimo de Direito Penal, contrapondo-se a expressão DIREITO PENAL ADJETIVO (ou Formal, ou Instrumental) usada como sinônimo de Direito Processual Penal.
6-RELAÇÃO DO DIREITO PENAL COM OUTROS RAMOS DO DIREITO. O DIREITO PENAL  RELACIONA-SE COM:
-        O Direito Constitucional
-        O Direito Administrativo
-        Internacional Público
-        Penitenciário
-        Privado
7-RELAÇÃO  DO DIREITO PENAL COM AS  DISCIPLINAS AUXILIARES.
-        Medicina Legal
-        Psiquiatria Forense
-        Psicologia Judiciária
-        Estatística Criminal
-        Polícia Científica
Unidade II
1-EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS IDÉIAS PENAIS.
1.1-   CONSIDERAÇÕES GERAIS.
-        A história do Direito Penal é a história da humanidade
-        O crime tal qual uma sombra sinistra nunca se afastou do homem.
-        Surgiu não como um sistema de princípios, mas na prática intuitiva do homem.
-        Inicialmente o Direito penal girava em torno da idéia de pena.
1.2-   FASES DA PENA (OU FASES EVOLUTIVAS DO DIREITO PENAL)
-        Da Vingança Privada
-    Da Vingança Divina
-        Da Vingança Pública
-    Período Humanitário
Esses períodos não se sucedem integralmente. Ocorrem concomitantemente princípios de cada um. Uma fase penetra na outra.
1.2.1- PERÍODO DA VINGANÇA PRIVADA
Prepondera a "LEI" DO MAIS FORTE. O REVIDE NÃO GUARDAVA PROPORÇÃO. Surge, então,  o talião ("tal qual").
O Talião representa uma evolução porque delimita o castigo.
O Talião aparece nas Leis mais antigas, como o código de Hammurabi, rei da Babilônia, século XXIII, A.C.
A Bíblia também o prevê: Êxodo (23, 24,25) e Levítico (17 a 21)
Era enunciado pela fórmula "olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé".
1.2.2- PERÍODO DA VINGANÇA DIVINA.
-        O princípio que domina a repressão é a satisfação da divindade ofendida pelo crime.
-        É o período do Direito Penal religioso, teocrático e sacerdotal
-        São exemplos dessas leis o código de Manu, na Índia, o de Hammurabi.
1.2.3- PERÍODO DA VINGANÇA PÚBLICA
-        O objetivo é a segurança do soberano, através da pena, severa e cruel. ( a pena de morte é a regra, executada por meios cruéis. Exs: Fogueira,estrangulamento, esquartejamento,  sepultamento em vida, etc.)
-        Predominava nesse período o arbítrio judicial, a desigualdade perante a justiça, a desumanidade das penas.
1.2.4- PERÍODO HUMANITÁRIO
-        Representa uma reação contra a crueldade das penas, as arbitrariedades da justiça, a fragilidade do sistema de provas, etc...
-        A principal figura é César Bonesana, Marquês de Beccaria, nascido em Milão, em 1738.
-        Escreveu seu famoso livro "Dos Delitos e das Penas", no qual critica o uso da tortura como meio de prova, as acusações secretas, proclama os meios de defesa do acusado, etc.
-        Discorda também da pena de morte, da morosidade da justiça, das penas infamantes.
-        A essência da obra: Defesa do indivíduo contra as leis e a justiça daqueles tempos. As leis eram atrozes e a justiça arbitrária e servil aos fortes e poderosos.
2- DOUTRINAS E ESCOLAS PENAIS
2.1- Escola Clássica - Vale-se do método dedutivo. O crime não é um ente de fato, mas entidade jurídica
-        A pena é um meio de tutela jurídica - é retributiva.
-        Suas principais figuras são:  César Beccaria, Francisco Carrara, Carmignani, Jeremias Bentham, dentre outros.
2.2-   Escola Correcionalista - visualiza o homem, real, vivo e efetivo, em sua individualidade e não apenas o ato criminoso por ele praticado.
-        A pena, visando a correção da má ação do delinqüente deve durar o tempo necessário para que ele seja reeducado e reinserido socialmente. Por isso deve ser indeterminada.
-        Seus princípios são firmados no início do século XIX. Seus principais expoentes são Carlos Davi, Augusto Roeder, Dorado Montero, Luís Jiménez  de     Asua e Concepción Arenal.
2.3-   Escola Positiva - na escola  clássica o Direito preexiste ao homem. A escola positiva entende ser ele resultante da vida em sociedade.
-        O Direito sofre variações no tempo e no espaço, segundo a lei da evolução. O método utilizado é o experimental.
-        O crime é um fato humano, decorrente de fatores individuais, físicos e morais.
-        A concepção básica é a do fenômeno biológico do crime e a do método experimental em seu estudo.
-        São vultos da escola positiva, que teve por base o positivismo de Augusto Comte: César Lombroso, Henrique Ferri, Rafael Garofalo, Puglia, Florian, Hilário Veiga de Carvalho.
-        2.4- TERCEIRA ESCOLA - procura conciliar as posições extremas da escola clássica e da escola positiva.
-        Rejeita as idéias de Lombroso de que o homem nasce criminoso, fundando-se na causalidade e não na fatalidade do delito ( Alimena, Impalllomeni, Carnevale, dentre outros).
-        Surgiram outras escolas como a "Moderna Escola Alemã", "Neoclássica", "Neopositiva", nas mais das vezes são variações da escola clássica ou da escola positiva.
Unidade III
O DIREITO PENAL BRASILEIRO
1-Origem e Evolução
1.1-   Instituições Indígenas
-        Por ocasiãoa ocorrer.
b)    Ameaça a direito próprio ou alheio: na expressão direito está implícito qualquer bem jurídico, como a vida, a honra, a liberdade, o patrimônio, etc.
      A intervenção necessária pode ocorrer para salvar um bem jurídico do sujeito ou de terceiro (não se exige relação de parentesco, amizade ou subordinação entre o agente e o terceiro necessitado).
      Os interesses em litígio devem se encontrar protegidos pelo direito. Se a ordem jurídica nega proteção a um dos bens jurídicos, fica afastada a ocorrência do estado de necessidade.
Ex: o condenado a morte não pode alegar encontrar-se em estado de necessidade diante do carrasco, pois o estado negou proteção a seu direito de vida.
c)    Situação de Perigo não causada voluntariamente pelo sujeito:
Ex: uma pessoa que causa dolosamente incêndio em um navio, não pode alegar estado de necessidade.
d)    Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo:
É indispensável que o sujeito não tenha o dever imposto por lei de sofrer o risco de sacrificar o próprio interesse.
Ex: o funcionário público da repartição sanitária não pode escusar-se de atender vítimas de uma epidemia.
Ex: o policial não pode deixar de perseguir malfeitores sob o pretexto de que estão armados.
2.2) São requisitos da conduta lesiva:
a)    Inevitabilidade do comportamento lesivo: o agente não tem outro meio de evitar o perigo ao bem jurídico próprio ou de terceiro, por isso pratica o fato necessitado.
b)    Inexigibilidade de sacrifício do interesse ameaçado: deve haver proporcionalidade entre a gravidade do perigo que ameaça o bem jurídico do agente (ou do terceiro) e a gravidade da lesão causada pelo fato necessitado.
Ex: a prática de homicídio para impedir a lesão de um bem patrimonial de ínfimo valor.
c)    Conhecimento da situação de fato justificante: quando o sujeito não tem conhecimento de que age para salvar interesse próprio ou de terceiro NÃO há estado de necessidade.
Legítima Defesa
1-Legítima defesa (considerações gerais):
a)    Só o Estado tem o direito de castigar o autor do delito.
b)    Nem sempre o Estado se encontra em condições de intervir direta ou indiretamente para resolver problemas da vida cotidiana.
                c)Diante da agressão injusta não se exige a fuga.
2-Natureza Jurídica: é um direito que exclui a antijuricidade.
3-Conceito Legal: entende-se em legítima defesa quem usando moderadamente dos meios necessários repele injusta agressão atual ou iminente a direito seu ou de outrem. (art. 25 CPB).
4-Requisitos da Legítima Defesa:
4.1-Agressão injusta, atual ou iminente.
* Agressão é a conduta humana que ataca ou coloca em perigo um bem jurídico.
* O ataque de um animal não enseja a legítima defesa e sim o estado de necessidade.
* A agressão pode ser ativa ou passiva.
* Exemplo de agressão passiva: a conduta do carcereiro que diante do Alvará de soltura, por vingança, se nega a libertar o recluso.
* A agressão deve ser injusta. Se a agressão é licita a defesa não pode ser legítima.
* Exemplo de agressão justa: diligência de penhora realizada por um oficial de justiça, munido de mandado judicial.
* A conduta do oficial de justiça constitui agressão, mas não é injusta.
* A mera provocação do agredido não exclui a legítima defesa. Se a provocação não constitui agressão, não fica excluída a legítima defesa.
* Além de injusta a agressão deve ser atual ou iminente.
* Agressão atual é a presente, a que está acontecendo.
Exemplo: A está agredindo B a golpes de faca.
* Agressão iminente é a que está prestes a acontecer.
Exemplo: A está perseguindo B para matá-lo a golpes de faca.
* Não há legítima defesa contra agressão passada (vingança) ou futura (o agente pode recorrer a polícia).
4.2-Direito do agredido ou de terceiro atacado ou ameaçado de dano pela agressão:
* Há duas formas de legítima defesa:
1) Legítima defesa própria:
     Quando o autor da repulsa é o próprio titular do bem jurídico atacado ou ameaçado.
2) De terceiro quando a repulsa visa defender interesse de terceiro.
4.3-Repulsa com os meios necessários:
1) A conduta de defesa deve ser necessária para repelir a agressão.
2) A pessoa que repele a agressão deve optar pelo meio produtor do menor dano.
4.4-Moderação na repulsa necessária: a pessoa deve agir com moderação, não empregando o meio além do que é preciso para evitar a lesão do bem próprio ou de terceiro.
* Excesso na legítima defesa:
   O excesso consiste na intensificação da conduta.
* Para reconhecer que houve excesso, é preciso admitir que se encontram presentes as condições básicas da legítima defesa.
* Uma delas entretanto, a proporcionalidade, encontra-se hipertrofiada.
* O excesso pode ser doloso ou culposo.
   Exemplo de excesso doloso:
   A em legítima defesa comete lesão corporal grave em B. Jáprostrado o agressor, A continua a agredi-lo provocando-lhe a morte.
4.5-Diferenças entre Legítima Defesa e Estado de Necessidade:
a)    No estado de necessidade há um choque entre bens jurídicos, na legítima defesa há ataque ou ameaça de lesão a um bem jurídico.
b)    No estado de necessidade o perigo pode advir de conduta humana, força da natureza ou ataque de um animal irracional. Na legítima defesa a agressão parte de um ser humano.
4.6-Ofendículos: são obstáculos, impedimentos ou tropeço. Juridicamente significa aparato para defender o patrimônio, o domicílio ou qualquer bem jurídico de ataque ou ameaça.
   Ex: Cacos de vidro no muro, pontas de lança na amurada, corrente elétrica na maçaneta da porta, arame farpado e etc.
   A colocação de ofendículos constitui exercício regular do direito.
   Quando funciona em face de um ataque, o problema é de legítima defesa.
   A agressão injusta ocorre quando o ladrão tenta forçar a fechadura da porta interna da residência.
Estrito Cumprimento do Dever Legal
1-Estrito cumprimento do dever legal (considerações gerais):
a)    É causa de exclusão de antijuridicidade.
b)     Ocorre quando existe um dever imposto pelo direito positivo (regulamento, decreto ou lei, etc.), ou seja, qualquer lei penal ou extra-penal.
c)    É necessário que o sujeito pratique o fato em face de um dever imposto pela lei.
d)     Exige-se que o sujeito tenha conhecimento de que está praticando o fato em face de um dever imposto pela lei.
2-Exemplo estrito cumprimento do dever legal:
a)    Carrasco que executa o condenado a pena de morte.
b)     Morte do inimigo no campo de batalha.
3-Exercício regular do direito:
a)    A expressão direito é empregada em sentido amplo.
b)     Abrange todas as espécies de direito.
c)    O exercício deve ser regular, isto é, o agente deve obedecer rigorosamente aos requisitos objetivos traçados pelo poder público.
4-Exemplos de Exercício regular do direito:
a)    Direito de Retenção: permitido pelo Código Civil.
b)     Direito de Correção: dos pais em relação aos filhos.
c)    Prisão em flagrante: realizada por particular.
5-Outros exemplos doutrinários:
a)    Intervenções médicas e cirúrgicas.
b)     Violência esportiva, desde que haja obediência irrestrita às regras do jogo.
Imputabilidade
1-Considerações Gerais:
-        A culpabilidade é um juízo de reprovação, somente pode ser responsabilizado o sujeito quando poderia ter agido em conformidade com a norma penal.
-        O livre arbítrio que tem o homem de escolher entre o bem e o mal cria a responsabilidade pelos atos ilícitos que praticou.
-        Essa responsabilidade é chamada imputação, de onde provém o termo “imputabilidade” que é elemento da culpabilidade.
-        Imputabilidade é, portanto, a aptidão para ser culpável.
-        Há imputabilidade quando o sujeito é capaz de compreender a ilicitude de sua conduta e de agir de acordo com esse entendimento. (Hans Welzel)
-        Quem não tem essa capacidade de entendimento e de determinação é inimputável, eliminando-se a culpabilidade.
2-Critérios para a determinação da Imputabilidade:
-        Biológico (ou etiológico)
-        Psicológico
-        Biopsicológico
-        Critério Biológico: Segundo ele a pessoa que apresenta uma anomalia psíquica é sempre inimputável,não se indagando se essa anomalia retirou do agente a inteligência e a vontade no momento do fato.
-        Critério Psicológico: Nele são verificadas apenas as condições psíquicas do autor no momento do fato, afastada qualquer preocupação a respeito da existência ou não de doença mental ou distúrbio psico-patológico.
- É considerado um critério pouco científico e de difícil averiguação.
-        Critério Biopsicológico: (ou misto): combina os dois anteriores. Verifica-se em primeiro lugar se o agente é doente mental ou tem desenvolvimento mental incompleto ou retardado.
- Em caso negativo, não é inimputável, isto é, será considerado imputável.
- Caso positivo, averigua-se se era ele capaz de entender o caráter ilícito do ato; será inimputável se não tiver essa capacidade.
- Tendo capacidade de entendimento, apura-se se o agente era capaz de determinar-se de acordo com esse entendimento.
- Inexistente a capacidade de determinação, o agente é também inimputável. O critério Biopsicológico foi o critério adotado pelo nosso Código Penal, no art. 26 (ler).
3-Excluem a Imputabilidade:
-        A doença mental e o desenvolvimento mental incompleto ou retardado (art. 26).
-        A menoridade (art. 27).
-        A embriaguez fortuita completa (art. 28, § 1º).
Inimputabilidade por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (ler art. 26, CP).
       Menciona o art. 26:
A doença mental, que abrange todas as moléstias que causam alteração mórbida à saúde mental.
       As doenças mentais podem ser:
-        Funcionais: como a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva, a paranóia, a epilepsia.
-        Orgânicas: como a paralisia progressiva, sífilis cerebral, a histeria, a arteriosclerose cerebral.
-        Tóxicas: como a psicose alcoólica ou por medicamentos, etc.
O art. 26, alude ao desenvolvimento mental incompleto: é o caso dos silvícolas não adaptados à civilização. Normalmente são incluídos no parágrafo único do art. 26.
Estão incluídos, ainda, os surdos-mudos que não receberam instrução adequada.
O desenvolvimento mental retardado é o estado mental dos oligofrênicos (imbecilidade e idiota), incapazes de entendimento.
Não basta a presença de uma dessas situações (doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado) para que fique excluída a imputabilidade.
É preciso ser feita uma aferição no aspecto intelectivo e volitivo.
Só é inimputável aquele que, ao tempo da conduta, era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato.
É imputável aquele que, embora portador de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, tem capacidade de entender a ilicitude de seu comportamento e de se auto determinar.
Excluída a imputabilidade por incapacidade total de entendimento da ilicitude do fato ou de autodeterminação, o autor do fato é absolvido.
O agente, contudo, será submetido, obrigatoriamente, a medida de segurança de internação em hospital psiquiátrico.
      Menoridade: é uma hipótese de inimputabilidade prevista no art. 27 (ler).
Adotou-se no dispositivo um critério puramente biológico (idade do autor do fato).
Não se leva em conta o desenvolvimento mental do menor, que não está sujeito à sanção penal ainda que plenamente capaz de entender o caráter ilícito do fato.
Outras Legislações Penais:
-        Inglaterra, Grécia – 17 anos.
-        Espanha. Israel, Bélgica – 16 anos.
-        Índia, Egito, Paraguai – 15 anos.
-        Haiti – 14 anos.
-        Suécia, Chile – 21 anos.
      Tempo da Maioridade:
É considerado imputável aquele que comete o fato típico aos primeiros momentos do dia em que completa 18 anos pouco importando a hora exata de seu nascimento.
Nos crimes permanentes é imputável o agente que no início da ação tem 17 anos, mas completa 18 durante ela.
Comprovada a menoridade penal do réu, o Processo deve ser anulado “Ab initio” por ausência de legitimidade passiva.
É circunstância atenuante genérica ter o agente menos de 21 anos (art. 65, I).
Os prazos da prescrição, nessa hipótese, são reduzidos de metade (art. 115).
      Emoção e Paixão:
Emoção: é um estado afetivo que, sob uma impressão atual, produz repentina e violenta perturbação do equilíbrio psíquico.
Segundo KANT, sendo intensa é comparável a torrente que rompe um dique.
Ex: ira, medo, alegria, surpresa, vergonha, prazer erótico, etc.
Paixão: é uma profunda e duradoura crise psicológica que ofende a integridade do espírito e do corpo, que pode arrastar muitas vezes o sujeito ao crime.
Ex: O amor, o ódio, a avareza, o ciúme, o patriotismo, etc.
A diferença entre  a emoção e a paixão reside no fato de ser a primeira aguda e de curta duração e a segunda crônica e de existência mais estável. (ler art. 65, III, c, última parte e 121, § 1º).
      Embriaguez: é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou substância de efeitos análogos que privam o sujeito da capacidade normal de entendimento.
Tipos de Embriaguez:
-        Voluntária
-        Culposa
-        Fortuita
Embriaguez Voluntária: quando o agente pretende embriagar-se, procurando intencionalmente o estado de ebriedade. É dita preordenada se o agente bebe para melhor poder cometer o crime.
Embriaguez Culposa: quando o agente, não pretendendo embriagar-se, bebe demais, imprudentemente, chegando assim ao estado de embriaguez.
Embriaguez Fortuita ou por força maior: o agente não quer embriagar-se, nem fica embriagado por culpa sua.
A embriaguez fortuita (ou acidental) decorre de caso fortuito ou de força maior. O sujeito não quer embriagar-se, nem fica embriagado por culpa sua. (ler art. 28, § 1º).
Exemplos:
1-Cair em um tonel de aguardente (Caso Fortuito.)
2-O agente é forçado a beber ou ingere a substância alcoólica que lhe foi ministrada em uma bebida inócua (Força Maior.)
Graus ou Fases da Embriaguez:
-        Incompleta (fase de excitação)
-        Completa (fase de depressão)
-        Comatosa (fase letárgica)
Embriaguez Incompleta: há afrouxamento dos freios morais. O agente tem ainda consciência, mas se torna excitado desinibido.
Embriaguez Completa: há o desvanecimento de qualquer censura moral, ocorrendo confusão mental, falta de coordenação motora, não tendo o agente mais consciência e vontade livres.
Embriaguez Comatosa: o sujeito cai em sono profundo.
A embriaguez comatosa é interessante sua análise na hipótese de crimes omissivos.
Na embriaguez preordenada há agravante para o agente (art. 61, II, “L”).
Redução de pena na hipótese de embriaguez (art. 28, § 2º).
A embriaguez não é apenas a alcoólica pode ser causada por morfina, cocaína, maconha, éter, clorofórmio, etc.
Inexigibilidade de Conduta Diversa:
O CP não contempla a inexigibilidade de conduta diversa como causa geral de exclusão da culpabilidade.
O sistema penal vigente no País somente admite a inexigibilidade de conduta diversa como causa excludente da culpabilidade quando expressamente prevista (Ex: coação irresistível).
Leitura Extra-Classe:
Potencial consciência da ilicitude.
Penas
1-Origem:
       A pena tem uma origem sacramental. Os homens primitivos não podendo explicar os acontecimentos que fugiam ao cotidiano, passaram a atribuí-los a seres sobrenaturais.
       Esses seres premiavam ou castigavam a comunidade pelo seu comportamento.
       As obrigações devidas aos deuses (Totens) acarretavam graves castigos, quando não eram cumpridas.
       Da diversidade das tribos surgiram duas espécies de penas: a perda da paz e a vingança do sangue, que evoluíram para o Talião e a Composição.
       Nas civilizações antigas a sanção mais freqüente era a norte, e a repressão atingia não só o patrimônio, mas também os descendentes do infrator,
       Na Grécia Antiga e no Império Romano predominavam a pena capital e o desterro, açoites, mutilações, etc.
       Sêneca foi um dos primeiros filósofos a pregar a idéia de que se deveria à pena, finalidades superiores como a defesa do Estado, a prevenção geral e a correção geral dos delinqüentes.
       Na Grécia Clássica imaginou-se uma fundação pedagógica para a pena.
2-Escolas Penais:Investigando o direito e o dever de punir do Estado, surgiram três correntes doutrinárias a respeito da natureza e dos fins da pena:
-        Teorias Absolutas (Retribucionistas)
-        Teorias Relativas (Utilitárias)
-        Teorias Mistas (ou ecléticas)
Teorias Absolutas: têm como fundamento da sanção penal, a exigência da justiça: pune-se o agente porque cometeu o crime.
       “Ao mal do crime impõe-se o mal da pena, do que resulta a igualdade e só a igualdade traz a justiça” (Kant).
       O castigo é imposto por uma exigência ética não se tendo que vislumbrar qualquer conotação ideológica nas sanções penais.
       A pena é tida como puramente retributiva, não havendo qualquer preocupação com o infrator.
Teorias Relativas: também conhecidas por utilitárias, dá à pena um caráter exclusivamente prático, em especial o de prevenção.
       “O crime não seria causa da pena, mas a ocasião para ser aplicada. O crime por ser a violação do Direito, o Estado de impedi-lo pela coação psíquica (intimidação) ou física (segregação).” (Feuerbach)
Teorias Mistas (Ecléticas): representa a junção das duas correntes anteriores. A finalidade não é só a prevenção, mas também um misto de educação e correção.
       A pena deve objetivar, simultaneamente, retribuir e prevenir infração.
       A escola de defesa social tem buscado instituir um movimento de política criminal humanística fundado na idéia de readaptação social do delinqüente.
       A pena é instrumento de ressocialização do condenado, devendo ser submetido a tratamento após o estudo de sua personalidade. (ler: item 14 da exposição de motivos da L.E.P.).
3-Pena (conceito):
       “É uma sanção aflitiva imposta pelo Estado, através da ação penal, ao autor de uma infração penal, como retribuição de seu ato ilícito, consistente da diminuição de um Bem Jurídico e cujo fim é evitar novos delitos.” (Soler)
4-Características da Pena:
Legalidade: consiste na existência prévia de lei para imposição da pena (nulla poena sine lege). Ler art. 1º CP.
Personalidade: a imposição da pena não pode estender-se a terceiros. “Nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente” (art. 5º, XLV da CF/88).
Exceção: o perdimento de bens pode ser, nos termos da lei, estendida aos sucessores e contra eles executada até o limite do valor do patrimônio transferido. (art. 5º, XLV 2ª Parte, da CF/88).
Proporcionalidade: cada crime deve ser reprimido com uma sanção proporcional ao mal por ele causado.
Inderrogabilidade: praticado o delito, a imposição deve ser certa e a pena cumprida. Às vezes a lei penal suaviza esse princípio através de institutos como a suspensão condicional, perdão judicial, da extinção da punibilidade.
Doutrinariamente as penas classificam-se em:
a)    Corporais
b)    Privativas de liberdade
c)    Restritivas de liberdade
d)    Pecuniárias
e)    Privativas e restritivas de direitos
f)    Penas Corporais: são as que atingem a própria integridade física do criminoso, são os açoites, as mutilações e a morte.
-        As penas corporais cruéis foram abolidas na maioria dos países civilizados, embora permaneçam em algumas nações (Irã, por exemplo). Ler art. 5º, XLVII, “E”, da CF/88.
-        A pena de morte é admitida no Brasil no art. 5º, XLVII, “A”, da CF/88; crime de traição (art. 355 C.P.M.); favorecimento do inimigo (art. 356 C.P.M.); atentado contra a soberania do Brasil (art. 357 C.P.M.).
g)    Penas Privativas de Liberdade: originaram-se de outras penas. Enquanto aguardavam a execução (pena de morte, desterro, galés, etc.) os sentenciados ficavam privados da liberdade de locomoção.
-        A prisão, posteriormente, passou a ser a própria sanção penal.
-        São as mais utilizadas nas legislações penais modernas, apesar da falência do sistema prisional.
-        Pode ser dividida em prisão perpétua (vedada no Brasil: art. 5º, XLVII, “B”) e prisão temporária.
h)    Penas Restritivas de Liberdade: são as que limitam em parte o poder de locomoção do condenado, embora não sejam eles recolhidos à prisão.
Exemplos:
-        Banimento: perda do direito de habilitar no país.
-        Degredo ou confinamento: residência em local determinado pela sentença.
-        Desterro: saída obrigatória do território.
OBS: As penas do exemplo acima são proibidas no Brasil (art. 5º, XLVII, “A”, CF/88).
i)    Penas Pecuniárias: são as que acarretam diminuição do patrimônio do condenado ou o absorvem totalmente. São de duas espécies: a multa e o confisco.
MULTA: é o pagamento de determinada importância pelo autor da infração penal.
CONFISCO: é o perdimento dos bens do agente.
j)    Penas Privativas e Restritivas de Direitos: são as que retiram ou diminuem direitos do condenado. Ex: art. 43 e 92 do CP.
As Penas no Código Penal Brasileiro:
No C.P.B. as penas são:
-        Privativas de liberdade
-        Restritivas de direitos
-        Multa
-        As penas privativas de liberdade (reclusão e detenção) e a pena de multa são chamadas de penas comuns.
-        As penas restritivas de direitos são também conhecidas por alternativas ou substitutivas.
-        A pena de multa, porém, pode ser utilizada como substitutiva da pena privativa de liberdade aplicada, não superior a seis meses (art. 60, § 2º CP). Ler ainda §1º do art. 44.
      Penas Privativas de Liberdade:
São de duas espécies: reclusão e detenção. A pena de reclusão é considerada mais grave que a de detenção.
Diferenças entre as penas de reclusão e de detenção:
a.    A pena de reclusão pode ser cumprida nos três regimes (fechado, semi-aberto e aberto) e a de detenção apenas nos dois últimos, menos severos.
b.    Tratando-se de crime apenado com detenção e, sendo o agente inimputável, o juiz pode substituir a Medida de Segurança. de internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico pela sujeição a tratamento ambulatorial. (art. 97)
c.    Se ao crime praticado pelo inimputável é cominada pena de reclusão aplica-se a medida de segurança detentiva.
d.    A incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, como efeito da condenação, só ocorre ao apenado com reclusão. (art. 92, II)
Regimes Penitenciários:
1-Regime Fechado:
       É cumprido em penitenciária de segurança máxima ou média. (vigilância ostensiva e armada, isolamento celular noturno, vida intramuros)
2-Regime Semi-Aberto:
       A execução é feita em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.(Ausência de vigilância armada, auto-confiança no condenado, não existe isolamento celular, trabalho diurno, repouso em alojamento próprio)
3-Regime Aberto:
       É cumprido em casa de albergado ou estabelecimento adequado.
Regime Inicial:
Estão obrigatoriamente sujeitos ao regime fechado, no início do cumprimento da pena, os condenados à reclusão reincidentes ou cuja pena seja superior a oito anos. (art. 33, § 2º, “A”)
Reincidência:
Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior (art. 63 CP; art. 64, I).
-        A pena será integralmente cumprida em regime fechado quando o crime for definido como hediondo (§ 1º, do art. 2º, da lei 8.072, de 25/07/90).
-        Podem iniciar o cumprimento em regime semi-aberto os não reincidentes condenados à pena de reclusão superior a quatro anos e não excedente a oito (art. 33, § 2º, “B”).
-        Devem iniciar em regime semi-aberto os condenados a pena de detenção (reincidentes ou não), qualquer que seja a sua quantidade, e os não reincidentes condenados à pena superior a quatro anos (art. 33, 2ª Parte e art. 33, § 2º, “B”).
-        Só podem iniciar o cumprimento em regime aberto os condenados não reincidentes com pena igual ou inferior a quatro anos (art. 33, §2º, “C”).
OBS:
Proceder obrigatoriamente a leitura das regras do regime fechado (art. 34), do regime semi-aberto (art. 35), do regime aberto (art. 36), do regime especial (art. 37), todos do CP.
Ler ainda: direitos do preso (art. 38), trabalho do preso (art. 39), legislação especial (art. 40) e arts. 41 e 42 CP.
Penas Restritivas de Direitos: (ou penas alternativas  ou substitutivas).
Conforme o art. 43, CP, são as seguintes:
-   Prestação pecuniária
-   Perda de bens e valores
-        Prestação de serviços à comunidade
-        Interdição temporária de direitos
-        Limitação de fim de semana
* Prestação de serviço à comunidade:
Consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. (art. 46 CP)
As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do condenado e devem ser cumpridas durante oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho.
* Interdição temporária de direitos:
Segundo o art. 47 as penas de interdição temporária de direitos são as seguintes:
-        Proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública e de mandato eletivo.
-        Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público.
-        Suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.
* Limitação de fim de semana:
Consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por cinco horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado.
- Durante essa permanência pode ser ministrado aos condenados cursos e palestras, ou atribuídas a eles atividades educativas.
Observações:
Penas restritivas de direitos são aplicáveis, independentemente de cominação na parte especial.
Substituem as penas privativas de liberdade, fixada em quantidade inferior a quatro anos ou nos crimes culposos.
As penas restritivas de direitos terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.
Permite-se ainda a substituição da pena privativa de liberdade pela multa, que nesta hipótese passa a ser uma pena alternativa.
É admitida a substituição quando for aplicada a pena privativa de liberdade não superior a seis meses, com observância do art. 44, II e III.
      Multa:
É o pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa, sendo no mínimo dez e, no máximo, de trezentos e sessenta dias-multa.
O valor do dia-multa é fixado pelo juiz, não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal, nem superior a cinco vezes esse salário.
Ler: art. 49, § 2º e 58.
Ler ainda: art. 49 ao art. 58 CP e art. 60, §§ 1º e 2º.
Aplicação da Pena
1-Generalidades:
       Na antigüidade, a fixação da pena ficava inteiramente ao arbítrio judicial. Posteriormente esse sistema injusto de penas foi substituído por um sistema de penas rígido, em que nenhuma flexibilidade era dada ao juiz para aplicar a sanção (iluministas).
Críticas: é inadequado por não poder o juiz sopesar as circunstâncias do crime, para adequação da pena ao crime.
Brasil: no Brasil inicialmente implantou-se um sistema de penas dosimetricamente preestabelecidas.
No CP de 1940, instituiu-se um critério em que o juiz exerce relativo arbítrio na fixação da pena, dosando-a de acordo com diversas circunstâncias.
Escolherá, o juiz, entre um mínimo e um máximo cominados abstratamente para cada delito.
2-Circunstâncias:
Conceito: são dados subjetivos ou objetivos que fazem parte do fato natural, agravando ou diminuindo a gravidade do crime sem modificar-lhe a essência.
As circunstâncias dividem-se em: Judiciais e Legais.
-        Circunstâncias Judiciais: devem ser consideradas na fixação inicial da pena a ser imposta ao agente de qualquer delito (estão previstas no art. 59, CP).
-        Circunstâncias Legais: estão subdivididas em: Genéricas e Especiais.
Circunstâncias Legais Genéricas: são as previstas na parte geral do Código Penal. Ex: agravantes, atenuantes e causas gerais de aumento ou diminuição de pena.
Circunstâncias Legais Especiais: são as constantes da parte especial do Código Penal. Ex: qualificadoras e causas especiais de aumento ou diminuição da pena.
OBS: as atenuantes e agravantes genéricas sempre atenuam ou agravam a pena em índices não fixados expressamente em lei (art.61 a 67, CP).
As causas gerais de aumento ou diminuição de pena tem previamente demarcadas os limites de aumento ou diminuição (arts. 16; 21, 2ª parte; 26, parágrafo único; 28, § 2º; 29, §1º).
As causas gerais de aumento ou diminuição podem ser encontradas em vários delitos.
As causas gerais de aumento ou diminuição da pena influem no aumento ou diminuição da pena, após terem sido consideradas as circunstâncias judiciais, as agravantes e as atenuantes.
As qualificadoras fazem parte do tipo qualificado, ao qual é cominado uma pena mais severa em decorrência das circunstâncias estabelecidas na lei. Ex: arts. 121, § 2º; 150, § 1º, etc.
Circunstâncias Agravantes: estão previstas nos arts. 61 e 62, CP.
Conceito: são circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime.
a)    A reincidência
b)    Ter o agente cometido o crime (ler a alínea “a” até alínea “l”, do art. 61)
No art. 61, caput, o legislador afirma que as circunstâncias mencionadas sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime. Desse modo, as circunstâncias agravantes podem funcionar como:
I-               Elementares (constituem crime): são os elementos específicos do crime.
II-           Circunstâncias qualificadoras do crime: são circunstâncias legais especiais do crime.
OBS: quando uma das circunstâncias agravantes funciona como elementar ou como circunstância qualificadora, não se aplica a agravação do art. 61.
A regra evita o BIS IN IDEM.  A lei evita que o agente tenha a pena aumentada duas vezes em face do mesmo fato ou motivo.
Exemplo: o sujeito pratica homicídio por motivo fútil (art. 121, § 2º, II), não incide a agravante do art. 61, II, “a”, 1ª parte, pois a circunstância genérica funciona como qualificadora do crime de homicídio.
Outros exemplos: art. 235, em relação ao art. 61, II, “e”, última parte. Art. 227, § 1º, 2º figura em relação ao art. 61, II, “e”, 2º figura (crime contra descendente).
No art. 62, a lei penal determina que a pena será ainda agravada em relação ao agente que: ler o art. 62.
Circunstâncias Atenuantes: (art. 65, I, II, III, CP).
       O quantum da atenuação fica a critério do juiz.
       É possível que a atenuante do art., 65, funcione na parte especial do CP, como causa de diminuição da pena. Neste caso, a atenuação genérica não tem aplicação. Ex: arts. 121, § 1º; 65, III, “a”).
As Circunstâncias podem ser: Objetivas e Subjetivas.
-        Circunstâncias Objetivas ou Reais: são as que se relacionam com os modos e meios de realização da infração penal, como o tempo, ocasião, lugar, objeto material e qualidades da vítima.
-        Circunstâncias Subjetivas (ou pessoais): são as que só dizem respeito a pessoa do agente, sem qualquer relação com a materialidade do delito como os motivos determinantes, suas condições ou qualidades pessoais e relações com o ofendido.
Na hipótese de concorrerem, agravantes e atenuantes, terão maior peso as que se referem ao criminoso e menor importância as relativas ao fato.
Assim tem maior peso as circunstâncias que resultam:
a)    dos motivos determinantes do crime que tanto podem ser atenuantes (Ex: motivo nobre), como agravantes (Ex: motivo vil).
b)    Da personalidade do agente (Ex: a boa ou má índole do delinqüente, seu senso moral, etc.).
c)    Da reincidência, ou seja, que o condenado por sentença transitada em julgado pratica novo crime.
A menoridade que é uma circunstância subjetiva prepondera sobre todas as outras.
A expressão personalidade é empregada como conjunto de qualidades morais do agente, incluindo a periculosidade.
Os motivos determinantes do crime são as razões para o cometimento do crime (Ex: luxuria, amor, gratidão, malvadez, cobiça, etc.).
Conseqüências do crime representa a maior ou menor intensidade da lesão jurídica causada pela infração à vítima ou terceiros.
3-Da Cominação da Pena:
       Cominação é a imposição abstrata das penas pelalei.
Circunstâncias Judiciais: denominam-se judiciais porque seu reconhecimento é deixado ao poder discricionário do juiz. Estão previstas no art. 59, CP (ler artigo).
-        A culpabilidade do agente é o primeiro critério diretivo de fixação da pena. Indica o grau de censurabilidade da conduta. Quanto mais reprovável, maior deve ser a pena (a culpabilidade é a medida da pena).
-        A Segunda circunstância judicial refere-se aos antecedentes do agente. Antecedentes são os fatos da vida pregressa do agente, sejam bons ou maus (Ex: condenações e absolvições penais anteriores; ações penais em andamento).
-        Conduta social é o comportamento do sujeito no meio familiar, no ambiente de trabalho e na convivência com outros indivíduos.
Fixação da Pena:
Na aplicação da pena privativa de liberdade, o CP prevê duas operações:
a)    Quando o preceito secundário da norma incriminadora comina penas alternativas, o juiz deve escolher uma delas com fundamento nas circunstâncias judiciais. Ex: no art. 135 (omissão de socorro) o código impõe alternativamente duas espécies de pena: detenção de 1 a 6 meses ou multa.
A conjunção indica que as sanções não são cumulativas. O juiz precisa escolher uma delas.
Para impor uma delas o juiz deve levar em conta o caput do art. 59.
Essa primeira operação nem sempre é necessária. Só é realizada quando a norma contém penas alternativas.
Quando a pena é única (Ex: art. 124, CP) ou a lei impõe penas cumulativas, não é necessária a primeira operação.
b)    Quando a pena é única ou o juiz já escolheu uma dentre as cominadas alternativamente, passa à operação determinada pelo art. 59, II, CP, ou seja, fixa dentro dos limites legais, a quantidade da pena aplicável à espécie.
Exemplo: o réu praticou um crime de roubo (art. 175, caput). A pena varia de 4 a 10 anos de reclusão.
Sendo desnecessária a primeira operação, o juiz, levando em consideração as circunstâncias judiciais do art. 59, caput, fixa a pena entre os limites determinados (4 a 10 anos de reclusão).
O quantum de pena fixado pelo juiz com fundamento nas circunstâncias judiciais é chamado de pena base.
Encontrada a pena-base, o juiz  aplica as agravantes e atenuantes dos arts. 61, 62 e 65, CP.
Sobre a pena fixada na Segunda fase, o juiz faz incidir as causas de aumento ou diminuição previstas na parte geral ou especial do CP.
Só existe a terceira fase quando houver causa de aumento ou de diminuição aplicado ao caso concreto.
Resumo
      A primeira operação é realizada em consideração à pena abstrata.
      Nas operações subseqüentes, a agravação ou atenuação é feita sobre a quantidade da pena fixada na operação anterior.
      Por meio das três operações (fases), o juiz fixa a pena concreta (a pena imposta pelo juiz na sentença).
      OBS: as três fases apresentadas na fixação da pena privativa de liberdade representam a opinião de Nelson Hungria.
      A opinião de Roberto Lyra diverge da de Nelson Hungria. Para ele, na fixação da pena são observadas apenas duas fases.
      Para o sistema bifásico de Roberto Lyra, a fixação da pena concreta pode ser desenvolvida em duas fases: o juiz fixa a pena-base considerando as circunstâncias judiciais do art. 59, caput, e as legais genéricas (atenuantes e agravantes) dos arts. 61, 62, 65 e66.
      Pena-base , para ele, é a aplicada pelo juiz com fundamento nos arts. 59, caput, 61, 62, 65 e 66, abstraindo as causas de aumento ou diminuição da sanção prevista na parte geral ou especial do CP.
      Não é necessária a Segunda fase quando houver causas de aumento ou diminuição da pena.
      Divergem as opiniões porque Nelson Hungria não incluía as agravantes e atenuantes na expressão “circunstâncias” previstas no art. 59, caput.
      Para Roberto Lyra a expressão abrange as agravantes e atenuantes além das judiciais.
      No art. 68, caput, o CP adotou o sistema trifásico de Nelson Hungria. “A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste código, em seguida serão as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último as causas de aumento e de diminuição.
      O novo sistema apresenta uma Quarta fase: a da eventual substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos ou multa (art. 59, IV, CP).
      Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes (ler art. 67, CP).
      È possível que o fato apresente circunstâncias agravantes e atenuantes.
      O juiz deve dar preponderância às de natureza subjetiva, com base na personalidade do agente e nos motivos determinantes do crime.
      Se as circunstâncias se equivalem, uma neutraliza o efeito da outra (agravador ou atenuador).
      A menoridade prepondera sobre as outras circunstâncias, inclusive a reincidência.
A Suspensão Condicional da Pena ou Sursis
1-Generalidades:
       São inegáveis os malefícios das penas privativas de liberdade de curta duração.
       O que mais importa ao Estado não é punir, mas reeducar o delinqüente.
       Essa recuperação pode ser obtida, mesmo fora das grades de um cárcere.
       A melhor política criminal recomenda a liberdade sob condições, obrigando-se o condenado ao cumprimento de determinadas exigências.
       A suspensão condicional da pena está prevista nos artigos 77 a 82 do CP.
2-Suspensão Condicional da Pena:
       Significa a suspensão parcial da execução de certas penas privativas de liberdade, durante um período de tempo e mediante certas condições.
                                     SURSIS: quer dizer suspensão, ou seja, suspender a pena. Permite que o condenado não se sujeite a execução de pena privativa de liberdade de pequena duração.
3-Natureza Jurídica:
       O Sursis é direito subjetivo do sentenciado e o juiz não pode negar sua concessão ao réu, quando preenchidos os requisitos legais. Ler art. 157 da LEP.
       O juiz somente pode negá-lo na falta de seus pressupostos legais.
       Está ultrapassado o antigo entendimento que via o Sursis como simples faculdade do julgador.
4-Espécies de Sursis:
a)    Simples
b)    Especial
c)    Etário
a)    Sursis Simples: está previsto no art. 77 do CP. Está vinculado a requisitos objetivos e subjetivos.
Requisitos Objetivos:
      Qualidade da Pena: deve tratar-se de pena privativa de liberdade (reclusão, detenção ou prisão simples).
As penas restritivas de direitos e a pena de multa não admitem o Sursis.
      Quantidade da Pena: a pena a ser suspensa não deve ser superior a dois anos.
A não ser na hipótese de o condenado ser maior de 70 anos, caso em que se permite o Sursis, desde que a pena não seja superior a quatro anos.
No concurso de crimes, pode haver o Sursis, desde que a soma das penas não ultrapasse aqueles limites.
      Não substituição da pena: se for indicada ou cabível a substituição por pena restritiva de direitos (art. 44, CP), deve-se proceder a substituição e não a concessão de Sursis. (art. 77, II, CP).
Requisitos subjetivos:
      Não reincidência em crime doloso (art. 77, I CP). A condenação anterior a pena de multa também não obsta o Sursis (art. 77, III, 1º).
      Circunstâncias Judiciais: as estudadas no art. 59, autorizam a concessão do benefício.
OBSERVAÇÕES:
Reparação do dano como condição do Sursis (art. 79 CP).
Revogação do Sursis (art. 81 CP).
b)    Sursis Especial: É considerado mais brando que o Sursis simples, pois não inclui entre suas condições, a restrição de prestação de serviços ou limitação de fim de semana. (2º, art. 78).
Requisitos do Sursis Especial:
Além dos 4 (quatro) primeiros requisitos do Sursis Simples são exigidas do condenado mais duas condições:
-        Ter reparado o dano.
-        Serem inteiramente favoráveis as circunstâncias judiciais do art. 59.
Condições do Sursis Especial:
Estão previstas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do § 2º, do art. 78.
OBSERVAÇÃO:
As condições do Sursis Simples estão previstas no art. 78, caput; 78, § 1º; art. 79 e art. 81, I e § 1º, 2ª parte.
Prazo do Sursis:
No Sursis Simples, o prazo de suspensão da Pena é de dois a quatro anos.
No Sursis em razão de contravenção, o prazo é de1 a 3 anos (art. 11 da LCP). É contado a partir da audiência de advertência.
c)    Sursis Etário:
       Diferencia-se do Sursis Simples em dois requisitos objetivos.
a)    Idade do Condenado: para receber esse sursis, o condenado deve ser maior que 70 anos de idade, na data da sentença que lhe concede a suspensão.
A data considerada é a do dia da entrega da sentença pelo juiz em cartório.
b)    Quantidade da Pena: é cabível o sursis etário quando a pena privativa da liberdade imposta é superior a dois anos, mas não ultrapassa quatro.
Período de prova: é o período em que a pena fica suspensa.
No sursis simples é de 2 a 4 anos.
5-Revogação:
       A suspensão da pena é condicional. Pode ser revogada se não forem obedecidas as condições impostas.
       O sentenciado cumprirá, então, integralmente a pena imposta.
As causas de revogação do sursis podem ser:
a)    Obrigatórias: tem como conseqüências, necessariamente, a revogação do benefício.
Ocorrerá, se no curso do prazo, o beneficiário: (art. 81)
      É condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso.
      Frustra, embora solvente, a execução de pena de multa, ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano.
      Deixar o condenado no primeiro ano de prazo de prestar serviço a comunidade ou de não submeter-se a limitação de fim de semana.
Há ainda duas causas de cassação do benefício:
      Não comparecer o réu, injustificadamente, a audiência admonitória para tomar conhecimento das condições impostas na sentença.
      O sursis ficará sem efeito se provido recurso da acusação de modo a excluir a concessão do benefício. (106 CPP).
a)    Causas de revogação facultativa: estão previstas no art. 81, § 1º. São as seguintes:
      Se o condenado descumpre qualquer das condições impostas.
      Se o condenado é irrecorrivelmente sentenciado, por crime culposo ou por contravenção a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos.
Prorrogação do período de provas (ler art. 81, § 2º e 3º CP).
Cumprimento das condições (ler art. 82 CP).
Livramento Condicional
1-Conceito:
       É a antecipação provisória da liberdade, concedida sob certas condições ao condenado que está cumprindo pena privativa de liberdade.
       Coloca-se no convívio social o criminoso que já apresentas índice suficiente de regeneração.
       Permite-se que complete o tempo da pena em liberdade, embora submetido a certas condições.
2-Natureza Jurídica:
       É um direito subjetivo do sentenciado, desde que preenchido os requisitos que a lei fixa para a concessão.
3-Requisitos e pressupostos do livramento Condicional:
-        Objetivos
-        Subjetivos
Requisitos Objetivos:
No primeiro pressuposto objetivo diz respeito à natureza e à quantidade da pena imposta (art. 83, caput).
Ou seja, o benefício só pode ser concedido ao condenado à pena privativa de liberdade, e que a pena seja por prazo igual ou superior a dois anos.
Para a contagem desse tempo mínimo permite-se a soma das penas aplicadas por infrações diversas ainda que impostos em processos distintos (art. 84, CP). Ler art. 11 da LCP.
É incabível o livramento condicional ao condenado a penas de curta duração (nas penas até dois anos cabe o sursis).
Tendo o sentenciado cumprido mais de um terço da pena, se não for reincidente em crime doloso (art.83, I) e mais da metade se for art. 83, II.
Se o crime é considerado hediondo (art. 5º da Lei 8.072, de 25/07/90) o livramento condicional só pode ser concebido cumprido mais de 2/3 da pena.
Tendo o condenado reparado, salvo impossibilidade de faze-lo o dano causado pela infração (art. 83, IV).
Requisitos Subjetivos:
Ter o condenado bons antecedentes (art. 83, I, 2ª parte).
Comprovar comportamento satisfatório durante a execução da pena
(art. 83, III, 1ª parte) – boa convivência do sentenciado com os companheiros de cárcere, no estudo, relacionamento bom com a família, ausência de punições disciplinares, etc.
Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído (art. 83, III, 2ª parte).
Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto
(art. 83, III, última parte).
4-Concessão:
       Preenchidos os pressupostos objetivos e subjetivos o livramento condicional é concedido mediante requerimento do sentenciado ou das pessoas indicadas no art. 712, do CPP.
5-Condições do Livramento Condicional:
       Estão previstas no art. 83 e art. 87 do CP.
       A L.E.P. impõe outras condições obrigatórias para a concessão do livramento condicional, no art. 132, § 1º. Impõe também condições facultativas no art. 132, § 2º.
       Ler: arts. 136, 137, 138, 139 e 144 da L.E.P.
6-Revogação do Livramento Condicional:
Pode ser obrigatória e facultativa.
      Revogação Obrigatória:
Ocorre quando o beneficiário é condenado à pena privativa de liberdade em sentença irrecorrível por crime cometido durante a vigência do benefício ou por crime anterior, observado o art. 84, do CP.
No primeiro caso é indiferente a pena aplicada.
No segundo caso (ler art. 84) a pena imposta será somada à anterior e poderá subsistir, se feita a unificação o beneficiário preenche os pressupostos do L.C. – cumprimento de 1/3 da pena ou 1/2 se reincidente e os demais requisitos.
Revogado o L.C. pela condenação por crime cometido durante a vigência do benefício não se desconta da pena o tempo em que esteve solto o condenado.
Art. 88 do CP e 142 da LEP.
      Revogação Facultativa:
Ocorre se o liberado (art. 87 CP):
-        Deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença.
-        É irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, à pena que não seja privativa de liberdade.
7-Restauração do LC:
       Revogado o LC não poderá ser novamente concedido.
       Art. 88, CP, para a mesma pena.
Ação Penal
1-Ação Penal: é o direito subjetivo de pedir o pronunciamento jurisdicional para a aplicação da lei penal a um caso.
2-Previsão Legal: artigo 100 ao 106 do CP / artigo 24 ao62 do CPP (regula o exercício da ação penal).
3-Ação Penal: (Divisão).
                    Incondicionada
1-Pública
                                        Representação do Ofendido
                    Condicionada
                                        Requisição do Ministro da Justiça
                    Exclusivamente privada
2-Privada
                    Subsidiária da Ação Penal Pública
3.1-Princípio da Ação Penal Pública:
a)    Oficialidade- Só pode ser proposta pelo MP.
b)    Obrigatoriedade- O MP está obrigado a propor a Ação Penal.
c)    Indesistibilidade- O MP não pode desistir da Ação Penal.
d)    Indivisibilidade- Deve ser proposta contra todos os autores do crime.
3.2-Ação Penal Pública Incondicionada: é a exercida pelo MP independentemente da iniciativa de qualquer pessoa.
3.3-Ação Penal Pública Condicionada: também é exercida pelo MP, porém depende, nos casos em que a lei prevê de:
a)    Representação do Ofendido- é a manifestação do ofendido perante o juiz, o MP ou o delegado pedindo a instauração da Ação Penal.
b)    Requisição do Ministro da Justiça- ex: artigo 145, § único.
É instaurada através da:
3.4-Denúncia: é a exposição por escrito, de fato típico, com a manifestação expressa da vontade de que se aplique a lei.
3.4.1-Prazo para Denúncia:
-        5 dias – Indiciado preso
-        15 dias – Indiciado solto
3.4.2-Arquivamento do I P: artigo 28 do CPP.
3.5-Ação Penal Privada: pode ser exclusivamente privada ou secundária da Ação Penal Pública.
3.5.1-Princípios da Ação Penal Privada:
a)    Privatividade: seu início compete ao particular.
b)    Disponibilidade: não está obrigado a iniciar a ação penal.
c)    Desistibilidade: o ofendido pode desistir da ação penal (antes de haver transitado em julgado a sentença).
d)    Indivisibilidade: deve ser movida contra todos os autores.
3.5.2-Ação Penal exclusivamente privada: somente pode ser exercida pelo ofendido ou seu representante legal. É exercida mediante queixa-crime em juízo.
3.5.3-Ação Penal Privada Subsidiária da Pública: pode ser intentada em casos de ação penal pública quando:
-        O MP não oferece denúnciano prazo legal.
-        Nem requer arquivamento ou diligência.
3.6-Distinção: Na ação penal pública incondicionada o código diz:
Ex: art.121, 155, 157 do CP.
Na ação penal pública condicionada o CP usa as seguintes expressões:
“Mediante representação” (Ex: nº II do art. 141 e art. 130 do CP).
“Mediante requisição do MJ” (Ex: nº I do art. 141).
Na ação privada o CP usa a seguinte expressão:
“Mediante queixa” (Ex: art. 161, § 3º).
Ação Penal no Crime Complexo
1-Crime complexo: é aquele cuja descrição contém, como elemento ou circunstância do tipo, fato que por si mesmo constitui crime.
Ex: art. 157 (155+129) e 140, § 2º (140+129).
      Quando o crime complexo contenha um delito de ação pública e outro de ação privada, caberá ação pública.
      No crime de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada, pois o crime de lesão autoriza a iniciativa do MP.
     
Efeitos da Sentença Penal Condenatória
1-Efeitos:
-        Principal: imposição de penas para os imputáveis e eventualmente medida de segurança para os inimputáveis e semi-imputáveis.
-        Secundário: que se subdivide em penal e extrapenal.
2-Efeitos Penais Secundários:
a)    Revogação facultativa ou obrigatória do sursis anteriormente concedido.
b)    Idem do Livramento Condicional.
c)    Caracterização da reincidência pelo crime posterior.
d)    Possibilidade da argüição de exceção da verdade(exceptio veritate) nas hipóteses de difamação e calúnia (art. 138, § 3º, I).
e)    Inscrição do nome do condenado no rol dos culpados (art. 393, II, CPP).
3-Efeitos Extrapenais Secundários podem ser:
a)    Civis: obrigação de indenizar o dano (art. 91, I); confisco (art. 91, II); incapacidade para exercer o pátrio poder, tutela ou curatela (art. 92, II); deserdação (art. 1744 e 1745 do CCB).
b)    Administrativos: perda do cargo ou função pública (art, 92, I, 1ª parte); inabilitação para dirigir veículos (art. 92, III).
c)    Político: perda de mandato eletivo (art. 92, I).
d)    Trabalhista: justa causa para rescisão de contrato de trabalho.
4-Efeitos da Sentença Absolutória:
       Faz coisa julgada no cível a sentença reconhecer ter sido o fato praticado nos termos do art. 23, CP, c/c o art. 65 do CPP. Idem quando reconhecida a inexistência material do fato (art. 66 do CPP).
       Ler: arts. 67, I, II, III e 386, III, II, IV, V, VI do CPP.
Extinção de Punibilidade
1-Punibilidade: é a possibilidade jurídica do Estado impor a sanção penal.
2-Causas de Extinção de Punibilidade: são as que impedem a aplicação das sanções penais pela renúncia do Estado em punir o autor do delito.
       Estão previstas no art. 107 do CP (ler).
       Este artigo não é taxativo, mas exemplificativo, isto é, o CP prevê causas extintivas da punibilidade fora do rol dessas disposições.
       Ex: arts. 82, 90, 240 § 2º, 312, § 3º, 1ª parte.
3-Escusas Absolutórias: são causas que fazem com que a um fato típico e antijurídico, apesar da culpabilidade do agente, não se associe pena alguma por motivos de utilidade pública.
-        São também chamadas “causas de exclusão” ou de “isenção de pena”.
-        Deixam íntegros o crime e a culpabilidade, apenas não se aplica a pena.Exemplos: artigos 181,182, CP.
Seus efeitos são idênticos aos da extinção da punibilidade.
       Ex: art. 181, II (filho que subtrai dinheiro do pai) CP.
4-São causas de extinção de punibilidade:
a)A morte do agente, isto é, do autor do crime (indiciado, réu, sentenciado; detento ou beneficiário).
-        Morte antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
-        Ler art. 64 do CPP.
-        Se o agente é condenado a pena de multa e morre antes de efetuar o pagamento, a obrigação se transmite aos herdeiros.
-        Prova da morte é feita com a apresentação do atestado de óbito.
b)Anistia e o Indulto.
-        ANISTIA: é o esquecimento jurídico de uma ou mais infrações penais. Deve ser concedida em casos excepcionais, para apaziguar os ânimos, acalmar as paixões sociais, etc.
-        Aplica-se em regra a crimes políticos (anistia especial). Nada obsta que seja aplicada a delitos comuns.
-        A anistia é de atribuição do Congresso Nacional (art. 48, VIII e 21, XVII). É considerada lei penal de efeito retroativo. Possui efeito ex-tunc, apagando o crime.
-        A anistia rescinde a sentença penal condenatória irrecorrível. Desaparecem os efeitos penais, mas não os civis, podendo a sentença ser executada.
-        INDULTO: a CF/88 não se refere mais à graça, mas tão somente a indulto (art. 84, XII). O indulto individual (ou graça) destina-se a pessoa determinada e não a fato.
-        O indulto coletivo abrange um grupo de sentenciados. São exigidos requisitos subjetivos (primariedade) e objetivos (cumprimento de parte da pena). Em alguns crimes é incabível.
-        A competência é do Presidente (art. 84, XII) podendo ser delegada (parágrafo único). Extingue apenas as sanções mencionadas no decreto. Permanecem os efeitos da sentença penal condenatória.
c) Abolitio Criminis: pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso.
d)RENÚNCIA: é a desistência do direito de ação pelo ofendido, nos crimes de ação privada.
-        A renúncia antecede a propositura da ação penal. Após a propositura da ação penal poderá ocorrer a perempção  ou o perdão do ofendido.
-        A renúncia pode ser expressa (art. 49 e 50 do CPP) ou tácita (art. 104, parágrafo único, 1ª parte do CP).
e)PERDÃO DO OFENDIDO: é a revogação do ato praticado pelo querelante que desiste do prosseguimento da ação penal.
-        É um ato bilateral, não produzindo efeito se o querelado não o aceita (ler art. 52 e 53 do CPP).
f)RETRATAÇÃO (art.143, CP).
g)PERDÃO JUDICIAL: é uma faculdade do juiz que deixa de aplicar a pena desde que apresente determinadas circunstâncias excepcionais previstas em lei, que tornam desnecessária a imposição da sanção. Ex: art. 121, § 5º, 140, § 1º.
h)PRESCRIÇÃO: é a perda do direito de punir do Estado pelo decurso do tempo, que leva ao esquecimento do delito e à superação do alarma social causado pelo crime.
-        A pretensão de punir deve ser exercida dentro de determinado tempo, que varia de acordo com o crime.
-        O critério é o máximo da pena cominada em abstrato.
-        Escoado esse prazo, que é submetido a interrupções ou suspensões ocorre a prescrição da pretensão punitiva.
-        Ocorre sempre antes de transitar em julgado a sentença condenatória (prescrição da pretensão punitiva) ou depois dela (prescrição da pretensão executória).
-        São apagados totalmente todos os seus efeitos, como se jamais tivesse sido praticado o crime.
Espécies de Prescrição:
a)    Da pretensão punitiva (art. 109 e 110 §§ 1º e 2º).
b)    Da pretensão executória (art. 110, caput).
- Ambas podem ser pleiteadas por habeas corpus.
- A prescrição deve ser decretada de ofício (art. 61 do CPP).
- A prescrição da pretensão punitiva ocorre antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
- A prescrição da pretensão executória ocorre após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
- Casos de imprescritibilidade, art. 5º, XLII e XLIV da CF.
- Prazos da prescrição da pretensão punitiva. Ex: para o crime de injúria (art. 140) punido no máximo com 6 meses de detenção, o prazo da prescrição será de dois anos. O crime de furto simples prescreve com 8 anos, porque o limite máximo da pena é de 4 anos.
- Para cálculo do prazo da prescrição são consideradas as causas de aumento e diminuição da pena e a qualificação do crime, art. 114 e 118, 119 (exceção art. 111, III).
- Início do prazo da prescrição da pretensão punitiva (art. 111 co CP).
2-Diferença entre decadência, prescrição e perempção:
Decadência: é a extinção do direito de ação do ofendido, em razão do decurso do prazo que a lei fixa para o seu exercício.
PRAZO: são seis meses a contar do dia em que o ofendido veio a saber quem é o autor do crime. É atingido o direito de ação.
Exceção: crime de imprensa (são apenas 3 meses).
Prescrição: é a perda do direito de punir do estado, causado pelodecurso do tempo fixado em lei. É atingido o direito de punir o Estado.
Ler: art. 109 do CP.
Perempção: é a perda do direito de demandar o querelado pelo mesmo crime em face da inércia do querelante.
Só é possível na ação penal exclusivamente privada. Cabe após o início da ação penal privada.
Ler: art. 60 do CPP.
Medida de Segurança
1-Conceito: é a providência legal que visa a prevenção do crime, no sentido de preservar a sociedade de delinqüentes temíveis.
      A medida de segurança tem por fundamento a periculosidade, no perigo da reincidência.
      PERICULOSIDADE: é um estado subjetivo, mais ou menos duradouro, de antissociabilidade (N. Hungria).
      Na reforma penal de 1984, substituiu-se a aplicação, para os semi-imputáveis e imputáveis do sistema duplo binário para o sistema vicariante ou unitário.
      SISTEMA DUPLO BINÁRIO (ou Dois Trilhos): conduzia à aplicação da pena e medida de segurança.
      SISTEMA VICARIANTE ou Unitário: nele se pode aplicar somente pena ou medida de segurança para os semi-imputáveis e unicamente a pena para os imputáveis.
2-Princípios Aplicáveis à Medida de Segurança:
-        Legalidade
-        Anterioridade
-        Irretroatividade
-        Jurisdicionalidade
3-Pressupostos da Medida de Segurança:
-        Prática de crime
-        Periculosidade
      A aplicação de Medida de Segurança aos inimputáveis é obrigatória (art. 97).
      Ao plenamente imputável, mesmo periculoso, somente se aplica a pena. A medida de segurança foi abolida nessa hipótese.
      Compete ao juiz do processo de conhecimento a aplicação da medida de segurança na superveniência de doença mental durante a execução penal será competente o juiz de execução.
      Não se aplica medida de segurança nas hipóteses dos arts. 17 e 31 do CP.
4-Prazo Mínimo: ler art. 97, § 1º e art. 98. Não existe prazo máximo.
5-Medidas de Segurança em Espécie:
Podem ser:
-        Detentivas (art. 96, I).
-        Restritivas (art. 96, II).
Reabilitação
1-Reabilitação: é a declaração judicial de que estão cumpridas ou extintas as penas impostas ao sentenciado.
      É um direito do condenado, decorrente da presunção de aptidão social, quando o estado-juiz admite o seu contato com a sociedade.
2-Pressupostos da reabilitação:
a)    Que o condenado tenha tido domicílio no país no prazo de 2 anos a contar do cumprimento ou extinção da pena. (art. 94, I).
b)    Que o condenado tenha dado durante o período de 2 anos, demonstração efetiva e constante de bom comportamento público e privado. (art. 94, II).
c)    Que tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer (art. 94, III) ler parágrafo único art. 94.
3-Efeitos da Reabilitação:
a)    Assegura o sigilo dos registros sobre o processo e condenação.
b)    Exclui os efeitos da condenação previstos no art. 92, vedada a reintegração na situação anterior quanto aos incisos I e II.
      O condenado, após a reabilitação, pode passar a exercer cargo, função ou mandato eletivo, mas está vedada a sua reintegração na situação anterior.
4-Causas da revogação da Reabilitação:
a)    Pela condenação do reabilitado como reincidente, por sentença transitada em julgado.
b)    Que a condenação tenha sido a pena privativa de liberdade.
CRIMES HEDIONDOS
LEI  8072, DE 25 DE JULHO DE 1990 (LEI DE CRIMES HEDIONDOS) MODIFICADA PELA LEI 8930, DE 06/09/94.
1-SÃO CRIMES HEDIONDOS CONSUMADOS OU TENTADOS:
1-HOMICÍDIO quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente
      HOMICÍDIO QUALIFICADO (art. 121, § 2.º, inciso I, II, III, IV e V)
2-LATROCÍNIO (art. 157, § 3.º, "IN  FINE")
3-EXTORSÃO QUALIFICADA PELA  PELA  MORTE  (art. 158, § 2.º)
4-EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO  (art. 159, caput, § § 1.º, 2º e 3.º)
5-ESTUPRO (art. 213 c/c art. 223, caput e parágrafo único)
6-ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR (art. 214 c/c art. 223 e parágrafo único)
7-EPIDEMIA COM RESULTADO MORTE (ART. 267, § 1.º)
8-GENOCÍDIO (arts. 1.º, 2.º e 3.º da Lei 2889, de 01/10/56)
2-OS CRIMES HEDIONDOS, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
*ANISTIA, GRAÇA E INDULTO
*FIANÇA E LIBERDADE PROVISÓRIA
As penas aplicadas a esses crimes serão cumpridas integralmente em regime fechado.
A prisão temporária (Lei 7960, de 21/12/89) para esses crimes terá o prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30.
A prisão temporária para outros crimes é de 5 dias prorrogáveis por mais 5 dias.
LEI 4898, de 09 de dezembro de 1965.
-        Regula o Direito de representação e o processo de responsabilidade civil e penal, nos casos de ABUSO DE AUTORIDADE.
1-ABUSAR DA AUTORIDADE
-        É usar mal ou inconvenientemente a autoridade proveniente do estado.
"O ABUSO COMEÇA ONDE CESSA O DIREITO"
1.1-   AUTORIDADE
-        Para a lei 4898, considera-se autoridade, quem exerce cargo, emprego ou função pública de natureza civil ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração.
2-SUJEITO ATIVO
-        É sempre a pessoa que possui autoridade
3-SUJEITO PASSIVO
-        É o particular
4-CONSTITUI ABUSO DE AUTORIDADE QUALQUER ATENTADO:
-        À liberdade de locomoção (Art.5.º C.F)
-        À inviolabilidade do domicílio
-        Ao sigilo de correspondência
-        À liberdade de consciência e crença
-        Ao livre exercício de culto religioso
-        À liberdade de associação
-        Aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto.
-        Ao direito de  reunião
-        À incolumidade física do indivíduo
OBS: Neste caso haverá concurso material entre o crime de abuso de autoridade e o correspondente à violência.
-        Aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional
Esta alínea foi acrescentada visando o EXERCÍCIO DA ADVOGACIA, mas o texto alcança todas as profissões regulamentadas.
Exemplo: Art. 89 do estatuto da O.A.B.
5-CONSTITUI AINDA ABUSO DE AUTORIDADE:
-        (COMPARAR COM O ART. 350 DO CP):
-        Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual sem as formalidades legais, ou com abuso de poder.
-        Submeter pessoa sob sua guarda ou custódi a vexame ou constrangimento não autorizado em Lei.
-        Deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa.
-        Deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.
-        Levar à prisão e nela deter quem quer se proponha a prestar fiança, permitida em Lei.
-        O ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal.
-        OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
-        O Processo por abuso de autoridade segue o rito sumário.
-        É iniciado por denúncia do M.P, pois a ação é pública condicionada a representação do ofendido.
-        A representação deverá ser feita em DUAS VIAS, e conterá a exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o rol de testemunhas ( no máximo três)
-        Uma via será dirigida à autoridade superior que tiver competência legal para aplicar à autoridade, civil ou militar culpada, a respectiva sanção.
-        A outra dirigida ao órgão do ministério público que tiver competência para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada.
SANÇÕES A SEREM APLICADAS
-        Administrativas
-        Penal
-        Civil
SANÇÕES ADMINISTRATIVAS
-        Advertência
-        Repreensão
-        Suspensão do cargo por prazo de 5 a 180 dias, com perda de vencimentos.
-        Destituição da função
-        Demissão
-        Demissão a bem do serviço público
SANÇÃO CIVIL
-        Consistirá no pagamento de uma indenização, caso não seja possível fixar o valor do dano.
SANÇÃO PENAL
-        Multa
-        Detenção de 10 dias a 6 meses
-        Perda do cargo e inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo até três anos.
-        As penas poderão ser aplicadas autônomas ou cumulativamente.
-LER ARTIGOS 59 A 76 DO CP
                                   APLICAÇÃO DA PENA: EXERCÍCIOS
CALCULE A PENA NAS HIPÓTESES ABAIXO.
Em seguida esclareça se cabe substituição da pena por pena alternativa. Indique ainda o regime penitenciário inicial de cumprimento de pena.
1)Eusébia assassinou com uma faca um menor de 17 anos. O adolescente era viciado em drogas e havia abusado sexualmente do filho da acusada, uma semana antes de ser morto por Eusébia. (Tipificação penal: art. 121).
2)O ladrão conhecido por “Lourinho”  furtou um televisor da casa da septuagenária Maria de Lourdes.  Antes de ser denunciado, o larápio arrependeu-se e devolveu para a vítima o aparelho, sem qualquer pressão de ninguém. Ele relatou o crime à autoridade policial, sem qualquer pressão do delegado e confessou-se arrependido da prática.
(Tipificação penal: art. 155).
3)Na data em que completou 20 anos, Esmeraldo Virgulino matou seu desafeto conhecido por Mateus Pilares. Segundo o inquérito policial, o assassino colocou uma granada no carro da vítima. O engenho ao ser acionado provocou a morte instantânea da vítima.  (Capitulação penal : art. 121).
4)Samarina entregou para o noivo Petrônio Melo um carro de sua propriedade enquanto foi fazer pós-graduação na PUC de Minas Gerais. Quando retornou, o noivo havia vendido o veículo e se gastado o dinheiro. Ele não negou o crime e disse que havia perdido o emprego e precisava comprar remédio para sua mãe que estava gravemente enferma, fato comprovado pelo delegado. Samarina terminou o noivado. Mesmo assim, Petrônio disse que a amava e que iria pagar o carro, desde que fosse a prestação, pois arrumara outro emprego. (Capitulação penal: art. 168).
5)Sócrates vendeu por dez mil reais um bilhete para Platão, alegando que estava premiado. Ficou provado que Sócrates somente queria “aplicar” em seu discípulo, embolsando a quantia. Ele gastou o dinheiro com sua amante Helena. (Capitulação penal: 171).
PROFESSOR IVANILDO ALVESda colonização os indígenas apresentavam diferentes estágios de civilização (tupi, tapuias, dentre outras nações indígenas).
-        Vivenciavam um direito costumeiro
-       
-        No direito costumeiro havia institutos hoje conhecidos por vingança privada, vingança coletiva e o talião.
-        Devido ao primitivismo das instituições indígenas, as práticas punitivas das tribos brasileiras em nada influíram em nossa legislação.
1.2-   Ordenações do Reino
-        O direito penal que vigorou no Brasil desde o descobrimento até a independência tinha por fonte o livro V das Ordenações do Reino.
-        Descobrimento: vigoravam as ordenações Afonsinas, mandadas compor por D. João I (1512).
-        Em 1521 as ordenações Afonsinas foram substituídas pelas Ordenações Manuelinas.
-        Em 1603 as ordenações Manuelinas foram substituídas pelas Ordenações Filipinas.
1.2.1- As Ordenações Filipinas
-        Legislação excessivamente rigorosa.
-        Confundia crime com pecado (punia-se a heresia, a feitiçaria, a apostasia, a blasfêmia).
-        A regra era a pena de morte. Outras penas eram aplicadas: Penas infamantes (açoite, marca com fogo) as galés, desterro, degredo, etc.
-        Vigoraram desde sua promulgação até o Brasil Império. Foram substituídas pelo Código Criminal do Império em 1830.
1.3-   O Código Criminal do Império.
-        Foi criticado contundentemente por Tobias Barreto. O jurista alegava que o Código Criminal do Império ainda abrigava idéias medievais quanto a pena, e o modo de punir o criminoso. O escravo era tratado de modo desigual.
-        A maioria dos estudioso, entretanto, entendia que para a época era considerado uma lei moderna. Influenciou a elaboração do Código Penal Espanhol e todos os Códigos penais da América Latina.
1.4-   Período Republicano
-        Com a proclamação da República o Ministro Campos Sales presidiu uma comissão de juristas encarregada de elaborar um novo Código Penal.
-        Em 1890 promulgou-se o Código Penal Brasileiro.
-        Foi duramente criticado devido as suas inúmeras falhas. A pressa em sua elaboração levou a várias lacunas.
-        Recebeu inúmeras reformas.
-       
-        Em 1932 foi aprovada a Consolidação das leis Penais.
-        Em 7 de dezembro de 1940 entrou em vigor o Código Penal atual.
-        Em 1984 o vigente Código Penal foi reformado pela Lei 7209/84
2ª Parte - Teoria da Lei Penal
Unidade IV - Da Aplicação da Lei Penal
1-PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA RESERVA LEGAL OU AINDA DA ANTERIORIDADE  DA LEI PENAL.
-        É enunciado na expressão latina  "NULLUM CRIMEN, NULLA POENA SINE PRAEVIA LEGE"
-        O Princípio da Legalidade tem origem na Magna Carta, do rei João, em 1215, na Inglaterra.
-       
-        Significa que não existe crime nem pena sem prévia Lei. Só a Lei pode definir delitos e cominar sanções.
-        Está previsto no art. 1.º do C.P: "NAO HÁ CRIME SEM LEI ANTERIOR QUE O DEFINA. NÃO HÁ PENA SEM PRÉVIA COMINAÇÃO LEGAL".
Unidade V - Âmbito de Eficácia da Lei Penal
2-Consideraçoes Gerais
-        A lei não tem vigência no mundo todo, nem é eterna;
-        Rege condutas dentro do espaço em que o Estado manifesta seu poder. É limitada pela soberania;
-        A lei tem amplitude de vigência desde a entrada em vigor até sua revogação.
2.1-A eficácia da lei penal pode ser estudada em relação:
- Ao Tempo
- Ao espaço
- Às funções exercidas por certas e determinadas pessoas
2.1.1- EFICÁCIA DA LEI PENAL NO TEMPO
-        A Lei Penal no tempo está regulada nos artigos 2.º e 3.º do Código Penal.
2.1.2- IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL
-        A Lei Penal não pode retroagir, isto é, ter efeito no passado, alcançando um fato que antes dela não era considerado crime.
2.1.3- O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE SOFRE, ENTRETANTO, A EXCEÇÃO CONTIDA NO ART. 2.º DO C.P: (LEI MAIS FAVORÁVEL.
-        Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
-        Em outros termos a Lei penal só retroage para beneficiar o réu.
-        Exemplo: Se alguém estivesse sendo processado por estupro de menor de 16 anos com base em violência ficta não mais seria passível de pena se a menor tivesse 15 anos, já que o limite da violência presumida foi fixado pelo CP de 1940 em 14 anos.
-        É o princípio da lei Penal mais favorável que chega a quebrar o princípio constitucional da coisa julgada.
-        A Lei Penal mais favorável faz cessar a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
2.1.4- UM CRIME ESTÁ SENDO SUBMETIDO A JULGAMENTOEM VIRTUDE DE UMA LEI PROIBITIVA - Surge uma Lei nova modificando esta Lei Proibitiva. Pergunta-se: Deve a Lei Nova, que surge, em uma das fases do processo influenciá-lo?
-        Se a Lei nova favorece o acusado deve ser aplicada ao fato em julgamento, que sofre sua influência.
-        Presume-se que a lei Nova destina-se a corrigir a lei precedente, devendo ser aplicada em benefício do agente.
2.1.5- "A LEI POSTERIOR, QUE DE QUALQUER MODO, FAVORECER O AGENTE, APLICA-SE AOS FATOS ANTERIORES, AINDA QUE DECIDIDOS POR SENTENÇA CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO"(Parágrafo único do art. 2.º).
-        O Parágrafo único estabelece mais duas situações:
a)- A Lei Posterior comina pena menos rigorosa.
b)- A Lei Posterior favorece de qualquer modo o agente.
a.1- No primeiro caso, isto é, quando comina pena menos rigorosa, a Lei favorece o agente.
a.2- Aplica-se, então, tanto no momento em que o fato está sendo julgado como até mesmo já o tenha sido por sentença irrecorrível.
a.3- A razão decorre de ser injusto obrigar o autor de um crime a cumprir uma pena que foi reconhecida pelo legislador como excessiva ou inadequada.
2.1.6- CONCLUSÃO: A LEI MAIS FAVORÁVEL É AQUELA QUE:
-        Deixa de considerar crime o fato que a lei anterior definia como tal.
-        Comina pena menos rigorosa.
-        Favorece de qualquer modo o agente.
3-LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA
-        "A Lei Excepcional ou Temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência".
3.1- QUANTO A DURAÇÃO A LEI PENAL PODE SER:
-        Permanente
-        Temporária
-        Excepcional
3.1.1- LEI PERMANENTE
-        É a mais comum - é a que é ditada sem qualquer relação com a sua duração, de prazo indefinido.
-        Só perde a eficácia quando revogada por uma lei Nova.
3.1.2- LEI TEMPORÁRIA
-        Está subordinada a um período de duração ou a um fato.
-        Exemplo de Lei Temporária - A Lei para tempo de guerra (está subordinada a um fato: o tempo de guerra).
3.1.3- LEI EXCEPCIONAL
-        Via de regra é também temporária. As Leis excepcionais são criadas em épocas de crise e estão condicionadas ao Direito Penal.
-        São promulgadas em casos de calamidade pública, guerras, revoluções, cataclismos, epidemias, etc..
4-ULTRATIVIDADE DAS LEIS TEMPORÁRIAS E EXCEPCIONAIS.
4.1- PRINCÍPIO DA ULTRATIVIDADE DA LEI
-        Autoriza a aplicação da lei depois de revogada por uma Lei mais favorável, a um fato ocorrido na sua vigência.
4.2- RETROATIVIDADE DA LEI
-        É a sua aplicação a um fato ocorrido na vigência de Lei anterior.
4.3- DIFERENÇA ENTRE ULTRATIVIDADE E RETROATIVIDADE
-        Na ultratividade embora a Lei tenha sido revogada por lei mais favorável, continua em vigor para punir um fato ocorrido na época de sua vigência.
-        Na retroatividade a Lei posterior mais favorável retroage para beneficiar o agente.
-        A retroatividade alcança o fato que deve ser ou já foi julgado pela Lei anterior.
-       
      
2.1.2-Eficácia da Lei Penal no Espaço
A Lei Penal é elaborada para viger dentro dos limites em que o Estado exerce sua soberania.
       O Direito Penal Internacional estabelece regras aplicáveis em caso da conduta punível de uma pessoa lesar o ordenamento jurídico de mais de um Estado.
       O Direito Internacional Penal refere-se à aplicação de penas aos Estados, em conseqüência de práticasdelituosas (Código BUSTAMANTE).
       O âmbito da eficácia da Lei Penal constitui matéria do Direito Penal Internacional.
1- PRINCÍPIOS DE DIREITO PENAL INTERNACIONAL:
a.               da Nacionalidade.
b.              da Defesa.
c.               da Justiça Penal Universal.
d.              da Representação.
e.               da Territorialidade.
a.               Princípio da Nacionalidade ou da Personalidade: a lei do Estado é aplicável a seus cidadãos onde quer que se encontrem. Ex: se um brasileiro praticar um crime no Uruguai, o fato será decidido pela lei penal brasileira (art. 7º, II, “b”).
b.              Princípio da Defesa ou Princípio Real: leva-se em conta a nacionalidade do bem jurídico lesado pelo crime. Não importa o local da prática delituosa nem a nacionalidade do sujeito ativo. Ex: aplica-se a lei brasileira a um fato criminoso cometido no estrangeiro, lesivo de interesse nacional, qualquer que seja a nacionalidade de seu autor (art. 7º, I, e §3º).
c.               Princípio da Justiça Penal Universal: estabelece o poder de cada Estado de punir qualquer crime, seja qual for a nacionalidade do delinqüente e da vítima ou o local de sua prática. Para a imposição da pena basta encontrar-se o criminoso dentro do território de um país (art. 7º, II, “a”).
d.              Princípio da Representação: a lei penal de determinado país é também aplicável aos delitos cometidos em aeronaves e embarcações privadas, quando realizados no estrangeiro e ai não venham a ser julgados (art. 7º, §2º, “c”).
e.               Princípio da Territorialidade: o CP adotou este princípio como regra sobre a eficácia da lei penal no espaço.
“Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de Direito Internacional, ao crime cometido no território nacional” (art. 5º CP).
A lei penal brasileira permite, em determinados casos, a eficácia da norma de outros países. A lei penal brasileira abre exceção, no próprio corpo do art. 5º, às estipulações das convenções, tratados ou regras de Direito Internacional.
Para entendermos o princípio da territorialidade, considerado regra no direito penal brasileiro, é preciso entender alguns conceitos elementares, tais como:
2.1.2.1- Território Jurídico: é todo o espaço onde o Estado exerce soberania. É o  espaço terrestre, marítimo ou aéreo sujeito à soberania do Estado. São incluídos no território os navios e aeronaves, conforme critério indicado no §1º do art. 5º.
       A eficácia da lei brasileira não apresenta nenhuma dúvida quando se considera apenas no espaço compreendido entre nossas fronteiras.
2.1.2.2- Mar Territorial – é a faixa de mar ao longo da costa. O mar territorial brasileiro abrange uma faixa de doze milhas marítimas de largura (22 km, aproximadamente). No mar territorial domina a lei nacional do Estado a que ele pertence.
2.1.2.3           - Navios – classificam-se  em:
a)  Públicos – são os vasos-de-guerra, os empregados em serviços militares e em serviços públicos (alfândega, polícia marítima, etc.). Os que transportam soberanos ou Chefes de Estado e representantes diplomáticos.
       Os navios públicos, quer em alto-mar, quer no mar territorial, ficam sujeitos a lei de seu país. Os crimes praticados a bordo destes navios são de competência da justiça do país a que pertencem.
b) Privados – pertencem a particulares (navios mercantes, de recreio, etc.). Em alto-mar, estão sujeitos a lei do país a que pertencem. Ancorados em portos estrangeiros ou em mares territoriais estrangeiros, estão sujeitos a lei do país em que se encontram.
2.1.2.4-Rios – classificam-se em:
a) Nacionais – correm pelo território de um Estado apenas, sendo plena a soberania do Estado a que estes rios pertencem.
b) Internacionais – são os que separam os territórios de dois ou mais Estados ou passam por seus territórios.
       Se o rio internacional divide dois países esse pertence a um dos Estados ribeirinhos, a fronteira passará pela margem oposta.
       Se o rio internacional divide dois países esse pertence aos dois Estados, a divisa será uma linha eqüidistante das margens ou o talvegue.
       Sendo comum aos dois países, a jurisdição será comum sobre ele.
2.1.2.5-Espaço Aéreo – admite três teorias:
a)  Da Absoluta Liberdade do Ar – o ar é de todos e de cada um.
b) Da Absoluta Soberania do País Subjacente – a lei do Estado vigora no espaço aéreo sobre o território em que o Estado exerce soberania. Esta é a teoria adotada pelo Código Penal Brasileiro.
c) Da soberania até a altura dos prédios mais elevados do país subjacente.
2.1.2.6-Aeronaves – aplicam-se os mesmos princípios expostos para os navios.
EFICÁCIA DA LEI EM RELAÇÃO A PESSOAS QUE EXERCEM DETERMINADAS FUNÇÕES PÚBLICAS:
A Constituição Federal determina que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (art.5º). Esse princípio, porém, admite exceção, tendo em vista algumas funções públicas exercidas por certas pessoas.
Esses privilégios funcionais não são concedidos em relação à pessoa, mas a função que ela exerce.
As imunidades diplomáticas derivam do direito internacional. Consistem em excluir  os chefes de Estado e representantes dos governos estrangeiros da jurisdição criminal dos países onde se encontram creditados.
Os representantes diplomáticos permanecem sob a eficácia da lei penal do país a que pertencem.
Os funcionários do corpo diplomático também gozam dessa imunidade, assim como os familiares do representante diplomático.
A sede da embaixada não é considerada extensão do território estrangeiro. O local é inviolável, não em decorrência do princípio da extraterritorialidade, mas em função da imunidade dos representantes.
Se uma pessoa que não goza do privilégio diplomático cometer um crime no interior da embaixada, a eficácia da lei penal é plena.
Com relação aos soberanos das monarquias são eles invioláveis, pelo cargo que exercem. Quanto ao Presidente da República, há um regime criminal especial: Declarada procedente a acusação pelo voto de dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o STF nos crimes comuns, ou perante o Senado Federal nos crimes de responsabilidade (CF, art.86).
IMUNIDADES PARLAMENTARES
São prerrogativas inerentes à função parlamentar, garantidoras do exercício do mandato parlamentar, com plena liberdade. Estão divididas em Imunidade material (Substantiva ou absoluta) e Imunidade Formal (relativa ou processual). A Imunidade Material implica na exclusão da prática de crime, assim como a inviolabilidade civil, pelas opiniões, palavras e votos dos parlamentares (art. 53, CF). A Imunidade Formal traz regras sobre prisão e processo criminal de parlamentares.
Imunidade Parlamentar ou Inviolabilidade Parlamentar – garante que os parlamentares federais são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos, desde que proferidas em razão de suas funções parlamentares, no exercício e relacionadas ao mandato, não se restringindo ao âmbito do Congresso Nacional , mas exercendo sua função parlamentar federal, em qualquer lugar do território nacional estará resguardado, não praticando qualquer crime por sua opinião, palavra ou voto. Impede que o parlamentar seja condenado, na medida em que há ampla descaracterização do tipo penal, irresponsabilizando-o penal, civil, política e administrativamente.
Está descrita no art. 53 da Constituição Federal: “os deputados e senadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos”.
Significa que no exercício do mandato parlamentar o senador e o deputado não cometem crime de palavra (crimes contra a honra, incitação ao crime, apologia ao crime ou criminoso, os crimes definidos na Lei de Segurança Nacional, etc.)
             A imunidade absoluta inicia-se com a diplomação do parlamentar e se encerra com o término de mandato.
Imunidade Processual ou Formal – Os parlamentares passam a ter imunidade processual para a prisão a partir do momento em que são diplomados pela justiça eleitoral, portanto, antes de tomarem posse. A diplomação nada mais é do que atestado garantindoa regular eleição do candidato. Ela representa o termo inicial para a imunidade processual. A CF determina: “ DESDE A EXPEDIÇÃO DO DIPLOMA, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Neste caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”. A votação dos congressistas não será mais secreta, mas por voto aberto.
Os deputados e senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. Recebida a denúncia contra senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o STF dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até decisão final, sustar o andamento da ação. O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de 45 dias do seu recebimento pela Mesa Diretora. A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. Os deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. De acordo com as novas regras, oferecida a denúncia, o Ministro do Supremo poderá recebê-la sem prévia licença da casa Parlamentar. Após o recebimento da denúncia contra o Senador ou deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o STF dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria absoluta de seus membros poderá, até decisão final, sustar o andamento da ação.
Não há mais imunidade processual para crime cometido antes da diplomação. Não há necessidade do STF dar ciência à Casa a que pertence o parlamentar. Nessas hipóteses, NÃO poderá a respectiva casa, por iniciativa de partido político sustar o andamento da aludida ação. Na hipótese de existir co-partícipe que não goze de imunidade, respondendo a crime juntamente com o parlamentar por crime cometido após a diplomação, haverá desmembramento do processo (art. 80, do CPP), em razão da diferença do regime de prescrição, visto estar suspenso somente o prazo prescricional em relação ao parlamentar. Se sustado o processo por crime cometido após a diplomação, uma vez encerrado o mandato, o STF decidiu que o processo deverá ser remetido para a justiça comum, não tendo mais o parlamentar direito ao foro privilegiado. QUANDO O DELITO foi cometido antes da diplomação, o processo deverá ser remetido ao STF, que entendendo preenchidos os requisitos, dará prosseguimento à ação penal. Findo o mandato, caso o processo não tenha terminado, encerrar-se-á a competência do STF, devendo o processo retornar para o juiz natural. Os PARLAMENTARES NÃO PERDEM A IMUNIDADE, mesmo por ocasião de estado de sítio, ou de defesa. Apenas durante o estado de sítio as imunidades poderão ser suspensas, mediante o voto de dois terços dos membros da casa, respectiva, nos casos de atos praticados, fora do recinto do Congresso, que sejam incompatíveis com a execução da medida. As imunidades parlamentares NÃO PODEM ser renunciadas. Aos deputados estaduais serão aplicadas as mesmas regras previstas na Constituição para os deputados federais. A competência de julgamento, porém, é do TJE. OS VEREADORES são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do município. OS VEREADORES NÃO dispõem de imunidade processual, razão pela qual podem sofrer persecução penal, por delitos outros (que não sejam crimes de palavra), independentemente de licença da Câmara Municipal a que se acham vinculados.
 
             Deputados Estaduais possuem as mesmas prerrogativas dos parlamentares federais.
             A imunidade concedida ao deputado estadual, entretanto, é restrita à justiça do Estado-membro, não podendo ser invocada em relação ao Poder Judiciário Federal.
             Vereadores – Possuem imunidade absoluta no âmbito do município: “inviolabilidade dos vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do município” (rt. 29, VIII, C.F.) 
3ª Parte - Teoria do ilícito penal
Unidade VI
Conceitos de Crime
1-CONCEITOS FORMAIS:
Abordam apenas o aspecto mais aparente do crime, que é a contradição do fato a uma norma de Direito.
Não penetram na essência do fenômeno criminal.
       Exemplos: “Crime é o fato humano contrário à lei” (Carmignani).
       “Crime é toda ação ou omissão proibida pela lei, sob ameaça de pena” (Heleno Fragoso).
2-CONCEITOS MATERIAIS:
       Levam em consideração o bem protegido pela lei.
       Exemplo 1: “Crime é a conduta humana que lesa ou expõe a perigo um bem jurídico protegido pela lei” (Magalhães Noronha).
       Exemplo 2: “Crime é a conduta considerada, pelo legislador, como contrária à norma de cultura reconhecida pelo Estado e lesiva de bens juridicamente protegidos, procedente de um homem imputável, que manifesta, com sua agressividade, perigosidade social” (Jiménez de Asua).
3-CONCEITOS ANALÍTICOS:
       Referem-se aos elementos que compõem o crime.
       Exemplo1: “Crime é a ação típica, antijurídica e culpável” (Teoria Causalista da Ação).
            Exemplo 2: "Crime é o fato típico e antijurídico"(Teoria finalista da ação)
       
Unidade VII - Do fato típico
Teorias da Ação ou da Conduta
a)    Teoria Causalista (Naturalista, Tradicional, Clássica ou Causal-Naturalista).
b)    Teoria Finalista.
c)    Teoria Social.
Conduta ou ação é o comportamento (positivo ou negativo) humano, consciente e dirigido a determinada finalidade.
1-TEORIA CAUSAL-NATURALISTA:
       A conduta humana é um processo mecânico, muscular e voluntário, em que se prescinde do fim a que essa vontade se dirige.
       Basta que se tenha a certeza de que o agente atuou voluntariamente, sendo irrelevante o que queria, para se afirmar que praticou a ação típica.
       A ação é a manifestação da vontade sem conteúdo finalístico. O fim da conduta deve ser apreciado na culpabilidade, como elemento dela.
1.1-Críticas à Teoria Causal-Naturalista:
       O conceito jurídico-penal da conduta humana difere da conduta real.
       Dificulta a conceituação de tentativa, pois a tipicidade desta exige que se verifique de imediato a finalidade da ação.
       Não explica, convenientemente, a tipicidade quando o tipo penal contém elementos subjetivos (finalidade da ação, ânimo do agente, etc.). Ex: art. 131 CP.
2-TEORIA FINALISTA:
       Todo comportamento humano tem uma finalidade. A conduta é uma atividade final humana e não um comportamento causal.
       A conduta realiza-se mediante a manifestação da vontade dirigida a um fim. O conteúdo da vontade está na ação, é a vontade dirigida a um fim.
       Segundo esta teoria, no crime doloso a finalidade da conduta é a vontade de concretizar um fato ilícito. Já no crime culposo, o fim da conduta não esta dirigido ao resultado lesivo, mas o agente é autor do fato típico, por não ter empregado em seu comportamento, os cuidados necessários para evitar o evento.
3-TEORIA SOCIAL DA AÇÃO OU DA AÇÃO SOCIALMENTE ADEQUADA:
       Procura ser meio termo entre as teorias Causalista e Finalista da Ação.
       Para esta teoria a ação é a conduta socialmente relevante, dominada ou dominável pela vontade humana.
       Sem relevância social não há relevância jurídico-penal. Só haverá fato típico segundo a relevância social da ação.
       Exemplo: um médico, ao operar uma pessoa, não há tipicidade porque se realiza dentro do âmbito de normalidade social.
3.1-Críticas:
       Há dificuldade de se precisar o que seja relevância social da conduta, por ser um conceito vago, esta teoria torna a tipicidade indeterminada.
Crime ou Delito e Contravenção
       Quanto à gravidade do fato, as infrações são classificadas segundo dois sistemas denominados: Tricotômico (ou Divisão Tripartida) e Dicotômico (ou Divisão Bipartida).
1-SISTEMA TRICOTÔMICO:
       As infrações penaisdividem-se em:
A)crimes
B)delitos
C)contravenções
É adotado na França, Bélgica, Áustria, etc.
2-SISTEMA DICOTÔMICO:
       As infrações penais dividem-se em:
A)crimes ou delitos
B)contravenções
É adotado na Itália, Peru, Suíça, BRASIL, etc.
3-DIFERENÇA ENTRE CRIME E CONTRAVENÇÃO:
       É feita em função da pena aplicada (art. 1º da LICP). Ontologicamente não há diferença.
4-SUJEITOS DO CRIME:
4.1-Sujeito Ativo: é aquele que pratica a conduta descrita na lei, ou seja, o fato típico. Só o homem, isoladamente ou associado a outros, pode ser sujeito ativo do crime. A pessoa jurídica não pode ser agente de um crime.
4.2-Sujeito Passivo: é o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado pela conduta criminosa. A pessoa jurídica pode ser sujeito passivo de determinados crimes. Ex: difamação, furto, etc.
5-OBJETO DO CRIME:
5.1-Objeto Jurídico: é o bem, interesse protegido pela lei penal.
       Bem é tudo aquilo que satisfaz uma necessidade humana, inclusive as de natureza moral e espiritual.
       Interesse é o liame psicológico em torno desse bem, isto é, o valor que tem para o titular.
5.2-Objeto Material: é a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta criminosa. É aquilo que a ação delituosa atinge. Ex: alguém (o ser humano) é objeto material do crime de homicídio. A coisa alheia móvel o é nos crimes dos arts. 155 e 157 CP.
6-CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DOS CRIMES:
6.1-Crimes Instantâneos: são os que, uma vez consumados, estão encerrados, a consumação não se prolonga. Ex: homicídio (art. 121).
6.2-Crimes Permanentes: quando a consumação se prolonga no tempo, dependente da ação do sujeito ativo. Ex: extorsão mediante seqüestro (art. 159).
6.3-Crimes Comissivos: são os que exigem uma atividade positiva do agente, um fazer. Ex: na rixa é o “participar”, no furto o “subtrair”, etc.
6.4-Crimes Omissivos: são os que são descritos com uma conduta negativa, de não fazer. Ex: omissão de socorro.
6.5-Crimes Unissubjetivos: (Monossubjetivos ou Unilaterais) – são aqueles que podem ser praticados por uma só pessoa. Ex: furto, homicídio, etc.
6.6-Crimes Plurissubjetivos: (Coletivo ou de Concurso Necessário) – são os que exigem dois ou mais agentes para a prática da conduta criminosa. Ex: quadrilha ou bando, bigamia, etc.
6.7-Crimes Simples: são os que não possuem circunstância de aumento ou diminuição da gravidade da ação criminosa. Ex: arts. 121, caput; 155, caput; etc.
6.8-Crimes Qualificados: são aqueles que a lei acrescenta ao tipo básico (crime simples) circunstância que agrava sua natureza, elevando os limites da pena. Ex: art. 121, §2º; 155,§4º; etc.
6.9-Crimes Privilegiados: quando ao tipo básico a lei acrescenta circunstância que o torna menos grave, diminuindo, em conseqüência, suas sanções. Ex: art. 121, §1º; 155, § 2º; etc.
6.10-Crimes Profissionais: é o delito praticado por aquele que exerce uma profissão, utilizando-se dela para a atividade ilícita. Ex: aborto praticado por médico.
6.11-Crimes Unissubsistentes: realiza-se com apenas um ato, não permite fracionamento. Ex: injúria ou ameaças orais (art. 140 e 147 CP). Esses não admitem tentativas.
6.12-Crimes Plurissubsistentes: é composto de vários atos que integram a conduta. Existem fases que podem ser separadas. Admitem tentativa. Ex: art 121, 155 e 157 CP.
6.13-Crimes Materiais: há necessidade de um resultado externo à ação , descrito na lei. Ex: no homicídio (morte da vítima), no dano (destruição, inutilização).
6.14-Crimes Formais: não há necessidade da realização daquilo que é pretendido pelo agente. Ex: no crime de ameaça, a consumação se dá com a prática do fato, não se exigindo que a vítima realmente fique intimidada.
6.15-Crimes de Mera Conduta: a lei não exige resultado naturalístico. Ex: violação de domicílio, ato obsceno.
6.16-Crimes Complexos: são os que encerram dois ou mais tipos em uma única descrição legal. Ex: roubo.
6.17-Crimes Comuns: podem ser praticados por qualquer pessoa. Ex: 121, 129 CP.
6.18- Crimes Próprios: os que exigem ser o agente portador de uma qualidade própria. Ex: 123, 312 CP.
6.19-Crimes de Mão Própria: ninguém os pratica através de outrem. Ex: falso testemunho ou perícia (art. 342).
6.20-Crimes Principais: não dependem da prática do delito anterior. Ex: art. 121.
6.21-Crimes Acessórios: dependem da prática de crime anterior. Ex: receptação.
O TEMPO DO CRIME ESTÁ PREVISTO NO ART. 4º DO CP. (COMENTAR)
Teorias Sobre o Lugar do Crime
1-LUGAR DO CRIME: para a determinação do lugar do crime há três teorias:
a.               Teoria da Atividade
b.              Teoria do Resultado
c.               Teoria da Ubiqüidade
1.1-Teoria da Atividade ou da Ação: o lugar do crime é aquele em que o sujeito ativo pratica os atos da execução. Ex: A é ferido por B, no Brasil, e morre no Uruguai. A lei brasileira seria aplicada neste caso.
1.2-Teoria do Resultado ou do Efeito: o lugar do crime é fixado pelo lugar onde ele se consumou. No exemplo anterior, o Uruguai.
1.3-Teoria da Ubiqüidade ou da Unidade: tem por lugar do delito aquele em que foi realizado qualquer um de seus elementos integrantes, seja o da execução, seja o do momento consumativo.
       A lei penal brasileira adotou esta teoria da ubiqüidade no art. 6º do CP.
       “Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado” (art. 6º CP).
       No dispositivo acima está contemplada também a tentativa, na seguinte expressão: “deveria produzir-se o resultado”.
       Basta que uma porção da conduta criminosa tenha ocorrido em nosso território para ser aplicada a lei brasileira.
       “Basta que o crime haja tocado o território nacional” (Nelson Hungria).
Extraterritorialidade
       Ocorre quando certos crimes praticados no estrangeiro sofrem a eficácia da lei nacional.
       A lei prevê uma série de casos em que a lei penal brasileira tem aplicação a delitos praticados no estrangeiro. Ex: art, 7º, incisos I e II.
1-EXTRATERRITORIALIDADE EXCEPCIONAL – pode ser:
1.1-Incondicionada: é assim chamada porque a sua aplicação não se subordina a qualquer requisito. Ex: art. 7º, I.
       Esses crimes ofendem bens jurídicos de grande importância, afetando interesses relevantes do Estado.
       Cometendo qualquer dos crimes do inciso I do art. 7º, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro. Este dispositivo é amenizado pelo art. 8º  (princípio do non bis in idem).
1.2-Condicionada: é encontrada nos demais casos (art. 7º, II e §3º). É assim chamada por estar condicionada a sua aplicação as alíneas dos §§ 2º e 3º do artigo 7º.
ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO PENAL: São o dolo, a culpa e o preterdolo.
Dolo
1-DOLO (elemento normal): é a vontade de concretizar as características objetivas do tipo. É a vontade da ação orientada para a realização do tipo (Hans Welzel).
2-TEORIA SOBRE O DOLO:
            a)Teoria da Vontade
            b)Teoria da Representação
c)Teoria do Assentimento
2.1-Teoria da Vontade: para esta teoria o dolo exige os seguintes requisitos:
d)    quem realiza os atos deve conhecer os fatos e sua significação.
e)    O autor deve estar disposto a produzir o resultado.
Para a Teoria da Vontade é preciso que o agente tenha a representação do fato (consciência do fato) e a vontade de causar o resultado.
2.2-Teoria da Representação: o dolo é a previsão do resultado. É suficiente que o resultado seja previsto pelo agente.
       Os partidários da Teoria da Vontade afirmam que a Teoria da Representação está contida na Teoria da Vontade, pois quem tem vontade de causar o resultado tem a representação (consciência) deste.
2.3-Teoria do Assentimento (ou do Consentimento): o dolo é a previsão do resultado a que o agente adere, não sendo necessário que ele o queira.
       O Código Penal Brasileiro adotou a Teoria da Vontade, quanto ao dolo direto e a Teoria do Assentimento, ao conceituar o dolo eventual.
3-ELEMENTOS DO DOLO:
a)consciência da conduta e do resultado;
b)consciência da relação causal-objetiva entre a conduta e o resultado;c)vontade de realizar a conduta e produzir o resultado.
4-CLASSIFICAÇÃO DO DOLO: o dolo pode ser:
4.1-Direto: quando o agente quis o resultado. Ex: o agente desfere golpes de facada na vítima com intenção de matá-la.
4.2-Indireto (Eventual): o agente assume o risco de produzir o resultado. Ex:A deseja matar B que conversa com C.  A atira em B matando-o, e, mesmo não querendo, atinge também C que vem a morrer. A responde por crime doloso (dolo direto) em relação a B e por crime doloso (dolo indireto) em relação a C.
5- No art. 18, I, do CP, estão previstos o Dolo Direto e o Dolo Indireto: “Diz-se o crime doloso quando o agente quis o resultado (dolo direto) ou assumiu o risco de produzi-lo (dolo indireto)”.
LEITURA RECOMENDADA:
a)Dolo de Dano e de Perigo
b)Dolo Genérico e Específico
c)Dolo Geral
Culpa
1-Tipicidade do Crime Culposo:
       Nos crimes dolosos é suficiente o processo de adequação típica para ser resolvida a questão da tipicidade do fato.
       Nos crimes culposos não, pois o tipo é aberto. Ex: art. 121, §3º, do CP: “Se o crime é culposo”.
       Para resolver o problema da tipicidade do fato no crime culposo não é suficiente o processo de adequação típica. Isto decorre do fato de não ser o tipo culposo precisamente definido em face da diversidade imensa da formas de conduta. A conduta, no crime culposo, torna-se típica a partir do instante em que não se tenha manifestado o cuidado necessário nas relações com outrem.
1.1-Cuidado Objetivo: é a obrigação de realizar condutas de forma a não produzir danos a terceiros. É a partir do instante em que não corresponde ao comportamento que teria adotado uma pessoa de discernimento e prudência, colocada nas mesmas circunstâncias que o agente.
       Há , então, duas condutas comparadas: a conduta concreta do sujeito ativo e a conduta modelo que teria a pessoa-modelo.
       Diante da situação, qual seria o cuidado exigido de um homem dotado de discernimento e prudência?
       Essa conduta esperada é denominada Previsibilidade Objetiva.
       É típica a conduta que deixou de observar o cuidado necessário objetivamente previsível. A imprevisibilidade objetiva exclui a tipicidade.
2-Previsibilidade Objetiva: é a antevisão do resultado nas condições em que o sujeito se encontrava. Ex: dirigir carro na contramão de direção em que há a possibilidade de ser antevista a vinda de outro veículo em sentido contrário e a ocorrência de acidentes.
       A previsibilidade objetiva não se projeta para o futuro remoto. Trata-se de previsibilidade presente, atual.
       O legislador exige que o sujeito preveja o que normalmente pode acontecer, não que preveja o extraordinário, o excepcional. A previsibilidade objetiva torna a conduta típica.
3-Previsibilidade Subjetiva: é a possibilidade do sujeito, segundo suas aptidões pessoais e na medida de seu poder individual, prever o resultado.
       A culpabilidade no delito culposo decorre da previsibilidade subjetiva. Quando o resultado era previsível para o sujeito, temos a culpabilidade.
       A observância do dever genérico de cuidado exclui a tipicidade do fato; a observância do dever pessoal de cuidado exclui a culpabilidade.
4-Imprudência, Negligência e Imperícia: são formas de manifestação da inobservância do cuidado objetivo.
a)Imprudência: é a prática de um fato perigoso. Ex: dirigir veículo em rua movimentada com excesso de velocidade.
b)Negligência: é a ausência de precaução ou indiferença ao ato realizado. Ex: deixar arma de fogo ao alcance de uma criança.
Na negligência o sujeito deixa de fazer alguma coisa que a prudência impõe. Na imprudência ele realiza uma conduta que a cautela indica que não deve fazer. A imprudência é positiva (o sujeito pratica uma conduta). A negligência é negativa (o sujeito deixa de fazer algo imposto pela ordem jurídica).
c)Imperícia: é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão. O motorista, o médico, o farmacêutico, etc, necessitam de aptidão teórica e prática para o exercício de suas atividades. É possível que, em face de conhecimento técnico ou de prática lacunosos, essas pessoas venham a causar danos a terceiros.
Se o sujeito realiza uma conduta fora de sua arte, ofício ou profissão, não há que se falar em imperícia, mas sim em imprudência (prática de um fato perigoso).
LEITURA RECOMENDADA:
1)Culpa Consciente e Inconsciente
2)Culpa Própria e Imprópria
3)Culpa Mediata e Imediata
4)art. 18 do CP
PRETERDOLO é um elemento híbrido de dolo e de culpa. Há dolo na conduta antecedente e culpa na conduta subseqüente ou conseqüente. Ex: art. 129, §3º do CP.
Resultado ou Evento
       É a modificação do mundo exterior provocada pelo comportamento humano voluntário (art. 13 CP). Ex: no homicídio temos o comportamento humano (ação de desferir facadas) e a modificação do mundo exterior, que constitui o resultado (morte da vítima).
       O RESULTADO CONSCIENTE, segundo Antolisei, tem efeitos:
1)Físicos: como a destruição de um objeto no crime de dano.
2)Fisiológicos: como a morte de um homem, no homicídio; na perda de um membro, provocada por lesões corporais.
3)Psicológicos: como a expressão ofensiva por parte de uma pessoa na injúria e na difamação.
Relação de Causalidade
1-CONCEITO: é o nexo existente entre o comportamento humano e a modificação do mundo exterior (resultado).
2-TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS ou DA CONDITTO SINE QUANON – adotada pelo CPB.
       “É considerada causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido” (art. 13 CP).
2.1-Causa: é toda condição do resultado. Todos os elementos antecedentes tem o mesmo valor. São todas as forças que cooperam para a produção do resultado.
2.2-Procedimento Hipotético de Eliminação de Thyrén: um fenômeno é condição de outro toda vez que, suprimindo-o mentalmente, resulta impossível conceber o segundo fenômeno.
Exemplo: suponha-se que A tenha matado B. Alguns fatos relacionados hipoteticamente com esse crime:
            1)Produção do revólver pela indústria;
2)Aquisição da arma pelo comerciante;
3)Compra do revólver pelo agente;
4)Refeição tomada pelo homicida;
5)Emboscada;
6)Disparo de projéteis na vítima;
7)Morte.
Se alguns atos a, b, c, e e f fossem excluídos, o resultado não teria ocorrido. Logo, são considerados causas.
Se o ato d fosse excluído ainda assim o evento ocorrido, a letra d não é causa do homicídio acima.
As pessoas responsáveis pelos atos a e b não respondem por crime em face da ausência de dolo e culpa.
A teoria da “Conditio Sine Qua Non” só é aplicada aos crimes materiais e não se aplica aos crimes de mera conduta e formais.
2.3-Causalidade na omissão: não existe uma relação de causa e efeito entre a omissão e o resultado. “Do nada, nada surge”.
       É incorreto afirmar que a omissão produziu o resultado.
       A conduta omissiva é essencialmente normativa e não naturalística.
       A causalidade não é formulada em face de uma relação entre a omissão, mas porque não o impediu realizando a conduta a que estava obrigado.
2.3.1-A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado (art. 13, §2º).
       O dever de agir incumbe a quem:
            1)Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção e vigilância. Exemplo: a mãe deixa de alimentar o filho que vem a morrer de inanição (art. 384 CC).
2)De outra forma assumiu a responsabilidade de impedir o resultado. Exemplo: guia alpino e o alpinista, que, após o encerramento do contrato resolve guia-lo mais alguns dias gratuitamente.
3)Com seu comportamento anterior criou o risco da ocorrência do resultado. Exemplo: um exímio nadador convida alguém a acompanhá-lo em longo nado e em determinado instante, vendo que o companheiro está perdendo as forças não o socorre, deixando-o morrer (Nelson Hungria).
2.4-Superveniência Causal:
       “A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, impunham-se a quem os praticou” (art. 13, §1º).
       É uma restrição da Teoria da Conditio Sine QuaNon.
2.4.1-A causa pode ser:
a)ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE em relação à conduta do sujeito subdivididas em:
a.1) Preexistentes: Ex: A desfecha um tiro em B, que vem a falecer pouco depois, não em conseqüência dos ferimentos recebidos, mas porque ingerira veneno. A responde não por homicídio, mas por tentativa ou lesão corporal.
a.2) Concomitantes: A fere B no momento exato em que este vem a falecer exclusivamente por força de um colapso cardíaco. A responde apenas pelas lesões provocadas.
a.3) Superveniente: A ministra veneno na alimentação de B que, quando está tomando a refeição, vem a falecer em conseqüência de desabamento.
       Nos exemplos a.1, a.2 e a.3, a causa da morte não tem ligação alguma como comportamento do agente, em face disso, ele não responde pelo resultado morte.
       Se a causa preexistente, concomitante ou superveniente produz por si mesma o resultado, não se ligando de forma alguma com a conduta, esta conduta em relação ao evento é uma mera causa.
       A causa preexistente, concomitante ou superveniente que, por si só, produz o resultado, sendo absolutamente independente, não pode ser imputada ao agente.
            b)RELATIVAMENTE INDEPENDENTE em relação à conduta do agente, subdivididas em:
b.1) Preexistentes: Ex: A golpeia B, hemofílico, que vem a falecer em conseqüência dos ferimentos, com a contribuição de sua particular condição fisiológica.
b.2) Concomitantes: Ex: A desfecha um tiro em B no exato instante em que este está sofrendo um colapso cardíaco provando-se que a lesão contribuiu para a morte da vítima.
b.3) Superveniente: A fere B , que é levado a um hospital que, chegando lá, morre em decorrência de um incêndio.
Nos exemplos b.1 e b.2 as causas (hemofilia e colapso cardíaco) não excluem a ação causal desenvolvida pelos agentes. Respondem os agentes pelo resultado morte, porque não foram a hemofilia e o colapso cardíaco que, de forma exclusiva, produziram o resultado.
              No exemplo b.3, A não responde pelo resultado morte, mas apenas pelas lesões corporais (art. 13, §1º).
RESUMO DAS CAUSAS:
Erro de Tipo ou Erro de Fato
       É o que incide sobre as elementares ou circunstâncias da figura típica, sobre os pressupostos de fato de uma causa de justificação ou dados secundários da norma incriminadora.
       É o que faz o sujeito supor a ausência de elemento ou circunstância da figura típica incriminadora.
       EXEMPLO DE ERRO SOBRE AS ELEMENTARES DO CRIME: Adispara um tiro de revólver no que supõe ser um animal bravio, vindo a matar um homem.
       OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
1)O erro incide sobre um elemento do crime de homicídio. A supôs a ausência da elementar “alguém” (pessoa humana) contida na descrição do tipo, isto é, na descrição do crime de homicídio.
2)Em face do erro não se encontra presente o elemento subjetivo do crime, ou seja, o dolo.
3)Não há consciência da conduta e do resultado nem a vontade de realizar a conduta contra a vítima e de produzir o resultado (dolo).
EXEMPLO DE ERRO SOBRE CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA DO CRIME: A, desconhecendo a relação de parentesco, induz a própria filha a satisfazer a lascívia de outrem. Aresponde pela forma típica fundamental do art. 227 do CP, sem a qualificadora do §1º.
EXEMPLO DE ERRO SOBRE OS PRESSUPOSTOS DE FATO DE UMA CAUSA DE JUSTIFICAÇÃO (é a chamada Legítima Defesa Putativa): A promete matar B, B, prevendo o fato, compra um revólver. Ao encontrarem-se A e B, A mete uma das mãos no bolso. B, achando que A irá sacar de uma arma, atira e mata A. Verifica-se depois que A estava desarmado e que, na verdade, ia apanhar um lenço no bolso.
O erro de tipo exclui o dolo, mas pode o sujeito responder por crime culposo (ler art. 20, §1º).
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
O erro de tipo pode ser:
1)ERRO ESSENCIAL: é o que versa sobre elementares ou circunstâncias do crime.
Há erro de tipo essencial quando a falsa percepção impede o sujeito de compreender a natureza criminosa do fato.
EXEMPLO: matar um homem supondo tratar-se de um animal bravio.
O erro essencial possui duas formas:
1)ERRO INVENCÍVEL (ou escusável ou inculpável): quando não pode ser evitado pela diligência normal. Qualquer pessoa cometeria o erro.
2)ERRO VENCÍVEL (ou inescusável ou cultural): quando o erro pode ser evitado pela diligência ordinária. Resulta de negligência ou imprudência. Qualquer pessoa, empregando a prudência normal, exigida pela ordem jurídica, não cometeria o erro em que incidiu o agente.
EFEITOS DO ERRO DE TIPO ESSENCIAL:
Tratando-se de erro essencial, os efeitos variam conforme a sua natureza (vencível ou invencível):
1)O erro essencial invencível exclui o dolo e a culpa, ou seja, o autor não responde nem por crime doloso nem culposo.
2)O erro essencial vencível exclui o dolo, mas não a culpa, desde que previsto em lei o crime culposo.
No exemplo do caçador que atira no amigo supondo tratar-se de um animal bravio podem ocorrer duas hipóteses:
1) Provando-se que qualquer pessoa, nas condições em que se viu envolvido, teria a mesma suposição, qual seja, que se tratava de um animal bravio (art. 20, 1ª parte) há erro essencial invencível na hipótese.
2) Provando-se que qualquer pessoa, nas condições em que o caçador se viu envolvido, com observância do cuidado objetivo, não incidiria em erro, há exclusão do dolo, mas não da culpa (art. 20, 2ª parte). Há, na hipótese, erro essencial vencível, que é também previsto no §1º, 2ª parte do art. 20.
       Às vezes o erro quanto à condição integrante do tipo opera desclassificação para outro delito. Ex: o sujeito injuria em funcionário público no exercício da função, desconhecendo a qualidade pessoal da vítima. Não responde por desacato (art. 331), mas por injúria (art. 140).
       As descriminantes putativas (legítima defesa putativa, estado de necessidade putativo, estrito cumprimento do dever legal putativo e exercício regular de direito putativo) são espécies de erro a serem estudados após a análise desses institutos previstos no art. 23 do CP.
Erro Provocado por Terceiro
       “Responde pelo crime o terceiro que determina o erro” (art. 20, §2º).
       O erro pode ser:
      Espontâneo: quando o agente incide em erro sem a participação provocadora de terceiro. É o erro estudado anteriormente.
      Provocado: quando o sujeito a ele é induzido por conduta de terceiro.
A provocação pode ser: Dolosa e Culposa.
       Há provocação dolosa quando o erro é preordenado pelo terceiro, isto é, o terceiro conscientemente induz o sujeito a incidir em erro. Neste caso o agente provocador responde pelo crime a título de dolo.
       Exemplo: desejando matar C,  A entrega uma arma municiada a B, fazendo crer que se encontra descarregada e o induz a acionar o gatilho em direção a vítima C.  B aciona o gatilho e mata o ofendido.  A responde por homicídio doloso. O provocado B, em face do erro, não responde pelo crime, salvo se agiu com culpa, respondendo, então por crime culposo.
       Existe provocação culposa quando o terceiro age com imprudência, negligência ou imperícia.
       Exemplo: sem verificar se a arma se encontra carregada ou não Aentrega a B, afirmando que se encontra sem munição, induzindo-o a acionar o gatilho. Acionando, o projétil atinge C matando-o. O provocador responde por homicídio culposo.
Erro Acidental
       É o que versa sobre dados acidentais do delito ou sobre a conduta de sua execução.
       Não impede o sujeito de compreender o caráter ilícito de seu comportamento.
       Mesmo que não existisse, ainda assim a conduta seria antijurídica.
       Casos de erro acidental:
a)    Erro sobre o objeto (Error in Objecto)
b)    Erro sobre pessoa (Error in persona, art. 20, §3º)
c)    Erro na Execução (aberratio ictus, art. 73)
d)    Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis, art. 74)
Erro sobre o objeto: objeto material do crime é a pessoa ou a coisa sobre a qual incide a conduta do agente.
A expressão “erro sobre o objeto”, porém, não se estendea ambas, restringindo-se à coisa.
Exemplo: A subtrai açúcar supondo tratar-se de farinha.
O erro neste caso é irrelevante, pois a lei tutela a posse e a propriedade de qualquer. A responde por furto.
Erro sobre a pessoa: nele o sujeito atinge uma pessoa supondo tratar-se da que pretendia ofender.
“O erro quanto à pessoa, contra qual o crime é praticado, não isenta de pena”
(art. 20, §3º).
Exemplo: A pretende matar B. Encontra-se com C, sósia de B e mata-o. Responde por homicídio doloso, como se tivesse matado B (ler art. 20, §3º).
Erro na execução (Aberratio ictus): significa aberração no ataque ou desvio do golpe. Não existe viciamento da vontade no momento da realização do fato, mas erro ou acidente no emprego dos meios de execução do delito.
Há duas formas de aberratio ictus:
a)    Aberratio ictus com unidade simples (com resultado único: morte ou lesão corporal).
b)    Aberratio ictus com unidade complexa (com resultado complexo).
Existe aberratio ictus com resultado único quando em face do erro na conduta causal um terceiro vem a sofrer o resultado, que pode ser morte ou lesão corporal.
Exemplo: o agente atira sobre a vítima virtual (ou seja, a que queria atingir), que se encontra ao lado de outra pessoa, erra o alvo e vem a matar ou ferir esta (vítima efetiva). Há um só resultado (lesão corporal ou morte).
Segundo o C.P.B. na aberratio ictus comunidade de resultado há um só delito (tentado ou consumado).
Podem ocorrer duas hipóteses:
1)    A vítima efetiva sofre lesão corporal: o agente responde por tentativa de homicídio.
2)    A vítima efetiva vem a falecer. O C.P.B. vê uma unidade de crime, um só crime doloso, como se o agente tivesse matado a vítima virtual (ler art. 73 do CP).
A aberratio ictus com duplicidade de resultado ocorre quando o agente atinge a vítima virtual é terceira pessoa.
Aplica-se a 2ª parte do art. 73 (ler).
       A aberração no ataque ocorre por acidente ou erro no uso dos meios de execução:
       Exemplo: erro de pontaria; desvio da trajetória do projétil por alguém haver esbarrado no braço do agente no instante do disparo; desvio de golpe de faca pela vítima, etc.
Diferença entre aberratio ictus e error in persona
       Na aberratio ictus a pessoa visada pelo sujeito sofre perigo de dano, enquanto isso não ocorre no erro sobre a pessoa. (ler art. 73 do CP).
Resultado Diverso do Pretendido
       Aberratio Criminis significa o desvio do crime. O Código Penal manda que o resultado diverso do pretendido seja munido a título de culpa. Podem ocorrer vários casos, 04 hipóteses:
       1ª) O agente quer atingir uma coisa e atinge uma pessoa: responde pelo resultado a título de culpa (homicídio ou lesão corporal culposos).
       2ª) O agente pretende atingir uma pessoa e atinge uma coisa: não responde por crime de dano culposo, uma vez que o CP não prevê a modalidade culposa.
       Pode responder por tentativa de homicídio ou tentativa de lesão corporal.
       3ª) O agente quer atingir uma pessoa, vindo atingir esta e uma coisa: responde pelo resultado produzido na pessoa, não havendo crime de dano (não há dano culposo).
       4ª) O agente quer atingir uma coisa, vindo a atingir esta e uma pessoa: responde por dois crimes: dano (art. 163) e homicídio ou lesão corporal culposa em concurso formal.
Quadro Sinóptico
		
 
		
 
                                  Invencível (exclui o dolo e a culpa)
                    Essencial
                                  Vencível (exclui o dolo, não a culpa)
Erro de Tipo
		
 
                                             Erro sobre o objeto
                                  Erro sobre a pessoa
                    Acidental     Erro na execução
                                  Resultado diverso do pretendido
Erro de Proibição
       É o que incide sobre a ilicitude do fato. O agente, diante do erro, supõe lícito o fato por ele cometido.
-        Ele supõe inexistir a regra de proibição.
-        Ninguém se escusa de cumprir a Lei alegando que não a conhece (art. 3º LICC).
-        Não exclui a culpabilidade alegar o sujeito não conhecer a Lei ou conhecê-la mal, somente se aproveitando de uma atenuante genérica (CP, art. 65, II).
1-ITER CRIMINIS – É o conjunto de fases pelas quais passa o delito.
1.1-O iter criminis compõe-se de quatro fases distintas, a saber:
a)cogitação
b)atos preparatórios (ou preparação)
c)execução
d)consumação
1.1.1-COGITAÇÃO – O caminho do crime começa com a idéia, o pensamento acerca do delito. Em regra, a cogitação é irrelevante para o Direito Penal. Há casos em que o mero desígnio ou propósito de vir a cometer o delito já constitui crime. Exemplos: Incitação ao crime (art. 286) e quadrilha ou bando (art. 288), CP. 
1.1.2-ATOS PREPARATÓRIOS - É a fase em que o agente mune-se dos meios necessários para a execução futura do delito. Em regra, os atos preparatórios também são impuníveis.
1.1.3-EXECUÇÃO – há três teorias que procuram distinguir a execução dos atos preparatórios:
a)critério material – há ato executório quando a conduta do agente ataca o bem jurídico tutelado. Exemplo: A, pretendendo assassinar B, desfere-lhe violenta facada.
b)critério formal – existe ato de execução quando o comportamento do agente dá início a realização do tipo. Exemplo: pretendendo matar B, A levanta o punhal para atingi-lo.
c)critério objetivo-individual (Welzel e Zaffaroni) – há distinção entre começo de execução do crime e começo de execução da ação típica. O conceito de execução do crime é mais amplo. Para eles são atos executórios do crime aqueles imediatamente anteriores à conduta que se amolda ao verbo do tipo.
1.1.4-CONSUMAÇÃO – O crime é consumado quando o agente realizou todos os elementos que compõem a descrição do tipo penal. Exemplos: o homicídio e o infanticídio consumam-se com a morte da vítima; a lesão corporal com a ofensa à integridade corporal u à saúde da vítima, etc. Ler art. 14, I, CP.
2-TENTATIVA  -  é a execução iniciada de um crime , que não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
2.1-ELEMENTOS DA TENTATIVA
a)início de execução do tipo;
b)não-consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade do agente.
2.1.1- O iter criminis pode ser interrompido por dois motivos:
a)pela vontade do agente (neste caso fala-se em desistência voluntária ou arrependimento eficaz);
b)pela interferência de circunstâncias alheias à vontade do agente. Nesta segunda hipótese fala-se em tentativa.
2.1.2-Formas de tentativa
a)perfeita – o agente realiza tudo o que acha necessário para produzir o resultado, mas ele não ocorre. Exemplo:  agente desfecha todos os projéteis de seu revólver na vítima, que,atingida é levada a um hospital onde uma intervenção cirúrgica salva sua vida.
b)imperfeita (ou tentativa branca ou incruenta) – o agente não exaure toda a sua potencialidade lesiva por circunstâncias alheias à sua vontade. Exemplo: o agente, após golpear a vítima, brande o punhal para desferir o golpe fatal, quando alguém lhe toma a arma.
2.1.3-INFRAÇÕES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA
a)crimes culposos
b)crimes preterdolosos
c)contravenções penais
3-DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA – ocorre quando o agente desiste, voluntariamente, de prosseguir na execução do crime, só respondendo pelos atos já praticados.
       A desistência voluntária é conhecida por tentativa abandonada, em que por razões de política criminal, se estimula o agente a não consumar o delito.
       Na desistência voluntária, o agente, embora tenha iniciado a execução, não a leva adiante, desistindo da realização típica. Exemplos: A entra na casa de B e desiste da subtração que pretendia efetuar;  A adquire um revólver para matar B e põe-se de atalaia. Ao avistar B, desiste de seu intento homicida.
4-ARREPENDIMENTO EFICAZ – ocorre quando o agente, após ter esgotado os meios de que dispunha para a prática do crime, arrepende-se e evita que o resultado ocorra.
       O agente pratica nova atividade para evitar o resultado. É imprescindível que a ação seja coroada de êxito. Que impeça ele a consumação do crime.
       Não se pode falar em arrependimentoeficaz se o crime se consumou. Exemplos: o agente ministra um antídoto à pessoa que envenenou; o agente retira da água a pessoa que pretendia matar afogada (José Frederico Marques).
       Como na desistência voluntária, o agente responderá pelos atos já praticados.
4.1-ARREPENDIMENTO POSTERIOR (ler art. 16, CP).
5-CRIME IMPOSSÍVEL (art.17, CP) o crime impossível também é conhecido por tentativa impossível, tentativa inidônea, tentativa inadequada ou quase crime. Há duas espécies de crime impossível:
a)por ineficácia absoluta do meio;
b)por absoluta impropriedade do objeto.
5.1-Por ineficácia absoluta do meio empregado pelo agente – o meio é ineficaz, inadequado para que o agente possa obter  resultado pretendido. Exemplos: 1- tentar matar por envenenamento uma pessoa, utilizando como meio água potável; 2- tentar matar a tiros uma pessoa com um revólver desmuniciado.
5.2-Por impropriedade absoluta do objeto – nesta hipótese, é impossível o agente atingir o fim almejado. Exemplos: 1-manobras abortivas em mulher que não está grávida; 2-matar uma pessoa que já está morta.
1-CONCURSO DE PESSOAS – ocorre quando o crime é cometido por duas ou mais pessoas.
1.1-Espécies de concurso de pessoas:
1.1.1-necessário – quando ocorre necessariamente o concurso de mais de uma pessoa para sua prática. Exemplo: rixa, formação de quadrilha, etc.
1.1.2-eventual – quando não se exige mais de uma pessoa para a prática do crime.
1.2-Modalidades de concurso de pessoas:
1.2.1-co-autoria – são co-autores os que executam  comportamento que a lei define como crime. Exemplo: no roubo, um ameaça e outro recolhe os valores da vítima.
1.2.2-participação – os partícipes não praticam a conduta que a lei define com crime, mas contribuem de qualquer modo para sua realização.
       A participação pode ser:
1)moral – é feita através da instigação
2)material – a pessoa adota um comportamento positivo ou negativo.
1.3-AUTORIA MEDIATA – quando o agente consegue a execução do crime através de pessoa que atua sem culpabilidade. Exemplo: utilizar um menor ou débil mental para a prática de um crime. Nesta hipótese não há co-autoria, mas apenas um autor mediato pela realização indireta do fato típico.
1.4-CO-AUTORIA EM CRIME CULPOSO – pode ocorrer, desde que exista um vínculo psicológico entre duas pessoas na prática da conduta, ainda que não em relação a resultado. Exemplo: dois operários que lançam, imprudentemente, uma tábua do andaime, ferindo um transeunte;  duas pessoas que preparam uma fogueira, causando por negligência um incêndio.
1.5-MULTIDÃO DELINQÜENTE – é possível o cometimento de crime por multidão delinqüente, como nas hipóteses de linchamento, depredação, saque, etc. Responderão todos os agentes por homicídio, dano, roubo, neste exemplo, mas terão as penas atenuadas (ler art. 65, III, e, CP).
1-CONCURSO DE CRIMES – quando o agente pratica dois ou mais crimes por meio de uma ou mais ações ou omissões.
1.1-Há três espécies:
a)concurso material (ou real)
b)concurso formal (ou ideal)
c)crime continuado (continuidade delitiva)
1.1.1-Concurso material – ocorre quando o agente comete dois ou mais crimes mediante mais de uma ação ou omissão.Subdivide-se em duas espécies:
a)  concurso homogêneo – os delitos praticados são da mesma natureza. Exemplo: vários roubos.
b)Concurso heterogêneo – os delitos são de natureza diferente. Exemplo: homicídio, furto, roubo, etc.
Na hipótese de concurso material as penas são aplicadas cumulativamente (somadas)
1.2-CONCURSO FORMAL – quando o agente pratica dois ou mais crimes mediante uma só conduta. Exemplo: o agente ao explodir uma bomba, provoca vários homicídios.
       Na hipótese de concurso formal se as penas previstas são idênticas, impõe-se uma só e se diversas as penas aplica-se a mais grave delas, porém em qualquer caso, sempre acrescida de um sexto até a metade.
1.2.1-CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO OU IMPERFEITO – quando o agente, com uma só conduta dolosa, causa dois ou mais resultados cm desígnios autônomos, ou seja,  o agente deseja s vários resultados. Exemplo: cidadão A amarra B e C, seus inimigos, para abate-los com um só tiro. A envenena a sopa com o intuito de assassinar uma família inteira.
       No concurso formal impróprio, aplica-se o critério do cúmulo material, isto é, as penas são somadas.
1.3-CRIME CONTINUADO – quando o agente comete dois ou mais crimes da mesma espécie, mediante mais de uma conduta estando s delitos, porém, unidos pela semelhança de determinadas circunstâncias. As circunstâncias são as condições de tempo, lugar, modo de execução ou outras circunstâncias que permitam deduzir a continuidade. Pena (ler o art. 71 1 seu parágrafo único).
      
Coação Irresistível e Obediência Hierárquica
       “Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem não manifestante ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem” (art. 22).
       A Coação Irresistível pode ser:
a)    Física
b)    Moral
Coação Física Irresistível: quando há o emprego de força física para obrigar o sujeito a praticar um crime. O coator usa meios que impedem o agente de resistir, porque sua ação (ou omissão) estão submetidos fisicamente ao coator.
Não existe na coação física, ação voluntária do coacto.
Exemplos:
-        Amarrar o sujeito para que não preste socorro a uma pessoa gravemente ferida (omissão do socorro).
-        Apertar a mão do agente que dispara o revólver e mata uma pessoa (homicídio).
Coação Moral Irresistível: nela há uma ameaça, a vontade do coacto não é livre.
-        É indispensável que a acompanhe um perigo sério e atual de que ao co-agido não é possível se eximir.
-        A ameaça geradora da coação moral irresistível pode Ter por objeto não a pessoa do coacto mas outras que estejam sentimentalmente ligadas a este (esposa, filhos, amigos íntimos, etc.).
-        Podendo o agente reagir à coação (coação resistível) e não o fazendo responde pelo ato ilícito praticado, porém com uma atenuante genérica (art. 65, III, C, 1ª parte).
Obediência Hierárquica:
É a manifestação de vontade do titular de uma função pública a um funcionário que lhe é subordinado, no sentido de que realize uma conduta (José Frederico Marques).
A ordem pode ser:
-        Legal
-        Ilegal
Quando a ordem é legal, nenhum crime comete o subordinado (e nem o superior) pois se encontra em estilo cumprimento do dever legal.
Exemplo: um delegado de polícia, em cumprimento a ordem superior, prende alguém que se encontra em flagrante delito.
A ordem Ilegal pode ser:
-        Manifestamente ilegal
-        Não manifestamente ilegal
Quando a ordem é manifestamente ilegal, respondem pelo crime o superior e o subordinado.
Exemplo: o delegado de polícia determina ao investigador que exija do autor de um crime determinada quantia, a fim de não ser instaurado Inquérito Policial.
Os dois respondem por crime de concussão (art. 316, Caput, do CP).
Nelson Hungria – Apresenta um exemplo de ordem emanada de superior hierárquico não manifestamente ilegal:
Um bisonho soldado de polícia, por ordem do comandante da escolta, mata com um tiro de fuzil, supondo agir por obediência hierárquica, o criminoso que tenta fugir ou impõe resistência passiva ao mandado de prisão.
Aplica-se, neste caso, o disposto no art. 22, 2ª parte, do CP.
Exclusão de Ilicitude ou de Antijuridicidade
       Não há crime quando o agente pratica o fato: (art. 23 do CP).
1)    Em estado de necessidade;
2)    Em legítima defesa;
3)    Em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular do direito.
1) Estado de Necessidade: (proceder a leitura do art. 24 do C.P.B.).
       É a situação de perigo atual, não provocada voluntariamente pelo agente, em que este lesa bem de outrem ou alheio, cujo sacrifício não podia ser razoavelmente exigido.
2) Requisitos do Estado de Necessidade:
      Situação de perigo ou situação de necessidade;
      Conduta lesiva ou fato necessitado.
2.1) São requisitos da situação de perigo:
a)    Perigo atual ou iminente: atual é o que está acontecendo, iminente é prestes

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