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O legado cultural da Antiguidade
Clássica
O pensamento mítico estabelecido na civilização grega clássica. As civilizações cantadas nas obras dos
autores Homero e Hesíodo, e sua influência em povos posteriores. O pensamento filosófico como
superação do pensamento mítico e constitutivo da pólis grega. O legado cultural da Antiguidade Clássica.
Profª. Márcia Regina de Faria da Silva
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender a sociedade grega a partir da constituição da civilização micênica cantada pelos poemas
homéricos; entender os conceitos de mito, rito e religião para os povos primitivos e a sistematização dos mitos
pela composição hesiódica; bem como o processo gradativo de desmitificação que leva ao pensamento
filosófico, permitirá ao aluno uma clara percepção do legado da Antiguidade Clássica.
Objetivos
Identificar o contexto histórico-social vivido pelos gregos na Antiguidade Clássica.
Reconhecer a relação entre mito e religião na Antiguidade Clássica.
Identificar as principais correntes filosóficas gregas e sua importância para a construção do 
pensamento racional.
Introdução
Muito já ouvimos falar sobre a influência de gregos na atualidade. A cultura grega foi base e fundamento para
a cultura ocidental em muitos aspectos. A matemática, a física, a química e até mesmo a teoria musical,
tiveram sua origem na filosofia grega. Concepções míticas ainda estão presentes na atualidade e reelaborados
até mesmo em produções cinematográficas. Os grandes heróis épicos com sua nobreza guerreira inspiram a
construção dos heróis do presente. Os mitos de fim de mundo estão mais do que na moda. A filosofia, o mito e
a religião gregas estão presentes em nossas vidas ainda hoje. Neste tema, aprenderemos a identificar todo
esse legado.
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Teseu lutando contra o Minotauro, por Étienne-Jules
Ramey (francês, 1796-1852)
1. A sociedade grega na Antiguidade
Quem eram os gregos?
Quando pensamos em Antiguidade Clássica, certamente vem à nossa mente histórias da Guerra de Tróia, do
Minotauro ou de Hércules. Nosso imaginário está permeado de mitos de heróis e deuses.
Mas você já parou para pensar em como deve ter sido a vida do povo grego naquele período?
Os habitantes da Grécia são basicamente a síntese de quatro povos indo-europeus que migraram em períodos
diferentes para a Grécia continental e para as ilhas, as Cíclades. São eles:
 
Jônios
Eólios
Aqueus
Dórios
As primeiras lendas em torno da consolidação
de uma civilização estão relacionadas à luta de
Teseu com o Minotauro, um ser metade touro,
metade humano, que representava a soberania
da civilização minoica de Creta sobre a Grécia.
A derrota do Minotauro simboliza a derrocada
da civilização minoica e o advento da
civilização micênica, formada basicamente
pelos povos aqueus. Essa civilização é cantada
na Guerra de Troia, por meio de seus heróis
imortalizados pelos poemas de Homero, a Ilíada
e a Odisseia.
Saiba mais
O romance No Palácio do Rei Minos, do grego Níkos Kazantizákis, retrata de forma primorosa a
civilização minoica de Creta. Vale a pena conhecer essa obra!
A Guerra de Troia é o episódio histórico mais antigo do povo grego e pode ser considerado como um exemplo
de como era organizada a civilização micênica. Para além dos mitos e das lendas, sabemos que Troia teve
existência histórica. Foram descobertas, em escavações arqueológicas no que hoje é a Turquia, várias cidades
sobrepostas no lugar em que os antigos indicavam que Troia se localizava.
Ruínas da Antiga Cidade de Tróia. Patrimônio Mundial da UNESCO na Turquia.
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Helena e Menelau, de Goethe Tischbein
Schliemann indica, após testes de datação e análise comparativa de peças encontradas, denominadas de
“Tesouro de Atreu”, que se coadunavam com descrições de objetos nas narrativas homéricas, que a sétima
cidade teria sido a Troia cantada pelos gregos.
Schliemann
“É famosa a história de Heinrich Schliemann, um mercador alemão apaixonado pela poesia homérica,
que, decidido a encontrar os locais descritos nas epopeias, empreendeu uma série de expedições em
busca dos locais citados na Ilíada e na Odisseia. Suas escavações, realizadas ao final do século XIX,
provocaram danos irreparáveis em muitos dos sítios arqueológicos contra os quais investiu, no entanto,
as escavações que fez em Micenas – à procura do palácio do rei Agamêmnon – e em Hissarlik, na Turquia
– onde descobriu a cidade de Troia –, revelaram novos e fascinantes objetos de estudo para a melhor
compreensão do passado grego.” (Gabrecht; Tragino, 2017, pág. 01)
O motivo histórico para tantas cidades destruídas, provavelmente tenha sido comercial. Troia localizava-se no
meio do caminho entre a Grécia e o Oriente e, provavelmente, atrapalhava o comércio dos gregos.
Vários monumentos foram encontrados também na Grécia continental que se relacionam de alguma forma
com as narrativas dos heróis que participaram da Guerra de Troia.
O grego Theodoros Spyropoulos, em 2002, após vinte anos
de escavações, afirmou que tinha descoberto o que havia
restado do palácio do Rei Menelau e de sua mulher Helena.
As ruínas ficam situadas a aproximadamente 25 quilômetros
de Esparta, no Sul da Grécia. Acredita-se que o local pode
ter sido a antiga Lacedemônia, o reino de Menelau, antes da
destruição em 1200 a.C. por um terremoto. Oficinas,
depósitos, muros e tumbas suntuosas foram encontrados
nas escavações.
Um outro arqueólogo, Christofilis Maggidis, também no Sul
da Grécia, acredita ter encontrado o fragmento de um trono
do palácio de Micenas, governado por Agamêmnon.
Christofilis Maggidis
Christofilis Maggidis é presidente da Mycenaean Foundation. Uma organização que tem como objetivo
descobrir, preservar e ensinar acerca da sociedade grega clássica. Há um conteúdo (em inglês)
exclusivo sobre escavações, no qual é possível encontrar registros de arqueólogos, como Theodoros
Spyropoulos.
Miticamente, por outro lado, a guerra teria acontecido por causa do rapto de Helena, esposa de Menelau, por
Páris, príncipe de Troia, filho mais novo dos reis, Príamo e Hécuba.
As narrativas dos heróis
Essas narrativas são de heróis do século XII a.C., mas chegaram até o poeta Homero, no século IX. Como isso
aconteceu? Era comum, na Grécia, os feitos dos heróis serem cantados nas praças públicas por aedos ou por 
rapsodos. Assim, as histórias eram transmitidas oralmente de geração em geração.
Aedos
Artistas que compunham as histórias e
cantavam tocando algum instrumento.
Rapsodos
Aqueles que se limitavam a recitar poemas de
outros artistas.
As lendas dos heróis eram muito diversificadas e cantadas como histórias separadas. Muitas delas não tinham
ligação entre si. Os primeiros autores gregos, especialmente Homero, transformaram a narrativa oral em
poema escrito e fizeram a ligação entre as várias lendas, agrupando todos os heróis em um lugar único e um
grandioso evento, a Guerra de Troia. É necessário dizer que esse motivo mítico forneceu material para a
composição não só de epopeias, mas também de tragédias e poemas líricos na Grécia e foram reelaborados e
relidos inúmeras vezes ao longo dos séculos. 
Até hoje temos produções cinematográficas que recontam as histórias da Guerra de Troia.
Por meio de todo esse conteúdo lendário, podemos perceber a organização de uma soberania composta por
um rei que detinha poderes políticos, militares, sociais e religiosos e os guerreiros eram os nobres.
A educação na época homérica
Para entender melhor essa organização, precisamos conhecer alguns conceitos fundamentais para o homem
grego na época homérica. Vamos iniciar falando sobre a educação.
 
A educação para o homem grego tem, ao mesmo tempo, conteúdo moral e prático. Se, por um lado,
são preceitos de moralidade transmitidos oralmente, por outro constitui um conjunto de conhecimentos
e aptidões profissionais transmissíveis, a techne.
 
A educação consistia na formação do homem por meio da criação de um tipo ideal, kalón, beleza, na
qual se chega por meio da educação e da formação, que se manifesta na totalidade do homem,interna
e externamente, por meio do comportamento e da atitude, que nascem de uma disciplina consciente.
 
Vemos atrelada à história da formação do homem e da nação grega, a importância da nobreza como
fonte espiritual, que faz surgir um ideal definido de homem superior, ao qual os melhores (aristoi)
aspiram.
O conceito de areté
Isso traz-nos o conceito de areté como força ou destreza que une ideal cavaleiresco a uma conduta cortês e
distinta e ao heroísmo guerreiro. A areté resume o ideal de educação da mais antiga cultura aristocrática,
mostrada por Homero na Ilíada e na Odisseia.
A areté é usada tanto para celebrar a excelência humana, como para mostrar a superioridade de seres não
humanos. Como está ligada intimamente à ideia de nobreza, o homem comum não possui areté, pois ela é um
atributo do nobre, do áristos. Gradativamente, vemos, ainda, uma evolução do conceito, ligando-o a
qualidades morais e espirituais. Mas, em geral, demonstra a força e a destreza na guerra ligadas ao heroísmo
guerreiro.
• 
• 
• 
Estátua do antigo poeta grego Homero.
Comentário
Areté e áristos possuem uma raiz comum e mostram o homem que consegue, na paz ou na guerra, ser
conduzido por normas certas de conduta, que o distinguem do homem comum. Em Homero, há a
identificação da coragem com a areté. 
A educação deve, portanto, despertar na nobreza o sentimento do dever em face do ideal. Vemos que,
mesmo entre os nobres, há uma luta pelo prêmio da areté e por sua confirmação, por isso, a importância da
aristeia, os combates singulares dos grandes heróis épicos. Há uma corrida para superar seus iguais e obter o
primeiro prêmio.
Com o tempo, o conceito de areté, do homem
perfeito, passa a não estar ligado somente à
ação, mas também à nobreza espiritual. A areté
está diretamente relacionada ao
reconhecimento da sociedade, não podendo
existir sem ele, pois o homem homérico é um
produto de sua classe e mede sua areté pelo
seu prestígio.
 
Devido a isso, a negação da honra, areté, era a
pior tragédia humana. Isso faz com que o herói
busque a honra de forma insaciável, que será
reconhecida por meio do elogio. Se não
acontecer o elogio, e sim uma reprovação,
haverá a desonra.
Areté heroica
Esse anseio de lutar pela honra leva, em geral, o
herói à morte. Atingir essa morte gloriosa é, na
verdade, encontrar a perfeição da areté
heroica, pois a glória se perpetuará com a
morte, por meio da fama que o herói alcançará.
A busca
A areté não é uma busca somente humana,
também os deuses procuram sua honra e a
glória de seus feitos. Sendo assim, é próprio do
homem primitivo honrar os deuses e os homens
pela sua areté.
A grandeza do herói está diretamente ligada à sua ânsia de honra. Coisa natural para o grego antigo. Por isso,
não se pode manchar a areté alheia, pois se mancha o próprio sentido de areté. Não existe, pois, o amor da
pátria para nortear as relações entre a nobreza. Não há ofensa maior do que negar a areté de um herói e não
se pode afirmar que o ultraje à areté pode ser reparado. 
Ulisses na corte de Alcinous
Portanto, a areté se liga à altivez, mas esta só tem valor se atrelada àquela. O grego posterior conduzirá a
altivez à autoestima ligando-a à ideia de comunidade e, principalmente, ao mais alto ideal de homem ao qual o
nobre aspira para “fazer sua a beleza”.
Esses conceitos explicam o fato de um herói preferir uma vida breve, mas com finalidade nobre, a passar a
vida na obscuridade. Não podemos confundir, essa atitude, contudo, com um desprezo irracional pela morte.
Ao contrário, o herói busca subordinar a vida a um ideal elevado de beleza espiritual. Quando ele trocar a
beleza pela vida, é o momento de mais alta realização. Na verdade, a perda da vida revela a ânsia do homem
pela imortalidade. São esses os conceitos que permeiam a identificação dos heróis homéricos.
Os poemas homéricos
A Ilíada narra os acontecimentos do nono ano da Guerra de Troia, mais precisamente, a ira de Aquiles e sua
saída da guerra em virtude da ofensa feita à sua areté pelo rei Agamêmnon que lhe tira sua presa de guerra,
Briseida. Enquanto Aquiles permanece afastado da guerra, os gregos vão sendo progressivamente derrotados,
até que Pátroclo, amigo e companheiro de Aquiles, decide retornar à batalha com as armas do amigo. Pátroclo
é morto por Heitor que o confunde com Aquiles. Aquiles retorna à guerra, após o funeral de Pátroclo, e mata
Heitor, arrastando seu corpo três vezes em volta das muralhas de Troia.
A Odisseia conta o retorno de Ulisses ou Odisseu para Ítaca, após a Guerra de Troia. Ulisses ofende Poseidon
ao dizer que ele sozinho havia derrotado os troianos. O deus do mar, no auge de sua ira, impede o retorno do
herói ao lar, impondo a ele uma série de obstáculos que o afastam de casa. Ulisses fica perdido no mar por
dez anos, enquanto, em sua casa, pretendentes exigem a decisão de Penélope em aceitar um novo
casamento. Ela recusa, pois acredita que Ulisses esteja vivo. Os pretendentes a pressionam e Telêmaco, seu
filho com Odisseu, decide buscar notícias do pai entre os heróis que já haviam voltado para casa. Telêmaco
decepciona-se com as notícias, mas, quando volta, encontra também seu pai que se traveste de mendigo
para retornar ao lar e armar uma armadilha para os pretendentes, que são mortos.
Homero foi o nome em torno do qual se agruparam diversos poemas épicos, dentre eles os mais conhecidos
foram a Ilíada e a Odisseia, como vimos.
A Ilíada e a Odisseia não constituem uma unidade, não podem ser admitidas como obras de um
único poeta.
Saiba mais
Ilíada: na Ilíada, há o predomínio total do estado de guerra, no qual viveu a Grécia no tempo das grandes
migrações das tribos gregas: jônios, eólios e aqueus. Vemos o domínio absoluto do espírito heroico da
areté em todos os heróis. Há uma unidade ideal indissolúvel da imagem tradicional dos antigos heróis,
transmitidas pelas sagas, por meio dos cantos dos aedos. Aliada a esse estado de guerra, encontramos,
quando observamos os troianos, a narrativa da vida organizada da cidade com as tradições da
aristocracia do tempo de Homero. Nos poemas, vemos que o valente é sempre o nobre e que para ele a
luta e a vitória são a distinção mais alta, o conteúdo próprio da vida. Essa atitude do herói está
intimamente ligada ao conceito de epopeia, que é fazer narrativa em forma de cantos heroicos. Não é
possível imaginar os heróis da Ilíada em tempos de paz. Mesmo em momentos de pausa na guerra, o que
eles fazem é guerrear, como observamos nos jogos fúnebres em honra de Pátroclo. Odisseia: a Odisseia
traz um novo tema, o do regresso do herói, nostos. Há muito pouca luta, narra-se a vida na paz, o lado
humano da vida dos heróis. Isso demonstra um interesse de uma época posterior talvez ao século VIII
a.C. e, por isso, vemos a confusão em estabelecer uma data na qual teria vivido Homero. Ele, no
segundo poema épico, parece querer refletir a vida da sua própria época nas personagens das velhas
sagas. Na verdade, seria a construção da vida real dos nobres, projetada na época primitiva, que era a
fonte principal da antiga cultura aristocrática. Há, na Odisseia, um afastamento da matéria épica
tradicional, pois narra cenas domésticas, não guerreiras. A epopeia, com isso, ganha ares de romance.
Na Odisseia temos tanto o fabuloso, ao gosto da epopeia, nas aventuras, quanto a realidade, por meio
das relações familiares. 
A imagem da nobreza é diferente na Ilíada e na Odisseia. Naquela, temos nobres com areté sobre-humana,
enquanto nesta temos os nobres reais. Vemos, em Ítaca, uma assembleia do povo, comandada pelos nobres,
que até mesmo Odisseu deve respeitar. E, por isso, precisa justificar-se pelo massacre dos pretendentes. No
reino dos Feaces, encontramos a figura do rei de influência jônica. A nobreza da Odisseia constitui uma classe
fechada que tem consciência dos seus privilégios, costumes e modos de vida refinados. Ela apresenta-se
mais humana, com um ethos civilizado e uma cortesia irrepreensível, ao contrário dos nobres da Ilíada, que
pelo seu caráter sobre-humano,já predestinam um destino trágico.
ethos
Palavra grega que dará origem a nossa palavra ética, mas que tem como fundamento, especialmente a
partir de Aristóteles (2020), o conceito de hábito, comportamento, mas no sentido de pertencimento à
natureza do ser. Assim, a pedra, por exemplo, tem como ethos a direção para baixo; por mais que eu
tente mudar sua natureza (jogando-a para cima, por exemplo), ela continuará mantendo sua natureza. 
Os pretendentes, apesar de fazerem parte da nobreza, na 
Odisseia, apresentam uma conduta vergonhosa. Eles são
responsáveis por uma ofensa grave ao que deveria ser a
atitude da nobreza e, por isso, o castigo deve ser rigoroso.
As ações dos pretendentes, contudo, não mudam o juízo
favorável do poeta em relação aos nobres. O poeta busca
exaltar a qualidade dos nobres com uma intenção
educativa. Segundo sua visão, eles devem realizar grandes
façanhas e ter uma atitude irrepreensível diante da
felicidade e da miséria alheias.
O nobre deve manter o destino em harmonia com a ordem
divina do mundo, pois dessa forma os deuses o protegem. Vemos que a cultura da nobreza da época de
Homero se compõe de uma vida sedentária, da posse de bens e da tradição. Os jovens são adestrados pelo
conselho constante e pela direção espiritual para a formação de sua personalidade.
Estátua de Dante.
Assim é delineada a característica da nobreza de todos os tempos.
Por meio da educação forma-se, modela-se um homem integral, de acordo com os preceitos da sociedade da
época na qual ele vive. No século VIII a.C, o tipo ideal seria Odisseu com sua força e sua astúcia, pois ele alia a
destreza guerreira às virtudes espirituais e sociais. Essa constituição do homem não foi invenção de um poeta,
mas de uma sociedade durante séculos.
O conceito filosófico de bem, na Grécia, vem da areté da antiga nobreza. Segundo Platão, Homero foi o
educador de toda a Grécia.
 
A arte grega unia estética e ética. O cristianismo fará a separação.
Na concepção cristã, a arte é só estética.
Nesse momento, acontece a rejeição do ético e religioso na arte que passa a ser vista apenas como a
aceitação da forma, como instrumento da educação e fonte de prazer. Para os gregos, ao contrário, os
aspectos ético e estético estão intimamente ligados. Estilo, composição e forma estão condicionados e
inspirados pela figura espiritual que encarnam. Assim, poesia educativa é aquela que se insere no mais
profundo do homem tornando-se uma obrigação e um dever em face de um ideal determinado. A arte detém
um poder de conversão espiritual, pois os valores mais elevados ganham significado e força por meio da arte.
Os poemas homéricos, como nenhum outro, conseguiram transmitir ideais que alcançam um enorme
fundamento na formação da posteridade da educação helênica. 
Entre outros povos, também a epopeia nasceu
de cantos heroicos, mas a épica grega possui
uma riqueza de substância humana e uma força
da forma artística como nenhuma outra. Ela foi
a única a exprimir de modo completo o
sentimento universal do destino e a verdade
permanente da vida.
 
A busca de um fundamento científico que
investigue a tradição e a forma original dos
poemas homéricos faz nascer a filologia na
época helenística. A Divina Comédia, de Dante
Alighieri (1265-1321), teve um papel análogo na
formação do povo italiano.
Saiba mais
Filologia: formada por duas palavras gregas – philia (amor, amizade) e logos (palavra, razão) –, significa
em sua origem amor às letras (literatura). No sentido acima e atual, sem perder a proposta original,
corresponde à formação da língua de determinado povo, especialmente valorizando seus aspectos
históricos. 
Homero é a fonte da história da sociedade grega mais antiga:
• 
• 
Esse mundo de grandes tradições e exigências é a esfera mais elevada da vida, na qual a poesia
homérica triunfou e na qual se nutriu. O Pathos do sublime destino heroico do homem lutador é o sopro
espiritual da Ilíada. O ethos da cultura e da moral aristocrática encontra na Odisseia o poema de sua
vida. A sociedade que produziu aquela forma de vida, desapareceu... mas a sua representação ideal,
incorporada na poesia homérica, converteu-se no fundamento vivo de toda a cultura helênica
(JAEGER, 2001, pág. 66)
Saiba mais
Pathos: tendo sentido original de afeto (daí, paixão, em nosso idioma), ou dor, sofrimento (daí,
patológico), entre outros; aqui, assume o sentido de sentimento, de identidade. A obra de Jaeger (2001)
é fundamental para o aprofundamento desses conceitos, bem como de toda temática aqui abordada. 
Assim, a função educadora do poeta reside na união da poesia ao mito, que mostra o conhecimento das
grandes ações do passado. Por meio dessa união o poeta mantém viva a glória mediante o canto, que é sua
ação educadora.
 
O mito é educativo pela própria natureza, porque celebra a glória, o conhecimento do que é magnífico e
nobre.
Louva e exalta o que é digno de elogio e louvor, trazendo exemplos e modelos dos ideais e normas de
vida universais para a nação.
Podemos dizer que o mundo épico homérico apresenta um tom ponderativo, enobrecedor e transfigurante,
suprimindo tudo o que é baixo, desprezível e falho de nobreza. Os cantos heroicos orientam-se para a criação
de modelos heroicos por força da própria essência idealizadora, pois apresentam o homem em luta contra o
destino e em busca da construção de um objetivo elevado. A aristeia, o combate singular, portanto, representa
a mais antiga forma de cantos épicos, pois mostra combates individuais com conteúdo pessoal e ético como
elemento moralizante. As batalhas em grupo só interessam se dominadas por um grande herói. 
Hesíodo e o homem do campo
São os poemas homéricos que, primeiramente, apresentam de forma escrita os deuses que permeavam o
imaginário coletivo da Antiguidade Clássica. Foi, contudo, Hesíodo, no século VIII a.C., que sistematizou em
suas obras as características divinas, o habitat dos deuses e propôs uma genealogia divina.
Ao contrário de Homero que faz uma poesia impessoal e coletiva, a epopeia, Hesíodo relata sua experiência
pessoal. Ele pretende ensinar a verdade e faz isso de uma forma didática por meio da distinção entre poesia e
verdade.
O poeta, em sua primeira obra, Teogonia, narra e sistematiza os mitos gregos, colocando-os em ordem, desde
a origem do mundo até a terceira geração divina na qual Zeus reina. Hesíodo propõe, nessa obra, uma
genealogia divina.
• 
• 
Hesíodo, poeta grego.
Recebe influência de mitos de outras culturas, como hititas,
hurritas, babilônios e fenícios. Talvez essas influências se
expliquem pela proveniência de seu pai, talvez por contato
com os jônios ou com os micênicos.
Contudo, ele é o primeiro a estabelecer um caminho
ascensional para a ordem estabelecida por Zeus, que
representa o triunfo da justiça. Hesíodo altera a tradição
colocando a cosmogonia antes da teologia, com isso ele faz
um arranjo racionalista que abrirá o caminho para o futuro
pensamento abstrato grego.
A segunda obra do autor foi Erga (Campos), mais conhecida
como Os trabalhos e os dias, e foi influenciada pelas
literaturas orientais. Essa obra narra um litígio real ou imaginário do poeta com seu irmão por causa da divisão
da herança paterna.
Hesíodo faz um elogio do trabalho e da justiça, por meio de ensinamentos sobre a agricultura e a navegação,
que na verdade funcionam como preceitos para uma boa educação.
 
A natureza constitui o cenário para a parte central do poema.
Seu herói é o homem que trabalha diariamente no campo.
De acordo com o autor, o trabalho é digno e conduz à superioridade.
A justiça é o que distingue os homens dos animais.
O ponto fundamental do poema é mostrar o valor da justiça e do trabalho.
Hesíodo faz a primeira tentativa de codificar as lendas divinas e ampliar as técnicas épicas para os atos da
vida diária. Ele pretende expor a verdade por meio das fábulas e dos mitos.
Erga nos apresenta a completa representação da vida mais primitiva do povo grego. Mostra que o trabalho na
terra exige disciplina e tem seu heroísmo,pois revela qualidades de valor eterno para a formação do homem
grego, pois, nos tempos primordiais, a principal atividade era a agricultura.
Nas obras de Hesíodo, vemos uma constante luta entre a força, representada pelo poder, e o direito.
Os dois juntos formarão o povo grego. Clique a seguir e entenda a frase:
Hesíodo
Contribuiu, por meio da explanação sobre a vida dos homens do campo, com a formação aristocrática
da Grécia inteira.
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Classes 
Percebemos, contudo, que os camponeses
não viviam isolados das classes dominantes
nem da educação. Havia o contato entre as
classes, pois se sabe que os poemas de
Homero eram conhecidos pelos camponeses
por meio dos aedos ou rapsodos.
Homens do campo 
Mas os homens do campo possuíam
independência tanto jurídica quanto
espiritual. Nessa época, eles ainda não
haviam sido sobrepujados pelas
cidades.
Homero
Elevou os problemas da vida humana, tomando-os como caminho espiritual que conduz para fora da
opressão da existência.
Mão na massa
Questão 1
A partir do que foi estudado neste módulo, é possível afirmar que
A
as lendas dos heróis gregos não são mais conhecidas.
B
o legado cultural da Grécia influenciou apenas os romanos e não chegou aos dias de hoje.
C
a história da civilização grega é baseada em lendas que não retratam acontecimentos históricos.
D
a importância do legado cultural grego é tão grande que até hoje filmes trazem as histórias de seus heróis.
E
o legado cultural da Grécia é irrelevante na cultura brasileira.
A alternativa D está correta.
A opção está correta, por afirmar a relevância do legado cultural grego por meio da releitura de lendas de
heróis em produções cinematográficas.
Questão 2
A Guerra de Troia constitui o mais antigo e mais famoso episódio histórico da Antiguidade Clássica. Qual é o
motivo mítico para a famosa contenda?
A
O rapto de Helena.
B
A ira de Júpiter contra os troianos.
C
A vontade de Agamêmnon de se tornar Rei de Troia.
D
O rapto de Briseida.
E
O roubo do tesouro de Atreu.
A alternativa A está correta.
O motivo mítico para o início da guerra dos gregos contra os troianos foi o rapto de Helena, esposa de
Menelau, por Páris, filho do Rei de Troia.
Questão 3
A epopeia é um gênero literário de suma importância na Grécia, como vemos por meio das duas grandes
obras de Homero, a Ilíada e a Odisseia. A respeito do gênero, podemos afirmar que
A
ele não é mais utilizado nos dias de hoje.
B
apenas os romanos seguiram o exemplo dos gregos e compuseram epopeias.
C
a epopeia canta feitos heroicos.
D
o tema das epopeias de Homero são as lendas da fundação de Roma.
E
como a comédia, o objetivo da epopeia era fazer o espectador rir.
A alternativa C está correta.
A epopeia homérica canta os feitos dos heróis gregos durante a Guerra de Troia.
Questão 4
O principal herói cantado na Odisseia é
A
Aquiles.
B
Pátroclo.
C
Heitor.
D
Agamêmnon.
E
Ulisses.
A alternativa E está correta.
A Odisseia canta os feitos do herói Ulisses ou Odisseu.
Questão 5
A areté é o conceito que melhor define o homem grego da Antiguidade Clássica. Marque a palavra que melhor
sintetiza o que essa ideia significa.
A
Destreza
B
Coragem
C
Medo
D
Preguiça
E
Fortaleza
A alternativa B está correta.
Embora a arte seja demonstrada por meio da destreza guerreira, ela é fundamentalmente a coragem que
leva o homem grego a desejar demostrar sua bravura na guerra.
Questão 6
Indique a afirmação correta a respeito do poeta Hesíodo.
A
Ele não foi importante na formação do povo grego.
B
Ele era rival de Homero.
C
Ele escreveu a Ilíada e a Odisseia.
D
Ele traz em suas obras a areté do homem do campo.
E
Ele canta em seus poemas apenas os grandes heróis.
A alternativa D está correta.
Em Erga ou Os trabalhos e os dias, Hesíodo canta o homem do campo, estabelecendo a areté como o
trabalho, aliado à justiça.
Teoria na prática
Vamos aplicar agora um pouco do conteúdo que aprendemos?
 
O objetivo é refletir sobre o legado de Homero. A Guerra de Troia foi recontada inúmeras vezes e seus heróis
foram arcabouço temático de obras dos mais variados gêneros. Vamos nos ater apenas às produções
cinematográficas. Nosso trabalho prático é de pesquisa: Quantos filmes já abordaram a Guerra de Troia? Aqui,
alguns deles:
Chave de resposta
Aqui, alguns deles:
Helena de Troia, de 1956, dirigido por Robert Wise.
A Guerra de Troia, de 1961, dirigido por Giorgio Ferroni.
A ira de Aquiles, de 1962, dirigido por Marino Girolami.
As mulheres troianas, de 1971, dirigido por Michael Cacoyannis.
Troia, de 2004, dirigido por Wolfgang Petersen.
Aproveite para procurar outros e assistir ao número 5, que você encontra fácil em plataformas de 
streaming.
A influência de Homero e Hesíodo para a constituição da cultura
A doutora em Letras Clássicas, Márcia Regina de Faria da Silva, diferencia a contribuição da obra de Homero e
Hesíodo para a constituição da cultura das sociedades posteriores à Grécia Clássica.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Você já deve ter visto que nos filmes sobre as guerras antigas, os exércitos paravam de lutar para ver dois
grandes heróis escolhidos combaterem sozinhos. A importância do combate singular como demonstração da
grandeza do herói ainda hoje é exaltada. Como os gregos denominavam esses embates entre os dois mais
importantes heróis rivais?
A
Luta.
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
B
Aristeia.
C
Areté.
D
Práxis.
E
Disputa.
A alternativa B está correta.
Nosso objetivo aqui é identificar os principais conceitos gregos. Assim, aristeia é o nome dado ao combate
singular nas epopeias homéricas. Areté (virtude, excelência do herói) é a palavra que dá sentido a aristeia,
mas não caracteriza o combate. E práxis é a palavra grega para prática, ação proveniente de reflexão
anterior.
Questão 2
Sabendo que a morte em batalha é considerada a maior honraria para o herói homérico, marque a opção que
apresenta o principal motivo que determina essa atitude do herói.
A
A morte acaba com o sofrimento do herói.
B
O herói se transforma em um deus depois que morre.
C
Com a morte, a glória do herói é perpetuada.
D
A morte traz ao herói a paz espiritual.
E
Com a morte, todos os erros do herói são perdoados.
A alternativa C está correta.
Atingir a morte gloriosa é, na verdade, encontrar a perfeição da areté heroica, pois a glória se perpetuará
com a morte, por meio da fama que o herói alcançará. Portanto, essa morte heroica não pode ter o caráter
de perdão ou divinização. Nem de fim de sofrimento e, muito menos, conter sentido espiritual.
2. O mito e a religião
O que é o mito?
Quando falamos dos gregos, já pensamos em todos aqueles heróis e deuses que ouvimos falar e vimos desde
pequenos, até mesmo em filmes da Disney, como Hércules. Você deve pensar, com isso, que os gregos só
inventavam histórias fictícias e relacionar mito à ficção. Mas será que era isso mesmo?
Para entendermos o povo grego e sua vasta cultura, precisamos compreender alguns conceitos básicos que
nortearam a interpretação e a compreensão das várias narrativas que construíram a identidade dos gregos
nos seus mais diversos aspectos.
 
Religioso
Literário
Filosófico 
Artístico
Antes de falarmos desses aspectos, precisamos ter bem clara a noção do que representam os mitos para o
homem antigo e para a formação do próprio conceito de humanidade. Veja a seguir:
O que é o mito?
Mito é uma história sagrada que narra um acontecimento ocorrido no princípio dos tempos, por meio
da intervenção de seres sobrenaturais. Conta como algo foi criado: o Cosmo, o homem, um acidente
geográfico, uma planta, um comportamento ou uma instituição. Relata sempre uma criação, como
algo passou a existir. Nesse sentido, mito narra algo que realmente aconteceu por meio da ação de
seres sobrenaturais, ou seja, ele narra sempre uma realidade.
O mito é algo que os povos primitivos consideram como uma verdade. Narra a criação de algo:o
mundo, o homem, uma ilha, um animal, uma planta. Não temos dúvida sobre a existência do mundo ou
do ser humano, mesmo que não haja um consenso científico a respeito de como estes passaram a
existir. Por isso prevalece o mito da criação.
Mito cosmogônico
Antes de falarmos desses aspectos, precisamos ter bem clara a noção do que representam os mitos para o
homem antigo e para a formação do próprio conceito de humanidade. Veja a seguir:
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Sítio arqueológico de Delfos em Fokida, Grécia
O mito cosmogônico pode estar relacionado também à
modificação da condição humana, como, por exemplo, a
gradativa punição do homem causando o encurtamento de
seu tempo de vida.
Quando pensamos na criação do mundo, o que nos vem
sempre é uma narrativa mítica, seja grega ou de outra
cultura; nos deparamos com a fórmula:
Quando pensamos na criação do mundo, o que nos vem
sempre é uma narrativa mítica, seja grega ou de outra cultura; nos deparamos com a fórmula:
Deus criou o mundo e tudo o que há nele!
Também isso acontece com a criação do homem. Temos narrativas muito variadas nas mais diversas culturas,
mas todas chegam a um denominador comum: um ente sobrenatural como o criador.
O mito, portanto, acontece sempre em um tempo primordial. Naquele tempo do princípio em que o homem e
divindade viviam em perfeita união. Não se deve confundir o mito com as narrativas míticas. As narrativas é
que variam de povo para povo, mas o conteúdo mítico, que é a criação em si, mantém-se inalterado.
Rito e religião
Os povos primitivos acreditavam que o tempo fabuloso dos princípios, o tempo da criação, poderia ser
constantemente reatualizado por meio dos ritos, que os conduziam diretamente ao momento da criação. As
fórmulas rituais não eram simples repetições, elas serviam para promover uma recriação do mundo, uma volta
às origens. Com isso podemos perceber a importância da religião para os povos primitivos. A palavra vem de
religare, ou seja, a religião liga novamente o homem à divindade.
As cerimônias religiosas são festas que têm
como objetivo rememorar os atos criadores. Aí
notamos também a importância do aprendizado
do mito. Ele não pode ser esquecido, deve ser
sempre relembrado para poder ser
reatualizado. Por meio do rito, o homem tem
sempre a consciência de que é o que é porque
uma divindade assim o fez.
Mito escatológico
Mas, com o tempo, o ser humano vai deixando
de realizar os ritos e afastando-se dos entes sobrenaturais que decidem puni-lo. Temos inúmeras narrativas
de punição em diferentes culturas.
Cosmos 
Mundo
Genos 
Origem
Exemplo
Na Grécia Clássica, existe o mito das idades, em que Hesíodo, na obra Os trabalhos e os dias, divide a
existência humana, até sua época, em etapas, nas quais acontece uma gradativa degradação da força
física e do período de vida. Assim, existem as idades do ouro, da prata, do cobre, dos heróis e do ferro. A
raça de cada período é destruída pelos deuses ou por circunstâncias criadas pelos próprios humanos e
substituída por uma mais fraca. 
Observem que os responsáveis pelas ações de criação ou modificação não são os homens, e sim os entes
sobrenaturais. O afastamento entre humano e divino vai crescendo até chegar ao ponto em que os deuses
resolvem destruir a humanidade. Temos, assim, os mitos escatológicos.
Observem que não é o fim do mundo, e sim dos homens, os detentores da razão. Também não é, como pode
parecer, o oposto do mito de criação, pois para o povo primitivo a realidade é cíclica. Por isso, o fim é um
recomeço, uma volta ao tempo primordial. Os mitos de fim do mundo com a recriação de um novo universo
trazem a ideia de degeneração progressiva do Cosmo, o que leva à sua destruição e recriação de forma
periódica.
Você já deve ter percebido como o mito escatológico está presente ainda hoje. Quantos filmes recentes sobre
o fim do mundo nós já vimos?
Recomendação
Novamente, lembramos que é preciso tomar muito cuidado para não confundir o mito com a narrativa
mítica. A narrativa, como se pode ver, é a forma como cada cultura elabora uma história que tem como
tema central o mito em si, a criação, a modificação ou a destruição. Assim sendo, mito e história de
determinado povo são inseparáveis. 
As lendas
Quando as narrativas tratam dos feitos dos heróis, chamamos lendas. Estão diretamente relacionadas aos
mitos, pois os heróis são descendentes dos deuses. Mircea Eliade diferencia o mito do que ele chama de
contos ou fábulas. Diz ele:
Escatos 
Fim
Logos 
Palavra
Embora os protagonistas dos mitos sejam geralmente Deuses e Entes Sobrenaturais, enquanto os dos
contos são heróis ou animais miraculosos, todos esses personagens têm uma característica em comum:
eles não pertencem ao mundo quotidiano (...). Tudo o que é narrado nos mitos concerne diretamente a
eles, ao passo que os contos ou fábulas se referem a acontecimentos que, embora tendo ocasionado
mudanças no Mundo (...), não modificaram a condição humana como tal.
(ELIADE, 2019, p. 15)
Diante de tudo isso, não podemos conceber a elaboração das narrativas míticas sem perder de vista a visão
de que o mito e a história se misturam e nunca se separam. Precisamos deixar de lado a antiga visão dualista
que separa um do outro e ver os dois como elementos da grande história humana. 
Os mitos gregos
O mito cosmogônico grego do início de tudo é esquematizado por Hesíodo em sua Teogonia e encontra-se
resumido nas linhas abaixo.
A união de Urano e Gaia foi o primeiro casamento sagrado (ierós gámos), que foi imitado como forma ritual
pelos outros deuses e pelos homens, tendo como objetivo a fertilidade da terra e de todos os seres. Eles
geraram a primeira geração divina: os titãs, as titânides, os ciclopes e os hecatônquiros. Todos eles
representam as forças da natureza selvagem e primordial. Os titãs são seis:
 
Oceano
Jápeto
Céos
Cronos
Hiperíon
Crio
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
6. 
Tétis.
As titânides são Réia, Têmis, Téia, Mnemósina, Febe e Tétis,
a mãe do herói Aquiles. Arges, Estérope e Brontes são os
primeiros Ciclopes, gigantes que possuíam um único olho.
Os Hecatônquiros, Coto, Briaréu e Gias, eram seres
gigantescos com cem braços e cinquenta cabeças.
Em relação às titânides e suas representações elementares,
cabe ressaltar o seguite sobre cada uma:
Réia
Terra como representatividade da Grande Mãe, aquela que gera.
Têmis
Representação das leis eternas, da justiça divina. 
Mnemósina
Personificação da memória.
Tétis
Representação da fecundidade das águas.
Entre os titãs, nos concentraremos apenas em dois. Oceano representa as águas que envolvem a terra. Sua
união com Tétis gera os rios e as Oceânides, personificação dos riachos, fontes e nascentes. Conheça a
história, clique a seguir:
Cronos é a personificação do tempo, aquele que tudo devora.
Urano, preocupado com a possibilidade de que algum dos filhos pudesse usurpar seu poder,
aprisionava-os ao nascer nas entranhas da Terra. Gaia, insatisfeita com o marido, pede ajuda aos
filhos para que todos pudessem se libertar da tirania de Urano. Os filhos se recusam a auxiliá-la,
temendo o insucesso da investida e a vingança paterna. Apenas Cronos decide ajudá-la e recebe da
mãe uma foice. Quando o Céu se estende sobre a Terra para fecundá-la mais uma vez, Cronos corta o
pênis e os testículos do pai. O sangue espirra em Gaia que concebe as Erínias, deusas infernais que
vingam os crimes consanguíneos, os Gigantes e as Ninfas Mélias.
Uma outra geração acontece a partir do sangue de Urano. Afrodite, a primeira, a força do desejo e da
fecundidade primordiais, surge da espuma do mar fecundada pelo sangue e esperma dos membros
dilacerados de Urano por seu filho mais novo.
Cronos liberta os irmãos, destrona o pai e assume seu lugar. Casa-se com Réia e instaura a segunda
geração divina. Mas não se mostrou melhor que seu pai. Suas atitudes despóticas levam Gaia a
profetizar que seu destino seria semelhante ao do pai e que também seria destronado por um de seus
filhos com Réia.
Tentando impedir que a profecia se cumprisse, Cronospassa a engolir todos os filhos que nascem:
Héstia, Deméter, Hera, Hades e Poseidon. Grávida de Zeus, Réia resolve enganar Cronos e salvar a
criança. Esconde-se na ilha de Creta e lá nasce Zeus. Réia enrola uma pedra e dá para Cronos engolir
acreditando ser o filho.
Vamos falar um pouco de cada um dos filhos de Cronos. Héstia, a deusa eternamente virgem,
representa a lareira, é a personificação do fogo sagrado e foi designada para ser a guardiã dos lares.
Hera tornou-se esposa de Zeus e, por isso, era a protetora das esposas e dos casamentos. Deméter
era a principal deusa agrária e representava a terra cultivada. Ela era a deusa dos cereais e seu culto,
os Mistérios de Elêusis, era um dos mais importantes na Grécia. Hades tornou-se o rei dos
subterrâneos. Poseidon é o deus das águas.
Zeus, o senhor dos raios, ao nascer, foi escondido pela avó Gaia e depois entregue às ninfas para ser
criado longe do conhecimento do pai. Já adulto, retorna e consegue fazer com que Cronos beba uma
poção dada pela deusa Métis, filha de Oceano e Tétis, que o faz vomitar todos os filhos. Zeus, então,
convoca seus irmãos a lutar contra Cronos. Este consegue o apoio dos Titãs. Isso faz com que Zeus
liberte do Tártaro os Ciclopes e os Hecatônquiros para auxiliá-lo na guerra que durou dez anos e que
marcou a ascensão à soberania de Zeus.
O importante aqui é perceber, por trás da narrativa, que houve um princípio organizacional do universo a partir
das ações de seres sobrenaturais sem qualquer auxílio humano. Aliás, o ser humano nem é mencionado.
Outro mito cosmogônico significativo é o que relaciona a origem do homem a Prometeu. Para conhecer a
história, clique a seguir: 
A origem do homem e Prometeu
Filho do titã Jápeto, ele é primo de Zeus, e em algumas tradições teria criado o homem do barro, após
ter sido exilado na Terra. Hesíodo, contudo, o apresenta como um benfeitor da humanidade que
engana Zeus duas vezes. Na primeira, Prometeu, em oferenda a Zeus, dividiu um boi em duas partes:
uma apenas com carne e outra com os ossos. Ele pediu ao pai dos deuses que escolhesse uma das
partes. A outra ficaria para os homens. Visualmente, a parte que tinha os ossos parecia maior e foi a
escolhida por Zeus. Quando soube que tinha sido enganado, resolveu punir os homens, deixando de
lhes fornecer o fogo. Prometeu, então, roubou o fogo de Zeus e o deu aos homens. Novamente, o
senhor dos raios se vinga. Prometeu é preso nos Infernos enquanto uma águia comia seu fígado que
se regenerava continuamente até ser libertado por Héracles. Quanto aos homens, foi enviada a eles
como punição a primeira mulher, Pandora, a possuidora de todos os dons. Criada pelo artífice dos
deuses, Hefesto, e pela deusa da sabedoria, Atena, ela recebeu os principais dons de cada um dos
deuses. Se, por um lado, tinha a beleza de Afrodite e a arte de persuadir de Atena, por outro recebeu
também a astúcia e a mentira de Hermes. Este foi o presente dos deuses aos homens: ela trouxe
consigo um jarro que, ao ser aberto, deixou escapar os males. Em outra versão, o jarro conteria tudo o
que há de bom que escapou do mundo mortal e voltou aos céus. O ponto de contato das duas
versões é que, quando a tampa foi fechada, restou no jarro apenas a esperança.
Notem que o mito cosmogônico consiste na criação e, também, na alteração da condição humana, que passa
a possuir o fogo que pode significar tanto o domínio do que era necessário ao início do processo civilizatório,
como também pode representar o lógos, a faculdade que o distingue dos animais. Os males também trazem
uma simbologia cosmogônica na medida em que torna o homem um ser mortal.
O mito escatológico mais conhecido e recorrente na maioria das civilizações é o dilúvio. Clique e leia:
O dilúvio
Na narrativa grega, teremos o casal Deucalião, filho de Prometeu, e Pirra, filha de Pandora e Epimeteu.
Após os deuses decidirem acabar com a humanidade, as águas inundaram tudo e todos morreram.
Deucalião e Pirra, avisados por Prometeu, construíram uma arca e se salvaram. Zeus, então, abrandou
sua ira e concedeu realizar um desejo. Eles, em tal caso, pediram para ter a companhia de outros
seres humanos. Segundo uma tradição, o oráculo de Têmis − em outras teria sido o próprio Zeus −,
mandou que eles jogassem os ossos dos seus antepassados para trás. Após pensar, Deucalião e Pirra
perceberam que o antepassado mais remoto do ser humano era a terra, pois tinham sido feitos do
barro. Assim, passaram a jogar para trás pedras que achavam pelo caminho. Das pedras Zeus fez
brotar uma nova geração humana.
Também aqui podemos observar que as ações, tanto de destruição como de repovoação, são exercidas pelas
divindades. O homem é um mero coadjuvante.
Finalizamos reforçando que o pensamento mítico é sempre cíclico, indicando um eterno retorno à cosmogonia
original e, por isso, o fato principal não é o fim, mas a certeza de um novo começo.
Mão na massa
Questão 1
A partir do que foi estudado neste módulo, é possível afirmar que
A
as sociedades modernas deixaram de lado completamente o pensamento mítico.
B
mito é o oposto de realidade.
C
o mito narra uma realidade acontecida nos tempos primordiais.
D
os deuses gregos são cultuados ainda.
E
o mito cosmogônico e o mito escatológico são opostos.
A alternativa C está correta.
O mito narra uma realidade verdadeira acontecida no princípio. O pensamento mítico existe nos dias de
hoje especialmente relacionado à criação do mundo e dos homens e também ao fim do mundo.
Questão 2
Escolha a alternativa que complete a frase. Podemos estabelecer como importância do rito __________.
A
a reatualização do mito.
B
a repetição de gestos e palavras que somente os deuses entendem.
C
a narrativa mítica.
D
o culto aos deuses.
E
a recriação do mundo.
A alternativa A está correta.
O rito, por meio de gestos e palavras, transporta o homem ao momento da criação, promovendo a
reatualização do mito.
Questão 3
Embora muitos chamem o mito escatológico como o mito de fim do mundo, etimologicamente, escatológico
quer dizer?
A
Criação do mundo.
B
Criação dos deuses.
C
Fim dos deuses.
D
Fim da razão.
E
Destruição de tudo.
A alternativa D está correta.
Escathos é fim e lógos é razão, portanto, fim da razão ou daquele que detém a razão, o homem.
Questão 4
Escolha a alternativa que completa a frase. Hesíodo, em sua obra Teogonia __________.
A
conta a história da Grécia.
B
narra os feitos dos grandes heróis gregos.
C
escreve sobre a filosofia grega.
D
narra as aventuras de deuses.
E
elabora uma genealogia dos deuses gregos.
A alternativa E está correta.
A Teogonia, como o próprio nome diz, traz a origem dos deuses, por meio de uma organização genealógica.
Questão 5
Marque a opção que corresponde à mais antiga divindade criadora nos mitos gregos.
A
Zeus
B
Gaia
C
Cronos
D
Jápeto
E
Hércules
A alternativa B está correta.
A mais antiga das divindades relacionadas é Gaia, a Terra.
Questão 6
A respeito de Zeus, podemos afirmar que
A
era o senhor do Olimpo.
B
era filho de Urano.
C
governava os Infernos.
D
era um deus nórdico.
E
era casado com Gaia.
A alternativa A está correta.
Zeus, após destronar Cronos, torna-se o senhor do Olimpo, de onde governa deuses e homens.
Teoria na prática
Você já percebeu a quantidade de filmes sobre fim do mundo que foram lançados nos últimos anos? Até
mesmo os filmes baseados em histórias em quadrinhos, como os da Marvel, trabalham com essa ideia de fim
dos tempos (perceberam isso em “um estalar de dedos” !?) Vamos refletir sobre algumas características que
eles possuem?
Chave de resposta
O ser humano é responsável pela degradação do planeta.
Seres mais poderosos do que os humanos se imaginam responsáveis por proporcionar um
reequilíbrio.
A destruição é vista como uma forma de recriação que levaria o mundo de volta a um tempo
perfeito.
E aí, já deduziram onde vamos chegar? Exatamente! No mito escatológico. O pensamento mítico é
exatamente o mesmo desde a Antiguidade.
Mito e sociedade contemporâneaA doutora em Letras Clássicas, Márcia Regina de Faria da Silva, aprofunda o conceito de mito, diferenciando
da utilização do mesmo no senso comum contemporâneo, ao mesmo tempo em que mostra como a
consciência mítica marca a cultura atual.
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Verificando o aprendizado
1. 
2. 
3. 
Questão 1
Ao observarmos a quantidade de filmes sobre o fim do mundo que encontramos hoje, podemos afirmar que
A
os mitos cosmogônicos estão vivos e presentes em nossos dias.
B
o pensamento mítico grego não chegou em nossos dias.
C
a filosofia grega é fundamental para entendermos o fim do mundo.
D
os deuses podem destruir o mundo.
E
os mitos escatológicos ainda sobrevivem no imaginário coletivo.
A alternativa E está correta.
Os mitos escatológicos sustentam as narrativas sobre o fim dos tempos e suas inúmeras releituras ao longo
dos séculos, e permanecem ainda em nosso imaginário. Os mitos cosmogônicos dizem respeito à origem
do mundo e, com as demais concepções míticas, chegam de uma forma ou de outra, a nosso tempo.
Portanto, apesar da importância das divindades no mundo grego, toda essa concepção mítica (e não
filosófica) ainda está presente em nossos dias, embora nos tragam sentimentos diferentes daqueles
originais.
Questão 2
Marque o casal mítico responsável pela criação na mitologia grega.
A
Afrodite e Ares
B
Cronos e Réia
C
Zeus e Hera
D
Gaia e Urano
E
Júpiter e Juno
A alternativa D está correta.
O casal primordial responsável por gerar os primeiros deuses era composto por Gaia, a Terra, e Urano, o
Céu. Enquanto Ares e Afrodite representam a união da Guerra e da Beleza (ou do Amor); Cronos e Réia
(filhos de Gaia e Urano, e amantes), união do Tempo e da Fertilidade, são conhecidos como pais dos
deuses; Zeus e Hera (filhos de Cronos e Réia, e amantes) são os pais do Olimpo. Já Júpiter e Juno são os
correspondentes romanos dos gregos Zeus e Hera.
3. A filosofia grega e o pensamento racional
Do pensamento mítico ao filosófico
Muito já se falou sobre os mitos gregos, mas nem só pela mitologia e religião conhecemos a Antiguidade
Clássica. A filosofia também é nossa velha conhecida. Todos já ouviram falar de Sócrates, Platão, Aristóteles,
Pitágoras. Podemos afirmar que o legado do pensamento filosófico é tão importante quanto o legado mítico.
Vamos entender como a filosofia surgiu e se desenvolveu na Hélade?
Hélade
Como os gregos chamavam a Grécia
Em primeiro lugar, lembramos que a palavra filosofia é composta de:
O filósofo é o amigo da sabedoria.
O pensamento filosófico marca o início do pensamento racional na Grécia.
Homero e Hesíodo foram responsáveis pela sistematização de todo um arcabouço mítico-religioso, mas a
forma como o fizeram passou a ser criticada pelos próprios gregos. A descrição de deuses antropomórficos e
tão semelhantes aos humanos em seus sentimentos, como raiva e ciúme, e atitudes, como vingança e
perseguição, elaborada por Homero ou a ideia de sucessivas gerações divinas propostas por Hesíodo foram
logo criticadas.
Por meio da observação da natureza, o homem grego
passou a perceber que muitos dos acontecimentos que
eram tidos como feitos divinos constituíam, na verdade, um
processo natural, como os raios e trovões ou o aumento e
diminuição das marés.
Os pré-socráticos
Foi justamente pela observação da natureza, a physis, que
os primeiros filósofos, chamados naturalistas, começaram a
buscar a origem das coisas. Você já ouviu falar dos pré-socráticos?
Philo 
Amizade
Sophia 
Sabedoria
Estátua de Sócrates
Estátua de Platão
Os pré-socráticos são os primeiros filósofos da Grécia que deram o pontapé inicial para a separação entre o
pensamento mítico e o pensamento racional. Com a busca pelo elemento fundamental de todas as coisas,
pensadores como Tales de Mileto, Pitágoras, Demócrito, Heráclito estabeleceram os conceitos primordiais da
física, da matemática, da teoria musical.
O mito passou gradativamente a ser dessacralizado e desmitificado e os próprios gregos começaram a utilizar
o adjetivo mythodes para indicar aquilo que era fictício. Assim nascem também os primeiros historiadores, os
logógrafos, escritores em prosa, que buscavam, em oposição a Homero, estabelecer uma narrativa histórica
sem a presença e intervenção dos deuses. 
Sócrates
Todos esses questionamentos abriram as portas para um novo pensar filosófico que passa a buscar respostas
para questões ligadas diretamente ao homem.
Assim, temos Sócrates que estabelece reflexões sobre a
ética e sobre a virtude. Para ele, a filosofia começa quando
as pessoas duvidam de suas próprias certezas, admitem a
ignorância e abrem mão dos dogmas. Ele propõe uma
reflexão sobre a vida da pólis, os costumes e os
comportamentos, questionando as ações humanas e os
valores subjacentes a elas. Por meio de um método de
perguntas, a famosa maiêutica socrática, e desconstrução
das respostas dadas a elas, ele intencionava fazer vir à tona
verdades ignoradas até pelo próprio interlocutor. O método
é base da retórica e foi utilizado pelos sofistas que, ao
contrário de Sócrates, não estavam preocupados com a
verdade, mas com o convencimento apenas.
Traduzida geralmente como cidade (daí a nossa palavra
política, referente aos cuidados com a cidade/sociedade), a pólis representava tanto essa concepção mais
genérica, como também uma mais específica, no contexto da cidade-estado, com autonomia e características
bem diversas uma da outra. Assim, Atenas era uma cidade-estado com características mais comerciais,
culturais, enquanto Esparta tinha características mais bélicas.
Platão
O mais notório discípulo de Sócrates foi Platão. Ele, no entanto, torna-se um pensador político. Para ele, só
haveria governo justo se os filósofos governassem e, por isso, dedica sua vida a desenvolver um método no
qual os que ele considerava como mais sábios e melhores fossem descobertos, convencidos e ensinados para
governar.
O platonismo se baseia na teoria das ideias, na
qual ele acredita que haja um mundo superior
inteligível e espiritual onde estão as ideias
puras, como o bem, a beleza e a justiça. Tudo o
que existe e pode se deteriorar com a
passagem do tempo são meras cópias dessas
ideias perfeitas e imutáveis.
 
Segundo o idealismo platônico, o sábio é
aquele que consegue se libertar das ilusões e
reconhecer a realidade. O papel da filosofia é
justamente libertar o homem do mundo das
aparências e levá-lo ao mundo das essências.
Todos os homens tiveram contato com as
ideias puras, que deveriam ser relembradas.
Com isso, ele acredita na imortalidade da alma,
Estátua de Aristóteles
que preexiste ao corpo e, assim, o ser humano pode se lembrar das ideias puras com as quais teve contato
antes de adquirir um corpo físico e perecível.
Quanto às divindades, Platão não questiona a existência delas, mas defende que seriam forças cósmicas sem
forma ou atitudes humanas. Seria um deus imortal que traria a esperança de uma outra vida, inspirando
coragem ao homem para enfrentar a morte.
Aristóteles
Aristóteles foi discípulo de Platão e pode ser chamado de
criador da lógica. Ele buscava uma verdade científica
baseada em demonstrações seguras para estabelecer
regras de pensamento irrefutáveis.
A lógica aristotélica pretende ensinar como partir de dados
sensíveis e individuais para chegar a fórmulas científicas,
necessárias e universais.
Daí surge também a metafísica, que busca a essência por
trás dos objetos.
Como podemos ver, os filósofos do século VIII a.C. ao
século V a.C. questionam a natureza, o homem e a
sociedade em que vivem.
As filosofias helenísticas
No século IV a.C., contudo, vemos a expansão do império macedônico. As poleis gregas são derrotadas por
Filipe, que impõe Atenas e seu dialeto sobre as outras cidades. Esse domínio faz com que a produção
artística, filosófica e literária adquira um tom mais intimista e subjetivo. Os centros de produção se transferem
para Alexandria, no Egito, e para a Magna Grécia, na Itália. Essa época ficou conhecida comoPeríodo
Helenístico e se estendeu até o século V d.C.
 
A filosofia desse período tem como objetivo não mais o contemplar.
A filosofia desse período tem como objetivo não mais o contemplar.
Essas mudanças acontecem devido às transformações históricas: a Grécia está sob o domínio macedônico,
que leva à derrocada da pólis, à debilidade do sentimento de pátria, que ampliou a visão de cidadania e
conduziu ao cosmopolitismo, e à diminuição da fé na religião. Por tudo isso, a filosofia dessa época busca uma
regra para se viver feliz, um método prático, uma orientação moral. 
O ideal é a sabedoria e o problema fundamental é o da tranquilidade da alma.
O período helenístico contará com escolas que procurarão alcançar o ideal de paz e felicidade interior por
caminhos diferentes. São essas correntes que influenciarão os modelos filosóficos latinos. Podemos citar
entre elas o estoicismo e o epicurismo. A seguir leia sobre cada um:
• 
• 
O estoicismo
O estoicismo foi fundado por Zenão de Cítio, que pensava a alma do homem como uma tábula rasa e
sobre ela as sensações imprimem as imagens. Segundo os estoicos, a alma e o corpo derivam do
fogo, que é a única substância originária, e a ele retornam.
Esse fogo é a alma ou logos divino, ou seja, é o deus dos estoicos, que dá ao mundo uma ordem
harmônica e providencial. Portanto, para esta escola, o mundo é perfeito e o mal é necessário à
existência do bem. Assim sendo, o homem deve impor à sua vontade o respeito à ordem divina e
conformar-se a ela. Segundo a moral estoica, viver de acordo com a razão é vencer as paixões.
Prega-se a ausência das paixões (apatheia).
O epicurismo
Epicuro afirma, consoante o atomismo mecanicista do pré-socrático Demócrito, que a formação dos
mundos acontece por causa do movimento dos átomos infinitos no infinito vazio, pois cada átomo
possui uma inclinação casual que desvia da linha reta. Com a colisão dos átomos formam-se os
mundos, separados por espaços vazios ou intermundos, onde vivem os deuses, que não se
preocupam com os homens, pois são seres perfeitos e a preocupação seria contrária à sua perfeição
e, portanto, não devem ser temidos, mas admirados como exemplo de sabedoria. Como os mundos, o
homem também é um agregado de átomos, tanto o corpo quanto a alma, que estão destinados a
perecer.
Segundo a moral epicurista, o único bem é o prazer, porém o prazer num estado de permanente
harmonia ou prazer estável, que acontece pela ausência da dor (aponia) e de qualquer perturbação
(ataraxia). O homem é sábio quando sabe moderar seus próprios desejos e escolhe satisfazer os
desejos naturais e necessários (comer, beber), tem pouco interesse pelos naturais e não necessários
(ceias fartas e refinadas, por exemplo) e abdica dos não naturais e não necessários (honrarias,
glórias, riquezas etc.) que perturbam a tranquilidade. Por isso, o ideal de Epicuro é que o homem, que
busca a sabedoria, permaneça longe da vida pública e, de preferência, ausente da cidade, onde
possa viver em contato com a natureza que transmite a paz e a tranquilidade necessárias à ataraxia.
Mas não deve viver sozinho, ao contrário, deve compartilhar de boas amizades. A essa vida ausente
de perturbações dá-se o nome de otium (pronuncia-se ócium) contemplativo.
Saiba mais
Epicuro de Samos foi o fundador do epicurismo. Para ele, a filosofia é um meio para a vida prática.
Pretende estabelecer um conjunto de regras (cânones) para conduzir bem o pensamento e se viver feliz,
por isso essa filosofia é chamada também de Canônica. Em sua doutrina, crê que o conhecimento
provém da experiência sensível e, por isso, as sensações são verdadeiras, compondo-se em um fluxo de
átomos que entram em contato com os sentidos, após se destacarem das coisas. 
A helenização da cultura romana
Todos esses conceitos tanto míticos como filosóficos foram conhecidos pelos romanos durante suas
conquistas, especialmente das cidades gregas no Sul da Itália, a Magna Grécia. Com o contato com os gregos,
houve um gradativo processo de helenização da cultura romana em todas as áreas de saber, que se estendeu
do século III a.C. até o século I a.C. O helenismo desenvolveu-se especialmente em círculos aristocráticos
restritos, dos quais o mais famoso é o dos Cipiões. Daí se proliferaram as influências helênicas, em Roma, em
todas as esferas: filosofia, religião, teatro, gramática etc.
Exemplificamos a seguir:
religião
Na religião, houve um sincretismo e os romanos relacionaram características dos deuses gregos aos
seus:
Zeus a Júpiter;
Hera a Juno;
Afrodite a Vênus.
filosofia
Na filosofia, o grego Panécio (180 a 110 a.C.) traz o estoicismo, que é adaptado por alguns dirigentes
romanos ao espírito latino e será utilizado como base filosófica para a caracterização do principal
herói épico romano, o pius Aeneas, o piedoso Eneias, cuja virtude principal é a pietas, que incentiva a
obediência aos deuses e aos superiores.
gramática
Na gramática, Varrão (116-27 a.C.) estudou a disputa entre analogia e anomalia dos estudiosos
gregos optando (De Lingua Latina, VIII, 23) por acolher as duas.
história
Em história, o grego Políbio (203-120 a.C.) presta tributo à grandeza de Roma e defende a tese da
hegemonia romana como salvação dos estados gregos.
poesia lírica
Na poesia lírica, os poetas sofrem grande influência da filosofia epicurista, especialmente na adoção
do otium contemplativo e conceitos como carpe diem, aproveite o dia, fugere urbem, fugir da cidade,
e locus amoenus, o lugar agradável em referência ao campo, conceitos esses que serão reutilizados
pelo classicismo e pelo neoclassicismo.
Mão na massa
Questão 1
Os primeiros filósofos gregos são chamados de pré-socráticos e têm como principal objeto de estudo a
natureza, denominada como
A
physis.
• 
• 
• 
B
idealismo.
C
atomicismo.
D
ética.
E
lógos.
A alternativa A está correta.
Os pré-socráticos foram chamados de naturalistas, pois buscavam a origem das coisas, por meio da
observação da physis.
Questão 2
O Mito da Caverna, elaborado por Platão, é muito conhecido. Nele, temos pessoas acorrentadas em uma
caverna que podem ver apenas as sombras do que acontece fora projetadas na parede da gruta. As sombras
são referência a que conceito platônico?
A
Teoria do eterno devir.
B
Teoria do mundo das ideias.
C
Teoria da maiêutica.
D
Teoria da ética.
E
Teoria do bem-estar.
A alternativa B está correta.
O idealismo platônico vê as coisas como uma cópia imperfeita das ideias perfeitas do mundo das ideias.
Assim, as sombras seriam a ilustração da cópia.
Questão 3
Sobre as filosofias helenísticas, é correto afirmar que
A
são fruto da oposição às ideias platônicas.
B
buscam estabelecer meios de se viver feliz.
C
são as mais antigas escolas filosóficas.
D
têm como principal preocupação a imortalidade da alma.
E
apresentam nítida influência da mitologia.
A alternativa B está correta.
As correntes filosóficas do período helenístico buscam estabelecer regras para ajudar os homens a viverem
felizes, mesmo diante da invasão macedônica.
Questão 4
Indique o nome do processo que estabeleceu a influência da cultura grega na cultura romana em praticamente
todas as áreas de saber.
A
Romanização
B
Ecletismo
C
Democratização
D
Migração
E
Helenização
A alternativa E está correta.
O sincretismo entre a cultura grega e a romana acontece por meio da helenização.
Questão 5
Marque a alternativa que melhor define a busca filosófica de Sócrates.
A
Libertar os homens dos deuses.
B
Refletir sobre a imortalidade da alma.
C
Construir uma nova sociedade.
D
Refletir sobre a ética e a virtude.
E
Refletir sobre política.
A alternativa D está correta.
Sócrates tem seu pensamento filosófico voltado para a reflexão da ética e da virtude na sociedade.
Questão 6
Marque o principal motivo que fez com que as filosofias helenísticas influenciassem diretamente a vida
romana e a literatura romana.
A
Os romanos não gostavam de um pensamento mais reflexivo como o de Platão.
B
A conquista da MagnaGrécia no século III a.C. permitiu aos romanos o contato com o pensamento grego do
período helenístico.
C
A sociedade romana era contrária às filosofias antigas.
D
A política romana não permitia que os antigos filósofos fossem ensinados na Itália.
E
A sociedade romana era muito religiosa e, por isso, não admitia pensamentos filosóficos.
A alternativa B está correta.
O contato com os gregos, após a conquista da Magna Grécia, no Sul da Itália, para onde foram muitos dos
pensadores gregos após a invasão macedônica, estabeleceu o contato com o estoicismo e o epicurismo,
que passaram a influenciar a vida dos romanos nas mais variadas áreas de saber.
Teoria na prática
Vamos praticar?
 
Você pensa que a filosofia estoica é coisa do passado? Pois está redondamente enganado. O estoicismo é
praticado nos dias de hoje. Uma reportagem da BBC Brasil traz o título Estoicismo, a filosofia de 2 mil anos
cada vez mais usada como receita para sobreviver ao caos.
 
Vamos refletir juntos sobre o assunto. A filosofia estoica visava confortar o homem grego diante do caos
gerado com a invasão macedônica. O intuito era fazê-lo aceitar uma situação que não podia ser mudada e
com a qual era obrigado a conviver. Não somente aceitar, mas viver bem e feliz diante de todos os problemas.
A vida hoje traz uma série de dificuldades, muitas das quais fora do nosso alcance para solucionar. Percebeu
como o estoicismo fala intimamente com o homem moderno?
 
Leia a matéria, pense e tire suas próprias conclusões.
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A filosofia estoica visava confortar o homem grego diante do caos gerado com a invasão macedônica. O
intuito era fazê-lo aceitar uma situação que não podia ser mudada e com a qual era obrigado a conviver.
Não somente aceitar, mas viver bem e feliz diante de todos os problemas. A vida hoje traz uma série de
dificuldades, muitas das quais fora do nosso alcance para solucionar. Percebeu como o estoicismo fala
intimamente com o homem moderno? Leia a matéria, pense e tire suas próprias conclusões.
A herança estoicismo e epicurismo
A doutora em Letras Clássicas, Márcia Regina de Faria da Silva, diferencia estoicismo de epicurismo, no
período do helenismo, e apresenta elementos dessas duas correntes filosóficas ainda hoje.
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Questão 1
A respeito do estoicismo, podemos afirmar que:
A
Nega a existência dos deuses e a imortalidade da alma.
B
Prega que a felicidade só pode ser conquistada quando o homem abandona as perturbações da cidade.
C
Afirma que tudo foi criado pelo entrechoque de átomos.
D
Busca o prazer.
E
Acredita que os deuses criaram tudo de forma harmônica e providencial, cabendo ao homem aceitar sua
condição e tudo que lhe acontece.
A alternativa E está correta.
Para os estoicos, tudo foi criado da forma como tem que ser e o homem é sábio se souber aceitar sua
condição, embora no período do helenismo não negassem a existência dos deuses nem pregassem a
mortalidade da alma. Por outro lado, não estavam presos nem às questões cosmológicas pré-socráticas,
nem às preocupações epicuristas, como a relação com o prazer e com a fuga do mundo urbano.
Questão 2
Em relação aos filósofos anteriores, podemos afirmar que a contribuição inovadora de Aristóteles foi
A
o mundo das ideias.
B
a historiografia.
C
a metafísica.
D
o naturalismo.
E
a ética.
A alternativa C está correta.
Embora Aristóteles elabore conceitos já utilizados como a ética ou, ainda, sua preocupação naturalista
(com a classificação das espécies, por exemplo), sua contribuição inovadora ao pensamento filosófico foi a
metafísica. Especialmente no livro homônimo. Enquanto podemos atribuir uma fundamentação histórica a
Homero, atribuímos a concepção do mundo das ideias a Platão.
4. Conclusão
Considerações finais
Tudo o que foi visto nestes módulos mostra como é importante o conhecimento da cultura grega para
compreender melhor conceitos, instituições e até mesmo a estrutura da sociedade. A Antiguidade Clássica
não está apenas no passado, ela nos influencia até hoje, pois foram os gregos e os romanos que nos deram a
base do conhecimento nas mais diversas áreas de saber e que também legaram a nós muito de sua estrutura
política e social. As virtudes do herói, o arcabouço mítico e o pensamento filosófico são legados culturais que
fundamentam nossa sociedade e nosso saber ainda hoje. Por isso, quanto mais sabemos dos antigos gregos e
romanos, mais profundamente conhecemos o legado cultural que nos foi transmitido.
Podcast
Este podcast tem o objetivo de contribuir para que você perceba novos elementos acerca da herança da
cultura clássica.
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Para saber mais sobre os assuntos tratados neste conteúdo, leia:
 
As obras de Homero: Ilíada e Odisseia. São fáceis de serem encontradas até mesmo para baixar
gratuitamente.
 
O livro As origens do pensamento grego, de Jean-Pierre Vernant, uma autoridade no assunto.
 
O artigo O ensino de História Antiga: algumas reflexões, de Lisiana Silva e Jussemar Gonçalves,
apresentado no XXVIII Simpósio Nacional de História, ele traz uma importante reflexão sobre a relação
desse conteúdo tão importante com o âmbito escolar.
 
Pesquise:
 
Para um aprofundamento maior, pesquise na Perseus Digital Library obras clássicas na língua original
(grego, latim), com versão em inglês; além de informações sobre arqueologia.
Referências
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Edipro, 2020.
 
• 
• 
• 
• 
ELIADE, M. Mito e realidade. Tradução de Paola Civelli. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2019.
 
GABRECHT, A.; TRAGINO, A. Listas literárias na Ilíada: expressão de poder do exército grego e de Aquiles.
Revista Contexto, Vitória, n. 32, 2017/2, p. 80-97.
 
JAEGER, W. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
	O legado cultural da Antiguidade Clássica
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. A sociedade grega na Antiguidade
	Quem eram os gregos?
	Saiba mais
	As narrativas dos heróis
	Aedos
	Rapsodos
	A educação na época homérica
	O conceito de areté
	Comentário
	Areté heroica
	A busca
	Os poemas homéricos
	Saiba mais
	Saiba mais
	Saiba mais
	Hesíodo e o homem do campo
	Hesíodo
	Homero
	Mão na massa
	Teoria na prática
	A influência de Homero e Hesíodo para a constituição da cultura
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. O mito e a religião
	O que é o mito?
	O que é o mito?
	Mito cosmogônico
	Rito e religião
	Mito escatológico
	Exemplo
	Recomendação
	As lendas
	Os mitos gregos
	Réia
	Têmis
	Mnemósina
	Tétis
	Cronos é a personificação do tempo, aquele que tudo devora.
	A origem do homem e Prometeu
	O dilúvio
	Mão na massa
	Teoria na prática
	Mito e sociedade contemporânea
	Conteúdo interativo
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	3. A filosofia grega e o pensamento racional
	Do pensamento mítico ao filosófico
	O estoicismo
	O epicurismo
	Saiba mais
	religião
	filosofia
	gramática
	história
	poesia lírica
	Mão na massa
	Teoria na prática
	A herança estoicismo e epicurismo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
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	Referências

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