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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE BELÉM/PA IGREJA AMOR E VERDADE, entidade religiosa, inscrita no CNPJ/MF sob o nº XXX, com sede estadual na Rodovia BR 316, KM XX nº XXX, Bairro Castanheira, na cidade de Belém-PA, CEP: XXX, neste ato representado por seu advogado, conforme instrumento em anexo, com endereço profissional na Rua XXX, nº XX, Bairro XXX, CEP: XXX, Belém-PA, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 300 e 319 do CPC, art. 156, I,§ 1°- A da CF/88 e demais, propor a presente AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA em face do MUNICÍPIO DE BELÉM, pessoa jurídica de direito público, com sede na Avenida XXX, nº XXXX, Bairro XXX, CEP: XXXX, Belém-PA, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir: DOS FATOS A Autora é proprietária de um imóvel localizado na Rua Fé em Deus, nº 100, Carananduba, Distrito de Mosqueiro, município de Belém-PA, conforme inscrição imobiliária municipal nº XXX/XXXX/XX/XX/XXXX/XXX/XXX-XX. O referido imóvel é utilizado, há anos, para a realização de cultos religiosos e demais atividades relacionadas aos objetivos institucionais da Igreja, gozando, portanto, da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “b” da Constituição Federal. Em 01/01/2023, o imóvel foi alugado para terceiro, o que foi identificado pela Prefeitura Municipal de Belém, que passou a lançar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) sobre o bem, sob o argumento de que o imóvel não estaria mais sendo utilizado diretamente para fins religiosos. DOS FUNDAMENTOS JURIDICOS A imunidade tributária conferida às entidades religiosas encontra-se garantida pelo art. 150, VI, “b” da Constituição Federal, sendo uma proteção que visa garantir o livre exercício dos cultos religiosos. O §1º-A do art. 156 da CF/88, incluída pela Emenda Constitucional nº 103/2019, estabelece que a imunidade se estende aos imóveis de propriedade das entidades religiosas, ainda que controladas, desde que a renda seja aplicada nas atividades essenciais da instituição. "§ 1º-A. A imunidade tributária de que trata a cláusula 'b' do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal aplica-se ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com as especificamente essenciais das entidades religiosas e dos templos de qualquer culto, inclusive sobre os imóveis que pertencem às propriedades, desde que a renda seja aplicada nas atividades essenciais da entidade." No presente caso, a Autora aluga o referido imóvel, mas destina os valores arrecadados com o aluguel à manutenção de suas atividades essenciais, conforme se exige a comprovar no curso do processo. Nesse sentido, a cobrança de IPTU pela Prefeitura de Belém é manifestamente indevida e deve ser anulada, uma vez que a Autora preencha os requisitos constitucionais para gozar da imunidade tributária. DA TUTELA DE URGÊNCIA Ante as declarações da autora, devidamente instruídas pelos documentos comprobatórios que acompanham a presente exordial, resta evidente a urgência e necessidade de se obter um provimento jurisdicional de forma antecipada, devido à plausibilidade do direito estar demonstrada pela evidente irregularidade do lançamento de IPTU sobre o imóvel em questão. Destaca-se que o artigo 156, I, §1º-A, versa que o imposto supracitado não incide sobre templos de qualquer culto, mesmo que tais entidades sejam apenas locatárias do bem imóvel. Já o perigo de dano irreparável e de difícil reparação se mostra patente diante da situação descrita e com a possibilidade de o réu determinar a inscrição do referido débito na Dívida Ativa do Estado, ajuizando ação de Execução Fiscal com a penhora de bens da parte autora. Assim, os moldes do artigo 294 e 300 do Código de Processo Civil vigente asseguram: “Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência. Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental.” [...] “Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.” Diante disso, requer-se a concessão de tutela de urgência para suspender a exigibilidade do crédito tributário referente ao IPTU do imóvel da Autora, até o julgamento final da presente ação. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer a Vossa Excelência: a. A concessão da Tutela de Urgência, para que a Prefeitura do município de Belém: I. Suspenda, imediatamente, a exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 1511, V, do CTN, o qual suspende a exigibilidade quando concedida liminar ou tutela antecipada, sob pena de multa; II. Além de suspender ação de execução fiscal quanto a irregular cobrança do crédito em questão, sob pena de multa; b. A citação do Município de Belém, para que, querendo, apresente contestação no prazo legal; c. Ao final, a procedência total da ação, declarando-se a nulidade do lançamento do IPTU sobre o imóvel objeto desta ação, em razão da imunidade tributária prevista na Constituição Federal; d. A condenação do Município de Belém nas custas processuais e honorários advocatícios, conforme dispõe o art. 85 do CPC; Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente documental, testemunhal e pericial se necessário. Nestes termos, pede deferimento. Belém-PA, 11 de setembro de 2024. Advogado OAB/PA nº XXX Turma: 10NTA André Luiz Saldanha Sousa da Silva – 04048668 Lucas Manassés de Jesus Silva – 04086105 Leonardo Luiz Freitas da Silva – 04063113 Victoria Portal Savino – 17032153 Willian Inajosa Costa – 04119416 Yan Stephen Portal de Lima – 26149118